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Ciências Da Natureza: Movimento Do Aprender

Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Movimento

do aprender
CIÊNCIAS DA FU
NDAMENT

NATUREZA
A

L
º

ENSIN
ano
Movimento
do aprender

CIÊNCIAS

DAMENTAL
N
U

8 º
F
ENSINO

ano
Serviço Social da Indústria – SESI
Departamento Regional de São Paulo

Avenida Paulista, 1.313


01311-923 – São Paulo – SP
[Link]

Presidente
Josué Christiano Gomes da Silva
Superintendente do SESI-SP
Alexandre Ribeiro Meyer Pflug
Diretoria Corporativa SESI-SP e SENAI-SP
Marta Alves Petti
Gerência Executiva de Educação
Roberto Xavier Augusto Filho
Gerência de Educação Básica
Ivy Daniele Gavazzi Sandim

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Editora SESI-SP
Ciências : Ensino Fundamental : 8o ano / Editora SESI-SP. – 2. ed. – São
Paulo : SESI-SP editora, 2023.
280 p. : il. color. – (Movimento aprender. Ensino Fundamental ; 8).
Inclui bibliografias.
ISBN 978-65-5938-385-6
1. Ciências 2. Ensino Fundamental 3. Estudo e Ensino I. Título. II. Série.
CDD: 372.307

Índice para catálogo sistemático:


1. Ciências – Ensino Fundamental – Estudo e Ensino
2. Ensino Fundamental – Estudo e Ensino – Ciências
3. Estudo e Ensino – Ciências – Ensino Fundamental

Bibliotecário responsável: Luiz Valter Vasconcelos Júnior CRB-8 8446O

A SESI-SP Editora empenhou-se em identificar e contatar todos os responsáveis


pelos direitos autorais das imagens e dos textos reproduzidos neste livro.
Se, porventura, for constatada omissão na identificação de algum material,
dispomo-nos a efetuar, futuramente, os possíveis acertos.
Movimento
do aprender

CIÊNCIAS

DAMENTAL
N
U

8 º
F
ENSINO

ano

2a edição
1a reimpressão
São Paulo, 2024
Av. Paulista, 1.313, 6o andar
01311-923 – São Paulo – SP
editora@[Link]
[Link]

Gerência editorial Coordenação do projeto


Adilson Castro de Souza Rocha Lilian Engracia dos Santos
Luis Paulo Martins
Coordenação editorial
Glauce Perusso Pereira Dias Muniz Imagem de capa
Getty Images
Edição
Felipe Santos de Torre Elaboração de conteúdo
Luciana Cordeiro Shirakawa Edição atual
Rodrigo Orsi Anderson de Sousa Trindade
Carolina Puras da Rocha
Assistência editorial Everton Santos Dias
Mariane Cristina de Oliveira Leandro Felix de Oliveira
Simone Falconi Akkawi
Preparação de texto Willyan Roberto Scheid da Silva
Partners Comunicação Integrada
Edição anterior
Revisão Alessandra Tozi
Partners Comunicação Integrada Cristiane Roldão
Daniel de Souza Gomes
Coordenação de produção gráfica Daniel Freire
Rafael Zemantauskas Everaldo dos Santos Santos
Hamilton Santos da Silva
Produção gráfica
Helena Ignacio Moraes Modenezi
Ana Carolina Almeida de Moura
Helika Amemiya Chikuchi
Projeto gráfico Jailson Rodrigo Pacheco
Globaltec Lílian Ávila
Marcelo Jorge de Moraes
Adaptação e diagramação Marilize Crepaldi
Partners Comunicação Integrada Mário Conceição Oliveira
Nilson Müller
Direitos autorais Reinaldo Rosa
Edilza Alves Leite Rossana Ishii Chida
Viviane Medeiros de Souza Guedes Sheldon Hiller

© SESI-SP Editora, 2023


Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou transmitida
sem a permissão expressa do SESI-SP.
APRESENTAÇÃO

A coleção Movimento do aprender considera você protagonista de sua aprendizagem


e tem como propósito provocar reflexões, suscitar uma visão crítica de mundo e estimular
o compartilhamento de saberes, sempre considerando sua bagagem como matéria-prima
para um processo de ensino efetivo e duradouro.

A fim de viabilizar esse objetivo, as situações apresentadas ao longo da coleção foram


concebidas para que você levante hipóteses, desenvolva sua criatividade, confronte
diferentes pensamentos e apresente ideias originais para a resolução de problemas. Além
disso, os conteúdos são explorados de modo a estabelecer conexões entre as diferentes
áreas do conhecimento, favorecendo o desenvolvimento de projetos interdisciplinares,
bem como o pensamento crítico e inovador.

Os boxes que integram o material oferecem diversas ferramentas para acompanhar você
nesse percurso de descobertas e novos aprendizados, como o Roda de conversa, que
propõe debates para contextualizar as informações apresentadas; o Você sabia?, que
traz curiosidades a respeito do tema trabalhado; o Conecte-se, que amplia o escopo
dos objetos tratados com uma abordagem multimídia; e o Saiba mais, que disponibiliza
conteúdo extra para complementar seu conhecimento. Em Ciências, o boxe Ciência e
tecnologia demonstra as aplicações dos aprendizados teóricos. Já o boxe Sociedade e
ambiente apresenta debates sobre a questão ambiental e seu impacto na vida contem-
porânea.

O mundo contemporâneo é repleto de elementos científicos que influenciam diretamente


a vida de cada pessoa. Este livro coloca em pauta a relação entre o ser humano e a natu-
reza, sempre estimulando o desenvolvimento da investigação e da observação, para que
você se posicione como agente transformador da realidade.

Sempre em contato com o cotidiano, os conhecimentos construídos em sala de aula dia-


logam com a vida real e transformam a maneira como você enxerga o mundo ao redor,
incentivando uma interação cada vez mais significativa com a sociedade.

Bons estudos!
SUMÁRIO

CONHEÇA SEU LIVRO / 8

CAPÍTULOS
1 ELETRICIDADE
NO DIA A DIA / 10

2 REAÇÕES
QUÍMICAS / 26

3 SOM / 46

4 HIDROSTÁTICA / 62

5 LUZ: ALÉM DO QUE


PODEMOS VER / 78

6 ENERGIA / 96

7 EVOLUÇÃO DA VIDA
NA TERRA / 116
8 DIVERSIDADE
DA VIDA / 152

9 FISIOLOGIA ANIMAL
COMPARADA / 178

10 TEMPO E
CLIMA / 200

11 GESTAÇÃO:
VIDA E SAÚDE / 220

12 FORÇA E
INÉRCIA / 242

13 RECURSOS
NATURAIS / 258

REFERÊNCIAS / 280
CONHEÇA SEU LIVRO

Elaborado com atividades desafiadoras que favorecem as vivências práticas e uma apren-
dizagem significativa, o Movimento do aprender está organizado de forma a provocar
o diálogo, a reflexão, o debate e a exposição de diferentes pontos de vista. O conteúdo
presente ao longo do livro o auxiliará em seus estudos.

Construindo
conhecimentos: seção
inicial e contínua, contempla
todo o conteúdo e todas as
atividades de cada capítulo.

Roda de conversa:
propõe momentos de
diálogo para levantar seus
conhecimentos prévios.

Atenção!: explica ou
sistematiza um conceito
explorado no capítulo.

Conecte-se: sugere
outras ferramentas para
apropriação e prática dos
conteúdos trabalhados.

8 Ciências • Movimento do aprender


Você sabia?: amplia Sociedade e ambiente: O que aprendi: propõe
as informações aborda assuntos relacionados um momento para
apresentadas no a questões ambientais e reflexão, sistematização
capítulo, contendo seus impactos na sociedade, e autoavaliação sobre os
curiosidades, biografias, trazendo textos que conhecimentos construídos
atualidades, aspectos enfatizam a ligação entre o ao longo do capítulo.
históricos, entre outros. meio social e o ambiente.

Saiba mais: apresenta Ciência e tecnologia: amplia


indicações de materiais as relações entre ciência e
complementares – como tecnologia com textos que
livros, filmes, sites, apresentam informações
documentários etc. – atuais e relevantes em
a respeito do tema diversas áreas, como saúde,
abordado. indústria, biotecnologia,
energia, engenharia e
esporte.

Conheça seu livro • Ciências 9


CAPÍTULO

1 ELETRICIDADE
NO DIA A DIA

Anton Petrus/Getty Images


CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

gwmullis/Getty Images
RODA DE CONVERSA

• Em sua opinião, como a energia elétrica é distribuída aos cômodos das residências?
• O que acontece quando falta energia em sua casa ou em seu bairro? O que os adultos
fazem para resolver a situação?
• Se não tivéssemos acesso à energia elétrica, como acha que seria a nossa vida?
• Será que nosso corpo também necessita de eletricidade para funcionar, como alguns
equipamentos que conhecemos?

11
1 Observe a sua residência com atenção e responda às questões a seguir.

a. Quais são os itens que consomem eletricidade para funcionar?

b. A eletricidade produzida nas usinas chega às nossas residências e faz funcionar


todos os itens mencionados na resposta da pergunta anterior. Quais são os com-
ponentes elétricos usados para distribuir a eletricidade dentro de sua residência?

c. De posse da lista de componentes elétricos mencionados no item b, explique


como eles agem em conjunto para funcionar a contento.

12 Ciências • Movimento do aprender


2 Leia o texto a seguir, que traz informações importantes sobre corrente elétrica.

Corrente elétrica: o movimento ordenado de elétrons em condutores


Os átomos que constituem a matéria são formados por um núcleo composto de partí-
culas dotadas de carga elétrica positiva (prótons) e de partículas sem carga elétrica (nêu-
trons). A parte externa do átomo, conhecida como eletrosfera, é constituída por elétrons,
que são partículas dotadas de carga elétrica negativa.
As cargas elétricas criam, no espaço à sua volta, condições para que outras cargas
sejam atraídas ou repelidas, criando um potencial elétrico em cada ponto do espaço.
Quando colocamos cargas elétricas em regiões que possuem uma diferença de potencial,
elas sofrem ação de uma força elétrica, o que pode ser utilizado para criar um movimen-
to ordenado de cargas elétricas, como num fio de cobre.
As redes elétricas e os aparelhos elétricos em geral utilizam fios de materiais metá-
licos, que são bons condutores de eletricidade por possuírem muitos elétrons livres, ou
seja, alguns elétrons do material podem se deslocar livremente de um átomo a outro.
Quando as extremidades desses fios são colocadas em pontos com diferença de potencial
entre eles, como os polos de uma pilha, os elétrons livres do fio se movimentam conti-
nuamente numa determinada direção (corrente contínua). Mas, quando há uma alter-
nância entre os polos, como na rede elétrica das casas, os elétrons mudam de direção
com a mesma frequência (corrente alternada).
Ou seja, quando ligamos as extremidades de um fio aos polos com diferentes poten-
ciais, criamos um circuito elétrico que permite o movimento dos elétrons na direção de
um polo para o outro.

Arte/Partners
Fase

Tomada Retorno
Ilustração de um circuito elétrico simples.

Ao se moverem, os elétrons possuem uma energia de movimento, ou energia cinética,


que pode ser usada, por exemplo, para o funcionamento de aparelhos elétricos.
Por meio de diversos elementos (resistores, capacitores etc.) que são agregados aos
circuitos elétricos, podemos controlar a corrente elétrica para que os aparelhos elétri-
cos realizem determinadas funcionalidades com certos fins, como nos computadores,
smartphones, televisores etc.
Para que uma lâmpada acenda, ela deve estar conectada a um gerador, como uma pilha,
de tal maneira que se forme um caminho fechado para a passagem da corrente elétrica.

Eletricidade no dia a dia • Capítulo 1 13


• Agora, responda ao que se pede.
Em qual(is) das situações a seguir você acha que a lâmpada acenderá? Justifique sua
resposta.

a) b) c) d)

Arte/Partners
e) f) g) h)

ATENÇÃO

GRANDEZAS FÍSICAS
A grandeza física pode ser definida como o ato de se medir utilizando um número
e uma unidade de medida que forneça informações numéricas e até mesmo geométri-
cas dos fenômenos da natureza. O tempo, a temperatura, a velocidade, a aceleração e
a força são alguns exemplos de grandeza física. A tensão elétrica, a corrente elétrica
e a resistência elétrica são exemplos de grandezas no ramo da eletricidade.
Tensão
A tensão elétrica é definida pela diferença de potencial entre dois pontos. Por
meio dela, temos a movimentação ordenada das cargas elétricas que estão livres
em um meio condutor. Essa grandeza seria análoga ao desnível entre a torneira da
cozinha e o reservatório de água de uma residência. Quanto maior a altura do reser-
vatório, maior será a pressão com que a água sairá pela torneira. Na tensão elétrica,
a unidade de medida é o volt (V).

14 Ciências • Movimento do aprender


Corrente elétrica
Podemos fazer uma analogia da corrente elétrica com o fluxo de água que passa
pelo cano que liga o reservatório à torneira. O fluxo de água gera um volume que
passa através do cano por um período de tempo. Fazendo a comparação, a corrente
elétrica seria o fluxo ordenado de cargas elétricas em um fio condutor. Na corrente
elétrica, a unidade de medida é o ampere (A).
Resistência elétrica
A resistência elétrica é definida pela oposição que um corpo material oferece
à passagem de corrente elétrica. Podemos pensar nessa oposição fazendo analo-
gia com materiais, tais como o cobre e o revestimento de borracha de um alicate
universal. O fluxo de corrente elétrica ocorre com facilidade no cobre, mas não é
verificado no revestimento de borracha, onde é muito pequeno e até nulo, variando
conforme o valor de tensão aplicado. Na resistência elétrica, a unidade de medida
é o ohm (Ω).

3 Uma pilha transforma energia química em energia elétrica, que pode ser usada em
um circuito como fonte de energia para vários componentes. Vamos investigar agora
como algumas pilhas podem ser ligadas entre si para fornecer energia a um circuito.
Registre suas observações no caderno.

Materiais
• 3 pilhas
• 2 lâmpadas de 2,2 a 3 volts
• 2 soquetes para as lâmpadas
• fios de cobre de 1 mm com 20 cm de comprimento e as extremidades desencapadas
Arte/Partners

Eletricidade no dia a dia • Capítulo 1 15


Procedimento
Circuito 1
• Rosqueie cuidadosamente uma lâmpada em um soquete.
• Descasque as pontas de dois pedaços de fio de cobre.
• Ligue as pontas de um pedaço de fio à extremidade de uma pilha e a um dos con-
tatos do soquete.
• Ligue o outro pedaço de fio à outra extremidade da pilha e ao outro contato
do soquete.
Circuito 2
• Monte outro conjunto idêntico ao anterior, usando, desta vez, duas pilhas conecta-
das entre si pelas extremidades.

No caderno, faça o que se pede a seguir.


a. Que diferença você observou entre os Circuitos 1 e 2?
b. No Circuito 2, inverta a posição de conexão de uma das pilhas. Registre o que
observou.
c. Que alterações você proporia na ligação entre as duas pilhas do Circuito 2
para manter o circuito funcionando como no Circuito 1? Teste suas propos-
tas e registre suas observações.

4 Em sua residência, as lâmpadas utilizadas para iluminação ou decoração são ligadas


por fios até a rede de energia. Vamos investigar como algumas lâmpadas podem ser
ligadas a uma fonte de energia elétrica e verificar algumas características das diferen-
tes ligações propostas. Registre suas observações no caderno.

PARTE I – CIRCUITO EM SÉRIE


Materiais
• 3 pilhas
• 2 lâmpadas de 2,2 a 3 volts
• 2 soquetes para lâmpadas
• fios de cobre de 1 mm com 20 cm de comprimento e as extremidades desencapadas
Arte/Partners

16 Ciências • Movimento do aprender


Procedimento
Circuito 3
• Rosqueie cuidadosamente duas lâmpadas em dois soquetes.
• Usando um fio de cobre, ligue um contato de um soquete com um contato do
outro.
• Usando dois fios, ligue cada contato livre dos soquetes nas extremidades de duas
pilhas conectadas entre si.
• Com o circuito montado, tire cuidadosamente uma das lâmpadas do soquete.

PARTE II – CIRCUITOS EM PARALELO


Procedimento
Circuito 4
• Rosqueie cuidadosamente duas lâmpadas em dois soquetes.
• Usando dois fios de cobre, ligue cada contato de um soquete com um contato livre
do outro.
• Ligue outro fio em um dos contatos de um soquete e em uma extremidade de duas
pilhas conectadas entre si.
• Ligue outro fio no outro contato do mesmo soquete com a outra extremidade
das pilhas.

Responda no caderno.

a. Com o Circuito 4 montado, retire cuidadosamente uma das lâmpadas e registre


suas observações.
b. Descreva o tipo de circuito utilizado na ligação das lâmpadas de sua residência,
justificando cientificamente sua resposta.
c. Descreva o tipo de circuito utilizado na ligação dos conjuntos de lâmpadas de
decoração de Natal, explicando cientificamente sua resposta.

d. Produza um texto dissertativo, comparando as características dos circuitos monta-


dos por você até este momento.

5 Utilizando os materiais a seguir, monte um circuito em que alguns ramos possuam


características de associação de lâmpadas em série e outro ramo possua caracte-
rísticas de uma associação em paralelo. Exponha suas montagens para o professor
e seus colegas.

Eletricidade no dia a dia • Capítulo 1 17


Circuito misto
Materiais
• pilhas
• lâmpadas de 2,2 a 3 volts
• soquetes para lâmpadas
• fios de cobre de 1 mm com 20 cm de comprimento e as extremidades desencapadas

Arte/Partners
6 Calculadora a limão? Vamos experimentar como isso funciona!
Materiais
• 2 limões grandes
• 5 fios de cobre de 1 mm, com 10 cm de comprimento e as extremidades desenca-
padas
• 6 garras
• calculadora simples que possa ser desmontada
• 2 moedas de cobre (de 1 ou 5 centavos) bem limpas
• 2 pregos médios novos
• estilete
Arte/Partners

18 Ciências • Movimento do aprender


Procedimento
• Pegue três fios e conecte garras em suas extremidades.
• Com o auxílio do professor, conecte os outros dois fios aos contatos da bateria (ou
pilha) da calculadora.
• Insira um prego na lateral de cada limão, sem atravessá-lo.
• Faça com o estilete um corte pequeno na lateral de cada limão e insira a moeda no
corte, deixando uma pequena parte para fora. Tome cuidado ao manusear o estilete.
• Coloque os limões lado a lado e conecte a moeda de um limão ao prego do outro
limão, utilizando um fio com garras.
• Conecte a moeda do outro limão a um dos fios da calculadora, utilizando um fio
com garras.
• Conecte o outro prego ao segundo fio da calculadora, novamente utilizando um
fio com garras.
• Ligue a calculadora.
• Descreva, em seu caderno, o que você observou e depois acrescente uma explica-
ção científica.

ATENÇÃO!

EXISTE ELETRICIDADE NO CORPO HUMANO!


O nosso corpo é um produtor de energia elétrica. O ser humano é formado por
cerca de 60% de solução salina ou de soro fisiológico, sendo, assim, um excelen-
te condutor de energia elétrica. A cada batimento cardíaco, é gerada uma corren-
te e uma potência elétrica. Esses valores de potência podem variar, por exemplo,
conforme a condutibilidade elétrica que cada corpo possui e com as substâncias
presentes nas células de cada organismo.
A energia elétrica produzida no nosso corpo é chamada de bioeletricidade,
sendo vista facilmente em exames como eletrocardiograma ou eletroecenfalo-
grama. A bioeletricidade pode ser vista no corpo humano em partes como o sis-
tema nervoso, as células dos músculos e os neurônios. Também pode ser vista,
por exemplo, no processo de recomposição dos machucados e na regeneração
da pele de anfíbios e répteis.
A condução de energia elétrica no corpo dos seres humanos pode variar confor-
me a hidratação da pele de cada um. Peles úmidas, por exemplo, apresentam me-
nor resistência elétrica, e, em uma pele seca, observa-se o oposto. Quanto maior a
resistência elétrica, menor a corrente elétrica que passa pelo meio condutor.

7 Podemos imaginar que o corpo humano é um circuito elétrico movido pela eletrici-
dade. Elétrons circulam constantemente pelo nosso sistema nervoso. É por causa de
impulsos elétricos que enxergamos o mundo que nos cerca. A luz refletida por um
objeto chega aos nossos olhos e forma na retina uma imagem invertida desse objeto.

Eletricidade no dia a dia • Capítulo 1 19


Na retina existem células especiais que transformam a imagem em impulsos elétricos
que são transmitidos ao cérebro pelo nervo óptico. O cérebro interpreta esses impul-
sos elétricos e coloca a imagem na posição normal.

Arte/Partners
cristalino

retina

• Reúna-se com alguns colegas e façam uma pesquisa sobre quais sentidos, além
da visão, produzem impulsos elétricos no corpo humano. Organize as informações
obtidas em uma apresentação multimídia.

VOCÊ SABIA?

Antagain/Getty Images
PORAQUÊ
O peixe-elétrico da Amazônia, que pode chegar a
dois metros de comprimento, é conhecido popular-
mente como poraquê.
O nome poraquê, na língua tupi, significa “o que co-
loca para dormir”. Na verdade, esse peixe não poderia
ter nome melhor. Graças à presença de células mus-
culares especializadas, chamadas de eletrócitos, seu
corpo é capaz de produzir energia elétrica e captá-la.
Essas células encontram-se na cauda do animal, que Poraquê (Electrophorus electricus) é
corresponde a 90% do seu corpo. um peixe-elétrico amazônico.

A diferença entre uma célula muscular normal e um eletrócito é que, enquanto a pri-
meira se contrai ao receber um estímulo nervoso, a segunda é adaptada para transfor-
mar o estímulo em eletricidade. Isso acontece por meio da entrada e saída de partícu-
las, com cargas elétricas positivas e negativas, nas células. Segundo diversos estudos,
esse peixe é capaz de produzir até 1 500 volts.
O poraquê pode ser comparado a uma pilha, já que a parte da frente de seu corpo
tem carga positiva, enquanto a ponta de sua cauda é de carga negativa. Por isso, se uma
pessoa pegar na cabeça e na extremidade final de seu corpo ao mesmo tempo, o choque
terá o poder de “fritar” a vítima em questão de segundos.
Fonte: APRILE, Mariana. Poraquê: Como vive o peixe-elétrico da Amazônia. UOL Educação. [Adaptado].
Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 18 jan. 2022.

20 Ciências • Movimento do aprender


8 O choque elétrico é um acidente que infelizmente ocorre com frequência não só com
seres humanos. Muitos animais, inclusive silvestres, têm sofrido choques em muitas
regiões próximas a áreas urbanas. Leia a respeito no texto a seguir.

SAGUIS FICAM FERIDOS NA REDE ELÉTRICA EM ALAGOAS.


ÓRGÃO AMBIENTAL DIVULGA O PROBLEMA SEM APRESENTAR SOLUÇÃO
O número de saguis debilitados encaminhados ao Centro de Triagem de Animais
Silvestres (Cetas) mais que dobrou neste ano, a maioria eletrocutados. A informação é
da equipe multidisciplinar formada pelos profissionais do Instituto do Meio Ambiente
do Estado de Alagoas (IMA/AL) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama).
Este é um quadro constante. Semanalmente cerca de três indivíduos da espécie che-
gam ao Centro necessitando de cuidados, mas só em 2020 os registros confirmam o
tratamento de 150 saguis, superando a média anual dos anos anteriores (65). Deste
número, 95% foram atingidos por choque elétrico e 5% por outros motivos: doenças,
ataque de cães e atropelamento.
[...]
“O sagui é um animal que pode viver mesmo em pequenos fragmentos de mata,
mas, afetado pela expansão urbana, pode usar linhas elétricas para ir até as áreas
residenciais em busca de alimento, costumeiramente oferecido pelos humanos. No en-
tanto, essa prática tanto desestimula a procura por alimentos naturais quanto pode
oferecer risco para o animal e cidadãos”, adverte Epitácio Correia, gerente de Fauna,
Flora e Unidades de Conservação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recur-
sos Naturais Renováveis (Ibama).
Esta interação fornece aos saguis o perigo de sequelas permanente ou mesmo morte
por choque elétrico, já aos humanos, o animal pode ser hospedeiro de doenças perigo-
sas. Epitácio destaca tuberculose, raiva, herpesvírus, fungos e verminose, todas essas
somente no primata.
[...]
Ao se deparar com um sagui debilitado, seja por choque, atropelamento, ataque de
cão etc., deve-se entrar em contato com o Batalhão de Polícia Ambiental. No entanto,
o cidadão também pode fazer o resgate do animal, afirma Ana Cecília, veterinária do
IMA alocada no Cetas.
“Recomendamos que o cidadão segure o animal pela ponta da cauda, assim dificul-
tando uma possível reação de defesa; coloque-o em uma caixa de papelão e se dirija ao
Cetas”, explica a veterinária.
[...]
Fonte: MARQUES, Dimas. Saguis ficam feridos na rede elétrica em AL. Órgão ambiental divulga o problema sem apresentar
solução. Fauna News, São Paulo, 14 dez. 2020. [Adaptado]. Disponível em: [Link]
ficam-feridos-na-rede-eletrica-em-al-orgao-ambiental-divulga-o-problema-sem-apresentar-solucao/. Acesso em: 27 jan. 2022.

Eletricidade no dia a dia • Capítulo 1 21


Em grupos, discutam as questões a seguir e registrem suas conclusões.

a. Por que a intensa urbanização e a ocupação desordenada das áreas naturais


causam o aumento de animais silvestres vítimas de choques elétricos?

b. Quais são as ações que vocês acreditam que possam ser tomadas para diminuir esses
acidentes?

c. Os choques elétricos ameaçam apenas os animais silvestres? Que ações vocês


podem tomar para protegerem seus animais de estimação desse perigo?

d. Façam uma campanha para prevenir que animais domésticos e silvestres sejam
vítimas de choques elétricos. Vocês podem preparar cartazes chamando a atenção
das pessoas para o problema e sugerir ações concretas que possam ser adotadas.

9 Monte um grupo para preparar uma apresentação sobre as situações e os ambientes


que oferecem risco de choque elétrico para as pessoas. Investigue os perigos presen-
tes em ambientes residenciais, industriais e nas ligações clandestinas de eletricidade.
Não se esqueça de incluir informações sobre os efeitos de choques elétricos no
organismo humano, propostas de ações preventivas e procedimentos em caso
de acidentes.
Os grupos deverão apresentar os resultados da pesquisa para a classe, na forma de
um seminário. Sempre que for possível, ilustre sua apresentação com imagens que
possam melhorar a compreensão dos colegas.

22 Ciências • Movimento do aprender


CIÊNCIA E TECNOLOGIA

ELETROTERAPIA: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO


A relação entre eletricidade e medicina é bastante estreita e, a cada dia que passa, suas
técnicas se aprimoram. Atualmente, o termo eletroterapia pode se aplicar a uma variedade
de tratamentos, incluindo o uso de corrente direta e a utilização de aparelhos elétricos.
Entre os exames diagnósticos mais conhecidos, cuja base é a eletricidade, estão o
eletrocardiograma e o eletroencefalograma, exames que se destinam a verificar se os
impulsos elétricos gerados pelo corpo estão corretos.
O eletrocardiograma mede os impulsos elétricos gerados para sincronizar os bati-
mentos do coração. São impulsos pequenos, e, à medida que se faz algum esforço, o
órgão altera o ritmo de batimento. Os sinais são captados por meio de eletrodos fixados
no peito do paciente para registrar a formação do sinal elétrico do coração.
O eletroencefalograma verifica a qualidade dos sinais elétricos emitidos pelo cérebro de
forma contínua e, caso haja alguma arritmia, nome dado aos comportamentos irregulares
do cérebro, o exame detecta o problema.

Renewer/Istock
No caso dos equipamentos para tratamento,
o desfibrilador é um dos mais conhecidos e é utili-
zado quando o coração apresenta contrações fora
de ritmo ou sofre uma parada. O objetivo do des-
fibrilador é retomar os sinais elétricos do coração
para que ele volte a pulsar corretamente. Para
isso é aplicado um impulso elétrico diretamente
no coração por meio de dois eletrodos.
Desfibrilador cardíaco.
Desfibrilador cardíaco
O marca-passo é outro aparelho que funciona como um gerador de impulso elétrico
para corrigir os batimentos, quando o paciente começa a ter problemas dessa ordem.
Quando o coração não funciona com o batimento correto ou sofre pequenas paradas, o
marca-passo gera um sinal elétrico dentro do corpo, também aplicado diretamente no
coração, e garante seu batimento correto.
chombosan/Istock

DieterMeyrl/Istock

Ilustração (à esquerda) e radiografia (à direita) que mostram um


marca-passo no interior do tórax de um paciente.
Fonte: MENDONÇA, Luciana. Eletricidade que dá vida. Portal O Setor Elétrico, ago. 2011. [Adaptado].
Disponível em: [Link] Acesso em: 18 jan. 2022.

Eletricidade no dia a dia • Capítulo 1 23


SOCIEDADE E AMBIENTE

O PERIGO DAS BARRAGENS ELÉTRICAS NA AMAZÔNIA


A Amazônia, além de ser conhecida pelo seu título de maior floresta tropical do planeta,
possui a maior bacia hidrográfica do mundo. Seu principal rio, o Amazonas, é alimentado por
afluentes que ramificam em mais de 1 100 rios. Como há uma capacidade enorme de gerar
eletricidade, esses fluxos de água, que formam um sistema de drenagem sem outro igual, têm
despertado em empresas e governos o interesse na construção de hidrelétricas para obter, por
meio de barragens, geração de energia. Ao menos 158 barragens foram constadas na bacia
amazônica – muitas em operação e outras tantas em construção. O exemplo mais famoso
dessas barragens é Belo Monte, considerado o quarto maior projeto hidrelétrico do mundo,
cuja obra trouxe consequências graves à natureza.

StockLapse/Getty Images

Usina de Belo Monte em construção.

A barragem de Belo Monte foi responsável por bloquear o Rio Xingu, importante afluente
do Amazonas. Seu reservatório inundou 518 quilômetros quadrados, deslocou mais de 20 000
pessoas e causou danos extensos a um ecossistema de rio que contém mais de 500 espécies
de peixes, boa parte deles não encontrada em nenhum outro lugar. Além disso, o ciclo sazonal
natural do Xingu inclui um período longo de baixa vazão que impossibilita Belo Monte de
utilizar muitas de suas turbinas durante grande parte do ano.
Ecossistemas fluviais transformados em reservatórios prejudicam a diversidade aquática.
As barragens aprisionam sedimentos ricos em nutrientes que seriam naturalmente transpor-
tados pelo fluxo das águas e bloqueiam as migrações anuais de peixes. Essas consequências
geradas pela construção de barragens hidrelétricas merecem e devem ser debatidas pela
sociedade, especialistas e autoridades públicas.

24 Ciências • Movimento do aprender


SAIBA MAIS

Livros
Eletricidade chocante
Autor: Nick Arnold

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Editora: Melhoramentos
Este livro apresenta a eletricidade de maneira divertida. Nele você
poderá aprender mais sobre a eletricidade, o que ela é e como é
produzida. Também traz descobertas feitas por vários cientistas e
curiosidades, como por que a eletricidade sustenta os batimentos
do coração e como as enguias conseguem dar choque.

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Autor: Kazuhiro Fujitaki


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Os conceitos de eletricidade são trabalhados de maneira divertida e
simples por meio da utilização da linguagem utilizada em mangás.

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Instalação elétrica: Investigando e aprendendo
Autores: Aurélio Gonçalves Filho e Elisabeth Barolli
Editora: Scipione
Este livro aborda a eletricidade prática, como instalação elétrica residencial.

O QUE APRENDI

Agora chegou o momento de você escrever um artigo sobre as informações estudadas


no capítulo.
Os pontos importantes a serem incluídos no artigo são: o que é a corrente elétrica; as
características de circuitos simples, em série e em paralelo; quais são os componentes de um
circuito elétrico real; os efeitos da corrente elétrica em seres vivos e formas de prevenção de
acidentes com eletricidade.
Para tanto, pesquise na internet, em livros e revistas as informações de que precisa, a fim
de que você possa ter material suficiente para auxiliá-lo a escrever seu texto. Pesquise tam-
bém, se achar pertinente, imagens para enriquecer sua produção textual, levando em conta a
importância de incluir a fonte citada.
O texto deverá ser produzido conforme as orientações definidas pelo professor.

Eletricidade no dia a dia • Capítulo 1 25


2
CAPÍTULO

REAÇÕES QUÍMICAS

Colin Anderson Productions pty ltd/Getty Images


CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

Tomwang112/Istock

hadynyah/Istock
Drazen Zigic/Shutterstock

RODA DE CONVERSA

• As imagens estão mostrando o início das várias reações químicas e bioquímicas respon-
sáveis por energias junto à alimentação. Você, quando se alimenta, consegue sentir as
reações químicas?
• Você já ouviu falar que os sabores das frutas podem ser associados a funções inorgâni-
cas e orgânicas estudadas pela Química?
• Como podemos identificar se um produto é ácido?
• Nas situações apresentadas nas imagens, existe a presença de diversas cores, assim
como nos alimentos. Por que isso ocorre?

27
1 Você já imaginou o que ocorre com o alimento depois de ser ingerido? Nesta pro-
posta, você vai observar e compreender fenômenos semelhantes aos dos alimentos
quando estão em nosso corpo.
Reúnam-se em grupos para fazer alguns experimentos e analisem o que pode influen-
ciar uma reação química.

Materiais

• 600 mℓ de água (em temperatura ambiente

Arte/Partners
e quente)
• 9 comprimidos de ácido acetilsalicílico ou sal
de frutas (efervescentes)
• 1 almofariz e 1 pistilo (ou material semelhan-
te para trituração)
• 9 béqueres de 150 mℓ (ou copo semelhante)
• 1 cronômetro

Procedimento

• Os comprimidos efervescentes serão utilizados de três maneiras: na primeira, vocês


devem deixar três comprimidos inteiros; na segunda, quebrar três em pedaços pe-
quenos; e na terceira, triturar os outros três até ficarem em pó (utilize o almofariz e
o pistilo para essa tarefa).
• Numerem os béqueres e os preparem de acordo com a tabela.

Números Conteúdo
1, 2 e 3 30 mℓ de água em temperatura ambiente

4, 5 e 6 60 mℓ de água quente (não precisa ser fervente)

7, 8 e 9 90 mℓ de água em temperatura ambiente

Agora vocês farão a contagem do tempo que os materiais levam para se dissolver. Façam
a preparação dos materiais de acordo com a tabela a seguir e terminem seu preenchimento.

Número do Tempo para dissolver


Conteúdo Conteúdo a acrescentar
béquer o material

30 mℓ de água em
1 1 comprimido inteiro
temperatura ambiente

30 mℓ de água em 1 comprimido quebrado


2
temperatura ambiente em pequenos pedaços

28 Ciências • Movimento do aprender


Número do Tempo para dissolver
Conteúdo Conteúdo a acrescentar
béquer o material

30 mℓ de água em 1 comprimido triturado


3
temperatura ambiente até virar pó

60 mℓ de água quente
4 1 comprimido inteiro
(não precisa ser fervente)

60 mℓ de água quente 1 comprimido quebrado


5
(não precisa ser fervente) em pequenos pedaços

60 mℓ de água quente 1 comprimido triturado


6
(não precisa ser fervente) até virar pó

90 mℓ de água em
7 1 comprimido inteiro
temperatura ambiente

90 mℓ de água em 1 comprimido quebrado


8
temperatura ambiente em pequenos pedaços

90 mℓ de água em 1 comprimido triturado


9
temperatura ambiente até virar pó

Com base em suas observações, converse com seu grupo e, na sequência, faça o que se pede.
a. Quais fatores influenciaram o tempo de dissolução do comprimido efervescente?

b. Os integrantes dos grupos deverão, cada um em seu caderno, construir esque-


mas que expliquem o que ocorreu nos béqueres 1, 2 e 3. Depois, apresente a
produção do grupo para o restante da turma.

Reações químicas • Capítulo 2 29


c. Quando uma substância é aquecida, as partículas que a compõem ficam mais agi-
tadas, movimentando-se com maior velocidade. Com base no que foi observado
nos béqueres 4, 5 e 6, como essa característica pôde influenciar a reação química?

2 A água oxigenada (peróxido de hidrogênio) é um composto químico utilizado comu-


mente para limpeza e desinfecção de ferimentos. Ela é um agente bactericida por
liberar, em sua decomposição, gás oxigênio, que elimina as bactérias anaeróbias.
Você poderá, agora, observar o processo de decomposição da água oxigenada. Para
isso, verifique a seguir o procedimento e os materiais necessários.

Atenção: o peróxido de hidrogênio é irritante, corrosivo, higroscópico e oxidante,


portanto, todos que executarem a atividade deverão usar luvas, óculos de proteção e
sapatos fechados.

Arte/Partners
Materiais
• água oxigenada 10 vol.
• 2 tubos de ensaio
• 1 suporte para tubos de ensaio
• 1 pinça ou espátula
• 1 pedaço de uma batata
Procedimento
• Coloque 1/5 de água oxigenada em dois tubos de ensaio.
• Em um dos tubos, acrescente o pedaço da batata.

Agora é o momento de você relatar suas observações, respondendo às questões


a seguir.

a. Quais as diferenças observadas nos dois tubos?

30 Ciências • Movimento do aprender


b. A água oxigenada é um composto considerado instável, portanto, decompõe-se
naturalmente. Foi possível observar essa reação no tubo sem a batata? Se sim, por
que isso ocorre?

c. Por que a batata modifica a reação de decomposição da água oxigenada? Registre


suas descobertas no caderno.

3 Você viu que existem substâncias capazes de modificar as velocidades das reações
químicas. Essas substâncias são mais comuns do que se imagina, pois estão em pro-
dutos do nosso cotidiano e no nosso organismo. Em casa, observe sua rotina familiar
e traga anotados em seu caderno alguns exemplos de substâncias desse tipo, bem
como sua utilização.

VOCÊ SABIA?

COMO O VAGA-LUME EMITE SUA LUZ? PARA QUE ELA SERVE?


A luz do vaga-lume é um processo natural, que os cientistas chamam de biolumines-
cência. A luz desses besouros luminosos é produzida a partir de uma reação química
com muita energia. Essa energia química é convertida em energia luminosa, sem que
haja produção de calor. Por isso, a luz do bicho é fria, e ele não se aquece quando a emite.
A reação química que acontece no corpo do inseto é chamada de oxidação biológi-
ca. Existem quatro substâncias fundamentais para o organismo do vaga-lume emitir
luz: oxigênio, o combustível (ou substrato) luciferina, a enzima chamada luciferase
e o ativador trifosfato de adenosina (ATP). Todos os seres vivos possuem ATP, que é
a principal fonte energética usada pelo metabolismo das células. No caso dos vaga-
-lumes, essa energia é usada para emissão de luz.
O processo começa quando uma parte do oxi-
Suzanne Tucker/Shutterstock

gênio que o inseto respira é enviada para dentro


de células especiais chamadas fotócitos. Nessas
células, a enzima luciferase ativa a luciferina com
a energia do ATP e em seguida insere o oxigênio
para oxidar a molécula de luciferina. Essa reação
luciferina/ATP/oxigênio, catalisada pela lucifera-
se, produz uma molécula de oxiluciferina no esta-
do fluorescente. Pronto, o inseto está aceso!

Reações químicas • Capítulo 2 31


Para que serve essa luzinha?
Na fase de larva, a bioluminescência pode ser útil para se defender de predadores ou para
atrair outros insetos para comer. Na fase adulta, é usada para atrair o sexo oposto na época
de acasalamento, como em uma dança luminosa.
Há centenas de espécies de besouros luminescentes no Brasil, distribuídos em três famí-
lias: os vaga-lumes (lampirídeos), os pirilampos (elaterídeos) e os bondinhos (fengodídeos).
As cores emitidas por vaga-lumes variam de vermelho a verde, passando por cores inter-
mediárias, dependendo da espécie e da família. A proteína catalisadora da reação biolumi-
nescente, luciferase, é responsável por determinar a cor da luz emitida por cada espécie.
E não são apenas vaga-lumes que emitem luz. Há, por exemplo, larvas luminosas de uma
mosca que habitam os tetos de cavernas na Nova Zelândia e na Austrália, que provocam um
show de luzes e atraem turistas do mundo inteiro. Também existem animais marinhos, bacté-
rias, cogumelos, algas e até espécies de moluscos que emitem luzes.
Fonte: COMO o vaga-lume emite a sua luz? Para que ela serve? UOL, São Paulo, 26 out. 2013. Disponível em: [Link]
[Link]/tilt/ultimas-noticias/redacao/2013/10/08/[Link].
Acesso em: 10 jan. 2022.

Fica cada vez mais evidente que é necessário conhecermos a natureza das substâncias
que utilizamos. Chegou o momento de investigar outras características de algumas dessas
substâncias. Para isso, veja a atividade a seguir.

4 Reúnam-se em grupos e tragam alguns materiais para serem testados: sucos de frutas
(natural, de caixinha ou em pó), refrigerantes, leite, produtos de limpeza diversos (de-
tergente, sabão líquido e sabão em pó diluído em água, por exemplo) e produtos de
cuidado corporal (como xampu, sabonete líquido, condicionador e hidratante).

a. Uma solução de repolho roxo pode ser utilizada para testar a natureza das subs-
tâncias. Observem a demonstração feita pelo professor e construam uma tabela
de acordo com o modelo proposto. Caso o espaço não seja suficiente para as
anotações, use o caderno, e não o livro.

Substância Cor

32 Ciências • Movimento do aprender


b. Utilizando como padrão a coloração original do suco de repolho (lembre-se
de que ele foi diluído em água), é possível criar algum tipo de escala de cores.
Demonstre-a no espaço abaixo.

5 Nesta atividade, serão feitos testes com o indicador industrial.


Materiais
• os mesmos tipos de amostras usadas na atividade 4, do repolho roxo
• estante de tubo de ensaio
• tubos de ensaios na mesma quantidade das amostras (ou copos descartáveis incolores)
• identificador de pH universal ou fita para medição de pH
Procedimento

Arte/Partners
• Numere os tubos de ensaio ou copos.
• Anote as amostras, organizando-as
a partir dos números de identificação
dos tubos ou copos e deixe um espaço
para registrar as cores em seu caderno.
• Coloque ¼ de água em todos os tu-
bos de ensaio ou copos.
• Coloque cada uma das amostras nos
tubos de ensaio ou copos. Atenção à
organização e à sequência: respeite suas anotações.
• Deixe a água diluir as amostras; no casos de amostras sólidas, mexa os tubos
ou copos.
• Pingue 1 ou 2 gotas do indicador de pH nos líquidos diluídos, observe as cores e
anote na sua organização inicial.
• Se for utilizar as fitas de medição de pH, use uma pipeta de Pasteur ou um conta-gotas.

Reações químicas • Capítulo 2 33


a. Crie uma tabela ou escala de acordo com os testes realizados com o indicador de
pH. Use a referência das embalagens ou um manual para descobrir os valores dos
pHs das substâncias.

b. No caderno, escreva um relatório do experimento realizado nessa atividade. Insira


informações das testagens com o indicador de pH, as amostras e as instruções de
como acompanhar a escala. Para que seu relatório seja completo, não se esqueça
de registrar se suas expectativas foram alcançadas, suas reflexões a respeito do
experimento e também suas conclusões.
Em geral, uma substância é chamada de ácida quando, entre outras proprie-
dades, possui um sabor azedo (acidum é o termo em latim para azedo). Já
uma base (ou hidróxido) costuma ter um gosto mais amargo e adstringente,
como se “ressecasse a umidade da boca”.
É possível identificá-las na escala de pH, na qual substâncias variam de 0 a 14.
O valor do pH 7 é neutro, os valores abaixo de 7 são chamados de ácidos, e os
valores acima de 7 são chamados de básicos ou alcalinos.
Atenção: apesar de o sabor sugerir o nível de acidez de uma substância, não é
nada seguro experimentar uma substância desconhecida para saber se ela é ácida
ou básica, por isso utilizamos os indicadores, sejam eles industriais ou naturais.

c. Com base nos experimentos feitos até agora, classifique os materiais que você
trouxe como ácidos, neutros ou básicos. Que tal compartilhar o conhecimento
adquirido desafiando uma pessoa de sua família que você acredita poder fazer o
maior número de acertos? O professor informará quando será a apuração. Para
ser uma competição justa, respeite a confiabilidade dos dados!

ATENÇÃO!

ESCALA DE PH
Para determinar quão ácida ou básica é uma substância, utiliza-se a escala de
pH (sigla para potencial hidrogeniônico ou de hidrogênio). Essa escala varia de 0
a 14. Os valores abaixo de 7 indicam que uma substância é ácida; assim, quanto
menor o valor, mais ácida ela é. Os valores próximos de 7 são encontrados em
substâncias neutras. Já os valores acima de 7 são os de substâncias básicas; quanto
maior o valor, mais básica ela é.
Existem aparelhos específicos para a medição do pH em laboratórios, que são
utilizados quando há necessidade de uma determinação mais precisa. Outra forma
de medir o pH é utilizando fitas que possuem substâncias que indicam o valor por
meio de uma escala de cores. Ainda é possível fazer uma estimativa desse valor
com o suco de repolho roxo (utilizado na atividade 4).

34 Ciências • Movimento do aprender


microgen/Istock
photongpix/Istock
pHmetro digital (peagâmetro) de bancada. Papel indicador de pH.

Escala de pH
ácido bicarbonato solução de água
vinagre café água de sódio amônia sanitária

limpador
bateria limão tomate leite sangue antiácido sabão de ralo

Arte/Partners
Ácido Neutro Alcalino

6 Nos últimos anos, o feijão, alimento muito consumido no Brasil, está entre os cinco
grãos mais produzidos no país: são, em média, 3 milhões de toneladas por ano.
Para isso, o cultivo do feijão exige cuidados especiais quanto ao solo, especialmente
no que diz respeito ao pH, que deve estar, preferencialmente, entre 5,8 e 6,2.
Nesse caso, a determinação do pH do solo é um dos fatores que afeta seu cultivo, já
que, em alguns locais do Brasil, o valor do pH do solo pode ser inferior a 4,5, impe-
dindo a possibilidade do cultivo.
a. O pH do solo está diretamente ligado às propriedades ácidas ou à alcalinidade
do seu cultivo. No parágrafo acima foi citada a leguminosa feijão. Com base na
informação, pesquise o preparo de uma área para o plantio de um fruto, legume,
hortaliça ou grão de sua preferência. Para tanto, faça buscas em livros disponíveis
na biblioteca de sua escola e/ou em sites acadêmicos.

Reações químicas • Capítulo 2 35


b. Caso um agricultor queira plantar feijão em uma área de pH inferior ao ideal, ele
utilizará um processo denominado calagem, que consiste em tratar o solo com
calcário para a correção do pH. Você classificaria o calcário como ácido ou básico?
Justifique sua resposta.

7 Até agora, as características vistas neste capítulo foram todas observáveis, mas elas
também envolvem modificações na natureza das substâncias. Ou seja, é possível
observar o resultado de uma reação química, como a decomposição da água oxige-
nada, mas essas alterações ocorrem em nível molecular, em uma escala muito menor
do que observamos.

a. Pesquise e anote a reação química que representa a decomposição da água


oxigenada e transcreva-a no espaço destinado. Lembre-se de utilizar a simbo-
logia correta.

b. Represente, agora, essa mesma reação química por meio de esquema ou desenho.

36 Ciências • Movimento do aprender


c. Todas as substâncias são formadas por moléculas, que, por sua vez, são formadas
por átomos. Você acha que todos os átomos são iguais? Se necessário, volte às ima-
gens, relembre as cores, a textura, os odores e os gostos dos alimentos mostrados no
início do capítulo. Justifique o que fez você chegar a essa conclusão.

