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O Que É Processo Civil

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Aula 1

Artigos 1 a 11; 13, 14, 15

Capítulo 2
O que é processo civil?

Direito Processual Civil para TJ SP

Prof. Henrique Santillo


Prof. Henrique Santillo
Direito Processual Civil para TJ SP
Aula 1: Artigos 1 a 11; 13, 14, 15

Sumário
.......................................................................................................................................................................................

NORMAS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL........................................................................... 3

O QUE É O PROCESSO CIVIL?......................................................................................................................... 3

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Direito Processual Civil para TJ SP
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Normas Fundamentais do Direito Processual Civil

O que é o Processo Civil?


Nós, seres humanos, nos envolvemos frequentemente em conflitos dos mais variados tipos. Isso acontece porque cada
um de nós carregamos várias necessidades e temos interesse em satisfazê-las. Tendo em vista tal situação, é possível
que o meu interesse, em algumas ocasiões, “esbarre” no interesse de uma outra pessoa, que igualmente tem as suas
próprias necessidades. Imagine a seguinte situação:
Gabriel herdou um terreno na cidade de Salvador/BA e decidiu que ali construiria uma casa de veraneio. Por questões de
segurança, edificou muros bem altos por todos os lados, com a intenção de se proteger de eventuais invasões de
assaltantes.
No entanto, Renato, um de seus vizinhos, não ficou muito satisfeito com essa empreitada, já que, segundo ele, os muros
altos suprimiram a passagem dos ventos e da iluminação natural em alguns cômodos de sua residência, ocasionando
aumento excessivo de calor e escuridão.
Existem, nesse caso, dois interesses que não são compatíveis, já que Gabriel quer fazer valer o seu direito de construir
sua casa ao passo que o vizinho Renato deseja impor o seu direito a uma moradia que atenda a todas as suas
necessidades básicas (como a ventilação e a iluminação).
E olha que essa é apenas uma amostra dos incontáveis problemas que podem surgir por meio da convivência em
sociedade. Por essa razão, o Estado cria normas com o objetivo de estabelecer qual é o direito de cada um. É
desejável que essas normas sejam respeitadas, afinal, somente dessa maneira é que poderemos manter a paz social e a
harmonia das relações humanas.
Na teoria, é lindo! Contudo, na prática, essas regras são desrespeitadas constantemente por uma série de motivos
(como vimos no exemplo citado). Pode ser que a lei não seja tão clara ao delimitar os direitos de cada um. Pode ser,
também, que a lei não seja suficiente para evitar os ímpetos do ser humano, sempre desejoso em satisfazer suas
vontades e necessidades.
Assim, quando tais regras estabelecidas pelo legislador são violadas em uma determinada situação concreta, surge o
chamado conflito de interesses, em que alguém quer que seu interesse prevaleça perante outrem, que na maior parte
das resiste à pretensão.

Se os sujeitos envolvidos no conflito não chegam a um acordo, qualquer deles pode procurar o Judiciário para fazer
valer seus direitos! O juiz, imparcial e estranho ao conflito, entrega-lhes então uma decisão que resolva o litígio ,
aplicando as regras e princípios do Direito no caso concreto.
Para que isso ocorra, o interessado busca o Poder Judiciário por meio do ajuizamento de uma ação; é instaurado
um processo, que segue todo um procedimento estabelecido na lei para que se chegue até a decisão final que (ao

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menos em tese) deva colocar um fim no imbróglio! Isso representa a aplicação da função jurisdicional do Estado.
Vamos voltar ao nosso caso, para o qual vislumbramos duas possibilidades:

Com esses conceitos em mente, o professor Didier examina o processo judicial sob algumas perspectivas:

