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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
COMARCA de SÃO PAULO
FORO REGIONAL VIII - TATUAPÉ
1ª VARA CÍVEL
RUA SANTA MARIA Nº 257, SÃO PAULO - SP - CEP 03085-901
SENTENÇA
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Processo nº: 1004344-80.2023.8.26.0008 - Procedimento Comum Cível
Requerente: Zaira Silva Ling
Requerido: Banco Pan S/A
Justiça Gratuita
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por FABIO ROGERIO BOJO PELLEGRINO, liberado nos autos em 30/01/2024 às 11:30 .
Juiz(a) de Direito: Dr(a) Fábio Rogério Bojo Pellegrino
Ação: "DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E
MATERIAIS" (sic – fl. 01) entre as partes acima referidas, alegando a parte
autora, em síntese, que emprestou dinheiro do réu mediante pagamento
parcelado, mas posteriormente portou a dívida ao BANCO DO BRASIL,
comunicando o réu BANCO PAN S/A da portabilidade realizada. Todavia, o
réu continuou descontando indevidamente as parcelas do empréstimo do
autor. Aponta o autor ter ingressado com o processo nº
1002818-16.2019.8.26.0462, em que o réu foi condenado a pagar
indenização por danos morais ao autor. Naqueles autos o réu informou que
foi cancelada a operação e o contrato foi cedido ao BRADESCO, tendo
cessados os descontos em desfavor do autor. Não obstante, alega o autor
ter sido surpreendido em 2023 com recusa de crédito por negativação
procedida pelo réu, além de ter o réu descontado quantias de seu benefício
do INSS , referente ao empréstimo já portado para outra instituição
financeira. Alega que a negativação foi indevida, visto que o empréstimo foi
cedido ao BRADESCO e o autor não está inadimplente, procedendo ao
pagamento mediante desconto em folha. Alega não ter sido notificado na
negativação, ocorrendo violação da STJ 404. Aponta indevido abalo ao
crédito, impondo ao réu a obrigação de indenizar. Sustenta falha na
prestação dos serviços do réu. Invoca o Código do Consumidor e a
inversão do ônus da prova nele prevista. Invoca a teoria do desvio
produtivo do consumidor em reforço à pretensão à indenização por danos
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morais. Aduz que sofreu descontos indevidos no importe de R$1.130,00 até
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o momento, pedindo a condenação do réu ao ressarcimento. Pediu
LIMINAR para compelir o réu a retirar as negativações e cessar os
descontos do empréstimo consignado em seu benefício mantido junto ao
INSS, sob pena de multa diária. Ao final, pede a condenação do réu ao
pagamento de indenização de R$20.000,00 por danos morais e de
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R$1.130,00 por danos materiais. Pediu justiça gratuita.
Justiça gratuita: concedida à autora pelo Eg. TJSP (fl.
154/157).
Liminar: não concedida, determinando-se a prestação de
esclarecimentos e juntada de documentos pela parte autora (fl. 49/50).
Contestação (fl. 93/139), em síntese: (1)falta de interesse de
agir pela ausência de tentativa de composição extrajudicial; (2)impugna o
pedido de justiça gratuita; (3)impugna o pedido de liminar, alegando
ausentes seus requisitos; (4)falta de interesse de agir e também inépcia
pela ausência de comprovante de residência da parte autora;
(5)improcedência, pois a parte autora atrasou os pagamentos, está a dever
ao réu, sendo lícita a negativação procedida pelo banco em razão da
inadimplência da parte autora, agindo o banco em exercício regular de
direito, o que afasta a obrigação de indenizar. Aponta haver amparo
contratual na conduta do banco, visto que a parte autora frustrou os
pagamentos e a margem de consignação do contrato foi perdida,
autorizando o banco, assim, a descontar valores diretamente na conta
bancária da parte autora; (6)nega defeito na prestação de serviços;
(7)impugna a inversão do ônus da prova.
Processamento: Houve réplica.
É o breve relato.
D E C I D O.
Desnecessárias outras provas à vista da contestação
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apresentada (CPC 355, inciso I).
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Preliminar – Falta de Interesse de Agir: REJEITO. Ao
menos em uma análise preliminar, o interesse da parte autora se encontra
presente, na medida em que afirma ser indevida a negativação, com
indevido abalo creditício, a impor ao ré o dever de indenizar. A pretensão
da parte autora foi expressamente resistida pelo réu em sua resposta. Se
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sua pretensão encontrará ou não guarida, é questão a ser analisada
oportunamente, com o mérito.
