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Asma + Bva

Estudo sobre asma

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bruna dacko
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Asma na Infância

Dra Vanessa Mick


Pneumologia Pediátrica
Docente do Curso de Medicina Unicesumar
Abril/2023
Epidemiologia
• A asma é um grave problema de saúde global.

• Estudos apontam que ela acomete cerca de 330 milhões de indivíduos no mundo.

• Afeta todas as faixas etárias e sua prevalência está aumentando especialmente em


crianças.

• É a doença crônica mais comum na infância.

• Estudos realizados apontaram prevalência de asma em 24,3% dentre as crianças no


Brasil.

Global Strategy for Asthma Management and Prevention, 2021,


Prevalência da asma e a importância do cuidado na infância, 2022
Asma grave em crianças e adolescentes, ASBAI, 2020
Epidemiologia
• Segundo Fonseca et al. (2021) estudos mostraram que a prevalência de asma infantil
na América Latina varia entre 4% e 30%, e está acima de 10% em quase todos os
países.

• É uma grande causa de morbidade e alto consumo de recursos em saúde.

• Entre as crianças de 5 a 17 anos, a asma é uma das causas mais comuns de


comprometimento acadêmico.

• A maior parte da morbidade e mortalidade associada à asma é evitável,


particularmente com o uso de corticosteróides inalatórios.

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Prevalência da asma e a importância do cuidado na infância, 2022
Asma grave em crianças e adolescentes, ASBAI, 2020
Fisiopatologia
• Doença heterogênea
• Principal característica Inflamação crônica das vias aéreas inferiores
• Envolve múltiplas células inflamatórias e mediadores químicos
• Alterações na integridade epitelial via aérea, anormalidades no tônus, alterações na
permeabilidade vascular, hipersecreção de muco, mudanças na função muco-ciliar e
aumento da reatividade do músculo liso da via aérea.
• Hiper-reatividade brônquica e processo inflamatório crônico resultando em um
remodelamento das vias aéreas
• Alterações estruturais podem ser encontradas, mesmo nos casos mais leves e estáveis
Fenótipos da Asma
Fisiopatologia
FENÓTIPOS

• Fenótipos são as características clinicas observadas de uma doença que tem relação
direta com a sua fisiopatologia.

• Os fenótipos distintos da asma não representam doenças separadas, mas são parte da
“Síndrome da asma” com diferentes prognósticos e respostas ao tratamento.

• Muitos fenótipos clínicos de asma foram identificados.

• Em pacientes com asma mais grave - alguns tratamentos guiados pelo fenótipo estão
disponíveis.
• Este é o fenótipo de asma mais facilmente
reconhecido.

• Muitas vezes começa na infância (< 12 anos) e


é associada a uma história passada e/ou
familiar de doença alérgica, como eczema, rinite
alérgica ou alimentos ou medicamentos.

• Geralmente há inflamação eosinofílica das


vias aéreas.

• Pacientes com este fenótipo de asma


geralmente respondem bem ao tratamento com
corticosteroides inalatórios (CI).

• Suas exacerbações estão caracteristicamente


relacionadas à exposição aos aeroalérgenos.

Guía mexicana del asma, Revista Alergia México, 2017


Janeiro-Março 2017 - Revista Volume 1 - Número 1, ASBAI
• Alguns pacientes têm asma que não está
associada à alergia.

• Normalmente, os sintomas têm início com 12 ou


mais anos de idade.

• Pode-se observar uma maior ocorrência de


infiltraçao de neutrófilos.

• Pacientes com asma não alérgica geralmente


demonstram menos resposta a curto prazo ao
CI.

• Estudos têm mostrado que a asma de fenótipo


não alérgico pode apresentar uma maior
gravidade.

Guía mexicana del asma, Revista Alergia México, 2017


• Início precoce

• Relacionada a atopia

• Alguns estudos sugerem melhor resposta


a corticoesteróides

Guía mexicana del asma, Revista Alergia México, 2017


Janeiro-Março 2017 - Revista Volume 1 - Número 1, ASBAI
• Qualquer idade

• Pobre resposta aos corticoesteróides

• Pode representar padrão eosinofílico


resolvido

Guía mexicana del asma, Revista Alergia México, 2017


Janeiro-Março 2017 - Revista Volume 1 - Número 1, ASBAI
• Alguns adultos, particularmente mulheres,
apresentam asma pela primeira vez na vida
adulta.

