Orando a
Palavra
Como orar como a Bíblia nos ensinou
C. H. Spurgeon
E. M. Bounds
R. A. Torrey
Copyright © 2024 Casa Publicadora Paulista Editora e Gráfica Ltda,
Toda esta publicação foi desenvolvida pela Editora Penkal
Autor: C. H. Spurgeon, E. M. Bounds & R. A. Torrey
Direção: Rebeca Louzada Macedo
Coordenação de tradução: Isadora Berbel Gardenal
Tradução: Editora Penkal
Coordenação de revisão: Isadora Berbel Gardenal
Revisão: Frederico Alves Manhães Slonski & Samuel Alves
Projeto gráfico e diagramação: Dayane Germani & Felippe Souza
Capa: Pedro Sitta
Todas as referências bíblicas deste livro estão presentes na versão Almeida Revista e
Corrigida.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil
Spurgeon, Charles H., 1834-1892
Orando a palavra: como orar como a Bíblia nos ensinou / Charles H.
Spurgeon, E. M. Bounds,mR. A. Torrey. -- 1. ed-- Jundiaí/SP:
Casa Publicadora Paulista, 2024.
23-141655 ISBN 978-65-5996-624-0 CDD-248.32
1. Bíblia - Ensinamentos 2. Escrituras cristãs
3. Oração - Cristianismo - Meditações 4. Oração -
Ensino Bíblico 5. Teologia cristã I. Bounds, mE. M. II. Torrey, R. A.
III. Título.
ÍNDICES PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO:
1. Oração: Prática cristã: Cristianismo 248.32
Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129
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SUMÁRIO
O PODER DA ORAÇÃO
R. A. TORREY.................................................................................................7
OS RESULTADOS DEFINIDOS E DESEJÁVEIS DA ORAÇÃO DEFINIDA E DETERMINADA
R. A. TORREY.................................................................................................25
O QUE A ORAÇÃO PODE FAZER PELAS IGREJAS, PELA NAÇÃO E POR TODAS AS
NAÇÕES
R. A. TORREY.................................................................................................47
ORAÇÃO ESSENCIAL A DEUS
E. M. BOUNDS.................................................................................................63
A NECESSIDADE DE DEUS DE HOMENS QUE ORAM
E. M. BOUNDS.................................................................................................75
HOMENS DE ORAÇÃO INSÓLITOS
E. M. BOUNDS. ................................................................................................83
EXEMPLOS MODERNOS DE ORAÇÃO
E. M. BOUNDS.................................................................................................91
A ORAÇÃO: A CURA PARA A ANSIEDADE
C. H. SPURGEON...............................................................................................109
O PODER DA ORAÇÃO
R. A. Torrey
“Não têm o que desejam porque não pedem.”
(Tiago 4.2b)
Trago uma mensagem de Deus contida em cinco palavras curtas. No
entanto, há tanto nestas cinco palavras curtas e simples que elas
transformaram muitas vidas e levaram muitos obreiros cristãos
ineficientes para um lugar de grande poder.
Falei sobre essas cinco palavras alguns anos atrás em uma
conferência bíblica no centro de Nova York. Alguns meses depois da
conferência, recebi uma carta do homem que a presidiu. É um dos mais
conhecidos ministros do Evangelho na América. Ele escreveu: “Eu não
consegui me livrar das cinco palavras sobre as quais você falou no Lago
Keuka; elas estiveram comigo dia e noite. Elas transformaram minhas
ideias, transformaram meus métodos, transformaram minha vida e, penso
que tenho o direito de acrescentar, transformaram meu ministério”.
O homem que escreveu essas palavras já foi o pastor daquela que é
provavelmente a mais conhecida de todas as igrejas evangélicas do
mundo. Espero que essas palavras possam penetrar em seus corações hoje
como fizeram no dele naquela ocasião, e que alguns de vocês possam
dizer nos próximos meses e anos: “Não consegui me livrar dessas cinco
palavras; elas estiveram comigo dia e noite. Elas transformaram minhas
ideias, transformaram meus métodos, transformaram minha vida e
transformaram meu serviço a Deus”.
Você encontrará essas cinco palavras em Tiago 4.2. São as últimas
cinco palavras do versículo: “Não têm o que desejam porque não pedem”.
Essas cinco palavras contêm o segredo da pobreza e da impotência do
cristão médio, do ministro médio e da igreja comum.
“Por que”, perguntam muitos cristãos, “faço tão pouco progresso
em minha vida cristã? Por que tenho tão pouca vitória sobre o pecado?
Por que ganho tão poucas almas para Cristo? Por que cresci tão
lentamente à semelhança do meu Senhor e Salvador Jesus Cristo?”. Deus
responde com as palavras do nosso texto: “É pela negligência na oração.
‘Não têm o que desejam porque não pedem’”.
“Por que”, muitos ministros perguntam, “vejo tão pouco fruto do
meu ministério? Por que há tão poucas conversões? Por que minha igreja
cresce tão lentamente? Por que os membros da minha igreja são tão
pouco ajudados pelo meu ministério e tão pouco edificados no
conhecimento e na vida cristãos?”. Novamente Deus responde: “É por
causa da negligência na oração. ‘Não têm o que desejam porque não
pedem’”.
“Por que”, perguntam ministros e igrejas, “a Igreja de Jesus Cristo faz
um progresso tão lento no mundo hoje? Por que avança tão pouco contra
o pecado, contra a incredulidade e contra o erro em todas as suas formas?
Por que tem tão pouca vitória sobre o mundo, a carne e o Diabo? Por que
o membro médio da igreja tem um padrão tão baixo de vida cristã? Por
que o Senhor Jesus Cristo recebe tão pouca honra hoje?”. Novamente
Deus responde: “É por causa da negligência na oração. ‘Não têm o que
desejam porque não pedem’”.
Quando lemos a única história inspirada da Igreja que já foi escrita,
a história da Igreja nos dias dos apóstolos, como ela é registrada por Lucas
(sob a inspiração do Espírito Santo) nos Atos dos Apóstolos, o que
encontramos? Encontramos uma história de vitória constante e progresso
perpétuo.
Lemos, por exemplo, declarações como esta em Atos 2.47b: “E, a
cada dia, o Senhor lhes acrescentava aqueles que iam sendo salvos”.
Lemos declarações como esta em Atos 4.4: “Muitos que tinham ouvido a
mensagem creram, totalizando, agora, cerca de cinco mil homens”. Lemos
isto em Atos 5.14: “Cada vez mais pessoas, multidões de homens e
mulheres, criam no Senhor”. Lemos isto em Atos 6.7: “Assim, a mensagem
de Deus continuou a se espalhar. O número de discípulos se multiplicava
em Jerusalém, e muitos sacerdotes também se converteram”.
E assim continuamos, capítulo após capítulo, ao longo dos 28 do
livro de Atos, e, em cada um dos 27 capítulos após o primeiro,
encontramos a mesma nota de vitória. Uma vez passei pelos Atos dos
Apóstolos marcando as notas de vitória em cada capítulo, e, sem nenhuma
exceção, o brado da vitória ressoou em todos eles.
Quão diferente é a história da Igreja ali registrada história da Igreja
de Jesus Cristo hoje. Tomemos, por exemplo, aquela primeira declaração,
“E, a cada dia, o Senhor lhes acrescentava aqueles que iam sendo salvos”.
Hoje em dia, se temos um reavivamento uma vez por ano, com cinquenta
ou sessenta membros sendo adicionados, e passamos o resto do ano
voltando para onde estávamos antes, achamos que estamos indo muito
bem. Mas naqueles dias havia um avivamento o tempo adicionado todos
os dias, todas pelo Espírito Santo, e continuavam a dar frutos.
Por que há essa diferença entre a Igreja primitiva e a Igreja de Jesus
Cristo hoje? Alguém responderá: “Porque há muita oposição hoje”. Ah,
mas havia oposição naqueles dias, e era a oposição mais amarga, mais
determinada e mais implacável. Em comparação com o que a maioria de
nós experimenta hoje, a nossa é apenas uma brincadeira de criança. Mas a
Igreja primitiva continuou derrotando toda oposição, superando todos os
obstáculos e conquistando todos os inimigos, sempre vitoriosa,
continuando sem retrocesso de Jerusalém a Roma em face do paganismo
e da incredulidade mais firmemente entrincheirados e mais poderosos.
