Desafios da Globalização Econômica
Desafios da Globalização Econômica
GLOBALIZAÇÃO/DESGLOBALIZAÇÃO
Globalização – conceito:
Forma como os países interagem entre si, que possui benefícios e desafios e provocou transformações a
vários níveis:
Intercâmbio cultural: o conhecimento compartilhado enriquece todos, tanto no campo das ideias
quanto no económico. O multiculturalismo é uma realidade nos países avançados. As grandes capitais
do mundo possuem pequenos microcosmos identitários nos seus bairros e refletem uma nova forma de
convivência entre diferentes culturas.
Escolhas políticas: a globalização resulta de uma particular correlação de forças que envolvem ideias,
interesses e instituições, quer a nível nacional quer internacional.
Desaparecimento das fronteiras económicas: A livre circulação de bens e capitais gerou alguns aspetos
positivos para a economia global, embora nem sempre se tenham refletido na população. O facto de os
mesmos produtos, com as mesmas características, poderem ser consumidos em diferentes países é um
dos símbolos da globalização comercial.
O aumento do ritmo e da frequência das trocas entre países é possível graças também às melhorias nos
transportes e das tecnologias de comunicação, que através da diminuição das barreiras de tempo e
espaço, da liberalização do comércio, permitem que as empresas ganhem acesso a mercados maiores e
novas oportunidades de negócio.
Desvantagens globalização
É paradoxal que se promova o mesmo estilo de vida global quando as diferenças na qualidade de vida
são tão grandes, não só entre os países, mas dentro de cada um deles.
Aumento do desemprego: A fuga de empresas nacionais para países onde os custos de produção são
mais baixos. Essa realocação teve duas consequências: por um lado, à medida que os empregos
desaparecem, o desemprego aumenta nos países desenvolvidos e a mão-de-obra torna-se mais barata;
por outro, precarizaram-se os empregos e perderam-se direitos que faziam parte do chamado estado de
bem-estar.
De uma perspetiva global, pode ver-se como essa concentração de capital em poucas mãos também
empobrece os países. Muitas nações têm um produto interno bruto inferior à faturação das grandes
empresas, o que coloca os seus estados em posição inferior, principalmente aos que estão em processo
de desenvolvimento.
Intervencionismo estrangeiro: Há uma certa diminuição da soberania nacional. Como os países estão tão
inter-relacionados, económica, social, política e culturalmente, qualquer desvio das diretrizes gerais é
visto com desconfiança.
Perda da identidade Nacional: Já que as sociedades se assemelham cada vez mais, com os mesmos
gostos culturais, modas, etc. Por exemplo, um nova-iorquino pode ter mais em comum com um londrino
do que com alguém do interior do seu próprio país. E isso já acontece há séculos. Assim, o medo de
perder a identidade nacional não é apenas acreditar que as raízes estão abandonadas, mas que o modo
de vida não é diferenciado de um país para outro.
Mutilateralismo: defesa da não discriminação nas relações comerciais entre países, como por exemplo,
a obrigatoriedade de tratar como iguais produtos importados e produtos domésticos.
- Escola Económica: políticas económicas que devem ser adotadas para promoção do desenvolvimento.
- Escola Política: condições políticas e outras que permitam a adoção de políticas apropriadas ao
desenvolvimento, independentemente da sua natureza.
Escola Económica
- Sistema financeiro controlado pelo Estado diretamente que permite a alocação mais rápida de capital a
sectores industriais estratégicos e permitia também ao Estado controlar os fluxos financeiros: via bancos
de desenvolvimento ou banca comercial, dessa forma ocorrem diversos processos de industrialização,
devolvendo setores manufatureiros mais competitivos, assim como existe um maior desenvolvimento
das infraestruturas, o que é fundamental para impulsionar o crescimento económico.
Limitações: está exclusivamente preocupada em analisar as políticas económicas que foram necessárias
para a rápida industrialização da Ásia Oriental sem ter em conta as condições políticas que permitiram a
sua identificação e adoção, ou seja, como se chegou a essas políticas económicas.
Escola Política
- Economias orientadas para o mercado precisam de Estados para que funcionem e cresçam;
- Comunidade internacional começou a preocupar-se com Estado disfuncionais e frágeis;
- Comunidade internacional esperou que os Estados respondessem às necessidades básicas das suas
populações e garantissem o acesso a serviços sociais essenciais (reduzir a pobreza).
