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Resumo TGPP - 1

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Resumo TGPP – 1º Teste

1. O objeto da ciência política e o poder:

A Ciência Política estuda o político e o Direito Constitucional estuda o estatuto jurídico do político.
Política significa gestão, a busca das escolhas possíveis para resolver um problema face aos meios existentes;
significa estratégia, pois faz-se referência às escolhas efectuadas por certos sujeitos.
O conceito político pode ser observado em vários aspectos:
- Conceito ontológico-normativo: a política é o campo das decisões obrigatórias, dotadas de autoridade e que visam
uma sociedade ordenada, pacífica e justa.
- Conceito realista: fenómeno do poder;
- Conceito marxista: o político é o campo das relações entre as diversas práticas políticas e o Estado;
- Conceito antropológico: associa o político ao poder, a todas as sociedades onde exista competição entre indivíduos
e grupos.

A Ciência Política é a ciência do poder, mas não de todas as formas de poder, apenas do poder político.
Contudo, a Ciência Política não está limitada ao estudo do Estado.
Na ciência política, o instrumento de trabalho que desenvolve uma capacidade crítica e analítica sobre os
conhecimentos é o conceito que se vai estudar. O poder político é então o objecto de estudo da ciência política.

2. Facto Político:
A Ciência política tem como objecto o fenómeno ou facto político.

“É todo o acontecimento ligado à instituição, existencia e exercicio do poder político” (Marcello Caetano)

O ser humano é um ser político, ou seja, tem capacidade de preservar os direitos humanos. Há várias ciências sociais
e humanas, e deste modo o ser humano vai ser o objecto de estudo de várias ciências.
O foco da ciência política vai ser o ser humano como ser político. Isto é o fenómeno ou facto político, e o ser
humano como ser social, livre e racional são antecedentes do ser humano como ser político.
O ser humano precisa de intervir e por isso depende de leis que necessitam de ser criadas para que a sua
liberdade se garanta. Deste modo, o ser humano livre e racional está habituado a participar nas escolhas da
organização política da sociedade, o que o dota como ser político.

3. O Poder:

O Poder é fundamentalmente a arte de comandar a natureza e os homens. A primeira forma de poder foi a do
poder sobre a natureza: o homem aprendeu a domar animais e a servir-se deles, ganhando assim poder. O
poder sobre a natureza determinou em grande o poder sobre o homem, um poder que se obtém pela conquista
e luta.
- envolve o conjunto de meios capazes de coagir os outros a um determinado
comportamento.
Os elementos que ajudam a compor a noção de poder são três: o poder é um
fenómeno biológico- resultado que decorre das características pessoais dos sujeitos
envolvidos; o poder é um fenómeno de força e coação- coação física (o domínio do mais
forte),
coação económica e coação de outros tipos; o poder assenta em grande parte sobre crenças-
os governados acreditam que é preciso obedecer aos governantes e estes procuram fazer-se
estimados através do sistema de crenças.

O poder político é uma autoridade de domínio, que impõe obediência a quantos pertençam à
sociedade política, constrangendo-os à observância de normas jurídicas e quebrando
resistências eventuais.

(KARL DEUTSCH) O poder do homem sobre o homem é uma espécie de jogo em que o competidor que ganha
consegue-o à custa do perdedor.
(MAQUIEVEL) O poder do homem sobre o homem é um “jogo de soma zero”, na medida em que o que um
ganha é exactamente aquilo que o outro perde.
Deste modo, enquanto o poder sobre o homem é algo em que apenas um pode beneficiar, o poder sobre a
natureza é contrariamente algo de que todos podem beneficiar e ganhar simultaneamente.

