ADVOCACIA CRIMINAL
MÓDULO: INTRODUÇÃO À ADVOCACIA
CRIMINAL
Tema 1: orientações preliminares
Antes de adentrarmos sobre os aspectos da advocacia criminal, devemos nos
atentar no contexto histórico. Isto é, as origens da advocacia, para que, a partir disso,
possamos compreender as evoluções da advocacia criminal.
A doutrina explica que a pena teve origem religiosa. Vejamos de forma
aprofundada:
A pena teve, sem dúvidas, origens mágicas e religiosas. A sanção
aplicava-se porque o delito ofendia aos deuses, que eram tidos
como curadores da justiça e da moralidade. Recorda Carl Ludwing
V. Bar (...) que o elemento religioso foi especialmente preponderante
nas origens de Roma, destacando que o termo suplício (no sentido de
pena e mais concretamente ne pena capital) possui uma origem
religiosa: supplicium deriva de sub e placar; apaziguar ou aplacar,
neste caso, os deuses. Quando se cometia um delito, ofereciam-se
sacrifícios especiais para aplicar a ira dos deuses. E o delinquente
colocava-se fora da lei de tal forma que se alguém o matasse,
realizava uma conduta que agradava enormemente aos deuses. Com
distintos matizes segundos as épocas, essa relação entre pena e
religião esteve presente ao longo da história: da idade média, na
Moderna e até mesmo na contemporânea, existiram sistema jurídico-
penais fortemente influenciados por critérios religiosos. (BRITO, p.122,
Grifo nosso)1.
A pena teve um surgimento em Roma, assim como explica a doutrina. Já a
história da advocacia criminal também remonta aos tempos antigos. Na Grécia Antiga,
o orador Demóstenes foi famoso por suas habilidades de persuasão em tribunais
criminais. Na Roma Antiga, a advocacia criminal era considerada uma das mais
nobres profissões, e os advogados eram conhecidos como "patronos". Eles defendiam
seus clientes em julgamentos criminais, em muitos casos sem receber remuneração.
No entanto, a prática da advocacia criminal na Roma Antiga não era tão organizada
como é hoje, e não havia um código de ética para os advogados seguirem.
1 BRITO, Alexis Couto de. Direito Penal brasileiro – parte geral. [Link]. 2017. Editora: Saraiva Jur.
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Durante a Idade Média, a advocacia criminal continuou a evoluir. Na Inglaterra,
advogados começaram a aparecer no século XIII para defender aqueles acusados de
crimes. O sistema legal inglês na época era bastante rudimentar, e muitas vezes
envolvia julgamentos por combate ou julgamentos por júri. Advogados eram
necessários para ajudar os acusados a apresentar sua defesa e argumentar em seu
favor. No entanto, muitas vezes eram mal pagos ou não recebiam pagamento pelo
seu trabalho.
Durante a Idade Moderna, a advocacia criminal tornou-se mais formalizada e
organizada. Na França, em 1682, o Rei Luís XIV criou o primeiro sistema formalizado
de advogados de defesa, com um código de ética para seguir. Na Inglaterra, o
advogado William Blackstone publicou sua obra "Comentários sobre as Leis da
Inglaterra" em 1765, que se tornou uma referência na prática jurídica. Na América, a
advocacia criminal começou a se desenvolver durante o século XVIII, com a criação
de tribunais criminais formais e a necessidade de advogados para representar os
acusados.
No século XIX, a advocacia criminal continuou a se desenvolver e evoluir. O
advento do sistema judiciário moderno e a criação de tribunais criminais formais em
todo o mundo tornaram a prática jurídica mais organizada e formalizada. A criação de
escolas de direito e a necessidade de advogados para se tornarem licenciados em
direito também ajudaram a padronizar e formalizar a prática da advocacia criminal.
No século XX, a advocacia criminal se tornou uma das áreas mais importantes
e populares da prática jurídica. Com o contexto social houve a necessidade de novos
advogados. A criação de organizações como a Associação Nacional de Advogados
de Defesa Criminal (NACDL) nos Estados Unidos ajudou a promover a causa da
advocacia criminal e a melhorar os direitos dos acusados.
