Gestão Estratégica e Resiliência na Vodacom
Gestão Estratégica e Resiliência na Vodacom
Supervisor:
Índice
LISTA DE FIGURAS................................................................................................................vi
LISTA DE GRÁFICOS............................................................................................................vii
LISTA DE QUADROS...........................................................................................................viii
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS................................................................................ix
DECLARAÇÃO DE HONRA....................................................................................................x
DEDICATÓRIA........................................................................................................................xi
AGRADECIMENTOS.............................................................................................................xii
RESUMO.................................................................................................................................xiii
ABSTRACT.............................................................................................................................xiv
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO................................................................................................1
1.1 Contextualização..................................................................................................................1
1.2 Problema de pesquisa...........................................................................................................1
1.3 Objectivos.............................................................................................................................2
1.3.1 Objectivo geral...................................................................................................................2
1.3.2 Objectivos específicos........................................................................................................3
1.4 Questões de pesquisa...........................................................................................................3
1.5 Justificativa da pesquisa.......................................................................................................3
1.6 Delimitação do estudo...........................................................................................................4
1.6 Estrutura do trabalho............................................................................................................4
CAPÍTULO II – REVISÃO DA LITERATURA.......................................................................6
2.1 Gestão estratégica..................................................................................................................6
2.1.1 Conceitos............................................................................................................................6
2.1.2 Ferramentas de gestão estratégica......................................................................................7
2.1.2.1 Análise SWOT...............................................................................................................7
2.1.2.2 Análise PEST.................................................................................................................8
2.1.2.3 Análise da competitividade........................................................................................11
2.1.2.4 Matriz BCG.................................................................................................................14
2.1.2.5 Modelo de negócio canvas..........................................................................................16
2.1.3 Implementação da gestão estratégica...............................................................................19
2.2 Resiliência organizacional..................................................................................................20
2.2.1 Conceitos..........................................................................................................................20
4
LISTA DE FIGURAS
LISTA DE GRÁFICOS
LISTA DE QUADROS
NTS –
9
DECLARAÇÃO DE HONRA
Declaro que esta Monografia é resultado da minha investigação pessoal e das orientações do
meu supervisor, o seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente
mencionadas no texto, nas notas e na bibliografia final.
Declaro ainda que este trabalho nunca foi apresentado em nenhuma outra instituição para
obtenção de qualquer grau académico.
____________________________________________
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho em especial á Deus, sem Ele não teria sido a minha chegada até Aqui.
Ele sempre me ajudou em horas mais difíceis, me mostrou que tudo é possível ao que crê.
Dedico também a minha amada mãe, que com muito esforço e paciência tem me
acompanhado e apoiado em toda a minha vida, contribuindo para o desenvolvimento das
minhas capacidades académicas, sociais e pessoais.
As minhas irmãs, pelo apoio positivo nesta caminhada, elas sempre têm me dado força e
motivação para seguir em frente.
11
AGRADECIMENTOS
Primeiramente gostaria de agradecer a Deus por me dar Saúde, forças e motivação para a
realização das minhas metas, Ele tem sido o meu Condutor e motor a tempo inteiro.
A minha mãe Constância Muchave que sempre esteve ao meu lado me apoiando ao longo de
toda a minha trajectória.
Agradeço em especial ao meu orientador Silvino por aceitar conduzir o meu trabalho, pelo
incentivo e pela dedicação do seu escasso tempo ao meu projecto de pesquisa.
Aos meus colegas da Escola, agradeço pela ajuda e colaboração no meu progresso e Sucesso,
tendo me apoiado e suportado nesta caminhada.
RESUMO
ABSTRACT
Keywords:
1
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO
O presente trabalho versa sobre o planeamento estratégico como ferramenta para a retenção
de colaboradores nas empresas privadas, tendo como estudo de caso a empresa Cervejas de
Moçambique, S.A.R.L, num período de 2019 a 2020.
1.1 Contextualização
Por esta razão torna-se necessário proceder a um estudo aprofundado das estratégias que a
empresa usou durante o período em estudo e sua adequação a realidade do mercado
Moçambicano, em linha com a capacidade de adaptação e evolução às necessidades e desejos
dos consumidores para se manter resiliente.
Assim, o problema (pergunta) de pesquisa a que se busca responder é: Qual foi o impacto da
gestão estratégica na resiliência organizacional da empresa Vodacom Moçambique no
período de 2017 á 2021?