Poder segundo Aristóteles-


Poder paternal: é exercido no interesse do filho e tem por isso tal limite.
Poder do senhor sobre o escravo: exercido no interesse exclusivo daquele, é o poder despótico, porque é absoluto e
sem limite.
Poder governamental: o poder político, é exercido no interesse comum de todos.
Poder segundo John Locke-
Poder paternal: funda-se na natureza das coisas.
Poder despótico: funda-se na punição dos culpados de um delito.
Poder civil ou político: funda-se no consenso daqueles a quem se destina.
Poder segundo Norberto Bobbio-
Poder económico: posse de bens, necessários numa situação de escassez, para induzir aqueles que os não possuem
a um certo comportamento.
Poder ideológico: traduz-se na influência que as ideias formuladas por certa pessoa revestida de autoridade e
defendidas por certos meios têm no comportamento dos comandados.
Poder político: supõe a detenção de instrumentos através dos quais se exerce a força física.

poder, dominação, influência e autoridade:


Dominação e poder (Max Weber) - a primeira é qualquer possibilidade de fazer valer a sua vontade dentro de uma
relação social, até perante uma oposição, e seja qual for a base dessa possibilidade. Poder é a possibilidade de obter
obediência, em certas pessoas, a uma ordem que tenha um conteúdo determinado.
Dominação (Maurice Duverger) – não se situa no domínio do poder, das relações entre governantes e governantes.
Dominação
Chama-se dominação ao facto de, num grupo social, existirem elementos mais fortes que outros aos quais impõem o
seu ponto de vista. É a situação dos indivíduos mais bem classificados nas provas académicas ou melhor colocados
nas empresas. A dominação é, pois, um atributo do mais forte fisicamente, do mais inteligente, do mais organizados,
ou do mais rico.
Ora na realidade do poder é substancialmente diferente. O poder não é um mero facto material, é um fenómeno de
crença. Admite-se o poder e a necessidade de lhe obedecer, embora se possa combate-lo se for entendido que a sua
forma não é adequada, ou se for questionada a sua legitimidade. Por outro lado, o poder tem um carácter
organizado, já que aparece como a coluna vertebral da sociedade. Ao invés, a dominação é inorganizada e resulta de
meros conflitos entre governados.
Influência
Influência e poder também não devem ser confundidos. A influência não passa de uma forma de poder mais ampla e
moderada. Influência é a capacidade de orientar os juízos ou os comportamentos de outrem sem recorrer à coação
(Durão Barroso). Nem todos os que têm influência dispõem de poder, mas todos os que têm poder também têm
influência (Karl Deutsch).
Autoridade
A distinção entre poder e autoridade é mais difícil de fazer, pois trata-se de conceitos relativos a um mesmo objeto.
A autoridade é tão-só uma forma de poder, qual seja um poder legítimo ou, um poder que se faz obedecer
voluntariamente (Schmitter).
A questão subjacente é, portanto, de legitimidade, na medida em que o poder pode ser exercido de acordo com os
interesses dos seus destinatários e por estes aceite espontaneamente, porque o consideram como adequado. Se o
seu exercício não for atacado por aqueles a quem se destina, que contra ele se manifestam e a ele se sujeitam pelo
exercício da coação em que normalmente se traduz, estaremos apenas perante poder.
4. ESTADO:
O Estado é uma realidade objecto de interesse por ciências diversas e de acordo com métodos de análise
variados. É uma invenção humana que pode ser situada no tempo e que tem como objectivo a segurança e o bem-
estar.
(FREITAS DO AMARAL) Estado é uma entidade actuante na ordem internacional; é uma pessoa colectiva pública que
desempenha a actividade administrativa; é uma forma de organização política.
(MARCELLO CAETANO) Estado é como um povo fixado num território de que é senhor, e que dentro das fronteiras
desse território institui, por autoridade própria, os órgãos que elaborem as leis necessárias à vida colectiva e
imponham a respectiva execução.

Tipos históricos de Estado:

- Estado Oriental;

- Estado Grego;

- Estado Romano;

