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Fisiopatologia do Diabetes Mellitus

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Diabetes Mellitus

Caso disparador 04 – “A.M.”


Aula 02 – profa. Luciane Schadeck

Glicemia normal: 80-99 mg/dL. No período pós-prandial, há aumento da


Hipoglicemia: < 80mg/dL. glicemia, que pode permanecer elevada no
Hipoglicemia grave: < 70mg/dL. máximo até 2 horas (para mais, há efeitos
Hiperglicemia: > 99mg/dL. deletérios secundários à hiperglicemia).

Para a manutenção da glicemia normal, há A hiperglicemia:


ação de hormônios:
• Estimula célula β a produzir insulina, e
• Hiperglicemiantes: ↑ glicemia • Inibe célula α a produzir glucagon
Cortisol
Adrenalina 1) Ações da insulina no fígado:
GH - Glicogênese: formação de glicogênio
Glucagon
- Inibição da glicogenólise
• Hipoglicemiantes: ↓ glicemia
Incretinas - Inibição da gliconeogênese
Insulina
- Lipogênese: conversão de glicose em TG
Obs.: por isso, a principal orientação para
pacientes com hipertrigliceridemia é a
restrição da ingestão de açúcares.
- Inibição da lipólise
- Síntese proteica
Obs.: em quadros de DM terminal, o paciente
se apresenta sarcopênico, devido à falta de
insulina para ativar síntese proteica.
- Inibição da degradação proteica
2) Ações da insulina no m. esquelético:
- Glicogênese
Atenção! O músculo NÃO faz glicogenólise
no jejum, somente o fígado.
3) Ações da insulina no tecido adiposo:
- Lipogênese: conversão de glicose em TG
- Inibição da lipólise
São proibidos reprodução e/ou plágio desse resumo. Sujeito a punições segundo Art. 33 da Lei Nº 9.610
Assim, vê-se que a insulina é ANABÓLICA. Em um quadro de DM, com resistência ou
deficiência de insulina, as células passam a
utilizar ácidos graxos como fonte de energia
Nos períodos de jejum, há hipoglicemia (fica (porque não conseguem utilizar a glicose).
entre 70-80mg/dL), que: A degradação de ácidos graxos para
• Estimula célula α produzir glucagon, e produção energética é chamada β-oxidação,
e tem 3 corpos cetônicos como subprodutos.
• Inibe célula β a produzir insulina
Desses corpos cetônicos, 2 são ácidos. O
1) Ações do glucagon no fígado: acúmulo excessivo desses ácidos gera a
- Glicogenólise: quebra de glicogênio em cetoacidose diabética (acidose metabólica),
glicose, aumentando a glicemia que é a complicação mais comum de DM I.

- Gliconeogênese: síntese de glicose a partir Tratamento:


de compostos não-carboidratos a) Insulinoterapia: reverte o efeito da lipólise,
2) Ações do glucagon no m. esquelét.: induz lipogênese e transporta glicose para o
interior das células (que voltam a utilizá-la),
- Glicogenólise
b) Soro fisiológico
c) Uso de HCO3- quando acidose muito grave
Obs.: caso a glicemia reduza muito, mas ainda
não tenha revertido o quadro de acidose,
administrar soro glicosado e continuar a
insulinoterapia até estabilização do quadro.

Existem 2 tipos de carreadores de glicose:


1) GLUT: a insulina atua SOMENTE no
GLUT4, localizado nos tecidos adiposo e
muscular.
Os GLUT4 realizam transporte passivo da
glicose para o interior de células insulino-
dependentes.
Assim, nem todas as células necessitam de
insulina para captarem glicose (ex.
neurônios), somente as com GLUT4.
A insulina também facilita a entrada de íons
K+ para dentro das células. Isso apresenta
importância clínica imensa porque quando o
paciente apresentar quadro de hipercalemia,
é administrada uma solução polarizante, à
base de insulina e glicose:
a) Insulina facilita entrada de K+ para dentro
das células, reduzindo a hipercalemia, e

São proibidos reprodução e/ou plágio desse resumo. Sujeito a punições segundo Art. 33 da Lei Nº 9.610
b) Glicose impede que haja hipoglicemia por
ação da insulina.
Atualmente, os melhores fármacos para o
tratamento do DM são:
• Inibidores de SGLT2
Aumenta excreção de glicose pela urina
• Análogos de GLP1
• Inibidores de DPP-IV
Aumentam t ½ do GLP1
• Metformina
Reduz resistência insulínica