Repito a pergunta: por que há essa diferença entre a Igreja primitiva
e a Igreja de Jesus Cristo hoje? Se você voltar para os capítulos que já citei,
obterá a resposta. Volte, por exemplo, para o primeiro capítulo que citei,
Atos 2, e leia o versículo 42: “Todos se dedicavam de coração ao ensino dos
apóstolos, à comunhão, ao partir do pão e à oração”.
Essa é uma imagem muito breve, mas muito sugestiva, da Igreja
primitiva. Era uma Igreja de oração. Era uma Igreja na qual eles oravam
não apenas ocasionalmente, mas onde se dedicavam continuamente à
oração. Todos eles oraram; não apenas alguns seletos, mas todos os
membros da Igreja— e todos oraram continuamente com firme
determinação. Eles se dedicaram à oração. Esse “dedicar” é a mesma
palavra grega traduzida em Atos 6.4: “Nos dedicaremos à oração”.
Este é o resto da sua resposta: “Nos dedicaremos à oração”. Essa é
uma imagem do ministério apostólico. Era um ministério de oração — um
ministério que se entregava continuamente à oração, ou, para traduzir
essa palavra grega como ela é traduzida na passagem anterior (Atos 2.42),
“Se dedicavam [...] à oração”. Eles tinham uma Igreja de oração e um
ministério de oração! Tal Igreja e tal ministério podem alcançar qualquer
coisa que deva ser alcançada. Continuarão derrotando toda oposição,
superando todos os obstáculos e conquistando todos os inimigos — tanto
hoje quanto nos dias dos apóstolos.
Não há mais nada em que a Igreja e o ministério de hoje, ou, para
ser mais claro, em que você e eu tenhamos nos afastado mais notável e
lamentavelmente do precedente apostólico do que nessa questão da
oração. Não vivemos em uma era de oração. Uma parcela muito
considerável dos membros de nossas igrejas evangélicas hoje não acredita
nem mesmo teoricamente em oração, isto é, eles não acreditam que algo
não teria acontecido se eles não tivessem orado. Eles acreditam na oração
como uma influência reflexa benéfica, ou seja, vêem a oração como um
benefício para a pessoa que ora — uma espécie de “elevação pelos pés
espirituais” —, mas, quanto à oração fazer acontecer algo que não teria
acontecido se não tivessem orado, eles não acreditam nisso. Muitos dizem
isso abertamente, e até alguns dos nossos atuais ministros o dizem.
E, quanto àquela parte dos membros da Igreja que acredita
teoricamente na oração — e, graças a Deus, acredito que essa ainda seja a
maior parte de nossas igrejas evangélicas —, mesmo eles não usam esse
instrumento poderoso que Deus pôs em nossas mãos, como seria
naturalmente de se esperar.
Como eu disse, não vivemos em uma era de oração. Vivemos em
uma era de agitação, de esforço e determinação humanos, de confiança
em nós mesmos e em nosso próprio poder de alcançar as coisas. É uma
era de organização humana, maquinaria humana, impulso humano,
planejamento humano e realização humana —o que, nas coisas de Deus,
não significa nenhuma realização real. Penso que seria perfeitamente
seguro dizer que a Igreja de Cristo nunca foi, em toda a sua história, tão
completa, tão hábil e tão perfeitamente organizada como é hoje.
Nosso maquinário é maravilhoso. É simplesmente perfeito, mas
infelizmente é uma máquina sem energia. Quando as coisas não vão bem,
em vez de irmos para a verdadeira fonte de nosso fracasso — nossa
negligência em depender de Deus e olhar para Ele em busca de poder —,
olhamos ao redor para ver se não há alguma nova fórmula que possamos
começar ou alguma nova roda que possamos adicionar ao nosso
maquinário. Já temos rodas demais. O que precisamos não é uma nova
fórmula ou uma nova roda, mas o Espírito da criatura vivente nas rodas
que já possuímos (Ezequiel 1.20).
Suspeito de que o Diabo se levante, olhe para a Igreja de hoje e ria
ao ver como seus membros dependem de seus próprios esquemas e
poderes de organização e maquinaria habilmente concebidos. “Ah!”, ele ri.
“Vocês podem ter seu Sindicato de Temperança Cristã Feminina, sua
Sociedade de Jovens de Esforço Cristão e seu Sindicato de Jovens Batistas.
Podem ter seus escoteiros, seus prédios caros de igrejas, seus órgãos de 50
mil dólares, seus brilhantes pregadores universitários, seus coros caros,
seus talentosos sopranos, contraltos, tenores e baixos e seu
entretenimento musical. Podem até ter suas suntuosas aulas bíblicas para
homens, conferências bíblicas, institutos bíblicos e serviços evangelísticos
especiais. Vocês podem tê-los todos; isso não me incomoda nem um
pouco, se vocês deixarem de fora deles o poder do Senhor Deus
Todo-Poderoso, procurado e obtido pela oração fervorosa, persistente e
esperançosa que não aceita não como resposta”.
No entanto, quando o Diabo vê um homem ou mulher que
realmente acredita na oração, que sabe orar e que realmente ora,
sobretudo quando vê uma igreja inteira diante de Deus em oração, ele
treme mais do que nunca, pois sabe que seu tempo naquela igreja ou
comunidade está no fim.
A oração tem muito poder hoje quando homens e mulheres estão,
eles próprios, em um terreno de oração, satisfazendo as condições da
oração prevalecente. Deus não mudou. Seu ouvido é tão rápido para ouvir
a voz da oração real como sempre foi, e Sua mão é tão longa e forte para
salvar como sempre foi. “Ouçam! O braço do Senhor não é fraco demais
para salvá-los, nem seu ouvido é surdo para ouvi-los. Foram suas
maldades que os separaram de Deus; por causa de seus pecados, ele se
afastou e já não os ouvirá” (Isaías 59.1-2).
A oração é a chave que abre todos os depósitos da infinita Graça e
do poder de Deus. Tudo o que Deus é e tudo o que Deus tem estão à
disposição da oração, mas devemos usar a chave. A oração pode fazer
qualquer coisa que Deus faz, e, como Deus pode fazer qualquer coisa, a
oração é onipotente. Ninguém pode se opor à pessoa que sabe orar, que
atende a todas as condições da oração prevalecente e que realmente ora.
O Senhor Deus Onipotente trabalha para ela e por meio dela.
A oração promoverá nossa santidade pessoal como nada mais o faz
além do estudo da Palavra de Deus.
Lidamos com generalidades, mas agora vamos ao definido e
específico. O que, especificamente, a oração fará? A Palavra de Deus
responde de maneira muito clara à pergunta.
Em primeiro lugar, a oração promoverá nossa piedade pessoal,
nossa santidade individual e nosso crescimento particular, à semelhança
de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, como quase nada mais — nada
além do estudo da Palavra de Deus. Essas duas coisas, oração e estudo da
Palavra de Deus, sempre andam de mãos dadas, pois não há verdadeira
oração sem estudo da Palavra de Deus, e não há verdadeiro estudo da
Palavra de Deus sem oração.
Nosso crescimento à semelhança de nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo será na proporção exata do tempo e do sentimento que colocamos
em oração. Por favor, note exatamente o que eu digo: nosso crescimento à
semelhança de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo será na proporção
exata do tempo e do sentimento que colocamos em oração. Digo isso
porque há muitos que dedicam muito tempo a orar, mas colocam tão
pouco sentimento em sua oração que fazem muito pouco orando durante
o longo tempo que passam nisso. Há outros, porém, que podem não
dedicar tanto tempo à oração, mas que colocam nela tanto sentimento
que realizam muito mais orando em pouco tempo do que os outros
realizam orando por muito tempo. O próprio Deus nos disse em Jeremias
29.13: “Se me buscares de todo o coração, me encontrarão”.
