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Desafios da Globalização Econômica

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PROBLEMAS ECONÓMICOS COMTEMPORÂNEOS

GLOBALIZAÇÃO/DESGLOBALIZAÇÃO

Globalização – conceito:

Forma como os países interagem entre si, que possui benefícios e desafios e provocou transformações a
vários níveis:

a) Alargamento, aprofundamento e aceleração das interconexões entre economias à escala


global;
b) Interdependência mútua crescente e complexa entre economias em mercados diferentes
(bens, serviços, pessoal e capital);
c) Um processo que desafia fronteiras e barreiras nacionais sem um resultado definitivo.

O que tem guiado a globalização?

Intercâmbio cultural: o conhecimento compartilhado enriquece todos, tanto no campo das ideias
quanto no económico. O multiculturalismo é uma realidade nos países avançados. As grandes capitais
do mundo possuem pequenos microcosmos identitários nos seus bairros e refletem uma nova forma de
convivência entre diferentes culturas.

Avanços na comunicação e tecnologia: A globalização tem impulsionado avanços significativos na


comunicação e na tecnologia, facilitando a conectividade global e a troca rápida de informações. Isso
tem promovido a disseminação do conhecimento, fortalecido as relações comerciais e permitido a
colaboração global em diversas áreas. Os avanços tecnológicos alteraram a forma como hoje se
comunica, tornando o acesso ao conhecimento maior, permitindo novas descobertas científicas.

Incentivos Económicos: as decisões de localização e distribuição da atividade económica reflete a


procura da eficiência relativa consoante as opções.

Escolhas políticas: a globalização resulta de uma particular correlação de forças que envolvem ideias,
interesses e instituições, quer a nível nacional quer internacional.

Desaparecimento das fronteiras económicas: A livre circulação de bens e capitais gerou alguns aspetos
positivos para a economia global, embora nem sempre se tenham refletido na população. O facto de os
mesmos produtos, com as mesmas características, poderem ser consumidos em diferentes países é um
dos símbolos da globalização comercial.

O aumento do ritmo e da frequência das trocas entre países é possível graças também às melhorias nos
transportes e das tecnologias de comunicação, que através da diminuição das barreiras de tempo e
espaço, da liberalização do comércio, permitem que as empresas ganhem acesso a mercados maiores e
novas oportunidades de negócio.

Desvantagens globalização

É paradoxal que se promova o mesmo estilo de vida global quando as diferenças na qualidade de vida
são tão grandes, não só entre os países, mas dentro de cada um deles.

Aumento do desemprego: A fuga de empresas nacionais para países onde os custos de produção são
mais baixos. Essa realocação teve duas consequências: por um lado, à medida que os empregos
desaparecem, o desemprego aumenta nos países desenvolvidos e a mão-de-obra torna-se mais barata;
por outro, precarizaram-se os empregos e perderam-se direitos que faziam parte do chamado estado de
bem-estar.

Concentração de capital nas multinacionais: As desigualdades cresceram. Ao aumentar os lucros e as


chances de competir, as gigantes multinacionais são as grandes vencedoras desse modelo de
globalização económica. Pelo contrário, as pequenas empresas nacionais e os profissionais
independentes vêm os seus rendimentos diminuir e, consequentemente, são afetados por um
desequilíbrio económico. Além disso, os trabalhadores perderam o poder de compra.

De uma perspetiva global, pode ver-se como essa concentração de capital em poucas mãos também
empobrece os países. Muitas nações têm um produto interno bruto inferior à faturação das grandes
empresas, o que coloca os seus estados em posição inferior, principalmente aos que estão em processo
de desenvolvimento.

Intervencionismo estrangeiro: Há uma certa diminuição da soberania nacional. Como os países estão tão
inter-relacionados, económica, social, política e culturalmente, qualquer desvio das diretrizes gerais é
visto com desconfiança.

Perda da identidade Nacional: Já que as sociedades se assemelham cada vez mais, com os mesmos
gostos culturais, modas, etc. Por exemplo, um nova-iorquino pode ter mais em comum com um londrino
do que com alguém do interior do seu próprio país. E isso já acontece há séculos. Assim, o medo de
perder a identidade nacional não é apenas acreditar que as raízes estão abandonadas, mas que o modo
de vida não é diferenciado de um país para outro.

Mutilateralismo: defesa da não discriminação nas relações comerciais entre países, como por exemplo,
a obrigatoriedade de tratar como iguais produtos importados e produtos domésticos.

Estado de Desenvolvimento Asiático: Baseia-se na meta de crescimento através de elevados níveis de


investimento na produção industrial e nas infraestruturas, tendo o Estado papel ativo e fundamental
neste investimento. Os recursos são canalizados para indústrias chave. Divisão deste desenvolvimento
em duas escolas:

- Escola Económica: políticas económicas que devem ser adotadas para promoção do desenvolvimento.

- Escola Política: condições políticas e outras que permitam a adoção de políticas apropriadas ao
desenvolvimento, independentemente da sua natureza.

Escola Económica

- Sistema financeiro controlado pelo Estado diretamente que permite a alocação mais rápida de capital a
sectores industriais estratégicos e permitia também ao Estado controlar os fluxos financeiros: via bancos
de desenvolvimento ou banca comercial, dessa forma ocorrem diversos processos de industrialização,
devolvendo setores manufatureiros mais competitivos, assim como existe um maior desenvolvimento
das infraestruturas, o que é fundamental para impulsionar o crescimento económico.

Limitações: está exclusivamente preocupada em analisar as políticas económicas que foram necessárias
para a rápida industrialização da Ásia Oriental sem ter em conta as condições políticas que permitiram a
sua identificação e adoção, ou seja, como se chegou a essas políticas económicas.

A abertura da Ásia ao comércio internacional, nomeadamente na participação em cadeias de


suprimento globais, na redução de barreiras tarifárias e na facilitação da entrada de empresas
estrangeiras nos seus mercados beneficiaram o crescimento asiático. As políticas económicas voltadas
para o livre mercado permitiram que estes países aumentassem a sua eficiência e a sua competitividade.

Escola Política

- Estado Desenvolvimentista Asiático é visto como Autónomo e Capaz, Incrustado (necessidade da


relação Estado-empresas) e Forte, Disciplinador (destacam-se dos outros, uma vez que são capazes de
atuarem perante o sector privado, são agentes disciplinador que impõem padrões de performance
económica, enquanto alocam subsídios para o desenvolvimento industrial).

