Tuberculose
Etiologia
- Mycobacterium tuberculosis (Bacilo de Koch)
- Também chamado de BAAR- Bacilo álcool ácido resistente na
coloração por Zill-minesen
- Transmissão= por meio da tosse, fala, espirro, a pessoa libera o
Mycobacterium nas secreções respiratórias.
- Entre para haver transmissão, tem que ter uma pessoa suscetível e
um bacilífero- pessoa que elimina a bactéria através das secreções
respiratórias.
- Primoinfecção= primeiro contato daquele ser humano com a bactéria
- Bacilo cai no alvéolo pulmonar e encontra um ambiente propicio para
ele= cheio de O2- extremamente aeróbio.
- Com isso, ele começa a replicar tão sem freio que começa a
atravessar capilar pulmonar e disseminar por todo o organismo humano.
- SNC, baço, osso
- 3 a 8 semanas vai surgir uma resposta imune especifica, a qual não
é por anticorpo, e sim uma resposta granulomatosa- as celulas (macrófagos
e linfócitos) fazem um cordão de isolamento colocando no centro o bacilo,
sendo um ambiente ácido, pouco oxigênio.
- Bacilo fica preso, não dissemina, porém, ele não morre.
- Por conta da guerra imunológica que acontece entre o sistema
de defesa e o bacilo que está no meio, surge no centro dessa convulsão
celular uma espécie de necrose caseosa.
- Logo, o ser humano é 100% incapaz de matar o bacilo
OBS= Se esse granuloma permanecer funcionante pelo resto da vida da
pessoa, ela jamais terá tuberculose doença- infecção latente.
OBS= Mas tem casos que a pessoa não tem competência imunológica
suficiente para formar o granuloma caseosa e acaba adoençendo- TB doença
- No que tange à TB doença, pode seguir-se para dois rumos:
- TB primária= doença no primeiro contato
- TB pós-primária ou secundário= doenças após anos
- Surge quando a imunidade da pessoa oscila- por exemplo no
caso do HIV.
TB doença
Forma primária
- Sobretudo em crianças
- “Criança que foi várias vezes na UBS, tratou pneumonia e não resolva,
antibiótico não resolve, tem parente em casa com sintomas similares”.
- Adoece já no primeiro contato pois não consegue formar um granuloma.
- Bacilo continua replicando dentro do alvéolo, é drenado pelos
linfonodos mediastinais- concentração dentro desses linfonodos.
- Logo, percebe que por ficaram dentro de um linfonodo, não tem
comunicação com a árvore respiratória
- Ou seja, quem transmitiu para a criança foi outro adulto e não
outra criança.
- Clínica= pneumonia “arrastada” não responsiva a ATB.
- Radiologia= adenopatia hilar unilateral
- Drenagem para linfonodos mediastinais
- Um hilo aumentado de tamanho
- Transmissão= paubacilifera
- Criança não tem capacidade de transmitir esse bacilo
- Complicação= TB miliar (“sepse por tuberculose”)
- Pacientes < 2 anos, imunodeprimidos, não vacinados
- BCG não protege contra a primo-infecção, e sim protege contra
as formas graves.
- Bacilo, além de replicar no alvéolo, ganha circulação sistêmica,
gerando uma série de processos inflamatórios em várias regiões do corpo.
- Micronódulos pulmonares bilaterais= parecem semente de milha.
Forma pós-primária
- Nesse caso, em um primeiro momento, a pessoa forma um granuloma
caseoso contra o bacilo
- A resposta imune é extremamente potente, meio que “derrete” o
tecido ao redor.
- Nesse caso, tem uma oscilação da imunidade- granuloma deixa o bacilo
voltar a replicar até que rompe o granuloma, começa a jogar bacilo dentro
dos bronquíolos
- A partir daí a resposta imune atinge no local onde o bacilo está replicando, no
parênquima pulmonar derretendo essa região= catarro branco (pulmão
derretido).
- Clínica= tosse > ou igual a 3 semanas, febre vespertina, sudorese noturna,
perda ponderal (devido ao processo inflamatório crônico).
- Radiologia= cavitação em lobos superiores
- Geralmente acontece em regiões mais superiores pois são regiões que
possuem mais oxigênio concentrado- e o bacilo de Koch é extremamente
aeróbio.
- Cavitação devido ao processo inflamatório intenso no local de
replicação do bacilo.
- Processo inflamatório intenso especifico para tentar matar o bacilo, entretanto
não consegue e acaba derretendo o pulmão e a pessoa tosse isso.
- Transmissão= aqui a pessoa é bacilífera
- Complicação= bola fúngica (aspergillus)
- Depois da pessoa ter tuberculose pulmonar, com escavação pulmonar
e cura. Fica um buraco ali cheio de ar que não regenera.