Somos informados na Palavra de Deus, em Efésios 1.3b, que Deus
“nos abençoou em Cristo com todas as bênçãos espirituais nos domínios
celestiais”. Ou seja, Jesus Cristo, por Sua morte expiatória e por Sua
ressurreição e ascensão à destra do Pai, obteve para todo crente em Jesus
Cristo todas as bênçãos espirituais possíveis. Não há bênção espiritual de
que qualquer crente desfrute que não possa também ser sua. Ela lhe
pertence agora. Cristo a comprou por Sua morte expiatória e Deus a
proveu n'Ele. Ela está lá para você, mas é seu dever reivindicá-la —
estender sua mão e pegá-la. A maneira designada por Deus de reivindicar
bênçãos — estender a mão e apropriar-se das bênçãos obtidas para você
pela morte expiatória de Jesus Cristo é pela oração. A oração é a mão que
toma para nós as bênçãos que Deus já providenciou por Seu Filho.
Se você folhear sua Bíblia, descobrirá que ela afirma definitivamente
que toda bênção espiritual concebível é obtida pela oração. Por exemplo, é
em resposta à oração, como aprendemos no salmo 139.23- 24, que Deus
nos sonda e conhece nossos corações, nos prova e conhece nossos
pensamentos, traz à luz o pecado que há em nós e nos livra dele. É em
resposta à oração, conforme aprendemos no salmo 19.12-13, que somos
purificados de falhas secretas e que Deus nos mantém afastados de
pecados presunçosos. É em resposta à oração, como aprendemos no
versículo 14 do mesmo salmo, que as palavras da nossa boca e as
meditações do nosso coração se tornam aceitáveis aos olhos de Deus.
É em resposta à oração, conforme aprendemos no Salmo 25.4-5,
que Deus nos mostra Seus métodos, nos ensina Seu caminho e nos guia
em Sua Verdade. É em resposta à oração, conforme aprendemos com a
oração que nosso próprio Senhor nos ensinou, que somos guardados da
tentação e libertados do poder do Maligno (Mateus 6.13). É em resposta à
oração, como aprendemos em Lucas 11.13, que Deus nos dá Seu Espírito
Santo. Poderíamos passar por toda a lista de bênçãos espirituais e
descobriríamos que cada uma delas é obtida quando as pedimos. De fato,
nosso próprio Senhor disse em Mateus 7.11: “Portanto, se vocês, que são
maus, sabem dar bons presentes a seus filhos, quanto mais seu Pai, que
está no céu, dará bons presentes aos que lhe pedirem!”.
Uma das passagens mais instrutivas e sugestivas de toda a Bíblia,
que mostra o grande poder da oração para nos transformar à semelhança
do próprio Senhor Jesus, é encontrada em 2 Coríntios 3.18: “Portanto,
todos nós, dos quais o véu foi removido, podemos ver e refletir a glória do
Senhor, e o Senhor, que é o Espírito, nos transforma gradativamente à sua
imagem gloriosa, deixando-nos cada vez mais parecidos com ele”. O
pensamento aqui é que o Senhor é o sol, e você e eu somos espelhos.
Assim como um menino travesso, em um dia ensolarado, aponta para os
raios do sol um pedaço de espelho quebrado e os reflete em seus olhos
com um poder quase ofuscante, nós, como espelhos, quando
comungamos com Deus, captamos os raios de Sua Glória moral e os
refletimos sobre o mundo de glória em glória. Ou seja, cada vez que
comungamos com Ele, captamos algo novo de Sua Glória e refletimos
sobre o mundo.
Você se lembra da história de Moisés. Não é folclore, mas uma
história real. Moisés subiu ao monte e ficou ali sozinho por quarenta dias
com Deus, contemplando aquela Glória indescritível. Ele captou tanto da
Glória em seu próprio rosto que, quando desceu do monte, embora ele
mesmo não soubesse, seu rosto brilhava tanto que ele teve que usar um
véu para esconder sua Glória ofuscante de seus companheiros israelitas
(Êxodo 34.29-35).
Quando subimos ao monte da oração, longe do mundo, a sós com
Deus, e permanecemos muito tempo a sós com Ele, captamos os raios de
Sua Glória. Quando nos aproximamos de nossos semelhantes, não é tanto
o nosso rosto que brilha (embora eu acredite que às vezes até nosso rosto
brilhe), mas é nosso caráter que reluz com a Glória que temos visto. Então
refletimos sobre o mundo a Glória moral de Deus de glória em glória. Cada
novo tempo de comunhão com Ele capta algo novo de Sua glória para
refletir sobre o mundo. Este é o segredo para se tornar muito parecido
com Deus: ficar muito tempo a sós com Ele. Se você não ficar muito tempo
com Deus, não será muito parecido com Ele.
Um dos homens mais notáveis da história da Escócia foi John Welch,
genro de John Knox, o grande reformador escocês. John Welch não é tão
conhecido quanto seu famoso sogro, mas em alguns aspectos ele foi um
homem muito mais notável do que o próprio John Knox. A maioria das
pessoas acha que foi John Knox quem orou assim: “Dê-me a Escócia ou eu
morro”. Não foi; na verdade, foi John Welch, seu genro John Welch disse,
antes de morrer, que considerava mal aproveitado um dia do qual não
passasse sete ou oito horas em oração particular.
Depois que John Welch morreu, um velho escocês que o conhecia
desde a infância disse sobre ele: “John Welch era um tipo de Cristo”. É
claro que esse foi um uso impreciso da linguagem, mas o que o velho
escocês quis dizer foi que Jesus Cristo imprimiu a marca de Seu caráter em
John Welch. Quando Jesus Cristo fez isso? Nessas sete ou oito horas de
comunhão diária consigo mesmo.
Eu não acho que Deus tenha chamado muitos de nós, ou algum de
nós, para passar sete ou oito horas por dia em oração, mas acredito que
Deus chamou a maioria de nós, se não todos nós, para ficar mais tempo
em oração do que ficamos agora. Esse é um dos grandes segredos da
santidade. Na verdade, é a única maneira pela qual podemos nos tornar
realmente santos e continuar a ser santos.
Alguns anos atrás, muitas vezes cantávamos um hino chamado
Reserve tempo para ser santo. Queria que nós o cantássemos com mais
frequência hoje. Leva tempo para ser santo. Não se pode ser santo com
pressa, e grande parte do tempo que leva para ser santo deve vir da
oração particular. Algumas pessoas expressam surpresa porque os cristãos
professos hoje são tão pouco parecidos com seu Senhor, mas, quando
paro para pensar em quão pouco tempo o cristão médio dedica hoje à
oração particular, o que me surpreende não é que sejamos tão pouco
parecidos com o Senhor, mas sermos tão parecidos com o Senhor quando
dedicamos tão pouco tempo à oração particular.
A oração trará o poder de Deus para o nosso trabalho.
A oração não apenas promoverá nossa santidade pessoal como
quase nada mais, mas também trará o poder de Deus para o nosso
trabalho. Lemos em Isaías 40.31: “Mas os que confiam no Senhor renovam
suas forças; voam alto, como águias. Correm e não se cansam, caminham
e não desfalecem”.
É um privilégio de todo filho de Deus ter o poder de Deus em seu
serviço. O versículo citado nos diz como obtê-lo, que é esperando no
Senhor. Às vezes, você ouvirá pessoas se levantarem em uma reunião
cristã, talvez não com tanta frequência atualmente como nos dias
anteriores, e dizer: “Estou tentando servir a Deus do meu jeito pobre e
fraco”. Bem, se você está tentando servir a Deus do seu jeito pobre e fraco,
desista. Seu dever é servir a Deus em Seu caminho forte e triunfante.
Você diz que não tem habilidade natural; então adquira habilidade
sobrenatural. A religião de Jesus Cristo é uma religião sobrenatural do
início ao fim, e devemos viver nossas vidas em poder sobrenatural, o
poder de Deus através de Jesus Cristo — e realizar nosso serviço com
poder sobrenatural — o poder de Deus ministrado pelo Espírito Santo.
Você diz que não tem dons naturais. Então ganhe dons
sobrenaturais. O Espírito Santo é prometido a todo crente, para que ele
possa obter os dons sobrenaturais que o qualificam para o serviço
particular para o qual Deus o chamou. O Espírito Santo distribui “o que
deseja a cada um” (1 Coríntios 12.11b). Podemos ter o poder de Deus, se o
buscarmos somente pela oração, em toda e qualquer área de serviço para
a qual Deus nos chama.
