Filosofia 5
Filosofia 5
FILOSOFIA
AULA 5
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CONVERSA INICIAL
É importante destacar que há uma diferença entre as áreas de estudos da História e da Filosofia
no que diz respeito à origem do que se entende como sendo o contemporâneo. Enquanto a
Nietzsche (1844 –1900), responsável por uma severa crítica ao pensamento antigo e moderno.
Veremos no primeiro tema a oposição de Nietzsche ao desenvolvimento do uso da razão na cultura
ocidental que, desde o início com o pensamento socrático até o pensamento moderno se revelou a
burocráticas, tendendo a inibir a criatividade e liberdade dos indivíduos. Weber define esse
(1892-1940). Inspirados no pensamento de Marx, Nietzsche, Freud e Weber, impactados pelas duas
Guerras Mundiais e o papel massificador dos meios de comunicação, estes filósofos realizaram entre
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No tema 4 será abordada a análise crítica da filósofa alemã Hannah Arendt (1906-1975), seu
conceito de banalidade do mal e a crítica aos regimes totalitários no século XX. Segundo a
Nietzsche no livro Crepúsculo do Ídolos (2006) publicado em 1889 considerava realizar filosofia a
marteladas. Isto significa dizer que em sua crítica ao desenvolvimento da razão na cultura ocidental
não sobraria pedra sobre pedra no que diz respeito ao pensamento de praticamente todos seus
antecessores. Nietzsche possui dois grandes “fronts” de batalha em torno do par moralidade-
racionalidade: o primeiro front se volta conta o pensamento clássico grego, elegendo Sócrates e
Platão como maiores adversários; e o segundo, o pensamento moderno caracterizado pelo otimismo
Nietzsche em suas obras fez uma série de reflexões que afirmavam o valor da vida e denunciava
como elementos hostis a ela a negação dos sentidos e das paixões feitas pelas “virtudes platônicas” e
“cristãs” desde a Antiguidade. A ética altruísta (amor gratuito ao próximo), a política democrática
moderna e a tentativa da ciência alcançar a mais plena verdade e felicidade seriam meros juízos de
Nos livros Além do bem e do mal (1992) e Genealogia da Moral (1998), respectivamente
moralidade ocidental. Para tanto, analisa e critica a historiografia da moral ocidental, ou seja, percebe
que a narrativa filosófica esteve pautada em valores morais como bem e mal; justo e injusto; vício e
virtude; pecado e salvação; mentira e verdade enaltecendo a culpa e o pecado (este elemento
desenvolvido com maior vigor pelo pensamento cristão). Questiona o uso da moral e das crenças,
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pois essas estabelecem valores falsos e ofuscam a realidade. Demonstra que por trás dos valores
construídos, tais como a justiça, liberdade, igualdade, esconde-se uma falsa moral e falsas virtudes.
não há nada que justifique o imaginário. Para Nietzsche não existe verdade, pois ela é relativa, é uma
construção histórica e cultural, ou seja, varia de tempos em tempos e de sociedade para sociedade
ou mesmo de indivíduo para indivíduo. Nessa direção, o pensamento nietzscheano assume a postura
niilista (em latim, nihil significa nada), de modo que o niilismo é um “nadismo”, isto é, promove a
suspensão dos julgamentos morais e considera infundados os juízos de valor e crenças baseadas na
moralidade. Não existem verdadeiramente o bem e o mal, nem a virtude ou o vício. Tudo isto é uma
invenção de nossa imaginação, não são a realidade, representam o pecado original do pensamento
filosófico, o de crer ter encontrado a verdade.