Novo pensamento baseado em 3 fatores:

- Economias orientadas para o mercado precisam de Estados para que funcionem e cresçam;
- Comunidade internacional começou a preocupar-se com Estado disfuncionais e frágeis;

- Comunidade internacional esperou que os Estados respondessem às necessidades básicas das suas
populações e garantissem o acesso a serviços sociais essenciais (reduzir a pobreza).

Desglobalização na produção – Fragmentação produtiva

Multinacionais: São empresas que têm operações em dois ou mais países.

As multinacionais investem em diferentes países para estabelecer ou expandir suas operações. Esses
investimentos trazem capital, tecnologia e conhecimento para os países recetores, permitindo a
transferência de atividades produtivas para essas regiões. Isso impulsiona o desenvolvimento
tecnológico e a capacitação local, permitindo que os países em desenvolvimento acedam e absorvam
conhecimentos avançados. Os governos, por outro lado, sentem necessidade de atrair estas a fim de
promover o desenvolvimento económico através de novos empregos, novos investimentos.

As multinacionais distribuem as diferentes etapas do processo de produção entre suas filiais em


diferentes países. Por exemplo, uma empresa pode realizar atividades de pesquisa e desenvolvimento
em um país, fabricação em outro país e montagem final em um terceiro país. Isso permite que as
empresas aproveitem as vantagens locais, como custos de mão de obra mais baixos, acesso a recursos
naturais, infraestrutura e conhecimento especializado.

Duas grandes tendências no rápido crescimento global do IDE:

1) Concentração num pequeno número de países, principalmente asiáticos;


2) Crescente importância dos países em desenvolvimento/emergentes como emissores e
recetores de IDE.

A expansão da produção global

Como?

1) A liberalização do comércio global: A fragmentação das cadeias globais de valor exige baixas
tarifas alfandegárias.
2) O crescimento das políticas viradas para o mercado: A expansão das opções para produção
global.
3) A emergência de novas tecnologias: Novas formas de transporte e telecomunicações,
contentores standards – aéreo, viário, ferroviário, marítimo; Ajudou à expansão do alcance
geográfico das empresas e tornou possível novas formas de organização empresarial.

A emergência das cadeias globais de valor

Cadeia de valor: conjunto de atividades desenvolvidas ao longo do processo de conceção e produção o


produto de modo que o produto chegue ao cliente da melhor forma possível; descreve todas as
atividades que as empresas e trabalhadores desempenham desde a concepção ao uso final (e pós-final)
do produto. Estas atividades incluem desde o design, produção, marketing, distribuição e apoio ao
consumidor final (pós-venda).

Cadeia de suprimentos (supply chain) e cadeia de valor: a cadeia de suprimentos corresponde à


dimensão da produção e distribuição do produto

Cadeia global de valor é dividida entre múltiplas empresas e espaços geográficos (um computador que
usa o trabalho e matérias de múltiplos fornecedores em diferentes países, montado num outro país e
que foi desenhado e será vendido em muitos outros países) – permitem que os países em
desenvolvimento aumentem a sua participação no mercado de troca global e diversifiquem as suas
exportações, sem estas teriam que produzir o produto completo a fim de se poderem expandir.

Porquê fazer parte de uma CGV?


- Da perspetiva de “Casa-Mãe” das Multinacionais:

 O que resta quando a produção se move para o exterior?


 O medo do efeito hollowing out (deterioração do sector industrial do país quando os
produtores optam por produzir em localizações com menor custo de mão de obra).

- Da perspetiva da Anfitriã das Multinacionais:

 Pode a anfitriã capturar atividades de maior valor acrescentado?


 Pode a anfitriã ficar encurralada numa relação de dependência com as MNCs?
 Qual é o efeito das empresas estrangeiras nos standards sociais, políticas e ambientais?
 As empresas estrangeiras irão contribuir para o desenvolvimento a longo prazo da economia
local ou irão antes inibir o desenvolvimento das empresas locais?

4º Revolução Industrial – A digitalização desempenha um papel central na indústria 4.0. A Automação


está a tornar-se cada vez mais sofisticada na 4ª Revolução Industrial. Robots industriais, sistemas de
controle autónomos e algoritmos inteligentes estão a aparecer cada vez mais, apesar de ainda não
serem capazes de fazer face em termos económicos à mão de obra barata. Importância da datificação.

Um mundo multiplexo

A ideia da “ordem internacional liberal” liderada pelos EUA que emerge após a Segunda Guerra
Mundial e reforçada com o fim da Guerra Fria em 1989 é baseada em 4 elementos-chave:

Ordem Internacional Global: refere-se ao arranjo e às dinâmicas que governam as relações entre os
estados no âmbito global. É o conjunto de regras, normas, instituições e práticas que moldam a
interação entre os países, influenciando questões políticas, económicas, sociais e de segurança; busca
promover a cooperação, a estabilidade e a busca por objetivos comuns, embora esteja sujeita a
mudanças e desafios em um mundo em constante evolução. Essa ordem é construída por meio de
acordos e instituições multilaterais, como as Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio, o
Fundo Monetário Internacional, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entre
outras. Essas instituições fornecem espaços para negociação, cooperação e tomada de decisões entre os
países, buscando promover a estabilidade e o bem-estar global.

1.Expansão global do comércio livre

Good Tarde Barometer tem sugerido um crescimento mais lento do comércio desde os últimos meses
de 2022 – interrupções na cadeia de suprimentos.

O crescimento do volume do comércio mundial de mercadorias continuou a desacelerar. De acordo com


a última previsão da OMC, o comércio mundial deverá desacelerar ainda mais e permanecem
moderados devido a vários choques, como a guerra na Ucrânia, altos preços de energia, inflação.

O Ocidente devia de abandonar a globalização? O Ocidente deveria voltar aos blocos comerciais, neste
caso criados entre as nações que compartilham certos valores políticos e interesses geopolíticos.

Há duas razões pelas quais o Ocidente devia de abandonar a globalização:

1) Não foi bom economicamente para as classes médias: o período alto da globalização foi bom
para as classes médias da Ásia.

