CONTABILIDADE
EMPRESARIAL
Sumário
UNIDADES DE ESTUDO
OBJETIVO
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
METODOLOGIA
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
Unidade I - INTRODUÇÃO: CONCEITO, OBJETIVOS, ESTRUTURA
TÉCNICAS, O PATRIMÔNIO E AS SITUAÇÕES PATRIMONIAIS
Unidade II – PRÁTICA CONTÁBIL: AS CONTAS CONTÁBEIS E O
MECANISMO DE DÉBITO E CRÉDITO
Unidade III – CONVERGÊNCIA DE NORMAS CONTÁBEIS
Unidade IV – PRINCÍPIOS CONTÁBEIS E ESTRUTURA CONCEITUAL
Unidade V – OPERAÇÕES ATIVAS, PASSIVAS E DE APURAÇÃO DE
RESULTADOS
Unidade VI - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Unidade VII – ANÁLISE DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
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FICHA DO CURSO
OBJETIVO:
Apresentar aos participantes as noções teóricas da Contabilidade Empresarial,
proporcionar uma visão global das transações e dos demonstrativos contábeis e fornecer
técnicas de análise das Demonstrações Financeiras.
CARGA HORÁRIA TOTAL:
30 horas-aula.
A QUEM SE DESTINA:
Aos profissionais graduados interessados em aprender, reciclar e aprofundar os
conhecimentos na área de contabilidade Empresarial.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
Unidade I - INTRODUÇÃO: CONCEITO, OBJETIVOS, ESTRUTURA
TÉCNICAS, O PATRIMÔNIO E AS SITUAÇÕES PATRIMONIAIS
1.1 – A Contabilidade Como Sistema de Informação
1.2 – Patrimônio Líquido e Equação Patrimonial
1.3 – Relações entre Ativo, Passivo e Situação Líquida
Unidade II – PRÁTICA CONTÁBIL: AS CONTAS CONTÁBEIS E O
MECANISMO DE DÉBITO E CRÉDITO
2.1 – Noções de Lançamentos Contábeis
2.2 – Entendendo o Método das Partidas Dobradas
2.3 – Receitas x despesas
2.4 – Receita de Venda de Mercadorias x CMV
Unidade III – CONVERGÊNCIA DE NORMAS CONTÁBEIS
3.1 – O processo de Convergência
3.2 – Algumas alterações produzidas
Unidade IV –PRINCÍPIOS CONTÁBEIS E ESTRUTURA CONCEITUAL
4.1 – Princípios e Normas Contábeis (Atualizados pelo CPC e pala Lei 11.638);
4.2 – Estrutura Conceitual da Contabilidade
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Unidade V - OPERAÇÕES ATIVAS, PASSIVAS E DE APURAÇÃO DE
RESULTADOS
5.1 – Ativo Circulante
5.2 – Ativo Não Circulante
5.3 – Passivo Circulante
5.4 – Passivo Não Circulante
5.5 – Patrimônio Líquido
Unidade VI - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
6.1 – BP - Balanço Patrimonial
6.2 – DRE - Demonstração do Resultado do Exercício (EBTIDA)
6.3 – DMPL - Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
6.4 – DFC- Demonstração dos Fluxos de Caixa
6.5 – DVA- Demonstração do Valor Adicionado
6.6 – Notas Explicativas
Unidade VII – ANÁLISE DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
7.1 – Análise Vertical
7.2 – Análise Horizontal
7.3 – Análise por quocientes ou índices
7.4 – Avaliação do Capital de Giro
METODOLOGIA
Exposição dos temas com debates abertos. Apresentação de embasamento teórico dos
assuntos seguidos da aplicação de Exercícios e estudo de casos.
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
• Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras/FIPECAFI.
Manual de Contabilidade das Sociedades por ações, aplicável às demais
sociedades. São Paulo: Atlas;
• Iudícibus, Sérgio e outros. Contabilidade Introdutória. São Paulo: Atlas;
3
• Marion. Contabilidade Empresarial. Rio de Janeiro: Atlas;
• Justino Oliveira. Contabilidade Geral para Concursos Públicos. Niterói:
Impetus;
• Iudícibus, Sérgio. Análise de Balanços. Rio de Janeiro: Atlas;
• Blatt, Adriano. Análise de Balanços. São Paulo. Makron Books;
• Helfert, Erich A. Técnicas de Análise Financeira. Rio e Janeiro. Bookman;
• Normas Brasileiras de Contabilidade. CFC e Comitê de Pronunciamentos
Contábeis.CPC.
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Unidade I - INTRODUÇÃO: CONCEITO, OBJETIVOS, ESTRUTURA
TÉCNICAS, O PATRIMÔNIO E AS SITUAÇÕES PATRIMONIAIS
1.1) A CONTABILIDADE COMO SISTEMA DE INFORMAÇÃO
Evolução Histórica
A história da contabilidade é tão antiga quanto a história da civilização.
Relaciona-se às primeiras manifestações humanas da necessidade social de proteção à
posse e de perpetuação e interpretação dos fatos econômicos ocorridos. A origem da
contabilidade está ligada à necessidade de registros de comércio.
Os primeiros sinais objetivos da existência da contabilidade, segundo
pesquisadores, foram observados por volta do ano 4.000 a. C. na civilização sumério-
babilonense e coincidiu com a invenção da escrita. As primeiras anotações eram em
termos físicos, pois somente havia trocas. Em 1100 a. C. este quadro se alterou, por
ocasião do surgimento da moeda.
A introdução da técnica contábil nos negócios privados foi uma contribuição de
comerciantes italianos do século XIII. A obra do Frei Luca Pacioli, contemporâneo de
Leonardo da Vinci, no século XV marca o início da fase moderna da contabilidade,
sistematizando-a.
Conceito
A Contabilidade representa uma técnica ou procedimento que tem por objetivo
registrar, captar, acumular e interpretar os fenômenos econômicos e financeiros que
afetam o patrimônio de uma entidade, com o objetivo de fornecer informações úteis aos
diversos usuários da informação contábil. Este conceito pode divergir entre outros autores
e estudiosos da classe contábil que adotam a conceituação de “Arte” ou “Ciência”.
IUDÍCIBUS, MARTINS e GELBCKE (2007, p 29), definem assim a contabilidade:
A contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e
avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e
análises de natureza econômica, financeira, física e de
produtividade, com relação à entidade objeto de contabilização.
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A Contabilidade, na qualidade de ciência social aplicada, se sobressai pelo papel
que exerce no processo de fornecimento de informações econômico-financeiras para
permitir decisões e julgamentos adequados por parte dos diversos usuários da informação
contábil e garantir, dessa forma, a prestação de contas destas entidades para os múltiplos
segmentos da sociedade.
Objeto
É aquilo que se constitui em matéria de estudo de uma ciência ou arte. O objeto da
Contabilidade é, pois, o PATRIMÔNIO, em torno do qual a Ciência Contábil desenvolve
suas funções, como meio para alcançar sua finalidade.
Finalidade
A Contabilidade tem por fim REGISTRAR os fatos e PRODUZIR informações
que possibilitem ao titular do patrimônio o PLANEJAMENTO e o CONTROLE de sua
ação.
PLANEJAR significa decidir, entre diversas alternativas que se apresentam, qual
curso tomar para atingir com mais eficiência e eficácia o objetivo almejado.
CONTROLAR, do ponto de vista das ciências administrativas, significa certificar-
se de que a organização está atuando de acordo com os planos e políticas traçados pela
administração.
Portanto, o objetivo das Demonstrações Contábeis é fornecer informações sobre a
posição patrimonial e financeira, o desempenho e as mudanças na posição financeira da
entidade, que sejam úteis a um grande número de usuários em suas avaliações e tomadas
de decisão econômica.
Principais Usuários
São usuários da informação contábil todos aqueles interessados em preservar uma
informação, mantendo o registro desta, optando por uma maior segurança e facilidade de
gestão de seus recursos.
Os usuários serão os indivíduos, governos, bancos, acionistas e outros tratados
como usuários externos ou no grupamento denominado de usuários internos em que
estão inseridos aqueles cujo interesse restringem-se ao universo da entidade como
Gerentes, Sócios, Administradores e outros de interesse direto na entidade em questão.
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Especialização de Contabilidade
As atividades profissionais abrangidas pela Contabilidade estendem-se do
Contador ao Diretor de Controladoria. As funções mais conhecidas além das de Contador
são as de Técnico, Analista, Controller, Gerente, Auditor, Perito e todas atividades que se
utilizam de conhecimentos contábeis.
Técnicas da Contabilidade
Para o desenvolvimento de suas atividades a Contabilidade utiliza-se das técnicas
de:
• Escrituração – Formado pelo registro dos fatos de ordem econômica e financeira
relacionados à entidade. Esta técnica é formalizada pelas “partidas de diário” em
livros contábeis;
• Demonstrações Contábeis – Demonstração expositiva dos fatos contábeis executados
pela técnica de Escrituração, resultando em Balanços Patrimoniais e outras
demonstrações contábeis;
• Auditoria – Técnica concebida para atestar a fidedignidade do conteúdo das
demonstrações contábeis;
• Análise de Balanços – Considerada a técnica mais refinada da Contabilidade, é
representada pela análise interpretativa das demonstrações contábeis.
1.2) PATRIMÔNIO LÍQUIDO E EQUAÇÃO PATRIMONIAL
Componentes Patrimoniais Básicos
O patrimônio, do ponto de vista contábil, é formado pelos bens e direitos
pertencentes a entidade, além das obrigações assumidas por esta, que são colocados em
operação com a finalidade de gerar renda. Podemos, então, afirmar que o patrimônio é o
conjunto de bens, direitos e obrigações.
Na contabilidade, o patrimônio é apresentado num relatório contábil denominado
balanço patrimonial, que é estruturado nos seguintes componentes básicos:
• Ativo (A) – Componente que representa a “parte positiva” do Patrimônio, formado
pelos bens e direitos da entidade, apresentados no lado esquerdo do Balanço
Patrimonial.
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• Passivo (P) – Representa a “parte negativa” do Patrimônio formada pelas obrigações
assumidas pela entidade, ou seja, suas dívidas, em regra geral, este componente é
apresentado no lado direito do Balanço Patrimonial.
• Patrimônio Líquido (PL) – É o Componente Patrimonial que representa a diferença
entre o Ativo e o Passivo1 da entidade. As contas a serem registradas no PL se
caracterizam por não reunirem condições de classificação nos componentes do Ativo
ou Passivo da entidade. Neste componente está registrado o Capital Social, que
representa o montante de recursos dos sócios inserido no negócio.
Representações do Patrimônio
O Patrimônio da entidade, formado pelos bens, direitos e obrigações da entidade,
pode ser representado de forma matemática ou gráfica como a seguir:
Graficamente:
Matematicamente: BALANÇO PATRIMONIAL
Ativo Passivo
PL = A - P
(Bens+Direitos) (Obrigações)
Bens
Parimônio Líquido
Os bens se classificam em:
(AxP)
Quanto à Substância
Tangíveis - aqueles que possuem forma física, são palpáveis, ocupam espaço.
Ex.: mesas, cadeiras, veículos, etc.
Intangíveis - são aqueles que não possuem forma física, são incorpóreos, não ocupam
espaço.
Ex.: Marcas, patentes, direitos autorais.
Quanto a Mobilidade
Móveis – Aqueles que podem ser removidos sem risco de danos e avarias.
Ex.: Veículo, Máquinas, Equipamentos, Dinheiro, Gado, etc.
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Imóveis – Aqueles que não podem ser removidos sob risco de danos ou destruição.
Ex.: edifícios, construções, reservas florestais, etc ...
Obs.: Por exceção prevista em Lei, os navios e aviões de bandeira estrangeira são
considerados bens imóveis, uma vez que são tratados como parte de território nacional.
Direitos
São os valores de propriedade da empresa que estão na posse de terceiros, como
dinheiro depositado em bancos, valores a receber de terceiros por vendas ou prestação de
serviços efetuados a prazo, etc.
Ex.: Bancos Conta Movimento; Duplicatas a Receber; Clientes; Promissórias a Receber;
Carnês a Receber, etc.
Obrigações
São os valores que estão na posse da empresa, mas que são de propriedade de
terceiros, ou seja, as dívidas assumidas pela empresa, como os empréstimos bancários, os
impostos a pagar, os valores a pagar referente a compras e serviços recebidos a prazo.
Ex.: Bancos Conta Empréstimos; Duplicatas a Pagar; Fornecedores; Impostos a Pagar;
Impostos a Recolher; etc.
1.3) RELAÇÕES ENTRE ATIVO, PASSIVO E SITUAÇÃO LÍQUIDA
A Situação Líquida de uma Entidade representa a configuração básica da
diferença obtida entre as contas do Ativo e do Passivo, podendo resultar nos seguintes
casos:
• A > P - Situação Líquida Positiva, Favorável, Ativa ou Superavitária.
Ex.:
Balanço Patrimonial
ATIVO PASSIVO
Caixa $ 20.000 Contas a Pagar $ 70.000
Contas a Receber $ 80.000
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PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital Social $ 30.000
Total do Ativo $ 100.000 Total do Passivo ($ 100.000)
• A = P - Situação Líquida Nula ou Compensada.
Balanço Patrimonial
ATIVO PASSIVO
Caixa $ 20.000 Contas a Pagar $ 70.000
Contas a Receber $ 80.000 Fornecedores $ 30.000
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital Social $ 50.000
Prejuízos Acumulados ($ 50.000)
Total do Ativo $ 100.000 Total do Passivo ($ 100.000)
• A < P - Situação Líquida Negativa, Deficitária, Passiva ou Desfavorável.
Balanço Patrimonial
ATIVO PASSIVO
Caixa $ 20.000 Contas a Pagar $ 70.000
Contas a Receber $ 70.000 Fornecedores $ 30.000
PATRIMÔNIO LÍQUIDO2
Capital Social $ 50.000
Prejuízos Acumulados ($ 60.000)
Total do Ativo $ 90.000 Total do Passivo ($ 90.000)
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Unidade II – PRÁTICA CONTÁBIL: AS CONTAS CONTÁBEIS E O
MECANISMO DE DÉBITO E CRÉDITO
NOÇÕES DE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS
Conta
Conta é o registro de débitos e créditos da mesma natureza, identificados por um
título específico que distingue um componente do patrimônio ou uma variação
patrimonial (caixa, empréstimos, receita, capital, custo). Portanto, é o título designativo
onde são registrados os fatos contábeis.