No livro O nascimento da tragédia (2007), publicado em 1872, Nietzsche descobriu que na Grécia
Antiga, antes de Platão e Sócrates, dois princípios de vida baseados nos deuses Apolo e Dionísio,
Figura 1 – Apolo, deus grego que representa a beleza, a disciplina e a vida harmoniosa. Fazia os
homens conscientes de seus vícios e era o agente de sua purificação; presidia sobre as leis da
Religião e sobre as constituições das cidades, era o símbolo da inspiração profética e de uma vida
virtuosa e racional
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Figura 2 – Dionísio, deus grego da desmedida, que representa as paixões e sentimentos selvagens ou
irracionais. Os romanos o chamavam de Baco, é o deus do vinho, das festas, do lazer, do prazer,
enfim, dos excessos da carne e dos sentimentos. Isto significa que é um deus que representa as
paixões ou os sentidos humanos e até mesmo os vícios
Por vida trágica, afirma ser um modo de vida ou existência que une a razão e os sentidos, Apolo
e Dionísio, capazes de tornar a vida como arte, repleta de paixões e sentidos, sem que se negue a
razão. A vida trágica é a noção de que a existência consiste em altos e baixos, sofrimentos e alegrias,
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prazeres e derrotas, devendo haver o Amor fati, expressão latina que representa o 'amor ao destino’
ou 'amor ao fado’, de modo que devemos aceitar (fugindo do determinismo) e superar o destino
humano, ainda que repleto de percalços. Nietzsche aprende com o espírito trágico grego que, antes
mesmo de poder considerar os humanos como seres racionais, devemos caracterizá-los por serem
animais estéticos.
trágica, anterior à filosofia de Sócrates e Platão. O problema identificado é que depois desses dois
filósofos e com o cristianismo, a filosofia começa um ataque aos sentidos e paixões e apenas
promove a valorização da razão. Platão e Sócrates fundaram a ruptura entre o mythos (sensibilidade)
e o logos (racionalidade), pondo fim à vida trágica. Ou seja, o aspecto dionisíaco da vida foi negado e
Sócrates, Platão e o cristianismo passam a defender o lado racional e contemplativo da existência,
negando a materialidade. A partir desse momento a filosofia inspirou-se em meras análises morais de
cunho apolíneo, subordinando os indivíduos ao que Nietzsche denominou como moral das ovelhas
(ou moral dos rebanhos ou moral dos escravos), responsável por criar a obediência dos indivíduos
aos valores morais manipulados e operados por terceiros, sejam filósofos ou lideranças religiosas e
políticas.
Na obra A Gaia Ciência (2002), publicada em 1882, Nietzsche inicia a sua crítica à razão
empregada na modernidade. No célebre fragmento 125 dessa mesma obra, Nietzsche anuncia a
morte de Deus. Na realidade, essa alegoria sobre a morte de Deus revela que com a ascensão da
ciência moderna a partir do século XVII, do Iluminismo (século XVIII) e do positivismo (século XIX) o
pensamento racional e científico acabou por destronar Deus como fonte de verdade e solução de
todos os problemas humanos, conforme era concebido sobretudo durante o período medieval
anterior.
ou observação, senão à moralidade contida nos discursos modernos. Sua crítica gira em torno de
uma espécie de apolinização da ciência e de todas as concepções morais, éticas e políticas criadas
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religiosas cristãs pelos progressos tecnológicos. A ciência moderna foi influenciada pela filosofia de
Descartes com a ideia de que a razão e a ciência dominariam a natureza e produziriam o bem-estar.
A modernidade deu as bases para os pensamentos Iluminista e liberal. Kant afirma que após a
Revoluções Científica e Francesa a humanidade alcançaria a “Paz Perpétua”. Hegel considera que
após a Revolução Francesa e com o conhecimento científico nossa espécie seria conduzida ao “Fim
da história”. Comte concebia a ideia de “ordem e progresso”. Todas estas visões são formas morais de
enaltecimento da razão moderna.