As multinacionais investem em diferentes países para estabelecer ou expandir suas operações. Esses
investimentos trazem capital, tecnologia e conhecimento para os países recetores, permitindo a
transferência de atividades produtivas para essas regiões. Isso impulsiona o desenvolvimento
tecnológico e a capacitação local, permitindo que os países em desenvolvimento acedam e absorvam
conhecimentos avançados. Os governos, por outro lado, sentem necessidade de atrair estas a fim de
promover o desenvolvimento económico através de novos empregos, novos investimentos.
Como?
1) A liberalização do comércio global: A fragmentação das cadeias globais de valor exige baixas
tarifas alfandegárias.
2) O crescimento das políticas viradas para o mercado: A expansão das opções para produção
global.
3) A emergência de novas tecnologias: Novas formas de transporte e telecomunicações,
contentores standards – aéreo, viário, ferroviário, marítimo; Ajudou à expansão do alcance
geográfico das empresas e tornou possível novas formas de organização empresarial.
Cadeia global de valor é dividida entre múltiplas empresas e espaços geográficos (um computador que
usa o trabalho e matérias de múltiplos fornecedores em diferentes países, montado num outro país e
que foi desenhado e será vendido em muitos outros países) – permitem que os países em
desenvolvimento aumentem a sua participação no mercado de troca global e diversifiquem as suas
exportações, sem estas teriam que produzir o produto completo a fim de se poderem expandir.
Um mundo multiplexo
A ideia da “ordem internacional liberal” liderada pelos EUA que emerge após a Segunda Guerra
Mundial e reforçada com o fim da Guerra Fria em 1989 é baseada em 4 elementos-chave:
Ordem Internacional Global: refere-se ao arranjo e às dinâmicas que governam as relações entre os
estados no âmbito global. É o conjunto de regras, normas, instituições e práticas que moldam a
interação entre os países, influenciando questões políticas, económicas, sociais e de segurança; busca
promover a cooperação, a estabilidade e a busca por objetivos comuns, embora esteja sujeita a
mudanças e desafios em um mundo em constante evolução. Essa ordem é construída por meio de
acordos e instituições multilaterais, como as Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio, o
Fundo Monetário Internacional, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entre
outras. Essas instituições fornecem espaços para negociação, cooperação e tomada de decisões entre os
países, buscando promover a estabilidade e o bem-estar global.
Good Tarde Barometer tem sugerido um crescimento mais lento do comércio desde os últimos meses
de 2022 – interrupções na cadeia de suprimentos.
O Ocidente devia de abandonar a globalização? O Ocidente deveria voltar aos blocos comerciais, neste
caso criados entre as nações que compartilham certos valores políticos e interesses geopolíticos.
1) Não foi bom economicamente para as classes médias: o período alto da globalização foi bom
para as classes médias da Ásia.
Essa afirmação está em linha com o debate em torno dos efeitos da globalização sobre a desigualdade
de renda nos países desenvolvidos. Alguns argumentam que a abertura econômica e a competição
global resultaram em pressões salariais e perda de empregos em setores tradicionais nas economias
ocidentais, afetando negativamente as classes médias. No entanto, é importante observar que a relação
direta entre globalização e desigualdade de renda é complexa, e outros fatores, como políticas
domésticas e tecnologia, também desempenham um papel significativo nesse contexto.
2) Geopoliticamente, a globalização ajudou na ascensão da China que já é, mas será ainda mais no
futuro, o principal concorrente militar e político dos Estados Unidos.
A globalização tem contribuído para o fortalecimento da China, que é vista como uma competidora
militar e política dos Estados Unidos. Essa preocupação está relacionada com a ascensão da China como
potência econômica e sua busca por influência global. Alguns argumentam que a abertura econômica e
a integração global permitiram que a China se beneficiasse, aumentando sua influência e poder em
escala internacional.
O ocidente construi uma narrativa oposta ao que é a visão da globalização – livre comércio ajuda todos
os países a coexistir pacificamente (paz e estabilidade mundial). Mas isto já não funciona em favor do
ocidente. O livre comércio baseia-se em vantagens mútuas - Os ganhos nunca foram pensados para
envolver absolutamente todos, mas a ideia era que as partes perdedoras fossem compensadas
domesticamente, ou pelo menos que suas perdas particulares não pudessem inviabilizar todo o
processo.
