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ESTUDO DO MERCADO DE SUCATA NO BRASIL COM O

AUMENTO DA PRODUÇÃO DE AÇO1


Carla Regina Ferreira2
Edgard Marcos Ribeiro2
Patrícia Sheilla Costa2
Resumo
Um estudo sobre o mercado de sucata no Brasil tem sido realizado devido à
incerteza futura da disponibilidade deste insumo. Isto tem despertado a atenção da
siderurgia mundial nos últimos anos. A melhora da tecnologia dos processos
siderúrgicos e das indústrias de transformação dos produtos de aço reduz o volume
de sucata gerado nas indústrias e, além disso, o crescimento da necessidade de
metálicos para produção nos fornos elétricos influencia a demanda e a oferta de
sucata, o que desperta dúvida com relação à disponibilidade desta matéria-prima no
futuro. Dessa forma, este estudo permite avaliar o mercado de sucata frente aos
projetos para aumento de produção de aço. Para tal estudo, foi realizado
levantamento de dados do mercado dos últimos anos e ainda, visitas a sucateiros de
pequeno e médio porte para conhecer de perto a realidade deste mercado, no que
diz respeito à obtenção, processamento e comercialização do produto. Além disso,
foi realizado um modelamento matemático que permite prever a futura
disponibilidade deste importante insumo para a siderurgia brasileira levando em
consideração a produção anual de aço, importação e exportação de sucata e ainda
a geração anual de sucata no Brasil.
Palavras-chave: Sucata; Mercado; Disponibilidade.

MARKET STUDY OF SCRAP IN BRAZIL WITH THE INCREASED PRODUCTION


OF STEEL
Abstract
A study on the scrap market in Brazil has been realized due to the uncertainty of the
future availability of this resource. This has attracted the attention of the global
siderurgy in the last years. The improved steel process technology and processing
industries of steel products, reduces the amount of scrap generated in industries and
also, the growing need for production of metal in electric furnaces influence the
demand and supply of scrap, which arouses doubt about the availability of this raw
material in the future. Thus, this study allows to evaluate the scrap market forward
with projects to increase steel production. For this study, it was made data collection
of the market in recent years and also visits to scrap dealers for small and medium
businesses to get to know the reality of this market, as regards the procurement,
processing and marketing of the product. In addition, it was performed a
mathematical model that predicts the future availability of this important input for the
Brazilian siderurgy taking into account the annual steel production, import and export
of scrap and even the annual generation of scrap in Brazil.
Key words: Scrap; Market; Availability.

1
Contribuição técnica ao 44º Seminário de Aciaria – Internacional, 26 a 29 de maio de 2013, Araxá,
MG, Brasil.
2
Graduando em Engenharia Metalúrgica, UEMG, Belo Horizonte, MG, Brasil.
1 INTRODUÇÃO

Segundo Andrade et al.,(1) a sucata de ferro e aço é um importante insumo nas


siderúrgicas, sejam elas integradas ou semi-integradas, sendo a principal matéria
prima da carga metálica de fornos elétricos a arco utilizado principalmente pelas
mini-mills. As usinas siderúrgicas integradas também utilizam a sucata na carga dos
fornos BOF (Blown Oxygen Furnace), mesmo de forma limitada, mas em níveis
significativos devido ao alto custo do coque.
De acordo com o Instituto Aço Brasil,(2) em 2011 o Brasil ocupou o 9º lugar no
ranking de produção mundial de aço, sendo assim, a sucata de ferro e aço é
importante na compreensão da competitividade e sustentabilidade ambiental do
setor. A Siderurgia emprega o aço, contido nos produtos no final da vida útil, na
fabricação de novos produtos siderúrgicos, sem que a qualidade seja comprometida.
Assim, a produção de aço a partir de sucata, economiza energia, reduz o consumo
de matérias-primas não renováveis, como o minério de ferro, e evita a necessidade
de ocupar áreas para descarte de produtos em obsolescência.
Andrade et al.(1) definiram que sucata produzida internamente nas usinas
siderúrgicas pode ser continuamente reciclada, porém seus índices de utilização
caíram muito devido aos avanços tecnológicos ocorridos nos processos
siderúrgicos, especialmente a troca do lingotamento convencional pelo lingotamento
contínuo. Além da sucata de geração interna, as siderúrgicas contam ainda com
outras fontes, como a sucata de obsolescência e a sucata industrial. A sucata
industrial tem sua origem nas montadoras e demais indústrias de transformação e
possui alta pureza, já a sucata de obsolescência encontra-se no aço já convertido
em produto final e que foi descartado pela sociedade como, por exemplo, carros de
ferros-velhos e eletrodomésticos.

