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Hidraulica HF

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João L.

Zocoler
UNESP – FEIS/FCA

5. ESCOAMENTO EM CONDUTOS FORÇADOS

5.1. TIPOS E CARACTERÍSTICAS DOS TUBOS

5.2. PERDA DE CARGA: NATUREZA E CLASSIFICAÇÃO


 Escoamento  transformação parcial da energia
hidráulica em energia térmica

 Laminar  resistência devido à viscosidade

 Turbulento  resistência devido à viscosidade e

turbulência (atrito com as paredes da

tubulação e choques de filetes)


Linhas de cargas e perda de carga num escoamento
permanente uniforme.
Plano de carga total
v2 Linha de carga
2.g hidráulica hf1,2

p1 v2
 2.g
Linha piezométrica
1
p2
2

z1 Tubulação de
diâmetro constante z2
Plano de referência
João L. Zocoler
UNESP – FEIS/FCA

Classificação da perda de carga (hf):


Perda ao longo da tubulação:

- perda uniforme em qualquer trecho de uma tubulação de

dimensões constantes, independentemente da posição

da mesma

Perdas em peças especiais ou localizadas:

- acessórios e demais singularidades da tubulação;

- somente assumem valores consideráveis quando a

tubulação for muito curta e/ou existirem muitas peças na

tubulação;
Ordem cronológica das 40 primeiras fórmulas de perda de carga (hf):
5.3. PERDA DE CARGA AO LONGO DA TUBULAÇÃO:
FÓRMULAS PARA SEU CÁLCULO

 Um dos problemas mais estudados na engenharia


 Investigações experimentais em tubos de seção circular 
resistência ao escoamento é:
- diretamente proporcional ao comprimento (L) da tubulação
- inversamente proporcional ao diâmetro (D) elevado a certa potência
(m)
- proporcional à velocidade de escoamento (v) elevada a certa
potência (n)
- independente da posição da tubulação e pressão de operação
- dependente da rugosidade interna da tubulação (associado à )
- dependente da densidade e viscosidade do fluido (associado à )
n
v
EQUAÇÃO “SIMBÓLICA”: hf  .L. m
D
João L. Zocoler
UNESP – FEIS/FCA

FÓRMULA DE HAZEN-WILLIAMS

 Allen Hazen (eng. civil e sanitarista) e Gardner S. Williams


(prof. de Hidráulica)  EUA (1903)
 Estudo estatístico de mais de 30 pesquisadores
 Condutos livres ou forçados para diâmetros de 50 a 3500 mm
 Somente água a aproximadamente 20 °C

Q  0,2788 .C.D2,63 .J0,54 v  0,355.C.D0,63 .J0,54

Q0,38 v1,852 Q1,852


D  1,625. 0,38 0,205 J  6,81. 1,852 1,167 J  10,65. 1,852 4,87
C .J C .D C .D
sendo:
C – coeficiente relacionado à rugosidade interna do material da tubulação,
adimensional (Tabela 16);
J – perda de carga unitária ocorrida na tubulação (m/m).
Tabela 16. Valores do coeficiente “C” de Hazen-Williams.
C
Material – Especificação novos  10anos  20anos
corrugado (chapa ondulada) 60 - -
galvanizado 125 100 -
Aço rebitado 110 90 80
revestido 130 110 90
soldado 125 - -
fundido 125 110 95
Ferro fundido revestido com cimento centrifugado 130 120 105
fundido revestido com epóxi 140 130 120
acabamento liso 130 - -
Concreto acabamento normal 120 - -
acabamento rugoso 100 - -
Plástico (PVC e polietileno) 150 135 130
Alumínio 135 - -
Vidro 150 - -
Fibrocimento 130 - -
Cobre, latão e chumbo 140 135 130
Manilhas cerâmicas 110 - -
Exercício de Aplicação
Sabendo-se que a tubulação de PVC do esquema abaixo possui 1200 m de
comprimento e 150 mm de diâmetro, calcular:
a) A vazão quando a válvula de gaveta posicionada em B estiver totalmente aberta.
b) Se a válvula em B for fechada parcialmente, permitindo metade da vazão
calculada no item “a”, quanto será a perda de carga na tubulação? Quanto restará
de pressão no final da tubulação antes da válvula.
c) Se a tubulação for substituída por uma
de PCV de diâmetro 75 mm, quanto será
a vazão com a válvula totalmente aberta?
d) Se a tubulação for substituída por uma
de aço galvanizado de mesmo diâmetro
(150 mm), quanto será a vazão com a válvula totalmente aberta?
e) Quanto de energia hidráulica em 10h, em kWh, é transformada em calor devido à
perda de carga ocorrida, considerando a vazão do item “a”?
Exercício de Aplicação