- Estado Medieval; Estamental ou Corporativo


- Estado Moderno Absoluto

Constitucional

_:_
Dentro do estado moderno (século XVI-XX), temos o estado estamental ou corporativo, o estado absoluto e o estado
constitucional.
No estado estamental ou corporativo a ideia central é a de que o rei e os estamentos, ou seja, as ordens,
desenvolvem entre si uma relação na qual o primeiro deve ter em consideração a opinião dos segundos, os quais
ganham voz através de assembleias estamentais (Cortes, estados Gerais, Dietas).
No estado absoluto centraliza no poder do rei, ou seja, à medida que o rei vai centralizando o poder, os estamentos
desvanecem-se. O rei tem o poder todo e, portanto, faz a lei. A expressão que melhor traduz esta evolução do
estado é “L’État c’est moi” de Luís XIV. O rei afirma-me p nor direito divino.
No estado constitucional representa a etapa final e mais caracterizadora do estado moderno. Contemporâneo das
revoluções liberais (séc. XVIII) pode, contudo, subdividir-se na sua evolução histórica em três fases essenciais. Um
primeiro momento no século XVIII, em que prevalece a afirmação dos direitos civis (liberdade de consciência,
liberdade de expressão, igualdade perante a lei). Um segundo momento no século XIX, em que a afirmação dos
direitos políticos é a pedra de toque (sufrágio universal) e finalmente o século XX, onde a presença dos direitos
sociais se afirma de forma radical (educação, saúde, proteção no emprego, reformas). Esta última fase é
acompanhada de um enfoque ideológico significativo, com o contributo do marxismo, do socialismo e da social-
democracia, que se orientam para uma progressiva valorização do papel do Estado como corretor das desigualdades
sociais.
Estados Soberanos com capacidade jurídica limitada e Estados não soberanos:

É possível fazer uma distinção entre:

ESTADOS (Classificação jurídico constitucional)

Soberanos
Estados
Não soberanos

ESTADOS (Classificação jurídico internacional)

Estados soberanos com capacidade jurídica plena

Soberanos Estados soberanos com capacidade jurídica limitada


Estados

Não soberanos

5. Estado e Nação:

A nação de um estado é aquela à qual pertencem todos os indivíduos que comungam determinado conjunto de
princípios e valores. É a conjugação de factores históricos e culturais na partilha de uma língua e costumes comuns.
O Estado é uma nação jurídica que se pode traduzir na reunião das pessoas que estão vinculadas por direito
ao Estado. Há vários tipos de relação entre o Estado e a Nação:
- Nação sem Estado: comunidade histórico-cultural não organizada politicamente (ex. nação judaica antes da criação
do Estado de Israel).
- Nação repartida em vários Estados: comunidade nacional que se encontra dispersa por diversos Estados, podendo
nuns casos exercer poder político e noutros ser apenas uma das minorias que se encontram no seio desse Estado
(ex. nação Árabe).
- Estado sem Nação: é o momento em que o Estado surge, por isso cabe-lhe a si a responsabilidade da criação da
Nação, através de um esforço contínuo de aproximação dos cidadãos de forma a moldar igual sentimento de
pertença à mesma comunidade (ex. primórdios dos Estados Unidos da América).
- Estado correspondente a várias Nações (Estado multinacional): diversas realidades nacionais que convivem na
mesma organização estadual mas que mantêm os seus traços distintivos essenciais (ex. Espanha). O Estado contém
assim várias nações em si mesmo, o que contribuí para alguma instabilidade.
- Estado e Nação coincidentes: num território de um Estado existe apenas um substrato nacional, um conjunto de
cidadãos que partilham os mesmos ideais de vivência colectiva (ex. Portugal).

O Estado-Nação está ligado com os conceitos de Nação Cultural, Nação Jurídica e de Nação Política.
Assim, a Nação Jurídica pode:
- Identificar-se com a Nação Cultural e com a Nação Política (Estado-Nação coeso).
- Identificar-se com a Nação Cultural mas não com a Nação Política (panacionalismo).
- Não se identificar com a Nação Cultural mas sim com a Nação Política (Estado plurinacional).
- Não se identificar com a Nação Cultural nem com a Nação Política (Estado plurinacional instável).
ELEMENTOS DO ESTADO

POVO
O povo é o conjunto de indivíduos que se encontram ligados ao Estado pelo vínculo da nacionalidade ou
cidadania.
A Constituição Portuguesa de 1976 estabelece que são cidadãos portugueses, todos aqueles que como tal
sejam considerados pela lei ou por convenção internacional.
A população é um conceito económico-demográfico que designa o conjunto de residentes em dado
território, independentemente de serem nacionais, estrangeiros apátridas.

