ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
@ (PROCESSO ELETRÔNICO)
SMAB
Nº 70085820579 (Nº CNJ: 0001352-46.2024.8.21.7000)
2024/CRIME
AGRAVO INTERNO. JUÍZO DE
ADMISSIBILIDADE. RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. ALEGAÇÃO DE
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO.
REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 339 DO STF.
RECURSO DESPROVIDO.
AGRAVO INTERNO CÂMARA DA FUNÇÃO DELEGADA DOS
TRIBUNAIS SUPERIORES
Nº 70085820579 (Nº CNJ: 0001352- COMARCA DE PORTO ALEGRE
46.2024.8.21.7000)
FERNANDO SANTOS DE MORAES AGRAVANTE
MINISTERIO PUBLICO AGRAVADO
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os Desembargadores integrantes da Câmara da Função
Delegada dos Tribunais Superiores do Tribunal de Justiça do Estado, à
unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Custas na forma da lei.
Participaram do julgamento, além do signatário, os eminentes
Senhores DES. ÍCARO CARVALHO DE BEM OSÓRIO (PRESIDENTE) E
DES.ª LUSMARY FATIMA TURELLY DA SILVA.
Porto Alegre, 18 de setembro de 2024.
DES. SÉRGIO MIGUEL ACHUTTI BLATTES,
Relator.
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RELATÓRIO
DES. SÉRGIO MIGUEL ACHUTTI BLATTES (RELATOR)
Trata-se de agravo interno interposto por FERNANDO SANTOS DE
MORAES contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, forte
no AI 791.292 QO-RG/PE (TEMA 339 do STF).
Alega que deve ser provido o presente agravo, porquanto
“evidenciada a ausência de conformidade da fundamentação do acórdão
vergastado, que apresenta-se desconectada dos critérios jurisprudências do
Supremo Tribunal Federal”.
Apresentadas as contrarrazões, vêm os autos conclusos.
É o relatório.
VOTOS
DES. SÉRGIO MIGUEL ACHUTTI BLATTES (RELATOR)
Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento, em Repercussão
Geral, do julgamento do AI 791.292 QO-RG/PE, definiu: “a Constituição Federal
exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente,
sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou
provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão”.
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Não há, portanto, violação do artigo 93, inciso IX, da Constituição da
República, na hipótese em “que a jurisdição foi prestada [...] mediante decisões
suficientemente motivadas, não obstante contrárias à pretensão da parte
recorrente” (ARE 943942 AgR/GO, 2ª Turma, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe
18/03/2016).
Nesse norte, outrossim, os seguintes arestos:
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM
AGRAVO. PENAL. SUPOSTA AFRONTA AOS PRINCÍPIOS
CONSTITUCIONAIS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E
DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO
GERAL (TEMA 660). INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 93, IX,
DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL (TEMA 339). NECESSIDADE DE
ANÁLISE DE NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS. OFENSA
REFLEXA. NECESSIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA 279/STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE
SE NEGA PROVIMENTO.
I – O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o ARE 748.371-RG (Tema 660),
de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, rejeitou a repercussão geral da
controvérsia referente à suposta ofensa aos princípios constitucionais do
contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, quando o
julgamento da causa depender de prévia análise de normas
infraconstitucionais, por não configurar situação de ofensa direta à
Constituição Federal.
II – Consoante assentado no julgamento do AI 791.292-QO-RG (Tema
339), de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, o art. 93, IX, da Lei
Maior, exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que
sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de
cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os
fundamentos da decisão.
III – É inadmissível o recurso extraordinário quando sua análise implica a
revisão da interpretação de normas infraconstitucionais que fundamentam o
acórdão recorrido, dado que apenas ofensa direta à Constituição Federal
enseja a interposição do apelo extremo.
IV – Conforme a Súmula 279/STF, é inviável, em recurso extraordinário, o
reexame do conjunto fático-probatório constante dos autos.
V – Agravo regimental a que se nega provimento. (ARE 1407447 AgR,
Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em
03/04/2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 10-04-2023
PUBLIC 11-04-2023; grifou-se)
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DIREITO PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS
RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS.
CONTRAVENÇÃO PENAL DE JOGOS DE AZAR, LAVAGEM DE
DINHEIRO E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. OPERAÇÃO “GAME
OVER”. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXCESSO DE PRAZO
DA PERSECUÇÃO PENAL. ALEGAÇÃO DE INCOMPETÊNCIA DA
JUSTIÇA ESTADUAL. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE OU ABUSO DE
PODER. AGRAVO DESPROVIDO.