1.1 Objetivos

Esse trabalho objetiva avaliar o mercado de sucata frente ao aumento de produção


de aço com novos entrantes no mercado, em torno de 35 milhões de toneladas até
2016 e, além disso, contribuir com informações sobre a importância cada vez maior
da reciclagem do aço. E ainda criar um modelo matemático para relacionar o
consumo de sucata com a produção de aço no Brasil.

1.2 Revisão da Literatura

1.2.1 O processo siderúrgico


A Siderurgia é o segmento da metalurgia dedicado à fabricação e tratamento do aço.
Nas usinas integradas o processo se inicia na preparação das matérias primas para
o alto-forno que produzirá o ferro gusa. Sendo que o combustível, fundentes, e o
material que contém ferro (sínter, pelotas e minério granulado) são carregados em
diferentes camadas, a carga sólida é alimentada pelo topo e desce por gravidade
reagindo com os gases que sobe em contra corrente. A matéria-prima carregada no
topo requer de 6 horas a 8 horas para chegar ao cadinho na forma de ferro gusa e
escória líquida. Estes produtos finais são vazados em intervalos regulares de tempo.
O ferro gusa segue para o processo de refino do aço e a escória pode ser utilizada
como matéria-prima na indústria de cimento. A Figura 1 ilustra o processo de
produção de aço.
Figura 1. Fluxo de produção do aço. (Fonte: Adaptado IABR)

Em seguida, o ferro gusa é transformado em aço no convertedor LD sendo que o


convertedor é alimentado por gusa produzido no alto forno e pela sucata, e o
aquecimento da carga é obtido essencialmente a partir de reações de oxidação.
Posteriormente o aço é solidificado no processo de lingotamento e laminado dando
origem a chapas ou longos como perfis e fio máquina.
Nas usinas semi-integradas o processo se inicia no Forno Elétrico a Arco (FEA) que
é capaz de produzir aços de alta qualidade a partir da refusão de cargas compostas
de sucata ou ferro gusa sólido. Após a fabricação do aço o fluxo segue as mesmas
etapas de produção que no convertedor LD.

1.2.2 A sucata no processo siderúrgico


A sucata é obtida pela obsolescência de bens de consumo e de capital e pela
eliminação de rejeitos industriais. Pode ser gerada nos processos internos de uma
usina siderúrgica ou ser comprada no mercado, neste caso, antes de ser
reaproveitada na indústria e inserida na linha de produção das siderúrgicas, a sucata
precisa passar por um processo de beneficiamento. Este beneficiamento geralmente
é realizado por indústrias sucateiras, formadas por agentes, distribuidores e
processadores, mas também pode ser feito pela própria siderúrgica, dependendo
das condições de cada mercado.
Os mercados de sucata diferem de país para país quanto à organização e número
de empresas participantes. São mercados locais e seu grau de desenvolvimento se
dá de acordo com a rota tecnológica preponderante em cada região.
Andrade et al.(1) definiram que: a sucata é comercializada nas suas diversas formas
de beneficiamento, variando quanto à densidade e pureza. Segundo sua origem,
pode ser classificada em:
 sucata de geração interna: é o aço sucateado na própria usina, que
normalmente é redirecionado diretamente para o forno;
 sucata de geração industrial: é a sucata originária das montadoras e demais
indústrias transformadoras de produtos siderúrgicos. É uma sucata de alta
qualidade pela composição química conhecida e pela baixa quantidade de
contaminantes;
 sucata de obsolescência: trata-se de bens de consumo de aço já obsoletos
pelo uso, tal como eletrodomésticos, automóveis, silos e tanques de
estocagem; e
 sucata de bens de capital sucateados: é obtida com a demolição de unidades
industriais e/ou obsolescência de máquinas e equipamentos.