• Frequentemente, observa-se associação com


polipose nasal e hipersensibilidade aos AINEs.

• Esses pacientes tendem a não ser alérgicos e


muitas vezes requerem doses mais altas de CI
ou são relativamente refratários a tratamento
com corticosteróides.

Guía mexicana del asma, Revista Alergia México, 2017


Características da Asma
• Manifesta-se por limitação variável ao fluxo aéreo, reversível espontaneamente ou
com o tratamento.

• Tanto os sintomas quanto a limitação do fluxo aéreo variam ao longo do tempo e em


intensidade.

• Essas variações são muitas vezes desencadeadas por fatores como exercício,
exposição a alérgenos ou irritantes, mudança na clima, ou infecções respiratórias
virais.

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Guia ASBAI e SBP para tratamento da exacerbação de asma,
2021
Quais são os sintomas?
• Dispneia

• Tosse (geralmente seca)

• Sibilância

• Sensação de aperto no peito

• Cansaço para realizar as atividades diárias e durante as atividades físicas

• Pode ocorrer despertares noturnos

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Fatores desencadeantes

Guía mexicana del asma, Revista Alergia México, 2017


Fatores desencadeantes

O tabagismo ativo ou passivo é um dos principais


fatores para que o paciente não alcance o controle
dos sintomas de asma apesar do tratamento
adequado.
Diagnóstico
ANAMNESE
EXAME FÍSICO
Idade de início

Sintomas
Sibilos
Duração das crises
Sinais de desconforto respiratório
Frequência
Batimento de aleta nasal
Fatores desencadeantes
Sinais de atopia
Resposta ao Beta-2

Sintomas
Saturação de oxigênio
nasais/oculares/exercícios/noturnos

Outras alergias associadas (pele/alimentar)

Histórico familiar em parentes de 1o grau


Índice Preditivo de Asma
Indica a probabilidade de o paciente com sibilância precoce desenvolver asma
persistente no futuro (Castro-Rodriguez modificado).

Guía mexicana del asma, Revista Alergia México, 2017


Diagnóstico

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Exames Complementares
• O diagnóstico da asma é essencialmente clínico, realizado pelo médico através da
análise da história detalhada associado ao exame físico do paciente. Existem exames
que complementam o diagnóstico da asma, tais como:
• Testes cutâneos alérgicos
Teste Cutâneo Alérgico
Exames Complementares
• O diagnóstico da asma é essencialmente clínico, realizado pelo médico através da
análise da história detalhada associado ao exame físico do paciente. Existem exames
que complementam o diagnóstico da asma, tais como:
• Testes cutâneos alérgicos

• Dosagem de IgE específica para alérgenos

• Dosagem de IgE total

• Espirometria com prova broncodilatadora

• Exames de imagem: Principalmente para excluir diagnósticos diferenciais


Classificação da Asma

< 5 anos:
Sintomas e medicação de
resgate > 1x/semana

Para > 12 anos

Recomendações para o manejo da asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – 2020


ACT-C PEDIÁTRICO

Asma controlada:
> 19 pontos

ASBAI, 2017
Diagnósticos diferenciais

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Guia ASBAI e SBP para tratamento da exacerbação de asma, 2021
Tratamento
Objetivos do tratamento
1. Controlar os sintomas
5. Reduzir a necessidade de uso
2. Possibilitar atividades normais na de broncodilatador para alívio dos
escola e no lazer, com o mínimo sintomas
de medicamentos
6. Minimizar efeitos adversos da
3. Manter função pulmonar normal medicação
ou a melhor possível
7. Atender às expectativas do
4. Evitar as crises, atendimentos paciente e da família com o
em emergências e tratamento
hospitalizações
8. Evitar a morte

Wood, 2002
Asma pediátrica, SBP
• Antes de progredir Steps, 4
perguntas são IMPORTANTÍSSIMAS:

• Há adesão ao tratamento?

• A técnica de uso de medicação


está correta?

• Há estímulos e agravantes no
ambiente (poluição, poeira, mofo,
colchas e bichos de pelúcia,
tabagismo passivo ou ativo) ?

• Há diagnósticos alternativos?
Será que é asma mesmo?

Asma grave em crianças e adolescentes, ASBAI, 2020


Técnica Inalatória
GINA - Initiative for Asthma
2022
GINA 2022
O que há de novo na pediatria?

