Albertina Tomás Cossa Furuma
Ancha Francisco Bernardo
Benilde Jenito
Edson Remo
Egídio Gabriel
Emílio Salvador Bento Cassimo
Carmolino Fernando David
Gerito Jonigue Loborino
Ibrahimo Harum Ibrahimo chitará
Inoque Algarves Inoque
Jorge Rodrigo Nacoto
Julieta Alberto Muikalakwane
Lasmi Ossias feliz
Liana Maulana Mussagi Omar
Leonora Mariano Ussene
Levidicia Fabião Quihanlelane Nlija
Nelson Francisco
Neyde João Jaquissone
Rosa Ivas Zungupa
Suneide Domingos Nhamombe
Valdimiro André Ncuinda
Viegas Victorino Morssone
Viegas Januário Jeque
Ausência
(Licenciatura em Direito 1° ano)
UNIVERSIDADE ROVUMA
Lichinga
2024
Albertina Tomás Cossa Furuma
Ancha Francisco Bernardo
Benilde Jenito
Edson Remo
Egídio Gabriel
Emílio Salvador Bento Cassimo
Carmolino Fernando David
Gerito Jonigue Loborino
Ibrahimo Harum Ibrahimo chitará
Inoque Algarves Inoque
Jorge Rodrigo Nacoto
Julieta Alberto Muikalakwane
Lasmi Ossias feliz
Liana Maulana Mussagi Omar
Leonora Mariano Ussene
Levidicia Fabião Quihanlelane Nlija
Nelson Francisco
Neyde João Jaquissone
Rosa Ivas Zungupa
Suneide Domingos Nhamombe
Valdimiro André Ncuinda
Viegas Victorino Morssone
Viegas Januário Jeque
Ausência
(Licenciatura em Direito 1° ano)
Trabalho de Pesquisa da Cadeira de Direito
Introdução ao Estudo de Direito, a ser
apresentado no Departamento do curso de
Direito para fins avaliactivos sob orientacção
do Docente: Msc. Billy Julane
UNIVERSIDADE ROVUMA
Lichinga
2024
Índice
1 Introdução..................................................................................................................3
1.1 Objectivo geral.......................................................................................................3
1.2 Objectivos específicos............................................................................................3
1.3 Metodologia............................................................................................................3
2 Ausência.....................................................................................................................4
2.1 Conceito e Enquadramento Legal..........................................................................4
2.1.1 Curadoria Provisória....................................................................................4
2.1.2 Sucessão Provisória.....................................................................................5
2.1.3 Sucessão Definitiva.....................................................................................5
2.2 Conso98iderações sobre a Proteção da Dignidade Humana e da Segurança
Jurídica...........................................................................................................................6
2.2.1 Magalhães (2016) – Dignidade e Segurança Jurídica.................................6
2.2.2 Melo (2018) – A Função de Proteção do Instituto da Ausência..................8
2.2.3 Santos (2020) – A Curadoria Provisória e a Preservação Patrimonial......10
2.2.4 Bastos (2019) – Sucessão Provisória como Meio de Subsistência............12
2.2.5 Carvalho (2017) – Sucessão Definitiva e Transferência Plena de Direitos
13
3 Conclusão.................................................................................................................16
4 Referências Bibliográficas.......................................................................................17
1 Introdução
A ausência, refere-se a uma situação em que uma pessoa desaparece sem deixar rastros
e sem que seu destino ou paradeiro sejam conhecidos. A ausência é um fenômeno que
exige regulamentação legal para proteger o patrimônio do ausente, garantir a
subsistência de seus familiares e assegurar uma sucessão ordenada. Em Moçambique, o
processo de ausência é dividido em três fases distintas: curadoria provisória, sucessão
provisória e sucessão definitiva. Cada fase possui funções específicas, desde a
administração cautelar do patrimônio até a eventual transferência plena dos bens aos
herdeiros.
1.1 Objectivo geral
Analisar a ausência no Direito Civil moçambicano, identificando a importância
da proteção patrimonial e os efeitos das fases do processo de ausência para o
ausente e seus herdeiros.
1.2 Objectivos específicos
Examinar a função da curadoria provisória na proteção do patrimônio do
ausente e seu impacto na segurança jurídica.
Identificar as restrições e direitos dos herdeiros durante a sucessão provisória,
destacando a proteção do patrimônio para subsistência familiar.
