Economia do trabalho
O problema do emprego no pensamento econômico
Primórdios:
As questões do trabalho e do lugar do trabalhador livre na sociedade ganham centralidade na
medida que avança o capitalismo e a industrialização. ( o problema do trabalhador assalariada
está na raiz da economia)
Na ausência das forças de determinação social via tradição, religião, ou política, o lugar da
classe proletária na produção e na distribuição torna-se proeminente nas primeiras reflexões a
respeito da economia ( classes produtiva X improdutiva)
Adam Smith e a Divisão Social do Trabalho: exalta a possibilidade de progresso via
aumento da produtividade e destaca o trabalhador como fonte de valor.
David Ricardo: ao encampar e divulgar a “Lei de Say” (toda oferta cria sua própria demanda)
leva ao entendimento que pelas leis do mercado a economia capitalista tende ao pleno
emprego. ( dinheiro apenas um meio de troca para facilitar o intercâmbio de mercadorias).
● Face a uma demanda infinita, o limite da produção (oferta) é a disponibilidade de
recursos - sendo o trabalho o principal deles. O que isso implica? Nível de emprego
determina oferta, limite da oferta é o limite da mão de obra.
● Além disso, considerando que as empresas operam em regime de “concorrência
perfeita” e os preços são dados (price takers), para o capitalista individual o lucro é
inversamente proporcional aos salários: há uma oposição aritmética entre LUCROS e
SALÁRIOS.
Com a Lei de Say ofusca-se o fato de que nada garante que todas as pessoas encontrarão
lugar na produção e na distribuição.
Os primeiros críticos:
Desde logo, os socialistas utópicos se opõem aos critérios de mercado para a distribuição:
Sismondi (1812/1827) coloca em cheque a “lei de Say” afirmando que o volume da produção
depende da magnitude da demanda global.
● Um dos primeiros a propor o princípio de demanda efetiva
● Acreditava que o avanço da produtividade e da proeminência do K frente ao trabalho
(massa de lucros > massa de salários) levaria a uma desproporção entre uma
produção crescente e um consumo cadente (tese do subconsumo). O problema está
no consumo insuficiente.
● Logo, não acreditava na expansão do capitalismo e propunha uma sociedade de
pequenos produtores independentes.
T. Malthus (1820/1836) vai se opor à adesão de Ricardo à lei de Say Argumentando ser
necessário agir sobre a demanda para garantir a efetividade da produção.
● O problema decorre do fato de que parte dos lucros é entesourada pelos capitalistas
(“preferência pela indolência”)
● Soluções:
- Redistribuição da propriedade de terra para elevar a “propensão a
consumir”dos mais pobres.
- Também especula sobre a possibilidade de aumento dos salários nominais para
ampliar o consumo agregado.
- A benfica participação dos “trabalhadores improdutivos” ( trabalhadores que
não produzem outros materiais).
Marx - O Capital
● A questão do trabalho aparece especialmente em dois momentos:
1. Na discussão sobre a “lei geral da acumulação capitalista” Cap. XXIII (
1. A lei geral da acumulação capitalista
A incorporação das tecnologias permite reduzir o trabalho vivo (capital variável) e aumentar
o trabalho morto (capital constante), aumentando a composição técnica/orgânica do capital
(C/V).
LOGO: se observa uma tendência à concentração de capital (mais capital em relação a
trabalho por unidade produtiva) e à centralização de capital (fusão, incorporação e
eliminação de concorrentes).
● Consequências da LGAC sobre o trabalho
- Emergência e expansão da superpopulação relativa ( antes do klismo, cada um tinha
um lugar, agora, tem uma superpopulação, criada e descartada pelo próprio sistema,
que não encontrará lugar algum).
→ Flutuante/líquida: corresponderia ao moderno desemprego aberto.
→ Latente: população ocupada em atividades não-capitalistas (rurais ou urbanas)
→ Estagnada: população ativa em atividades instáveis ou irregulares ( trabalhadores
domésticos, conta-própria)
→ Pauperismo: população miserável, fora da força de trabalho.