Basicamente existem dois tipos de contas: as contas Patrimoniais ou Integrais – as
que existem nos Componentes Patrimoniais Básicos (Ativo, Passivo e PL) e as contas de
Resultado ou Diferenciais – formadas apenas por Receitas e Despesas.
Plano de Contas
Elenco de contas, organizado de modo específico à Contabilidade da entidade.
Ex.:
1. Ativo
1.1. Circulante
1.1.1. Disponível
1.1.1.1 Caixa
1.1.1.1.0001 Caixa / RJ
1.1.1.1.0002 Caixa / SP
O Plano de Contas é largamente utilizado como instrumento de controle interno na
área de fiscalização pelo Banco Central – através do COSIF – e da Receita Federal que
institui um modelo de demonstrações contábeis com as contas previamente definidas para
fins de elaboração da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (DIPJ).
A correta elaboração do Plano de Contas pode auxiliar a se evitar erros e fraudes
contábeis, especialmente evitando-se a nomenclatura de contas semelhantes
(Salários/Despesa e Salários/Passivo por exemplo).
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Livros
As atividades desempenhadas pela contabilidade de uma entidade, em regra,
utiliza os seguintes livros:
• Contábeis
Diário - livro que registra as operações contábeis em ordem seqüencial, diária;
Razão - livro em folhas soltas, que registra os aumentos e diminuições das contas de
forma individual.
• Auxiliares
São livros de características fundamentalmente administrativas, cuja finalidade é o de
auxiliar a Contabilidade no detalhamento de determinadas informações.
Ex.: Livro de Controle de Cobranças, Livro de Controle de Aplicações Financeiras, etc.
• Fiscais
São livros que existem com o objetivo de atender as exigências dos órgãos fiscalizadores.
Ex.: Livro de Apuração do ICMS, Livro de Registro de Empregados, etc.
Débito e Crédito
São termos utilizados pela Contabilidade para o registro dos aumentos e
diminuições nos componentes patrimoniais. O débito é registrado sempre ao lado
esquerdo do razonete enquanto o crédito do lado direito.
Ex.:
QUALQUER CONTA
Débitos Créditos
( lado esquerdo) (lado direito)
Razonete ou conta ‘T’
Mecanismo do Débito e Crédito
• Contas do Ativo - aumentarão com débitos e diminuirão com créditos;
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• Contas do Passivo e do PL - aumentarão com créditos e diminuirão com débitos.
RESUMO DO MECANISMO DE DÉBITO E CRÉDITO
Quaisquer contas de:
Aumentarão com: Diminuirão com:
Ativo – Ex.: Caixa DÉBITOS CRÉDITOS
Passivo – Ex.: Ctas. a pagar CRÉDITOS DÉBITOS
Patrimônio Líquido – Ex. Capital CRÉDITOS DÉBITOS
ENTENDENDO O MÉTODO DAS PARTIDAS DOBRADAS
É um método que determina em caráter universal que, em cada operação, no seu
registro, o total de débitos deve corresponder ao mesmo valor em créditos, em uma ou
mais contas e vice-versa.
Ex.: Retiraram $ 10.000 do cofre: depositou $ 5.000, na conta bancária; comprou mesas e
cadeiras, à vista, com $ 5.000, conforme NF no. 002.
D = Bco. Cta. Mov. $ 5.000
D = Móveis e Utensílios $ 5.000
C = Caixa $ 10.000
Partidas de Diário
Representa o registro das operações no Livro Diário sob uma forma padronizada.
As partidas de Diário devem conter, obrigatoriamente, as seguintes informações
apresentadas no formato a seguir.
DATA DA OPERAÇÃO
CONTA (S) DEBITADA (S)
a CONTA (S) CREDITADA (S) $ VALOR
HISTÓRICO DESCRITIVO DA OPERAÇÃO
Indicativo da (s) Conta (s) Creditadas (s)
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As partidas de Diário representam o modo de se formalizar o registro das
operações sob a ótica da Contabilidade e se classificam nas seguintes fórmulas de
lançamento:
• 1a. Fórmula ou Partida Simples: Uma conta debitada para uma conta creditada.
Ex.: 11/08
Estoques
a Banco conta movimento $ 1.000
HIST. Valor ref. A compra de matéria prima à vista pelo cheque 004 e NF0020.
• 2a. Fórmula : Uma conta a débito e duas ou mais a crédito.
Ex: 11/08
Estoques
a Diversos
a Caixa $ 200
a Bancos cta. mov. $ 800
HIST. xxxxx
• 3a. Fórmula : Duas ou mais contas debitadas para uma conta creditada.
Ex: 11/08
Diversos
a Caixa
Móveis e Utensílios $ 800
Máquinas e Equiptos. $ 1.200
HIST. xxxxx
• 4a. Fórmula : Duas ou mais contas debitadas para duas ou mais contas creditadas.
Ex: 11/08
Diversos
a Diversos
Móveis e Utensílios $ 800
Máquinas e Equiptos $ 1.200
a Caixa $ 200
a Duplic. a Pagar $1.800
HIST. xxxxx
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RECEITAS X DESPESAS
Principais causas:
O Patrimônio Líquido pode se alterar, basicamente por:
• Aumento e Diminuição no Capital Social por parte dos sócios;
• Através da capitalização do Resultado obtido do confronto entre as Receitas e as
Despesas em determinado Período Contábil.
Período Contábil
Espaço de tempo definido pela Contabilidade de uma entidade para apuração do
Resultado. No Brasil este período segue o Exercício Fiscal ou Ano-calendário, iniciando-
se em 1º de janeiro e encerrando-se em 31 de dezembro de cada ano.
Resultado:
Produto resultante do confronto das Receitas e Despesas de determinado Período
Contábil podendo apresentar:
Receita > Despesa = LUCRO
Receita < Despesa = PREJUÍZO
Receitas e Despesas
Receitas são aumentos de ativo decorrentes de uma operação de:
• Venda de produtos;
• Venda de mercadorias;
• Vendas de serviços;
• Ganhos financeiros;
• Ganhos eventuais.
As Receitas devem ser registradas de acordo com o princípio contábil da
Realização da Receita, ou seja, quando forem realizadas, no momento em que ocorrer a
entrega do bem ou serviço em troca de um Ativo.
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Despesas são gastos que reduzem o PL, o consumo de ativos ou aumento de
passivos que objetivam direta ou indiretamente provocar um aumento do Patrimônio
Líquido, superior a diminuição que a Despesa provoca.
Ex.: salários, energia, treinamento, etc.
Regime de Competência
Princípio contábil representado pelos princípios contábeis da Realização das
Receitas (citado anteriormente) e do Confronto das Despesas que determina em caráter
universal que as Receitas, Custos e Despesas serão registrados em função da ocorrência
do fato gerador que motivou a despesa, independente do seu pagamento ou liquidação
financeira.
Difere, portanto, do regime de caixa, no qual são consideradas receitas e despesas
do exercício, as que efetivamente são recebidas e pagas dentro desse período no ato da
movimentação financeira.
Ex.: Salários de Setembro, pagos em Outubro, no valor de R$ 15.000.
O registro da Despesa em Setembro (mediante o fato gerador): Princípio da Competência
Despesa de salários
a Salários a pagar R$ 15.000
O registro do Pagamento em Outubro (mediante o desembolso financeiro): Regime de
Caixa
Salário a pagar
a Banco Conta Movimento R$ 15.000
Mecanismo de Débito e Crédito
As Receitas aumentarão com Créditos e diminuirão com Débitos enquanto que as
Despesas aumentarão com débitos e diminuirão com créditos.
• Lógica de Receitas X Despesas
Receita > Despesa = LUCRO PL + CR
Receita < Despesa = PREJUÍZO PL + DB
Observe como isto funciona pelos exemplos a seguir:
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• Em 01/11 efetuaram o pagamento do IPTU no valor de $ 1.200 em cheque:
01/11 Despesas c/ Impostos
a Bco. Cta. Mov. $ 1.200
• Em 02/11 receberam o boleto do aluguel para pagamento no próximo dia 05 no valor
de $ 3.000:
02/11 Despesa de Aluguel
a Aluguéis a pagar $ 3.000
• Em 10/11 efetuaram o resgate de uma aplicação financeira no valor de $ 8.000
acrescida de rendimento de 10%:
10/11 Bco. Cta. Mov.
a Diversos
a Aplicações Financeiras $ 8.000
a Receita Financeira $ 800 $ 8.800
• Em 20/11 prestaram serviços, recebendo pelo mesmo o valor de $ 2.000 depositados
na conta bancária.
20/11 Banco Conta Movimento
a Receita com Serviços $ 2.000
Demonstração do Resultado do Exercício
É a demonstração contábil que tem por objetivo discriminar a composição das
Receitas e Despesas ocorridas em determinado período contábil, detalhando a formação
do Lucro ou do Prejuízo ocorrido no período:
Companhia ABC CNPJ Nº. 00.000.000/0000-00
Demonstração do Resultado do Exercício Findo em 31 de dezembro
Em $ mil, exceto lucro por ação.
19XA
Receita Bruta de Vendas $ 21.205
Vendas $ 19.050
Serviços $ 2.155
Deduções da Receita Bruta (Abat.Imp.s/Vendas, Ded.) ($ 3.130)
Receita Líquida de Vendas $ 18.075
Custo Mercadorias e Serviços Vendidos (CMV/CSV) ($ 14.087)
Lucro Bruto $ 3.988
Despesas Operacionais
Despesas com Vendas ($ 993)
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Despesas Administrativas ($ 606)
Resultado Financeiro Líquido ($ 525)
Outras Receitas e Despesas Operacionais ( $ 87 )
Resultado antes do Imposto de Renda $ 1.777
Imposto de Renda e Contribuição Social ($ 586)
Participações no Resultado
Dos Empregados ($ 119)
Dos Administradores ($ 59)
R E S U L T A D O:
Lucro Líquido $ 1.013
Lucro por Ação $ 2,25
Como o saldo final da conta Resultado é credor, o resultado do exercício é um
Lucro e deverá ser transferido para Lucros ou Prejuízos Acumulados, encerrando-se, pois,
a conta Resultado.
Os principais grupamentos de contas dessa demonstração são os seguintes:
• Receita Bruta das Vendas de Bens e Serviços
São classificadas nesse grupo de contas as receitas relacionadas com o objetivo
social da empresa. Por exemplo, se a empresa é uma fabricante de máquinas de lavar, as
receitas provenientes das vendas das máquinas de lavar são classificadas nesse grupo de
contas.
• Deduções de vendas, abatimentos e impostos
São classificadas nesse grupo de contas as devoluções de vendas, abatimentos em
função do valor ter sido faturado a maior, os impostos incorridos sobre vendas, tais como,
ICMS, PIS, COFINS e ISS.
• Custo das mercadorias, produtos vendidos ou serviços prestados
(CMV/CPV/CSV)
São classificados nesse grupo de contas os custos efetivamente incorridos para
realizar a receita bruta. No caso de uma empresa que vende bens, esses custos
representam transferências da conta de produtos acabados do balanço patrimonial. No
caso de uma empresa prestadora de serviços, esses custos compreendem todos os gastos
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incorridos na prestação do serviço, tais como: salários e encargos sociais do pessoal que
prestou o serviço, etc.
• Despesas com vendas
São registradas nesse grupo de contas todas as despesas incorridas necessárias
para se efetuar a venda, tais como: propaganda, comissão dos vendedores, frete dos
produtos vendidos, etc.
• Despesas gerais e administrativas
São registradas nesse grupo de contas as despesas com a "manutenção da
máquina" administrativa da empresa, como por exemplo: salários e encargos sociais do
pessoal administrativo, luz, água, telefone, limpeza, segurança e depreciação do
imobilizado administrativo.
• Despesas financeiras - Receitas financeiras
No grupo das despesas financeiras, são classificadas as despesas incorridas com a
utilização de recursos de terceiros, tais como: juros, correção monetária, variação
cambial, comissão bancária na abertura de financiamentos, impostos sobre operações
financeiras, etc. No grupo das receitas financeiras, são classificadas as receitas auferidas
em função de terceiros utilizarem os recursos da empresa, como, por exemplo: juros sobre
duplicatas de clientes pagas em atraso, rendimentos provenientes de aplicações em RDB,
CDB e etc.
• Outras receitas e despesas operacionais
São classificadas, nesse grupo de contas, os ganhos ou perdas que decorram de
transações que não constituam as atividades ordinárias de uma entidade, ou seja, o
conceito de lucro operacional engloba os resultados das atividades principais e acessórias,
e essas outras receitas e despesas operacionais são atividades acessórias do objeto da
entidade.
Compreendem, portanto, os lucros e prejuízos de participações em outras
sociedades (método da equivalência patrimonial ou de custo), os ganhos e perdas de cpital
nos investimentos, imobilizado e diferido.
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• Provisão para o imposto de renda e Contribuição Social
É registrada nesse grupo de contas a participação do fisco no lucro da empresa,
que é atualmente de 15% do Lucro Real (lucro contábil ajustado para fins de imposto de
renda), mais 10% sobre o valor que ultrapassar 240.000,00 (20.000,00 p/mês ou
60.000,00 p/ trimestre). A alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro é de 9%.
• Provisão para Contribuição Social
É registrada nesse grupo de contas a parte da Contribuição Social que é
atualmente de 9% do Lucro Real.
• Participações e contribuições
Nesse grupo de contas, são classificadas as participações dos empregados,
administradores, debenturistas e partes beneficiárias da empresa.
• Lucro por ação do capital social
Representa o valor do lucro líquido do exercício dividido pela quantidade de
ações.
Algumas empresas fazem o cálculo com base na quantidade de ações no fim do
ano, enquanto outras o fazem com base na quantidade média de ações em circulação
durante o exercício social. Evidentemente, o segundo cálculo dá uma posição mais real
em função de ponderar o tempo de utilização do recurso para apurar a sua efetiva
rentabilidade.
Unidade III – CONVERGÊNCIA DE NORMAS CONTÁBEIS
3.1) PROCESSO DE CONVERGÊNCIA
O sistema de regulação contábil de um país é influenciado por diferentes agentes –
órgãos do Estado, organizações profissionais e instituições vinculadas ao mercado
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financeiro – que interagem entre si e agem sobre o próprio sistema. Esses agentes
formulam leis, decretos, regulamentos, padrões, recomendações, resoluções, deliberações,
instruções, e pronunciamentos direcionados às entidades, determinando as normas
contábeis a serem adotadas no reconhecimento, mensuração e evidenciação das
transações.
