AO JUÍZO DA _____ VARA DO TRABALHO DE GOIÂNIA - GO.
Tutela de Urgência
SIMONE GONÇALVES BONTEMPO, brasileira, solteira,
atendente, portadora do RG n.º 3919581-SSP GO, inscrita no CPF nº 996.793.021-72,
CTPS nº 4651152, série n° 0050 – GO, PIS nº 160.92427.18-5, residente e domiciliada
na Avenida B. quadra 07, lote 01, S/N, casa 03, Vila Adilair, Goianira - GO, CEP n°
75370-000, vem respeitosamente perante a Vossa Excelência, mediante convênio
desta Instituição de Ensino (Núcleo de Prática Jurídica) com o Egrégio Tribunal
Regional do Trabalho -18º Região – Atermação, por meio de seus advogados
(procuração em anexo), com fulcro no artigo 840 da CLT, c/c com art. 319 do CPC,
aplicado subsidiariamente ao Processo do Trabalho por força do artigo 769 da CLT,
propor a presente
RECLAMAÇÃO TRABALHISTA
(com Tutela de Urgência)
em face de HOME CENTER NORDESTE
COMÉRCIO MATERIAIS P/ CONSTRUÇÃO S/A, inscrito no CNPJ sob o nº
83.817.585/0045-91, com endereço para NOTIFICAÇÃO na Rua Alameda das
Paineiras, quadra B 35 n° 50, Jardim Goiás, CEP nº 74810-102, pelos fatos a seguir
expostos:
I - DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA
O (a) Reclamante requer os benefícios da Justiça Gratuita,
por não ter os recursos suficientes para arcar com as despesas processuais sem
prejuízo de seu sustento e de sua família, certo que sua remuneração era inferior a
40% do limite máximo dos benefícios da Previdência Social (art. 790,§3º da CLT), o
que resta comprovado com a documentação anexa.
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II - DOS FATOS
Em 12 de julho de 2011, a reclamante foi admitida para
exercer a função de atendente, recebendo última remuneração no valor de R$ 1.299,00
(um mil duzentos e noventa e nove reias). Sua jornada de trabalho era de XXX, das
07:40 às 17:10.
Ocorre que a atendente mesmo estando grávida, foi
demitida sem justa causa em 30 de agosto de 2019, sendo que sequer foi
realizado qualquer acerto rescisória, razão pela qual busca esta Justiça
Especializada.
III - DA DISPENSA E DA ESTABILIDADE
PROVISÓRIA DA EMPREGADA GESTANTE
A reclamante está grávida desde 01 fevereiro de 2019,
conforme prova documentos anexos, possuindo desde então estabilidade, o que foi
desrespeitado no dia 30 de agosto de 2019, com a demissão sem justa causa.
O art. 10, II, b, ADCT, bem como no art. 391-A da CLT
assenta a estabilidade da atendente desde a confirmação da gravidez até 05 meses
após o parto:
ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS
TRANSITÓRIAS
Art. 10 - Até que seja promulgada a lei complementar a que
se refere o art. 7º, I, da Constituição:
b) da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez
até cinco meses após o parto.
CLT
Art. 391-A. A confirmação do estado de gravidez advindo no
curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do
aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada
gestante a estabilidade provisória prevista na alínea b do
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inciso II do art. 10, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias.
No caso em tela, a reclamante possui o direito de
estabilidade provisória pela empresa até abril de 2020, conforme especificado acima.
Desta forma, faz jus a reclamante a reintegração ao trabalho
(sabe-se que a reclamada ainda possui um escritório para representação nesta capital),
retornando a sua antiga função de atendente, percebendo toda a remuneração
correspondente ao seu período de afastamento, ou seja, salários vencidos e vincendos
até a afetiva reintegração, além dos demais direitos trabalhistas assegurados,
computando-se o prazo em que esteve afastada para todos os fins legais em relação
ao seu contrato de trabalho.