- Emergência e expansão do Exército Industrial de Reserva (não coincidente com a
superpopulação relativa).
● O problema da realização
M-D-M
D - M - D´
D - (MP+FT) - M … D´
Quem vai validar o processo produtivo é a demanda. Até o momento da venda da nova
mercadoria gerada, o capitalista tem o controle do processo produtivo, mas não tem controle
sobre sua realização, ou seja, sua venda. Se isso é um problema no capitalismo,
consequentemente será um sistema de crises e incertezas.
- a “utopia” do capitalista será D - D´
– via capital a juros (fração do lucro)
– via capital fictício (especulação)
- Probabilidade de recorrentes crises de superacumulação (e de desemprego).
O não-problema do desemprego no pensamento clássico
● Leon Walras (1874) afirmava que o sistema tendia ao “equilíbrio geral” e, portanto,
ao pleno emprego do uso dos fatores (terra,trabalho e capital).
● Alfred Marshall (1890) em sua perspectiva marginalista e sugerindo que a economia
navegava por “equilíbrios parciais”, vai considerar o desemprego como uma
decorrência de intervenções indevidas no mercado de trabalho
(impostos,sindicais,intervenção em preços e salários) ou de crises conjunturais e
passageiras.
● John Hicks (1932( e Arthur Pigou (1933)
A “revolução keynesiana” ( década de 1930)
● Keynes e Kalecki questionam neoclássicos que, apoiados da lei de Say, sustentam as
teorias de equilíbrio e, consequentemente, a hipótese de tendência ao pleno emprego
(com “desemprego voluntário”).
- Não se tratava de um regime de concorrência perfeita (firmas de mesmo porte,
pleno conhecimento, tecnologia exógena)
-
Problemas para a realização da demanda efetiva (magnitude da demanda que é capaz de
absorver a capacidade de oferta que está sendo produzida. Pode não absorver toda a demanda
produtiva, mas não quebra expectativas.
1. A tendência cadente da propensão marginal a consumir rente ao crescimento a
renda;
2. Incerteza radical e inexorável que cerca as decisões de investimento e que induz à
preferência pela liquidez. (a possibilidade de investimento tem uma limite →
eficiência marginal do capital EMgK).
Como enfrentar a carência e a crônica instabilidade da demanda efetiva e garantir o pleno
emprego?
● Por meio de uma política monetária que mantenha os juros baixos (em relação à
EMgK);
● Por meio de uma política fiscal que garanta demanda agregada até o alcance do ponto
de demanda efetiva (ex: orçamento público de capital - independente do orçamento
corrente e de caráter interanual);
Aula 20/08/2024
Questão do emprego nos países latinoamericanos e a industrialização tardia -.
Paulo Renato: O que são empregos e salários? e a tradição da escola de Campinas
A heterogeneidade vai ser um fator presente no mercado de trabalho dos países atrasados.
Força de Trabalho: empregados e desempregados do núcleo tipicamente capitalista.
Atividades não tipicamente capitalistas (no campo ou na cidade). → importância: servem a
classe média e alta: trabalho doméstico, passeador de cachorro, garçom, etc.
Tamanho do contingente de pessoas dispostas a trabalhar não é o fator determinante dos
baixos salários no Brasil. Paulo Renato retoma o argumento de Marx que o tamanho do
exército Industrial de Reserva não importa, não afeta muito. O fato principal é a sua
existência. A existência do EIR e a falta de regulamentação institucional é o que determina os
baixos salários.
Anos 90 → teorias
1. Neoclássicos
2. Novos Keynesianos → problema do mercado de trabalho: salários muito baixos. Por
que são baixos? incentivos ao desemprego (seguro desemprego), isso faz com que se
tenham contratos de curto prazo.
Aula 29/08
Formação do mercado de trabalho no Brasil
Fase 1- Do trabalho escravo ao assalariamento
● Mesmo com a independência e consequente transição da colônia ao Império, houve a
manutenção do território nacional com oligarquias regionais escravistas, fundadas
na grande propriedade de terra e na economia primário-exportadora.