Igualmente a prévia reclamação administrativa não é requisito
para ingresso da ação, tendo em vista a cláusula pétrea insculpida no CF
5º, XXXV : "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
ameaça a direito;".
Impugnação à gratuidade da justiça: REJEITO, visto que
não se apontou ou comprovou que a parte autora seja titular de imóveis,
veículos ou outros bens e direitos, tratando-se de impugnação genérica
sem qualquer elemento que infirme a documentação trazida pela parte
beneficiária e que ensejou a concessão do benefício da gratuidade.
Ainda que assim não fosse, a gratuidade da justiça foi
concedida pelo Eg. TJSP em segundo grau de jurisdição (fl. 154/160) e
apenas o Eg. Tribunal "ad quem" poderá revogar o benefício que ele
próprio concedeu, em razão da organização hierárquico-administrativa do
Poder Judiciário.
Falta de interesse de agir e também inépcia pela ausência
de comprovante de residência da parte autora: REJEITO a preliminar.
AO QUE PARECE, os advogados do réu NÃO LERAM os autos do
processo, sendo certo que a autora juntou seus comprovantes de endereço
às fl. 11/14. Ainda que assim não fosse, a ausência de comprovante de
endereço não é requisito da petição inicial e não leva, por si só, à extinção
do processo por inépcia ou falta de pressuposto processual, sendo, quando
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muito, mera irregularidade ou hipótese de declinação de competência para
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outro juízo, na hipótese de incompetência absoluta/ funcional.
No mérito propriamente dito, a instituição financeira ré não
impugnou e, portanto, ficaram INCONTROVERSOS: (1)que o empréstimo
foi objeto de PORTABILIDADE para OUTRA instituição financeira; (2)que
em razão da portabilidade do empréstimo, o banco-réu deixou de ser credor
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da parte autora em relação ao mesmo empréstimo; (3)que a negativação da
parte autora e os descontos por ela sofridos em seu benefício junto ao
INSS referem-se ao mesmo empréstimo que já foi objeto de discussão nos
autos 1002818-16.2019.8.26.0462, que já ensejou condenação do réu a
indenizar a parte autora por danos morais em razão de cobranças
indevidas, conforme sentença copiada às fls 20/23, apenas reduzida a
indenização por ocasião de apelação do réu, conforme v. Acórdão de fl.
25/29.
Incumbia ao réu a impugnação especificada dos fatos
alegados na inicial, sob pena de se presumirem verdadeiros os fatos não
impugnados (CPC 341, "caput").
Reconhece-se, pois, a confissão do réu quanto aos fatos
incontroversos supra elencados pela ausência de impugnação específica.
Como se sabe, fatos incontroversos não dependem de prova,
como deflui do disposto no CPC 374, inciso III.
Portanto, tem-se que em razão da cessão a outra instituição
financeira quanto ao contrato de empréstimo por meio de portabilidade, o
BANCO PAN deixou a posição jurídica de credor e, ainda que se alegue
inadimplência da parte autora, não pode cobrá-la, vez que deixou de ser
credor.
Também incontroverso que tais fatos já ensejaram a
condenação da parte ré por descontos indevidos no benefício da parte
autora em razão do mesmo empréstimo, bem como rendeu-lhe indenização
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por danos morais, o que, aliás, restou comprovado às fls. 20/29.
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Conclui-se, assim, que o banco-réu procedeu indevidamente a
novos descontos no benefício do INSS da parte autora, bem como
procedeu a indevida negativação do nome da parte autora, visto que deixou
de ser credor em razão da portabilidade do empréstimo a outra instituição
financeira, como já noticiado alhures.
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A conduta do réu beira o dolo, a vontade livre e consciente de
prejudicar a parte autora, visto o já decidido nos autos
1002818-16.2019.8.26.0462, que já ensejou condenação do réu a indenizar
a parte autora por danos morais em razão de cobranças indevidas,
conforme sentença copiada às fls 20/23, apenas reduzida a indenização
por ocasião de apelação do réu, conforme v. Acórdão de fl. 25/29.
