Introdução
As doenças contagiosas têm sido uma ameaça constante à saúde e bem-estar da
humanidade ao longo dos séculos. Desde as epidemias que devastaram civilizações
antigas até as pandemias que afetam atualmente o mundo globalizado, essas doenças têm
exigido esforços conjuntos e coordenados para entender seus mecanismos de transmissão
e desenvolver respostas eficazes. A história está repleta de exemplos de como as doenças
transmissíveis podem ter consequências devastadoras para a humanidade, afetando não
apenas a saúde individual, mas também a economia, a sociedade e a política.
Para combater essas ameaças, é essencial entender como elas se propagam e
quais fatores as tornam mais vulneráveis a certos grupos. A epidemiologia oferece uma
abordagem científica para estudar a distribuição e o controle das doenças infecciosas,
identificando os principais fatores de risco e desenvolvendo estratégias de prevenção e
controle. Além disso, a colaboração entre profissionais de saúde, cientistas, governos e
organizações internacionais é fundamental para enfrentar esses desafios.
Nesse contexto, é fundamental analisar os fatores socioeconômicos, culturais e
ambientais que influenciam a propagação das doenças transmissíveis. A desigualdade de
acesso aos serviços de saúde, as condições de saneamento, as práticas culturais e as
mudanças climáticas são apenas alguns dos fatores que podem contribuir para a
propagação dessas doenças. Portanto, é essencial desenvolver abordagens integradas e
sustentáveis para enfrentar esses desafios e proteger a saúde e o bem-estar da
humanidade.
A cadeia de infecção
● Agente causador: O patógeno responsável pela doença.
● Reservatório: O local onde o agente causador se multiplica e persiste.
● Porta de saída: O meio pelo qual o agente causador deixa o reservatório.
● Modo de transmissão: O método pelo qual o agente causador é transmitido para o
hospedeiro.
● Porta de entrada: O ponto de entrada do agente causador no hospedeiro.
● Hospedeiro suscetível: O indivíduo ou grupo vulnerável à infecção.
Compreender a cadeia de infecção é crucial para:
● - Identificar pontos críticos para intervenção
● - Desenvolver estratégias de prevenção e controle
● - Reduzir a transmissão da doença
● - Proteger a saúde pública
Ao interromper qualquer um dos elos da cadeia de infecção, é possível prevenir a
propagação da doença e proteger a saúde das comunidades.
Cólera
A cólera é uma doença diarreica aguda grave e altamente contagiosa causada pelo
Vibrio cholerae, um patógeno que tem sido responsável por numerosas epidemias ao longo
da história, afetando milhões de pessoas em diversas regiões do mundo. O Vibrio cholerae
foi identificado pela primeira vez em pacientes com sintomas de diarreia em Calcutá, na
Índia, em 1883, por Robert Koch, um médico e microbiologista alemão. Desde então, a
cólera se espalhou pelo mundo, afetando comunidades vulneráveis e causando impactos
significativos na saúde pública.
Sua capacidade de infectar seres humanos e causar doenças graves torna a cólera
uma ameaça significativa à saúde pública.
A cólera é uma doença que afeta principalmente as áreas mais pobres e
desfavorecidas do mundo, onde o acesso a serviços de saúde e saneamento básico é
limitado.
O surgimento e a rápida propagação da cólera reforçaram a importância dos estudos
epidemiológicos para entender os padrões de transmissão, identificar fatores de risco e
orientar estratégias de controle da doença. Além disso, a colaboração entre profissionais de
saúde, governos e organizações internacionais é fundamental para enfrentar esses desafios
e proteger a saúde e o bem-estar das comunidades afetadas.
Reservatório
Os principais reservatórios para o Vibrio cholerae, o agente causador da cólera, são:
● - Água contaminada
● - Alimentos contaminados
● - Fezes humanas
● - Animais aquáticos
Nos seres humanos, o Vibrio cholerae pode infectar uma variedade de tecidos, incluindo:
● - Trato gastrointestinal: O Vibrio cholerae causa diarreia intensa e desidratação.
● - Intestino delgado: Onde a toxina colérica é produzida.
● - Fezes: Onde o Vibrio cholerae é eliminado.
Além disso, o Vibrio cholerae pode ser encontrado em:
● - Água contaminada: Rios, lagos, poços e sistemas de água.
● - Alimentos contaminados: Frutas, vegetais, carnes e produtos lacteos.
● - Animais aquáticos: Peixes, moluscos e outros animais aquáticos.
O Vibrio cholerae pode sobreviver por longos períodos em ambientes aquáticos e
alimentares, tornando-se assim um agente infeccioso altamente eficaz.
Essa capacidade de sobrevivência permite que o Vibrio cholerae permaneça em ambientes
contaminados, mesmo após a eliminação das fontes de infecção.
Agentes Causais
O agente causal da cólera é o Vibrio cholerae, uma bactéria gram-negativa que
possui uma estrutura genética complexa e capacidade de mutação. Ele utiliza a flagela,
uma estrutura presente em sua superfície, para se locomover e se ligar a receptores
específicos nas células humanas, especialmente no trato gastrointestinal.
O Vibrio cholerae produz uma toxina potente chamada toxina colérica, que é
responsável pelos sintomas da doença. Essa toxina é produzida pela bactéria após sua
entrada nas células intestinais e causa a liberação de íons e água, resultando na diarreia
intensa característica da cólera.
