Audiologia
Lilian Raquel / Problema 01
Caso: Sr. Luís, 54 anos, procurou o médico com queixa de diminuição da audição, sensação
de plenitude auricular e zumbido (semelhante a um apito) apenas na orelha esquerda há
um ano. Ao examiná-lo, o médico registrou sua otoscopia sem alterações, porém, para
confirmar ou não o prejuízo auditivo, solicitou os exames de audiometria tonal,
logoaudiometria e testes auditivos supraliminares. Uma vez que estes sintomas auditivos
estavam comprometendo sua qualidade de vida, Sr. Luís procurou logo fazer os exames
solicitados pelo médico, mas, angustiado, não estava encontrando serviços públicos que
realizassem esses testes na cidade de Itaporanga-SE nem em regiões circunvizinhas.
Objetivos:
→ Conhecer a anatomofisiologia do sistema auditivo, a fisiopatologia das perdas auditivas unilaterais;
→ Estudar os sinais, sintomas e traçados audiológicos esperados nessa alteração auditiva;
→ Entender os procedimentos na realização dos exames de audiometria tonal, logoaudiometria e dos testes
supraliminares;
→ Verificar o impacto da perda auditiva nos aspectos biopsicossociais e na qualidade de vida do sujeito;
→ Identificar as políticas públicas de atenção à saúde do adulto nas cidades polos de Sergipe.
Objetivo 01
do sistema auditivo
O sistema auditivo é constituído por O SISTEMA AUDITIVO PERIFÉRICO,
estruturas sensoriais e conexões compreende as estruturas da orelha
centrais responsáveis pela audição, assim externa, orelha média, orelha interna e do
definidas como: sistema auditivo sistema nervoso periférico, no caso, o
periférico e sistema auditivo central. nervo vestibulococlear.
O SISTEMA AUDITIVO CENTRAL,
compreende as vias auditivas localizadas
PAVILHÃO AURICULAR
no tronco encefálico e as áreas corticais. é formado por algumas saliências
FUNÇÃO
SISTEMA AUDITIVO PERIFÉRICO Captar as ondas sonoras e
direcioná-las para o meato acústico
O sistema auditivo periférico envolve:
e também auxilia na localização da
Orelha Externa: CAPTAÇÃO E fonte sonora.
TRANSMISSÃO da onda sonora pela
orelha e meato acústico externo.
Orelha Média: TRANSDUÇÃO SONORA MEATO ACÚSTICO EXTERNO (MAE)
por meio da membrana timpânica, cadeia FUNÇÃO
ossicular e músculos intratimpânicos. Transferir o som captado pela orelha
até o ouvido médio.
Orelha Interna e Sistema Nervoso
Periférico: PROCESSAMENTO da
A curva acentuada do MAE, a presença de
informação auditiva na cóclea e porção
pelos e o cerume agem como uma barreira
coclear do nervo vestibulococlear.
mecânica, dificultando a passagem de
corpos estranhos. Além disso, o cerume
Anatomia também protege a pele contra bactérias e
fungos, por ter um PH (potencial
As estruturas periféricas relacionadas a
hidrogeniônico) ligeiramente ácido.
audição estão localizadas na região
temporal da cabeça, constituída pelo osso O MAE também tem a propriedade de
temporal. amplificar o som, por meio da
ressonância, em até 20 decibel (dB).
Orelha externa
Orelha média
A orelha externa é constituída pela orelha
(pavilhão auricular) e pelo meato acústico A orelha media é composta por:
externo (parte cartilagínea e parte óssea). membrana timpânica, cadeia ossicular,
músculos intratimpânicos e a tuba
Tem a FUNÇÃO de captar e conduzir o
auditiva.
som até a membrana timpânica (MT),
fazendo-a vibrar, e também tem a função
de proteger contra lesões externas.
MEMBRANA TIMPÂNICA CADEIA OSSICULAR
• Separa a orelha externa da • É formada por três ossículos,
orelha média; sendo eles:
• É constituída por três camadas: Martelo (em contato
uma externa, coberta por pele, direto com a MT);
uma intermediaria que possui Bigorna e o estribo (em
uma rede elástica de colágeno e contato com a cóclea,
uma camada mucosa, voltada através da janela oval).
para a orelha média.
FUNÇÃO
FUNÇÃO Receber, amplificar e transmitir a
Recebe a onda sonora, converte em energia mecânica do som para a
energia mecânica e amplifica a energia orelha interna (cóclea).
transmitida a cadeia de ossículos na
localização da fonte sonora.
MÚSCULOS INTRATIMPÂNICOS
A membrana timpânica é um tecido São 2 pequenos músculos, sendo
semitransparente, elástico, com forma eles:
cônica e elíptica.
• Músculo tensor do tímpano
A membrana do tímpano transforma os • Músculo estapédio
sons, provenientes do ouvido externo, em
FUNÇÃO
vibrações.
