0% acharam este documento útil (0 voto)
17 visualizações67 páginas

Formação Humanística

Enviado por

Julia Ferrarini
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
17 visualizações67 páginas

Formação Humanística

Enviado por

Julia Ferrarini
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Formação Humanística

Prof. Rodrigo Vaslin


LOMAN e Código de Ética
Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias:
I - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de
exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do
tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença
judicial transitada em julgado; II - inamovibilidade, salvo por motivo de
interesse público, na forma do art. 93, VIII; III - irredutibilidade de subsídio,
ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, §
2º, I.
Parágrafo único. Aos juízes é vedado: I - exercer, ainda que em
disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério; II -
receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo;
III - dedicar-se à atividade político-partidária. IV - receber, a qualquer título
ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas
ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; V - exercer a advocacia
no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do
afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração.
Art. 33 - São prerrogativas do magistrado:
I - ser ouvido como testemunha em dia, hora e local previamente ajustados
com a autoridade ou Juiz de instância igual ou inferior;
II - não ser preso senão por ordem escrita do Tribunal ou do Órgão Especial
competente para o julgamento, salvo em flagrante de crime inafiançável,
caso em que a autoridade fará imediata comunicação e apresentação do
magistrado ao Presidente do Tribunal a que esteja vinculado (VETADO);
III - ser recolhido a prisão especial, ou a sala especial de Estado-Maior, por
ordem e à disposição do Tribunal ou do órgão especial competente, quando
sujeito a prisão antes do julgamento final;
IV - não estar sujeito a notificação ou a intimação para comparecimento,
salvo se expedida por autoridade judicial;
V - portar arma de defesa pessoal.
Parágrafo único - Quando, no curso de investigação, houver indício da
prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou
militar, remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial
competente para o julgamento, a fim de que prossiga na investigação.
Dos Deveres do Magistrado
Art. 35 - São deveres do magistrado:
I - Cumprir e fazer cumprir, com independência, serenidade e exatidão, as
disposições legais e os atos de ofício;
II - não exceder injustificadamente os prazos para sentenciar ou despachar;
III - determinar as providências necessárias para que os atos processuais se
realizem nos prazos legais;
IV - tratar com urbanidade as partes, os membros do Ministério Público, os
advogados, as testemunhas, os funcionários e auxiliares da Justiça, e atender
aos que o procurarem, a qualquer momento, quanto se trate de providência
que reclame e possibilite solução de urgência.
V - residir na sede da Comarca salvo autorização do órgão disciplinar a que
estiver subordinado;
VI - comparecer pontualmente à hora de iniciar-se o expediente ou a sessão,
e não se ausentar injustificadamente antes de seu término;
VIl - exercer assídua fiscalização sobre os subordinados, especialmente no
que se refere à cobrança de custas e emolumentos, embora não haja
reclamação das partes;
VIII - manter conduta irrepreensível na vida pública e particular.
Art. 36 - É vedado ao magistrado:
I - exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de
economia mista, exceto como acionista ou quotista;
II - exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil, associação ou
fundação, de qualquer natureza ou finalidade, salvo de associação de classe,
e sem remuneração;
III - manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo
pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre
despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos
autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério.
Parágrafo único - (Vetado.)
Res. 305/2019 – Magistrados e Redes Sociais
a) Presença nas redes sociais
b) Teor das manifestações
c) Privacidade e segurança
Art. 26, LOMAN - O magistrado vitalício somente perderá o cargo:
I - em ação penal por crime comum ou de responsabilidade;
II - em procedimento administrativo para a perda do cargo nas hipóteses seguintes:
a) exercício, ainda que em disponibilidade, de qualquer outra função, salvo um cargo de
magistério superior, público ou particular;
b) recebimento, a qualquer título e sob qualquer pretexto, de percentagens ou custas nos
processos sujeitos a seu despacho e julgamento;
c) exercício de atividade político-partidária.
§ 1o - O exercício de cargo de magistério superior, público ou particular, somente será
permitido se houver correlação de matérias e compatibilidade de horários, vedado, em
qualquer hipótese, o desempenho de função de direção administrativa ou técnica de
estabelecimento de ensino.
§ 2o - Não se considera exercício do cargo o desempenho de função docente em curso oficial
de preparação para judicatura ou aperfeiçoamento de magistrados.