IV - DA INVIABILIDADE DE REINTEGRAÇÃO E DA
INDENIZAÇÃO POR DESRESPEITO À ESTABILIDADE
DA RECLAMANTE-GESTANTE
Caso fique demonstrada a inviabilidade da reintegração da
reclamante, p.ex., em razão de animosidade existente no ambiente de trabalho, caberá
a ela – reclamante – indenização do período estabilitário compreendido entre a
confirmação (concepção) da gravidez até cinco meses após o parto (art. 391-A da
CLT).
Isso porque a reclamante, que teve sua garantia de emprego
frustrada, deve ser indenizada com todas as parcelas que teria auferido, caso o
contrato de trabalho tivesse sido mantido até o final da estabilidade.
V – DA TUTELA DE URGÊNCIA
Necessário se faz afirmar, que a gravidade do problema,
cuja probabilidade do direito encontra-se atestada acima, ensejam medidas urgentes,
"in casu", a TUTELA DE URGÊNCIA ANTECIPADA, cujo efeito, pelo novel jurídico do
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art. 300, do Novo Código de Processo Civil, impedirá impor ao Requerente fundado
receio de dano irreparável ou o risco ao resultado útil do processo:
"A tutela antecipatória prevista no art. 273 do CPC
pode ser concedida em causas envolvendo direitos
patrimoniais ou não - patrimoniais" (STJ-2ª Turma
Resp, 144.656-ES Rel, Min. Adhemar Maciel, j.
06.10.97, não conheceram v. u., DJU 27.10.97m p.
54.778).
Depreende-se, por meio de uma análise conjunta dos
mandamentos citados, que os requisitos para a concessão desta medida de urgência,
são os seguintes:
a) Probabilidade do direito, traduzido na
existência de provas inequívocas (claras, evidentes)
que permitam o convencimento do magistrado
quanto a verossimilhança das alegações (aparência
de verdade, provável); e
b) justificado receio de perigo de dano ou o
risco ao resultado útil do processo,
consubstanciado na provável ocorrência de dano
irreparável ou de difícil reparação (periculum in
mora) ou mesmo no caso de abuso do direito de
defesa ou intuito procrastinatório do réu, visando
acarretar, através do transcurso de tempo, a
inutilidade de eventual decisão, por exemplo, perda
do objeto.
Ora, verifica-se que a hipótese dos autos preenche
perfeitamente os requisitos elencados, certo que resta comprovado o estado gravídico
da obreira (doc. anexo) e sua injusta demissão (Carta de recomendação e baixa da
CTPS), bem como o desamparo financeiro da reclamante.
A jurisprudência já decidiu pela reintegração ao emprego
mediante à utilização de antecipação de tutela. Vejamos:
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MANDADO DE SEGURANÇA. ANTECIPAÇÃO DA TUTELA.
DETERMINAÇÃO DE REINTEGRAÇÃO. PRESENÇA DOS
REQUISITOS [...] DO CPC. INEXISTÊNCIA DE DIREITO
LÍQUIDO E CERTO. Não há direito líquido e certo do empregador,
amparável em mandado de segurança, a opor-se à antecipação
de tutela concedida para determinar a reintegração do
empregado quando a medida tomou por base a
verossimilhança da alegação da parte, como no caso de
detentor de garantia provisória de emprego - empregada
gestante -, confirmada pela vasta prova documental carreada
aos autos da reclamação trabalhista. Incidência do
entendimento consubstanciado nas Orientações Jurisprudenciais
nºs 64 e 142 da SBDI-2 do TST. Recurso ordinário não provido.
(RO nº 0010712-55.2014.5.03.0000, SBDI-2 do TST, Rel.
Emmanoel Pereira. unânime, DEJT 05.03.2015).
GESTANTE. GARANTIA DE EMPREGO. REINTEGRAÇÃO.
