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Relatório Final - Alienação Parental

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FACI WYDEN
RELATÓRIO FINAL – 2024
Bacharelado em Direito

ALIENAÇÃO PARENTAL E SEUS EFEITOS PSICOLÓGICOS NAS CRIANÇAS:


DESAFIOS E MEDIDAS LEGAIS NO BRASIL.

ÁGATHA MARQUES

EDIMAR COSTA

FÁBIO DANTAS

FELIPE DE ALMEIDA

Projeto de extensão apresentado no


curso de Bacharelado de Direito da
Faculdade Ideal Faci Wyden, Direitos
de Família e Sucessões.

Orientador (a): Prof.ª Flávia Figueira.

Belém – PA, 2024


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RESUMO DA PESQUISA

O Direito de Família é um conjunto de normas jurídicas que rege as relações familiares, ou


seja, o vínculo entre pessoas de uma mesma família.

Entende-se por família um vínculo de vida comum, em que todos os membros se relacionam
afetivamente para alcançar objetivos comuns, patrimoniais ou não. Assim, a família é vista
como um ambiente de convivência afetiva, fundada em relações consanguíneas ou de outros
tipos.

Posto isso, o tema “Alienação Parental e Seus Efeitos Psicológicos nas Crianças: Desafios e
Medidas Legais no Brasil”, há direta conexão com o Direito de Família, visto que, o bom
relacionamento com os pais é de extrema importância, pois a família é considerada a célula da
sociedade, pois é a menor unidade social e a primeira sociedade de que se faz parte. A família
deve ser uma instituição universal que dá segurança ao indivíduo e é responsável pela
socialização de seus membros. A importância de uma célula saudável para as crianças é que
futuramente isso irá afetar diretamente seu convívio em sociedade.

A Alienação Parental é um fenômeno que ocorre quando um dos pais ou responsáveis de uma
criança ou adolescente manipula ou influencia negativamente a percepção da criança em
relação ao outro genitor, com o intuito de afastá-la emocionalmente e criar uma ruptura no
vínculo familiar. O objetivo da alienação parental, geralmente, é desacreditar, desqualificar ou
até mesmo afastar o genitor alienado da vida da criança, causando danos emocionais e
psicológicos a todos os envolvidos.

Os motivos mais comuns para a prática da alienação parental são: Vingança ou retaliação
contra o ex-parceiro, controle e manipulação da situação, desejo de exclusividade no
relacionamento com a criança, dificuldade em lidar com a separação. É válido ressaltar que a
alienação parental é considerada uma forma de abuso emocional e pode resultar em sérios
efeitos psicológicos nas crianças e adolescentes envolvidos.

DESENVOLVIMENTO
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1. PROBLEMAS IDENTIFICADOS:

A Alienação Parental é um fenômeno que afeta membros de um grupo de supostamente


fizeram parte de uma família, principalmente as crianças e adolescentes, que são as
principais vítimas desse abuso emocional e psicológico.
Os problemas identificados têm direta relação com o emocional e psicológico das
pessoas que passaram pela Alienação Parental, resultando em danos que muitas das
vezes são vitalícios, como a ansiedade, depressão, síndrome de abandono, entre outros
problemas psicológicos.
Ademais, à análise de artigos específicos sobre o ordenamento jurídico em relação a
casos familiares que envolvem alienação parental, foi apresentado por pesquisadores
uma problemática relacionada aos profissionais da saúde que são muitas das vezes
desqualificados para tais casos que implicam a Alienação Parental. Ou seja, por serem
situações delicadas, os profissionais que lidam com o emocional e psicológico
(psicólogos e psiquiatras) devem estar capacitados e especializados na área, para a
perícia psicológica auxiliar o juiz a tomar suas decisões.