1.3 Objectivos
1
Departamento responsável pela pesquisa da satisfação dos clientes e comparação qualitativa, bem como
quantitativa da empresa com outras operadoras.
3
A pesquisa é também de grande importância para a academia. Mostra-se valiosa porque pode
servir de plataforma no sentido de incentivar outras pesquisas mais arrojadas na área de
gestão estratégica nas empresas, pode servir, também como referência para dar conta da
realidade vivida em diferentes empresas, em que não leva em conta o uso de ferramentas de
gestão estratégica para a resiliência organizacional.
Para a empresa Vodacom, a pesquisa servirá como meio para a mesma perceber que a
utilização de ferramentas de gestão estratégica é um ganho á empresa, visto que com as
mudanças organizacionais que têm vindo a se registar no mundo empresarial, é necessário
ampliar a visão no que diz respeito á estratégias empresariais.
“Existem dois critérios para a delimitação do tema a ter em conta, que são o espacial e o
temporal”. (GIL, 2002, p. 162). Por conseguinte, o estudo foi realizado na empresa Vodacom
Moçambique, no edifício sede, pela natureza das suas actividades, o conhecimento profundo
sobre gestão estratégica é de grande relevância, localizada na cidade de Maputo, sendo esta a
delimitação espacial, quanto á delimitação temporal, o período em estudo foi de 2017 à 2021,
por ser o que a empresa teve que reformular o seu plano estratégico, para evitar migração de
colaboradores em proporções maiores, devido a entrada de novo concorrente e da pandemia
do Coronavírus.
Capítulo II: Revisão da literatura, apresenta a base teórica do trabalho, conceitos sobre
gestão estratégica e resiliência organizacional, bem como outros aspectos que
fundamentam o tema.
Capítulo III: Metodologia da pequisa, apresenta o tipo, as técnicas, a população e amostra;
e os procedimentos de apresentação e análise de dados.
Capítulo IV: Apresentação, análise e discussão de dados
Capítulo V: Conclusão e sugestões.
6
2.1.1 Conceitos
Para poder conceituar a gestão estratégica, é importante conceituar a estratégia, que segundo
Rodriguez (2005) é o caminho e as acções a serem seguidos pela organização para garantir
seus objectivos em longo prazo.
Ainda Freire (1997), afirma que estratégia é o conjunto de decisões e acções da empresa que,
de uma forma consistente, visam proporcionar aos clientes mais valor que o oferecido pela
concorrência.
A gestão estratégica segundo Rodriguez (2005) é a maneira como os gestores irão actuar com
as informações, tanto internas como externas, para poder planear situações futuras, antecipar-
se de problemas e fazer uso das informações para a sobrevivência da empresa.
Conforme Tavares (2000, p. 33) a gestão estratégica procura reunir planeamento estratégico e
administração em um único processo. Assegura as mudanças organizacionais necessárias para
sua implementação e a participação dos vários níveis organizacionais envolvidos em seu
processo decisório.
Quando as análises, interna e externa se cruzam há a matriz SWOT ou FOFA, que significa
Strenghts (Pontos Fortes), Weaknesses (Pontos Fracos), Opportunities (Oportunidades) e
Threats (Ameaças), e a reunião de todos os itens numa só matriz traz a plena visualização
sobre a actual condição da empresa e facilita o processo de diagnóstico organizacional
(PEREIRA, 2010).
estratégico para manter os pontos fortes e reduzir os impactos dos pontos fracos, sempre
aproveitando as boas oportunidades e se protegendo das ameaças. Esta ferramenta objectiva
relevar pontos fortes que ainda não estão em total utilização e corrigir completamente os
pontos fracos (MONTANA, CHARNOV, 2005).
Montana e Charnov (2005) ainda explicam que os pontos fracos e fortes são compostos por
seus recursos e incluem: recursos humanos (capacidades, experiências, habilidades e
conhecimentos), recursos organizacionais (sistemas e processos ligados à estratégia, cultura e
estrutura) e os recursos físicos (instalações, tecnologias, canais e equipamentos). As
oportunidades são as situações externas, actuais e futuras, que não podem ser controladas pela
organização e que influenciam negativamente e positivamente a empresa, cabendo à
instituição prever e trabalhar com cada uma delas.