INDENIZAÇÃO. O princípio da continuidade da relação de
emprego configura-se como o principal fundamento da
garantia de estabilidade da gestante, vez que o direito do
trabalho busca atribuir às relações empregatícias tempo
quanto mais duradouro possível, principalmente no que
concerne à empregada que, devido à gravidez e ao parto, não
terá condições de conseguir um novo emprego para prover o
seu sustento e de seu filho. O art. 10, II, "b", do ADCT é
expresso ao dispor que a gestante terá estabilidade provisória no
emprego, sendo que, uma vez despedida, poderá requerer sua
reintegração ao trabalho, ou sucessivamente, indenização
pecuniária na hipótese de ser desaconselhável seu retorno à
atividade laboral. Dessarte, para que a Reclamante tenha o direito
à percepção, em caráter indenizatório, dos salários e demais
consectários legais do período relativo à estabilidade, faz-se
necessário ser viável sua reintegração, como dispõe o art. 496 da
CLT. No caso dos autos, a Reclamante encontrava-se na décima
sexta/décima sétima semana de gestação em 17.04.2006.
Portanto, quando da dispensa, em 22.02.2006, encontrava-se, ao
menos na sétima semana gestacional. Quando de seu
depoimento, asseverou haver comunicado superior imediato de
seu estado de gravidez. Porém, isto restou isolado nos autos, sem
comprovação. Na petição inicial pleiteou antecipação da tutela
para sua imediata reintegração. Ambas as Reclamadas, quando
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instadas a se manifestarem previamente sobre este pedido,
recusaram-no de plano. Portanto, em que pese a demora da
Reclamante em pleitear sua reintegração, o fez dentro do
período de garantia de emprego, previsto na Constituição
Federal e, consequentemente, quando ainda era viável para
as Reclamadas o procedimento de reintegração. Atendida,
pois, a previsão contida no citado art. 496 da CLT. Assim,
mesmo que as Reclamadas desconhecessem o estado
gravídico da Recorrente, tal desconhecimento não afastaria a
estabilidade provisória. O c. TST já se posicionou sobre o
assunto, através de sua Orientação Jurisprudencial nº 88.
Forçoso concluir que a Recorrente estava acobertada pela
garantia no emprego prevista na Constituição Federal, tendo,
portanto, o direito à reintegração, conforme pleiteado na inicial.
Entretanto, ante o decurso do tempo, não mais sendo possível a
reintegração, de se convertê-la em pecúnia (Súmula nº 244, II, do
c. TST). Por outro lado, em face da inércia da Recorrente na
busca de sua reintegração, a indenização só é devida a partir da
data em que as Rés tiveram ciência do pedido de antecipação de
tutela, em 26.09.2006. (Processo nº 14553-2006-016-09-00-0
(23382-2007), 1ª Turma do TRT da 9ª Região/PR, Rel. Ubirajara
Carlos Mendes. DJ 28.08.2007). (grifos nossos).
Ante estes fatos, requer a reclamante a concessão
antecipada da tutela para reintegração ao emprego, sob pena de multa diária por
descumprimento a ser fixado por esse juízo.
VI - DA MULTA DO ARTIGO 477 DA CLT
As verbas rescisórias não foram pagas até o presente
momento.
A CLT em seu art. 477, § 6º, prevê que na hipótese de aviso
prévio indenizado - caso dos autos - as verbas rescisórias devem ser pagas até dez
dias após o término do contrato.
Tal não ocorreu no caso concreto, portanto, diante da
violação do dispositivo legal consolidado, a reclamante faz jus ao pagamento da multa
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por descumprimento, no valor correspondente a uma maior remuneração, nos termos
do art. 477, § 8º, da CLT.
Em tempo, esclarece que a referida multa é requerida em
caso de não haver a reintegração.