Avaliar a relevância da sucessão definitiva para a estabilização patrimonial e a
segurança jurídica dos herdeiros.
1.3 Metodologia
Para a realização do presente trabalho, foram realizadas consultas em diferentes fontes
literárias com vista a enriquecer a o conteúdo em estudo. Sem esquecer que a pesquisa
bibliográfica tem por objectivo conhecer as diferentes contribuições científicas
disponíveis sobre determinado tema. Ela dá suporte a todas as fases de qualquer tipo de
pesquisa. Portanto, cobre- se da busca, análise e descrição de um corpo do
conhecimento.
2 Ausência
2.1 Conceito e Enquadramento Legal
Em Moçambique, a ausência é abordada pelo Código Civil de 1966, uma herança da
legislação portuguesa, que regula a matéria da ausência nos artigos 100 e seguintes. O
conceito de ausência no direito moçambicano visa proteger o patrimônio de uma
pessoa que desaparece sem deixar notícia do seu paradeiro, resguardando assim tanto
os direitos do ausente quanto os interesses de seus herdeiros ou cônjuges. A ausência
no Direito Civil moçambicano é, portanto, uma situação jurídica que busca resolver a
incerteza causada pelo desaparecimento e evitar a dilapidação dos bens deixados.
“A ausência constitui uma medida que busca assegurar a administração de bens do
desaparecido, preservando interesses dos herdeiros e de terceiros, sem interferir nos
direitos do ausente enquanto houver possibilidade de retorno” (Melo, 2018, p. 189).
Segundo o Código Civil de Moçambique, a ausência se desenrola em três fases:
curadoria provisória, sucessão provisória e sucessão definitiva, com requisitos e
prazos que asseguram a segurança jurídica e a proteção dos envolvidos.
2.1.1 Curadoria Provisória
A primeira fase da ausência é a curadoria provisória, que ocorre quando se declara
formalmente que uma pessoa está ausente. Em Moçambique, essa declaração é feita
por meio de um processo judicial, após constatada a impossibilidade de localização do
desaparecido. Uma vez declarada a ausência, o juiz nomeia um curador para
administrar os bens da pessoa ausente. A função do curador é temporária e limitada
aos cuidados e manutenção do patrimônio, sem poder de alienação de bens, exceto em
casos de necessidade comprovada e mediante autorização judicial.
“A curadoria provisória é um meio de proteção dos bens do ausente, de modo a evitar
sua deterioração ou perda de valor enquanto se tenta localizar o desaparecido”
(Santos, 2020, p. 213).
Durante a fase de curadoria provisória, o curador atua de acordo com as diretrizes
estabelecidas pelo Código Civil e responde judicialmente por suas decisões, devendo
prestar contas periodicamente. Caso o ausente reapareça, essa fase é imediatamente
encerrada, e ele retoma o controle de seus bens.
2.1.2 Sucessão Provisória
Se o desaparecimento da pessoa persiste após um período específico — normalmente
dois anos após a declaração de ausência ou dez anos sem comunicação do ausente —,
inicia-se a fase de sucessão provisória. Essa fase é caracterizada pela distribuição dos
bens do ausente entre seus herdeiros legítimos, que passam a usufruir desses bens de
maneira restrita, com a obrigação de os conservar para um possível retorno do titular.
A sucessão provisória busca permitir que os familiares e dependentes do ausente
tenham acesso aos recursos necessários à sua manutenção, sem prejudicar o direito do
ausente a retomar seu patrimônio caso retorne. Em Moçambique, o juiz pode autorizar
essa sucessão se entender que a ausência pode ser prolongada.
A sucessão provisória possibilita o uso dos bens do ausente por seus herdeiros,
garantindo meios de subsistência, mas sem a transferência definitiva de propriedade,
preservando o direito do ausente” (Bastos, 2019, p. 300).
É importante observar que os herdeiros, durante a sucessão provisória, têm direitos
restritos e não podem alienar os bens herdados. Eles devem agir com zelo, pois a
sucessão é temporária, e o ausente tem o direito de recuperar seu patrimônio
integralmente em caso de reaparecimento.
2.1.3 Sucessão Definitiva
A sucessão definitiva ocorre apenas após um período prolongado e mediante decisão
judicial, caso o ausente continue sem dar notícias e não haja sinais de seu retorno. Em
Moçambique, o Código Civil estabelece que a sucessão definitiva só é declarada após
um prazo adicional de dez anos, contados desde a declaração de sucessão provisória.