Diversas instituições emitem normas e diretrizes contábeis entre as quais: o
Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o
Instituto Brasileiro de Contadores (IBRACON), o Banco Central do Brasil (BACEN) a
Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência Social (SPC-
MPS), a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), a Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) e a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
Diante deste complexo cenário, os movimentos que envolviam a convergência de
práticas contábeis vinham ganhando força e adesões. Diversos fatores foram apontados
pelos defensores desse processo de convergência, dentre os quais a necessidade de
captação de recursos no mercado externo, a crescente globalização de negócios, a forte
expansão do mercado financeiro internacional e a alta competitividade empresarial.
Neste contexto, a regulação contábil exerce importante papel na conduta técnica
de profissionais da área e no desenvolvimento de práticas alinhadas ao processo cultural
internacional, cuja almejada convergência de normas foi fortalecida com a criação do
Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) começou a desencadear um processo
unificado de regulação das normas contábeis. O CPC, criado em 2006, é formado pela
Abrasca (Associação Brasileira das Companhias Abertas), Apimec (Associação dos
Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais), Bovespa (Bolsa de
Valores de São Paulo), CFC (Conselho Federal de Contabilidade), Fipecafi (Fundação
Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) e Ibracon (Instituto dos
Auditores Independentes do Brasil) e tem como objetivo emitir pareceres técnicos sobre
questões contábeis.
Na atualidade atuam no desenvolvimento de procedimentos e harmonização de
normas contábeis internacionais: o International Accounting Standards Commitee
(IASC), a Intenational Federation of Accountants (IFAC), o Financial Accounting
Satandards Board (FASB), o International Organization of Securities Commissions
(IOSCO) e a Securities and Exchange Commissio (SEC).
21
O International Accounting Standards Committee (IASC), atual Internacional
Accounting Standards Board (IASB), fundado em 29 de junho de 1973, em Londres, por
acordo feito entre profissionais da Austrália, Canadá, França, Alemanha, Japão, México,
Holanda, Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos da América, tem entre os seus
associados, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e o IBRACON – Instituto dos
Auditores Independentes do Brasil. No Brasil a adoção dos IFRS (International Financial
Reporting Standards) no processo de convergência de práticas contábeis já é uma
realidade.
A legislação Comercial e Tributária, em nosso país, tem sofrido e sofre contínua
transformação buscando se ajustar às novas instituições que vão surgindo no processo de
mudança das estruturas sociais e do dinamismo do desenvolvimento econômico, tão
presente nas últimas décadas.
Diante de diversos impasses e dificuldades que envolviam a adoção das práticas
internacionais de contabilidade no país, também denominada convergência de Normas
Contábeis, a relacionada à questão tributária era de enorme relevância. No sentido de
buscar uma neutralidade tributária para os eventuais efeitos contábeis, provocados com a
adoção das novas normas legais, foram adotados mecanismos para atender aos interesses
diversos envolvidos no processo de transição.
A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, estabeleceu um Regime Tributário
Transitório – RTT, transitório para os anos de 2008 e 2009, deixando de ser transitório a
partir de 2010, com o objetivo de evitar a tributação pelo Imposto de Renda e pela
Contribuição Social dos valores lançados no resultado, que tenham como origem as novas
práticas contábeis introduzidas pela Lei 11.638/07, pela própria 11.941/09 e pelas normas
editadas pelo CPC.
A Lei nº 12.973/14 estabeleceu o fim do RTT que, desde 2009, assegurava às
pessoas jurídicas sediadas no Brasil a neutralidade tributária com relação a eventuais
reflexos fiscais decorrentes das alterações promovidas na legislação societária brasileiras
pela Lei nº 11.638/07 e nº 11.941, de 27 de maio de 2009, por meio da manutenção, para
fins tributários, das normas e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
22
3.2) ALGUMAS ALTERAÇÕES PRODUZIDAS
Unidade IV –PRINCÍPIOS CONTÁBEIS E ESTRUTURA CONCEITUAL
4.1 PRINCÍPIOS E NORMAS CONTÁBEIS (ATUALIZADOS PELO CPC E
PELA LEI 11.638/07)
Há décadas os profissionais ligados à contabilidade, bem como organismos
públicos, insistem em encontrar um conjunto de normas, padrões ou procedimentos
contábeis que atendam suas necessidades, a fim de contribuir no desenvolvimento de suas
funções, buscando atender às expectativas dos usuários das informações financeiras.
23
O conjunto de normas contábeis brasileiras tem mais de uma fonte emissora de
princípios contábeis, dentre as quais se destacam o Conselho Federal de Contabilidade
(CFC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Instituto Brasileiro de Auditores
Independentes (IBRACON) e o recém-criado Comitê de Pronunciamentos Contábeis
(CPC), além de Agências Reguladoras de diversos segmentos econômicos.
Nesse cenário de harmonização de normas, a regulação contábil se fortalece por
intermédio da criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) que inova no trato
de questões regulamentares porque reúne representantes de entidades das áreas privada e
acadêmica e do setor governamental na busca da modernidade. Criado em 2006, o CPC é
formado por Abrasca, Apimec, Bovespa, Conselho Federal de Contabilidade, Fipecafi e
Ibracon e tem como objetivo emitir pareceres técnicos sobre questões contábeis.
Iudícibus e Marion esclarecem que os Princípios são os conceitos básicos que
constituem o núcleo essencial que deve guiar a profissão na consecução dos objetivos da
Contabilidade, que, consistem em apresentar informação estruturada para os usuários.
Princípios de Contabilidade
ATO NORMATIVO TEOR
➢ Princípios contábeis:
1. da entidade,
2. da qualificação e quantificação dos bens patrimoniais,
3. da expressão monetária,
4. da competência,
5. da oportunidade,
6 da formação dos documentos contábeis,
Resolução CFC n.º 530/81 7 da terminologia contábil,
8. da eqüidade,
9. da continuidade,
10. da periodicidade,
11. da prudência,
12. da uniformidade,
13. da informação,
14. dos atos e fatos aleatórios,
15. da correção monetária,
16. da integração.
➢ Postulados:
24
1. entidade,
2.continuidade
➢ Princípios:
Deliberação CVM nº 29/86
1. custo como base de valor,
2. denominador comum monetário,
3. realização da receita,
4. confronto das despesas com as receitas e com os
períodos contábeis.
➢ Convenções:
1. da objetividade,
2. da materialidade,
3. do conservadorismo,
4. da consistência.
➢ Princípios:
1. entidade,
2. continuidade,
Resolução CFC n.º 750/93 3. oportunidade,
4. registro pelo valor original,
5. atualização monetária (Revogado pela Resolução CFC
nº. 1.282/10),
6. competência,
7. prudência
Fonte: CFC e CVM..
Foi editada a Resolução n° 750 de 1993, na qual são listados sete Princípios
Fundamentais de Contabilidade, para servir de parâmetro à elaboração de normas,
regulamentos e demonstrações contábeis.
Por essa Resolução, os Princípios Fundamentais de Contabilidade que representam
a essência das doutrinas e teorias relativas à ciência da contabilidade são os seguintes:
Entidade, Continuidade, Oportunidade, Registro pelo Valor Original, Atualização
Monetária, Competência e Prudência.
I - O Princípio da Entidade
Reconhece o patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma autonomia
patrimonial, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma
25
sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos.
Cabe ressaltar que a soma ou aglutinação contábil não resulta em nova entidade, mas
numa unidade de natureza econômico-contábil.
II - O Princípio da Continuidade
O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no
futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam
em conta esta circunstância.
III - O Princípio da Oportunidade
Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e apresentação
dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas.
A falta de integridade e tempestividade na produção e na divulgação da
informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso é necessário
ponderar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação.
IV - O Princípio do Registro pelo Valor Original
O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os componentes do
patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações,
expressos em moeda nacional.
V - O Princípio da Atualização Monetária
Revogado pela Resolução CFC nº. 1.282/10
VI - O Princípio da Competência
O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros
eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do
recebimento ou pagamento.
O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de
receitas e de despesas correlatas.
VII - O Princípio da Prudência
26
O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para os
componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem
alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que
alterem o patrimônio líquido.
O Princípio da Prudência pressupõe o emprego de certo grau de precaução no
exercício dos julgamentos necessários às estimativas em certas condições de incerteza, no
sentido de que ativos e receitas não sejam superestimados e que passivos e despesas não
sejam subestimados, atribuindo maior confiabilidade ao processo de mensuração e
apresentação dos componentes patrimoniais.
Numa outra perspectiva, a Deliberação CVM nº 29, de 5 de fevereiro de 1986,
apresenta a estrutura conceitual básica da contabilidade, classificando os Princípios
(Conceitos) de Contabilidade em três categorias: Postulados ambientais da contabilidade;
Princípios contábeis propriamente ditos; e Restrições aos princípios contábeis
fundamentais (convenções).
Os postulados ambientais enunciam as condições sociais, econômicas e
institucionais dentro das quais a contabilidade atua. Dessa forma, escapam ao restrito
domínio da contabilidade, para inserir-se no mais amplo feudo da Sociologia Comercial e
do Direito, bem como da Economia e outras ciências.
• O Postulado da Entidade Contábil evidencia que a contabilidade é mantida
para as Entidades e que os sócios ou cotistas destas não se confundem,
para efeito contábil, com aquelas, formalizando, assim, uma significativa
abstração contábil.
• O Postulado da Continuidade das Entidades enuncia que para a
contabilidade, a entidade é um organismo vivo que irá operar por um
período de tempo indeterminado, até que surjam fortes evidências em
contrário.
Os princípios propriamente ditos representam resposta da disciplina contábil aos
postulados, numa postura filosófica e prática. Os princípios constituem, de fato, o núcleo
central da estrutura contábil e delimitam como a profissão irá se posicionar diante da
realidade social, econômica e institucional admitida pelos postulados.
• O Princípio do Custo como Base de Valor se baseia no entendimento
de que o custo de aquisição de um ativo ou dos insumos necessários
27
para fabricá-lo e colocá-lo em condições de gerar benefícios para a
entidade representa a base de valor para a contabilidade, expresso em
termos de moeda de poder aquisitivo constante.
• O Princípio do Denominador Comum Monetário expressa a dimensão
essencialmente financeira (avaliação monetária) da contabilidade, na
qual as demonstrações contábeis, sem prejuízo dos registros detalhados
de natureza qualitativa e física, devem ser expressas em termos de
moeda nacional de poder aquisitivo da data do último Balanço
Patrimonial.
• O Princípio da Realização da Receita enuncia que a receita é
considerada realizada e, portanto, passível de registro pela
contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados
pela entidade são transferidos para outra Pessoa Jurídica ou física com
a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de
pagamento especificado perante a entidade produtora;
• O Princípio do Confronto das Despesas com as Receitas e com os
períodos contábeis evidencia que toda despesa diretamente delineável
com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas
deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos,
realizados em determinado período e que não puderam ser associados à
receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser
descarregados como despesa do período em que ocorrerem.
As convenções ou restrições representam, dentro do direcionamento geral dos
Princípios, certos condicionamentos de aplicação, numa ou noutra situação prática.
• A Convenção da Objetividade afirma que para procedimentos
igualmente relevantes, resultantes da aplicação dos princípios, serão
considerados primeiramente os que puderem ser comprovados por
documentos e critérios objetivos ou, então, os que puderem ser
corroborados por consenso de pessoas qualificadas da profissão,
reunidas em comitês de pesquisa ou em entidades que têm autoridade
sobre princípios contábeis.
• A Convenção da Materialidade enuncia que o contador deverá, sempre,
avaliar a influência e materialidade da informação evidenciada ou
negada para o usuário à luz da relação custo-benefício, levando em
conta aspectos internos do sistema contábil.
• A Convenção do Conservadorismo evidencia que entre conjuntos
alternativos de avaliação para o patrimônio, igualmente válidos,
segundo os Princípios Fundamentais, a contabilidade escolherá o que
28
apresentar o menor valor atual para o ativo e o maior para as
obrigações.
• A Convenção da Consistência define que a contabilidade de uma
entidade deverá ser mantida de forma tal que os usuários das
demonstrações contábeis tenham possibilidade de delinear a tendência
destas com o menor grau de dificuldade possível.
4.2 ESTRUTURA CONCEITUAL DA CONTABILIDADE
A análise das Estruturas Conceituais de Contabilidade se faz relevante tendo em
vista a direta relação com o processo normativo, ao estabelecer os objetivos das
demonstrações contábeis, os pressupostos básicos e as características qualitativas das
demonstrações contábeis, fornecendo a orientação fundamental para o estabelecimento de
regras contábeis que facilitem a função informativa da contabilidade.
Estrutura conceitual básica da contabilidade
❖ I - Pressupostos Básicos
I.1 – Regime de Competência: a fim de atingir seus objetivos, demonstrações
contábeis são preparadas conforme o regime contábil de competência, no qual
os efeitos das transações e outros eventos são reconhecidos quando ocorrem e
não quando são recebidos ou pagos, sendo registrados e reportados
contabilmente nas demonstrações contábeis dos períodos a que se referem.
Portanto, apresentam informações sobre transações passadas e outros eventos
que são mais úteis aos usuários na tomada de decisões econômicas.
I.2 – Continuidade: as demonstrações contábeis são normalmente preparadas
no pressuposto de que a entidade está em andamento e continuará em operação
no futuro previsível, presumindo-se, então, que a entidade não tem a intenção
nem a necessidade de entrar em liquidação, nem reduzir materialmente a
escala das suas operações.
❖ II - Características Qualitativas das Demonstrações Contábeis: são os
atributos que tornam as demonstrações contábeis úteis para os usuários
II.1 – Compreensibilidade: as informações apresentadas nas demonstrações
contábeis devem ser prontamente entendidas pelos usuários.
II.2 – Relevância: as informações para serem úteis devem ser relevantes às
necessidades dos usuários na tomada de decisões, ou seja, que possam
influenciar as decisões econômicas dos usuários, ajudando-os a avaliar o
29
impacto de eventos passados, presentes ou futuros ou confirmando ou
corrigindo as suas avaliações anteriores.
II.2.1 – Natureza da informação: implícita no conceito de relevância.
II.2.2 – Materialidade: a relevância das informações é afetada pela sua
natureza e materialidade, dessa forma uma informação é material quando a sua
omissão ou distorção puder influenciar as decisões econômicas dos usuários,
tomadas com base nas demonstrações contábeis.