• Recomenda-se que todo paciente com asma receba corticoide inalatório de alguma
maneira.

• Terapia MART para crianças entre 6 a 11 anos

• Terapia de manutenção e alívio

• Doses baixas de Formoterol + Budesonida (LABA)

• Reduz exacerbações quando comparado ao SABA como medicação de alívio

• Dupilumabe (anti-IL-4R) : Passar a ser indicado também para crianças maiores de 6


anos, no tratamento de asma moderada a grave.

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Crianças de 6 a 11 anos
Crianças de 6 a 11 anos
• STEP 1 (sintomas < de 2 vezes/mês):

• Dose baixa de corticoide inalatório quando utilizar o SABA

• Considerar: Dose baixa de CI diária, pois a baixa adesão é altamente provável

• STEP 2 (sintomas 2 vezes/mês ou mais, mas não diários):

• Dose baixa de corticoide inalatório diário + SABA por demanda

• Considerar: Anti-leucotrieno diário OU baixa dose de CI quando utilizar o SABA

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Crianças de 6 a 11 anos
• STEP 3 (sintomas na maior partes dos dias ou despertar com crise de asma 1 vez/semana ou mais:

• Dose baixa de CI + LABA OU Dose média de CI OU Dose muito baixa de CI + LABA (Formoterol) - MART
(controle e resgate)
• Considerar: Dose baixa de CI + Antileucotrieno

• STEP 4 (sintomas na maior parte dos dias ou despertar com crise de asma 1 ou mais vezes/semana e
baixa função pulmonar):
• Dose média de CI + LABA OU Dose baixa de CI + Formoterol (MART - controle e resgate)

• Encaminhar ao especialista

• Considerar: Associar Brometo de Tiotrópio (LAMA) OU Anti-leucotrieno

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Crianças de 6 a 11 anos
• STEP 5:

• Encaminhar para avaliação fenotípica

• Dose alta de CI + LABA OU adicionar Anti-IgE (Omalizumabe) ou anti-interleucina


4 (Dupilumabe)

• Considerar: Adicionar anti-interleucina 5 (Mepolizumabe) OU Dose baixa de CO


(considerar os efeitos colaterais)

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Imunobiológicos

Omalizumabe Dupilumabe Mepolizumabe

Mecanismo de ação Anti-IgE Anti-interleucina 4 Anti-interleucina 5

≥ 6 anos
≥ 6 anos ≥ 6 anos
Indicações Asma moderada/ Grave
Asma grave eosinofílica Asma grave eosinofílica
Asma alérgica persistente
Crianças de ≤ 5 anos

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Crianças ≤ 5 anos
• STEP 1 (Crianças com sibilância viral ou raros sintomas episódicos):
• Utilizar SABA quando necessário

• Considerar: CI intermitente pode ser considerado no início dos quadros respiratórios

• STEP 2 (Crianças com sintomas consistentes com asma não bem controlada ou ≥ 3
exacerbações/ano):
• Dose baixa de corticoide inalatório diário + SABA quando necessário

• Considerar: Anti-leucotrieno diário OU uso intermitente de CI no início dos quadros respiratórios


+ SABA quando necessário

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Crianças ≤ 5 anos
• STEP 3 (Asma não controlada com dose baixa de CI):
• Dobrar a dose de CI prescrito no STEP 2 + SABA quando necessário
• Considerar: Dose baixa de CI + Antileucotrieno/ Considerar encaminhar ao especialista

• STEP 4 (Asma não bem controlada com aumento do CI):


• Manter tratamento e encaminhar ao especialista
• Considerar: Associar Anti-leucotrieno, aumentar a dose de CI ou adicionar CI
intermitente
Antes de intensificar, verifique se há diagnóstico alternativo, verifique se a técnica do
uso do inalador está correta, se há aderência ao tratamento e se há exposição
constante a fatores alergênicos, como à fumaça do cigarro.

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Doses Corticoides Inalatórios

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Doses Corticoides Inalatórios
Crianças ≤ 5 anos

GINA - Initiative for Asthma, 2022


Crise de Asma
• Os principais objetivos do tratamento das crises de asma são a estabilização clínica da
criança, com a supressão ou redução dos seus sintomas e a prevenção de
complicações, como hospitalização e morte.

• As seguintes metas devem ser buscadas:


• Reverter a obstrução ao fluxo aéreo;

• Corrigir a hipoxemia;

• Minimizar o risco de recidiva dos sintomas;

• Prevenir novas exacerbações.