O SWOT é a ferramenta mais utilizada pelas instituições que desejam aprimorar seus processos e
objectivar suas conquistas, sempre através da amenização das falhas e potencialização dos acertos.
Para identificação das principais variáveis a ela adstricta, seguir-se-a a metodologia PEST. De
acordo com Freire (1997), as principais variáveis do meio ambiente contextual na óptica dessa
metodologia são: Político-legal, Económico e Financeiro, Sócio-cultural e Tecnológico:
A taxa de inflação e a taxa de juro são normalmente variáveis económicas que tem maior
impacto a nível da actividade empresarial, por isso tem um efeito mais directo sobre o sector
privado. Baixas taxas de juro e de inflação propiciam a maior procura de crédito para
realização de investimento, como também emitem aparente sinal de estabilidade
macroeconómica. Elevadas taxas de juro e de inflação produzem efeito contrário,
desistimulando a actividade comercial e onerando a actividade de financiamento para
realização de investimentos.
Contexto sócio-cultural – Das variáveis que integram a esfera sócio-cultura destaque para o
estilo de vida. Porque o estilo de vida tem um impacto muito imediato e massificador a nível
de grupo ou de uma sociedade, o seu impacto é vistoso e as empresas fácil e rapidamente
acompanham essas tendências. A sociedade ou era de comunicação que se vive, propicia uma
10
As inovações no processo devem merecer igual importância. Os processos são cada vez mais
importantes, complementando o avanço tecnológico e alicerçando sempre que o lado da
tecnologia não está predominane ou patente. Os processos constituem meios de diferenciação
valiosos, resultam do processo de aprendizagem organizacional na busca da melhoria
contínua. Diferentemente da tecnologia que é comprada, o processo é altamente diferenciado,
e depende muito das pessoas que estão a frente do processo.
11
Michael Porter, em 1979, criou o Modelo das Cinco Forças de Porter, ferramenta destinada a
analisar a competição entre as empresas e que considera cinco factores como sendo as forças
de competitividades mais importantes. Estas forças estão presentes no micro e macroambiente
e afectam a capacidade para servir seus clientes e obter lucro (LIMA, 2008).
O terceiro é a Pressão dos produtos substitutos, que são os produtos substitutos que
desempenham a mesma função dos produtos já utilizados pela indústria. A relação entre o
12
desempenho e o preço é um factor que exerce pressão sobre o lucro da empresa e por isso
produtos substitutos que tenham menor valor, devem ser inseridos à organização para que o
trade-off de preço/ desempenho seja melhorado e haja a implementação de desempenho e
redução de preço.
O quarto é a Ameaça de novos entrantes, representado pelos novos entrantes que são vistos
como uma ameaça à empresa, uma vez que na maioria das vezes sempre chegam bem
estruturados e capitalizados objetivando a conquista plena do mercado. Quando há a chegada
de um novo concorrente, os preços podem cair e os custos podem aumentar, fazendo com que
a rentabilidade da empresa diminua. A protecção das empresas quanto a novos entrantes são
as barreiras de entrada, a expectativa de retaliação pelos concorrentes e o preço de entrada que
não agrade os compradores.
O modelo das Cinco Forças de Porter é regido pela competitividade e permite a identificação
e atribuição das causas que afectam o ambiente competitivo da empresa, conforme Figura 3:
Liderança de Custo
Diferenciação
A empresa busca ser a única na indústria, possuindo singularidade e podendo exigir preços
mais elevados por esse status. Implica que os atributos da empresa sejam diferentes dos rivais
e cria lealdade dos consumidores. Pode ser atingido pelo próprio produto, pelo sistema de
entrega, pelo marketing, etc. Características dessa liderança: lealdade dos consumidores;
menor sensibilidade ao preço; forte coordenação entre funções P&D, desenvolvimento do
produto e marketing; avaliações e incentivos subjetivos ao invés de quantitativos.
Habilidades: grande habilidade de marketing; engenharia de produto; tino criativo e grande
capacidade em pesquisa básica (PORTER, 1986, p. 49). A diferenciação de produto é uma
estratégia na qual as empresas tentam ganhar vantagem competitiva aumentando a percepção
de valor dos produtos ou serviços relativamente ao valor percebido dos produtos ou serviços
de outras empresas (BARNEY, 2002).
