Didaquê
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Bíblia Teshuvaíta (BTR)
Parte 2 - Novo Testamento
Volume 4 - Brit’Hadashah
Versão adaptada por Tiago Reggio.
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Nota 1: Este livro é a fonte básica da doutrina, da
prática cristã, da legislação eclesiástica e da liturgia da
Igreja Cristã Teshuvaíta Ortodoxa.
Nota 2: Juntamente aos versículos estão as referências
bíblicas, para melhor entendimento contextual e para
ajudar nos estudos da Catequese Básica Teshuvaíta.
Nota 3: Algumas palavras foram acrescentadas entre
colchetes para melhorar o entendimento do texto.
Nota 4: O termo “doutor” não deve ser confundido com
quem fez doutorado ou com quem trabalha com Direito
ou Medicina, pois o doutor eclesiástico é um tipo de
ministro vocacionado por Deus. O doutor exerce a
função de professor eclesiástico (“mestre”), de
catequista (catequizador), de auxiliar sacerdotal
(ajudando os profetas e os pastores) e de pregador. Em
algumas denominações usam o termo “pregador”, mas
na Igreja Cristã Teshuvaíta Ortodoxa o termo usado é
“doutor”.
[Didaquê - A Instrução dos Doze Apóstolos]
Introdução
Sobre o livro:
Didaquê (∆ιδαχń em grego clássico), ou Instrução dos
Doze Apóstolos, é uma obra do primeiro século. É
constituída apenas por dezesseis pequenos capítulos,
mas é de grande relevância histórica e teológica.
Considera-se originário da Palestina ou da Síria, mas
em relação à data em que foi escrita, os estudiosos
dividem-se: uns colocam-na antes da destruição do
templo (entre 60 a 70 d.C.) e outros no período
posterior (entre 70 e 90 d.C.).
Sobre a autoria:
Quanto à autoria, pensa-se que não terão sido os doze
apóstolos a escrever diretamente o texto, mas o nome
terá sido dado por refletir os ensinamentos atribuídos
aos Doze (apóstolos).
Sobre a Eucaristia:
Eucaristia (do grego εὐχαριστία, cujo significado é
“reconhecimento”, “ação de graças”), só posteriormente
se tornou uma celebração em memória da morte
sacrificial e ressurreição de Jesus Cristo. Atualmente
também é denominada “comunhão”, “ceia do Senhor”,
“santa ceia”; mas na Igreja Cristã Teshuvaíta Ortodoxa
o termo usado é Eucaristia mesmo.
Na Didaquê 14.1 o termo foi transliterado e não
traduzido, mas não tem nenhuma associação com a
Eucaristia católica atual, pois a celebração eucarística
católica na realidade é muito diferente daquilo que era
praticado no primeiro século.
Outras informações importantes:
A Didaquê é um catecismo cristão e faz parte do
Catecismo Menor Teshuvaíta. Trata-se, certamente, do
“documento mais importante da era pós-apostólica
[primitiva], a mais antiga fonte de legislação eclesiástica
que possuímos” (Quasten).
Ao que parece, é fruto da reunião de diversas fontes
orais e escritas e que bem retratam a tradição das
primeiras comunidades cristãs. Essa antiguidade
explica porque algumas Igrejas chegaram a
considerá-lo um escrito canônico (inclusive ela é
canônica para a Igreja Cristã Teshuvaíta Ortodoxa).
Apesar de ter sido redigido nos primórdios do
Cristianismo, sua mensagem é válida para os dias de
hoje.