Em uma fazenda existe uma instalação para


confinamento de gado capaz de comportar 35000 animais. A
água para atendê-los é proveniente de um reservatório
posicionado em um ponto alto da propriedade, cujo nível se
encontra na cota 148 m e a uma distância de 1236 m do início
do sistema ramificado de distribuição para os currais, cuja cota é
92 m. O proprietário lhe solicitou o dimensionamento de uma
tubulação de PCV para transportar a água. Sabendo-se que
cada animal consome diariamente 45 litros de água e que a
pressão mínima no início do sistema de distribuição deve ser
147 kPa, calcular o diâmetro teórico mínimo para proporcionar a
vazão necessária.
Exercício de Aplicação

Se uma bomba centrífuga fornece uma vazão de 100

m3/h na pressão de 784 kPa (medida na saída da bomba), então

calcular o diâmetro da tubulação de aço galvanizado de 1000 m

de comprimento que permitirá transportar essa vazão até um

reservatório elevado 60 m em relação à bomba.


Exercício de Aplicação
Um produtor lhe solicitou uma consultoria para verificar se a bomba hidráulica que ele
possui em sua propriedade é suficiente para atender um sistema de irrigação de uma área
de 5 ha que pretende plantar feijão. Considerando as condições apresentadas a seguir,
responder se a bomba é ou não suficiente para isso.
- Lâmina total de irrigação exigida pela cultura (ETc + perdas): 4,5 mm/dia;
- Tempo de operação do sistema de irrigação previsto por dia: 12 h (porém pode ser
expandido até 15 h);
- Pressão exigida no início da linha lateral mais elevada do sistema de irrigação: 294 kPa;
- Comprimento da tubulação principal até a linha lateral mais elevada: 500 m;
- Diâmetro da tubulação: 75 mm;
- Material da tubulação: aço soldado moderadamente oxidado;
- Desnível topográfico entre a captação e o início da linha lateral mais elevada: 30 m;
- Tabela de vazão versus pressão da bomba hidráulica disponível:

Pressão (kPa) 784 779 760 745 725 676 657 539

Vazão (m3/h) 0,0 5,0 10,0 12,5 15,0 18,75 20,0 25,0
João L. Zocoler
UNESP – FEIS/FCA

FÓRMULA DE FLAMANT

 Flamant (1892)  França


 Dimensionamento de condutos de pequeno diâmetro
(instalações prediais - até 4”)

b.Q1,75
J  6,107 . 4,76
D
sendo: b – coeficiente de Flamant, adimensional (Tabela 17).
Tabela 17. Valores do coeficiente “b” de Flamant.
MATERIAL b
Ferro fundido ou aço – novo 0,000185
Ferro fundido ou aço – usado 0,000230
Concreto 0,000185
PVC 0,000135
Chumbo 0,000140
Exercício de Aplicação

Um aspersor cujo único bocal apresenta 14 mm de diâmetro e

coeficiente de descarga de 0,92 deverá operar na pressão de 588 kPa.