Enfoque
A escolha de qualquer uma dessas estratégias exige comprometimento total que poderá ser
diluído se existirem mais de um alvo primário ocasionando em uma estratégia pobre com
chances de rentabilidade reduzida (PORTER, 1986, p. 50).
Matriz BCG recebe o nome de Matriz de Crescimento e Participação e foi criada por Alan J.
Zakon, executivo da empresa de consultoria em planeamento estratégico de nome BCG
(Boston Consulting Group) e também por Willian W. Wommack, da empresa Mead
Corporation do ramo de papel. Esta ferramenta é utilizada para administrar a carteira de
produtos e bastante aplicada na criação de políticas de investimento e administração de
organizações que ofertam diversas mercadorias (AMBRÓSIO; AMBRÓSIO, 2005).
Kotler (2000) explica que na Matriz BCG, em seu eixo vertical, está a taxa de crescimento
anual do produto no mercado e este eixo se modifica gradativamente de 0 a 20 por cento,
onde uma taxa de crescimento acima de 10% é considerada alta. Já o eixo horizontal
demonstra a participação do produto no mercado de maneira relativa com o seu concorrente,
onde 0,1 significa 10% de participação do produto quanto a seu maior concorrente e uma
participação de 10 significa que o produto é 10x líder de vendas quando comparado a este
mesmo concorrente.
A análise para cada produto será feita conforme a figura 2 e suas respectivas descrições:
15
F
onte: Kotler (2000)
Segmento de clientes
Segundo Osterwalder e Pigneur (2011, p.20) “o componente Segmentos de Clientes define os
diferentes grupos de pessoas ou organizações que uma empresa busca alcançar e servir”.
São exemplos de perguntas que devem ser respondidas nesse campo, segundo Osterwalder e
Pigneur (2011, p.21): “para quem estamos a criar valor? Quem são os consumidores mais
importantes?”
Proposta de Valor
satisfazer? Que conjunto de produtos e serviços e clientes estamos a oferecer a cada segmento
de clientes?” (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011, p.23).
Canais
Segundo Osterwalder e Pigneur (2011), os canais são os meios de contacto com o cliente.
Canais de comunicação, vendas e distribuição são a “cara” da empresa para o cliente. Para
preencher esse quadrante podem-se responder perguntas, como: “Através de Quais Canais
nossos Segmentos de Clientes querem ser contactados? Como os alcançamos agora? Como
nossos Canais se integram? Qual funciona melhor?” (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011,
p.27).
Ainda segundo Osterwalder e Pigneur (2011), Os Canais possuem fases distintas conforme o
quadro abaixo. “Cada canal pode cobrir algumas ou todas as fases. Podemos distinguir entre
Canais directos e indirectos, bem como entre Canais particulares e Canais em parceria.”
Osterwalder e Pigneur (2011, p.27).
Esse é o quadrante onde se deve apresentar “os tipos de relação que uma empresa estabelece
com Segmentos de Clientes específicos” (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011, p.28).
Para chegar às respostas para esse componente o autor indica as seguintes perguntas: “Que
tipo de relacionamento cada um dos nossos Segmentos de Clientes espera que estabeleçamos
com eles? Quais já estabelecemos? Qual o custo de cada um? Como se integram ao restante
do nosso Modelo de Negócios?” (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011, p.29).
Fontes de Receitas
Esse componente apresenta os lucros que cada segmento de cliente traz a empresa. Segundo
Osterwalder e Pigneur (2011), alguns exemplos de receitas são Venda de recursos, Taxa de
uso, Taxa de Assinatura, Aluguéis, Licenciamento, Anúncios e Taxa de corretagem.
18
Ainda de acordo com Osterwalder e Pigneur (2011, p.31) cada Fonte de Receita pode ter
diferentes mecanismos de precificação. O tipo de mecanismo de preço escolhido pode fazer
uma grande diferença em termos da receita gerada. Há dois tipos principais de mecanismos de
preço: preço fixo e dinâmico.
As seguintes perguntas podem ser feitas para facilitar o entendimento destas Fontes de
Receitas: Segundo Osterwalder e Pigneur (2011, p.31) “Quais valores nossos clientes estão
realmente dispostos a pagar? Pelo que eles pagam actualmente? Como pagam? Como
prefeririam pagar? O quanto cada Fonte de Receita contribui para o total da receita?”.