II.3 – Confiabilidade: para ser útil, a informação deve ser confiável, ou seja,
deve estar livre de erros ou vieses relevantes e representar com propriedade
aquilo que se propõe a demonstrar.
II.3.1 – Representação com Propriedade: para ser confiável, a informação
deve representar com propriedade as transações e outros eventos que ela diz
representar. A maioria das informações contábeis está sujeita a algum risco de
ser menos do que uma representação fiel daquilo que se propõe a retratar.
II.3.2 – Primazia da Essência sobre a Forma: para que a informação
represente com propriedade as transações e outros eventos que ela se propõe a
representar, tornam-se necessárias que as transações e eventos sejam
contabilizados e apresentados de acordo com a sua essência ou substância e a
sua realidade econômica, e não meramente sua forma legal.
II.3.3 – Neutralidade: para ser confiável, a informação contida nas
demonstrações contábeis deve ser neutra, isto é, imparcial, ou seja, que a
escolha ou apresentação da informação não induzam a tomada de decisão ou
um julgamento que vise atingir um resultado predeterminado.
II.3.4 – Prudência: consiste no emprego de certa dose de cautela no exercício
dos julgamentos necessários às estimativas em certas condições de incerteza,
no sentido de que ativos ou receitas não sejam superestimados e que passivos
ou despesas não sejam subestimados.
II.3.5 – Integridade: para ser confiável, a informação constante das
demonstrações contábeis deve ser completa, dentro dos limites de
materialidade e custo.
II.4 – Comparabilidade: a mensuração e apresentação dos efeitos financeiros
de transações semelhantes e outros eventos devem ser feitas de modo
30
consistente pela entidade, ao longo dos diversos períodos, e de modo
consistente por entidades diferentes, capacitando, dessa forma, os usuários a
realizarem comparações ao longo do tempo e com diferentes entidades a fim
de avaliar, relativamente, a sua posição patrimonial e financeira, o
desempenho e as mutações na posição financeira.
Fonte: Audiência Pública CPC nº 3/2007. Deliberação CVM nº 539/08 e Resolução CFC nº 1.121/08
Portanto, ao traduzir a Estrutura Básica elaborada pelo IASB, inaugura-se no
Brasil uma nova postura de apresentação dos Conceitos fundamentais contábeis.
Unidade V - OPERAÇÕES ATIVAS, PASSIVAS E DE APURAÇÃO DE
RESULTADOS
De acordo com o Pronunciamento Conceitual Básico do CPC que estabelece os conceitos
que fundamentam a preparação e apresentação de demonstrações contábeis, destinadas a
usuários externos, temos:
• ATIVO: É um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos
passados e do qual se espera que resultem futuros benefícios econômicos para a
entidade. O benefício econômico futuro embutido em uma ativo é o seu potencial
em contribuir, direta ou indiretamente, para o fluxo de caixa ou equivalente de
caixa para a entidade;
• PASSIVO: É uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já
ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos capazes de
gerar benefícios econômicos. A obrigação normalmente surge somente quando um
ativo é recebido ou a entidade assina um acordo irrevogável de aquisição de ativo
e resultam de transações ou outros eventos passados. Alguns passivos somente
podem ser mensurados com o emprego de um elevado grau de estimativa;
• PATRIMÔNIO LÍQUIDO: É o valor residual dos ativos da Entidade, depois de
deduzidos todos os seus passivos. O valor pelo qual o patrimônio líquido é
apresentado no balanço patrimonial depende da mensuração dos ativos e passivos
e o resultado é frequentemente usado como medida de desempenho ou como base
para outras avaliações, tais como o retorno do investimento ou resultado por ação.
Portanto, um item que se enquadre na definição de ativo ou passivo deve ser reconhecido
(incorporado ao balanço patrimonial ou demonstração do resultado) nas demonstrações
contábeis se:
31
a) for provável que algum benefício econômico futuro venha a ser recebido ou
entregue pela entidade; e
b) ele tiver um custo ou valor que possa ser medido em bases confiáveis.
Os elementos diretamente relacionados com a mensuração do resultado são as receitas e
despesas e podem ser apresentadas na demonstração do resultado de diferentes formas e
utilizadas com diversas combinações, de modo que prestem informações relevantes para a
tomada de decisões. Sob o aspecto conceitual temos ainda o seguinte:
• RECEITAS: São aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil
sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de
passivos, que resultem em aumentos do patrimônio líquido e que não sejam
provenientes de aporte dos proprietários da entidade. A receita surge no curso das
atividades ordinárias de uma entidade e é designada por uma variedade de nomes.
Os Ganhos representam ou outros itens que se enquadram na definição de
receita e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade.
Exemplo: Resultado da venda de ativos não-correntes;
• DESPESAS: São decréscimos nos benefícios econômicos durante o período
contábil sob a forma de saída de recursos ou redução de ativos ou incrementos de
passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam
provenientes de distribuição aos proprietários a entidade. As despesas surgem no
curso das atividades ordinárias da entidade.
As Perdas representam ou outros itens que se enquadram na definição de
despesa e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade.
Exemplo: resultado de sinistros como incêndio e inundações.
5.1 ATIVO CIRCULANTE
DISPONIBILIDADES
Constituem o subgrupo de maior liquidez do Ativo e designam recursos cuja
disponibilidade é imediata. É composto pelas seguintes contas:
• Caixa;
• Banco Conta Movimento ou Depósitos Bancários a Vista;
• Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata;
• Numerários em Trânsito.
32
As normas internacionais de contabilidade costumam utilizar o conceito de
“Caixa e Equivalentes de caixa”. Por Equivalentes de caixa entende-se como aplicações
financeiras de curto prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em um
montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um significante risco de mudança de
valor.
DIREITOS REALIZÁVEIS NO CURSO DO EXERCÍCIO SOCIAL
SUBSEQUENTE
Constituem os direitos que se tornam realizáveis ao longo do exercício social
seguinte ou do ciclo operacional da entidade, caso este seja maior que o exercício social.
Podemos citar as seguintes contas representativas deste subgrupo:
• Duplicatas a Receber;
• Dividendos a Receber;
• Adiantamentos a Terceiros;
• Créditos de Funcionários;
• Tributos a Compensar;
• Juros a Receber;
• Perdas estimadas em crédito de liquidação duvidosa (conta retificadora ou
credora).
Podem ocorrer alguns desdobramentos decorrentes das operações com Duplicatas
a Receber, que dada sua relevância, é importante destacar alguns aspectos conceituais e
contábeis.
a) Desconto de Duplicatas: De acordo com as novas regras contábeis a sua
contabilização é feita no Passivo (obrigações), no entanto, para efeitos didáticos,
vamos tratar do assunto neste momento. O Desconto de Duplicatas é normalmente
utilizado para suprir insuficiências momentâneas de caixa para honrar
compromissos de curto prazo com garantia. A possibilidade de transferência de
duplicata por meio de endosso facilita a captação de recursos por parte do credor
(comerciante).
Assim, o credor de posse de suas duplicatas se dirige a uma instituição financeira
e realiza a operação de desconto bancário de duplicatas, ou seja, ao ter a posse e a
propriedade das Duplicatas, a instituição financeira deposita na conta corrente do credor o
33
valor das duplicatas descontas, líquido dos juros cobrados na transação. Em regra, o valor
do desconto é determinado em função do número de dias que faltam para que os títulos
sejam liquidados. A responsabilidade do credor (comerciante) apenas termina quando
ocorre o pagamento do título pelo devedor.
REGISTROS CONTÁBEIS EFETUADOS NO CREDOR (COMERCIANTE)
QUANDO DO DESCONTO DAS DUPLICATAS JUNTO AO BANCO
(D) Bancos Conta Movimento (Ativo)
(D) Encargos Financeiros a Transcorrer (Conta Retificadora do Passivo
Circulante)
(C) Duplicatas Descontadas (Conta do Passivo Circulante)
REGISTROS CONTÁBEIS EFETUADOS NO CREDOR (COMERCIANTE)
QUANDO DO RECONHECIMENTO DAS DESPESAS FINANCEIRAS
(D) Despesas Financeiras (Resultado do exercício)
(C) Encargos Financeiros a Transcorrer
REGISTROS CONTÁBEIS EFETUADOS NO CREDOR (COMERCIANTE)
QUANDO O DEVEDOR PAGA A DUPLICATA NO SEU VENCIMENTO
(D) Duplicatas Descontadas
(C) Duplicatas a Receber (Ativo)
REGISTROS CONTÁBEIS EFETUADOS NO CREDOR (COMERCIANTE)
QUANDO O DEVEDOR NÃO PAGA A DUPLICATA NO SEU VENCIMENTO
(D) Duplicatas Descontadas
(C) Bancos Conta Movimento
b) Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa: Os credores
(empresas vendedoras) que realizam operações de venda a prazo e que,
consequentemente, assumem o risco relativo a eventuais perdas quando do
recebimento de seus créditos devem efetuar ajuste contábil denominado Perdas
Estimadas com Créditos de Liquidação Duvidosa. Compreende, na realidade, a
antiga Provisão para Devedores Duvidosos (PDD).
34
A estimativa contábil deve ser realizada à luz da melhor técnica e embasada por
critérios que considere o histórico de perdas dessa natureza pela Entidade, ou seja, deve
ser feita perante uma análise detalhada e criteriosa, independente de regras fiscais.
A constituição da Provisão da perda estimada tem como contrapartida contas de
despesas operacionais (Despesas com Vendas) e quando o valor do crédito se torna
efetivamente incobrável, sua baixa da conta de Clientes ou Duplicatas e Receber deve ser
feita tendo como contrapartida a própria conta redutora.
REGISTROS CONTÁBEIS EFETUADOS NO CREDOR (COMERCIANTE)
QUANDO DA CONSTITUIÇÃO DAS PERDAS ESTIMADAS EM CRÉDITOS DE
LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA
(D) Despesas com Créditos de Liquidação Duvidosa (despesa com Vendas)
(C) Perdas Estimadas com Créditos de Liquidação Duvidosa (Conta retificadora
de Ativo)
REGISTROS CONTÁBEIS CORRESPONDENTES À BAIXA DOS TÍTULOS DE
CRÉDITO CONSIDERADOS INCOBRÁVEIS
(D) Perdas Estimadas com Créditos de Liquidação Duvidosa
(C) Duplicatas a Receber
ESTOQUES
Os Estoques estão intimamente ligados às principais áreas de operação das
Entidades Comerciais e Industriais, portanto representam um dos ativos mais importantes
do Capital Circulante e da posição financeira da Entidade.
Os estoques são bens tangíveis ou intangíveis adquiridos e/ou produzidos pela
empresa visando venda ou utilização no curso normal de suas atividades. De acordo com
o CPC 16, os estoques são ativos mantidos para venda no curso normal dos negócios; em
processo de produção para venda; ou na forma de materiais ou suprimentos a serem
consumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços.
O subgrupo estoques pode possuir as seguintes contas contábeis:
Produtos acabados, Mercadorias para revenda, Produtos em elaboração,
Mercadorias em trânsito, Adiantamento a fornecedores, Perdas estimadas, etc.
35
Um dos aspectos mais complexos da Contabilidade corresponde à apuração e
determinação dos custos dos estoques. Uma vez conhecido o custo dos estoques, ou seja,
dos componentes do custo de aquisição e produção, o problema recai no fato da empresa
possuir o mesmo produto ou mercadoria adquirida em datas distintas e custos diferentes.
As possibilidades de atribuição de valor unitário sempre baseado no custo ou no
valor de aquisição são as seguintes:
• Preço Específico: Significa valorizar cada unidade do estoque ao preço
efetivamente pago para cada item especificamente determinado. Na grande
maioria dos casos, é impossível ou economicamente inconveniente tal
método de avaliação.
• PEPS (FIFO): O primeiro item que entra é o primeiro que sai.
• UEPS (LIFO): O último item que entra é o primeiro que sai.
• CUSTO MÉDIO: É apurado um valor médio dos itens que ingressaram
nos estoques que será utilizado nas baixas dos estoques.
A seguir o assunto é melhor detalhado:
Sistemas de Inventário
Com a finalidade de se identificar o valor do Custo da Mercadoria Vendida
(CMV), o valor de seus estoques e o Resultado obtido com as suas operações de compra e
venda de mercadorias (RCM) ou Resultado Bruto com Mercadorias (RBM), podem ser
adotados os Sistemas de Inventário Periódico e o Sistema de Inventário Permanente.
Sistema de Inventário Periódico
Este sistema de inventário é assim chamado porque a sua realização depende da
apuração do estoque final através de um inventário para fins de avaliação do CMV, fato
que ocorre periodicamente. Neste sistema a identificação do CMV ocorre com o
levantamento do Inventário Final, aplicando-se a seguinte equação matemática:
CMV = EI + C – EF
Onde:
CMV = Custo da Mercadoria Vendida
EI = Estoque Inicial
C = Compras
EF = Estoque Final
36
Sistema de Inventário Permanente
Neste sistema de avaliação de estoques, o CMV é apurado permanentemente com
o auxílio de uma “ficha de controle de estoques”. Este sistema de inventário pode utilizar
os métodos PEPS (ou FIFO) – “Primeiro que entra é o primeiro que sai” (First-In-First-
Out), UEPS (ou LIFO) – “Último que entra é o primeiro que sai” (Last–In–First–Out) ou
CUSTO MÉDIO ou Média Ponderada Móvel.
• Método PEPS:
Nesse método o CMV é identificado tomando-se por base de custos o preço mais
antigo da mercadoria mais antiga a ingressar nos estoques.
• Método UEPS:
Neste método o CMV é identificado tomando-se por base de custos o preço mais
recente da mercadoria que ingressou por último nos estoques.
• Método do Custo Médio:
Neste método o CMV é identificado com base na média aritmética dos custos de
aquisição dos itens que ingressaram nos estoques.
A combinação entre os dois métodos e os dois sistemas resulta em três maneiras
diferentes que podem ser adotadas para se registrar e controlar as operações com
mercadorias:
= Conta Mista com Inventário Periódico;
= Conta Desdobrada com Inventário Periódico; e
= Conta Desdobrada com Inventário Permanente.
Outros elementos de operações com mercadorias
Todos os gastos necessários à compra de um item de estoque devem ingressar à
base de custos, somando-se ao valor das compras. Exemplos: Fretes, Seguros, Tarifas
alfandegárias, etc. Os abatimentos obtidos sobre compras, bem como as devoluções,
devem ser adicionados ou subtraídos das compras, sendo o mesmo raciocínio aplicado às
vendas. Os descontos obtidos por conta de pagamento de faturas de compras antes do
vencimento são denominados “Descontos Financeiros”, tratados como receitas, não sendo
componente do CMV.