1.2.3 Reciclagem do aço


O Instituto Aço Brasil(3) afirma que o setor siderúrgico estimula a coleta e recicla o
aço contido nos produtos no final da vida útil, empregando-o na fabricação de novos
produtos siderúrgicos, sem qualquer perda de qualidade. Dessa forma, a produção
de aço a partir de sucata reduz o consumo de matérias-primas não renováveis,
economiza energia e evita a necessidade de ocupação de áreas para o descarte de
produtos em obsolescência.
De acordo com o Instituto Aço Brasil(4) em 2012, mais de 20% da produção de aço
do Brasil provem de usinas que operam fornos elétricos cuja matéria-prima básica é
a sucata ferrosa. Esse percentual está limitado pela disponibilidade interna de
sucata, devido ao histórico de baixo consumo per capita de produtos siderúrgicos no
Brasil em torno de 110 kg/hab./ano. O fluxograma da Figura 2 mostra o processo de
reciclagem do aço.

Figura 2. Fluxograma do processo de reciclagem do aço.(5)

Além disso, a sucata produzida internamente nas siderúrgicas pode ser


continuamente reciclada, mas devido aos avanços tecnológicos sua utilização
diminuiu muito. As melhorias dos processos siderúrgicos, especialmente o de
lingotamento, estão reduzindo o volume de sucata produzido internamente nas
usinas siderúrgicas. De acordo com o BNDES 2008,(6) com a transição do
lingotamento convencional para o lingotamento contínuo, o percentual de sucata
gerada no processo de fabricação do aço reduziu de 25% a 35% para 10%.

1.2.4 Comércio de sucata


Para Mello et al.,(7) além da sucata interna as siderúrgicas utilizam outras fontes,
como a sucata de geração industrial e sucata de obsolescência. A sucata industrial
originada nas montadoras e demais indústrias transformadoras de produtos
siderúrgicos, é de alta pureza e vendida com alto valor de mercado, visto que sua
utilização para reciclagem é de ótimo aproveitamento, pois a análise química é
conhecida e de pouca variabilidade.
A sucata de obsolescência encontra-se no aço que fora descartado pela sociedade,
como em carros de ferros-velho, eletrodomésticos e toda gama de produtos que a
sociedade rejeita. É uma sucata de difícil coleta, sem controle de análise química,
alta variabilidade na sua composição, baixa densidade e geralmente comercializada
por pequenos sucateiros. A Figura 3 retrata o consumo de sucata por parte das
siderúrgicas.

Figura 3. Consumo de sucata por origem. (Fonte: Adaptado de D’ávila Filho, 2008(8))

Mello et al.(7) definiram que quando se trata de sucata de obsolescência o problema


é que o mercado brasileiro de consumo de bens possui baixa rotatividade, pois o
ritmo de consumo da sociedade é baixo quando comparado aos países
desenvolvidos. Assim, os descartes de produtos são minimizados ou reaproveitados
pela população marginal, o que joga a taxa de sucata de obsolescência do Brasil
para baixo em relação à média dos países desenvolvidos.
As empresas se esforçam para reduzir, de forma considerável, o consumo de
recursos naturais por meio da maior eficiência no uso desses recursos e aumento da
reciclagem de materiais gerados no processo produtivo.
A disponibilidade de sucata interna e industrial está ligada ao nível de produção de
aço, já a disponibilidade da sucata de obsolescência está pautada com a quantidade
de aço produzido no passado, a vida útil média do produto, e a eficácia dos
programas de reciclagem abordados.
No Brasil existe espaço para o aumento do consumo de sucata por meio de novos
projetos como a produção de aço em fornos elétricos a arco e o aumento da
atividade de retirada de bens de consumo já excedidos. O quadro geral do consumo
das sucatas por parte das siderúrgicas segue na Figura 4.
Figura 4. Consumo de Metálicos na Siderurgia.(8)

