INSTITUTO MÉDIO PRIVADO DE SAÚDE QUINEUS
IMUNOHEMATOLOGIA
SISTEMA DIEGO
Cacuaco, 2024
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INSTITUTO MÉDIO PRIVADO DE SAÚDE QUINEUS
SISTEMA DIEGO
Nº INTEGRANTES DO GRUPO NOTA INDIVIDUAL NOTA COLECTIVA
01 Domingas Armando Pinto
02 Eva João Domingos
03 Ivony Gomes Manuel
Sala nº 10
Classe: 12ª
Turma: Única
Turno: Tarde
Grupo n° 2
Curso: Análises Clínicas
Docente
VERNETE SEBASTIÃO
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ÍNDICE
INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 4
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................................. 5
Sistema Diego ......................................................................................................................... 5
Banda 3 ................................................................................................................................... 6
Antígenos Diª e Dib e seus anticorpos ................................................................................ 8
Antígenos Wra e Wrb e seus anticorpos ............................................................................ 9
A HERANÇA DO SISTEMA SANGUÍNEO DIEGO......................................................... 10
CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 12
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 13
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INTRODUÇÃO
O grupo sanguíneo Diego foi descrito por Layrisse et al em 1955, por meio da descoberta
do anticorpo correspondente em um indivíduo do sexo feminino na Venezuela, cujo recém-
nascido apresentou doença hemolítica perinatal.
Esse sistema de grupo sanguíneo é constituído principalmente por dois pares
independentes de antígenos Dia/Dib e Wra/Wrb, cada par contendo um antígeno de baixa
incidência e um determinante antitético de alta incidência respetivamente, e por outros 17
antígenos menos expressivos. Para o par de antígenos Diego existe a possibilidade de três
genótipos: Di (a- b+), Di (a+ b+) e Di (a+ b-).
O antígeno Diegoª (Diª) é conhecido como um antígeno de baixa incidência (0,01%)
entre caucasianos, entretanto apresenta-se com incidência maior entre índios americanos (36%)
e em populações asiático-mongolóides: chinês (5%), japonês (12%) e coreano (6,4-14,5%).É
considerado por esse motivo um marcador genético para a raça mongolóide, sendo significativo
em estudos antropológicos.
Indivíduos que possuem genótipo Di (a- b+) podem sensibilizar-se quando da presença
do antígeno Diª em hemácias provenientes de transfusão ou gestação desenvolvendo anticorpo
anti-Diª, da classe IgG, geralmente envolvido em reações transfusionais e doenças hemolíticas
perinatais por incompatibilidade materno-fetal. A maioria dos anti-Diª descritos foram
detectados em gestantes, demonstrando ser essa a via principal de sensibilização. Doenças
hemolíticas perinatais, incluindo casos severos foram esporadicamente informados no mundo.
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Sistema Diego
O sistema Diego é composto por 21 antígenos: dois pares de antígenos independentes,
Dia e Dib , Wra e WRb , além de 17 antígenos de menor expressão (DANIELS, 2002): Dia ,
Wra , Wda , Rba , WARR, ELO, Wu, Bpa , Moa , Hga , Vga , Swa , BOW, NFLD, Jn a , KREP,
Tra , Fra e SW1 (COZAC, 2004). Anti-Dia e anti-Dib estão mais relacionados à DHRN que em
reações transfusionais, sejam imediatas ou tardias (DEAN, 2005).
Os antígenos do sistema de grupo sanguíneo Diego estão localizados na banda 3, a
principal e a mais abundante proteína integral na membrana dos eritrócitos com 106 cópias por
célula (BONIFÁCIO, NOVARETTI; 2009 apud DANIELS, 2002). Esta proteína é um
permutador de cloreto / bicarbonato envolvida no transporte de dióxido de carbono dos tecidos
aos pulmões. Encontra-se também no rim, onde está envolvido na secreção de ácido (DEAN,
2005). Banda 3 (anion exchanger 1- AE1) é a proteína de membrana eritrocitária mais
abundante, estando presente em mais de um milhão de cópias por célula, perfazendo
aproximadamente 25% de toda proteína de membrana (POOLE, 1999 apud COZAC, 2004). É
sabido que o antígeno Dia é marcador antropológico das raças asiática e indígena, porém,
existem poucos estudos deste sistema em diferentes raças (COZAC, 2004).
