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Teoria Bakhtiniana e Linguagem Atual

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Rayza Priscila
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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BAKHTIN Na atualidade, o trabalho com a Língua Portuguesa,

levando em consideração as ideias bakhtinianas, deve


enfatizar os seguintes pontos:
A teoria bakhtiniana na concepção de linguagem
atual • As relações entre as diversas variantes linguísticas –
em que momento devo usar uma variante mais ou menos
Várias são as concepções sobre a linguagem humana, formal;
mas vamos nos deter em três delas:
1. A linguagem como reflexo do mundo e do • As relações entre fala e escrita no uso real da língua
pensamento do indivíduo sobre este mundo. Para se – qual a modalidade mais adequada para determinado
comunicar bem, era necessário estudar a gramática contexto;
normativa;
2. A segunda concepção vê a linguagem como • A organização do léxico e a exploração do
instrumento de comunicação. Nela, a fala é desconsiderada vocabulário;
e há ênfase nos elementos da comunicação (emissor,
receptor, código, canal, mensagem e contexto) e suas • A organização das intenções e os processos
respectivas funções (emotiva, conativa, metalinguística, pragmáticos – em que contexto comunicativo me encontro
fática, poética e referencial); para atingir determinado objetivo;
3. E a terceira entende a linguagem como forma de
interação entre os sujeitos da língua, agindo e interagindo • As estratégias de redação e questões de estilo –
com os mais diferentes objetivos. como irei compor meu texto, considerando meu
conhecimento de mundo e linguístico;
As duas primeiras abordagens focalizam a linguagem
isoladamente, sem uso real, ou seja, a língua é vista em • A progressão temática e a organização tópica –
separado do contexto; o que não se aplica à 3ª concepção. quais informações devem ser expostas primeiro e de que
O estruturalismo de Saussure e o Gerativismo de Chomsky forma elas se encadearão;
evidenciam bem isso.
Então, o sociointeracionismo surge como resposta a • A questão da leitura e da compreensão – a partir do
essas ideias, tentando mostrar que o estudo linguístico deve se incentivo a tal prática, serão desenvolvidas outras
basear na relação existente entre o usuário e o contexto de competências linguísticas;
uso da língua.
Geraldi (1997) estabelece que o sujeito, como ser • O treinamento do raciocínio e da argumentação –
social, interage e a linguagem é resultado de trabalho social partindo do meu conhecimento de mundo, estruturarei meu
e histórico (não individual) do usuário e de seus interlocutores. texto e sua base argumentativa;
Surgem, daí, a Linguística Textual, a Análise da
Conversação, a Análise do discurso, a Pragmática, que tem • O estudo dos gêneros textuais – em determinada
como foco “as manifestações linguísticas produzidas por situação comunicativa, disporei de algumas formas
indivíduos concretos em situações concretas, sob relativamente estáveis para interagir com o outro;
determinadas condições de produção”.
Compreender a linguagem como interação é a • O treinamento da ampliação, redução e resumo do
principal vertente de Bakhtin e seu Círculo, filósofos que texto – como extrair a tese defendida em determinado texto.
enxergaram na linguagem a multiplicidade de vozes que
compõem a singularidade do ser humano. Assim, percebemos que o tratamento dado à língua
Seu caráter filosófico não exclui a consistência enfatizará o estudo das formas de uso, das variantes, das
científica do estudo linguístico, o qual especifica o cunho modalidades, das diferentes formas de interagir, de maneira
responsivo da linguagem, ou seja, o eu não existe sem o outro. crítica. Já é sabido que as duas modalidades, oral e escrita,
O ser para se tornar como tal precisa ser reconhecido, ouvido, são práticas inerentes à língua e que não constituem uma
respeitado... Essa característica filosófica vai embasar aquilo dicotomia. Os usos é que dão status a cada uma delas,
que Bakhtin e Voloshinov discutem em seus textos em relação conferindo-lhes poder de expressão e de convencimento em
à linguagem. dada circunstância.
A interação surge, então, como a priori da
comunicação humana; o estruturalismo saussuriano não
responde a todas as questões linguísticas da época, sendo Ao observar as variações linguísticas, percebemos que
apenas um recorte sincrônico e diacrônico do fenômeno da elas não acontecem ao acaso, como se cada indivíduo
comunicação. Tal recorte não é excluído por Bakhtin, mas ele falasse à sua maneira. Há algumas ideias importantes acerca
ressalta a ideia de que a linguagem só se concretiza com a disso:
interação. 1. Nenhuma língua é imutável, toda língua se modifica
O sociointeracionismo estrutura-se na com o passar do tempo;
intersubjetividade, com a estruturação de turnos, a troca de 2. O que é considerado padrão numa época pode ser
pontos de vista e a transmissão de mensagens. Desses ultrapassado em outra;
princípios, surge a teoria dos gêneros do discurso, em que 3. As variantes não padrões devem ser tratadas como
importa a finalidade comunicativa do texto em relação ao fenômenos linguísticos regulares.
outro, ou seja, o que eu quero dizer para o meu interlocutor?
Qual o efeito de sentido que eu desejo produzir no receptor A língua pode, então, variar em função de:
da minha mensagem? Qual modalidade deverá ser utilizada 1. Da identidade social do emissor;
para tal fim? Em todas essas questões, deve-se objetivar a 2. Da identidade social do receptor;
comunicação, a interação. 3. Das condições sociais de produção discursiva.
Nesta nova visão linguística, a Pragmática oferece sua
contribuição com o estudo da língua relacionado a fatores Daí, o falante deve possuir alto grau de flexibilidade da
contextuais e discursivos, tendo como foco de análise os usos língua para usá-la de acordo com o contexto, com seu
e não as formas. interlocutor, com seu objetivo comunicativo etc. sendo assim,

1
todos os falantes são capazes de adaptar seu estilo de fala à TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:
diversidade das circunstâncias sociais da interação verbal, e Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir.
de discernir que formas alternativas são as mais apropriadas.
MÚSICA, DIVINA MÚSICA!
Tendo essa capacidade em vista, a escola deve
Tanto duvidaram dele, da teoria daquele jovem gênio
proporcionar reflexões acerca dos variados usos da língua,
musical, que ele resolveu provar pra si mesmo, empiricamente,
sem apresentar a norma padrão como a única aceita nem a
a teoria de que não existem animais selvagens. Que os animais
do aprendiz como a estigmatizada, como a errada. É dessa
são tão ou mais sensíveis do que os seres humanos. E que são
singularidade, ou melhor, é desse ensino plural que os
sensíveis sobretudo ao envolvimento da música, quando esta
estudantes poderão desenvolver suas competências
é competentemente interpretada.
linguísticas para interagir em diferentes contextos de uso. O
Por isso, uma noite, esgueirou-se sozinho pra dentro do
ensino da variedade padrão continua a ser dever da escola
Jardim Zoológico da cidade e, silenciosamente, se aproximou
e um direito do aluno, mas não precisa ser substitutivo e, por
da jaula dos orangotangos. Começou a tocar baixinho, bem
isso, não implica a erradicação das variedades não padrões.
suave, a sua magnífica flauta doce, ao mesmo tempo em que
abria a porta da jaula. Os macacões quase que não
A escola, seguindo este caminho, deve permitir o
pestanejaram. Se moveram devagarinho, fascinados, apenas
contato com situações de uso da língua, que Beth Marcuschi
pra se aproximar mais do músico e do som.
tão bem denomina de ‘redação mimética’, quando o
O músico continuou as volutas de sua fantasia musical
discente apreende diferentes maneiras de construir um texto
enquanto abria a jaula dos leões. Os leões, também
para que possa elaborar seu próprio estilo de produção
hipnotizados, foram saindo, pé ante pé, com o respeito que só
textual.
têm os grandes aficionados da música. E assim a flauta
continuou soando no meio da noite, mágica e sedutora,
Para enfatizar tal abordagem, temos as palavras de
enquanto o gênio ia abrindo jaula após jaula e os animais o
Joaquim Fonseca:
acompanhavam, definitivamente seduzidos, como ele
“a preparação do aluno para a produção ágil dos
previra.
seus discursos alheios – no que se conseguirá que ele obtenha
Uma lua enorme, de prata e ouro, iluminava os jacarés,
uma maior eficácia na atuação social, um maior sucesso na
elefantes, cobras, onças, tudo quanto é animal de Deus ali
descoberta de si mesmo e na sua intervenção na prática
reunido, envolvidos na sinfonia improvisada no meio das
social.”
árvores. Até que o músico, sempre tocando, abriu a última
jaula, do último animal - um tigre.
Enfim, o ensino da Língua Portuguesa deve ter como
Que, mal viu a porta aberta, saltou sobre ele,
foco o uso e a interação, numa visão pragmática da
engolindo músico e música - e flauta doce de quebra. Os
linguagem.
por SIMONE SOUZA CUNHA DA SILVA bichos todos deram um oh! de consternação. A onça,
Foi professora de Língua Portuguesa por mais de 15 anos em estabelecimentos de chocada, exprimiu o espanto e a revolta de todos:
ensino públicos e privados em Pernambuco, tendo como base a teoria – Mas, tigre, era um músico estupendo, uma música
sociointeracionista da linguagem. Tem desenvolvido pesquisa nesta área aliada à
educação a distância, visto que acredita ser uma excelente ferramenta para a sublime! Por que você fez isso?
expansão do acesso ao conhecimento formal E o tigre, colocando as patas em concha nas orelhas,
perguntou:
[Link]
bakhtiniana-na-concepcao-de-linguagem-atual/58360 – Ahn? O quê, o quê? Fala mais alto, pô!
FERNANDES, M. Fábulas fabulosas. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 03 out. 2017.

Exercicio Proposto I QUESTÃO 02


O texto constitui-se, principalmente,
QUESTÃO 01 a) pela descrição dos personagens, do local e do tempo.
b) pela necessidade de uma apresentação da ação, pela
introdução de uma tese e de argumentos que a consolidem.
c) pela presença de um observador dos fatos, o qual descreve
situações futuras, de forma preditiva.
d) por uma sequência cronológica de ações, pela presença de
personagens e pela identificação de local e tempo.
e) pela interpretação dos fatos ou dados narrados, organizando-os
em acontecimentos principais e secundários.

QUESTÃO 03
A análise dos aspectos semânticos do texto permite-
nos afirmar que
a) em “Os bichos todos deram um oh! de consternação” (5º
parágrafo), a expressão grifada é uma interjeição substantivada que
equivale semanticamente a “Os bichos todos deram um viva! de
As campanhas, de modo geral, sejam elas consternação”.
institucionais ou comerciais, buscam a adesão do interlocutor. b) com a forma verbal utilizada no trecho “uma noite, esgueirou-se
Na figura acima, o principal recurso para atingir esse objetivo sozinho pra dentro do Jardim Zoológico” (2º parágrafo), o leitor deve
é compreender que o músico entrou rápida e repentinamente no Jardim
a) a relação temporal introduzida pela oposição entre os advérbios Zoológico.
“hoje” e “amanhã”. c) o trecho “ele resolveu provar pra si mesmo, empiricamente, a
b) o emprego de verbos no imperativo e do pronome de tratamento teoria” (1º parágrafo) equivale semanticamente a “ele resolveu provar
“você”. pra si mesmo, subjetivamente, a teoria”.
c) a analogia entre as pessoas do discurso “ela” e “eu” e a imagem d) no trecho “O músico continuou as volutas de sua fantasia musical”
de duas mulheres centralizada no texto. (3º parágrafo), o narrador pretende assegurar que “O músico
d) a orientação sobre a idade das meninas que devem ser continuou os delírios de sua fantasia musical”.
vacinadas. e) em “mal viu a porta aberta, saltou sobre ele, engolindo músico”
e) a utilização de balões de fala, como recurso de intertextualidade (5º parágrafo) a expressão grifada introduz uma ideia de tempo que
com uma história em quadrinhos. seria mantida se fosse substituída por “assim que viu a porta aberta”.

2
QUESTÃO 04 TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:
Leia os seguintes trechos do segundo parágrafo: Verbos
“Começou a tocar baixinho, bem suave, a sua magnífica
flauta doce” e “Se moveram devagarinho, fascinados”. Com A professora pergunta para a Mariazinha:
relação às palavras grifadas, a utilização do diminutivo indica – Mariazinha, me dê um exemplo de verbo.
a) intensidade. – Bicicreta! – respondeu a menina.
b) afetividade. – Não se diz “bicicreta”, e sim “bicicleta”. Além disso, bicicleta
c) tamanho.
não é verbo. Pedro, me diga você um verbo.
d) depreciação.
e) polidez. – Prástico! – disse o garoto.
– É “plástico”, não “prástico”. E também não é verbo. Laura, é
QUESTÃO 05 sua vez: me dê um exemplo correto de verbo – pediu a
Amor professora.
– Hospedar! – respondeu Laura.
Quand la mort est si belle, Il est doux de mourir. – Muito bem! – disse a professora. Agora, forme uma frase com
V. Hugo este verbo.
– Os pedar da bicicreta é de prástico!
ABAURRE, Maria Luiza e PONTARA, Marcela. Gramática – Texto: análise e
Amemos! Quero de amor construção de sentido. Volume único. São Paulo: Moderna, 2006, p. 76.
Viver no teu coração!
2Sofrer e amar essa dor
QUESTÃO 06
Que desmaia de paixão! Em se tratando do conteúdo e da construção do
Na tu'alma, em teus encantos humor do texto, analise as proposições a seguir.
E na tua palidez I. A professora reprime, em sala de aula, o uso de uma variedade
E nos teus ardentes prantos linguística de menor prestígio social.
Suspirar de languidez! II. As formas “bicicreta”, “prástico” e “pedar”, assim como a ausência
Quero em teus lábios beber de marcas de concordância, indicam que os alunos dominam
variedades linguísticas válidas em certos contextos de uso, ainda que
Os teus amores do céu,
distantes da norma-padrão.
Quero em teu seio morrer III. O humor do texto reside na falta de originalidade da frase formada
No enlevo do seio teu! por Laura, uma vez que ela utilizou as respostas fornecidas
Quero viver d'esperança, anteriormente pelos seus colegas.
Quero tremer e sentir! IV. A professora não se deu conta da semelhança fônica entre o
Na tua cheirosa trança verbo “hospedar” e a expressão “os pedar”, esta última distante do
Quero sonhar e dormir! padrão linguístico socialmente instituído.
Vem, anjo, minha donzela,
Minha'alma, meu coração! Estão CORRETAS, apenas:
a) I e II.
Que noite, que noite bela! b) I, II e III.
Como é doce a viração! c) I, II e IV.
E entre os suspiros do vento d) I, III e IV.
Da noite ao mole frescor, e) II e IV.
Quero viver um momento,
1Morrer contigo de amor! QUESTÃO 07
AZEVEDO, Álvares de. Disponível em: A compreensão do texto leva o leitor a concluir que
[Link] Consultado em junho de 2014.
a) a professora logrou êxito no seu intuito de ensinar a classe de
palavras ‘verbo’.
Sobre o texto, analise as afirmativas a seguir: b) embora os alunos soubessem o assunto, optaram por responder
I. O eu lírico, nos versos do poema, expressa seus sentimentos de incorretamente.
forma polida, cuidadosa, ponderada e sem quaisquer extremismos, c) os alunos e a professora demonstram domínio da mesma
razão pela qual a poesia de Álvares de Azevedo não pode ser variedade linguística.
entendida como exemplo claro de um texto dito romântico. d) a resposta que foi considerada correta pela professora era, na
II. Há, no poema em análise, versos que apontam a necessidade de verdade, incorreta.
o eu lírico amar profundamente. Esse amor é tomado por uma e) somente Laura respondeu corretamente, o que demonstra seu
subjetividade também profunda, afastando-se, quase por completo, domínio do assunto.
das raias da racionalidade.
III. Os versos “Morrer contigo de amor” (ref. 1) e “Sofrer e amar essa
QUESTÃO 08
dor” (ref. 2) explicitam a intensidade que o eu lírico pretende dar vida
a essa relação. Temas como amor e morte são recorrentes nos textos No texto, o discurso da professora apresenta traços
de Álvares de Azevedo, exímio representante da poesia romântica. marcantes de sua identidade profissional. Linguisticamente,
IV. Não apenas no texto em análise, mas também nos textos de esses traços são representados pela (o)
Álvares de Azevedo, de modo geral, há uma exacerbação da a) delimitação promovida pelos sinais de travessão.
objetividade dos sentimentos, espécie de refutação ao que é b) linguagem mais formal e pelas sequências injuntivas.
demasiadamente onírico e evasivo, taciturno e escapista. c) amplo emprego de verbos de elocução no texto.
V. O verso “Que noite, que noite bela!” remete o leitor a perceber d) presença de sinais de exclamação ao longo do texto.
que o amor do eu lírico será vivenciado na sua forma mais completa e e) completo apagamento das vozes dos alunos.
qualitativa sob a regência da Lua. Nos poemas de Álvares de Azevedo,
a noite é o tempo privilegiado para o amor. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

Está CORRETO, apenas, o que se afirma em


a) I, II e III.
b) I, III e IV.
c) II, III e V.
d) II, IV e V.
e) III, IV e V.