Entre os assuntos tratados, podemos destacar: a
repetição das palavras do Evangelho S. Mateus 5.26,
que contribuíram para a definição da doutrina sobre a
mansidão (não revidar ofensas e a outras coisas más)
(Did 1.4); a proibição do aborto (Did 2.8); a proibição do
esoterismo e da astrologia (Did 3.6); a exortação pela
unidade dos cristãos (Did 6.1); os sacramentos do
batismo (Did 7), da confissão dos pecados (Did 4.16;
14.1) e da Eucaristia [Ceia do Senhor] (Did 9–10); o
batismo ministrado por imersão (Did 7.1) ou aspersão
(Did 7.3) e na forma trinitária ou em nome da Tríade
Celestial [provavelmente no original o batismo era feito
apenas em nome de Jesus Cristo (Did 7.1-3); a
Eucaristia vista como memorial da morte e ressurreição
de Cristo (Did 10.2-4) e talvez como sacrifício (Did
14.1-3); os cuidados a serem tomados contra os falsos
profetas e falsos doutores (Did 11–12); a celebração
eucarística realizada aos domingos (14.1); e a
existência de bispos e diáconos substituindo ou com a
mesma dignidade dos profetas e doutores (Did 15.1-2);
sendo que os profetas, os pastores (anciãos, bispos e
presbíteros) e os doutores são os sacerdotes da Igreja
e os diáconos são os servidores (os que trabalham com
outras questões que não estão relacionados com o
ministério da Palavra).
¶ O Oocumento está dividido em 4 partes.
[Parte 1]
O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE
Capítulo 1 - Amor a Deus e ao próximo
1 Há dois caminhos: um da vida e outro da morte [cf..
Jeremias 21.8; Deuteronômio 5.32s; Deuteronômio
11.26-28; Deuteronômio 30.15-20; Sirácida 15.15-17].
2 A diferença entre ambos é grande.
3 O caminho da vida é, pois, o seguinte: primeiro
amarás a Deus que te fez; depois a teu próximo como a
ti mesmo [cf. Deuteronômio 6.5; Deuteronômio 10.12s;
Sirácida 7.30; Levítico 19.18; Evangelho S. Mateus
22.37].
4 E tudo o que não queres que seja feito a ti, não o
faças a outro [cf. Evangelho S. Mateus 7.12; Evangelho
S. Lucas 6.31].
5 Eis a doutrina relativa a estes mandamentos:
6 Bendigais aqueles que vos amaldiçoam, oreis por
vossos inimigos, jejueis por aqueles que vos
perseguem.
7 Com efeito, que graça vós tereis, se amais os que vos
amam? Não fazem os gentios o mesmo?
8 Vós, porém, ameis os que vos odeiam e não tenhais
inimizade [cf. Evangelho S. Mateus 5.44s; Evangelho S.
Lucas 6.27s; Evangelho S. Lucas 6.32s].
9 Abstenhas-te dos prazeres carnais [cf. 1 Pedro 2.11].
10 Se alguém te bate na face direita, dês-lhe também a
outra e tu serás perfeito.
11Se alguém te obrigar a mil (passos), andes dois mil
com ele.
12 Se alguém tomar teu manto, dês-lhe também tua
túnica.
13 Se alguém toma teus bens, não reclames, pois de
todo o jeito não podes [cf. Evangelho S. Mateus 5.39ss;
Evangelho S. Lucas 6.29].
14 Dês a todo aquele que te pedir, sem exigir
devolução.
15 Pois a vontade do Pai é que se dê dos Seus próprios
dons.
16 Bem-aventurado é aquele que dá conforme a lei,
pois é irrepreensível.
17 Ai daquele que toma (recebe)!
18 Se, porém, alguém tiver necessidade de tomar
(receber), é isento de culpa.
19 Mas se não estiver em necessidade, terá que se
responsabilizar pelo motivo e pelo fim por que tomou
(recebeu).
20 Colocado na prisão, ele não sairá de lá, até ter pago
o último centavo [original: quadrante] [Evangelho S.
Mateus 5.25s; Evangelho S. Lucas 12.58s].
21 Mas é verdade que a este propósito também foi dito:
22 Que tua esmola sue em tuas mãos, até que saibas
[ou, até souberes] a quem dar [cf. Sirácida 12.1].