2. JUSTIFICATIVA ACADÊMICA:

No contexto da matéria estudada “Direito da Família e Sucessões”, é de suma


importância identificar quando nas relações familiares ocorre casos de Alienação
Parental.
A principal justificativa para o tema do projeto é situar a importância da identificação
do SAP (síndrome da alienação parental) para o tratamento psicológico das pessoas
com a síndrome serem realizadas e o devido processo legal ocorrer quanto as pessoas
que fazem a Alienação Parental.

3. OBJETIVOS A SEREM ALCANÇADOS:

• Identificar as medidas legais relacionadas ao SAP no Brasil.

A Alienação Parental não é expressamente qualificada como crime no Brasil, ela é


reconhecida na legislação como uma prática prejudicial ao desenvolvimento da
criança. A Lei nº 12.318/2010 define a alienação parental como a interferência na
4

formação psicológica de uma criança ou adolescente, com o objetivo de que ela


repudie o outro genitor ou prejudique a relação com ele, também é considerada um
abuso psicológico. Em casos que envolvam suspeita de Alienação Parental poderá
ser solicitada a realização de perícia psicológica e quando provada a existência de
tal abuso, o genitor ou guardião do menor pode perder a guarda.

É necessário reconhecermos que a aplicação da lei nos casos que envolvem tais atos
é constantemente complicada devido à diferentes complexidades do tema e da real
necessidade de provas concretas da prática. Provar a alienação parental é um
processo extremamente complicado, especialmente quando há acusações graves,
como falsas alegações de abuso sexual.

A Lei 12.318/2010 visa combater a prática da Alienação Parental, punindo quem


interfere ou manipula psicologicamente uma criança ou adolescente para afastá-lo
de um dos genitores. A Lei descreve quais são as características da Alienação
Parental:

(1) realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no


exercício da paternidade ou maternidade; (2) dificultar o exercício da
autoridade parental; (3) dificultar contato de criança ou adolescente com
genitor; (4) dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência
familiar; (5) omitir deliberadamente a genitor informações pessoais
relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e
alterações de endereço; (6) apresentar falsa denúncia contra genitor,
contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a
convivência deles com a criança ou adolescente; e (7) mudar o domicílio
para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da
criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com
avós.
Há também a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que é o Estatuto da Criança e
do Adolescente (ECA). O ECA estabelece a proteção integral de crianças e
adolescentes, garantindo-lhes direitos fundamentais. Um deles é o direito à saúde,
neste caso, seria especificamente a saúde psicológica, que é de extrema
importância ser preservada durante a infância, pois essa fase é a base da
mentalidade e comportamentos de uma pessoa.

• Analisar quais as consequências da Síndrome da Alienação Parental.


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Os processos de separação são frequentemente dolorosos, deteriorando as relações


de modo drástico. Crianças não gostam de ver os pais em litígio, pois sentem sua
segurança e amparo abalados e sentem muito receio.

Posto isso, a programação de uma criança contra um de seus genitores gera muita
fragilidade na criança envolvida já que uma de suas referências encontra-se
desestruturada. Gera ansiedade, tristeza e raiva. O rompimento dos vínculos
afetivos gera grandes estragos que se perpetuarão pela vida de pais e filhos. Um
verdadeiro abuso emocional, que às vezes pode ter algum resgate na maturidade,
sem, porém, o aproveitamento do tempo perdido.

Segundo a psicóloga especializada em tratamento infantil Cinthia Vanessa sobre a


Alienação Parental: “é um assunto que me incomoda, porque é uma das poucas
demandas clínicas que no consultório a gente tem pouquíssima melhoria, porque
sempre tem uma das partes envolvida que não colabora no processo, e aí a gente
planta e a sensação que dá é que nunca tem colheita, porque existe alguém que
desconstrói tudo que nós construímos”.

Quanto maior for a intensidade da alienação, maiores são os prejuízos para as


crianças e as consequências podem ser avassaladoras na vida das crianças a longo
prazo, as tornando pessoas que tenham facilidade de desenvolver dependência
emocional, ansiedade, medo excessivo de abandono, além da possibilidade de o
desenvolvimento da personalidade da criança ser afetado.