O ocidente domina a ideologia económica: quem é que vai dizer aos restantes países que devem
permanecer no livre comércio - isso é totalmente compreensível da perspetiva do mercantilismo da
grandeza nacional. Mas não se deve iludir acreditando que o resto do mundo pode ser virado de cara e
não perceber a enormidade da mudança ideológica que isso implica. E não admiraria que o impulso
inicial que preconizava aberturas económicas não se tivesse baseado em preocupações geopolíticas que
hoje se revelam insatisfatórias. Simplesmente não se pode manter a validade universal de uma ideologia
que não se segue
As multinacionais dominam a atividade económica, e devido à sua dimensão lideram a economia global.
Da mesma forma, a crescente fragmentação da produção dentro de suas cadeias de valor globais nas
últimas décadas é frequentemente apontada como sendo causada por MNEs. São tão responsáveis por
mais de metade das exportações mundiais. Contribuem generosamente para o PIB global.
O surgimento de novas potências, a polarização política (muitas vezes são compostas por membros com
interesses e visões divergentes) e a falta de consenso em questões-chave têm limitado a capacidade
destas instituições de impor normas e regras globais de maneira unânime. Por outro lado, as
multinacionais são vistas como parte dominante das economias nacionais, bem como das globais, sendo
que os governos, as instituições multilaterais, devem segui-las, uma vez que as MNEs controlam grande
parte das atividades económicas e têm uma enorme contribuição para o PIB global.
As multinacionais, assim como as ações de determinados países que vão contra os acordos tomados por
estas instituições, enfraquecem a ideia de que estas são capazes de assegurar uma governação global. É
cada vez mais visível a polarização dentro das próprias instituições multilaterais, existindo uma maior
criação destas instituições, já que os seus maiores doadores têm visões e propósitos diferentes. Muita
das vezes, a existência de grandes doadores limita o poder de tomada de decisão a um grupo reduzido
de pessoas, desvinculam, em alguns casos, os propósitos destas instituições, favorecendo os interesses
destes grandes doadores e acabam por tornar as instituições menos democráticas
A confiança é um indicador importante para medir como as pessoas percebem a qualidade e como se
relacionam com as instituições governamentais em países democráticos. Ao mesmo tempo, uma alta
confiança nas instituições públicas obviamente não é um resultado necessário da governança
democrática. De facto, baixos níveis de confiança medidos em democracias só são possíveis porque os
cidadãos em sistemas democráticos – ao contrário dos autocráticos – são livres para relatar que não
confiam em seu governo.
A democracia a uma escala global encontra-se à prova, desta forma é necessário preservá-la e protegê-
la de todas os riscos, melhorando a transparência e abertura dos governos para que se crie uma maior
aproximação e uma maior confiança nas instituições, nos tribunais, no governo (está tudo a decair), é
necessário um maior incentivo à participação política e acima de tudo cívica para que a desinformação e
o ódio não vencem. (Hungria, Polónia, Itália -> Extrema Direita a governar, LePen em França, Chega em
Portugal, Vox na Espanha que obteve 10% em 2019 entrando pela 1ª vez no Congresso dos Deputados).
No contexto de um mundo multipolar, as relações internacionais podem ser marcadas por rivalidades,
competições e alianças estratégicas entre esses polos de poder. O equilíbrio de poder é um fator
importante nesse cenário, com os diferentes atores a tentar garantir os seus interesses e influência. Por
outro lado, um mundo multiplexo concentra-se na coexistência e na valorização da diversidade de
sistemas e ideias em um ambiente global cada vez mais interconectado. A diversidade de sistemas,
ideias e atores é valorizada, independentemente de sua posição de poder relativa. Num mundo
multiplexo, nenhuma nação ou ideia tem hegemonia, seja na criação de regras ou na dominância das
instituições de governança global.
Um mundo multiplexo não é definido pela hegemonia de uma única nação ou ideia. Isso não significa
necessariamente que os Estados Unidos estejam em declínio - isso ainda é discutível. Mas significa que
os Estados Unidos não estão mais em posição de criar as regras e dominar as instituições de governança
global e ordem mundial da maneira que fizeram durante grande parte do período pós-Segunda Guerra
Mundial. E embora os elementos da velha ordem liberal sobrevivam, eles terão de acomodar novos
atores e abordagens para não se submeter aos comandos e preferências dos Estados Unidos.