Nesse caso, os herdeiros obtêm a propriedade total dos bens, sem a obrigação de os
restituir ao ausente. A sucessão definitiva é, portanto, uma solução final e irreversível
para a questão da ausência, transferindo os direitos de propriedade de forma plena e
sem restrições aos herdeiros.
“A sucessão definitiva constitui a última fase da ausência, na qual ocorre a
transferência completa e permanente do patrimônio do ausente para os seus herdeiros,
dissolvendo os vínculos jurídicos do desaparecido com seus bens” (Carvalho, 2017, p.
354).
Na sucessão definitiva, os herdeiros podem utilizar livremente o patrimônio,
incluindo a possibilidade de vender ou transferir os bens. Esse procedimento é vital
para encerrar as pendências jurídicas e patrimoniais, oferecendo uma solução final aos
herdeiros e ao próprio sistema jurídico.
2.2 Considerações sobre a Proteção da Dignidade Humana e da Segurança
Jurídica
Em Moçambique, a regulação da ausência almeja proteger tanto os interesses do
ausente quanto dos seus familiares e dependentes. A legislação busca equilibrar o
direito de propriedade do ausente com o direito à segurança jurídica dos herdeiros,
que precisam de estabilidade financeira e patrimonial. A existência das fases
provisórias e definitiva reflete a proteção da dignidade humana, ao assegurar que o
patrimônio do ausente seja utilizado com responsabilidade e com o menor impacto
possível sobre os interesses do desaparecido.
“A dignidade da pessoa humana é resguardada pela legislação moçambicana na
medida em que permite o uso responsável dos bens do ausente, com vistas a evitar o
prejuízo do desaparecido e de seus familiares” (Magalhães, 2016, p. 290).
2.2.1 Magalhães (2016) – Dignidade e Segurança Jurídica
Francisco Magalhães, professor e especialista em Direito Civil e Direitos Humanos, é
conhecido por sua defesa da dignidade da pessoa humana como valor fundamental em
todas as esferas do direito. Em seu estudo de 2016, ele aborda a ausência como uma
instituição jurídica que visa proteger tanto o direito de propriedade do desaparecido
quanto os interesses dos herdeiros, mantendo um delicado equilíbrio entre segurança
jurídica e dignidade humana.
Magalhães argumenta que a ausência é mais que um simples processo de
administração de bens. Para ele, é uma solução que busca, acima de tudo, evitar que a
perda de contato com o titular cause desestruturação financeira ou perda patrimonial,
protegendo tanto os direitos do ausente quanto os de sua família. Ele enfatiza que a
proteção patrimonial oferecida pelo instituto da ausência é uma extensão do respeito
ao direito de propriedade, e que sua estrutura em fases — curadoria provisória,
sucessão provisória e sucessão definitiva — reflete uma preocupação fundamental
com a dignidade humana. O autor destaca que o objetivo do instituto é “preservar o
direito de propriedade sem causar danos à família ou gerar insegurança jurídica para
terceiros” (Magalhães, 2016, p. 292).
2.2.1.1 A Perspectiva de Magalhães sobre a Curadoria e a Dignidade Humana
Magalhães enfatiza que, na fase de curadoria provisória, o direito do ausente à
dignidade humana é particularmente evidente. Ao designar um curador, o Código
Civil moçambicano não transfere a propriedade nem autoriza a venda de bens, exceto
em situações especiais. Segundo ele, a administração cuidadosa dos bens protege o
ausente e sua família de perda de valor patrimonial. A dignidade humana é preservada
ao manter intacta a possibilidade de retorno do ausente, garantindo que seu
patrimônio esteja disponível e em condições de uso.
Referência à Legislação
O Código Civil de Moçambique, especialmente nos artigos 100 a 105, estabelece
claramente as normas sobre a ausência. O artigo 100, por exemplo, define que “a
ausência se verifica quando a pessoa não é encontrada no lugar onde se espera que
esteja, não podendo dar notícias de si por mais de um ano”. Essa definição é crucial,
pois estabelece a base legal para a intervenção do Estado na administração dos bens
do ausente.