Art. 27, LOMAN - O procedimento para a decretação da perda do cargo terá início por
determinação do Tribunal, ou do seu órgão especial, a que pertença ou esteja subordinado o
magistrado, de ofício ou mediante representação fundamentada do Poder Executivo ou
Legislativo, do Ministério Público ou do Conselho Federal ouSecional da Ordem dos Advogados
do Brasil.
Quóruns de 2/3 no Judiciário: i) Recusar juiz mais antigo na promoção; ii) STF
recusar recurso extraordinário; iii) STF aprovar súmula vinculante; iv) Não
conhecimento de recurso especial; v) Modulação de efeitos de decisão em sede
de controle de constitucionalidade;

Quóruns de maioria absoluta no Judiciário: i) Decisões administrativas


disciplinares; ii) Remoção/disponibilidade de juiz por interesse público; iii)
Declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo; iv) Conceder medida
cautelar em ações diretas de inconstitucionalidade. (ADI, ADC e ADPF)
Magis Trab/2023, QUESTÃO 33 - Considerando as disposições do Código de Ética da Magistratura, as
disposições da Lei Orgânica da Magistratura Nacional e a Constituição da República de 1988, em relação à
conduta dos magistrados, é correto afirmar que:
a) exige-se do magistrado que seja eticamente independente e que não interfira, de qualquer modo, na atuação
jurisdicional de outro colega, exceto em respeito às normas legais;
b) ao magistrado, no desempenho de sua atividade, cumpre e dispensar das partes Igualdade de tratamento,
vedada qualquer espécie de injustificada discriminação. Porém, será considerado tratamento discriminatório
injustificado se a audiência for concedida a apenas uma das partes ou seu advogado, mesmo que se assegure
igual direito à parte contrária, caso seja solicitado;
c) a atuação do magistrado deve ser transparente, documentando-se seus atos, sempre que possível, somente
nos casos previstos em lei, de modo a favorecer sua publicidade, e considerando os casos de sigilo legal;
d) o magistrado deve comportar-se na vida privada de modo a dignificar a função, mas seu exercício da atividade
jurisdicional não lhe impõe restrições e exigências pessoais distintas das acometidas aos cidadãos em geral;
e) a liberdade de convicção do magistrado permite sua participação em atividade político-partidária.
A alternativa A está correta. Conforme literalidade do artigo 4º do Código de Ética da Magistratura (CEM): "Art. 4º
Exige-se do magistrado que seja eticamente independente e que não interfira, de qualquer modo, na atuação
jurisdicional de outro colega, exceto em respeito às normas legais".
B está incorreta. Não será considerado tratamento discriminatório injustificado se for assegurado à parte contrária o
direito a audiência, nos termos do artigo 9º, parágrafo único, inciso I, do CEM: "Art. 9º Ao magistrado, no desempenho de
sua atividade, cumpre dispensar às partes igualdade de tratamento, vedada qualquer espécie de injustificada
discriminação. Parágrafo único. Não se considera tratamento discriminatório injustificado: I - a audiência concedida a
apenas uma das partes ou seu advogado, contanto que se assegure igual direito à parte contrária, caso seja solicitado".
C está incorreta. A documentação dos atos deve ser feita mesmo quando não previsto legalmente,
conforme artigo 10 do CEM: "Art. 10. A atuação do magistrado deve ser transparente, documentando-se
seus atos, sempre que possível, mesmo quando não legalmente previsto, de modo a favorecer sua
publicidade, exceto nos casos de sigilo contemplado em lei".

D está incorreta. O exercício da atividade jurisdicional impõe restrições e exigências distintas das
acometidas aos cidadão em geral, como traz o artigo 16 da CEM: "Art. 16. O magistrado deve comportar-se
na vida privada de modo a dignificar a função, cônscio de que o exercício da atividade jurisdicional impõe
restrições e exigências pessoais distintas das acometidas aos cidadãos em geral".

E está incorreta. É vedada a participação em atividade político-partidária, nos termos no artigo 7º do CEM:
"Art. 7º A independência judicial implica que ao magistrado é vedado participar de atividade
político-partidária".
Princípios de Bangalore: independência; imparcialidade; integridade;
idoneidade; igualdade; competência e diligência.
Jusnaturalismo e Positivismo
Direito e Moral
Jusnaturalismo Cosmológico

Jusnaturalismo Teológico

Jusnaturalismo Racionalista
A fundamentação do Estado e do Direito na razão e não mais nas leis divinas (que legitimavam os
monarcas absolutistas no poder) ganhou força com os filósofos contratualistas (Hobbes, Locke e Rousseau)
e fomentou a eclosão de diversas revoluções relevantes, dentre as quais Revolução Americana (1776 e
Constituição de 1787) e a Revolução Francesa (1789).
Pautado na ideia de que a razão e a exatidão dos conceitos pudessem abarcar todos os fatos da vida, o
ordenamento da época experimentou uma intensa fase de codificação (ex: Código de Napoleão de 1804)
e a limitação da atividade interpretativa dos magistrados, exsurgindo as escolas da exegese na França
(positivismo exegético), jurisprudência dos conceitos na Alemanha e jurisprudência analítica na Inglaterra.
Em contraposição, surgiram a escola do direito livre (Duguit) na França, Jurisprudência dos interesses e do
valores na Alemanha e realismo jurídico na Inglaterra.

Positivismo Jurídico
Pós Positivismo - Radbruch, Robert Alexy, Ronald Dworkin
a) relação existente entre direito e moral (ex: fórmula de Radbruch – uma lei extremamente
injusta não pode ser tida como lei);
b) diferença entre princípios e regras, ambos espécies do gênero normas;
c) intenção de diminuir a discricionariedade na atividade interpretativa e, portanto, reduzir as
arbitrariedades;
d) equacionar a relação entre os 3 poderes.