A ascensão do sul facilitada pela globalização deve-se em parte ao forte empenho no desenvolvimento
humano, sendo consequência da aplicação de políticas pragmáticas que respondem às circunstâncias e
oportunidades locais — incluindo um aprofundamento do papel dos Estados no desenvolvimento, uma
aposta na melhoria do desenvolvimento humano (passando pelo apoio à educação e bem-estar social) e
uma abertura ao comércio e inovação.
Como foi possível a tantos países do Sul mudar as suas perspetivas em matéria de desenvolvimento
humano? A maioria desses países contou com três fatores impulsionadores de desenvolvimento
notáveis:
A emergência do Ásia
Os mercados consumidores da Ásia não estão apenas crescendo rapidamente, mas diversificando e
segmentando – consumidores asiáticos contribuíram para o crescimento do consumo global
O comércio Sul-Sul oferece aos países em desenvolvimento acesso a bens de capital a preços acessíveis
mais adequados às suas necessidades.
Nos últimos anos, a tendência a favor da China diminuiu à medida que sua economia desacelerou,
enquanto a dos EUA se recuperou. Mas o cenário do comércio global já está substancialmente
reformulado.
Incerteza l – Incerteza causada pela mudança planetária do Antropoceno e à sua relação com
desigualdades humanas.
“A Era do Antropoceno”
- Antropoceno: nova época geológica proposta que reflete o impacto significativo das atividades
humanas no sistema terrestre; O conceito sugere que os seres humanos se tornaram a principal força
motriz por trás das mudanças ambientais globais e que essas mudanças são tão significativas que
justificam a definição de uma nova era geológica.
Nunca tantos dos sistemas do planeta foram intencionalmente afetados por uma única espécie. Somos
nós, os seres humanos, que estamos a impulsionar as alterações climáticas e a prejudicar a integridade
de muitos dos ecossistemas que sustentam as vidas humanas e outras espécies. As nossas escolhas
estão a moldar a evolução da vida na Terra através de legados que se revelarão nos próximos milhões
de anos.
Pela primeira vez na história da humanidade, as ameaças existenciais antropogénicas são maiores do
que as dos riscos naturais. Tudo começou com o aparecimento das armas nucleares e com a escalada do
poder tecnológico que atingiu um ponto em que somos capazes de ameaçar a nossa própria existência.
A guerra nuclear representa um risco existencial: a destruição irreversível do potencial da humanidade a
longo prazo.
Ao longo da maior parte da história da humanidade, os riscos existenciais para a nossa espécie
provinham exclusivamente de perigos naturais, independentemente da ação humana, incluindo grandes
impactos de asteroides ou eventos vulcânicos de grande dimensão, tais como os que levam a eventos de
extinção em massa na escala temporal geológica.
Os humanos sempre tiveram o poder de infligir vastos danos entre si e na natureza, mas somente no
Antropoceno alcançaram o poder para matar grande parte da população global e destruir o potencial
das sociedades do futuro.
Incerteza ll - Incerteza causada pela mudança para novas formas de organização das sociedades
industriais e pós-industriais e a sua relação com o bem-estar dos indivíduos
Por exemplo, a economia verde poderia acrescentar mais de 24 milhões de empregos em todo o mundo
até 2030. Mas estes empregos não estarão necessariamente localizados nas mesmas regiões que estão
a perder postos de trabalho à medida que as indústrias de combustíveis fósseis encerram, nem vão
requerer o mesmo conjunto de ferramentas que uma economia baseada em combustíveis fósseis.
Os ganhos económicos da eliminação gradual do carvão poderiam ascender a 1,2 por cento do PIB
global todos os anos até 2100, mas permanece a questão de como esses ganhos seriam distribuídos
entre países e entre indivíduos. Se os efeitos distributivos forem considerados injustos ou se as pessoas
ficarem sem apoio para se adaptarem a uma nova realidade económica, as transições podem ser
confrontadas com resistência, dissidência e disputa.