Uma característica importante do Vibrio cholerae é sua capacidade de produzir
fímbrias, estruturas filamentosas que facilitam a adesão às células intestinais. Além disso,
sua capacidade de formar biofilmes permite que ele resista a condições adversas e persista
em ambientes contaminados.
O Vibrio cholerae possui vários fatores de virulência que contribuem para sua
capacidade de causar doença, incluindo:
● Toxina colérica
● Flagela
● Fímbrias
● Biofilmes
Esses fatores permitem que o Vibrio cholerae infecte as células humanas e cause a
cólera, uma doença grave e potencialmente fatal.
Vias de Eliminação
As vias de eliminação do Vibrio cholerae, o agente causador da cólera, são:
● Fezes: O Vibrio cholerae é frequentemente eliminado através das fezes, que podem
contaminar água e alimentos.
● Vômito: O vômito também pode ser uma via de eliminação do Vibrio cholerae.
● Urina: Em alguns casos, o Vibrio cholerae pode ser detectado na urina.
● Secreções intestinais: O Vibrio cholerae pode ser eliminado através das secreções
intestinais.
● Sistema linfático e circulação sanguínea: O sistema linfático e o sangue também
podem estar envolvidos na eliminação do Vibrio cholerae.
O sistema imunológico desempenha um papel crucial na eliminação do Vibrio
cholerae. Após a infecção, o corpo ativa respostas imunológicas, incluindo:
● Produção de anticorpos: O sistema imunológico produz anticorpos específicos para
combater o Vibrio cholerae.
● Ativação de células T: As células T são ativadas para reconhecer e atacar as células
infectadas.
É importante notar que a eliminação do Vibrio cholerae é crucial para prevenir a propagação
da doença e reduzir o risco de complicações graves.
Modos de transmissão
1. Água contaminada: A cólera é transmitida através da ingestão de água
contaminada com fezes ou vômito de pessoas infectadas.
2. Alimentos contaminados: A cólera pode ser transmitida por alimentos crus ou mal
cozidos que contenham o Vibrio cholerae.
3. Contato direto: A cólera pode ser transmitida por contato direto com fezes ou
vômito de pessoas infectadas.
4. Superfícies contaminadas: A cólera pode ser transmitida por contato com
superfícies contaminadas com fezes ou vômito.
5. Mosquitos: Em alguns casos, a cólera pode ser transmitida por mosquitos que se
alimentam de fezes ou vômito contaminados.
6. Transmissão fecal-oral: A cólera pode ser transmitida por contato com fezes ou
vômito e, em seguida, ingestão de alimentos ou água sem lavar as mãos.
7. Contato com animais aquáticos: A cólera pode ser transmitida por contato com
animais aquáticos contaminados, como peixes e moluscos.
8. Transmissão por objetos: A cólera pode ser transmitida por objetos contaminados,
como:
● Utensílios de cozinha
● Pratos
● Copos
9. Transmissão em ambientes fechados: A cólera pode ser transmitida em
ambientes fechados, como:
● Hospitais
● Clínicas
● Prisões
Porta de Entrada
A cólera pode entrar no organismo por:
● Via oral: Ingestão de alimentos ou água contaminados com fezes ou vômito.
● Contato direto: Com fezes ou vômito de pessoas infectadas.
● Superfícies contaminadas: Toque em superfícies contaminadas com fezes ou
vômito.
A infecção pode ocorrer de diferentes maneiras, como:
● Ingestão de alimentos crus ou mal cozidos.
● Consumo de água contaminada.
● Contato com fezes ou vômito.
● Toque em superfícies contaminadas.
As principais portas de entrada do Vibrio cholerae são:
● Boca: Ingestão de alimentos ou água contaminados.
● Nariz: Inalação de aerossóis contaminados.
● Olhos: Contato com fezes ou vômito.
É importante evitar o contato com:
● Água contaminada.
● Alimentos crus ou mal cozidos.
● Fezes ou vômito.
● Superfícies contaminadas.
para prevenir a infecção pela cólera.
Hospedeiro Suscetível
Qualquer pessoa pode ser suscetível à infecção pela cólera, mas alguns fatores aumentam
essa suscetibilidade:
1. Idade: Crianças e idosos são mais vulneráveis devido ao sistema imunológico
menos eficiente.
2. Condições de saúde pré-existentes: Indivíduos com condições médicas como:
● Doenças gastrointestinais crônicas
● Doenças renais
● Doenças hepáticas
● Desnutrição
são mais suscetíveis a desenvolver complicações severas.
3. Sistema imunológico comprometido: Pessoas com sistemas imunológicos
enfraquecidos, seja por:
● Doenças como HIV/AIDS
● Tratamentos de câncer
● Uso de medicamentos imunossupressores
● Doenças autoimunes
● têm maior risco de infecção e complicações.
4. Gravidez: Mulheres grávidas podem estar em maior risco devido a alterações
fisiológicas durante a gestação.
5. Comorbidades: A presença de múltiplas condições de saúde aumenta a
suscetibilidade.
6. Ambientes de alta exposição: Pessoas que trabalham em:
● Hospitais
● Clínicas
● Áreas com saneamento básico precário
também são consideradas suscetíveis devido ao risco aumentado de exposição.
Além disso, fatores ambientais como:
● Água contaminada
● Alimentos crus ou mal cozidos
● Superfícies contaminadas
também aumentam o risco de infecção.
● É importante tomar medidas preventivas para reduzir a suscetibilidade à cólera.
Referências bibliográficas
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