Capítulo 2 - Deveres para com a vida (aborto)
[Dos deveres para com a vida e a propriedade do
próximo]
1 O segundo mandamento da Instrução (Didaquê) é:
2 Não matarás,
3 não cometerás adultério;
4 não te entregarás à homoafetividade
[homossexualidade],
5 não fornicarás,
6 não furtarás,
7 não exercerás magia, nem bruxaria (charlatanice).
8 Não matarás criança por aborto, nem criança já
nascida;
9 não cobiçarás os bens do próximo.
10 Não serás perjuro [cf. Evangelho S. Mateus 5.33;
Êxodo 20.7], nem darás falso testemunho;
11 não falarás mal do outro, nem lhe guardarás rancor.
12 Não usarás de ambiguidade nem no pensamento
nem na palavra, pois a duplicidade é uma trama fatal
[cf. Provérbios 21.6].
13 Tua palavra não seja falsa, nem vã; mas, ao
contrário, seja cheia de sinceridade e seriedade
(comprovada pela ação).
14 Não serás invejoso nem ladrão, nem hipócrita, nem
malicioso, nem soberbo.
15 Não nutrirás má intenção contra teu próximo [cf.
Êxodo 20.13-17; Deuteronômio 5.17-21].
16 Não odiarás ninguém, mas repreenderás uns e
orarás por outros, e ainda amarás aos outros mais que
a ti mesmo (que tua alma).
Capítulo 3 - Contra a paixão e idolatria
1 Meu filho, evites tudo o que é mau e semelhante ao
mal.
2 Não sejas odiento, pois o ódio conduz à morte; nem
ciumento, nem brigalhão ou provocador, pois de tudo
isso nascem os homicidas.
3 Meu filho, não sejas cobiçoso de mulheres, pois a
cobiça conduz à fornicação.
4 Evites a obscenidade e os maus olhares, pois de tudo
isto nascem os adúlteros.
5 Meu filho, não sejas dado à adivinhação, pois ela
conduz à idolatria.
6 Abstenhas-te também da encantação (feitiçaria) e da
astrologia e das purificações, nem procures ver ou ouvir
(entender) estas coisas, pois tudo isto origina a idolatria.
7 Meu filho, não sejas mentiroso, pois a mentira conduz
ao roubo;
8 não sejas avarento ou cobiçoso de fama, pois tudo
isto origina o roubo.
9 Meu filho, não sejas furioso, pois isto conduz à
blasfêmia;
10 não sejas insolente nem malvado, pois tudo isto
origina as blasfêmias.
11 Sejas, antes, manso, pois os mansos possuirão a
terra [cf. Evangelho S. Mateus 5.5; Salmos 31.11].
12 Sejas longânimo, misericordioso, sem falsidade,
tranquilo e bom e guardes com toda a reverência a
instrução ouvida.
13 Não te eleves a ti mesmo e não entregues teu
coração à insolência;
14 não vivas com os 'grandes', mas com os justos e
humildes.
15 Tu aceitarás os acontecimentos da vida como sendo
bons, sabendo que a Deus nada daquilo.que acontece
é estranho.
Capítulo 4 - Deveres dos senhores e empregados
1 Meu filho, lembres-te dia e noite daquele que te
anuncia a palavra de Deus e o honrarás como ao
Senhor, pois onde se proclama sua soberania aí está o
Senhor presente [cf. Hebreus 13.7].
2 Todos os dias procurarás a companhia dos santos,
para encontrar apoio em suas palavras.
3 Não causarás cismas, mas reconciliarás os que lutam
entre si.
4 Julgarás de maneira justa, sem considerar a pessoa
na correção das faltas [cf. Deuteronômio 1.16s;
Provérbios 31.9].
5 Não demorarás em procurar o que te há de acontecer
ou não.
6 Não terás as mãos sempre estendidas para receber,
retirando-as quando se trata de dar.