● Escravizados negros nos setores orgânicos, “homens livres pobres e desenraizados”
no setor inorgânico ( pessoas que sobreviviam, não ligadas a nenhum setor
específico.) (Caio Prado, 1942).
● A expansão da produção de café colocou em xeque a força de trabalho escrava
(Furtado:”inelasticidade da oferta de trabalho”), mas não permitiu a distribuição de
terra para os negros libertos ( Lei de terras de 1950) nem o seu aproveitamento
como assalariados, recorrendo-se à imigrantes europeus (Alexandre Barbosa, 2016).
● Por meio de lei, os “ingênuos” eram obrigados a permanecer até os 21 anos sob
controle dos senhores e, depois de livres, mais cinco anos tutelados pelo governo. Aos
negros libertos restava migrar para os centros urbanos e erriscar a vida em atividades
precárias, como autônomos (biscates).
● Com o assalariamento/monetização do trabalho na produção cafeeira paulista,
houve um impulso para diversificação de outras atividades econômicas, muitas
delas conduzidas por imigrantes que saiam da produção cafeeira;
● Tem início a partir de então o que se pode chamar de um incipiente “mercado de
trabalho” brasileiro.
● Até 1930, nota-se a existência de alguns “mercados de trabalho” incompletos e
regionais, pouco integrados entre si, com minoritária presença de assalariados.
● São Paulo foi a exceção, com maior ocorrência de assalariamento
● No conjunto do país, conformou-se um “criatório de gente” (Darcy Ribeiro, 1995),
uma enorme “superpopulação relativa”.
Fase 2 - Industrialização restringida (1930 a 1955).
Trabalho urbano na transição para a industrialização.
O colapso das exportações (1929) enfraqueceu as oligarquias regionais. com a revolução de
1930, o Estado nacional avançou na montagem de um aparelho produtor de bens industriais,
mas ainda de forma incipiente.
● As restrições externas constituem um obstáculo aos investimentos necessários para o
desenvolvimento industrial;
● Não foi possível consolidar um sistema industrial integrado e profundo capaz de
autonomizar uma dinâmica de inversões produtivas;
● Incompatibilidade entre escalas X demanda X rentabilidade X prazo de manutenção;
● De 1937-1945 (Estado Novo) se consolida a “ossatura do leviatã brasileiro”,
protagonista da industrialização nas décadas seguintes (Sônia Draibe);
● Crescimento da PEA urbana acima do crescimento do trabalho assalariado
(heterogeneidade ocupacional/social). Uma superpopulação que, em sua maioria, vive
em atividades não assalariadas no núcleo capitalista ( pessoas que se viravam,
sobreviviam).
Ex: Em 1940 (PEA não-agrícola = 5 milhões)
- assalariados no setor privado = 37% da PEA
- Autônomos e familiares = 51% da PEA
- Trabalhadores domésticos = 4,3%
- Funcionários públicos = 4,1%
- Já as taxas de desemprego eram baixas!
● Com as leis trabalhistas e os Sindicatos oficiais, o Estado procurou mitigar a tensão
social nas áreas urbanas (Justiça do Trabalho:1941; salário Mínimo:1941; CLT 1943);
Fase 3.1 - Industrialização pesada (JK)
● Liderança do setor produtivo estatal (ex; Vale do rio doce, CSN, Petrobrás):
infraestrutura e fornecimento de insumos básicos (baratos!);
● Entrada das Transnacionais: Bens duráveis e Bens de Capital. (Brasil foi o país
que mais recebeu transnacionais no pós guerra, por que? Auge do Plano Marshall de
reestruturação europeia, empresas europeias disputando com as empresas
norte-americanas em seu próprio território. JK atrai parte das empresas europeias
prometendo insumo barato, além do apoio das indústrias estatais com infraestrutura);.