Recursos Principais
Aqui se devem apresentar os principais recursos que a organização necessita para que seu
Modelo de Negócios funcione (Osterwalder e Pigneur, 2011). Os autores ainda apontam as
seguintes características de recursos: Físico, Intelectual, Humano e Financeiro.
Actividades-Chave
Que actividades são essenciais para a Proposta de Valor? Quais são as actividades que estão
directamente ligadas ao funcionamento do negócio? Essas são algumas perguntas que podem
levar a encontrar as Actividades-Chaves de seu negócio.
Parcerias Principais
Para responder esse componente, pode-se resolver “Quem são nossos principais parceiros?
Quem são nossos fornecedores principais? Que recursos principais estamos adquirindo dos
parceiros? Que actividades-Chave os parceiros executam?” (OSTERWALDER; PIGNEUR
2011, P.39).
Ainda segundo os autores Osterwalder e Pigneur (2011), as parcerias podem ser distinguidas
em quatro tipos. São eles:
Estrutura de Custo
Segundo Osterwalder e Pigneur (2011), esse quadrante deve descrever todos os custos
envolvidos no Modelo de Negócios. Para responder tópico o autor sugere as seguintes
perguntas: “Quais são os custos mais importantes em nosso Modelo de Negócios? Que
recursos principais são mais caros? Quais Actividades-Chaves são mais caras?”
(OSTERWALDER; PIGNEUR 2011, P.41).
A gestão estratégica é uma atividade que é integrada aos demais processos organizacionais. É
necessária uma participação e integração de todos os colaboradores, tanto com acções como
com informações. Todos deverão ter o mesmo propósito e pressuposto.
A abordagem a ser seguida no processo de gestão estratégica pode ocorrer de três formas:
descendente, ascendente e mista. Essas abordagens variam de uma organização para outra no
momento que for implantado. No primeiro caso que é a descendente ela ocorre de cima pra
baixo, ou seja, dos cargos maiores para os menores. Na ascendente ocorre o inverso começa-
se a implantar os processos nos níveis hierárquicos mais baixos. E, por fim, a mista, que é
uma união dos dois tipos anteriores. O processo começa a ser implantado simultaneamente
nos dois níveis hierárquicos.
2.2.1 Conceitos
Na percepção de Cabral e Brustolin (2010, p. 286) a resiliência está “definida como uma
característica comum entre as pessoas que costumam responder satisfatória e saudavelmente
aos processos de mudança e de incerteza ao longo da vida”.
A literatura sugere que a resiliência não é determinada apenas pelos recursos organizacionais
e capacidades individuais, mas pelas inter-relações e interacções que as organizações têm com
outros actores (LINNENLUECKE, 2015). O autor adverte que a operacionalização da
resiliência é um ponto ainda não resolvido na literatura, pois encontram-se diferentes formas
de classificação e mensuração.
21
Para Hamel e Valikangas (2003), o entendimento possui quatro desafios a serem superados
por organizações que tencionam tornar-se resilientes:
b) Estratégico, indica que a resiliência requer consciência, ou seja, uma eficiente capacidade
de criar novas alternativas atraentes para estratégias que se mostrem inócuas ou antigas;
c) Político, que indica que as empresas devem ter capacidade de escapar de situações variadas
por meio de talento e capital, adverte ser necessário deslocar fundos direccionados a produtos
no fim de seu ciclo de vida para aqueles em crescimento, com melhores perspectiva e sem
visar a extravagâncias; e
d) Ideológico; é vital para o futuro da organização, tendo em vista que ele se baseia na
percepção de que apenas a optimização de modelos de negócios pode, aos poucos, tornar-se
irrelevante. Isso exige renovações oportunas e contínuas, em vez de episódicas, além da
necessidade das companhias de conservar e compartilhar, entre seus membros, uma crença
que se alastre para além da excelência operacional.
23
Quanto à natureza, a pesquisa foi aplicada. De acordo com Prodanov e Freitas (2013), a
pesquisa aplicada é objectiva, gera conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução
de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais.
Portanto, este trabalho pretendeu analisar o impacto que a gestão estratégica teve na
resiliência organizacional da empresa Vodacom Moçambique, mediante a migração de
clientes/usuários para operadoras concorrentes no período de 2017 á 2019 e necessidade de
implementar estratégias para que a mesma fosse a rede preferencial dos clientes no período da
Covid-19 (2020 á 2021).