A energia sonora proveniente do ambiente Atuam como mecanismos de
terá a vibração de acordo com a sua proteção.
amplitude de som: agudo, a vibração é
mais rápida; grave, o som provocará uma O musculo tensor do tímpano é inervado
vibração mais lenta; amplitude alta (som pelo nervo trigêmeo (V par), está ligado ao
forte), os movimentos da vibração são cabo do martelo e produz tensão na
maiores; amplitude baixa (som fraco), as membrana timpânica.
vibrações possuem movimentos menores. Já o musculo estapédio é inervado pelo
facial (VII par), insere-se no estribo e,
quando contraído, provoca o movimento
do estribo para fora, fazendo com que
haja a diminuição da amplitude da
vibração da cadeia ossicular.
O musculo estapédio se contrai quando
um som de forte intensidade é detectado
(em geral maior que 80 dB), este reflexo
aumenta a rigidez dos ossículos do
ouvido, diminuindo a transmissão e
amplificação de frequências baixas e
medias. Sendo assim, a FUNÇÃO desse
musculo é proteger o ouvido interno,
porém, não é eficiente para frequências
mais altas.
Parte posterior (vestíbulo e canais
TUBA AUDITIVA
semicirculares), responsável pelo
É um canal que conecta a cavidade equilíbrio.
do ouvido médio ao interior do
nariz.
FUNÇÃO
Possibilita a ventilação e equilíbrio
da pressão do ouvido com o
ambiente externo., importante para
que a MT possa vibrar livremente.
Orelha interna
Está localizada na parte petrosa do osso
temporal, é revestida por membrana e
Cóclea
preenchida por líquidos.
Consiste em três tubos espiralados,
A orelha interna apresenta: posicionados lado a lado, sendo eles:
rampa vestibular, rampa média e rampa
Parte anterior (a cóclea),
timpânica.
responsável pela audição.
As rampas vestibular e timpânica
comunicam-se entre si através do
helicotrema, um pequeno orifício situado Órgão de Corti
no ápice da cóclea.
Está situado na superfície basilar, neste
A cóclea também possui duas janelas:
órgão encontram-se células nervosas
OVAL: situada na rampa vestibular. ciliares (células sensoriais).
REDONDA: situada na rampa
timpânica. CÉLULAS CILIARES
Essas janelas permitem a comunicação Transformam ondas sonoras em
entre os ouvidos médio e interno. Porém, impulsos bioelétricos.
diferente do ouvido médio, o ouvido
interno é preenchido por líquidos, sendo
Sobre o órgão de Corti, há uma estrutura
eles a perilinfa e a endolinfa.
membranosa, chamada membrana
Nas rampas vestibular e timpânica circula tectórica, que se apoia (como um telhado)
a PERILINFA (rica em sódio (Na+) e pobre sobre os cílios das células ciliares.
em potássio (K+), já na rampa média,
Existem dois tipos de células ciliares:
circula a ENDOLINFA (pobre em na e rica
em k).
CÉLULAS CILIARES EXTERNAS
Os dois líquidos não se misturam!!!
→ São em torno de 12.500;
A rampa vestibular está separada da → Possuem forma cilíndrica,
rampa média pela membrana vestibular e sendo menores na base e
a rampa timpânica está separada da maiores no ápice da cóclea;
rampa média pela membrana basilar. → Funcionam como amplificador
Quando o som chega ao estribo, faz com coclear, devido a sua
que ele vibre em movimento de báscula motilidade;
empurrando o liquido perilinfatico da → Estão em constante alteração do
rampa vestibular. As ondas de seu volume, comprimento e
compressão e descompressão no liquido diâmetro;
propagam-se pelas três rampas e
dissipam-se pela janela redonda.
A cóclea abriga o ducto coclear que
contém o ÓRGÃO DE CORTI (órgão
receptor para a audição).
→ Processa simultaneamente diferentes
CÉLULAS CILIARES EXTERNAS sinais acústicos.
→ Tem como objetivo decodificar uma
→ São mais curtas do que as CCE;
mensagem linguística.
→ Estão em torno de 3.400;
→ Seus princípios básicos possibilitam
→ Estão fixadas às células de
um mapeamento ordenado da função
sustentação;
auditiva.
→ Não há espaços livres entre elas;
→ Tem organização tonotópica
→ Quando estão em repouso, não
dependente da frequência.
tocam na membrana tectórica,
→ É dividido em: vias aferentes e
esse contato só acontece a partir
eferentes.
do movimento das CCE.
VIAS AFERENTES
As células ciliadas externas (CCE) são um
amplificador coclear e elas se contraem São as fibras que transportam as
para amplificar o som e compensar a informações da cóclea em direção ao
perda de energia. córtex.
Elas são responsáveis pela transdução da Função
energia mecânica em energia bioelétrica.
Conduzir o potencial elétrico produzido
As células ciliadas internas (CCI),
pelas células ciliadas internas em
transmitem por meio de impulsos
resposta ao estimulo sonoro até o córtex
→
nervosos, o som que, através da via
auditivo para ser processado.
auditiva, vai até o córtex cerebral, onde as
informações são interpretadas.