Procedimentalistas: Alexander Bickel, Jeremy Waldrow, Richard Posner; Jurger Habermans que,
com todas as suas diferenças, entendem que a política (incluindo políticas públicas) devem ser
abordadas no âmbito do discurso público no Parlamento e no Executivo, não permitindo a
intromissão dos juízes.

Substancialistas: a própria Constituição já fez determinadas escolhas ao promover os direitos de


1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª geração como direitos fundamentais e merecedores de tutela jurídica. Ademais,
alegam os seus partidários que uma das funções precípuas do Judiciário é atuar no sentido
contramajoritário, a fim de garantir direitos fundamentais e proteger minorias, como aduzem
Ronald Dworkin, Robert Alexy, Luís Roberto Barroso, dentre outros. Assim, os juízes teriam sim
legitimidade para, dentro dos contornos constitucionais e legais, implementar direitos sociais.
DIREITO MORAL
Regra externa (heteronomia) Regra interna (autonomia)
Imposto por coerção externa Realizada sem esperar resultados
(espontânea)
Há ameaça de sanção Cumpre-se pela boa vontade
Tem por objeto relações Recai sobre ações individuais
(bilateralidade) (unilateral)
FGV/TJMS/2023, QUESTÃO 99 - A equidade é um tema correlato da justiça que diz respeito à
atividade jurisdicional. Trata-se de um conceito da filosofia do direito que remete a Aristóteles.
Segundo esse autor, em seu livro Ética a Nicômaco, a equidade deve ser entendida como:
A) uma correção da lei quando ela é deficiente em razão de sua universalidade e, por isso, não
consegue abranger as peculiaridades do caso concreto;
B) a aplicação da justiça corretiva que distribui posses comuns, sendo caracterizada como aquilo
que é um posicionamento intermediário entre a perda e o ganho;
C) uma forma de decisão que se baseia nas convicções morais e filosóficas da autoridade
jurisdicional, de modo que prevaleça um sentimento subjetivo de justiça;
D) uma forma de decidir um caso concreto baseada na aplicação da lei nos termos de seu
enunciado, afinal o homem sem lei é o homem ímprobo;
E) o princípio geral do direito por meio do qual as antinomias das leis podem ser sanadas,
assegurando-se, dessa forma, a decisão justa para o caso concreto.

A alternativa correta é a letra A.


Racismo e outras formas de
Discriminação
Concepções individual; institucional e sistêmico
Racismo individual: um fenômeno ético ou psicológico de caráter individual ou
coletivo, atribuído a grupos isolados.
Racismo institucional: o racismo não se resume a comportamentos individuais, mas
é tratado como o resultado do funcionamento das instituições, que passam a atuar
em uma dinâmica que confere, ainda que indiretamente, desvantagens e privilégios
com base na raça. Ex: imagem social do elevador de serviço como resquício de
Casa Grande e Senzala ou na letalidade policial que possui como público-alvo a
população negra.
Racismo sistêmico: O racismo é estrutural. Comportamentos individuais e
processos institucionais são derivados de uma sociedade cujo racismo é regra e não
exceção. O racismo é parte de um processo social que ocorre ‘pelas costas dos
indivíduos e lhes parece legado pela tradição’. Nesse caso, além de medidas que
coíbam o racismo individual e institucionalmente, torna-se imperativo refletir sobre
mudanças profundas nas relações sociais, políticas e econômicas.
Discriminação Direta