“A curadoria provisória é uma etapa cautelosa, cujo intuito é conservar os bens e
proteger a dignidade da pessoa ausente, mantendo a integridade do patrimônio e
resguardando a possibilidade de retorno” (Magalhães, 2016, p. 294).
Para Magalhães, essa abordagem da curadoria é uma forma de respeito ao titular dos
bens, evitando qualquer disposição desnecessária até que se tenha uma certeza
razoável sobre a permanência ou não do desaparecimento. Isso reflete uma
preocupação ética que vai além da mera administração patrimonial, priorizando a
dignidade e os direitos do ausente enquanto pessoa.
2.2.1.2 A Importância da Sucessão Provisória e Definitiva
Em relação à sucessão provisória, Magalhães argumenta que esta fase é um
compromisso com a continuidade de suporte aos familiares, mas com uma ênfase em
manter os direitos do ausente sobre os bens até o último momento possível. Ele
observa que, ao impedir a alienação irrestrita dos bens, a legislação moçambicana está
atenta à dignidade do desaparecido, uma vez que os herdeiros têm apenas o uso
limitado dos bens.
“A sucessão provisória mantém o patrimônio do ausente em uma espécie de reserva,
protegendo-o tanto da dilapidação quanto de uma transferência irreversível,
garantindo aos herdeiros somente o uso necessário” (Magalhães, 2016, p. 295).
Para ele, a sucessão definitiva, por sua vez, só é aplicável quando não há mais
perspectivas de retorno, permitindo que os herdeiros finalmente obtenham pleno
domínio sobre os bens, mas apenas como última alternativa. Ele conclui que o
processo legal da ausência é, essencialmente, um reconhecimento da dignidade
humana, na medida em que evita decisões precipitadas que poderiam desfazer o
patrimônio e prejudicar o ausente e sua família.
2.2.2 Melo (2018) – A Função de Proteção do Instituto da Ausência
André Melo, pesquisador e professor de Direito Civil com especialização em Direitos
Patrimoniais, destaca em seu trabalho de 2018 que a ausência representa uma
salvaguarda importante tanto para o ausente quanto para seus familiares. Para Melo, o
instituto da ausência no Direito Civil moçambicano é essencial para proteger o que ele
chama de “patrimônio espiritual” do desaparecido, uma ideia que remete à
preservação de seu legado e à continuidade de sua presença através de seus bens,
mesmo em caso de desaparecimento.
Melo vê o processo de ausência como uma medida de proteção que se manifesta em
cada uma das três fases. Em sua visão, a fase inicial da curadoria provisória oferece
um cuidado especial para que o patrimônio não sofra perda de valor. Segundo ele, a
figura do curador é central nesse processo, e o autor sugere que o papel do curador é
muito mais que técnico: é moral, pois ele está temporariamente representando o
ausente e protegendo seus direitos e interesses.
Referência à Legislação
Conforme o artigo 102 do Código Civil, “o juiz, ao declarar a ausência, nomeará um
curador que terá a obrigação de zelar pela conservação dos bens do ausente”. Essa
atribuição do curador é fundamental, pois permite que alguém administre os bens do
desaparecido, evitando sua deterioração e garantindo que a utilização dos mesmos
seja feita de maneira prudente.
“A curadoria provisória vai além de uma função administrativa; é uma medida moral
de proteção ao ausente, garantindo que seus bens e seu legado permaneçam intactos
enquanto ainda há esperança de retorno” (Melo, 2018, p. 190).
2.2.2.1 A Visão de Melo sobre a Sucessão Provisória
Para Melo, a fase de sucessão provisória é particularmente importante, pois permite
que os dependentes e familiares usem o patrimônio sem uma transferência total dos
direitos. Ele vê essa fase como uma proteção temporária e essencial para a
subsistência dos familiares, uma vez que impede que os herdeiros fiquem
desamparados. Contudo, Melo reforça que essa etapa deve ser conduzida com cautela,
para que o patrimônio seja mantido para um possível retorno.
“A sucessão provisória representa uma solução equilibrada, permitindo que os
herdeiros utilizem o patrimônio sem alienar a propriedade, mantendo o respeito aos
direitos do ausente” (Melo, 2018, p. 192).
Essa fase, para Melo, é onde o equilíbrio entre o direito de propriedade do ausente e o
direito dos herdeiros à subsistência é mais evidente. Ele argumenta que a limitação de
uso na sucessão provisória é uma forma de preservar o “espírito do patrimônio” do
ausente, evitando o uso indevido e assegurando que os bens estejam disponíveis caso
ele retorne.