● Tripé da industrialização brasileira: No topo o CAPITAL ESTATAL, na ponta o
CAPITAL TRANSNACIONAL, na ponta “fraca” o CAPITAL NACIONAL.
● Papel subordinado das empresas privadas nacionais: fornecedoras para as grandes
empresas e Bens não duráveis);
● Plano de desenvolvimento nacional (Plano de Metas - 31 no total)
● Diversificação e integração da matriz produtiva;
● Criação de ocupações de classe média ( diretores, gerentes, administradores,
advogados, bancários, contadores, secretárias, professores, etc);
● Aumento da elasticidade emprego-produto. (a cada aumento do PIB, como o
emprego responde. À medida que a renda aumenta, o emprego aumenta de forma
mais intensa.)
Fase 3.2 - Industrialização Pesada (Ditadura Militar)
● Reformas estruturais 1964-1967
● Criação de grandes holdings estatais (Telebras, Siderbrás, Nuclebrás, Eletrobrás,
Embratel). “Modernização conservadora”.
● “Milagre Econômico” 1968-1973 (enriquecimento da classe média);
● II PND (grandes investimentos em infraestrutura e bens intermediários);
● Crises externas ( choques do petróleo e choque de juros = crise da dívida);
● Combate à inflação via arrocho salarial: repressão sindical e reajustes oficiais
abaixo da inflação;
● Perda do poder de compra do salário mínimo (40% em 10 anos);
● Ampliação do leque salarial (distinção salarial entre as várias ocupações.)
● A desigualdade elevada dentro do núcleo capitalista (rotatividade,repressão sindical),
arrocho salarial mínimo, etc.) se transporta para os “conta própria”;
● Inchaço das grandes cidades (“favelização”)
Em síntese:
“ o que se observou na economia brasileira entre os anos 1930 e 1980 foi o fato de que a
montagem da estrutura produtiva moderna, sob muitos aspectos semelhantes às encontradas
nos países de capitalismo avançado, não veio acompanhada de uma estrutura similar no
mercado de trabalho”.
Aula 03/09/24
Qual o legado da Era Vargas?
1930 - Ministério Industria, Comércio e Trabalho
1932 - Voto universal; Lei da igualdade salarial; Delegacias regionais do trabalho
(fiscalização); Carteira de trabalho/
1934 - Justiça do Trabalho
1935 - Estabilidade Decenal; Proteção à demissão de grávidas; indenização por dispensa.
1943 - CLT
1946 - Regulamentação Justiça do Trabalho.
Getúlio → entusiasta do Positivismo
- corporativismo
- harmonia
- A Sociedade caminha na direção de um ambiente harmônico. Para isso é preciso fazer
uma mitigação de conflitos.
Aula 10/09/24
A crise do Mercado e das Relações do Trabalho nos anos 1980 e 1990
Mudança radical no mercado de trabalho. Há um movimento estrutural a partir dos anos 80
de gerar menos trabalho qualificado → desestruturação do mercado de trabalho. Valorização
dos empregos terceirizados.
Ainda nos 1980, o mercado de trabalho era desorganizado:
● Excedente estrutural de força de trabalho e concorrência predatória;
● Estrutura ocupacional com forte presença de ocupações de baixa produtividade;
● Informalidade e por conta própria;
● Alta rotatividade;
● Flexibilidade
● Atuação pública para enfraquecer o poder sindical e as negociações coletivas;
● Concentração da renda =ocupações serviçais.
1. Por que não conseguimos organizar o mercado de trabalho? São várias razões entre
elas: 1) uma legislação de proteção avançada foi formulada, mas essa proteção se
estendia para o processo de industrialização, não era universal. 2) Havia um excedente
estrutural de força de trabalho enorme (não foi feita a reforma agrária, foi permitido
que a mão de obra migrasse para as periferias das áreas urbanas, criando esse
excedente), ou seja, sempre havia alguém procurando trabalho. Nesse sentido, mesmo
com a dinâmica do mercado, não foi possível gerar um emprego para todos, o que
gerava uma concorrência predatória. 3) Dimensão política: ausência de democracia e
instabilidade política. Entre os anos de 1946-64 houveram 7 tentativas de golpe.