1. Tendo em vista o caráter infringente da pretensão formulada pela parte
embargante, os embargos declaratórios devem ser recebidos como agravo
regimental. Precedentes.
2. O trancamento de ação penal, pela via processualmente restrita do habeas
corpus, só é possível quando estiverem comprovadas, de plano, a atipicidade
da conduta, a extinção da punibilidade ou a evidente ausência de justa causa.
Precedentes. Hipótese de paciente investigado por contravenção penal de
jogos de azar, crimes de lavagem de dinheiro e de organização criminosa, no
âmbito da Operação “Game Over”. Situação concreta em que não foram
demonstrados os pressupostos necessários para o encerramento prematuro da
persecução penal.
3. Os elementos contidos nos autos não evidenciam a alegada incompetência
da Justiça estadual para a supervisão judicial da investigação instaurada
contra o paciente. Conforme consignado pela autoridade impetrada, “até o
momento, não se delineia a existência de delito contra o sistema financeiro e
a ordem econômico-financeira ou em detrimento de bens, serviços ou
interesses da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas”.
De modo que a impossibilidade de um amplo reexame de fatos e de provas,
em sede de habeas corpus, impossibilita o antecipado reconhecimento da
competência da Justiça Federal, nos termos do art. 109 da CF/88.
4. A aferição de eventual demora injustificada na tramitação da persecução
penal depende das condições objetivas da causa (complexidade da causa,
número de acusados e a necessidade de expedição de cartas precatórias, por
exemplo). Hipótese de feito complexo, com o deferimento de várias medidas
cautelares diversas da prisão (quebra de sigilos fiscal, bancário, telemático,
interceptação do fluxo de comunicações telefônicas e de dados, entre outras),
em que já houve o oferecimento de denúncia. Portanto, não é possível
cogitar de desídia ou de injustificada demora pelo Poder judiciário que
autorize o acolhimento da pretensão defensiva (seja antes ou após o
oferecimento da denúncia). Matéria que nem sequer foi debatida nas
instâncias de origem.
5. A jurisprudência do Plenário do Supremo Tribunal Federal é no
sentido de que o “artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal não
determina que o órgão judicante se manifeste sobre todos os argumentos
apresentados pelas partes, mas sim que ele explicite as razões que
entendeu suficientes à formação de seu convencimento (AI 791.292-RG-
QO, Plenário, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 13/8/2010, Tema 339 da
Repercussão Geral)” (RE 1.370.834-AgR, Rel. Min. Luiz Fux).
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6. Agravo regimental desprovido. (HC 221866 ED, Relator(a): ROBERTO
BARROSO, Primeira Turma, julgado em 20/03/2023, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 20-03-2023 PUBLIC 21-03-2023;
grifou-se)
O acórdão impugnado, pois, atende ao referido dispositivo
constitucional, já que nele constam os fundamentos pelos quais concluiu que a
pena fixada ao recorrente não comporta revisão, nos termos do disposto no artigo
621, inciso I, do Código de Processo Penal, conforme se lê do seguinte excerto do
seu voto condutor:
Conheço da revisão criminal, eis que a decisão revisanda transitou
em julgado na data de 25.07.2013, e a pretensão nela deduzida diz respeito a
erro ou inadequação na dosimetria da pena, estando de acordo com o
disposto no art. 621, I, do CPP.
No mérito, há pedido de revisão da pena-base, com o afastamento
das vetoriais negativas personalidade e conduta social, assim como a
alteração do critério adotado para o cálculo da continuidade delitiva.
A sentença fixou a pena-base para o 1º, 2º e 3º fatos (homicídio
consumado) com os seguintes fundamentos:
O réu possui antecedentes (fls. 721/723). Culpabilidade
elevada, visto que imputável, consciente da ilicitude do ato que
praticou, bem como de que poderia ter se comportado de maneira
diversa em conformidade com o direito. Personalidade e conduta
social desfavoráveis, vez que voltadas a práticas de ilícitos, com
violência e grave ameaça. Os motivos qualificam o crime.
Circunstâncias desfavoráveis ao agente, vez que reconhecida a
qualificada do recurso que dificultou a defesa da vítima.
Consequências naturais ao delito cometido, sendo que a vítima em
nada contribuiu para a sua ocorrência.