A morte de Deus revela o eterno retorno, ou seja, em todas as épocas as diferentes morais e
deuses morrem, sendo substituídos por outros e novas formas de moral. Na modernidade, Deus foi
substituído moralmente pela ciência e racionalidade. Esse otimismo moral em torno da racionalidade
moderna fez com que Nietzsche no livro Assim Falava Zaratustra (2000), publicado em 1883,
denominasse criticamente os indivíduos seduzidos pela moral moderna como último homem. No
próximo tópico vamos abordar com mais detalhes o conteúdo dessa obra e da crítica de Nietzsche
ao último homem.
Nos livros Humano, demasiado humano (2005), publicado em 1878 e a Genealogia da Moral
(1998), Nietzsche se dá conta de que é impossível viver sem a moral, levando-o à superação do seu
niilismo. Somos os únicos animais que vivem em função da moral. Predomina, conforme vimos, o
eterno retorno, ciclo que se dá entre a morte de Deus ou outros deuses e a origem de novas
construções morais. A impossibilidade de vivermos sem qualquer moral é acompanhada pela ideia na
qual todas os valores morais e todos os deuses surgem, se desenvolvem, morrem ou desaparecem.
O filósofo afirma ter sido o primeiro pensador a superar o niilismo. Depois de descobrir que a
moral é invenção sem valor universal ou verdadeiro e que é impossível viver sem nenhum valor
moral, Nietzsche irá procurar criar uma nova moral, mas agora diretamente ligada à vida e à natureza
espontânea, não mais aos valores que imaginamos serem verdadeiros ou que tenha origem em
religiões, filósofos ou modelos políticos, ou seja, forças externas ou alheias a cada indivíduo e de
caráter apolíneo.
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Nietzsche passa a defender o resgate da vida trágica grega para a nossa vida contemporânea, de
modo a conciliar as simbologias de Apolo e Dionísio. Por isto, Nietzsche toma para si o personagem
Zaratustra (ou Zoroastro), primeiro entre os profetas, nascido na Pérsia no século VII a.C. e fundador
da primeira religião monoteísta que se tem conhecimento. Nietzsche, ao escrever Assim falava
Zaratustra (2000), procura ser ironicamente o último profeta de nossa civilização e tem como objetivo
criar uma nova moral distante das virtudes platônicas e cristãs, já que aposta no resgate da vida
trágica grega. Nessa obra, Zaratustra, agora profeta que encarna as ideias do pensador alemão, opõe
o Super-Homem ao Último Homem. Vejamos no que consiste esta oposição de conceito.
O último homem é uma alegoria da moralidade moderna, conforme vimos no item anterior.
Nietzsche critica sua conduta, pois suas principais características são a busca reduzida a argumentos
morais falaciosos pelo bem-estar e conforto por meio da ciência e da noção de progresso; representa
um indivíduo medíocre, acomodado, apático e com falta de interesse pela vida, uma vez que se
submete mais aos valores morais modernos do que nas suas efetivas contribuições à humanidade. O
último homem possui uma visão apolínea de mundo, uma vez que acredita que todos os problemas
humanos serão solucionados pela técnica e racionalidade. É o conceito que dará origem à noção de
Cultura de Massas para Escola de Frankfurt no século XX, relacionado também à noção de moral dos
No lugar do último homem, Zaratustra de Nietzsche apresenta o que concebe como Super-
homem ou Além Homem, sendo ele uma crítica à herança apolínea na modernidade. Trata-se de
resgatar o equilíbrio da vida trágica grega (Nietzsche realiza uma nova transvaloração) na
modernidade, colocando lado a lado os aspectos apolíneos e dionisíacos. Representa o amor à vida,
Nietzsche deseja que a moral seja uma invenção de cada indivíduo, podendo ser ela alterada
conforme o seu interesse. A nova moral apresentada por Zaratustra revela que ela é uma construção
individual, varia, portanto, de indivíduo para indivíduo, é espontânea e liberta da noção de culpa,
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(2003) e o livro póstumo Economia e Sociedade (2009), publicados respectivamente em 1905 e 1922,
Weber apresenta indícios dos riscos do processo de ascensão e controle da razão sobre todos os
comportamentos humanos modernos. Esse fenômeno, na visão do sociólogo, torna-se mais evidente
com o processo de constituição da racionalidade econômica capitalista e cuja origem é identificada a
partir da ética protestante. O protestantismo, a partir do século XVII, permitiu a elaboração do que
Weber denomina como ética do trabalho, conduta de vida econômica voltada aos negócios, ao
caráter metódico das práticas comerciais e resumida no princípio de que o trabalho dignifica.