Você é mãe ou pai? Deseja o poder de Deus para criar seus próprios
filhos na disciplina e instrução do Senhor? Deus ordena que você faça isso,
e ordena especialmente que o pai faça isso. Deus diz em. Efésios 6.4: “Pais,
não tratem seus filhos de modo a irritá-los; antes, eduquem-nos com a
disciplina e a instrução que vêm do Senhor”.
Deus nunca ordena o impossível, e, como Ele ordena aos pais (e às
mães também) que criem seus filhos na disciplina e instrução (ou na
doutrina e admoestação) do Senhor, é possível para nós fazê-lo.
Se algum de seus filhos não for salvo, a primeira culpa será sua.
Paulo disse ao carcereiro em Filipos: “Creia no Senhor Jesus, e você e sua
família serão salvos” (Atos 16.31b). Sim, é um dever solene de todo pai e
mãe salvar cada um de seus filhos — mas nunca poderemos realizá-lo a
menos que oremos muito a Deus por poder para fazê-lo.
Em meu primeiro pastorado, tive como membro de minha igreja
uma excelente mulher cristã, mas ela tinha um menino de seis anos que
era um dos jovens mais incorrigíveis que já conheci em minha vida. Ele era
o terror da comunidade. Era o garoto mais difícil, eu acho, que eu já
conheci. Certo domingo, no final do culto matinal, sua mãe veio até mim e
disse: “Você conhece meu filho”.
“Sim”, respondi, “eu o conheço”. Todos na cidade o conheciam.
Então ela disse: “Você sabe que ele não é um menino muito bom”.
“Sim”, respondi, “sei que ele não é um menino muito bom”. De fato,
essa era uma maneira decididamente discreta de colocar as coisas; na
verdade, ele era o terror do bairro.
Então essa mãe, de coração pesado, perguntou: “O que posso
fazer?”.
Eu respondi: “Você já tentou a oração?”.
“Ora”, ela disse, “é claro que eu oro”.
“Ah”, eu disse, “não é isso que quero dizer. Você já pediu a Deus
especificamente para regenerar seu filho e esperou que Ele fizesse isso?”.
“Acho que nunca fui tão específica assim”.
“Bem”, eu disse, “você deve ir direto para casa e ser específica
assim”.
Ela foi para casa e foi específica; e acho que, a partir daquele
mesmo dia, certamente daquela semana, aquele menino foi transformado
e cresceu em uma bela juventude.
Ó, mães e pais, é um privilégio seu ter cada um de seus filhos salvos.
Mas tê-los salvos custa algo. Custa você passar muito tempo a sós com
Deus em oração. Também custa fazer sacrifícios e endireitar as coisas
erradas em sua vida. Custa cumprir as condições da oração prevalecente.
Se algum de vocês tem filhos não salvos, fique a sós com Deus hoje
e peça-Lhe que Ele lhe mostre o que é, em sua própria vida, responsável
por essa condição atual. Ó, mães e pais, é um privilégio seu ter cada um de
seus filhos salvos. Então os corrijam imediatamente e vão diante de Deus e
apeguem-se a Ele em fervorosa oração pela conversão definitiva de cada
um de seus filhos. Não descansem até que, pela oração e por todos os
esforços, vocês saibam, sem sombra de dúvida, que cada um de seus filhos
foi definitivo e positivamente convertido e nascido de novo.
Você é professor de escola dominical? Quer ver cada um de seus
estudantes da escola dominical convertidos? É principalmente por isso que
você é um professor de escola dominical — não apenas para ensinar
geografia e história bíblicas, ou mesmo doutrina bíblica, mas para salvar
todos os alunos de sua classe. Você quer um poder do alto que lhe permita
salvá-los? Peça a Deus por isso.
Quando o senhor Alexander e eu estávamos realizando reuniões em
Sydney, na Austrália, elas eram feitas na prefeitura, que acomodava cerca
de 5 mil pessoas. As multidões eram tão grandes, porém, que em alguns
dias tivemos que dividi-las e ter apenas mulheres à tarde e apenas homens
à noite.
Numa tarde de domingo, a prefeitura de Sydney estava lotada de
mulheres. Eu fiz um convite, pedindo-lhes que aceitassem a Jesus Cristo
como seu Salvador pessoal, se entregassem a Ele como seu Senhor e
Mestre, começassem a confessá-Lo como tal diante do mundo e se
esforçam para viver todos os dias, a partir de então, para Lhe agradar em
todos os sentidos. À minha esquerda, uma fileira inteira de moças de cerca
de vinte anos se pôs de pé. Havia dezoito mulheres ao todo.
Posteriormente, elas se apresentaram com as outras mulheres que foram
fazer uma confissão pública de sua aceitação de Jesus Cristo. Quando a
reunião terminou, uma jovem senhora veio até mim, seu rosto marcado
por um sorriso. Ela disse: “Essa é minha classe bíblica. Tenho orado por sua
conversão, e cada uma delas aceitou a Jesus Cristo hoje”.
Quando estávamos realizando reuniões em Bristol, na Inglaterra, um
importante fabricante de Exeter tinha uma classe bíblica naquela cidade.
Vinte e dois homens estavam na classe. O fabricante convidou-os todos
para irem a Bristol com ele e me ouviram pregar. Vinte e um deles
concordaram em ir. Naquela reunião, vinte deles aceitaram a Cristo. O 21.º
homem aceitou a Cristo no trem a caminho de casa, e então todos eles, ao
retornarem, se reuniram ao redor daquele que não quis ir, e ele também
aceitou a Cristo.
Aquele homem orava pela conversão dos membros de sua classe e
estava disposto a fazer os sacrifícios necessários para que suas orações
fossem respondidas. Que reavivamento teríamos aqui nesta cidade se
todos os professores de escola dominical começassem a orar como
deveriam pela conversão de todos os alunos da classe!
Você está em um trabalho mais público, talvez como um pregador
ou orador de púlpito? Deseja poder nesse trabalho? Peça por isso. Se
passássemos mais noites diante de Deus prostrados em oração, haveria
mais dias de poder quando encararmos nosso povo!
OS RESULTADOS DEFINIDOS E DESEJÁVEIS DA ORAÇÃO DEFINIDA E
DETERMINADA
R. A. Torrey
“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.”
(Tiago 5.16b)
Tudo o que temos a dizer neste capítulo é baseado em Tiago 5.16b:
“A oração de um justo tem grande poder e produz grandes resultados”.
Essas palavras de Deus apresentam a oração como uma força de trabalho
— algo que faz acontecer coisas que não aconteceriam se não fosse pela
oração. Isso fica ainda mais claro na Versão Revisada: “Muito pode, por sua
eficácia, a súplica do justo”.1 Essa tradução não é apenas uma tradução
mais precisa, mas também mais sugestiva. Ela nos diz que a oração é algo
que funciona e que vale muito por causa de seu trabalho. Sim, a oração
certamente funciona.
Com frequência, muitos fazem uma comparação entre orar e
trabalhar. Certa vez, conheci um homem que era oficial de uma escola
dominical no Brooklyn, e o superintendente dessa escola dominical um dia
o chamou para orar. Ele se levantou e disse: “Eu não sou um cristão orador.
Sou um cristão trabalhador”. Mas orar funciona. É o trabalho mais eficaz
que qualquer um pode fazer, isto é, muitas vezes podemos fazer mais pela
oração do que por qualquer outra forma de esforço. Além disso, a oração
se for uma oração real, o tipo de oração que vale muito para Deus, muitas
vezes é um trabalho mais difícil do que qualquer outro tipo de esforço. Ela
exige mais das pessoas do que qualquer outro tipo de esforço.