Em relação à pena-base para o 4º fato, a sentença manteve o critério
adotado para aos demais fatos quanto aos antecedentes, culpabilidade,
personalidade, conduta social, motivos, circunstâncias e a participação da
vítima, reconhecendo as “Consequências naturais gravíssimas,
permanecendo o ofendido com sequelas graves”.
Na apelação número 70053079216, a 3ª Câmara Criminal, ao revisar
a pena-base relativamente ao 1º, 2º e 3º fatos (homicídio consumado), adotou
o seguinte entendimento:
No que se refere à culpabilidade, em que pese fosse
aceitável a valoração negativa, haja vista a reprovabilidade
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acentuada da conduta praticada, a fundamentação do juízo,
conforme já explicitado na análise da pena de Cristiano, não pode
persistir.
As circunstâncias, igualmente, não podem desfavorecer o
réu, já que reconhecidas como qualificadoras do delito. Quanto aos
antecedentes, verifico que o réu não os ostenta, em sentido estrito, já
que possui apenas uma condenação transitada em julgado, que
configura reincidência.
No que se refere ao homicídio tentado (4º fato), afastou as
circunstâncias do delito.
Nesta revisional, a insurgência diz respeito com a negativação feita
na sentença das circunstâncias personalidade e conduta social, que restaram
mantidas na decisão proferida pelo colegiado.
Sem razão o postulante, isto porque as provas contidas nos autos
revelam que ele apresenta traços de maldade, agressividade, frieza e cobiça,
ao praticar três homicídios dolosos consumados e um homicídio doloso
tentado, na mesma ocasião, por disputa de ponto de tráfico, justificando a
negativação da sua personalidade.
De igual modo, a conduta social negativa do revisionando vem
demonstrada pelo desaforamento do julgamento da Comarca de Eldorado do
Sul para a 2º Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Porto Alegre, em
decisão proferida pela 2ª Câmara Criminal (70036828663), deste Tribunal,
conforme se extrai de parte do voto condutor:
As razões que estão sendo invocadas, como se apreende, são
suficientemente fortes para justificar o pleito ora sob aferição,
porquanto o teor do que está sendo alegado compromete, não há
dúvidas, o exercício da viabilidade de aferição dos crimes contra a
vida pelo egrégio Tribunal do Júri de Eldorado do Sul, ao teor de
expressa disposição constitucional.
Afinal, assevera a parte requerente:
“O temor dos jurados é plenamente justificado.
Compulsando-se os autos, verifica-se que o temor
apresentado pelos jurados coaduna-se aos depoimentos colhidos
durante a fase inquisitorial, bem como na instrução processual, na
qual as testemunhas relatam ameaças e medo de execução e
represálias.
O réu é pessoa violenta e contumaz na prática de crimes
graves, possuindo antecedentes judiciais pela prática do delito de
roubo majorado, não nutrindo o mínimo respeito pelas regras que
ordenam a sociedade civilizada.
Inclusive, os antecedentes e a personalidade do acusado
Cachorrão já foram objeto de análise por esse Egrégio Tribunal
quando do indeferimento de liberdade provisória postulada pela
defesa do réu conjuntamente ao recurso em sentido estrito, referente
a sentença que pronunciou os acusados, no voto da Ilustre Relatora
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Elba Aparecida Nicolli Bastos, Desembargadora da Terceira
Câmara Criminal (fl. 417 verso) ...’.
A circunstância de não se tratar de município de porte
grande também serve para avivar a força da viabilidade da
pretensão sob exame, mormente em se considerando que,
proporcionalmente, o número de jurados também não é elevado.
A manifestação do Juízo da origem, por meio da ilustre Dra.
Luciane Di Domenico Haas, fls. 12/14, em correspondência datada
de 15.06.2010, apresenta integral consonância com o até agora
observado, sendo que um dos trechos de seus informes, traduz essa
constatação de forma eficiente:
“(...)
Logo após o fato surgiram notícias de que a quarta vítima,
internada em estado de coma no Hospital de Pronto Socorro de
Porto Alegre, estava sofrendo ameaças de morte pelo réu Fernando,
provocando a adoção de medidas visando garantir sua segurança e
a decretação de sua prisão preventiva. Além disso, também houve
relatos que o réu Fernando constantemente ameaçava os moradores
e seus familiares, além de andar sempre armado, o que provocava
sentimento de insegurança e temor na comunidade.