- Esse buraco é um meio propicio para fungo aparecer- Aspergillus em
particular.
- “Paciente com passado de tuberculose dá entrada no OS com
hemoptise”
Diagnóstico
- Clínico= febre arrastada, tosse de pelo menos 3 semanas
- Radiografia
- Escarro= confirmação do bacilo
OBS= Bastam 2 dos 3 critérios para se começar o tratamento.
OBS= Via de regra vai atrás do bacilo, mas caso esteja em um quadro
complicado começa o tratamento empiricamente
- Pneumonia= quadro mais agudo
- Tuberculose= quadro arrastado que se agravou
- Exame bacteriológico
- Teste rápido molécular (TRM-TB) = apenas 1 amostra, resultado em
2 horas, fala se tem genes de resistência para rifampcina.
- Identifica o DNA do patógeno
- Baciloscopia (BAAR)= se TRM-TB indisponível (pelo menos 2
amostras) - entretanto, quanto mais amostra coletar melhor
- Uma amostra no momento e no outro dia em jejum
- Exame que revela o comportamento tintorial da bactéria=
bacilo álcool-ácido resistente
- Cultura= faz quando se tem dúvida diagnóstica, teste rápido
positivo, ou quando aquela pessoa faz parte de uma população vulnerável.
Tuberculose extrapulmonar
- Bacilo ao entrar na ausência de imunidade celular especifica ele dissemina
para todos os órgãos do corpo, podendo causar tuberculose em qualquer lugar.
TB pleural
- Forma extrapulmonar mais comum no Brasil
- Paciente mais jovem, quadro respiratório arrastado, dor do tipo pleurítica
- Particularidades no líquido na toracocentese (Bacilo fica agarrado na pleura e
alterando o líquido devido ao processo inflamatório).
- Amarelo citrino, exsudato, glicose baixa, ADA > 40 U/L
- Predomínio de mononucleares (inicialmente PNM)
OBS= Tudo isso autoriza já o tratamento
- Diagnóstico=
- Padrão-ouro= biopsia pleural/ BAAR (<5%) e cultura (< 40%)
TB meníngea (crianças não vacinadas e imunodeprimidos)
- Características= forma mais sequelante de TB
- Cefaleia leve e duras semanas, quadro subagudo
- Resposta inflamatória intensa na meninge, onde está o bacilo- pode
lesionar neurônio
- Acometimento de par craniano, hidrocefalia
- Análise do líquido= hiperproteinorraquia, glicose baixa e
mononucleares.
- Diagnóstico= baciloscopia (15%); cultura (80%)
Tratamento da tuberculose (RIPE)
- Rifampcina, Isoniazida, Pirazinamida, Etambutol
- Esquema básico= RIPE por 6 meses ( RIPE por 2 meses, complementando
com mais 4 meses de RI)
- Meningite/osteoarticular= RIPE por 12 meses (2 RIPE + 10 RI)
OBS= Corticoide por 1-3 meses na meniginte- reduzir as sequelas
- Acompanhamento= tratamento diretamente observado
- A ideia é que o paciente seja acolhido, de preferencia todo dia
- Aumentar a adesão ao tratamento
- Baciloscopia mensais- ver se o bacilo está sumido
OBS= Teste rápido não serve para acompanhar tratamento, pois só ve
material genético- pode encontrar DNA de uma bactéria morta há meses.
- Efeitos adversos=
- Rifampcina, isoniazida, pirazinamida= intolerância gástrica
- Se der, fala para tomar com a refeição e não em jejum
- Rifampcina= gripe, alergia (NIA), citopenias, suor laranja
- Isoniazida= neuropatia periférica (piridoxina)
- Pirazinamida= gota ou hiperuricemia
- Etambutol= neurite óptica
OBS= Hepatoxicidad- rifampcina, isoniazida, pirazinamida.
- Interromper RIPE por 30 dias se:
- Icterícia
- Aumento de AST/ALT 3x LSN + sintomas
- Aumento de 5x LSN
Controle da tuberculose
Infecção latente
- Prova tuberculínica ou PPD
- Pega o derivado proteico modificado (conjunto de antígenos do bacilo
da tuberculose) e injeta isso na derme do antebraço da pessoa.
- Pede para voltar em 48 horas
- Se voltar com reação inflamatória indica que a pessoa já tem resposta
imune especifica contra o bacilo, o que significa que já encontrou com o
bacilo em algum momento da vida (infectada).
- PT de pelo menos 5 mm= está infectada pelo bacilo, tratar infecção
latente para que não se vira doente.
- PT < 5 mm= não infectado; repetir em 8 semanas