37
Exemplo: Estoque inicial de 10 peças de $ 1.000, cada, num total de $ 10.000 em
01/OUT.
MOVIMENTAÇÃO:
Em 02/OUT – Compra de 10 peças a $ 1.200, cada;
Em 05/OUT – Venda de 15 peças a $ 3.000, cada;
FICHA DE CONTROLE DE ESTOQUES
NO MÉTODO PEPS:
ENTRADA SAÍDAS SALDOS
DATA Qtd VALOR Qtd VALOR Qtd VALOR
Unit. Total Unit. Total Unit. Total
01/out - - - - - - 10 1.000,00 10.000,00
02/out 10 1.200,00 12.000,00 - - - 10 1.000,00 10.000,00
- - - 10 1.200,00 12.000,00
05/out 10 1.000,00 1.000,00
5 1.200,00 6.000,00
15 16.000,00 5 1.200,00 6.000,00
NO MÉTODO UEPS:
ENTRADA SAÍDAS SALDOS
DATA Qtd VALOR Qtd VALOR Qtd VALOR
Unit. Total Unit. Total Unit. Total
01/out - - - - - - 10 1.000,00 10.000,00
02/out 10 1.200,00 12.000,00 - - - 10 1.000,00 10.000,00
- - - 10 1.200,00 12.000,00
05/out 10 1.200,00 12.000,00
5 1.000,00 5.000,00
15 17.000,00 5 1.000,00 5.000,00
38
NO CUSTO MÉDIO:
ENTRADA SAÍDAS SALDOS
DATA Qtd VALOR Qtd VALOR Qtd VALOR
Unit. Total Unit. Total Unit. Total
01/out - - - - - - 10 1.000,00 10.000,00
02/out 10 1.200,00 12.000,00 - - - 20 1.100,00 22.000,00
05/out 15 1.100,00 16.500,00 5 1.100,00 5.500,00
RESUMO COMPARATIVO DOS MÉTODOS
PEPS UEPS C. MÉDIO
VENDAS: 05/OUT : 15 X $ 3.000 = 45.000 45.000 45.000
(-) CMV: 15 PEÇAS (16.000) (17.000) (16.500)
LUCRO BRUTO 29.000 28.000 28.500
Considerações Adicionais Sobre o Inventário
O inventário deve abranger todas as mercadorias de propriedade da empresa, quer
estejam em seu poder, quer sob a custódia de terceiros, excluídas, porém, as mercadorias
de propriedade de terceiros que estejam em poder da empresa. Portanto, a inclusão de
mercadorias no inventário deve basear-se, como regra geral, no critério da propriedade e
não no da posse.
Atenção também deve ser dada, por ocasião dos inventários, à mercadoria que está
em trânsito da empresa para o comprador. Nestes casos, as condições contratuais e o
momento exato da liberação e despacho é que vão determinar a inclusão ou não da
mercadoria no inventário da empresa.
Na operação de Consignação, o consignante mantém a propriedade da mercadoria
até que o consignatário a venda. Assim, quando aquele remete a mercadoria para este, não
há registro de venda no consignante nem de compra no consignatário. O estoque, apesar
de fisicamente nas mãos de um, está no balanço de outro. Quando o consignatário vender
a mercadoria, aí sim este fará seu registro de venda. Tudo porque o consignatário pode
devolver a mercadoria e nada lhe poderá ser cobrado pelo consignante.
39
5.2 ATIVO NÃO CIRCULANTE
ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO
Os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os
derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou
controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da Entidade, que não
constituírem negócios usuais na exploração do seu objeto social.
Pode ser dividido em subgrupos como:
• Créditos e valores (ex: Contas a Receber, crédito de acionistas e diretores,
impostos e contribuições a recuperar);
• Investimentos Temporários a longo prazo;
• Despesas antecipadas (ex: prêmios de juros a apropriar a longo prazo)
A Lei 11.638/07 introduziu o desconto a valor presente para as contas a receber e
a pagar a longo prazo e, dependendo da relevância, para as contas de curto prazo. Em
consonância com a Lei, o CPC 12 prevê o seguinte: “os elementos integrantes do Ativo e
do Passivo decorrentes de operações de longo prazo, ou de curto prazo quando houver
efeito relevante, devem ser ajustados a valor presente com base em taxas de desconto que
reflitam as melhores avaliações do mercado quanto ao valor do dinheiro no tempo e os
riscos específicos do ativo e do passivo em suas datas originais”.
Exemplo: Foi efetuada uma operação de venda pelo valor prefixado de R$
10.000,00 para ser recebida em 14 meses. A taxa de juros é de 2% ao mês.
O valor presente calculado da transação corresponde a R$ 7.578,75 e,
consequentemente, o Ajuste a Valor Presente (AVP) é de R$ 2.421,25.
A contabilização da operação é a seguinte:
1) Pelo Registro da Venda:
(D) Contas a Receber (Não Circulante)
(C) Receita Bruta de Vendas (resultado) 10.000,00
40
2) Pelo registro do AVP
(D) Receita Bruta de Vendas
(C) AVP – Rec. financ. a apropriar 2.421,25
(redutora das contas a receber de longo prazo)
3) Pela apropriação dos juros
(D) AVP - Receita financ. a apropriar
(C) Receita Financeira 151,57
INVESTIMENTOS
As participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer
natureza, não classificáveis no Ativo Circulante, e que não se destinem à manutenção da
atividade da Companhia. O caráter permanente consiste na destinação dos Investimentos
para produzir benefícios pela sua permanência na Entidade.
São classificadas as seguintes contas nessa rubrica:
• Participações Permanentes em sociedades avaliadas por equivalência patrimonial;
• Participações em outras sociedades;
• Ágio (Goodwill) sobre investimentos
• Propriedades para investimentos (terrenos alugados);
• Obras de arte;
• etc.
De acordo com a Lei 6.404/76, os investimentos em participação no capital de
outras sociedades possuem dois critérios de avaliação, dependendo da existência de
influência significativa ou de controle:
• Pela Equivalência Patrimonial, ou seja, pela participação no valor do patrimônio
líquido da coligada ou controlada;
• Pelo custo menos provisão para perdas, também denominado método de custo.
Tratando mais especificamente do método da equivalência patrimonial, a
contabilização do ajuste no investimento permanente que pode ser positivo ou negativo.
O ajuste positivo corresponde a uma Receita de Equivalência Patrimonial (Conta de
Resultado) e o ajuste negativo compreende uma Despesa de Equivalência Patrimonial.
41
REGISTRO CONTÁBIL DO AJUSTE POSITIVO:
(D) Investimentos em coligadas ou controladas
(C) Receita de equivalência Patrimonial.
REGISTRO CONTÁBIL DO AJUSTE NEGATIVO:
(D) Despesa de equivalência patrimonial
(C) Investimentos em coligadas ou controladas
Quando uma Companhia adquirir ações de uma empresa já existente, pode
aparecer a figura da mais-valia e/ou do ágio (ou deságio) que integrará o custo do
investimento. Para a sua determinação é necessário que na data-base da aquisição das
ações seja apurado o valor justo dos ativos líquidos da investida e, também, o valor
contábil de seu patrimônio líquido.
Portanto, a diferença encontrada entre o valor pago na aquisição do Investimento
permanente e o valor contábil do Patrimônio Líquido adquirido pode corresponde a
existência de mais-valia e/ou ágio por rentabilidade futura (goodwill).
Valor pago pela aquisição Valor justo dos ativos líquidos da investida
(-) Valor justo dos ativos líquidos da (-) Valor do Patrimônio Líquido adquirido
investida
(=) Ágio por Rentabilidade Futura (=) Mais-valia
(Goodwill)
A definição de valor justo pelo CPC é “o valor pelo qual um ativo pode ser
negociado ou um passivo liquidado, entre partes interessadas, conhecedoras do negócio e
independentes entre si, com a ausência de fatores que pressionem para a liquidação da
transação ou que caracterizem uma transação compulsória”.
De acordo com o IASB, os principais métodos que podem ser utilizados na
determinação do valor justo são: Valor de mercado, Custo de reposição e Fluxo de caixa
descontado.
Vale ressaltar que de acordo com o item 32 do CPC 15 o “valor justo dos ativos
líquidos” corresponde ao valor justo dos ativos identificáveis adquiridos, líquido dos
passivos assumidos.
42
IMOBILIZADO
Compreende os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à
manutenção das atividades da Entidade ou exercidos com essa finalidade, inclusive os
decorrentes de operações que transfiram à Entidade os benefícios, riscos e controle desses
bens.
As contas que compõem o Ativo Imobilizado são:
• Terrenos, Veículos, Móveis e utensílios, Reflorestamento, Benfeitorias em
propriedades arrendadas, construções em andamento, Adiantamentos a
fornecedores de imobilizado, instalações, etc.
• Depreciação, Amortização, Exaustão acumulada (contas retificadoras);
• Perdas estimadas por redução ao valor recuperável.
De acordo com a Lei 6.404/76, os direitos são classificados no imobilizado pelo
custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou
exaustão.
A maioria dos ativos classificados no imobilizado possui vida útil limitada no
tempo. O tempo de vida útil do bem corresponde o período durante o qual é possível a sua
utilização econômica. Os benefícios econômicos futuros incorporados no ativo são
consumidos pela entidade, principalmente por meio de seu uso. No entanto, outros fatores
como a obsolescência e o desgaste normal contribuem para a diminuição dos benefícios
econômicos que poderiam ter sido obtidos do ativo.
O art. 183 da Lei 6.404/76 estabelece que:
“A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrado
periodicamente nas contas de:
a) Depreciação, quando corresponder à perda dos direitos que têm por objeto bens
físicos sujeitos a desgastes ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou
obsolescência;
b) Amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na
aquisição de direitos de propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros
43
com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de
utilização por prazo legal ou contratualmente limitado;
c) Exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente de sua exploração,
de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados
nessa exploração”.
Portanto, a depreciação corresponde a diminuição do valor dos direitos que têm
por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza
ou obsolescência.
É importante destacar que para fins contábeis não se deve simplesmente aceitar e
adotar as taxas de depreciação estabelecidas pelo Fisco, pois tais taxas deverão ser
utilizadas apenas para fins de apuração de tributos.
Por meio de Instruções Normativas, a RFB (Receita Federal do Brasil) estabelece
taxas anuais de depreciação como, por exemplo: Edifícios (4%), Máquinas e
Equipamentos (10%), Instalações (10%), Móveis e utensílios (10%), Veículos (20%), etc.
O valor depreciável (amortizável ou exaurível) de um ativo imobilizado é
determinado pela diferença entre o custo reconhecido (contabilizado) e o valor residual. O
valor depreciável deve ser apropriado ou contabilizado no resultado do exercício ou ao
valor contábil de outro ativo de forma sistemática ao longo da vida útil estimada para o
ativo.
O valor residual (valor que não sofrerá os efeitos da depreciação ao longo do
processo, pois ao final da vida útil, o bem ainda possui algum valor ou resíduo) e a vida
útil de um ativo imobilizado devem, portanto, ser revisados no mínimo uma vez por ano e
de forma regular.
O registro contábil da depreciação é feito da seguinte forma:
(D) Despesa ou Custo (conta de resultado do exercício)
(C) Depreciação Acumulada (conta retificadora de ativo)
Exemplo: Um bem do ativo imobilizado, no valor de R$ 45.000,00 (custo) foi
colocado em funcionamento em Março de 2013. O valor residual estimado do bem é de
R$ 8.000,00 e o seu tempo de vida útil foi estimado em 5 anos.
Valor de aquisição do bem: R$ 45.000,00
44
(-) Valor residual do bem: R$ 8.000,00
(=) Valor depreciável: R$ 37.000,00
Quota de Depreciação Anual: R$ 37.000,00 / 5 = R$ 7.400,00
Quota de Depreciação Mensal: R$ 7.400,00 / 12 = R$ 616,66.
Registro Contábil em Março de 2013:
(D) Despesa de Depreciação
(C) Depreciação acumulada R$ 616,66
Ainda sobre a avaliação dos ativos imobilizado e intangível, a Lei 11.941/09
introduziu o seguinte procedimento: “A Companhia deverá efetuar, periodicamente,
análise sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado e no intangível, a fim
de que sejam revisados e ajustados os critérios utilizados para a determinação da vida útil
econômica estimada e para o cálculo da depreciação, exaustão e amortização”.
Redução ao valor recuperável (“impairment”) – Conforme Pronunciamento do
CPC 01 e 27, se os ativos estiverem avaliados por valor superior ao valor recuperável por
meio do uso ou da venda, a entidade deverá reduzir esses ativos ao seu valor recuperável.
Na prática, são aplicados dois testes: o do valor líquido da venda ou do valor
presente dos fluxos de caixa futuros estimados, prevalecendo sempre dos dois o maior.
Caso o valor do ativo seja superior ao seu valor recuperável, a entidade reduz o ativo a
esse valor através de uma conta credora denominada “Perdas estimadas por redução ao
valor recuperável” (conta retificadora do ativo).
(Valor líquido de venda > Valor presente dos fluxos de caixa futuros estimados) = “A”
(Valor presente dos fluxos de caixa futuros estimados > Valor líquido de venda) = “B”
Valor contábil líquido (-) “A” ou “B”; Se:
Valor Líq. Contábil > “A” ou “B” → Perdas estimadas por redução ao valor recuperável;
Valor Líq. Contábil < “A” ou “B” → Não há registro de perda.
Exemplo: Uma determinada Companhia possui um bem do Ativo Imobilizado
registrado por R$ 160.000,00, sendo R$ 200.000,00 de custo e R$ 40.000,00 de
45
Depreciação Acumulada. Ao longo do Exercício de 2012, a Sociedade Empresária
constatou que o valor de mercado desse ativo diminuiu relevantemente.