3
QUESTÃO 09
O humor da tirinha se constrói com base no fato de Assinale a opção correspondente a relação de
a) Miguelito não compreender nada de um conceito escolar tão causa e efeito que se depreende da argumentação do texto
básico. acima
b) Mafalda assumir o papel de uma professora para seu amigo A) A migração dos trabalhadores tem como causa a aceleração dos
Miguelito. movimentos de globalização.
c) a expressão facial de Miguelito demonstrar uma grande B) A formação de identidades plurais provoca mais resistência dos
preocupação. trabalhadores às mudanças na economia global.
d) Mafalda tratar o assunto com seriedade incompatível com a C) A migração gera desigualdade de desenvolvimento e confronto
situação. entre países pobres e ricos.
e) Miguelito quebrar a expectativa do leitor, confundindo escola e D) A dispersão das demandas ao redor do mundo acelera a
cotidiano. migração e a constituição de identidades plurais.
E) A atração que sociedades tecnologicamente avançadas
QUESTÃO 10 exercem sobre os migrantes acarreta a expulsão de trabalhadores dos
Acerca de recursos multimodais que cooperam para países pobres.
os sentidos da tirinha, analise o que se afirma a seguir.
I. Os balões, típicos do gênero em análise, cumprem a função de
auxiliar o leitor a identificar os locutores em cada quadrinho. TEXTO PARA AS QUESTOES 03 E 04
II. A imagem de lixo na rua, presente no segundo quadrinho, está em O mundo é um moinho (Cartola)
consonância com o conteúdo expresso pela personagem Mafalda. Ainda é cedo, amor
III. Os cenários reproduzidos nos quadrinhos sugerem que os
personagens dialogam no interior da escola.
Mal começaste a conhecer a vida
IV. No terceiro quadrinho, a expressão facial de ambos os Já anuncias a hora de partida
personagens revela indignação com a atuação do prefeito. Sem saber mesmo o rumo que irás tomar.

Estão CORRETAS, apenas: Preste atenção, querida,


a) I e II. Embora eu saiba que estás resolvida
b) I e III. Em cada esquina cai um pouco tua vida
c) II e IV. Em pouco tempo não serás mais o que és.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.
Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos
Exercicio Proposto II Vai reduzir as ilusões a pó

QUETÃO 1 Preste atenção, querida


De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

QUESTÃO 03
Assinale a opção que tem correspondência de
sentido com a frase “Mal começaste a conhecer a vida” (v.
2), no Texto.
A) Começaste há pouco a conhecer a vida.
B) Não percebes o mal no mundo.
C) Já estás farta de conhecer a vida.
D) Começaste erradamente a conhecer a vida.
E) Só conheces as maldades da vida.

QUESTÃO 04
Na charge, o personagem formula uma pergunta Da leitura do texto de Cartola, depreende-se:
cuja resposta está sugerida pela imagem refletida no espelho. I. o sentimento de rejeição que o poeta tem pela juventude;
A partir dos elementos contidos na imagem, trata-se de uma II. os obstáculos que os sonhadores podem encontrar;
resposta que expressa o seguinte posicionamento: III. o desalento de quem desistiu de lutar;
A) recusa de uma denúncia
IV. o sinal de alerta para quem começa a viver;
B) refutação de uma avaliação
C) silenciamento de uma crítica V. a ternura que o autor dedica à destinatária da canção.
D) confirmação de uma hipótese
É(São) correta(s) apenas a(s) afirmação(ões):
QUESTÃO 02 A) I e II
B) II, IV e V
As mudanças na economia global têm produzido
C) III
uma dispersão das demandas ao redor do mundo. Isso ocorre D) III e IV
não apenas em termos de bens e serviços, mas também de E) III e V I
mercados de trabalho. A migração dos trabalhadores não é,
obviamente, nova, mas a globalização está estreitamente QUESTÃO 05
associada à aceleração da migração. E a migração produz Na literatura de cordel, o texto narrativo funciona
identidades plurais, mas também identidades contestadas, como um recurso de sociabilização dos “causos" populares
em um processo que é caracterizado por grandes contados através da oralidade e transcritos, com
desigualdades em termos de desenvolvimento. Nesse engenhosidade artesanal, pelos "poetas do povo", os quais
processo, o fator de expulsão dos países pobres é mais forte procuram evidenciar situações que levam tanto à reflexão
que o fator de atração das sociedades pós-industriais e quanto ao riso, transformando a mentalidade das pessoas e
tecnologicamente avançadas. Idem, ibidem, p. 21 (com tornando-as mais humanas. O texto a seguir ratifica essa ideia.
adaptações).

4
O poeta é um repórter D) Não criticar aquilo a que assiste.
De pensamento ligado E) Interagir com o apresentador de TV.
Ouvindo o que o povo diz
Fazendo todo apanhado QUESTÃO 08
E sai contando na rua Os dois primeiros quadros da tirinha criam no leitor
Tudo quanto foi passado. uma expectativa de desfecho que não se concretiza,
SILVA, M. C. Manoel Caboclo. São Paulo: Hedra, 2000. 03. gerando daí o efeito de humor. Nesse contexto, a conjunção
e estabelece a relação de
Com base no exposto, avalie as afirmações a seguir. A) conclusão.
I. A literatura de cordel apresenta estrutura formal bem B) explicação.
articulada. C) oposição.
D) consequência.
II. No excerto, o poeta de cordel é comparado ao E) alternância.
repórter por trazer informações sobre os fatos cotidianos.
III. Por apresentar elementos narrativos, os recursos QUESTÃO 09
poéticos são pouco explorados na literatura de cordel.
Considere o poema abaixo, de Carlos Drummond de
É correto o que se afirma em
Andrade, à luz da reprodução da pintura de Edvard Munch a
A) I, apenas.
B) III, apenas. que ele se refere.
C) I e II, apenas.
D) II e III, apenas. TEXTO I
E) I, II e III.
O grito (Munch)
QUESTÃO 06 A natureza grita, apavorante.
A velha Totonha de quando em vez batia no Doem os ouvidos, dói o quadro.
engenho. E era um acontecimento para a meninada. (...)
andava léguas e léguas a pé, de engenho a engenho, como TEXTO II
uma edição viva das histórias de Mil e Uma Noites (...) era uma
grande artista para dramatizar. Tinha uma memória de
prodígio. Recitava contos inteiros em versos, intercalando
pedaços de prosa, como notas explicativas. (...) Havia sempre
rei e rainha, nos seus contos, e forca e adivinhações. O que
fazia a velha Totonha mais curiosa era a cor local que ela
punha nos seus descritivos. (...) Os rios e as florestas por onde
andavam os seus personagens se pareciam muito com o
Paraíba e a Mata do Rolo. O seu Barba-Azul era um senhor de
engenho de Pernambuco.
(José Lins do Rego. Menino de engenho)

A cor local que a personagem velha Totonha


colocava em suas histórias é ilustrada, pelo autor, na seguinte
passagem:
A) “O seu Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco”.
B) “Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e
adivinhações”. O grito – Edvard Munch (1863-1944), Noruega
C) “Era uma grande artista para dramatizar. Tinha uma memória de
prodígio”.
D) “Andava léguas e léguas a pé, como uma edição viva das Mil e
Uma Noites”.
O texto de Drummond
E) “Recitava contos inteiros em versos, intercalando pedaços de I. traduz a estreita relação entre a forma e o conteúdo
prosa, como notas explicativas”. da pintura.
II. mostra como o desespero do homem retratado
repercute no ambiente.
TEXTO PARA AS QUESTÕES 07 E 08 III. contém o mesmo exagero dramático e aterrorizante
da pintura.
IV. interpreta poeticamente a pintura.

Está(ão) correta(s)
A) apenas I e II.
B) apenas I, II e IV.
C) apenas II, III e IV.
D) apenas III e IV.
E) todas.

QUESTÃO 10
(...) foi exatamente a tecnologia nascida da
[Link] Revolução Industrial que libertou o homem da histórica – na
c8uAKk/s1600/Tirinha_Sensacionalismo.jpg verdade pré-histórica – dependência de um bem de difícil
renovação: a madeira. (...) Na França, a substituição da
QUESTÃO 07 madeira pelo ferro só se completou na década de 1830. Até
Que atitude típica de parte do público televisivo é então, as florestas estavam submetidas a um processo de
reproduzida por Calvin, o garoto da tirinha? devastação que as deixou com o tamanho que tinham... nos
A) Assistir àquilo que critica.
anos 1960. (César Benjamim, Nossos verdes amigos)
B) Assistir somente àquilo que está na moda.
C) Mudar de opinião de acordo com o momento.

5
As palavras exatamente e então, destacadas no b) o alvo de uma pedagogia revolucionária consistiria em
trecho, podem ser substituídas, sem prejuízo do sentido, transformar todo aluno em operário.
c) o objetivo primeiro desse tipo de instrução era formar quadros
respectivamente,
A) por mesmo – aquele ano. militantes para o movimento sindical. d) o intuito desse sistema de
ensino era buscar conciliar o aprendizado com uma postura favorável
B) Certamente – lá.
à mudança social.
C) precisamente – essa década.
e) a preocupação maior dessa atitude educacional voltava-se para
D) corretamente – onde.
uma ética leiga e liberal, mas anticientifíca.
E) naturalmente – na França.

QUESTÃO 11 QUESTÃO 14
Supõe tu um campo de batatas e duas tribos Texto 1
famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das
tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir Tinha dezessete anos; pungia-me um buçozinho que
à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as eu forcejava por trazer a bigode. Os olhos, vivos e resolutos,
duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não eram a minha feição verdadeiramente máscula. Como
chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A ostentasse certa arrogância, não se distinguia bem se era uma
paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. criança, com fumos de homem, se um homem com ares de
Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a menino. Ao cabo, era um lindo garção, lindo e audaz, que
alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas entrava na vida de botas e esporas, chicote na mão e sangue
públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a nas veias, cavalgando um corcel nervoso, rijo, veloz, como o
guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a corcel das antigas baladas, que o romantismo foi buscar ao
dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e castelo medieval, para dar com ele nas ruas do nosso século.
ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo O pior é que o estafaram a tal ponto, que foi preciso deitá-lo
racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que à margem, onde o realismo o veio achar, comido de lazeira e
virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vermes, e, por compaixão, o transportou para os seus livros.
vencedor, as batatas. (Machado de Assis) Sim, eu era esse garção bonito, airoso, abastado; e
facilmente se imagina que mais de uma dama inclinou diante
Considere as seguintes proposições sobre o texto. de mim a fronte pensativa, ou levantou para mim os olhos
I. As duas tribos existem separadamente uma da outra. cobiçosos. De todas porém a que me cativou logo foi uma...
II. A necessidade de alimentação determina os termos do uma... não sei se diga; este livro é casto, ao menos na
relacionamento entre as duas tribos. intenção; na intenção é castíssimo. Mas vá lá; ou se há de
III. O relacionamento entre as duas tribos pode ser amistoso, dizer tudo ou nada. A que me cativou foi uma dama
porém de consequências mortais para ambas as tribos (“dividem entre espanhola, Marcela, a “linda Marcela”, como lhe chamavam
si as batatas”) ou competitivo (“uma das tribos extermina a outra”).
os rapazes do tempo. E tinham razão os rapazes. Era filha de
IV. Vencem, sobrevivem e perpetuam a espécie os que são
mais fortes. um hortelão das Astúrias; disse-mo ela mesma, num dia de
sinceridade, porque a opinião aceita é que nascera de um
Estão corretas letrado de Madri, vítima da invasão francesa, ferido,
A) I e IV, apenas. encarcerado, espingardeado, quando ela tinha apenas doze
B) II e III, apenas. anos.
C) III e IV, apenas. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
D) I, II e III, apenas. Texto 2
E) todas. Durante dois anos, o cortiço prosperou de dia para
dia, ganhando forças, socando-se de gente. E ao lado o
LEIA O TEXTO E RESPONDA ÀS QUESTÕES 12 E 13 Miranda assustava-se, inquieto com aquela exuberância
Tratava-se de uma orientação pedagógica que acreditava brutal de vida, aterrado defronte daquela floresta implacável
no papel da instrução como base prévia das transformações que lhe crescia junto da casa, por debaixo das janelas, e cujas
sociais. Ela preconizava uma educação rigorosamente leiga raízes, piores e mais grossas do que serpentes, minavam por
em classes mistas, sem religião, com predomínio da ciência toda a parte, ameaçando rebentar o chão em torno dela,
apelando para a iniciativa do aluno e criando para ele rachando o solo e abalando tudo. Posto que lá na Rua do
condições atraentes de aprendizado, com o fim de formar Hospício os seus negócios não corressem mal, custava-lhe a
cidadãos independentes não submetidos aos preconceitos. sofrer a escandalosa fortuna do vendeiro “aquele tipo! um
Ao mesmo tempo, Ferrer pregava a organização sindical dos miserável, um sujo, que não pusera nunca um paletó, e que
professores e a sua solidariedade com o movimento operário, vivia de cama e mesa com uma negra!”
como consequência lógica do pressuposto segundo o qual a À noite e aos domingos, ainda mais recrudescia o seu
instrução leiga e científica leva necessariamente a desejar a azedume, quando ele, recolhendo-se fatigado do serviço,
transformação da sociedade. (Antonio Candido, Teresina deixava-se ficar estendido numa preguiçosa, junto à mesa da
etc...) sala de jantar, e ouvia, a contragosto, o grosseiro rumor que
vinha da estalagem numa exalação forte de animais
QUESTÃO 12 cansados. Não podia chegar à janela sem receber no rosto
aquele bafo, quente e sensual, que o embebedava com o
Com base no texto, pode-se afirmar que o modelo seu fartum de bestas no coito.
pedagógico defendido pretendia aliar: E depois, fechado no quarto de dormir, indiferente e
A) Religião, obscurantismo e mudança política. habituado às torpezas carnais da mulher, isento já dos
B) Estado laico, corpo docente e sindicalização dos discentes. primitivos sobressaltos que lhe faziam, a ele, ferver o sangue e
C) Ciência, participação do aluno e transformação da sociedade.
perder a tramontana, era ainda a prosperidade do vizinho o
D) Formação leiga, nivelamento social e cidadania.
E) Quebra de preconceitos, identidade operária e revolução. que lhe obsedava o espírito, enegrecendo-lhe a alma com
um feio ressentimento de despeito.
QUESTÃO 13 Tinha inveja do outro, daquele outro português que
Depreende-se do texto que: fizera fortuna, sem precisar roer nenhum chifre; daquele outro
a) a finalidade de qualquer educação é o esclarecimento em que, para ser mais rico três vezes do que ele, não teve de
assuntos sexuais em classes mistas. casar com a filha do patrão ou com a bastarda de algum
fazendeiro freguês da casa!