Essa afirmação está em linha com o debate em torno dos efeitos da globalização sobre a desigualdade
de renda nos países desenvolvidos. Alguns argumentam que a abertura econômica e a competição
global resultaram em pressões salariais e perda de empregos em setores tradicionais nas economias
ocidentais, afetando negativamente as classes médias. No entanto, é importante observar que a relação
direta entre globalização e desigualdade de renda é complexa, e outros fatores, como políticas
domésticas e tecnologia, também desempenham um papel significativo nesse contexto.
2) Geopoliticamente, a globalização ajudou na ascensão da China que já é, mas será ainda mais no
futuro, o principal concorrente militar e político dos Estados Unidos.

A globalização tem contribuído para o fortalecimento da China, que é vista como uma competidora
militar e política dos Estados Unidos. Essa preocupação está relacionada com a ascensão da China como
potência econômica e sua busca por influência global. Alguns argumentam que a abertura econômica e
a integração global permitiram que a China se beneficiasse, aumentando sua influência e poder em
escala internacional.

O ocidente construi uma narrativa oposta ao que é a visão da globalização – livre comércio ajuda todos
os países a coexistir pacificamente (paz e estabilidade mundial). Mas isto já não funciona em favor do
ocidente. O livre comércio baseia-se em vantagens mútuas - Os ganhos nunca foram pensados para
envolver absolutamente todos, mas a ideia era que as partes perdedoras fossem compensadas
domesticamente, ou pelo menos que suas perdas particulares não pudessem inviabilizar todo o
processo.

O ocidente domina a ideologia económica: quem é que vai dizer aos restantes países que devem
permanecer no livre comércio - isso é totalmente compreensível da perspetiva do mercantilismo da
grandeza nacional. Mas não se deve iludir acreditando que o resto do mundo pode ser virado de cara e
não perceber a enormidade da mudança ideológica que isso implica. E não admiraria que o impulso
inicial que preconizava aberturas económicas não se tivesse baseado em preocupações geopolíticas que
hoje se revelam insatisfatórias. Simplesmente não se pode manter a validade universal de uma ideologia
que não se segue

2.Governação global assegurada por instituições multilaterais:

As multinacionais dominam a atividade económica, e devido à sua dimensão lideram a economia global.
Da mesma forma, a crescente fragmentação da produção dentro de suas cadeias de valor globais nas
últimas décadas é frequentemente apontada como sendo causada por MNEs. São tão responsáveis por
mais de metade das exportações mundiais. Contribuem generosamente para o PIB global.

O surgimento de novas potências, a polarização política (muitas vezes são compostas por membros com
interesses e visões divergentes) e a falta de consenso em questões-chave têm limitado a capacidade
destas instituições de impor normas e regras globais de maneira unânime. Por outro lado, as
multinacionais são vistas como parte dominante das economias nacionais, bem como das globais, sendo
que os governos, as instituições multilaterais, devem segui-las, uma vez que as MNEs controlam grande
parte das atividades económicas e têm uma enorme contribuição para o PIB global.

As multinacionais, assim como as ações de determinados países que vão contra os acordos tomados por
estas instituições, enfraquecem a ideia de que estas são capazes de assegurar uma governação global. É
cada vez mais visível a polarização dentro das próprias instituições multilaterais, existindo uma maior
criação destas instituições, já que os seus maiores doadores têm visões e propósitos diferentes. Muita
das vezes, a existência de grandes doadores limita o poder de tomada de decisão a um grupo reduzido
de pessoas, desvinculam, em alguns casos, os propósitos destas instituições, favorecendo os interesses
destes grandes doadores e acabam por tornar as instituições menos democráticas

3.Expansão Global da democracia: Ponto de situação

A confiança é um indicador importante para medir como as pessoas percebem a qualidade e como se
relacionam com as instituições governamentais em países democráticos. Ao mesmo tempo, uma alta
confiança nas instituições públicas obviamente não é um resultado necessário da governança
democrática. De facto, baixos níveis de confiança medidos em democracias só são possíveis porque os
cidadãos em sistemas democráticos – ao contrário dos autocráticos – são livres para relatar que não
confiam em seu governo.

A democracia a uma escala global encontra-se à prova, desta forma é necessário preservá-la e protegê-
la de todas os riscos, melhorando a transparência e abertura dos governos para que se crie uma maior
aproximação e uma maior confiança nas instituições, nos tribunais, no governo (está tudo a decair), é
necessário um maior incentivo à participação política e acima de tudo cívica para que a desinformação e
o ódio não vencem. (Hungria, Polónia, Itália -> Extrema Direita a governar, LePen em França, Chega em
Portugal, Vox na Espanha que obteve 10% em 2019 entrando pela 1ª vez no Congresso dos Deputados).

4.Expansão Global dos valores globais: Ponto de situação

Ao mesmo tempo, um mundo multiplexo é um mundo de interconectividade e interdependência. Não é


uma ordem global singular, liberal ou não, mas um complexo de ordens internacionais e globalismos
cruzados, se não concorrentes.

No contexto de um mundo multipolar, as relações internacionais podem ser marcadas por rivalidades,
competições e alianças estratégicas entre esses polos de poder. O equilíbrio de poder é um fator
importante nesse cenário, com os diferentes atores a tentar garantir os seus interesses e influência. Por
outro lado, um mundo multiplexo concentra-se na coexistência e na valorização da diversidade de
sistemas e ideias em um ambiente global cada vez mais interconectado. A diversidade de sistemas,
ideias e atores é valorizada, independentemente de sua posição de poder relativa. Num mundo
multiplexo, nenhuma nação ou ideia tem hegemonia, seja na criação de regras ou na dominância das
instituições de governança global.

Um mundo multiplexo não é definido pela hegemonia de uma única nação ou ideia. Isso não significa
necessariamente que os Estados Unidos estejam em declínio - isso ainda é discutível. Mas significa que
os Estados Unidos não estão mais em posição de criar as regras e dominar as instituições de governança
global e ordem mundial da maneira que fizeram durante grande parte do período pós-Segunda Guerra
Mundial. E embora os elementos da velha ordem liberal sobrevivam, eles terão de acomodar novos
atores e abordagens para não se submeter aos comandos e preferências dos Estados Unidos.