Quando o senhor Alexander e eu fomos a Liverpool para nossa
segunda série de reuniões lá, Musgrave Brown, de uma das principais
congregações da Igreja da Inglaterra na cidade, era o presidente do nosso
comitê. Sua saúde estava ruim na primeira semana das reuniões, e ele foi
mandado para a Suíça por seu médico. Logo depois de chegar à Suíça, ele
me escreveu dizendo: “Eu esperava ser de tanta ajuda nessas reuniões e
esperava tanto delas, mas aqui estou, bem aqui na Suíça, ordenado pelo
meu médico, e agora tudo o que posso fazer é orar”. Em seguida,
acrescentou: “Mas, afinal, essa é a melhor coisa que alguém pode fazer,
não é?”. Então ele ainda acrescentou: "E a verdadeira oração exige mais
das pessoas do que qualquer outra coisa, não é?".
Sim, muitas vezes é assim mesmo. A verdadeira oração é um
exercício caro, mas paga muito mais do que custa. Não é um trabalho fácil,
mas é o mais lucrativo de todos os trabalhos. Podemos realizar mais ao
dedicar tempo e força à oração do que ao dedicar a mesma quantidade de
tempo e força a qualquer outra coisa.
Você notará que, na Versão Revisada, a palavra “súplica” é
substituída pela palavra “oração”.2 A razão para isso é que existem várias
palavras gregas traduzidas como “oração”, e elas têm diferentes matizes de
significado — às vezes, matizes muito profundas de significado. A palavra
grega traduzida como “oração” nessa passagem é muito significativa:
apresenta a oração como a expressão definitiva de uma necessidade
profundamente sentida. De fato, o significado primário da palavra é
“necessidade”. Portanto, nosso texto ensina que a oração definida e
determinada a Deus vale muito.
A palavra grega traduzida como “grande poder” também é um
termo muito expressivo e significativo. Seu significado primário é “ser
forte”, “ter poder ou força”, e depois “exercer o poder”. Assim, a ideia do
nosso texto é que a oração definida e determinada exerce muito poder em
seu funcionamento. Consegue grandes coisas.
Nos versículos que se seguem imediatamente a Tiago 5.16, somos
informados das coisas surpreendentes que Elias realizou por meio de suas
orações, como ele ter fechado as chuvas do céu por três anos e seis meses
para que não houvesse uma gota de chuva nesse longo período. O relato
do Antigo Testamento nos diz que não apenas não houve uma gota de
chuva, mas, além disso, nem uma gota de orvalho (1 Reis 17.1). Então,
quando chegou a hora certa, Elias “orou outra vez e o céu enviou chuva, e
a terra começou a produzir suas colheitas”. (Tiago 5.18b). Como o senhor
Moody costumava colocar, em sua maneira gráfica, “Elias trancou o céu
por três anos e seis meses e colocou a chave no bolso”.
Não há nenhuma necessidade particular de sabermos por que
devemos parar a chuva por três anos e seis meses, ou, nesse caso, por três
dias; mas há uma necessidade imperiosa de que façamos outras coisas
acontecerem, e não há outra maneira pela qual possamos fazê-las
acontecer exceto orando por elas — por uma oração definida e
determinada. Assim, somos levados face a face com uma questão
tremendamente importante: que coisas definidas e muito desejadas no
tempo presente a oração fará acontecer?
No capítulo anterior, vimos duas coisas imensamente importantes
que a oração realizará. Primeiro, promoverá nossa própria piedade
pessoal, nossa santidade individual, nosso crescimento particular à
semelhança de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Segundo, trará o
poder de Deus para o nosso trabalho. Agora descobriremos, a partir de um
estudo da Bíblia, algumas outras coisas muito importantes que o tipo certo
de oração fará acontecer.
A ORAÇÃO SALVARÁ OUTRAS PESSOAS
Volte para 1 João 5.16a: “Se alguém vir um irmão cometer pecado
que não leva à morte, ore por ele, e Deus dará vida a esse irmão que pecou
de maneira que não leva à morte”.
Esta é uma das declarações mais notáveis de toda a Bíblia sobre o
assunto da oração e seu incrível poder. A declaração deste versículo não é
apenas notável, mas também muito encorajadora. Deus nos diz aqui que a
oração não só trará bênção para aquele que ora, mas trará a maior de
todas as bênçãos — a bênção da vida eterna — para os outros, para
aqueles por quem oramos. Ela nos diz que, se virmos alguém realizar um
pecado não mortal (isto é, cometer qualquer pecado, exceto um pecado
imperdoável), podemos ir a Deus em oração por essa pessoa e, em
resposta à nossa oração, Ele dará vida eterna àquele por quem oramos.
Essa passagem, é claro, muitas vezes é usada para ensinar a cura
divina. Ela muitas vezes é interpretada como se a “vida” aqui mencionada
fosse a mera vida natural ou física, e que, por nossa oração, poderíamos
obter a vida física para alguém doente por seu pecado, mas que não tenha
pecado em algo que resultaria em sua remoção deste mundo. Essa não é
apenas uma interpretação incorreta, mas impossível. O apóstolo João, em
seus escritos, usa duas palavras gregas diferentes para “vida”. Uma delas
significa vida física, e a outra significa vida espiritual ou eterna. A palavra
usada para vida eterna ou espiritual nunca é usada para vida natural ou
física. Eu procurei cada passagem em que João usa essa palavra em seu
Evangelho, em suas Epístolas e no livro do Apocalipse, e nem em um único
caso ele usa a palavra para outra coisa que não seja a vida espiritual ou
eterna.
Esta é a palavra que João usa nessa passagem, e o pensamento
dessa passagem, então, não é que alguém pode obter vida física ou
libertação da morte natural orando por alguém que pecou, mas que pode
obter vida eterna, a salvação em seu sentido mais pleno, para aquele que
pecou, desde que não tenha sido um pecado mortal. É um pensamento
maravilhoso, reconfortante e encorajador.
Podemos realizar mais pela salvação dos outros orando por eles do
que de qualquer outra forma. Não quero dizer com isso que, quando
sentimos nossa responsabilidade pela salvação de outra pessoa, devemos
simplesmente orar por elas e nada mais. Isso é o que muitas pessoas
fazem; elas não estão dispostas a cumprir seu dever, a ir até as outras e
falar com elas sobre Cristo; assim, só vão a Deus em oração. Após orarem
pela salvação da pessoa, elas se gabam de terem feito isso. Esse tipo de
oração é uma zombaria. É simplesmente uma tentativa de encobrir e
desculpar nossa negligência no dever, e Deus não prestará atenção a
orações desse tipo.
Deus nunca nos deu o maravilhoso privilégio da oração como
substituto para encobrir nossa preguiça e negligência no dever. Se
estivermos dispostos a que Deus nos use para responder às nossas
próprias orações, dispostos a fazer qualquer coisa a que Deus nos guie
para garantir a salvação daqueles por quem estamos orando, dispostos a
fazer qualquer coisa ao nosso alcance para a salvação daqueles por quem
oramos, então podemos realizar muito mais por sua salvação orando por
eles do que de qualquer outra forma.
Você já pensou em como o próprio Senhor Jesus realizou pela
oração coisas que nem mesmo Ele poderia realizar de outra maneira?
Tomemos, por exemplo, o caso de Simão Pedro. Ele estava cheio de
autoconfiança e, portanto, em perigo iminente. Nosso Senhor tentou, por
Seus ensinamentos e por Suas advertências, livrar Pedro de sua
autoconfiança. Ele disse a Pedro claramente sobre sua tentação vindoura e
sobre sua queda, mas Pedro, cheio de orgulho, respondeu: “Pode ser que
todos os outros o abandonem, mas eu jamais o abandonarei” (Mateus
26.33b). “’Senhor, por que não posso ir agora’', perguntou ele. ‘Estou
disposto a morrer pelo senhor”’(João 13.37b).
O ensino falhou e a advertência também, então nosso Senhor
começou a orar. Ele disse: “Simão, Simão, Satanás pediu para peneirar
cada um de vocês como trigo. Contudo, supliquei em oração por você,
Simão, para que sua fé não vacile. Portanto, quando tive se arrependido e
voltado para mim, fortaleça seus irmãos” (Lucas 22.31b-32). Satanás
conseguiu o que pediu. Ele colocou Simão em sua peneira e o peneirou;
ah, como o pobre Simão foi golpeado e ferido pelas bordas da peneira de
Satanás! Mas no tempo todo que Satanás peneirava, nosso Senhor Jesus
orava, e Simão estava perfeitamente seguro, embora estivesse na peneira
de Satanás. Tudo o que Satanás conseguiu fazer com ele foi peneirar um
pouco de seu joio, e Simão saiu da peneira de Satanás mais puro do que
nunca.