6
Mas então, ele Miranda, que se supunha a última em seu diário, pouco mais de um ano antes do quadro:
expressão da ladinagem e da esperteza; ele, que, logo depois “Estava andando por um caminho com dois amigos – o sol
do seu casamento, respondendo para Portugal a um ex- estava se pondo – quando, de repente, o sol tornou-se
colega que o felicitava, dissera que o Brasil era uma vermelho como o sangue. Eu parei, sentindo-me exausto, e
cavalgadura carregada de dinheiro, cujas rédeas um homem me encostei na cerca – havia sangue e línguas de fogo sobre
fino empolgava facilmente; ele, que se tinha na conta de o fiorde negro e a cidade. Meus amigos continuaram
invencível matreiro, não passava afinal de um pedaço de andando, e eu fiquei lá, tremendo de ansiedade – e 13senti um
asno comparado com o seu vizinho! Pensara fazer-se senhor grito infinito atravessando a natureza”.
do Brasil e fizera-se escravo de uma brasileira mal-educada e 14Ali nasceria um novo movimento artístico. 15 O Grito

sem escrúpulos de virtude! Imaginara-se talhado para grandes seria a pedra fundadora do expressionismo, a principal
conquistas, e não passava de uma vítima ridícula e vanguarda alemã dos anos 1910 aos 1930.
sofredora!... Sim! no fim de contas qual fora a sua África?... Aventuras na História

Enriquecera um pouco, é verdade, mas como? a que preço? QUESTÃO 15


hipotecando-se a um diabo, que lhe trouxera oitenta contos Atente ao que se diz sobre as relações entre os
de réis, mas incalculáveis milhões de desgostos e vergonhas! seguintes elementos referenciais:
Arranjara a vida, sim, mas teve de aturar eternamente uma I. “essa revolução” (referência 4) retoma tudo o que foi dito
mulher que ele odiava! E do que afinal lhe aproveitar tudo no primeiro parágrafo.
isso? Qual era afinal a sua grande existência? Do inferno da II. “fotógrafo” (referência 6) retoma Munch.
casa para o purgatório do trabalho e vice-versa! Invejável III. “a linguagem dos impressionistas” (referência 7) refere-se
sorte, não havia dúvida! a “sensações” (referência 2).
O Cortiço, de Aluízio de Azevedo
Está correto o que se diz apenas em
Considerando as características temáticas e a) II.
estilísticas dos textos 1 e 2, analise as proposições a seguir. b) I e III.
I. O Texto 1 é um trecho de um importante romance de Machado de c) II e III.
Assis, o qual destaca episódios da vida do próprio autor. d) I.
II. No Texto 1, é possível perceber costumes do cotidiano burguês
numa cidade do século XIX, levando o leitor a constatar, pela postura QUESTÃO 16
individual do protagonista, um segmento social dosado de humor nas Sobre o enunciado “Tornou-se artista sob forte
suas próprias experiências. oposição do pai, que morreria quando Munch tinha 25 anos e
III. No Texto 2, é apresentado o comportamento decadente da
o deixaria na pobreza” (referência 9), é correto dizer que a
sociedade burguesa da segunda metade do século XIX, em que
prevalece o interesse individual.
expressão “sob forte oposição do pai” tem valor semântico de
a) modo.
IV. As personagens de Aluísio Azevedo, em O Cortiço, são
b) concessão.
alicerçadas nas ideias de Taine, presas ao ambiente e à
c) consequência.
hereditariedade, limitadas pelas questões sociais e pelo meio onde
d) causa.
vivem suas experiências.

Estão CORRETAS: TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


a) I, II, III e IV. PORTÃO
b) I, III e IV, apenas.
c) II e III, apenas. O portão fica bocejando, aberto
d) II, III e IV, apenas. para os alunos retardatários.
e) II e IV, apenas. Não há pressa em viver
nem nas ladeiras duras de subir,
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 1quanto mais para estudar a insípida cartilha.
GRITO Mas se o pai do menino é da oposição,
Quadro que fundou o expressionismo nasceu de um ataque à 2ilustríssima autoridade municipal,
de pânico. prima por sua vez da 3sacratíssima
autoridade nacional,
Edvard Munch nasceu em 1863, mesmo ano em que O 4ah, isso não: o vagabundo
piquenique no bosque, de Édouard Manet, era exposto no ficará mofando lá fora
Salão dos Rejeitados, chamando a atenção para um e leva no boletim uma galáxia de zeros.
movimento que nem nome tinha ainda. 1Era o impressionismo,
superando séculos de pintura acadêmica. Os impressionistas A gente aprende muito no portão
deixaram o realismo para a fotografia e se focaram no que fechado.
ela não podia mostrar: as 2sensações, a parte subjetiva do que ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Carlos Drummond de Andrade: Poesia e
se vê. Prosa. Editora Nova Aguilar:1988. p. 506-507.
3Crescendo durante 4essa 5revolução, Munch – que,

aliás, também seria 6fotógrafo – achava 7a linguagem dos QUESTÃO 17


impressionistas superficial e científica, discreta demais para Os dois superlativos (ref. 2 e 3) emprestam ao poema
expressar o que sentia. E ele sentia: Munch tinha uma história um tom de
familiar trágica: 8perdeu a mãe e uma irmã na infância, teve a) ironia.
b) seriedade.
outra irmã que passou a vida em asilos psiquiátricos. 9Tornou- c) respeito.
se artista sob forte oposição do pai, que morreria quando d) espiritualidade.
Munch tinha 25 anos e o deixaria na pobreza. O artista sempre
viveu na boemia, entre bebedeiras, brigas e romances QUESTÃO 18
passageiros, tornando-se amigo do filósofo niilista Hans Jæger, A passagem transcrita abaixo faz parte do capítulo
que acreditava que o suicídio era a forma máxima da IX (“Transição”), de Memórias Póstumas de Brás Cubas:
libertação.
10 Fruto de suas obsessões, 11 O Grito não foi seu primeiro
E vejam agora com que destreza, com que arte faço
quadro, mas o que o tornaria célebre. 12A inspiração veio do eu a maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio
que parece ter sido um ataque de pânico, que ele escreveu começou em presença de Virgília; Virgília foi meu grão

7
pecado da juventude; não há juventude sem meninice; [IV] a expressão facial de Mafalda revela frustração, já que a resposta
meninice supõe nascimento; e eis aqui como chegamos nós, de Miguelito comprovava que o exemplo a que tinha recorrido para
transmitir o conceito de “sujeito” não obtivera êxito.
sem esforço, ao dia 20 de outubro de 1805, em que nasci.
Assim, é correta a opção [A].
Viram? Nenhuma juntura aparente, nada que divirta a
atenção pausada do leitor: nada.
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 2000.) Exercicio Proposto I
Este fragmento ilustra bem o estilo narrativo da obra, Resposta da questão 01: [D] - Na charge, o autor apresenta uma
que é marcada pela paráfrase de um enunciado contido em um conhecido conto de fadas.
a) liberdade técnica com que se encadeiam os eventos da história. Em sua formulação, o enunciado “Espelho, espelho meu, existe alguém
b) rigidez da técnica narrativa, indispensável à Escola Realista. mais invisível do que eu?!” contém o pressuposto de que o personagem
c) fidelidade à ordem cronológica linear dos acontecimentos. seja invisível. Ao não apresentar o reflexo do personagem no espelho, a
d) negação da cientificidade narrativa típica da Escola Romântica. parte não verbal da charge confirma a hipótese contida na frase.
Resposta da questão 02: [D] - O autor do texto argumenta que
as mudanças na economia são fatores de aceleração na migração de
mão de obra. Atesta que ela (a migração) aconteceria de qualquer
GABARITO maneira, mas não na velocidade permitida pela globalização. Aduz,
ainda, que a miscigenação de culturas cria identidades plurais e, ao
mesmo tempo, desequilíbrio de desenvolvimento, porque os países
pobres tendem a exportar mais trabalhadores do que os países ricos
Exercicio Proposto I conseguem absorver. A única alternativa que resume perfeitamente a
ideia é a “D”.
Resposta da questão 03: [A] - O advérbio “mal”, no texto, não
Resposta da questão 1: [B] - As campanhas buscam convencer os
tem conotação negativa. É, na verdade, um indicativo de tempo, com
interlocutores de algo. Assim, é comum a utilização de verbos no modo
o sentido de “recentemente”, “há pouco tempo”. Com isso, estão
imperativo (modo da ordem, do conselho) e a identificação direta
incorretas as letras B, C, D e Ee correta a alternativa A.
com o interlocutor por meio de pronomes (como o “você”). Em
Resposta da questão 04: [B] - I: incorreta. Ao contrário, o poeta
“proteja o futuro de quem você mais ama” vemos o uso do imperativo
preocupa-se com a juventude de sua interlocutora e cuida de informá-
em “proteja” e também do pronome “você”.
la das dificuldades da vida; II: correta. O texto descreve uma série de
Resposta da questão 2: [D] - O texto é uma narrativa e vale-se de
conflitos comuns no dia a dia, os quais muitas vezes acabam por trazer
elementos narrativos tais como personagens, espaço, tempo e ações
tristezas e decepções; III: incorreta. O poeta não desistiu de viver ou lutar
para constituir-se.
pela felicidade. Ele apenas busca, por meio de conselhos, tornar mais
Resposta da questão 3: [E] - A expressão “mal viu a porta” traz a ideia
fácil a vida de sua interlocutora; IV: correta. Este é, inclusive, o tema
temporal de que logo em seguida algo aconteceu. Assim, pode-se
principal passado pela mensagem do poeta; V: correta. O carinho que
substituir “mal viu a porta” por “assim que viu a porta”, mantendo esse
o poeta sente por sua interlocutora é demonstrada pelo tratamento
sentido de sucessão de acontecimentos.
adotado (“amor” e “querida”).
Resposta da questão 4: [A]
Resposta da questão 05: [C] - A alternativa C é a correta por
Resposta da questão 5: [C] - As proposições I e IV são incorretas, pois
contemplar duas afirmações (I e II) que validam a estrutura da literatura
[I] o eu lírico expressa seus sentimentos de forma intensa, carregada de
de cordel. Por suas características formais (versos, rimas métricas) e por
subjetividade, o que caracteriza a poesia de Álvares de Azevedo,
seus recursos narrativos com ênfase nas descrições dos personagens, o
filiado à Segunda Geração do Romantismo brasileiro, também
gênero “Literatura de Cordel” expressa em seus versos traços marcantes
denominado Ultrarromantismo.
da diversidade cultural presentes na sociedade brasileira. O comentário
[IV] nos poemas de Álvares de Azevedo, de modo geral, existe
do excerto “Manoel Caboclo”, colocando o poeta de cordel e o repórter
expressão de subjetividade intensa que emerge das emoções e
como contadores de história da contemporaneidade expressa o recurso
devaneios do eu lírico, exacerbados pelo uso da imaginação.
linguístico e poético da metáfora frequentemente utilizado pelo poeta.
Resposta da questão 6: [C] - Apenas a opção [III] é incorreta, pois o
Resposta da questão 06: [A] - A “cor local” a que a velha Totonha
humor do texto reside na avaliação da professora relativamente à frase
se referia em suas descrições corresponde ao que ela assimilava de seu
formada por Laura. Por não se dar conta da semelhança fônica entre
meio social e físico: paisagens, personagens, dentre outros.
o verbo “hospedar” e a expressão “os pedar”, a professora considerou
Resposta da questão 07: [A] - Na tirinha de Calvin, notamos que
correto o que era, na verdade, incorreto, segundo o padrão linguístico
o protagonista age contrariando a sua crítica, ou seja, assiste, assim
socialmente instituído. Assim, são válidas apenas as proposições
como boa parte do público televisivo, àquilo que critica. Observemos
enunciadas em [C].
que, nos dois primeiros quadrinhos, Calvin critica o noticiário não
Resposta da questão 7: [D] - A pequena narrativa expõe uma situação
informativo e o sensacionalismo barato; porém, mesmo assim, assiste à
que acontece no cotidiano e é normalmente objeto de crítica
programação.
daqueles para quem a língua deve obedecer às regras da gramática
Resposta da questão 08: [C] - Na tirinha de Calvin, a expectativa
normativa em qualquer situação, mesmo na linguagem coloquial. Na
criada no leitor é a de que Calvin não assiste à programação televisiva
anedota, observa-se que nenhum dos alunos conseguiu entender o
por não ser informativa e por valorizar o sensacionalismo barato. Porém,
conceito da classe “verbo”, pois todas as respostas às perguntas que
no último quadrinho ( e daí o efeito de humor!), temos uma contradição:
lhes foram formuladas apresentavam um substantivo que, ao ser
Calvin diz que adora a programação. Nesse contexto, então,
pronunciado, revelava uma tendência natural da língua, denominada
percebemos que o conectivo "E" denota oposição. Alternativa C.
rotacismo: trocar o “l” pelo “r” em encontros consonantais. A professora
Resposta da questão 09: [E] - Todas as alternativas estão corretas,
não obteve sucesso na sua tentativa de transmitir o conceito, já que a
haja vista forma e conteúdo (quadro e desespero) estarem presentes no
resposta considerada correta era, na verdade, incorreta, como se
poema. O desespero está representado em todo o ambiente, desde a
afirma em [D].
expressão da personagem até o quadro, como no todo. O exagero está
Resposta da questão 8: [B] - O discurso da professora apresenta traços
na síntese: a seleção do léxico traduz o momento apavorante da pintura.
marcantes de sua identidade profissional, pois usa linguagem formal
O item IV mostra a pintura do ponto de vista do poema.
em frases em que predomina a função injuntiva ou instrucional. Esta
Resposta da questão 10: [C] - O advérbio exatamente significa
função tem como objetivo principal transmitir para o leitor mais do que
“rigorosamente, precisamente”; então, também advérbio, significa
simples informações. Ela visa, sobretudo, a instruir, explicar,
“nesse (ou naquele) momento”, retomando a expressão “década de
convencendo-o a executar uma açã[Link], é válida a opção [B].
1830”. Resposta: C
Resposta da questão 9: [E] - O humor da tirinha se constrói com base no
Resposta da questão 11: [E] - Todas as proposições estão
fato de Miguelito confundir a definição de sujeito como elemento
corretas. Trata-se da lei do mais forte. A destruição de alguns pode ser
sintático de uma oração com o responsável do organismo municipal
justificada quando se trata da sobrevivência de outros; daí resultaria o
que cuida do lixo urbano. Assim, é correta a opção [E].
próprio princípio regulador da existência humana. Resposta: E
Resposta da questão 10: [A] - As proposições [III] e [IV] são incorretas,
Resposta da questão 12: [C] - “Com predomínio da ciência”,
pois
“apelando para a iniciativa do aluno” e “com o fim de formar cidadãos
[III] o cenários reproduzidos nos quadrinhos sugerem que os
independentes não submetidos aos preconceitos” são expressões que
personagens dialogam na rua, portanto, em ambiente externo;
validam a alternativa.

8
Resposta da questão 13: [D] - é uma paráfrase da 1ª oração do
texto, indicando que o papel do ensino era necessário para a ocorrência
de mudanças sociais.
Resposta da questão 14: [D] - [I] Falsa. O narrador de Memórias
Póstumas de Brás Cubas é o defunto-autor, Brás Cubas, e não o autor,
Machado de Assis.
[II] Verdadeira. Brás Cubas representa a ociosidade da elite
brasileira do século XIX. Ironicamente, mostra-se como um charmoso
moço, porém seduzido pela “bela Marcela”, uma prostituta.
[III] Verdadeira. Miranda representa a elite brasileira, o
português que veio ao Brasil para enriquecer; no entanto, assume
invejar seu vizinho, outro português, que enriqueceu sem precisar se
casar com uma mulher adúltera para alcançar seus objetivos.
[IV] Verdadeira. O Cortiço é um romance de tese apoiado no
Determinismo: os indivíduos têm seu comportamento pré-determinado
por elementos mesológicos (é o caso de Jerônimo, que se abrasileira
ao conviver no cortiço com os brasileiros), genéticos (é o caso da
sedutora Rita Baiana, brasileira) e sociais (a necessidade de enriquecer
para atender a padrões impostos pela sociedade, como ocorre com
Miranda e João Romão).
Resposta da questão 15: [D] - As proposições [II] e [III] são
incorretas, pois:
[II] “fotógrafo” exerce função de predicativo do sujeito da
oração adjetiva, retomando assim o pronome relativo “que”, sujeito
dessa mesma oração;
[III] “a linguagem dos impressionistas” refere-se genericamente
às características do movimento estético.
Como apenas [I] é correta, é válida a opção [D].
Resposta da questão 16: [B] - A expressão “sob forte oposição
do pai” faz menção a um fato que poderia impedir Munch de se tornar
um grande artista, mas que se revelou incapaz de desviá-lo desse
objetivo. Assim, a expressão apresenta valor semântico de concessão,
como se menciona em [B].
Resposta da questão 17: [A] - O poema expressa uma dura
crítica à realidade escolar em que predominam o desinteresse dos
alunos e o preconceito dos docentes que não hesitam em tolerar as
falhas dos que partilham as suas convicções políticas e castigar os que
lhes são contrários. Assim, os superlativos “ilustríssima” e “sacratíssima”
são usados para caracterizar ironicamente as “autoridades” e
denunciar esse tipo de comportamento.
Resposta da questão 18: [A] - O narrador metalinguisticamente
adverte o leitor para o estilo que vai usar para descrever o momento
do delírio que antecede a sua morte. A presença de Virgília remete-o
à sua juventude esta à sua meninice, e em consequência, ao dia em
que nasceu. Os saltos da memória parecem coerentes e propícios a
uma narrativa ágil que liga naturalmente o momento da morte ao do
nascimento. Através da analepses, interrupção na sequência
temporal, a narrativa volta no tempo a partir do ponto em que a
história chegou, a fim de apresentar o relato de eventos passados.
Assim, é correta a opção [A].