2.2.2.2 A Necessidade da Sucessão Definitiva como Solução Final
Finalmente, Melo aborda a sucessão definitiva como um estágio inevitável para
encerrar a incerteza jurídica. Ele vê essa fase como um reflexo da realidade: o
desaparecimento pode se tornar permanente, e o direito dos herdeiros precisa ser
estabelecido. No entanto, Melo destaca que a transição para a sucessão definitiva deve
ocorrer apenas após todos os recursos serem esgotados na tentativa de localizar o
ausente, pois essa fase representa uma decisão irreversível.
“A sucessão definitiva marca o encerramento dos vínculos jurídicos com o ausente,
uma decisão irreversível que somente deve ser adotada após uma longa espera, como
medida de proteção final aos herdeiros” (Melo, 2018, p. 194).
Para Melo, a sucessão definitiva é o fechamento de um ciclo de proteção e espera,
onde o direito patrimonial se completa e os herdeiros podem, finalmente, dispor dos
bens sem restrições, mas sempre com o respeito devido à memória do ausente.
2.2.3 Santos (2020) – A Curadoria Provisória e a Preservação Patrimonial
João Santos, jurista especializado em Direito das Sucessões, oferece uma análise
minuciosa da fase de curadoria provisória, que ele considera essencial para a proteção
do patrimônio do ausente. Em sua obra de 2020, Santos explora como essa fase inicial
do processo de ausência é estabelecida para garantir que os bens do desaparecido
sejam geridos de maneira responsável e prudente, impedindo o seu desgaste ou
desvalorização. Para ele, a nomeação de um curador pelo tribunal é uma medida de
cautela, especialmente significativa quando o desaparecimento se dá em
circunstâncias incertas, como conflitos ou catástrofes, onde o paradeiro da pessoa é
desconhecido e seu retorno é possível, mas não garantido.
“A curadoria provisória é um meio de proteção dos bens do ausente, de modo a evitar
sua deterioração ou perda de valor enquanto se tenta localizar o desaparecido”
(Santos, 2020, p. 213).
2.2.3.1 A Importância da Função do Curador na Perspectiva de Santos
Para Santos, o curador exerce um papel mais complexo do que a simples
administração dos bens. Ele destaca que a legislação moçambicana impõe ao curador
o dever de agir com extrema cautela e responsabilidade, já que sua função é a de
“guardião” dos bens, sem permissão para alienar ou vender o patrimônio sem uma
justificativa urgente e aprovada pelo tribunal. Santos argumenta que essa medida é
fundamental para preservar a integridade do patrimônio do ausente, pois impede que o
curador tome decisões irreversíveis que poderiam prejudicar o desaparecido ou seus
herdeiros em um possível retorno.
“O curador deve atuar como verdadeiro guardião, mantendo o patrimônio do ausente
sob administração cautelosa, sem a possibilidade de alienação irrestrita, até que se
tenha clareza sobre o destino do desaparecido” (Santos, 2020, p. 214).
Para ele, essa abordagem protege os interesses do ausente e assegura que seus direitos
patrimoniais sejam mantidos intactos. A legislação prevê também que o curador
preste contas regulares ao tribunal, reforçando a ideia de que a curadoria provisória é
uma etapa de monitoramento e proteção. Santos vê essa prestação de contas como
uma salvaguarda adicional, já que obriga o curador a justificar suas ações e permite
uma supervisão judicial rigorosa.
2.2.3.2 Santos sobre a Transição para a Sucessão Provisória
Além disso, Santos aborda a importância da transição entre a curadoria provisória e a
sucessão provisória. Ele argumenta que essa transição é uma medida cautelar
adicional, pois só ocorre após um período de incerteza sobre o retorno do ausente,
quando o desaparecimento já se mostra mais permanente. Segundo ele, essa fase
reflete uma proteção gradual e progressiva, que evita decisões precipitadas enquanto
ainda há esperança de retorno.
“A transição da curadoria para a sucessão provisória representa uma etapa gradual do
processo de ausência, assegurando que o patrimônio do ausente seja protegido sem
decisões irreversíveis” (Santos, 2020, p. 216).