Discriminação indireta – teoria do impacto desproporcional


leading case Griggs v. Duke Power Co. (1971)
Na Corte Interamericana, foi aplicada a teoria nos casos Yatama vs Nicarágua e
Atravia Murillo e outros vs Costa Rica.
Na ADI 1946, o STF aplicou a teoria, na qual se entendeu inconstitucional a fixação,
pela EC 20/98, do teto do RGPS sobre o salário-maternidade.
Ainda, na ADPF 29154, o STF decidiu que não foram recepcionadas pela CF/88 as
expressões “pederastia ou outro” e “homossexual ou não”, do art. 235 do Código
Penal Militar.
Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero
Resolução nº 492/2023
Res. 254/18 - Art. 9º Configura violência institucional contra as mulheres no exercício de
funções públicas a ação ou omissão de qualquer órgão ou agente público que fragilize, de
qualquer forma, o compromisso de proteção e preservação dos direitos de mulheres.
§ 1º Para a adequada solução dos conflitos mencionados no art. 1º, garantia da prevenção e
repressão da situação configurada no caput e resguardo do princípio do devido processo
legal, fica vedada a participação de juízes como mediadores, facilitadores ou qualquer outro
tipo de atuação similar, nos processos em que atuem como julgadores, em observância ao
princípio da confidencialidade.
§ 2º O atendimento às mulheres em situação de violência, para fins de concessão de
medidas protetivas de urgência, deve ocorrer independentemente de tipificação dos fatos
como infração penal.
Art. 10. Os órgãos do Poder Judiciário deverão adotar mecanismos institucionais para coibir
a prática de ato que configure violência ou que possa atingir os direitos à igualdade de
gênero.
Art. 11. Os Grupos de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Sistema de
Execução de Medidas Socioeducativas deverão encaminhar mensalmente ao Conselho
Nacional de Justiça as informações relativas às mulheres e adolescentes gestantes e
lactantes custodiadas no sistema prisional ou internadas, por meio de sistema de
cadastramento disponibilizado pelo Conselho Nacional de Justiça.
Parágrafo único. As informações de que trata este artigo deverão ser prestadas
mensalmente, até o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido e, em nenhuma
hipótese, deve expor o nome do lactente.
CNJ aprovou, em 2023, alteração na Re. 106/2010, exigindo que as cortes alternem entre
listas exclusivas para mulheres e listas mistas tradicionais nas promoções por merecimento a
fim de promover a equidade de gênero na magistratura.
É dever do Judiciário indagar à pessoa autodeclarada parte da população transexual acerca
da preferência pela custódia em unidade feminina, masculina ou específica, se houver, e, na
unidade escolhida, preferência pela detenção no convívio geral ou em alas ou celas
específicas. HC 861.817-SC, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do
TJDFT), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 6/2/2024, DJe 15/2/2024. (Info STJ 801)
A mãe servidora ou trabalhadora não gestante em união homoafetiva tem direito ao gozo de
licença-maternidade. Caso a companheira tenha utilizado o benefício, fará jus à licença pelo
período equivalente ao da licença-paternidade. RE 1.211.446/SP, relator Ministro Luiz Fux,
julgamento finalizado em 13.03.2024 (Info 1128)
As escolas públicas e particulares têm a obrigação de coibir o bulimento e as discriminações
por gênero, identidade de gênero e orientação sexual, bem como as de cunho machista
(contra meninas cisgêneras e transgêneras) e homotransfóbicas (contra homossexuais,
bissexuais, travestis e transexuais), em geral. ADI 5.668/DF, relator Ministro Edson Fachin,
julgamento virtual finalizado em 28.06.2024 (Info STF 1143)
Não cabe acordo de não persecução penal nos crimes raciais, o que inclui as condutas
resultantes de atos homofóbicos. AREsp 2.607.962-GO, Rel. Ministro Reynaldo Soares da
Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 13/8/2024. (Info STJ 821)
John Rawls Os bens sociais devem ser distribuídos
igualmente, exceto se a distribuição
desigual redunde em benefício a todos
(notadamente os menos favorecidos).
Homens em uma posição
original, sob o véu da
ignorância, escolheriam a
EQUIDADE para reger a
sociedade.
Sob o véu da ignorância, os cidadãos escolheriam os princípios da liberdade e da igualdade para
reger a sociedade. Para que os princípios convivam, diz o que seriam:
a) princípio da igual liberdade: “cada pessoa deve ter um direito igual ao mais amplo sistema total de
liberdades básicas, que seja compatível com o sistema semelhante de liberdade para todos”. Com
isso, valoriza fundamentalmente as liberdades individuais que devem ser iguais para todos, servindo
para fundamentar o princípio da universalidade dos direitos fundamentais
b) princípio da igualdade, desdobrado em: i) princípio da diferença: e as desigualdades na distribuição
da renda são injustas quando não beneficia todos, principalmente os mais desfavorecidos. A
sociedade deve promover a distribuição da riqueza, exceto se a existência de desigualdades
econômicas e sociais gerarem maior benefício para os menos favorecidos. O indicador, portanto, não