ANOTE

9
Propósito comunicativo
Exercicio Proposto I
Falar de propósito comunicativo é pensar em sua
função e de sua estrutura, mais conhecida com forma. É QUESTÃO 01
através dessas duas relações que iremos procura interligar a A partir da leitura da charge abaixo, é possível inferir
pessoa solicitante, ou seja, o requerente e o objeto requerido que o/a
ao órgão ou instituição, que irá deferir ou indeferir a
solicitação. Dentro dessa definição, o requerimento busca
obter determinada resposta para atender possíveis
necessidades.
O propósito é o definidor do gênero,
independentemente da forma que dado gênero venha a ter.
Ao fazermos uso da linguagem em nosso dia-a-dia,
conseqüentemente fazemos uso dos gêneros, pois nossos
discursos se dão em forma de textos, centralizados e
catalizados nos diversos gêneros que produzimos
conscientemente, ou inconscientemente, é isso que nos
permite a comunicação verbal, nesse sentido percebemos
que os gêneros servem como mediadores e organizadores de
nossas atividades sociais, eis a importância e a relevância de
seu estudo de forma aprofundada e dialogizada.
O uso diário dos gêneros provoca várias mudanças
tanto na estrutura como no propósito, estas mudanças
dependem do uso que cada comunidade discursiva realiza
com cada gênero. De forma interativa, propósito e forma
entrecruzam-se, ajudando na a) conceito da felicidade está de acordo com uma hierarquização
identificação e caracterização de cada gênero, por esse de objetivos de vida.
motivo não podemos dicotomizar forma e propósito. Sendo b) último quadrinho adicionou um sentido falacioso no que se refere
assim, tanto o propósito comunicativo, quanto a forma são à conquista da felicidade.
importantes e os dois trabalham unidos, sendo ambos c) conquista do Ipad torna-se o ideal de felicidade, que é alcançado
definidores/caracterizadores dos gêneros. pelo personagem da tira.
Não podemos esquecer que cabe ao propósito d) consumismo está indiretamente relacionado à busca da
felicidade.
comunicativo a tarefa de organizar as ações que são feitas
com os gêneros dentro das comunidades discursivas, ou seja,
QUESTÃO 02
é o determinante das atividades a serem cumpridas com os
gêneros.
Vemos, então, que o propósito serve como um
condutor das atividades sociais realizadas através dos
gêneros, porém, sabemos que ele não serve como único
definidor do gênero, devemos levar em consideração tanto a
forma como o propósito, pois ora identificamos determinado
gênero por sua forma, ora por sua função.
É o propósito comunicativo que conduz as atividades
lingüísticas da comunidade discursiva; é o propósito
comunicativo que serve de critério prototípico para a
identidade do gênero e é o propósito comunicativo que
opera como determinante primário da tarefa.
Em virtude de tudo que foi mencionado acima, sobre
definição, estrutura, organização e relação entre requerente
e objeto requisitado no propósito comunicativo. Faremos uma
demonstração gráfica sobre o requerimento do IFET (Instituto
Federal de Educação Ciência e Tecnologia), onde veremos a
quantidade de solicitação para determinado objeto
Acudiro. Nhola tinha ânsia, tonteira, celeração, corpo
requerido.
Fonte: [Link] largado, não via nada, nem a lampa da candeia. Dei chá de
goiabeira. Esperei clareá o dia, bandiei o corgo, fui na casa
da Delíria. Aí falei:
— Delíria, me prouve um insonso de sal, Nhola tá ruim...
Delíria me pruveu o sal.
Eu fiz um engrossado de farinha de milho, Nhola
comeu, descansou, miorou e falou:
— Nunca comi comesinho tão bão. Louvado seja
Deus.
Nóis demos gaitada... Aí correu mundo que Nhola teve
vertige de fraqueza, falta de cumê... A casa se encheu de
vizinho. Cada um trazendo uma coisa pra nóis. Até pedaço
de capado e cuia de sal; café pilado e açúcar branco.
Nóis fiquemo tão contente... Nhola dava gaitada...
virou uma infância.
CORALINA, Cora. Quadrinhos da vida. In: Estórias da casa velha da ponte. 13. ed.
São Paulo: Global, 2006. p. 39-40.

10
A temática da pobreza TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:
a) é abordada de maneira análoga nos dois textos, pois o primeiro GATES E JOBS
sugere ajuda humanitária entre as classes sociais, e o segundo explicita
um drama de ordem moral.
Quando as órbitas se cruzam
b) é tratada de modo igual em ambos os textos, uma vez que os
problemas aos quais aludem não são minimizados por quaisquer ações
7Em astronomia, quando as órbitas de duas estrelas
governamentais.
c) surge associada a um problema de impossível solução nos se entrecruzam por causa da interação gravitacional, tem-se
quadrinhos e a uma questão político-religiosa no excerto literário. um sistema binário. Historicamente, ocorrem situações
d) surge associada a uma questão político-social nos quadrinhos e a análogas quando uma era é moldada pela relação e
um entrave social suavizado pela caridade no texto de Cora Coralina. rivalidade de dois grandes astros orbitando: Albert Einstein e
Niels Bohr na física no século XX, por exemplo, ou Thomas
QUESTÃO 03 Jefferson e Alexander Hamilton na condução inicial do
Leia a tira abaixo. governo americano. Nos primeiros trinta anos da era do
computador pessoal, a partir do final dos anos 1970, o sistema
estelar binário definidor foi composto por dois indivíduos de
grande energia, que largaram os estudos na universidade,
ambos nascidos em 1955.
Bill Gates e Steve Jobs, apesar das ambições
semelhantes no ponto de convergência da tecnologia e dos
negócios, 5tinham origens bastante diferentes e
personalidades radicalmente distintas.
À diferença de Jobs, Gates entendia de programação
Sobre a argumentação de Calvin, considere as e tinha uma mente mais prática, mais disciplinada e com
seguintes afirmativas: grande capacidade de raciocínio analítico. Jobs era mais
1. Ao se dirigir à professora, Calvin faz uma simulação do discurso
intuitivo, romântico, e dotado de mais instinto para tornar a
jurídico, tanto no vocabulário quanto na organização dos argumentos.
2. A argumentação de Calvin está fundada na premissa de que a tecnologia usável, o design agradável e as interfaces
ignorância é uma condição necessária para a felicidade. amigáveis. Com sua mania de perfeição, era extremamente
3. Calvin questiona a eficiência da professora quando diz que sua exigente, além de administrar com carisma e intensidade
aula é uma tentativa deliberada de privá-lo da felicidade. indiscriminada. 3Gates era mais metódico; as reuniões para
4. Ao gritar “Ditadura!” no último quadrinho, Calvin protesta contra o exame dos produtos tinham horário rígido, e ele chegava ao
desrespeito à Constituição, que lhe garante o direito inalienável à cerne das questões com uma habilidade ímpar. Jobs
felicidade.
encarava as pessoas com uma intensidade cáustica e
ardente; Gates às vezes não conseguia fazer contato visual,
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. mas era essencialmente bondoso.
4“Cada qual se achava mais inteligente do que o
b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras. outro, mas Steve em geral tratava Bill como alguém
d) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras. levemente inferior, sobretudo em questões de gosto e estilo”,
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras. diz Andy Hertzfeld. “Bill menosprezava Steve porque ele não
sabia de fato programar.” Desde o começo da relação,
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 6Gates ficou fascinado por Jobs e com uma ligeira inveja de

Com base na charge abaixo, responda à questão a seguir. seu efeito hipnótico sobre as pessoas. Mas também o
considerava “essencialmente esquisito” e “estranhamente
falho como ser humano”, e se sentia desconcertado com a
grosseria de Jobs e sua tendência a funcionar “ora no modo
de dizer que você era um merda, ora no de tentar seduzi-lo”.
Jobs, por sua vez, via em Gates uma estreiteza enervante.
2Suas diferenças de temperamento e personalidade
1iriam levá-los para lados opostos da linha fundamental de

divisão na era digital. Jobs era um perfeccionista que adorava


estar no controle e se comprazia com sua índole intransigente
de artista; ele e a Apple se tornaram exemplos de uma
estratégia digital que integrava solidamente o hardware, o
software e o conteúdo numa unidade indissociável. Gates era
QUESTÃO 04 um analista inteligente, calculista e pragmático dos negócios
Na charge, além da crítica à arte moderna presente e da tecnologia; dispunha-se a licenciar o software e o sistema
na fala do personagem, é possível identificar ainda outra operacional da Microsoft para um grande número de
crítica. Esta outra crítica está relacionada ao seguinte fabricantes.
aspecto: Depois de trinta anos, Gates desenvolveu um respeito
a) moral
relutante por Jobs. “De fato, ele nunca entendeu muito de
b) estético
c) econômico tecnologia, mas tinha um instinto espantoso para saber o que
d) acadêmico funciona”, disse. Mas Jobs nunca retribuiu valorizando
devidamente os pontos fortes de Gates. “Basicamente Bill é
QUESTÃO 05 pouco imaginativo e nunca inventou nada, e é por isso que
Ao formular sua crítica, o personagem demonstra acho que ele se sente mais à vontade agora na filantropia do
certo distanciamento em relação à arte moderna. Uma que na tecnologia”, disse Jobs, com pouca justiça. “Ele só
marca linguística que expressa esse distanciamento é o uso pilhava despudoradamente as ideias dos outros.”
de: (ISAACSON, Walter. Steve Jobs: a biografia. São Paulo: Companhia das Letras,
2011. p. 189-191. Adaptado)
a) terceira pessoa
b) frase declarativa
c) reticências ao final
d) descrição do objeto

11
QUESTÃO 10
No último quadro, a fala da minhoca revela uma
reação comum das vítimas de discriminação.
Essa fala deixa subentendida a intenção da personagem de:
a) atacar o opressor com alguma iniciativa
b) questionar a razão de vários preconceitos
c) aceitar sua condição de certa inferioridade
d) transferir seu problema para outro grupo

QUESTÃO 11
Na tira, as duas cobras estão dialogando entre si,
quando a minhoca interfere.
Nessa situação, a repetição e o tom exclamativo da fala da
minhoca destacam principalmente a seguinte característica
da personagem:
a) raiva
b) ansiedade
c) intolerância
d) contrariedade

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


Você reconhece quando chega a felicidade?

Tenho uma forte antipatia pela obrigação de ser feliz


QUESTÃO 06
que acompanha o Carnaval. 17Quem foge da folia ganha o
Assinale a sentença cuja figura de linguagem foi
rótulo de antissocial, depressivo ou chato. Nada contra o
indicada corretamente entre parênteses.
a) “Gates e Jobs – Quando as órbitas se cruzam.” (comparação)
Carnaval. Apenas contra essa confusão de conceitos. Uma
b) “Jobs encarava as pessoas com uma intensidade cáustica e festa alegre não significa que você esteja plenamente feliz. E
18forçar uma situação de felicidade tem tudo para terminar
ardente;” (catacrese)
c) “... ora no modo de dizer que você era um merda, ora no de tentar em arrependimento e frustração.
seduzi-lo”. (metáfora) 8Aliás, você reconhece a felicidade quando ela
d) “... Jobs, por sua vez, via em Gates uma estreiteza enervante.” chega? Sabe que está sendo feliz naquele momento? Espere
(metonímia)
um pouco antes de responder. Pense de novo. Estamos
falando de felicidade! Não de uma alegria qualquer. E qual é
QUESTÃO 07 a diferença? Bem, descrever a felicidade não é fácil. 1Ela é
Sobre a tira acima, NÃO se pode afirmar que muito recatada. Não fica ali posando para foto, sabe? Mas
a) a fala de São Pedro corrobora as ideias expostas no texto.
b) depreende-se um tom sarcástico nas falas dos dois interlocutores.
um Manual de Reconhecimento da felicidade diria mais ou
c) os verbos foram flexionados no imperativo afirmativo de acordo menos o seguinte: 9ela é mansa. Não faz barulho. Ao mesmo
com a norma padrão. tempo é farta. 13Quando chega, ocupa um espaço danado.
d) a colocação do pronome pessoal oblíquo no segundo quadrinho Apesar disso, você quase não repara que ela está ali. 10Se
é marca da linguagem coloquial brasileira. chamar a atenção, não é ela. É euforia. Alegria. 2A
licenciosidade de uma noite de Carnaval. 3Ou um reles frenesi
QUESTÃO 08 qualquer, disfarçado de felicidade.
Assinale a opção que NÃO contém uma estratégia A dita cuja é discreta. Discretíssima. E muito tranquila.
argumentativa utilizada no texto. Ela o faz dormir melhor. E olha, vou lhe contar 19uma coisa: a
a) Referências históricas. felicidade é inimiga da ansiedade. As duas não podem nem
b) Testemunhos. se ver. Essa é a melhor pista para o seu Manual de
c) Dados estatísticos.
d) Opinião pessoal.
Reconhecimento da Felicidade. 11Se você se apaixonou e
está naquela fase de pura ansiedade, mesmo que esteja
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES: superfeliz, não é felicidade. É excitação. Paixonite. Quando a
ansiedade for embora, pode ser que a felicidade chegue.
Com base na tira abaixo, responda às questões que
se seguem. Mas ninguém garante.
20É temperamental a felicidade. Não vem por qualquer

coisa. E para ficar então... hi, não conheço nenhum caso de


alguém que a tenha tido por perto a vida inteira. Por isso é tão
importante reconhecê-la quando ela chega. Entendeu agora
por que a minha pergunta? Será que você sabe mesmo
quando está feliz?
Ou será que você só consegue saber que foi feliz
quando a felicidade já passou?
12Eu estudo muito a felicidade. Mas não consigo

reconhecê-la. Talvez porque eu seja péssima fisionomista. Ou


porque ela seja muito mais esperta do que eu. Mais sábia. Fato
QUESTÃO 09 é que eu só sei que fui feliz depois. No futuro. Olho para o
No segundo quadro da tira, a minhoca se esconde passado e reconheço: “ 16Nossa, como eu fui feliz naquela
para não ser notada pelas cobras. época!” Mas no presente ela sempre me dá uma rasteira.
14Ando por aí, feliz da vida e nem sei que estou nesse estado.
Essa tentativa de desaparecimento da personagem
é enfatizada pelo uso do seguinte recurso: Por isso aproveito menos do que poderia a graça que é ter
a) caráter exclamativo de uma fala assim, tão pertinho, a tal felicidade.
b) movimento conjunto das cobras Nos últimos tempos, dei para fazer uma lista de
c) ausência da moldura do quadro momentos felizes. E aqui é importante deixar claro que esses
d) presença de personagens distintos
momentos devem durar um certo período de tempo. 4Um

12
episódio isolado feliz – como quatro dias de Carnaval, por A felicidade é como a gota de orvalho
exemplo – não significa felicidade. A felicidade, quando vem, numa pétala de flor,
não vem d8*e passagem. 15Não dura para sempre, mas dura brilha tranquila
um tempinho. Gosta de uma certa estabilidade, [...] Sabendo depois de leve oscila
quando você foi feliz, é mais fácil descobrir por que foi feliz. e cai como uma lágrima de amor.
Para ser ainda mais funcional, é bom que a lista seja
cronológica. 7Lendo a minha, constato que fico cada vez mais A minha felicidade
feliz e por mais tempo. está sonhando nos olhos
Será que ela está aqui agora? Não sei dizer. 6Mas a paz da minha namorada
de que desfruto agora é um sintoma dela. E isso não tem nada É como esta noite, passando,
a ver com a tal obrigação de ser feliz desfilando no passando em busca da madrugada
Sambódromo. Continuo meus estudos. 5Já tenho certeza de Fale baixo por favor
que hoje sou mais amiga da felicidade do que jamais fui em pra que ela acorde
qualquer tempo. alegre com o dia
Ana Paula Padrão (adaptado) oferecendo beijos de amor.
Revista ISTOÉ 2206, de 22/02/2012. MORAES, Vinicius e JOBIM, Tom. As mais belas serestas brasileiras. 9ª ed. Belo
Horizonte: Barvalle Indústria Gráfica Ltda, 1989.
QUESTÃO 12 QUESTÃO 02
Leia atentamente a charge e, a seguir, assinale a Sobre o texto, pode-se afirmar que
alternativa INCORRETA. a) é um soneto com versos tradicionais.
b) possui rimas ricas e raras.
c) a função da linguagem predominante é a conativa.
d) se trata de um poema com versos livres.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

a) A charge pode ser representativa do título do texto “Você reconhece


quando chega a felicidade?”.
b) Está implícita a ideia de felicidade no quadrinho 2.
c) A felicidade é um estado corriqueiro, como comprova o quadrinho 3.
d) A felicidade é associada a uma “caixinha de surpresa”.

Exercicio Proposto II
QUESTÃO 01
POÇAS D’ÁGUA

As poças d´água são um mundo mágico


Um céu quebrado no chão
Onde em vez de tristes estrelas
Brilham os letreiros de gás Néon.
(Mario Quintana, Preparativos de viagem, São Paulo, Globo, 1994.)