Quanto aos objectivos, a pesquisa é do tipo exploratória-descritiva. Para Cervo et al. (2007), a
pesquisa descritiva observa, regista, analisa e correlaciona factos ou fenómenos (variáveis)
sem manipulá-los. Procura descobrir, com a maior precisão possível, a frequência com que
um fenómeno ocorre, sua relação e conexão com os outros. Exploratória porque visa aumentar
a familiaridade do pesquisador com um determinado ambiente ou problema, facto ou
fenómeno, para a realização de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar e clarificar
conceitos. (MARCONI & LAKATOS, 2003). Assim, esta pesquisa descreveu as ferramentas
de gestão estratégica da Vodacom Moçambique e explorou profundamente às condições em
que que foram implementadas para a empresa se manter resiliente.
De acordo com Gil (2002), a pesquisa qualitativa “estabelece uma relação dinâmica entre o
mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objectivo e a
subjectividade do sujeito que não pode ser traduzido em números.” Já a quantitativa significa
“transformar opiniões e informações em números para possibilitar a classificação e análise.
Exige o uso de recursos e de técnicas estatísticas.”
Nesta pesquisa, recorreu-se a livros, monografias, teses para compor a revisão da literatura, e
a consulta de documentos da empresa que sustentam os aspectos da resiliência da empresa.
Pode-se definir método como caminho para se chegar a determinado fim. E método científico
como o conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adoptados para se atingir o
conhecimento. (GIL, 2008).
maneira “ (…) é uma estratégia de pesquisa que busca examinar o fenómeno contemporâneo
dentro de seu contexto”.
Portanto, através do estudo exaustivo na empresa Vodacom foi possível analisar o impacto da
gestao estratégica na resiliência organizacional.
b) Método indutivo
3.3.1 População
3.3.2 Amostra
A pesquisa contou com uma amostra de 50 colaboradores da Vodacom Sede, sendo que 6 são
gestores das áreas, 10 supervisores, 12 Team Leader’s/ assistentes e restantes 22 são agentes
(colaboradores sem cargo de chefia). Vergara (2005) define amostra como uma parte da
população seleccionada segundo um critério de representatividade.
A amostra foi seleccionada por acessibilidade. De acordo com Vergana (2005), amostra por
acessibilidade ou conveniência é uma forma de amostra não probabilística que consiste em
26
seleccionar os elementos a que tem acesso, admitindo que esses possam, de alguma forma,
representar o universo.
Fizeram parte desta pesquisa colaboradores que tem um contrato de trabalho com a empresa
em estudo em pelo menos cinco anos. Para obteção de bons resultados, tentou abranger a
maioria dos departamentos/andares, conforme a seguir.
Nesta pesquisa a recolha de dados foi feita através do questionário. De acordo com Gil
(2008), o questionário é a técnica de investigação composta por um conjunto de questões que
são submetidas a pessoas, com o propósito de obter informações sobre conhecimentos,
crenças, sentimentos, valores, interesses, expectativas, temores, comportamento presente ou
passado.
Foram elaborados dois questionários, por um lado para os gestores e supervisores e outro para
os assistentes. (Melhorar ou dizer porquê elaborar questionários diferentes).
A Vodacom sede possui 14 andares: 1 e 4- MPESA; 2- Call Center e NPS; 3-Back Office/
Segunda linha; 5-Ginásio; 6- IT’s; 7- DHL; 8-Squad; 9- Credit Control; 10- Finanças; 11-
Recursos Humanos; 12-Formação e Qualidade; 13- Administração; e 14- Copa Geral.
28
Conselho de
Gabinete do Gabinete de
Conselho de Auditoria
Administração Interna
Departamento de
Aquisições
Para a descrição da amostra, tendo em conta o assunto abordado, torna-se necessário analisar
o nível académico e o tempo de serviço dos participantes. Na variável anos de serviço
considera-se pertinente os participantes estarem na Vodacom no mínimo 5 anos e o nível
académico é importante na medida em que a gestão estratégica exige que os envolvidos
tenham qualificações mínimas.