A nacionalidade revela a pertença à Nação e não ao Estado. É um atributo de pessoas colectivas ou mesmo
de coisas. É específica das pessoas singulares, dos seres humanos, dos cidadãos de um Estado Democrático.

A determinação da cidadania dos indivíduos corresponde à delimitação do povo de cada Estado.


O direito internacional reconhece aos Estados a liberdade de conceder ou não a sua nacionalidade. A
Convenção de Haia de 1930 declarou que:
- Todo o indivíduo tem direito a uma nacionalidade.
- Ninguém pode ser privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar a nacionalidade.
- A definição do regime de aquisição e perda de nacionalidade é da competência de cada Estado.

Há dois critérios para a atribuição da cidadania ou da nacionalidade:


- Jus sanguinis: a cidadania é atribuída pelos laços de sangue ou de filiação em relação a nacionais de um certo
Estado.
- Jus soli: a cidadania é determinada pelo local de nascimento.

A cidadania pode-se distinguir em três formas:


- Semi-cidadania: verifica-se em sociedades colonizadas, nas quais os seus súbditos não eram considerados cidadãos
e por isso não lhes eram concedidos direitos políticos.
- Cidadania plena: envolve o reconhecimento do conjunto de direitos e deveres que certa ordem jurídica atribui aos
seus cidadãos.
- Cidadania activa: exercício concreto de direitos que traduzem uma efectiva participação na escolha e condução do
poder político.
- Cidadania não activa: os direitos políticos sofrem limitações.
- Cidadania dupla ou plural: o mesmo indivíduo é considerado como seu cidadão por dois ou mais Estados. As
pessoas podem ter ligações fortes com dois ou mais Estados.

A Lei da Nacionalidade, Lei nr 37/81 de 3 de Outubro, distingue dois tipos de nacionalidade:


⁃Atribuição da nacionalidade (aquisição originária): conciliam o jus sanguinis e o jus soli, o qual foi reforçado em
2006 de modo a alargar as circunstâncias em que indivíduos nascidos embora em território nacional mas filhos de
um progenitor estrangeiro podem aceder a cidadania portuguesa originária. Pode obter-se por:
- Efeito da lei (cidadania adquire-se por lei).
- Efeito da lei e da vontade (cidadania adquire-se por lei mas também é necessário mostrar vontade para tal.
⁃Aquisição de nacionalidade (aquisição derivada): pode obter-se por:
- Efeito da vontade: tem de haver razões para alguém querer adquirir a cidadania-
- Adopção: na adopção de uma criança com outra nacionalidade ou até mesmo com nenhuma esta pode
adquirir a nacionalidade e tem direitos iguais a uma criança nascida nesse mesmo país.
- Naturalização: é exigida a decisão do poder político/governo.

A perda da cidadania só é possível numa situação de dupla nacionalidade. Pode acontecer de dois modos:
⁃Renúncia: manifestação de vontade do indivíduo em prescindir da cidadania sozinho.
⁃Privação: acto pelo qual o Estado retira cidadania a um nacional seu.

Todas as decisões de atribuição, aquisição ou perda de nacionalidade portuguesa, podem ser sujeitas a
controle jurisdicional.

O vínculo de cidadania também pode sofrer vicissitudes através da sucessão de Estados, que acontece
quando um Estado se substitui a outro Estado a título permanente relativamente a um território e à sua população.
Os estrangeiros têm um estatuto definido pelo Direito Internacional. A Declaração do Homem e o Pacto
Internacional dos Direitos Civis e Políticos assenta em duas regras:
- Os estrangeiros e os apátridas devem ter uma condição jurídica compatível com a dignidade humana e usufruir
desses direitos.
- Os estrangeiros e apátridas podem não gozar de direitos políticos no país onde se encontram.