A ascensão do sul facilitada pela globalização deve-se em parte ao forte empenho no desenvolvimento
humano, sendo consequência da aplicação de políticas pragmáticas que respondem às circunstâncias e
oportunidades locais — incluindo um aprofundamento do papel dos Estados no desenvolvimento, uma
aposta na melhoria do desenvolvimento humano (passando pelo apoio à educação e bem-estar social) e
uma abertura ao comércio e inovação.

O “Sul Global” salva a globalização económica

- grande crescimento económico: economia em desenvolvimento que atualmente contribui fortemente


para o PIB mundial e faz concorrência aos Estados Unidos, reduz a pobreza e aumenta a riqueza em
grande escala: um forte empenho do desenvolvimento humano pode abrir caminho às oportunidades
latentes na sua economia.

- aquisições pelo sul a marcas do norte

Como foi possível a tantos países do Sul mudar as suas perspetivas em matéria de desenvolvimento
humano? A maioria desses países contou com três fatores impulsionadores de desenvolvimento
notáveis:

1) Fator impulsionador 1: um Estado proativo orientado para o desenvolvimento;


2) Fator impulsionador 2: integração nos mercados mundiais;
3) Fator impulsionador 3: inovação sustentada da política social.

A emergência do Ásia

A Ásia é cada vez mais o centro da economia mundial.

Os mercados consumidores da Ásia não estão apenas crescendo rapidamente, mas diversificando e
segmentando – consumidores asiáticos contribuíram para o crescimento do consumo global

A nova ordem económica asiática


4 Razões para a crise:

- Liberalização do movimento de capitais: vastos fluxos de capital estrangeiro;

- Fraca supervisão do sistema financeiro;

- Investimentos não produtivos;

- Moeda indexada ao USD dólar.

A China é a principal potência a desenvolver o comércio na Ásia

A reemergência da China – China Global

O comércio Sul-Sul oferece aos países em desenvolvimento acesso a bens de capital a preços acessíveis
mais adequados às suas necessidades.

Nos últimos anos, a tendência a favor da China diminuiu à medida que sua economia desacelerou,
enquanto a dos EUA se recuperou. Mas o cenário do comércio global já está substancialmente
reformulado.

Um mundo incerto: 3 incertezas

Incerteza l – Incerteza causada pela mudança planetária do Antropoceno e à sua relação com
desigualdades humanas.

“A Era do Antropoceno”

- Antropoceno: nova época geológica proposta que reflete o impacto significativo das atividades
humanas no sistema terrestre; O conceito sugere que os seres humanos se tornaram a principal força
motriz por trás das mudanças ambientais globais e que essas mudanças são tão significativas que
justificam a definição de uma nova era geológica.

Nunca tantos dos sistemas do planeta foram intencionalmente afetados por uma única espécie. Somos
nós, os seres humanos, que estamos a impulsionar as alterações climáticas e a prejudicar a integridade
de muitos dos ecossistemas que sustentam as vidas humanas e outras espécies. As nossas escolhas
estão a moldar a evolução da vida na Terra através de legados que se revelarão nos próximos milhões
de anos.

As alterações climáticas, a perda de biodiversidade e muitos outros desafios ambientais, desde a


poluição atmosférica à utilização de plásticos, estão a receber uma atenção individual. Mas a forma
como estas e outras pressões planetárias estão interligadas – e a velocidade, a escala e o âmbito das
mudanças planetárias sem precedentes e suas consequências – motivou um novo enquadramento deste
contexto atual como o Antropoceno (a era dos humanos, em que o impacto dos seres humanos no
planeta é tão acentuado que está a provocar perigosas mudanças planetárias), formalmente proposto
como uma nova época geológica.

Pela primeira vez na história da humanidade, as ameaças existenciais antropogénicas são maiores do
que as dos riscos naturais. Tudo começou com o aparecimento das armas nucleares e com a escalada do
poder tecnológico que atingiu um ponto em que somos capazes de ameaçar a nossa própria existência.
A guerra nuclear representa um risco existencial: a destruição irreversível do potencial da humanidade a
longo prazo.

Ao longo da maior parte da história da humanidade, os riscos existenciais para a nossa espécie
provinham exclusivamente de perigos naturais, independentemente da ação humana, incluindo grandes
impactos de asteroides ou eventos vulcânicos de grande dimensão, tais como os que levam a eventos de
extinção em massa na escala temporal geológica.
Os humanos sempre tiveram o poder de infligir vastos danos entre si e na natureza, mas somente no
Antropoceno alcançaram o poder para matar grande parte da população global e destruir o potencial
das sociedades do futuro.

O espetro das ameaças existenciais antropogénicas é grande e continua em expansão.

Incerteza ll - Incerteza causada pela mudança para novas formas de organização das sociedades
industriais e pós-industriais e a sua relação com o bem-estar dos indivíduos

Por exemplo, a economia verde poderia acrescentar mais de 24 milhões de empregos em todo o mundo
até 2030. Mas estes empregos não estarão necessariamente localizados nas mesmas regiões que estão
a perder postos de trabalho à medida que as indústrias de combustíveis fósseis encerram, nem vão
requerer o mesmo conjunto de ferramentas que uma economia baseada em combustíveis fósseis.

Os ganhos económicos da eliminação gradual do carvão poderiam ascender a 1,2 por cento do PIB
global todos os anos até 2100, mas permanece a questão de como esses ganhos seriam distribuídos
entre países e entre indivíduos. Se os efeitos distributivos forem considerados injustos ou se as pessoas
ficarem sem apoio para se adaptarem a uma nova realidade económica, as transições podem ser
confrontadas com resistência, dissidência e disputa.

A utilização de algoritmos nas redes sociais resulta na diminuição da exposição das pessoas a notícias
que suscitem atitudes contrárias, facilitando a polarização de pontos de vista

Incerteza lll - Incerteza causada pela intensificação da polarização política e social entre e dentro de
países e a sua relação com as novas tecnologias digitais

A polarização política e social tem vindo a intensificar-se tornando mais difícil encontrar consensos para
se começar a solucionar os problemas.

Polarização política: um termo que descreve a divisão acentuada e a oposição entre diferentes grupos
ou indivíduos em questões políticas. Essa polarização ocorre quando as opiniões, ideias e valores
políticos se tornam extremamente divergentes, resultando em uma sociedade ou sistema político
dividido em dois ou mais campos opostos.