Em nosso dia a dia, podemos observar muitas transformações baseadas na reorga-


nização, interna ou não, dos materiais envolvidos nas atividades anteriores, como
também em muitas outras, que ocorrem naturalmente ou são provocadas pelos
seres humanos.
Mas quando, como e por que surgiram modelos para representar a estrutura dos
materiais e das substâncias? Saiba mais nos textos a seguir.

A evolução dos modelos atômicos


Leucipo
Leucipo, que viveu por volta de 450 a.C., afirmava que a matéria podia ser dividida em
partículas cada vez menores, até se chegar a um limite.
Demócrito
Já Demócrito, que foi discípulo de Leucipo, viveu por volta de 470 a. C. a 380 a.C. Em sua
concepção, a matéria era descontínua. Isso quer dizer que, para Demócrito, a matéria era
constituída por minúsculas partículas indivisíveis, que foram denominadas átomo (palavra
que, em, grego, significa “indivisível”). Segundo o pensador, todos os tipos de matéria eram
formados pela combinação de átomos de quatro elementos: água, ar, terra e fogo.
Aristóteles, por sua vez, um dos maiores filósofos de seu tempo, não aceitou a ideia de
Demócrito e afirmava que a matéria era, sim, contínua, ou seja, a matéria era compreendida
como um “todo inteiro”, e não por minúsculas partículas indivisíveis.
Dalton (métodos experimentais)
Para o químico inglês John Dalton, que viveu entre 1766 e 1825, o átomo era a menor
partícula que constituía a matéria.
No ano de 1808, Dalton apresentou seu próprio modelo atô-
farakos/Istock

mico: o átomo era como uma minúscula esfera maciça, impossível


de ser dividida, impenetrável e indestrutível. Em sua visão, todos
os átomos de um mesmo elemento químico eram iguais, inclusive
suas massas.
Atualmente, essa ideia é vista como equivocada, pois os isótopos são átomos de um
mesmo elemento químico que possuem entre si massas diferentes. Seu modelo atômico é
conhecido como “modelo da bola de bilhar”.

Reações químicas • Capítulo 2 37


O modelo atômico de Dalton
A Teoria atômica de Dalton pode ser sintetizada em cinco pontos-chave.
1. Átomos são partículas muito pequenas, maciças e indivisíveis.
2. Átomos de um mesmo elemento são idênticos em massa e em todas as outras
propriedades.
3. Diferentes elementos são constituídos de diferentes tipos de átomos.
4. Átomos são indestrutíveis, e as reações químicas não passam de reorganizações des-
ses átomos.
5. Em uma combinação química, os átomos unem-se entre si em proporções variáveis,
porém conservam suas respectivas massas.

Entre o final do século XIX e o início do século XX, a ideia de átomo foi bastante modifica-
da. Isso aconteceu principalmente em razão do surgimento de novos modelos fundamenta-
dos em experimentos mais sofisticados. Afinal, a ciência e o pensamento evoluem conforme
o tempo passa.
Mesmo que nos dias de hoje o átomo de Dalton não tenha mais validade científica, ele
sempre será considerado um importante ponto de partida no campo da estrutura atômica.

8 Com base na leitura dos textos, responda às questões.


a. Qual a diferença fundamental entre a concepção de átomo dos gregos (Leucipo,
Demócrito e Aristóteles) e a de Dalton?

b. Dalton foi mais longe em sua teoria e até desenhou alguns átomos personalizados
para alguns elementos químicos conhecidos em sua época. Pesquise, em livros
disponíveis na biblioteca de sua escola ou em sites acadêmicos confiáveis, como
eram esses desenhos e reproduza-os no quadro a seguir.

38 Ciências • Movimento do aprender


O texto a seguir aborda modelos atômicos. Leia-o atentamente.

A humanidade sempre questionou a matéria e suas propriedades, seja ela gasosa, como fez
Joseph Priestley, ou radioativa, como fez Marie Curie.
Mas como entender, descrever e mostrar o que não pode ser visto a olho nu? Os modelos
atômicos são as representações daquilo que há de mais conclusivo a respeito dos átomos.
Eles são modelos de postulados e experimentos que podem ser reproduzidos utilizando
equipamentos e reagentes corretos. Dessa forma, foram mundialmente aceitos pela comuni-
dade cientifica.
Veja a imagem ao lado. Você já viu alguma imagem
semelhante? Provavelmente, sim. Ela é uma referência
muito comum quando o assunto é química ou átomo, mas

Boris25/Istock
será que o átomo é realmente assim?
A partir de agora, veja um breve panorama dos modelos
atômicos já feitos ao longo da história da ciência.

1. Modelo de Dalton

O químico inglês John Dalton (1766-1844) retomou as


ideias de Leucipo e Demócrito. Ele propôs cinco postulados
referindo-se ao átomo. Na concepção de Dalton, toda subs- O átomo é formado por um
tância é constituída de átomos que não podem ser criados núcleo muito pequeno com
carga positiva, no qual se
nem destruídos.
concentra praticamente toda a
Para ele, as substâncias simples eram constituídas de massa do átomo. Ao redor do
núcleo, localizam-se os elétrons,
átomos simples e indivisíveis, mas as substâncias compos-
que neutralizam a carga positiva.
tas podiam se decompor e formar substâncias simples.
Quando comparadas, a massa das substâncias compostas seria igual à soma das massas
das substâncias simples.
Ele ainda sugeriu um modelo atômico que seria parecido com uma bola de bilhar, isto é,
esférico, maciço e indivisível.

2. Modelo de Thomson

A natureza elétrica da matéria já era bem conhecida. Há 2 500 anos, na Grécia antiga,
o filósofo Tales de Mileto já havia mostrado que, quando atritamos âmbar com um pedaço
de lã, ele passa a atrair objetos leves. O modelo atômico de Dalton, porém, não explicava
esse fato. Como a matéria neutra podia ficar elétrica?
Assim, em 1897, o físico inglês Joseph John Thomson (1856-1940), pesquisador dos raios
catódicos, passou a trabalhar com as ampolas de Crookes, ou seja, um tubo onde gases eram
submetidos a voltagens elevadíssimas, produzindo raios catódicos. Quando se colocava um

Reações químicas • Capítulo 2 39


campo elétrico externo, esses raios se desviavam em direção à placa positiva, o que signifi-
cava que o átomo teria partículas negativas, que foram denominadas elétrons (palavra de
origem grega, élektron, que significa âmbar).
No entanto, como a natureza da matéria é neutra, uma explicação razoável seria a de
que haveria uma parte positiva que neutralizaria os elétrons. Com base nesse raciocínio, em
1903, Thomson refutou o modelo de Dalton, pois o átomo não seria maciço nem indivisível.
Em 1910, ele confirmou a identificação feita por Wilhelm Wien e estabeleceu o seu modelo.
Thomson propôs o seguinte:
O átomo é uma esfera de carga elétrica positiva, não maciça, incrustada de elétrons (par-
tículas negativas), de modo que sua carga total é nula. Esse modelo foi comparado a um
“pudim de passas”.

3. Modelo de Rutherford

Em 1911, o físico neozelandês Ernest Rutherford (1871-1937) realizou um experimento que


pôde ser visto no texto Átomo de Rutherford, em que ele bombardeou uma finíssima lâmina de
ouro com partículas alfa vindas do polônio radioativo.
Ele observou que a maioria das partículas atravessava a lâmina, o que significava que o
átomo deveria ter imensos espaços vazios. Algumas partículas eram rebatidas, o que seria
explicado se o átomo tivesse um núcleo pequeno e denso. Por fim, algumas partículas alfa
sofriam um desvio em sua trajetória, o que indicava que o núcleo seria positivo, pois as par-
tículas alfa eram positivas e foram repelidas ao passar perto do núcleo.
Com isso, o modelo atômico de Rutherford defendeu o seguinte:
O átomo seria composto por um núcleo com carga elétrica positiva. Em 1920, ele o deno-
minou próton (do grego prôtos, “primeiro”).
Esse próton seria equilibrado por elétrons (partículas negativas), que ficavam girando ao
redor do núcleo, em uma região periférica denominada eletrosfera.
O átomo seria semelhante ao Sistema Solar, de modo que o núcleo representaria o Sol, e os
elétrons girando ao redor do núcleo seriam os planetas.
Em 1932, o físico James Chadwick descobriu que havia também partículas neutras no
núcleo que ajudavam a diminuir a repulsão entre os prótons.

4. Modelo de Rutherford-Bohr

Já o físico dinamarquês Niels Bohr (1885-1962), por meio do estudo dos espectros eletro-
magnéticos dos elementos, adicionou algumas observações ao modelo de Rutherford.
Por essa razão, o seu modelo passou a ser conhecido como modelo atômico de Rutherford-
-Bohr, pois se baseava na teoria de Max Planck e no modelo de Rutherford.

40 Ciências • Movimento do aprender


Conforme seu estudo, só é permitido ao elétron ocupar níveis energéticos nos quais ele se
apresenta com valores de energia múltiplos inteiros de um fóton. Bohr também criou postu-
lados. Segundo ele, quando o átomo está em seu estado mais estável (chamado estado fun-
damental), todos os elétrons estão em seus respectivos lugares de menor energia; o elétron,
ao receber fóton (quantum de energia), absorve energia e salta do seu nível de estabilidade,
ficando instável. O retorno dos elétrons ao seu estado de menor energia emite certa quantida-
de de energia radiante, produzindo fóton de comprimento de onda específica.
É importante ressaltar que as ideias sobre o que compõe o átomo continuam progredindo,
e existem outros modelos atômicos mais modernos. Entretanto, o modelo de Rutherford-Bohr
explica a grande maioria dos comportamentos do átomo estudados no Ensino Médio.

5. Modelo de Schrödinger

O físico austríaco Erwin Rudolf Josef Alexander Schrödinger, que estudou a mecânica
quântica, conseguiu, por meio de cálculos, representar a equação de Schrödinger.
Motivado pelo princípio da incerteza de Werner Heisenberg, apresentou um modelo com
orbitais tridimensionais para cada subnível de energia na eletrosfera. Essa apresentação
trouxe compreensão aos modelos anteriores e possibilitou explicar fenômenos como a
hibridização em átomos de carbono, além de determinar as geometrias moleculares. Para
Schrödinger, os orbitais se assemelham a nuvens eletrônicas e, desde 1926, é considerado
o modelo vigente.
Observe as imagens.

Arte/Partners

ModeloModelo
Modelo
Modelo atômico
atômico
atômico
atômico
Modelo atômico Modelo Modelo
Modelo
Modelo atômico
atômico
atômico
atômico
Modelo atômico Modelo
Modelo
Modelo
Modelo atômico
atômico
atômico
atômico
Modelo atômico
de dede
de Dalton
Dalton
deDalton
Dalton (1803)
(1803)
Dalton (1803)
(1803)
(1803) dede
de Thomson
Thomson
deThomson
de Thomson (1897)
(1897)
Thomson (1897) de
(1897)
(1897) dede Rutherford
Rutherford
deRutherford
Rutherford
de (1911)
(1911)
(1911)
(1911)
Rutherford (1911)

elétron elétron
elétron
elétron
elétron nêutron
nêutron
nêutron
nêutron próton
próton
nêutron próton
próton
próton

núcleo núcleo
núcleo
núcleo
núcleo núcleo
núcleo núcleo
núcleo
núcleo

Modelo
Modelo
Modelo
Modelo atômico
atômico
atômico
atômico
Modelo atômico Modelo
Modelo
Modelo
Modelo atômico
atômico
atômico
atômico
Modelo atômico
de dede
Bohr
de Bohr
Bohr
deBohr (1913)(1913)
(1913)
(1913)
Bohr (1913) de dede Schrödinger
Schrödinger
deSchrödinger
Schrödinger
de (1926)(1926)
(1926)
(1926)
Schrödinger (1926)

Reações químicas • Capítulo 2 41


9 Após ter feito a leitura do texto e ter observado as imagens acima, responda ao que se pede.

a. No final do século XIX e no início do século XX, a ideia de átomo foi bastante
modificada e questionada. Por que isso acontecia?

b. Quais foram as mudanças na estrutura do modelo do átomo de Dalton até o mo-


delo do átomo de Schrödinger?

c. Durante a leitura, a palavra “postulado” foi citada mais de uma vez. Pesquise,
em sites científicos e confiáveis, o que o termo significa para o meio científico
e encontre outros postulados importantes para a história das ciências.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

NOVOS ELEMENTOS SUPERPESADOS: COMO SÃO PRODUZIDOS


E IDENTIFICADOS
Em 2016, a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) anunciou a
descoberta de quatro novos elementos superpesados (SHE, de super heavy element)
e divulgou seus respectivos nomes. A palavra “descoberta” não descreve bem o pro-
cesso, que envolve, na realidade, produzir esses elementos e identificá-los, já que não
existem na natureza. Esses novos elementos superpesados (SHE) vivem apenas fra-
ções de segundos e se desintegram emitindo partículas alfa em cadeia.
Foram eles: o elemento Z=113 (com 113 prótons), que recebeu o nome de Nihonium
(Nh), sugerido pela equipe responsável pela descoberta, oriunda do RIKEN, (Nishina
Center for Accelerator Based Sciences), Japão. Os elementos Z=115 e 117 receberam
os nomes de Moscovium (Mc) e Tennessine (Ts), respectivamente, tendo em vista a
região em que trabalham os pesquisadores que contribuíram para sua produção.

42 Ciências • Movimento do aprender


O elemento Z=118, também produzido no laboratório do Joint Institute for Nuclear
Research, Dubna (Rússia), pela equipe local de pesquisadores russos e também do
Laboratório Nacional de Livermore (EUA), recebeu o nome de Oganesson (Og), em re-
conhecimento aos méritos do físico nuclear russo de origem armênia, professor Yuri
Oganessian, por sua contribuição pioneira na produção de elementos transactinídeos
e superpesados e pela observação da “ilha de estabilidade”, prevista por cálculos de
estrutura nuclear.
[...]

Peter Hermes Furian/Shutterstock


Todos os elementos são produzidos por reações nucleares, começando no Big Bang,
com a nucleossíntese primordial, quando foram formados os elementos mais leves,
deutério, hélio (3He e 4He), e os isótopos do lítio (6Li e 7Li), a partir do hidrogênio,
por reações de transferência e de captura de núcleons. Os elementos mais pesados do
que o lítio foram e continuam sendo formados no interior das estrelas por reações de
fusão. Até o elemento ferro (56Fe), as reações de fusão liberam energia; porém, para
núcleos mais pesados, a reação de fusão consome energia e não pode ocorrer espon-
taneamente nas estrelas. Os elementos mais pesados que o ferro são produzidos em
eventos explosivos, como explosões de supernovas ou colisão de estrelas de nêutrons,
estas últimas sendo observadas pela primeira vez, recentemente, com detecção de li-
nhas espectrais de elementos pesados em telescópios do mundo inteiro.
[...]
As experiências para produzir os novos elementos são de física nuclear, realizadas por
equipes de físicos nucleares. Depois de publicados os resultados e a comunidade internacio-
nal estar avisada da descoberta, a União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP) e a
União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) constituem uma comissão, chama-
da Joint Working Party. Cada União indica membros, não ligados à experiência em questão,

Reações químicas • Capítulo 2 43


cujo papel é estudar criticamente o trabalho e avaliar se os resultados são corretos,
para validar a descoberta. Em geral quase todos os membros deste grupo são físicos
nucleares, pois eles são capazes de avaliar os detalhes da experiência. Infelizmente,
esses detalhes não chegam ao grande público, e, quando, da última vez, em 30 de de-
zembro de 2015, a IUPAC sozinha anunciou a descoberta dos quatro novos elementos
superpesados, pouca gente sabia que o mérito era de físicos nucleares.
Por enquanto, estes elementos não têm aplicação prática, mas servem para confir-
mar modelos teóricos. Se pudermos medir suas propriedades químicas, como reativi-
dade ou o fato de ser inerte, saberemos se sua posição na tabela periódica está correta
e se a tabela ainda funciona para átomos tão pesados. A provável descoberta da ilha
de estabilidade na região superpesada, com átomos vivendo anos, ou até milhares de
anos, poderá ter aplicações práticas.
Fonte: NOVOS elementos superpesados: como são produzidos e identificados,
Jornal da USP, 9 abr. 2018. Disponível em: [Link]
elementos-superpesados-como-sao-produzidos-e-identificados/. Acesso em: 21 fev. 2022.

SOCIEDADE E AMBIENTE

AGENTES QUÍMICOS E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A SAÚDE


Álcool e álcool em gel são agora itens primordiais da lista de supermercado. Porém, são
diversos os tipos e as fórmulas de sabões e álcoois. Você é capaz de diferenciá-los e ajudar
sua família na hora da compra?
O sabão é eficaz no combate às doenças, pois sua molécula possui uma parte hidrofílica,
que se une à água, e a outra parte, hidrofóbica, que se une aos óleos e às gorduras.
Ao lavarmos as mãos, a parte hidrofóbica se une com os lipídios (parte gordurosa) da
sujeira que contém os vírus, rompendo-a. Assim, eles são enfraquecidos e eliminados.
O álcool etílico e o isopropílico,
Farizul Hafiz Stock/Shutterstock

na concentração acima de 70%, de-


sidratam os vírus, que são elimina-
dos quase que imediatamente. Po-
rém, esses compostos químicos não
têm nenhuma ação residual para
combater vírus, além disso, quando
utilizados em excesso, ressecam a
pele, exceto em forma de gel. Lem-
bre-se de que, para o uso como
antisséptico a fim de higienizar as
mãos e outras superfícies do nosso
corpo, somente o etanol acima de
70% é recomendado. Crianças com as mãos cheias de sabão.

44 Ciências • Movimento do aprender


Nos supermercados, há uma alternativa bastante eficaz contra o coronavírus, que é o
hipoclorito de sódio (água sanitária), produto obtido a partir da reação do cloro com uma
solução de soda cáustica, feito pela indústria química. Frequentemente usado como desinfe-
tante e agente alvejante (para as roupas brancas), ele faz com que as proteínas do vírus se
“quebrem”, eliminando-as.
Mas, atenção: esse composto deve ser utilizado apenas para a desinfecção de ambientes
e superfícies inanimadas, e nunca como antisséptico.
Quando falamos de higiene e prevenção de doenças, a Química, a Bioquímica e a Medicina
são responsáveis pela formulação dos produtos de limpeza e de cuidado pessoal. Ainda nesse
campo dos conhecimentos científicos, profissionais da área realizam pesquisas voltadas para o
desenvolvimento de exames e vacinas, para a manipulação de equipamentos e para a detecção
de vírus, bactérias e fungos, no mapeamento das doenças. Você já pensou na importância e na
responsabilidade dessa atuação? Gostaria de fazer parte de pesquisas científicas que salvam
vidas? Você não precisa responder a essas perguntas, mas reflita sobre elas.

SAIBA MAIS

Divulgação
Livro
Química em casa
Autor: Breno Pannia Espósito
Editora: Atual
De modo claro e objetivo, este livro procura levar os leitores a refletir sobre a presença
da Química em nosso dia a dia. Para tanto, a obra relata fatos muitas vezes curiosos,
sempre procurando relacionar essa ciência com higiene, beleza, moda, alimentação,
enfim, com boa parte do mundo que nos cerca.

Site
Conhecer química: uma arma contra o coronavírus
O museu de Ciências e Tecnologia da PUC-RS desenvolveu um conteúdo sobre como a
química é uma importante aliada para combater o coronavírus. Para acessar as infor-
mações, consulte o professor.

O QUE APRENDI

Elabore uma montagem que represente os diversos modelos de átomos estudados neste
capítulo. Utilize materiais diversos (isopor, massa de modelar, argila, entre outros).

Reações químicas • Capítulo 2 45


3
CAPÍTULO

SOM

Westend61/Getty Images
CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

Milan Markovic/Getty Images


RODA DE CONVERSA

• Como saber se a pessoa na foto de abertura está comunicando algo importante?


• Em sua opinião, o som tem alguma importância para os seres vivos? Por quê?
• Quando o som pode ser prejudicial?

47
1 Perceber os sons é importante para os seres vivos. Essa habilidade pode ajudá-los a se
proteger de algum perigo ou a localizar seu alimento, por exemplo. No nosso caso,
quais são os sons que percebemos no nosso dia a dia e como os interpretamos ou os
utilizamos? Vamos investigar!
• Utilize um aparelho (pode ser um celular) para gravar os sons que fazem parte de
seu cotidiano e dos diferentes ambientes que estão à sua volta. Pode ser na escola,
em sua casa, em parques, festas ou mesmo no trajeto que você faz para ir da sua
casa até a escola. Em seguida, peça aos colegas para ouvirem com atenção os sons
que você gravou e tentarem identificá-los, preenchendo a tabela a seguir.

Origem do som Finalidade ou importância Possíveis efeitos

2 O texto e o gráfico a seguir informam que os seres humanos e alguns animais perce-
bem os sons de maneiras diferentes. Leia-os com a orientação do professor.

QUE ANIMAIS ENXERGAM POR MEIO DE SONS E COMO ELES


CONSEGUEM FAZER ISSO?
[...]
Os grandes especialistas nesta arte – chamada de ecolocalização ou biossonar –
são os golfinhos e os morcegos. Ambos possuem uma visão aguçada, que funciona
perfeitamente durante o dia, mas normalmente precisam caçar e se locomover em
ambientes com pouca luz. Em tais casos, eles conseguem enxergar sem utilizar os
olhos, emitindo sons de alta frequência, em geral inaudíveis para o ser humano.
“Essas ondas sonoras batem na presa – e nos obstáculos à frente – e retornam na
forma de ecos que, por sua vez, são decodificados como um mapa pelo cérebro do
bicho”, diz a bióloga Eliana Morielle, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Nos morcegos, o grau de precisão é tão elevado que certas espécies conseguem
detectar a presença de um fio de apenas meio milímetro de espessura em pleno
voo rasante. Nos golfinhos, o sistema é ainda mais preciso pelo fato de, dentro da
água, o som se propagar a uma velocidade 4,5 vezes maior.

48 Ciências • Movimento do aprender


phototrip/Istock
Morcego se alimentando durante a noite.
Assim, eles conseguem identificar peixes pequenos a distâncias de até 200 metros.
Existem algumas espécies de pássaros que vivem em cavernas, ou têm hábitos notur-
nos, que também desenvolveram uma ecolocalização rudimentar, que só serve para a
locomoção. E até mesmo um ser humano, acredite, pode utilizar a audição para loca-
lizar objetos ou evitar um obstáculo. “Quem é cego de nascença desenvolve a audição
a tal ponto que esse sentido acaba substituindo, em parte, a visão”, afirma o biólogo
O’Dell Henson, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. [...]
Fonte: SANTORO, André. Que animais enxergam por meio de sons e como eles conseguem fazer isso?
Superinteressante, São Paulo, ed. 176, maio 2002. Disponível em: [Link]
-enxergam-por-meio-de-sons-e-como-eles-conseguem-fazer-isso. Acesso em: 18 jan. 2022.

A frequência ou altura é uma grandeza medida em hertz (Hz), que indica o número
de oscilações por segundo efetuadas pelas partículas de um meio pelo qual o som se
propaga. Observe o gráfico a seguir, em que as faixas coloridas representam as fre-
quências que podem ser ouvidas pelos seres humanos e por alguns animais.

Arte/Partners

Frequência auditiva de animais.

Após a leitura do texto e a análise do gráfico, responda.


a. Que tipo de som é percebido pelos morcegos?

Som • Capítulo 3 49
b. Em que consiste a ecolocalização?

c. Por que o sistema de ecolocalização do golfinho é mais preciso do que o do


morcego?

d. Que tipo de som é emitido durante um terremoto? Quais dos animais do gráfico
são capazes de ouvi-lo?

e. Em grupos, selecionem outros animais que não estejam no gráfico e pesquisem


a capacidade auditiva deles. Organizem os dados em um gráfico semelhante e
socializem a produção do grupo com a turma.

f. Disserte, no seu caderno, sobre a importância do som para os seres vivos citados
no texto, no gráfico e na sua pesquisa. Seu texto deve conter título e ter de 10 a
15 linhas.

3 Por meio da emissão e percepção dos sons, os animais podem, entre outras coisas, se
comunicar, fugir de predadores, encontrar alimentos e parceiros para a reprodução ou
localizar-se em seu habitat.

a. Em grupos, escolham quatro animais da fauna brasileira: um inseto, uma ave,


um mamífero e um anfíbio.

b. Pesquisem como esses animais fazem uso dos sons. Vocês deverão procurar infor-
mações sobre como eles se comunicam. É importante verificar se essas espécies pos-
suem mais de uma forma de vocalização. Nesses casos, indiquem a função delas.
Verifiquem também qual a vantagem adaptativa da produção do som em cada caso.

c. Reúnam as informações pesquisadas, preparem um pôster e apresentem o seu


trabalho para a turma.

50 Ciências • Movimento do aprender


VOCÊ SABIA?

VOCÊ CONHECE A AVE QUE EMITE O SOM MAIS ALTO ENTRE TODOS
OS ANIMAIS?
O impressionante canto dessa ave possui um alcance

YES BRASIL/Istock
maior do que a turbina de um avião a jato! Esse animal
de apenas 30 centímetros habita o Brasil. É a Arapon-
ga-da-Amazônia (Procnias albus), espécie que pode ser
encontrada na região Amazônica e na Mata Atlântica.
A razão de conseguir emitir o som mais alto entre os
animais já medido pela ciência tem relação com as suas
características físicas.
O som emitido pela Araponga-da-Amazônia tem um
objetivo especial: cortejar a fêmea de perto, no ouvido.
Ela pousa ao lado do macho e ele emite esse som no ou-
vido dela. Geralmente, os animais diminuem o volume
para esse tipo de comunicação próxima. Mas esse pás-
saro faz diferente. O som dessa “paquera”, que chega a
medir 125 decibéis, entrou para o Guinness Book, o Livro Ave araponga pousada em um
dos Recordes, como o maior canto entre os pássaros. galho.

4 Nesta atividade, que será realizada em grupo, vocês farão uma pesquisa sobre o
uso de fones de ouvido. Entrevistem ao menos quatro pessoas diferentes, que po-
dem ser familiares ou de seu convívio. Expliquem que a entrevista é para um tra-
balho escolar e perguntem a elas se poderiam participar. Informem também que o
nome delas não será divulgado. Atribuam nomes fictícios ou as identifiquem por
“Pessoa A”, “Pessoa B” etc. Levem para cada entrevista uma folha com as questões
devidamente anotadas.

A. Idade:_______________ anos.

B. Gênero: _______________.

C. Estado civil: _______________.

D. Escolaridade: ( ) Completa. ( ) Incompleta.

E. Profissão: _______________.

F. Você tem o hábito de usar fones de ouvido? ( ) Sim. ( ) Não.

Som • Capítulo 3 51
Se a resposta for sim, faça as perguntas que se seguem. Se a resposta for não, encerre
a entrevista.

G. Você costuma usar fones de ouvido quantos dias por semana? ______________.

H. Você costuma usar fones de ouvido durante quantas horas por dia, em média?
___________________.

I. Você usa fones de ouvido em volume:

( ) baixo. ( ) médio. ( ) alto.

J. Você já percebeu alguma alteração no ouvido ou na audição? Se sim, qual?

K. Se você usa fones de ouvido em volume alto, qual é o motivo?

Utilize os dados de todos os grupos e faça o que se pede.

a. Calcule a média de idade dos entrevistados.

b. Calcule a média de dias por semana e a quantidade média de horas por dia que
os entrevistados usam fones de ouvido.

52 Ciências • Movimento do aprender


c. Apresente os dados coletados pelas perguntas (F) e (I) por meio de um gráfico
de barras em que a altura de cada uma represente o número de pessoas que deu
cada resposta.

d. Analise se houve respostas semelhantes na pergunta (J). Em caso positivo, quan-


tas respostas foram semelhantes? Em seguida, construa um gráfico de colunas em
que a altura de cada uma represente o número de pessoas que compõem o grupo
de respostas semelhantes.

e. Repita o procedimento anterior com a pergunta (K).

Som • Capítulo 3 53
f. Todos os dados devem ser apresentados para os demais grupos e discutidos. Há
semelhanças nos resultados que cada grupo obteve? Se sim, quais?

ATENÇÃO!

FONES DE OUVIDO: 1 BILHÃO DE JOVENS ESTÃO COM A AUDIÇÃO


AMEAÇADA, DIZ OMS
Mais de 1 bilhão de jovens no mundo correm risco de desenvolver problemas
auditivos devido à exposição prolongada e excessiva a sons em volume alto, princi-
palmente por meio de fones de ouvido. [...]
“Mais de 1 bilhão de jovens

vladans/Istock
correm o risco de perda auditiva
simplesmente fazendo o que real-
mente gostam de fazer muito – ou
seja, ouvindo música regularmen-
te através dos fones de ouvido”, co-
mentou Shelly Chadha, do Progra-
ma de Prevenção a Surdez e Perda
Auditiva da OMS, em entrevista
coletiva. [...]

Nível recomendado
Segundo a OMS, quanto mais alto o volume, menor é o tempo que a pessoa pode
utilizar os fones de ouvido com segurança. Ao diminuir o volume, é possível conti-
nuar fazendo uso do dispositivo sem prejudicar a audição. Se o nível de som ficar
abaixo dos 80 decibéis, é possível ouvir música em segurança por até 40 horas por
semana. No caso de crianças, o índice cai para 75 decibéis. O volume ideal para
os fones de ouvido é menos de 60% da capacidade máxima de áudio. Além disso,
o aparelho deve estar ajustado e, se possível, ter cancelamento de ruído, como os
fones que cobrem toda a orelha do usuário.
Fonte: FONES de ouvido: 1 bilhão de jovens estão com a audição ameaçada, diz OMS. Veja, 12 fev. 2019. Disponível em:
[Link] Acesso em: 18 jan. 2022

54 Ciências • Movimento do aprender


5 Quando um som é muito “forte”, ocorre grande transmissão de energia, e é possí-
vel dizer que o som apresenta alta intensidade. A intensidade sonora é medida em
decibéis e é representada por “dB”. Para não causar danos à saúde, são estabeleci-
dos limites de tempo de exposição aos sons de grande intensidade encontrados em
alguns ambientes.

Tabela de Intensidade Sonora

Intensidade,
Fonte
em dB (NPS*)

250 Som dentro de um tornado; bomba nuclear, a 5 m (estimativa)

180 Foguete, a 30 m; canto da baleia-azul, a 1 m

150 Avião a jato, a 30 m

140 Tiro de rifle, a 1 m

130 Limite da dor. Buzina de trem, a 1 m

120 Concerto de rock; jato decolando, a 100 m

110 Motocicleta em alta velocidade, a 5 m

100 Furadeira pneumática, a 2 m

90 Caminhão, a 1 m

85 Limite de ruído permitido pela NR-15 (8 horas)

80 Aspirador de pó grande, a 1 m; tráfego pesado

70 Barulho de tráfego, a 5 m

60 Som no interior de um escritório ou restaurante

50 Restaurante silencioso

40 Área residencial, à noite

30 Interior de cinema, sem barulho

10 Respiração humana, a 3 m

0 Limite da audibilidade humana


* NPS - nível de pressão sonora
Fonte: AREASEG. Acústica. [Link] Acesso em: 10 fev. 2022.

Som • Capítulo 3 55
Tabela de Nível de Ruído, da NR-15

Nível de ruído em dB (A) Máxima exposição diária permissível

85 8 horas

86 7 horas

87 6 horas

88 5 horas

89 4 horas e 30 minutos

90 4 horas

91 3 horas e 30 minutos

92 3 horas

93 2 horas e 40 minutos

94 2 horas e 15 minutos

95 2 horas

96 1 hora e 45 minutos

98 1 hora e 15 minutos

100 1 hora

102 45 minutos

104 35 minutos

105 30 minutos

106 25 minutos

108 20 minutos

110 15 minutos

112 10 minutos

114 8 minutos

115 7 minutos

Fonte: AREASEG. Acústica. [Link] Acesso em: 10 fev. 2022.

56 Ciências • Movimento do aprender


Analise os dados das tabelas 1 e 2 e responda às questões a seguir.

a. Quais profissionais devem ter uma carga horária de trabalho menor do que 5 ho-
ras diárias para não correrem risco de ter problemas auditivos?

b. Quais profissionais podem ter uma carga horária de trabalho maior do que 5 ho-
ras diárias sem correrem risco de ter problemas auditivos?

c. Faça uma pesquisa sobre os efeitos causados pela poluição sonora à saúde e os
métodos utilizados para prevenir suas consequências. Organize uma discussão
expondo os resultados para a turma.

ATENÇÃO!

POLUIÇÃO SONORA: PERIGO BARULHENTO


Você sabia que a poluição sonora é considerada uma das mais graves formas de
agressão ao ser humano e ao meio ambiente?
O efeito mais comum associado ao excesso de ruído é, sem dúvida, a perda da
audição. Há, por exemplo, perda de 30% da audição nos que usam fones de ouvido
por duas horas ao dia durante dois anos em níveis próximos de 80 decibéis.
Os ruídos estão em quase toda parte. No trânsito, o excesso do som das buzinas,
sirenes e o volume de música alta que acompanha muitos veículos automotores
contribuem para a poluição sonora, sobretudo nas grandes cidades.
No ambiente doméstico, a poluição sonora ocorre principalmente pela emissão
de ruídos acima das especificações produzidas por eletrodomésticos.

Som • Capítulo 3 57
No âmbito industrial, o ruído emitido, além da perda orgânica da audição, provoca
uma grande variedade de males à saúde dos trabalhadores, como dores de cabeça,
náuseas, efeitos psicológicos, aumento de acidentes e até redução de produtividade.

Ziviani/Istock
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite tolerável ao ouvido
humano é de 65 decibéis. Acima disso, nosso organismo sofre estresse, que é capaz
de aumentar o risco de doenças. Com ruídos acima de 85 decibéis, o risco de com-
prometimento auditivo aumenta consideravelmente.
Essa situação pode ser reverti-
Kerkez/Istock

da aplicando-se as tecnologias de
controle de ruído existentes, que
envolvem o desenvolvimento de
produtos específicos, recursos para
identificação e análise das fontes
de ruído, previsão da redução de
ruídos através de programas de si-
mulação e desenvolvimento de má-
Trabalhador em uma indústria utilizando protetor
auricular. quinas menos ruidosas.

6 Você sabe qual é a intensidade das ondas sonoras a que você está exposto na sua
casa, nas ruas e em locais de lazer? Vamos descobrir! Use aplicativos de smartphones
e tablets para medir a intensidade sonora em decibéis (dB). Você pode voltar aos lo-
cais mencionados na atividade 1. Com as informações coletadas, preencha a tabela.
Registre também o tempo máximo que uma pessoa pode ficar exposta a essas intensi-
dades sonoras de forma a não haver risco de problemas auditivos. Você também pode
consultar as tabelas da atividade 5 para complementar suas respostas.

58 Ciências • Movimento do aprender


Local Intensidade sonora (dB) Tempo-limite de exposição

CONECTE-SE

SE QUISER SABER MAIS SOBRE RESSONÂNCIA


Antes de ser comentada a ideia de ressonância, existem algumas informações cujo en-
tendimento é importante. Uma delas é a frequência, que é uma grandeza física associada
a movimentos de característica ondulatória que indica o número de ciclos, ou oscilações,
por unidade de tempo.
Quando alguém deixa uma chave-inglesa cair no chão, nós provavelmente não confundi-
remos o som emitido com o de um taco de beisebol ao bater no chão. Isso porque os dois ob-
jetos vibram de maneira diferente quando colidem. Qualquer objeto formado por um material
elástico vibrará com seu próprio conjunto de frequências particulares, que juntas formam seu
som próprio. Essa é, então, a frequência natural de um objeto.
Quando a frequência da vibração forçada de um objeto se iguala à frequência natural
dele, ocorre um drástico aumento da amplitude. Esse fenômeno é denominado ressonância.
Literalmente, ressonância significa “ressoar” ou “soar novamente”. Uma massa de modelar
não ressoa por não ser elástica, e um lenço que deixamos cair é flácido demais. Para alguma
coisa ressoar, é necessária uma força que a traga de volta à sua posição original e bastante
energia para mantê-la vibrando.

Som • Capítulo 3 59
O “som das ondas do mar” que

vasilkovaya/Istock
você ouve quando encosta seu ou-
vido em uma concha é produzido
por ressonância. O ruído do som
do ar do lado de fora da concha
é uma mistura de ondas sonoras
com quase todas as frequências
audíveis, forçando a oscilação do
interior da concha. A concha fun-
ciona como um órgão, contendo
um conjunto de frequências natu-
rais, portanto o ar no interior da
concha oscila com mais intensida-
de nessas frequências, produzindo
o som que você ouve.
Fonte: FRANCO, Deborah S. Se quiser saber mais sobre ressonância. Física e Cidadania. [Adaptado].
Disponível em: [Link]
Acesso em: 19 jan. 2022.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

TECNOLOGIA TRANSMITE SOM PELO CORPO E TRANSFORMA DEDO EM


FONE DE OUVIDO
Um dispositivo criado pela Disney é capaz de transferir sons por meio do corpo
humano, transformando o dedo numa espécie de fone de ouvido. Para funcionar, a
tecnologia depende de um microfone onde o aparelho é acoplado para converter o
áudio em sinais eletrônicos.
Assim que uma mensagem é gravada, a energia sonora se torna elétrica. O campo
eletrostático criado em torno da pessoa que falou ao microfone age como uma ponte
para levar o som até outro ouvido a partir de um simples toque.
Essa tecnologia foi batizada de Inshin-Den-Shin, que, em japonês, significa “o que a
cabeça pensa, o coração transmite’’.
Fonte: TECNOLOGIA transmite som pelo corpo e transforma dedo em fone de ouvido. Fundação Araucária.
Disponível em: [Link]
Acesso em: 10 fev. 2022.

60 Ciências • Movimento do aprender


SAIBA MAIS

Divulgação
Livro

O livro da música
Autor: Arthur Nestrovski
Editora: Companhia das Letrinhas
Este livro traz textos sobre a profissão do músico e uma grande
quantidade de explicações e casos curiosos sobre as palavras e
o universo musical: o que é uma orquestra, quem foi Mozart,
como se toca fagote e muito mais!
O título ganhou o selo Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil
e Juvenil – FNLIJ 2000, categoria informativo.

Site

Chrome Music Lab


Conheça uma ferramenta que possibilita criar melodias simples.
O Chrome Music Lab é um site extremamente simples e foi projetado justamente para
ser usado por iniciantes. Nele, você poderá aprender sobre música de forma divertida e
criativa. Solicite ao professor o acesso ao conteúdo.

O QUE APRENDI

Esta atividade é para ser feita em grupos e consiste na produção de um texto jornalístico
sobre os efeitos da poluição sonora. Os grupos podem escolher diferentes mídias para publi-
car o texto: rádio, TV, jornais ou internet.
A reportagem deve abordar o que é a poluição sonora e como ela pode ser prevenida.
Os grupos podem utilizar diferentes sons para ilustrar seus argumentos e suas descobertas.
O texto deve ser fundamentado em dados produzidos por pesquisas feitas por órgãos con-
fiáveis. Depois, deverá ser divulgado para a classe e avaliado por todos. O que for considerado
melhor poderá ser copiado e distribuído para todas as classes da escola.

Som • Capítulo 3 61
4
CAPÍTULO

HIDROSTÁTICA

antikainen/Getty Images
CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

Brunomartinsimagens/Getty Images
ArLawKa AungTun/Getty Images

RODA DE CONVERSA

• Qual é o caminho percorrido pela água até chegar às torneiras?


• Como a caixa-d’água é abastecida sem transbordar?
• Como funciona o vaso sanitário da sua casa?
• Como a concessionária sabe o tanto que devo pagar de água no final do mês?

63
1 Quantos furos você precisa fazer em uma lata de azeite ou de leite condensado para
usá-los na culinária? Por quê?
Vamos investigar esse fenômeno. Para isso, traga o material destacado para a sala de
aula e siga as orientações do professor.
Materiais

Arte/Partners
• balde com água
• funil
• garrafa PET grande com tampa
• parafuso grande e fino
(ou objeto perfurante)
• palitos de dente
• forma de pizza grande

Procedimento
• Com o auxílio do parafuso, faça um furo na lateral da garrafa, a uma altura aproxi-
mada de 10 cm a partir da base, e encaixe um palito para tampá-lo.
• Repita esse procedimento fazendo outros dois furos na garrafa, alinhados vertical-
mente, a uma altura aproximada entre 15 cm e 20 cm.
• Utilizando o funil, encha completamente a garrafa com água e tampe-a.
• Coloque a garrafa na borda da forma de pizza.

a. Explique o que você observa sobre o fluxo de água no furo superior quando reti-
ramos o palito. Por que isso acontece?

• Abra a tampa da garrafa por alguns segundos, observe o furo superior e feche a
tampa novamente.
b. Explique o que acontece com o fluxo de água no furo superior quando abrimos
a tampa.

64 Ciências • Movimento do aprender


c. Elabore hipóteses sobre o que acontecerá se retirarmos o palito da parte inferior
da garrafa e registre a seguir.

d. Teste suas hipóteses: retire o palito da parte inferior, observe e registre. Abra por
alguns segundos a tampa da garrafa, observe e registre. Suas hipóteses estavam
corretas? Explique nas linhas seguintes.

• Retire a tampa da garrafa e observe o fluxo de água nos furos superior e inferior.

e. Faça um desenho ilustrando o que você observou e mostre as diferenças que


ocorrem no fluxo de água nos dois furos abertos. Elabore hipóteses sobre o que
acontecerá se retirarmos o palito intermediário da garrafa e registre no seu ca-
derno. Usando uma caneta ou um lápis de cor diferente, inclua suas previsões
no desenho.

f. Teste suas hipóteses: retire o palito intermediário, observe e registre. Suas hipóteses
estavam corretas? Não se esqueça de conferir o desenho, corrigindo-o, se necessário.

Hidrostática • Capítulo 4 65
2 Você sabe como funciona a caixa-d’água utilizada em casas e prédios? Qual a posição
que ela deve ocupar? Por quê? Esta atividade vai ajudá-lo a responder a essas pergun-
tas! Registre as respostas em seu caderno.
Materiais

Arte/Partners
• 1 tesoura
• 1 garrafa PET de 2 litros com tampa
• 1 garrafa PET de 600 mℓ com tampa
• 60 cm de mangueira de aquário
• massa de modelar
• água

Procedimento
• Corte o fundo de cada uma das garrafas.
• Faça um furo na tampa da garrafa de 2 litros. Encaixe

Arte/Partners
uma das extremidades da mangueira nesse furo e vede
com a massa de modelar.
• Repita o procedimento anterior com a tampa da
garrafa de 600 mℓ.
• Encaixe os gargalos de cada uma das garrafas em
sua tampa.

a. Se a garrafa maior (2 ℓ) estiver em uma posição mais baixa que a garrafa menor
(600 mℓ), o que você acha que acontecerá se colocarmos água dentro da garrafa
de 2 litros? Registre sua hipótese no caderno, fazendo um desenho para ilustrar
sua opinião.

b. Teste sua hipótese: deixe a garrafa maior (2 ℓ) em uma posição mais baixa que a gar-
rafa menor (600 mℓ) e, então, coloque água no interior da maior. O que aconteceu?

c. Se as duas garrafas estiverem na mesma altura, o que você acha que acontecerá
com a água se a colocarmos dentro da garrafa maior (2 ℓ)?

66 Ciências • Movimento do aprender


d. Teste suas hipóteses: coloque as duas garrafas na mesma altura e, então, coloque
água no interior da garrafa maior (2 ℓ). O que aconteceu?

e. Se a garrafa maior (2 ℓ) estiver em uma posição mais alta que a garrafa menor (600 mℓ),
o que você acha que acontecerá se colocarmos água dentro da garrafa maior (2 ℓ)?

f. Teste suas hipóteses: coloque a garrafa maior (2 ℓ) em uma posição mais alta que
a garrafa menor (600 mℓ), e então coloque água no interior da garrafa maior. O
que aconteceu?

g. Explique o que você observou sobre a água contida nas garrafas durante a reali-
zação da atividade.

h. Use o que você aprendeu nesta atividade para explicar o funcionamento da


caixa-d’água de uma residência.

Hidrostática • Capítulo 4 67
• Acesse o Limpeza de caixa-d’água, site da Sabesp, e veja com sua família os pro-
cedimentos para realizar a limpeza de uma caixa-d’água. Pergunte para os seus
responsáveis como é feita essa limpeza na sua casa. Caso você more em aparta-
mento, verifique com sua família como é feita essa limpeza no prédio. Anote no seu
caderno os procedimentos deles e as diferenças que vocês observaram com relação
às orientações da Sabesp. Na sala de aula, apresente seus registros aos colegas.

3 Observe a figura, que ilustra o interior de um vaso sanitário comum.


assento

Arte/Partners
vaso
sifão

a. Por que a água fica parada no vaso sanitário?

b. O que você pode observar sobre a água dentro da bacia do vaso e do sifão?

c. O que acontece quando acionamos a válvula de descarga?

68 Ciências • Movimento do aprender


d. Em que outras situações utilizamos o sifão?

4 Observe atentamente a figura, que ilustra o esquema hidráulico de uma casa, e responda,
em seu caderno, ao que se pede.

Arte/Partners

a. Quais peças hidráulicas estão localizadas nos pontos mais baixos e mais altos da
casa? Justifique sua resposta.
b. A caixa-d’água pode ser instalada no chão? Por quê?
c. Descreva como a água chega até a caixa-d’água nas casas e nos edifícios.
d. Por que o tanque, a pia, o lavatório, a caixa de descarga, o chuveiro e a caixa-
-d’água precisam seguir um padrão de altura para funcionarem adequadamente?
e. É possível a utilização da água da caixa-d’água para lavar alguma parte ou algum
aparelho da casa situados acima do telhado? Justifique sua resposta.
f. A caixa-d’água deve ser completamente vedada? Por quê?
g. Que dispositivo regula a entrada de água na caixa-d’água? Se ocorrer uma falha
nesse dispositivo, o que impede a ocorrência de um alagamento?
h. Pesquise a importância dos dispositivos economizadores em uma instalação hi-
dráulica. Socialize as informações com a turma.

Hidrostática • Capítulo 4 69
ATENÇÃO!

A MÁQUINA DE CAFÉ
A máquina de café, usada em muitas padarias para preparar o cafezinho, utiliza
o sistema de vasos que se comunicam pela base.
Como o café está em equilíbrio e a pressão atmosférica que é exercida na super-
fície do café é a mesma tanto dentro quanto na parte externa da máquina, os vasos
funcionam como “vasos comunicantes”, e a altura dos dois lados (fora e dentro da
máquina) é sempre a mesma.
Assim, é possível saber a quantidade de café existente no interior da máquina,
sem precisar olhar para dentro dela. O interessante é que, independentemente da for-
ma que esses dois vasos tenham, suas colunas de líquido estarão na mesma altura.

Arte/Partners

Máquina de café vista por dentro.

5 Uma empresa fabricante de chuveiros disponibiliza a informação necessária para a


correta instalação hidráulica:

Para o ideal funcionamento do chuveiro, recomendamos seu posicionamen-


to a, no mínimo, 1 metro abaixo da caixa-d’água e a 2 metros de altura do piso.
Se a caixa-d’água estiver a uma altura superior a 8 metros, utilize o redutor.
Arte/Partners

Arte/Partners
1,0 m

redutor
2,0 m

fita vedadora

espalhador

Disserte, em seu caderno, sobre a utilidade das informações fornecidas pelo fabricante.