é a melhoria das condições de todos da sociedade, mas, especialmente, a melhoria da posição dos
mais fracos (diferenciando-se dos utilitaristas, que entendem como sistema justo aquele que oferece o
maior bem ao maior número de indivíduos); ii) princípio da igualdade de oportunidades: as
desigualdades econômicas e sociais devem estar ligadas a postos e posições acessíveis a todos em
condições de justa igualdade de oportunidades.
AL-MT – Procurador - O pensador norte-americano John Rawls (1921-2002) contribuiu para a
reformulação do pensamento moral contemporâneo, ao pretender ampliar o conceito e o papel da
justiça. Seu modelo de justiça:
a) é igualitarista, identificando a justiça com a igualdade econômica, a ser conquistada por meio da
planificação e estatização da economia.
b) se baseia em uma concepção metafísica e apriorística de Bem, que obriga a pessoa a se orientar
eticamente através de imperativos categóricos que comandam o sentido individual de suas ações.
c) é utilitarista, pois concebe uma sociedade justa quando suas organizações são instituídas de forma a
alcançar a maior soma de satisfação para o conjunto de indivíduos.
d) defende as assimetrias econômicas e sociais, na medida em que recusa o argumento de ser
vantajoso amparar os menos favorecidos.
e) é pluralista, no sentido de compreender o universo social como composto por elementos
diferentes e conflitantes, mas orientado por princípios, entre os quais, o da liberdade.
Agenda 2030
Considerando a Agenda 2030 das Nações Unidas, analise os objetivos a seguir.
I. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares e alcançar a igualdade de
gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
II. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de
aprendizagem ao longo da vida para todos bem como construir infraestruturas resilientes,
promover a Industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a Inovação.
III. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma
sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter
a perda de biodiversidade e também assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.
Está correto o que se afirma em:
e) I, II e III
Objetivo 1 - Erradicação da Pobreza: esta meta visa a acabar com a pobreza em todas as suas formas,
em todos os lugares.
Objetivo 2 - Fome Zero e Agricultura Sustentável: esta meta visa a acabar com a fome, alcançar a
segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável
Objetivo 3 - Saúde e Bem-Estar: esta meta visa a assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar
para todos, em todas as idades
Objetivo 4 - Educação de Qualidade: esta meta visa a assegurar a educação inclusiva e equitativa de
qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos
Objetivo 5 - Igualdade de Gênero: esta meta visa a alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as
mulheres e meninas
Objetivo 6 - Água Potável e Saneamento: esta meta visa a assegurar a disponibilidade e a gestão
sustentável da água e saneamento para todos
Objetivo 7 - Energia Acessível e Limpa: esta meta visa a assegurar o acesso confiável, sustentável,
moderno e a preço acessível à energia para todos
Objetivo 8 - Trabalho Decente e Crescimento Econômico: esta meta visa a promover o crescimento
econômico sustentado, inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para
todos.
Objetivo 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura: esta meta visa a construir infraestruturas resilientes,
promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
Objetivo 10 - Redução da Desigualdades: esta meta visa a reduzir a desigualdade dentro dos países e
entre eles.
Objetivo 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis: esta meta visa a tornar as cidades e os
assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
Objetivo 12 - Consumo e Produção Responsáveis: esta meta visa a assegurar padrões de produção e de
consumo sustentáveis.
Objetivo 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima: esta meta visa a tomar medidas urgentes para
combater a mudança do clima e seus impactos.
Objetivo 14 - Vida na Água: esta meta visa a conservar e promover o uso sustentável dos oceanos, dos
mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Objetivo 15 - Vida Terrestre: esta meta visa a proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos
ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e
reverter a degradação da terra e deter a perda.
Objetivo 16 - Paz, Justiça e Instituições Eficazes: esta meta visa a promover sociedades pacíficas e
inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir
instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Objetivo 17 - Parcerias e Meios de Implementação: esta meta visa a fortalecer os meios de
implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.
Outros Temas
Questões
Questões
Direito Digital
1. 4ª Revolução industrial. Transformação Digital no Poder Judiciário.
Tecnologia no contexto jurídico. Automação do processo. Inteligência
Artificial e Direito. Audiências virtuais. Cortes remotas. Ciência de
dados e Jurimetria. Resoluções do CNJ sobre inovações tecnológicas
no Judiciário.