Crise de Asma
Avaliação na Crise

• A avaliação clínica de um paciente em crise de asma deve ser rápida, objetiva,


visando o diagnóstico e a avaliação da gravidade.

• A avaliação da gravidade é essencial para a definição de melhor abordagem


terapêutica, assim como para avaliação do risco de admissão hospitalar, permanência
em serviços de urgência.
Crise de Asma
Exames Complementares

• A abordagem da crise da asma na maioria das vezes não requer exames


complementares inicialmente.
• Radiografia de tórax:
• Não deve ser realizado de rotina
• Pode ser feita quando há suspeita de outros diagnósticos (ex: pneumonia) ou complicações (ex:
pneumotórax, atelectasia) e naqueles pacientes graves que não respondem ao tratamento inicial

• Gasometria arterial:
• Também não é utilizada de rotina
• É importante no paciente que não melhora ou que piora durante o tratamento na emergência,
visando detectar principalmente retenção de CO2
Crise de Asma
Avaliação e classificação da crise

Guia ASBAI e SBP para tratamento da exacerbação de asma , 2021


Guia ASBAI e SBP para tratamento da exacerbação de asma , 2021
Guia ASBAI e SBP para tratamento da exacerbação de asma , 2021
Importante
• Fazer o diagnóstico correto - investigar os diagnósticos diferenciais quando necessário

• Administrar tratamento de manutenção na menor dose possível que estabilize o


paciente

• Sempre avaliar: Técnica inalatória, fatores desencadeantes, adesão ao tratamento

• Saber reconhecer uma crise e manejá-la


Bronquiolite Viral
Aguda
Dra Vanessa Mick
Pneumologia Pediátrica
Docente do Curso de Medicina Unicesumar
Abril/2023
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
INTRODUÇÃO

• É uma das principais infecções respiratórias que acomete os menores de 2 anos


(especialmente menores de 1 ano).

• O pico de incidência ocorre entre 2 e 6 meses de idade.

• Principal causa de internação em lactentes previamente hígidos - principalmente nas


crianças menores de três meses.

• A doença é auto-limitada na maioria dos casos.

Tratamento de bronquiolite viral aguda. Residencia Pediátrica. Ano 2021 - Volume 11 - Número 3
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
DEFINIÇÕES

• A definição é controversa entres Academias Europeia e Americana.

• Academia Americana: Primeiro evento de sibilância em crianças menores de 2 anos


precedido de sintomas de coriza e espirros.

• Guidelines Europeus: Presença de esforço respiratório em menores de 1 ano.

• Nos últimos anos, muitos estudos voltados para o tema têm incluído exclusivamente
pacientes com até 12 meses de idade.

Tratamento de bronquiolite viral aguda. Residencia Pediátrica. Ano 2021 - Volume 11 - Número 3.
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
ETIOLOGIA

• A fonte de infecção é geralmente um membro da família ou colega da creche ou


escola, com doença respiratória aparentemente benigna.

• Vírus sincicial respiratório (VSR) em até 75-80% dos casos.

• Rinovírus humano (RV) em 5 a 15% dos casos.

• Outros agentes virais: Parainfluenza, metapneumovírus, bocavírus, coronavírus,


adenovírus e influenza.

Tratamento de bronquiolite viral aguda. Residencia Pediátrica. Ano 2021 - Volume 11 - Número 3.
PATOGÊNESE - VRS

1. Inicia sua replicação na mucosa do epitélio nasal

2. O vírus infecta as células epiteliais dos


bronquíolos terminais causando um processo
inflamatório agudo

3. Leva a dano direto às células e inflamação


peribronquiolar

4. Edema, excesso de muco, dano ciliar e necrose


de células epiteliais

5. Causando obstrução das pequenas vias aéreas


(com graus variáveis de intensidade) e
atelectasia

6. A replicação viral no epitélio nasal e bronquiolar


resulta em sintomas respiratórios típicos da BVA

Viral Bronchiolitis in Children. The New England Journal of Medicine, January 15, 2016
Tratamento de bronquiolite viral aguda. Residencia Pediátrica. Ano 2021 - Volume 11 - Número 3
VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO
CARACTERÍSTICAS

• Período de incubação de 2 a 6 dias.

• Subtipos A e B.

• Subtipo A causa doença mais severa.