70 Ciências • Movimento do aprender


6 Você entende todas as informações da sua conta de água? Agora é o momento de
analisar o consumo de água de sua residência. Para isso, você precisa estar com uma
conta em mãos.
Analise a sua conta de água e, em seu caderno, responda às seguintes perguntas.

Arte/Partners

Hidrostática • Capítulo 4 71
a. O que significam os campos “leitura atual” e “leitura anterior”? Como esses va-
lores podem ser obtidos?
b. Qual o consumo de água registrado na sua conta?
c. Esse consumo ocorreu em quantos dias?
d. Sabendo-se que 1 m³ é igual a 1 000 litros, qual o consumo médio para sua resi-
dência em litros?
e. Quantas pessoas habitam a sua residência? Qual é o consumo médio diário de
cada pessoa em litros?
f. Como se obtém a média de consumo em m³?
g. Qual o custo de 1 m³ de água?
h. Qual o nome do medidor de vazão de água? Onde ele fica localizado em sua
residência? Qual a medida do volume total de água consumido na residência do
medidor da foto? Em valores atuais, qual seria o custo de toda essa água?

7 As seguintes informações foram retiradas do fôlder de uma concessionária de água


do Estado de São Paulo. Utilizando estes dados e alguns dos resultados obtidos na
atividade 6, responda:

Arte/Partners

a. Qual o custo médio mensal do desperdício de água causado por um vazamento


em uma torneira gotejando?

72 Ciências • Movimento do aprender


b. Qual a economia média de água, em m³, no consumo mensal de uma casa ou de
um apartamento se a torneira permanecer fechada ao escovar os dentes?

VOCÊ SABIA?

TENSÃO SUPERFICIAL DA ÁGUA


Você sabia que alguns insetos
Alladyn1985/Istock

são capazes de andar sobre a su-


perfície da água? O fenômeno de
tensão superficial da água explica
por qual razão esses animais con-
seguem essa proeza!
A tensão superficial da água é
resultado das forças intermolecu-
lares causadas pela atração entre
as moléculas de água. Os átomos
de hidrogênio de uma molécula de
água, que possuem carga elétrica positiva, são atraídos pelos átomos de oxigênio das
moléculas vizinhas, que, por sua vez, possuem carga negativa. Entretanto, essa força
que acontece entre as moléculas abaixo da superfície da água é diferente da que ocorre
com as moléculas em sua superfície.
Isso acontece porque as moléculas abaixo da superfície são atraídas por outras molé-
culas de água em todas as direções: para cima, para baixo, para a esquerda, para a direita,
para frente e para trás, ou seja, elas se atraem de forma mútua com a mesma força.
As moléculas da superfície, porém, não apresentam moléculas acima delas e, por
isso, são atraídas somente por moléculas que estejam ao lado e abaixo delas.
Essas atrações desiguais que acontecem na superfície criam uma força sobre essas
moléculas e provocam a contração do líquido, o que causa a tensão superficial, que
funciona como se fosse uma fina camada elástica na superfície da água.

Hidrostática • Capítulo 4 73
CIÊNCIA E TECNOLOGIA

ENERGIA HIDRÁULICA

kunchit2512/Getty Images
A energia hidráulica nada mais é do que a energia que existe na água e que pode ser
utilizada para movimentar máquinas. Desse modo, esse tipo de energia é convertido
em energia mecânica. Para tanto, é importante que haja determinadas condições da
vazão da água e da altura de sua queda.

Vazão
É a relação do volume de água medido em litros ou metros cúbicos pelo tempo (em
segundos, minutos ou horas) necessário para encher um reservatório, que pode ser,
por exemplo, tanque, tambor ou caixa-d’água.

Altura de queda-d’água local


No acionamento de máquinas para bombear ou gerar eletricidade, é necessário ve-
rificar se há uma diferença entre a altura do ponto de captação da água (definida como
altura de queda) e o local em que será instalado o equipamento hidráulico.

Carneiro hidráulico
O carneiro hidráulico é uma máquina que serve para bombear pequenas quantida-
des de água. Para tanto, a própria queda-d’água é utilizada como energia. É capaz de
aproveitar o efeito que decorre da interrupção rápida do movimento da água, em uma
dada direção. Essa interrupção faz com que haja um aumento da pressão dentro da
máquina suficiente para conseguir abrir a válvula de recalque, que transporta parte da
água por uma mangueira até um reservatório localizado acima do carneiro hidráulico.

74 Ciências • Movimento do aprender


Roda-d’água
Seu funcionamento ocorre de um des-

FooTToo/Getty Images
vio do fluxo de água local, que é levado
até a roda. Para esse desvio ser feito,
alguns materiais podem ser utilizados,
como tubo de PVC, calha de madeira,
chapas de aço galvanizado, com altura
de 10 cm a 20 cm do topo da roda, para
que a água, ao cair sobre as pás, possi-
bilite seu giro. Apesar de sua velocidade
de rotação ser muito baixa, de 1 a 40 gi-
ros por minuto, pode ser utilizada para
bombear água a um reservatório, movi-
mentar moinhos, serrarias e gerar eletri-
Moinho.
cidade (100 a 3 000 Watts).

Turbinas hidráulicas
Uma central hidrelétrica é uma
ffaber53/Getty Images

construção arquitetônica situada em


ambientes propícios para a geração
de energia e serve para gerar energia
elétrica utilizando uma fonte quase
inesgotável, a água.
As usinas geram alguns “efeitos co-
laterais” no meio ambiente, como ala-
gamentos em áreas indesejadas, aumen-
to no nível do rio e mudança do curso
fluvial que está represado, prejudicando
Turbina hidráulica de geração.
a fauna e a flora locais.
Apesar disso, as usinas hidrelétricas ainda são uma fonte de energia mais barata e,
sem dúvidas, mais limpa se comparada às usinas nucleares, de petróleo e de carvão.
A água represada gera uma energia hidráulica ao passar pelas comportas da usina;
esta energia hidráulica é convertida em energia mecânica quando passa pela turbina;
a turbina transfere essa energia ao gerador que, então, armazena a eletricidade.
A construção das usinas hidrelétricas se dá em locais onde é possível aproveitar os
desníveis naturais dos cursos dos rios, além de garantir uma vazão mínima para que
a produtividade não seja prejudicada (quantidade de água disponível em um determi-
nado período e a altura de sua queda).

Hidrostática • Capítulo 4 75
SOCIEDADE E AMBIENTE

DENSIDADE DA ÁGUA E DO GELO


A água é um bem extremamente valioso para o ser

urbazon/Istock
humano e possui características específicas que a tornam
especial. As suas densidades no estado sólido e no estado
líquido, por exemplo, apresentam valores e comportamen-
tos distintos entre si.
A densidade seria uma grandeza que mensura a relação
entre a massa e o volume de uma substância. Como na
água essas densidades são diferentes, o congelamento dos rios e dos mares não é total.

Arte/Partners
RomoloTavani/Istock

A camada de gelo formada na superfície é menos densa que a água líquida encontrada
abaixo dessa superfície. Esse bloqueio gera um isolamento térmico que mantém a água no
estado líquido, garantindo a vida marinha nesses ambientes.

SAIBA MAIS

Livro
Água – precisamos falar sobre isso
Divulgação

Autor: Sérgio Túlio Caldas


Editora: Moderna
Este livro, com base em recentes estudos, mostra a situação da água em
diversas regiões do Brasil e do mundo, locais em que há fartura e escas-
sez desse recurso tão valioso. Além disso, a obra aponta onde existem
ações de preservação, mas também conflitos e tensões por água.

76 Ciências • Movimento do aprender


Site
Simulador de consumo de água
Neste simulador você poderá calcular o seu consumo individual de água por dia conforme
clica nos cômodos da residência interativa. Poderá verificar, com base nas informações
nele inseridas, se você tem desperdiçado ou economizado água. Para acessá-lo, solicite o
link ao professor.

O QUE APRENDI

Faça uma pesquisa sobre os hábitos de utilização da água na vida semanal da sua famí-
lia. Nesse levantamento, procure informações de cada membro da família sobre o tempo de
banho, a quantidade de água bebida, se a torneira é fechada ou não enquanto escovam os
dentes e lavam o rosto. Também investigue os hábitos de uso da água em atividades domésti-
cas, como lavar roupa e cozinhar. Se possível, estime a quantidade de água utilizada em cada
uma dessas atividades.
Organize os dados coletados em uma tabelas e interprete-os. Escreva um artigo sobre essa
pesquisa e proponha a publicação. Exemplo de apresentação da tabela:
Consumo total de água Consumo diário de Divida a quantidade
Quantidade de
durante um dia por toda água de cada diária em litros por
membros da família
a família membro da família atividade (semana)
Liste as atividades e as
Soma das quantidades Divida o consumo total
estimativas de consumo
Número de pessoas que de água usadas por pela quantidade de
de água. Por exemplo:
moram com você toda a família em suas pessoas que moram
Banho: 20 minutos =
atividades cotidianas com você
180 litros
Você pode usar os dados disponíveis na tabela a seguir para fazer essa estimativa.
Atividade Gasto (aproximado)
Banho de ducha 15 minutos – 135 litros
Banho de chuveiro elétrico 15 minutos – 45 litros
Escovar os dentes 5 minutos (torneira meio aberta) – 12 litros
Lavar o rosto 1 minuto (torneira meio aberta) – 2,5 litros
Bacia sanitária 10 a 14 litros a cada 6 segundos
Lavar louça 15 minutos (torneira meio aberta) – 117 litros
Lavar a roupa (tanque) 15 minutos (torneira meio aberta) – 279 litros
Lavar a roupa (máquina) Capacidade 5 kg – 135 litros
Lavar a calçada ou quintal 15 minutos (torneira meio aberta) – 279 litros
Lavar o carro 30 minutos (torneira pouco aberta) – 216 litros
Lavar o carro 30 minutos (torneira meio aberta) – 560 litros
Fonte: DICAS de economia. Sabesp. [Adaptado].
Disponível em: [Link] Acesso em: 24 jan. 2022.

Hidrostática • Capítulo 4 77
CAPÍTULO

5 LUZ: ALÉM DO QUE


PODEMOS VER

Colombo/Getty Images
CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

Nick Brundle Photography/Getty Images


Montfort Rgis / EyeEm/Getty Images

RODA DE CONVERSA

• Por que não devemos olhar diretamente para o Sol ou para as lâmpadas?
• De que cor é a luz do Sol?
• Por que, em dias de calor, aconselha-se o uso de roupas claras?
• É possível enxergar em situações com pouca luz?
• Em sua opinião, qual a importância da luz em nossas vidas?

79
Frequência
Você já ouviu falar em frequência de uma onda? Ela é o número de oscilações executadas
pela fonte que produz a onda em cada segundo. A frequência é medida em hertz (Hz).
Veja um exemplo na figura a seguir. Na onda são realizados três ciclos; em outras palavras,
a onda se repete três vezes durante um segundo. Portanto, a frequência é de 3 Hz.

A
Ciclo 1 Ciclo 2 Ciclo 3 (...)

= 3 Hz

t (s)
Arte/Partners

1s

1 Agora que você sabe o que é frequência, leia os textos a seguir.

Ondas sonoras
O som é uma onda mecânica, o que significa que ela se propaga através de um meio
material. Ela também é uma onda longitudinal, isto é, as moléculas do meio oscilam
paralelamente à direção de propagação da onda em torno de uma posição de equilí-
brio. As moléculas chocam-se entre si para transmitir a perturbação e retornam à sua
posição original quando a perturbação termina. O som é uma propagação de energia
em um meio material sem transporte de matéria.
Esse tipo de onda é caracterizado pelo timbre, pela altura e pela intensidade.
O timbre nos permite distinguir os sons provenientes de diferentes tipos de fonte,
mesmo que toquem a mesma nota ao mesmo tempo. As diferenças nos timbres ocor-
rem porque ondas sonoras têm formatos diferentes.

Piano
Arte/Partners

Clarineta

Forma das ondas sonoras de um piano e de uma clarineta


correspondentes à nota dó.

80 Ciências • Movimento do aprender


Conseguimos distinguir sons agudos, como os de um violino, e graves, como os
de um contrabaixo, por causa da altura do som. O som alto é um som agudo, e a
sua frequência é alta. O som baixo, por sua vez, é um som grave e está na faixa de
frequência baixa.
O volume do som é determinado pela sua intensidade. A diferença entre um som
forte e um som fraco vem da amplitude de vibração da onda. Quanto maior a amplitu-
de da onda, maior a pressão que a onda vai exercer no ar e maior será sua intensidade.
As ondas sonoras podem ter qualquer frequência, desde poucos hertz, como as
ondas produzidas por abalos sísmicos, até valores comparáveis ao da luz visível.
A orelha humana é capaz de captar sons na faixa de frequência que vai de 20 Hz a
20 000 Hz. Ondas sonoras que possuem frequência abaixo de 20 Hz são denominadas
infrassons, e as ondas que possuem frequência superior a 20 000 Hz são denomina-
das ultrassons.

Luz visível: uma onda eletromagnética


A luz visível também é uma onda, mas, diferente do som, ela é uma onda eletro-
magnética. Essas ondas são formadas quando uma carga elétrica é acelerada e produz
uma oscilação do campo eletromagnético, não precisando de um meio material para
se propagar. Por isso, a luz emitida pelo Sol e pelas estrelas consegue viajar pelo es-
paço. E, como a oscilação é perpendicular à direção de propagação, dizemos que a luz
é uma onda transversal.
Assim como qualquer onda, as ondas luminosas podem ter diferentes intensidades
e frequências. A intensidade da fonte luminosa, percebida como seu brilho, está rela-
cionada com a amplitude da onda, de modo que quanto maior é a amplitude da onda,
maior é a sua intensidade.

Arte/Partners
Arte/Partners

Luz: além do que podemos ver • Capítulo 5 81


A cor da luz, por sua vez, é definida pela frequência de oscilação do campo eletro-
magnético de modo que diferentes frequências produzem diferentes cores.

luz vermelha luz azul

Arte/Partners
do
ho

o
ja

el
el

a
an

et
ar
m

rd

ul
ar

il

ol
am
r

an
az
ve

ve
al

vi
baixa alta
frequência frequência

O olho humano só consegue perceber as ondas com frequência entre o infraverme-


lho e a ultravioleta.

Arte/Partners
ondas micro- radiação radiação
de rádio -ondas infravermelha ultravioleta raios X raios Y

4x1014 Hz luz 8x1014 Hz


visível

• Com base nas informações disponíveis nos dois textos que você acabou de ler, com-
plete a tabela a seguir, que o ajudará a perceber as semelhanças e diferenças entre
as ondas sonoras e luminosas.

Sonora Luminosa

Tipo de onda

Como se propaga?

Como se forma?

Cite dois exemplos


de fontes que emitem
esse tipo de onda

Propriedades

Como a onda é
classificada com base
em sua frequência?

82 Ciências • Movimento do aprender


ATENÇÃO!

ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO
Há na natureza o espectro eletromagnético, que é a união das ondas eletromag-
néticas presentes em alguns ambientes. Nesse conjunto, existem as ondas de rádio,
as micro-ondas, o infravermelho, a luz visível, os raios ultravioleta, os raios X e os
raios gama.
A luz visível, o forno de micro-ondas e a luz emitida pelo Sol são exemplos de
ondas eletromagnéticas presentes no espectro eletromagnético. Uma onda eletro-
magnética é a união dos campos elétrico e magnético transportando energia ao se
propagar pelo vácuo. A frequência, o comprimento de onda e a amplitude são algu-
mas particularidades presentes nas ondas eletromagnéticas.
O ser humano enxerga a região do espectro magnético chamada de luz visível.
Quando visualizamos um objeto, estamos enxergando a luz refletida por ele vinda
de uma fonte luminosa como o Sol ou uma lâmpada. As demais faixas do espectro
eletromagnético não são captadas pela nossa visão.

2 Qual a cor da luz branca? Podemos descobrir por meio de um experimento simples.

AS CORES DO ARCO-ÍRIS
Materiais
• bandeja de alumínio ou plástico
• espelho pequeno
• água
• ambiente iluminado por luz solar
Arte/Partners

Luz: além do que podemos ver • Capítulo 5 83


Procedimento
• Coloque água na bandeja até metade da sua altura.
• Apoie o espelho na borda da bandeja, inclinando-o, até que a metade dele esteja
mergulhada na água e sua outra metade esteja seca.
• Coloque o conjunto próximo a uma janela por onde entrem raios de Sol.
• Mova o conjunto de forma que o reflexo da luz no espelho seja direcionado a uma
parede ou para o teto da sala.
• O que você pode observar sobre o reflexo da luz projetado na parede?
• Em que outras ocasiões você observa algo semelhante?
• Faça uma pesquisa e investigue como se chamam os raios invisíveis que são proje-
tados na parede, quais seus efeitos para as pessoas e para o ambiente e quais suas
aplicações tecnológicas. Reúna as informações da sua pesquisa e apresente-as para
a turma.

3 Leia o texto a seguir.

O que é a camada de ozônio?


Todos os dias, a radiação produzida pelo Sol atinge nosso planeta. Parte dessa ra-
diação é formada pelos raios ultravioleta, com comprimento de onda menor que o da
luz visível.
A radiação ultravioleta danifica as células de plantas e animais, e a regeneração
só é possível se a dose absorvida for pequena. Se a incidência de raios ultravioleta
aumentasse, os danos aconteceriam a uma velocidade maior do que poderiam ser
reparados, tornando a vida na Terra impossível. Felizmente, quase toda a radiação
ultravioleta emitida pelo Sol é absorvida pelo gás ozônio.
O ozônio é um gás de cor azulada, formado por três átomos de oxigênio. Ele é pro-
duzido na estratosfera pela reação dos raios ultravioleta com as moléculas de oxi-
gênio. A camada de ozônio envolve a Terra entre 25 km e 30 km acima da superfície
terrestre. Essa camada serve como uma capa ou um filtro que protege nosso planeta
das radiações solares, pois consegue absorver boa parte da radiação ultravioleta.
Alguns gases emitidos pela atividade humana podem diminuir a camada de ozô-
nio. No século XX, começaram a ser utilizados produtos que emitem gases de cloro-
fluorcarbono (CFC), como as grelhas refrigeradoras dos frigoríficos, os aparelhos de
ar-condicionado e alguns aerossóis. Esses gases, que persistem por longo tempo em
nossa atmosfera, destroem as moléculas de ozônio.
O que nos acostumamos a chamar de “buraco” na camada de ozônio não é exata-
mente um buraco, mas sim uma diminuição da espessura da camada.

84 Ciências • Movimento do aprender


Após a leitura do texto, responda às questões:

a. Entre os diversos tipos de radiação que chegam à Terra provenientes do Sol, qual
pode causar ameaça para as formas de vida do nosso planeta? Por que isso ocorre?

b. O que é o ozônio?

c. Qual é a função exercida pelo ozônio na camada que forma entre 25 km e 30 km


acima da superfície terrestre?

d. É comum encontrarmos a expressão “buraco na camada de ozônio”. O que essa


expressão significa?

Luz: além do que podemos ver • Capítulo 5 85


e. Como as ações dos seres humanos interferiram no comportamento da camada
de ozônio?

4 No dia a dia, a radiação ultravioleta (UV) é aplicada em diversos setores e matérias.


Pode ser utilizada em vários lugares como na eliminação de micro-organismos, bolo-
res e fungos. É possível utilizar a UV em tecnologias de purificação de ar e de água,
conservação de aquários e lagoas, higienização de laboratórios e proteção de itens
alimentícios e bebidas.

a. Em grupos, conforme orientações do seu professor, pesquisem, em livros ou na


internet, um dos exemplos de esterilização por meio da radiação ultravioleta (UV)
mencionados anteriormente. Nessa pesquisa, procurem informações sobre qual
tipo de radiação UV é usado, como funciona, quais seriam suas vantagens com-
paradas a outras formas de esterilização e como essa radiação é produzida para
esse propósito.

b. Preparem um pôster e apresentem o seu trabalho para a turma. Converse com seu
professor para definir o formato do pôster, a quantidade de integrantes do grupo,
o tempo e o local de apresentação.

5 Os óculos de visão noturna permitem que uma pessoa enxergue em ambientes com
pouca luz. Nesta atividade, você vai construir óculos de visão noturna com materiais
que fazem parte de nosso dia a dia.

Materiais
• bicarbonato de sódio
• pasta de dente com peróxido e carbonato de sódio (pastas que prometem clarear
os dentes com seu uso)
• pincel
• 1 colher de chá
• 1 colher de sopa
• recipiente
• água morna
• óculos de sol (que não serão reutilizados)
• controle remoto

86 Ciências • Movimento do aprender


Arte/Partners
Procedimento
• No recipiente, coloque 1 colher de chá de bicarbonato de sódio, 1 colher de chá de
pasta de dente e 2 colheres de sopa de água morna. Misture os materiais.
• Com o pincel, aplique a solução sobre as lentes dos óculos. Espere secar.
• Use os óculos em um ambiente sem luz.

a. O que você observou? Registre suas observações.

b. Aponte o controle remoto para os objetos e mantenha o botão de ligar pressiona-


do. O que você observou? Registre suas observações.

Luz: além do que podemos ver • Capítulo 5 87


c. Há diferença no que você enxergou usando os óculos de visão noturna nas duas
situações? Explique.

6 Conforme as orientações passadas pelo seu professor, reúna-se com alguns colegas
e façam uma pesquisa sobre o funcionamento de um dos equipamentos sugeridos:
controle remoto, forno de micro-ondas, telefone celular, aparelho de raio X, radar e
roteador de rede sem fio. Cada grupo ficará com um tema e fornecerá para a turma
um fôlder explicando o funcionamento dessa tecnologia. Converse com seu professor
para definir o formato do fôlder, a quantidade de integrantes do grupo, o tempo e o
local de apresentação.

VOCÊ SABIA?

ESTUDO E APLICAÇÃO DO ESPECTRO LUMINOSO NAS PERÍCIAS DE


DOCUMENTOS
Documentoscopia é uma palavra pouco ouvida por aí, não é mesmo? Mas esse é o
importante ramo da Criminalística que estuda os documentos para verificar se eles
são, de fato, autênticos e, em caso contrário, determinar a sua autoria.
Tanto os documentos mais atuais como moedas em geral trazem elementos sofisti-
cados de segurança. Pelo fato de serem confeccionados com alta tecnologia, requerem,
para sua identificação, exames específicos, entre eles a luz ultravioleta.

Luminescência através da sensibilização com luz ultravioleta


Luminescência é o fenômeno físico no qual um objeto é capaz de emitir luz quando
exposto a uma radiação eletromagnética de comprimento de onda curta, como o ultra-
violeta ou os raios X.
Essa radiação emitida pelo objeto tem sempre frequência menor que a da radiação
incidente.

88 Ciências • Movimento do aprender


Com essa técnica, é possível, por exemplo, identificar uma assinatura que, pelo tem-
po, havia desaparecido de uma carteira de identidade e se notas de dinheiro são verda-
deiras. Ela também consegue constatar falsificação de obras de arte, detectar vestígios
de sangue e outros elementos em cenas de um crime, além de atuar como ferramenta
capaz de controlar os processos de higienização de ambientes hospitalares, garantindo a
remoção de sangue e contribuindo para o processo eficiente de desinfecção de tais locais.

Ivan Halkin/Getty Images


Como você pode observar na imagem acima, a análise de uma cédula através da
luz ultravioleta constata que ela não é autêntica, pois a reação química borrifada nela
apontou traços azuis.

7 Você acha que a cor é um pigmento ou é um comprimento de onda luminosa? Vamos


investigar?

Materiais
• papel-filtro
• 1 tesoura de pontas arredondadas
• canetas coloridas hidrográficas
• fita adesiva ou fita-crepe
• álcool
• copo plástico ou béquer
• lanterna
• retângulos de papel-celofane azul e vermelho com aproximadamente 14 cm de lado

Luz: além do que podemos ver • Capítulo 5 89


Arte/Partners
Procedimento
• Corte tiras longas de papel-filtro com cerca de 2 cm de largura e o máximo que você
conseguir de comprimento. Quanto mais longas, melhor. Apare as pontas, de modo
a formar um retângulo.
• Com uma caneta hidrográfica, pinte uma bolinha de cerca de 1 cm de diâmetro a
cerca de 2 cm de uma extremidade do papel-filtro.
• Usando uma fita-crepe, cole a outra extremidade do papel-filtro na caneta hidro-
gráfica, formando um “T”. A bolinha deve ficar do lado oposto da borda que foi
colada.
• Pegue um copo e coloque nele cerca de um dedo de álcool. Depois, apoie a caneta
hidrográfica na borda do copo, deixando a tira de papel-filtro pendurada, de forma
que o álcool molhe a sua borda, mas sem encostar na bolinha. ATENÇÃO: não co-
loque a parte pintada diretamente no álcool. Se a sua tira ficou muito comprida e
está fazendo a bolinha ficar submersa, corte um pedaço da tira e cole novamente.
• Aguarde aproximadamente 15 minutos enquanto o álcool sobe pelo papel. Quando
você perceber que o álcool deixou de subir, tire o papel e deixe-o secar.

a. O que ocorreu com as tintas das canetas no decorrer do tempo?

90 Ciências • Movimento do aprender


b. Quais tinham mais de um componente e quais possuíam apenas um?

c. Quais foram as cores observadas na separação de cada tinta?

Cubra a lâmpada da lanterna com o celofane azul, fixando-o com a fita adesiva. Ilu-
mine cada uma das tiras de papel-filtro com a luz da lanterna.

d. O que aconteceu com as cores em cada uma das tiras?

Repita o procedimento anterior, usando dessa vez o celofane vermelho.

e. O que aconteceu com as cores em cada uma das tiras?

f. Prepare um relatório com suas descobertas.

Luz: além do que podemos ver • Capítulo 5 91


8 Nem todas as cores da natureza são formadas por pigmentos. Em alguns animais,
como nas borboletas azuis e nos beija-flores, a luz interage com as estruturas da asa,
ou das penas, no caso dos beija-flores. Como dependem da interação entre a luz e a
superfície, os reflexos brilhantes, chamados de iridescência, são um fenômeno óptico
de superfícies nas quais as tonalidades mudam conforme o ângulo do qual se olha
para elas. Vamos fazer cores iridescentes?

Materiais
• 1 folha de lixa para madeira de cor preta
• 1 pote fundo de tamanho médio
• água
• base para unhas incolor
• tesoura de pontas arredondadas

Procedimento
• Corte a lixa em um quadrado com aproximadamente 5 cm de lado.
• Coloque água no pote.
• Coloque a lixa dentro da água, mantendo-a no fundo do pote.
• Coloque uma gota de base para unha na água, logo acima da lixa.
• Retire a folha de lixa da água com cuidado, de maneira que a gota da base fique
sobre sua superfície.
• Deixe secar.

a. O que você está vendo?

b. Observe a lixa por vários ângulos. O que acontece com as cores?

92 Ciências • Movimento do aprender


c. No caso das borboletas azuis e das penas de alguns pássaros, estruturas nanomé-
tricas atuam na formação da cor. Relacione essas estruturas com as informações
obtidas nos experimentos.

d. Cite outros exemplos de materiais iridescentes que você conheça.

CONECTE-SE

COMO SE FORMA O ARCO-ÍRIS? CHUVA OU UMIDADE DO AR FAVORECE O


BELO FENÔMENO
A mitologia grega diria que ele aparece sempre que a deusa Íris deixa um rastro colorido
no céu, para transmitir aos homens as mensagens de Zeus, o todo-poderoso do Olimpo. A ex-
plicação científica é bem menos romântica. O arco-íris surge quando o Sol ilumina a umidade
suspensa no ar, após uma chuvarada, por exemplo. Quando um raio bate na borda de uma
gotinha de água ou de vapor, a luz branca do Sol é desviada e se decompõe nas sete cores
que compõem seu espectro: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. É o mesmo
efeito do prisma, que aprendemos na escola: cada cor é refletida em um ângulo diferente e
muda de direção ao retornar para a atmosfera. A cor vermelha é a que se propaga mais rá-
pido, formando a faixa superior do arco-íris. A violeta, a mais lenta, aparece na parte inferior.
O fenômeno é tão comum que os cientistas acumulam alguns recordes coloridos. “Em labo-
ratório, foram observados mais de 12 arco-íris a partir de uma única gota de água”, afirma o
físico José Pedro Rino, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).
Fonte: COMO se forma o arco-íris? Chuva ou umidade do ar favorece o belo fenômeno. Superinteressante. Disponível em: [Link]
[Link]/mundo-estranho/como-se-forma-o-arco-iris/. Acesso em: 28 mar. 2022.

Luz: além do que podemos ver • Capítulo 5 93


SOCIEDADE E AMBIENTE

O QUE É INFRAVERMELHO LONGO?


O Infravermelho Longo é uma energia e não é perceptível pela visão, mas podemos sen-
ti-la pelo calor. Em pesquisa realizada no Japão, os cientistas descobriram que o titânio,
a platina e o alumínio, todos a 99% de pureza, quando juntos, emitem uma onda luminosa
com comprimento entre 4 e 14 mícrons (tamanhos das ondas vibracionais, que diferenciam se
o Infravermelho Longo é curto, médio ou longo) que é semelhante aos raios solares no início
das manhãs e nos finais de tarde.
Nessas situações, os raios solares são extremamente benéficos ao ser vivo, auxiliando na
desintoxicação das células e no aumento da imunidade do organismo, o que pode prevenir
doenças e manter o corpo mais saudável.
Os raios Infravermelhos Longos não são novidade na Medicina, eles já são usados em
muitas aplicações médicas, pois têm a capacidade de penetrar de 4 a 5 cm no corpo do ser
humano, produzindo calor, que aumenta a circulação sanguínea, recuperando o tecido danifi-
cado e ativando as principais funções corporais, fenômeno este que também ocorre no corpo
do animal. Sem contraindicação!
Fonte: O QUE é Infravermelho Longo? The Force Infra Red.
Disponível em: [Link] Acesso em: 28 mar. 2022.

SAIBA MAIS

Filme
Cidade das sombras
Divulgação

Direção: Gil Kenan


Estados Unidos, New Line Cinema, 2008
Por várias gerações, a população da cidade de Ember tem pros-
perado num fantástico mundo de luzes brilhantes. De repente,
um dos geradores de força começa a falhar, e as lâmpadas que
iluminam a cidade passam a piscar. É quando dois adolescentes
iniciam uma corrida contra o tempo para descobrir pistas que
vão revelar antigos mistérios sobre a existência de Ember e aju-
dar os moradores da cidade a escapar da escuridão eterna.

94 Ciências • Movimento do aprender


Vídeo
Ciência SP | Irradiadores ultravioleta C
Este vídeo mostra uma linha de equipamentos que emitem radiação ultravioleta C (UVC)
para descontaminação de objetos, superfícies e ambientes, contribuindo para redução
dos riscos de contaminação pelo novo coronavírus. Para acessá-lo, entre em contato com
o professor.

O QUE APRENDI

• Em grupos, produzam um mapa conceitual sobre as diferenças entre os raios de luz


visível, infravermelho e ultravioleta. Incluam exemplos de cada uma dessas faixas de
frequências encontradas tanto na natureza como em aplicações tecnológicas.
• Em seguida, apresentem sua produção aos demais grupos e estabeleçam compa-
rações, registrando informações importantes que não estavam presentes no mapa
conceitual do grupo.
• Se achar pertinente, utilize o espaço a seguir para rascunhar seu mapa conceitual ou
para inserir informações que facilitarão a produção do mapa.

Luz: além do que podemos ver • Capítulo 5 95


6
CAPÍTULO

ENERGIA

Asia-Pacific Imagens Studio/Getty Images


CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

SolStock/Getty Images
RODA DE CONVERSA

• O que o homem da imagem que abre o capítulo está fazendo e como é possível saltar
tão alto?
• Por que a maioria das pessoas sente fome após praticar esportes?
• Em sua opinião, de onde vêm as energias que usamos na Terra?
• Podemos aumentar ou diminuir as energias?

97
1 Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.

Nada se cria, tudo se transforma


Você sabe o que ocorrerá com a chama de uma vela, caso ela seja coberta por um
pote de vidro? Depois de certo tempo, o fogo se apagará. Isso tem uma explicação: o
fogo não existe sem oxigênio, e, quando tampamos a vela, a própria combustão do
pavio aceso acaba por consumir o oxigênio do ar dentro do pote.
No ano de 1777, surgiu o famoso princípio da conservação de massas, conhecido
pela seguinte frase: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transfor-
ma”. Naquele ano, Antoine Lavoisier, um cientista francês, mostrou que a com-
bustão era resultado da combinação do oxigênio com outros elementos e que a
massa final dos produtos da reação era igual à massa dos reagentes que deram
origem a ela.
Sabe-se, atualmente, que, nas reações químicas ordinárias, as substâncias per-
dem, sim, uma quantidade minúscula de massa. Isso ocorre em razão da perda de
energia e, como sabemos (graças a Albert Einstein), a massa não é “perdida”, mas
sim transformada em energia.

a. De acordo com Albert Einstein, energia e massa são “dois lados da mesma moe-
da” e, dessa forma, a massa não é perdida, mas transformada em energia. Procure
um exemplo de uma reação química em que ocorre essa transformação de massa
em energia. Não se esqueça de mencionar qual a forma de energia produzida.

b. Algumas descobertas importantes na ciência foram obtidas levando-se em con-


sideração a conservação da energia. O que significa dizer que a energia sempre
se conserva?

98 Ciências • Movimento do aprender


2 A energia pode se transformar e se manifestar sob diversas formas. Chegou o momento
de você fazer uma atividade divertida e curiosa a esse respeito.

A LATINHA MÁGICA
Materiais
• 1 lata vazia de leite em pó (ou achocolatado) com tampa
• 1 elástico
• 2 palitos de dente
• 1 parafuso
• 1 prego
• 1 martelo

Arte/Partners
Procedimento
• O professor vai fazer com o prego e o martelo um furo no centro da tampa e no
fundo da lata, de modo que o elástico possa passar por eles.
• Após isso, amarre o parafuso no meio do elástico, fazendo um nó, passe uma das
extremidades do elástico pelo buraco no fundo da lata e fixe-a com um palito.
• Passe a outra extremidade do elástico por dentro da tampa, fixe-a com o outro pa-
lito e tampe a lata.
• Faça a lata rolar em um piso plano por alguns metros.

a. Observe e descreva o que aconteceu.

Energia • Capítulo 6 99
b. Como você pode explicar cientificamente o que observou?

ATENÇÃO!

CONHEÇA OS TIPOS DE ENERGIA


As energias, mesmo que não possamos enxergá-las, existem e sentimos a inter-
ferência delas em nossas vidas. Elas podem mover máquinas gigantescas, devolver
ou trazer algo que esteja longe, mudar temperaturas, produzir cores e luzes e, em
certos casos, até ser nociva para os seres vivos. Que tal conhecer um pouco mais os
tipos de energia e, com isso, utilizá-los de forma consciente e segura?

Energias mecânicas
Você já ouviu falar em energias mecânicas? Elas são a soma da energia cinética
(relacionada ao movimento dos corpos) com a energia potencial (capacidade de
armazenar energia).
Quando um sistema mecânico não transforma nenhuma parte das energias
mecânicas em outro tipo de energia (sonora, térmica, luminosa), esse sistema é
dito conservativo e a soma das energias (cinética e potencial) apresenta sempre
o mesmo valor. Isso quer dizer que a energia potencial pode ser transformada em
energia cinética, e esta pode, novamente, ser totalmente transformada em ener-
gia potencial.

Energia térmica
A lenha e o carvão são exemplos de recursos naturais. A queima ou a combustão
de materiais como esses gera calor, que é uma das formas de a energia se manifes-
tar. Essa manifestação é chamada de energia térmica.

100 Ciências • Movimento do aprender


Energia geotérmica
É a energia que flui do interior da Terra na forma de calor. Essa energia se
concentra predominantemente nas rochas quentes e secas localizadas em partes
profundas do planeta, que variam de três a cinco quilômetros.

Energia radiante
É a energia emitida por radiações eletromagnéticas. As ondas de rádio e de
televisão, os raios X, as micro-ondas, bem como a luz e o calor do Sol, são exemplos
desse tipo de energia.

Energia química
É a energia liberada ou formada em uma reação química, como acontece nas
pilhas e baterias, quando oxidam os metais em suas partes internas, ou em uma
pessoa praticando esporte, consumindo a energia da sua alimentação e hidratação.

Energia nuclear
Também chamada de energia atômica, ocorre quando o núcleo de um átomo
pesado, como o de urânio, é dividido e parte da energia que ligava seus elementos
é liberada em forma de calor.

Energia potencial gravitacional


Este tipo de energia é tão comum que quase não reparamos nela, mas, quando
jogamos objetos para o alto e sabemos que ele voltará para o solo, estamos nos
valendo da energia potencial gravitacional.

Energia elástica
Sim, existe a energia elástica! Ela acontece quando um material é esticado de
ponta a ponta, deformando-se, mas que, apesar disso, consegue voltar à forma
inicial quando é solto.

Energia sonora
A energia sonora se manifesta quando o som passa por um objeto ou corpo e
suas ondas fazem vibrar a matéria, podendo danificá-la, quebrá-la (cristal que-
brando com um grito, por exemplo) ou estourar os tímpanos por uma bomba ou
música muito alta. A energia sonora é uma das energias com menos potencial de
força, mas atua, com facilidade, no ar e na água.

Energia oceânica
Também chamada de energia das ondas, é obtida graças ao movimento gerado
pelas marés. É uma energia renovável e possui grande potencial para o futuro.

Energia • Capítulo 6 101


Energia cinética
É a que sempre movimenta os corpos. Seu potencial depende da energia que está
sendo convertida e da colisão dos corpos ou moléculas envolvidas. Pode ser trans-
ferida entre objetos e transformada em outras formas de energia.

Mecânica Térmica

Arte/Partners
Sonora Nuclear Gravitacional

Química Potencial

3 Observe as figuras referentes a diversas fontes de iluminação. Na sequência, faça as


questões propostas na atividade. Para responder a cada item, faça uma pesquisa e
anote as respostas em seu caderno.

luoman/Istock
Kat72/Istock

1 2 3 4
NiPlot/Istock

thebroker/Istock
GOLFX/Istock

5 6 7 8
Route55/Istock

WestLight/Istock
zoranm/Istock

102 Ciências • Movimento do aprender


a. Como se denominam essas fontes de iluminação?

b. Quais fontes de energia são utilizadas e convertidas em cada uma das figuras?

c. Estabeleça uma ordem cronológica crescente de utilização dessas fontes de ilu-


minação, levando em conta o progresso social e tecnológico necessário para o
desenvolvimento de cada uma.

d. Compare os princípios de funcionamento das fontes de luz, destacando as vanta-


gens e desvantagens de cada uma.

4 Leia atentamente o texto a seguir sobre alimentos energéticos.

Os alimentos chamados de energéticos ou calóricos, quando metabolizados, liberam


energia química, que é aproveitada pelo organismo. Para essa energia ser quantifica-
da, utiliza-se a unidade física denominada caloria (cal).
A caloria, que todo mundo já ouviu falar, é a quantidade de energia necessária para
elevar em um grau centígrado um grama de água (de 20 ºC para 21 ºC, por exemplo).
Por ser uma unidade muito pequena, é comum que seja utilizada a quilocaloria (kcal),
que equivale a mil calorias. Para simplificar, a quilocaloria também é chamada de Ca-
loria, com “C” maiúsculo. Veja, a seguir, quais são os principais alimentos energéticos.
• Lipídios (gorduras): o metabolismo de um grama libera nove calorias.
• Carboidratos: o metabolismo de um grama libera quatro calorias.
• Proteínas: o metabolismo de um grama libera quatro calorias.

Syda Productions/Shutterstock

Energia • Capítulo 6 103


É importante informar que os alimentos energéticos, ao serem ingeridos e não me-
tabolizados, armazenam energias que se acumulam no corpo; não sendo eliminadas
pelo organismo, transformam-se em gordura, o que pode causar obesidade. Essas
informações científicas dizem respeito ao funcionamento dos metabolismos, porém,
cada corpo possui suas particularidades.
Na sequência, veja a tabela que traz a quantidade de calorias queimadas em cada
atividade física. Ela foi feita baseada em um estudo da Clínica Mayo, situada nos
Estados Unidos.

Atividade Calorias por hora

Correr e pular corda 861 – 1 074

Jogar futebol 752 – 937

Natação leve 423 – 528

Pedalada leve 292 – 364

Caminhada lenta 204 – 255

Dormir de 6 a 8 horas 270 – 300

Analise as informações fornecidas e responda a cada item a seguir.

a. Qual tipo de alimentação seria recomendado para pessoas que realizam atividades
que exigem muita energia?

b. Segundo os conteúdos já estudados neste e em outros capítulos, quais atividades


e alimentação são recomendadas para pessoas que precisam perder peso?

c. Você já acordou faminto? Já ouviu dizer que dormir emagrece? Por quê?

104 Ciências • Movimento do aprender


d. Qual a relação entre obesidade e energia ingerida pelos alimentos?

5 As atividades desenvolvidas até aqui proporcionaram a você conhecer várias situações


em que ocorrem transformações de energia. Identifique quais são as principais trans-
formações de energia envolvidas em cada situação apresentada.

6 Observe com atenção cada uma das situações apresentadas e identifique quais são as
transformações de energia envolvidas em cada uma das imagens. Indique também a
origem dessas formas de energia existentes.
a.
photo75/Getty Images

Energia • Capítulo 6 105


b.

JoeGough/Istock

c.
ollo/Getty Images

106 Ciências • Movimento do aprender


f.
e.
d.

SUPREEYA-ANON/Shutterstock duha127/Istock

Arte/Partners

Energia • Capítulo 6
107
g.

New Africa/Shutterstock
h.

Andrey Burmakin/Shutterstock

7 Leia o texto a seguir e, na sequência, faça o que se pede.

A energia a nosso favor


Imagino que você aprendeu muito até o momento sobre os tipos de energias, mas
saiba que existem ainda mais tipos, como as energias eletromagnéticas, ionizantes e
cinética, que serão abordadas mais à frente em seus estudos.
E, acredite, a ciência está em constante evolução, então é possível que haja mais
energias a serem descobertas! Apesar disso, existe uma preocupação incômoda, tanto
para a ciência quanto para sociedade: as perdas de energias. Você já se perguntou
como é possível perder e adquirir energias? Saiba que há as energias não renováveis e
as renováveis. Veja exemplos a seguir.

108 Ciências • Movimento do aprender


Energias não renováveis
Petróleo, carvão mineral, gás natural e energia nuclear.

Energias renováveis
Hídrica, solar, eólica, biomassa, geotérmica e oceânica.
Ao compararmos as energias, você pôde perceber que há mais energias renováveis,
e isso é muito bom!
A maioria dessas fontes enérgicas é convertida em energia elétrica. Cada residên-
cia, comunidade e cidade têm suas particularidades para o seu uso, entretanto todos
devemos usá-la de modo sustentável.
A aquisição em grande escala de energia elétrica é feita pelas usinas e indústrias.
Contudo, a perda de energia elétrica em grande proporção ocorre em razão do con-
sumo inapropriado feito nas residências e nos estabelecimentos públicos e privados.

• Pensando que sua família e escola provavelmente não otimizam o uso de energia
elétrica, escreva um texto de um parágrafo com argumentos capazes de sensibili-
zá-los a respeito da necessidade de praticar a mudança de hábitos a curto prazo.

ATENÇÃO!

A ENERGIA EM NOSSAS VIDAS


O nosso universo é composto de dois elementos principais: matéria e energia.
O primeiro é fácil de conceituar, pois a matéria é tangível e visível ao nosso olhar.
Podemos tocá-la, senti-la e observá-la diretamente. Já a energia é algo abstrato, que
somente percebemos quando está em um processo de transformação.
Ao utilizarmos um automóvel, por exemplo, a energia acumulada nas ligações
químicas das moléculas que compõem o combustível é liberada devido a uma ex-
plosão que ocorre no interior do motor. Durante esse processo, parte dessa energia
fará com que o automóvel se movimente, mas outra parte será transformada em
calor e liberada para o meio ambiente.

Energia • Capítulo 6 109


A energia que absorvemos dos alimentos tem origem no Sol. Embora esteja a
cerca de 150 milhões de quilômetros de distância, o astro-rei continua sendo a
principal fonte energética de nosso planeta. Essa energia chega à Terra na forma de
ondas eletromagnéticas.
Ao chegar aqui na Terra, a luz do Sol é utilizada pelas plantas no processo de
fotossíntese e armazenada nas ligações químicas das moléculas resultantes, que
posteriormente iremos ingerir ao nos alimentarmos.

Energia em transformação
Nos exemplos citados anteriormente,
podemos perceber também uma das ca-
racterísticas mais importantes da ener-
gia: o fato de ela se conservar, ou seja,
durante os processos, ela pode adquirir
diversas formas, mas a sua quantidade
total ainda permanece constante.
Outra característica da transforma-
ção da energia é que nem sempre ela se
transforma em outro tipo de energia útil.
É o que acontece com o calor gerado na
combustão, que se dissipa no motor do carro, ou o produzido pelo nosso próprio
organismo, que é simplesmente liberado para o meio externo.
Podemos compreender a energia como algo que pode modificar a matéria e
transformá-la nas mais diversas formas. Essas transformações ocorrem devido à
ação das interações fundamentais da natureza, como a força gravitacional (que
nos mantém presos sobre a superfície da Terra e faz com que as galáxias se movam
através do espaço), a força eletromagnética (responsável pelas interações entre os
átomos e moléculas, bem como pela existência da luz), a força nuclear forte (que
confere estabilidade ao núcleo atômico) e a força nuclear fraca (que controla pro-
cessos de decaimento radioativo).
Todos os processos conhecidos são controlados por essas forças, que levam a
energia neles armazenada a se transformar. A fotossíntese, por exemplo, é condu-
zida pela força eletromagnética.
Diante da variedade de formas que a energia pode assumir, podemos chegar a
uma simples conclusão sobre sua definição. Embora esse termo que tanto utiliza-
mos tenha diferentes significados, em sua essência ele indica sempre a mesma
coisa: um processo de transformação.
Fonte: OLIVEIRA, Adilson. A energia em nossas vidas. Ciência Hoje. Disponível em: [Link]
-nossas-vidas/. Acesso em: 2 fev. 2022.

110 Ciências • Movimento do aprender


8 Nesta atividade você vai cumprir duas etapas. A primeira é pesquisar sobre as matrizes
energéticas adotadas aqui, no Brasil, e a segunda é construir, no caderno, um infográ-
fico para explicar a sua pesquisa.

9 Agora você será um(a) detetive. Sua missão é descobrir o custo da eletricidade que
chega às residências e à escola. Para isso, você precisará de uma conta de luz. Peça um
exemplar a um adulto, não precisa ser necessariamente a conta da sua casa. Depois,
você vai anotar todas as informações que considerar importantes. Na sequência, crie
estratégias para a diminuição do consumo e depois apresente-as para o adulto respon-
sável pela conta; interessante anotar os argumentos dele, após sua apresentação.

CONECTE-SE

ALUNO DO SESI CRIA MARCA-PASSO QUE FUNCIONA SEM BATERIA


CONVENCIONAL
O aluno Gustavo Veras, que concluiu o Ensino Médio na Escola SESI José de Paiva Gade-
lha, na cidade de Sousa (PB), em 2019, desenvolveu um marca-passo que gera energia sem
a necessidade de uma bateria convencional. O protótipo utiliza nanogeradores que produ-
zem energia suficiente para alimentar o equipamento, por isso não existe a necessidade de
o paciente passar por cirurgias regulares, muitas vezes complexas, para a troca de bateria.
“A ideia do projeto surgiu durante a Olimpíada do Conhecimento. Minha equipe apresen-
tou um projeto que gerava energia elétrica, através da energia mecânica. Fizemos algumas
modificações, e descobri que poderia aplicar o projeto num marca-passo, para que ele tivesse
uma produção autônoma de energia, sem a necessidade de uma bateria. Ou seja, o paciente
não precisa ir ao hospital para fazer a troca regular dessa bateria, descartando a necessidade
de passar por cirurgias muitas vezes complexas”, explicou o estudante.
Intitulado “Heartfire: Marcapasso Pyroelétrico“, o projeto aplica o conceito de “energy
harvesting” (coleta de energia), que busca melhorar dispositivos de baixo uso energético,
como o marca-passo. Um exemplo dessa aplicação está na coleta do calor do corpo humano
para suprir a demanda energética de marca-passos.