A Cia levantou, então, o valor de venda e o valor em uso através dos fluxos de
caixa futuros que esse bem pode gerar para a empresa ao longo de sua vida útil. Os dados
utilizados foram:
• Vida útil remanescente do imobilizado foi estimado em 5 anos;
• O valor de venda foi estimado em R$ 132.000,00, sendo que o gasto para colocá-
lo em condições de venda foi calculado em R$ 16.000,00. Portanto, o valor
líquido de venda apurado foi de R$ 116.000,00;
• Os fluxos de caixa futuros estimados, respaldados em estudo técnico de avaliação,
totalizaram, em cinco anos, R$ 126.776,00, conforme tabela abaixo:
Período Fluxos de caixa Valor presente
estimado (nominal) em R$ dos fluxos estimados em R$
2013 50.700,00 44.087,00
2014 42.400,00 32.060,00
2015 35.000,00 23.013,00
2016 28.300,00 16.181,00
2017 23.000,00 11.435,00
Total 179.400,00 126.776,00
Obs. A taxa de desconto adotada foi de 15% a.a.
Com base nessas informações o valor recuperável do ativo imobilizado foi de R$
126.776,00 (valor em uso), ou seja, maior que o valor líquido de venda (R$ 116.000,00) e
menor que o valor líquido contábil (R$ 160.000,00). Assim, a Cia reconheceu uma perda
por desvalorização, reduzindo o valor contábil do bem em R$ 33.224,00.
O lançamento contábil efetuado foi o seguinte:
(D)Perda por desvalorização (resultado do período)
(C) Perdas estimadas por valor não recuperável (redutora do imobilizado) 33.224,00
46
INTANGÍVEL
São classificados no Ativo Intangível os direitos que tenham por objeto bens
incorpóreos destinados à manutenção da Companhia ou exercidos com essa finalidade,
inclusive o fundo de comércio adquirido (goodwill). Neste caso, o fundo de comércio
(denominado pela Lei 6.404/76) significa o ágio, por expectativa de rentabilidade futura,
pago quando da aquisição de um investimento.
Três aspectos devem ser considerados cumulativamente para reconhecimento de
um ativo intangível: Identificação, Controle e Geração de Benefícios Futuros. Caso um
item não atenda à definição de ativo intangível, o gasto incorrido na sua aquisição ou
geração interna deve ser reconhecido como despesa quando incorrido.
São exemplos de Ativo Não Circulante Intangível:
• Marcas; Patentes; Licenças e Franquias; Linhas telefônicas; Direitos autorais;
Protótipos; Concessões obtidas de serviços públicos, etc.
Quanto ao tratamento contábil dos gastos com pesquisa e desenvolvimento para
ativos intangíveis há de se considerar o seguinte:
• Durante a fase de pesquisa de projeto interno, a Entidade não está apta a
demonstrar a existência de ativo intangível que gerará, provavelmente, benefícios
econômicos futuros. Logo, tais gastos devem ser reconhecidos como Despesa do
exercício quando incorridos;
• Um ativo intangível resultante de desenvolvimento (ou da fase de
desenvolvimento de projeto interno) deve ser reconhecido contabilmente somente
se a Entidade puder demonstrar determinados aspectos, como a sua intenção,
viabilidade técnica e/ou capacidade de conclusão do projeto para seu uso ou
venda; demonstrar a forma como deve gerar benefícios econômicos futuros e a
existência de mercado; capacidade de mensurar com segurança os gastos
atribuíveis ao ativo intangível, etc.
A contabilização do Ativo Intangível baseia-se na sua vida útil. Um Ativo
Intangível com vida útil definida deve ser amortizado, enquanto a de um a Ativo
Intangível com vida útil indefinida não. Diversos fatores são considerados na
determinação da vida útil de um Ativo Intangível, como a sua utilização prevista pela
Entidade; os ciclos de vida típicos de produtos do ativo; informações públicas sobre
47
estimativas de Dida útil de ativos semelhantes; obsolescência técnica, tecnológica ou
comercial; limites legais para sua utilização, etc.
A amortização de bens do Ativo intangível (vida útil definida) corresponde à
diminuição de seu valor, ou seja, à perda de valor do capital aplicado na aquisição de
ativo intangível com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam
bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado.
O registro contábil da amortização do Ativo Intangível é:
(D) Despesa ou custo (resultado do exercício)
(C) Amortização Acumulada.
DIFERIDO
A Lei 11.941/09 alterou a Lei 6.404/76, revogando o inciso V do art. 179. Assim,
não é mais permitido realizar registros contábeis no Ativo Permanente Diferido. De
acordo com a nova legislação, o saldo existente em 31/12/2008, no Ativo Permanente
Diferido que, por sua natureza, não puder ser alocado a outro grupo de contas
(imobilizado ou intangível), poderá permanecer no Ativo sob essa classificação até sua
completa amortização, sujeito, ainda, à análise sobre a recuperação de valores (teste de
recuperabilidade de custos).
5.3 PASSIVO CIRCULANTE
O passivo circulante é representado pelas obrigações da Entidade cuja liquidação
se espera que ocorra dentro do exercício social seguinte ou de acordo com o seu ciclo
operacional, se esse for superior a esse prazo. Estas obrigações podem representar
valores fixos ou variáveis, vencidos ou a vencer, em uma data ou diversas datas futuras.
Portanto, o Passivo Circulante é composto dos seguintes agrupamentos ou contas:
Fornecedores; Obrigações Fiscais (ICMS, PIS, IRPJ, COFINS, IPI, INSS, FGTS, ISS,
etc); Empréstimos e Financiamentos; Provisões, Dividendos a Pagar, Salários a Pagar;
Aluguéis a pagar; Adiantamentos de Clientes, Debêntures, etc.
Exemplo de contabilização:
48
• Na aquisição de mercadorias de estoque à prazo:
(D) Mercadorias em estoque (conta do Ativo Circulante)
(C) Fornecedores no País (conta do Passivo Circulante)
• No pagamento do Fornecedor:
(D) Fornecedores no País
(C) Banco conta movimento (conta do Ativo Circulante)
5.4 PASSIVO NÃO CIRCULANTE
São registradas as obrigações da Entidade cuja liquidação deverá ocorrer em prazo
superior a seu ciclo operacional, ou após o exercício social seguinte, e que não se
enquadrem nas definições de Passivo Circulante.
O Passivo Não Circulante é composto dos seguintes agrupamentos ou contas:
Empréstimos e Financiamentos; Debêntures e outros títulos de dívida; IR e CSL
diferidos; Provisão para Contingência; REFIS, Receitas Diferidas, etc.
A forma de registro contábil é similar ao visto no Passivo Circulante, destacando
apenas a reclassificação contábil de parcelas das obrigações do Não Circulante para o
Passivo Circulante, quando aplicável.
A Lei 11.638/07 introduziu o desconto a valor presente para as contas a receber e
a pagar de longo prazo e, dependendo da relevância, para as contas de curto prazo. Em
consonância com a Lei, o CPC 12 prevê o seguinte: “os elementos integrantes do Ativo e
do Passivo decorrentes de operações de longo prazo, ou de curto prazo quando houver
efeito relevante, devem ser ajustados a valor presente com base em taxas de desconto que
reflitam as melhores avaliações do mercado quanto ao valor do dinheiro no tempo e os
riscos específicos do ativo e do passivo em suas datas originais”.
Exemplo: Uma Cia adquiriu, em dezembro/X1, um equipamento a prazo no valor
de R$ 50.157,00 que deverá ser pago em 5 (cinco) parcelas anuais de R$ 10.031,00. A
taxa de juros da operação é de 20% ao ano.
49
O valor presente da transação é de R$ 30.000,00 (cálculo financeiro),
consequentemente os encargos financeiros a transcorrer da transação correspondem a R$
20.157,00.
A contabilização da operação é a seguinte:
(D) Equipamentos (pelo valor presente no ANC) 30.000,00
(D) Encargos financeiros a transcorrer (conta redutora do passivo) 20.157,00
(C) Financiamentos 50.157,00
No Passivo Circulante serão registrados contabilmente o valor de R$
10.031,00 na conta de Financiamentos e de R$ 1.672,00 na conta de Encargos financeiros
a transcorrer.
No Passivo Não Circulante serão contabilizados o montante de R$
40.126,00 na conta de Financiamentos e de R$ 18.485,00 na conta de Encargos
financeiros a transcorrer.
Ao final de cada ano serão contabilizados os valores relativos a apropriação dos
encargos financeiros (R$ 1.672,00) e do pagamento das parcelas do financiamento (R$
10.031,00).
Obs. RESULTADO DE EXERCÍCOS FUTUROS
O antigo Grupo Contábil RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS foi extinto
pela Lei 11.941/09. Este grupamento compreendia as receitas recebidas antecipadamente,
que afetariam resultados futuros, e que não tivessem a garantia de devolução da quantia
antecipadamente recebida, nem nenhuma contrapartida futura na forma de entrega de
bens ou prestação de serviços. Com a mudança, o saldo existente em 31/12/2008 deveria
ser reclassificado para o Passivo Não Circulante em conta representativa de Receita
Diferida. O seu registro contempla não apenas a receita diferida, mas também o
respectivo custo diferido.
50
5,5 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
No Balanço Patrimonial, a diferença entre o valor dos Ativos e dos Passivos
representa o Patrimônio Líquido (PL). Conforme o Pronunciamento Técnico CPC 00, o
PL é definido como o interesse residual nos ativos da Entidade depois de deduzidos todos
os seus passivos. Também é denominado Recursos Próprios ou Capital Próprio.
1º) Capital Social – As contas representativas do Capital subscrito e, por dedução, a
parcela ainda não realizada. As principais contas pertencentes a este grupo são: Capital e
Capital a Integralizar (esta como redutora daquela).
Portanto, o capital social realizado ou capital social integralizado ou capital social
contábil e a conta que apresenta o total de recursos realizados (entregues) pelos sócios ou
proprietários à Entidade, para que suas atividades possam ser desenvolvidas.
Exemplo:
Os sócios resolveram entregar à sociedade, de imediato e em dinheiro, R$
200.000,00, quantia esta definida no estatuto da Companhia como sendo seu capital
inicial. Dias depois fizeram a transferência dos recursos para uma conta-corrente bancária
aberta em nome da sociedade.
Registro contábil:
a) Pelo reconhecimento do compromisso assumido pelos sócios.
( D ) Capital a Realizar
( C ) Capital Social 200.000,00
b) Pela entrega ou depósito de R$ 200.000,00 para a Companhia.
( D ) Bancos
( C ) Capital a Realizar 200.000,00
2º) Reservas de Capital – As contas que registrarem:
• Os valores recebidos, a título de ágio na subscrição de ações, que ultrapassarem a
importância destinada à formação do Capital Social;
51
• produto de alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição;
Com a nova Lei 11.638/07, as doações e subvenções para investimentos agora
podem integrar o resultado, como receitas. O prêmio recebido na emissão de debêntures
também deixa de ser reserva de capital podendo ser classificado como resultado.
3º) Ajuste de Avaliação Patrimonial – Serão computados enquanto não registrados no
resultado do exercício em obediência ao princípio da competência, as contrapartidas de
aumentos e diminuições de valor atribuído a elementos do ativo e passivo, em decorrência
de sua avaliação ao valor justo (Parágrafo 5° do art. 177, Inciso I do caput do art 183 e
Parágrafo 3° do art. 266, da Lei 11.638/2007)
4º) Reservas de lucros – As contas constituídas pela apropriação de lucros da empresa.
Essas reservas podem ser constituídas por imposição legal (Reserva Legal), por
determinação estatutária (Reservas Estatutárias) e por propostas aprovadas pelos
proprietários – sócios e acionistas – com finalidades específicas (Reservas para
Contingências, Reservas para Expansão, etc.).
5º) Prejuízos Acumulados – Os prejuízos do exercício são transferidos para a conta
Prejuízos Acumulados e aí permanecem até a obtenção de lucro para compensação do
prejuízo de acordo com a legislação em vigor.
6º) Ações em Tesouraria – As contas representativas de Ações em Tesouraria (Ações
emitidas pela própria empresa e por ela readquiridas) são destacadas no Balanço
Patrimonial como redutoras das contas do Patrimônio Líquido que registrarem a origem
dos recursos aplicados em sua aquisição. Representam capital devolvido a certos sócios.
Obs. RESERVA DE REAVALIAÇÃO
A Lei 11.638/07 eliminou a possibilidade, introduzida pela Lei 6.404/76, de uma
Entidade, de forma espontânea, avaliar seus ativos Poe seu valor de mercado quando este
é superior ao custo, ou seja, de proceder à reavaliação.
52
Unidade VI - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
BALANÇO PATRIMONIAL - BP
Conceito
Demonstração contábil que apresenta a situação patrimonial e financeira da
empresa em dado momento, ou seja, de forma estática.
A Lei no. 6.404/76 - Lei das Sociedades por Ações (S/A) - dita normas e
princípios contábeis, inclusive na forma e conteúdo do Balanço. Ela determina que no
Ativo as contas devem estar dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos
elementos nela registrados e no Passivo as contas devem estar dispostas em ordem
decrescente de grau de exigibilidade.
• Conteúdo do Balanço
As contas do Balanço classificam-se em vários grupos e subgrupos, no seguinte
esquema:
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Conteúdo do Balanço
ATIVO PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE
Disponível Salários e encargos
Clientes Fornecedores
Outros créditos Obrigações fiscais
Investimentos Temporários Empréstimos e financiamentos
Estoques Debêntures e outros títulos
Ativos especiais Outras obrigações
Despesas do exercício seguinte pagas
antecipadamente
ATIVO NÃO CIRCULANTE (**) PASSIVO NÃO CIRCULANTE (**)
- Ativo Realizável a Longo Prazo (**) Empréstimos e financiamentos
- Investimentos Debêntures e outros títulos
- Ativo Imobilizado IR e CS diferidos
- Intangível (*) Provisões de longo prazo
- Diferido (**) - extinto
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital Social
Reservas de Capital
Ajuste de Avaliação Patrimonial (*)
Reservas de Lucro
Ações em Tesouraria
Prejuízos Acumulados (*)
(*) Lei 11.638/2007
(**) Alterado pela Lei 11.941/09 (*) Lei 11.638/2007
Total do Ativo Total do Passivo
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Critérios de Classificação do Ativo
De acordo com a Lei n.º 6.404 de 15-12-1976, no Ativo as contas devem estar
dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nela registrados, nos
seguintes grupos:
1º) Ativo Circulante
• As disponibilidades
Exemplos: Caixa, Banco c/ Movimento, Aplicações de Liquidez Imediata.
• Os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente.
Exemplos: Duplicatas a Receber, Duplicatas Descontadas, Provisão p/ Créditos
Duvidosos, Títulos a Receber, Bancos c/ Vinculada, Estoques etc.
• As aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte.
Exemplo: Despesas de Seguro a Apropriar.