VIAS EFERENTES
SISTEMA AUDITIVO CENTRAL
São fibras responsáveis pela inibição e
O sistema auditivo central é formado por excitação de estágios anteriores ao
vias e nervos auditivos que carregam os córtex.
sinais neurais para que eles sejam,
finalmente, processados pelo cérebro. → É composto de níveis auditivos, sendo
eles:
O Sistema auditivo central:
1. Núcleos cocleares
→ Possui níveis auditivos de 2. Complexo olivar superior
processamento, ocorrido dos órgãos 3. Lemnisco lateral
auditivos periféricos ao corte auditivo. 4. Colículo inferior
5. Corpo geniculado medial
6. Córtex auditivo
Dentro do núcleo coclear encontra uma
parte dorsal e uma parte ventral e cada
Níveis auditivos da via auditiva
uma delas participa de um aspecto
central funcional diferente, a seguir:
A via auditiva central estende-se do
• Núcleo coclear dorsal
complexo nuclear até o córtex auditivo
primário. Seus neurônios ultrapassam o complexo
olivar superior sem fazer sinapse e
As estruturas da via auditiva central estão
seguem direto para o colículo inferior,
localizadas no tronco encefálico e no
sendo sua projeção bilateral e
córtex primário auditivo.
contralateral.
TRONCO ENCEFÁLICO • Núcleo coclear ventral
Divide-se em anterior e posterior.
BULBO: núcleos cocleares;
As fibras desses núcleos projetam-se para
PONTE: complexo olivar e lemnisco
o próximo nível da via auditiva
lateral;
denominado complexo olivar superior e
MESENCÉFALO: colículo inferiores e
também com projeção bilateral e
superiores.
contralateral.
2. Complexo Olivar Superior
1. Núcleos cocleares
Encontra-se na junção da ponte e o bulbo.
É o primeiro nível central em que o
O COS são alguns axônios cocleares que
processamento do sinal acústico ocorre,
cruzam para o lado oposto enquanto
no nível do bulbo.
outros atingem o complexo olivar
Possui três divisões anatômicas e superior do mesmo lado.
funcionais de cada lado, as quais recebem
O COS possui três divisões anatômicas
as fibras auditivas.
com funções distintas, sendo elas:
Cada núcleo coclear recebe aferência
• Núcleo olivar superior lateral
apenas da orelha ipsilateral. (Cada orelha
• Núcleo olivar superior medial
tem a sua cóclea e os seus núcleos
• Núcleo do corpo trapezoide
cocleares, a cóclea emite um impulso
acústico para o núcleo coclear Esses três recebem fibras provenientes
diretamente, dessa forma esse impulso dos núcleos cocleares ventrais, tanto
não irá atingir a orelha contralateral). cruzadas, como ipsilaterais. E emitem
axônios que formam o próximo nível São responsáveis por:
chamado lemnisco lateral.
• Percepção do som;
• Estruturas relacionadas ao
3. Lemnisco lateral
reconhecimento dos diferentes
Está localizado no bulbo. sons, pertencentes ao espectro
sonoro (variações de amplitude e
Corresponde a um conjunto de axônios
frequência);
que forma uma fita compacta de fibras de
• Exerce papel da identificação dos
cada lado do plano mediano.
fonemas da fala.
É composto por fibras provenientes dos
Do colículo inferior, as fibras passam ao
núcleos cocleares que farão sinapses no
corpo geniculado medial e daí partem ao
colículo inferior em ambos os lados.
córtex auditivo primário, no lobo
São grandes vias ascendentes/aferentes
temporal.
da sensibilidade.
Possui três núcleos:
5. Corpo Geniculado Medial
• Dorsal: aferência binaural Está localizado no tálamo.
• Ventral: aferência contralateral As respostas a estímulos sonoros com
• Medial: ipsilateral tons puros são representadas por poucos
potenciais durante os primeiros instantes
4. Colículos inferiores de estimulação.
As vias auditivas mantêm conexões com o
Estão localizados no mesencéfalo.
cerebelo.
São inervados pelo lemnisco lateral.
Também apresenta três divisões:
Todas as vias auditivas ascendentes
• Ventral
convergem para o colículo inferior.
Seu núcleo principal possui organização
Os neurônios do colículo inferior enviam
tonotópica com estrutura laminar, similar
seus axônios para:
ao núcleo central do colículo inferior.
• Núcleo geniculado medial do
Ambas conexões genicolo-corticais
tálamo, o qual, por sua vez, projeta-
(aferentes) e cortico-geniculadas
se ao córtex auditivo.
(eferentes) são sempre ipsilaterais.
• Colículo superior, onde ocorre a
integração das informações • Dorsal e medial
auditiva e visual.
Apresentam funções de integração;
• Cerebelo.
Recebem entradas somatossensoriais, A partir do bulbo, o som percorre todos
visuais e projeções auditivas. os níveis auditivos, até alcançar o: córtex
auditivo primário.
6. Colículo Superior
O córtex auditivo primário
Localizado no mesencéfalo. (correspondente a área AI e AII) é também
chamado de Giro de Heschl ou ainda de
É implicado na analise e filtração da
Área 41 de Brodman, e ocupa parte
informação auditiva ascendente até o
superior do lobo temporal em ambos os
córtex auditivo.
hemisférios.
Realiza funções reflexas relevantes para a
• Área AI: Situada no terço posterior
sobrevivência e proteção do sistema
do giro temporal superior (área 41
auditivo.
de Brodman), adjacente a área de
É o centro de integração e regulação da Wernicke.
informação auditiva ascendente e
• Área AII: Constitui a área de
descendente, sendo assim:
Brodman (área secundária).