Levando-se em conta o texto como um todo, é


correto afirmar que a metáfora presente no primeiro verso se O PENSADOR DE RODIN
justifica porque as poças
a) estimulam a imaginação.
b) permitem ver as estrelas. Apoiado na mão rugosa o queixo fino,
c) são iluminadas pelo Néon. O Pensador reflete que é carne sem defesa:
d) se opõem à tristeza das estrelas. Carne da cova, nua em face do destino,
e) revelam a realidade como espelhos.
Carne que odeia a morte e tremeu de beleza.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
E tremeu de amor, toda a primavera ardente,
A Felicidade
E hoje, no outono, afoga-se em verdade e tristeza.
O “havermos de morrer” passa-lhe pela mente
Tristeza não tem fim felicidade sim.
Quando no bronze cai noturna escureza.
A felicidade é como a pluma
que o vento vai levando pelo ar,
E na angústia seus músculos se fendem sofredores.
voa tão leve, mas tem a vida breve
Sua carne sulcada enche-se de terrores,
precisa que haja vento sem parar.
Fende-se, como a folha de outono, ao Senhor forte
A felicidade do pobre
parece a grande ilusão do carnaval
Que o reclama nos bronzes. Não há árvore torcida
a gente trabalha o ano inteiro
Pelo sol na planície, nem leão de anca ferida,
por um momento de sonho
Crispados como este homem que medita na morte.
pra fazer a fantasia BANDEIRA, Manuel. O pensador de Rodin. In: Estrela da vida inteira. 20. ed. Rio de
de rei ou de pirata ou jardineira Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p. 408.
pra tudo se acabar na quarta-feira.

13
QUESTÃO 03 Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas,
No poema, Manuel Bandeira faz referência à O meu olhar no teu olhar suave.
escultura “O pensador”, realizada por Auguste Rodin, em
1889. Em relação à referida escultura, o poeta sugere uma As tuas mãos tão brancas danemia...
interpretação sob o viés do contraponto entre Os teus olhos tão meigos de tristeza...
a) a idealização da existência e o racionalismo da morte. É este enlanguescer da natureza,
b) a subjetividade da escultura e a objetividade da vida. Este vago sofrer do fim do dia.
c) o racionalismo do pensar e a angústia da reflexão.
d) o romantismo do ser humano e a exaltação da natureza.
Camilo Pessanha é considerado o expoente máximo
da poesia simbolista portuguesa. Os seus versos reúnem o que
QUESTÃO 04
há de mais marcante nesse estilo de época por traduzirem
A escultura e o poema
a) aludem, poeticamente, às várias fases da vida do ser humano.
sugestões, imagens visuais, sonoras e estados de alma, além
b) mesclam aspectos realistas em seu arranjo. de notória ausência de elementos que se detenham em
c) valorizam aspectos formais clássicos em sua composição. descrição ou em referência objetiva.
d) veiculam, poeticamente, noções de plenitude e liberdade humanas.
É correto afirmar que os versos do soneto
QUESTÃO 05 “Crepuscular” transcritos nas opções, a seguir, traduzem as
Mulher proletária considerações postas nesses comentários, com exceção de:
Jorge de Lima a) “Uma ternura esparsa de balidos,”
b) “As madressilvas murcham nos silvados”
c) “É este enlanguescer da natureza,”
Mulher proletária — única fábrica
d) “Há no ambiente um murmúrio de queixume,”
que o operário tem, (fabrica filhos) e) “Este vago sofrer do fim do dia.”
tu
na tua superprodução de máquina humana QUESTÃO 07
forneces anjos para o Senhor Jesus, Respirando os ares da modernidade literária, a
forneces braços para o senhor burguês. estética simbolista revela-se uma reação artística à
referencialidade que violentamente restringe a palavra
Mulher proletária, poética ao mundo das coisas e conceitos. No intuito de
o operário, teu proprietário libertar a linguagem poética, o Simbolismo explora diversos
há de ver, há de ver: recursos sensoriais a fim de sugerir mistérios. Simbolista,
a tua produção, Alphonsus de Guimaraens escreve muitos textos que apelam
a tua superprodução, para o símbolo visual, a imagem, carregado de insinuações
ao contrário das máquinas burguesas de misticismo e morte.
salvar o teu proprietário.
(In: Poesia completa. [Link]. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980. v.1)
Marque a alternativa cujos versos se relacionam ao
comentário acima.
Jorge de Lima é um poeta representativo da
a) Queimando a carne como brasas,
segunda geração modernista. Analise as proposições abaixo Venham as tentações daninhas,
acerca dos recursos expressivos que constroem a imagem da Que eu lhes porei, bem sob as asas,
“mulher proletária”. A alma cheia de ladainhas.
I. As metáforas “fábrica” e “máquina humana” são, de certo modo,
desveladas pela construção parentética “fabrica filhos”. b) Quando Ismália enlouqueceu,
II. Os dois últimos versos na primeira estrofe constituem eufemismos Pôs-se na torre a sonhar...
das ideias de mortalidade e de trabalho infantil. Viu uma lua no céu,
III. O trocadilho entre “prole” e “proletária” assinala a função social Viu outra lua no mar.
da mulher no contexto do poema.
IV. A gradação na segunda estrofe aponta para a submissão da c) Encontrei-te. Era o mês... Que importa o mês? agosto,
mulher e para a salvação do homem operário. Setembro, outubro, maio, abril, janeiro ou março,
V. Os últimos versos do poema sugerem que o trabalho da mulher Brilhasse o luar, que importa? ou fosse o sol já posto,
pode levar sua família à ascensão social. No teu olhar todo o meu sonho andava esparso.

Estão corretas, apenas: d) Lua eterna que não tiveste fases,


a) I, II e V Cintilas branca, imaculada brilhas,
b) II, III e IV E poeiras de astros nas sandálias trazes...
c) I, II e III
d) II e V e) Venham as aves agoireiras,
e) I e IV De risada que esfria os ossos...
Minh’alma, cheia de caveiras,
Está branca de padre-nossos.
QUESTÃO 06
“CREPUSCULAR”
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta
Há no ambiente um murmúrio de queixume,
e cidadão
De desejos de amor, dais comprimidos...
Uma ternura esparsa de balidos,
Sente-se esmorecer como um perfume. A morte chegou pelo interurbano em longas espirais
metálicas.
Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
As madressilvas murcham nos silvados
E o aroma que exalam pelo espaço, De repente não tinha pai.
Tem delíquios de gozo e de cansaço, No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor
Nervosos, femininos, delicados. [tua lembrança
Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
Sentem-se espasmos, agonias dave,
Inapreensíveis, mínimas, serenas... Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna

14
Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
De Augusto geralmente procrastinava a tarde. RECEITA DE MULHER
Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
Rangia nos trilhos a muitas praias de distância... As muito feias que me perdoem
Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva Mas beleza é fundamental. É preciso
Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de
Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último [haute couture*
Os doces espinhos da tua barba. Em tudo isso (ou então
Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e Que a mulher se socialize elegantemente em azul,
[paciência [como na República Popular Chinesa).
Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura Não há meio-termo possível. É preciso
De quem se deixou ser. Teus ombros possantes Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Se curvavam como ao peso da enorme poesia Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas
Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos [pousada e que um rosto
Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no
Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo [terceiro minuto da aurora.
Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
Vinicius de Moraes.
Mirando o mar). Dize-me, meu pai
Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance * “haute couture”: alta costura.
Que nunca revelaste a ninguém? QUESTÃO 09
Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o No conhecido poema “Receita de mulher”, de que
atleta se reproduziu aqui um excerto, o tratamento dado ao tema
[exausto no último lance da maratona. da beleza feminina manifesta a
Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais a) oscilação do poeta entre a angústia do pecador (tendo em vista
Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa sua educação jesuítica) e o impudor do libertino.
humilde b) conjugação, na sensibilidade do poeta, de interesse sexual e
encantamento estético, expresso de modo provocador e bem-
A um gesto do mar. A noite se fechava
humorado.
Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa. c) idealização da mulher a que chega o poeta quando, na velhice,
Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando arrefeceu-lhe o desejo sexual.
[o mar d) crítica ao caráter frívolo que, por associar-se ao consumo, o amor
Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios assume na contemporaneidade.
Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis e) síntese, pela via do erotismo, das tendências europeizantes e
Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar nacionalistas do autor.
E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
De vastos e noturnos oceanos
Sem jamais.
Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de
amar
Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas O bicho
Teu amor inventou. Financiaste uma lancha Manuel Bandeira
Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula. Vi ontem um bicho
Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se — Na imundície do pátio
Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas Catando comida entre os detritos.
[águas-marinhas. Quando achava alguma coisa,
(Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio
Editora, 1974, p. 180-181.)
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
(*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.” O bicho não era um cão,
(**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem primeiro a grita, o Não era um gato,
direito de ser o último a jogar.”
(***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência, experiente,
Não era um rato.
versado, mestre.” O bicho, meu Deus, era um homem.
(Dicionário Eletrônico Houaiss) Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: 1993. p. 201-202.

QUESTÃO 08 QUESTÃO 10
Quando a curva / Se acendia de luzes semoventes [...] Para a criação do poema “Lixo”, o autor lança mão de
estímulos visuais
Esta imagem significa, nos versos em que surge, a) complexos.
a) o mar ao longe refletia as luzes da cidade. b) comutativos.
b) o bonde se aproximava todo iluminado. c) concêntricos.
c) a lua despontava no horizonte, trêmula e brilhante. d) contraditórios.
d) as luzes dos postes se acendiam, ao anoitecer.
e) a curvatura do céu todo estrelado aparecia à noite.

15
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
TEXTO 1 GABARITO
A taça florida
Câmara Cascudo Exercicio Proposto I
Natal é uma cidade sem flores. Falta dagua. Terra de
taboleiro muito mais para mangaba que para flor. Briza Resposta da questão 1: [B] - A opção [B], ao mencionar o
quente do mar. Sopro do rio salgado. Lagôas no meio da termo “falacioso” (o que é intencionalmente enganador), revela a
cidade que infiltravam salôbridades. Não ha flores. Melhor é intenção da charge, que, nos dois primeiros quadros, associa a
conquista da felicidade à aquisição cumulativa de bens para, no
dizer que já não ha. Lembro-me de Natal cheia de jardins. último, desmistificar esse conceito através da inclusão da advertência
Uma quase obrigação de cultivar os palmos de terrinha que de que se tratava de brincadeira típica do dia da mentira, 1º de Abril.
se estendiam depois do portão. Era um encanto andar em Resposta da questão 2: [D] - Os dois quadros que compõem a
certas ruas. As cercas vestidas de jasmim branco davam charge mostram personagens que pertencem a duas classes distintas:
vontade de fazer soneto. [...] os do primeiro celebram euforicamente o bom desempenho da
CASCUDO, Luís da Câmara. A taça florida. In: ARRAIS, Raimundo (Org.). Crônicas economia brasileira com a abertura de uma garrafa de champanhe,
de origem: a cidade do Natal nas crônicas cascudianas dos anos 20. Natal, RN: enquanto que os do segundo ostentam a miséria extrema de quem
EDUFRN, 2005. p. 119-121. sobrevive dos resíduos considerados descartáveis e inúteis pela
TEXTO 2 sociedade de consumo. No texto de Cora Coralina, assiste-se à ação
das pessoas que acorrem em auxílio de Nhola, a qual só se recupera
A flor e a náusea de um quadro clínico de desnutrição (“vertige de fraqueza, falta de
Carlos Drummond de Andrade cumê”) pela intervenção generosa dos vizinhos. Assim, é correta a
[...] opção [D], pois a temática da pobreza surge associada a uma questão
político-social nos quadrinhos e a um entrave social suavizado pela
Uma flor nasceu na rua! caridade no texto de Cora Coralina.
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Resposta da questão 3: [D] - Ao contrário do que se afirma no
Uma flor ainda desbotada item 3, Calvin não questiona a eficiência da professora, apenas se
ilude a polícia, rompe o asfalto. revolta contra uma postura enérgica em retê-lo dentro da sala de aula,
Façam completo silêncio, paralisem os negócios, mesmo contra sua vontade. Assim, é correta a opção [D].
garanto que uma flor nasceu. Resposta da questão 4: [C] - Os termos “rombo” e
Sua cor não se percebe. “orçamentária”, respectivamente, na fala do personagem e na
etiqueta que acompanha a figura do quadro, sugerem uma
Suas pétalas não se abrem.
associação com o alto custo das obras, constituindo assim uma crítica
Seu nome não está nos livros. de relação econômica, como se afirma em [C].
É feia. Mas é realmente uma flor. Resposta da questão 5: [A] - O uso da terceira pessoa
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde demonstra um distanciamento crítico do personagem na avaliação
e lentamente passo a mão nessa forma insegura. que faz sobre a arte moderna. Se usasse a primeira, demonstraria
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se. subjetividade e condicionaria o conhecimento dos objetos externos
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em aos seus próprios referenciais.
Resposta da questão 6: [C] - As opções [A], [B] e [D], ao
pânico.
contrário do que é indicado, apresentam frases com expressões
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. metafóricas, da mesma forma que a opção [C], esta última
ANDRADE, Carlos Drummond de. A flor e a náusea. In: . Nova reunião: 23
livros de poesia. v. 1. Rio de Janeiro: Bestbolso, 2009. p. 143-144. devidamente caracterizada.
Resposta da questão 7: [C] - Todas as opções são corretas,
exceto [C], pois os termos verbais apresentam desvio da norma padrão
por estarem conjugados em diferentes pessoas do discurso: “dê”
TEXTO 3 (você), “vai” (tu) e “passa” (tu).
Cartão-postal da cidade do Natal Resposta da questão 8: [C] - As opções [A], [B] e [D] são
incorretas, pois
[A] o primeiro parágrafo apresenta referências históricas;
[B] Andy Hertzfeld relata episódios que comprovam a tese do
autor;
[D] na elaboração da tese, o autor emite uma opinião pessoal
fundamentada com argumentos.
Assim, é correta apenas [C], pois não existe menção de dados
estatísticos em nenhum momento do texto.
Resposta da questão 9: [C] - É correta a opção [C], pois, no
segundo quadro, a retirada da moldura sugere o desaparecimento da
minhoca que se esconde para não ser notada pelas cobras.
Resposta da questão 10: [D] - A fala da minhoca revela uma
reação comum das vítimas de discriminação que é transferir a sua
condição de insignificância a outro ser mais inferior.
Resposta da questão 11: [B] - A repetição e o tom exclamativo
da fala da minhoca enfatizam a ansiedade do personagem em
desvincular-se da condição de inferioridade que lhe está sendo
atribuída pelas cobras, como se refere em [B].
Resposta da questão 12: [C] - O adjetivo “corriqueiro” alude
semanticamente a algo que é comum e habitual, exatamente o
contrário do que Ana Paula Padrão expressa no texto publicado na
QUESTÃO 11 revista “Isto é” e o quadrinho 3 sugere.
Nos textos 1, 2 e 3, o espaço urbano é focalizado sob
diferentes olhares. A partir da leitura de cada um dos textos, é
correto afirmar que
Exercicio Proposto I
a) a crônica aborda o cotidiano da cidade construído pela memória a partir da
relação entre épocas distintas. Resposta da questão 1: [A] - As poças de água despertam
b) o poema retrata subjetivamente o cotidiano da cidade a partir de um olhar sensações que estimulam o mistério e a imaginação, como se afirma
imparcial sobre sua realidade. em [A].
c) o poema e o cartão-postal apresentam um olhar fidedigno acerca do Resposta da questão 2: [D] - O poema “A felicidade” é
cotidiano bucólico da cidade.
formado por três estrofes de versos livres, ou seja, sem restrição métrica.
d) a crônica e o cartão-postal mostram imagens idealizadas do cotidiano da
cidade construídas pela memória.