• Caráter sazonal - predominante no inverno e início da primavera, e com duração de


cerca de 4 a 6 meses, dependendo das características de cada país ou região.
VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO
CARACTERÍSTICAS

• Pico de ocorrência entre 2 e 6 meses.


• Até os 2 anos, 95% dos lactentes já serão infectados pelo vírus sincicial respiratório
(VSR).
• Clinicamente pode variar desde formas leves, assintomáticas, até formas graves com
comprometimento do estado geral e insuficiência respiratória.
• A infecção não causa imunidade completa, sendo comuns as reinfecções durante a vida.

DIRETRIZES PARA O MANEJO DA INFECÇÃO CAUSADA PELO VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO (VSR) - 2017
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
QUADRO CLÍNICO

• Inicia com congestão nasal e coriza por aproximadamente 2 a 4 dias.

• Pode haver ou não febre (ausente em até 50% dos casos).

• A infecção do trato respiratório inferior evolui em média após 6 a 8 dias com tosse,
taquipneia, sibilos e desconforto respiratório.

• A apneia pode ser a manifestação inicial da BVA em prematuros e menores de dois


meses de idade.

Tratamento de bronquiolite viral aguda. Residencia Pediátrica. Ano 2021 - Volume 11 - Número 3.
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
FATORES DE RISCO

• Prematuridade

• Baixo peso ao nascer

• Tabagismo passivo

• Doenças pulmonares crônicas

• Doenças neuromusculares

• Cardiopatias congênitas

• Imunodeficiências congênitas ou adquiridas

Tratamento de bronquiolite viral aguda. Residencia Pediátrica. Ano 2021 - Volume 11 - Número 3.
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
DIAGNÓSTICO

• As diretrizes baseadas em evidências enfatizam que o diagnóstico deve ser baseado


nos sintomas da doença e exame físico.

• Estudos radiográficos e laboratoriais não devem ser obtidos rotineiramente.

• Não há indicação rotineira do uso de testes específicos de detecção viral, de acordo


com as últimas diretrizes.

• Painel viral: Podem ser realizados em situações em que o resultado modificará a


conduta.
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
DIAGNÓSTICO

• Radiografia de tórax:
• Deve ser realizado em casos graves, quando ocorre piora súbita do quadro, ou em
situações que sugiram outros diagnósticos como pneumonia, atelectasia, pneumotórax.

• Principais achados: Hiperinsuflação torácica difusa, hipertransparência, retificação do


diafragma e até broncograma aéreo com um infiltrado de padrão intersticial.
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
TRATAMENTO

• Na grande maioria dos pacientes, a evolução é benigna e o processo evolui para a


cura sem a necessidade de nenhuma intervenção.

• Não existe nenhum tratamento específico para bronquiolite.

• O tratamento é de suporte.

• Nenhum tratamento disponível encurta o curso da bronquiolite ou acelera a resolução


dos sintomas.
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
TRATAMENTO

• Principal medida é o tratamento de suporte:

• Cabeceira do leito deve ser mantida preferencialmente elevada

• Desobstrução das vias aéreas superiores

• Reposição hidroeletrolítica

• Oxigenioterapia

• Dieta oral ou enteral


BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
TRATAMENTO

• HIGIENIZAÇÃO NASAL:

• A lavagem nasal pode melhorar a obstrução nasal.

• Medida importante, não só por questões de conforto, mas também para evitar
comprometimento da mecânica respiratória nos lactentes muito pequenos.
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
TRATAMENTO

• CORTICOIDES:

• Não há indicação do uso de corticoide oral, venoso ou inalatório na BVA.

• Não há benefícios clínicos ou evidências científicas que suportem seu o uso.

• Embora tenham ação anti-inflamatória, auxiliem na redução do edema da mucosa


respiratória, não mudam o curso da BVA e ainda prolongam a viremia, sendo
dispensável o seu uso.

• O não uso de corticoide na BVA tem nível B de evidência.


BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
TRATAMENTO

• BRONCODILATADORES:
• Ensaios randomizados não mostraram um efeito benéfico consistente na resolução da
doença, necessidade de hospitalização ou duração da internação - Nível A de
evidência.