• Recebe informação do receptor
auditivo através dos núcleos
Caminho do som
cocleares; O som sai do órgão de Corti e caminha
• Analisa essa informação e localiza o pelo nervo auditivo, passando pelo
ponto de origem do som em que o gânglio (espiral da cóclea), seguindo até o
indivíduo está inserido; núcleo coclear dos dois lados, em seguida
• Envia a informação processada a o som segue para o núcleo olivar, depois
varias estruturas neuronais. para o lemnisco lateral, seguido para o
colículo inferior, colículo superior, corpo
7. Córtex auditivo primário geniculado e córtex auditivo, até chegar ao
cérebro.
das perdas auditivas unilaterais
Schwanomas do acústico são os tumores
originários dessa bainha e um dos seus
O que é? principais sintomas é a perda auditiva
progressiva, decorrente do lento
A perda auditiva unilateral caracteriza-se crescimento tumoral, com consequente
pela perda total ou reduzida da audição compressão do nervo e interrupção dos
em apenas um dos ouvidos, enquanto o impulsos elétricos que por ele trafegam.
outro encontra-se normal.
Quais são as causas?
Em alguns pacientes portadores desse
As causas podem ser diversas e se tumor, a surdez unilateral pode ser
assemelham com as causas da surdez causada ou agravada pela cirurgia para
bilateral. extirpa-lo.
Dentre as causas, estão: • Síndrome de Ménière
• Schwanoma (ou neurinoma) do A hidropsia endolinfática, mas conhecida
nervo acústico como Síndrome de Ménière pode causar
O nervo vestibulococlear (VIII par) é surdez dos dois lados, mas num grande
responsável por conduzir os impulsos número de vezes ela é responsável por
elétricos, produzidos pela cóclea, até o surdez unilateral.
tronco cerebral. Como outros nervos, ele • Surdez Súbita
possui uma capa – que chamamos de
A perda súbita da audição de um dos
bainha – composta de uma proteína
ouvidos, acompanhada ou não de
chamada mielina.
zumbidos e tonteira, pode estar
relacionada à diversas origens e é uma das Acidentes automobilísticos, agressões e
causas mais comuns de surdez unilateral. ferimentos por armas estão entre causas
externas de lesão da cóclea ou do nervo
• Surdez congênita
acústico que podem levar à surdez
Mutações genéticas e doenças infecciosas unilateral.
podem fazer com que bebê apresentem
• Outras causas
surdez unilateral ao nascimento. Na
maioria das vezes o desenvolvimento de Caxumba, ototoxidade, meningite,
linguagem se dá de maneira normal ou catapora e outras causas indefinidas.
com o mínimo de atraso em relação às
crianças com audição bilateral.
• Traumatismo
Objetivo 02
das perdas auditivas unilaterais
portador não consegue identificar a
origem de determinados sons pode correr
Portadores de surdez unilateral são,
riscos no trânsito, por exemplo, tanto
muitas vezes, considerados
como pedestre como motorista.
desinteressados, distraídos ou
desligados por quem não conhece seu • GRANDE ESFORÇO PARA OUVIR
problema. EM MEIO A RUÍDOS
Sinais Em geral, este é o primeiro sintoma de
surdez unilateral identificado. A
• DIFICULDADE PARA IDENTIFICAR
DE ONDE VEM O SOM dificuldade para ouvir em meio a ruídos
Na maioria dos casos, esse é um dos vale tanto para conversas em família ou
sintomas de maior perigo. Quando o entre amigos, quanto em situações
corriqueiras que envolvem compras em informação e também pelo
uma loja ou assistir a um filme no cinema. desconhecimento do problema.
• COMPREENSÃO FRACA DE FALA Para agravar essa situação, uma pessoa
QUANDO HÁ MUITAS PESSOAS com perda auditiva espera em média 7
NO LOCAL anos para procurar um tratamento. Neste
tempo a audição pode sofrer danos
Em ambientes muito movimentados como
irreversíveis, já que se não estimulado, o
estádios ou quadras de esporte, shows e
nervo auditivo se atrofia e em alguns
festas, há não só o barulho de música e
casos isso não pode ser revertido.
ruídos, mas também muita conversa
paralela. Portanto, para os portadores da
Sintomas
surdez unilateral é mais difícil
compreender uma conversa particular e
• DIMINUIÇÃO DA AUDIÇÃO
manter uma troca de ideias nesses locais.
• PLENITUDE AURICULAR
É quando os sons são percebidos de
• DIFICULDADE NO EQUILÍBRIO maneira abafada, ou a pessoa fica com a
Não conseguir caminhar em linha reta, sensação de que o ouvido está “cheio”.
pender para um lado ou sentir falta de • ZUMBIDO
firmeza ao andar também pode ser um
Pode ser definido como uma ilusão
sintoma de surdez unilateral. A audição
auditiva, ou seja, uma sensação sonora
está diretamente ligada ao equilíbrio e,
não relacionada com uma fonte externa de
quando afetada, faz com que o indivíduo
estimulação.
sofra tonturas.