Contudo, sabemos que a advocacia é uma profissão que tem sido fundamental
na sociedade há séculos. O papel dos advogados é ajudar as pessoas a entender e a
lidar com questões legais, desde litígios civis e criminais até questões empresariais e
de direitos humanos. Ao longo dos anos, a advocacia passou por muitas mudanças
significativas na sociedade, e a profissão evoluiu para atender às necessidades e
demandas da sociedade em constante mudança.
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Uma das mudanças mais importantes na advocacia tem sido o aumento da
tecnologia e da informação. A Internet e a tecnologia de comunicação digital
revolucionaram a forma como as pessoas trabalham e se comunicam. Os advogados
agora têm acesso a uma vasta quantidade de informações online, o que tornou mais
fácil para eles encontrarem respostas para questões legais específicas. Eles também
podem usar as mídias sociais para se conectar com clientes e colegas, divulgar seus
serviços e compartilhar informações jurídicas.
Outra mudança significativa na advocacia tem sido o aumento da diversidade
e da inclusão. A sociedade está se tornando cada vez mais diversa, e as empresas e
organizações estão reconhecendo a importância de ter equipes diversificadas e
inclusivas. Os advogados estão respondendo a essa mudança, abraçando a
diversidade e trabalhando para representar clientes de diferentes origens e
identidades.
Além disso, a advocacia também está se tornando mais orientada para o
cliente. Os advogados estão percebendo que os clientes querem serviços
personalizados e atendimento individualizado. Isso significa que os advogados
precisam se concentrar em construir relacionamentos com os clientes, ouvir suas
necessidades e trabalhar com eles para encontrar soluções jurídicas eficazes e
práticas.
Outra mudança significativa na advocacia é a adoção de práticas mais éticas e
responsáveis. Os advogados estão se concentrando cada vez mais na
responsabilidade social e ambiental, procurando maneiras de usar suas habilidades
jurídicas para ajudar a resolver questões sociais e ambientais. Isso inclui o trabalho
em direitos humanos, justiça ambiental e direitos dos animais, entre outras questões
importantes.
A tecnologia também está afetando a maneira como a advocacia é ensinada
nas universidades e faculdades de direito. As escolas estão se concentrando cada
vez mais em ensinar habilidades práticas e tecnológicas aos estudantes de direito,
para que eles estejam prontos para as demandas do mercado de trabalho. Os
estudantes de direito estão aprendendo a usar tecnologias avançadas, como
inteligência artificial e análise de dados, para ajudá-los a tomar decisões jurídicas
informadas e precisas.
O advogado criminalista em específico, é um profissional que tem como
objetivo defender os direitos de indivíduos que são acusados de cometer crimes. Sua
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atuação é fundamental no processo judicial, pois é responsável por garantir que a
justiça seja feita e que seu cliente receba um julgamento justo.
O trabalho do advogado criminalista começa, por exemplo, desde o momento
em que seu cliente é preso ou acusado de um crime. Ele é responsável por orientá-lo
sobre seus direitos, a forma como o processo irá ocorrer e as possíveis penalidades
que poderá enfrentar. Além disso, o advogado deve analisar todas as provas e
evidências apresentadas no processo e apresentar argumentos que possam
beneficiar seu cliente.
Durante o julgamento, o advogado criminalista deve estar presente para
apresentar a defesa de seu cliente e questionar as provas apresentadas pela
acusação. Ele deve ser um estrategista experiente, capaz de antecipar as ações da
acusação e preparar argumentos para refutá-las. Também deve ter conhecimento
aprofundado da legislação aplicável ao caso e das decisões judiciais que possam ser
relevantes.
A atuação do advogado criminalista é essencial para garantir a justiça e a
equidade no processo penal a fim de garantir que os direitos de seu cliente sejam
respeitados e que a justiça seja feita.
Para tanto, é necessário seguir uma série de princípios éticos e profissionais
que são fundamentais para garantir a integridade do processo legal e a defesa
adequada do acusado.