• Apontar maneiras de identificar a Alienação Parental.

Identificar o comportamento dos envolvidos é essencial para garantir o bem-estar


da criança e preservar o vínculo com ambos os pais. Abaixo, destacamos as
principais maneiras de reconhecer a alienação parental.

1. Mudança Abrupta de Comportamento da Criança:


Um dos sinais mais evidentes da alienação parental é a mudança repentina
de comportamento do filho em relação ao genitor alienado. A criança que
anteriormente demonstrava afeto e proximidade pode começar a agir com
6

hostilidade, medo ou desprezo sem justificativa aparente. Isso geralmente


ocorre porque o alienador implanta na criança ideias negativas e distorcidas
sobre o outro pai ou mãe;

2. Desvalorização do Outro Genitor:


Em casos de alienação parental, é comum que o genitor alienador passe a
desvalorizar o outro, destacando supostos defeitos e minimizando as
qualidades dele na frente da criança. Essa atitude pode se manifestar por
meio de comentários depreciativos, desmerecendo o papel do outro como
pai ou mãe, o que influencia a visão da criança sobre o genitor alienado e
pode criar ressentimento;

3. Incentivo ao Rompimento de Laços:


Um sinal claro de alienação parental é o incentivo ao afastamento e
rompimento dos laços entre o filho e o genitor alienado. O alienador pode
encorajar a criança a rejeitar convites ou oportunidades de convivência com
o outro pai ou mãe. A criança pode ser incentivada a não atender ligações,
ignorar mensagens e desconsiderar eventos importantes na vida do genitor
alienado, como aniversários ou datas comemorativas;

4. Induzir Sentimento de Culpa:


O alienador muitas vezes usa o sentimento de culpa como ferramenta para
manipular a criança, fazendo-a sentir-se responsável pela situação de
afastamento ou por "escolher" um dos lados. Esse tipo de manipulação
emocional afeta a saúde mental da criança, gerando conflitos internos e
comprometendo o vínculo com o genitor alienado;

5. Falsas Acusações e Reinterpretação dos Fatos:


Em alguns casos, o alienador pode distorcer fatos ou até criar falsas
acusações contra o genitor alienado, como alegações de maus-tratos ou
falta de cuidado. Essas acusações são implantadas na mente da criança,
fazendo-a acreditar em situações que nunca ocorreram. Esse tipo de
7

manipulação acaba criando uma falsa realidade e contribui para o


distanciamento entre a criança e o genitor;

6. Impedimento de Contato e Comunicação:


A alienação parental muitas vezes inclui o impedimento do contato regular
entre o filho e o genitor alienado. Isso pode ocorrer de maneira explícita,
como a proibição de visitas, ou de forma mais sutil, como a criação de
compromissos que inviabilizam os encontros. Além disso, o alienador pode
monitorar ou interromper conversas telefônicas, limitando a liberdade de
comunicação;

7. Substituição de Papéis:
Outro comportamento característico da alienação parental é a tentativa de
substituir o papel do genitor alienado por outra pessoa, como um novo
parceiro ou outro familiar. O alienador pode incentivar a criança a chamar
o novo companheiro de “pai” ou “mãe”, criando um falso substituto e
diminuindo a importância do genitor biológico;

8. Dependência Emocional Excessiva:


Em muitos casos, o genitor alienador cria uma relação de dependência
emocional excessiva com a criança, fazendo-a acreditar que ele é a única
pessoa que realmente se preocupa com seu bem-estar. Esse tipo de
comportamento leva a criança a desenvolver uma sensação de que precisa
"proteger" o alienador, afastando-se do outro genitor como forma de
lealdade.