Reformas trabalhistas na Ditadura que favoreceram as empresas.
Anos 1980: ponto de inflexão → ruptura com a trajetória anterior: ( desemprego se
mantém mais ou menos estável porque se fecha a economia → necessidade de criar divisas
para pagar a dívida → necessidade produzir internamente)
● Desemprego na crise 1981 - 1983, depois recua
● Emprego formal cresce 2,7 ao ano, 89 é maior (31%) do que 1980;
● O assalariamento deixa de crescer:
●
● PEA cresce 2,8% ano ano;
- PEA agrícola cai de 30 para 23%
-
● Queda na participação da Construção Civil e indústria
● Cresce comércio, serviços, atividades sociais e administração pública.
Síntese anos 1980:
● Início das mudanças estruturais no tipo de ocupação que serão criadas no Brasil,
especialmente ocupações mais precárias, no setor de serviços.
● Contrabalançadas um pouco pelo avanço do emprego público;
● A não solução do desenvolvimento econômico:
- Não concretiza muitas conquistas obtidas na nova constituição
- Espaço para viabilização da alternativa neoliberal nos anos 1990.
Anos 1990: estreitamento do Mercado de Trabalho
● As opções políticas econômicas nos anos 1990 são desastrosas para o mercado de
trabalho;
● Opção pela inserção na globalização financeira (entrada de capitais), abertura
comercial + valorização cambial; (com as privatizações, houve uma queda muito
grande dos empregos nas grandes empresas
- Baixou a inflação, mas desarticulou elos da cadeia produtiva e racionalização
das empresas.
● Combinação de modernização com muita importação, pouco investimento, lento
crescimento econômico (1,8% ao ano), reestruturação produtiva, novas formas de
organização do trabalho e adoção das políticas recomendadas elo Consenso de
Washington.
Aula 12/09/24
Desenvolvimento Contingente
(2003-2014)
Pode-se dizer que o salário e vida dos trabalhadores estão no centro/cerne desse
desenvolvimento.
“Social desenvolvimentismo”.
Uma análise a partir da Teoria das Estruturas Sociais de Acumulação (três dimensões)
● Instituições Públicas : Estado Social projetado pela CF 88;
● Padrão Financeiro: Estabilização monetária, abertura financeira e redução do risco
externo (reservas);
● Conflitos de Classes (apaziguamento): mitigados pelos avanços no mercado de
trabalho e políticas sociais.
Por que houve desenvolvimento?
● Mitigação do risco de “restrição interna” (mudança estrutural, é uma novidade)
- Acúmulo de reservas internacionais
● Ciclo de liquidez internacional
● Valorização dos preços das commodities
● Nova dinâmica do consumo agregado (mudança estrutural, é a primeira vez que o
componente, consumo dos mais pobres, da demanda agregada ganha relevância)
- Avanço do crédito (bancarização) (só tinha conta em banco quem era classe
média alta, com o governo Lula há um incentivo à bancarização → bolsa
família garantia um cartão bancário). O crédito se popularizou e deixou de ser
um artigo para ricos.
- Aumento da renda dos mais pobres
● Emprego
● Salários
● Políticas Sociais
● Descoberta e exploração do Pré-sal (nos tornamos auto suficientes em relação ao
petróleo)
● retomada de (certo) protagonismo estatal.
Por que contigente?
● Manutenção do “tripé macroeconômico”
- Regime de metas de inflação (juros altos)
- Câmbio flexível (Real valorizado) (taxa de câmbio flutuante de acordo com
oferta e demanda)
- Ortodoxia fiscal (superávits primários elevados)
● Nova dependência (do ciclo de liquidez externa) (dependência da liquidez
internacional)
- Volatilidade do preço das commodities
- Impacto sobre o crédito doméstico
Principais resultados sociais
● Geração de emprego formal (retração com a crise de 2008). Crescimento do emprego
real
● Elevação do salário mínimo (2003-2013)
● Queda da informalidade (2003-2013)
Aula 01/10/2024
O que é Financeirização?