Segundo a leitura de Weber a partir de sua Ética protestante e o espírito do capitalismo (2003), a
ética do trabalho deu origem à burocracia moderna e reforçou o desencantamento do mundo. No que
diz respeito ao desencantamento do mundo protestante, o conceito refere-se a uma forma racional
de organizar o trabalho e a perspectiva sobre o mundo, apostando numa conduta mais científica e
que receberam este nome porque possuíam como livro de cabeceira o Discurso do Método de
Descartes. Tal postura influenciou a construção da modernidade em torno de uma perspectiva
Weber possui uma visão ambígua sobre a burocracia. Considera a maior invenção da
modernidade. No entanto, pode se tornar o maior malefício contra a nossa civilização. Burocracia não
deve ser compreendida de forma pejorativa como um serviço público lento e de má qualidade. Na
realidade, a burocracia é um sistema de relações sociais racional estabelecida por meio de contratos,
leis, legislações, decretos, constituições, documentos etc., que tem como objetivo garantir a
define a burocracia moderna é o fato de ela estar presente em praticamente em todas as relações
No entanto, quanto maior for a sua presença numa sociedade, Weber alerta que a burocracia
pode se transformar ou se converter numa jaula de ferro (ou de aço), de modo que inibe a liberdade,
mecânica, vazia e sem reflexão. Com a concepção de jaula de ferro, Weber é avaliado pelos seus
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No tema 3 estudaremos a crise da razão sob a perspectiva da Escola de Frankfurt. Essa escola de
pensamento surgiu na década de 1920 e foi impactada pelas duas Guerras Mundiais, ascensão do
nazismo ao lado do emprego dos meios de comunicação para fins políticos e comerciais. Todas estas
experiências conduziram autores como Adorno, Horkheimer, Walter Benjamin e Marcuse a realizarem
críticas nas quais se evidencia o modo como o uso da racionalidade pode se voltar dialeticamente
contra a humanidade, conforme veremos nos tópicos abaixo.
É importante destacar primeiro que o pensamento da Escola de Frankfurt teve quatro principais
fontes teóricas que a influenciaram. A noção de desencantamento do mundo e jaula de ferro de Max
Weber nutriu as reflexões que apresentavam as ambiguidades do uso da racionalidade moderna. A
converteram-se nas mãos dos frankfurtianos no conceito de cultura de massas, conceito que veremos
mais adiante. Outra fundamental influência sobre essa escola é o pensamento de Freud (1856-1939)
no que diz respeito à avaliação do papel do inconsciente, das repressões libidinais, da sublimação e
canalizações que foram relacionadas, sobretudo por Marcuse, com a cultura do consumo presente no
capitalismo.
promovido desde a Ciência Moderna e Iluminismo podem ter se convertido no que definem como
sendo dialética negativa. Os meios de comunicação, como o rádio e o cinema, resultado dos avanços
primeira metade do século XX, o progresso contraditoriamente evidenciava sua relação com a
barbárie, andavam lado a lado com a indústria bélica, responsável por milhares de mortes e técnicas
(Adorno; 2002) e Dialética Negativa (Adorno, 2009), publicadas respectivamente em 1946, 1963 1967
os dois pensadores demonstrarão que o desenvolvimento racional da cultura ocidental foi dialético,
portanto, repleto de paradoxos. Por um lado, grandes progressos técnicos e materiais à nossa
civilização, por outro, a técnica e a ciência serviram como instrumentos de dominação e destruição.