2. Persecução Penal e novas tecnologias. Crimes virtuais e


cibersegurança. Deepweb e Darkweb. Provas digitais. Criptomoedas e
Lavagem de dinheiro.

3. Noções gerais de contratos Inteligentes, Blockchain e Algoritmos;

4. LGPD e proteção de dados pessoais.


Revoluções Industriais

1ª Revolução: Séculos XVIII e XIX (1760 a 1840) – substituição da produção


artesanal para produção por máquinas, com uso crescente da energia a vapor
e da substituição da madeira e outros biocombustíveis por carvão.

2ª Revolução: Séculos XIX e XX (1850 a 1945) – desenvolvimento de indústrias


química, elétrica, de petróleo e aço, além do progresso dos meios de
transporte e comunicação. Navios, avião, automóveis, telefone, produção em
massa, energia elétrica.
3ª Revolução: Séculos XX e XXI (1950 a 2010) – substituição gradual da
mecânica analógica pela digital, pelo uso de microcomputadores e criação da
internet (1969) — na época chamada de Arpanet. Houve, ainda, a crescente
digitalização de arquivos e a invenção da robótica.
Introdução de novas fontes de energia, tais como a energia nuclear, solar,
eólica e desenvolvimento da engenharia genética e biotecnologia.
O telefone celular é inventado, por Martin Cooper (1973), e passa por diversos
ciclos de desenvolvimento.
4ª Revolução: Século XXI (2011) – segundo Klaus Schwab, presidente do
Fórum Econômico mundial, o conceito está ligado ao de Indústria 4.0, modelo
empresarial que já tinha como objetivo utilizar todas as tecnologias atualmente
disponíveis para gerar conhecimento e produtividade.
As novas tecnologias integrarão os mundos físico, digital e biológico e criarão
inúmeras possibilidades.
Há 3 razões para crer em nova revolução:
1ª razão: velocidade exponencial com que a tecnologia está evoluindo;
2ª razão: estamos modificando não apenas “o quê” e “como”, mas também
“quem somos”.
3ª razão: impacto sistêmico. Transformação de sistemas inteiros entre países,
papel da empresa e indústria na sociedade.
3 ondas renovatórias (Cappelletti e Garth):
i) luta pela assistência judiciária (justiça aos pobres)
ii) representação dos interesses difusos (coletivização do processo)
iii) novo enfoque de acesso à justiça (efetividade do processo)