Esta intensificação da polarização é fruto primeiro da crescente (1) insegurança humana e depois das (2)
enormes mudanças económicas, sociais e políticas num contexto de crescente digitalização e
dataficação.

A informação é mais barata de produzir e distribuir, a informação de baixa qualidade pode espalhar-se
mais facilmente. Dada a tendência das pessoas para procurar ambientes sociais amigáveis, o feedback
algorítmico pode limitar a informação e as redes a que os utilizadores estão expostos: para que possam
induzir enviesamentos na realidade percebida e contribuir para a polarização.

Crescente Insegurança Humana

1.1) Uma maior insegurança humana está ligada a uma menor agência e confiança individual;

1.2) Uma maior insegurança humana está ligada ao extremismo político.

1.1) Uma maior insegurança humana está ligada a uma menor agência e confiança individual;

- A insegurança humana elevada reduz a capacidade de as pessoas tomarem decisões autónomas por
falta de recursos, por medo ou por discriminação social: as pessoas com maior insegurança humana
tendem a percecionar uma agência mais baixa e potencialmente menor controlo sobre a sua vida.

- A insegurança humana elevada está associada a uma menor confiança em pessoas socialmente
distantes podendo influenciar as perspetivas de cooperação: este padrão parece afetar mais as pessoas
com baixos rendimentos e maior insegurança.
Enfrentar os desafios comuns atuais requer cooperação em contextos para lá daqueles em que a
cooperação entre grupos tende a ser elevada – em particular, enfrentar os desafios planetários implica
a colaboração não só entre governos, mas também através de outras instituições.

Existe uma estreita associação entre a confiança interpessoal e a segurança humana.

1.2) Uma maior insegurança humana está ligada ao extremismo político;

- As pessoas com maior insegurança humana tendem a ter uma preferência mais forte pelos extremos
polarizados do espetro político;

- As pessoas com maior insegurança humana tendem a ter preferências por opiniões extremas sobre o
papel do governo na economia.

Consequência: onde a insegurança é maior, uma maior polarização de opiniões sobre o papel do
governo na economia pode levar a um ciclo vicioso que dificulta a procura de mecanismos de segurança
social nas próprias sociedades que mais necessitam deles. Os avanços na tecnologia digital estão a
perturbar o tecido social:

As redes sociais digitais proporcionam novas formas para os grupos interagirem, encontrarem terreno
comum e até de se organizarem em movimentos. Existem vários exemplos de meios digitais que apoiam
a ação coletiva, desde o protesto contra a violência racial ou étnica, à defesa dos direitos dos
trabalhadores e dos direitos dos grupos diversificados de género e dos povos indígenas. A tecnologia
das comunicações promete um meio para que grupos marginalizados, minoritários ou ameaçados se
organizem e promovam a mudança.

Mas 4 mudanças fundamentais nos nossos sistemas sociais em resultado dos avanços rápidos nas
tecnologias de informação e comunicação. Alteraram drasticamente a estabilidade e funcionalidade das
redes sociais.

Alterações na escala: as redes sociais expandiram-se maciçamente em escala, para quase 7,8 mil
milhões de pessoas. O elevado número de pessoas envolvidas complica a tomada de decisões, a
cooperação e a coordenação. As alterações de escala podem minar a cooperação e impedir o consenso.

Alterações na estrutura: A estrutura das redes sociais humanas mudou. Uma combinação de grande
parte da população e tecnologia, que liga grupos de outra forma díspares e que permite estruturas de
rede que antes não eram possíveis. Se pode permitir maior colaboração além-fronteiras, a difusão de
ideias científicas e a expansão das redes entre aqueles que de outra forma poderiam estar isolados, por
outro lado, estas redes podem fomentar câmaras de eco e difundir informação enganosa ou imprecisa.

Fidelidade da informação. As novas tecnologias de comunicação permitem que a informação seja


transmitida sem alteração ou interferência através de vários graus de separação. Isto facilita a difusão
rápida a larga escala de informações falsas e enganosas. Os rápidos fluxos de informação podem
sobrecarregar os processos cognitivos e levar a decisões menos precisas. Uma vez que a informação é
mais barata de produzir e distribuir, a informação de baixa qualidade pode espalhar-se mais facilmente.

Tomada de decisão algorítmica. Os algoritmos são amplamente utilizados para filtrar, curar e exibir
informação online. Quando concebidos para partilhar informação com base nas preferências e padrões
de utilização dos utilizadores, funcionam como ciclos de retorno e conduzem a novas exposições de
conteúdo que se tornam mais extremas com o tempo. Dada a tendência das pessoas para procurar
ambientes sociais amigáveis, o feedback algorítmico pode limitar a informação e as redes a que os
utilizadores estão expostos: para que possam induzir enviesamentos na realidade percebida e contribuir
para a polarização.

Como combater o domínio da incerteza sobre a ação coletiva – tornar as pessoas mais seguras através
do investimento, proteção e inovação

Hegemonia: superioridade que um país tem sobre os outros.


Hegemonia liberal: influência dominante dos princípios e valores liberais na política e nas relações
internacionais, especialmente por parte dos países ocidentais; sugere que as nações que adotam esses
princípios liberais, especialmente os países ocidentais, têm uma posição de poder e influência no
sistema internacional. Essa influência pode ser exercida por meio de instituições multilaterais, como as
Nações Unidas, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio, nas quais os
valores liberais são promovidos e defendidos

- contestações: reflete os interesses e a visão de mundo dos países ocidentais, ignorando a diversidade
cultural e os contextos específicos de outras regiões; a hegemonia liberal também pode ser vista como
uma forma de dominação e imposição de valores por parte das nações mais poderosas.

EU taxanomy: sistema de classificação, estabelecer uma lista de atividades econômicas ambientalmente


sustentáveis – seria útil para implemente o Acordo Verde Europeu e deve criar segurança para os
investidores, proteger os investidores privados do greenwashing, ajudar as empresas a se tornarem mais
amigas do clima, mitigar a fragmentação do mercado e ajudar a direcionar os investimentos para onde
são mais necessários.