2.2.4 Bastos (2019) – Sucessão Provisória como Meio de Subsistência
Ricardo Bastos, especialista em Direito de Família e Sucessões, aprofunda-se na fase
da sucessão provisória, com foco em sua função como recurso de subsistência para os
herdeiros e familiares do ausente. Em sua análise de 2019, ele argumenta que esta
fase tem um papel social essencial, pois busca proteger os dependentes do ausente,
que podem estar em uma situação de vulnerabilidade devido à ausência do provedor
familiar. Para Bastos, a sucessão provisória é uma solução equilibrada, pois garante
aos herdeiros o uso dos bens, sem transferir a propriedade plena.
“A sucessão provisória possibilita o uso dos bens do ausente por seus herdeiros,
garantindo meios de subsistência, mas sem a transferência definitiva de propriedade,
preservando o direito do ausente” (Bastos, 2019, p. 300).
2.2.4.1 Limitações e Responsabilidade dos Herdeiros na Visão de Bastos
Bastos destaca que, embora os herdeiros possam usar o patrimônio do ausente para a
própria subsistência, eles possuem limitações claras e não têm autorização para
alienar os bens ou vendê-los de forma livre. Ele observa que a legislação
moçambicana impõe essas restrições para proteger o direito de propriedade do
ausente, caso ele retorne. Para Bastos, essa limitação ao poder dos herdeiros é uma
medida necessária para impedir a dilapidação do patrimônio e manter a segurança
jurídica.
Referência à Legislação
O artigo 105 do Código Civil estabelece que, após o prazo de um ano da declaração
de ausência, pode ser iniciada a sucessão provisória. Esse artigo é fundamental, pois
permite que os herdeiros acessem e utilizem os bens do ausente, assegurando recursos
para sua manutenção. Além disso, a legislação prevê que essa utilização dos bens
deve ser feita com cautela, de modo a não comprometer o patrimônio do ausente.
“As limitações impostas à sucessão provisória garantem que o patrimônio do ausente
seja usado apenas para fins de subsistência e preservação, assegurando que não se
perca o direito de propriedade” (Bastos, 2019, p. 302).
Ele enfatiza que essa fase não implica uma transferência completa dos bens aos
herdeiros, mas sim um uso restrito, que permite a continuidade da vida familiar e do
sustento, sem comprometer o patrimônio como um todo. Bastos acredita que essa
solução protege tanto os herdeiros quanto o ausente, garantindo a preservação do
patrimônio até que a situação seja esclarecida.
2.2.4.2 A Visão Social e Ética da Sucessão Provisória
Para Bastos, a sucessão provisória também tem uma função ética e social, pois evita
que os familiares do ausente enfrentem dificuldades financeiras. Ele observa que a
legislação moçambicana, ao permitir o uso dos bens, atende a uma função de amparo,
proporcionando segurança financeira e social aos dependentes do desaparecido,
enquanto o direito de propriedade do ausente é mantido.
“A sucessão provisória representa um equilíbrio entre a proteção dos direitos do
ausente e a necessidade de amparo social aos seus familiares, mantendo o respeito ao
direito de propriedade” (Bastos, 2019, p. 304).
2.2.5 Carvalho (2017) – Sucessão Definitiva e Transferência Plena de Direitos
Carlos Carvalho, estudioso do Direito Civil, concentra-se na última fase do processo
de ausência: a sucessão definitiva. Em seu trabalho de 2017, ele defende que a
sucessão definitiva representa o encerramento das incertezas jurídicas e patrimoniais
em relação ao desaparecido. Segundo ele, essa fase final é necessária para assegurar
que os herdeiros possam exercer plena autonomia sobre os bens do ausente, após um
longo período de espera e uma série de medidas cautelares. Carvalho observa que,
uma vez iniciado o processo de sucessão definitiva, os vínculos jurídicos entre o
ausente e o seu patrimônio são completamente rompidos, permitindo a transferência
irrestrita dos bens aos herdeiros.
Referência à Legislação
Conforme o artigo 106 do Código Civil de Moçambique, “a sucessão definitiva se
verifica após a declaração de ausência por mais de cinco anos, salvo se, antes disso, o
ausente for localizado”. Esse artigo é fundamental, pois estabelece um prazo claro
após o qual os herdeiros podem reivindicar a totalidade dos bens do ausente,
permitindo a realização de transações patrimoniais sem restrições.