16
Resposta da questão 3: [C] - No poema não há idealização da
existência, mas sim a consciência da mortalidade, consciência que
decorre da reflexão; a alternativa [A], portanto, está incorreta. O
Pensador é uma estátua de bronze, concreta, uma imagem objetiva,
enquanto a vida é subjetiva, na medida em que seu sentido depende
da percepção e da sensibilidade do indivíduo, o que invalida a
alternativa [B]. Da mesma maneira, o poema não trata de um elogio à
natureza, mas da condição do homem enquanto sujeito dotado de
razão e da angústia proveniente do pensar.
Resposta da questão 4: [C] - O Pensador inspira-se na arte
renascentista/classicista, com a representação do corpo nu e com
formas perfeitas e sua postura contemplativa, aludindo ao racionalismo
clássico. O poema, por sua vez, recorre à forma fixa do soneto,
desenvolvida durante o Classicismo, e sua linguagem se vale do
mesmo equilíbrio e harmonia da arte clássica.
Resposta da questão 5: [C] - As afirmações IV e V são
inadequadas, pois a segunda estofe destaca o papel da mulher que,
“única fábrica/ que o operário tem, (fabrica filhos)” será a
superprodutora daqueles que, no futuro, formarão o proletariado,
possível responsável pela queda do sistema que os domina naquele
momento e formador de uma sociedade mais justa.
Resposta da questão 6: [B] - Todas as opções transcrevem
versos carregados de sugestões e sinestesias, típicas da poesia
simbolista, exceto [B], em que se descreve a paisagem de forma
impessoal e concreta.
Resposta da questão 7: [E] - Os versos são altamente visuais,
com imagens que aludem ao misticismo e a morte (as “aves
agoirentas”, a alma “cheia de caveiras”). O uso das cores é outro
recurso típico da estética simbolista que está explícito nos versos em
questão, em que se sobressai a cor branca (“ossos”, “caveira”,
“branca”).
Resposta da questão 8: [B] - A imagem das luzes a moverem-
se na curva da rua é associada ao bondinho referido nos versos
anteriores (“O bondinho/Rangia nos trilhos a muitas praias de
distância.../Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”).
Resposta da questão 9: [B] - Ao descrever a mulher ideal, o eu
lírico expressa, em tom irônico e bem-humorado, o interesse sexual e o
encantamento estético que essa figura deve provocar.
Resposta da questão 10: [D] - As palavras “Luxo” e “Lixo”
estabelecem um diálogo em que se percebe que a primeira é formada
pela distribuição, em letras reduzidas, da segunda. Assim, ambos os
termos, de significado aparentemente contraditório, estão ligados
entre si, pois o mundo da mercadoria e do supérfluo se contrapõe ao
mundo da miséria.
Resposta da questão 11: [A] - Tanto a crônica como o poema
retratam um fato filtrado pela subjetividade do enunciador: o primeiro
usa a memória para estabelecer comparação entre passado e
presente; o segundo, o nascimento de uma flor para fazer uma reflexão
sobre o mundo. Já o cartão postal mostra a imagem fidedigna da
ponte Newton Navarro da cidade de Natal. Assim, é correta apenas
[A].

ANOTE

17
EXERCÍCIO PROPOSTO TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
TEXTO
QUESTÃO 1
Diante do aumento de doenças relacionadas à alta 1José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde

ingestão de sódio, diversas entidades têm lançado ficam os imigrantes logo que chegam. E falou dos equívocos de
campanhas para redução do consumo de sal, veiculadas em nossa política imigratória. 2As pessoas que ele encontrou não eram
diferentes mídias, como exemplificam os textos a seguir. agricultores e técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos
profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas. Paul Balt
TEXTO 1 toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é
vendedor, Serof Nedko é ex-oficial, Luigi Tonizo é jogador de
futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo 15gente para o asfalto, “para
entulhar as grandes cidades”, como diz o repórter.
6O repórter tem razão. 3Mas eu peço licença para ficar

imaginando uma porção de coisas vagas, ao olhar essas belas


fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha
morena de Badajoz, essa Ingeborg que faz fotografias e essa
Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja única
experiência na vida parece ter sido vender bombons 11– não, essa
gente não vai aumentar a produção de batatinhas e quiabos nem
16plantar cidades no Brasil Central.
7É insensato importar gente assim. Mas o destino das

pessoas e dos países também é, muitas vezes, insensato:


principalmente da gente nova e países novos. 8A humanidade
TEXTO 2 não vive apenas de carne, alface e motores. Quem eram os pais
de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse hoje entrar
no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil
essas mulheres louras, esses homens de profissões vagas. Eles estão
procurando alguma coisa12: emigraram. Trazem pelo menos o
patrimônio de sua inquietação e de seu 17apetite de vida. 9Muitos
se perderão, sem futuro, na vagabundagem inconsequente das
cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente
dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso
de tudo para 18fazer um mundo; e cada pessoa humana é um
mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor
Portinari, o arquiteto Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de
nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem pergunta
hoje, 10e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus
avós vieram para o Brasil como agricultores, comerciantes,
barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata?
Sem o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e
Carlos Drummond seria impossível sem uma gota de sangue (ou
uísque) escocês nas veias, 4e quem nos garante que uma
legislação exemplar de imigração não teria feito Roberto Burle
Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti chileno, o
general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique?
Sejamos humildes diante da pessoa humana: 5o grande homem
do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que
neste momento está saltando assustado na praça Mauá 13, e não
sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma política de
imigração sábia, perfeita, materialista14; mas deixemos uma
pequena margem aos inúteis e aos vagabundos, às aventureiras
e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande
da fantástica 19loteria humana, pode vir a nossa redenção e a
nossa glória.
(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor,
Os produtores desses textos escolheram diferentes 1963)
recursos linguísticos para alertar os leitores sobre o consumo de QUESTÃO 2
sal. Considere as afirmativas acerca desses recursos: De acordo com as normas gramaticais de pontuação,
I. o travessão da referência 11 serve para realçar uma conclusão do
I. No texto 1, são usadas duas frases nominais cuja disposição permite que foi dito anteriormente.
inferir que a melhora da saúde é consequência da diminuição do II. os dois pontos da referência 12 podem ser substituídos por ponto e
consumo de sal. vírgula.
II. No texto 2, as reticências, depois de “Escolha”, servem para indicar III. a vírgula, em “está saltando assustado na praça Mauá, e não
uma interrupção da frase e, antes de “a opção com menos sal”, sabe”, referência 13, pode ser excluída.
sinalizam o complemento da frase interrompida. IV. o ponto e vírgula da referência 14 pode ser substituído por ponto
III. No texto 2, o uso dos verbos “consumimos”, “está” e “compramos” final.
no modo indicativo contribui para compor uma informação que
justifica o apelo à leitura do rótulo e à escolha de produtos com menos Estão corretas apenas
sal. a) I, II e III.
b) I, III e IV.
Está(ão) correta(s) c) II e III.
a) apenas I. d) II, III e IV.
b) apenas III. e) III e IV.
c) apenas I e II.
d) apenas II e III.
e) I, II e III.

1
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Para responder a(s) questão(ões), leia o texto a seguir. A(s) questão(ões) a seguir refere(m)-se ao excerto abaixo:
“De repente chegou o dia dos meus setenta anos.
A humanidade parece ter um problema recorrente com o Fiquei entre surpresa e divertida, setenta, eu? Mas tudo
uso do sal [...]. O historiador britânico Felipe Fernandez-Arnesto, da parece ter sido ontem! No século em que a maioria quer ter vinte
Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, diz que, desde anos (trinta a gente ainda aguenta), eu estava fazendo setenta.
que os primeiros humanos deixaram de ser nômades, houve um Pior: duvidando disso, pois ainda escutava em mim as risadas da
crescimento explosivo do uso do sal. A ingestão diária aumentou menina que queria correr nas lajes do pátio quando chovia, que
cinco ou seis vezes desde o período paleolítico – com enorme pescava lambaris com o pai no laguinho, que chorava em filme
aceleração nas ultimas décadas. A American Heart Association, do Gordo e Magro, quando a mãe a levava à matinê. (Eu chorava
que reúne os cardiologistas americanos, estima que mudanças no alto com pena dos dois, a mãe ficava furiosa.)
A menina que levava castigo na escola porque ria fora de
estilo de vida provocaram aumento de 50% no consumo de sal
hora, porque se distraía olhando o céu e nuvens pela janela em
desde os anos 1970. Em boa medida, graças 1ao consumo de
lugar de prestar atenção, porque devagarinho empurrava o
comida industrializada.
estojo de lápis até a beira da mesa, e deixava cair com estrondo
A culpa pelo abuso do sal não deve, porém, ser atribuída
sabendo que os meninos, mais que as meninas, se botariam de
somente 2à indústria. A maior responsabilidade cabe ao nosso
quatro catando lápis, canetas, borracha – as tediosas regras de
paladar. Os especialistas acreditam que a natureza gravou em
ordem e quietude seriam rompidas mais uma vez.
nosso cérebro circuitos que condicionam a gostar de sal e
Fazendo a toda hora perguntas loucas, ela aborrecia os
procurar por ele – em razão do sódio essencial que contém. A
professores e divertia a turma: apenas porque não queria ser
indústria, assim como a arte gastronômica, responde 3ao desejo
diferente, queria ser amada, queria ser natural, não queria que
humano. “É provável que o sal seja tão apreciado porque tem a
soubessem que ela, doze anos, além de histórias em quadrinhos e
capacidade de ativar o sistema de recompensa do nosso
novelinhas açucaradas, lia teatro grego – sem entender – e
cérebro”, diz o neurofisiologista brasileiro Ivan de Araújo, afiliado a
achava emocionante.
Universidade Yale, nos Estados Unidos. Isso significa que sal nos (E até do futuro namorado, aos quinze anos, esconderia
deixa felizes [...]. isso.)
Com base nas repercussões negativas na saúde pública, O meu aniversário: primeiro pensei numa grande
muitos médicos têm falado em “epidemia salgada” e promovido celebração, eu que sou avessa a badalações e gosto de grupos
um movimento similar 4àquele que antecedeu as restrições bem pequenos. Mas pensei, setenta vale a pena! Afinal já é
impostas ao tabaco e ao álcool. Desde 2002, a Organização bastante tempo! Logo me dei conta de que hoje setenta é quase
Mundial da Saúde (OMS) faz campanhas para chamar a atenção banal, muita gente com oitenta ainda está ativo e presente.
sobre o excesso de sal. O movimento que defende as restrições ao Decidi apenas reunir filhos e amigos mais chegados (tarefa
sal já chegou 5ao Brasil. Na segunda quinzena de junho, reuniram- difícil, escolher), e deixar aquela festona para outra década.”
se em Brasília representantes do meio acadêmico, da indústria de LUFT, 2014, p.104-105
alimentos, técnicos do Ministério da Saúde, da Agricultura e da QUESTÃO 4
Anvisa, agência federal que regulamenta a venda de comida Assinale a alternativa que contém uma afirmação
industrializada e remédios. Como meta, discutiu-se passar, em dez adequada em relação ao texto.
anos, de 12 gramas per capita de sal por dia para os 5 gramas
a) Os parênteses foram empregados toda vez que a locutora queria
se dirigir diretamente ao seu interlocutor, ou seja, o leitor do texto.
recomendados pela OMS. “Essa mudança ajudaria a baixar em b) Em todas as ocorrências, as palavras no diminutivo apresentam o
10% a pressão arterial dos brasileiros. Seria milhão de
1,5 mesmo valor semântico: demonstrar depreciação em relação ao que
se diz.
pessoas livres de medicação para hipertensão”, diz a nefrologista c) Em “O meu aniversário: primeiro pensei numa celebração...” os
Frida Plavnik, representante da Sociedade Brasileira de dois pontos podem ser substituídos por uma vírgula sem que haja
Hipertensão na reunião. 6Segundo ela, haveria queda de 15% alteração sintática e/ou semântica.
10% d) A linguagem empregada se aproxima do registro coloquial, o que
nas mortes causadas por derrames e de naquelas se comprova pelo emprego das palavras botariam, badalações, mais
ocasionadas por infarto. chegados e festonas.
Fonte: Época. Seção Saúde & Bem-estar. 26 jul. 2010. p. 89-94. (adaptado) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
– Emilie já está acordada? – perguntei.
Viva melhor com menos sal – Dizem que 1tua avó 2há muito tempo não dorme; ela
3sonha dia e noite contigo, com 4teu irmão e com os peixes que

QUESTÃO 3 vai comprar de manhãzinha no mercado; a essa hora 5já deve


O texto faz parte de uma reportagem, gênero textual estar de volta para conversar com os animais.
de base dissertativa que, tipicamente, reúne várias fontes A conversa com os animais, os sonhos de Emilie, o passeio
consultadas pelo jornalista na fase de levantamento de ao mercado na hora que 6o sol revela tantos matizes do verde e
informações. Com relação ao texto, considere as afirmativas ilumina a lâmina escura do rio. 7Na fala da mulher que
a seguir. permanecera diante de mim, havia uma parte da vida passada,
I. A informação sobre o momento em que o consumo de sal pelos um inferno de lembranças, 8um mundo paralisado à espera de
seres humanos aumentou é apresentada por meio de um relato movimento. Sim, com certeza 9Emilie já lhe havia contado algo a
atribuído a um historiador britânico. nosso respeito. A mulher sabia que éramos irmãos e que Emilie nos
II. Uma causa da apreciação das pessoas pelo sal é apresentada por havia adotado. Talvez já soubesse da existência dos quatro 10filhos
meio de citação atribuída a um nefrologista dos Estados Unidos. de Emilie: Hakim e Samara Délia, 11que passaram a ser nossos tios,
III. Dados sobre uma possível diminuição de mortes de brasileiros 12e os outros dois, inomináveis, filhos ferozes de Emilie, que tinham

como consequência da redução do consumo de sal são atribuídos a o demônio tatuado no corpo e uma língua de fogo.
uma representante da Sociedade Brasileira de Hipertensão, retomada 13Já eram quase sete horas quando resolvi sair de casa.
em “Segundo ela” (ref. 6). Retirei do alforje o caderno, o gravador e 14as cartas que me
enviaste da Espanha e coloquei tudo sobre uma mesinha de ônix,
Está(ão) correta(s) ao lado do desenho afixado na sala. Por distração ou hábito,
a) apenas I. deixei no pulso o relógio. Nunca imaginei que naquele dia iria
b) apenas II. consultá-lo mil vezes, muitas inutilmente, 15outras para que o
c) apenas III. tempo voasse ou desse um salto inesperado. Lá fora, a claridade
d) apenas I e III. ainda era tênue, e, ao olhar para a vegetação estática do jardim,
e) I, II e III.
a mulher opinou: 16“Só mais tarde é que vai chover”.
Hatoum, Milton. Relato de um certo Oriente. São Paulo: Companhia das Letras,
2013, p. 9.

2
QUESTÃO 5 QUESTÃO 6
Analise as proposições em relação à obra Relato de Quanto ao emprego dos verbos no texto, NÃO é
um certo Oriente, Milton Hatoum, e ao trecho retirado da correto afirmar que
mesma, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa. a) “fazer” tem sentido diferente nas referências 1 e 2.
b) “dormindo” (ref. 3), “passando” (ref. 4) e “pedindo” (ref. 5) indicam
( ) O sinal gráfico da crase no período “um mundo ações não concluídas no presente.
paralisado à espera de movimento” (ref. 8) é opcional, devido c) “viver” nas ocorrências marcadas pelas referências 6 e 7 tem valor
ao sentido da palavra espera. de substantivo.
( ) A palavra “que” (ref. 11) é o referencial anafórico d) “estabelece” (ref. 8) expressa uma realidade permanente.
de “filhos de Emilie” (ref. 10). e) “é” (ref. 9) e “adquire” (ref. 10) pertencem a orações
sintaticamente paralelas.
( ) Infere-se da leitura da obra que ela é composta por
narrativas memorialísticas, em que a lembrança é o fio
condutor de um emaranhado de conflitos, fatos e imagens QUESTÃO 7
que são apresentados por uma narradora que vive de
lembranças – Emilie.
( ) Da leitura do período “Na fala da mulher que
permanecera diante de mim, havia uma parte da vida
passada, um inferno de lembranças, um mundo paralisado à
espera de movimento” (ref. 7), depreende-se que a memória
representa a incessante tentativa de resgate pelo passado e
pela história da família.
( ) Da leitura da obra, depreende-se que a narrativa é
mesclada por um multiculturalismo - tradições culturais, raciais,
culinárias e símbolos – o que tendencia o leitor a refletir acerca
das diferenças.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta, de cima para baixo.
a) F-V-F-V-V A graça da tira decorre:
b) V-V-F-F-V a) da existência de “ruído” na comunicação efetuada pela esposa
c) V-F-V-V-V Helga e não entendida pelo amigo Ed Sortudo.
d) F-F-V-V-F b) de uma fala inabitual de Helga que, ao dirigir-se diretamente ao
e) F-V-F-V-F próprio marido, refere-se às qualidades de uma terceira pessoa.
c) do não entendimento de um discurso ambíguo bastante comum,
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: no qual se dirige à própria pessoa, questionando-a como se fosse uma
Responda a(s) questão(ões) com base no texto 1. outra.
d) da diferença do nível de linguagem usado pelo emissor para se
TEXTO 1 dirigir aos interlocutores, fato que fez sugerir a existência de dois
Entre o espaço público e o privado maridos.
e) da dificuldade de compreensão, por parte do amigo Ed Sortudo,
12Excluídos
da sociedade, os moradores de rua devido aos traços de informalidade no discurso de Helga.
26ressignificam o único espaço 13que lhes foi permitido ocupar, o
espaço público, transformando-o em seu “lugar”, um espaço TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
privado. 11Espalhados pelos ambientes coletivos da cidade,
1fazendo comida no asfalto, arrumando suas camas, limpando as

calçadas como se estivessem dentro de uma casa: 17assim vivem


os moradores de rua. Ao andar pelas ruas de São Paulo, vemos
essas pessoas 3dormindo nas 28calçadas, 4passando por situações
constrangedoras, 5pedindo esmolas para sobreviver. Essa é a
realidade das pessoas que 2fazem da rua sua casa e nela
constroem sua 35intimidade. 18Assim, a ideia de 33individualização
que está nas 31casas, na 34separação das coisas por 30cômodos e
quartos que servem para proteger a intimidade do indivíduo,
14ganha outro sentido. O 6viver nas 29ruas, um lugar
19aparentemente 36inabitável, tem sua própria lógica de
funcionamento, que vai além das possibilidades.
A relação que o homem 8estabelece com o espaço que
ocupa é uma das mais importantes para sua sobrevivência. As
mudanças de comportamento social 15foram 21sempre
precedidas de 22mudanças físicas de local. Por 23mais que a rua
não seja um local para 7viver, já que se trata de um ambiente
público, de passagem e não de permanência, ela acaba sendo,
25senão única, a 24 mais viável opção. Alguns pensadores já

apontam que a habitação 9é um ponto base e 10adquire uma


importância para harmonizar a vida. O pensador Norberto Elias
comenta que “o quarto QUESTÃO 8
de dormir tornou-se uma das áreas mais privadas e íntimas da vida No último quadrinho, formula-se uma analogia moral,
humana. Suas paredes visíveis e 37invisíveis vedam os aspectos quando se sugere que não é possível ver tudo o que acontece
mais ‘privados’, ‘íntimos’, irrepreensivelmente ‘animais’ da nossa à frente dos olhos.
existência à vista de outras pessoas”. A partir dessa analogia, pode-se chegar à seguinte
O modo como essas pessoas 27constituem o único
conclusão:
espaço que lhes foi permitido indica que conseguiram transformá- a) a verdade absoluta não existe
lo em “seu 20lugar”, que aproximaram, cada um à sua maneira, b) a existência não tem explicação
16dois mundos nos quais estamos 32inseridos: o público e o privado.
c) o homem não é o centro do mundo
RODRIGUES, Robson. Moradores de uma terra sem dono. (fragmento adaptado)
d) o curso da vida não pode ser mudado
In: [Link]
Acesso em 21/8/2014.