Este também pode ser um sintoma da Traçados Audiológicos
doença de Ménière, que começa atacando
um ouvido e causando surdez unilateral,
mas pode passar para o outro
rapidamente.
A surdez unilateral pode passar
despercebida e aparentemente não
causar grande desconforto para muitos
pacientes. É muito comum que os
pacientes não se submetam a nenhum
tipo de tratamento, pela falta de
Objetivo 03
de audiometria tonal, logoaudiometria e testes Supralimiares
Este exame deve ser realizado em uma
cabine acusticamente tratada através do
Audiometria Tonal audiômetro.
Mede-se a audição através da via aérea
O que é? com fones supra-aurais. E através da via
óssea, com um vibrador sobre a mastoide.
É um teste que permite medir a audição
Tudo o que se referir ao lado direito será
através da obtenção dos LIMIARES
identificado pela cor vermelha, e ao lado
AUDITIVOS, cujos valores em indivíduos
esquerdo pela cor azul.
com audição normal encontram-se em até
25 dBNA.
O estimulo acústico pode ser o tom puro
LIMIAR AUDITIVO ou o modulado, apresentado de forma
contínua ou pulsátil.
É menor intensidade na qual um
indivíduo é capaz de ouvir um som, O paciente deverá responder levantando a
pelo menos, 50% das vezes em que mão ou levantando a pêra da resposta
este som for apresentado. (chave usada para indicar quando houver
a percepção do som) todas as vezes que
Como realizar?
ouvir o som, conforme combinado entre As frequências de 750 e 1500, 3000 e
ele e o examinador. 6000 Hz são chamadas de frequências
intermediarias.
Como fazer a pesquisa dos limiares
As frequências de 3000 e 6000 Hz sempre
tonais por via aérea? serão pesquisadas, já 750 e 1500 Hz serão
pesquisadas sempre que houver uma
Ao colocar o paciente na cabine, deve-se diferença maior ou igual a 20 dB entre as
fazer as devidas orientações. frequências vizinhas.
O próprio examinador deve fazer a
colocação dos fones, sempre de frente EXEMPLO
para o paciente. Ao pesquisar a frequência de 500
Independentemente do tamanho do Hz, o limiar do paciente for 40 dB e,
pavilhão, o que importa é que o diafragma ao pesquisar a frequência de 1000
(onde sai o som no fone) esteja Hz, o limiar do mesmo for 60 dB, é
posicionado na direção do conduto, para necessário pesquisar 750 Hz
que não escape som entre o coxim e a (frequência intermediária).
orelha.
A orelha adequada para o inicio do teste é Para obter os limiares auditivos, pode-se
aquela que o paciente referir como usar a técnica ascendente ou descendente.
melhor. Caso o paciente relate que não Na técnica descendente, a pesquisa do
percebe diferença entre as duas orelhas, é limiar começa de um som audível para um
recomendado que se inicie pela orelha som inaudível. Já na técnica ascendente, a
direita. pesquisa é realizada do som inaudível
para um som audível.
• Quais frequências devem ser
Cabe a cada profissional decidir qual
pesquisadas? técnica utilizar no momento da avaliação
ou optar por aquela em que o paciente
As frequências utilizadas para avaliação
demonstra mais facilidade para
vão de 250 Hz ate 8000 Hz.
responder.
Inicia-se a pesquisa na frequência de 1000 NA PRÁTICA...
Hz, em seguida 2000 Hz, 3000 Hz, 4000
Para iniciar o teste recomenda-se a
Hz, 6000 Hz, 8000 Hz, 500 Hz e 250 Hz.
frequência de 40 dBNA em pessoas
com provável audição normal e
essa inferência será feita de acordo
com o comportamento auditivo e
relato na hora da anamnese.
No momento da realização do exame, o
profissional precisa tomar cuidado com
pistas visuais, que podem levar o paciente
a perceber a movimentação do
examinador, durante a apresentação dos
estímulos. Este cuidado é fundamental
para garantir uma resposta fidedigna.
Como pesquisar os limiares tonais
por via óssea?
QUANDO TESTAR A VIA ÓSSEA?
Deve-se testar a via óssea (VO)
sempre que os limiares da via aérea
apresentarem valores iguais ou
maiores que 25 dB.
A via óssea nunca é pior do que a
via aérea, ou é igual ou é melhor,
porque através da via aérea, a
orelha média tem o mecanismo de
amplificação da energia sonora.
Alguns fatores podem atrapalhar a
obtenção dos limiares tonais, tais como
fatores intrínsecos, relacionados ao Para a realização da VO utiliza-se o
paciente, como: cansaço, fome, vibrador ósseo colocado na mastoide do
desatenção, comorbidades, etc., ou lado a ser testado.
fatores extrínsecos, relacionados ao É importante que o vibrador não encoste
ambiente ou ao examinador. O no pavilhão auricular, fique livre do
profissional deve estar sempre atento contato com fivelas, hastes de óculos,
para que as condições necessárias a cabelo e outros objetos que possam
realização do exame sejam as melhores atenuar a intensidade do estimulo
possíveis!!! apresentado.