29
Anos de serviço
15 14
10 8 8
7
5 4 3 4
2
0 0 0 0 0 0 0 0
0
Gestores Supervisores Team Leaders Agentes
5 5 a 10 10 a 15 15 a 20
De acordo com os dados acima, estão á 5 anos na empresa 3 supervisores, 4 team leaders e 8
agentes. Entre 5 a 10 anos estão 2 gestores, 3 supervisores, 8 team leaders e 14 agentes.
Apenas 4 gestores estão entre 10 a 15 anos na empresa. E por último, nenhum dos
participantes está na empresa entre 15 a 20 anos. Estes dados mostram que os participantes
esstão a tempo suficiente na empresa para ter participado e testemunhado as mudanças na
empresa e a gestão estratégica da empresa, principalmente o período de 2017 á 2021. Torna-
se importante a participação de colaboradores que conheçam ou estejam na empresa no
período em estudo.
Nível académico
25 21
20
15
10
10 6
5 4
5 1 2 1
0 0 0 0 0 0 0 0
0
Gestores Supervisores Team Leaders Agentes
Em relação ao nível académico, no grupo dos gestores 5 tem a licenciatura e 1 possui o grau
de mestrado; nos supervisores 6 possuem o ensino médio e 4 a licenciatura. Para o grupo dos
team leaders, a maioria (n=10) possui o ensino médio e apenas 2 a licenciatura. Por último,
30
nos agentes, 21 possuem o ensino médio e apenas 1 a licenciatura. Estes dados mostram que
os gestores apresentam um nível académico suficiente para a compreensão da gestão
estratégica
Como funciona (Descrição dos departamentos, quem faz, como, quando, em que sentido
ocorre, nível de abragencia, implementação, feedback).
Participação na implementação
25
20
15 20
10 12
5 10
6
0 2
Gestores
0 0 Supervisores
0 0 Team Leaders
0 0 Agentes
0
Participa Não Participa Ás vezes
Fo
nte: Dados da pesquisa
31
4 6
4 4
3
0 2
Gestores
0 0 Supervisores
0 0 Team
0 Leaders
0 0 Agentes
0 0
4 6
4 4
3
0 2
Gestores
0 0 Supervisores
0 0 Team
0 Leaders
0 0 Agentes
0 0
2017:
2018:
Campanha de troca grátis de cartão para 4G , que dá a velocidade mais rápida de internet.
2019:
Lançamento da Oferta Top- um pacote que ao converter, dá ao cliente 50% para efectuar
chamadas fora da rede e 50% dentro da rede;
Oferta Ya: Oferta direccionada aos jovens com idade inferior ou até a 25 anos de idade. O
pacote oferece serviços de dados móveis, SMS e voz a preços acessíveis.
Serviço bom dia: Possibilita aos clientes a ter acesso aos serviço de voz das 6:00 horas ás
12:00 horas por apenas 2,00 MT para centro e norte e 10 MT para Sul.
Explicador 84: Questionário de cultura geral, activado através a partir de 2 MT, em que a cada
10 perguntas acertadas, o cliente ganhava 10 mt para serviços de voz.
2020:
33
2021:
Platina Cash Back, uma oferta que possibilita ao cliente, fazer uma conversão semanal ou
mensal , onde ao converter o cliente ganhava 10% de volta, oferecia serviços de voz, dados e
SMS.
Só para ti social : Serviço que permite ao cliente a activar serviço de dados móveis para redes
sociais, dividido em dois grupos: WFTTI (Whatssap, Facebook, Twitter, Tik Tok e
Instagram) e Youtube.
A Vodacom Moçambique pode analisar o poder de negociação de clientes, para que caso no
futuro existam produtos ou serviços em que o cliente pode negociar, a empresa já terá
domínio neste âmbito.
Com o objectivo de posicionarem-se como vacas leiteiras ou estrelas, num prazo pré-
determinado, a sua identificação irá permitir decidir se mantém ou são eliminados.
34
Esta estratégia ou acção irá permitir com que os produtos e serviços em questão,
mantenham-se na posição de vacas leiteiras e tomando o cuidado para que a sua demanda
aumente ou se mantenha constante.