→ método de criação de normas jurídicas: no caso específico do Poder Judiciário, o juiz, ao aplicar as normas gerais
a um caso concreto trazido em juízo, cria uma lei específica, dentro do processo, para as partes envolvidas – que se
dá quando ele profere uma sentença. Em outras palavras, a sentença vale como lei para elas, seja favorável ou
desfavorável aos seus interesses, devendo ser obrigatoriamente cumprida.
No exemplo que vimos, pode ser que o juiz dê razão ao vizinho Renato e determine que Gabriel destrua o muro alto. Essa
determinação estará contida na sentença e valerá como uma verdadeira lei para ambos.
→ ato jurídico complexo: diz-se que o processo é um conjunto de atos jurídicos realizados sucessivamente que se
relacionam ordenadamente entre si, constituindo parte integrante do processo destinado a realizar uma finalidade –
nesse caso, a de pôr fim ao conflito de interesses mencionado por nós logo acima, através de um procedimento
definido por lei.
De acordo com o exemplo: Renato, autor, apresenta uma petição inicial com o respectivo pedido, os servidores a protocolam
e distribuem a um juiz, que a recebe e ordena a citação do de Gabriel. E assim vai... (vamos estudar, com detalhes, essas
fases do processo. Fique tranquilo/a!)
→ relação jurídica: o processo, sob esse enfoque, é analisado tendo por base as relações que são estabelecidas entre
os vários sujeitos que nele atuam. Assim, podem ser formadas inúmeras relações entre eles. Em seu conjunto, elas
podem ser consideradas como uma das bases do processo.
Como a relação entre Renato, o autor e Gabriel, o réu, entre eles e o juiz, entre o juiz e os servidores que o auxiliarão no
desenvolvimento do processo, e assim por diante.

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Vamos além?
O direito que a parte afirma possuir e que foi violado pela outra parte é chamado de direito material. São as normas de
direito material que dão sentido à existência do processo, que poderá resultar em uma decisão que ponha um fim ao
conflito, de forma definitiva, como vimos logo acima.
Gabriel desrespeitou uma norma de direito material, contida no Código Civil, a qual afirma que “o proprietário pode levantar
em seu terreno as construções que lhe aprouver, salvo o direito dos vizinhos e os regulamentos administrativos”
Sendo assim, podemos dizer que o Direito Processual Civil é o ramo do Direito que consiste no estudo de normas e
princípios que regulam a função jurisdicional em todos os seus aspectos e que, portanto, fixam o procedimento
que é necessário seguir para obter a atuação do direito material em um dado caso concreto.
Podemos perceber, então, que as normas de direito processual previstas no Código de Processo Civil (bem como em
algumas leis esparsas) têm como objetivo tutelar as normas de direito material (que representam o conjunto de leis que
determinam quais são os direitos de cada um, abstratamente), servindo, então, como um instrumento de
concretização do Direito.
Esse fenômeno demonstra uma verdadeira relação circular entre o direito material e o direito processual, pois há uma
situação de interdependência entre as duas espécies de tal forma que um existe para servir ao outro, e vice-versa:

De que adiantaria a existência das normas de direito material, que enunciam os nossos direitos e deveres, se não
houvesse normas de direito processual regulando a forma pela qual devemos ir atrás deles? O Judiciário, por sua vez,
também perderia a razão de existir se não houvesse normas que pudessem ser aplicadas aos casos concretos que lhe
são apresentados todos os dias!
Mas nem sempre foi assim, pois o Direito Processual Civil passou por três fases metodológicas:

1ª Fase – Sincretismo/Civilismo

Essa fase, que foi do Direito Romano até meados do século XIX, não considerava o processo uma ciência
autônoma, o que causava uma confusão metodológica entre direito material e direito processual.

2ª Fase – Processualismo/Autonomismo

Oskar von Bülow foi o precursor do processualismo, promovendo a separação entre as relações materiais
(bilateral entre dois indivíduos) das processuais (trilateral, envolvendo dois indivíduos e o Estado).

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Dessa forma, o direito de ação passou a ser autônomo em relação ao direito material.
No Brasil, Liebmann foi o responsável por promover o processualismo ou autonomismo.
CRÍTICA: criou-se um enorme apego ao formalismo, privilegiando muito mais a necessidade de se conceituar e
sistematizar todos os institutos em detrimento do real objetivo do processo, que é o de servir de instrumento para
a realização do direito material.