A Constituição da República Portuguesa de 1976 consagra a equiparação de portugueses, estrangeiros e


apátridas, excepto nos direitos políticos e funções públicas de carácter não técnico.
Contudo, a Constituição deixa fora desta regra alguns direitos a nível político, pois os cidadãos estrangeiros
não podem desempenhar cargos políticos, e ao nível das forças armadas, pois os cidadãos estrangeiros não podem
desempenhar cargos nas forças armadas.
Os estrangeiros cidadãos de países de língua portuguesa incluem-se num regime especial, pois podem ver-
lhe atribuídos direitos que os estrangeiros e apátridas não vêm. Estes benefícios têm origem nos laços de
solidariedade que os unem a Portugal. Estes cidadãos têm vários direitos, menos o de ser Presidente da República,
Diplomatas, Primeiro-ministro, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Presidente do Tribunal de Contas,
Presidente do Tribunal Administrativo e Presidente do Tribunal Constitucional.

A cidadania europeia foi concebida com o Tratado sobre o Fundamento da União Europeia, que a concede a
todas as pessoas que tenham a nacionalidade de um Estado-membro.
A cidadania europeia é complementar da cidadania nacional e por isso não a substitui. Assim, os cidadãos da
União usufruem de:
- Livre circulação e permanência no território.
- Direito de eleger e ser eleitos nas eleições municipais do estado-membro onde reside.
- Direito de eleger e ser eleito nas eleições para o Parlamento Europeu no estado-membro onde reside.
- Protecção por parte das autoridades diplomáticas consulares de qualquer estado-membro, quando se encontrar no
território de países terceiros e aí não dispuser de representação diplomática ou consular pelo Estado-membro onde
é nacional.
- Direito de petição ao Parlamento Europeu.
- Direito de dirigir queixas ao Provedor de Justiça Europeu.
- Direito a dirigir-se por escrito a qualquer instituição ou órgão numa das línguas oficiais da União.
- Direito de iniciativa.

TERRITÓRIO
O território é um elemento geográfico que delimita a actuação do poder político do Estado e a validade
espacial das normas emanadas dos órgãos do poder político. Só existe poder do Estado quando este consegue impor
a sua autoridade sobre o seu território.
As fronteiras do Estado são um factor jurídico que condicionam e limitam o exercício da sua soberania.
O território pode ser encarado ao nível do direito interno como do direito internacional.

Território terrestre: abrange todo o espaço delimitado pelas fronteiras, que podem ser definidas de forma
imaginária (por tratados internacionais entre países) ou por recurso a acidentes naturais (por recurso a elementos
naturais, por exemplo, por rios).
O território terrestre abrange o solo e o subsolo a si subjacente. Não existem limites de profundidade e o
Estado exerce aí soberania total.
A entrada do território por estrangeiros está sujeita a autorização formal (visto) ou não formal.

Território aéreo: engloba o espaço aéreo compreendido pelas verticais traçadas a partir das fronteiras
terrestres e do espaço que engloba o mar territorial, sempre que este exista.
Não há limites para o exercício da soberania estadual, contudo, entre as várias teses, a mais adequada é a
que define o limite até à linha de Kármán (100km).
O Estado exerce soberania exclusiva sobre o seu espaço aéreo, ou seja, cada Estado só vê o seu território
sobrevoado por um avião pertencente a outro Estado mediante a necessidade de uma autorização. Contudo, o
Estado não exerce soberania no espaço extra-atmosférico.
A Organização Internacional de Aviação Civil define várias liberdades de utilização do espaço aéreo para
aviões comerciais (e não militares ou de outra natureza):
⁃Liberdade de sobrevoar território estrangeiro sem ai aterrar.
⁃Liberdade de aterragem em território estrangeiro com fins não comerciais (abastecimento ou emergência).
⁃Liberdade de embarque passageiros, carga e correio provenientes do país de origem da aeronave;
⁃Liberdade de embarque com destino ao país de origem da aeronave;
⁃Liberdade de embarque de passageiros e mercadorias no território de um Estado para desembarque noutro
território.