A utilização de algoritmos nas redes sociais resulta na diminuição da exposição das pessoas a notícias
que suscitem atitudes contrárias, facilitando a polarização de pontos de vista
Incerteza lll - Incerteza causada pela intensificação da polarização política e social entre e dentro de
países e a sua relação com as novas tecnologias digitais
A polarização política e social tem vindo a intensificar-se tornando mais difícil encontrar consensos para
se começar a solucionar os problemas.
Polarização política: um termo que descreve a divisão acentuada e a oposição entre diferentes grupos
ou indivíduos em questões políticas. Essa polarização ocorre quando as opiniões, ideias e valores
políticos se tornam extremamente divergentes, resultando em uma sociedade ou sistema político
dividido em dois ou mais campos opostos.
Esta intensificação da polarização é fruto primeiro da crescente (1) insegurança humana e depois das (2)
enormes mudanças económicas, sociais e políticas num contexto de crescente digitalização e
dataficação.
A informação é mais barata de produzir e distribuir, a informação de baixa qualidade pode espalhar-se
mais facilmente. Dada a tendência das pessoas para procurar ambientes sociais amigáveis, o feedback
algorítmico pode limitar a informação e as redes a que os utilizadores estão expostos: para que possam
induzir enviesamentos na realidade percebida e contribuir para a polarização.
1.1) Uma maior insegurança humana está ligada a uma menor agência e confiança individual;
1.1) Uma maior insegurança humana está ligada a uma menor agência e confiança individual;
- A insegurança humana elevada reduz a capacidade de as pessoas tomarem decisões autónomas por
falta de recursos, por medo ou por discriminação social: as pessoas com maior insegurança humana
tendem a percecionar uma agência mais baixa e potencialmente menor controlo sobre a sua vida.
- A insegurança humana elevada está associada a uma menor confiança em pessoas socialmente
distantes podendo influenciar as perspetivas de cooperação: este padrão parece afetar mais as pessoas
com baixos rendimentos e maior insegurança.
Enfrentar os desafios comuns atuais requer cooperação em contextos para lá daqueles em que a
cooperação entre grupos tende a ser elevada – em particular, enfrentar os desafios planetários implica
a colaboração não só entre governos, mas também através de outras instituições.
- As pessoas com maior insegurança humana tendem a ter uma preferência mais forte pelos extremos
polarizados do espetro político;
- As pessoas com maior insegurança humana tendem a ter preferências por opiniões extremas sobre o
papel do governo na economia.
Consequência: onde a insegurança é maior, uma maior polarização de opiniões sobre o papel do
governo na economia pode levar a um ciclo vicioso que dificulta a procura de mecanismos de segurança
social nas próprias sociedades que mais necessitam deles. Os avanços na tecnologia digital estão a
perturbar o tecido social:
As redes sociais digitais proporcionam novas formas para os grupos interagirem, encontrarem terreno
comum e até de se organizarem em movimentos. Existem vários exemplos de meios digitais que apoiam
a ação coletiva, desde o protesto contra a violência racial ou étnica, à defesa dos direitos dos
trabalhadores e dos direitos dos grupos diversificados de género e dos povos indígenas. A tecnologia
das comunicações promete um meio para que grupos marginalizados, minoritários ou ameaçados se
organizem e promovam a mudança.
Mas 4 mudanças fundamentais nos nossos sistemas sociais em resultado dos avanços rápidos nas
tecnologias de informação e comunicação. Alteraram drasticamente a estabilidade e funcionalidade das
redes sociais.
Alterações na escala: as redes sociais expandiram-se maciçamente em escala, para quase 7,8 mil
milhões de pessoas. O elevado número de pessoas envolvidas complica a tomada de decisões, a
cooperação e a coordenação. As alterações de escala podem minar a cooperação e impedir o consenso.
Alterações na estrutura: A estrutura das redes sociais humanas mudou. Uma combinação de grande
parte da população e tecnologia, que liga grupos de outra forma díspares e que permite estruturas de
rede que antes não eram possíveis. Se pode permitir maior colaboração além-fronteiras, a difusão de
ideias científicas e a expansão das redes entre aqueles que de outra forma poderiam estar isolados, por
outro lado, estas redes podem fomentar câmaras de eco e difundir informação enganosa ou imprecisa.