Diabetes Mellitus: distúrbio do metabolismo


de carboidratos, gorduras e proteínas,
provocado pelo:
a) Comprometimento da síntese ou secreção
de insulina pelas células β, ou pela
b) Incapacidade dos tecidos de utilizar a
2) SGLT2: carreadores de glicose acoplados insulina (resistência insulínica)
ao sódio, localizado nos rins e no intestino. Classificação do DM:
Atenção! A insulina NÃO apresenta ação 1) DM gestacional (DMG)
sobre esse transportador.
Anormalidades da regulação da glicose que
são apresentadas inicialmente durante a
gestação, em particular durante o 2º ou 3º
As Incretinas são hormônios liberados pelas trimestres.
células L intestinais. A principal é a GLP-1.
Está associada a maior risco de complicações
Ações de GLP-1: da gravidez, mortalidade e anormalidades
fetais.
- Fígado: ↓ produção de glicose
- Pâncreas: ↑ síntese de insulina Fatores de risco para DMG

• Idade materna avançada
proliferaçã
• Sobrepeso, obesidade ou ganho excessivo de
o de
- Músculo: ↑ sensibilidade à insulina peso na gravidez atual
células β
• Deposição central excessiva de gordura
- Coração: ↑↓cardioproteção
corporal
↑apoptose
DC • Parentes de 1º grau com DM
de células
- Estômago: retarda esvaziamento gástrico • Crescimento fetal excessivo, polidrâmnio, HAS
β ou pré-eclâmpsia na gravidez atual
- Cérebro: ↑ neuroproteção • Antecedentes obstétricos de abortamentos de
↓ apetite repetição, malformações, morte fetal ou
neonatal, macrossomia ou DMG
• Síndrome de ovários policísticos
• Baixa estatura (< 1,5m)