Taxanomy Regulation estabeleceu 6 objetivos ambientais:

- mitigar as alterações climáticas

- adaptar as alterações climáticas

- uso sustentável da água e dos recursos marinhos

- transição para uma economia circular

- controlo e prevenção da poluição

- proteção e restauração da biodiversidade e dos ecossistemas

Euroean Green Deal – esforçando-se para ser o primeiro continente com clima neutro

 Vai transformar a Europa numa economia moderna, com recursos eficientes e competitiva
garantindo: redução das emissões de carbono e que ninguém nem nenhum local é deixado
para trás.
REESTRUTURAÇÃO ECONÓMICA E COMPETITIVIDADE: ARTICULAÇÕES TERRITORIAIS EM CONTEXTO
DE GLOBALIZAÇÃO

Sinais da reestruturação económica nas cidades contemporâneas: No foco no consumo (e em


atividades viradas para o lazer, cultura, desporto, bem-estar...) e nas transformações nas práticas,
valores e estilos de vida; Nas formas de prestação de serviços e de relações de trabalho e de consumo
(p.e., plataformização, teletrabalho,...); Nas múltiplas mobilidades e transitoriedades (pe, nómadas
digitais, residentes temporários, short breaks,...) e na pressão turística; Na relação com a propriedade e
na pressão sobre o mercado residencial; No tipo de atividades e formas como se organizam e
posicionam na cidade.

Capitalismo cognitivo-cultural e Funcionamento globalizado das sociedades do conhecimento e da


informação contemporâneas

- tendência para a massificação da utilização de certos espaços urbanos e a forte pressão ambiental,
social, cultural ou económica, sobre estes territórios; monofuncionalização de certas zonas das cidades,
em particular os centros históricos; alastramento da gentrificação e turistificação; esteticização e
homogeneização global dessas áreas e das atividades e práticas que neles se desenvolvem;
comodificação crescente do espaço público; a “disneyficação” e “eventificação” das cidades e sua
transformação em “maquinas de entretenimento”;

Capitalismo Cognitivo-Cultural: um termo que descreve a relação entre o capitalismo e a produção e


circulação de conhecimento, informação e bens intangíveis. No capitalismo cognitivo, o conhecimento e
a informação são considerados recursos económicos fundamentais, e a capacidade de produzir,
processar e utilizar esses recursos torna-se cada vez mais importante para a geração de riqueza e para o
desenvolvimento económico. Nesse sentido, a economia cognitiva concentra-se em setores e atividades
que envolvem conhecimento especializado, inovação tecnológica, criatividade e habilidades intelectuais.

Um dos aspetos centrais do capitalismo cognitivo é a crescente importância da economia do


conhecimento. Isso inclui setores como tecnologia da informação, software, telecomunicações,
biotecnologia e serviços baseados no conhecimento, nos quais o conhecimento e a informação são os
principais meios de produção. Essas indústrias geralmente dependem de trabalhadores altamente
qualificados, pesquisa e desenvolvimento, propriedade intelectual e redes de comunicação.

Gentrificação: Processo de valorização imobiliária de uma zona urbana, geralmente acompanhada da


deslocação dos residentes com menor poder económico para outro local e da entrada de residentes
com maior poder económico.

As políticas urbanas têm tido dificuldade em lidar com as dinâmicas de fundo subjacentes, como por
exemplo:

- transformações profundas dos movimentos migratórios;


- financeirização do mercado imobiliário;
- transformação das cadeias de valor globais;
- dualização e flexibilização de mercados de trabalho crescentemente globalizados;
- modificações nas formas e lógicas de mobilidade;
- desafios ambientais, risco securitários;
- profundas mutações culturais e sociais nos valores e nas expectativas, com tensões entre uma
maior abertura às expressões identitárias e aos hibridismos, mas igualmente de
recrudescimento dos extremismos e de certas exacerbações identitárias.
- Implicações do envelhecimento.

Forma como a especialização económica dos diferentes espaços e os fatores de competitividade se


estão a transformar na contemporaneidade:

1.Globalização: com o aumento do comércio internacional, os países tendem a especializar-se nos


setores onde possuem vantagens comparativas, de forma a maximizar a eficiência e a competitividade.

2. Mudanças na estrutura produtiva: Com o avanço da tecnologia, a globalização e as mudanças nas


preferências dos consumidores, a estrutura produtiva está a adaptar-se rápido. Os setores tradicionais
estão a passar por reestruturações e deslocalizações, enquanto novas indústrias e atividades
econômicas emergem. Por exemplo, a economia digital, a inteligência artificial, a biotecnologia e as
energias renováveis são áreas em crescimento que estão transformando a especialização econômica dos
espaços.

3. Crescente importância do conhecimento e da inovação: A especialização econômica está cada vez


mais ligada ao conhecimento e à capacidade de inovação. A economia baseada no conhecimento
valoriza habilidades técnicas, criatividade, pesquisa e desenvolvimento. Países, regiões e cidades que
investem em educação, pesquisa e desenvolvimento, e que criam ecossistemas inovadores, têm maior
probabilidade de se especializarem em setores de alto valor agregado.

4. Cadeias globais de valor e interdependência: A especialização econômica está cada vez mais integrada
em cadeias globais de valor, em que diferentes estágios de produção são realizados em diferentes
espaços geográficos. Essa interdependência econômica é impulsionada pelo comércio internacional e
pelas estratégias das empresas de buscar eficiência e acesso a mercados. A especialização de um espaço
pode depender da capacidade de fornecer insumos, serviços ou expertise em um determinado
segmento da cadeia global de valor.

CAPITAL HUMANO E MOBILIDADES: DEMOGRAFIA, QUALIFICAÇÕES

As transformações demográficas têm um impacto significativo nos mecanismos de atratividade de


talentos e recursos humanos qualificados em diversas escalas, desde localidades específicas até níveis
regionais e globais. Várias tendências demográficas estão moldando essas transformações:

1.Envelhecimento da população: Em muitas partes do mundo, há uma tendência de envelhecimento da


população, com as taxas de natalidade a diminuir e a expectativa de vida a aumentar. Isso tem
implicações na disponibilidade de talentos e recursos humanos qualificados, uma vez que as gerações
mais jovens são responsáveis por fornecer o conhecimento e as habilidades necessárias para
impulsionar a economia. Em locais com um envelhecimento acentuado da população, pode haver uma
escassez de talentos qualificados.