Foi a oração de nosso Senhor por ele que transformou Simão, que
negou seu Senhor três vezes, que O negou com juramentos e maldições no
pátio de Anás e Caifás, em Pedro, o homem de pedra, que enfrentou o
próprio tribunal que condenou Jesus à morte, se opôs a eles e lhes disse:
“Autoridades e líderes do povo, estamos sendo interrogados hoje porque
realizamos uma boa ação em favor de um aleijado, e os senhores querem
saber como ele foi curado. Saibam os senhores e todo o povo de Israel que
ele foi curado pelo nome de Jesus Cristo, o nazareno, a quem os senhores
crucificaram, mas a quem Deus ressuscitou dos mortos” (Atos 4.8b-10).
A oração alcançará as profundezas mais recônditas do pecado e da
ruína, tomará conta de homens e mulheres que parecem perdidos, além
de toda possibilidade ou esperança de redenção, e os elevará até que eles
estejam preparados para um lugar ao lado do Filho de Deus no trono.
Muitos anos atrás, em Chicago, nos primeiros dias do trabalho do
senhor Moody naquela cidade, havia um homem muito desesperado que
costumava assistir às reuniões para tentar perturbá-las. Ele era um escocês
criado em um lar cristão por uma mãe piedosa, mas havia se afastado dos
ensinamentos de sua infância. Era um homem temido até mesmo por
outros homens perversos em Chicago.
Uma noite ele estava do lado de fora do antigo Tabernáculo, com
um jarro de cerveja na mão, oferecendo bebida grátis para todos que
saíam de lá. Outras vezes, ele ia às reuniões e depois tentava perturbar os
trabalhadores. Uma noite, o major Whittle estava conversando com dois
jovens sobre suas almas, e esse escocês desesperado ficou zombando até
que o major Whittle se virou para os jovens e disse: “Se vocês dão algum
valor às suas almas, eu lhes aconselho não ter nada a ver com aquele
homem desesperado”. O escocês apenas riu.
Mas sua velha mãe na Escócia estava orando, e uma noite ele foi
para a cama, tão perverso e ímpio como sempre, e, em resposta à oração
de sua mãe, Deus o despertou no meio da noite e levou à sua mente um
texto das escrituras que ele havia esquecido que estava na Bíblia. O
versículo era Romanos 4.5: “Contudo, ninguém é considerado justo com
base em seu trabalho, mas sim por meio de sua fé em Deus, que declara
justos os pecadores”. Esse versículo das Escrituras tocou seu coração, e ele
aceitou a Cristo sem sair da cama. Ele se tornou um dos membros mais
ativos e úteis da igreja de Moody. Quando eu era pastor da igreja, ele era
um dos presbíteros. Mais tarde, ele visitou pessoas para a igreja e foi
usado por Deus para levar muitos a Cristo.
Algum tempo depois de sua própria conversão, ele foi para a Escócia
visitar sua velha mãe. Ele tinha um irmão em Glasgow trabalhando nos
negócios, e esse irmão estava tentando ser agnóstico. Mas a mãe piedosa
e o filho convertido oraram por esse irmão. Ele se converteu e se entregou
à obra de Deus, foi para o Free Church College³ se preparar para o trabalho
missionário no exterior e, por trinta anos, foi um médico missionário na
Índia sob o Conselho Missionário da Igreja Livre da Escócia.
Mas ainda havia outro irmão, um errante na face da terra. Eles não
sabiam onde ele estava, mas supunham ser algum lugar em alto-mar. A
mãe piedosa e o irmão convertido ajoelharam-se e oraram por esse filho e
irmão errante. Enquanto oravam, aquele filho, em situação desconhecida
para eles, estava no convés de um navio do outro lado do globo, na Baía
de Bengala, não muito longe de Calcutá. O Espírito de Deus caiu sobre
aquele filho no convés daquele navio, e ele se converteu. Ele foi, por
muitos anos, um membro da Igreja Moody quando eu era pastor lá;
quando fui para Los Angeles, ele me seguiu e se tornou um membro de
nossa igreja lá, onde teve uma morte triunfante. A oração alcançou
metade do mundo e salvou instantaneamente um homem que parecia
totalmente sem esperança.
Quando eu estava na Inglaterra realizando reuniões na cidade de
Manchester, um de seus principais empresários foi até mim e me pediu
para orar pela conversão de seu filho. Ele disse: “Meu filho se formou na
Universidade de Cambridge e é um advogado brilhante. Ele tem uma
esposa e dois filhos, mas os deixou, e não sabemos onde ele está. Você
pode orar por sua conversão?”. Eu lhe prometi que o faria.
Alguns meses depois, esse homem foi até mim na Convenção de
Keswick e disse: “Descobri onde meu filho está. Ele está em Vancouver, na
Colúmbia Britânica. Você conhece algum ministro em Vancouver que eu
possa contatar?”. Eu lhe disse o nome de um amigo que era ministro do
Evangelho em Vancouver, e ele lhe mandou uma mensagem. No dia
seguinte, ele foi até mim e disse: “Chegamos tarde demais. O pássaro
voou, ele deixou Vancouver. Você pode continuar a orar por ele?”. Eu disse
que o faria.
No final do mesmo ano, quando começamos nossa segunda série de
encontros em Liverpool, esse filho havia retornado à Inglaterra e estava
em Liverpool, embora seu pai não soubesse. O filho foi à nossa primeira
reunião de domingo à tarde e foi um dos primeiros a aceitar a Cristo, e
imediatamente começou a estudar para se tornar um ministro ordenado
pelo bispo de Liverpool.
Deixe-me contar mais um exemplo do poder da oração para salvar,
quando tudo mais falha. Logo após minha conversão, Deus colocou um
certo homem em meu coração, meu próprio irmão, quem eu amava
muito, e comecei a orar diariamente por sua conversão. Após ter orado
por ele por algum tempo, pensei comigo mesmo: “Vou passar uma noite
inteira em oração por sua conversão”. Passei a noite de joelhos, embora
deva confessar que, enquanto o espírito estava disposto, a carne era fraca
(Mateus 26.41), e em parte da noite adormeci de joelhos.
Na manhã seguinte, pensei: “Você passou a noite em oração. Agora
lhe escreva”. Eu estava em New Haven e ele estava em Nova York, e eu lhe
escrevi, exortando-o a aceitar a Cristo. Logo recebi uma carta sua tirando
sarro de mim pelo que eu estava fazendo. Então o Diabo me tentou a
desistir. Ele disse: “Você passou a noite em oração por ele, e esse é o único
resultado. Qual é a utilidade de orar?”. Mas, pelo menos uma vez, o Diabo
não conseguiu me enganar ou me desencorajar, e continuei orando por
ele. Orei por ele todos os dias durante quinze anos. Nesse meio tempo, ele
se mudou para Chicago e eu também. Eu o visitei no velho Sherman
House, onde ele morava, mas ele estava mais profano do que o normal —
só para ferir meus sentimentos. Deixei de falar com ele sobre Deus, mas
continuei orando.
No primeiro inverno em que estive em Chicago, enquanto orava por
ele certa manhã, Deus me disse: “Você não precisa orar mais. Ouvi sua
oração, e ele se converterá”. Nunca mais pedi a Deus por sua conversão,
mas todas as manhãs eu olhava para Deus e Lhe dizia: “Pai Celestial, eu
Lhe agradeço por ter ouvido minha oração, e agora estou esperando para
vê-la cumprida”.
Cerca de duas semanas se passaram. Meu irmão estava confinado à
cama por reumatismo, e eu o visitei em sua casa. Então ele acordou e foi
jantar em minha casa. Depois do jantar, convidei-o para ficar a noite toda.
Ele respondeu: “Bem, acho que vou ficar. Acabei de me recuperar de um
reumatismo, e o tempo está úmido esta noite. Tenho medo de sair. Sim,
vou ficar a noite toda”.