O antígeno Diegoª (Diª) é conhecido como um antígeno de baixa incidência (0,01%)
entre caucasianos, entretanto apresenta-se com incidência maior entre índios americanos (36%)
e em populações asiático-mongolóides: chinês (5%), japonês (12%) e coreano (6,4-14,5%)
(SILVA; JORGE; HIRTSCH, 2004). Recentemente, no Brasil, foi descrita uma prevalência de
75,7% na tribo indígena Parakanã (BALEOTTI et al., 2003). Holmam descreveu o antígeno
eritrocitário Wra , em 1053, sendo de baixa incidência, porém, encontra-se implicado em
reações transfusionais imediatas e tardias graves e na DHPN. Ao contrário do anti-Dia , o anti-
Wra pode ser encontrado 36 como anticorpo de ocorrência natural e no soro de pacientes com
anemia hemolítica autoimune (GRENDYKE et al, 1977; POOLE, 1999 apud COZAC, 2004).
O anticorpo anti-Wrb é pouco freqüente, pois o fenótipo Wr(b-) ocorre muito raramente
(COZAC, 2004).
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BANDA 3
A Banda 3 é uma das mais importantes e numerosas glicoproteínas da membrana
eritrocitária e é composta por 911 aminoácidos, cujo peso molecular é de 95.000 daltons e
possui cerca de 1 milhão de cópias na membrana do eritrócito (FAIRBANKS; STECK;
WALLACH, 1971).
Figura 1 – Esquema ilustrativo da proteína carreadora dos antígenos do sistema Diego. A
proteína Banda 3 está inserida na membrana eritrocitária e possui 22 antígenos representados
em suas sete alças extra-membranares. Em destaque nas caixas pretas, os dois pares de
antígenos antitéticos Diª/Dib e Wrª/Wrb. (Adaptado de REID; LOMAS-FRANCIS; OLSSON,
2012).
Essa glicoproteína apresenta-se com dois domínios funcionalmente distintos: um
domínio amino-terminal citoplasmático com 403 aminoácidos que desempenha papel crucial
na manutenção da integridade celular por atuar como sítio de ligação com proteínas do
citoesqueleto, enzimas glicolíticas e hemoglobina (JAY; CANTLE, 1986; LOW, 1986;
TANNER, 1997); o outro domínio carboxiterminal, com 29 aminoácidos, tem como principal
função, direcionar o fluxo de HCO3- e Cl-, através da membrana eritrocitária (TANNER,
1997). A figura 2 apresenta a interação da Banda 3 com outras glicoproteínas na hemácia.
Os estudos da função da Banda 3 demonstraram que o canal de transporte de ânions é
formado por dois resíduos de lisina (539Lis e 851Lis) que reagem covalentemente com a mesma
molécula do inibidor de transporte de H2DIDS (OKUBO et al., 1994).
O gene que codifica a glicoproteína Banda 3 chama-se SLC4A1 (FIGURA 3) e está
localizado no cromossomo 17q12-q21 em uma organização de 20 éxons dentro de uma
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sequência genômica de 20 Kb (SHOWE; BALLANTINE; HUEBNER, 1987; ZELINSKI et al.,
1993).
O gene SLC4A1 é altamente polimórfico e diversas formas variantes da Banda 3 têm
sido descritas na literatura. Estas variantes podem estar associadas a alterações na sua atividade
de transporte de ânions, tais como a Banda 3-Memphis (HSU & MORRISON, 1985) e a Banda
3 HT (BRUCE et al., 1993); a patologias tais como, neuroacantocitose (KAY et al., 1991),
esferocitose hereditária (JAROLIM et al., 1992), ovalocitose do sul da Ásia (JAROLIM et al.,
1991; MOHANDAS et al., 1992; TANNER, 1997) bem como a expressão dos antígenos do
sistema de grupo sanguíneo Diego (DANIELS et al., 2001).