7 Se possuíres algo, graças ao trabalho de tuas mãos,
o dês em reparação por teus pecados.
8 Não hesitarás em dar e, dando, não murmurarás, pois
algum dia reconhecerás quem é o verdadeiro
dispensador da recompensa.
9 Não repelirás o indigente, mas antes repartirás tudo
com teu irmão, não considerando nada como teu, pois,
se divides os bens da imortalidade, quanto mais o
deves fazer com os corruptíveis [cf. Atos dos Apóstolos
4.32; Hebreus 13.16].
10 Não retirarás a mão de teu filho ou de tua filha, mas
desde sua juventude os instruirás no temor a Deus.
11 Não darás ordens com rancor ao teu servo ou à tua
serva, que esperam no mesmo Deus que tu, para que
não percam o temor de Deus que está acima de todos.
12 Com efeito, Ele não virá chamar segundo a
aparência da pessoa, mas segundo a preparação do
espírito.
13 Vós, servos, sejais submissos aos vossos senhores
como se eles fossem uma imagem de Deus, com
respeito e reverência [cf. Efésios 6.1-9; Colossenses
3.20-25].
14 Detestarás toda a hipocrisia e tudo o que é
desagradável ao Senhor.
15 Não violarás os mandamentos do Senhor e
guardarás o que recebeste, sem acrescentar nem tirar
algo.
16 Na assembleia, confessarás tuas faltas e não
entrarás em oração de má consciência. - Este é o
caminho da vida.
Capítulo 5 - Do caminho da morte
1 O caminho da morte é o seguinte: em primeiro lugar,
é mau e cheio de maldições:
2 mortes, adultérios, paixões, fornicações, roubos,
idolatrias, práticas mágicas, bruxarias, rapinagens,
3 falsos testemunhos, hipocrisias, ambiguidades
(falsidades), fraude, orgulho, maldade, arrogância,
cobiça, má conversa,
4 ciúme, insolência, extravagância, jactância,
ostentação e ausência do temor de Deus;
5 perseguidores dos bons, inimigos da verdade,
amantes da mentira, ignorantes da recompensa da
justiça, não-desejosos do bem nem do justo juízo,
6 vigilantes, não pelo bem, mas pelo mal, estranhos à
doçura e à paciência, amantes das coisas vãs,
7 cobiçosos de retribuição, sem compaixão com os
pobres, sem cuidado para com os necessitados,
ignorantes de seu Criador,
8 assassinos de crianças, destruidores da obra de
Deus, desprezadores dos indigentes, opressores dos
aflitos,
9 defensores dos ricos, juízes iníquos dos pobres,
pecadores sem fé nem lei. – Filho, fiques longe de tudo
isso.
Capítulo 6 - Perfeito é quem aceita o jugo do Senhor
1 Vigies para que ninguém te afaste deste caminho da
instrução, ensinando-te o que é estranho a Deus [cf.
Evangelho S. Mateus 24.4].
2 Pois, se puderes portar todo o jugo do Senhor, serás
perfeito; se não puderes, faças o que puderes.
3 Quanto aos alimentos, tomes sobre ti o que puderes
suportar,
4 mas abstenhas-te completamente das carnes
oferecidas aos ídolos, pois este é um culto aos deuses
mortos.
[Parte 2]
A CELEBRAÇÃO LITÚRGICA
Capítulo 7 - Instrução sobre o batismo
1 No que diz respeito ao batismo, batizeis em nome do
Pai [Yahuh] e do Filho (Jesus) e do Espírito Santo em
água corrente [cf. Evangelho S. Mateus 28.19].
2 Se não tens água corrente, batizes em outra água; se
não puderes em água fria, faças-o em água quente.
3 Na falta de uma e outra, derrames três vezes água
sobre a cabeça em nome do Pai [Yahuh] e do Filho
(Jesus) e do Espírito Santo.