Sabendo-se que ele será abastecido por um reservatório elevado

distante 500 m através de uma tubulação de PVC, calcular o desnível

suficiente entre o bocal e o nível da água do reservatório para que ele

opere na pressão recomendada. Fazer os cálculos para duas

condições de diâmetro: 50 e 75 mm. Utilizar as fórmulas de Flamant e

Hazen-Williams.
João L. Zocoler
UNESP – FEIS/FCA

FÓRMULA UNIVERSAL (DARCY-WEISBACH)

 Qualquer líquido e em qualquer temperatura


 Aplicação prática da eq. “simbólica”  conhecimento de “”, “m” e “n”
 Chézy (1775)  valor de “n” era aproximadamente igual a 2
 Darcy (França, 1803-1858) e Weisbach (Alemanha, 1805-1871)
propuseram um aprimoramento: m = 1 e multiplicação do numerador
e denominador por “2.g”

L v2 L v2
hf  f. . hf  f. .
D 2.g 4.Rh 2.g
sendo:
L – comprimento da tubulação (m)
v – velocidade de escoamento (m/s)
D – diâmetro da tubulação(m)
f (que corresponde a “.2.g”) – fator de atrito (adimensional)
O fator de atrito depende:
 Número de Reynolds:

v.D v.4.Rh
NR  NR 
 

 Rugosidade relativa:
e
Rr 
D
sendo:
e – rugosidade absoluta da parede interna da tubulação
(Tabela 15)
Determinação do f - fator de atrito:
 Investigações experimentais e analíticas de diversos
pesquisadores: Hagen, Poiseuille, Wiedermann,
Prandtl, von Kármán, Nikuradse, Blasius,
Colebrook, Moody, Jain e Swamee
 Fórmulas:
Swamee 1993 – tanto para escoamento laminar como turbulento
0,125
 
16

5,74   2500  
8 6
 64   e 
f     9,5.ln     
 NR    3,7.D NR   NR  
0,9


4.Rh (não cilíndricos)

 Diagramas: Moody
Diagrama de Moody

e/D

NR
Diagrama de Moody
Diagrama de Moody
Diagrama de Moody

e
e/D

NR
Problemas práticos  3 tipos de problemas:
1o Tipo: Dados: - vazão (Q)
- diâmetro da tubulação (D)
- rugosidade absoluta (e)
- viscosidade cinemática ()
Incógnita: - perda de carga (hf)

2o Tipo: Dados: - diâmetro da tubulação (D)


- rugosidade absoluta (e)
- viscosidade cinemática ()
- perda de carga unitária (J = hf/L)
Incógnita: - vazão (Q) e/ou velocidade de escoamento (v)

3o Tipo: Dados: - vazão (Q)


- rugosidade absoluta (e)
- viscosidade cinemática ()
- perda de carga unitária (J = hf/L)
Incógnita: - diâmetro da tubulação (D)
CALCULADORA PROGRAMÁVEL ou COMPUTADOR:
- Resolução dos três tipos de problemas é facilitada
- Combinação das equações:
Número de Reynolds
Continuidade
Universal
Swamme
0,125
 16

  5,74..D.    2500 ..D. 
 
8 6
g. .D .hf  16..D. 
0,9

2 5
 e
     9,5. ln      
   
8.Q2 .L       
0,9
Q   3,7 .D 4.Q 4.Q

Inserir o valor de cada variável conhecida em qualquer


dos 3 tipos de problemas de escoamento que o mesmo
será resolvido, pois restará somente uma incógnita
Exercício de Aplicação

A Faz. Menina, localizada no município de Itapura (SP), possui


uma área irrigada de cerca de 1500 ha. Um reservatório elevado,
denominado “piscinão”, que fornece água para alguns sistemas tipo
pivô central, é abastecido por uma adutora de aço revestido de
diâmetro interno 700 mm e comprimento 2700 m. Sabendo-se que a
vazão da adutora é 2088 m3/h, calcular a perda de carga nela ocorrida
pela fórmula Universal.
Problemas práticos  Diagrama de Moody:
1o Tipo: Dados: - vazão (Q)
- diâmetro da tubulação (D)
- rugosidade absoluta (e)
- viscosidade cinemática ()
Incógnita: - perda de carga (hf)

Passos:
i. Utiliza-se a equação da continuidade para calcular a velocidade de
escoamento, que, por sua vez, permite o cálculo do número de
Reynolds, da rugosidade relativa e, conseqüentemente, a obtenção do
fator de atrito no diagrama de Moody;
ii. Finalmente, calcula-se o valor da perda de carga unitária e/ou da
perda de carga. Este é o tipo de problema mais simples para se
resolver desta maneira.
Exercício de Aplicação