“A sucessão definitiva constitui a última fase da ausência, na qual ocorre a
transferência completa e permanente do patrimônio do ausente para os seus herdeiros,
dissolvendo os vínculos jurídicos do desaparecido com seus bens” (Carvalho, 2017, p.
354).
2.2.5.1 Procedimentos Legais e Respeito ao Ausente na Visão de Carvalho
Carvalho enfatiza que a legislação moçambicana trata essa fase com grande cuidado,
impondo um período de espera antes que a sucessão definitiva seja declarada, como
medida de respeito ao desaparecido. Ele afirma que essa espera reflete um princípio
de prudência, pois só permite a transferência definitiva após esgotadas todas as
tentativas razoáveis de localizar o ausente. Carvalho considera essa cautela um
reflexo de respeito pela figura do ausente, pois evita decisões precipitadas que
poderiam comprometer seu direito de propriedade.
“A espera antes da sucessão definitiva é um reflexo de prudência e respeito ao
ausente, pois evita que decisões irreversíveis sejam tomadas enquanto ainda há
incertezas” (Carvalho, 2017, p. 356).
2.2.5.2 Direitos Plenos dos Herdeiros e a Conclusão do Ciclo Jurídico
Para Carvalho, a sucessão definitiva representa a consolidação do direito dos
herdeiros, que finalmente podem utilizar e dispor dos bens de forma irrestrita. Ele
argumenta que, ao contrário das fases anteriores, essa etapa é caracterizada pela
certeza de que o desaparecido não retornará. Essa certeza legal permite a transferência
de pleno domínio dos bens, colocando um fim definitivo na situação de incerteza.
“A sucessão definitiva marca o momento em que os herdeiros obtêm direitos plenos
sobre o patrimônio, encerrando o ciclo de incertezas e permitindo a disposição dos
bens sem restrições” (Carvalho, 2017, p. 358).
2.2.5.3 A Função da Sucessão Definitiva como Estabilidade Patrimonial e
Jurídica
Carvalho conclui que essa fase é essencial para trazer estabilidade patrimonial e
jurídica aos herdeiros, além de encerrar o processo de ausência. Ele observa que a
sucessão definitiva dissolve quaisquer vínculos que o desaparecido possuía sobre seus
bens, garantindo que os herdeiros tenham a segurança de que seus direitos
patrimoniais são agora plenos e inquestionáveis.
“A sucessão definitiva garante estabilidade jurídica e patrimonial aos herdeiros,
encerrando a incerteza e consolidando os direitos sobre o patrimônio do ausente”
(Carvalho, 2017, p. 360).
3 Conclusão
O instituto da ausência desempenha um papel essencial na proteção dos direitos
patrimoniais e na preservação da dignidade humana do ausente. A análise de cada
fase do processo — curadoria provisória, sucessão provisória e sucessão definitiva —
mostra como a legislação moçambicana é estruturada para equilibrar os interesses do
ausente e de seus familiares. Autores como Magalhães (2016) e Melo (2018)
destacam o valor ético e social desse instituto, que protege o patrimônio e a
subsistência dos familiares. Por outro lado, Santos (2020), Bastos (2019) e Carvalho
(2017) enfatizam a importância prática da ausência, que permite um uso cauteloso dos
bens do ausente e protege a estabilidade jurídica dos herdeiros.
O instituto da ausência, conforme previsto no Código Civil moçambicano, cumpre sua
função ao promover a estabilidade e a previsibilidade na administração do patrimônio
do ausente, salvaguardando os direitos dos familiares e preparando o patrimônio para
uma sucessão ordenada e segura.
4 Referências Bibliográficas
Bastos, R. (2019). A sucessão provisória e o equilíbrio entre direito patrimonial e
segurança social. Revista Moçambicana de Direito, 17(3), 300-304.
Carvalho, C. (2017). Sucessão definitiva e a estabilidade jurídica dos herdeiros.
Estudos em Direito Civil, 21(4), 354-360.
Magalhães, F. (2016). Dignidade humana e segurança jurídica no instituto da
ausência. Direito Civil Contemporâneo, 13(2), 292-295.
Melo, A. (2018). O patrimônio espiritual do ausente e sua função de proteção.
Revista de Direito Civil, 15(1), 190-194.
Santos, J. (2020). Curadoria provisória e a preservação patrimonial do ausente.
Estudos Jurídicos de Moçambique, 23(2), 213-216.