Energia • Capítulo 6 111


O projeto desenvolvido por Gustavo Veras, sob a orientação dos professores Francisco
Tiago e Denise Ramos, participou do Prêmio “Sua Ideia Steam Vale Ouro”, realizado pelo
SESI/PB. Na edição de 2019, ele foi escolhido entre os projetos da Paraíba para o 4º Encontro
Nacional do Sistema Estruturado do Serviço Social da Indústria (SESI) Programando o Futuro.
“Este trabalho de pesquisa tem aplicação de novos paradigmas, que nunca foram utilizados
nessa área. Apesar de existirem algumas pesquisas já trabalhando com geração energética em
marcapassos, elas envolvem cirurgias complexas que não podem ser aplicadas em todos os pa-
cientes, enquanto nosso projeto evita essa exposição do paciente ao risco”, enfatizou Gustavo.
Fonte: ALUNO do SESI cria marcapasso que funciona sem bateria convencional. CNI/Agência de Notícias da Indústria, 21 fev. 2020.
Disponível em: [Link]
-bateria-convencional/. Acesso em: 4 fev. 2022.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

mpalis/Istock
ENERGIA EÓLICA
A energia eólica é obtida pelo movimento do ar.
Ela é uma excelente fonte energética por uma série
de motivos: é abundante, renovável, é possível ser
encontrada em todos os lugares do planeta e é uma
energia limpa.
Os mecanismos básicos de um moinho de vento,
inventado na Pérsia, no século V, ainda são os mes-
mos: o vento atinge uma hélice que, quando se mo-
vimenta, gira um eixo que impulsiona um gerador
de eletricidade.
As estações do ano ditam a quantidade de energia
disponível no vento. Além delas, a hora do dia e as ca-
racterísticas geográficas da região também interferem
na quantidade de energia eólica. Aerogeradores.

Outros fatores que influenciam a quantidade desse tipo de energia têm a ver com a
região em que ela é captada, as características desse local, o desempenho, a altura de ope-
ração e o espaçamento horizontal dos sistemas de conversão de energia eólica instalados.
O modelo das hélices de uma turbina de vento é aerodinâmico, o que o torna mais efi-
ciente do que as lâminas dos antigos moinhos. As hélices têm o formato de asas de avião
e, quando estão em movimento, ativam um eixo que está ligado à caixa de mudança.
Por meio de uma série de engrenagens, a velocidade do eixo de rotação aumenta.
O eixo de rotação está conectado ao gerador de eletricidade, que, com a rotação em
alta velocidade, gera energia.

112 Ciências • Movimento do aprender


SOCIEDADE E AMBIENTE

VOCÊ SOBREVIVERIA À FALTA DE ENERGIA ELÉTRICA?


Quatro horas sem energia…
Cerca de quatro horas depois, as telecomunicações começariam a entrar em pane.
A maioria dos computadores ficaria sem internet e fora de operação. A informação só seria
acessível por meio de aparelhos que estivessem ligados em outra fonte de energia, como um
rádio de pilha. Os celulares, sem dúvida, mal funcionariam. Os hospitais precisariam contar
com a ajuda de geradores de eletricidade. O trânsito estaria caótico, já que os semáforos
não funcionariam.

Dez horas sem energia…


As geladeiras e os refrigeradores que não estivessem ligados a geradores estariam des-
congelados. Os prédios sem geradores começariam a racionar a água, e os geradores de
hospitais precisariam ser reabastecidos. Os supermercados perderiam em torno de dez dias
toda a comida em que estivesse armazenada em suas câmaras frigoríficas, já que elas es-
tariam esquentando dia após dia.

Vinte e quatro horas sem energia…


Começaria a faltar água em prédios residenciais. Qualquer trabalho que dependesse de
energia, computadores, máquinas e internet estaria comprometido. Além disso, muito pro-
vavelmente haveria toque de recolher, e a população seria solicitada a evitar sair de casa.
Automóveis estariam com problemas para abastecer, pois os postos de combustíveis estariam
sem energia de reserva.

Quarenta e oito horas sem energia…


Os geradores dependeriam do fornecimento de combustível para continuar operando e,
após dois dias sem luz, a entrega já estaria prejudicada.
Hospitais e prédios residenciais ainda teriam certo acesso a combustível para deixarem
seus geradores em funcionamento. Os mercados sem geradores perderiam mercadorias como
frios e congelados, que estragariam rapidamente. Os aparelhos celulares não funcionariam.

Trinta dias sem energia elétrica…


Apenas geradores a diesel, gás e energia solar e eólica estariam funcionando. A informa-
ção circularia somente por meio do rádio, e a luz artificial viria predominantemente pelas ve-
las e, com sorte, por lanternas que funcionassem a pilha. Na maioria dos hospitais, remédios
e alimentos não perecíveis começariam a faltar.

Energia • Capítulo 6 113


SAIBA MAIS

Livro
A eletricidade
Autores: C. Vance Cast, Sue Wilkinson, Simone Kubric
Editora: Callis

Muitas coisas divertidas e úteis para as nossas vidas precisam de eletricidade para
funcionar: computadores, lâmpadas, torradeiras e telefones, por exemplo. Como a
eletricidade chega até esses objetos? Como ela é produzida? Como flui pelos cabos até
atingir nossas casas? Eugênio, um menino muito esperto, explica questões sobre o
aproveitamento dos recursos naturais, sua transformação pelo homem e também as
consequências que afetam o meio ambiente.

Sites

Abcdenergia
Navegue por dicas e curiosidades sobre energia que podem contribuir para que você
conheça um pouco mais sobre o que está por trás de um interruptor, de um fogão aceso
ou de um carro se deslocando, entre outras questões do dia a dia!
Peça o acesso ao professor.

Simulador #quantoé? Gerar energia


Que tal simular diferentes composições de fontes de energia? A plataforma deixa você
montar sua matriz combinando sete fontes de geração de eletricidade.
O simulador é indicado para que você tome conhecimento do impacto energético na
economia nacional e na sua própria vida, enquanto consumidor. Verifique com o pro-
fessor o acesso ao link.

114 Ciências • Movimento do aprender


O QUE APRENDI

a. Na tabela, acrescente três tecnologias que você utiliza no seu dia a dia,
mencionando qual é a fonte que elas utilizam e os benefícios do seu uso na
vida cotidiana.

Tecnologia Fonte de energia Benefícios

Celular

b. Analise a figura e estabeleça todas as transformações de energia envolvidas


de maneira retroativa, ou seja, começando com a bola sendo cabeceada
pela jogadora até identificar a fonte primária de energia que originou todo
esse processo. Construa um mapa conceitual que apresente as transforma-
ções de energia identificadas.

mixetto/Getty Images

Energia • Capítulo 6 115


CAPÍTULO

7 EVOLUÇÃO DA
VIDA NA TERRA

Nasa/ GSFC
CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

Kevin Schafer/Getty Images


RODA DE CONVERSA

• Na sua opinião, como surgiu o Universo?


• Como a Terra se formou?
• Será que as espécies existentes hoje no planeta são as mesmas de bilhões de anos atrás?
• Por que alguns animais, como os dinossauros e o mamute, não existem mais?

117
1 Leia os textos a seguir.

Cosmologia
Nosso planeta está rodeado de inúmeros corpos celestes. Já reparou, ao observar o
céu em uma noite escura, na quantidade de pequenos pontos luminosos? São as estre-
las. Elas nos inspiram, nos trazem beleza e, principalmente, curiosidade.
O ser humano, desde a Pré-História, tem interesse pelo céu. Nos tempos primór-
dios, os povos primitivos ficavam intrigados e, muitas vezes, amedrontados com os
fenômenos que viam, como os cometas e os eclipses lunares e solares.
Os filósofos da Antiguidade voltavam boa parte de suas atenções aos objetos ce-
lestes. Todos, de uma maneira ou de outra, procuraram descrever o que era tudo
aquilo que envolvia o nosso planeta durante a noite e desaparecia durante o dia.
Por que isso ocorria?

StockTrek/Getty Images

Muitas perguntas foram feitas. Como o espaço havia surgido? Ele se prolongava
sem fim ou acabava em algum lugar?
Com o surgimento do telescópio, os pensadores puderam perceber que o espaço
continha muito mais corpos do que aqueles visíveis a olho nu, o que, sem dúvida,
causou uma grande mudança na maneira de pensar o cosmos.
Mais questionamentos surgiram quando os observadores descobriram os aglome-
rados de estrelas, as nebulosas gasosas e outras galáxias diferentes e distantes da
nossa. E continuam surgindo perguntas a cada nova descoberta. O Universo, tema
inesgotável de estudo, sempre despertará nossa curiosidade!

118 Ciências • Movimento do aprender


A descoberta do Universo em expansão
A cosmologia, que é o estudo

ilbusca/Getty Images
da origem e da composição do
Universo, desde o século passado
tem contado com vários fatores
que contribuem para o seu de-
senvolvimento.
As observações do céu estão
cada vez mais numerosas e pre­
cisas. Essa evolução tem sido,
em parte, proporcionada pela ra-
dioastronomia e pela inserção de Fotografia de um astrônomo em um observatório.
telescópios no Espaço, livres de influência da atmosfera terrestre.
Em 1912, o estadunidense Vesto Slipher (1875-1969) foi o primeiro astrônomo a
observar o deslocamento de nebulosas espirais e elípticas. Com isso, ele pôde deter-
minar a velocidade radial de uma galáxia. Por causa dessa movimentação, ele descon-
fiou que essas nebulosas não fossem membros fixos da Via Láctea. Eram as primeiras
evidências de que o Universo estava se expandindo.

Após a leitura dos textos, faça uma pesquisa e responda às perguntas.


a. Como se denomina o evento inicial a partir do qual podemos descrever os primei-
ros instantes do Universo? Disserte sobre a adequação desse termo e suas origens
históricas.

b. É possível afirmar que existe um centro do Universo? Explique.

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 119


c. Por que a radioastronomia modificou o estudo do Universo?

d. O que é uma galáxia?

e. Qual a origem do nome da galáxia em que nós vivemos?

f. Apresente os resultados da pesquisa para a turma.

2 O Universo está parado? Para responder a essa pergunta, faça o experimento proposto
na atividade.

Materiais
• balão de aniversário
• fita métrica
• caneta porosa
Arte/Partners

120 Ciências • Movimento do aprender


Procedimento
• Trabalhando em equipe, desenhem no balão (que representará nosso Universo),
ainda vazio, alguns pontos com formas diferentes para representar as galáxias, en-
tre elas a Via Láctea.
• Atribuam um número a cada ponto desenhado no balão.
• Encham um pouco o balão e o segurem, com os dedos, de modo a não deixar o ar
escapar.
• Preencham a coluna “medida inicial” da tabela com as distâncias em centímetros
entre algumas galáxias representadas:

Medida Previsão Medida


inicial (cm) (cm) final (cm)
Distância 1 – Entre a galáxia ____ e a galáxia ____

Distância 2 – Entre a galáxia ____ e a galáxia ____

Distância 3 – Entre a galáxia ____ e a galáxia ____

Distância 4 – Entre a galáxia ____ e a galáxia ____

Distância 5 – Entre a galáxia ____ e a galáxia ____

Distância 6 – Entre a galáxia ____ e a galáxia ____

Circunferência do Universo

• Meçam a circunferência do Universo e registrem o valor na última linha.


• Façam uma previsão da distância entre as galáxias se o Universo dobrar de tamanho
e registrem na coluna correspondente.
• Marquem na fita métrica um valor que corresponda ao dobro do tamanho inicial do
Universo e registrem na tabela.
• Coloquem a fita em torno do balão. Enquanto isso, outro membro deve encher o
balão de modo a preencher o espaço marcado na fita e segurar com os dedos para
não deixar o ar escapar.
• Preencham a coluna “medida final” da tabela com as distâncias, em centímetros,
entre as galáxias medidas inicialmente.

Após o preenchimento da tabela, responda:


a. O que se pode concluir sobre as distâncias entre as galáxias?

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 121


b. Existe um centro na superfície do balão? Explique.

c. Em quais aspectos e características o modelo utilizado é diferente do Universo real?

d. Observe o balão esvaziar lentamente. O que você pode concluir sobre as distân-
cias entre as galáxias tanto num passado quanto num futuro distante?

e. Discuta suas respostas com seu grupo e registre no caderno as conclusões a que
chegaram.

3 Leia o texto a seguir, que trata de algumas crenças sobre a origem do Universo.

OVO CÓSMICO CHINÊS


Segundo esse mito, o primeiro ser vivo foi P’an Ku, que cresceu durante 18 mil
anos dentro de um ovo cósmico. Quando se chocou, a casca acima dele tornou-se o
céu, enquanto a casca debaixo tornou-se a terra. Os opostos na natureza foram se-
parados, como masculino e feminino, úmido e seco, claro e escuro, yin e yang etc.
Depois de todo esse esforço, P’an Ku literalmente se despedaçou, e suas feições
se tornaram o mundo natural. Seus membros se transformaram em montanhas;
seu sangue, em rios; sua respiração, no vento; sua voz, nos trovões; seu cabelo, na
grama; seu suor, na chuva, e assim por diante. Seu olho esquerdo se tornou o Sol,
e seu olho direito se tornou a Lua.

122 Ciências • Movimento do aprender


Algumas pessoas dizem que os parasitas no

Universal History Archive/ Colaborador/Getty Images


corpo de P’an Ku se tornaram a humanidade.
Outros dizem que, muitos séculos depois da
morte de P’an Ku, uma deusa solitária chama-
da Nu Wa viu seu reflexo em um lago e criou
alguns seres como ela a partir da lama. Estes
tornaram-se os aristocratas. A criação desses
seres foi um trabalho árduo, e quando Nu Wa
agitou uma videira enlameada através do ar,
suas gotas se tornaram os plebeus. Anos mais
tarde, o céu desabou, criando buracos na terra
através dos quais águas subiram para formar
um grande dilúvio. Nu Wa remendou a terra,
mas ficou esgotada por seu trabalho e morreu.
Seu corpo, como o de P’an Ku, formou ainda
mais recursos naturais no mundo. Ilustração de P’an Ku.

CRIAÇÃO SANGRENTA DO POVO SANEMA


O povo Sanema faz parte do grupo ianomâmi de tribos que vivem na floresta
amazônica. Cada tribo tem sua própria coleção de histórias, transmitidas oral-
mente de geração em geração. Devido a isso, seus mitos sobre a criação variam.
Geralmente, no entanto, o povo Sanema acredita que todas as coisas vivas descen-
dem de “ancestrais originais”, cujos espíritos ainda habitam a floresta.
Uma história conta que Peribo, a Lua, comia as almas das crianças. Isso irritou
Suharina, que atirou na barriga de Peribo com uma flecha. Seu sangue derramou-
-se sobre a terra, formando poças das quais os homens mortais surgiram. Os seres
humanos mais beligerantes foram criados onde grandes quantidades de sangue
caíram, e, onde apenas algumas gotas caíram, homens menos violentos nasceram.
Em outro mito, Naro (Gambá), que era feio e fedido, tinha ciúmes de seu irmão,
Yamonamariwa (Abelha), que era bonito e tinha duas esposas. Naro o mata, e um
terceiro irmão, Reha (Lagarto), descobre a traição de Naro e o denuncia. Os an-
tepassados destroem Naro e transformam-se em espíritos e animais ao se pintar
com seu sangue. A preguiça foi criada com uma pequena quantidade de excremen-
tos de Naro.

OS QUATRO MUNDOS DO POVO NAVAJO


A tribo indígena norte-americana Navajo tem uma das histórias mais longas e
complexas sobre a criação do mundo. Ela começa no primeiro mundo, chamado
Mundo Negro. Esse mundo continha quatro nuvens, incluindo uma preta, que
representava a substância do sexo feminino, e uma branca, que representava o sexo
masculino. Juntas, elas criaram o Primeiro Homem, que representou o amanhecer e
a vida, e a Primeira Mulher, que representou a escuridão e a morte. Outros seres no
Mundo Preto incluíam o Grande Coiote (idealizado a partir de um ovo), o Primeiro

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 123


Bravo e vários insetos. O Mundo Negro tornou-se muito lotado, então todos subiram
para o Mundo Azul dos pássaros. Lá, eles viveram em harmonia por 23 dias, até
que alguém tentou dormir com a esposa do chefe Andorinha.
Banidos para o Mundo Amarelo
dos mamíferos, eles encontraram
seis montanhas, onde as pessoas
santas viviam. As pessoas santas
eram imortais e viajavam seguindo
o arco-íris. Lá, a Primeira Mulher
deu à luz duas hermafroditas. Qua-
Arte/Partners

tro dias depois, ela deu à luz outro


par de gêmeos, um homem e uma
mulher. No final de 20 dias, cinco
pares de gêmeos haviam nascido.
Um dia, o Grande Coiote tomou
para si o bebê do Monstro da Água.
O Monstro ficou tão irritado que fez
a chuva, até que as águas da inun-
dação subiram mais alto do que as
montanhas. No que deve ter sido o dilúvio mais lento de todos os tempos, o Pri-
meiro Homem plantou várias árvores e um canavial em sequência, nenhum dos
quais cresceu acima do nível das águas. Finalmente, um canavial cresceu para o
céu. Todos o escalaram, onde encontraram o quarto mundo, o Mundo Branco, que
é onde todos nós vivemos hoje.
Fonte: ROMANZOTI, Natasha. 10 mitos sobre a criação tão estranhos quanto o da Bíblia. Hype Science. [Adaptado].
Disponível em: [Link] Acesso em: 7 fev. 2022.

a. Discuta com seus colegas os possíveis motivos para que diversos povos buscassem
explicações para a origem do Universo.

b. Atualmente, como são feitas as buscas por essas explicações?

124 Ciências • Movimento do aprender


4 Com a orientação de seu professor, pesquise a formação do Sistema Solar e elabore
uma apresentação multimídia que explique:

a. as principais teorias propostas na história para a formação do Sistema Solar.

b. a teoria mais aceita, atualmente, para explicar a formação do planeta Terra.

c. as diferentes composições químicas dos planetas mais próximos do Sol em com-


paração com os mais distantes.

ATENÇÃO!

BIG BANG – A TEORIA DA ORIGEM DO UNIVERSO


Até por volta de 1908, os cien-

pixelparticle/Istock
tistas acreditavam que o Universo
era estático e eterno. Mas quando,
em 1916, Albert Einstein publicou
a teoria da relatividade, na qual
afirmava que o Universo estaria se
expandindo, novas ideias surgiram
no mundo científico. Com a ajuda
de telescópios, vários cientistas
do mundo iniciaram pesquisas em
busca da verificação dessa teoria.
Até 1923, a ideia de que o Universo se restringia à Via Láctea caiu por terra quan-
do o astrônomo Edwin Hubble conseguiu mostrar que uma das estrelas que ele
sistematicamente observava se encontrava fora dos domínios de nossa galáxia,
expandindo, assim, as dimensões de nosso Universo, tornando-o um lugar bem
maior. Inicialmente essa ideia teve muita resistência na comunidade científica,
especialmente dos defensores da ideia do Universo estático e eterno.
Poucos anos depois, em 1929, Hubble mostrou que as galáxias se afastam umas
das outras com velocidades proporcionais à sua distância e, medindo suas distân-
cias, verificou que, quanto mais distante, maior era sua velocidade de afastamento.
Verificou, também, que a luz proveniente de galáxias distantes sofre um tipo de des-
vio quando o observador e a fonte luminosa estão se afastando, e a velocidade com
que a galáxia está se afastando da Terra pode ser calculada pelo desvio observado. Tal
descoberta foi a primeira evidência de que o Universo estava se expandindo.

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 125


Com o desenvolvimento da radioastronomia, a partir da década de 1930, desco-
briram-se, entre outras coisas, objetos astronômicos que estão a bilhões de anos-luz
de distância da Via Láctea. Essas informações levaram os pesquisadores a questio-
nar que, se o Universo se expande sem parar, houve um momento em que sua massa
estava concentrada em um único ponto. O termo “Big Bang”, ou Grande Explosão,
foi sugerido por Fred Hoyle em 1950, satirizando o evento que iniciou o Universo.
Várias pesquisas realizadas na época confirmavam que o Universo estava realmen-
te se expandindo de modo ordeiro, o que possibilita imaginar que todo o Universo
deve ter começado a se expandir de um ponto de origem. O cosmólogo e engenheiro
Georges Edouard Lemaitre denominou esse ponto de “átomo primordial” e propôs
que ele se partiu em inúmeros pedaços, que foram se dividindo cada vez mais, até
formar os átomos presentes no Universo, criando não somente a matéria e a radia-
ção, mas também o que conhecemos como espaço e tempo.
Atualmente, a teoria mais aceita para explicar o surgimento do Universo é de
que ele teve início com um Big Bang quente há aproximadamente 13,7 bilhões de
anos e que desde então tem se expandido e esfriado, formando as estruturas que
conhecemos hoje.
Fonte: ANDREOLLA, Tina. Big Bang – Teoria da origem do universo. Disponível em: [Link]
conteudo_thumb/[Link]. Acesso em: 20 abr. 2022.

5 Você sabia que os continentes continuam se movimentando? Para fazer uma com-
paração, as placas tectônicas se movem na mesma velocidade com que crescem as
nossas unhas! Em média, elas se movem dez centímetros por ano. Isso é algo sur-
preendente! Saiba mais no texto a seguir e responda às questões.

Pangeia – O supercontinente
Na década de 1950, os cientistas comprovaram que há 230 milhões de anos todos
os continentes formavam um grande bloco de massa, ou seja, eles estavam unidos.
Além da semelhança entre as linhas litorâneas, fósseis de plantas e animais idênticos
na costa do Brasil e na costa da África e evidências de glaciação no sul da África, na
Índia e no oeste da Austrália deixaram clara a existência de um supercontinente cha-
mado Pangeia, rodeado por um superoceano chamado Pantalassa.
Há 200 milhões de anos, a Pangeia começou a se fragmentar devido ao movimento
das placas tectônicas. Inicialmente, fragmentou-se em dois grandes blocos: a Laurásia,
no hemisfério norte, um superbloco continental que atualmente compreende América
do Norte e Europa, e a Gondwana, no hemisfério sul, que hoje compreende América do
Sul, África, Austrália e Ásia. Por volta de 65 milhões de anos atrás, a Gondwana come-
çou a se fragmentar, e a América do Sul e a África se separaram devido ao movimento

126 Ciências • Movimento do aprender


das placas tectônicas. A Antártida e a Austrália também se desprenderam do resto de
Gondwana, e assim surgiram os oceanos Atlântico, Índico e Pacífico.
Diversas evidências foram utilizadas para apoiar essa teoria, entre elas:
• encaixe das linhas das costas atuais de vários continentes, especialmente entre
os continentes africano e sul-americano;
• continuidade de estruturas rochosas entre as costas da América do Sul e do Leste
da África, como as cadeias de montanhas;
• registro de fósseis idênticos de um réptil de 300 milhões de anos encontrados
apenas na África e na América do Sul, além de fósseis de plantas e samambaias
extintas em ambos os continentes.

Cenário atual
Todas as placas tectônicas estão em movimento atualmente. A prova disso são os
terremotos, maremotos e tsunamis que ocorreram recentemente. Cada placa se move
com uma velocidade e em uma direção, visto que elas apresentam densidades e tama-
nho diferentes. A média de deslocamento é de 10,1 cm/ano, mas em algumas partes
da placa de Nazca (colada aos Andes), por exemplo, a velocidade chega a 18,3 cm/ano.
A placa Dorsal do Sudeste Indiano, em compensação, move-se a 1,3 cm/ano.

Um novo supercontinente à vista


Partindo do pressuposto de que as placas tectônicas estão em constante movimen-
to, com velocidade e direção diferentes, além das características de cada uma delas,
é possível estimar que continentes se juntarão novamente daqui a 250 milhões de
anos, mas no sentido oposto ao da Pangeia, a formação original. Neste processo, é
provável que algumas placas sumam, como a placa de Nazca. Essa estimativa está ba-
seada na densidade. As placas mais densas (placas oceânicas) tendem a “mergulhar”
para baixo das menos densas (placas continentais).

Leia as questões seguintes e, para respondê-las, pesquise.

a. O que são placas tectônicas? Responda no caderno, acrescentando um desenho


que as represente.

b. Como os cientistas pesquisam as mudanças na conformação dos continentes do


nosso planeta?

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 127


c. Qual é a causa dos terremotos?

d. Como os terremotos moldaram a superfície do planeta Terra?

6 Leia o texto a seguir.

A origem da vida
Esta é uma das questões que sempre preocupou a humanidade. Como a vida sur-
giu? Há várias explicações construídas ao longo do tempo, pelas diferentes civiliza-
ções humanas, as quais foram influenciadas pelas religiões, pelas mitologias e pela
ciência praticada em diferentes épocas do passado.
São exemplos de explicações conhecidas sobre a origem da vida:
• Criacionismo: se apoia na narrativa bíblica de que o homem foi concebido de-
pois que Deus criou o céu, a terra e todos os outros seres vivos que existem. É
uma explicação de natureza religiosa, não científica.
• Panspermia: teoria que defende a ideia de que a Terra foi povoada por seres
vivos simples ou elementos precursores da vida que vieram de outros planetas,
trazidos com meteoritos e poeira cósmica. Essa teoria ganhou mais força quan-
do foram descobertas substâncias orgânicas provenientes de outros locais do
espaço, como o álcool e alguns aminoácidos, e quando, na década de 1980, foi
encontrado um meteorito na Antártida que continha um material que poderia
ser um fóssil de bactéria.
• Geração espontânea (ou abiogênese): durante muito tempo, acreditou-se que
os seres vivos eram gerados espontaneamente da matéria bruta e de organis-
mos mortos, graças à existência de algum princípio vital capaz de transformar a
matéria inanimada em vida. Acreditava-se que sapos, por exemplo, surgiam da
lama dos brejos.
Em 1668, enquanto estudava a decomposição de corpos, Francesco Redi elaborou
uma experiência simples, mas muito importante, que ajudou a contestar a abiogênese.

128 Ciências • Movimento do aprender


Mas foi somente em 1860 que Louis Pasteur conseguiu, por meio de um experimento que
durou alguns anos, comprovar definitivamente que não existe geração espontânea, e assim
surgiu a biogênese, ou seja, um novo ser vivo só é gerado de outro ser vivo preexistente.

• Origem da vida pela evolução química: hipótese científica mais aceita atual-
mente. Na década de 1920, Aleksander Oparin e John Haldane propuseram, em
pesquisas independentes entre si, que a vida teria surgido na Terra a partir das
moléculas orgânicas que foram produzidas durante a reação química entre as
moléculas inorgânicas presentes na atmosfera e nos mares primitivos.

Os dois cientistas acreditavam que a atmosfera da Terra primitiva apresentava uma


composição química muito diferente da que existe atualmente. Ela seria constituída por
hidrogênio, metano, amônia e vapor-d’água. Além disso, na Terra primitiva, a tempera-
tura da superfície deveria ser muito alta, havendo também tempestades contínuas com
muitas descargas elétricas e grande incidência de radiação solar. Essas condições pode-
riam ter favorecido as reações das moléculas inorgânicas da atmosfera, produzindo os
primeiros compostos orgânicos, muito simples, como os aminoácidos. Esses compostos
provavelmente foram sendo formados na atmosfera primitiva e levados para os oceanos
pela chuva, sendo acumulados durante milhões de anos, formando um tipo de “sopa
primitiva”. A grande quantidade dessas moléculas nos mares pode ter favorecido a pro-
dução de moléculas orgânicas mais complexas (coacervados).
Com as condições ambientais apropriadas para o agrupamento dessas moléculas,
devem ter surgido as primeiras células, que deviam ser ainda muito simples, mas pa-
recidas com as células de bactérias. A partir daí, foram surgindo outros organismos.
Em 1953, o cientista Stanley Miller conseguiu produzir moléculas de aminoácidos,
que são substâncias orgânicas precursoras das proteínas, em um equipamento que
simulava as condições que provavelmente existiam na Terra primitiva. Isso mostrou
para a comunidade científica que a hipótese de Oparin e Haldane, de que a Terra pri-
mitiva reuniu condições para o surgimento da vida, era viável.
• Analise os esquemas que mostram os experimentos e as conclusões de Francesco
Redi, Louis Pasteur e de Stanley Miller.

Experimento de Francesco Redi


Foram colocados pedaços de carne em três frascos: o primeiro fechado com tampa (1),
o segundo fechado com um pedaço de gaze (2), e o terceiro aberto (3).
Os frascos ficaram no mesmo local durante vários dias.
Arte/Partners

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 129


Resultados: as moscas eram atraídas principalmente pelos frascos 2 e 3, mas con-
seguiam entrar em contato com a carne apenas no frasco 3.
Depois de alguns dias, verificou-se que, sobre a carne do frasco 3, primeiro apa-
receram pequenos grãozinhos, que hoje sabemos serem ovos de mosca. Após alguns
dias, do interior deles saíram larvas que, com o tempo, se transformaram em moscas.
Nos frascos 1 e 2 não houve produção de larvas nem de moscas enquanto a carne
estava se decompondo.

• Escreva qual foi a conclusão de Redi sobre o seu experimento. As larvas e as moscas
do frasco 3 surgiram por geração espontânea, graças à transformação da carne?
Como elas foram geradas?

Experimento de Pasteur
Apesar de o experimento de Redi ter enfraquecido os argumentos dos defensores
da geração espontânea, essa teoria voltou a surgir com força quando os microrga-
nismos foram descobertos. Muitos acreditavam que esses seres invisíveis a olho nu,
tão simples, só podiam surgir espontaneamente em decorrência da transformação da
matéria bruta e que eles não surgiam pela reprodução de organismos preexistentes,
como no caso dos animais e das plantas.
Louis Pasteur, um microbiologista francês, conseguiu realizar um experimento em
meados do século XIX que ajudou a abalar definitivamente a crença na geração es-
pontânea.
Pasteur colocou um caldo nutritivo em balões de vidro. O gargalo de cada um foi
alongado e curvado com o auxílio do fogo.
O caldo nutritivo foi fervido para eliminar qualquer tipo de contaminação. Durante
a fervura, o vapor quente liberado do caldo saía pelo gargalo curvo, chamado de pes-
coço de cisne.
Os balões com pescoço de cisne ficaram por muito tempo em seu laboratório sem
contaminação. O caldo nutritivo só apresentava sinais de contaminação e decomposi-
ção quando o gargalo era quebrado e o ar do ambiente entrava em contato direto com
a solução, sem passar pelo gargalo curvo.

130 Ciências • Movimento do aprender


Arte/Partners
a. Por que nos frascos com o pescoço de cisne intacto não havia contaminação do
caldo nutritivo?

b. O que Pasteur foi capaz de concluir com o seu experimento quando ele quebrou
o pescoço de cisne e ocorreu contaminação do caldo nutritivo?

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 131


Experimento de Stanley Miller
O sistema que Miller construiu na década de 1950 para fazer a sua experiência era
formado por tubos e balões de vidro interligados, onde foram adicionados os compos-
tos que Oparin supunha terem existido na atmosfera primitiva: amônia (NH3), meta-
no (CH4), hidrogênio (H2) e vapor-d’água (H2O).
Esse sistema tinha um compartimento onde a água era aquecida. Os vapores li-
berados subiam em direção a outro compartimento onde os gases eram liberados e
ocorriam descargas elétricas, simulando o que ocorria durante as tempestades.
Essa mistura gasosa passava,
então, para um local onde ocor-
riam o resfriamento e a condensa-
ção do vapor-d’água, simulando o
que ocorria quando a chuva caía
na superfície e nos mares, onde
novamente voltava a ocorrer o

Arte/Partners
aquecimento da água.
Miller manteve esse sistema
operando continuamente por
uma semana. Após esse tem-
po, ele observou que a água do
reservatório continha aminoá-
cidos e outras substâncias quí-
micas mais simples, que não
estavam presentes no início do
experimento.
Hoje se sabe que os gases presentes na atmosfera eram bem diferentes dos propos-
tos por Oparin e utilizados por Miller. Mesmo assim, o seu experimento mostrou que,
nas condições da Terra primitiva, era possível ocorrer a formação de aminoácidos,
moléculas essenciais à vida.

• A teoria da geração espontânea e a hipótese sobre a origem da vida pela evolução


química defendem que a vida surge de algo “não vivo”. Entretanto, elas explicam
isso de formas muito diferentes. Explique que diferença é essa.

132 Ciências • Movimento do aprender


7 Leia o texto e faça as questões.

As teorias autotrófica e heterotrófica sobre a origem da vida


Quando analisamos todos os seres vivos quanto à forma como se nutrem e obtêm a
energia de que necessitam para se manterem vivos, podemos classificá-los em dois grupos:

• organismos autótrofos, como plantas, algas e algumas bactérias, que são capa-
zes de produzir as substâncias orgânicas (alimento) de que necessitam para so-
breviver a partir de substâncias inorgânicas;
• organismos heterótrofos, como animais, fungos, protozoários e muitas bactérias,
que utilizam as substâncias orgânicas (alimento) produzidas por outro ser vivo.

Diante disso, surgem perguntas: como será que os primeiros seres vivos eram?
Seriam eles autótrofos ou heterótrofos?
O processo mais comum de produção de substâncias orgânicas pelos organismos
autótrofos é a fotossíntese. Nesse processo, complexo do ponto de vista bioquímico, as
células clorofiladas das plantas são capazes de captar a energia do Sol e usá-la para a
produção de uma substância orgânica, a glicose (um açúcar), e de um gás, o oxigênio.

Equação geral da fotossíntese:

Energia do Sol
Gás carbônico + Água Glicose + Gás oxigênio
Clorofila

A glicose e outras moléculas orgânicas produzidas graças à fotossíntese serão usa-


das como fonte de energia pelo organismo autótrofo para que possa realizar as suas
funções vitais. Mas elas também serão usadas pelos heterótrofos, direta ou indireta-
mente, como fonte de energia e de matéria-prima para eles se manterem vivos.
O fornecimento da energia presente nas moléculas orgânicas (glicose, amido, ami-
noácidos, proteínas, lipídios etc.) para o organismo ocorre quando elas são degrada-
das durante a respiração ou a fermentação.

Equação geral da respiração celular:

Glicose + Gás oxigênio Gás carbônico + Água

Energia

Equação geral da fermentação alcóolica:

Glicose Gás carbônico + Etanol

Energia

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 133


Quando comparamos os dois processos, a respiração que é realizada pela maioria
dos seres vivos (inclusive plantas) usa o gás oxigênio e é um processo que depende
de uma complexidade bioquímica elevada. Já a fermentação é um processo bem mais
simples e, como não usa gás oxigênio, pode ocorrer mesmo em um ambiente em que
ele não esteja presente.

a. Depois de ler o texto, preencha a tabela:

Depende de
Complexidade Substâncias Substâncias
atmosfera rica em
bioquímica usadas produzidas
gás oxigênio?

Fotossíntese

Fermentação

Respiração

b. Releia as informações apresentadas na atividade anterior sobre as condições da


Terra quando surgiu a vida, o que provavelmente ocorreu nos mares primitivos.
Procure relacioná-las com os dados da tabela do item a. Finalmente, responda à
questão presente no texto desta atividade: como eram os primeiros seres vivos?
Seriam eles autótrofos ou heterótrofos?

134 Ciências • Movimento do aprender


c. Considerando as informações do texto desta atividade e da anterior, enumere a
provável sequência em que os organismos descritos surgiram:

( ) autótrofos fotossintetizantes.

( ) heterótrofos respiradores.

( ) heterótrofos fermentadores.

8 Leia o texto.

O tempo geológico e a evolução da Terra e dos seres vivos


O nosso planeta evolui, ou seja, com o passar dos anos, desde a sua formação há
cerca de 4,5 bilhões de anos, vem sofrendo constantes transformações, e estas, por
sua vez, modificam tanto os seres que o habitam quanto a sua imensa diversidade.
Diversas evidências atuais demonstram que a configuração do nosso planeta já foi
e continua sendo muito alterada, já que ele sofre a ação permanente de forças inter-
nas e externas (vento, chuva e atividade humana, por exemplo).
Algumas das mudanças são facilmente percebidas porque provocam alterações
imediatas na paisagem, como é o caso dos terremotos e das erupções vulcânicas.
Outras são quase imperceptíveis, pois ocorrem em um período muito mais longo
do que o da nossa existência, como o afastamento dos continentes sul-americano e
africano, por exemplo.
Diante desse contexto, não é prático medir a história geológica da Terra e a evolu-
ção dos seres vivos pela escala de tempo que usamos no nosso cotidiano (horas, dias,
semanas, meses, anos etc.). Assim, a criação de uma nova “escala de tempo geológi-
ca”, medida em milhões de anos, foi essencial para conseguirmos compreender as
transformações pelas quais a Terra passou. Alguns marcadores são utilizados para
compreendermos os processos que ocorreram no passado, entre eles estão os registros
fósseis e a camada de sucessão das rochas.
Dessa forma, o tempo geológico está dividido em Éons, que são subdivididos em
Eras, que se subdividem em Períodos, os quais, por sua vez, estão subdivididos em
Épocas.
As Eras geológicas vão do presente de volta à formação da Terra. Elas são determi-
nadas com base em grandes eventos que ocorreram na história do nosso planeta.
Estas são subdivididas em Períodos, com o objetivo de organizar as informações a
respeito de quais eram as características dos continentes e dos oceanos, as condições
climáticas e as características dos seres vivos que estavam presentes.

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 135


Observe a tabela da escala geológica do tempo antes de responder às questões.

Arte/Partners
Períodos Épocas

Jurássico

136 Ciências • Movimento do aprender


a. Em que Era, Período e Época estamos vivendo? Quando o Período em que esta-
mos vivendo começou?

b. Em que Era e Período surgiu a vida? Há quanto tempo foi isso?

c. Em que Era surgiram os vertebrados e as primeiras plantas terrestres? Há quanto


tempo foi isso?

d. Em que Era viveram os grandes dinossauros? Há quanto tempo foi isso?

e. Em que Era e Período os mamíferos se diversificaram muito? Há quanto tempo


foi isso?

f. Em que Era, Período e Época surgiu o ser humano?

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 137


9 Leia o texto a seguir sobre a importância dos fósseis. Na sequência, responda ao que
se pede.

Fósseis: registros que ajudam a contar a história dos seres vivos na Terra
Fósseis são registros muito importantes deixados por seres vivos que já existiram.
Eles trazem marcas fundamentais para entendermos o passado. Que marcas são es-
sas? Podem ser vestígios, como pegadas e excrementos, ou partes mais resistentes
dos corpos – caso da maioria dos fósseis encontrados –, como ossos, dentes, conchas,
carapaças e sementes, já que tendem a durar mais por serem mais resistentes.

Minakryn Ruslan/Istock
Insetos fossilizados em resina (âmbar).

Como ocorre a fossilização? Para ela acontecer, muitos fatores entram em cena. O
primeiro deles tem a ver com a decomposição do organismo, que não pode ocorrer de
forma completa. O que fica do organismo geralmente é preservado em rochas, sedi-
mentos, resina de plantas e até em gelo.
Fatores como a erosão, as mudanças de temperatura e pressão e os elementos quí-
micos do local também são variantes capazes de afetar, alterar, distorcer ou dissolver
os materiais que podem se transformar em fósseis.
kvkirillov/Istock

alice-photo/Istock

Fóssil de lagarto em rocha Folha fóssil em rocha.


sedimentar.

A idade mínima para um material ser considerado fóssil é de pelo menos 11 mil
anos. Porém, para os arqueólogos, profissionais que estudam a cultura dos povos an-
tigos, materiais com idades mais recentes do que a estipulada também são conside-
rados fósseis.

138 Ciências • Movimento do aprender


Outros profissionais que pesquisam fósseis são os paleontólogos. Eles estudam,
por meio da fossilização, as formas de vida existentes em períodos passados. Em ou-
tras palavras, esses estudiosos utilizam os fósseis para compreender como a Terra foi
no passado, quais seres existiam nela e em que condições eles viviam.
De modo geral, os fósseis dão condições para que os cientistas contem a história
natural da Terra. Ao conhecer cada vez mais o nosso planeta, conseguem compreen-
der melhor as grandes mudanças climáticas que já ocorreram, a evolução e a disper-
são das espécies no planeta, o movimento dos continentes e a formação de minerais
e de combustíveis fósseis.

• O texto cita dois tipos de cientistas que trabalham bastante com fósseis: o paleontó-
logo e o arqueólogo. Muita gente confunde o trabalho deles e não sabe direito qual
é o objeto de pesquisa de cada um. Analise, a partir da descrição da formação e da
linha de pesquisa de dois pesquisadores brasileiros, qual é a profissão de cada um.

Niède Guidon é uma importante pesquisadora brasileira. Ela estudou na Univer-


sidade de São Paulo e na Sorbonne, instituição localizada na França. Guidon foi res-
ponsável por descobrir o esqueleto mais antigo do Brasil, que pertence a uma mulher
morta há 9 800 anos. Além disso, ela encontrou 839 sítios pré-históricos. Desses,
426 em cavernas com pinturas rupestres, situadas no Parque Nacional da Capivara,
no nordeste brasileiro, sendo o único parque americano incluído na lista da Unesco
como patrimônio histórico mundial.

Profissão de Niède Guidon: _________________________________________________

Gonzalo Buzonni/Shutrerstock

Pintura rupestre localizada na Serra da Capivara, Piauí.

Alexander Kellner iniciou sua atividade científica em 1981, enquanto ainda era es-
tudante de graduação do curso de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), dedicando-se ao estudo de vertebrados fósseis, particularmente dos répteis
encontrados no Cretáceo, no Brasil. Em 1991, concluiu o curso de mestrado na UFRJ
e, em 1996, o curso de doutorado (PhD) na Columbia University (Nova York), em pro-
grama conjunto com o American Museum of Natural History (AMNH). Ingressou no
Museu Nacional (UFRJ) em 1997, onde se dedica à pesquisa de vertebrados fósseis,

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 139


particularmente os encontrados em depósitos cretáceos. As suas linhas de pesqui-
sa envolvem principalmente répteis fósseis, tais como pterossauros, dinossauros
e crocodilomorfos. Entre as suas descobertas principais está o dinossauro carnívo-
ro Santanaraptor, com o tecido mole mais bem preservado de que se tem notícia,
incluindo fibras musculares e parte do sistema capilar fossilizado, além do réptil
voador Thalassodromeus sethi, que permitiu o estabelecimento de novas hipóteses
a respeito de aspectos fisiológicos dos pterossauros.

Profissão de Alexander Kellner: ______________________________________________

Dinoton/Shutterstock
Fóssil de crocodilo que viveu há 160 milhões de anos.

10 Leia o texto e responda às questões.

Causas da extinção
O conceito de extinção é o desaparecimento de todos os indivíduos de determinada
espécie. É difícil entender o que leva uma espécie a desaparecer por completo, porém
esse é um processo fundamental da vida na Terra.
Eventos sucessivos de extinção e especiação (surgimento de novas espécies) sem-
pre ocorreram por milhões de anos, criando e moldando a biodiversidade que existe
atualmente no planeta. Entretanto, as causas do desaparecimento de uma espécie
não são fáceis de serem entendidas e, muitas vezes, ocorrem de forma muito lenta,
compatíveis com o tempo geológico.
A extinção de uma espécie pode ocorrer de duas maneiras. A primeira está relacio-
nada a causas naturais, como a extinção que decorre de eventos de grandes propor-
ções, como glaciação, vulcanismo e queda de meteoros, ou devido aos preceitos dos
mecanismos de seleção natural, que é quando determinados organismos apresentam
desvantagens para sobreviver no ambiente.
A segunda maneira é conhecida como extinção artificial. Ela está relacionada ao
modo como o ser humano interfere na natureza. São exemplos de causas da extinção
artificial a prática de caça predatória de animais específicos, a destruição de ambien-
tes naturais e a introdução de espécies exóticas em áreas indevidas; todas essas prá-
ticas alteram o habitat de diversas espécies.

140 Ciências • Movimento do aprender


Estima-se que cerca de 99% das espécies que já viveram no planeta estejam agora
extintas, ou seja, 2,0 famílias de animais e 4,6 famílias de plantas por milhão de
anos. As causas e os fatores que levam às extinções naturais, além de não serem mui-
to conhecidos, são difíceis de serem rastreados na história da Terra porque dependem
de modelos matemáticos e documentação fóssil.
É unanimidade na comunidade científica que o grande causador dos eventos de
extinção na atualidade é o ser humano, especialmente após a Revolução Industrial,
quando o progresso e a ganância levaram o homem a ocupar e explorar desordenada-
mente vários ambientes naturais, além da poluição do ar e da água ocasionada por
essas atividades, deixando danos irreparáveis. Os pesquisadores estimam que a taxa
de extinção decorrente da atividade humana seja comparável à dos eventos de extin-
ção em massa ocorridos no planeta.
Não podemos nos esquecer de que fazemos parte, de alguma maneira, dos fatores
que levam à perda de biodiversidade, seja no modo como nos alimentamos, nos trans-
portamos, nos divertimos e até estudamos. Procure pensar nas suas atividades e veja
de que maneira elas impactam o ambiente e, por consequência, a vida na Terra.

a. A comunidade científica aceita que ocorreram cinco eventos de extinção em mas-


sa na história da Terra. A tabela a seguir mostra quando ocorreu a extinção (em
milhões de anos atrás), qual o percentual da diversidade extinta e a possível causa.

Ocorrência Diversidade
Período geológico (milhões de extinta Possível causa
anos atrás) (em %)

440 85 Esfriamento global súbito

370 82 Mudança climática global

Mudança climática
245 96 global induzida por
um possível bólido

210 76 Causas desconhecidas

65 76 Colisão de meteorito

Complete a tabela com as informações sobre o período geológico em que ocor-


reram os cinco eventos de extinção em massa, utilizando as informações do
quadro da atividade 8.

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 141


b. O texto termina com um alerta: “Não podemos nos esquecer de que fazemos
parte, de alguma maneira, dos fatores que levam à perda de biodiversidade, seja
na maneira como nos alimentamos, nos transportamos, nos divertimos e até estu-
damos”. Explique de que modo, ao desperdiçarmos a energia elétrica nas nossas
atividades diárias, contribuímos para a extinção de espécies do planeta.

11 Em muitos desenhos animados, histórias em quadrinhos e filmes de entretenimento, há


personagens humanos (Homo sapiens) convivendo com tiranossauros (que viveram entre
80 milhões e 65,5 milhões de anos atrás), pterossauros (que desapareceram no final do
Cretáceo), mamutes (que viveram entre o Plioceno e o Pleistoceno) e tigres-dente-de-
-sabre (que viveram entre 2,5 milhões e 10 mil anos atrás), todos eles já extintos.

Arte/Partners

142 Ciências • Movimento do aprender


• Utilize as informações do enunciado e da tabela da atividade 8 para identificar se o
Homo sapiens realmente conviveu com os animais citados. Justifique a sua resposta.