Se a adutora do exercício anterior proporcionasse uma perda


de carga de 15 m, quanto seria sua vazão?
Problemas práticos  Diagrama de Moody:
2o Tipo: Dados: - diâmetro da tubulação (D)
- rugosidade absoluta (e)
- viscosidade cinemática ()
- perda de carga unitária (J = hf/L)
Incógnita: - vazão (Q) e/ou velocidade de escoamento (v)
Passos:
i. Calcula-se a rugosidade relativa e coloca-se a velocidade de escoamento em
função do fator de atrito, denominando-a Eq.(a); e em função do número de
Reynolds, denominando-a Eq.(b);
ii. Igualando-se (a) e (b) obtém-se um número “x” (sempre positivo) que
representa o produto do número de Reynolds (indeterminado) com o fator de
atrito (indeterminado);
iii. Em seguida, e por tentativas, atribui-se um valor para o fator de atrito que com
a rugosidade relativa calculada obtém-se, através do diagrama de Moody, um
valor para o número de Reynolds. Quando o valor do produto do número de
Reynolds, encontrado no diagrama, com o fator de atrito atribuído for igual ao
do número “x”, então o valor do fator de atrito encontrado estará correto;
iv. Com isso, se calcula a velocidade de escoamento (Eq.a) e, finalmente, a
vazão. Portanto, neste caso o problema somente é resolvido por tentativas
(normalmente convergentes) para a obtenção do fator de atrito.
Exercício de Aplicação

Se a adutora do exercício anterior proporcionasse uma perda


de carga de 15 m e uma vazão de 1044 m3/h, quanto seria seu
diâmetro?
Problemas práticos  Diagrama de Moody:
3o Tipo: Dados: - vazão (Q)
- rugosidade absoluta (e)
- viscosidade cinemática ()
- perda de carga unitária (J = hf/L)
Incógnita: - diâmetro da tubulação (D)
Passos:
i. Na equação da continuidade, coloca-se a velocidade de escoamento em função
do diâmetro (indeterminado), denominando-a Eq.(a);
ii. Substitui-se a Eq.(a) na equação de perda de carga (Eq.34), obtém-se a Eq.(b),
na qual o diâmetro fica em função do fator de atrito (indeterminado);
iii. Também se substitui a Eq.(a) na equação do número de Reynolds, ficando este
em função do diâmetro, cuja equação denomina-se Eq.(c). Lembrando também
que a rugosidade relativa (Eq.35) está em função do diâmetro;
iv. Em seguida, e por tentativas, atribui-se um valor para o fator de atrito que,
substituído na Eq.(b), permite calcular o diâmetro, que por sua vez permite
calcular o número de Reynolds na Eq.(c) e a rugosidade relativa (Eq.35);
v. Com o número de Reynolds e a rugosidade relativa encontra-se um valor do
fator de atrito no diagrama de Moody, que será o valor verdadeiro se coincidir
com o atribuído. Caso contrário, atribui-se outro fator de atrito e repete-se a
tentativa até encontrá-lo. Quando isso ocorrer, então o diâmetro também o foi
pela Eq.(b).
Exercício de Aplicação
Uma tubulação nova de ferro fundido com cimento
centrifugado, de diâmetro 215,6 mm e comprimento 2000 m, transporta
20 L/s de uma solução aquosa, cuja viscosidade cinemática é 0,000074
m2/s. Diante disso, determinar:
a) O regime de escoamento a que está submetido o fluido em questão.
b) O fator de atrito “f” da fórmula Universal utilizando o diagrama de
Moody e a fórmula de Swame.
c) A perda de carga ocorrida na tubulação.
d) Se a tubulação de ferro fundido tiver sua rugosidade alterada para
0,002 m haverá alteração na vazão? Explicar a resposta.
e) Comparar o resultado obtido no item (c) e (d) com o que é obtido
utilizando a fórmula de Hazen-Williams (que é inadequada para este
caso).
Diagrama de Moody

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