A menor participação de sucata no mix do consumo de metálicos para aciaria, no


caso brasileiro, está diretamente relacionada ao aumento de produção de aço via LD
em substituição ao processo elétrico. A utilização da sucata nas indústrias não seria
possível se não existissem os catadores de sucata, é a partir desses que todo
processo de reutilização da sucata é iniciado, catadores são pessoas que recolhem
a sucata diretamente das ruas, são indivíduos que andam com carrinhos de sucata e
vendem esse material aos pequenos sucateiros. Para os sucateiros existem as
seguintes classificações:
 Pequenos sucateiros: são aqueles que compram dos catadores de sucata e
também de pequenas empresas como, por exemplo, forjarias. Esses
sucateiros trabalham em um raio de até 80 km e tem uma média de 200 t de
sucata/mês.
 Médios sucateiros: são sucateiros que compram sucata de empresas de
usinagem e demolições de obsolescência, com uma média de sucata de 200
a 500 t /mês.
 Grandes sucateiros: são aqueles que atingem um raio de até 200 km e
conseguem mais de 500 toneladas de sucata ao mês.
Ainda no comércio de sucata existem as classificações de SIF (quando o sucateiro
entrega a sucata ao comprador) e FOB (quando o comprador busca a sucata por
recursos próprios).
Apesar de apresentar diferenças de acordo com o arranjo e o desenvolvimento de
cada mercado local, em geral, a sucata é um produto de mercado spot, regido
principalmente pelas forças regionais de oferta/demanda. Nesse sentido, aspectos
locais como logística de transporte e concentração de empresas demandantes e
ofertantes de sucata influenciam bastante na determinação do preço, permitindo
uma flutuação significativa não só de país para país, mas também em microrregiões.
O preço da sucata é altamente oscilante, não havendo, então, um preço certo de
sucata, sendo que este varia em função do mercado e do tipo de sucata, que por
sua vez varia de região para região.

2 MATERIAL E MÉTODOS

Para a elaboração deste trabalho foram realizadas pesquisas bibliográficas e de


mercado relacionados ao atual cenário brasileiro no que diz respeito à sucata de
ferro e aço. Foram analisados e comparados diversos dados obtidos através da
pesquisa em diferentes trabalhos acadêmicos e estatísticas apresentadas sobre o
mercado siderúrgico. Também foi realizada uma pesquisa local do mercado de
sucata, na cidade de João Monlevade, através de visitas às empresas sucateiras,
buscando informações quanto à obtenção, processamento e comercialização da
sucata.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram visitados sucateiros na cidade de João Monlevade, em Minas Gerais, com o


intuito de se conhecer melhor o mercado de sucata, bem como o beneficiamento da
mesma. Todos os estabelecimentos visitados compram sucata de sucateiros
menores, de pessoas que vão ao estabelecimento para vender e dos catadores de
rua. A Figura 5 ilustra a logística desse mercado.

Indústrias Comércio Consumo

Cooperativas
Sucateiros
Prefeituras,
Siderúrgicas Coleta; Separação;
Catadores e
Preparação;Destinação
Peq. Depósitos
Figura 5. Logística do mercado de sucata.

A Figura 6 mostra as fotos de etapas da preparação da sucata nos sucateiros, que


contam com equipamentos como prensas, briquetadeiras e contêiners.

Figura 6. Algumas etapas do processo de preparação da sucata nos sucateiros. (a) recepção da
sucata; (b) prensa; (c) sucata prensada; (d) contêiner sendo carregado para envio às indústrias.