12 Leia o texto a seguir e, na sequência, responda aos itens da atividade.

Duas teorias sobre a evolução biológica


Atualmente, a explicação aceita pelos cientistas

Art Images/Colaborador
é a de que a biodiversidade é resultado de um longo
processo de evolução biológica. Todos os organismos
que existem atualmente e os que já se extinguiram
têm ancestrais comuns e descendem daquele pri-
meiro ser vivo que surgiu há mais de 3,4 bilhões de
anos. Em outras palavras, todos têm algum grau de
parentesco evolutivo.
Se hoje aceitamos facilmente que, ao longo do
tempo geológico, os organismos se modificam e ori-
ginam novas espécies, no passado esse não era o
Jean-Baptiste Lamarck.
pensamento predominante. Até meados do século
XVIII, predominava uma corrente de pensamento conhecida como Fixismo, defensora
da ideia de que as características dos seres vivos eram imutáveis desde o momento de
sua criação por obra divina. O estudo dos fósseis e as evidências geológicas de que a
Terra sofreu mudanças no decorrer do tempo foram importantes e ajudaram a propa-
gar a ideia de que os organismos se transformam e se adaptam ao ambiente ao longo
do tempo, ou seja, que eles evoluem.
Em 1809, o naturalista Jean-Baptiste Lamarck publicou um livro, no qual expôs as
suas ideias a respeito do mecanismo de evolução. Para ele, o ambiente cria nos seres
uma necessidade de adaptação. O uso ou desuso de determinados órgãos por parte
do indivíduo fará com que estes se desenvolvam ou se atrofiem, dando origem a uma

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 143


modificação que é transmitida para a descendência. A sua teoria é conhecida como
Lamarckismo. Para explicar a existência de membranas interdigitais nas patas dos
patos, Lamarck deu a seguinte explicação: “Eis uma ave terrestre que é obrigada a
viver em regiões inundadas ou transformadas em lagos. Levada a procurar o alimento
nas águas, é obrigada a nadar e faz esforços para esse fim; por isso, afasta os dedos,
e a pele que une a base destes adquiriu o hábito de se distender. Devido aos esforços
repetidos durante gerações, a membrana interdigital se desenvolveu”.

mikroman6/Getty Images

GlobalP/Istock
Pata de galinha. A pata do animal pato é ligada por
membranas.
A teoria de Lamarck se apoia em dois pressupostos fundamentais:

1. Lei do uso e do desuso: a necessidade de adaptação ao ambiente determinaria


nos seres vivos um uso ou desuso de determinados órgãos, levando ao desenvolvi-
mento ou à atrofia destes.
2. Lei da transmissão dos caracteres adquiridos: as modificações adquiridas pelo
uso ou desuso dos órgãos permitiriam aos indivíduos uma melhor adaptação ao meio
e, com isso, seriam transmitidas à descendência.
Em 1859, o naturalista inglês Charles Darwin publi-
Print Collector / Colaborador/Getty Images

cou o livro A origem das espécies, no qual apresenta


a sua teoria da evolução das espécies por seleção na-
tural. Foi fundamental, para que ele chegasse a ela-
borar a sua teoria, a viagem de sete anos que realizou
ao redor do mundo, a bordo do navio Beagle. Parale-
lamente, o naturalista Alfred Russel Wallace também
realizava sua viagem pelos continentes e chegava às
mesmas conclusões, que foram partilhadas com Dar-
win por meio de cartas e apresentadas conjuntamente
Charles Darwin. na Real Academia de Ciências de Londres. Durante sua
viagem, Darwin pôde visitar vários lugares do mundo, inclusive o Brasil, recolhendo
plantas, animais, rochas e fósseis. Suas observações o levaram a perceber que dentro
das espécies existem variações; os indivíduos da mesma espécie não são todos iguais,
existindo aqueles que possuem características que os tornam mais bem adaptados ao
ambiente e também os que possuem características que os tornam menos adaptados.

144 Ciências • Movimento do aprender


O meio apresenta recursos limitados: não há

Gado / Colaborador/Getty Images


alimento nem espaço para todos, por exemplo.
Assim, existe uma pressão ambiental sobre os
indivíduos, de maneira que os mais adaptados
têm maiores condições de sobreviver, se repro-
duzir e transmitir suas características para a
descendência. Por outro lado, os menos adap-
tados terão mais dificuldade em sobreviver e
deixar descendentes, e, com o tempo, a popu-
lação deles tenderá a diminuir.
Darwin acreditava que as espécies atuais
teriam evoluído de alguma outra espécie an-
cestral. Para ele, quando grupos da mesma
espécie se separam indo para ambientes dife-
rentes, as pressões seletivas de cada lugar vão Alfred Russel Wallace.
selecionar indivíduos com características distintas.
Darwin acreditava que todas as aves do arquipélago de Galápagos descendiam das
aves do continente. Durante a sua expedição, Darwin notou que a diversidade de bi-
cos dos tentilhões estava relacionada com o tipo de alimento principal disponível
em cada ilha, que podia ser sementes duras, frutos, larvas no orifício de troncos ou
insetos, por exemplo.

a. Como você explica, segundo a teoria da seleção natural de Darwin, a existência


de aves com bicos tão diferentes nas ilhas do arquipélago, se todas eram descen-
dentes do mesmo ancestral?

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 145


b. Como Lamarck explicaria a existência de aves com bicos tão diferentes nas ilhas
do arquipélago, se todas eram descendentes do mesmo ancestral?

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Você conhece alguém que utiliza um marca-passo cardíaco, câmera de vídeo digital,
Playstation, GPS, cartucho de impressora, celular e notebook?
Provavelmente sim, correto? Mais provável ainda é que todos os equipamentos cita-
dos tenham algo em comum: o coltan.
O coltan é feito de uma mistura entre a columbita e a tantalita, dois minerais de
elevada resistência térmica e eletromagnética, de onde são extraídos os metais nióbio
e tântalo.
Para você ter noção, esses resistentes metais são muito requisitados e compõem tu-
bos transportadores de água e de petróleo, aviões a jato, parafusos e próteses humanas.

146 Ciências • Movimento do aprender


A tantalita é um mineral muito raro em todo o

DEA / [Link] / Colaborador/Getty Images


mundo. Suas reservas, mais de 80%, se concen-
tram majoritariamente no país africano República
Democrática do Congo. Consequentemente, a sua
exploração é intensa e feita de forma rudimentar, o
que traz impactos devastadores para o meio am-
biente, além de promover a exploração humana.
A extração da columbita e da tantalita é feita por
crianças, camponeses, refugiados e prisioneiros de
guerra. As consequências desse cenário são as pio-
res possíveis: a violação ao direito das crianças à
escola, mortes por desabamentos de túneis, doen- Tantalita.
ças por falta de água limpa, saneamento e alimento, disputa de grupos armados pelas
minas e mortes de crianças.
Para deixar a situação ainda mais delicada, há uma guerra civil em torno da posse
dessas minas que já dura anos e que envolve questões étnicas, territoriais e políticas.
Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), a disputa pelo coltan já
ocasionou a morte de mais de 4 milhões de pessoas.
A extração de tais minérios tem trazido a morte de muitas espécies nativas do
país. Pelo fato de parques ecológicos nacionais serem constantemente invadidos por
quem explora coltan, 80% da população de elefantes e 90% da população de gorilas
já foram dizimadas. Alan_Lagadu/Getty Images

Diante dos impactos negativos causados pela extração feita de forma intensa e ir-
responsável, é importante que as pessoas tentem comprar eletrodomésticos portáteis
com mais responsabilidade, pois, caso contrário, estaremos contribuindo para que
animais sejam extintos e pessoas sejam exploradas.

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 147


SOCIEDADE E AMBIENTE

TEORIAS SOBRE A ORIGEM E EVOLUÇÃO DO UNIVERSO


“Então não havia nem o ser nem o não ser;
não havia o domínio do ar, nem o céu além dele.
O que estava recoberto? onde? em que receptáculo?
Existia um abismo de águas profundas?

Então não havia morte, nem havia imortalidade;


nem havia distinção entre dia e noite.
Aquele Um respirava sem vento, por si próprio.
Nada diferente dele; o quê, além dele?

Havia trevas ocultas em trevas,


tudo isso era um ondular indistinto.
Aquilo existia envolto no vazio;
pelo poder de seu ardor, aquilo cresceu e se manifestou.

Nele surgiu primeiramente o desejo,


a semente primordial da mente.
A união do ser ao não ser foi descoberta pelos sábios
que refletiram sobre o que contemplaram em seus corações.

O raio se estendeu através deles.


O que estava embaixo, e o que estava acima?
Havia inseminadores, havia poderes,
autonomia embaixo e energia além.

Quem realmente sabe, quem poderia dizer


de onde brotou, de onde provém esta criação?
Os deuses são posteriores à sua produção.
Quem sabe então de onde ela surgiu?

De onde brotou esta criação,


se ela foi feita ou não o foi,
ele que a observa do mais alto dos céus,
ele realmente o sabe, ou talvez nem ele o saiba.”

148 Ciências • Movimento do aprender


Esse poema indiano foi escrito cerca de 10 séculos antes da era cristã. Ele apresenta uma
especulação crítica sobre o início do Universo. Inicialmente, de forma bastante obscura, fala
sobre o que poderia ter existido antes de todas as outras coisas. Depois, no final, apresenta
a questão básica: como se pode conhecer o que havia no início de tudo? E ainda coloca em
dúvida que os próprios deuses, ou mesmo o deus supremo, possam saber isso.
Essa questão, a origem do Universo, é um tema que sempre interessou à humanidade. Em
todo o mundo, em todas as épocas, sempre surgiram tentativas de compreender e explicar de
onde veio tudo o que conhecemos. No passado mais remoto, a religião e a mitologia propu-
nham explicações de como um ou mais deuses haviam criado o mundo. Então, com o desen-
volvimento do pensamento filosófico, surgem novas ideias que modificam ou até abandonam
a tradição religiosa. E, por fim, com o desenvolvimento da ciência, apareceu uma nova forma
de estudar e explicar a evolução do Universo.

Pitris/Istock

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 149


A visão científica ainda não foi capaz de encontrar uma resposta final e tampouco con-
seguiu esclarecer a maior parte das dúvidas, mas ela se soma às outras formas de explicar
a realidade, produzindo conhecimento sobre o mundo físico e natural, o que nos permite
compreendê-lo e transformá-lo de acordo com os nossos interesses.
Entender a origem do Universo é um elemento importante do pensamento humano,
por isso essa busca está presente em todos os povos e em todos os tempos. Possuir al-
guma concepção sobre o Universo parece ser importante para que possamos nos situar
no mundo, compreender nosso papel nele. Talvez sejamos, em certo sentido, um micro-
cosmo. Segundo o astrônomo James Jeans, o cientista “quer explorar o Universo, tanto
no espaço quanto no tempo, porque ele próprio faz parte do Universo, e o Universo faz
parte do homem”.
Fonte: O UNIVERSO: teorias sobre a sua origem e evolução. GHTC USP.
[Adaptado]. Disponível em: [Link] Acesso em:7 fev. 2022.

SAIBA MAIS

Livros

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A reunião dos planetas
Autor: Marcelo R. L. Oliveira
Editora: Companhia das Letras
Esta narrativa traz ao leitor informações sobre astronomia, mitologia
grega, política e preservação ambiental, isso tudo sem deixar de man-
ter todas as características de uma boa história!

Guia ilustrado Zahar de astronomia


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Autor: Ian Ridpath


Editora: Zahar
Livro indicado para iniciantes em astronomia, é ricamente ilustrado
com imagens bonitas, coloridas e com boa resolução.

150 Ciências • Movimento do aprender


O universo em expansão
Autor: Mark A. Garlick

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Editora: Publifolha
Com ilustrações que facilitam a compreensão, este livro explica as prin-
cipais teorias sobre o passado e o futuro do nosso Universo, desde o Big
Bang, a formação das galáxias, das estrelas e dos planetas, o surgimento
da vida e até o que os cientistas pensam que está por vir no futuro.

O Brasil dos dinossauros


Autor: Luiz Eduardo Anelli e Rodolfo Nogueira
Editora: Marte Brasil
Este livro conta a história das espécies no Brasil, desde o
nascimento das primeiras formas de dinossauros até sua ex-
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tinção, há 66 milhões de anos! Ele traz 25 das 40 espécies


nomeadas no Brasil até o momento. Esta obra recebeu o prê-
mio Jabuti, uma das mais importantes premiações voltadas
a publicações no país.

Série
Astronomia em doses
Museu de Astronomia e Ciências Afins
Esta é uma série do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). Os episódios mos-
tram o cotidiano de uma família que adora conversar sobre estrelas, planetas e outros
objetos celestes.
Durante o papo entre os familiares, muitas dúvidas surgem, e é nesse momento que to-
dos sentem a necessidade de se conectar com o MAST para esclarecê-las. Se você quiser
assisti-la, peça o acesso para o professor.

O QUE APRENDI

• Elabore uma história em quadrinhos sobre a história do planeta Terra, desde a sua ori-
gem até os dias atuais, representando os principais eventos de cada Era.
• Na produção dos quadrinhos, você pode misturar recursos (fotografias ou desenhos
feitos por você, imagens encontradas em livros, revistas ou internet, por exemplo) e usar
sua criatividade à vontade.
• Depois de prontas, as histórias em quadrinhos serão expostas para a apreciação de todos.

Evolução da vida na Terra • Capítulo 7 151


8
CAPÍTULO

DA VIDA
DIVERSIDADE

by Kim Schandorff/Getty Images


CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

macroworld/Getty Images

Karim Qubadi / 500px /Getty Images


James Warwick/Getty Images
Petra Patitucci/Getty Images

RODA DE CONVERSA

• Em quantos grupos diferentes você conseguiria separar os organismos que estão retra-
tados nestas páginas? Quais seriam eles?
• Quais critérios você utilizou para fazer essa separação?
• Quais outros organismos você citaria, mas que não foram contemplados nas imagens?
• Por que é importante classificar os organismos?
• Em que outras situações do seu dia a dia você utiliza algum tipo de classificação?

153
1 Reúna-se com mais três colegas. Verifiquem a lista de organismos a seguir.

Ser humano, barata, alface, bactéria, pinguim, água-viva, roseira, ameba,


cogumelo, cachorro, sardinha, baleia, pomba, cascavel, alga, minhoca, goiabeira,
cavalo-marinho, samambaia, bolor de pão, lombriga, abelha, morcego, orelha-de-pau,
sapo, camarão, pinheiro, tubarão, galinha, coral marinho, grama.

Separem os organismos da lista apresentada em grupos distintos, definindo quais


foram os critérios de classificação utilizados. Nos itens propostos, sigam as instruções
sobre as diferentes formas de separação, registrando, nos respectivos espaços, o crité-
rio de classificação e os organismos de cada grupo.

a. Forme dois grupos de organismos.

b. Forme dois grupos de organismos, empregando critérios diferentes dos utilizados


no item a.

154 Ciências • Movimento do aprender


c. Forme três grupos de organismos.

d. Forme três grupos de organismos, empregando critérios diferentes dos utilizados


no item c.

e. Forme quatro grupos de organismos.

Diversidade da vida • Capítulo 8 155


f. Forme quatro grupos de organismos, empregando critérios diferentes dos utiliza-
dos no item e.

2 Leia o texto a seguir. Ele aborda a importância de se classificarem objetos e espécies.


Na sequência, responda aos itens da atividade.

Por que classificamos?


O ser humano tem a tendência de agrupar os objetos e os seres que apresentam
características semelhantes. Separar pela diferença e agrupar pela semelhança
são ações relacionadas ao que se chama classificação. O homem primitivo deu os
primeiros passos nesse sentido ao separar os seres vivos em duas categorias: co-
mestíveis e não comestíveis.
Você sabia que na Biologia existe um ramo específico que trata da descrição, da no-
menclatura e da classificação dos seres vivos? Chama-se taxonomia. Esse ramo é res-
ponsável pelas categorias taxonômicas, que permite nomear as espécies de acordo com
as suas semelhanças ou diferenças e estudá-las com mais propriedade. Existe outra
área correlata à taxonomia chamada sistemática filogenética, que, além de agrupar em
categorias taxonômicas, busca propor relações de parentescos entre os organismos na
tentativa de explicar a evolução de determinado grupo.
A tentativa de sistematização é muito antiga. Antes, os critérios empregados va-
riavam muito, e não havia uma definição padronizada. Enquanto alguns naturalistas
classificavam animais em voadores e não voadores, tomando por base a locomoção,
outros os classificavam em aquáticos, aéreos e terrestres, tendo por base o habitat.

156 Ciências • Movimento do aprender


Esses sistemas de classificação, cujos critérios utilizados eram arbitrários, ou seja,
oriundos da vontade de quem os classificava, eram chamados de sistemas artificiais,
já que não refletiam as semelhanças e as diferenças entre os seres vivos.
Atualmente, os sistemas de classificação são denominados sistemas naturais, uma
vez que ordenam os organismos com o intuito de estabelecer a relação de parentesco
evolutivo entre eles.
Assim, por exemplo, ao abordarmos animais e plantas, é possível utilizar o tipo
de nutrição como critério de classificação: animais são seres heterótrofos; plantas
são seres autótrofos. Se considerarmos animais e bactérias, o critério de classificação
empregado pode ser o número e o tipo de células: bactérias são unicelulares e proca-
riontes; animais são pluricelulares e eucariontes.

a. Quais dos critérios utilizados na atividade 1 poderiam ser considerados artificiais


(não refletem possíveis relações de parentesco entre os organismos)?

b. Quais dos critérios utilizados na atividade 1 poderiam ser considerados naturais


(refletem possíveis relações de parentesco entre os organismos)?

c. Pesquise informações sobre a história da taxonomia e quais são as principais re-


gras taxonômicas para dar nome às espécies atualmente. Anote em seu caderno
as informações coletadas.

Diversidade da vida • Capítulo 8 157


3 Será que as características do tegumento (cobertura do corpo) de animais de alguma
forma se relacionam com o ambiente onde eles vivem? Analise alguns exemplos.

a. Observe as imagens:

Kurit afshen/Shutterstock
Cobra.

Dave Denby Photography/Shutterstock

Rã.

• Compare e descreva as superfícies corpóreas dos animais mostrados, observando se


possuem aspecto úmido ou seco.

158 Ciências • Movimento do aprender


b. Observe agora as imagens de dois ambientes.

Rafael Martos Martins/Shutterstock


Pantanal.

Kleber Cordeiro/Shutterstock

Caatinga.

• A cascavel e a rã poderiam sobreviver nas condições mostradas na Caatinga? Por quê?

• A cascavel e a rã poderiam sobreviver nas condições mostradas no Pantanal? Por quê?

Diversidade da vida • Capítulo 8 159


c. Como a seleção natural determina quais animais são mais aptos ou não a sobre-
viver em determinados ambientes levando-se em consideração as características
do seu tegumento?

4 Leia a tirinha e responda às perguntas.

Fernando Gonsales. Níquel Náusea.


Fonte: GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: [Link] Acesso em: 18 fev. 2022.

a. Por que uma das personagens diz que está vendo o esqueleto da outra personagem?

b. Como é a estrutura do esqueleto dos insetos?

c. Existem outros animais com as mesmas características de sustentação dos insetos?


Comente a respeito.

160 Ciências • Movimento do aprender


5 Leia os textos e faça o que se pede.

SEGREDOS DO VOO DAS ABELHAS


São os insetos, com seus loops fecha-

manfredxy/Istock
dos, voos em marcha a ré e súbitas mudan-
ças de direção. Alguns deles, como é o caso
dos besouros, nem poderiam voar, segun-
do as teorias aerodinâmicas conhecidas
até o momento. Mas o fato é que voam, e
com isso demonstram que os especialis-
tas em aerodinâmica ainda têm muito que
aprender. Entretanto, se essas equações
não explicam o voo do besouro, determi-
nam muito bem a capacidade de sustenta-
ção das asas rígidas dos aeroplanos.
[...]

SEGREDOS DE MOLUSCOS
As conchas dos moluscos são excepcio-
Viacheslav Voloshyn/Getty Images

nalmente resistentes, apesar de construídas


com material primitivo quebradiço. A base é
um mineral chamado aragonita, uma forma
de carbonato de cálcio. Entretanto, durante o
crescimento, o molusco faz uma composição
do mineral com proteínas, os aglutinantes or-
gânicos que ele mesmo fabrica. Um estudo re-
cente realizado com a concha gigante (Strom-
bus gigas) revelou detalhes da intrincada estrutura, que é a razão para essa elevada
resistência, muito invejada por engenheiros e cientistas de materiais.
[...]
Fonte: DUMKE, Vicente Roberto. Crônicas da natureza: saboreando curiosidades científicas.
2. ed. São Carlos: Rima, 2004. p. 13-14.

a. Existem dois tipos que esqueleto de sustentação presentes nos animais, o endoes-
queleto e o exoesqueleto. Pesquise o que caracteriza cada um deles e anote em
seu caderno as informações encontradas.

b. O segundo texto evidencia a estrutura do exoesqueleto dos moluscos. Faça uma


pesquisa e, em seu caderno, construa uma tabela comparativa sobre a estrutura
do exoesqueleto do filo Arthropoda e do filo Molusca.

Diversidade da vida • Capítulo 8 161


6 Leia texto a seguir.

Equilíbrio. [...] Diz-se que o animal está em equilíbrio quando a linha de gra-
vitação (perpendicular baixada do centro de gravidade) cai dentro do plano de
sustentação, tanto estando ele em repouso como em marcha. Em caso contrário,
o equilíbrio ficou instável ou se rompeu. O centro de gravidade não é um ponto fixo,
imutável, mas varia segundo o animal esteja em movimento ou em estação. Quanto
mais próximo do solo, porém, estiver o centro de gravidade e quanto mais larga for a
base de sustentação, maior será a estabilidade de equilíbrio.
[...]
Fonte: EQUILÍBRIO. In: SOUZA, Julio Seabra Inglez (coord.). Enciclopédia agrícola brasileira. São Paulo: Edusp, 2000. v. 3. p. 68.

Observe as imagens e compare a estrutura óssea dos animais.


Paul Campbell/Istock

slowmotiongli/Istock
Esqueleto de mamífero. Esqueleto de ave.

3drenderings/Istock
3drenderings/Istock

Esqueleto de anfíbio. Esqueleto de peixe.


Chinnasorn Pangcharoen/Istock

Esqueleto de réptil.

162 Ciências • Movimento do aprender


• Relacione o sistema esquelético dos diferentes animais representados nas imagens
com o equilíbrio e a sustentação deles. Socialize a sua conclusão com os colegas.

7 Leia o texto a seguir e responda às questões.

Relação entre o sistema digestório e o tipo de alimento ingerido


Os animais podem ter diferentes tipos de regimes alimentares. Podem ser herbí-
voros e se alimentarem basicamente de vegetais. Podem ser carnívoros e comerem
somente outros animais. Ou podem ainda ser onívoros e terem uma alimentação que
varia entre animais e vegetais (é o caso de nossa espécie).
O tipo de alimentação de uma espécie está relacionado à estrutura de seu sistema
digestório, já que o processo digestivo de cada alimento também varia. Dessa forma,
por exemplo, os mamíferos herbívoros possuem um intestino mais longo que os ma-
míferos carnívoros. Isso se deve ao fato de os alimentos de origem vegetal serem de
mais difícil digestão do que os alimentos de origem animal, permanecendo mais tem-
po no tubo digestório até a sua absorção (veja a figura).

Arte/Partners

Comparação entre os sistemas digestórios de diferentes mamíferos (herbívoros e carnívoros).

Diversidade da vida • Capítulo 8 163


Além disso, nenhum animal
consegue, por si só, digerir o
principal componente dos ve-
getais: a celulose. Os grandes
herbívoros possuem em seu

Arte/Partners
tubo digestório bactérias mu-
tualistas que fazem a digestão
dessa celulose por eles. É o caso
da vaca, por
exemplo, que é chamada de
ruminante. Os ruminantes têm
estômago composto, formado por Percurso do alimento no estômago composto de um ruminante.
quatro cavidades.
No estômago desses animais, o alimento faz um caminho complexo: é misturado a
bactérias, volta à boca sendo novamente triturado, passa por uma câmara de fermen-
tação e, finalmente, vai para uma câmara onde é digerido pelo suco gástrico.

a. Suponha que você tente alimentar um animal carnívoro (um gato, por exemplo)
somente com vegetais. Mesmo que você consiga que ele ingira o alimento, o ani-
mal sobreviveria com essa alimentação por muito tempo? Por quê?

b. Suponha que exista uma espécie onívora (que come vegetais e animais) em uma
determinada área. Suponha também que dentro dessa população alguns indiví-
duos tenham o intestino mais curto e outros, o intestino mais longo. Agora, ima-
gine que a maioria dos animais que servem de alimento a essa espécie suma da
área. Quais indivíduos sobreviverão mais facilmente: os de intestino mais curto ou
os de intestino mais longo? Por quê?

164 Ciências • Movimento do aprender


c. Ainda em relação à situação descrita anteriormente, quais indivíduos deixarão
mais descendentes: os que possuem intestino mais curto ou os que possuem in-
testino mais longo? Por quê?

d. Finalizando nossa história, após algumas gerações dessa espécie imaginária terem
passado pela falta de alimentos de origem animal, como seria o comprimento do
intestino da população? Por quê?

8 Leia a situação a seguir e responda às atividades.

Imagine esta situação: em um grande campo natural vive uma espécie de inseto que
se locomove somente andando (não voa). Essa espécie possui uma população que
pode variar de coloração, com cores como o verde e o amarelo, entre outras. Tudo vai
bem com essa população, até que...
Um belo dia chegam tratores, caminhões e um monte de outras máquinas e começam
a escavar um imenso sistema de canais, por onde será desviado um rio da região.
E assim, em alguns meses, a área original é dividida em duas partes por canais cheios
de água. Para entender como ficou dividida a área, veja o esquema a seguir.
Arte/Partners

Área original (esquerda) e áreas separadas depois da construção dos canais (direita).

Diversidade da vida • Capítulo 8 165


Apesar de separadas, as populações nas duas áreas ainda são muito parecidas. Com o
passar do tempo, a área 1 não sofre modificações e permanece com a vegetação origi-
nal. Mas a área 2, por outro lado, passa a ser utilizada para o plantio de uma espécie
vegetal de cor predominantemente amarela.

a. Qual das variedades de insetos (de cor verde ou amarela) seria menos vista pelos
predadores na área 2? Explique.

b. Quem é menos visto pelos predadores tem maior chance de sobrevivência, e, por-
tanto, tem maior chance de se reproduzir e de deixar mais descendentes. Sendo
assim, quais são as cores esperadas dos insetos na área 2? Justifique sua resposta.

c. Passado um bom tempo, abre-se um novo canal, subdividindo a área 2 em duas


outras partes, conforme mostra a ilustração.

Arte/Partners

Área inicialmente separada por canais (esquerda) e áreas separadas depois da


construção de novos canais (direita).

Suponha agora que um novo predador se instale na área 3 e que consiga loca-
lizar os nossos insetos. Os únicos insetos que conseguem sobreviver adequa-
damente nessa área são os que possuem uma grossa carapaça na superfície do
corpo. Como serão os insetos dessa área 3 em relação à cor e à presença ou
não da carapaça?

166 Ciências • Movimento do aprender


d. Nessa situação imaginária, apesar de termos três populações com caracterís-
ticas diferentes, ainda poderemos considerar que elas fazem parte da mesma
espécie, pois, se as colocarmos em contato, ainda poderão se reproduzir entre
si. Mas, se permanecerem muito tempo isoladas, outras modificações poderão
surgir em cada população, tornando impossível a reprodução entre elas. Nesse
caso, teremos a formação de espécies diferentes. Sugira uma definição para
espécie com base nesse texto.

9 Parentescos entre espécies.


Na atividade anterior foi trabalhada uma possível explicação para a diferenciação e
para o surgimento de novas espécies. Esse processo chama-se especiação. Você verá
agora uma forma de representar esse processo por meio da construção de um clado-
grama (ou árvore filogenética).

Cladograma relacionando três espécies (1, 2 e 3).

Um cladograma ou árvore filogenética é uma representação esquemática do parentes-


co existente entre os táxons, ou seja, qualquer categoria taxonômica (espécie, gênero,
família, ordens etc.). Ele é, na verdade, um diagrama que se ramifica semelhante aos
galhos de uma árvore, como pode ser visto na figura.
Na leitura do cladograma, temos a representação dos eventos mais antigos na
base, e, no ápice, os eventos mais recentes. Ou seja, o que está embaixo é mais
antigo e o que está em cima, mais recente. Nesse exemplo, os números dos ter-
minais representam diferentes grupos ou espécies. Podemos representar também
as características que marcam as diferenças ou semelhança entre os grupos. Na
ilustração a seguir, as letras representam os caracteres, ou seja, características, que
podem ser morfológicas, moleculares ou comportamentais, surgidas ao longo do
processo da evolução dos táxons.

Diversidade da vida • Capítulo 8 167


Cladograma relacionando três espécies (1, 2 e 3)
e as características que as diferenciam (A e B).

No esquema anterior, podemos perceber que o surgimento da característica A é co-


mum aos táxons 2 e 3, mas não está presente no táxon 1. Já a característica B é ex-
clusiva dos táxons 2.
Agora é a sua vez de montar um cladograma baseado na situação hipotética proposta
na atividade 8. Lembre-se de que são três espécies, das áreas 1, 2 e 3. Crie nomes
fictícios para cada uma delas. Identifique também quais são as características surgidas
de cada uma delas.
Para facilitar sua organização, preencha antes a tabela com o nome das espécies e as
características que cada uma delas possui, marcando um X.

Característica: Característica:

Área 1
Espécie:
Área 2
Espécie:
Área e
Espécie:

a. Construa seu cladograma no espaço destacado, identificando as espécies e as


características.

168 Ciências • Movimento do aprender


b. Interpretando seu cladograma, quais espécies são mais próximas em termos de
parentesco? Qual característica elas possuem em comum?

c. Ainda em relação ao seu cladograma, qual das espécies possui características mais
primitivas, isto é, menos transformadas?

VOCÊ SABIA?

CONHEÇA ALGUNS ANCESTRAIS ESSENCIAIS DA EVOLUÇÃO HUMANA


Sahelanthropus tchadensis (7 milhões – 6 milhões de anos atrás)

PHILIPPE PLAILLY / SCIENCE PHOTO LIBRARY


Onde: Centro/Norte da África
Há cerca de 5,4 milhões de anos foi iniciada nossa separação
em relação aos grandes primatas. Muitos pesquisadores acredi-
tam que o Sahelanthropus tchadensis seria o ponto de partida
desse processo, ou seja, ele é, ao que tudo indica, o nosso ances-
tral em comum com o chimpanzé. Ao que parece, ele já tinha a
capacidade de se erguer para caminhar em pé e provavelmente
não dependia mais dos braços para se locomover.

Australopithecus afarensis (3,9 milhões – 3 milhões de


anos atrás)
Dave Einsel / Correspondente/Getty Images

Onde: Leste da África


Na década de 1970, uma descoberta feita na Etiópia
teve destaque dos jornais ao redor do mundo: foi encon-
trado 40% do esqueleto de uma criatura apelidada de
“Lucy”. A anatomia indica que Lucy tinha cerca de 1 metro
de altura e pesava 30 kg, era bípede, passava o dia em ter-
ra e dormia sobre as árvores. Foi somente nessas criaturas
que o cérebro começou a se ampliar. Estudos sugerem que
seu cérebro tinha cerca de 440 cm³.

Diversidade da vida • Capítulo 8 169


Homo habilis (2,5 milhões – 1,6 milhão de anos atrás)

picture alliance / Colaborador/Getty Images


Onde: Leste e sul da África
Até onde se sabe, esse ancestral foi o primeiro a fazer
uso frequente de pedras como ferramentas. Seus polegares
eram relativamente largos, garantindo a eles destreza para
criarem e manipularem ferramentas.

Homo erectus (1,8 milhão – 400 mil anos atrás)


Onde: África, Oriente Médio,
[Link] / [Link] / SCIENCE PHOTO LIBRARY

Leste da Ásia, Ilha de Java


Homo erectus tinha cérebro em torno de 900 cm³, o que
corresponde a 75% do tamanho do nosso. Isso significa que
esse ancestral demandava mais energia. Era bípede, tinha me-
nos pelos no corpo, era capaz de caçar certos animais de modo
eficiente, obtendo na carne a energia de que precisava.
Além disso, tinha capacidade de dominar o fogo, construir
ferramentas e viver em pequenas comunidades – o que era
fundamental para a sua sobrevivência, já que, ao abandonar a
vida nas árvores, esses ancestrais precisavam manter predadores afastados, algo que
seria mais fácil com a vida comunitária.

Homo neanderthalensis (150 mil – 30 mil anos atrás)

Mike Kemp/Colaborador/ Getty Images


Onde: Europa, Oriente Médio e Sibéria
São conhecidos popularmente como neandertais. A evi-
dência mais antiga de rituais fúnebres também está relacio-
nada aos neandertais, mas não parece ter sido uma prática
comum da espécie.
Outra característica ligada a essa espécie é o fato de (ao
que tudo indica) terem desenvolvido métodos para confec-
ção de roupas.
Homo sapiens (150 mil anos atrás – momento atual)
Onde: África, Ásia, Europa, Oceania e América
Jasmin Merdan/ Getty Images

Homo sapiens desenvolveu uma grande variedade


de métodos de produção de instrumentos e de repre-
sentações rupestres e artefatos simbólicos.
As armas utilizadas, como arco e flecha e lanças de
arremesso, tornavam as caçadas mais seguras. Além
disso, a cultura falada e escrita colaborou para que co-
nhecimentos essenciais fossem transmitidos para as
futuras gerações.

170 Ciências • Movimento do aprender


10 Leia o texto e faça a atividade relacionada a ele.

O JOGO DA VIDA
Introdução
Os organismos podem se reproduzir seguindo dois padrões distintos. Podem fazer
reprodução assexuada, em que um indivíduo sozinho dá origem a outros, com des-
cendentes iguais a ele. Ou, ainda, podem fazer a reprodução sexuada, quando dois
indivíduos unem seu material genético, dando origem a descendentes diferentes dos
pais. Se a reprodução assexuada traz como vantagem a velocidade com que a popu-
lação aumenta de tamanho, a reprodução sexuada é vantajosa do ponto de vista da
variabilidade, pois entre indivíduos diferentes pode existir algum que sobreviva me-
lhor no ambiente.

Esta atividade, que deverá ser realizada em duplas, simula uma disputa entre duas
espécies que se reproduzem diferentemente.

Material
• 2 baralhos
Procedimento
• O objetivo do jogo é deixar o maior número de descendentes ao final de dez rodadas.
• Como preparação para o jogo, sorteia-se quem representará a reprodução assexua-
da e quem representará a espécie que reproduzirá sexuadamente. É importante que
as cartas estejam bem embaralhadas.
• A cada rodada há um ciclo de reprodução e de “catástrofe”, quando as cartas do
naipe sorteado são retiradas do jogo (“morrem”).
• Inicia-se o jogo distribuindo-se duas cartas para cada jogador, deixando-as abertas na
mesa. Caso o jogador que representa a reprodução assexuada receba cartas de dois
naipes diferentes, deverá escolher um deles para representá-lo, mantendo a outra carta
virada para baixo.
• Inicia-se a rodada com o ciclo de reprodução, que tem a seguinte regra: o jogador
que representa a reprodução assexuada receberá uma nova carta para cada uma
que possuir. Assim, no ciclo de reprodução da primeira rodada, receberá duas novas
cartas. Para não haver confusão, recomenda-se deixar as cartas recebidas viradas
para baixo, pois consideraremos que são todas do mesmo naipe da carta virada ini-
cialmente. O jogador que representa a reprodução sexuada, por outro lado, recebe-
rá uma nova carta para cada duas que possuir. Assim, no primeiro ciclo reprodutivo
receberá uma nova carta.
• Feita a reprodução, segue-se o ciclo da “catástrofe”, quando se retira uma carta do
baralho que irá “matar” todas as que forem do mesmo naipe. As cartas eliminadas
devem ser retiradas do baralho. Obviamente, se a carta sorteada for do mesmo
naipe da espécie que se reproduz assexuadamente, ele estará fora dessa rodada.
Terminada a “catástrofe”, inicia-se um novo ciclo de reprodução.

Diversidade da vida • Capítulo 8 171


• Uma rodada acaba em duas situações: a) quando as duas espécies tiverem sido
eliminadas; b) quando as cartas do monte acabarem. Nesse momento, contam-se
quantas cartas sobraram para cada jogador, atribuindo-se um ponto para cada
uma. Após isso, inicia-se uma nova rodada. Caso as cartas não sejam suficientes
para os dois jogadores ao final de uma rodada, deve-se iniciar a distribuição para
a espécie que faz reprodução assexuada.

a. Utilize a tabela para registrar seus pontos.

Pontos da espécie que se Pontos da espécie que se


Rodada
reproduz assexuadamente reproduz sexuadamente

10

Total

b. Compartilhe o resultado do jogo com seus colegas e verifique se todos chegaram


a resultados similares.

172 Ciências • Movimento do aprender


c. No jogo, a espécie que se reproduz assexuadamente recebe uma nova carta para
cada uma que possui, e a espécie que se reproduz sexuadamente, uma nova carta
para cada duas que possui.

Fazendo uma analogia com os processos de reprodução, por que existe essa regra?

d. Da mesma maneira, por que, ao acabarem as cartas do monte, se prioriza a distri-


buição para a espécie que se reproduz assexuadamente?

e. Qual das espécies deixa um maior número de descendentes por rodada concluída
quando não é eliminada?

f. Qual das espécies sobrevive por mais rodadas?

Diversidade da vida • Capítulo 8 173


g. Pensando agora no mundo real, em que condições ambientais cada um dos tipos
de reprodução é mais vantajoso?

CONECTE-SE

Fonte: GONSALES, Fernando. Da imperfeição dos registros geológicos.


Disponível em: [Link] Acesso em 6 set. 2022.

174 Ciências • Movimento do aprender


Fósseis são partes ou vestígios de animais, de vegetais e de outros organismos,
como algas, fungos e bactérias, que viveram em tempos pré-históricos e estão natural-
mente preservados nas rochas sedimentares ou em materiais de origem vegetal, como
no caso do âmbar.
É curioso associar a ideia de fóssil exclusivamente à ossada de dinossauro, mas ge-
ralmente é o que fazemos quando o assunto é fossilização e paleontologia. O registro
fóssil, na verdade, contém representantes da maioria dos grupos biológicos, incluindo
desde o homem até formas de vida microscópica, que só podem ser vistas por meio de
instrumentos ópticos.
A paleontologia tem o poder de investigar os seres que viveram há muito tempo. Com
essa investigação, os paleontólogos conseguem ter noções de como era a morfologia e a
fisiologia deles, além da possibilidade de inferir como esses organismos se comportavam e
quais eram seus hábitos no passado e o ambiente em que eles viviam. Portanto, os fósseis são
importantes recursos de pesquisa que evidenciam o processo evolutivo.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE: QUAIS SERÃO OS POSSÍVEIS


PRÓXIMOS PASSOS?
A evolução humana não é somente algo do passado. Ela ainda ocorre! Nós não para-
mos de evoluir, ou seja, algumas grandes mudanças podem ser esperadas para os pró-
ximos milhares de anos. Quais seriam essas transformações? Vejamos algumas delas.

1. Faremos parte de uma monoetnia Hydromet/ Istock

Diversidade da vida • Capítulo 8 175


Caso a mistura das culturas continue, é bem provável que no futuro exista apenas
uma etnia. À medida que a miscigenação se tornar mais comum, os seres humanos
perderão lentamente as características étnicas distintivas e assumirão características
de diversas partes do mundo.

2. Nossa altura será maior


Com o passar do tempo, seremos, provavelmente, cada vez mais altos. Ao longo dos
últimos 150 anos, a altura média da espécie humana aumentou 10 centímetros. É pos-
sível que a abundância de nutrição disponível para muitos de nós tenha colaborado
com essa mudança em nossos corpos.

Prostock-studio/Shutterstock
3. Teremos menos pelos
A espécie humana já perdeu a maior parte do pelo de seu corpo. Se o ritmo evolutivo for
esse, então é bem possível que, ao longo do tempo, os seres humanos se tornem carecas.
Cheroyut Jankitrattanapokkin/EyeEm/ Getty Images

176 Ciências • Movimento do aprender


4. Nossos dentes serão menores
Nos últimos 100 000 anos nossos dentes re-
Lolkaphoto/ Getty Images

duziram pela metade seu tamanho. Além disso,


nossos maxilares também encolheram. Como
nossa comida tem sido cada vez mais fácil de ser
digerida, é provável que a tendência continue, ou
seja, que nossos dentes diminuam ainda mais.

5. Crânios menores
Muitos cientistas afirmam que o crânio humano está no limite de seu tamanho e deverá
continuar como é ou até mesmo diminuir. Isso significa que uma cabeça maior dificultaria
o nascimento, de modo a trazer possibilidade de ferir ou até mesmo causar morte à mãe
durante o parto.

SAIBA MAIS

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nados à natureza e aos problemas ambientais. Assim, a evolução da
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O QUE APRENDI

• Construa um texto explicando o que você entende por evolução e quais os mecanismos
que levam à formação de novas espécies.

Diversidade da vida • Capítulo 8 177


CAPÍTULO

9 FISIOLOGIA ANIMAL
COMPARADA

Berenika_L/Getty Imagest
CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

RODA DE CONVERSA

• Observe a imagem que abre o capítulo. O que você vê nela? Descreva-a.


• A biodiversidade de animais é muito grande. Eles variam bastante na aparência externa.
Além dessa diferenciação externa, também há diferenças internas?
• Todos os animais realizam as funções de nutrição da mesma forma?
• Há diferenças no modo como um animal aquático e um terrestre respiram?
• Todos os animais possuem coração e sangue?

O reino animal é formado por uma grande diversidade de organismos. Já foram cataloga-
das pelos cientistas mais de 1,3 milhão de espécies diferentes de animais. Por fazerem parte
do mesmo reino, todos apresentam uma série de características em comum. Mas também
apresentam diferenças que são usadas para agrupar os animais em categorias diferentes (filos
e classes, por exemplo).
Antes de começarmos a estudar como os animais realizam algumas de suas funções vitais,
vamos recordar quais são os principais filos do reino animal e os seus principais representantes.

Arte/Partners

179
Filo Exemplos
Poríferos ou Espongiários Esponja-do-mar
Cnidários ou Celenterados Água-viva, coral, hidra, anêmona-do-mar
Platelmintos Tênia, planária, esquistossomo

Nematódeos ou Nemátodos Áscaris (lombriga), ancilóstomo (amarelão e bicho-geográfico)

Moluscos Polvo, lula, caracol, lesma, mexilhão, ostra


Anelídeos Minhoca, sanguessuga, poliqueto
Borboleta (inseto), camarão (crustáceo), aranha (aracnídeo),
Artrópodes
piolho-de-cobra e lacraia (miriápodes)
Equinodermos Estrela-do-mar, ouriço-do-mar, bolacha-da-praia
Tubarão (peixe cartilaginoso), sardinha (peixe ósseo), sapo (anfíbio),
Cordados
cobra (réptil), papagaio (ave), cachorro e homem (mamíferos)

1 Todos os animais precisam obter o alimento do ambiente. Alguns se alimentam de


detritos, de plantas e de animais mortos. Há ainda os que caçam outros animais e os
que obtêm o que precisam parasitando outro organismo. Mas será que o processo de
digestão e aquisição de nutrientes pelo organismo ocorre sempre da mesma forma?
Observe e analise as figuras a seguir.

Arte/Partners

180 Ciências • Movimento do aprender


a. A entrada de alimentos (ingestão) no corpo dos animais representados na figura
ocorre pela boca. Daí o alimento segue para o tubo digestório, no interior do qual
são lançadas enzimas digestórias que vão desdobrar os alimentos em moléculas
simples de nutrientes. Os restos não digeridos precisam sofrer egestão, ou seja,
precisam ser expulsos. Todos os animais eliminam esses restos da mesma forma?
Explique.

b. Pesquise qual é a diferença entre sistema digestório completo e sistema digestório


incompleto. Registre as informações no caderno.

c. Faça um desenho, nos espaços a seguir, mostrando a principal diferença entre os


dois tipos de sistema digestório. Em seguida, indique os grupos de animais que
possuem cada um deles.

Sistema digestório incompleto Sistema digestório completo

Presente nos: _____________________________________________________ Presente nos: _____________________________________________________

_____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________

Fisiologia animal comparada • Capítulo 9 181


d. Formule uma hipótese para explicar se existe alguma vantagem adaptativa para
grupos de animais que possuem sistema digestório completo.

e. Observe e analise o esquema do corpo de uma esponja-do-mar.

Arte/Partners

• A esponja-do-mar tem boca? Como ela captura os alimentos e onde ocorre a sua
digestão?

182 Ciências • Movimento do aprender


f. A fotografia a seguir mostra uma aranha preparando-se para, mais tarde, se ali-
mentar da presa que capturou.

Matauw/Getty Images
• Pesquise e explique de que forma as aranhas se alimentam.

VOCÊ SABIA?

Uma das características que distinguem as serpentes em dois grupos, peçonhentas e


não peçonhentas, é o tipo de dentição.
No grupo das peçonhentas, os tipos de dentição encontrados são solenóglifa e
proteróglifa.
Já no grupo das não peçonhentas, estão as serpentes que possuem dentição
opistóglifa ou áglifa, representando a maioria das espécies brasileiras.

SOLENÓGLIFA
(soleno = canal, gliphé = sulco)
Arte/Partners

Dentes pequenos fixos ao maxilar e um par de presas sul-


cadas (como uma agulha de injeção), localizadas na parte
anterior da boca, bem desenvolvidas e que se deslocam du-
rante o bote pela movimentação do osso do maxilar. Quando
o animal está com a boca fechada, as presas ficam retraídas.
As serpentes com esse tipo de dentição são responsáveis por cerca de 80% a 90% dos
acidentes ofídicos no Brasil. Os exemplos são as serpentes da família Viperidae, como
as jararacas (Bothrops sp.), surucucus (Lachesis sp.) e cascavéis (Crotalus sp.).

Fisiologia animal comparada • Capítulo 9 183


PROTERÓGLIFA
(protero = anterior, gliphé = sulco)
Dentes pequenos e fixos ao maxilar e um par de pre-
sas anteriores, fixas e com sulcos, por onde o animal
Arte/Partners

inocula o veneno. Serpentes com esse tipo de dentição


possuem a boca pequena e não são agressivas, sendo,
portanto, responsáveis por apenas 1% dos acidentes ofí-
dicos no Brasil. Os exemplos são serpentes da família
Elapidae, as corais verdadeiras (Micrurus sp.).
OPISTÓGLIFA
(ophistos = atrás, gliphé = sulco)
Dentes fixos ao maxilar, pequenos e maciços, porém no fundo

Arte/Partners
da boca possui um par ou mais de dentes alongados e com sulcos,
por onde escorre veneno. Devido à posição de suas presas, aciden-
tes com humanos podem ter consequências leves, moderadas ou
graves (raramente observadas). Espécies da família Colubridae
apresentam essa forma de dentição, como as cobras-cipó (Oxybelis
fulgidus) e as falsas corais (Erythrolamprus aesculapii).

ÁGLIFA
(a = ausência, gliphé = sulco)
Dentes fixos ao maxilar, todos iguais, pequenos e ma-
ciços. Não possui presas inoculadoras de veneno. Serpen-
Arte/Partners

tes da família Boidae possuem essa dentição, como as


jiboias (Boa constrictor), as sucuris (Eunectus murinus),
as jiboias-arco-íris (Epicrates cenchria) e as suaçuboias
(Corallus hortulanus). Algumas espécies da família Co-
lubridae também apresentam dentição áglifa, como as
caninanas (Spilotes pullatus).
Fonte: DENTIÇÃO das serpentes. Museu da Amazônia.
Disponível em: [Link] Acesso em: 4 mar. 2022.