3ª Fase – Instrumentalismo/Acesso à Justiça

Em 1950, levando em conta as críticas feitas à fase do processualismo, surge uma nova fase cuja finalidade é a de
reaproximar direito material e direito processual, preservando-se a autonomia do processo.
A ideia central era não a de um processo com primor técnico e científicos, mas a de um processo eficaz e ao
mesmo tempo célere, apto a solucionar os conflitos que envolvem o direito material.
Os grandes expoentes dessa fase são Bryant Garth e Mauro Cappelletti, autores da obra “Acesso à Justiça: O
movimento mundial para tornar os direitos efetivos” cuja ideia central era viabilizar o acesso efetivo à justiça
por meio de três ondas renovatórias:
→ PRIMEIRA ONDA (justiça aos pobres): está relacionada à remoção do obstáculo econômico por meio da
gratuidade de justiça e da assistência judiciária.
No Brasil, a primeira onda foi concretizada pela Lei de Assistência Judiciária, bem como o fortalecimento gradativo da
Defensoria Pública, órgão responsável pela defesa dos hipossuficientes.
→ SEGUNDA ONDA (coletivização do processo): está relacionada à representação dos interesses
transindividuais em juízo por meio da instituição de um “processo coletivo”, necessária em virtude da
inadequação do processo civil individual para a tutela de bens e interesses de titularidade indeterminável (meio
ambiente, patrimônio público, saúde etc.).
Além disso, a segunda onda considera necessário criar mecanismos para viabilizar as chamadas “demandas-
moléculas”, ações coletivas que discutem em juízo várias situações individuais de uma vez só. Aqui, a tutela
individual é viável juridicamente, mas, por questão de economia processual, a tutela coletiva seria recomendável
tendo em vista a facilidade do sistema.
Dessa forma, a criação de um processo coletivo deveria levar em consideração a questão da:

Legitimidade: para facilitar a defesa dos interesses transindividuais, é necessário eleger um grupo de
legitimados que, embora não sejam os titulares do direito, irão atuar na sua proteção.
Coisa julgada: os efeitos da decisão de mérito deveriam atingir não apenas aqueles que participaram
da ação, mas todos os que se encontram na situação fática ou jurídica que vincula o grupo classe ou
categoria de pessoas titulares do direito coletivo.

O Brasil “entrou” na segunda onda com edição da Lei de Ação Popular (Lei nº 4.717/65), mas a sua concretização se
deu com a vigência da Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/85) e do Código de Defesa do Consumidor.
→ TERCEIRA ONDA (efetividade do processo): é mais ampla que as demais, tendo como ideia a instituição de
técnicas processuais voltadas a mudanças da própria estrutura do processo, que é complexa e responsável

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pela lentidão na entrega da prestação jurisdicional.


O exemplo brasileiro mais importante é a Lei dos Juizados Especiais (Lei nº 9.099/1995).

Atualmente, está em vigor a Lei n. 13.105/2015, objeto de estudo deste curso, sendo amplamente chamada de Código
de Processo Civil (ou CPC, para os íntimos, rsrs), que por sua vez substituiu o CPC/1973 com o objetivo de implementar
várias melhorias ao processo civil, dentre elas a eliminação de algumas formalidades responsáveis pela demora no
julgamento de ações judiciais e na concretização do direito reconhecido na sentença. Tais mudanças serão vistas em
nossas aulas!
Sob a luz da nova legislação, agora podemos também afirmar que as normas do processo civil são ordenadas,
disciplinadas e interpretadas sempre levando em conta a força normativa Constituição Federal, não podendo dela
se afastar, tampouco contrariá-la.
Tal enunciado possui tanta importância que já está disposto no primeiro artigo do Código:

Art. 1º O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais
estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, observando-se as disposições deste Código.
Suponho que já estudaram, em Direito Constitucional, a hierarquia das normas jurídicas: a Constituição Federal se
encontra em patamar superior às outras leis e normas (chamadas genericamente de normas infraconstitucionais).
Dessa forma, é desejável que elas estejam de acordo com a Constituição para que o ordenamento jurídico mantenha a
harmonia e cumpra com a sua função primordial, que é a de ordenar a vida em sociedade. É exatamente essa a ideia
contida no dispositivo que você acabou de ler.

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