Território marítimo: o Estado tem o domínio de uma certa extensão de mar a partir das suas costas. O
território marítimo são os espaços de água salgada que comunicam dentro de si.
Linha maré-baixa: define o ponto 0.
Primeira parcela - águas interiores que ficam antes do ponto 0. O Estado exerce aqui soberania plena pois
está dentro do território terrestre. É o único espaço prévio das águas marítimas.
Mar territorial - adjacente às costas do Estado e onde se estende a soberania estadual. A sua linha de base
para medir a sua largura é a linha de maré baixa, que tem 12 milhas marítimas.
O estado exerce quase plena soberania nas águas e no solo e subsolo a si correspondente.
Este espaço inclui o direito da passagem inofensiva, no qual os navios de qualquer Estado podem passar,
quer para se dirigirem às águas interiores, a um porto ou para atravessarem. Esta passagem não deve ser prejudicial
à paz, boa ordem ou segurança do Estado Costeiro, o qual pode apenas delimitar essas rotas.
Zona Contígua – tem uma largura máxima de 12 milhas marítimas e sobre a qual, o Estado costeiro pode
exercer poder de fiscalização, emigração, sanitária e aduaneira.
A zona contígua perdeu bastante importância com a criação da Zona Económica Exclusiva.
Zona Económica Exclusiva – tem uma extensão de 200 milhas e é um espaço onde o Estado costeiro detém a
exploração económica total mas com poderes limitados. Os outros Estados têm liberdade de navegação, sobrevoo e
colocação de cabos submarinos nessa área, excepto actividades económicas sem autorização.

Alterações territoriais: Há várias formas de alteração territorial:


- Ocupação: aquisição por parte de um Estado de território despovoado e não sujeito a qualquer soberania.
- Anexação: integração parcial ou total de um Estado noutro Estado, contra a livre vontade desse, e com recurso à
força.
- Rectificação de fronteiras: acordo entre os Estados contíguos para a definição dos limites do território, o que pode
ser feito com recurso a um tratado internacional.
- Sucessão de Estados: pode decorrer através de quatro modos:
- Cessão: passagem de parte do território de um estado para a soberania de outro.
- Descolonização: ascensão à independência de um Estado que era anteriormente um território
dependente.
- Unificação: união de dois ou mais Estados num mesmo.
- Separação: criação de dois ou mais Estados a partir de um só.

O território tem grande importância jurídico-política, uma vez que tem uma condição de independência
nacional, ou seja, a existência e manutenção do Estado só é possível se este detiver território próprio. Por isso, o
Estado tem como tarefa a defesa e independência nacional.
O território também é jurídico e politicamente importante devido à delimitação do poder soberano do
Estado, pois embora os órgãos de soberania exerçam o seu poder no território, o ordenamento jurídico do estado
aplica-se também no estrangeiro. Ou seja, o direito de um Estado é aplicado dentro das suas fronteiras a todos que
ai residem (nacionais, estrangeiros e apátridas), mas também é aplicável aos seus nacionais onde quer que estes se
encontrem.
A soberania do território do Estado tem excepções, que ocorrem no caso de imunidade diplomática ou de
decisões da União Europeia (que se podem sobrepor a leis jurídicas dos seus membros, menos à Constituição da
República Portuguesa).

Quanto ao Território Português, a Constituição da República Portuguesa afirma que Portugal abrange o
território historicamente definido no continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira.
Território Marítimo - Portugal detém um mar territorial de 12 milhas marítimas. Quanto à Zona Económica
Exclusiva de Portugal, esta tem 200 milhas de largura e Portugal pode aí exercer competências de fiscalização,
aproveitamentos dessa zona para fins económicos e outros.
Território aéreo – Portugal tem um território aéreo suprajacente ao território terrestre nacional e ao mar
continental.

PODER POLÍTICO
O poder político é erigido por um povo num determinado território e é por isso uma manifestação de
vontade própria. É o funcionamento de um conjunto de órgãos aos quais caberá o exercício da autoridade que
pertence ao povo.
Os órgãos de soberania residem no povo, que pode delegar o seu exercício através do mecanismo da
representação politica.
O exercício do poder político tem por missão a organização da vida colectiva, agindo com vista a garantir os
valores fundamentais cuja realização justificou o surgimento desse Estado: segurança, bem-estar dos cidadãos e
justiça.
Exercer o poder político é governar e decidir atendendo às diferentes possibilidades.
O exercício do poder estadual está sempre ligado ao funcionamento de um aparelho de coerção que dispõe
dos instrumentos para impor o cumprimento das leis. O poder político estadual pode ser visto em três pontos de
vista:
- Exclusividade: tendência que os detentores do poder político manifestam em não permitir a formação de grupos
armados independentes.
- Universalidade: capacidade que os detentores do poder político têm de tomar decisões apropriadas e efectivas
para toda a comunidade no que toca à distribuição de recursos não apenas económicos.
- Inclusividade: possibilidade de intervir em toda a possível esfera de acção dos membros do grupo, direccionando-os
para fins desejados ou dissuadindo-os de um fim não desejado, através de um conjunto de normas primárias e
secundárias dirigidas a funcionários especializados e autorizados a intervir quando essas são violadas.