Analisando a Figura 7 pode-se observar que ao longo dos anos a produção de aço
via Aciaria Elétrica se mantém praticamente constante e a produção de aço via
Aciaria LD é crescente seguindo a curva de produção total de aço. A inclinação
negativa para o ano de 2009 é devida à crise do ano anterior que afetou a produção
significativamente, sendo que no ano seguinte houve a retomada de produção,
atingindo 35,2 Mt em 2011 de acordo com dados do Relatório de Sustentabilidade
em 2012.(4)
Produção de aço no Brasil

40
35,2
33,8 33,7 32,8
35
Produção (106 t)

30,9
30 26,5 26,9
25,7 25,8 25,0
23,4
25
20,2
20
15
10 7,5 8,1 7,9 7,8 8,2
6,3
5
0
2006 2007 2008 2009 2010 2011
Produção aço Produção aço na Aciaria Elétrica Produção aço na Aciaria LD

Figura 7. Produção de aço no Brasil nos últimos anos.

O consumo de sucata mostrado na Figura 8 acompanha a produção de aço, ou seja,


quanto maior a produção de aço maior a quantidade de sucata necessária.
Observa-se que a produção de aço via Aciaria LD é maior que a produção de aço
via Aciaria Elétrica como mostrado graficamente, porém o consumo de sucata nas
Aciarias Elétricas é superior. Enquanto o percentual de sucata utilizada em Aciarias
LD chega a uma média de 11% da carga metálica, nas Aciarias Elétricas esse valor
chega a quase 80%.

Consumo de sucata no Brasil

12,0

10,0 9,4 9,1


8,6 8,8 8,7
Consumo (106 t)

8,0 7,4
6,6
6,0 6,0 5,9 6,1
6,0 5,2

4,0 2,8 2,8 2,8 3,0


2,6
2,2
2,0

0,0
2006 2007 2008 2009 2010 2011
Sucata Utilizada Sucata utilizada na Aciaria Elétrica Sucata utilizada na Aciaria LD
.
Figura 8. Consumo de sucata no Brasil nos últimos anos.

A Figura 9 mostra os valores de sucata de geração interna e a aquisição no mercado


para complementar a carga de sucata necessária para produção, nota-se um
decréscimo na geração interna de sucata, mesmo com o aumento da produção de
aço e isto ocorreu devido aos avanços tecnológicos nas usinas siderúrgicas. A
queda mais brusca que ocorreu de 2008 para 2009 tem relação tanto com a crise
quanto com estes avanços.
Geração de Sucata no Brasil

7 6,3 6,4 6,4 6,3


5,8

Geração de Sucata (106t)


6 5,4
5,1 5,1
5
4 3,5 3,4
3,1 3,0 2,9
3 2,3 2,3
2,2
2
1
0
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

Geração Interna de sucata Aquisição no Mercado Interno

Figura 9. Geração de sucata no Brasil nos últimos anos.

Outro fator de grande relevância no mercado de sucata é a exportação, que ocorre


devido à baixa demanda nacional pela mesma. Como ilustrado na Figura 10, de
2010 para 2011, houve um crescimento de exportação de sucata. Esse fato pode ter
grande influência no mercado siderúrgico brasileiro, pois pode levar à falta de sucata
e elevar o preço desta.

Importação e Exportação de Sucata no Brasil

300
Quantidade de Sucata (103t)

258
250

200

150 134
119 115
92 94
100 85 81
68
56
46 44
50 34 28
13 12
0
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

Importação Exportação

Figura 10. Importação e Exportação de Sucata no Brasil nos últimos anos.