As instruções ao paciente serão idênticas Para ligar os símbolos de via aérea da
as já apresentadas na avaliação por via orelha direita, utiliza-se uma linha
aérea. tracejada (-----) da cor correspondente, já
para ligar os pontos da orelha esquerda,
Serão testadas as frequências de 500,
utiliza-se uma linha contínua ( ).
1000, 2000 e 4000 Hz. Porem, quando na
via aérea forem testadas as frequências
Conclusão do Teste
intermediarias de 750 Hz e 1500 Hz,
obrigatoriamente, deve-se pesquisar as Após a obtenção dos limiares aéreos e
respectivas vias ósseas. ósseos é possível definir se existe perda
auditiva.
A audição de um adulto será normal
quando o seu limiar auditivo for igual ou
até 25 dB.
Quando existe a perda auditiva, pode
classifica-la quanto ao tipo, grau,
lateralidade, simetria e configuração da
curva.
• Quanto ao tipo de perda:
A perda será SENSORIONEURAL, se os
limiares da via aérea e via óssea estão
rebaixados (maiores que 25 dB) e
acoplados, ou seja, não existe diferença
entre as vias aérea e óssea. O
comprometimento nesses casos está na
• SIMBOLOGIA:
cóclea.
Para a marcação dos resultados da A perda será MISTA, se os limiares da via
audiometria tonal por via aérea e óssea, é aérea estiverem rebaixados (maiores que
utilizado uma simbologia. 25 dB) e os limiares de via óssea também,
Quando não há resposta para porem permanece um “gap” entre eles, em
determinada frequência coloca uma seta pelo menos uma frequência. Assim, o
para baixo, indicando que foi testado até comprometimento estará
o limite de saída do equipamento. simultaneamente na cóclea e na orelha
externa e/ou média.
GAP
É a diferença entre a via aérea e a
• Quanto a configuração:
óssea, e sugere alteração da orelha
A configuração está relacionada com o
média.
desenho dos limiares de cia aérea de cada
Essa diferença deve ser igual ou até orelha.
15 dB.
Pode ser: horizontal ou plana,
A perda será CONDUTIVA, se os limiares descendente ou ascendente.
da via aérea estiverem rebaixados
(maiores que 25 dB) e os limiares de via CONFIGURAÇÃO
óssea normais, existindo um gap entre • HORIZONTAL
eles. Nesse caso, o local de
Quando limiares alternarem melhora ou
comprometimento pode ser na orelha
piora de 5 dB por oitava em todas as
externa e/ou média.
frequências.
• Quanto ao grau: • DESCENDENTE
Quando houver uma piora entre 15 a 20
O grau da perda define o quanto a
dB por oitava em direção as frequências
capacidade de ouvir se desvia dos padrões
altas.
de normalidade.
• ASCENDENTE
Para determinar o grau faz-se a média
Quando houver uma melhora igual ou
aritmética dos limiares aéreos nas
maior do que 5 dB por oitava em direção
frequências de 500 Hz, 1000 Hz e 2000
as frequências altas.
Hz, que é a chamada média tritonal.
• Quanto a lateralidade:
Grau
Pode ser classificada em bilateral ou
De acordo com Lloyd e Kaplan (1978): unilateral.
Até 25 dB – normal
LATERALIDADE
26 dB a 40 dB – perda auditiva leve
• BILATERAL
41 dB a 55 dB – perda auditiva moderada
Quando a perda é nas duas orelhas.
56 dB a 70 dB – perda auditiva moderada
severa • UNILATERAL
71 dB a 90 dB – perda auditiva severa Quando ocorre a perda em apenas uma
orelha.
91 dB ou > - perda auditiva profunda
detectabilidade de fala (LDF) e índice de
reconhecimento de fala (IRF).
• Quanto a simetria:
É de fundamental importância informar
A perda auditiva pode ser simétrica ou previamente ao paciente sobre o exame e
assimétrica. o que esperamos dele como resposta.
Nos testes de fala, é preciso tomar alguns
SIMETRIA cuidados, como: pista visual,
sensibilidade do microfone para que a
• SIMÉTRICA
intensidade seja adequada, fluxo de ar
Quando as curvas audiométricas possuem
direcionado ao microfone, estímulos,
o mesmo grau ou configuração.
sussurros, articulação, etc.
• ASSIMÉTRICA
LIMIAR DE RECONHECIMENTO DE FALA
Quando uma curva audiométrica difere da
outra quanto ao grau ou configuração. (LRF)
O que é?
OBS: Essas classificações são aplicadas
apenas em casos de investigação do limiar É um teste que visa ao reconhecimento
de indivíduos adultos. dos sons da fala, cujo resultado reflete um
limiar que corresponde à menor
intensidade com a qual o paciente é capaz
de repetir pelo menos 50% das palavras
Logoaudiometria faladas, ou seja, é a menor intensidade na
qual o indivíduo é capaz de responder.
A logoaudiometria/audiometria vocal é
um exame que complementa o exame da
Qual o objetivo?
audiometria tonal, a qual permite ao
O objetivo de se pesquisar esse limiar é
profissional analisar como o paciente está
confirmar os resultados audiométricos,
percebendo e reconhecendo os sons da
pois a intensidade do LRF deve ser igual
fala.
ou até 10 dB acima da média dos limiares
Os testes habitualmente utilizados na tonais por via aérea até 2000 Hz.
avaliação audiológica são: limiar de
reconhecimento de fala (LRF), limiar de Qual o material utilizado?