VII – DOS PEDIDOS
Pelo exposto requer:
a) Seja concedida a tutela provisória de caráter de urgência
em liminar, conforme artigo 300, § 2º do Código de Processo Civil, inaudita altera parte,
para tornar sem efeito a extinção do contrato de trabalho promovida unilateralmente
pela reclamada, com a consequente reintegração da reclamante ao emprego nas
mesmas condições de função, local, horários e salário com os reajustes havidos e
todas as parcelas que integram sua remuneração, assegurada a estabilidade até
30/04/2020, correspondendo o período de gestação bem como, 6 (seis) meses após o
parto, devendo a reclamada informar nos autos, com antecedência, a data para que a
reclamante se apresente ao trabalho, sob pena de multa diária a ser fixada por este
juízo;
b) A notificação da reclamada, no endereço descrito no
introito desta reclamatória, para, querendo, contestar a presente reclamação
trabalhista, em todos os seus termos, sob pena de confissão e revelia, bem como
espera sejam OS PEDIDOS JULGADOS PROCEDENTES;
c) ao final, SEJA DEFERIDO A TUTELA DE URGÊNCIA,
para tornar definitiva a reintegração da reclamante, com todos os direitos trabalhistas a
ela inerentes, em especial, o pagamento dos salários vencidos e vincendos durante o
período de afastamento, e computando-se o referido tempo em relação ao seu contrato
de trabalho, perfazendo, na presente data o valor de R$19.445,45 (dezenove mil e
quatrocentos e quarenta e cinco reais e quarenta e cinco centavos), referente ao saldo
de salário de R$ 1.554,00 (um mil quinhentos e cinquenta e quatro reias).
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d) Caso não seja possível a reintegração, em respeito ao
direito à estabilidade, que a reclamada retifique a data da dispensa na CTPS para 30
de agostode 2020, já com a integração do aviso prévio no tempo de serviço (art. 487,
§ 1º, da CLT) e que seja pago em pecúnia o valor correspondente a todo o período de
estabilidade, conforme planilha abaixo colacionada:
Período de estabilidade: 01/02/ 2019 à 30/04/ 2020 (considerando data do parto
em 30/10/2019)
1 - Indenização Estabilidade (30/08/2029 – 30/04/2020) – abatido o
período de licença maternidade
R$ 6.216,00
2- Aviso prévio indenizado (57 dias)
R$ 2.797,20
3- Férias integrais – 30 dias
R$ 1554,00
4- Férias proporcionais – 11/12 avos c/ projeção da estabilidade e do
aviso R$ 1.424,50
5- 1/3 sobre Férias acima, conf. CF/88
R$ 992,66
6- 13º salário R$ 1.554,00
7-13º salário proporcional – 6/12 avos–c/ projeção da estabilidade e do aviso R$ 777,00
8- FGTS incidente sobre as verbas acima (exceto sobre férias +
R1.031,85
1/3)
9- Multa de 40% sobre o montante total do FGTS R$ 1.668,55
10 – Multa do art. 477 da CLT R$ 1.554,00
11- Honorários advocatícios – art. 791-A da CLT – 15% R$ 2.916,81
Valor Total das verbas reclamadas R$ 22.362,26
d) Seja compelida a reclamada a recolher os valores
referentes ao FGTS apontados na tabela acima, acrescido da indenização respectiva e
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fornecer a chave de conectividade para levantamento de tais valores, bem como
entregue as guias SD/CD;
e) A comunicação de praxe ao Ministério do Trabalho,
através da SRTE- GO e à Previdência Social, através do INSS, CEF e Receita Federal,
vez que tais órgãos foram enganados juntamente com a trabalhadora, lhes provocando
prejuízos e transtornos.
f) A condenação da reclamada em honorários
sucumbenciais de 15% sobre o valor da causa (art. 791-A da CLT).
g) Protesta pela produção de todas as provas em direito
permitidas, que ficam desde já requeridas, tais como juntada de novos documentos,
perícias, oitiva de testemunhas, entre outras. Requer, especialmente, o depoimento
pessoal do representante legal da reclamada, sob pena de confissão.
h)Requer ainda a concessão da Justiça Gratuita à
trabalhadora, nos termos do artigo 790, § 3º da CLT, por ser pessoa
Juridicamente pobre, não podendo arcar com as despesas processuais sem
prejuízo do seu próprio sustento, bem como de sua família.
Dá-se a presente causa o valor de R$ 22. 362,26 (vinte e dois
mil e quatrocentos e dezessete reais e nove centavos).
Termos em que
Pede deferimento.
Aparecida de Goiânia - GO, 19 de setembro de 2020.
IRON FONSECA DE BRITO FILHO
OAB/GO 33.447
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