LEGALIDADE
A legalidade corresponde aos aspectos de conformidade com a lei, assumindo que a actuação dos poderes
políticos deve ser regida por normas e por si limitadas.
A legalidade é assim aquilo que respeita a lei, é a conformidade com o Direito. Tudo aquilo que viola a lei e
está em desconformidade com o direito é ilegal.

LEGITIMIDADE

A legitimidade revela do domínio da Justiça, na medida em que a verificação é aí da compatibilidade com uma dada
grelha de valores. Legítimo será aquilo que é concordante com um determinado sistema de crenças e convicções e
como tal encarado pela comunidade de cidadãos. Legitimidade não surge apenas no plano interno, mas se coloca
igualmente na esfera da comunidade internacional.
Relações que podem cruzar-se:
 O que é legal é legítimo
 O que é legal é ilegítimo
 O que é ilegal é legítimo
 O que é ilegal é ilegítimo

Legitimidade do poder
Existem três tipos de legitimidade de poder segundo Webner:
1. A legitimidade tradicional se baseia no historicismo de costumes tornados indiscutíveis e exercida de forma
mais totalitária e isolada ou mais comparticipada;
2. A legitimidade carismática está ligada à congregação, em certa pessoa, de qualidades vistas como
extraordinárias, em virtude das quais esta é considerada como estando na posse de forças sobrenaturais ou
sobre humanas, em consequência como chefe, caudilho, guia ou líder;
3. A legitimidade racional é fundada na legalidade e na razoabilidade de autoridade e das suas decisões, que
adquirem uma apresentação institucional geral, abstrata e tendencialmente burocratizada.
Legitimidade e regime político

A legitimidade de um regime político assenta na sua democraticidade, no facto de radicar na vontade


livremente manifestada dos cidadãos, manifestações essa indissociavelmente ligada ao mecanismo do
sufrágio universal, seja no plano da democracia representativa, seja no quadro dos instrumentos de
participação direta. O poder legítimo é aquele que é aceite por ter fundamento legal e por atuar legalmente,
o poder tem-se legitimamente titulado quando se encontra político-eleitoralmente suportado.
A legitimidade de função de eficácia ou de exercício que é relativa à relação de conformidade entre o poder
em causa e o fim ou fins a que se destina.

Fenómeno Político - é definido como todo o acontecimento implicado na luta pela aquisição,
manutenção, exercício, controlo e subversão do Poder na sociedade.

Ciência Política - é uma disciplina social e uma ciência humana aonde serve de base uma
complementaridade frequente de outras áreas sociais, no caso a História, a Antropologia
Cultural, Direito Público, Geopolítica, Ecologia e Psicologia Social. Como objetivo, todas as
Ciências Políticas visam o estudo do fenómeno e do facto político.

Poder - envolve o conjunto de meios capazes de coagir os outros a um determinado


comportamento.
Os elementos que ajudam a compor a noção de poder são três: o poder é um
fenómeno biológico- resultado que decorre das características pessoais dos sujeitos
envolvidos; o poder é um fenómeno de força e coação- coação física (o domínio do mais
forte),
coação económica e coação de outros tipos; o poder assenta em grande parte sobre crenças-
os governados acreditam que é preciso obedecer aos governantes e estes procuram fazer-se
estimados através do sistema de crenças.

O poder político é uma autoridade de domínio, que impõe obediência a quantos pertençam à
sociedade política, constrangendo-os à observância de normas jurídicas e quebrando
resistências eventuais.