São utilizadas palavras dissílabas ou Trata-se da menor intensidade em que o
trissílabas para serem repetidas pela indivíduo responde a 50% dos estímulos
criança ou identificadas em um quadro de fala, como “papapa”, “popopo” ou
com 4 a 6 figuras. “pipipi”. O paciente é instruído a levantar
a mão ou apertar o botão assim que
Como é realizado? perceber o som.
Para a pesquisa do LRF, o fonoaudiólogo Quando deve ser utilizado?
deverá calcular a média dos limiares
auditivos de 500 Hz, 1000 Hz e 2000 Hz. A pesquisa deste limiar é recomendada
O teste é iniciado 30 dBNA ou 40 dBNA nos casos em que o indivíduo ainda não
acima desta media. adquiriu a linguagem oral ou nos casos de
deficiência auditiva severa ou profunda,
O profissional então, apresenta uma
que impossibilitem a pesquisa de demais
palavra dissílaba ou trissílaba e o paciente
testes.
é orientado a repeti-la.
A intensidade do LDF deve coincidir com
A cada acerto são diminuídos 5 dBNA.
o melhor limiar tonal por via aérea ou em
Quando houver o primeiro erro, aumenta-
campo.
se 5 dBNA e apresenta-se quatro palavras
por nível de intensidade. A pesquisa deve ocorrer da mesma forma
que na audiometria tonal, seja com
O valor do LRF é obtido quando o paciente
condicionamento lúdico ou com reforço
acertar 50% das palavras apresentadas.
visual.
A lista de palavras mais utilizada é a de
Os resultados obtidos para o LDF irão
Russo e Santos (1993).
coincidir com a média dos limiares tonais
O valor obtido na pesquisa do LRF deve das frequências de 500, 1000 e 2000 Hz,
ser compatível com a audiometria tonal ou então com o melhor limiar tonal do
limiar. Espera-se que o valor obtido seja paciente.
igual ou até 10 dBNA acima da média dos
limiares tonais. INDICE DE RECONHECIMENTO DE FALA
LIMIAR DE DETECTABILIDADE DE FALA (IRF)
(LDF) O que é?
O que é? É a medida da inteligibilidade da fala em
uma intensidade fixa na qual o individuo
consegue repetir corretamente o maior lista com 25 dissílabas, repetindo-se o
número de palavras. mesmo procedimento adotado com as
palavras monossilábicas.
Qual o objetivo?
OBS.: as palavras devem ser familiares.
Determinar a porcentagem de palavras
reconhecidas corretamente.
Testes Supralimiares
Para isso, são utilizadas listas de palavras
Esses testes tem como objetivo avaliar as
monossilábicas ou dissilábicas
lesões neurossensoriais para saber se a
foneticamente balanceadas a um nível de
lesão é mais coclear ou retrococlear.
sensação fixo e confortável.
• LESÃO COCLEAR
Como é realizado? Envolve lesão nas células ciliadas da
Para a pesquisa do IRF, o fonoaudiólogo cóclea.
deverá calcular a média dos limiares • LESÃO RETROCOCLEAR
auditivos para 500 Hz, 1000 Hz e 2000 Hz.
Envolve lesão no VIII par craniano.
A intensidade é mantida fixa, 30 ou 40 dB
acima da média dos limiares. Pode ser São testes executados em sua grande
usado ainda, o nível de máximo conforto maioria, acima do limiar auditivo do
referido pelo paciente. paciente.
A seguir, o paciente é orientado a repetir Os testes são realizados com som puro,
uma lista com 25 monossílabas em cada voz humana e ruídos.
orelha.
Para pesquisar se a LESÃO É COCLEAR,
pesquisa recrutamento ou distorção, e
para pesquisar se a LESÃO É
As listas mais utilizadas são a de Russo e
RETROCOCLEAR, pesquisa a fadiga ou
Santos (1993) e Pen e Mangabeira
adaptação.
Albernaz (1973).
A cada acerto são pontuados 4%. Assim, RECRUTAMENTO
ao final das 25 palavras o paciente pode
obter um índice de 100% de acertos. É definido como um aumento anormal da
sensação de intensidade.
Caso o número de monossílabas repetidas
corretamente seja inferior a 88% (4 Os pacientes referem não escutar alguns
palavras ou mais, repetidas sons de baixa intensidade e se forem
incorretamente), deve-se apresentar uma emitidos mais fortes são percebidos como
sons realmente intensos e até mesmo limiar auditivo, sugere patologia coclear e
incômodos. não exclui retrococlear.