iv) Dimensão ética e política do direito (4ª onda)

v) Internacionalização da proteção dos Direitos Humanos (5ª onda)

vi) 6ª onda (dimensão): iniciativas promissoras e novas tecnologias para


aprimorar o acesso à justiça

vii) 7ª onda: desigualdade de gênero e raça nos sistemas de justiça


Virada Tecnológica no Direito

1 - Digitalização

2 - Automação

3 - Transformação
A falta de procedimentos para garantir a idoneidade e integridade dos dados extraídos de um
celular apreendido resulta na quebra da cadeia de custódia e na inadmissibilidade da prova
digital. AgRg no HC 828.054-RN, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por
unanimidade, julgado em 23/4/2024, DJe 29/4/2024. (Info 811 STJ)

Citação por whatsapp – autorizada, desde que cumpra certos requisitos.


Resolução 345/2020 - Dispõe sobre o “Juízo 100% Digital” e dá outras providências.

Art. 1º Autorizar a adoção, pelos tribunais, das medidas necessárias à implementação do


“Juízo 100% Digital” no Poder Judiciário.
Parágrafo único. No âmbito do “Juízo 100% Digital”, todos os atos processuais serão
exclusivamente praticados por meio eletrônico e remoto por intermédio da rede mundial de
computadores.
§1º No âmbito do “Juízo 100% Digital”, todos os atos processuais serão exclusivamente
praticados por meio eletrônico e remoto por intermédio da rede mundial de
computadores. (redação dada pela Resolução n. 378, de 9.03.2021)
§2º Inviabilizada a produção de meios de prova ou de outros atos processuais de forma virtual,
a sua realização de modo presencial não impedirá a tramitação do processo no âmbito do
“Juízo 100% Digital”. (redação dada pela Resolução n. 378, de 9.03.2021)
§ 3º O “Juízo 100% Digital” poderá se valer também de serviços prestados presencialmente
por outros órgãos do Tribunal, como os de solução adequada de conflitos, de cumprimento de
mandados, centrais de cálculos, tutoria dentre outros, desde que os atos processuais possam
ser convertidos em eletrônicos. (redação dada pela Resolução n. 378, de 9.03.2021)
Art. 2º As unidades jurisdicionais de que tratam este ato normativo não terão a sua
competência alterada em razão da adoção do “Juízo 100% Digital”.
Parágrafo único. No ato do ajuizamento do feito, a parte e seu advogado deverão fornecer
endereço eletrônico e linha telefônica móvel celular, sendo admitida a citação, a notificação e a
intimação por qualquer meio eletrônico, nos termos dos arts. 193 e 246, V, do Código de
Processo Civil.
Art. 3º A escolha pelo “Juízo 100% Digital” é facultativa e será exercida pela parte demandante
no momento da distribuição da ação, podendo a parte demandada opor-se a essa opção até o
momento da contestação.
Magis do Trab/2023, Considerando o tratamento normativo dado pelo CNJ à matéria, é correto afirmar que:
a) as audiências e sessões no Juízo 100% Digital ocorrerão por videoconferência ou de forma presencial, quando
necessário ao desenvolvimento regular do processo;
b) a existência de processos físicos em uma unidade jurisdicional impedirá a implementação do Juízo 100% Digital em
relação aos processos que tramitem eletronicamente;
c) a parte demandada poderá se opor a essa escolha até sua primeira manifestação no processo, salvo no processo
do trabalho, em que essa oposição deverá ser deduzida até a apresentação da defesa;
d) a qualquer tempo, o magistrado poderá Instar as partes a manifestarem o interesse na adoção do Juízo 100%
Digital, exceto em relação a processos anteriores à entrada em vigor dessa Resolução, importando o silêncio, após
duas Intimações, aceitação tácita;
e) o Juízo 100% Digital poderá se valer também de serviços prestados presencialmente por outros órgãos do Tribunal,
como os de solução adequada de conflitos, de cumprimento de mandados, centrais de cálculos, tutoria, dentre
outros, desde que os atos processuais possam ser convertidos em eletrônicos.
A alternativa correta é a letra E (art. 1º, §3º).
A alternativa A está incorreta. As audiências serão apenas por videoconferência, conforme artigo 5º da Resolução 345 do CNJ:
"Art. 5º As audiências e sessões no “Juízo 100% Digital” ocorrerão exclusivamente por videoconferência".
A alternativa B está incorreta. A existência de processos físicos em uma unidade não impedirá a implementação do Juízo
100% Digital, nos termos do artigo 8º, §5º, da Resolução 345 do CNJ: "§5º A existência de processos físicos em uma unidade
jurisdicional não impedirá a implementação do “Juízo 100% Digital” em relação aos processos que tramitem eletronicamente".
A alternativa C está incorreta. Como traz o artigo 3º da Resolução 345 do CNJ, a regra geral é que a oposição seja até a
contestação: "Art. 3º A escolha pelo “Juízo 100% Digital” é facultativa e será exercida pela parte demandante no momento da
distribuição da ação, podendo a parte demandada opor-se a essa opção até o momento da contestação".
A alternativa D está incorreta. A intimação para se manifestar pode inclusive em processos anteriores, conforme artigo 3º, §4º,
da Resolução 345 do CNJ: "§4º A qualquer tempo, o magistrado poderá instar as partes a manifestarem o interesse na adoção
do “Juízo 100% Digital”, ainda que em relação a processos anteriores à entrada em vigor desta Resolução, importando o
silêncio, após duas intimações, aceitação tácita".
Resolução 354/2020 - Dispõe sobre o cumprimento digital de ato processual e de ordem judicial e dá
outras providências.
Art. 1º Esta Resolução regulamenta a realização de audiências e sessões por videoconferência e
telepresenciais e a comunicação de atos processuais por meio eletrônico nas unidades jurisdicionais
de primeira e segunda instâncias da Justiça dos Estados, Federal, Trabalhista, Militar e Eleitoral, bem
como nos Tribunais Superiores, à exceção do Supremo Tribunal Federal.
Art. 3º As audiências telepresenciais serão determinadas pelo juízo, a requerimento das partes, se
conveniente e viável, ou, de ofício, nos casos de: I – urgência; II – substituição ou designação de
magistrado com sede funcional diversa; III – mutirão ou projeto específico; IV – conciliação ou
mediação; e V – indisponibilidade temporária do foro, calamidade pública ou força maior.
Parágrafo único. A oposição à realização de audiência telepresencial deve ser fundamentada,
submetendo-se ao controle judicial.

