Lara... Amor...
Quando eu acordei essa manhã, ansioso, nervoso, temeroso por algum
possível infortúnio, algo que pudesse dar errado neste que é, até aqui, o
grande dia de nossas vidas, eu dirigi a Deus uma oração bem simples e até
mesmo curta, porém de uma sinceridade como há muito tempo eu não
costumava fazer. Eu pedia a Ele que o dia transcorresse como planejado, que
os convidados se sentissem bem acolhidos, que a casa de Deus estivesse
linda como nunca e que a noiva fosse a formosa de toda festa. Pedi de pronto
que ele abençoasse aos nossos anos vindouros, a comunhão entre nossas
famílias e até mesmo os filhos que cultivamos, por hora, apenas em
pensamento. E mal terminei de selar minha oração silenciosa com um
sonoro “Amém”, quando senti que já o Bondoso Deus respondia a minha
oração me trazendo ao pensamento eu te amo. Daí eu tive a certeza que não
haveria nada que pudesse estragar nosso dia, porque foi como se eu visse a
mão de Deus estendida sobre todo nossa trajetória até aqui.
Então lembrei dos nossos primeiros contatos: eu implicando com você por
causa do recheio de uma macarronada, e do esmalte de cores infantis como
você gostava de usar, dos livros melosos que você lia. Você, claro, criticando
minha impaciência, que eu não escutava todos os seus 200 áudios diários na
integra, as minhas respostas em forma de figurinhas no Whatsapp, além do
meu gosto peculiar para músicas, filmes, livros também, etc, etc... enfim, a
lista é longa e formidável.
Incompatíveis, nós? Não. Incompletos. Porque um era tão somente a metade
que faltava um no outro. Então começamos a namorar.
Até sábado passado, você se queixava sobre a minha dificuldade em escrever
uma linha sequer desses votos que agora leio em público. E embora eu
continue achando que não haja em toda língua portuguesa palavras que
consigam descrever o que eu sinto por você, peço que procure, antes de mais
nada, pelo o que está sendo expresso nessas entrelinhas, na minha voz
trêmula, na minha timidez e por tudo aquilo que palavras não podem
alcançar, aí está a linguagem maior do amor.
Para que todos os presentes tomem conhecimento de que não há riquezas
(ouro, prata, ou dinheiro de qualquer espécie) que comprem o amor de uma
boa mulher. E não há privilégio maior para um homem do que, através do
Senhor, se sentir um menino que recebe uma dádiva tamanha, capaz de o
fazer rir em meio às lágrimas.
Eu sinto que um fio de graça está sendo tecido nesta noite. São as mãos do
Senhor que estão a fiá-lo sobre nós, compondo este manto nupcial que
simbolicamente nos cobre. E este manto se chama amor. TE AMO!