Nessa direção, definem a existência de duas formas distintas de racionalidade, sintetizadas nos
conceitos de razão instrumental e razão reflexiva (traduzida também como razão crítica ou cognitiva).
consumidores. Relaciona-se à Indústria Cultural e Cultura de Massas, conforme veremos mais adiante.
favorável à humanidade e às relações sociais. Está presente na cultura erudita e na cultura popular.
Músicas, filmes, folclores, canções populares, conhecimentos tradicionais e livros com conteúdo
reflexivo ou crítico são alguns exemplos, além de avanços científicos que promovam o bem-estar de
forma democrática e universal.
A razão instrumental permite que tecnologias de informação (rádio, TV, jornais e revistas)
humanidade dos mitos e da ignorância e fazer do homem o senhor da natureza (era o que afirma
Descartes no século XVII). No entanto, ocorre na modernidade e no capitalismo uma reviravolta (por
autoritárias ou fúteis. Na visão de Adorno e Horkheimer, isto explica por que as pessoas se
submetem aos produtos e ao consumo massificado. Trata-se de uma interpretação pessimista que
não somente demonstra a crise da racionalidade na cultura ocidental, como também a forma
dialética como esta razão volta-se contra à civilidade, torna-se meramente instrumental.
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[...] a indústria cultural reflete a irracionalidade objetiva da sociedade capitalista tardia, como
meio ambiente. Porém, o movimento ambientalista (Greenpeace + WWF) inicia na década de 1970 a
problematização a respeito do fato de que desenvolvimento industrial e científico contraditoriamente
também à vida humana. Como vemos, a razão instrumental tem uma tendência predatória e de
promoção da barbárie, como é o caso da Indústria Cultural.
O que é a indústria cultural e o que a diferencia da cultura popular? O que seria a cultura
erudita?
caso da oralidade, lendas, enfim, o passado histórico que é transmitido de geração para geração). Ela
é heterogênea e não se presta ao consumo, mas sim à atividade lúdica e original à medida que
distantes do atual regime econômico, ou seja, onde o consumo massificado ainda não atingiu seu
apogeu, como é o caso de sociedades indígenas, rurais ou até mesmo alguns poucos locais na área
urbana. A Cultura Erudita, considerada nobre e clássica, diz respeito ao que é contemplado por
tampouco a cultura popular, embora se aproxime mais dessa última, pois expressa a reflexão, a
história e uma objetividade que não é mercadológica. A cultura erudita é verificada nos museus,
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conservatórios de música clássica e nas universidades. Culturas Erudita e Popular tem em comum o
A Cultura de Massas está relacionada à Indústria cultural. É a forma pela qual a produção artística
e cultural está organizada no interior no sistema de produção capitalista, lançada no mercado e por
este consumida. Está igualmente presente com o emprego dos meios de comunicação em regimes
políticos autoritários. A grande questão é que, em seu domínio, a arte deixa de ter o caráter único,
reflexão, não reproduz nada que diga respeito à história ou tradições. A cultura de massas expressa o
contexto fútil, burguês e descartável. Costuma ser repetitiva e sempre impõe a novidade. A indústria
cultural enquanto manifestação da razão instrumental ameaça de forma permanente as culturas
Walter Benjamin (1989), no ensaio A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica escrito na
década de 1920 buscou opor os conceitos de politização da arte e estetização da política. Entende-se
como politização da arte as produções culturais, ainda que no interior do capitalismo, que produzem
Quanto à estetização da política, ela diz respeito às manifestações estéticas ou culturais voltadas
Na obra Eros e Civilização (1968), publicada em 1955, Marcuse avalia a possibilidade de uma
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Esta repressão é verificada nitidamente por meio da filosofia ocidental que enfatizou a razão e
atacou os sentidos, paixões e instintos, entre eles a sensualidade. Embora haja repressão, Marcuse
concorda com Freud ao avaliar que há sempre a volta do reprimido. No interior da psicanálise de
Freud, os impulsos presentes no Id (isso) devem ser processados pelo Ego (eu) devido às repressões
do Superego (supereu) para que se adapte à realidade, de forma a promover a passagem do princípio
se assim a sublimação.