Art. 4º Salvo requerimento de apresentação espontânea, o ofendido, a testemunha e o perito


residentes fora da sede do juízo serão inquiridos e prestarão esclarecimentos por videoconferência,
na sede do foro de seu domicílio ou no estabelecimento prisional ao qual estiverem recolhidos.
§ 1º No interesse da parte que residir distante da sede do juízo, o depoimento pessoal ou
interrogatório será realizado por videoconferência, na sede do foro de seu domicílio.
§ 2º Salvo impossibilidade técnica ou dificuldade de comunicação, deve-se evitar a expedição de
carta precatória inquiritória.
Resolução 385/2021 - Dispõe sobre a criação dos “Núcleos de Justiça 4.0” e dá outras providências.
Art. 1º Os tribunais poderão instituir “Núcleos de Justiça 4.0” especializados em razão de uma mesma
matéria e com competência sobre toda a área territorial situada dentro dos limites da jurisdição do
tribunal.
§ 1º Os “Núcleos de Justiça 4.0” também poderão abranger apenas uma ou mais regiões
administrativas do tribunal.
§ 2º Ressalvadas as disposições em contrário previstas neste ato normativo, nos “Núcleos de Justiça
4.0” tramitarão apenas processos em conformidade com o “Juízo 100% Digital”, disciplinado
na Resolução CNJ nº 345/2020, notadamente o que previsto no seu art. 6º, no sentido de que o
interesse do advogado de ser atendido pelo magistrado será devidamente registrado, com dia e hora,
por meio eletrônico indicado pelo tribunal e de que a resposta sobre o atendimento deverá,
ressalvadas as situações de urgência, ocorrer no prazo de até 48 horas.
§ 3º Cada “Núcleo de Justiça 4.0” deverá contar com um juiz, que o coordenará, e com, no mínimo,
dois outros juízes.
Art. 2º A escolha do “Núcleo de Justiça 4.0” pela parte autora é facultativa e deverá ser exercida no
momento da distribuição da ação.
§ 1º O processo atribuído a um “Núcleo de Justiça 4.0” será distribuído livremente entre os
magistrados para ele designados.
§ 2º É irretratável a escolha da parte autora pela tramitação de seu processo no “Núcleo de Justiça
4.0”.
§ 3º O demandado poderá se opor à tramitação do processo no “Núcleo de Justiça 4.0” até a
apresentação da primeira manifestação feita pelo advogado ou defensor público.
§ 4º Havendo oposição da parte ré, o processo será remetido ao juízo físico competente indicado pelo
autor, submetendo-se o feito à nova distribuição.
§ 5º A oposição do demandado à tramitação do feito pelo “Núcleo de Justiça 4.0” poderá ser feita na
forma prevista no art. 340 do CPC.
§ 6º A não oposição do demandado, na forma dos parágrafos anteriores, aperfeiçoará o negócio
jurídico processual, nos termos do art. 190 do CPC/15, fixando a competência no “Núcleo de Justiça
4.0”.
Art. 3º Ato do Tribunal definirá a estrutura de funcionamento dos “Núcleos de Justiça 4.0”, de acordo
com seu volume processual, bem como providenciará a designação de servidores para atuarem na
unidade, o que poderá ocorrer cumulativamente às atividades desenvolvidas na sua lotação de
origem ou com exclusividade no núcleo, observado, neste caso, o disposto na Resolução CNJ nº
227/2016, do Conselho Nacional de Justiça.
Art. 4º A designação de magistrados para os “Núcleos de Justiça 4.0” dependerá dos seguintes
requisitos cumulativos:
I – publicação de edital pelo tribunal com a indicação dos “Núcleos de Justiça 4.0” disponíveis, com
prazo de inscrição mínimo de cinco dias, e
II – requerimento do magistrado interessado com indicação da ordem de prioridade da designação
específica pretendida.
§ 1º A designação do magistrado para atuar nos “Núcleos de Justiça 4.0” obedecerá os critérios de
antiguidade e merecimento dos inscritos.
§2º Terão prioridade para designação em “Núcleos de Justiça 4.0” os magistrados que atendam
cumulativamente aos requisitos insculpidos no art. 5º, incisos I e II, da Resolução CNJ nº 227/2016,
do Conselho Nacional de Justiça.
§ 2o Terão prioridade para designação em "Núcleos de Justiça 4.0", em caso de empate no critério de
merecimento, os magistrados que atendam cumulativamente aos requisitos insculpidos no art. 5o,
incisos I e II, da Resolução CNJ no 227/2016. (redação dada pela Resolução n. 398, de 9.6.2021)
§3º A designação de magistrados para atuar em “Núcleos de Justiça 4.0” poderá ser exclusiva ou
cumulativa à atuação na unidade de lotação original.
§4º O exercício cumulativo poderá ser convertido em exclusivo quando, a critério do tribunal, a
distribuição média de processos ao Núcleo justificar.
§ 5º O magistrado designado de forma cumulativa poderá ser posto em regime de trabalho remoto
parcial, dimensionado de forma a não prejudicar a realização de audiências, a prestação da jurisdição
e nem a administração da unidade de lotação original.
Art. 5º Ato do Tribunal poderá dispor sobre o prazo de designação de magistrado para atuar no
“Núcleo de Justiça 4.0”, observado o limite mínimo de 1 (um) ano e máximo de 2 (dois) anos,
permitindo-se reconduções desde que atendido o disposto no art. 4º.
Parágrafo único. Na hipótese de o tribunal viabilizar a transformação de unidades jurisdicionais físicas
em unidades jurisdicionais virtuais no âmbito do Núcleo de Justiça 4.0, poderá substituir o sistema de
designação por tempo certo previsto no caput pelo de lotação permanente.
Recomendação 101/2021 – Recomenda aos tribunais brasileiros a adoção de medidas
específicas para o fim de garantir o acesso à Justiça aos excluídos digitais.
Art. 1o Para os fins desta Recomendação, consideram-se:
I – excluído digital: parte que não detém acesso à internet e a outros meios de comunicação
digitais e/ou que não tenha possibilidade ou conhecimento para utilizá-los, inclusive com
tecnologia assistiva;
II – audiência mista (semipresencial): a que ocorre quando, ao menos, uma pessoa comparece
fisicamente à unidade judiciária para participar do ato processual; e
III – audiência presencial: aquela cujos participantes comparecem fisicamente à unidade
judiciária para a prática do ato processual.
Art. 2o Recomenda-se aos tribunais brasileiros disponibilizar, em suas unidades físicas, pelo
menos um servidor em regime de trabalho presencial durante o horário de expediente
regimental, ainda que cumulando funções, para atendimento aos excluídos digitais, a fim de
garantir o amplo acesso à justiça, efetuar o encaminhamento digital dos eventuais
requerimentos formulados e auxiliar o jurisdicionado naquilo que se revelar necessário.
§1o Para o atendimento faz-se necessário observar a legislação vigente para atendimento preferencial
de idosos, pessoas com deficiência, gestantes entre outros.
§2o O servidor responsável pelo atendimento verificará se os dados cadastrais de endereço e contato
telefônico da parte, contidos nos autos estão atualizados, a fim de garantir a máxima efetividade
quanto à ciência das futuras intimações.
Art. 3o Recomenda-se aos tribunais brasileiros promover a contínua observância das orientações dos
órgãos de saúde, com o intuito de se evitar o contágio pela Covid-19.
§1o As partes devem se identificar para a liberação do acesso à unidade, com a permanência
autorizada apenas àqueles que precisem praticar o ato, pelo tempo indispensável à sua realização,
salvo situação de incapacidade total ou parcial que exija acompanhamento excepcional de terceiro.
§2o Devem ser priorizados agendamentos de horários para atendimento ao público, a fim de evitar
aglomeração e melhor distribuir o fluxo de pessoas.
Art. 4o A comunicação dos atos processuais às partes não assistidas por advogado e sem acesso à
internet e a outros meios de comunicação digitais se dará por meio do envio de carta, com aviso de
recebimento, oficial de justiça ou por ligação telefônica.
Art. 5o Recomenda-se aos tribunais brasileiros disponibilizar aos excluídos digitais audiências de
conciliação e instrução e julgamento nas modalidades presenciais e mistas, podendo ser facultada às
pessoas com deficiência sua participação virtual, sempre que necessário.

Art. 6o Recomenda-se promover anotação nos autos quanto à condição de excluído digital da parte,
mediante requerimento para a adoção de providências pertinentes.
OBRIGADO
Prof. Rodrigo Vaslin

Você também pode gostar