2 Leia o texto a seguir.

É VERDADE QUE VACAS TÊM QUATRO ESTÔMAGOS?


Sim, é verdade. As vacas têm um estômago peculiar (com quatro cavidades), respon-
sável pelo longo processo de alimentação. Essa característica (de mastigar e engolir
várias vezes) favoreceu o processo de digestão. E graças aos fungos, protozoários e
bactérias presentes nos estômagos, tudo o que é ingerido é transformado em nutrientes
e proteína animal, aumentando o leque de fontes alimentares.
[...]
Fonte: WOLF, Luiza. É verdade que vacas têm quatro estômagos? Superinteressante. [Adaptado]. Disponível em: https://
[Link]/mundo-estranho/e-verdade-que-vacas-tem-quatro-estomagos/. Acesso em: 4 mar. 2022.

184 Ciências • Movimento do aprender


Digital Vision/Getty Images
a. Com base nas informações do texto, elabore um cartaz ilustrando o sistema diges-
tório de uma vaca e o de um ser humano. Descreva as principais diferenças entre
o processo digestório de cada um.

b. O ser humano é considerado onívoro. Isso significa que nossa dieta inclui alimen-
tos de origem animal e os de origem vegetal. Faça uma pesquisa e explique se o
nosso aproveitamento dos vegetais é tão grande quanto o dos ruminantes.

3 Conheça, a seguir, o sistema digestório das aves granívoras.

Uma ave granívora se alimenta essencialmente de sementes e grãos. Esses alimentos


geralmente são muito duros e, para poderem sofrer melhor a ação das enzimas diges-
tórias, precisam ser triturados.
Nos animais como nós, mamíferos, a ação dos dentes durante a mastigação realiza
essa trituração dos alimentos, deixando-os bem pequenos e, com isso, facilitando a
ação das enzimas digestórias sobre eles. Mas como fica a situação das aves granívoras
e de alguns répteis que não possuem dentes?
Esses animais têm um tubo digestório um pouco diferente do nosso. Eles possuem
uma dilatação no esôfago denominada papo e um estômago dividido em duas re-
giões: o proventrículo e a moela, conforme ilustra a figura.
Arte/Partners

Fisiologia animal comparada • Capítulo 9 185


Os alimentos comidos não demoram nada na boca, já que não são mastigados. Eles
são rapidamente deglutidos e conduzidos pelo esôfago em direção ao papo.
O papo parece um “saco” no qual os grãos e as sementes são guardados e amoleci-
dos. Depois disso, os alimentos seguem para o proventrículo, onde vão sofrer a ação
de um suco digestório. Por fim, seguem para a moela.

a. A atividade prática a seguir, que será feita em grupo, tem o objetivo de simular
o que ocorre na moela de uma ave granívora e compará-la com o estômago de
um mamífero.
Materiais
• 2 balões de borracha (usados em festa infantil)
• 2 a 3 copos de água de torneira

Arte/Partners
• seringa vazia, pisseta ou frasco plástico
com bico fino que possa ser usado para
colocar água nos balões
• 1 colher de chá de cascalhos pequenos
(usados em floricultura)
• 1 colher de sopa de sementes de feijão
cru, que devem ser deixadas de molho
por cerca de 2 horas na água
• tesoura
• bandeja

Procedimento

• Coloque os cascalhos em um dos balões. Esse balão representará a moela da


ave, e o outro, o estômago humano.
• Coloque mais ou menos o mesmo número de grãos de feijão em cada balão.
• Com cuidado, coloque a mesma quantidade de água em cada balão. Não é ne-
cessário que esses balões fiquem repletos de água. Eles precisam ter água o su-
ficiente para mostrar que há líquido dentro deles quando forem apalpados (lem-
bre-se de fazer isso enquanto segura os balões pela ponta para a água não vazar).
• Se tiver dúvida, pergunte ao professor.
• Quando tiver colocado água em quantidade suficiente, feche bem a ponta do
balão com um nó para evitar que a água escape.
• Comece a apertar os balões com firmeza, tentando amassar delicadamente o
seu conteúdo, mas sem furar a borracha. Faça isso por cerca de 5 minutos, fa-
zendo um revezamento entre os componentes do grupo.
• Passado esse tempo, coloque cada balão sobre a bandeja. Corte-os com a te-
soura, um de cada vez, mas não esparrame o conteúdo do balão para fora dele.
Deixe o conteúdo dentro de cada um deles!

186 Ciências • Movimento do aprender


• Compare o conteúdo de cada balão.

Observação: não jogue os pedregulhos nem os feijões no ralo. Se tiver um jardim


próximo, descarte-os nele.

b. O que você notou em relação aos grãos de feijão que estavam no interior da
“moela” e do “estômago humano”? Explique a razão dessa diferença.

As aves granívoras, como os pombos, as galinhas e os perus, costumam “ciscar”


pedrinhas e engoli-las. Essas pedrinhas vão para a moela, onde ficam armazenadas e
atuam sobre os alimentos da mesma forma que o cascalho que foi colocado no balão.

c. Agora você pode responder: qual é a função da moela na digestão das aves?

d. Qual é a função dos músculos fortes desse órgão e das pedrinhas contidas no seu
interior? Nos humanos, que órgão desempenha essa função?

4 Leia o texto e, na sequência, faça a atividade.

Como os animais realizam as trocas gasosas com o meio ambiente?


Todos os animais precisam retirar do meio ambiente o gás oxigênio que será usado
em suas células para a realização da respiração celular.
Durante a respiração celular, as células utilizam glicose e gás oxigênio, ocorren-
do produção de gás carbônico e água. Nesse processo ocorre liberação da energia da
glicose: parte dela será liberada para o ambiente e parte será usada para manter o
organismo vivo. O gás carbônico produzido durante a respiração celular precisa ser
excretado para o ambiente. Assim, o papel dos órgãos respiratórios é realizar as trocas

Fisiologia animal comparada • Capítulo 9 187


de gases: absorver o gás oxigênio do meio de que o organismo necessita e liberar o gás
carbônico que o organismo produziu para o meio ambiente.
A ilustração mostra os quatro principais tipos de órgãos respiratórios encontrados
nos animais:

Arte/Partners

As traqueias dos insetos diferem da pele (tegumento), das brânquias e dos pul-
mões porque são órgãos que levam o gás oxigênio do ambiente diretamente para as
células do corpo por meio de pequenos tubos, que também conduzem o gás carbônico
que será eliminado para o meio.
Os demais órgãos realizam as trocas entre o ambiente e o sangue, que é o responsável
pelo transporte de oxigênio e gás carbônico. Para essas trocas ocorrerem, a superfície
dos pulmões, das brânquias e da pele precisa ter algumas características adaptativas.

• Faça uma pesquisa para responder: quais são as características que um órgão preci-
sa apresentar para ser capaz de realizar trocas gasosas? Preencha o quadro com as
informações que encontrar.

188 Ciências • Movimento do aprender


Espessura da
Vascularização
Umidade da Área para superfície de Permeabilidade da
da superfície de
Órgão superfície de realização de trocas superfície de trocas
troca
respiratório trocas gasosas trocas (ampla gasosas gasosas (permeável
(muito ou pouco
(úmido ou seco) ou pequena) (delgada ou ou impermeável)
vascularizada)
espessa)

Tegumento
(pele)

Brânquia

Pulmões

5 Minhocas, sapos, rãs e pererecas são animais capazes de realizar respiração cutânea,
ou seja, através da pele. Essa forma de respiração possibilita a esses animais fazerem
trocas gasosas com o ar da atmosfera, por isso conseguem viver em meio terrestre.
Mas, por outro lado, esse tipo de respiração impõe algumas limitações quanto ao tipo
de meio terrestre em que vivem. Analise as informações do quadro preenchido na
atividade anterior e responda:
• Que desvantagem esse tipo de órgão respiratório impõe aos animais com relação
aos lugares onde podem viver?

6 Leia o texto a seguir e faça o que se pede.

Os sistemas de transporte de substâncias nos animais


A principal função dos sistemas de transporte nos animais é levar nutrientes e gás
oxigênio para todas as partes do corpo, e retirar e levar para longe os resíduos do me-
tabolismo celular que são tóxicos. Além disso, nos animais em que existe um sistema
de transporte, ele também costuma transportar hormônios, substâncias que ajudam
na comunicação e no controle de diferentes partes do corpo.

Fisiologia animal comparada • Capítulo 9 189


Um sistema de transporte é composto geralmente de um fluido circulante, muitas
vezes chamado de sangue, um órgão propulsor, como o coração, e um sistema de vasos.
O desenvolvimento de um sistema de transporte foi determinante para o surgi-
mento de animais mais “volumosos”, isto é, formados por um grande número de ca-
madas de células. Isso só foi possível em função da maior eficiência na chegada de
nutrientes e na remoção de produtos prejudiciais, possibilitando a sobrevivência e a
manutenção de todas as células do corpo de um animal maior.

a. Algumas esponjas-do-mar, anêmonas-do-mar e águas-vivas podem ter um tama-


nho bastante grande, apesar de serem desprovidas de um sistema especializado
no transporte de substâncias. Reúna-se com seu grupo e discutam de que maneira
esses animais são capazes de atingir grandes dimensões. Apresentem uma hipóte-
se que seja consenso no grupo. Façam o registro no espaço abaixo.

Nos animais em que existe um sistema especializado no transporte de substâncias,


há duas possibilidades: (1) o líquido circula o tempo todo dentro de vasos ou, então,
(2) pode sair do interior dos vasos e ir para pequenas cavidades, banhando direta-
mente as células; depois, o líquido é recolhido de volta aos vasos, conforme mostra
a ilustração.

Arte/Partners

190 Ciências • Movimento do aprender


b. Reveja o que você já aprendeu sobre o sistema cardiovascular humano. Elabore
um mapa conceitual no seu caderno, relacionando as câmaras do coração com o
tipo de sangue (venoso e arterial) que circula em cada câmara e mostrando quais
são os vasos que chegam ao coração e os que saem dele. Compartilhe seu mapa
com os colegas.

c. Depois de ter recordado o sistema cardiovascular humano, explique se ele é um


sistema de transporte aberto ou fechado. Justifique sua resposta.

7 Nos animais vertebrados (peixes cartilaginosos, peixes ósseos, anfíbios, répteis, aves e
mamíferos), o sistema de transporte de substâncias é chamado de sistema cardiovas-
cular. Eles apresentam muitas características em comum: um líquido circulante, cha-
mado de sangue, com elementos figurados (hemácias, leucócitos, plaquetas) especia-
lizados em realizar diferentes funções; um órgão musculoso (coração), que bombeia o
sangue; e uma rede de vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares). As ilustrações a
seguir mostram a circulação em anfíbios, peixes ósseos e aves.
Arte/Partners

Arte/Partners

Fisiologia animal comparada • Capítulo 9 191


Arte/Partners
O sistema cardiovascular dos peixes ósseos é muito similar ao dos peixes cartilagi-
nosos, por isso o sistema destes últimos não foi representado. Pelo mesmo motivo,
representou-se o sistema cardiovascular do anfíbio, porque a única diferença signi-
ficativa em relação ao dos répteis é a presença de um septo começando a dividir o
ventrículo. Por fim, nas aves e nos mamíferos não há diferença nenhuma no número
de câmaras cardíacas.

a. Observe atentamente as ilustrações e preencha o quadro:

O sangue passa 1 ou 2 vezes


Número Sangues venoso
pelo coração para
de e arterial se
completar o ciclo
câmaras misturam no
“corpo – órgão
cardíacas coração?
respiratório – corpo”?

Peixes ósseos e
cartilaginosos

Anfíbios e répteis

Aves e mamíferos

192 Ciências • Movimento do aprender


As próximas questões devem ser discutidas em grupo.

b. Quando o sangue passa uma vez pelo coração para completar o ciclo “corpo – ór-
gão respiratório – corpo”, dizemos que a circulação é simples; quando passa duas
vezes, a circulação é dupla. Quando ocorre circulação dupla, se houver mistura de
sangue arterial e venoso no coração, dizemos que a circulação é incompleta; se
não houver mistura, a circulação é completa. Discutam qual a possível vantagem
da circulação dupla e completa sobre a circulação dupla e incompleta. Depois,
socializem suas hipóteses com os outros grupos.

c. Pesquisem a relação existente entre o tipo de circulação dupla dos animais ver-
tebrados e o fato de eles serem endotermos ou ectotermos. Elaborem um cartaz
para apresentar para a turma.

8 Leia o texto a seguir e faça o que se pede.

As principais excretas nitrogenadas pelos vertebrados


Os vertebrados utilizam grande quantidade de proteínas como material construtor
do corpo (proteínas constituintes das membranas celulares, dos músculos, tendões,
pele etc.), como mecanismo de defesa (anticorpos), controle da velocidade de reações
químicas (enzimas digestórias, por exemplo) e controle hormonal. Mas muitas vezes
os aminoácidos, constituintes das proteínas, são usados como fonte de energia. Nesse
processo, eles são degradados e dão origem a resíduos nitrogenados tóxicos, que pre-
cisam ser excretados do organismo.
Os principais resíduos nitrogenados, também chamados de excretas nitrogenadas,
são a amônia, o ácido úrico e a ureia. Essas substâncias apresentam diferentes graus
de toxidez e solubilidade em água.
A amônia é a excreta mais tóxica e a mais solúvel em água. Animais que a produ-
zem são chamados de amoniotélicos e precisam, para evitar seu acúmulo no organis-
mo, diluí-la e eliminá-la constantemente.
Os uricotélicos são os animais que eliminam excretas sob a forma de ácido úrico,
que é o menos tóxico entre as excretas e o mais insolúvel. Isso significa que animais
que excretam essa substância podem eliminá-la sob a forma de uma pasta concentra-
da, com pouca água.
Finalmente, os animais que excretam ureia são os ureotélicos. A toxidez e a solubi-
lidade dessa excreta são médias quando comparadas às outras duas.

Fisiologia animal comparada • Capítulo 9 193


• Observe o quadro que mostra os tipos de excretas eliminados pelos vertebrados.
Em seguida, estabeleça uma relação com o ambiente onde esses animais vivem,
explicando a vantagem adaptativa de eliminarem esses tipos de excreta.

Grupo de vertebrado Tipo de excreta produzido

Peixes cartilaginosos Ureia

Peixes ósseos Amônia

Anfíbios (fase larval) Amônia

Anfíbios (fase adulta) Ureia

Répteis (lagartos e cobras) Ácido úrico

Répteis (tartarugas) Ureia

Aves Ácido úrico

Mamíferos Ureia

194 Ciências • Movimento do aprender


ATENÇÃO!

ADAPTAÇÕES DAS AVES QUE AUXILIAM O VOO


Embora o voo seja uma característica associada às aves, nem todas são capazes
disso. Pinguins, emas e avestruzes, por exemplo, não conseguem voar. Mesmo as-
sim, todas as aves possuem um conjunto de características que, nas espécies voa-
doras, contribuem para tornar o corpo mais leve, possibilitando que levantem voo.

Gerard Soury/ Getty Images


Beija-flor.

E quais são essas características?


1. Membros anteriores transformados em asas.
2. Corpo coberto com penas, que são leves e flexíveis, capazes de proteger contra
choques mecânicos, impermeabilizar a pele e manter constante a temperatu-
ra corporal do animal, servindo de isolante térmico.
3. Ausência de dentes (que são mais pesados do que o bico).
4. Ausência de bexiga urinária: as aves excretam ácido úrico, que é eliminado
junto com as fezes através da cloaca.
5. Esqueleto com várias articulações fundidas, como os ossos da clavícula, for-
mando a fúrcula, conhecida por muitos como o osso da sorte.
6. Ossos pneumáticos, que são finos, leves e não maciços (ao contrário dos ossos
dos demais vertebrados, bem mais pesados).
7. Sacos aéreos, que são bolsas que saem dos pulmões em direção a várias par-
tes do corpo. Eles colaboram para resfriar os músculos, que liberam grande
quantidade de calor durante o voo e, além disso, ajudam a diminuir a densi-
dade do animal.
8. Dilatação do osso esterno, formando uma estrutura chamada de quilha ou
carena, que permite a implantação de músculos fundamentais ao voo.
Observação: nas aves voadoras, a carena está presente, por isso damos o
nome de aves carenatas às que podem voar, e o de ratitas às que não têm
essa habilidade.

Fisiologia animal comparada • Capítulo 9 195


CIÊNCIA E TECNOLOGIA

PESQUISADORES DA USP PLANEJAM TESTES PARA USAR RIM SUÍNO


EM HUMANOS
Pesquisadores brasileiros realizaram edição genética em porcos como parte de es-
tudo que tem como objetivo o xenotransplante – técnica que permitiria transplantar
órgãos e tecidos de suínos para seres humanos – no futuro. [...]
[...]
[...] Os rins suínos serão usados, pelos pesquisadores brasileiros, em experimento
de perfusão isolada, ou seja, um sistema que permite estudar o órgão fora do corpo
do animal e do ser humano, por meio de uma máquina.
[...]
O líder da pesquisa na USP, Silvano Raia, explicou que há um crescimento na des-
proporção entre o número de pessoas que precisam de transplante e a quantidade de
órgãos disponível. Para suprir a falta de órgãos e tecidos, pesquisadores de diversos
países têm estudado alternativas.
[...]
oqIpo/Getty Images

Rins de um porco.
Como os porcos têm a fisiologia mais parecida com a dos humanos, eles são consi-
derados uma opção promissora como doadores, além de terem reprodução fácil, pe-
ríodo de gravidez curto e ninhadas numerosas. No entanto, os suínos são diferentes
dos humanos em aspectos imunológicos e, por isso, houve a necessidade de modifi-
car os genes dos animais para evitar uma rejeição aguda nos xenotransplantes [...].
[...]
Fonte: BOEHM, Camila. Pesquisadores da USP planejam testes para usar rim suíno em humanos. Agência Brasil.
Disponível em: [Link]
planejam-testes-para-usar-rim-suino-em-humanos. Acesso em: 4 mar. 2022.

196 Ciências • Movimento do aprender


SOCIEDADE E AMBIENTE

EXISTEM ALTERNATIVAS PARA TESTES EM ANIMAIS?


Alternativas para impedir que testes em animais ainda sejam aplicados na indústria de
cosméticos vêm ganhando espaço. Já existem métodos confiáveis e até mais eficazes para
comprovar a segurança de um produto e que estão sendo usados em diversos laboratórios.

Shanelle Hulse / EyeEm/Getty Images

Rato utilizado como cobaia em pesquisas.

De acordo com a Cruelty Free International, um grupo de proteção e defesa de animais,


que organiza campanhas pela abolição de todos os experimentos com animais, cientistas já
aprovaram alternativas que não prejudicam os bichos e ainda contribuem com o avanço
das pesquisas. São elas: culturas de células, tecidos humanos produzidos com tecnologia
3D, modelos de computador capazes de “modelar” ou replicar aspectos do corpo e até testes
humanos voluntários, que não possuem riscos à saúde. [...]
Fonte: CAMBRAIA, Stela. Os testes em animais na indústria de cosméticos. Colab.
Disponível em: [Link] Acesso em: 4 mar. 2022.

Fisiologia animal comparada • Capítulo 9 197


SAIBA MAIS

Livros
Criaturas noturnas: os animais que vivem na escuridão dos
biomas brasileiros
Autor: Guilherme Domenichelli
Editora: Panda Books
Este livro apresenta diversos animais de hábitos noturnos que vivem

itora
nos biomas brasileiros. Nele você poderá conhecer várias espécies,

nda Books Ed
como o sapo-pipa, da Amazônia; o escorpião, da Caatinga; o logo-gua-
rá e o tatu-canastra, do Cerrado; suçuarana, do Pantanal. Além disso,

Reprodução/Pa
você vai saber mais sobre animais que facilmente encontramos nas
cidades, como o gato e a lagartixa. Embarque nessa expedição notur-
na e descubra a importância dessas espécies para a natureza!

O mundo dos animais: um interativo atlas dos animais


itora Tiger

Autor: Little Tiger Press


Reprodução/Ed

Editora: Tiger 360


Explore este atlas interativo dos animais, repleto de fatos e abas que
dão vida ao mundo natural!

Museus

Museu Biológico
Ele conta com uma exposição zoológica viva e permanente. Serpentes, aranhas e escor-
piões podem ser vistos em recintos que recriam seu habitat natural. Outros animais como
lagartos, peixes e insetos também fazem parte da exposição.
No Museu Biológico, grande parte dos animais são representantes da fauna brasileira e a
exposição tem como objetivo apresentar animais vistos comumente como “assustadores”
ou “nojentos” em seu contexto ambiental natural, ressaltando a importância dos dife-
rentes organismos na manutenção dos ecossistemas. Além disso, painéis e placas trazem
informações específicas sobre veneno e acidentes ocasionados por estes animais. O museu
está situado na cidade de São Paulo, no Instituto Butantan.

Museu da Amazônia
O site do museu conta com muitas informações, vídeos e galerias. Basta explorá-lo
para conhecer mais sobre o instituto e o que ele traz de tão valioso! Para acessá-lo,
solicite ao professor.

198 Ciências • Movimento do aprender


O QUE APRENDI

O SANGUE COMO ELEMENTO DE LIGAÇÃO ENTRE OS SISTEMAS


DO CORPO

Pense em uma refeição com arroz, feijão e bife. As moléculas de amido e proteínas
presentes nesses alimentos serão digeridas pelas enzimas produzidas pelas glândulas
salivares, pelo estômago, pâncreas e intestino delgado. Os produtos finais da digestão
completa desses alimentos são a glicose e os aminoácidos, respectivamente, que serão
absorvidos pela parede do intestino delgado, alcançando a circulação sanguínea.
O sangue transportará a glicose e os aminoácidos em direção ao fígado. Na medida em
que ele circula por esse órgão, parte da glicose e dos aminoácidos vai sendo removida do san-
gue, e a ureia e o gás carbônico produzidos vão passando para o sangue. Note que o sangue,
ao circular pelos órgãos, deixa algumas substâncias e recolhe outras.
Do fígado, o sangue seguirá em direção à veia cava, para o lado direito do coração e de-
pois para os pulmões.
Nos pulmões, ocorrerá a hematose, ou seja, o sangue ficará progressivamente mais arterial
(rico em gás oxigênio) e menos venoso. Daí ele seguirá novamente para o coração, dessa vez
para o lado esquerdo, de onde será bombeado para o corpo.
O sangue que irá em direção aos sistemas do corpo está rico em gás oxigênio e ureia,
mas um pouco mais pobre em glicose e aminoácidos do que quando passou pelo intes-
tino delgado.
A ureia será removida do sangue quando ele chegar aos rins.
A circulação em todos os vertebrados, o que nos inclui, é fechada, portanto o sangue está
continuamente recolhendo substâncias e deixando outras, na medida em que passa pelos
diferentes órgãos do corpo.
• Em grupos, construam um infográfico colorido e didático em um cartaz, esquemati-
zando a circulação do sangue pelos sistemas digestório, cardiovascular, respiratório
e excretório. O que o sangue deixa e o que ele recolhe durante a passagem por
esses órgãos?

Fisiologia animal comparada • Capítulo 9 199


CAPÍTULO

10 TEMPO E CLIMA

A3pfamily/Shutterstock
CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

Sirisak_baokaew/Shutterstock
RODA DE CONVERSA

• Há diferenças entre tempo e clima? O que você sabe sobre esse assunto?
• Você conhece ou se preocupa com técnicas de previsões do tempo? Se sim, com qual(is)?
• O que precisamos observar para prever o tempo? Cite algumas possibilidades.
• Por que as pessoas procuram prever o tempo? Você reconhece alguma utilidade nessa
prática?

201
1 Analise a imagem.

Arte/Partners

a. Qual das colunas (esquerda ou direita) se refere a informações empíricas, coleta-


das no ambiente? A que se refere a outra coluna?

202 Ciências • Movimento do aprender


b. Que informações disponíveis no lado esquerdo do boletim TEMPO AGORA podem
ser utilizadas para a previsão do tempo?

c. Suponha que você esteja em um local sem acesso à internet, rádio, televisão ou
qualquer outra fonte de informações sobre a previsão do tempo. Seria possível
obter informações que permitissem prever as condições do tempo?

d. Entreviste pessoas que não tenham muita experiência com recursos informativos
sobre a previsão do tempo ou que vivam em áreas rurais e não utilizam recursos
digitais para saber a previsão do tempo. Procure descobrir quais são os indícios
que elas utilizam para prever o tempo. Registre, em seu caderno, as informações
coletadas e compartilhe com seus colegas o resultado da entrevista. Lembre-se de
que deve haver dados importantes sobre o entrevistado, como o nome, a idade,
onde mora ou já morou.

ATENÇÃO!

CLIMA
O Brasil é um país com grande diversidade climática. Em alguns lugares faz frio
e em outros, calor, mas, em geral, nosso clima é quente em quase todo o território.
Há três tipos de clima no país: equatorial, tropical e temperado. O clima equa-
torial abrange boa parte do país, englobando principalmente a região da Floresta
Amazônica, onde chove quase diariamente e faz muito calor. Já o clima tropical
varia de acordo com a região, mas também é quente e com chuvas menos regulares.
O Sul do Brasil é a região mais fria do país. Nela predomina o clima temperado,
que, no inverno, pode atingir temperaturas inferiores a zero grau, com ocorrência
de neve.
Atualmente vários fatores têm colaborado para as mudanças climáticas em nos-
so país e no mundo. A emissão de gases de efeito estufa por queima de combustí-
veis fósseis (dos automóveis, das indústrias, usinas termoelétricas), queimadas,
desmatamento e decomposição de lixo vem alterando o clima em nosso planeta e
causando o aquecimento global.

Tempo e clima • Capítulo 10 203


Climas do Brasil

Partners
Fonte: Clima. Conheça o Brasil. IBGE Educa.
Disponível em: [Link] Acesso em:14 fev. 2022.

2 Leia o texto a seguir.

[...]
Uma estação meteorológica automática (EMA) coleta as informações meteorológicas
representativas da área em que está localizada. Ela faz isso de minuto em minuto e, a
cada hora, esses dados são disponibilizados para que possam ser transmitidos – por
telefonia celular ou por satélite – para o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET),
situado em Brasília.
As informações meteorológicas coletadas são temperatura, umidade, pressão atmos-
férica, precipitação, direção e velocidade dos ventos e radiação solar.
Os dados registrados podem ser acessados de forma gratuita e em tempo real. Para
isso, basta acessar o seguinte site [Link]

204 Ciências • Movimento do aprender


Esse acesso geralmente é feito por quem está por trás da elaboração de previsão do
tempo e dos produtos meteorológicos diversos, além de serem recursos importantes
que são aplicados em pesquisa sobre meteorologia, hidrologia e oceanografia.
[...]
Fonte: BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Rede de Estações Meteorológicas Automáticas do
INMET. 2011. Disponível em: [Link]
2019/02/Nota_Tecnica-Rede_estacoes_INMET.pdf. Acesso em: 16 mar. 2022.

• Faça uma pesquisa para descobrir quais são os instrumentos utilizados em uma estação
meteorológica. A respeito desses instrumentos, explique seu princípio de funcionamento
e como são utilizados para prever o tempo. Registre as informações no caderno.

3 Leia o texto a seguir e, na sequência, faça a atividade solicitada.

PREVISÃO DO TEMPO
Saiba os passos para a elaboração da previsão do tempo
A previsão do tempo está baseada,
Matauw/Shutterstock

entre outros, em dados observados de


hora em hora nas estações meteoroló-
gicas de superfície, convencionais ou
automáticas, espalhadas por todo o
território nacional.
No Brasil, o INMET administra mais
de 400 estações. Possui 10 distritos
regionais que recebem, processam e
Estação meteorológica automática. enviam esses dados para a sede, loca-
lizada em Brasília (DF). A sede, por sua vez, processa esses dados e os envia por satélite
para todo o mundo.
Após essa coleta de dados (precipitação, ventos, umidade relativa do ar, pressão
etc.), com o auxílio de supercomputadores, faz-se uma simulação, através de modelos
numéricos, de como se comportará o tempo num intervalo de 24, 48, 72 e 96 h à frente.
Porém, só as informações do modelo numérico não são suficientes para a realização
da previsão do tempo. Contamos também com o auxílio das imagens de satélites para
elaborar a previsão a curto prazo. Essas imagens podem ser geradas a cada 30 min, de
hora em hora ou a cada 3 h. Elas estão disponíveis em três canais:
• infravermelho;
• visível;
• vapor-d’água

Tempo e clima • Capítulo 10 205


Também existe o Radar Meteorológico, que fornece as condições meteorológicas rei-
nantes num espaço de tempo menor e para uma área menor.
No INMET, há uma seção própria para a recepção e o tratamento dessas imagens de
satélites. Então, os meteorologistas mapeiam e analisam essas informações e, só de-
pois de feitas todas essas análises (cartas de superfície, modelos numéricos, imagens
de satélites etc.), tem-se maior segurança em elaborar a previsão do tempo para todo
o Brasil. [...]
Uma observação meteoro-

Kinwun/ Getty Images


lógica consiste na medição, no
registro ou na determinação
de todos os elementos que, em
seu conjunto, representam as
condições meteorológicas num
dado momento e em determina-
do lugar, utilizando instrumen-
tos adequados e valendo-se da
vista. Essas observações, reali- Muitos profissionais precisam da meteorologia para
zadas de maneira sistemática, realizarem suas atividades. Na imagem, um agrônomo
uniforme, ininterrupta e em faz uso da tecnologia para coletar dados meteorológicos,
visando, com isso, diminuir o impacto de fenômenos
horas estabelecidas, permitem climáticos na agricultura.
conhecer as características e va-
riações dos elementos atmosféricos, os quais constituem os dados básicos para confec-
ção de cartas de previsão do tempo, para conhecimento do clima, para a investigação
de leis gerais que regem os fenômenos meteorológicos etc. As observações devem ser
feitas, invariavelmente, nas horas indicadas, e sua execução terá lugar no menor tem-
po possível.
É de capital importância prestar atenção a essas duas indicações porque o descui-
do destas dará lugar, pela constante variação dos elementos, à obtenção de dados
que, por serem tomados a distintas horas, não podem ser comparáveis. A definição
acima, por si mesma, exclui qualquer possibilidade de informação com caráter de
previsão de condições futuras do tempo por parte do observador. Com isso, deve
ficar claro que o observador, ao preparar uma observação meteorológica, deverá se
restringir a informar as condições de tempo reinantes no momento da observação.
Não lhe é facultado informar o tempo que ocorrerá em momento futuro, mesmo que
sua experiência e conhecimento profissionais lhe permitam prever mudanças impor-
tantes no tempo. [...]
Fonte: SAIBA os passos para a elaboração da previsão do tempo. Instituto Nacional de Meteorologia.
Disponível em: [Link] Acesso em: 11 fev. 2022.

206 Ciências • Movimento do aprender


• São inúmeras as pessoas e as instituições que se utilizam da previsão do tempo. Investigue
a importância dessa previsão de chuvas para as atividades descritas, preenchendo a tabela:

Agricultura

Marinha

Aeronáutica

Pesca

Turismo

4 Frequentemente ouvimos notícias que nos informam a quantidade de chuva em uma


determinada região e em um determinado período. Você sabe como é medida a quan-
tidade de chuva? Chegou o momento de você e seus colegas construírem um medidor
de chuva.

CONSTRUINDO UM MEDIDOR DE CHUVA (PLUVIÔMETRO)


Materiais

Arte/Partners
• recipiente cilíndrico transparente de
base plana
• garrafa PET com diâmetro igual ao
do recipiente transparente
• régua de plástico maleável ou papel
milimetrado
• cola
• estilete
Procedimento
• Corte a garrafa de plástico em toda a sua volta na extremidade superior, de modo
a fazer um funil. O diâmetro maior do funil deve ser igual ao diâmetro do fundo do
recipiente, no qual será coletada a água da chuva.
• Cole a régua de plástico ou o papel milimetrado verticalmente, por fora do recipien-
te (você pode também fazer as marcações métricas com uma caneta).
• Caso não esteja chovendo, faça duas simulações de chuva com mangueira ou rega-
dor: simule pouca e muita chuva.
• Faça a leitura, em cada simulação, da altura da coluna de água no interior do reci-
piente e registre-a em seu caderno.

Tempo e clima • Capítulo 10 207


a. O que significa a medida obtida no pluviômetro?
b. Faça uma pesquisa em livros e na internet, procurando descobrir qual a quanti-
dade média de chuva no estado de São Paulo em um ano. Calcule a quantidade
média de chuva em um dia. No caderno, organize os dados em uma tabela.
c. Compare as medidas obtidas por você no pluviômetro com o resultado de sua
pesquisa. Registre suas respostas no caderno.

VOCÊ SABIA?

EL NIÑO E LA NIÑA
Você provavelmente já ouviu esses termos em algum noticiário, não é mesmo? Eles
têm total relação com o clima, mas o que, de fato, significam?
Tanto o El Niño quanto o La Niña são expressões de língua espanhola que signifi-
cam, respectivamente, “o menino” e “a menina”. Eles são empregados para designar
algumas anomalias climáticas que acontecem no planeta.
Alguns pescadores peruanos perceberam que o aquecimento das águas do oceano
acontecia sempre na época do Natal. Por essa razão, eles escolheram esse nome em
referência ao Menino Jesus (Niño Jesus, em espanhol).
Resumindo, o El Niño é uma anomalia climática causada pelo aquecimento das
águas do Oceano Pacífico na região próxima ao Peru. Ele acontece, em média, duas
vezes a cada dez anos e dura 18 meses.
São muitas as consequências desse fenômeno. Ele altera a vida marinha no Oceano
Pacífico, provoca o aumento das chuvas na América do Sul e em parte dos Estados
Unidos, favorece a intensificação das secas no Nordeste do Brasil, além de fazer com
que ocorram fortes tempestades no meio do Oceano Pacífico, por exemplo.
Quando o El Niño acaba, geralmente surge logo em seguida a La Niña. O nome do
fenômeno é no feminino exatamente por ser o contrário do El Niño.
O La Niña também é uma anomalia climática, caracterizada por provocar o efeito
contrário do El Niño, ou seja, ela acontece porque as águas dos oceanos que estão mais
ao fundo (e mais frias) vão para a superfície e esfriam aquilo que o El Niño tinha es-
quentado. Costuma durar cerca de nove meses.
Quais são os efeitos do La Niña? Vários, entre eles: o Centro-Oeste do Brasil fica
mais frio durante um rápido período; chove em grandes proporções na região nordes-
tina brasileira; o verão fica mais frio; o Paraguai passa a ter clima seco; na Austrália,
as temperaturas se elevam e aumentam as chuvas no Caribe.
Tanto o El Niño quanto o La Niña provocam sérias consequências ao redor do mun-
do. Seus efeitos vão além dos aspectos climáticos, pois causam impacto também na
economia, já que, se chove demais ou de menos em determinada região, a agricultura
acaba sendo prejudicada.

208 Ciências • Movimento do aprender


5 Leia o texto a seguir e, na sequência, faça a atividade.

Umidade relativa do ar
A umidade relativa do ar é um dos indicadores utilizados na meteorologia para sa-
ber como o tempo se comportará. O higrômetro é o nome do instrumento utilizado para
medir a umidade relativa do ar. As previsões do tempo, que diariamente aparecem nos
telejornais, por exemplo, são feitas com base, entre outros indicadores, na umidade re-
lativa do ar.
Ela é a relação entre a quantidade de água existente no ar (umidade absoluta) e a
quantidade máxima que poderia haver na mesma temperatura (ponto de saturação).
Essa umidade presente no ar é decorrente de uma das fases do ciclo hidrológico, o pro-
cesso de evaporação da água, ou seja, o vapor-d’água sobe para a atmosfera e se acumula
em forma de nuvens, porém uma parte desse vapor passa a compor o ar que circula na
atmosfera.
Apesar disso, o ar possui um limite até o qual ele absorve a água (ponto de satura-
ção). Abaixo do ponto de saturação, há o ponto de orvalho, que é quando a umidade se
acumula sob a forma de pequenas gotas ou neblina, e, acima dele, a água se precipita na
forma de chuva.
A umidade relativa do ar sempre varia. A temperatura, a presença ou não de florestas
ou vegetação, rios e mares são alguns dos fatores que determinam como vai se dar a
umidade.
É importante que a umidade do ar seja equilibrada, pois, caso contrário, pode ser
prejudicial. Quando está muito baixa, menos de 30%, colabora para a ocorrência de aler-
gias, asma, sinusite e outro tipos de doença. Já quando é muito alta, facilita a prolifera-
ção de fungos, mofos, ácaros e bolores.

a. Apesar de não ser facilmente visível, a umidade presente no ar pode ser detectada
facilmente. Uma situação corriqueira é aquela em que colocamos uma garrafa
de refrigerante gelada sobre a mesa e observamos que ela fica cheia de gotículas
de água em sua superfície (muitas vezes as pessoas dizem que a garrafa “sua”).
Sabendo que essa formação de gotículas de água tem relação com a umidade do
ar e com a temperatura, elabore uma explicação para esse fenômeno.

Tempo e clima • Capítulo 10 209


b. Uma situação em que podemos ver claramente a umidade do ar é na formação
da neblina, que pode ocorrer em várias situações, mas uma em que é bastante co-
mum encontrá-la é na subida de uma serra. Explique por que em regiões serranas
a formação da neblina ocorre com mais facilidade. Uma dica: procure relacionar a
formação da neblina com a temperatura.

6 Como é possível medir a umidade do ar? Chegou o momento de você montar um


aparelho para que possa obter informações sobre a atmosfera no seu ambiente.

MONTANDO UM MEDIDOR DE UMIDADE

Arte/Partners
Materiais
• fio de cabelo • borrifador com água
• lápis • pedaço de cartolina
• fita adesiva • secador de cabelo
• elástico de borracha • canudo de refrigerante

Procedimento
• Usando a fita adesiva, prenda um fio de cabelo à ponta de um lápis.
• Prenda a outra ponta do fio de cabelo a um elástico de borracha, desses de prender
cédulas, e prenda a tira na outra ponta do lápis.
• Dobre um canudo de refrigerante em ângulo reto e coloque-o sob o elástico
de borracha.
Arte/Partners

210 Ciências • Movimento do aprender


• Faça um mostrador com um pedaço de cartolina e monte todo o conjunto em uma
base bem firme.
• Borrife um pouco de água no cabelo do seu higrômetro, aguarde alguns minutos e
observe o mostrador. Borrife um pouco mais de água e continue observando.
• Ligue o secador de cabelo na intensidade mínima, e de longe seque o cabelo do
higrômetro. Observe o mostrador.
• Registre suas observações no caderno e explique o que aconteceu.

7 Outro fator importante para prever o tempo é a pressão atmosférica.


Apoie sua mão na mesa e depois coloque um livro em cima dela. A pressão sobre sua
mão aumentou ou diminuiu? Isso acontece devido ao peso do livro. Como qualquer
outro material, o ar também possui peso e por isso exerce pressão.
Utilizando registros de temperatura e de pressão do ar, é possível fazer previsões apro-
ximadas do tempo, como ilustra a tabela.

Barômetro Termômetro Tempo provável


Subindo Subindo Tempo bom, ventos quentes e secos
Subindo Estacionário Tempo bom, ventos de leste frescos
Subindo Baixando Tempo bom, ventos de sul a sudeste
Estacionário Subindo Tempo mudando para bom, ventos de leste
Estacionário Estacionário Tempo incerto, ventos variáveis
Estacionário Baixando Chuva provável, ventos de sul a sudeste
Baixando Subindo Tempo instável, aproximação de frente fria
Baixando Estacionário Frente quente com chuvas prováveis
Chuvas abundantes e ventos de
Baixando Baixando
sul a sudoeste fortes

• Mas como saber se a pressão do ar está aumentando ou diminuindo? Para respon-


der a essa pergunta, faça o experimento a seguir.

CONSTRUINDO UM MEDIDOR DE PRESSÃO


Materiais
• recipiente de boca larga, como um
Arte/Partners

vidro de maionese, vazio e limpo


• 1 bexiga de borracha
• 1 canudo de refrigerante
• tesoura
• barbante
• fita adesiva
• termômetro

Tempo e clima • Capítulo 10 211


Procedimento
• Corte a bexiga logo abaixo

Arte/Partners
do “pescoço” dela.
• Cubra a boca do vidro com
a bexiga, mantendo-a bem
esticada, amarrando-a
firmemente com o
barbante, de modo a vedar
o vidro completamente.
• Para melhorar a fixação,
pode-se passar uma fita
adesiva sobre o barbante.
• Com a fita adesiva, fixe o canudo de refrigerante no centro da superfície da bexiga.
• O conjunto deve então ser colocado ao lado de uma escala graduada, como mos-
trado na figura.
• Deixe seu barômetro em um lugar com sombra, na sala de aula ou em casa, e obser-
ve a escala durante alguns dias ensolarados e chuvosos. Registre suas observações
no caderno.

8 As nuvens não são todas iguais. Existem diferentes tipos que podem ser classificados
segundo sua forma e a altura em que se encontram. Veja a classificação utilizada in-
ternacionalmente para identificar os tipos de nuvens.

Tipos básicos de nuvens

Família de
Tipo de nuvem Características
nuvens e altura
Nuvens finas, delicadas, fibrosas, formadas de
Cirrus (Ci)
cristais de gelo.

Nuvens finas, brancas, de cristais de gelo, na forma


Nuvens altas (acima Cirrocumulus (Cc) de ondas ou massas globulares em linhas.
de 6 000 m) É a menos comum das nuvens altas.

Camada fina de nuvens brancas de cristais de gelo que


Cirrostratus (Cs) podem dar ao céu um aspecto leitoso. Às vezes produz
halos em torno do Sol ou da Lua.

Nuvens brancas a cinzas, constituídas de


Altocumulus (Ac)
glóbulos separados ou ondas.
Nuvens médias
(2 000 – 6 000 m)
Camada uniforme branca ou cinza, que pode
Altostratus (As)
produzir precipitação muito leve.

212 Ciências • Movimento do aprender


Família de
Tipo de nuvem Características
nuvens e altura
Nuvens cinzas em rolos ou formas globulares,
Stratocumulus (Sc)
que formam uma camada.

Nuvens baixas Camada baixa, uniforme, cinza, parecida com nevoeiro,


Stratus (St)
(abaixo de 2 000 m) mas não baseada sobre o solo. Pode produzir chuvisco.

Camada amorfa de nuvens cinza-escuras.


Nimbostratus (Ns)
Uma das mais associadas à precipitação.

Nuvens densas, com contornos salientes, ondulados e


bases frequentemente planas, com extensão vertical
Cumulus (Cu)
pequena ou moderada. Podem ocorrer isoladamente ou
Nuvens com
dispostas próximas umas das outras.
desenvolvimento
vertical
Nuvens altas, algumas vezes espalhadas no topo,
Cumulonimbus
de modo a formar uma “bigorna”. Associadas com
(Cb)
chuvas fortes, raios, granizo e tornados.

Observação: Nimbostratus e Cumulonimbus são as nuvens responsáveis


pela maior parte da precipitação.

Fonte: GRIMM, Alice Marlene. Classificação de nuvens. In: GRIMM, Alice Marlene. Meteorologia Básica – Notas de Aula. Curitiba: UFPR, 1999.
Disponível em: [Link] Acesso em: 11 fev. 2022.

Arte/Partners

Classificação de nuvens.

Tempo e clima • Capítulo 10 213


• Identifique junto com seus colegas os tipos de nuvens presentes no céu neste momento.
Utilizando a tabela com as informações sobre as nuvens, verifique se elas estão associa-
das ou não a chuvas, registrando suas observações.

9 Medindo a intensidade de vento.


A medida de intensidade de vento é feita pela sua velocidade. O aparelho que mede
a velocidade do vento é chamado de anemômetro. Você pode construir um ane-
mômetro simples e estimar a intensidade do vento visualmente. Siga as instruções e
experimente!

Material
• 1 copo de plástico duro
• 4 palitos para churrasquinho
• 4 potinhos plásticos
• 2 tiras de caixa de papelão
• 1 lápis com borracha
• 1 corpo de caneta marcadora
• 1 alfinete de marcar mapas
• 1 recipiente com areia ou terra
• 1 grampeador
Arte/Partners

214 Ciências • Movimento do aprender


1º Passo

Arte/Partners
Utilize potinhos vazios de queijo cremoso ou de iogur-
te pequenos. Nesse caso, será necessário cortar as abas
dos potinhos.

Arte/Partners
2º Passo

As tiras de papelão devem ter mais ou menos 30 cm de


comprimento por 3 cm de largura. Centralize as tiras em
forma de cruz e grampeie-as para que fiquem firmes.

Arte/Partners
3º Passo
Coloque os palitos de churrasco dentro das tiras. Você
deve inserir cada um dos quatro palitos em cada braço
da cruz, cortando a sobra do palito.

Arte/Partners
4º Passo
Grampeie um potinho em cada extremidade da cruz.
Atenção para que as bocas dos potinhos fiquem viradas
para o fundo do potinho seguinte.

5º Passo Arte/Partners

Espete o alfinete de marcar mapas pelo lado de cima da


cruz de papelão (lado contrário dos potinhos).
Arte/Partners

6º Passo
Passe um pouco de cola em volta do alfinete pelo lado
de baixo da cruz.

Tempo e clima • Capítulo 10 215


7º Passo

Arte/Partners
Prenda o lápis na cruz, inserindo o alfinete na borra-
cha do lápis, e aguarde a cola secar um pouco. Se for
necessário, passe um pouco mais de cola em volta da
borracha.

Arte/Partners
8º Passo
Segure o corpo da caneta marcadora no centro
do copo plástico, com a parte mais larga para cima.
Preencha o copo de areia em torno do corpo da
caneta.

Arte/Partners
9º Passo
Depois que a cola tiver secado, coloque o lápis dentro do
corpo da caneta. A cruz deve girar tendo o lápis como
eixo livre no corpo da caneta.

Arte/Partners
Seu anemômetro está pronto! Para funcionar bem, você
deve colocar o anemômetro em um lugar alto e livre
de obstáculos ao vento – como no alto de um muro de
jardim.

10 Monte uma pequena estação meteorológica.


Antes de montarem a estação e do levantamento dos dados, o grupo criador de cada
equipamento deve verificar se há uma estrutura firme para o transporte ou movimen-
tação. Um representante do grupo deve organizar com o professor um local apropria-
do, que deve ser ao ar livre e sem chuva, espaço amplo e de preferência alto.
Coloque os equipamentos de medição em uma carteira ou mesa, eles necessitam de
espaço entre si, deixe-os de forma visível para as aferições. Lembre-se: para se ter ve-
racidade do fato, se possível, registre as evidências das informações com fotografias
dos dados adicionados na tabela.

216 Ciências • Movimento do aprender


Nesta atividade, utilize os instrumentos montados nas atividades 4, 6 e 7 e as infor-
mações da atividade 8 para verificar as condições atmosféricas. Utilize também um
termômetro para registrar a temperatura do ambiente. A atividade deverá ser desen-
volvida em grupo.
Cada grupo deve instalar os equipamentos construídos em alguma área reser-
vada da escola, em um local que não atrapalhe as atividades de outras turmas e
onde não exista o risco de serem danificados. O registro deve ser feito duran-
te alguns dias e mais de uma vez por dia, conforme a disponibilidade de tempo.
Registrem na tabela a seguir os dados obtidos e as condições do tempo no momento,
dizendo se o tempo está claro, chuvoso, encoberto, se está quente, frio ou outras
condições que acharem relevantes.