3
QUESTÃO 9 TEXTO 3
Para responder à questão, leia os textos 1, 2 e 3.

TEXTO 1

Outros tempos
A preocupação do homem em medir o tempo
sempre existiu. Relógios de água, as clepsidras, relógios de
areia, as ampulhetas, relógios de sol, relógios à vela, foram
alguns dos instrumentos que realizavam tal função. Com o
passar dos séculos, eles foram se aperfeiçoando. O século XVIII
viu surgirem os relógios de três ponteiros e os cronômetros de
precisão, na mesma época em que eclodiam as primeiras
fábricas da Revolução Industrial. Somos herdeiros diretos dessa
época: nosso tempo é marcado pelo tempo exato e pela
industrialização exagerada. E fomos além: tecnologias digitais, Com relação as ideias e recursos linguísticos
computadores, smartphones. Como pontua o filósofo e autor presentes nos textos, assinale V na(s) afirmativa(s)
verdadeira(s) e F na(s) falsa(s).
de livros didáticos e paradidáticos Ricardo Melani, “os
( ) A situação retratada no texto 2 pode servir para
aparelhos em si são coisas programadas que deveriam servir
exemplificar a ideia, presente no texto 1, de que a tecnologia
ao homem”, ferramentas de apoio para agilizar a resolução
agiliza a resolução de problemas e ajuda na organização do
de nossos problemas, ajudar na organização do dia a dia.
dia a dia.
Observamos, contudo, continua Melani, uma inversão de
( ) No texto 2, os excertos “o prazo [...] está acabando”
papéis, pois o homem “passa grande parte de seu tempo
e “o quanto antes”, assim como as imagens do relógio com os
respondendo às demandas tecnológicas”, imerso nesses
ponteiros em diferentes posições, representam a passagem
dispositivos que deveriam nos ajudar a ter mais tempo.
Fonte: AGOSTINI, Cristina; POLLA, Cauê Cardoso. Tempo, uma questão filosófica. do tempo, sem que a atividade principal tenha sido realizada.
Educatrix, 2º semestre 2013, p. 18. ( ) No texto 3, pode-se inferir que o uso de
TEXTO 2 equipamentos eletrônicos em ambientes de lazer interfere
negativamente no tempo de convivência e interação entre
pais e filhos.

A sequência correta é
a) F − V − V.
b) V − F − V.
c) V − F − F.
d) F − F − V.
e) V − V − F.

QUESTÃO 10
TEXTO 1

4
TEXTO 2
GABARITO
Por que comemos com o garfo?
RESPOSTA DA QUESTÃO 1: [E] - [I] CORRETA. AS FRASES NÃO
Norbert Elias, sociólogo alemão que viveu entre 1897 e 1990, APRESENTAM VERBOS, DAÍ A CLASSIFICAÇÃO COMO NOMINAIS. ALÉM
analisa, a partir de manuais de boas maneiras produzidos DISSO, A RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA ENTRE ELAS INDICA QUE, AO
entre a Idade Média e o início da era moderna, as mudanças INGERIR “MENOS SAL”, ALCANÇA-SE UM ESTADO DE “MAIS SAÚDE”.
operadas no âmbito do uso do garfo, utensílio que surgiu no [II] CORRETA. UMA DAS INDICAÇÕES PARA O USO DAS
fim da Idade Média, com o objetivo de retirar alimentos da RETICÊNCIAS É ABRIR A POSSIBILIDADE PARA QUE O LEITOR CONCLUA O
travessa comum. Paulatinamente, foi introduzido como QUE O AUTOR SUGERE. ISTO POSTO, AS RETICÊNCIAS APÓS O VERBO
INTERROMPEM O DISCURSO, PERMITINDO QUE O LEITOR ANALISE A
utensílio de uso individual. De início, o uso do garfo para se
IMAGEM E, APÓS TAL AÇÃO, CONCORDE COM A MENSAGEM DO
levar o alimento à boca era considerado um sinal exagerado COMPLEMENTO (“A OPÇÃO COM MENOS SAL”).
de refinamento e seriamente reprimido. [III] CORRETA. OS VERBOS INDICADOS ESTÃO CONJUGADOS
Na análise de Elias (1994, p. 133), “o garfo nada mais é que a NO PRESENTE DO INDICATIVO, APRESENTANDO A IDEIA DE VALIDADE
corporificarão de um padrão específico de emoções e um PERMANENTE.
nível específico de nojo”. Esse processo nos mostra como RESPOSTA DA QUESTÃO 2: [B] - APENAS A PROPOSIÇÃO [II] É
ocorriam as relações entre as pessoas na Idade Media. INCORRETA, POIS, NO PERÍODO “ ELES ESTÃO PROCURANDO ALGUMA
Segundo o sociólogo alemão, “as pessoas que comiam juntas COISA: EMIGRARAM.”, OS DOIS PONTOS INTRODUZEM A CONCLUSÃO
DO QUE FOI POSTULADO ANTERIORMENTE, PODENDO SER SUBSTITUÍDOS
na maneira costumeira na Idade Média, pegando a carne PELA LOCUÇÃO CONJUNTIVA “POR ISSO”. JÁ O PONTO E VÍRGULA
com os dedos na mesma travessa, bebendo vinho no mesmo ASSINALA SEPARAÇÃO DE ORAÇÕES, MAS SEM EXPLICITAR A RELAÇÃO
cálice, tomando a sopa na mesma travessa ou prato fundo – ESTABELECIDA ENTRE ELAS. COMO [I], [III] E [IV] SÃO CORRETAS, É VÁLIDA
essas pessoas tinham entre si relações diferentes das que hoje A OPÇÃO [B].
vivemos. E isto envolve não só o nível da consciência, clara e RESPOSTA DA QUESTÃO 3: [D] - [I] CORRETA. NO PRIMEIRO
racional, pois sua vida emocional revestia-se também de PARÁGRAFO, O JORNALISTA CITA A FONTE DOS DADOS: O HISTORIADOR
diferente estrutura e caráter” (ELIAS, 1994, p. 82). BRITÂNICO FELIPE FERNANDEZ-ARNESTO, DA UNIVERSIDADE DE NOTRE
Fonte: PACHECO, S.S.M. O habito alimentar enquanto um comportamento DAME, NOS ESTADOS UNIDOS, DIZ QUE, DESDE QUE OS PRIMEIROS
culturalmente produzido. In: FREITAS, M.C.S.; FONTES, G.A.V.; OLIVEIRA, N. (Orgs.). HUMANOS DEIXARAM DE SER NÔMADES, HOUVE UM CRESCIMENTO
Escritas e narrativas sobre alimentação e cultura [online]. Salvador: EDUFBA, 2008, EXPLOSIVO DO USO DO SAL.
p. 228-229. (adaptado) [II] INCORRETA. A FONTE DA CAUSA DA APRECIAÇÃO PELO SAL
Considere as afirmativas: É UM NEUROFISIOLOGISTA BRASILEIRO: “É PROVÁVEL QUE O SAL SEJA
I. Pelo princípio da invariabilidade do advérbio, justifica-se a palavra TÃO APRECIADO PORQUE TEM A CAPACIDADE DE ATIVAR O SISTEMA DE
“meio” não estar concordando com o adjetivo “nervosa”, no 1º RECOMPENSA DO NOSSO CÉREBRO”, DIZ O NEUROFISIOLOGISTA
quadro da tirinha. BRASILEIRO IVAN DE ARAÚJO, AFILIADO À UNIVERSIDADE YALE, NOS
II. O humor da tirinha é decorrente do sentido atribuído pelo menino ESTADOS UNIDOS.
à expressão “reeducação alimentar”, ao compreendê-la como [III] CORRETA. TAIS DADOS SÃO FORNECIDOS POR UMA
aprendizado do modo de comer em vez de modificação de hábitos NEFROLOGISTA (“ESSA MUDANÇA AJUDARIA A BAIXAR EM 10% A
no consumo de alimentos. PRESSÃO ARTERIAL DOS BRASILEIROS. SERIA 1,5 MILHÃO DE PESSOAS
III. O uso naturalizado do garfo na sociedade contemporânea, como LIVRES DE MEDICAÇÃO PARA HIPERTENSÃO”, DIZ A NEFROLOGISTA
denota o texto 1, pode ser considerado um indício da individualidade FRIDA PLAVNIK, REPRESENTANTE DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE
que começou a se configurar na estrutura social no fim da Idade HIPERTENSÃO NA REUNIÃO.), PERMITINDO A RETOMADA DA
Média, em análise no texto 2. ESPECIALISTA POR INTERMÉDIO DA EXPRESSÃO “SEGUNDO ELA”.
RESPOSTA DA QUESTÃO 4: [D] - [A] OS PARÊNTESES CUMPREM O
Está(ão) correta(s) PAPEL DE UM QUASE COCHICHO COM O LEITOR, SÃO PORMENORES
a) apenas I. QUE SÓ INTERESSARIA AOS MAIS ÍNTIMOS. É UM ARTIFÍCIO PARA
b) apenas II. AUMENTAR A CUMPLICIDADE COM O LEITOR.
c) apenas I e III. [B] O DIMINUTIVO ESTÁ SEMPRE LIGADO A GOSTOSAS
d) apenas II e III. LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA.
e) I, II e III. [C] EMBORA SINTATICAMENTE OS DOIS PONTOS E A VÍRGULA
POSSAM SER SUBSTITUÍDOS SEM ALTERAÇÕES, SEMANTICAMENTE HÁ
UMA DIFERENÇA, A PAUSA CRIADA PELA LOCUTORA AUMENTA A
ANOTE RELEVÂNCIA DO QUE SERÁ COLOCADO DEPOIS DOS DOIS PONTOS, OU
SEJA, TROCASSE PELA VÍRGULA, A INFORMAÇÃO POSTERIOR NÃO TERIA
O DESTAQUE QUE SE QUIS AO OPTAR PELOS DOIS PONTOS. HAJA VISTA,
QUE DEPOIS DOS DOIS PONTOS ELA FALA DO TEMA QUE NORTEARÁ
TODO O CONTO, O DIA DO ANIVERSÁRIO DE SETENTA ANOS.
[D] CORRETA. A LINGUAGEM EMPREGADA NO CONTO É
COLOQUIAL, INFORMAL, POR SER UMA REFLEXÃO PESSOAL, QUASE UM
DESABAFO.
RESPOSTA DA QUESTÃO 5: [A] - [F] ESSE SINAL GRÁFICO DE
CRASE É OBRIGATÓRIO, POR FAZER PARTE DA LOCUÇÃO À ESPERA.
[V] A PALAVRA QUE FAZ REFERÊNCIA AOS DOIS FILHOS DE
EMILIE.
[F] EMILIE NÃO É A NARRADORA. EMBORA EMILIE APAREÇA
CONTANDO SUAS HISTÓRIAS, A NARRADORA É UMA DE SUAS
PROTEGIDAS E SEU NOME JAMAIS É DITO.
[V] A MEMÓRIA É O FIO CONDUTOR QUE DESENVOLVE A
TRAMA, CUJA FINALIDADE EVIDENTE É A DE SE CHEGAR A UM
CONHECIMENTO MAIS PROFUNDO DA REALIDADE DE UMA FAMÍLIA
ATRAVÉS DO PASSADO.
[V] A HISTÓRIA É SITUADA EM UMA CIDADE COM
CARACTERÍSTICAS MULTICULTURAIS.
RESPOSTA DA QUESTÃO 6: [C] - NA FRASE “O VIVER NAS RUAS,
UM LUGAR APARENTEMENTE INABITÁVEL, TEM SUA PRÓPRIA LÓGICA”,
ACONTECE DERIVAÇÃO IMPRÓPRIA, OU SEJA, A DETERMINAÇÃO
CAUSADA PELA PRESENÇA DO ARTIGO DEFINIDO “O” TRANSFORMA O
VERBO “VIVER” EM SUBSTANTIVO. MAS O MESMO NÃO ACONTECE NA
FRASE “POR MAIS QUE A RUA NÃO SEJA UM LOCAL PARA VIVER”, EM
QUE O VERBO “VIVER” MANTÉM A CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA
ORIGINAL. ASSIM, A ALTERNATIVA [C] É INCORRETA.