Tomada de decisão algorítmica. Os algoritmos são amplamente utilizados para filtrar, curar e exibir
informação online. Quando concebidos para partilhar informação com base nas preferências e padrões
de utilização dos utilizadores, funcionam como ciclos de retorno e conduzem a novas exposições de
conteúdo que se tornam mais extremas com o tempo. Dada a tendência das pessoas para procurar
ambientes sociais amigáveis, o feedback algorítmico pode limitar a informação e as redes a que os
utilizadores estão expostos: para que possam induzir enviesamentos na realidade percebida e contribuir
para a polarização.
Como combater o domínio da incerteza sobre a ação coletiva – tornar as pessoas mais seguras através
do investimento, proteção e inovação
- contestações: reflete os interesses e a visão de mundo dos países ocidentais, ignorando a diversidade
cultural e os contextos específicos de outras regiões; a hegemonia liberal também pode ser vista como
uma forma de dominação e imposição de valores por parte das nações mais poderosas.
Euroean Green Deal – esforçando-se para ser o primeiro continente com clima neutro
Vai transformar a Europa numa economia moderna, com recursos eficientes e competitiva
garantindo: redução das emissões de carbono e que ninguém nem nenhum local é deixado
para trás.
REESTRUTURAÇÃO ECONÓMICA E COMPETITIVIDADE: ARTICULAÇÕES TERRITORIAIS EM CONTEXTO
DE GLOBALIZAÇÃO
- tendência para a massificação da utilização de certos espaços urbanos e a forte pressão ambiental,
social, cultural ou económica, sobre estes territórios; monofuncionalização de certas zonas das cidades,
em particular os centros históricos; alastramento da gentrificação e turistificação; esteticização e
homogeneização global dessas áreas e das atividades e práticas que neles se desenvolvem;
comodificação crescente do espaço público; a “disneyficação” e “eventificação” das cidades e sua
transformação em “maquinas de entretenimento”;
As políticas urbanas têm tido dificuldade em lidar com as dinâmicas de fundo subjacentes, como por
exemplo:
4. Cadeias globais de valor e interdependência: A especialização econômica está cada vez mais integrada
em cadeias globais de valor, em que diferentes estágios de produção são realizados em diferentes
espaços geográficos. Essa interdependência econômica é impulsionada pelo comércio internacional e
pelas estratégias das empresas de buscar eficiência e acesso a mercados. A especialização de um espaço
pode depender da capacidade de fornecer insumos, serviços ou expertise em um determinado
segmento da cadeia global de valor.
5. Promover igualdade de género, inclusão e equidade para que os trabalhadores qualificados se sintam
confortáveis nesse ambiente.
As dinâmicas de coesão social e territorial são fundamentais para garantir o desenvolvimento equitativo
e sustentável de uma sociedade em todas as suas escalas, desde localidades específicas até níveis
regionais e globais.
1. Inclusão social: A coesão social envolve garantir que todos os indivíduos e grupos tenham acesso
igualitário a oportunidades, serviços e recursos. Isso implica em combater a discriminação, a exclusão
social e a marginalização, promovendo a igualdade de gênero, a equidade racial e étnica, e garantindo
que pessoas com deficiência, idosos e outros grupos vulneráveis tenham seus direitos assegurados. A
inclusão social contribui para uma sociedade coesa e justa.
2. Desigualdade econômica: A desigualdade econômica pode minar a coesão social e territorial. Quando
há uma distribuição desigual de recursos, oportunidades e renda, podem surgir disparidades e tensões
sociais. A promoção de políticas que buscam reduzir a desigualdade econômica, como programas de
redistribuição de renda, acesso equitativo à educação e à saúde, e incentivos ao desenvolvimento
econômico inclusivo, pode fortalecer a coesão social.
3. Globalização: A crescente interconexão dos mercados globais tem facilitado a criação de valor
económico. A expansão do comércio internacional, a integração de cadeias de suprimentos globais e o
acesso a novos mercados têm proporcionado oportunidades para as empresas ampliarem sua base de
clientes, reduzirem custos e se beneficiarem de economias de escala.
5. Marketing e branding: O marketing eficaz e a construção de uma marca forte são mecanismos
poderosos de criação de valor.
O filme demonstra como uma simples ideia de Banksy transformou-se num movimento de arte global,
que através da venda de obras de arte, DVDs, entre outros, proporcionou uma enorme receita para o
mesmo.