2.Migração de trabalhadores qualificados: A migração internacional desempenha um papel importante


na atratividade de talentos e recursos humanos qualificados. Países, regiões e cidades que possuem
políticas migratórias favoráveis, boas oportunidades de trabalho, qualidade de vida e sistemas de
educação e saúde atraentes são mais propensos a atrair profissionais talentosos de outros países. Essa
migração traz consigo uma diversidade de experiências e conhecimentos que podem impulsionar a
inovação e o desenvolvimento econômico.

3.Globalização: A globalização e a facilidade em circular pelos vários países tornaram o movimento da


migração muito mais simples, por isso, os trabalhadores qualificados têm maior flexibilidade em
procurar oportunidades de empregos em vários países optando pelo que se revelar mais vantajoso –
cria competição global para atração e retenção de talentos.

4. Concentração urbana: A urbanização acelerada em muitas partes do mundo tem levado à


concentração de talentos e recursos humanos qualificados em áreas urbanas. Grandes cidades e centros
urbanos são frequentemente vistos como atrativos para profissionais que buscam melhores
oportunidades de emprego, serviços, infraestrutura e vida cultural. A disponibilidade de empregos em
setores de alto valor agregado, como tecnologia, finanças, muitas vezes está concentrada em áreas
urbanas, o que reforça a tendência de concentração de talentos nessas localidades.

5. Promover igualdade de género, inclusão e equidade para que os trabalhadores qualificados se sintam
confortáveis nesse ambiente.

COESÃO SOCIAL E TERRITORIAL: ASSIMETRIAS, BEM-ESTAR E QUALIDADE DE VIDA

As dinâmicas de coesão social e territorial são fundamentais para garantir o desenvolvimento equitativo
e sustentável de uma sociedade em todas as suas escalas, desde localidades específicas até níveis
regionais e globais.

1. Inclusão social: A coesão social envolve garantir que todos os indivíduos e grupos tenham acesso
igualitário a oportunidades, serviços e recursos. Isso implica em combater a discriminação, a exclusão
social e a marginalização, promovendo a igualdade de gênero, a equidade racial e étnica, e garantindo
que pessoas com deficiência, idosos e outros grupos vulneráveis tenham seus direitos assegurados. A
inclusão social contribui para uma sociedade coesa e justa.

2. Desigualdade econômica: A desigualdade econômica pode minar a coesão social e territorial. Quando
há uma distribuição desigual de recursos, oportunidades e renda, podem surgir disparidades e tensões
sociais. A promoção de políticas que buscam reduzir a desigualdade econômica, como programas de
redistribuição de renda, acesso equitativo à educação e à saúde, e incentivos ao desenvolvimento
econômico inclusivo, pode fortalecer a coesão social.

4. Desenvolvimento territorial equilibrado: A coesão territorial refere-se à promoção de um


desenvolvimento equilibrado entre diferentes áreas geográficas, evitando disparidades extremas. Isso
envolve investimentos em infraestrutura, serviços públicos, desenvolvimento econômico e social em
regiões menos favorecidas, de forma a reduzir as desigualdades regionais. O planejamento territorial
adequado, políticas de descentralização e incentivos ao desenvolvimento regional podem contribuir
para uma maior coesão territorial.
A CRIAÇÃO DE VALOR NAS SOCIEDADES COMTEMPORÂNEAS

1. Inovação: A inovação é um dos principais mecanismos de criação de valor. Envolve a introdução de


novos produtos, processos, tecnologias ou modelos de negócio que oferecem benefícios superiores aos
clientes ou que permitem uma produção mais eficiente. A inovação pode gerar vantagens competitivas
significativas e impulsionar o crescimento econômico.

2. Capital humano: Contratar e desenvolver profissionais qualificados, incentivar a criatividade e o


trabalho em equipa, promover a aprendizagem contínua e criar um ambiente de trabalho motivador
podem impulsionar a produtividade e a capacidade inovadora de uma organização.

3. Globalização: A crescente interconexão dos mercados globais tem facilitado a criação de valor
económico. A expansão do comércio internacional, a integração de cadeias de suprimentos globais e o
acesso a novos mercados têm proporcionado oportunidades para as empresas ampliarem sua base de
clientes, reduzirem custos e se beneficiarem de economias de escala.

4. Qualidade e excelência: A busca pela qualidade e excelência é um mecanismo fundamental de criação


de valor. Oferecer produtos ou serviços superiores em termos de desempenho, confiabilidade,
durabilidade, design ou experiência do cliente pode diferenciar uma empresa e atrair clientes dispostos
a pagar um preço mais alto.

5. Marketing e branding: O marketing eficaz e a construção de uma marca forte são mecanismos
poderosos de criação de valor.

Criação de valor & Documentário de Banksy

O filme demonstra como uma simples ideia de Banksy transformou-se num movimento de arte global,
que através da venda de obras de arte, DVDs, entre outros, proporcionou uma enorme receita para o
mesmo.

A sua abordagem não convencional à arte, assim como a sua resistência à comercialização, permitiram
que as suas obras se tornassem mais vantajosas e desejáveis para os colecionadores. Isto alia-se à
abordagem inovadora na arte de rua e ao poder da marca e da reputação que Banksy criou, permitindo
aumentar a sua criação de valor.

A tecnologia é um dos principais impulsionadores da criação de valor na atualidade. Com o avanço das
tecnologias de comunicação e informação, as grandes companhias passaram a fazer uso de dados e
informações, visando não só criar soluções personalizadas para os seus usuários, mas também oferecer
experiências mais satisfatórias aos mesmos. A reflexão disto é observada em áreas como marketing,
desenvolvimento de produtos e atendimento ao cliente, onde as empresas podem fazer uso de dados
para melhor entenderem as necessidades e preferências dos seus consumidores, oferecendo assim
soluções mais eficazes.

Outro fator importante encontra-se na mudança das expectativas dos consumidores. Atualmente, os
consumidores visam obter mais do que um produto ou serviço de qualidade, estes pretendem uma
experiência completa, que envolve desde a pesquisa e escolha do produto, até ao atendimento pós-
venda. Assim, criar valor passa a concentrar-se em oferecer uma experiência de consumo fora do
comum, envolvendo desde a personalização do produto, até à oferta de serviço adicionais, como
atendimento personalizado e suporte técnico.

Ademais, a globalização e a expansão do comércio internacional têm também contribuído para a


mudança destes mecanismos de criação de valor ao abrirem novos mercados e possibilitando a atuação
em escala global, já que as empresas passam a conseguir explorar oportunidades de negócio em regiões
e países diversos, oferecendo produtos e serviços personalizados e adaptados às necessidades das
populações locais.