Figura 2 - Diagrama esquemático da membrana eritrocitária (Visão Lateral) mostrando
interações da Banda 3. Visão lateral da membrana eritrocitária com as proteínas principais:
glicoforina C (GPC), proteína Rh (Rh), banda 3 (3), transportador de glicose (GLUT 1),
glicoproteína associada a Rh (RhAG), CD47 e glicoforina A (GPA). As proteínas de membrana
periférica marcadas incluem: espectrina, anquirina, proteína 4.1 (4.1) e proteína 4.2 (4.2),
aducina, P55 e dematina. Note-se que as três populações hipotetizadas da banda 3 incluem a
banda 3 livre, a banda 3 em um complexo de aquirina e a banda 3 no complexo juncional
(KODIPPILI et al., 2009).
A variante da Banda 3 mais comum encontrada é a Banda 3-Memphis que foi descrita
pela primeira vez por MUELLER & MORRISON, 1977. Eles verificaram a presença da Banda
3 com peso molecular maior (63 kD) que o da Banda 3 normal (60 kD) através da digestão
proteolítica de eritrócitos intactos e da técnica de eletroforese SDS-PAGE. Os resultados da
digestão com pronase sugeriram que o aumento do peso molecular da Banda 3-Memphis
poderia estar relacionado com a incorporação de um segmento adicional do domínio N-terminal
citoplasmático da Banda 3.
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A Banda 3-Memphins foi inicialmente detectada em 6-7% das amostras de doadores
sangue caucasianos (MUELLER; MORRISON, 1977). Na população brasileira a Banda 3-
Memphis foi encontrada em 8% dos indivíduos de um grupo de caucasianos e 24% em
afrodescendentes (PALATNIK et al., 1990). Em outras populações, as frequências da Banda 3-
Memphis foram: 16% em afro-americanos, 18,5% em índios americanos, 29% em japoneses,
13% em chineses e 17,3% em filipinos (IDEGUCHI et al., 1992; RANNEY et al., 1990).
Figura 3 - Localização cromossômica do gene SLC4A1. A seta azul indica a localização
aproximada do gene SLC4A1 no braço longo do cromossomo 17 (National Library of Medicine
(US), 2018)
SPRING et al., (1992) observaram a associação da Banda 3-Memphis com a expressão
do antígeno Diª (antígeno de baixa incidência do sistema de grupo sanguíneo Diego), quando
examinavam a afinidade da reação entre H2DIDS em eritrócitos com diferentes fenótipos
Diego: Di (a+b-), Di (a+b+) e Di (a-b+). Estes autores afirmaram que os eritrócitos com
fenótipo Di (a+) estão sempre associados com a Banda 3-Memphis, caracterizando a variante
II, mas nem sempre a presença da Banda 3-memphis está associada ao fenótipo Di (a+). A
associação entre o antígeno Diª e a Banda 3-Memphis variante II foi também observada por
BRUCE et al., 1994, quando relacionaram o polimorfismo antigênico Diª/Dib com a troca dos
aminoácidos Pro854Leu na cadeia polipeptídica da Banda 3 e os efeitos destas alterações sobre
a reatividade com H2DIDS.
Antígenos Diª e Dib e seus anticorpos
Em 1994, Bruce descreveu que o polimorfismo Diª/Dib era caracterizado por troca única
de aminoácido na posição 854Leu (2561T) para o Diª, ou a presença de 854Pro (2561C) no
caso do antígeno Dib.
Os antígenos Diª e Dib são codificados respectivamente pelos alelos DI*01 e DI*02 e
foram considerados o primeiro par de antígenos antitéticos do sistema Diego, logo são os mais
estudados do sistema. Estes são caracterizados pela presença necessariamente de um deles na
ausência do outro, ocorrendo a obrigatoriedade de expressão antigênica, por exemplo, do Dib
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na ausência do Diª e vice-versa. O fenótipo Di (a+b-) é encontrado raramente, predominando
em asiáticos e índios. Alguns indivíduos com este fenótipo são, na realidade, geneticamente
DI*01/DI*02, o que sugere a presença de uma nova mutação na Banda 3, especificamente no
alelo DI*02, a qual inibe a expressão do Dib (JAROLIM et al, 1994; JAROLIM; RUBIN,
1996). Doadores com fenótipo Di (b-) foram inseridos na lista de fenótipos raros pela
International Society of Blood Transfusion (ISBT) à partir de 1999 (ANSTEE et al., 1999).