• Pacientes com história de atopia familiar ou pessoal podem talvez responderem ao


broncodilatador quando o rinovírus (RV) for o agente etiológico da BVA - nível D de
evidência.
• Quando não há possibilidade de identificação etiológica viral, pode ser feita a prova
broncodilatadora, se houver melhora da frequência respiratória (FR) e da ausculta
após nebulizar ou usar spray com beta-2, pode-se optar por manter a prescrição - nível
D de evidência.
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
TRATAMENTO

• OXIGENIOTERAPIA:
• A principal medida em lactentes com BVA grave é a correção da hipoxemia.
• A administração de oxigênio deve sempre ser considerada no tratamento dos pacientes
hospitalizados.
• Nos últimos anos, alterou-se o ponto de corte de saturação de oxigênio (SatO2) para iniciar a
suplementação de O2.
• A recomendação da AAP é indicar se saturação de O2 estiver abaixo de 90%.
• Pode ser utilizado o cateter nasal com 1 a 2 litros de O2/min nos quadros menos graves.
• Quadros moderados podem necessitar de ventilação não invasiva (VNI), com CPAP (continuous
positive airway pressure) nasal ou cateter nasal de alto fluxo, se disponíveis.
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
TRATAMENTO

• ANTIBIOTICOTERAPIA:

• Não tem evidências qualificadas pela etiologia essencialmente viral da BVA.

• Nível B de evidência 8
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
TRATAMENTO

• NEBULIZAÇÃO COM SOLUÇÃO SALINA HIPERTÔNICA 3% (SSH):


• A SSH parece promover a quebra nas pontes iônicas do muco, tornando-o mais fluido e
facilitando sua remoção através da tosse.
• Promove redução do edema da via aérea, diminuição do plugging de secreção, melhora o
clearence mucociliar e a hidratação da via aérea, do epitélio nasal até o bronquíolo terminal.

• Pacientes internados com BVA moderada em uso da SSH, podem ter redução do tempo de
hospitalização em 11 horas, quando comparado com os que não usaram a SSH.

• Sendo assim, sob o ponto de vista da evidência, a solução salina hipertônica tem
recomendações para sua utilização, embora essas sejam ainda fracas, visto estarem
fundamentadas em estudos com achados de menor consistência metodológica.
BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA
TRATAMENTO

• FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA:

• Não mostrou eficácia no tratamento da BVA até o momento.

• Manobras de fisioterapia respiratória devem ser consideradas em crianças com


comorbidades que dificultem a higiene brônquica.

• Pode ser utilizada em casos de complicações em que evidências específicas


indiquem o seu emprego (atelectasias, suporte ventilatório invasivo e não
invasivo).

• Nível B de evidência.
Viral Bronchiolitis in Children. The New England Journal of Medicine, January 15, 2016
Critérios de Internação
• Cianose observada ou relatada
• Apneia observada ou relatada

• Bradicardia ou taquicardia persistente (FC > 180bpm)

• Letargia ou agitação excessiva

• Desidratação
• Indisponibilidade de via oral

• Hipoxemia (Saturação de O2 <90%, persistente, em ar ambiente)


• Esforço respiratório moderado a grave, persistente, ou FR > 70irpm
IMUNIZAÇÃO PASSIVA - VSR
PALIVIZUMABE

• Anticorpo monoclonal humanizado para VSR.


• Indicado para pacientes pediátricos com alto risco de desenvolver doença grave do trato
respiratório inferior, causada pelo vírus sincicial respiratório.
• As sociedades brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) recomendam para:
• Lactentes nascidos com menos de 29 semanas de gestação no primeiro ano de
vida
• Lactentes nascidos entre 29 e 32 semanas, até o sexto mês de vida
• Lactentes portadores de doenças cardíacas e pulmonares nos dois primeiros anos
de vida
Bronquiolite X Asma
• A bronquiolite grave no início da vida está associada a um risco aumentado de asma,
especialmente após bronquiolite por Rinovírus ou RSV.

• Uma questão não resolvida é se a bronquiolite no início da vida resulta em lesões que
alteram o desenvolvimento pulmonar normal e predispõe a criança a sibilos
subseqüentes ou se certos lactentes têm uma aberração preexistente da resposta imune
ou da função das vias aéreas que os predispõe a bronquiolite grave e sibilos recorrentes.

• O tratamento da BVA não deve ser como o da asma, pois apesar da sibilância, as
fisiopatologias são distintas.

• Quanto menos fármacos prescritos sem validação científica, menos efeitos iatrogênicos
acometerão os pacientes.
Obrigada!

Abril/2023

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