Entre os princípios básicos da advocacia criminal, a ética profissional é
fundamental. Isso significa que o advogado criminalista deve agir de forma ética em
todas as suas atividades profissionais, garantindo a integridade do processo legal e a
defesa adequada do acusado. Ele deve ter uma conduta impecável, respeitando a lei
e os valores morais, e evitando qualquer comportamento que possa comprometer sua
credibilidade profissional.
Outro princípio fundamental da advocacia criminal é o respeito. O advogado
criminalista deve tratar todas as partes envolvidas no processo com respeito e
dignidade, independentemente do seu papel no caso. Ele deve se comunicar de forma
clara e respeitosa com o juiz, o promotor e o júri, bem como com o cliente e a família
do cliente.
Além disso, a lealdade é outro princípio básico da advocacia criminal. O
advogado criminalista deve ser leal ao seu cliente, buscando sempre o melhor
interesse do mesmo e defendendo seus direitos de forma incansável. Ele deve ser fiel
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ao cliente e agir de forma honesta e comprometida, sem jamais perder de vista a
busca pela justiça.
Os princípios garantem que o advogado criminalista atue com integridade e
dedicação, buscando sempre a defesa adequada do acusado e a justiça em cada
caso. Ao seguir esses princípios, o advogado criminalista garante a sua credibilidade
profissional e a confiança de seus clientes e da sociedade em geral.
As prerrogativas profissionais do advogado criminalista são essenciais para a
garantia da efetiva defesa dos direitos dos acusados. Trata-se de um conjunto de
direitos assegurados por lei e por normas éticas que visam a proteger a atuação dos
advogados, possibilitando que eles possam defender seus clientes de forma plena e
independente, sem sofrer pressões externas ou serem impedidos de exercerem suas
funções.
Dentre as principais prerrogativas profissionais do advogado criminalista,
destacam-se:
1. Inviolabilidade do escritório: o advogado tem o direito de ter seu
escritório inviolável, ou seja, ninguém pode entrar no escritório do advogado sem
mandado judicial, sob pena de responsabilidade penal, civil e administrativa;
2. Comunicação sigilosa com o cliente: a comunicação entre o
advogado e seu cliente é sigilosa e protegida pelo sigilo profissional, ou seja, o
advogado não pode divulgar informações confidenciais do cliente e não pode ser
obrigado a testemunhar contra seu cliente;
3. Liberdade de defesa: o advogado tem a liberdade para utilizar todos os
meios legais para a defesa do seu cliente, sem ser impedido ou cerceado pelo juiz ou
pelos demais órgãos públicos;
4. Acesso aos autos do processo: o advogado tem o direito de acessar
todos os autos do processo a qualquer tempo, independentemente de autorização
judicial ou de qualquer outra restrição;
5. Prisão em flagrante: o advogado tem o direito de ser informado
imediatamente da prisão em flagrante de seu cliente, bem como de acompanhá-lo
durante a prisão;
6. Presença em audiências: o advogado tem o direito de estar presente
em todas as fases do processo, inclusive em audiências, interrogatórios e demais atos
processuais;
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7. Exercício da ampla defesa: o advogado tem o dever de exercer a ampla
defesa de seu cliente, independentemente da acusação que lhe é imputada.
É importante destacar que essas prerrogativas não são apenas direitos do
advogado, mas também uma forma de garantir a efetivação do direito à defesa do
acusado. A atuação independente do advogado é fundamental para que ele possa
cumprir seu papel de defensor, e para isso é necessário que ele tenha liberdade de
atuação e não seja cerceado em suas ações.
Além disso, é importante que os advogados estejam atentos às prerrogativas
profissionais, para que possam exercer suas funções de forma adequada e eficiente,
e para que possam defender seus clientes de forma plena, sem sofrer prejuízos ou
impedimentos ilegais em sua atuação. Por isso, as prerrogativas profissionais devem
ser respeitadas em todos os casos em que o advogado atua, visando garantir a justiça
e a proteção dos direitos do acusado.
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