LEGALIDADE:
- A legalidade corresponde aos aspetos de conformidade com a lei, assumindo que a atuação dos poderes
políticos deve ser regida por normas e por si limitadas.
- A legalidade é assim aquilo que respeita a lei, é a conformidade com o Direito. Tudo aquilo que viola a lei e
está em desconformidade com o direito é ilegal.

LEGITIMIDADE:

- A legitimidade é um conceito com consequências jurídicas mas sem origem no Direito (o Direito vai recupera-lo
mais tarde). É a conformidade, a compatibilidade e o respeito dos valores e princípios pelos quais uma sociedade se
orienta.

(WEBBER) A legitimidade é produto de um dado processo de legitimação, e por isso pode ser dominada em três
tipos:

- Legitimidade de caracter tradicional: obedece-se à pessoa chamada pela tradição ou pelo sistema
tradicionalmente determinado. Deve-se assim obediência a quem governa porque é aquele que, segundo a lei, deve
governar.
- Legitimidade de índole carismática: está ligada à congregação de qualidades de alguém, vistas como
extraordinárias, que é considerado como estando na “posse de forças sobrenaturais ou sobre-humanas”, enviado
por Deus como um exemplo a seguir e por isso, um chefe ou líder. Está relacionada com as características pessoais
do líder, ou seja, o cidadão encontra nessa pessoa a qualidade extraordinária para governar. A legitimidade advém
das qualidades que atribuem ao líder e por isso, este carisma acaba quando o seu líder carismático acaba.
- Legitimidade de natureza racional: baseia-se na crença da legalidade das normas estatuídas e dos direitos de
comando daqueles que são chamados por essas normas a exercer autoridade. A legitimidade do poder/governante
vem do facto de terem sido escolhidos segundo a lei e de governarem segundo a mesma.
Legitimidade de título – quem governa, governa porque no momento da escolha isso foi designado segundo a lei. É
o momento inicial do exercício das funções.
Legitimidade de exercício – alguém pode ter legitimidade de título, mas no momento em que começa a exercer
perde toda essa legitimidade.

O que é legal é legítimo (alguém escolhido de acordo com a lei e governa segundo as regras e princípios dos
cidadãos).
O que é legal é ilegítimo (alguém é escolhido de acordo com a lei mas perde a legitimidade de título porque não
assume bem a sua função).
O que é ilegal é legítimo.
O que é ilegal é ilegítimo.

1. FINS E FUNÇÕES DO ESTADO

FINS DO ESTADO (O QUÊ?)


As razões da existência do Estado estão relacionadas com a sua conservação enquanto sociedade
politicamente organizada. Para existir, o Estado precisa de paz interna e externa.
O Estado justifica-se pela capacidade que demonstra em suprir as necessidades de um grande número de
cidadãos, para assim cumprir a finalidade do bem-estar económico e social.
A segurança, a justiça e o bem-estar económico e social constituem assim os fins do Estado. Estes fins têm de
ser avaliados em conformidade com a época histórica em que se encontram.

Segurança – As forças de segurança são instrumentais, contudo a segurança deve fazer-se ao nível material. A
segurança pode ser:
- Segurança coletiva: o objetivo de um estado é a sua própria sobrevivência, independência e integridade do
seu próprio território. É a garantia que o território existe e não esta posto em causa por outras entidades – razão
pela qual o Estado tem forças armadas.
- Segurança individual: a segurança traduz-se pela garantia da proteção das pessoas e dos seus bens. Isto
garante-se através de uma organização jurídica que delimita o que é e não é permitido, funcione e forme regras.
Justiça – funcionamento dos tribunais são instrumentais, e a justiça deve fazer-se ao nível material. A justiça pode
ser:
- Justiça comutativa: é uma relação em que um dá e o outro recebe. Tem de se manter o equilíbrio, garantir
que aquilo que um dá é o mesmo que o outro recebe. Isto garante-se se as pessoas tiverem o mesmo
comportamento.
- Justiça distributiva: ideia de que cada um deve ser renumerado de acordo com os seus méritos.

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