Umidade Intensidade Tipos de Condições


Data Hora Barômetro Temperatura Precipitação
do ar do vento nuvens do tempo

Tempo e clima • Capítulo 10 217


SOCIEDADE E AMBIENTE

INGLATERRA: BILHÕES EM METEOROLOGIA PARA DESENVOLVER


SUPERCOMPUTADOR
Sem dúvida a Inglaterra entende a importância da meteorologia. [...]
O governo espera que a tecnologia ajude as comunidades a se prepararem melhor para
as perturbações de tempo e clima [...]. Os dados do novo supercomputador serão usados
para produzir:

• Previsões de chuvas mais sofisticadas, ajudando a Agência Ambiental a implantar


rapidamente defesas móveis contra inundações.
• Melhor previsão nos aeroportos para que eles possam planejar possíveis interrupções.
• Informações mais detalhadas para o setor de energia para ajudá-los a mitigar os possí-
veis blecautes e surtos de energia.
• Produzir estudos de mudanças climáticas.

[...] O Reino Unido irá sediar a conferência climática da ONU COP26, onde o mundo se
reunirá para acordar ações mais ambiciosas. O novo supercomputador também fortalecerá os
recursos de supercomputação e tecnologia de dados do Reino Unido, impulsionando a inova-
ção e aumentando as habilidades de classe mundial em supercomputação, ciência de dados,
aprendizado de máquina e inteligência artificial.
O Met Office está na vanguarda da supercomputação, usando sua tecnologia atual para
impulsionar os avanços nas previsões meteorológicas. Como resultado, previsões meteoroló-
gicas detalhadas para o Reino Unido agora ocorrem a cada hora e não mais a cada 3 horas,
fornecendo atualizações cruciais e oportunas quando o tempo extremo se aproxima.
O benefício disso foi sentido recentemente: as grandes tempestades Ciara e Dennis
foram previstas com 5 dias de antecedência, permitindo que os conselhos locais e serviços
de emergência preparassem e instigassem planos de resiliência. Da mesma forma,
a Agência do Meio Ambiente usou as mais recentes projeções climáticas do Met Office no
Reino Unido, definindo possíveis cenários futuros de inundações e como o financiamento
pode ser melhor alocado.
Fonte: MOURA, Davi. Inglaterra: bilhões em meteorologia para desenvolver supercomputador. Meteored, 22 fev. 2020. [Adaptado]
Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 23 fev. 2022.

218 Ciências • Movimento do aprender


SAIBA MAIS

Livro
Os senhores do clima
Autor: Tim Flannery
Editora: Record

Divulgação
Mudanças climáticas estão ocorrendo no mundo todo, mas elas
realmente são uma ameaça? Neste livro, Tim Flannery trata da
urgente necessidade de discutir as consequências da mudança cli-
mática global, que vem arruinando o planeta e colocando em risco
a sobrevivência dos seres vivos. O autor apresenta fatos, analisa
implicações, desmistifica ideias e exemplifica como as mudanças
climáticas já afetam a Terra.

Site
Calculadora de carbono
Esta calculadora propõe uma forma simples e inovadora para estimar a parcela de
responsabilidade de cada pessoa brasileira nas emissões do país, sendo de finalidade
exclusivamente didática. Para fazer uso dela, solicite o acesso ao professor.

O QUE APRENDI

Prepare uma pesquisa que relacione o surgimento da previsão do tempo a dois importan-
tes fatores:
• O desenvolvimento dos instrumentos utilizados na meteorologia.

• Eventos catastróficos que poderiam ser evitados e que serviram de estímulo para a
criação de serviços meteorológicos.
Expresse sua opinião com a produção de um texto argumentativo com as seguintes pro-
blemáticas: a sociedade que habita as grandes cidades precisa se preocupar com o clima, com
o tempo e com as chuvas? Seria possível prevenir ou sanar os problemas climáticos e não ter
mais com o que se preocupar?

Tempo e clima • Capítulo 10 219


CAPÍTULO

11 GESTAÇÃO: VIDA E SAÚDE

NataliaDeriabina/Istock
vgajic/Getty Images
CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

RODA DE CONVERSA

• Como os embriões e os fetos se nutrem?


• Como deve ser a alimentação das gestantes?
• Por que as mulheres grávidas devem ter cuidado redobrado com a saúde?
• Os embriões e os fetos podem ficar doentes?

221
1 Você sabe quais são as principais mudanças no organismo da mulher grávida e as
etapas dos desenvolvimentos embrionário e fetal?

A gravidez é calculada em semanas, a partir do primeiro dia da última menstrua-


ção. Isso é estimado da seguinte forma: a ovulação ocorre cerca de duas semanas
depois do início da menstruação, e a fertilização ocorre pouco depois da ovulação.
Assim, se uma mulher estiver grávida de cinco semanas, por exemplo, significa que o
embrião é cerca de duas semanas mais jovem, ou seja, ele tem três semanas.
Quando uma mulher tem ciclo menstrual irregular, a data provável da ovulação
varia; com isso, a estimativa da diferença entre o tempo de gravidez e o do embrião
pode ser maior.
A gravidez dura, em média, 40 semanas desde o primeiro dia da última menstrua-
ção e divide-se em três períodos de três meses: o primeiro trimestre (da semana 1 até
a 12), o segundo trimestre (da semana 13 até a 24) e o terceiro trimestre (da semana
25 até o parto).

Nesta atividade, que será realizada em grupos, você e seus colegas farão uma pesqui-
sa sobre as mudanças no organismo da mulher grávida e as principais características
do desenvolvimento embrionário ou fetal em determinado período da gravidez, in-
cluindo os cuidados que devem ser dispensados em cada trimestre.
As informações coletadas deverão ser usadas na elaboração de um seminário para a
turma. Preparem cartazes com ilustrações mostrando as transformações do embrião
ou feto semana a semana. Elaborem também um resumo do seu trabalho para os co-
legas de sua turma, que poderá ser disponibilizado para todos na internet.
O seu professor estabelecerá as regras para a formação dos grupos, a seleção do tema
e a apresentação do seminário e do resumo.

2 Leia o texto e faça o que se pede.

A formação da placenta
A fertilização ocorre até 48 horas depois que um óvulo é liberado do ovário em
direção a uma das tubas uterinas. A partir daí, o óvulo fecundado (zigoto) passa a se
dividir repetidamente, ao mesmo tempo em que se desloca da tuba uterina em direção
ao útero.

Cerca de cinco a oito dias depois terá se formado um blastocisto, que parece uma
“esfera oca”, formada por uma camada de células externas e uma pequena massa
celular interna mergulhada por um líquido (veja a figura).

222 Ciências • Movimento do aprender


Arte/Partners
A fertilização ocorre no interior da tuba uterina e logo o zigoto começa a se dividir,
iniciando o desenvolvimento do embrião. A implantação do blastocisto na parede do
útero ocorre cerca de sete dias depois da fertilização.

A massa celular interna do blastocisto vai dar origem ao embrião, enquanto as cé-
lulas da parede do blastocisto vão participar da formação da placenta, do córion e do
âmnio, entre outras estruturas.
A placenta é uma estrutura que apresenta células provenientes da parede do blas-
tocisto e da parede do útero. À medida que ela se desenvolve, são formadas dobras que
se prolongam para o interior da parede do útero. Nessa região, formam-se muitos va-
sos sanguíneos de origem materna e de origem embrionária. Apesar de ficarem muito
próximos, não chega a ocorrer mistura entre os sangues da mãe e do filho, embora
eles possam realizar trocas.
O córion é a mais externa das membranas que rodeiam o embrião; a mais interna
se chama âmnio e delimita a bolsa amniótica. Essa bolsa é preenchida pelo líquido
amniótico, no qual o embrião fica imerso.
O cordão umbilical é uma estrutura que liga o feto à placenta, que se forma por
volta da quinta semana de gravidez. Dentro do cordão há três vasos sanguíneos (duas
artérias e uma veia) separados por um material gelatinoso. Ele chega a medir cerca de
55 cm e tem diâmetro entre 1 cm e 2 cm.

Gestação: vida e saúde • Capítulo 11 223


Arte/Partners
O esquema mostra um embrião com cerca de oito semanas. Note as indicações da
placenta, cordão umbilical, bolsa de líquido amniótico, córion e âmnio.

a. Com base na leitura do texto e das imagens, registre suas hipóteses sobre as fun-
ções que você acha que são desempenhadas pela placenta, pelo cordão umbilical
e pelo líquido amniótico.

224 Ciências • Movimento do aprender


b. Agora, você deverá compartilhar as suas hipóteses com os colegas da turma.
Verifique se as respostas são parecidas. Se forem diferentes, procure saber qual a
versão dos colegas. Por fim, com o auxílio do professor, produzam coletivamente
um texto que contenha as informações corretas.

3 Leia atentamente os textos a seguir.

SOCIEDADE MÉDICA ALERTA PARA O RISCO DE CONSUMO DE ÁLCOOL NA


GRAVIDEZ
A ingestão de bebidas alcoólicas durante a gravidez é fator de risco para o desen-
volvimento da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), que pode levar a deficiências físicas e
distúrbios de neurodesenvolvimento, alerta a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
A médica Conceição Segre, coordenadora da Campanha de Prevenção à SAF da SBP,
afirma que atualmente não há tratamento que leve à cura da síndrome, que pode levar
a danos irreversíveis, como retardo mental e anomalias congênitas. Por isso, é impor-
tante que se reforcem as ações de conscientização para a prevenção. [...]
[...] O que se sabe é que qualquer quantidade de álcool em qualquer momento da
gestação pode atingir o feto e causar a Síndrome Alcoólica Fetal, completa ou parcial”,
disse.
[...] O álcool passa facilmente pela placenta e atinge o feto, podendo causar várias
lesões, principalmente, no sistema nervoso central. [...]
Fonte: BOEHM, Camila. Sociedade médica alerta para o risco de consumo de álcool na gravidez. Agência Brasil,
9 set. 2021. Disponível em: [Link]
medica-alerta-para-o-risco-de-consumo-de-alcool-na-gravidez. Acesso em: 18 mar. 2022.

Gestação: vida e saúde • Capítulo 11 225


QUAIS SÃO OS RISCOS DO TABAGISMO PARA A MULHER GRÁVIDA?
A mulher grávida que fuma aumenta o risco de apresentar placenta prévia (quando
a placenta se implanta na parte inferior do útero, cobrindo parcial ou totalmente o colo
do útero), descolamento de placenta e hemorragias uterinas. Há o dobro de chance de
o bebê nascer com baixo peso, 70% de chance de aborto espontâneo, 40% de chance de
ter parto prematuro e 30% de chance de o bebê apresentar morte perinatal. Além disso,
o bebê pode apresentar redução do calibre de suas vias aéreas, levando a uma redução
da sua função pulmonar, tornando-o suscetível a crises de dispneia e a contrair mais
infecções respiratórias. Filhos de fumantes adoecem duas vezes mais do que os filhos
de não fumantes.
Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Quais são os riscos do tabagismo para a mulher grávida? Instituto Nacional de
Câncer. Disponível em: [Link]
Acesso em: 18 mar. 2022.

AUTOMEDICAÇÃO PODE OFERECER RISCOS PARA MÃES E BEBÊS


Os três primeiros meses de gestação são de extrema importância para o desenvol-
vimento do bebê, já que é nesse período que a placenta e os órgãos do feto são desen-
volvidos. Nessa fase, a mãe também apresenta sintomas mais intensos, como cansaço,
retenção de líquidos, enjoo e vômito. Em razão de tais sintomas desagradáveis, muitas
gestantes acabam por se automedicar, o que é algo muito perigoso, pois determinadas
medicações podem afetar e alterar o desenvolvimento dos bebês. A avaliação médica é
o indicado em casos de uso de medicamento
Recomendam-se, em primeiro lugar, métodos naturais, como repouso e boa alimen-
tação, mas, caso seja realmente imprescindível medicar-se, a avaliação médica é o
mais indicado.
Esse olhar do médico é importante, afinal de contas ele sabe quais medicações po-
dem ser usadas e quais devem ser abolidas durante todo o período gestacional.
No caso das lactantes, ou seja, das mães que amamentam, algumas substâncias
contidas nos medicamentos podem passar para o bebê através do leite e causar nele
efeitos nocivos. Portanto, nesse período, o uso de medicações também deve ser feito
com muito cuidado.

• Com base na leitura dos textos, debata com seus colegas os cuidados que a gestan-
te deve ter em relação às diversas substâncias que ela ingere. Em seguida, elaborem,
em grupos, folhetos explicativos sobre o tema. Vocês podem elencar o que deve ser
evitado e o que é bom ser ingerido pela gestante.

226 Ciências • Movimento do aprender


4 Você sabe o que é o pré-natal? Leia o texto para entender a importância dele. As in-
formações a seguir serão também muito importantes para a realização da atividade.

A importância do acompanhamento pré-natal


A gravidez, como sabemos, traz muitas mudanças no corpo da mulher, o que faz
com que alguns cuidados especiais precisem ser seguidos. Primeiramente, a mulher
grávida precisa de um acompanhamento de profissionais da saúde.
Esses cuidados durante o período de gestação são conhecidos como acompanhamento
pré-natal. O prefixo “pré” significa “anterior”, e a palavra “natal” quer dizer nascimento.

Blue Planet Studio/Shutterstock


O ideal é que esse acompanhamento seja iniciado no primeiro trimestre. Nesse
período, é importante que ao menos seis consultas sejam feitas a fim de verificar pos-
síveis riscos à gestante e ao feto.
Os exames médicos realizados no pré-natal são capazes de identificar e de reduzir
muitos problemas decorrentes de doenças, infecções ou disfunções que podem chegar
a causar o parto precoce, o aborto e até trazer consequências mais sérias para a mãe
ou para o seu bebê.
O acompanhamento pré-natal é necessário para que as mulheres grávidas se sin-
tam seguras. Receber informações a respeito do que está acontecendo com o seu corpo
e com a saúde de seu filho é fundamental para uma gestação tranquila e de qualidade.
No pré-natal, as futuras mães também são informadas sobre os cuidados necessá-
rios para uma gravidez saudável, como alimentação adequada e a prática de exercí-
cios físicos regulares.
O acompanhamento pré-natal não acaba aí. As gestantes têm a oportunidade de
participar de cursos de preparação para o parto e de grupos com outras grávidas que,
juntas, compartilham informações e dúvidas.

Esta atividade será feita em grupos. Você e seus colegas vão entrevistar de duas a cinco
mulheres que estão no final da gravidez ou que tiveram filhos recentemente (até três
anos atrás), seguindo este roteiro de perguntas.

Gestação: vida e saúde • Capítulo 11 227


A. Qual seu primeiro nome?
B. Qual sua idade?
C. Quando foi a sua última gravidez?
D. Fez exame pré-natal?
E. Se não fez, qual foi o motivo?
F. Se fez, com quanto tempo de gestação começou a fazer o exame pré-natal?
G. Com que frequência você fazia o acompanhamento pré-natal?
H. Onde você fez o acompanhamento pré-natal: posto de saúde ou consultório médico?
I. O acompanhamento foi feito por sistema de saúde público, pelo convênio médico ou
com médico particular?
J. A quais exames clínicos você se lembra de ter se submetido?
K. Em algum desses exames foi detectado algum problema? Em caso positivo, qual?
L. Você recebeu durante o acompanhamento pré-natal orientações para se preparar fisi-
camente para o parto? Em caso afirmativo, quais orientações?
M. Você participou de algum grupo de gestantes? Em caso afirmativo, qual(is) era(m) o(s)
tema(s) abordado(s) nesse(s) grupo(s)? De quem foi a indicação?
• Depois que vocês fizerem as entrevistas, analisem os dados obtidos e promovam uma
discussão sobre o que é feito durante o acompanhamento pré-natal e qual a importância
dele para as mulheres gestantes. Os resultados da sua pesquisa e as conclusões devem
ser apresentados na forma de um painel para a turma.

5 O teste Guthrie – teste do pezinho – é um direito de todo recém-nascido, de acordo


com a legislação brasileira.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei n. 8.069, editada em 1990, artigo 10,
obriga hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos
e particulares, a realizar exames visando ao diagnóstico de anormalidades no metabo-
lismo do recém-nascido, bem como prestar orientação aos pais.
No teste do pezinho são coletadas gotas de sangue do pé do recém-nascido em um
papel de filtro, que será levado para análise, conforme mostra a fotografia a seguir.
Valmedia/Shutterstock

228 Ciências • Movimento do aprender


Faça uma pesquisa e responda aos questionamentos:

a. Por que o teste do pezinho é importante?

b. Quais doenças o teste do pezinho consegue diagnosticar? Comente essas doen-


ças dando informações a respeito delas.

c. Por que é importante diagnosticar doenças logo nos primeiros dias de vida do bebê?

6 Leia, a seguir, o trecho de um texto que aborda como a gestação de qualidade está
atrelada à alimentação saudável.

NUTRICIONISTAS DÃO DICAS DE ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL DURANTE A


GRAVIDEZ
[...]
Uma alimentação adequada fornecerá os nutrientes necessários à mãe durante a
gestação e servirá de reserva de energia e gordura para amamentação, e também é
essencial para a nutrição via placenta do feto, que depende destes nutrientes para
crescer e se desenvolver.

Gestação: vida e saúde • Capítulo 11 229


O que não pode faltar no prato?
A alimentação durante o período gestacional deve ser variada, balanceada e comple-
ta, com o objetivo de fornecer os nutrientes necessários ao feto e à mãe. Deste modo,
manter a ingestão de todos os grupos alimentares da pirâmide alimentar é o reco-
mendado. Preferir legumes, verduras, cereais integrais (pão, arroz integral, massa in-
tegral), leguminosas (lentilha, ervilha, feijão preparado sem carnes gordas), carnes
magras e gorduras boas, como o azeite de oliva extravirgem na dose certa, para compor
o almoço e o jantar, por exemplo. As refeições intermediárias, como o desjejum e o lan-
che da tarde, podem ser compostos por pão integral, queijo magro, leite ou iogurte e a
ceia, por frutas. Optar pela versão mais natural e menos industrializada dos alimentos
é o correto. Se possível, a escolha dos alimentos orgânicos, como ovos, legumes, verdu-
ras e frutas, atualmente também é recomendada.

Quantas refeições a gestante deve realizar ao longo do dia?


De preferência, seis refeições diárias, incluindo: desjejum, colação, almoço, lanche,
jantar e ceia, com adequada distribuição nutricional, e com intervalos regulares de três
horas entre cada uma delas.
[...]
Fonte: AMARANTE, Suelly. Nutricionistas dão dicas de alimentação saudável durante a gravidez. Fiocruz.
Disponível em: [Link]
Acesso em: 18 mar. 2022.

Dasha Petrenko/Shutterstock

• Faça uma pesquisa sobre hábitos saudáveis de alimentação de uma gestante e elabore
um texto informativo sobre esses hábitos. Socialize os textos com os colegas, trocando-os
para leitura, conforme orientação do seu professor.

230 Ciências • Movimento do aprender


7 Leia os textos a seguir e responda às questões.

SEMANA MUNDIAL DE ALEITAMENTO MATERNO – SMAM


A Semana Mundial de Aleitamento Materno faz parte de uma história mundial foca-
da na Sobrevivência, na Proteção e no Desenvolvimento da Criança.
Desde sua criação, em 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem entre
suas ações aquelas voltadas à saúde da criança, devido à grande preocupação com a
mortalidade infantil. Em 1990, de um encontro organizado pela OMS e pelo Fundo das
Nações Unidas para a Infância (Unicef) resultou um documento adotado por organiza-
ções governamentais e não governamentais, assim como por defensores da amamenta-
ção de vários países, entre eles o Brasil.
O documento chamado “Declaração de Innocenti” apresentou quatro objetivos
operacionais:
• Estabelecer um comitê nacional de coordenação da amamentação;
• Implementar os “10 passos para o sucesso da amamentação” em todas as maternidades;
• Implementar o Código Internacional de Comercialização dos Substitutos do Leite
Materno e todas as resoluções relevantes da Assembleia Mundial de Saúde;
• Adotar legislação que proteja a mulher que amamenta no trabalho.

Com o objetivo de seguir os compromissos assumidos pelos países com a assinatu-


ra do documento, foi fundada em 1991 a Aliança Mundial de Ação Pró-amamentação
(WABA). Essa Organização criou no ano de 1992 a Semana Mundial de Aleitamento
Materno, para promover as metas da “Declaração de Innocenti”.
A Semana Mundial é considerada um veículo para a promoção da amamentação.
Ocorre em 120 países e, oficialmente, é celebrada de 1º a 7 de agosto. A WABA define, a
cada ano, o tema a ser trabalhado na Semana, lançando materiais que são traduzidos
em 14 idiomas. Entretanto, a data e o tema podem ser adaptados em cada país, a fim de
que sejam obtidos mais e melhores resultados do evento.
No Brasil, o Ministério da Saúde coordena a Semana Mundial de Aleitamento
Materno desde 1999, sendo responsável pela adaptação do tema para o nosso país e
pela elaboração e distribuição de cartaz e fôlder. Tem o apoio de Organismos Interna-
cionais, Secretarias de Saúde Estaduais e Municipais, Rede Brasileira de Bancos de
Leite Humano, Hospitais Amigos da Criança, Sociedades de Classe e Organizações não
Governamentais (ONGs).

Gestação: vida e saúde • Capítulo 11 231


SEIS BONS MOTIVOS PARA AMAMENTAR O BEBÊ
[...]
Porque faz bem à saúde da criança

kate_sept2004/Getty Images
O leite materno protege de infecções
como diarreia, pneumonia e otite. Previ-
ne algumas doenças futuras como asma,
diabetes e obesidade. Favorece o desen-
volvimento físico, cognitivo e emocional.
O esforço que a criança faz para sugar o
leite do peito da mãe é um exercício im-
portante para a boca e para os músculos
do rosto e irá repercutir positivamente
na respiração, mastigação, deglutição,
articulação da fala e no alinhamento
dos dentes.

Porque faz bem à saúde da mulher


Amamentar pode aumentar o intervalo entre os partos e prevenir algumas doenças
da mulher, reduzindo as chances de desenvolvimento de câncer de mama, de ovário e
de endométrio, além de diabetes tipo 2. Quanto mais tempo a mulher amamenta, maio-
res são os benefícios da amamentação à sua saúde.

Porque promove o vínculo afetivo


A amamentação é um ato de interação profunda entre a mãe e o bebê. É um momen-
to de muita troca que, geralmente, é prazeroso para os dois. Assim, a amamentação
aproxima mãe e bebê, fortalecendo o vínculo afetivo entre eles.

Porque é econômico
O leite materno é gratuito, produzido pela mãe para ser oferecido ao seu filho. As
fórmulas infantis industrializadas têm custo e podem comprometer boa parte do orça-
mento familiar. Além disso, não amamentar pode gerar gastos extras no futuro, já que
a criança não amamentada adoece mais.

Porque faz bem à sociedade


Crianças amamentadas adoecem menos. Com isso, geram menos impactos finan-
ceiros às suas famílias e ao sistema de saúde. Elas também têm mais chances de
alcançar o seu potencial máximo de desenvolvimento cognitivo, emocional e afetivo,
resultando em adultos com maior capacidade laboral, que contribuem para o desen-
volvimento do país.

232 Ciências • Movimento do aprender


Porque faz bem ao planeta
A amamentação contribui efetivamente para a sustentabilidade ambiental e a se-
gurança alimentar e nutricional. O leite materno é um alimento natural, produzido e
fornecido sem poluição e sem prejuízos diretos aos recursos naturais. Reduz a produ-
ção leiteira e seu impacto, evitando resíduos que contribuem para a emissão de gás
metano, causador do efeito estufa. Reduz a produção industrial de fórmulas lácteas e
toda uma cadeia de produtos geradores de detritos, como toneladas de latas, plásticos
e rótulos.
Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. 6 bons motivos para amamentar o bebê. Saúde Brasil. Disponível em: https://
[Link]/eu-quero-me-alimentar-melhor/6-bons-motivos-para-amamentar-o-bebe. Acesso em: 21 mar. 2022.

a. Escreva, com suas próprias palavras, qual a importância da Semana Mundial de


Aleitamento Materno.

b. O texto 2 elenca bons motivos para ocorrer a amamentação. Em sua opinião,


quais são os motivos para uma mulher não amamentar?

c. Pesquise e registre em seu caderno quais são as campanhas voltadas para a impor-
tância da amamentação em nosso país.

d. Elaborem, em grupos, cartazes para conscientizar a comunidade sobre a importância


da amamentação. Considerem fatores relacionados à saúde da criança e da mãe.

Gestação: vida e saúde • Capítulo 11 233


SOCIEDADE E AMBIENTE

POR QUE AMAMENTAR EM PÚBLICO AINDA É UM TABU?


[...]
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam a ama-
mentação exclusiva desde a primeira hora de vida até os seis meses de idade do neném, e
como complemento alimentar até os dois anos ou mais. Mas, apesar de a maior parte das
pessoas ter consciência dos benefícios do aleitamento materno, a prática de amamentar
ainda está cercada de desinformação e preconceitos quando feita em locais públicos.
Pode parecer estranho que, embora a amamentação seja um direito garantido no Esta-
tuto da Criança e do Adolescente (ECA) [...], ainda exista quem se oponha a isso, exigindo
que as mães se cubram ou saiam para lugares escondidos, após ser alvo de olhares tortos
e comentários intolerantes e, principalmente, ilegais.
[...]
O direito à amamentação é garantido a lactantes seja em qual espaço for, público ou
privado. Segundo a Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da
Criança e do Adolescente, “é assegurado à lactante o direito de amamentar a criança
em todo e qualquer ambiente, público ou privado, ainda que estejam disponíveis locais
exclusivos para a prática”. Quem proibir ou constranger as que decidirem alimentar seus
filhos terá que pagar multa.
[...]
Fonte: LEITE, Hellen. Agosto Dourado: por que amamentar em público ainda é um tabu? Correio Braziliense, 31 ago. 2021.
Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 18 mar. 2022.

8 O acompanhamento pré-natal da mulher que está grávida é fundamental para que ela
e o feto se mantenham saudáveis.
Entre os problemas mais comuns que afetam as gestantes podem ser citados o incha-
ço, as dores lombares, abdominais e laterais, a prisão de ventre, o enjoo, as manchas
na pele, as varizes e a hemorroida, a azia e o refluxo gastroesofágico, os corrimentos,
as cáries, a anemia e as infecções do trato urinário. Todos eles podem ser tratados com
medicação e/ou mudanças de alguns hábitos.
Há, no entanto, algumas doenças que precisam ser acompanhadas de perto pelo
médico porque podem causar a morte da mulher e do feto. Nessa categoria estão as
doenças metabólicas, como a pré-eclâmpsia e o diabetes gestacional.
Nesta atividade, você vai fazer uma pesquisa sobre as causas, os sintomas, as conse-
quências e o tratamento:
• da pré-eclâmpsia e do diabetes gestacional;
• de dois dos problemas mais comuns que acometem as gestantes, citados no início
do texto.

234 Ciências • Movimento do aprender


Com o material pesquisado, você vai elaborar um folheto informando as mulheres
grávidas sobre esses problemas.
Os folhetos serão expostos na sala para que todos escolham, em voto secreto, os cinco
mais criativos e com melhor conteúdo informativo.

ATENÇÃO!

A INCOMPATIBILIDADE DO FATOR RH SANGUÍNEO ENTRE A MÃE E O


FETO: UM PROBLEMA SÉRIO QUE PODE CAUSAR MORTE FETAL
Há vários tipos de proteínas do sangue produzidas pelo nosso organismo que podem
agir como antígenos, ou seja, como substâncias desencadeadoras da produção de anti-
corpos pelo sistema imunitário. Essas proteínas é que determinam se uma pessoa terá
sangue do tipo A, B, AB ou O, e se o sangue será fator Rh positivo ou Rh negativo.
Se uma pessoa tem fator Rh positivo, significa que nas suas hemácias existe uma
proteína denominada antígeno D, que está ausente em quem é Rh negativo. A ca-
pacidade de produzir ou não o antígeno D é determinada geneticamente, ocorrendo
transmissão do gene por hereditariedade.
Quando uma mulher é Rh negativo e engravida de um homem Rh positivo, existe
a possibilidade de o feto que está sendo gerado ser Rh positivo. Essa situação carac-
teriza uma incompatibilidade do sistema Rh do sangue da mãe com o de seu filho, o
que pode provocar uma doença denominada eritroblastose fetal. Nessa doença ocorre
a destruição das hemácias (glóbulos vermelhos) do sangue do feto devido à produção
de anticorpos pelo organismo da mãe, que identifica a proteína antígeno D presente
nas hemácias de seu filho como algo “intruso” e que precisa ser destruído.
Geralmente, na primeira gestação de um filho Rh positivo, existe menor risco
de o feto desenvolver a doença porque o organismo da mãe ainda não foi sensibi-
lizado. Essa sensibilização ocorre mais frequentemente durante o parto, quando o
sangue do bebê entra em contato com o organismo da mãe. Assim, se não houver
tratamento para evitar que o sistema imunitário da mãe seja sensibilizado, nas
próximas gestações de fetos Rh positivo ocorrerá produção de grande quantidade
de anticorpos contra o antígeno D, destruindo-lhes as hemácias.
Os sintomas de um feto com eritroblastose vão desde anemia e icterícia leves até
deficiência mental, surdez, paralisia cerebral, aumento do fígado e baço, icterícia e
anemia graves, e morte durante a gestação ou após o parto.

Gestação: vida e saúde • Capítulo 11 235


A prevenção é o melhor tratamento para a doença hemolítica por incompatibili-
dade de Rh. Toda mulher com sangue Rh negativo e parceiro Rh positivo deve infor-
mar o médico antes mesmo de engravidar, ou buscar o acompanhamento pré-natal
tão logo descubra que está grávida.
Exames sorológicos mensais permitirão ao médico saber se o organismo da
mulher está produzindo anticorpos anti-Rh.
Arte/Partners

Produção de anticorpos anti-Rh pelo organismo materno contra o sangue da criança


Rh positivo.

Se o bebê nascer com a doença, a primeira medida terapêutica será substituir o


seu sangue por meio da transfusão de sangue Rh negativo, que não será destruído
pelos anticorpos anti-Rh da mãe que passaram ao filho através da placenta. Como
os anticorpos maternos não permanecem para sempre na circulação do bebê, aos
poucos eles serão eliminados, enquanto novas hemácias Rh positivo serão produzi-
das pelo organismo dele.
E até 72 horas depois do parto, a mulher deve tomar um soro injetável para que os
anticorpos anti-Rh que seu organismo produziu sejam destruídos, o que impedirá que,
em uma outra gestação de um feto Rh positivo, ele desenvolva a doença.

Fonte: VARELLA, Drauzio. Incompatibilidade sanguínea. [Adaptado]. Portal Drauzio Varella.


Disponível em: [Link]
Acesso: 21 mar. 2022.

236 Ciências • Movimento do aprender


CONECTE-SE

CONHEÇA ALGUNS DOS DIREITOS DA GESTANTE E DA PUÉRPERA


PERÍODO GESTACIONAL

Social

Atendimento prioritário em caixas especiais, na fila de bancos, supermercados, acesso à


porta da frente de lotações e assento preferencial.

Trabalhistas

Os direitos trabalhistas das gestantes regulamentam sua relação com o patrão ou com a
empresa na qual ela está empregada, garantindo a proteção do emprego. Enquanto estiver
grávida, é assegurada à mulher estabilidade no emprego, o que significa que ela não pode ser
dispensada do trabalho (art. 391 da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo
Decreto – Lei nº- 5.452, de 1º de maio de 1943).
A gestante tem o direito de ser dispensada do horário de trabalho para a realização de,
no mínimo, seis consultas médicas e demais exames complementares. Também tem o direito de
mudar de função ou setor no seu trabalho e ser recolocada na mesma função ao término da
licença (Lei nº- 9.799, de 26 de maio de 1999, incluída na CLT – Consolidação das Leis do Trabalho).

Assistencial

A gestante tem o direito de conhecer antecipadamente o hospital onde será realizado seu
parto (Lei nº- 11.634, de 27 de dezembro de 2007). No momento do trabalho de parto, parto
e pós-parto, a gestante tem direito a um acompanhante: companheiro, mãe, irmã, amiga ou
outra pessoa (Portaria nº- 2.418, de 2 de dezembro de 2005).

Educacional

O Decreto-lei nº- 1.044, de 21 de outubro 1969, instituiu o chamado “regime de exceção”,


destinado àqueles alunos merecedores de tratamento excepcional, atribuindo a esses estu-
dantes, como compensação da ausência às aulas, exercícios domiciliares com acompanha-
mento da respectiva escola. Por sua vez, a Lei nº- 6.202/75 estendeu esse regime às estudan-
tes em fase de gestação, estabelecendo:

Gestação: vida e saúde • Capítulo 11 237


“Art. 1º. A partir do oitavo mês de gestação e durante três meses a estudante em estado
de gravidez ficará assistida pelo regime de exercícios domiciliares instituído pelo Decreto-lei
número 1.044, 21 de outubro de 1969.”

PÓS-PARTO (ATÉ OS 6 MESES)

Familiar

O companheiro tem direito a licença-paternidade de cinco dias, logo após o nascimento do


bebê (art. 7º- da Constituição Federal).

Delmaine Donson/Getty Images

Cuidados com o recém-nascido e aleitamento

A gestante tem o direito à licença-maternidade de 120 dias, com o pagamento do salário


integral e benefícios legais a partir do oitavo mês de gestação (Lei nº- 10.421, de 15 de abril
de 2002, art. 392 da CLT).
A duração da licença-maternidade foi ampliada por 60 dias, desde que a empresa onde
a gestante trabalhe faça parte do Programa Empresa Cidadã (Lei nº- 11.770, de 9 de setem-
bro de 2008).
A Lei nº- 10.421, de 15 de abril de 2002, acrescentou à CLT o art. 392-A, estendendo o
benefício da licença-maternidade às mães adotivas e àquelas que obtiverem guarda judicial
para fins de adoção.

238 Ciências • Movimento do aprender


Aleitamento

A mulher tem o direito de ser dispensada do trabalho duas vezes ao dia, por pelo menos
30 minutos, para amamentar, até o bebê completar seis meses (art. 396 da Consolidação das
Leis do Trabalho).
É admissível que os intervalos sejam unidos, para que a mulher que esteja amamentando
possa chegar uma hora mais tarde ou sair uma hora mais cedo. (art. 396 da CLT).
Fonte: DIREITOS da gestante e da puérpera. Governo de São Paulo. Disponível em: [Link]
perfil/profissional-da-saude/grupo-tecnico-de-acoes-estrategicas-gtae/saude-da-mulher/
atencao-a-gestante-e-a-puerpera-no-sus-sp/documento-da-linha-de
cuidado-da-gestante-e-da-puerpera/anexos/direitos_da_
gestante_e_da_puerpera.pdf. Acesso em: 10 maio 2022.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL CRIADA POR MATEMÁTICOS BRASILEIROS


PREVINE DOENÇAS NA GRAVIDEZ

Um grupo de médicos e matemáticos brasileiros conseguiu criar um algoritmo ca-


paz de analisar imagens de ressonância magnética para detectar problemas na gesta-
ção e, assim, evitar complicações no feto e na mãe.
Com taxa de 93% de acertos quando comparada com médicos, a tecnologia agiliza o
diagnóstico de problemas na gravidez e poderia ser implementada em locais remotos
do país, que não contam com especialistas, afirmam os pesquisadores.
[...] O algoritmo consegue identificar nas imagens o que é líquido amniótico, uma
substância que ajuda a proteger o feto e que também colabora para o desenvolvimento
dele durante a gestação.
[...]
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores usaram 700 imagens em 3D de
ressonâncias magnéticas. Elas foram utilizadas para treinar a inteligência artificial,
que foi auxiliada ainda por uma tecnologia chamada redes neurais convolucionais.
[...]
Fonte: FERNANDES, Samuel. Inteligência artificial criada por matemáticos brasileiros previne doenças na gravidez.
Folha de S. Paulo, 12 set. 2021. Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 18 mar. 2022.

Gestação: vida e saúde • Capítulo 11 239


SAIBA MAIS

Livros

Maternidades no plural: retratos de diferentes formas

Divulgação
de maternar
Autores: Deh Bastos, Glaucia Batista, Ligia Moreiras, Marcela
Tiboni, Mariana Camardelli e Annie Baracat
Editora: Fontanar
Este livro, que traz o relato de seis diferentes mulheres, mostra e
celebra a pluralidade do modo de exercer a maternidade.

Menina mãe
Divulgação

Autora: Maria da Glória Cardia de Castro


Editora: Editora do Brasil
Salma é uma jovem que é obrigada a crescer e amadurecer ao
engravidar. Este livro traz uma importante história que retrata o
tema da gravidez indesejada na adolescência.

Filmes

Menos sozinha (Curta-metragem/animação)


Direção: Rogério Shareid
Divulgação

Brasil, UNFPA, 2021

O curta traz a história de uma menina de 15 anos


à espera de um exame de gravidez. A animação,
produzida pelo Fundo de População das Nações
Unidas no Brasil (UNFPA), ganhou prêmio no
Festival Internacional de Curtas-metragens sobre
Direitos Humanos.
O filme se passa num fluxo de consciência de uma menina negra de 15 anos no
momento em que ela espera o resultado de um exame de farmácia de gravidez.

240 Ciências • Movimento do aprender


Juno

Divulgação
Direção: Jason Reitman
Estados Unidos, 2007
De modo leve, simples e divertido, este filme aborda a gravidez
na adolescência e outros temas importantes, como as relações
familiares, a adoção e os conflitos da juventude.
Para assistir ao curta, solicite ao seu professor.

O QUE APRENDI

Leia o texto a seguir e, na sequência, faça o que se pede.


[...]
Uma gravidez acarreta, para a adolescente e futura mãe, além das transformações
físicas e emocionais inerentes à gravidez, a responsabilidade por outra vida, o que requer
maturidade biológica, psicológica e socioeconômica para prover suas próprias necessi-
dades e as do filho/a.
Em muitos casos, o pai também é um adolescente. Disso decorre a dependência de ambos
da família e a ausência de preparo, afetiva e economicamente, para a maternagem e pater-
nagem. Nesses casos, tanto a maternidade quanto a paternidade podem ter consequências
desafiadoras para os adolescentes e para a criança que vai nascer. Torna-se, portanto, indis-
pensável abrir um espaço preventivo e de cuidado para todos os envolvidos.
[...]
No Brasil, um em cada cinco bebês nasce de uma mãe com idade entre 10 e 19 anos,
[...]. Ainda, no país, a proporção de nascidos de mães entre 10 e 19 anos é de 18%.
Por isso, informação e acesso aos serviços são fundamentais para que adolescentes e
jovens possam planejar a vida reprodutiva.
[...]
Fonte: BRASIL. Ministério da Cidadania. Gravidez na adolescência: impacto na vida das famílias e das adolescentes e
jovens mulheres. Disponível em: [Link]
Informativo%20Gravidez%20adolesc%C3%AAncia%[Link]. Acesso em: 23 mar. 2022.

Com base nas informações acima, escreva em seu caderno um texto de no mínimo 20 linhas
sobre os impactos de uma gestação na adolescência e como preveni-la. Para tanto, pesquise
dados e conteúdos a respeito do tema.

Gestação: vida e saúde • Capítulo 11 241


CAPÍTULO

12
FORÇA E INÉRCIA

Stocktrek Images/Getty Images


CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

Tanya Constantine/Getty Images


RODA DE CONVERSA

• Como o foguete da imagem conseguiu subir mesmo com tanto peso em sua estrutura?
• Como conseguir ganhar na brincadeira do cabo de guerra vista na imagem?
• Pensando nas imagens apresentadas, o que mantém um corpo em movimento?

243
1 Leia o texto a seguir.

Primeira lei de Newton


Imagine uma caixa que está na extremidade de uma mesa. Agora, imagine você
empurrando com uma de suas mãos a caixa para a outra ponta da mesa.
A caixa só vai se movimentar se sobre ela estiver sendo exercida uma força, certo?
Se a força cessar, ou seja, se a caixa não for mais empurrada, ela logo para.
Diante de tal fato, o filósofo grego Aristóteles chegou à seguinte conclusão:
Um corpo só permanece em movimento se esti-

DEA PICTURE LIBRARY / Colaborador/Getty Images


ver atuando sobre ele uma força.
Essa interpretação, formulada no século IV a.C.,
foi aceita até o período do Renascimento, no sécu-
lo XVII, quando Galileu Galilei, astrônomo italia-
no, afirmou que o estudo sobre os movimentos, na
verdade, exigia experiências mais cuidadosas.
Após fazer vários experimentos, Galileu percebeu
que sobre uma caixa que é empurrada, por exemplo,
existe a atuação de uma força denominada força de
atrito e que essa força é sempre contrária à tendência
Retrato de Galileu Galilei. do movimento dos corpos.
Ele percebeu que, se não houvesse a presença do atrito, a caixa continuaria em
movimento se cessasse a aplicação da força sobre ele, fato oposto ao pensamento de
Aristóteles. As conclusões de Galileu podem ser resumidas da seguinte maneira:
Se um corpo estiver em repouso, é necessária a aplicação de uma força para que ele
possa alterar o seu estado de repouso. Uma vez iniciado o movimento, depois de ces-
sada a aplicação da força e livre da ação da força de atrito, o corpo permanecerá em
movimento retilíneo uniforme (MRU) indefinidamente.
Anos mais tarde, fundamentado pelas conclu-
Science & Society Picture Library / Colaborador/Getty Images
sões de Galileu, Isaac Newton, matemático in-
glês, reconheceu o conceito de inércia e formulou
as Leis da Dinâmica, denominadas “As três leis
de Newton”.
Newton concordou com as conclusões de Galileu e
utilizou-as em suas leis. A primeira lei de Newton ou
primeiro princípio da dinâmica, também chamada
de Lei da inércia, apresenta o seguinte enunciado:
Todo corpo permanece em seu estado de repouso,
ou de movimento uniforme em linha reta, a menos
que seja obrigado a mudar seu estado por forças im-
pressas nele. Retrato de Isaac Newton.

244 Ciências • Movimento do aprender


Após a leitura atenta do texto, chegou o momento de investigar as afirmações de
Aristóteles e Galileu.

INVESTIGANDO O REPOUSO E O MOVIMENTO – I


Materiais

• copo de vidro comum


• carta de baralho ou régua rígida de plástico ou metal
• moeda de 1 Real

sak/Istock

Ni
ge
CopterAnan

lS
tri

maogg/Istock
pe
/Is
to
ck
Procedimento
• Tampe o copo com a carta de baralho.
• Coloque a moeda no centro da carta de baralho.
• Em pé, segure o copo firmemente com uma das mãos.
• Bata, rapidamente, com os dedos da outra mão na extremidade da carta, paralela-
mente ao plano da boca do copo, tomando cuidado para que ele não se movimente.
Com essa batida, a carta deve ser empurrada para fora do copo.

a. Em seu caderno, descreva o que aconteceu com o conjunto depois da batida.


Em seguida, explique suas observações.

b. A que conclusões você chegou com esse experimento? Faça esse registro em
seu caderno.

INVESTIGANDO O REPOUSO E O MOVIMENTO – II


Materiais

• disco plástico, fino e leve (CD ou DVD inutilizado, por exemplo)


• rolha de cortiça
Arte/Partners

• bexiga de aniversário
• barbante
• fita adesiva
• cola para cortiça ou plástico
• prego

Força e inércia • Capítulo 12 245


Procedimento

• Faça um furo com um prego no meio da rolha de cortiça, de modo que o ar possa
passar livremente por ele.
• Cole a rolha no orifício do CD, de maneira que ela fique bem rente à sua superfície.
• Adapte a bexiga vazia na parte superior da rolha.
• Coloque o conjunto sobre uma superfície bastante lisa (uma mesa, por exemplo) e
dê alguns leves toques com os dedos no CD para colocá-lo em movimento.
• Encha a bexiga e, sem deixar o ar escapar, adapte-a na parte superior da rolha.
• Coloque o conjunto sobre uma superfície bastante lisa e solte-o a seguir, liberando
a passagem de ar.
• Enquanto o ar escapa da bexiga, dê alguns leves toques com os dedos no CD para
colocá-lo em movimento.

Em seu caderno, descreva o que aconteceu com o conjunto antes e depois de encher
a bexiga. Em seguida, explique as suas observações.

a. Se a superfície fosse infinita e o ar da bexiga nunca parasse de passar pela rolha,


o que aconteceria?

b. Compare suas observações com as afirmações de Aristóteles e Galileu citadas


no texto.

c. Cite e analise outras situações, presentes no cotidiano, semelhantes às que você


pôde observar.

d. Faça uma pesquisa sobre o cinto de segurança, o encosto de cabeça e o airbag,


procurando descobrir as razões científicas para sua existência, seus princípios de
funcionamento e o porquê de sua obrigatoriedade (ou previsão) de acordo com o
Código de Trânsito Brasileiro.
sumbul/Getty Images

Romilly Lockyer/Getty Images


Dolas/ Getty Images

e. Elabore uma apresentação multimídia, usando um software adequado para apre-


sentar os resultados de sua pesquisa.

246 Ciências • Movimento do aprender


2 O que ocorre com um corpo quando aplicamos uma força sobre ele? Faça o experi-
mento a seguir.

Materiais

Arte/Partners
• 1 recipiente transparente com tampa
• 1 rolha de cortiça
• 15 cm de barbante
• cola de silicone
• 1 carrinho (que deve suportar o recipiente)
Procedimento
• Faça um furo na rolha, passe uma das extremidades do barbante pelo furo e dê um nó.
• Cole a outra extremidade do barbante na parte de dentro da tampa e espere secar.
• Encha o recipiente com água, coloque a rolha e o barbante e tampe bem.
• Vire o recipiente de cabeça para baixo e verifique se a rolha fica completamente
mergulhada na água, sem bolhas de ar na tampa ou nas paredes do recipiente. Faça
alguns ajustes, se necessário.
• Coloque o recipiente em cima do carrinho e puxe-o com um barbante. Se necessá-
rio, fixe o recipiente no carrinho.
• Observe atentamente a rolha quando o carrinho começa a se mover.
• Coloque o carrinho em movimento e depois freie-o usando as mãos.
• Observe atentamente a rolha quando o carrinho começa a frear.

a. Descreva suas observações em seu caderno.

b. A que conclusões você chegou sobre o sentido de aplicação das forças e o sentido
da variação da velocidade? Registre-as no caderno.

VOCÊ SABIA?

FORÇA
O conceito de força na Física está relacionado ao ato de alterar o estado em que um
corpo se encontra, seja em repouso ou em movimento. Essa força está presente em nosso
cotidiano. Quando empurramos ou puxamos uma cadeira, por exemplo, aplicamos uma
força para que ela entre em movimento. Força elétrica, força magnética, força de atrito,
força peso, força centrífuga e força centrípeta são exemplos de outros tipos de força
usados na Física. A força também pode ser classificada como uma grandeza vetorial,
possuindo as seguintes características:

Força e inércia • Capítulo 12 247


Módulo: é o valor numérico da força.
Direção: é a reta ao longo da qual a força percorre.
Sentido: é a orientação da direção, ou seja, dizer para qual lado a força foi aplicada
na reta proposta, podendo ser: esquerda, direita, norte, sul, leste, oeste.
No exemplo da imagem ao lado, temos
uma pessoa puxando uma caixa com uma
determinada intensidade de força F (seta
em azul), na direção horizontal, e no sen-
tido da esquerda para a direita.

Arte/Partners
3 O que ocorre quando um corpo aplica uma força sobre outro corpo? Para responder,
faça o experimento proposto.