5.1 Conclusão
No que diz respeito á gestão estratégica, primeiramente apurou-se as situações em que esta é
feita, assim, apenas os gestores e supervisores tem conhecimento das estratégias antes de
serem implementadas; na implementação de estratégias participam os gestores, supervisores e
team leaders, excluindo os colaboradores; e eiste uma tendência para o acompanhamento das
estratégias implementadas. Em relação as ferramentas de gestão estratégica foi possivél
observar que faz-se a análise SWOT na totalidade; nas forças competitivas a empresa exclui a
análise do poder de negociação de clientes e a possibilidade de novos concorrentes; a análise
PEST é feita na totalidade; a matriz BCG não é utilizada e por último, a empresa faz o uso do
modelo de negócios Canvas.
Por último, tendo em conta as ferramentas de gestão estratégica observadas bem como sua
relação com a reiliência organizacional sugeriu-se medidas de gestão estratégicas: Analisar o
poder de negociação dos clientes ; Analisar a possibilidade de entrada de novos concorrentes;
Identificar os produtos ou serviços com boa contribuição no lucro e baixo investimento;
Identificar os produtos ou serviços com baixa contribuição no lucro e grande investimento;
36
5.2 Sugestões
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMBRÓSIO, A.; AMBRÓSIO, V.: A Matriz BCG passo a passo. Revista da ESPM, São
Paulo, v. 12, ano II, 2005.
COUTU, D. L. How resilience works. Harvard Business Harvard Business Review Harvard
Business Review, v. 80, n. 5, p. 46-55, mai Review o 2010.
GIL, António Carlos. Como elaborar projectos de pesquisa. 4ª. Ed: S.Paulo: Atlas, 2002.
GIL, António Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2008.
HAMEL, Gary; VÄLIKANGAS, Liisa. Em Busca da Resiliência. Harvard Business Review
Harvard Business Review Harvard Business Review, www.hbr.org, Reprint R0309C-P, p.32-
44. Set. 2003.
KOTLER, P.: Administração de Marketing: a edição do novo milênio. São Paulo: Prentice
Hall, 2000.
MARCONI, M.A; Lakatos, E.M;,. Fundamentos de metodologia científica. 5 ͣ Ed. São Paulo,
Atlas, 2003.
38
PEREIRA, M. F.: Planejamento Estratégico: teorias, modelos e processos. São Paulo: Atlas,
2010.
QUESTIONÁRIO
Leia com atenção e assinale com X a opção que corresponde a sua realidade, por cada
questão seleccione apenas uma opção.
Muito obrigada!
APÊNDICE- B
GUIÃO DE ENTREVISTA
O presente guião de entrevista é elaborado no âmbito da pesquisa para a conclusão do curso
de Licenciatura em Gestão de Empresas com Habilitação em Gestão Financeira, com o
tema: O Planeamento Estratégico como Ferramenta para Retenção de Colaboradores nas
Empresas Privadas: Estudo da Cervejas de Moçambique, S.A.R.L (2019 -2020).
APÊNDICE B:
15,000,000
13,000,000
11,000,000
9,000,000
7,000,000
5,000,000
3,000,000
1,000,000
2017 2018 2019 2020 2021
Empresa A 3800000 3500000 3000000 3200000 2300000
Vodacom 4200000 6300000 7200000 7200000 7100000
Empresa C 3900000 4200000 4100000 4100000 4500000
Total 11900000 14000000 14300000 14500000 13900000
On Net
32,500,000
22,500,000
12,500,000
2,500,000
2017 2018 2019 2020 2021
Empresa A 100000 200000 90000 300000 100000
Vodacom 7900000 9900000 9800000 7350000 15200000
Empresa C 7000000 10000000 10000000 7350000 14800000
Total 15000000 20100000 19890000 15000000 30100000
Empresa A Vodacom Empresa C Total
Off Net
4,250,000
3,250,000
2,250,000
1,250,000
250,000
2017 2018 2019 2020 2021
Empresa A 600000 1000000 1000000 2000000 600000
Vodacom 490000 990000 2100000 1300000 500000
Empresa C 450000 210000 1200000 1300000 2500000
Total 1540000 2200000 4300000 4600000 3600000
Empresa A Vodacom Empresa C Total
SMS
19,000,000
13,000,000
7,000,000
1,000,000
2017 2018 2019 2020 2021
Empresa A 250000 300000 1000000 200000 200000
Vodacom 12000000 15000000 14900000 15100000 15000000
Empresa C 250000 700000 2000000 800000 2800000
Total 12500000 16000000 17900000 16100000 18000000