4 Mas, antes do batismo, o que batiza e o que é
batizado, e se outros puderem, observem um jejum;
5 ao que é batizado, deverás impor um jejum de um ou
dois dias.
Capítulo 8 - Sobre o jejum e oração
1 Vossos jejuns não tenham lugar (não sejam ao
mesmo tempo) com os hipócritas; com efeito, eles
jejuam no segundo e no quinto dia da semana;
2 vós, porém, jejueis na quarta-feira e na sexta (dia de
preparação).
3 Também não oreis como os hipócritas, mas como o
Senhor mandou no seu Evangelho:
4 Nosso Pai no céu, que Teu nome seja santificado,
5 que Teu reino venha,
6 que Tua vontade seja feita na terra, assim como no
céu;
7 dês-nos hoje o pão necessário (cotidiano),
8 perdoes a nossa ofensa assim como nós perdoamos
aos que nos têm ofendido e não nos
deixes cair em tentação, mas livres-nos do mal [cf.
Evangelho S. Mateus 6.9-13; Evangelho S. Lucas
11.2-4],
9 pois Teu é o poder e a glória pelos séculos.
10 Assim oreis três vezes por dia.
Capítulo 9 - Sobre a celebração da Eucaristia
1 No que concerne à Eucaristia, celebreis-a da seguinte
maneira:
2 Primeiro sobre o cálice, dizendo:
3 Nós te bendizemos (agradecemos), nosso Pai, pela
santa vinha de Davi, Teu servo que Tu nos revelaste
por Jesus, Teu servo; a Ti, a glória pelos séculos!
Amém.
4 Sobre o pão a ser quebrado [repartido]:
5 Nós te bendizemos (agradecemos), nosso Pai, pela
vida e pelo conhecimento que nos revelaste por Jesus,
Teu servo; a Ti, a glória pelos séculos! Amém.
6 Da mesma maneira como este pão quebrado primeiro
fora semeado sobre as colinas e depois recolhido para
tornar-se um, assim das extremidades da Terra seja
unida a Ti Tua Igreja (assembleia) em Teu reino;
7 pois Tua é a glória e o poder pelos séculos! Amém.
8 Ninguém coma nem beba de vossa Eucaristia, se não
estiver batizado em nome do Senhor (Jesus). Pois a
respeito dela disse o Senhor: Não deis as coisas santas
aos cães!
Capítulo 10 - Ação de graças após a ceia [Eucaristia]
1 Mas depois de saciados, bendigais (agradeçais) da
seguinte maneira:
2 Nós Te bendizemos (agradecemos), Pai Santo, por
Teu santo nome, que Tu fizeste habitar em nossos
corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade
que Tu nos revelaste por Jesus Cristo, Teu servo; a Ti,
a glória pelos séculos. Amém.
3 Tu, SENHOR [Yahuh], Todo-poderoso, criaste todas
as coisas para a glória de Teu nome e, para o gozo
deste alimento e a bebida aos filhos dos homens, a fim
de que eles te bendigam;
4 mas a nós deste uma comida e uma bebida espirituais
para a vida eterna por Jesus Cristo, Teu servo.
5 Por tudo Te agradecemos, pois és poderoso; a Ti, a
glória pelos séculos. Amém.
6 Lembres-te, SENHOR [Yahuh], de Tua Igreja, para
livrá-la de todo o mal e aperfeiçoá-la no Teu amor;
7 reúnas esta Igreja santificada dos quatro ventos no
Teu reino que lhe preparaste, pois Teu é o poder e a
glória pelos séculos. Amém.
8 Venha Tua graça e passe este mundo! Amém.
9 Hosana à casa de Davi [cf. Evangelho S. Mateus
21.15].
10 Venha aquele que é santo! Aquele que não é (santo)
faça penitência: Maranata! [cf. 1 Coríntios 16.22;
Apocalipse de João 22.20] Amém.
11 Deixeis os profetas bendizer (celebrar a Eucaristia) à
vontade.