Sabe-se que os antígenos Diª e Dib estão completamente formados ao nascimento e por
essa razão é que eles começaram a ser estudados. O anti-Diª foi originalmente descrito em
criança que nascera com doença hemolítica perinatal (DHPN). À partir de então, o potencial
hemolítico deste anticorpo foi evidenciado em uma série de estudos e atualmente, sabe-se que
ele pode causar hemólise in vitro, assim como reação hemolítica transfusional (RHT) severa,
podendo ser imediata ou tardia, além da DHPN como já fora mencionado. (FIGUEROA, 2013).
Já o anti-Dib foi relatado como podendo produzir casos leves de DHPN com um teste
de antiglobulina humana direta (TAD) positivo, mas sem manifestação clínica da doença.
Quanto a RHT, pode produzir um quadro de reação moderada, imediata ou tardia. Há relatos
na literatura de auto-anti-Dib (DANIELS, 2002; FIGUEROA, 2013).
Vários estudos foram conduzidos ao longo dos anos a fim de se identificar a frequência
do antígeno Diª em inúmeras populações, mas segundo Poole, em 1999, a frequência geral do
fenótipo Di (a+b+) em caucasianos e negros é <0,1%, enquanto em asiáticos e indígenas
americanos, esta frequência pode alcançar 10 a 36% dos indivíduos. Outro estudo conduzido
por Novaretti et al. (2010) encontrou uma frequência de 3,6% de Di (a+b+) em doadores de São
Paulo, porém neste caso as amostras não foram caracterizadas de acordo com a raça ou cor.
Antígenos Wra e Wrb e seus anticorpos
O polimorfismo DI*02.03/DI*02.04 foi descrito por Bruce et al em 1995, pela
demonstração de uma troca de aminoácido, sendo então a alteração 658Lis (1972A) para o
antígeno Wra e a alteração 658Glu (1972G) para Wrb. Ficou então estabelecido o segundo par
de antígenos antitéticos do sistema Diego.
Em 1953, Holman descreveu um antígeno eritrocitário de baixa incidência chamado Wrª
(HOLMAN apud DANIELS, 2002). Após sua descoberta, vários outros casos de indivíduos Wr
(a+) foram encontrados. Estudos populacionais demonstraram uma incidência de cerca de 0,1%
de indivíduos Wr (a+) em indivíduos de origem caucasiana. Estudos em amostras de doadores
de sangue na Holanda evidenciaram uma incidência do antígeno Wra em aproximadamente
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4,3%, no entanto, outros estudos apresentaram uma frequência de 0,4 a 1,3% da presença do
antígeno (SCHONEWILLE; VAN ZIJL; WIJERMANS, 2003; SQUIRES et al., 2012;
WALLIS et al., 1996). Um estudo conduzido no Brasil avaliou 1662 amostras de doadores de
sangue aleatórios em São Paulo e verificou uma frequência para esse antígeno de 0,06%
(MUNIZ et al., 2015).
Na ocasião, apesar de este antígeno ter sido vastamente estudado do ponto de vista
sorológico, não havia qualquer suspeita de que tivesse algo em comum com o antígeno Diª.
Existe a ocorrência do fenótipo Wr (a+b-) por homozigozidade dos alelos DI*02.03,
porém, há alguns casos desse fenótipo, ou com a expressão antigênica enfraquecida de Wrb,
que na realidade correspondem ao genótipo DI*02.03/DI*02.04 com alteração nos resíduos da
GPA, que é uma sialoglicoproteína atuante durante a biossíntese da Banda 3 pois age como
uma molécula acompanhante no auxílio de sua dobradura correta e para ser eficientemente
depositada na membrana da hemácia (BRUCE et al., 1995; TELEN; CHASIS, 1990).
Existe a sugestão de que o antígeno Wrb está intimamente associado com a presença
dos resíduos 61-70 da GPA segundo dados da literatura e este fato explicaria por que o antígeno
Wrb não é expresso se parte da GPA não estiver íntegra. É necessário considerar que
hibridismos entre GPA e GPB também podem levar a falta de expressão do antígeno Wrb nas
hemácias, e eventualmente, o antígeno Wrª (BRUCE et al., 1995; TELEN; CHASIS, 1990).