2º) Ativo Não Circulante, antigos Ativo Realizável a Longo Prazo e Ativo Permanente:
(Alterado pela Lei 11.941/09)
As contas representativas dos bens e direitos realizáveis após o término do
exercício seguinte e as dos bens e direitos oriundos de negócios não operacionais
realizados com coligadas, controladas, proprietários, sócios, acionistas e diretores.
Exemplos: Conta a Receber de Longo Prazo, Empréstimos a Controladas, Depósitos
Judiciais etc.
• Em Investimento, as contas representativas dos bens e direitos por participações
permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza não classificáveis no
Ativo Circulante, que não se destinem à manutenção da atividade da sociedade.
Exemplos: Participações em Coligadas, Provisões para perdas, Obras de Arte, Imóveis
não de Uso etc.
• No Ativo Imobilizado, as contas representativas dos direitos que tenham por objeto
bens destinados à manutenção das atividades da empresa, ou exercidos com essa
finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial.
Exemplos: Imóveis, Veículos, Instalações, Móveis e Utensílios, Benfeitorias em
Propriedade de Terceiros, Depreciação, etc.
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• No Ativo Intangível, as contas representativas dos bens incorpóreos destinados à
manutenção da atividade básica da empresa.
Exemplo: Marcas e Patentes
• No Ativo Diferido (extinto), as contas representativas das aplicações de recursos em
despesas que contribuirão para a formação do resultado de exercício (s) futuro (s).
Exemplo: Despesas de Pré-Operação. (Alterado pela 11.941/09)
Critérios de Classificação do Passivo
De acordo com a Lei n.º 6.404/76 e alterações, no Passivo as contas devem estar
dispostas em ordem decrescente de grau de exigibilidade dos elementos nela registrados,
nos seguintes grupos:
1º) Passivo Circulante
As contas representativas das obrigações da sociedade que vencerem no exercício
social seguinte.
Exemplos: Fornecedores, Salários e Encargos a Pagar, Empréstimos, Debêntures,
Encargos Financeiros a Pagar, Impostos a recolher, Provisão para Imposto de Renda etc.
2º) Passivo Não Circulante – antigo Exigível a Longo Prazo (Alterado pela 11.941/09)
As contas representativas das obrigações com vencimentos após o término do
exercício social seguinte.
Exemplos: Financiamentos, Debêntures, Encargos Financeiros a Pagar, Retenções
Contratuais etc.
Critérios de Classificação do Patrimônio Líquido
De acordo com a Lei n.º 6.404/76, são classificadas no Patrimônio Líquido as
contas representativas:
• Dos investimentos dos proprietários na sociedade;
• De valores recebidos como doações e subvenções para investimentos;
• Das reservas oriundas de lucros; e
• Das reservas provenientes de reavaliação de Ativos.
As contas pertencentes ao Patrimônio Líquido estão distribuídas nos seguintes
grupos:
56
• Capital Social;
• Reservas de Capital;
• Ajustes de Avaliação Patrimonial;
• Reservas de Lucros;
• Ações em Tesouraria;
• Prejuízos Acumulados.
Capital
Corresponde ao investimento efetuado pelos acionistas. O valor que consta do
Patrimônio Líquido no subgrupo capital é o capital realizado, ou seja, o capital
efetivamente integralizado pelos sócios.
Reservas
Reservas ➔ Representam os recursos contabilizados ou contas do Patrimônio
Líquido, que visam manter a integralidade do capital social ou garantir a realização de
investimentos com recursos próprios.
Tipos de Reservas
Lucros RESERVA Capital
a) Reserva de Lucros ➔ Representa a parcela extraída do lucro líquido do exercício
e podem ser:
• Reserva Legal: Exigida através do art. nº 193 da Lei 6.404/76. Esta
reserva é obtida através da alíquota de 5% sobre o lucro líquido antes de
qualquer outra destinação e o seu acúmulo não poderá exceder a 20% do
capital social.
• Reservas Estatutárias: São reservas criadas em virtude de disposições contidas
nos estatutos da companhia, os quais fixarão sem limites.
• Reservas Livres: São reservas criadas nas Assembléias Gerais, com fins
específicos, tais como:
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c.1. Reserva para Contingência: art. 195 da Lei 6.404/76. Em contabilidade,
contingência representa uma situação de risco já existente, que poderá ou não se
caracterizar como perda ou ganho para a empresa em decorrência de eventos futuros;
c.2. Reserva de Lucros a Realizar: art. 197 da Lei 6.404/76. Nos exercícios em
que os lucros a realizar ultrapassarem o total deduzido nos termos dos art. 193 e 196,
a Assembléia Geral poderá propor a destinar o excesso à constituição de Reserva de
Lucro a Realizar;
b) Reservas de Capital ➔ Representam as parcelas que se originam de atividades
não-operacionais da empresa, representando aumentos no PL que não devem
transitar pelas contas de Receitas normais da empresa.
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - DRE
CONCEITO
A demonstração do resultado é a demonstração contábil destinada e evidenciar a
composição do resultado formado num determinado período de operações da Entidade.
A demonstração do resultado, observado o princípio de competência, evidenciará
a formação dos vários níveis de resultados mediante confronto entre as receitas, e os
correspondentes custos e despesas.
CONTEÚDO E ESTRUTURA
A demonstração do resultado compreenderá:
a) as receitas e os ganhos do período, independentemente de seu recebimento;
b) os custos, despesas, encargos e perdas pagos ou incorridos, correspondentes a
esses ganhos e receitas.
A demonstração do resultado evidenciará, no mínimo, e de forma ordenada:
a) as receitas decorrentes da exploração das atividades fins;
b) os impostos incidentes sobre as operações, os abatimentos, as devoluções e os
cancelamentos;
c) os custos dos produtos ou mercadorias vendidos e dos serviços prestados;
d) o resultado bruto do período;
58
e) os ganhos e perdas operacionais;
f) as despesas administrativas, com vendas, financeiras e outras;
g) o resultado operacional;
h) as receitas e despesas e os ganhos e perdas não decorrentes das atividades fins;
i) o resultado antes das participações e dos impostos;
j) as provisões para impostos e contribuições sobre o resultado;
k) as participações no resultado;
l) o resultado líquido do período.
I) DESPESAS E RECEITAS OPERACIONAIS
DESPESAS OPERACIONAIS
Despesas Operacionais são os valores incorridos pela pessoa jurídica para a
realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Na Apuração
do Resultado do Exercício, após a apuração do Resultado com Mercadorias, deduz-se as
seguintes despesas:
a) DESPESAS COM VENDAS
São valores pagos ou incorridos para a promoção, colocação e distribuição das
mercadorias ou produtos, e os riscos assumidos com vendas. Os principais tipos são:
a) Propaganda e Publicidade;
b) Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa;
c) Despesas com Créditos Incobráveis;
d) Comissões e Corretagens sobre Vendas;
e) Viagens e Estadias
f) Seguros;
b) DESPESAS GERAIS E ADMINISTRATIVAS
São os valores pagos ou incorridos para a direção ou gestão da empresa. Exemplo:
a) Despesas com pessoal, inclusive encargos sociais (INSS, FGTS);
b) Energia Elétrica;
c) Água, Telefone;
d) Seguros;
e) Impressos e Materiais de Escritório;
59
f) Encargos de depreciação, Amortização e Exaustão;
g) Serviços de Terceiros;
c) DESPESAS FINANCEIRAS
As despesas financeiras podem ser desmembradas da seguinte forma:
c.1) VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS
São os ajustes no valor das obrigações, expressos em moeda nacional, decorrentes
de atualização de seu valor em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes,
aplicáveis por disposições legal ou contratual. Se decorrentes de atualização em função
da Taxa de Câmbio é denominada Variação Cambial, caso contrário Variação Monetária.
c.2) JUROS PASSIVOS
São os valores pagos ou incorridos pela pessoa jurídica pelo uso de capitais de
terceiros.
c.3) DESCONTOS CONCEDIDOS
São descontos também chamados de DESCONTOS FINANCEIROS, que estão
vinculados a evento futuro (condicional), como por exemplo, o recebimento de uma
duplicata com desconto.
OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS
São os valores necessários ao objetivo social e não incluídos nas classificações
anteriores, tendo como destaque a conta “Resultado Negativo de Participações
Societárias”.
OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS
São as receitas decorrentes da atividade acessória que constituem objeto da pessoa
jurídica, entre os quais podemos destacar:
a) RECEITAS FINANCEIRAS
São rendimentos que a pessoa jurídica recebe pela cessão, a terceiros, do uso de
capitais. Podem ser divididas das seguintes formas:
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– VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS
– JUROS ATIVOS
– DESCONTOS FINANCEIROS (CONDICIONAIS) OBTIDOS
II) OUTRAS RECEITAS E OUTRAS DESPESAS (antigo RESULTADO NÃO
OPERACIONAL)
Representa o resultado das atividades atípicas ou extraordinárias que geralmente
dependem de decisão administrativa, tais como:
a) GANHOS E PERDAS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO
IMOBILIZADO
Considera-se, nesse caso, como resultado a diferença entre o valor da alienação e
o custo do bem, já deduzida deste a depreciação acumulada. O custo de aquisição do
bem, deduzido o valor da depreciação denomina-se valor contábil.
RESULTADO = VALOR DE ALIENAÇÃO – CUSTO OU VALOR CONTÁBIL DO
BEM
Onde, CUSTO OU VALOR CONTÁBIL DO BEM = CUSTO DO BEM –
DEPRECIAÇÃO ACUMULADA.
Obs. Se o resultado for positivo, teremos um GANHO DE CAPITAL. Se
negativo, uma PERDA DE CAPITAL.
b) PERDAS ESTIMADAS EM INVESTIMENTOS;
c) AJUSTES DE AVALIAÇÀO PATRIMONIAL REALIZADOS NO PERÍODO
III) PROVISÃO PARA O IMPOSTO SOBRE A RENDA E PARA
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E PROVISÃO
Com base no lucro contábil ajustado pelos efeitos decorrentes da legislação
tributária, as pessoas jurídicas sofrem os efeitos da incidência do imposto de renda e da
contribuição social. A apuração de cada um dos valores devidos, com base na legislação
vigente, acarreta o registro contábil das referidas provisões ao final de cada exercício.
IV) PARTICIPAÇÕES NO RESULTADO
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Participações representam valores atribuídos a terceiros com base no resultado do
exercício social apurado em cada ano-calendário. As participações são calculadas de
forma sucessiva, considerando-se sempre a dedução anterior no lucro remanescente, na
seguinte ordem:
a) Participação dos debenturistas;
b) Participação dos empregados;
c) Participação dos administradores;
d) Contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de
empregados, que não se caracterizem como despesa.
EXEMPLO DE DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
Faturamento Bruto
(-) IPI Faturado
(=) Receita Bruta de Vendas de Mercadorias. Produtos e ou Serviços
(-) Vendas Canceladas
(-) Abatimentos Concedidos e Descontos Incondicionais
(-) Impostos e Contribuições Incidentes sobre Vendas e Serviços
(=) Receita Líquida de Vendas
(-) Custo das Mercadorias ou Produtos Vendidos e/ou Serviços Prestados
(=) Resultado Bruto (se positivo, LUCRO BRUTO)
(-) Despesas Operacionais:
Despesas com Vendas
Despesas Gerais e Administrativas
Despesas Financeiras
Outras Receitas e Despesas Operacionais
(=) Resultado do Exercício antes da Contribuição Social. do IR e das
Participações
(-) Provisão para o Imposto sobre a Renda e Contribuição Social sobre o Lucro
(=) Lucro Líquido do Exercício antes das Participações
(-) Participações de Debenturistas
(-) Participações de Empregados
(-) Participações de Administradores (-
) Partes Beneficiárias .
(=) Lucro Liquido do Exercício
( / ) Número de ações
(=) Lucro Líquido por ação
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DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO - DMPL
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido apresenta as variações de
todas as contas do Patrimônio Líquido ocorridas entre dois balanços, independentemente
da origem da variação, seja ela proveniente da correção monetária, de aumento de capital,
de reavaliação de elementos do ativo, de lucro ou de simples transferência entre contas,
dentro do próprio Patrimônio Líquido.
Observe-se, porém, que os aumentos ou reduções vistos acima são apenas aqueles
que representam ingresso de recursos externos ou a saída de recursos para fora da
empresa.
Acumulados
Patrimonial
Avaliação
Reservas de
Reservas de
(prejuízos)
Ajustes de
Capital
Capital
Lucros
Lucros
Social
Saldo no início do período X X X X X
Integralização do capital social
X
Contribuições para as reservas de
capital X
Ajustes de Avaliação Patrimonial
X
Lucro Líquido do período X
Transferências para as reservas de
lucros X (X)
Dividendos propostos (X)
Saldo no fim no período X X X X (X)
DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA – DFC
O objetivo da análise do fluxo de caixa é possibilitar um conhecimento sobre a
movimentação ocorrida em caixa, com vistas a verificar se a empresa está sendo capaz de
63
gerar caixa suficiente para honrar seus compromissos e expandir os negócios. Desta
forma, ao analisar o fluxo de caixa, estamos obtendo informações sobre a política
financeira, identificando onde foram gerados e aplicados os recursos durante o período de
um ano.
A demonstração do fluxo de caixa pode ser apresentada através de dois métodos.
O método direto e o método indireto. O método direto apresenta movimentação de todas
as contas relativas a recebimentos e pagamentos. O método indireto parte do lucro líquido
ajustado pelas receitas e despesas que decorrem da utilização do regime de competência
que não transitam por caixa. Em ambos os métodos as informações devem ser
apresentadas destacando-se as movimentações decorrentes:
Das Operações;
De Financiamentos e
De Investimentos.
Esta demonstração de acordo com Lei 11.638/07 veio substituir a Demonstração
das Origens e Aplicações de Recursos – DOAR (que passa a ser facultativa),
acompanhando uma tendência internacional e em atendimento aos interesses dos analistas
de mercado e investidores institucionais.
DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO – DVA
A demonstração do valor adicionado – DVA também passou a ser obrigatória pela
nova Lei 11.638/2007, se companhia aberta. Esta demonstração evidencia o valor das
riquezas criadas pela sociedade, bem como sua efetiva contribuição.
Esta demonstração representa ferramenta importante tanto para o usuário interno
quanto para o externo (acionistas, administradores, fornecedores, clientes, governo, etc.).