Quando acordou, na manhã seguinte, seu reumatismo estava de
volta, a ponto de seus pés estarem tão inchados que ele não conseguia
calçar os sapatos, e ele ficou trancado em minha casa por duas semanas. O
dia da minha oportunidade havia chegado. Não lhe falei diretamente sobre
aceitar a Cristo, mas as crianças que entravam e saíam de seu quarto
pareciam falar mais sobre o Senhor Jesus do que de costume, embora
sempre gostassem de falar sobre Ele. Meus amigos que entraram em
minha casa e o viram lá, na casa do pastor, deram como certo que ele era
cristão, e pareciam falar mais do que o habitual sobre Jesus Cristo.
Após duas semanas, ele conseguiu calçar os sapatos e, depois do
café da manhã, começou a descer a avenida La Salle comigo, pretendendo
ir para sua própria casa quando eu fosse ao meu escritório.
Caminhamos cerca de meio quarteirão quando ele se virou para
mim de repente e disse: “Archie, estou pensando em entrar no trabalho de
temperança. Como começar?”.
Eu respondi: “A única maneira que conheço de começar o trabalho
de temperança é se tornar primeiro um cristão”.
“Ora”, respondeu ele, “sempre supus que eu era cristão”.
Eu disse: “Você tem a maneira mais estranha de demonstrar isso
entre todas as pessoas que já conheci na minha vida”.
Ele perguntou: “Como se tornar um cristão?”.
Eu respondi: “Venha ao meu escritório e eu lhe direi”.
Ele foi até o meu escritório e, como o senhor Moody estava fora, eu
o levei até o escritório do senhor Moody. Sentamo-nos, e expliquei-lhe o
modo de vida. Ele era quase oito anos mais velho que eu, mas expliquei o
modo de vida exatamente como explicaria a uma criança. Como uma
criança, ele ouviu e agiu; ajoelhou-se ali mesmo e aceitou a Jesus Cristo.
Ele estava pregando dentro de um ano. Pregou quase até o fim de sua
vida.
Ele pregava em um púlpito presbiteriano a quarenta milhas de
Chicago. Eu estive no leste visitando velhos amigos seus e meus. Voltei
para Chicago e soube que ele não estava bem, então peguei o trem e sai
para vê-lo. Descobri que ele não havia pregado na véspera, embora tivesse
pregado no domingo anterior. Comecei a lhe falar sobre velhos amigos
nossos no estado de Nova York. “Ah”, disse ele, “esqueça isso. Vamos ter
um momento de oração”. Passei o dia inteiro com ele. Eu iria ao sul no dia
seguinte para uma convenção de estudantes de universidades de lá, e
dormi naquela noite no Instituto Bíblico para pegar um trem mais cedo.
Muito cedo pela manhã, antes de me levantar, bateram à minha
porta. Fui até a porta e um de meus alunos estava ali com um telegrama
na mão. Abri e li: “Seu irmão faleceu às 2 horas desta manhã". Mais uma
vez, corri para o local onde ele assumia o púlpito e, quando entrei naquela
sala silenciosa e tirei o lençol branco do rosto de meu irmão, que jazia lá,
em silêncio, na morte, agradeci a Deus que pelos quinze longos anos em
que eu acreditei em um Deus que respondia a orações.
Ó, homens e mulheres, vocês têm entes queridos que não são
salvos? Existe uma maneira de alcançá-los. Esse caminho é pelo trono de
Deus. Pelo caminho do trono de Deus, você pode alcançar os confins da
terra e se apossar dos amados de que vocês perderam todo rastro. Deus
sabe onde eles estão, e Deus ouve as orações e lhes responde.
No final de uma reunião em certa cidade, uma senhora foi até mim
e disse: “Tenho um irmão que tem mais de sessenta anos. Tenho orado
por sua salvação há anos, mas desisti. Eu começarei de novo”
Em duas semanas, ela foi até mim e disse: “Recebi notícias de meu
irmão, e ele aceitou a Cristo”.
Sim, sim, sim: A oração de um justo tem grande poder e produz
grandes resultados4, e, se orássemos mais e tivéssemos mais certeza de
que cumprimos as condições da oração prevalecente, veríamos multidões
de homens e mulheres se reunindo em Jesus Cristo, Oh! Que possamos
orar como deveríamos, tão inteligentemente quanto deveríamos, tão
especificamente como deveríamos, tão fervorosa e determinadamente
como deveríamos, pela salvação dos homens, mulheres e crianças que
sabemos que não são salvos.
A ORAÇÃO TRARÁ BÊNÇÃO E PODER AOS
MINISTROS DA PALAVRA
Agora veja Efésios 6.17-20a:
“Usem a salvação como capacete e empunham a espada do Espírito,
que é a palavra de Deus. Orem no Espírito em todos os momentos e
ocasiões. Permaneçam atentos e sejam persistentes em suas orações por
todo o povo santo. E orem também por mim. Peçam que Deus me conceda
as palavras certas, para que eu possa explicar corajosamente o segredo
revelado pelas boas-novas. Agora estou preso em correntes, mas continuo
a anunciar essa mensagem como embaixador de Deus”.
Aqui Paulo pede urgentemente as orações fervorosas dos crentes
em Éfeso para si mesmo, para que, em resposta às suas orações, ele possa
pregar o Evangelho com ousadia e poder. Paulo fez um pedido semelhante
a todas as igrejas para as quais escreveu, com uma notável exceção. Essa
única exceção foi a igreja na Galácia. Aquela era uma igreja apóstata, e ele
não queria ter uma igreja apóstata orando por ele.
Em todos os outros casos, ele exortou a igreja a orar por ele. Aqui
vemos o poder da oração para trazer bênção, ousadia e eficiência aos
ministros do Evangelho. Um ministro pode se tornar um homem de poder
pela oração, e ele pode ser prejudicado e privado de poder por pessoas
que falham em orar por ele. Qualquer igreja pode ter um poderoso
homem de Deus como pastor se estiver disposta a pagar o preço — e esse
preço não é um grande salário, mas uma grande oração.
Você tem um pastor de quem não gosta, um pastor que pode ser
ineficiente ou talvez um pastor que claramente não conhece nem prega a
Verdade? Quer um novo ministro? Eu posso lhe dizer como consegui-lo.
Ore por aquele que você tem até Deus o tornar novo.
Muitos anos atrás, em uma das congregações da Cornualha da Igreja
da Inglaterra, o ministro nem sequer era um homem convertido. Ele tinha
pouco interesse nas coisas reais de Deus. Seu interesse era principalmente
na restauração de igrejas antigas e em questões de ritual. Havia muitas
pessoas piedosas naquela congregação, que começaram a orar para Deus
converter seu ministro. Então elas iam à igreja todos os domingos e
esperavam a resposta de suas orações. Certo dia, quando ele se levantou
para falar, não pronunciou muitas frases antes que as pessoas de
discernimento espiritual percebessem que suas orações haviam sido
respondidas. Um grito se ergueu por toda a igreja: “O ministro se
converteu, o ministro converteu” — e era verdade. Ele não só foi
convertido, mas dotado de poder do alto. Por muitos anos depois, Deus
usou aquele homem, em toda a Inglaterra, para a conversão de pecadores,
para a bênção de todos os santos e para o despertar das igrejas, como
quase nenhum outro homem na Igreja da Inglaterra.
Havia uma igreja na cidade de Hartford, Connecticut, que tinha um
homem muito brilhante como pastor, mas ele não era sólido em doutrina.
Três homens piedosos daquela igreja perceberam que seu pastor não
estava pregando a Verdade, mas não andavam na congregação
provocando insatisfação com o pastor. Eles concordaram em se reunir
todos os sábados à noite para orar noite adentro por seu ministro. Sábado
à noite após sábado à noite, eles se reuniam em oração fervorosa e
prolongada, e então, no domingo de manhã, iam à igreja, sentavam-se em
seus lugares e esperavam uma resposta para suas orações.
Certa manhã de domingo, quando o ministro se levantou para falar,
ele estava tão brilhante e talentoso como sempre, mas logo ficou evidente
que Deus havia transformado o homem e transformado suas ideias. O
doutor Theodore Cuyler afirmou que Deus enviou à cidade de Hartford o
maior avivamento que aquela cidade já teve por aquele ministro
transformado pelas orações de seus membros. Oh! Se falássemos menos
uns com os outros contra nossos ministros e falássemos mais com Deus
em nome deles, teríamos ministros melhores do que os que temos agora.