[Parte 3]
A VIDA EM COMUNIDADE
Capítulo 11 - Da hospitalidade para com os apóstolos e
profetas
1 Se, portanto, alguém chegar a vós com instruções
conformes com tudo aquilo que acima é dito,
recebais-o.
2 Mas, se aquele que ensina é perverso e expõe outras
doutrinas para demolir, não lhe deis atenção;
3 se, porém, ensina para aumentar a justiça e o
conhecimento do Senhor, recebais-o como o Senhor.
4 A respeito dos apóstolos e profetas, façais conforme
as normas (texto grego: dogma) do Evangelho.
5 Todo o apóstolo que vem a vós seja recebido como o
Senhor.
6 Mas ele não deverá ficar mais que um dia, ou, se
necessário, mais outro. Se ele, porém, permanecer três
dias é um falso profeta.
7 Na sua partida, o apóstolo não leve nada, a não ser o
pão necessário até a seguinte estação; se, porém, pedir
dinheiro é falso profeta.
8 E não coloqueis à prova nem julgueis um profeta em
tudo que fala sob inspiração, pois todo pecado será
perdoado, mas este pecado não será perdoado [cf.
Evangelho S. Mateus 12.31].
9 Nem todo aquele que fala no espírito é profeta, a não
ser aquele que vive como o Senhor.
10 Na conduta de vida conhecereis, pois, o falso profeta
e o (verdadeiro) profeta.
11 E todo profeta que manda, sob inspiração, preparar
a mesa não deve comer dela; ao contrário, é um falso
profeta.
12 Todo profeta que ensina a verdade sem praticá-la é
falso profeta.
13 Mas todo profeta provado (e reconhecido) como
verdadeiro, representando o mistério cósmico da Igreja,
não ensinando, porém, a fazer como ele faz, não seja
julgado por vós, pois ele será julgado por Deus. Assim
também fizeram os antigos profetas.
14 O que disser, sob inspiração: dês-me dinheiro ou
qualquer outra coisa, não o escuteis; se, porém, pedir
para outros necessitados, então ninguém o julgue.
Capítulo 12 - Da hospitalidade para com os outros
1 Todo aquele que vem a vós, em nome do Senhor,
seja acolhido. Depois de o haverdes sondado, sabereis
discernir a esquerda da direita (pois tendes juízo).
2 Se o hóspede for transeunte, ajudeis-o quanto
possível. Não permaneça convosco senão dois ou, se
for necessário, três dias.
3 Se quiser estabelecer-se convosco, tendo uma
profissão, então trabalhe para o seu sustento.
4 Mas, se ele não tiver profissão, procedais conforme
vosso juízo, de modo a não deixar nenhum cristão
ocioso entre vós.
5 Se não quiser conformar-se com isto, é um que quer
fazer negócios com o cristianismo. Acauteleis-vos
contra tal gente.
Capítulo 13 - Deveres para com os profetas
1 Todo verdadeiro profeta que quer estabelecer-se
entre vós é digno de seu alimento.
2 Do mesmo modo, também o verdadeiro doutor
(eclesiástico) [pregador, mestre], assim como o
operário, é digno de seu alimento.
3 Por isso, tomarás as primícias de todos os produtos
da vindima e da eira, dos bois e das ovelhas e darás
aos profetas, pois estes são os vossos grandes
sacerdotes.
4 Se vós, porém, não tiverdes profeta, deis-o aos
pobres.
5 Se tu fizeres pão, tomes as primícias e dês-as
conforme manda a lei.
6 Do mesmo modo, abrindo uma bilha de vinho ou de
óleo, tomes as primícias e dês-as aos profetas.
7 E tomes as primícias do dinheiro, das vestes e de
todas as posses e, segundo o teu juízo, dês-as
conforme a lei.
Capítulo 14 - Santificação do domingo pela Eucaristia
1 Reunais-vos no dia do Senhor para a fração do pão e
agradeçais (celebreis a Eucaristia), depois de haverdes
confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício
seja puro.