São proibidos reprodução e/ou plágio desse resumo. Sujeito a punições segundo Art. 33 da Lei Nº 9.610
2) Diabetes em virtude de outras causas Patogenia: associação entre predisposição
genética (genes diabetogênicos tipo 1) +
DM causado secundariamente a alguma
fatores ambientais (ex. infecções virais,
situação específica (ex. lesão iatrogênica do
componentes dietéticos) resulta no ataque
pâncreas, tumor de pâncreas).
autoimune às células β.
3) Pré-diabetes
Obs.: o DM 1 pode ser idiopático, não
O pré-diabetes é uma condição caracterizada possuindo marcadores de doença autoimune
por níveis glicêmicos elevados, mas que e não sendo identificada a sua causa.
não atendem aos critérios do DM.
O DM 1 resulta em um distúrbio catabólico,
Tratamento do pré-diabético: mudança do porque a ausência absoluta de insulina causa:
estilo de vida de 3 a 6 meses. Caso os exames
• Elevação da glicemia
não melhorem, é indicado uso de metformina.
• Degradação de gorduras e proteínas
O diagnóstico de DM é feito por meio de • Cetoacidose diabética
exames laboratoriais:
Tratamento: insulinoterapia.
5) DM 2
Definição: comprometimento da capacidade
dos tecidos-alvo (fígado, músculo, tecido
adiposo) de utilizar a insulina (resistência
TOTG: Teste de Tolerância Oral a Glicose – insulínica) e falta relativa de insulina (tem,
exame de glicemia após 2h da ingestão de mas não consegue agir).
75g de glicose.
A etiologia do DM2 é complexa e multifatorial,
HbA1c: hemoglobina glicada, é o melhor com associação entre componentes genéticos
exame atualmente, pois representa a [ ] de e ambientais.
glicose ligada à Hb.
Epidemiologia:
Atenção! Caso glicemia em jejum venha
normal, e a HbA1c venha alta, isso significa • 90-95% dos casos de DM
que o paciente realizou dieta adequada • Comum a partir da 4ª década de vida
apenas dias antes do exame, enquanto que Em crianças e adolescentes, o DM 2 é
no restante do período, não realizou. chamado de MODY, e está associado à
Essa justificativa se dá porque a vida média obesidade.
das hemácias é de 120 dias. Logo, o resultado Fatores de risco para DM 2:
da HbA1c de hoje se remete à fixação de
glicose em hemácias originadas a partir de 4 • História familiar da doença
meses atrás (120 dias). • Avançar da idade
• Obesidade
4) DM 1
• Sedentarismo
Definição: perda total da função das células • HAS
β e deficiência absoluta de insulina. • Dislipidemia
• Diagnóstico prévio de pré-diabetes
Epidemiologia:
• Diagnóstico prévio de DMG
• 5% dos casos de DM
Patogenia: associação entre resistência à
• Comum na infância e adolescência
insulina + anormalidade na secreção de
Em adultos com DM 1, é mais comum a forma insulina pelas células β + aumento da
lentamente progressiva, chamada LADA. produção de glicose pelo fígado resultam
São proibidos reprodução e/ou plágio desse resumo. Sujeito a punições segundo Art. 33 da Lei Nº 9.610
no aumento da secreção de insulina (fase
hiperinsulinêmica).
As complicações agudas são chamadas
Há certo momento em que as células β entram
assim porque o paciente evolui ao óbito em
em exaustão, e diminuem a produção de
menos de 24 horas do início da alteração.
insulina (fase hipoinsulinêmica). Com isso, há
aumento dos níveis glicêmicos pós-prandiais 1) Cetoacidose diabética (CAD)
e aumento na produção hepática de glicose.
Já explicada na pt de fisiologia.
Atenção! A maioria dos quadros de DM 2 é
assintomática ou oligossintomática. Assim, 2) Estado hiperosmolar
se faz necessário o rastreamento dessa Obs.: ocorre sobretudo no DM 2.
doença.
O estado hiperosmolar ocorre porque:
a) Glicose tem alta osmolaridade e atrai água
Critérios para rastreamento de DM 2
do ambiente intracelular para o extracelular,
Sugere-se o rastreamento de indivíduos com causando desidratação, e
idade < 45 anos, com sobrepeso ou obesidade
e que apresentam mais UM fator de risco para b) A poliúria pode causar intensa perda de
DM: líquido pela urina, também resultando na
desidratação.
• Pré-diabetes
• Parente de 1º grau com DM Tratamento: soro fisiológico e insulina.
• Etnias com alto risco para DM (negros,
hispânicos ou índios Pima)
3) Hipoglicemia
• Diagnóstico prévio de DMG O quadro de hipoglicemia é caraterizado por:
• História de DCV
• HAS • Confusão mental
• HDL < 35mg/dL e/ou TG > 250mg/dL • Rebaixamento da consciência
• Síndrome de ovários policísticos
Isso se dá porque os neurônios utilizam
• Sedentarismo
apenas glicose como fonte de energia e,
• Acantose nigricans
quando há uso inadequado da insulina (ex.
dose elevada), ocorre hipoglicemia.
Observação: no final do resumo, há um Outros sintomas decorrentes da hipoglicemia
quadro comparativo entre DM 1 e DM 2. ocorrem por ativação do SNA Simpático
(visto que o rebaixamento de consciência
grave é iminência de morte):
As manifestações clínicas clássicas do DM • Taquicardia
são:
• Sudorese fria
• Polifagia: aumento da fome • Hipertensão
• Poliúria: aumento do volume urinário • Midríase
• Polidipsia: aumento da sede • Palidez (pela vasoconst. periférica)

Além dessas, também podem ocorrer: Nesse sentido, se orienta a administração de


insulina antes de dormir porque, caso ocorra
• Perda de peso hipoglicemia, será quase no período da
• Visão turva manhã, quando o paciente e/ ou seus
• Fadiga parentes já estão acordando.
• Infecções de pele recidivantes
Tratamento: glicose VO ou EV.

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1) Microvascular
Retinopatia
Nefropatia
Alteração do SNA
2) Macrovascular
Coronariopatias
Alterações vasculares cerebrais (AVE)
Doença arterial obstrutiva periférica
3) Pé diabético
4) Infecções

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Quadro comparativo entre DM 1 e DM 2
Características DM 1 DM 2
Idade ao início Infância e adolescência Fase adulta
Abrupto, sintomático, com Gradual, sutil, com
Tipo de início
frequência de cetoacidose grave frequência assintomático
Normal, sendo comum a perda de
Peso corporal Sobrepeso
peso recente
Histórico familiar Incomum Muito comum
Associação com HLA + –
Lesões de ilhotas Precoces – inflamação Tardias – fibrose
Massa das células β ↓↓↓↓↓ (praticamente ausente) Normal ou pouco reduzida
Início: elevado ou normal
[Insulina] circulante ↓↓↓↓↓
Avanço da doença: reduzido
MEV
Tratamento clínico Insulinoterapia Antidiabéticos orais/injetáveis
Insulinoterapia

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