• Formas de amparar pessoas que sofrem com SAP:

1. Oferecer apoio emocional: é importante ouvir sem julgamento e validar


os sentimentos de quem passa pela Alienação Parental para que a pessoa
se sinta confortável para falar sobre seus sentimentos e apoiada;
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2. Informar-se sobre a SAP: para lidar com alguém que esteja passando
pela síndrome, é essencial entender a SAP e suas implicações, para
ajudar efetivamente a pessoa, também obter conhecimento jurídico para
informar sobre os direitos e recursos legais que podem ser acessados e
encorajar a busca por ajuda profissional;

3. Acompanhar e demonstrar preocupação: acompanhar em momentos


difíceis e em mudanças, para a pessoa se sentir mais confiante.
Amparar pessoas com SAP exige cuidado, compreensão e apoio. É
fundamental oferecer suporte emocional, informação e recursos práticos
para ajudar as vítimas a superar essa síndrome.

4. METAS
Explorar as problemáticas apresentadas, informar sobre como ocorre, as consequências
e como amparar pessoas que passam pela SAP, além de como lidar judicialmente com
tal abuso psicológico e emocional.

PLANEJAMENTO PARA DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

A princípio foram selecionados quais artigos, leis e complementos seriam usados para
dar embasamento e para edificar a escrita da pesquisa sobre a Alienação Parental.

Cada membro ficou responsável para discorrer sobre cada um dos objetivos a serem
alcançados: Ágatha - “Identificar as medidas legais relacionadas ao SAP no Brasil”;
Edimar - “Analisar quais as consequências da Síndrome da Alienação Parental “;
Felipe - “Apontar maneiras de identificar a Alienação Parental “; Fábio - “Formas
de amparar pessoas que sofrem com SAP”.

A organização e digitação do projeto ficou sobre a responsabilidade de Ágatha.

CONCLUSÃO
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Após o rompimento de um casal, a parte mais importante é preservar o emocional e o


psicológico dos filhos e a Alienação Parental torna o processo do divórcio ainda mais
prejudicial e doloroso para as crianças que são submetidas a esse abuso psicológico.

Para que as crianças sejam preservadas de passar por esse processo, é necessário expor
a importância do acompanhamento psicológico e principalmente explicar o que fazer e
como agir quando uma criança é exposta à Alienação Parental.

Os pais e responsáveis são os principais alicerces na criação de uma pessoa. Para que o
desenvolvimento saudável seja possível, são essenciais a harmonia familiar e a exclusão
de qualquer manipulação que faça uma criança ser negligenciada emocionalmente.
Posto isso, saber lidar com a Alienação Parental tanto no emocional quanto no processo
judicial é de extrema relevância.

REFERENCIAL TEÓRICO

BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. Diário


Oficial da União, 14 jul. 1990, Seção 1, p. 12155.
BRASIL. Lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010. Dispõe sobre a alienação parental e altera o
art. 236 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 27 ago.
2010.

DE SOUSA, Analicia Martins. Síndrome da alienação parental: um novo tema nos juízos de
família. Cortez Editora, 2014.

FERMANN, Ilana Luiz et al. Perícias psicológicas em processos judiciais envolvendo


suspeita de alienação parental. Psicologia: Ciência e profissão, v. 37, p. 35-47, 2017.

DOS SANTOS, Fabiano Rabaneda. Dano Moral Presumido em Casos de Alienação Parental:
Uma Análise Jurídica e Social. ( Dos Santos, 2023).

GORISCH, Patrícia. A Influência de “Pais Helicópteros” na Superproteção Parental,


Desenvolvimento Infantil e os Direitos das Famílias. (Gorisch, 2024).

ULLMANN, Alexandra. Síndrome da alienação parental. Artigo publicado na Revista Visão


Jurídica, Edição nº 30, Nov 2008, p. 65.

VANESSA, Cinthia. ALIENAÇÃO PARENTAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA OS


FILHOS. Youtube, 24 de março de 2021. 9min25s. Disponível em:
https://youtu.be/OLeghvABJgM?si=mkkq9h0WWOgfEE4q

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