O anti-Wra encontra-se implicado em reações transfusionais imediatas e tardias graves
e na DHPN (CONTRERAS; LUBENKO, 1992). Ao contrário do anti-Diª, o anti-Wra pode ser
encontrado como anticorpo de ocorrência natural e no soro de pacientes com anemia hemolítica
autoimune (BANZHAF; GREENDYKE, 1977; POOLE, 1999).
Em 1971, foi relatado um caso de um anticorpo direcionado a um antígeno de alta
incidência desenvolvido por uma mulher que, após estudos de dosagem, sugeriu ser
geneticamente DI*02.03/DI*02.03, tendo sido chamado de anti-Wrb (ADAMS et al., 1971).
A HERANÇA DO SISTEMA SANGUÍNEO DIEGO
Em 1953, Miguel Layrisse e seus colaboradores estudaram o soro de um recém-nato,
sexo masculino, nascido a termo, com quadro clínico e laboratoriais normais ao nascimento, no
entanto, os níveis de bilirrubina não haviam sido pesquisados.
A icterícia ficou evidente 12 horas após o nascimento e se tornou bastante severa ao
ponto de levar o recém-nato à óbito em três dias. O TAD demonstrou que os eritrócitos da
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criança estavam recobertos com anticorpos. Outros testes com as amostras da mãe e da criança
foram desenvolvidos. Após alguns deles, nenhum anticorpo foi demonstrado no soro materno
quando testado contra um painel de hemácias selecionadas, cuja hemácia do pai não estava
inclusa. Logo que a incompatibilidade ABO e RhD foram excluídas, a ocorrência de um novo
fator sanguíneo de baixa incidência com seu anticorpo correspondente entrou em suspeita
(LEVINE et al., 1954).
Em outubro de 1953, o soro materno foi testado com outras 200 amostras de doadores
de sangue caucasianos e com a amostra do pai da criança. Com as 200 amostras não houve
reação alguma enquanto uma forte aglutinação fora evidenciada com a amostra paterna. Assim
surgiu o nome desse novo fator de grupo sanguíneo, Diego, em referência a família onde ele
fora descoberto (LEVINE et al., 1954).
Já em 1955, diante de uma segunda gravidez, novos testes puderam ser realizados.
Layrisse e colaboradores estudaram quatro gerações da família Diego original e perceberam
que a terceira e quarta geração pareciam ser caucasoides, mas a sua pele era levemente mais
morena que o usual, embora os membros da segunda geração e a matriarca (geração parental)
tinham características da pele com tom mais moreno que as gerações subsequentes, inferindo
então uma linhagem familiar indígena (LAYRISSE; ARENDS; DOMINGUEZ, 1955).
Levando essas informações em conta, Layrisse e Levine começaram a observar as
características da população de diferentes países com 286 indivíduos cujas hemácias foram
testadas com o anti-Diª pelo teste indireto da antiglobulina. A frequência dos resultados
positivos levou Layrisse a concluir que o fator sanguíneo Diego não estava restrito a uma
família em si, mas que poderia ser de relativa alta incidência em determinada população na
Venezuela e provavelmente na América do Sul, com aparente significância genética, clínica e
antropológica associada. Estudos com populações indígenas corroboravam para esse
entendimento. (LAYRISSE apud JUNQUEIRA; CASTILHO, 2002; JUNQUEIRA et al., 1956;
LAYRISSE; ARENDS, 1957a). Logo entendeu-se que podia se tratar de um “Fator Indígena”.
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CONCLUSÃO
Concluímos que o sistema Diego consiste atualmente de 22 antígenos. Foi descoberto
em 1955, por Layrisse e colaboradores, que, ao investigarem um caso de doença hemolítica
perinatal em uma família Venezuelana, evidenciaram uma nova especificidade de anticorpo,
denominado anti-DI1 (-Dia).
O seu par antitético, anticorpo contra o antígeno DI2 (Dib), foi descrito 11 anos mais
tarde. Os antígenos Diego são codificados pelo gene SLC4A1 e estão localizados na
glicoproteína banda 3, que está presente na membrana eritrocitária associada com a glicoforina
A (GPA).E os seus anticorpos Diego são principalmente da classe IgG, produzidos em resposta
à aloimunização eritrocitária após transfusão sanguínea e/ou gestação.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BIANCHI, J. V. S. Harmening DM, Larysse M, Arrends T, Domínguez SR, Hundric-Haspl Z.
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