realidade é designado como princípio de desempenho, uma forma de domínio sobre a vida. O
como o controle público da existência privada. Segundo Marcuse, a repressão foi necessária à
formação da civilização e para que ela se libertasse da escassez. Com a sociedade capitalista, há
A partir da leitura que Marcuse realizada do pensamento de Freud, o filósofo avalia que a
"sublimação” diz respeito ao processo psíquico no qual as pulsões sexuais são convertidas em
satisfação com objetos não sexuais (leitura, viagens, passeios, consumo etc.), conduzindo à
prazer. Sem a sublimação não seriam possíveis as relações sociais (família, trabalho, a amizade etc.).
permite maior liberdade e satisfação das necessidades por meio da superabundância da produção de
bens de consumo.
No tema quatro vamos investigar a concepção de banalidade do mal estabelecido por Hannah
Arendt, que foi uma teórica política alemã de origem judaica. Atuou também como jornalista e
professora universitária. Considerada uma das intelectuais mais importantes e influentes do século
XX, escapou do nazismo em 1933 e viveu em Paris até 1941. Depois viveu nos Estados Unidos até sua
morte em 1975. Foi uma grande crítica do totalitarismo e do fascismo. No livro Eichmann em
Jerusalém (1999), publicado em 1963, o pensamento da filósofa ressalta a crise da razão e da ética
moderna por meio do estudo do julgamento de um oficial nazista após à Segunda Guerra Mundial.
Adolf Eichmann foi um oficial da Gestapo nazista responsabilizado pela logística de extermínio de
milhões de pessoas. Foi capturado com documentos falsos na Argentina e julgado em Jerusalém no
ano de1961. Hannah Arendt foi enviada como correspondente pela revista The New Yorker para
pois além de cobrir todo o processo do julgamento, ela ainda o entrevistou. Segundo Arendt,
Eichmann não era um monstro, alguém com um espírito demoníaco e antissemita. Ela o identificou
como um burocrata, um sujeito medíocre, que de certa forma renunciou a pensar nas consequências
que os seus atos poderiam ter ao obedecer às regras e leis consideradas por ele racionais. Trata-se
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dever moral considerado racional que deve ser realizado a todo custo.
É nesse contexto que Arendt define o conceito de banalidade do mal. Representa o fenômeno da
Partindo desse pressuposto, é possível compreender como a sociedade consegue se manter apática
mesmo diante de situações anti civilizatórias, como foi o nazismo, as grandes guerras e, atualmente,
a desigualdade social. A banalidade do mal, portanto, é fruto de uma sociedade inspirada num grau e
defesa da racionalidade, seja ela moral ou jurídica, sem que se faça reflexões ou críticas contra suas
consequências. Era o caso de Eichmann.