A sua abordagem não convencional à arte, assim como a sua resistência à comercialização, permitiram
que as suas obras se tornassem mais vantajosas e desejáveis para os colecionadores. Isto alia-se à
abordagem inovadora na arte de rua e ao poder da marca e da reputação que Banksy criou, permitindo
aumentar a sua criação de valor.
A tecnologia é um dos principais impulsionadores da criação de valor na atualidade. Com o avanço das
tecnologias de comunicação e informação, as grandes companhias passaram a fazer uso de dados e
informações, visando não só criar soluções personalizadas para os seus usuários, mas também oferecer
experiências mais satisfatórias aos mesmos. A reflexão disto é observada em áreas como marketing,
desenvolvimento de produtos e atendimento ao cliente, onde as empresas podem fazer uso de dados
para melhor entenderem as necessidades e preferências dos seus consumidores, oferecendo assim
soluções mais eficazes.
Outro fator importante encontra-se na mudança das expectativas dos consumidores. Atualmente, os
consumidores visam obter mais do que um produto ou serviço de qualidade, estes pretendem uma
experiência completa, que envolve desde a pesquisa e escolha do produto, até ao atendimento pós-
venda. Assim, criar valor passa a concentrar-se em oferecer uma experiência de consumo fora do
comum, envolvendo desde a personalização do produto, até à oferta de serviço adicionais, como
atendimento personalizado e suporte técnico.
Finalmente, destacar que os mecanismos usados para criar valor na atualidade estão também
relacionados à sustentabilidade e responsabilidade social, é de extrema importância, visto que, cada vez
mais, os consumidores procuram companhias amigas do ambiente e preocupadas com a sociedade na
sua totalidade. Desta forma, a criação de valor passa a concentrar-se não só na oferta de produtos e
serviços de qualidade como referido anteriormente, mas também na promoção de práticas sustentáveis
e na atuação responsável em relação aos funcionários, comunidade e meio ambiente.
Concluindo, é um facto que os mecanismos de criação de valor atualmente, são diferentes dos do
passado, devendo-se esta mudança a fatores como a tecnologia, expectativas dos consumidores,
globalização e preocupação com a responsabilidade social e sustentabilidade.
O filme "Exit Through the Gift Shop" de Banksy aborda a arte de rua e o mercado de arte
contemporânea, levantando questões sobre os mecanismos de criação de valor nesse contexto
específico. Alguns dos mecanismos de criação de valor associados ao filme podem incluir:
1. Criatividade e autenticidade: Banksy cria imagens icónicas e conceitos artísticos únicos que se
destacam no mundo da arte de rua. Essa originalidade e autenticidade são fatores que contribuem para
a criação de valor em seu trabalho, tornando-o altamente procurado por colecionadores e apreciadores
da arte urbana
2. Escassez e exclusividade: Banksy mantém um alto grau de anonimato e é seletivo em relação às suas
aparições públicas e às obras que ele coloca nas ruas. Essa escassez e exclusividade de suas obras,
combinadas com sua reputação, criam uma procura significativa e aumentam o valor da sua arte.
3. Crítica social e comentário político: As suas obras abordam questões como desigualdade,
consumismo, política e injustiças sociais. Esse engajamento com questões relevantes e controversas
adiciona valor à sua arte, tornando-a mais significativa e impactante.
No que diz respeito à influência das lógicas de governança associadas aos sistemas económicos na
criação de valor, podemos destacar o seguinte:
Sistema económico capitalista: No sistema económico capitalista, o valor económico está intimamente
ligado ao mercado e à oferta e procura. Os artistas de rua, como Banksy, muitas vezes operam à
margem das instituições e mercados tradicionais de arte, encontrando maneiras alternativas de
comercializar suas obras. Nesse sentido, as lógicas de governança do sistema capitalista podem
influenciar a forma como esses artistas estabelecem sua presença no mercado, negociam contratos com
galerias ou agentes, e determinam o preço de suas obras.
Políticas Públicas – São ações desenvolvidas pelo governo para garantir direitos à população em
diversas áreas, como saúde, educação e lazer, com o objetivo de assegurar bem-estar e promover a
qualidade de vida da população.
Desta forma, as políticas públicas servem de ferramenta para implementar mudanças progressivas na
sociedade.
-Quais os fatores que atraem (ou permitem reter) pessoas / jovens com talento (qualificados, aptos para
criar valor na sociedade do conhecimento atual) numa determinada cidade nos dias de hoje?