Finalmente, destacar que os mecanismos usados para criar valor na atualidade estão também
relacionados à sustentabilidade e responsabilidade social, é de extrema importância, visto que, cada vez
mais, os consumidores procuram companhias amigas do ambiente e preocupadas com a sociedade na
sua totalidade. Desta forma, a criação de valor passa a concentrar-se não só na oferta de produtos e
serviços de qualidade como referido anteriormente, mas também na promoção de práticas sustentáveis
e na atuação responsável em relação aos funcionários, comunidade e meio ambiente.

Concluindo, é um facto que os mecanismos de criação de valor atualmente, são diferentes dos do
passado, devendo-se esta mudança a fatores como a tecnologia, expectativas dos consumidores,
globalização e preocupação com a responsabilidade social e sustentabilidade.

O filme "Exit Through the Gift Shop" de Banksy aborda a arte de rua e o mercado de arte
contemporânea, levantando questões sobre os mecanismos de criação de valor nesse contexto
específico. Alguns dos mecanismos de criação de valor associados ao filme podem incluir:

1. Criatividade e autenticidade: Banksy cria imagens icónicas e conceitos artísticos únicos que se
destacam no mundo da arte de rua. Essa originalidade e autenticidade são fatores que contribuem para
a criação de valor em seu trabalho, tornando-o altamente procurado por colecionadores e apreciadores
da arte urbana

2. Escassez e exclusividade: Banksy mantém um alto grau de anonimato e é seletivo em relação às suas
aparições públicas e às obras que ele coloca nas ruas. Essa escassez e exclusividade de suas obras,
combinadas com sua reputação, criam uma procura significativa e aumentam o valor da sua arte.

3. Crítica social e comentário político: As suas obras abordam questões como desigualdade,
consumismo, política e injustiças sociais. Esse engajamento com questões relevantes e controversas
adiciona valor à sua arte, tornando-a mais significativa e impactante.

No que diz respeito à influência das lógicas de governança associadas aos sistemas económicos na
criação de valor, podemos destacar o seguinte:

Sistema económico capitalista: No sistema económico capitalista, o valor económico está intimamente
ligado ao mercado e à oferta e procura. Os artistas de rua, como Banksy, muitas vezes operam à
margem das instituições e mercados tradicionais de arte, encontrando maneiras alternativas de
comercializar suas obras. Nesse sentido, as lógicas de governança do sistema capitalista podem
influenciar a forma como esses artistas estabelecem sua presença no mercado, negociam contratos com
galerias ou agentes, e determinam o preço de suas obras.

Economia da atenção e media sociais (marketing): Na contemporaneidade, a criação de valor económico


também está relacionada à capacidade de atrair a atenção do público. O uso estratégico dos média
sociais e de imagens e vídeos que se tornam virais podem impulsionar a popularidade e a procura pelas
obras de arte de rua. As lógicas de governança nesse contexto envolvem a gestão da imagem do artista,
o envolvimento com o público e a construção de uma marca pessoal que agregue valor às suas criações.

Regulação e legitimidade: A regulamentação e a legitimidade das práticas de arte de rua variam de


acordo com os diferentes contextos e sistemas económicos. Em alguns casos, as autoridades podem
considerar a arte de rua como uma forma de vandalismo ou ilegalidade.

Especialização económica e fatores de competitividade: No contexto contemporâneo, a especialização


económica dos diferentes espaços, como países, regiões e cidades, está passando por transformações. O
advento do capitalismo cognitivo-cultural tem implicações na forma como as economias se estruturam e
competem. A valorização crescente de habilidades cognitivas, conhecimento especializado e criatividade
tem levado a uma procura por setores económicos intensivos em conhecimento, como tecnologia da
informação, pesquisa e desenvolvimento, serviços criativos, entre outros. Isso resulta em uma
reconfiguração das atividades económicas, com impactos na distribuição de recursos e oportunidades
entre diferentes espaços.

Transformações demográficas e atração de talentos: As transformações demográficas têm influência


nos mecanismos de atração de talento e recursos humanos qualificados. A era do capitalismo cognitivo-
cultural valoriza cada vez mais o capital humano, as habilidades técnicas e a inovação. Nesse contexto,
as cidades e regiões que oferecem condições favoráveis para atrair e reter talentos qualificados tendem
a se destacar. Aspetos como qualidade de vida, infraestrutura, redes de inovação, acesso a serviços e
oportunidades de emprego desempenham um papel crucial na capacidade de uma região atrair e reter
talentos. Isso pode levar a disparidades demográficas entre diferentes espaços, com algumas áreas
concentrando talentos enquanto outras enfrentam escassez de recursos humanos qualificados.

Dinâmicas de coesão social e territorial: As transformações económicas e demográficas têm


implicações nas dinâmicas de coesão social e territorial. A reestruturação económica baseada no
capitalismo cognitivo-cultural pode ampliar as desigualdades sociais e económicas, gerando uma
polarização entre diferentes segmentos da força de trabalho. A crescente divisão entre a parte superior
e inferior da força de trabalho, especialmente em áreas metropolitanas, reflete a restrição da sociedade
urbana mencionada por Scog. Isso pode resultar em disparidades de renda, acesso a empregos de
qualidade, oportunidades de crescimento e qualidade de vida entre diferentes grupos sociais. Além
disso, essas dinâmicas também afetam a coesão territorial, com regiões mais favorecidas se
desenvolvendo em um ritmo acelerado em comparação com áreas periféricas ou desfavorecidas.

Políticas Públicas – São ações desenvolvidas pelo governo para garantir direitos à população em
diversas áreas, como saúde, educação e lazer, com o objetivo de assegurar bem-estar e promover a
qualidade de vida da população.

Desta forma, as políticas públicas servem de ferramenta para implementar mudanças progressivas na
sociedade.

-Quais os fatores que atraem (ou permitem reter) pessoas / jovens com talento (qualificados, aptos para
criar valor na sociedade do conhecimento atual) numa determinada cidade nos dias de hoje?

Oportunidades de emprego; Infraestruturas; Educação; Diversidade e Inclusão; Custo de vida; Acesso a


áreas de cultura e lazer; Segurança.

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