2 Mas todo aquele que vive em discórdia com o outro,
não se junte a vós antes de se ter reconciliado, a fim de
que vosso sacrifício não seja profanado [cf. Evangelho
S. Mateus 5.23-25].
3 Com efeito, deste sacrifício disse o SENHOR [Yahuh]:
Em todo o lugar e em todo o tempo se Me oferece um
sacrifício puro, porque sou um grande rei – diz o
SENHOR [Yahuh] – e o Meu nome é admirável entre
todos os povos [cf. Malaquias 1.11-14].
Capítulo 15 - Eleição de bispos e diáconos
1 Escolhais-vos, pois, bispos e diáconos dignos do
Senhor, homens dóceis, desprendidos (altruístas),
verazes e firmes, pois eles também exercerão entre vós
a liturgia dos profetas e doutores [eclesiásticos]
(mestres[, pregadores]).
2 Não os desprezeis, porque eles são da mesma
dignidade entre vós como os profetas e doutores
[eclesiásticos].
3 Repreendais-vos mutuamente uns aos outros, não
com ódio, mas na paz, como tendes no Evangelho.
4 E ninguém fale com (todo) aquele que ofendeu o
outro (próximo), nem o escute até que ele se tenha
arrependido.
5 Façais vossas preces [orações], esmolas e todas as
vossas ações como vós tendes no Evangelho de nosso
Senhor.
[Parte 4]
O FIM DOS TEMPOS
Capítulo 16 - Da parusia [vinda] do Senhor
1 Vigieis sobre vossa vida. Não deixeis apagar vossas
lâmpadas nem solteis o cinto de vossos rins, mas
estejais preparados, pois não sabeis a hora na qual
nosso Senhor vem [cf. Evangelho S. Mateus 24.41-44;
Evangelho S. Mateus 25.13; Evangelho S. Lucas
13.35].
2 Reunais-vos frequentemente para procurar a salvação
de vossas almas, pois todo o tempo de vossa fé não
vos servirá de nada se no último momento não vos
tiverdes tornado perfeitos.
3 Com efeito, nos últimos dias se multiplicarão os falsos
profetas e os corruptores; as ovelhas se transformarão
em lobos e o amor em ódio [cf. Evangelho S. Mateus
24.10-13; Evangelho S. Mateus 7.15].
4 Com o aumento da iniquidade, os homens se odiarão,
se perseguirão e se trairão mutuamente e então
aparecerá o sedutor do mundo como se fosse o Filho
de Deus.
5 Ele fará milagres e prodígios e a Terra será entregue
em suas mãos e ele cometerá tais crimes como jamais
se viu desde o começo do mundo [cf. Evangelho S.
Mateus 24.24; 2 Tessalonicenses 2.4-9].
6 Então toda a criatura humana passará pela prova de
fogo e muitos se escandalizarão e perecerão. Mas
aqueles que permanecerem firmes na sua fé serão
salvos por Aquele que os outros amaldiçoam (pelo
amaldiçoado) [cf. Evangelho S. Mateus 24.10-13].
7 Aparecerão os sinais da verdade: primeiro o sinal da
abertura no céu, depois o sinal do som da trombeta e,
em terceiro lugar, a ressurreição dos mortos, [cf.
Evangelho S. Mateus 24.31; 1 Coríntios 15.52; 1
Tessalonicenses 4.16]
8 mas não de todos, segundo a palavra da Escritura: o
Senhor virá e todos os santos com ele [cf. Enoque
2.1-2, Judas 14-15].
9 Então verá o mundo a vinda do Senhor sobre as
nuvens do céu [cf. Evangelho S. Mateus 24.30;
Evangelho S. Mateus 26.64].
Tradução: Toni Lopes.
Adaptação, ênfase e referências bíblicas: Profeta Tiago
Reggio.