Com todos os dados coletados e dispostos em gráficos pôde iniciar-se o


desenvolvimento do modelo matemático para cálculo da quantidade de sucata
média necessária para atender o mercado de acordo com a produção de aço
prevista pelas usinas siderúrgicas.
Para desenvolver esta fórmula foi necessário analisar os dois grandes processos de
fabricação do aço, a Aciaria LD e a Aciaria Elétrica. Na elaboração deste modelo
matemático levamos em consideração que a Aciaria LD utiliza um valor de mise au
mille de 890 Kg/t, ou seja, para cada tonelada de aço produzida utiliza-se
890 quilogramas de gusa líquido. Sabendo disto, partimos para a quantidade de
sucata que é utilizada neste processo, e considerando como cargas metálicas
principais deste processo o gusa líquido e a sucata podemos dizer que 110
quilogramas são de sucata, o que representa um percentual de 11% em média de
sucata utilizada por tonelada de aço produzido via Aciaria LD.
Após definir a constante quanto a Aciaria LD, passamos para a Aciaria Elétrica. O
percentual de sucata utilizado em média pela Aciaria Elétrica foi determinado em
relação à produção e a quantidade gasta de sucata neste processo nos últimos
anos, ressalta-se que os valores considerados são valores obtidos de dados
coletados no relatório anual do Instituto Aço Brasil que considera as grandes
siderúrgicas atuantes no mercado nacional. A Tabela 1 mostra os valores médios de
produção em Aciaria Elétrica, o consumo médio de sucata nas mesmas e o
percentual que este valor representa da produção.

Tabela 1. Produção e utilização de sucata na Aciaria Elétrica


% de sucata
Produção de aço na Sucata utilizada na Aciaria
Ano utilizada na Aciaria
Aciaria Elétrica (106 t) Elétrica (106 t)
Elétrica
2006 7,50 6,0 79,98
2007 8,11 6,0 73,91
2008 7,98 6,6 82,74
2009 6,37 5,2 81,63
2010 7,79 5,9 75,77
2011 8,18 6,1 74,60
% médio de sucata utilizada
78,10
na Aciaria Elétrica

Com os dados obtidos através desta tabela definimos a constante em relação à


Aciaria Elétrica, sendo o valor percentual médio de sucata utilizada nas Aciarias
Elétricas de 78,10%, quantia média necessária de sucata para produzir o aço via
Aciaria Elétrica.
Sendo assim, chegamos a seguinte fórmula:
Sm = (Paço (LD) x 0,11) + (Paço (Elétrica) x 0,781) , onde:
 Sm = Sucata média necessária para produção total de aço;
 Paço (LD) = Produção de aço via Aciaria LD;
 Paço (Elétrica) = Produção de aço via Aciaria Elétrica;
 0,11 e 0,781 são constantes referentes aos percentuais da quantidade de
sucata utilizada nas Aciarias LD e Elétrica, respectivamente.