EXEMPLO
• Teste de Fowler
Se tomarmos um ouvido normal com Esse teste baseia-se nas impressões
curva audiométrica em 20 dB e um subjetivas que o paciente tem quando
ouvido com perda neurossensorial compara a sensação de intensidade de um
com média em 45 dB. No limiar os tom entre as duas orelhas.
sons são percebidos igualmente. Se
A orelha Recrutante necessita de menor
apresentarmos 50 dB no ouvido
incremento de intensidade que a normal
melhor e 25 dB no ouvido pior e o
para ter o mesmo nível de sensação
paciente referir que eles têm a mesma
auditiva.
intensidade, podemos dizer que o
paciente é Recrutante pois necessitou Assim, em indivíduos normais, ao
de 25 dB em seu ouvido para ter uma aumentarmos o estimulo em uma das
sensação sonora semelhante ao outro orelhas, teremos que utilizar a mesma
ouvido onde foram necessários 50 dB. quantidade de energia para equipará-lo à
outra. Neste caso, o Fowler é negativo, ou
seja, há ausência de recrutamento.
ADAPTAÇÃO
Em pacientes com perda sensorial, à
É uma diminuição da sensibilidade medida que se aumenta o estimulo na
auditiva frente a um estimulo continuo orelha referência, necessita-se de menor
(distorção da sensação de tempo). Indica quantidade de energia para que haja
lesão retrococlear. equiparação de volume no lado pior. Neste
caso, o Fowler é positivo, ou seja, há
TESTES PARA PESQUISA DO
recrutamento.
RECRUTAMENTO, ou seja, para ver se a
lesão é coclear: METZ, FOWLER E SISI.
• Teste SISI
• Metz Esse teste é realizado oferecendo-se ao
indivíduo um tom puro de 20 dB acima do
Refere-se a alteração dos limiares do
limiar numa determinada frequência.
reflexo estapediano.
São dados incrementos de um dB a cada 5
Quando o reflexo estapediano se revela
segundos, até que se tenha um total de 20
com estimulo menor que 60 dB acima do
incrementos. O paciente deve responder Esse exame consiste em emitir o tom de
toda vez que perceber esse aumento. 1000 Hz, 10 dB acima do limiar do reflexo
para esta frequência, durante 10
Feito o teste é calculado o percentual de
segundos. Pode ser usada a frequência de
incrementos reconhecidos pelo paciente.
500 Hz.
O indivíduo normal, geralmente não
Se houver uma deterioração de 50% na
reconhece os incrementos de 1dB, ou o faz
amplitude do reflexo em menos de 5
ocasionalmente, assim seus valores
segundos, considera-se a prova positiva e,
percentuais estão compreendidos entre 0
portanto, existe uma queda patológica do
e 20% (SISI negativo).
reflexo indicando uma possível lesão
Nas lesões cocleares há uma melhor retrococlear.
percepção dessas pequenas variações de
Obs.: nas frequências de 2.000 a 4.000 Hz
intensidade e o teste costuma apresentar
mesmo indivíduos normais podem
altos índices percentuais, 60 a 100% (SISI
apresentar decay do reflexo.
positivo), o que indica recrutamento.
Nas lesões cocleares, o declínio da
Os percentuais compreendidos entre 20 e
amplitude da resposta é mais acentuado
60% são considerados resultados
do que nas orelhas normais, mas não
duvidosos (SISI duvidoso).
chega a atingir 50% nos primeiros 10
Este teste apresenta maior valor clínico segundos de estimulação.
em frequências mais altas (2.000 a 4000
Hz).
Obs.: pessoas com orelha treinada para
música podem apresentar alto índice de
acerto, mas não quer dizer que sejam
recrutantes.
TESTES PARA PESQUISA DA
ADAPTAÇÃO, ou seja, para ver se a lesão • Tone Decay Test (prova de
é retrococlear: DECAY DO REFLEXO E
TONE DECAY TEST.
fadiga auditiva)
Neste teste estimula-se a orelha com uma
• Decay do Reflexo frequência de 1.000, 2.000 e 3.000 Hz,
com uma intensidade de 10 dB acima do
Reflete a fatigabilidade/deteriorização do
limiar tonal do paciente, durante 60
reflexo estapédio.
segundos.
Em indivíduos normais, após 60 segundos retrococlear, já a deterioração acima de 20
é necessário reforçar a intensidade do dB em 60 segundos sugere lesão
som de 5 dB a 15 dB para manter a retrococlear.
percepção.
O indivíduo deve informar o momento em
que para de perceber o som. Se a chamada
"deterioração do limiar tonal" ocorrer
antes de 60 segundos, aumenta-se 5 dB
sem interromper o sinal, e reinicia a
contagem do tempo até que ocorra a
perda da percepção do estimulo por um
minuto seguido.
Objetivo 04
A deterioração do limiar em 15 a 20 dB em
60 segundos sugere lesão coclear ou
nos aspectos biopsicossociais e na qualidade de vida do sujeito
isolamento aprofunda-se e a depressão
As pessoas com deficiência auditiva agrava-se.
tendem a isolar-se, evitando situações
sociais em que o barulho de fundo torna a
conversação normal difícil de
compreender. O isolamento social e as
doenças depressivas são muito
frequentes nos idosos, e a barreira da
comunicação que a perda de audição
provoca, pode causar ou exacerbar estes
problemas. À medida que avança a perda
de audição, o telefone pode tornar-se -se
um instrumento de frustração, a conversa
frente a frente tornar-se uma disputa de
gritos que é considerada como não
valendo o esforço, o sentimento de