5
RESPOSTA DA QUESTÃO 7: [C] - ED SORTUDO NÃO
COMPREENDE QUE HELGA SE DIRIGE AO MARIDO EM 3ª PESSOA, MESMO
ESTANDO PRESENTE NA CENA, O QUE É CONFIRMADO PELO OLHAR QUE
HAGAR LANÇA AO AMIGO.
RESPOSTA DA QUESTÃO 8: [C] - NO ÚLTIMO QUADRINHO, COM
A REPRESENTAÇÃO DE UM ÁCARO VEM A CONCLUSÃO: NINGUÉM É O
CENTRO DO MUNDO. O QUE PARECE SER O DESENHO DE UMA CRIATURA
MICROSCÓPICA, ACABA POR SIMBOLIZAR A VIDA QUE ACONTECE EM
TODOS OS LUGARES, AFINAL, HÁ MUITAS FORMAS DESCONHECIDAS E
MICROSCÓPICAS DE VIDA COMO UM ÁCARO QUE ESTÁ EM TODA
PARTE, AINDA QUE INVISÍVEIS.
RESPOSTA DA QUESTÃO 9: [A] - [I] FALSO. O TEXTO 2 INDICA UMA
SITUAÇÃO COTIDIANA, EM QUE TAREFAS COM PRAZO SÃO
POSTERGADAS POIS O SER HUMANO, AO INVÉS DE UTILIZAR A
TECNOLOGIA EM BENEFÍCIO PRÓPRIO, TENDE A OCUPAR O MESMO
TEMPO COM OUTROS ASPECTOS PROMOVIDOS PELA TECNOLOGIA,
COMO AS REDES SOCIAIS; O RESULTADO DESSE COMPORTAMENTO É
MAIS ATRASO. ESSA IDEIA ENCONTRA PARALELO NO TEXTO 1: A
TECNOLOGIA APRESENTA “FERRAMENTAS DE APOIO PARA AGILIZAR A
RESOLUÇÃO DE NOSSOS PROBLEMAS, AJUDAR NA ORGANIZAÇÃO DO
DIA A DIA. OBSERVAMOS, CONTUDO, CONTINUA MELANI, UMA
INVERSÃO DE PAPÉIS, POIS O HOMEM “PASSA GRANDE PARTE DE SEU
TEMPO RESPONDENDO ÀS DEMANDAS TECNOLÓGICAS”, IMERSO
NESSES DISPOSITIVOS QUE DEVERIAM NOS AJUDAR A TER MAIS TEMPO”.
[II] VERDADEIRO. O TEXTO 2 RETRATA O COMPORTAMENTO DE
POSTERGAR (DADO OS HORÁRIOS INDICADOS PELO RELÓGIO)
ATIVIDADES IMPORTANTES (A MONOGRAFIA CITADA PELA
PERSONAGEM) PARA PASSAR O TEMPO EM REDES SOCIAIS.
[III] VERDADEIRO. ARMANDINHO CRITICA A EVOLUÇÃO
TECNOLÓGICA (GUARDA-SOL QUE CONVERTE ENERGIA SOLAR EM
ELÉTRICA), POIS DE ANTEMÃO SABE QUE O PAI VAI PREFERIR USAR A
TECNOLOGIA NA PRAIA A DEDICAR TEMPO AO FILHO.
RESPOSTA DA QUESTÃO 10: [E] - [I] VERDADEIRO. OS ADVÉRBIOS
FORMAM UMA CLASSE DE PALAVRAS INVARIÁVEIS, CASO DE “MEIO”,
PORTANTO NÃO É POSSÍVEL A CONCORDÂNCIA ENTRE ESTE E O
ADJETIVO “NERVOSA”.
[II] VERDADEIRO. O HUMOR DA TIRINHA TEM COMO BASE A
PLURISSIGNIFICAÇÃO DE “REEDUCAÇÃO ALIMENTAR”: O PAI
COMPREENDE A EXPRESSÃO COMO UMA ALTERAÇÃO NO
COMPORTAMENTO DA ESPOSA, QUE PASSOU A ADOTAR HÁBITOS
SAUDÁVEIS DE ALIMENTAÇÃO, FICANDO NERVOSA; ARMANDINHO
COMPREENDE A EXPRESSÃO COMO UMA ALTERAÇÃO NAS BOAS
MANEIRAS AO MANEJAR TALHERES.
[III] VERDADEIRO. ARMANDINHO INDICA A PLENA ADOÇÃO DO
GARFO EM SUAS REFEIÇÕES (DAÍ O ESPANTO COM A REEDUCAÇÃO
ALIMENTAR PELA QUAL A MÃE PASSA, CONSIDERANDO SUA
COMPREENSÃO DO TERMO); JÁ NO TEXTO 2, HÁ UMA ANÁLISE
SOCIOLÓGICA, PRINCIPALMENTE NO TRECHO EM QUE SE LÊ A RESPEITO
DE O GARFO HAVER SIDO CONSIDERADO “O OBJETIVO DE RETIRAR
ALIMENTOS DA TRAVESSA COMUM. PAULATINAMENTE, FOI INTRODUZIDO
COMO UTENSÍLIO DE USO INDIVIDUAL”.

ANOTE

6
EXERCÍCIO PROPOSTO Essa fala deixa subentendida a intenção da personagem de:
a) atacar o opressor com alguma iniciativa
QUESTÃO 1 b) questionar a razão de vários preconceitos
c) aceitar sua condição de certa inferioridade
d) transferir seu problema para outro grupo

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


Sendo este um jornal por excelência, e por
excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio
em negrito: precisa-se de alguém homem ou Mulher que
ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão
contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa
2reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por

minuto paga-se com a própria alegria. É urgente, pois a


alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até
A charge de Lila pode ser compreendida como um parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se
discurso dialógico que: urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e
a) Representa uma perspectiva equivocada sabre a manutenção nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa
da reserva florestal no Brasil. que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o
b) Simplifica a temática ambiental sobre a polêmica do novo código horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma
florestal. pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se
c) Critica a atitude humana em relação à preservação florestal do
tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-
território brasileiro.
d) Humoriza o tema do novo código florestal em relação à
se também que venha, 1implora-se com a humildade da
exploração da vegetação no mundo inteiro. alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa
e) Defende, por meio da linguagem não verbal, as garantias do com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-
direito à propriedade rural. se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar.
P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar
QUESTÃO 2 num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu
rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.
Clarice Lispector
([Link] Acesso dia 30/05/2012, 17h03min)

QUESTÃO 4
Assinale a afirmativa FALSA a respeito do texto.
a) A palavra fugaz, no contexto, está sendo empregada no sentido
de “que passa rapidamente; de pouca duração; transitório, efêmero,
fugidio, fugitivo”.
b) Em “reparti-la” (ref. 2), o pronome “la” retoma o antecedente
“alegria”.
c) A preposição a em “Essa pessoa que atenda ao anúncio [...]” (ref.
3) é justificada pela regência do verbo “atender”.
d) O verbo haver na última frase do texto iria para o plural, caso o
Da leitura da charge é possível inferir que: sujeito dele fosse substituído, por exemplo, por “em meu rosto e em
a) A torcida brasileira está preocupada com os problemas sociais meus olhos”.
advindos com a Copa do Mundo.
b) A Copa do Mundo com todo seu fulgor ocupa totalmente a Leia o seguinte trecho de uma receita de cozinha.
mente do brasileiro.
c) A alegria do brasileiro, em relação à copa do mundo, é do
tamanho do Brasil.
1. Misture a manteiga com a farinha peneirada e junte sal.
d) O brilho da Copa do Mundo não ofusca a mente do povo Incorpore depois o ovo e a gema.
brasileiro, em relação aos problemas sociais existentes. 2. Adicione o leite, aos poucos, mexendo sempre até obter um
e) A realização da Copa do Mundo no Brasil vai resolver todos os preparado uniforme.
problemas sociais. (...)
4. Vire a panqueca para que cozinhe de ambos os lados.
Com base na tira abaixo, responda às questões que Retire e recheie com uma fatia de queijo e outra de presunto.
se seguem. Enrole, dobre as pontas e sirva.

QUESTÃO 5
A primeira orientação para o preparo da receita de
panqueca é apresentada em duas frases. É possível
reescrevê-las em uma única frase, sem alterar a informação
original, da seguinte maneira:
a) Assim que incorporar o ovo e a gema, misture a manteiga com a
farinha peneirada e junte sal.
b) Sucedendo a incorporação do ovo e da gema, misture a
manteiga com a farinha peneirada e junte sal.
c) Antes da incorporação do ovo e da gema, misture a manteiga
com a farinha peneirada e junte sal.
d) Depois de incorporar o ovo e a gema, misture a manteiga com a
farinha peneirada e junte sal.
e) Quando incorporar o ovo e a gema, misture a manteiga com a
QUESTÃO 3 farinha peneirada e junte sal.
No último quadro, a fala da minhoca revela uma
reação comum das vítimas de discriminação.

1
Ciência cara = bom investimento Quando vejo as enormes quantias sendo gastas na
defesa nacional, eu me pergunto se nossas prioridades estão
Um mundo sem ciência ambiciosa fica privado de no lado criativo ou no destrutivo. Quando deixamos de investir
conhecimento novo e das aplicações das descobertas. no novo, ficamos condenados a só olhar para o velho.
(MARCELO GLEISER. Jornal da Ciência, 03 de setembro de 2012.
Adaptado.)
Fazer pesquisa é caro, mas vale a pena. Vamos pensar QUESTÃO 6
apenas na ciência de base, ou seja, a ciência que não tem o
Considerando os sentidos atualizados nas
objetivo imediato de ser “útil”, via aplicações tecnológicas ou
construções sintáticas em que ocorrem as palavras do texto,
gerando riqueza, cuja meta é investigar a natureza. Quanto
podemos fazer as seguintes observações:
um país deve investir nesse tipo de pesquisa?
( ) No trecho: “Quando se discute como equilibrar o
orçamento da União, é crucial questionar como os fundos
Quando se discute como equilibrar o orçamento da
vindos do contribuinte devem ser usados”, os dois conectivos
União, é crucial questionar como os fundos vindos do
sublinhados estabelecem um nexo de comparação.
contribuinte devem ser usados. Afinal, existem necessidades
( ) A conexão entre o sétimo e o oitavo parágrafos é
críticas em educação, infraestrutura de transporte,
de natureza comparativa e é feita com base no uso de um
modernização de hospitais, atendimento médico para
adjetivo na forma superlativa.
milhões de necessitados etc.
( ) No oitavo parágrafo, o sentido hipotético
implicado no verbo ‘imagine’ justifica o uso dos verbos no
Num ensaio recente na “New York Review of Books”,
tempo futuro (‘poderemos’ e ‘perderíamos’).
uma prestigiosa publicação americana, o prêmio Nobel
( ) Na referência a: “países com fortes economias
Steven Weinberg afirma que a solução nunca deve ser tirar
emergentes”, a palavra sublinhada constitui uma alusão
dinheiro de áreas necessitadas para financiar pesquisa de
metafórica a ‘economias rijas’.
base (ou qualquer outra). Por outro lado, o investimento na
( ) Em: “Quando deixamos de investir no novo,
pesquisa de base deveria ser uma opção óbvia para qualquer
ficamos condenados a só olhar para o velho.”, o advérbio ‘só’
país que pretende ter uma posição de liderança
poderia ser deslocado, sem alteração de sentido, como em
internacional.
‘só ficamos condenados’.
No início do século 20, físicos lidavam com um modo
QUESTÃO 7
inteiramente novo de interpretar a natureza. Einstein forçou
Em um texto, determinadas expressões cumprem a
uma revisão dos conceitos de espaço, tempo e energia.
função de indicar as pretensões comunicativas do autor. No
Planck, Bohr, Schrödinger e Heisenberg nunca poderiam ter
texto, algumas dessas expressões podem ser identificadas,
imaginado que suas ideias revolucionárias sobre a física do
como se observa nos comentários a seguir.
átomo efetivamente redefiniriam o mundo em que vivemos.
( ) Em: “Em seu ensaio, Weinberg mostra sua
Deles veio a revolução quântica, que gerou incontáveis
preocupação com o futuro da ciência de grande porte”, o
aplicações tecnológicas, incluindo todos os equipamentos
segmento sublinhado cumpre a função de ‘localizador da
digitais, dos computadores aos raios laser, fibras ópticas e
informação dada’.
tecnologias nucleares.
( ) Em: “No início do século 20, físicos lidavam com um
modo inteiramente novo de interpretar a natureza”, o
Em seu ensaio, Weinberg mostra sua preocupação
fragmento em destaque funciona como um demarcador
com o futuro da ciência de grande porte, projetos que
temporal.
alcançam bilhões de dólares. Recentemente, o sucessor do
( ) Em: “Fazer pesquisa é caro, mas vale a pena”, o
Telescópio Espacial Hubble, o Telescópio Espacial James
conectivo sublinhado tem valor de oposição. Outro recurso de
Webb, teve seu orçamento cortado. Após muito drama, o
expressar um sentido de oposição seria dizer: “Fazer pesquisa
financiamento foi restituído, mas ficou a insegurança. No
é caro, embora valha a pena”.
mundo das partículas, a bola está com a Europa e seu mega-
( ) Em: “cortar o fomento à pesquisa de base,
acelerador, o LHC. Cientistas americanos se juntaram ao
incluindo projetos bem definidos de alto custo, é inadmissível”,
projeto depois de perceberem a possibilidade de seu
fica explícito que não é admissível ‘incluir projetos de alto
acelerador nacional desaparecer.
custo’.
( ) Em: “Deles veio a revolução quântica” (parágrafo
Na minha opinião, cortar o fomento à pesquisa de
5), o termo sublinhado requer, necessariamente, uma volta a
base, incluindo projetos bem definidos de alto custo, é
segmentos anteriores do texto.
inadmissível. Um mundo focado no imediato, no pragmático,
pode ser eficiente, mas é extremamente monótono. Imagine
QUESTÃO 8
um mundo sem as descobertas sensacionais que andam
Com relação às Memórias de um Sargento de
sendo feitas sobre o Cosmo e os mistérios da matéria; um
Milícias, é correto afirmar que:
mundo sem estrelas explodindo, sem galáxias colidindo e 01. uma das características da obra é a utilização da linguagem oral,
buracos negros. característica das classes de alta cultura e condição social confortável.
02. o personagem principal, Leonardo, é um anti-herói, um
Pior, imagine um mundo sem o que ainda não aventureiro, contrariando as convenções literárias da época, o
conhecemos e que nunca poderemos descobrir sem nossos Romantismo, que previa heróis moralmente elevados,
instrumentos de exploração. Ademais, perderíamos todas as capazes de atos de bravura e coragem.
possíveis aplicações das descobertas. 04. o narrador interrompe com freqüência a narrativa, comentando
as ações dos personagens, tornando a obra uma espécie de crônica
da época, aproximando-a da estética realista.
Uma possibilidade é a de incluir cada vez mais países 08. é um romance urbano que apresenta grande variedade de tipos
com fortes economias emergentes, como a China, a Índia e o humanos (a parteira, a comadre, o compadre, o barbeiro, o chefe de
Brasil, no fomento aos grandes projetos. Esse é um dos polícia) e os problemas morais e sociais do Rio de Janeiro sob o reinado
argumentos a favor da inclusão do Brasil como país-membro de D. João VI.
do ESO (Observatório Europeu do Sul), uma discussão que 16. Leonardo, o personagem central, é filho de Leonardo Pataca e
de Maria da Hortaliça, fruto de “uma pisadela e de um beliscão”, que
deixo para depois.
mais tarde se casa com Vidinha e, por méritos próprios, torna-se
sargento.

2
QUESTÃO 9
No texto a seguir, Machado de Assis faz uma crítica
ao Romantismo: Certo não lhe falta imaginação; mas esta GABARITO
tem suas regras, o astro, leis, e se há casos em que eles
rompem as leis e as regras é porque as fazem novas, é porque Resposta da questão 1: [C] - Na charge, vemos uma árvore cortada,
com um machado cravado no que restou de seu tronco com uma
se chama Shakespeare, Dante, Goethe, Camões. placa na qual se lê “Novo Código Florestal”. Trata-se de uma crítica
contundente em relação aos rumos da preservação ambiental no
Com base nesse texto, notamos que o autor: Brasil.
a) Preocupa-se com princípios estéticos e acredita que a criação Resposta da questão 2: [D] - De acordo com a charge, o povo brasileiro
literária deve decorrer de uma elaborada produção dos autores. está atento à Copa do Mundo, mas, ao mesmo tempo, têm a “mente”
b) Refuga o Romantismo, na medida em que os autores desse ocupada com os problemas sociais existentes em seu país, como a
período reivindicaram uma estética oposta à clássica. violência, a impunidade, as drogas, a corrupção. Assim, é correta a
c) Entende a arte como um conjunto de princípios estéticos alternativa [D].
consagrados, que não pode ser manipulado por movimentos literários Resposta da questão 3: [D] - A fala da minhoca revela uma reação
específicos. comum das vítimas de discriminação que é transferir a sua condição
d) Defende a idéia de que cada movimento literário deve ter um de insignificância a outro ser mais inferior.
programa estético rígido e inviolável. 04. Resposta: d - É incorreto o que se afirma em [D], pois, no contexto,
e) Entende que Naturalismo e o Parnasianismo constituem soluções o verbo “haver” é impessoal, portanto constitui oração com sujeito
ideal para pôr termo à falta de invenção dos românticos. inexistente. A expressão sugerida “em meu rosto e em meus olhos”
exerceria, como a original “em meu rosto”, a função de adjunto
QUESTÃO 10 adverbial de lugar, e não de sujeito.
Examine as frases abaixo: 05. Resposta: c - É correta a opção [C], pois o ovo e a gema devem
ser adicionados à mistura prévia de farinha peneirada, manteiga e sal.
I – Os representantes do Naturalismo faze aparecer na sua 06. Resposta: F – V – V – F – F. - A primeira, quarta e quinta proposições
são falsas, pois:
obra dimensões metafísica do homem, passando a encará-lo
1ª – o conectivo “como”, em ambas as ocorrências, é conjunção
como um complexo social examinando à luz da psicologia. integrante, dando início a orações subordinadas substantivas
II – No Naturalismo, as tentativas de submeter o Homem a leis subjetivas;
determinadas são conseqüências das ciências, na segunda 4ª – o termo “emergentes” significa que as economias estão apenas
metade do século XIX. rumo ao desenvolvimento e não “rijas”, fortes;
III – Na seleção de “casos” a serem enfocados, os naturalistas 5ª – a mudança de posição do advérbio mudaria o significado da frase
demonstram especial aversão pelo anormal e pelo original. Nesta, o advérbio está relacionado com a ação de “olhar”;
naquela, o advérbio estaria relacionado com “ficamos condenados”.
patológico. 07. Resposta: V – V – V – F – V. - A quarta proposição é falsa, pois “cortar
Pode-se dizer corretamente que: o fomento a pesquisa de base” é que é algo que não se pode
a) só a I está certa; consentir.
b) só a II está certa; 08. Resposta: 14
c) só a III está certa;
09. Resposta: A
d) existem duas certas;
10. Resposta: B
e) nenhuma está certa.

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