publicadas respectivamente em 1991 e 1999, Bauman apresenta sua visão crítica sobre o processo de
racionalização na cultura ocidental. Bauman faz uma interpretação que expressa contradições a partir
da formação da modernidade e de seu projeto fundamentado no progresso material, promovido por
Bauman concentra seus estudos na análise do período contemporâneo relativo à transição dos
séculos XX e XXI. É tido como um herdeiro das teorias frankfurtianas, sobretudo por criticar o que foi
cultura de massas entre as décadas de 1930 a 1970 (época de predomínio de direitos trabalhistas e
existência de meios de comunicação tradicionais como a rádio, TV, cinema, revistas), Bauman atualiza
a análise para o cenário da cultura de massas mais recente, com o fenômeno da Globalização, e
diante das novas tecnologias de informação, como a internet. Interessa a Bauman estudar o consumo
e mundo do trabalho mediados e conectados por novas tecnologias de informação, redes sociais e
Segundo Bauman (1999;2001), desde a criação do conceito de razão (logos) entre os gregos, mas
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Bauman indica que até a 2ª Guerra Mundial a cultura ocidental nutria ainda grande confiança na
razão. Supunha-se que a razão, a técnica e a ciência trariam a solução a todos os problemas da
humanidade. No entanto, a experiência das duas guerras mundiais, da indústria cultural e após a
década de 1960 com a expansão das tecnologias de informação e produção, além dos problemas
ambientais, todos estes eventos modificaram a sensação de confiança na razão. A globalização, o
neoliberalismo e o Toyotismo expandiram, popularizam e introduziram no cotidiano o uso da
O mundo pós-guerras e o final da Guerra Fria, além das novas tecnologias levaram ao
desmoronamento das verdades, muitas delas construídas por toda a modernidade (a chamada
modernidade sólida). É nesse cenário que o conceito de ambivalência se faz mais evidente e notório.
e ciência que visam produzir soluções aos problemas humanos. No entanto, quanto mais surgem
soluções racionais a estes problemas, de modo imprevisível emergem novos problemas, como efeitos
colaterais, exigindo de nossa cultura novas e sucessivas invenções e desenvolvimento racional. Trata-
sucessivamente. Na ambivalência há a busca da ordem almejada pela razão, mas que produz a
desordem como consequência imprevista. A ambivalência para Bauman pode ser entendida como o
reverso da ordem, um incômodo causado pela multiplicidade presente no mundo, pela incerteza,
político, a concentração dos meios de poder fundados no princípio da racionalidade calculadora deu
origem a um dos mais efetivos meios de controle social. A tarefa da razão foi a de buscar livrar o
mundo ordenado das ambivalências, incertezas e contingências que poderiam assolar a humanidade.
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Porém, a razão cria o “mito do progresso infindável”, que afirma que a solução dos problemas que
vivemos está sempre à frente, será resolvida cedo ou tarde, a partir de nossos recursos científicos e
técnicos. Essa solução faria parte de um rol de novidades salvacionistas sempre evocado e criado
dentro da noção de progresso. Alguns exemplos atuais seriam: a propagação de notícias falsas com o
NA PRÁTICA
Elabore uma pesquisa em jornais, revistas ou documentários em que seja possível verificar o
caráter contraditório da noção de progresso e desenvolvimento da racionalidade técnica e científica
em nossa sociedade. Relacione o seu material de pesquisa com alguns dos conceitos estudamos na
aula, entre eles a razão instrumental, razão reflexiva, jaula de ferro, banalidade do mal, ambivalência,
entre outros de sua escolha. Em seguida, debata a sua pesquisa em grupos e reflita a respeito dos
FINALIZANDO
modernidade e das concepções morais otimistas em torno da sociedade do século XIX que iniciava
seu processo de massificação. O segundo tema analisou as contradições observadas por Max Weber
em torno do desenvolvimento da racionalidade e da burocracia na modernidade. O tema 3 dedicou-
ideias Iluministas e Modernas, verificadas com as duas Guerras Mundiais do século passado e da
tema abordou as análises de Bauman sobre a razão em meio ao mundo atual e globalizado, por meio
REFERÊNCIAS
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BENJAMIN, W. A obra de Arte na era da reprodutibilidade técnica. In: Obras Escolhidas I. São
Paulo, Brasiliense, 1989.
GOMES. Teoria crítica, educação e política, in: PUCCI, B., ZUIN, A. S.; LASTÓRIA, L. A. C. N. (orgs).
Teoria crítica e inconformismo: novas perspectivas de pesquisa. Campinas: Autores Associados,
2010.
_____. Além do bem e do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
_____. Crepúsculo dos ídolos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
_____. Humano, demasiado humano. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
WEBER, M. A Ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das letras,
2003.
_____. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília: Ed. UnB, 2009.
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