Através desta fórmula podemos avaliar a quantidade média de sucata que será
necessária para suprir a necessidade do mercado siderúrgico, bem como prever a
quantidade de sucata a mais que será necessária com os novos entrantes. Com a
pesquisa bibliográfica realizada encontrou-se um valor previsto de aumento na
produção nacional de aço de 35 milhões de toneladas até 2016, Este valor somado
a produção de 2011 de 35,2 milhões de toneladas daria um total de 70,2 milhões de
toneladas de aço a serem produzidas e consequentemente mais sucata seria
necessária. Este modelo matemático permite prever aproximadamente quanto será
gasto de sucata para realizar esta produção e assim avaliar o possível impacto que
isto poderá causar no mercado da mesma, já que a sucata não é considerada um
commoditie e o seu preço oscila muito dentro do mercado nacional.
O primeiro passo é determinar a quantidade de aço que será produzido via Aciaria
LD e Elétrica e após, substituir na fórmula, para determinar a quantidade média de
sucata necessária para esta produção de aço. Considerando, por exemplo, os
valores percentuais de produção de aço em 2011, dos 35,2 milhões de toneladas de
aço produzidos neste ano, 76,4% foram produzidos em Aciaria LD e 23,6% em
Aciaria Elétrica, se estes valores percentuais se mantiverem, dos 70,2 milhões de
toneladas de aço a serem produzidos em 2016, 53,6 milhões seriam produzidos por
Aciaria LD e 16,6 milhões em Aciarias Elétricas. Utilizando o modelo matemático, a
quantidade de sucata média necessária seria:
Sm = (Paço (LD) x 0,11) + (Paço (Elétrica) x 0,781)
Sm = (53,6 x 0,11) + (16,6 x 0,781)
Sm = (5,896) + (12,965)
Sm = 18,861 Mt
Seriam necessários aproximadamente 18,9 milhões de toneladas de sucata para
realizar a produção de aço prevista, valor bem superior à quantidade utilizada de
sucata em 2011, que foi de 9,1 milhões de toneladas. Por outro lado se estes novos
entrantes forem somente de Aciarias LD, o valor de aço a ser produzido por Aciaria
LD seria de 61,9 milhões de toneladas e via Aciaria Elétrica de 8,3 milhões, e a
quantidade de sucata necessária calculada pelo modelo matemático mudaria para:
Sm = (Paço (LD) x 0,11) + (Paço (Elétrica) x 0,781)
Sm = (61,9 x 0,11) + (8,3 x 0,781)
Sm = (6,809) + (6,482)
Sm = 13,291 Mt
Desta forma a quantidade necessária seria de aproximadamente 13,3 milhões de
toneladas de sucata (30% a menos que o valor anterior) para realizar a mesma
produção.
Um ponto importante a ser considerado, é que, de todo o aço produzido, existe uma
geração interna de aproximadamente 10% de sucata, e desta forma se os novos
entrantes forem de Aciarias LD praticamente a sucata a ser utilizada seria a sucata
gerada dentro dos processos e desta forma afetaria de forma mais amena o
mercado nacional de sucata.

4 CONCLUSÃO

Através dos resultados pode-se concluir que, com os novos entrantes no mercado
de produção de aço, haverá maior demanda por sucata. Apesar da geração de
sucata interna nas usinas, será necessária uma aquisição no mercado para suprir
esta necessidade. Outro fator a ser considerado é o tipo de processo que será
implantado. Se os novos entrantes utilizarem Aciarias LD esse impacto será muito
inferior, pois a sucata utilizada no processo é praticamente a que será gerada.
Porém se for utilizado Aciarias Elétricas a necessidade de adquirir sucata no
mercado poderá influenciar muito na disponibilidade e consequentemente no preço,
já que a geração de sucata industrial e principalmente de obsolescência no país é
muito baixa. Além disso, a exportação também deve ser levada em conta, pois se
houver uma liberação da venda de sucata para o exterior, países como a China,
podem impactar consideravelmente o mercado interno de sucata.

Agradecimentos

Agradecemos ao Professor e orientador Alin Júnior Machado Chaves, pela


disponibilidade e orientação durante o desenvolvimento deste projeto.
À UEMG.
REFERÊNCIAS

1 ANDRADE, Maria L. A. de et al. Mercado mundial de sucata. 2000. Disponível em:


<http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/c
onhecimento/relato/sucata.pdf> Acesso em 05 de maio de 2011.
2 Instituto Aço Brasil. Folder institucional. 2012 Disponível em:
<http://www.acobrasil.org.br/site/portugues/biblioteca/Folder_Aco_Brasil_2012_Institucio
nal.pdf > Acesso em 13 de julho de 2012.
3 Instituto Aço Brasil. Relatório de sustentabilidade. 2009. Disponível em:
<http://www.acobrasil.org.br/site/portugues/biblioteca/Relatorio%20Sustentabilidade%20
IBS%202009.pdf> Acesso em 10 de julho de 2011.
4 Instituto Aço Brasil. Relatório de sustentabilidade. 2012. Disponível em:
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5 Instituto Aço Brasil. SUSTENTABILIDADE reciclagem. 2009. Disponível em:
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7 MELLO, Álvaro A. A. et al. Competitividade e sustentabilidade ambiental da
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8 D’ÁVILA FILHO, Boaventura M. Estudo Prospectivo do Setor Siderúrgico. 2008.
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