Definições:
- A crescente dominância dos atores financeiros, dos mercados, das práticas e das
narrativas financeiras, resultando em uma transformação estrutural da economia.
- O resultado lógico e histórico de um sistema motivado pela busca incessante de
novos tipos de acumulação de riqueza, com um considerável crescimento da
competição intercapitalista e, consequentemente, um processo de centralização do
capital e concentração. (não se trata de uma deformação desse sistema, mas algo que
constitui esse sistema).
- A financeirização representa uma transformação sistêmica nas economias capitalistas
maduras com 3 destaque para características interconectadas. A primeira: grandes
corporações dependem cada vez menos dos bancos. Segundo: bancos alteram sua
ação para mediadores em mercados financeiros abertos.
- A financeirização da riqueza é a expressão do padrão de acumulação,
concorrência e apropriação do valor característico do capitalismo
contemporâneo, cuja ideologia é o neoliberalismo. Não se trata de uma deformação
do capitalismo em direção a um sistema improdutivo, mas de um resultado lógico e
histórico do movimento contínuo do capital orientado à valorização, sob uma forma
cada vez mais líquida.
- A Financeirização implica os Estados,as empresas e as famílias, de maneiras
diferentes, que variam em função da estrutura produtiva.
Como essas transformações afetam o Mercado de Trabalho?
1. Nível macro/ novo regime
- Escola de regulamentação francesa
→Relação salarial instável
→ sindicatos (capacidade de organização da classe trabalhadora enfraquecida)
2. Nível meso (empresas/corporações)
- Investidores Institucionais
- Maximização do valor aos acionistas
3. Nível micro (famílias)
4. Financeirização subordinada (financeirização dos países periféricos está subordinada
a financeirização dos países centrais)
Aula 10/10/2024
Financeirização
Como surge? → do esgotamento do ciclo anterior, ou seja, do capitalismo regulado.
→ Capitalismo financeiro
- Liberdade de capitais para financiamento de dívida.
- Reformas das relações de trabalho.
Maximização de valor aos acionistas
- Reformulação das estratégias em todos os níveis da empresa
→ Achatamento de custos de trabalho
→ Contínua reestruturação
→ Regimes de desemprego punitivo (sempre correndo atrás de metas, que vão
sempre aumentando. Lógica da financeirização = lógica de acúmulo crescente).
→ “Atitudes de mercado” por parte dos trabalhadores.
A teoria da agência:
- A empresa deveria ser vista como um espaço de cooperação entre indivíduos
maximizadores
- Essa transformação levou aos gerentes a priorizarem a distribuição de dividendos com
forma de atingirem seus próprios interesses
- Alinhamento de interesses com gerentes.
- A empresa muda o foco. Salto do produto para o relatório financeiro. O objetivo deixa
de ser a qualidade do produto para obter lucro, o valor de troca, mas sim o lucro em
primeiro lugar.
Disciplina Financista
- Menor estabilidade nas relações de trabalho
Poder concentrado com descentralização estrutural
A Era da incerteza e a lógica neoliberal
● Era de ouro X globalização
● Financeirização e precarização
● Plataformas digitais de trabalho e fundos de investimento
Aula 15/10/24
Invenções tecnológicas e seus impactos no emprego
1. Discurso da automação
Entre as principais tendências, aponta que tecnologias de automação, incluindo
inteligência artificial e robótica, afetarão 60% das ocupações no mundo,
considerando que pelo menos 30% do trabalho constituinte de atividades poderá
ser automatizado até 2030.
Aula 24/10/2024
Trabalho e Gênero
● Economia Feminista
Não se constitui em uma escola de pensamento econômica. A economia feminista
dialoga com varias correntes do pensaent economico.
Um aspecto comum da escola feminista é a crítica à Escola Neoclássica.
Aula 29/10/2024
Raça e Mercado de trabalho