Arte/Partners
CORPOS INTERAGINDO I
Materiais
• carrinho de plástico pequeno e leve
• bexiga
• canudo
• fita adesiva
Procedimento
• Encaixe uma das extremidades do canudo na bexiga vazia, prendendo-a firmemen-
te com fita adesiva.
• Usando a fita adesiva, fixe o canudo na parte de cima do carrinho, com a outra
extremidade apontando para a traseira.
• Encha a bexiga através do canudo e tampe para o ar não escapar.
• Coloque o conjunto sobre uma superfície lisa e plana, libere a passagem do ar e
observe.

a. Descreva o que ocorreu com o ar e o conjunto carrinho-bexiga.

248 Ciências • Movimento do aprender


b. Cite e analise outras situações presentes no cotidiano semelhantes à que você
pôde observar.

CORPOS INTERAGINDO II

Arte/Partners
Materiais

• 2 ímãs idênticos, em forma de barra


• barbante
• suporte universal com garra
• etiquetas pequenas
Procedimento
• Etiquete os dois ímãs como 1 e 2, e cada uma de suas extremidades como A e B.
• Amarre um pedaço de barbante de 20 cm em cada ímã.
• Amarre a outra extremidade dos dois barbantes na garra do suporte, afastados
10 cm, de forma que os barbantes permaneçam na vertical, em repouso, lado a lado,
com os ímãs a uma mesma altura (posição de equilíbrio).
• Aproxime lentamente, segurando com as mãos, a extremidade A do ímã 1 à extre-
midade A do ímã 2, até encostar uma na outra.
c. Registre em seu caderno o que você observou.
• Afaste os ímãs para as posições de equilíbrio.
• Aproxime lentamente, segurando com as mãos, a extremidade A do ímã 2 à extre-
midade A do ímã 1, sem encostar uma na outra.
d. Registre em seu caderno o que você observou.
• Afaste os ímãs para as posições de equilíbrio e repita os mesmos procedimentos
com as extremidades B de cada ímã.
e. Descreva qual dos ímãs exerce força sobre o outro em cada situação.

Força e inércia • Capítulo 12 249


f. Em que sentido eles exercem essas forças?

g. Comparando suas observações dos dois experimentos com o conjunto carrinho-


-bexiga e com os ímãs, discuta com seus colegas e analise a necessidade de haver
ou não contato para que os corpos exerçam forças um sobre o outro. Registre
suas conclusões no caderno.

4 Que outras forças atuam sobre os corpos? Para responder, faça os experimentos
a seguir.

Arte/Partners
PARTE I
Materiais

• mola flexível
• barbante
• suporte universal com garra
• tesoura
• borracha escolar

Procedimento
• Fixe na garra do suporte uma das extremidades da mola, e na outra extremidade
aplique uma pequena força.
a. Registre suas observações no caderno.
• Pegue um pedaço de barbante de 10 cm e amarre uma extremidade na borracha
escolar e a outra na mola.
b. Registre suas observações no caderno e explique o que ocorreu.
c. Compare a força exercida pela borracha na mola com a força exercida pela mola
na borracha e explique.

• Corte o barbante.

250 Ciências • Movimento do aprender


d. Imediatamente após cortar o barbante, existe alguma força atuando na borracha?
Explique.

PARTE II
Procedimento

• Coloque a borracha sobre uma mesa.

e. Existe alguma força mantendo a borracha em equilíbrio sobre a mesa? Explique.

• Empurre a borracha sobre a mesa até ela perder contato.

f. A borracha permanece em equilíbrio? Explique.

PARTE III
Procedimento

• Segure a borracha levemente com a ponta dos dedos.


• Solte a borracha e observe.

g. Descreva e registre em seu caderno o que você observou e explique quem (ou o
que) está exercendo força sobre a borracha enquanto ela cai.

Força e inércia • Capítulo 12 251


5 O que ocorre com um corpo quando ele é abandonado no ar? Para responder, faça o
experimento sugerido.

Materiais

• 1 folha de caderno
• 1 caderno
Procedimento
• Amasse a folha de papel, formando uma bolinha.
• Segure a bola de papel em uma das mãos e o caderno na outra.

a. Se você soltar esses dois objetos de uma mesma altura, ao mesmo tempo, qual
você acha que vai cair mais rapidamente? Por quê?

• Faça o teste: solte a bola de papel e o caderno de uma mesma altura ao mesmo
tempo.
b. Qual objeto atingiu o chão primeiro? Por quê?

A ação da força da gravidade é responsável, entre outras coisas, pela queda dos objetos
na superfície da Terra e por manter os planetas em órbita em torno do Sol.
Reúna-se com alguns colegas e façam uma pesquisa sobre essa força, quais são os fato-
res importantes para a sua ação e como ela se manifesta em outros planetas. Preparem
um pôster e apresentem o trabalho para a turma.

252 Ciências • Movimento do aprender


VOCÊ SABIA?

DINAMÔMETRO

sommernambuler/Shutterstockv
O dinamômetro é um dispositivo usado para medir
a intensidade da força que atua sobre um determina-
do corpo. Seu nome tem origem nas palavras gregas
dynamis (que significa “força”) e metron (que significa
“medida”).
Em uma das extremidades do dinamômetro há um
gancho que é preso a uma mola. Quando o gancho é fixa-
do em um corpo, a mola é deformada. Essa deformação é
proporcional à intensidade da força aplicada a esse corpo
e pode ser lida numa escala de graduação em sua estrutu-
ra. A unidade de medida usada é o Newton (N), que, equi-
valente à força, transmite uma aceleração de um metro
por segundo a um corpo com massa de um quilograma.

CONECTE-SE

PESO E MASSA SÃO SINÔNIMOS?


Na Física, peso e massa são duas coisas bem diferentes. O peso é,
na verdade, um tipo de força, e a massa é a medida da quantidade de
matéria presente no corpo, enquanto o peso é um tipo de força que
relaciona a massa com a aceleração gravitacional. No Sistema
Internacional de Medidas, a força é medida em Newton (N), e a
massa, em quilograma (kg).
Quando as forças aplicadas entre os corpos interagem entre si a
distância, sem o contato físico, são denominadas de forças de campo.
goir/Getty Images

A Terra exerce a força gravitacional por meio de um campo gerado


por ela. Todos os objetos dentro desse campo sentem sua ação,
e é por isso que não saímos flutuando pelo ar. O peso, também
chamado de força peso, é quando os astros exercem uma força
que atraem os corpos. Os demais corpos de nosso Sistema Solar também possuem um campo
gravitacional ao seu redor.

Força e inércia • Capítulo 12 253


Desta maneira, pensando no nosso planeta, o peso de um corpo é quando a Terra exerce
uma força de atração sobre o corpo.
Verifica-se, durante a queda de um corpo ao ser atraído para o solo, que a velocidade não
é constante, mas variável. Essa atração orienta a força peso na direção radial, ou seja, para o
centro do planeta. Com essa variação de velocidade, aparece o que denominamos aceleração
gravitacional ou aceleração da gravidade (g). Assim como a força peso, essa aceleração tam-
bém é orientada na direção radial.
Enquanto o peso varia conforme a aceleração da gravidade do local, a massa do corpo
é constante em todos os lugares. A aceleração varia conforme a longitude e a altitude em
relação ao planeta.
A figura a seguir ilustra a direção da força da gravidade sobre uma pessoa.

Arte/Partners

254 Ciências • Movimento do aprender


CIÊNCIA E TECNOLOGIA

MARÉS
O fenômeno das marés é decorrente das mudanças periódicas do nível das águas
dos oceanos e é ocasionado pela atração gravitacional exercida pela Lua e pelo Sol so-
bre elas. É o efeito da Lua sobre as marés que mais prepondera, já que ela, em relação
ao Sol, está mais próxima da Terra.
Essa mudança acontece a cada seis horas. Ao longo do dia, o nível da água sobe e
desce duas vezes. O nível mais alto da maré é chamado de preamar, já o mais baixo é
denominado maré baixa.
Essa mudança diária que acontece no nível das águas tem uma razão: a Terra gira
em torno de seu próprio eixo em 24 horas. Assim, em um único dia, qualquer lugar
da superfície terrestre terá diferentes posições em relação à Lua. As marés altas são
produzidas quando esse local está alinhado com a Lua. Já as marés baixas estão rela-
cionadas às posições intermediárias.

Arte/Partners

Força e inércia • Capítulo 12 255


A ENERGIA QUE VEM DAS MARÉS

Já ouviu falar em maremotriz? É a energia das marés obtida por meio do aproveita- Arte/Partners

mento da energia que vem do desnível das marés.


É fundamental a construção de barragens, eclusas (que permitem a entrada e a saí-
da de água) e unidades geradoras de energia fundamental para que essa energia seja
revertida em eletricidade.
As barragens naturalmente são construídas perto do mar, e o sistema emprega-
do é muito parecido com o de uma usina hidrelétrica. Os diques, que são obras de
engenharia hidráulica, captam a água durante a alta da maré e a liberam durante
a baixa da maré, com a água passando nos dois sentidos por uma turbina que gera
energia elétrica.

256 Ciências • Movimento do aprender


SAIBA MAIS

Livros
Newton e o triunfo do mecanicismo
Autores: Marco Braga, Jairo Freitas, Andréia Guerra e José

Divulgação
Cláudio Reis
Editora: Atual
Como o conhecimento científico foi construído? Este livro discute
a relação entre as ideias defendidas por Newton sobre as leis do
movimento e da gravitação universal e o estabelecimento da visão
mecanicista da Ciência, à luz de todo o contexto da época.

Issac Newton e sua maçã


Divulgação

Autor: Kjartan Poskitt


Editora: Companhia das Letras
Destinados ao ensino de Física ou História, os livros desta coleção
são valiosos textos de apoio que discutem como o conhecimento
científico foi construído. Com uma linguagem informal, dirigida
ao jovem leitor, convida-o a refletir e a emitir opiniões. A apresen-
tação moderna e leve e o conteúdo dinâmico e atual contribuem
para despertar nos jovens o interesse pela história da ciência.

Site

Rampa: forças e movimento


Simulador que permite explorar as forças e os movimentos enquanto empurra objetos
para cima e para baixo em uma rampa. Para acessá-lo, converse com o professor.

O QUE APRENDI

Explique cientificamente os princípios de funcionamento do Hovercraft (veículo que se


apoia num colchão de ar) e dos foguetes utilizados para pesquisa espacial. Elabore uma
apresentação para a turma e para o professor.

Força e inércia • Capítulo 12 257


CAPÍTULO

13 RECURSOS NATURAIS

Robert Reader/Getty Images


CONSTRUINDO CONHECIMENTOS

shaifulzamri/Getty Images
SUNG YOON JO/Getty Images

RODA DE CONVERSA

• O que há em comum nas três imagens?


• O que é considerado lixo? Quais tipos de lixo você conhece? Para onde vai o lixo
coletado?
• O efeito estufa deve ser uma preocupação de todos? Como ele acontece?
• Por que o lançamento de esgoto nos rios pode provocar a morte de seres vivos?
• Como ocorre a poluição de um solo?

259
1 Entreviste pessoas de sua casa e auxiliares de limpeza (inclusive da escola) e pesquise
o que preferem usar na lavagem de utensílios de cozinha, roupas e pisos: sabão em
barra, em pó e/ou detergente? Por quê? Caso eles não comentem sobre a espuma,
pergunte se ela é considerada, na opinião deles, um indício de limpeza.

a. Organize um quadro no caderno e socialize com os colegas as informações coleta-


das. Não se esqueça de informar, no quadro, data, nome, profissão e as respostas
obtidas nas entrevistas.

b. Entre os produtos citados, qual faz mais espuma: detergente, sabão em barra ou
em pó? Isso é importante na escolha do produto? Explique.

Experimento

Arte/Partners
Materiais
• vinagre branco
• solução de bicarbonato de sódio (5 g dis-
solvidos em 100 mℓ de água)
• amostras de sabão de diferentes marcas
(aproximadamente 1 g de cada em 10 mℓ
de água)
• amostras de detergente de diferentes marcas (aproximadamente 1 mℓ em 10 mℓ
de água)
• cronômetro ou relógio com marcação de segundos
• tubos de ensaio grandes
• 1 régua
• caneta para marcação em vidro
Procedimento
• Preparadas as soluções das amostras de sabões e detergentes, espere que toda a
espuma inicial tenha sido desfeita.
• Identifique os tubos. Em cada um será investigado um produto escolhido por meio
da formação de espuma, observando-se a altura que a coluna de espuma atinge,
bem como seu tempo de duração.

260 Ciências • Movimento do aprender


• Monte uma tabela em seu caderno, conforme a do exemplo abaixo, numerando as
linhas de acordo com o número de tubos que serão utilizados.

Altura da coluna Tempo de duração


Tubo Produto
(em cm) (em segundos)
1

• Em todos os tubos despeje 10 mℓ de vinagre branco.


• No tubo 1, o controle, não será colocado detergente ou sabão.
• No tubo 2, vagarosamente para não fazer espuma, acrescente 10 mℓ da solução a
ser investigada (por exemplo, detergente A dissolvido em água).
• No tubo 3, acrescente, também vagarosamente, 10 mℓ da outra solução a ser inves-
tigada (por exemplo, sabão B dissolvido em água).
• Prossiga assim com os demais.
• Com o cronômetro em mãos, adicione no primeiro tubo (o controle), de uma só vez,
10 mℓ da solução de bicarbonato de sódio, acionando o cronômetro no mesmo ins-
tante. Com a régua, verifique a altura máxima da coluna de espuma e marque com
a caneta no tubo. Observe o tempo de duração e registre as informações obtidas na
tabela montada em seu caderno.
• Repita o procedimento para cada um dos tubos, separadamente.

c. Em qual sistema a espuma dura mais tempo: sem ou com detergente? Qual pro-
duto, sabão ou detergente, apresentou espuma de maior altura e/ou pelo maior
tempo médio?

d. Complete o quadro a seguir e liste as diferenças básicas entre detergente e sabão:

Poder de fazer
Produto Matéria-prima No ambiente
espuma

Sabão em barra Óleo e gordura Biodegradável

Detergente X Petróleo Biodegradável

Detergente Y Petróleo Não biodegradável

Recursos naturais • Capítulo 13 261


e. Pesquisas com donas de casa revelaram que, para elas, quanto mais espuma o
detergente produzir, mais forte é a sua ação de limpeza. Então, acabam usando
sabão e detergente em excesso. Com base nos conhecimentos adquiridos, elabo-
re no caderno um texto argumentativo sobre a importância do uso adequado de
sabões e de detergentes para minimizar impactos ambientais.

2 Forme um grupo para simulação de um debate sobre a utilização de uma nova subs-
tância na composição e na fabricação de um detergente. Cada componente do grupo
representará um membro da sociedade – o prefeito, o dono da fábrica, uma dona de
casa, um ambientalista.

• Para ampliar o repertório, leia os textos propostos.


• Você e seu grupo devem pesquisar o tema em outras fontes.

DETERGENTES
[...]
As descargas indiscriminadas de detergentes nas águas levam à formação de es-
pumas, como ocorre no Rio Tietê ao longo das cidades de Santana do Parnaíba, Salto
e Pirapora do Bom Jesus. Um dos casos mais críticos de formação de espumas, talvez
no mundo inteiro, ocorre no município de Pirapora do Bom Jesus, no estado de São
Paulo, que se localiza às margens do Rio Tietê, à jusante da região metropolitana de
São Paulo, e recebe seus esgotos em grande parte sem tratamento. A existência de cor-
redeiras leva ao desprendimento de espumas que formam continuamente camadas de
pelo menos 50 cm sobre o leito do rio. Sob a ação dos ventos, a espuma, contaminada
biologicamente, se espalha sobre a cidade, impregnando-se na superfície do solo e dos
materiais, tornando-os oleosos. Há registros de toda a superfície das ruas centrais da
cidade encobertas pela espuma.
Além disso, os detergentes podem exercer efeitos tóxicos sobre os ecossistemas
aquáticos (sabe-se que exercem efeito tóxico sobre o zooplâncton, predador natural das
algas). Os testes de toxicidade têm sido mais bem desenvolvidos, e há certa tendência
em passarem a ser mais utilizados nos programas de controle de poluição.
Fonte: GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Cetesb. Mortandade dos peixes. Detergentes.
Disponível em: [Link]
Acesso em: 1º abr. 2022.

SABÃO EM PÓ PODE OFERECER RISCO?


A ideia que temos do sabão é de que ele cumpre a função de limpar e de que é um
item que serve para retirar as impurezas, o odor e as bactérias dos itens sujos. Mas será
que essa associação está totalmente correta? Será que o sabão é capaz de contaminar?

262 Ciências • Movimento do aprender


Todo sabão é tensoativo, ou seja, possui a capacidade de fazer a água se misturar
com óleo e carregar a sujeira ralo abaixo, mas, para que isso ocorra, infelizmente, acon-
tece a dispersão de substâncias nocivas, como o fosfato.
Em razão da poluição causada por tais substâncias, sobretudo nos rios, os fabrican-
tes de sabão foram obrigados a retirar o fosfato de sódio (STPP) dos seus detergentes.
Essa medida, determinada pelo Ministério da Saúde, deveria ser cumprida até o ano
de 2012.
E quanto ao sabão em pó, quais medidas deveriam ser tomadas? Essa é uma questão
que precisa ser levantada, já que, além dos problemas comuns por ser um detergente,
o sabão em pó traz em sua composição branqueadores à base de cloro e muitas outras
substâncias que são tão danosas quanto o fosfato.

3 Faça a leitura do gráfico a seguir, que trata do ciclo do gás carbono na atmosfera ao
longo das décadas de 1975 a 2020, medido no Observatório de Mauna Loa, no Havaí.
Na sequência, faça o que se pede.

Arte/Partners

a. A respeito do planeta, entre os anos de 1975 e 2020, o que esse gráfico permite
afirmar?

Recursos naturais • Capítulo 13 263


b. Em grupo, converse com seus colegas sobre aquelas que podem ser consideradas
as possíveis causadoras da concentração de CO2 na atmosfera, justificando-as.
• Utilização crescente de combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão.
• Destruição das florestas tropicais com as queimadas.
• Desmatamento (que acelera a extinção de várias espécies de animais e vegetais).
• Reciclagem de materiais.
• Decomposição de material orgânico no solo.
• Reflorestamento.
• Incêndios naturais.
• Incentivos para a geração de energia alternativa.
• Uso de detergentes nas residências.

4 O efeito estufa associado à atividade humana é, na verdade, a potencialização de um


fenômeno natural. Dada a incerteza na definição de cenários futuros, a comunidade
científica tem investigado as causas e consequências do aumento dos gases responsá-
veis pelo funcionamento do sistema climático, em especial do gás carbônico. Refletin-
do sobre isso, leia os textos a seguir e depois responda às questões.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS GASES DE EFEITO ESTUFA?


O gás carbônico não é o único gás capaz de impedir que a radiação infravermelha
emitida da Terra escape. Na verdade, este contribui com cerca de 53% do total dos
gases estufa, sendo que outros gases produzidos pelas atividades humanas também
contribuem para o efeito estufa: metano (17%), CFCs (12%), e óxido nitroso (6%), entre
outros [...]. Além de estar em maior porcentagem, a concentração do gás carbônico vem
aumentando rapidamente nas últimas décadas.
[...]
Se a emissão de gás carbônico
Evgenii Panov/Getty Images

continuar aumentando na mesma


velocidade dos últimos anos, a tem-
peratura do planeta poderá aumen-
tar tanto que os desastres previstos
são muito grandes. Por exemplo,
o gelo das regiões polares poderá
derreter, causando inundações de
grande parte da costa dos conti-
nentes, sendo que cidades litorâ-
neas inteiras poderão desaparecer.
As correntes oceânicas poderão ser Imagem que retrata emissão de fumaça.

264 Ciências • Movimento do aprender


afetadas de forma a alterar a distribuição de calor na Terra, grandes regiões agrícolas po-
derão se tornar desertos, e tempestades violentas poderão ocorrer com mais frequência
por causa das variações climáticas.
[...]
Fonte: EFEITO estufa. Laboratório de Química Ambiental. USP.
Disponível em: [Link] Acesso: 6 abr. 2022.

PESQUISADORES ESTUDAM PROCESSO DE CONVERSÃO DE GÁS


CARBÔNICO EM COMBUSTÍVEL
[...] A concentração de CO2 (gás carbônico) na atmosfera atingiu o maior nível
dos últimos três milhões de anos, aumentando o efeito estufa no planeta. Uma
pesquisa do Instituto de Química da UFRGS, no entanto, mostra que a partir do CO2
presente na atmosfera é possível gerar diferentes produtos químicos úteis, inclusi-
ve combustíveis. E isso acontece por um método chamado combustão reversa.
Processos que envolvem combustões ainda são responsáveis por grande parte
da geração de energia no mundo. E, nestas reações químicas, os produtos gerados
são CO2 e água. “O projeto que desenvolvi no doutorado foi basicamente pegar esse
CO2 e transformar em algo útil”, explica Wellington Gonçalves, um dos realizadores
da pesquisa. A intenção do processo químico estudado é utilizar o gás carbônico
para produzir — novamente — combustíveis como metano, etano, entre outros. O
metano é o principal constituinte do biogás, uma alternativa renovável de geração
de energia elétrica.
[...]
Fonte: BIER, Mariana. Pesquisadores estudam processo de conversão de gás carbônico em combustível. Jornal da
Universidade, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 6 fev. 2020.
Disponível em: [Link]
conversao-de-co2-em-combustivel/. Acesso em: 4 abr. 2022.

a. Quais as consequências para o planeta, conforme aponta o primeiro texto, se a


emissão do gás carbônico continuar aumentando? Você conhece algum processo
de conversão do dióxido de carbono (CO2) e outra substância não poluente?

Recursos naturais • Capítulo 13 265


b. Explique, com suas palavras, a proposta de pesquisa citada no segundo texto.

c. Como você pôde perceber pela leitura do segundo texto, há estudos importantes fo-
cados na questão ambiental. Escreva, em seu caderno, outras alternativas capazes de
reverter ou amenizar o efeito estufa. Para isso, faça uma pesquisa a respeito das ino-
vações científicas e o que está sendo considerado para reduzir o impacto da emissão
de gás carbônico. Anote as informações que você avaliar mais interessantes.

ATENÇÃO!

O DESENFREADO USO DE RECURSOS NATURAIS


Segundo o Panorama Global sobre Recursos 2019, desenvolvido pela seção de
Meio Ambiente da ONU, 90% da perda de biodiversidade e o estresse hídrico estão
relacionados à transformação e à extração de recursos naturais.
É urgente, então, a necessidade de controle ambiental da exploração dos recur-
sos naturais, sobretudo quando exercida de forma indiscriminada.
A exploração da madeira, da lenha e dos subprodutos florestais e a silvicultura
(povoamentos florestais) afetam os ecossistemas e comprometem a existência de
formações vegetais nativas, de espécies endêmicas de vegetais e de animais da fau-
na migratória, de espécies raras e ameaçadas de extinção etc.
Tarcisio Schnaider/Getty Images

Extração de madeira.

266 Ciências • Movimento do aprender


O patrimônio genético e a biodiversidade podem ser impactados pela introdu-
ção de espécies exóticas, que pode resultar em danos para a biota silvestre, poden-
do levar à extinção de espécies. Criadouros comerciais de espécies exóticas devem
ser submetidos à autoridade ambiental para que se minimizem os riscos inerentes
à atividade. Isso vale para as atividades relacionadas ao acesso e à utilização do
patrimônio genético pela biotecnologia.
O manejo de recursos aquáticos vivos representa outra atividade de potencial
impacto para o meio ambiente. A criação de camarões em cativeiro para fins co-
merciais, também chamado de carcinicultura, é um dos grandes exemplos.
A carcinicultura implica impactos ambientais sobre os ecossistemas costeiros,
especialmente os manguezais, que são capazes de filtrar gás carbônico, de modo a
diminuir o efeito estufa no planeta.
Aliás, por ter a capacidade de “se-

Alexpunker/Istock
questrar” o carbono dos oceanos e da
atmosfera, os mangues são uma ver-
dadeira poupança ecológica dos países
onde eles estão. Por isso, surgiu o con-
ceito de “carbono azul”, criado pelos
ambientes costeiros.
A carcinicultura pode ocasionar, em
tais locais, redução de áreas de proteção
e de berçários de espécies autóctones/
nativas, risco de alteração de refúgios de
espécies migratórias, risco de alteração
de refúgios de aves migratórias, risco de Carcinicultura próxima ao oceano, em Java,
introdução de espécies exóticas, impacto na Indonésia.
sobre os aquíferos, entre outros.
De modo geral, a atividade de recursos naturais é constituída pelos seguintes
subgrupos:

Manejo em
ecossistemas Atividade de manejo de fauna exótica e criadouro de fauna silvestre
terrestres
Aquicultura Manejo de recursos aquáticos vivos

Utilização do patrimônio genético natural


Patrimônio
genético e Introdução de espécies exóticas e/ou geneticamente modificadas
biodiversidade
Uso da diversidade biológica pela biotecnologia

Recursos naturais • Capítulo 13 267


5 Leia o texto a seguir.

POLUIÇÃO DO SOLO
O solo atua frequentemente como um “filtro”, tendo a capacidade de depuração e
imobilizando grande parte das impurezas nele depositadas. No entanto, essa capacida-
de é limitada, podendo ocorrer alteração da qualidade do solo, devido ao efeito cumu-
lativo da deposição de poluentes atmosféricos, à aplicação de defensivos agrícolas e
fertilizantes, e à deposição de resíduos sólidos industriais, urbanos, materiais tóxicos
e radioativos.
O tema poluição do solo vem, cada vez mais, se tornando motivo de preocupação
para a sociedade e para as autoridades, devido não só aos aspectos de proteção à saúde
pública e ao meio ambiente, mas também pela publicidade dada aos relatos de episó-
dios críticos de poluição por todo o mundo.
Apesar dessa realidade,

Tuayai/Istock
a poluição do solo ainda não
foi plenamente discutida e
ainda não existe um consen-
so entre os pesquisadores de
quais seriam as melhores for-
mas de abordagem da ques-
tão. Além das dificuldades
técnicas, a questão política se
reveste de grande importân-
cia, pois, se não for adequa-
damente conduzido, o con- Efeitos da deposição inadequada de produtos químicos e
metais pesados no solo.
trole da poluição ficará muito
prejudicado e terá consequências irreversíveis para a ciclagem de nutrientes (ciclo do
carbono, nitrogênio, fósforo) na natureza e o ciclo da água, prejudicando a produção de
alimentos de origem vegetal e animal.
Historicamente, o solo tem sido utilizado por gerações como receptor de substâncias
resultantes da atividade humana. Com o aparecimento dos processos de transforma-
ção em grande escala a partir da Revolução Industrial, a liberação descontrolada de
poluentes para o ambiente e sua consequente acumulação no solo e nos sedimentos
sofreu uma mudança drástica de forma e de intensidade, explicada pelo uso intensivo
dos recursos naturais e dos resíduos gerados pelo aumento das atividades urbanas,
industriais e agrícolas.
Essa utilização do solo como receptor de poluentes pode se dar localmente por um
depósito de resíduos; por uma área de estocagem ou processamento de produtos quí-
micos; por disposição de resíduos e efluentes, por algum vazamento ou derramamento;

268 Ciências • Movimento do aprender


ou ainda regionalmente, através de deposição pela atmosfera, por inundação ou mes-
mo por práticas agrícolas indiscriminadas. Desta forma, uma constante migração des-
cendente de poluentes do solo para a água subterrânea ocorrerá, o que pode se tornar
um grande problema para aquelas populações que fazem uso desse recurso hídrico. [...]
Fonte: CETESB. Qualidade do solo. Poluição.
Disponível em: [Link] Acesso em: 25 mar. 2022.

a. Quais são, segundo o texto, as principais fontes poluidoras do solo?

b. Em grupos, façam uma lista de possíveis fontes poluidoras do solo que podem ser
encontradas perto de sua escola. Compartilhem a lista produzida por seu grupo
com a turma e construam uma lista geral com todas as possíveis fontes poluidoras
apontadas.

c. Faça uma pesquisa para descobrir quais são os possíveis destinos dados aos resí-
duos sólidos (lixos doméstico e industrial). Quais desses destinos são mais adequa-
dos ambientalmente? Justifique sua resposta.

Recursos naturais • Capítulo 13 269


d. Pesquise, também, junto à prefeitura ou em jornais, revistas e na internet, quais
são os destinos dados efetivamente ao lixo doméstico em sua cidade. Essa desti-
nação é a ambientalmente mais adequada? Justifique sua resposta no caderno.

VOCÊ SABIA?

PLÁSTICO CORRESPONDE A 48% DO LIXO ENCONTRADO NAS PRAIAS


BRASILEIRAS
Os resíduos plásticos são a maioria do lixo encontrado no mar: 48,5% dos materiais
que vazam para as águas das nossas praias são desse tipo. Essa é a principal constata-
ção de diagnóstico do programa Lixo Fora D’Água, da Abrelpe – Associação Brasileira
de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais.
O diretor-presidente da Abrelpe, Carlos Silva
olegbreslavtsev/Getty Images

Filho, destaca os principais motivos para tanto


plástico parar nos mares. Segundo ele, “a pro-
dução e o consumo de plástico aumentou expo-
nencialmente durante as últimas décadas, com
falhas no descarte inadequado, lixões, coleta
seletiva e falta de aproveitamento dos materiais
recicláveis”, afirmou.
Além dos plásticos, o que mais polui os ma-
res brasileiros são as bitucas de cigarro, iso-
por, roupas e apetrechos de pesca. Esses são alguns dos 15 itens mais encontrados no
trabalho da Abrelpe, que ocorre desde 2018, em 11 cidade litorâneas onde vivem 14
milhões de pessoas. Nesses locais existem ações de monitoramento, prevenção e com-
bate ao lixo no mar e nos demais corpos hídricos.

Inside Creative House/Getty Images


Além do investimento do poder público
em coleta seletiva e aterros sanitários, o pre-
sidente da entidade, Carlos Silva, ressalta o
que cada um de nós deve fazer para evitar a
poluição dos mares. Segundo ele, é importan-
te “separar o lixo adequadamente dentro de
casa, em duas frações de lixo seco, reciclados
e úmido, e termos atenção ao sistema de lim-
peza da cidade”, explica.
O programa Lixo Fora D’Água existe em Santos e Bertioga, em São Paulo, Balneá-
rio Camboriú, Santa Catarina, Fortaleza, no Ceará, Ipojuca, em Pernambuco, Rio de
Janeiro e Baía da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, São Luís, no Maranhão, Manaus, no
Amazonas, e Serra, no Espírito Santo.
Fonte: MARIANO, Raquel. Plástico corresponde a 48% do lixo encontrado nas praias brasileiras. Agência Brasil, 1º- mar. 2022.
Disponível em: [Link]
plastico-corresponde-48-do-lixo-encontrados-nas-praias-brasileiras. Acesso em: 4 abr. 2022.

270 Ciências • Movimento do aprender


6 Leia os três textos propostos.

Poluentes atmosféricos
Os poluentes atmosféricos são algumas das substâncias presentes no ar que
respiramos. Esses poluentes, que estão presentes principalmente em cidades mais
industrializadas, podem ser originados de atividades naturais ou antrópicas e são
classificados em dois tipos.
Poluentes primários são lançados diretamente pelas fontes de emissão, como
o dióxido de enxofre (SO2), o ácido sulfídrico (H2S), os óxidos de nitrogênio (NOx),
a amônia (NH3), o monóxido de carbono (CO), o dióxido de carbono (CO2), o metano
(CH4), a fuligem e os aldeídos.
Poluentes secundários são formados na atmosfera por meio de reações químicas
entre os poluentes primários, com destaque para o peróxido de hidrogênio (H2O2),
o ácido sulfúrico (H2SO4), o ácido nítrico (HNO3), o trióxido de enxofre (SO3), os nitra-
tos (NO-3), os sulfatos (SO4-2) e o ozônio (O3).

Causas da poluição da água


As fontes de poluição da água são separadas em duas categorias. São causas hu-
manas, como o descarte incorreto de produtos e o lançamento de esgoto e produtos
químicos na água.
Fontes pontuais
São fontes individuais facilmente identificadas, como um encanamento ou uma
vala. Exemplos dessa categoria incluem o lançamento dos poluentes de uma fábrica
diretamente na água.
Fontes não pontuais
São relacionadas à contaminação que não é originada de uma fonte individual
e discreta. Também são conhecidas como fontes difusas. O controle e a identifi-
cação dessas fontes são difíceis, uma vez que elas não são oriundas de um pon-
to de lançamento ou de geração específico. A infiltração de agrotóxicos no solo,
o descarte incorreto de substâncias capazes de prejudicar o meio ambiente, bem
como o lixo e o lançamento de esgoto diretamente nos córregos, são exemplos de
fontes difusas.

Recursos naturais • Capítulo 13 271


Lixo eletrônico causa riscos à saúde
Os equipamentos eletrônicos possuem diversos componentes considerados tóxi-
cos em suas composições. Se feito incorretamente, o descarte desses resíduos pode
contaminar tanto o solo como os lençóis freáticos, colocando em risco a saúde públi-
ca. Segundo o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), cerca de 70% dos metais pesa-
dos encontrados em lixões e aterros controlados são provenientes de equipamentos
eletrônicos descartados.

a. Em grupos, discutam se em sua rotina familiar vocês produzem esses poluentes


primários e secundários, se em sua região há a poluição de fontes pontuais e não
pontuais e, por fim, o que vocês descartaram de lixo eletrônico nos últimos três
anos (listem todos os itens em seu caderno para socializar com a turma depois).

b. Faça um levantamento se em sua cidade existe a coleta de lixos eletrônicos. De-


pois, produza um cartaz com as informações encontradas, como endereço do(s)
centro(s) de reciclagem, dias e horários da coleta, de modo a divulgá-las para
todos da comunidade escolar.

7 Os gráficos a seguir, baseados em uma pesquisa feita pelo Ibope, em 2018, apre-
sentam dados sobre o nível da população brasileira em relação à questão ambiental.
Observe-os e faça o que se pede.

272 Ciências • Movimento do aprender


a. Você faz parte do grupo de brasileiros que considera a reciclagem como algo im-
portante? Justifique sua resposta.

b. Segundo um dos gráficos, 39% dos brasileiros não separam o lixo orgânico do
reciclável. Qual o impacto desse comportamento para o meio ambiente?

c. A pesquisa aponta que 81% da população do país sabe pouco ou nada sobre coo-
perativas de reciclagem. Faça uma pesquisa a respeito dessas instituições, sobre
sua importância socioambiental e todos os dados que achar pertinentes. Em seu
caderno, escreva um texto com essas informações como se você fosse instruir al-
guém que desconhece a existência dessas cooperativas. Não se esqueça de anotar
também as fontes consultadas.

8 Qual é o melhor destino para o lixo orgânico? Para responder a essa pergunta, faça o
experimento a seguir.
Arte/Partners

Materiais
• 3 garrafas PET transparentes
• terra
• água
• lixo orgânico

Recursos naturais • Capítulo 13 273


Procedimento
• Coloque em três garrafas PET transparentes cortadas ao meio um pouco de material
orgânico (cascas e sementes de frutas, por exemplo).
• Cubra o material da primeira garrafa com água.
• Cubra o da segunda com terra, compactando o máximo possível.
• A última, o controle, ficará somente com o material orgânico.
• Observe as garrafas durante duas semanas.
• Registre as alterações diariamente no caderno.
• Discuta com os colegas os dados obtidos.

9 O Brasil produz 4 mil toneladas de lixo eletrônico por hora. Esses materiais, quando des-
cartados no lixo comum, podem provocar sérias contaminações ambientais por causa
dos metais usados na sua fabricação. Leia o texto e depois responda às perguntas.

BRASIL É O QUINTO MAIOR PRODUTOR DE LIXO ELETRÔNICO


Fones de ouvido, pilhas, celula-
Johner Royalty-Free/Getty Images

res, eletrodomésticos. Todos esses


utensílios, quando deixam de fun-
cionar e não são mais aproveitados,
viram lixo eletrônico. O Brasil é o
quinto maior gerador desse lixo no
mundo. Mesmo assim, muita gente
ainda não sabe o que é esse tipo de
resíduo e como ele deve ser descar-
tado para evitar danos ao meio am-
biente e à saúde humana.
As informações são da pesquisa Resíduos eletrônicos no Brasil – 2021 [...].
[...]
A maior parte dos brasileiros (87%) já ouviu falar em lixo eletrônico, mas um terço
(33%) acredita que esse lixo está relacionado ao meio digital, como spam, e-mails, fotos
ou arquivos. Para outros 42% dos brasileiros, lixo eletrônico são aparelhos eletrôni-
cos e eletrodomésticos quebrados, e 3% acreditam que são todos os aparelhos que já
viraram lixo, ou seja, apenas os que foram descartados, inclusive aqueles que acabam
incorretamente em aterros ou na natureza.
[...]

Descarte
O descarte incorreto de lixo eletrônico é considerado um problema, pois os compo-
nentes químicos podem ser prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana.

274 Ciências • Movimento do aprender


Anualmente, mais de 53 milhões de toneladas de equipamentos eletroeletrônicos e
pilhas são descartadas em todo o mundo, segundo o The Global E-waste Monitor 2020.
Na outra ponta, o número de dispositivos, no mundo, cresce cerca de 4% por ano. Ape-
nas o Brasil descartou, em 2019, mais de 2 milhões de toneladas de resíduos eletrôni-
cos, sendo que menos de 3% foram reciclados, de acordo com o relatório desenvolvido
pela Universidade das Nações Unidas.
A pesquisa mostrou que, no Brasil, 16% descartam com certa frequência algum ele-
troeletrônico no lixo comum. [...]
A maioria (87%) disse guardar algum tipo de eletroeletrônico sem utilidade em
casa. Mais de 30% fica com eles por mais de um ano.
[...]
Fonte: TOKARNIA, Mariana. Brasil é o quinto maior produtor de lixo eletrônico. Agência Brasil, 7 out. 2021.
Disponível em: [Link]
Acesso em: 4 abr. 2022.

a. O texto informa que menos de 3% dos resíduos eletrônicos descartados no Brasil


foram reciclados no ano de 2019. Por qual razão o descarte incorreto desse tipo
de lixo é considerado um problema?

b. O descarte de lixo eletrônico é feito corretamente na sua residência? Os lixos são


separados conforme o tipo de resíduo?

c. Caso o descarte não ocorra de maneira adequada, como você argumentaria para
convencer seus familiares a descartar o lixo eletrônico da maneira mais correta possível?

Recursos naturais • Capítulo 13 275


SOCIEDADE E AMBIENTE

COMO É O DESCARTE CORRETO DO LIXO ELETRÔNICO?


O que é lixo eletrônico?
[...]
O lixo eletrônico [...] abrange não somente computadores e celulares, mas qualquer tipo de
eletrodoméstico, como micro-ondas, geladeiras e máquinas de lavar roupa.
[...]
Onde descartar?
Equipamentos eletroeletrônicos e baterias possuem substâncias que, se jogadas no lixo
comum e enviadas para o aterro sanitário, podem prejudicar o meio ambiente, além de im-
possibilitar a reciclagem do material.
O que fazer, então?
Verifique junto ao fabricante se existe coleta dos aparelhos que não funcionam mais perto
de você.
Pesquise onde há pontos de descarte de lixo eletrônico, como no site da Associação Bra-
sileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos. Nele, [...] há um sistema para
consulta de locais que recebem produtos eletrônicos e dão encaminhamento ambientalmen-
te adequado. A associação conta com mais de 1,3 mil pontos de coleta.
[...]
Fonte: VALENTE, Jonas. Agência Brasil explica: como é o descarte correto do lixo eletrônico. Agência Brasil, 17 maio 2021.
Disponível em: [Link]
Acesso em: 4 abr. 2021.

Além do lixo eletrônico, assunto muito amplo que merece toda a atenção das autoridades
e da sociedade civil, há outro ponto fundamental que diz respeito à saúde e ao meio ambien-
te: o saneamento básico.

VOCÊ SABIA?

ENTENDA A REALIDADE DO SANEAMENTO BÁSICO NO BRASIL


O que é saneamento básico?
Saneamento básico é um conjunto de serviços fundamentais para o desenvolvimento
socioeconômico de uma região tais como abastecimento de água, esgotamento sanitá-
rio, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais.
O saneamento básico é um direito garantido pela Constituição Federal e instituído pela
Lei n. 11.445/2007.

276 Ciências • Movimento do aprender


De forma simplificada, a cadeia do saneamento tem início na captação em reserva-
tórios de água, onde acontece o tratamento e distribuição aos pontos de consumo, se-
jam eles residenciais ou industriais. Em seguida, é feito o descarte em uma rede de
esgoto, direcionando o resíduo para tratamento. O ciclo tem conclusão quando a água
tratada é devolvida ao ciclo natural.
O saneamento básico contribui para a saúde, a educação, o meio ambiente e a eco-
nomia. A modernização e ampliação do sistema de saneamento básico beneficia, em
qualquer lugar do mundo, a sociedade como um todo: as empresas, o país, as cidades
e o desenvolvimento social e econômico.
[...]

Marcus Lindstrom/Istock
De acordo com pesquisa
realizada pela Confedera-
ção Nacional da Indústria
(CNI), [...] toda a popula-
ção do país só será atendi-
da com água encanada em
2043 e com acesso à rede de
esgoto somente em 2054.
[...]
Ampliar o atendimento
dos serviços de água e sa-
neamento representa ga- Local sem saneamento básico. Atualmente, apenas 53% da
população brasileira têm acesso a redes de coleta de esgoto.
nhos diretos em termos de
saúde, tais como: queda da mortalidade infantil, redução da incidência de doenças de
veiculação hídrica (diarreia, vômitos) e, como consequência, diminuição dos custos
com saúde (menor volume de gastos com médicos, internações e medicamentos).
[...]
Atualmente, mais de um bilhão de pessoas no mundo não possuem acesso a ba-
nheiro. A consequência da falta de saneamento acarreta em cerca de um milhão de
mortes por ano em todo o mundo, vítimas de doenças relacionadas com o contato
direto a fezes humanas ou esgoto a céu aberto.
A disponibilidade adequada de água e a coleta e tratamento de esgoto também têm
papel fundamental na redução de diarreias, prematuridade e doenças causadas pelo
mosquito Aedes aegypti.
Além dos benefícios para a saúde da população, a disponibilidade de saneamento
em uma rua ou região agrega valor aos imóveis de até 20%, impulsionado pela percep-
ção de melhoria da qualidade de vida.
[...]
Fonte: ENTENDA a realidade do saneamento básico no Brasil. CNI/Agência de Notícias da Indústria.
Disponível em: [Link] Acesso em: 4 abr. 2022.

Recursos naturais • Capítulo 13 277


CONECTE-SE

PRODUZIDO COM SUCATA, FOGÃO SOLAR BRASILEIRO DISPENSA BOTIJÃO


Usar a imaginação e reu-

FJAH/Shutterstock
tilizar tudo o que for possível
é umas das atitudes mais im-
portantes para quem pretende
construir um futuro sustentável.
Outra atitude fundamental
é buscar fontes de energia lim-
pas e renováveis, que diminuam
nossa dependência atual e mini-
mizem os impactos ambientais
dos combustíveis fósseis.
Agora imagine um projeto de pesquisa que una essas duas frentes de atuação e ainda
resolva um problemão de uma parcela considerável da população brasileira, impactada dire-
tamente pela alta no preço dos combustíveis.
Essa é a história do fogão solar criado pelo engenheiro Mário César de Oliveira Spinelli,
sob orientação do professor Luiz Guilherme Meira de Souza, nos laboratórios da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Produzida a partir de resíduos como chapas de madeira, metal e espelhos, a invenção é
capaz de transformar os potentes raios de sol do Nordeste em calor suficiente para cozinhar
e assar alimentos.
Testado pelos pesquisadores, o fogão teve uma excelente performance e assou um bolo
em apenas 20 minutos a mais do que nos fornos convencionais. Isso com custo zero de gás
ou energia, sempre bom destacar.
Avaliado em aproximadamente R$ 150, segundo Spinelli, o fogão solar é uma excelente
ideia e pode indicar um caminho para superar a crise que vem levando milhões de brasileiros
de volta aos tempos do fogão de lenha.
A equipe envolvida busca agora fontes de financiamento e o apoio de governos e organi-
zações para aprofundar as pesquisas e viabilizar o projeto em larga escala.
Fonte: PRODUZIDO com sucata, fogão solar brasileiro dispensa botijão. Recicla Sampa.
Disponível em: [Link] Fonte do estudo sobre o
fogão solar: [Link] Acessos em: 6 abr. 2022.

278 Ciências • Movimento do aprender


SAIBA MAIS

Livro

Meu planeta, minha casa


Autora: Shirley Souza
Editora: Editora do Brasil

Divulgação
Na escola, todos concordam que uma empresa grande pode ajudar
muito o desenvolvimento de uma pequena cidade, trazendo empre-
gos e benefícios. Mas, apesar disso, também todos concordam que
a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente não podem
ficar em segundo plano. Será que é possível conciliar tudo isso?
É exatamente essa a ideia central deste livro, afinal de contas,
o desenvolvimento sustentável é um tema atual e urgente.

Vídeo

Um mar de lixo – legendado


O lixo marinho, entre tantos males, coloca diretamente em risco a vida de diversas
espécies animais, como as tartarugas. Mas, você sabe o que é lixo marinho? Qual a
sua origem? Para onde ele vai? As respostas você encontra neste vídeo. Para acessá-lo,
converse com o professor.

O QUE APRENDI

• “Pensar globalmente, agir localmente.” Essa frase tem sido muito utilizada para deixar
clara uma preocupação cada vez mais presente: como cada um de nós pode contribuir
para diminuir o impacto humano no ambiente? A maior parte do impacto sobre a natu-
reza é causada por nós, cidadãos comuns do planeta.
• Você entendeu durante esta unidade a importância da prática da regra dos 3 Rs?
A regra dos 3 Rs significa: Reduzir; Reutilizar e Reciclar. Cada um de nós é responsável
pela emissão de uma parcela de CO2 e outros gases poluentes enviados para a atmos-
fera, pois consumimos produtos industrializados e usamos carros ou ônibus para nos
locomovermos.
Escreva, em seu caderno, uma lista de comportamentos que podem colaborar para que
você, como cidadão, possa fazer a sua parte em prol do meio ambiente. Não se esqueça de
colocar essas atitudes em prática!

Recursos naturais • Capítulo 13 279


REFERÊNCIAS

• AZEVEDO, M. C. P. S. Ensino por investigação: problematizando as atividades em sala de aula.


In: CARVALHO, A. M. P. de (org.). Ensino de Ciências: unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: Cengage
Learning, 2013. p. 19-33.
• CARVALHO, A. M. P. de. O ensino de Ciências e a proposição de sequências de ensino investigativas.
In: CARVALHO, A. M. P. de (org.). Ensino de Ciências: unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: Cengage
Learning, 2013. p. 1-18.
• GIL PÉREZ, D. et al. Para uma imagem não deformada do trabalho científico. Ciência & Educação, v. 7,
n. 2, p. 125-153, 2001. Disponível em: [Link] Acesso em: 10 jan. 2021.
• SASSSERON, L. H.; CARVALHO, A. M. P. de. Almejando a alfabetização científica no ensino fundamental: a
proposição e a procura de indicadores do processo. Investigações em Ensino de Ciências, Porto Alegre,
v. 13, n. 3, p.333-352, 2008. Disponível em: [Link]
Acesso em: 2 ago. 2022.

280 Ciências • Movimento do aprender


Movimento do aprender
CIÊNCIAS DA
NATUREZA

A coleção é composta de 4 volumes, um para


cada ano do Ensino Fundamental – Anos Finais.

ento Movimento
Movim do aprender
7o ANO • Movim

9o ANO • Movimento
6o ANO

do aprender
DAMENTA

S DA NCIAS DCIÊNCIAS
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CIÊNCIA

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NATUREZA

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ISBN 978-65-5938-385-6

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