Não há falar-se, assim, em regular exercício de direito
creditício pelo réu, e em se tratando de novos descontos e nova
negativação procedidas pelo banco em desfavor da parte autora APÓS o
decidido nos autos 1002818-16.2019.8.26.0462, entende-se caracterizado
o indevido abalo creditício, bem como entende-se justo o montante de
indenização por danos morais pretendido (R$20.000,00), à vista do
desvalor da conduta do réu e sua capacidade financeira, devendo a
indenização servir como desestímulo a novas condutas semelhantes àquela
praticada e discutida nestes autos.
Como corolário do exposto, a tutela de urgência deve ser
concedida para exclusão das negativações pendentes sobre o nome da
parte autora em razão do empréstimo aqui discutido, oficiando-se o INSS
para cessação dos descontos em seu benefício previdenciário mantido
perante aquela Autarquia.
Também devida, em consequência, a condenação do réu ao
ressarcimento dos valores descontados indevidamente junto ao benefício
da parte autora, cobrando-se mediante simples cálculo aritmético em
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cumprimento de sentença.
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É o que basta para o deslinde.
Isto posto:
I – DECLARO INEXIGÍVEIS os descontos procedidos pelo
BANCO PAN S/A junto ao benefício previdenciário da autora ZAÍRA SILVA
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MING junto ao INSS em razão do contrato de empréstimo consignado
320437394-2, bem como INDEVIDAS as respectivas negativações
lançadas pelo réu em desfavor da autora;
II – CONCEDO A TUTELA DE URGÊNCIA para ORDENAR
ao INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS a CESSAÇÃO
dos descontos oriundos do contrato de empréstimo consignado
320437394-2, com valor da parcela de R$565,00, junto ao benefício
previdenciário da autora ZAIRA SILVA MING sob nº 184.580.390-3.
Autorizo que cópia desta decisão sirva de ofício, devendo a
resposta ser endereçada ao e-mail que consta do cabeçalho desta decisão.
Caberá à parte interessada o encaminhamento do(s) ofício(s),
comprovando-se o protocolo em quinze dias.
III – CONCEDO A TUTELA DE URGÊNCIA para determinar a
EXCLUSÃO das negativações/ restrições creditícias procedidas pelo
BANCO PAN S/A em desfavor da autora ZAIRA SILVA MING perante o
SERASA, SCPC/ BOA VISTA, EQUIFAX e congêneres, tendo por objeto os
débitos do contrato de empréstimo consignado 320437394-2, com valor da
parcela de R$565,00, OFICIANDO-SE COM URGÊNCIA para EXCLUSÃO.
IV – CONDENO o réu BANCO PAN S/A a PAGAR à autora
ZAÍRA SILVA MING:
IV-(a) o ressarcimento dos valores indevidamente
descontados junto ao benefício da autora sob nº
184.580.390-3 junto ao INSS, em razão do contrato
1004344-80.2023.8.26.0008 - lauda 6
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de empréstimo consignado 320437394-2, inclusive
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aqueles que ocorreram após a propositura da ação,
devidamente corrigidos pela Tabela Prática do TJSP
desde a data de cada desconto procedido, com juros
de mora de 1% (um por cento) ao mês também
contados de cada desconto indevido, nos termos do
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CC 398 c/c CC 406 c/c CTN 161, §1º e Súmulas STJ
43 e STJ 54;
IV-(b) INDENIZAÇÃO por DANOS MORAIS no importe de
R$20.000,00 (vinte mil reais), corrigida
monetariamente pela Tabela do Tribunal de Justiça a
partir da data desta sentença, conforme Súmula 362,
do Superior Tribunal de Justiça, acrescida de juros de
mora de 1% (um por cento) ao mês (art. 406, do
Código Civil/2002 c/c art. 161, §1º, do Código
Tributário Nacional), a contar do trânsito em julgado
desta sentença ou da data da publicação do acórdão,
do qual não caiba mais recurso com efeito suspensivo,
quando então se torna exequível e exigível
coativamente a indenização fixada.
CONDENO a parte ré a pagar à parte autora o reembolso de
custas e despesas processuais, bem como honorários advocatícios que se
fixam em 10% (dez por cento) do valor atualizado da condenação.
São Paulo, 30 de janeiro de 2024.
DOCUMENTO ASSINADO DIGITALMENTE NOS TERMOS DA LEI
11.419/2006, CONFORME IMPRESSÃO À MARGEM DIREITA
1004344-80.2023.8.26.0008 - lauda 7