O relato da Autoridade Policial (fls. 224 e seguintes),
igualmente, deixa claro que o réu Fernando exercia certo poder
junto aos moradores do Bairro Cidade Verde, e algumas
testemunhas que contribuíram com as investigações não quiseram
identificar-se por temor a ele.
Saliento que ainda que tenha decorrido quase dois anos da
data do fato, a designação da data do julgamento trouxe à tona o
sentimento de temor e intranquilidade entre os moradores, causado
pela violência dos crimes e pelas já conhecidas retaliações
ocorridas na comunidade.
De fato, da mesma forma como informado pelo Ministério
Público, o Oficial de Justiça atuante na comarca e responsável pelo
cumprimento dos mandados de intimações dos jurados, igualmente,
me relatou o temor dos jurados ao receberem o mandado de
intimação para sessão plenária, chegando a suplicar ao servidor
sua exclusão do corpo de jurados, temendo por sua vida e de seus
familiares, mormente diante da ocorrência de seguidas retaliações
nesta comarca. Informou-me, ainda, que muito provavelmente não
seria alcançado o quórum mínimo para instalação da sessão
plenária, posto que os jurados intimados e não dispensados
disseram-lhe que preferiam arcar com o pagamento da multa
imposta pela ausência injustificada a integrar o Conselho de
Sentença.
Não tenho dúvidas, assim, que a presença do réu novamente
na comunidade poderá causar a imparcialidade no julgamento, pois
aqueles que farão parte do Conselho de Sentença poderão ou
absolvê-lo por temor ou condená-lo por haver até mesmo
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julgamento antecipado sem a necessária isenção de ânimo
indispensável por parte do Tribunal do Júri...’.
Mesmo com a discordância do acusado Fernando Santos de
Moraes no que tange à postulação ministerial (fls. 19/20), verifica-
se que já decorrido algum tempo em relação aos fatos descritos na
denúncia, ainda assim se mostram eloquentes as causas invocadas
para o desaforamento do júri respectivo.
E nesse diapasão, o Juízo a quo, isso é indubitável, tem
plenas condições de aferição quanto ao que está ocorrendo em sua
comarca.
O retrato efetivado por ele efetivado, na espécie, consoante
sua manifestação antes transcrita, nada mais é do que mais uma
evidência da plausibilidade quanto à preocupação deduzida pelo
Ministério Público no que pertine à imparcialidade do Corpo de
Jurados da comarca de Eldorado do Sul diante do caso ora sob
aferição.
E isso se torna ainda mais consistente quando se verifica o
que consta de fls. 16/17, que, no caso, corresponde à concordância
da defesa de Cristiano Rodrigues Totta ante o pleito ministerial de
desaforamento, referindo que ‘concorda com o postulado, uma vez
que os fatos noticiados já haviam sido expostos pelo próprio
acusado Cristiano, que teve de sair da cidade e não informar seu
atual endereço por medo de represálias’.
Nesse contexto, tenho que há elementos concretos para autorizar a
manutenção da negativação da personalidade e conduta social do
revisionando na fixação da pena-base para todos os delitos pelos quais restou
condenado, visto que em consonância com jurisprudência da Corte Superior:
[...]
Mantido o critério adotado para a fixação da pena-base com a
manutenção da negativação de duas circunstâncias judiciais, não é possível
alterar o método utilizado na decisão que fixou a continuidade delitiva entre
os crimes praticados pelo revisionando, estabelecendo a pena de um dos
delitos, aumentada ao triplo, por serem 03 homicídios consumados e 01
homicídio tentado, perfazendo a pena total de 46 anos e 08 meses de
reclusão, inexistindo razões à alteração dos critérios para tal fim, conforme
já reconhecido pelo tribunal superior:
[...]
Pelo exposto, voto por julgar improcedente a ação revisional.
Portanto, estando a decisão fundamentada em conformidade com o
precedente julgado em repercussão geral, a hipótese era de negativa de
seguimento do recurso extraordinário.
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Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso.
DES.ª LUSMARY FATIMA TURELLY DA SILVA - De acordo com o(a)
Relator(a).
DES. ÍCARO CARVALHO DE BEM OSÓRIO (PRESIDENTE) - De acordo
com o(a) Relator(a).
DES. ÍCARO CARVALHO DE BEM OSÓRIO - Presidente - Agravo Interno nº
70085820579, Comarca de Porto Alegre: "NEGARAM PROVIMENTO AO
RECURSO. UNÂNIME."
Julgador(a) de 1º Grau: