LARISSA KALUME MD8
LARISSA KALUME MD8
ABDOME AGUDO estiramento, contração vigorosa e isquemia.
Já a dor relacionada ao acometimento de
• Na maioria dos estudos examinando dor estruturas retroperitoneais, o estômago,
abdominal aguda, a definição ampla é tida pâncreas, fígado, vias biliares e duodeno
como “dor abdominal de duração inferior a proximal, é tipicamente localizada na região
uma semana que exige admissão hospitalar e epigástrica. O resto do intestino delgado e o
que não tenha sido previamente tratada ou terço proximal do cólon, incluindo o
investigada” apêndice, são estruturas do intestino médio,
e a dor visceral associada a esses órgãos é
• A dor abdominal tem diagnóstico difícil por percebida na região periumbilical. Estruturas
conta de apresentações variadas, grande como a bexiga e os dois terços distais do
número de diferenciais, variabilidade do cólon, bem como os órgãos pélvicos
quadro clínico de acordo com gênero e idade genitourinários, geralmente causam dor na
etc. A etiologia pode variar desde causas região suprapúbica. Com a extensão da
benignas e autolimitadas até doenças doença além do órgão acometido, a
potencialmente de risco à vida. localização inespecífica inicial pode se tornar
• Os pacientes idosos apresentam maior mais fidedigna por envolvimento somático,
probabilidade de um diagnóstico ameaçador como iremos discutir a seguir. Exemplo típico
à vida, com condições como apendicite é a dor da apendicite aguda, inicialmente na
aguda, diverticulite, ruptura de aneurisma de região periumbilical e depois na região da
aorta abdominal e isquemia mesentérica. fossa ilíaca direita.
• Os pacientes imunodeprimidos, em 2. Dor somática: ocorre pela irritação do
particular, merecem atenção especial, pois peritônio parietal. A dor costuma ser de forte
podem apresentar manifestações atípicas, intensidade e a dor à descompressão brusca
sutis e altamente variáveis, com achados costuma estar presente.
inespecíficos e que podem confundir o 3. Dor referida: resulta da sensação de dor
diagnóstico. diferente de seu local de origem, como a dor
• Em mulheres, o diagnóstico diferencial é em ombros por irritação diafragmática ou
ainda mais amplo e inclui condições que patologias intratorácicas simulando dor
envolvem o trato reprodutivo e órgãos abdominal.
pélvicos e doenças associadas à gestação.
ETIOLOGIA CONFORME LOCALIZAÇÃO
ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA
• Dor difusa: Peritonite Pancreatite; Crise
álgica por anemia falciforme; Cetoacidose
A maior parte das etiologias de dor abdominal
diabética; Isquemia mesentérica;
envolve patologias dos tratos gastrointestinais e
Gastroenterite; Aneurisma ou dissecção de
genitourinários. As diferentes patologias são
aorta; Doença inflamatória intestinal;
percebidas por meio de três mecanismos distintos,
Intestino irritável; Obstrução intestinal;
que dividem as etiologias de dor abdominal:
Intolerância a lactose; Insuficiência adrenal;
Porfiria intermitente aguda
1. Dor visceral: relacionada com inervação de
• Quadrante superior DIREITO: Cólica biliar;
fibras aferentes de órgãos intra-abdominais,
Colecistite; Colangite; Abscesso hepático;
tanto de vísceras ocas como a cápsula de
Síndrome dispéptica; Abscesso hepático;
órgãos sólidos. Esse tipo de dor tem fraca
Congestão hepática; Peri-hepatites;
correlação localizatória e pode ocorrer por Trombose hepática; Apendicite retrocecal;
distensão de órgãos por gás e fluidos ou
Embolia pulmonar; Pneumonia; Pancreatite;
distensão da cápsula de órgãos por edema,
Refluxo gastroesofágico
sangue, massa ou abscesso. A aorta e os rins,
• Quadrante superior ESQUERDO: Síndromes
estruturas retroperitoneais, podem causar
dispépticas; Pancreatite; Refluxo
dor na região dorsal. Em relação à localização
gastroesofágico; Esplenomegalia ou abscesso
da dor, sabe-se que a dor visceral é
esplênico; Isquemia miocárdica; Miocardites
geralmente percebida na linha média porque
e pericardites; Pneumonia
os impulsos aferentes de órgãos viscerais são
• Quadrante inferior ESQUERDO: Apendicite;
mal localizados. Os nociceptores viscerais
Divertículo de Meckel; Diverticulite cecal;
podem ser estimulados por distensão,
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Aneurisma de aorta; Gestação ectópica; episódio, são controlados com
Cistos ovarianos ou torção de ovário; medicação
Endometriose; Cálculos ureterais; Abscesso • Outra divisão é em causas cirúrgicas e não
de psoas; Adenite mesentérica; Hérnia cirúrgicas: sobre as Causas não cirúrgicas de
estrangulada; Pielonefrite abdome agudo, podem ser divididas em três
• Quadrante inferior ESQUERDO: Diverticulite; categorias, endócrinas e metabólicas,
Patologias ovarianas; Hérnia estrangulada; hematológicas e toxinas ou drogas;
Gestação ectópica; Doença pélvica o Causas endócrinas e metabólicas
inflamatória; Cálculos ureterais; Abscesso de incluem uremia, crises diabéticas,
psoas; Pielonefrite hiperlipoproteinemia aguda e febre
hereditária do Mediterrâneo
CLASSIFICAÇÃO o Os distúrbios hematológicos são
crises de célula falciforme, leucemia
• As dores abdominais podem ser classificadas aguda e outras discrasias sanguíneas;
segundo: o As toxinas e substâncias que
o Anatomia: pela localização da dor se provocam abdome agudo incluem
pode indicar as possíveis causas ou envenenamento por chumbo e por
órgãos acometidos; outros metais pesados, abstinência
o Causas abdominais e extra- de narcótico e envenenamento por
abdominais; picada da aranha viúva-negra. É
o Processo desencadeante: importante considerar essas
geralmente utilizada pela cirurgia de possibilidades ao avaliar um paciente
urgência. com dor abdominal aguda.
• No entanto, habitualmente os cirurgiões
classificam o abdômen agudo segundo a
natureza do processo determinante, em:
* AVALIAÇÃO
o Inflamatório: apendicite, colecistite • Ao avaliar pacientes com dor abdominal no
aguda, pancreatite aguda, DE, deve-se enfatizar a importância de uma
diverticulite, doença inflamatória história completa, pois esta é, geralmente, a
pélvica, abscessos intra-abdominais, forma de realizar o diagnóstico preciso.
peritonites primárias e secundárias, • Antecedentes de cirurgias e comorbidades
dentre outros. devem ser questionados e podem ser
o Perfurativo: úlcera péptica, neoplasia relevantes para o diagnóstico. São dados
gastro-intestinal perfurada, relevantes:
amebíase, febre tifóide, divertículos o Piora ou melhora da dor com posição
do cólon, dentre outros; e fatores provocadores.
o Obstrutivo: aderências intestinais, o Tipo da dor.
hérnia estrangulada, fecaloma, o Se a dor é aguda ou crônica.
obstrução pilórica, volvo, o Região da dor e sua radiação.
intussuscepção, cálculo biliar, corpo o Gravidade da dor.
estranho, bolo de áscaris, dentre o Fatores temporais e modo de início,
outros. progressão e episódios anteriores.
o Vascular: isquemia intestinal, • Os emergencistas devem procurar distinguir
trombose mesentérica, torção do a dor mal localizada, ou seja, a dor visceral,
omento, torção de pedículo de cisto em comparação com a dor somática
ovariano, infarto esplênico, dentre caracteristicamente aguda, sendo localizada
outros; pela irritação do peritônio parietal ou outras
o Hemorrágico: gravidez ectópica rota, estruturas somaticamente inervadas. A dor
ruptura do baço, ruptura de somática é transmitida através dos nervos da
aneurisma de aorta abdominal, cisto coluna vertebral a partir do peritônio ou
ovariano hemorrágico, necrose estruturas parietais da parede abdominal.
tumoral, endometriose, dentre • Estímulos nocivos para o peritônio parietal
outros. Abrem o quadro com podem ser inflamatórios ou de natureza
cetoacidose, mas, revertido esse química (p. ex., sangue, líquido peritoneal
infectado e conteúdo gástrico). A dor é
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claramente aguda, quando teve início há frequente a associação com
poucos dias, com piora em um dia ou algumas alimentos gordurosos.
horas, mas infelizmente ainda não foi bem
estabelecido um limiar de tempo para definir SINTOMAS ASSOCIADOS
uma dor abdominal como aguda ou crônica.
Dores claramente agudas devem levar à
• Os vômitos, por sua vez, podem ocorrer em
preocupação imediata sobre uma potencial quase qualquer doença abdominal, sendo
catástrofe intra-abdominal, como isquemia frequentes em pacientes com obstrução do
mesentérica, aneurisma roto de aorta intestino delgado, a menos que a obstrução
abdominal ou dissecção aórtica. seja parcial ou o paciente esteja procurando
• Outros diagnósticos de dor aguda que devem serviço médico no início do quadro. Na
ser considerados incluem úlcera perfurada, obstrução do intestino delgado, os vômitos
volvo e torção intestinal, mas essas condições costumam ser biliosos e com a progressão da
podem ocorrer eventualmente sem um início doença eles se tornam fecaloides.
agudo. Por exemplo, apenas 47% dos • A diarreia, por sua vez, frequentemente
pacientes idosos com úlcera perfurada acompanha doenças benignas, mas a sua
tiveram início agudo de dor. presença por si só não é suficiente para
• Dor de grande intensidade deve aumentar a descartar doença grave, sendo a diarreia
preocupação com a gravidade da causa frequente na isquemia mesentérica,
subjacente. No entanto, as descrições de dor usualmente associada a sangue.
de menor intensidade não podem excluir • A constipação pode resultar tanto de
doença grave, especialmente em pacientes obstrução mecânica quanto de redução do
idosos. peristaltismo;
o Pode representar o problema
PADRÕES DE DOR primário e exigir laxativos e agentes
procinéticos, ou simplesmente ser
• Alguns padrões de dor podem sugerir o um sintoma de uma condição
diagnóstico: subjacente;
o Doença biliar: cursa geralmente com o A obstrução total tem mais
dor não paroxística, com duração probabilidade de associar-se a
invariavelmente maior que 1 hora, isquemia intestinal subsequente ou
com uma média de duração de 5 a 16 perfuração, devido a ocorrência de
horas. uma distensão volumosa.
o Obstrução do intestino delgado: • Doenças do aparelho genitourinário podem
usualmente intermitente, em cólica, apresentar dor abdominal; por outro lado,
com progressão para dor mais processos inflamatórios contíguos ao trato
constante quando ocorre distensão genitourinário, como apendicite, podem
intestinal. resultar em leucocitúria e disúria. Nos
• Os fatores de piora da dor são também homens, a torção testicular pode se
importantes: apresentar como dor abdominal, náuseas e
o Pacientes com peritonite tendem a vômitos.
ficar quietos e referem aumento da • Muitas condições médicas não diretamente
dor com movimentação brusca. relacionadas à cavidade abdominal podem
o Pacientes com dor em andar superior causar dor abdominal aguda, incluindo
de abdome, principalmente se com cetoacidose diabética, hipercalcemia,
características pleuríticas, podem porfiria, doença de Addison, crise falciforme,
sinalizar uma patologia torácica, em uremia, intoxicação por chumbo, intoxicação
particular isquemia coronariana. por metanol e angioedema hereditário.
o Relação alimentar: úlcera péptica Outras causas metabólicas menos comuns de
tem dor exacerbada (gástrica) ou dor abdominal aguda incluem uremia,
aliviada (duodenal) pela intoxicação por chumbo, intoxicação por
alimentação; já a piora da dor com metanol, angioedema hereditário e porfiria.
ingestão alimentar pode ocorrer na • No caso da cetoacidose diabética, com
isquemia mesentérica e cálculos hidratação e insulinoterapia a dor abdominal
biliares, neste último caso sendo apresenta melhora importante.
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EXAME FÍSICO característica de um aneurisma da aorta
abdominal.
• Ao exame físico deve ser sempre observado o • Os pulsos femorais podem ser assimétricos
aspecto geral do paciente, e pacientes na dissecção aórtica.
aparentemente doentes apresentam maior • A inspeção e a palpação do paciente em
probabilidade de etiologias de dor abdominal posição ortostática podem revelar a presença
potencialmente graves. de hérnias não detectadas na posição supina.
• Anormalidades de sinais vitais devem alertar • A pesquisa de peritonismo é realizada com
o clínico quanto a uma causa séria da dor depressão suave da parede abdominal
abdominal. A presença de taquicardia e durante cerca de 15 a 30 segundos, com
hipotensão pode indicar desidratação, perda liberação repentina. O paciente é solicitado a
de sangue, aneurisma, sepse e perdas de referir se a dor foi maior com pressão ou com
volume para o terceiro espaço (p. ex., a descompressão abdominal. Apesar das
pancreatite). limitações, o teste foi um dos mais úteis em
• Embora febre sugira uma causa infecciosa, uma metanálise de artigos que analisam o
pode estar ausente em mais de 30% dos diagnóstico de apendicite em crianças. A
pacientes com apendicite e na maioria das sensibilidade para a presença de peritonite é
pessoas com colecistite. de cerca de 80%; no entanto, a sua
• A dor referida pode ter padrões previsíveis especificidade é de apenas 40 a 50%. A
conforme as vias neurais. O sinal de Kehr é utilização de testes indiretos, como o ato de
um exemplo clássico, onde irritação tossir, tem uma sensibilidade semelhante,
diafragmática, geralmente a partir de sangue mas com uma especificidade de 79%.
intraperitoneal livre, faz com que o paciente • A presença de defesa abdominal é definida
apresente dor no ombro e é particularmente como aumento do tônus muscular da parede
associado com colecistite e abscessos abdominal e só tem valor se representa um
diafragmáticos. Processos inflamatórios reflexo involuntário, pois a defesa abdominal
contíguos ao diafragma também podem voluntária pode ocorrer em qualquer
causar dor referida no ombro. paciente ansioso com o exame abdominal. A
• A inspeção do abdome pode demonstrar rigidez da parede abdominal é um exemplo
pistas diagnósticas, incluindo cicatrizes extremo de defesa abdominal, mas é
cirúrgicas, e alterações de pele, incluindo frequentemente ausente em idosos com
sinais de herpes-zóster, doença hepática e peritonite.
hemorragia. • O toque retal tem valor limitado, podendo
• O sinal de Grey-Turner, por exemplo, consiste ser útil na detecção de isquemia intestinal e
em equimoses em flanco sugerindo uma intussuscepção, sendo formalmente indicado
fonte retroperitoneal de sangramento. Já a na suspeita de hemorragia digestiva, mas não
presença de equimoses azuladas em região é recomendado em crianças, sendo de maior
umbilical caracteriza o sinal de Cullen, que utilidade em pacientes com mais de 50 anos
sugere sangramento intraperitoneal. de idade.
• A ausculta tem benefício limitado, embora • O sinal de Murphy é descrito como a
possa revelar sons agudos em obstrução do interrupção da inspiração na colecistite
intestino delgado ou o silêncio no íleo quando o examinador palpa com seus dedos
paralítico. Sopros são descritos em dissecção abaixo da margem costal direita anterior do
de aorta ou estenose renal. paciente. A sensibilidade é de 65% para o
• A palpação é a parte do exame mais diagnóstico de colecistite.
reveladora na dor abdominal. A • O sinal do psoas é avaliado com o paciente
hipersensibilidade localizada é geralmente em decúbito dorsal levantando a coxa contra
um guia confiável para a causa subjacente da a resistência lateral; aumento da dor sugere
dor, porém a hipersensibilidade generalizada irritação do músculo psoas por um processo
pode ser um desafio diagnóstico maior. inflamatório contíguo ao músculo. Quando
• Deve-se considerar apendicite em qualquer positivo na direita, este é um sinal clássico
paciente com dor em quadrante inferior sugestivo de apendicite. Outras condições
direito do abdome. A dor associada a massa inflamatórias envolvendo o retroperitônio,
pulsátil e expansiva é a principal incluindo pielonefrite, pancreatite e abscesso
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do psoas, também podem provocar esse mesentéricas ou
sinal. aneurisma de aorta
• O sinal de Rovsing é um teste clássico Risco de perfuração ou
utilizado no diagnóstico de apendicite. O Cirurgia abdominal obstrução
>
-
examinador aplica pressão no quadrante recente
inferior esquerdo, afastada da área habitual Risco de gravidez
>
-
Início da gravidez
de dor apendicular. O teste é positivo se o ectópica
paciente relata dor no quadrante inferior
>
-
Vômitos associados -
direito. A sensibilidade do sinal de Rovsing é
baixa, sendo de 15 a 35%, mas tem alta Descompressão brusca
> -
especificidade 85 a 95% para o diagnóstico de
-
prositiva
apendicite.
• O teste de dor à palpação da parede
abdominal (sinal de Carnett) quando positivo, ANTECEDENTES PESSOAIS
diminui a probabilidade de peritonite e
localiza a origem da dor na parede abdominal • Os diagnósticos de doenças preexistentes
com sensibilidade de 78% e especificidade de podem aumentar ou reduzir bastante a
88%. Para realizar o teste, palpa-se a região probabilidade de determinadas condições
do abdome em que a dor é mais intensa, com que de outro modo não seriam altamente
pressão suficiente para gerar dor moderada. consideradas;
Pede-se, então, que o paciente desencoste a • Uma história anterior de apendicectomia,
cabeça e parte do tronco da cama. Caso a dor doença inflamatória pélvica ou
aumente ou mantenha-se igual, o teste é colecistectomia pode contribuir
considerado positivo. Se a origem da dor for significativamente para o diagnóstico
intraperitoneal, a musculatura tensionada diferencial;
protegerá a região e a dor diminuirá, sendo o • Durante o exame abdominal, todas as -
teste, então, negativo. cicatrizes no abdome precisam ser
-
consideradas na história clínica obtida;
-
• A utilização prévia de medicamentos e a
SINAIS DE ALARME
história ginecológica de pacientes do sexo
Sinais Justificativa feminino também são importantes;
Sinais de má perfusão • Os medicamentos podem tanto criar
periférica ou condições abdominais agudas como
>
-
instabilidade - mascarar seus sintomas.
hemodinâmica
o Opiáceos: podem causar obstipação
>
-
Febre - e obstrução intestinal, espasmos do
Início súbito de esfincter de Oddi e exarcerbar a dor
>
-
intensidade máxima - biliar ou pancreática, suprimir a
desde o início sensaçao dolorosa e alterar o estado
Idade acima de 65 anos Sintomas frustros, mental do paciente;
vagos, apresentações o AINES: maior risco de inflamação do
↓
>
-
atípicas e tardias e TGI superior, possibilidade de
manutenção de sinais provocar perfuração, por outro lado
vitais inalterados -
pólipos podem bloquear a atividade
úlceno protetora do muco gástrico
inicialmente -
-
perfuração .
Sintomas frustros, produzido pelas células principais e,
>
- Imunossupressão vagos, apresentações assim, reduzir a reação à infecção
atípicas e tardias inflamatória incluindo a progressão
Aumenta o risco de de peritonites;
>
-
Etilismo pancreatite, hepatite, o Agentes imunossupressores: elevam
cirrose o risco de um paciente adquirir várias
Pode indicar doenças bacterianas ou virais além
>
-
Doença cardiovascular comprometimento de reduzir também a resposta
arterial, em artérias inflamatória e diminuir a dor que está
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presente na resposta fisiológica em • =>
Aumentos de amilase e lipase podem indicar
geral; o diagnóstico deu pancreatite se associados
o Anticoagulantes: podem ser com história clínica compatível com o
responsáveis por sangramentos diagnóstico.
gastrointestinais, hemorragias • =
Lactato arterial e DHL, além da amilase,
retroperitoneais ou na mucosa retal; -
podem aumentar na isquemia mesentérica.
o Alcoolismo crônico: associa-se O lactato tem sensibilidade em torno de 86%
fortemente à coagulopatia e nessa situação.
hipertensão portal proveniente de >
-
• O ECG e enzimas cardíacas, por sua vez,
doença hepática; devem ser solicitados em pacientes com dor
o Cocaína e meta-anfetamina: podem em andar superior de abdome em que se
provocar uma intensa reação considere a isquemia coronariana um
vasoespástica, que tem como diagnóstico diferencial.
consequência uma hipertensão com • -
Mulheres em idade fértil necessariamente
risco de vida e isquemia cardíaca e têm como hipóteses diagnósticas C
a gestação
intestinal.
andometriose -
ectópica e outras complicações obstétricas.
~ Assim, deve-se sempre realizar- testes de
• A saúde ginecológica especificamente a Xgravidez nessas pacientes, lembrando ainda
história menstrual, é crucial na avaliação da que estes podem ser úteis para evitar exames
dor abdominal inferior em uma mulher de imagem em fase inicial de gestação com
jovem; seus efeitos teratogênicos potenciais.
• A probabilidade de gravidez ectópica, doença
inflamatória pélvica, dor entre as
menstruações ou endometriose grave pode
ser suspeitada pela história ginecológica.
EXAMES COMPLEMENTARES
Os exames complementares, especialmente os
exames laboratoriais, não substituem a história e o
exame físico na avaliação de pacientes com dor
abdominal e apresentam limitações significativas em
sua utilidade, não conseguindo descartar
diagnósticos potencialmente graves se o paciente IMAGEM
tem uma alta probabilidade diagnóstica antes da
realização do exame.
• A radiografia simples de abdome pode ser útil
em perfuração de vísceras, quando aparece
LABORATORIAIS pneumoperitônio e na suspeita de obstrução
intestinal. O exame infelizmente tem
• A presença de Gr leucocitose com desvio à limitações e não detecta pneumoperitônio
esquerda pode sugerir abdome agudo em 40% das úlceras perfuradas. Outros
inflamatório, mas o leucograma pode ser achados potencialmente úteis da radiografia
normal, mesmo em quadros potencialmente de abdome são as calcificações em aorta e
graves como a apendicite. O hemograma níveis hidroaéreos no intestino em pacientes
pode ainda revelar perdas ocultas de sangue. com suspeita de obstrução intestinal. O
• Eletrólitos e -
- função renal têm valor maior exame também é útil em detectar corpos
para avaliação global do paciente e- glicemia estranhos radiopacos.
aumentada indica a possibilidade de • A - ultrassonografia de abdome é
cetoacidose diabética.
-
particularmente útil em pacientes com
• Alterações - urinárias podem sugerir o doenças do andar superior do abdome e
diagnóstico de- pielonefrite, mas leucocitúria renais. O exame é acessível de forma rápida,
pode ocorrer em 20 a 30% dos pacientes com com baixo custo, é praticamente inócuo e há
apendicite e diverticulite. a possibilidade de seriar para análise
evolutiva. Em geral, é o primeiro exame de
.
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escolha na avaliação de pacientes com dor escolha para síndrome aórtica ou
abdominal, particularmente em pacientes isquemia mesentérica.
com suspeita de patologias de via biliar ou o Contraste oral: útil na suspeita de
ginecológicas. O exame pode ainda avaliar abscesso, perfuração intestinal,
pâncreas, rins e vias urinárias, bexiga doença inflamatória intestinal e
urinária, apêndice, dimensões aórticas e fístula.
presença de líquido livre intracavitário. É o Contraste via retal: auxilia na
limitado por ser operador-dependente. identificação de obstrução intestinal
• Em relação à suspeita de pneumoperitônio, a distal.
avaliação pode ser complementada com
ultrassom à beira do leito. Com o paciente em DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE AS CAUSAS
posição supina ou em decúbito lateral Causa Epidemiol Etiologia Quadro Exame
esquerdo, se houver ar livre no peritônio, ogia clínico físico
espera-se que ele se interponha entre o Divertic Idosos; Divertículo Hemorragi Dor em
ulite homens > pode a quadrante
fígado e a parede abdominal. Ao utilizarmos mulheres; inflamar, digestiva; inferior
o ultrassom para examinar o hipocôndrio recorrent infeccionar, dor em esquerdo,
direito, poderemos ver um realce da linha e obstruir, quadrante sangramen
sangrar e inferior to retal
peritoneal (EPSS – enhanced peritoneal stripe perfurar esquerdo;
sign), além de artefatos de reverberação, alteração
em hábito
similares às linhas A que vemos no pulmão evacuatóri
com padrão normal de aeração. o
• A tomografia computadorizada (TC) de Cólica 30-40 Antecedente Dor aguda Dor à
nefrétic anos; familiar; em flanco percussão
abdome é frequentemente utilizada na a maioria infecção por irradiada lombar
avaliação do paciente com dor abdominal, homens; Proteus; ácido para fossa alta. Exame
com alta sensibilidade e especificidade para a história úrico; acidose ilíaca e abdominal
familiar tubular renal genitália; benigno
maioria dos diagnósticos, mas apresenta positiva náuseas e
limitações no diagnóstico diferencial da dor vômitos
Doença 35-60 Cólica biliar; Dor pós- Colecistite
abdominal nos serviços de emergência. O das vias anos; colecistite; alimentar e colangite:
exame tem excelente acurácia para vários biliares predomíni colangite em HCD; febre,
diagnósticos, como litíase renal, apendicite, o em irradiação Murphy
mulheres para positivo,
dissecção de aorta e diverticulite, entre região icterícia
outras condições. Pode ser realizado sem ou infraescap (mais
com contraste endovenoso (EV), via oral (VO) ular comum na
direita; colangite)
e/ou via retal (VR) a depender da indicação e vômitos
do protocolo da instituição. A Apendici Adolescen Fecalito Dor Febre; dor
angiotomografia (com necessidade de te te e gerando periumbili e DB+ em
adulto obstrução, cal FID
contraste EV) pode ainda avaliar pacientes jovem; edema, migrando
com trombose mesentérica. menos isquemia, para FID
comum infecção e em até 12
• Em relação aos efeitos adversos, esses nos perfuração horas;
exames expõem os pacientes à radiação e extremos vômitos e
podem aumentar custos e tempo de etários anorexia.
Apresenta
permanência do paciente no DE. O uso do ção tardia,
contraste pode estar associado à reação risco de
perfuraçã
alérgica e/ou insuficiência renal aguda, o
devendo ser usado com cautela se Cr > 1,5 Pancrea Adultos, Cálculo biliar, Dor Defesa
e/ou TFG < 60. TC sem contraste: método de tite predomíni etilismo, epigástric abdominal
o em hipertrigliceri a com e DB
escolha para urolitíase. homens demia, irradiação incomuns;
• São características do exame contrastado: hipercalcemia em faixa equimose
, pós- CPRE para o periumbilic
dorso; al e em
o Contraste endovenoso: permite náuseas e flancos
melhor visualização da mucosa vômitos
Hemorr 40-70 Úlcera Hematêm Alterações
intestinal, órgãos sólidos e estruturas agia anos péptica; ese, hemodinâ
vasculares. Identifica local de digestiv gastrite; hematoqu micas;
obstrução intestinal. Exame de a maciça varizes ezia, exame
gastroesofágic melena abdominal
as inocente
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Perfu- Idade Úlcera Dor Taquicardia pacientes com dor refratária, o uso de
ração avançada péptica; epigástric ; defesa
intesti- doença a; abdominal morfina em doses de 0,05 mg/kg a cada 20
nal diverticular; vômitos; difusa e minutos até controle da dor é uma boa
colecistite e febre DB+ opção. A medicação deve ser utilizada com
apendicite tardia; difusament
complicadas peritonite; e; RHA cuidado em pacientes com náuseas e
sepse; diminuídos vômitos, pois esses sintomas podem piorar.
choque
Obstruç Comum Cirurgia Distensão Dor à
• Em pacientes com quadros de litíase urinária,
ão nos abdominal abdominal palpação as medicações com a melhor resposta são os
intestin extremos prévia; ; difusa; anti-inflamatórios, com o uso de opioides em
al etários neoplasia; desidrataç distensão
hérnias; volvo ão abdominal; casos de dor refratária. Analgesia com
abdome opioides, controlada pelo próprio paciente,
hipertimpâ foi eficiente em estudos; e um estudo
nico
Isquemi Idosos Doença Dor Exame mostrou benefício com quetamina em
a cardíaca intensa e físico paciente com dor abdominal refratária.
mesenté
rica
emboligênica;
trauma;
difusa,
pode ser
desproporc
ional à
• O tratamento específico depende da
coagulopatia pós- qualidade etiologia da dor abdominal. Todos os
prandial da dor; pacientes com suspeita de sepse abdominal
(angina pode haver
mesentéri sangramen ou peritonite devem receber
ca); to retal antibioticoterapia precocemente, com
vômitos e cobertura, necessariamente, para Gram-
diarreia
Gestaçã Mulher Idade Dor aguda Choque; negativos e anaeróbios. Cobertura adicional
o em idade avançada; de forte peritonite; deve ser avaliada de acordo com o caso e a
ectópica fértil DIP; DIU; intensidad dor à
rota tratamento e em FI; palpação
suspeita diagnóstica.
para peritonite; de anexo e
infertilidade; choque à
gestação mobilizaçã
ectópica o cervical
prévia
Síndrom Idade Aterosclerose; Dor Assimetria
e aórtica avançada; doença do abrupta, de PA e
aguda predomíni tecido lancinante pulsos; dor Exame
Físico
o em conjuntivo; ; lancinante
homens genética acompanh com
ada irradiação
possivelm para dorso;
ente de choque
síncope
e/ou
choque
TRATAMENTO
• O objetivo da avaliação no DE é descartar
quadros emergenciais.
• Pacientes instáveis devem ser monitorizados,
estabilizados hemodinamicamente,
recebendo avaliação adequada de vias aéreas
e oxigenação, além de receber dois acessos
venosos calibrosos e coleta de exames
conforme a história clínica.
• O médico emergencista não deve hesitar em
administrar medicação analgésica adequada Principais Complicações
ao paciente com dor abdominal aguda e é um -Nunca Senti tanta dor ! -
- Peritonite
erro relativamente comum adiar o uso de doe abdomina intenso.
-
Físturos Vesicos
analgésicos por receio de “mascarar Nauseos ; Vômitos;
-
Abscessos
Constipação (1 dia);
-
patologias potencialmente graves”.
• O uso de analgésicos narcóticos, incluindo TTO prévio gostrite;
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obstrução
Sind de Jobert e
morfina, não prejudica o diagnóstico nem apendicite (descompri
interfere com o tratamento do paciente. Em ssãobrusco).
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Aborome Aguao
.