Assim, esta é a razão pela qual a DVA está ganhando cada vez mais adeptos em vários
países. Logo, a DVA pode ser apresentada da seguinte forma:
I – Geração do Valor Adicionado – Elementos:
Receitas Operacionais e não Operacionais
(-) CMV, CPV e CSP
(-) Serviços adquiridos de terceiros
(-) Materiais e Insumos, Energia, Comunicação, Propaganda, etc.
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(-) Outros Valores
(=) Valor Bruto Adicionado
(-) Despesas de depreciação, Amortização e Exaustão
(=) Valor Adicionado Líquido
(+) Valores remunerados por terceiros (Juros, Aluguéis e outros)
(=) Valor Adicionado à Disposição da Empresa
II – Distribuição do Valor Adicionado
Remuneração do Trabalho
Remuneração do Governo (Impostos e Contribuições)
Remuneração do Capital de Terceiros (Juros, Aluguéis, etc.)
Remuneração do Capital Próprio (Dividendos e Lucros Retidos)
Outros
(=) Total do Valor Distribuído (igual ao total gerado)
NOTAS EXPLICATIVAS
São dados e informações que ora complementam as demonstrações financeiras
(como por exemplo, taxas de juros, vencimentos e garantias de obrigações de longo
prazo), ora fornecem critérios contábeis (como os de avaliação de estoques, depreciação e
demais provisões) ou ainda acrescentam informações (como garantias prestadas a
terceiros, espécies de ações do capital social, eventos subseqüentes à data do balanço) que
tenham efeitos relevantes sobre a situação financeira da companhia.
A seguir damos alguns exemplos de informações divulgadas em notas
explicativas:
- Critérios de avaliação dos elementos patrimoniais:
Os estoques estão avaliados ao custo médio de aquisição ou fabricação, que não excede
ao valor de mercado.
As aplicações financeiras estão registradas ao custo de aquisição, acrescido de juros e
correção monetária auferidos até a data de encerramento do exercício social.
Os investimentos em sociedades controladas e coligadas estão avaliados ao custo de
aquisição mais correção monetária e foram ajustados pelo método de equivalência
patrimonial.
65
O ativo imobilizado está avaliado ao custo de aquisição corrigido monetariamente e
deduzido das respectivas depreciações acumuladas, também corrigidas. A depreciação
do custo corrigido é computada pelo método linear e calculada às seguintes taxas anuais:
edifícios, 4%; máquinas e equipamentos, instalações e móveis e utensílios - 10%;
veículos - 20%.
- Ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, garantias prestadas a terceiros e
outras responsabilidades eventuais ou contingentes:
Parte do edifício administrativo, de valor contábil de R$7.100.000, está em litígio junto
às autoridades municipais para desapropriação.
- Taxa de juros, datas de vencimento e garantias das obrigações a longo prazo:
Em 31 de dezembro de 19X1, os empréstimos a longo prazo tinham os seguintes
vencimentos:
Vencimento R$
19X3 35.000
19X4 25.000
19X5 45.000
Total 105.000
Nos empréstimos incidirá juros de 6% mais correção monetária com base na variação das
Taxa de juros de longo Prazo – TJLP e estão garantidos por estoques e bens do ativo
imobilizado nos montantes de R$ 80.000.000 e R$ 25.000.000, respectivamente.
- Número, espécie e classes das ações do capital social:
O capital social, totalmente integralizado, está composto de 5.000.000.000 de ações
ordinárias de R$$ 3,00 cada, sendo 2.500.000.000 ao portador e 2.500.000.000
nominativas.
- Eventos subseqüentes à data do encerramento do exercício que tenham, ou possam
vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados da companhia:
Subseqüente à data de encerramento das demonstrações financeiras, o acionista principal
informou sua intenção de negociar sua participação na empresa com Máquinas Ibéria S.A.
Subseqüente à data de encerramento das demonstrações financeiras, a fábrica da empresa
66
localizada em Recife se incendiou; entretanto, a empresa não incorrerá em prejuízos já
que todos os bens estão segurados e existe seguro também de lucros cessantes.
Cumpre salientar que as notas explicativas devem ser comparativas, ou seja,
devem abranger dois exercícios sociais.
Unidade VII: ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
A técnica contábil denominada “análise de balanços” pode transformar-se num
poderoso instrumento de controle e de análise por parte da Administração, no entanto
alguns detalhes precisam ser observados:
a) É desejável que as Demonstrações Contábeis sejam auditadas por Auditores
Independentes;
b) É necessário observar atentamente os saldos iniciais e finais das contas extraídas
dos Balanços para compor a análise, pois podem não representar adequadamente a
média real do período;
c) Os Demonstrativos objetos de análise devem ser atualizados monetariamente
tendo em vista as oscilações de poder aquisitivo da moeda;
d) É importante comparar os índices obtidos com as metas estabelecidas e com os
dos concorrentes.
7.1 ANÁLISE VERTICAL
Serve para avaliar a estrutura de composição de itens e sua performance no tempo.
Conta 31/12/2005 Var% 31/12/2004 Var%
Passivo Total 866.769 100 645.573 100
Passivo Circulante 369.094 42,6 330.097 51,1
Salários a pagar 127.267 14,7 28.541 4,4
67
Impostos a pagar 52.776 6,1 51.850 8,0
Fornecedores 102.245 11,8 19.887 3,1
Empréstimos e 19.549 2,3 31.052 4,8
Financiamentos
7.2 ANÁLISE HORIZONTAL
A principal finalidade desta análise é, ao indicar o crescimento dos
Demonstrativos Contábeis através dos períodos, possibilitar a identificação de tendências.
Conta 31/12/2005 var% 31/12/2004
Ativo Total 742.944 18,1 629.110
Ativo Circulante 314.274 23,8 253.951
Disponibilidades 65.923 33,9 49.225
Clientes 198.084 20,7 164.107
Outros créditos 407 1.120,8 33
Estoques 49.860 22,8 40.586
Despesas pagas
antecipadamente 0 0 0
7.3 ANÁLISE POR QUOCIENTES OU ÍNDICES
O uso dos quocientes tem por objetivo principal permitir que o analista identifique
tendências e compare os quocientes obtidos com padrões preestabelecidos. Portanto, além
de retratar o que aconteceu no passado, possibilitar fazer algumas inferências em relação
ao futuro. São de dois tipos:
ANÁLISE ABSOLUTA: avalia de forma fria, ou seja, considera apenas o seu
resultado algébrico.
68
ANÁLISE RELATIVA: avalia um índice comparando com outros. Temos:
a) Comparativa com padrões: compara um índice com o de outras empresas
similares (mesma atividade, mesma região geográfica, etc.);
b) Comparativa evolutiva: analisa a evolução dos índices da empresa ao longo do
período.
Portanto, não se avalia o desempenho de uma gestão apenas pelo resultado líquido
do exercício (seja este lucro ou prejuízo), mas por uma série de componentes, indicativos
da operação do negócio. Tais indicativos se baseiam em “índices financeiros”, que nada
mais são que fórmulas objetivas, medindo determinadas características da gestão.
São apresentados, a seguir, alguns dos principais índices financeiros. As siglas utilizadas
são:
AC – Ativo Circulante
AP – Ativo Permanente
REOB – Receita Operacional Bruta
ROB – Resultado Operacional Bruto
ROL – Receita Operacional Líquida
PL – Patrimônio Líquido
PC – Passivo Circulante
ELP – Exigível a Longo Prazo
ÍNDICES DE LIQUIDEZ
LIQUIDEZ GERAL = (AC + RLP) / (PC + ELP)
Demonstra a “viabilidade” de médio e longo prazo dos pagamentos de
compromissos já assumidos. O índice mínimo é 1. Abaixo de 1, indica problemas de
liquidez.
LIQUIDEZ CORRENTE = AC / PC
Evidencia a capacidade de pagamento de curto prazo. Um índice inferior a 1
indica problemas prementes de liquidez.
69
LIQUIDEZ SECA = (AC – Estoques) / PC
Como os estoques tem uma característica de permanência nas atividades da
empresa (pois são indispensáveis a maioria das atividades de produção e
comercialização), este índice procura demonstrar uma “liquidez real”, mediante a
realização de ativos ditos “financeiros” (que se realizam em caixa).
LIQUIDEZ IMEDIATA = Disponibilidades / PC
Representa o valor de quanto dispomos imediatamente para saldar nossa dívida de
curto prazo..
ÍNDICES DE RENTABILIDADE E LUCRATIVIDADE
GIRO DO ATIVO = REOB / Ativo Total
Indica qual a geração de receitas sobre cada R$ do ativo. Quanto maior o índice,
maior a capacidade de geração de receitas, indicando um bom desempenho de vendas
e/ou uma boa administração dos ativos.
MARGEM LÍQUIDA = Resultado Líquido / ROL
Utiliza-se este índice para avaliar a performance de resultado (lucro ou prejuízo)
sobre a receita. Obviamente, quanto maior o índice (se positivo), melhor a margem.
RENTABILIDADE DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO = Resultado Líquido / (PL Médio –
Resultado Líquido)
A remuneração do Patrimônio Líquido, representando os recursos dos donos, é
representada pelos resultados gerados. Se este índice for inferior a taxa de aplicação
financeira (líquida de impostos) no período, significa um desempenho insatisfatório.
Espera-se que qualquer negócio tenha um desempenho mínimo de 50% superior a taxa de
aplicação financeira. Desta forma, se a taxa (líquida de impostos) de aplicação, ao ano,
corresponde a 14%, então se espera um retorno mínimo sobre o PL de 21%.
70
Nota: para as empresas que creditam TJLP sobre o PL a seus sócios, acionistas ou
titulares, o respectivo valor deve ser adicionado ao resultado, para composição da
rentabilidade.
ÍNDICES DE ESTRUTURA DE CAPITAL OU DE ENDIVIDAMENTO
PARTICIPAÇÃO DE CAPITAL DE TERCEIROS = (PC + ELP) / Ativo Total
Indica qual a “dependência” dos negócios em relação a recursos de terceiros
(bancos, fornecedores, recursos trabalhistas e tributários).
Uma participação próxima a 1 denota insolvência e extrema dependência de
terceiros. O ideal é que esta participação seja igual ou inferior a 0,6.
ENDIVIDAMENTO A CURTO PRAZO = PC / (PC + ELP)
Evidencia qual o nível de exigibilidade de curto prazo do endividamento. Não
existe uma regra geral para determinar qual o ideal para este índice, mas quando menor
for o mesmo significa maior “folga” em relação ás dividas e compromissos existentes.
IMOBILIZAÇÃO DO PL = AP / PL
Reflete o “engessamento” dos recursos próprios, pois quanto maior o índice,
maior a dependência de terceiros para atender compromissos financeiros. Um índice
menor que 0,5 é recomendável.
IMOBILIZAÇÃO SOBRE RECURSOS NÃO CORRENTES = AP / (PL + ELP)
Uma variante do índice anterior. Avalia qual o nível de imobilização em relação
aos recursos próprios e de terceiros de longo prazo. Quanto maior o índice, maior a
imobilização.
71
ÍNDICES DE REALIZAÇÃO FINANCEIRA OU DE ROTAÇÃO
PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO (PMR) = Média de Clientes x 365/REOB
Mede em quantos dias há o recebimento das receitas de vendas.
PRAZO MÉDIO DE ESTOQUES (PME) = Média de Estoques x 365/Custos das Vendas
Avalia o “giro” dos estoques, em dias.
PRAZO MÉDIO DE COMPRAS (PMC) = Média de Fornecedores x 365/Compras
Indica em quantos dias há o pagamento das compras efetuadas.
CICLO DE CAIXA = PMR + PME – PMC
Aponta o número de dias para que os recursos, aplicados nas atividades
operacionais, leva para retornar ao caixa. Quanto maior o ciclo, maior a necessidade de
capitais para manter as atividades.
7.4 AVALIAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO
CAPITAL CIRCULANTE PRÓPRIO OU CAPITAL DE GIRO PRÓPRIO
O Capital de Giro Próprio (CGP) ou Capital Circulante Próprio (CCP) demonstra
a falta ou o excesso de Patrimônio Líquido em relação ao Ativo Não Circulante (RLP +
INV + IMOB + INTANG). Os recursos próprios usados para suprir necessidades de
financiamento são denominados: “Capital de Giro Próprio”.
CCP = CGP = PL - ANC
Algumas razões são apontadas para que ocorram variações do CGP:
• Aumento do CGP: Aporte de capital e lucro do exercício (aumento do PL);
redução na participação permanente em outras sociedades, venda de imobilizado e
transferência de valores do realizável de longo prazo para o circulante (redução do
ativo não circulante).
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• Diminuição do CGP: descapitalização e prejuízos do exercício (diminuição do
PL); aquisição de imobilizado, novos investimentos permanentes e vendas
estoques de longo prazo (aumento do ativo não circulante).
CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO OU CAPITAL DE GIRO LÍQUIDO
O Capital Circulante Líquido (CCL) ou Capital de Giro Líquido (CGL) indica a
folga financeira da Entidade, ou seja, o excesso ou falta de Ativos Circulantes em relação
às obrigações de curto prazo ou circulante.
CCL = CGL = AC - PC
Podemos ter as seguintes situações em relação ao CCL:
a) CCL > 0
Neste caso, o ativo circulante é maior que o passivo circulante, implicando em
índice de liquidez corrente maior que 1(um). Portanto: AC – PC
b) CCL = 0
Ocorre quando o ativo circulante for igual ao passivo circulante, resultando em um
índice de liquidez corrente igual a 1(um).
c) CCL<0
Teremos, então, um ativo circulante inferior ao passivo circulante, o que estará
implicando também em um índice de liquidez corrente menor que 1(um).
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BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
• Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras/FIPECAFI.
Manual de Contabilidade das Sociedades por ações, aplicável às demais
sociedades. São Paulo: Atlas;
• Iudícibus, Sérgio e outros. Contabilidade Introdutória. São Paulo: Atlas; 2010.
• Marion. Contabilidade Empresarial. Rio de Janeiro: Atlas; 2003.
• Justino Oliveira. Contabilidade Geral para Concursos Públicos. Niterói:
Impetus;
• Iudícibus, Sérgio. Análise de Balanços. Rio de Janeiro: Atlas; 2012
• Blatt, Adriano. Análise de Balanços. São Paulo. Makron Books;
• Helfert, Erich A. Técnicas de Análise Financeira. Rio e Janeiro. Bookman;
• Normas Brasileiras de Contabilidade. CFC e Comitê de Pronunciamentos
Contábeis.CPC.