Você tem um ministro de quem gosta? Quer que ele seja ainda
melhor e muito mais eficaz do que é hoje? Ore por ele até que Deus lhe dê
nova sabedoria e o cubra com novo poder.
Você já ouviu falar de como Dwight L. Moody se tornou um
evangelista mundial? Após o grande incêndio em Chicago, o senhor Moody
ficou lá por tempo suficiente para juntar dinheiro para alimentar os pobres
e construir um novo prédio para seu próprio trabalho, depois foi para a
Inglaterra descansar. Ele não pretendia pregar, mas ouvir alguns dos
grandes pregadores do outro lado do oceano, como Charles Spurgeon,
George Muller e outros.
Moody foi convidado para pregar em um domingo em uma igreja
congregacional no norte de Londres, da qual o senhor Lessey era o pastor.
Ele aceitou o convite. Domingo de manhã, enquanto pregava, ele teve
grande dificuldade. Ao me contar a história muitos anos depois, ele disse:
“Eu não tinha poder, nem liberdade; era como puxar um trem pesado por
uma ladeira íngreme, e, enquanto pregava, eu dizia a mim mesmo: ‘Que
tolo eu fui ao consentir em pregar. Vim aqui para ouvir os outros e aqui
estou, pregando’. Quando cheguei ao fim do meu sermão, tive uma
sensação de alívio por estar acabando, e então me ocorreu a lembrança:
‘Bem, tenho que fazer isso de novo esta noite’.
Tentei fazer o senhor Lessey me liberar da pregação naquela noite,
mas ele não consentiu. Fui ao culto da noite com o coração pesado. Mas
eu não havia pregado por muito tempo quando notei que parecia que os
poderes de um mundo invisível haviam caído sobre aquela audiência.
Quando cheguei ao fim do meu sermão, ganhei coragem para puxar a
rede. Pedi a todos que quisessem aceitar a Cristo naquele momento para
se levantarem, e cerca de quinhentas pessoas se levantaram. Achei que
devia haver algum engano, então pedi que elas se sentassem. Então eu
disse: ‘Haverá uma reunião posterior na sala pastoral. Se algum de vocês
realmente quiser aceitar a Cristo, encontre-me com o pastor na sala
pastoral’.
Havia uma porta de cada lado do púlpito que dava para a sala
pastoral, e as pessoas começaram a fluir por essas portas para lá. Virei-me
para o senhor Lessey e disse: ‘Senhor Lessey, quem são essas pessoas?’
Ele respondeu: ‘Não sei’. Ele disse que não achava que algumas
pessoas que iam à sua igreja eram cristãs.
Entramos na sala pastoral, e repeti o convite de forma mais forte.
Todos se levantaram novamente. Ainda pensei que devia haver algum
engano, e pedi que eles se sentassem novamente. Repeti o convite de
forma ainda mais forte, e novamente todos eles se levantaram. Eu ainda
achava que devia haver algum engano. Eu disse às pessoas: ‘Vou para a
Irlanda amanhã, mas seu pastor estará aqui amanhã à noite. Se vocês
realmente sentirem o que demonstram esta noite, encontrem-no aqui’.
Depois que cheguei à Irlanda, recebi um telegrama do senhor Lessey
dizendo: ‘Senhor Moody, havia mais gente na segunda à noite do que na
noite de domingo. Um reavivamento irrompeu em nossa igreja, e você
deve voltar e me ajudar’.
O senhor Moody voltou apressado de Dublin para Londres e realizou
uma série de reuniões na igreja do senhor Lessey que adicionaram
centenas de pessoas às igrejas do norte de Londres, e isso levou ao convite
que o conduziu à Inglaterra, mais tarde, para o grande trabalho que
comoveu o mundo inteiro.
Depois que o senhor Moody me contou essa história, eu disse:
“Senhor Moody, alguém devia estar orando por isso”.
“Ah”, ele disse, “eu não lhe contei isso? Esse é o ponto de toda a
história. Havia duas irmãs naquela igreja; uma delas estava acamada, e a
outra me ouviu naquela manhã de domingo. Ela foi para casa e disse à
irmã: ‘Quem você acha que pregou esta manhã?’.
A irmã respondeu: ‘Não sei’. Então ela disse: ‘Adivinha’, e a irmã
citou todos os homens que o senhor Lessey tinha o hábito convidar para as
pregações, mas sua irmã disse: ‘Não’.
Então sua irmã perguntou: ‘Quem pregou esta manhã?’.
Ela respondeu: ‘O senhor Moody, de Chicago’.
Assim que ela disse isso, sua irmã ficou pálida como a morte e disse:
‘O quê? O senhor Moody, de Chicago! Li sobre ele em um jornal
americano, e tenho orado para que Deus o traga para Londres e para a
nossa igreja. Se eu soubesse que ele pregaria esta manhã, não teria
tomado meu café da manhã, mas passado a manhã inteira em jejum e
oração. Agora, irmã, saia, tranque a porta, não deixe que ninguém me
veja, nem que me mandem nenhum jantar. Vou passar a tarde e a noite
inteira em jejum e oração’”.
E ela fez a oração, e Deus ouviu e respondeu. Deus está tão pronto
para ouvir e lhe responder quando estava para responder àquela santa
acamada. Qualquer que seja sua igreja e quem quer que seja seu pastor,
você pode torná-lo um homem de poder. Se ele já é um homem de
poder, você pode torná-lo um homem de poder ainda maior.
Posso contar com sua paciência para ouvir uma página de minha
própria experiência? Quando fui para Chicago, não era para assumir o
pastorado de uma igreja, mas para ser superintendente do Instituto Bíblico
e da Sociedade Evangelização de Chicago. Depois de quatro anos lá, o
púlpito da Igreja Moody ficou vago, e o senhor Moody e eu pedimos que
eles chamassem um pregador muito talentoso de Aberdeen, na Escócia, o
que eles fizeram. Enquanto esperávamos para saber se ele aceitaria o
chamado, eu fiquei no púlpito, e Deus abençoou tanto aquela pregação de
Sua Palavra, que um número considerável de pessoas orou para que o
ministro da Escócia não aceitasse o chamado, e ele não aceitou.
Então me chamaram para o pastorado. Eu não conseguia ver como
poderia conduzi-lo. Minhas mãos estavam ocupadas com o Instituto, as
palestras, a correspondência e outros deveres. Mas o senhor Moody
insistiu em que eu aceitasse o chamado. Ele disse: “Isso é o que eu
desejava o tempo todo. Se você apenas aceitar o chamado, eu lhe darei
toda a ajuda que você pedir e fornecerei homens para ajudá-lo no
Instituto”, então aceitei o chamado.
O primeiro sermão que preguei após assumir o pastorado da igreja
foi sobre oração, e nele eu disse algumas das coisas que disse aqui. Ao me
aproximar do final do meu sermão, eu disse: “Como seu novo pastor
ficaria feliz se soubesse que alguns de vocês, homens e mulheres de Deus,
se sentaram, na noite de sábado, ou se levantaram cedo, no domingo de
manhã para orar por seu novo pastor” e muitos daqueles queridos santos
de Deus acreditaram em minha palavra. Muitos ficaram acordados no
sábado à noite orando por mim, e muitos se levantaram cedo no domingo
de manhã para orar por mim, e Deus respondeu às orações.
Quando assumi o pastorado, o prédio da igreja tinha capacidade
para 2.200 pessoas — 1.200 no térreo e mil na galeria, mas, nos anos
anteriores, apenas o térreo da igreja lotava, e a galeria só abria em
ocasiões especiais, como quando o senhor Moody estava lá ou algo do
tipo. Quase imediatamente, tornou-se necessário abrir a galeria, e então,
no culto da noite, cada centímetro do salão ficaria ocupado, até que
acomodamos 2.700 pessoas naquele prédio pela contagem oficial, e as
autoridades exigiram que não permitíssemos mais que pessoas se
sentassem nas escadas ou ficassem nos corredores. Em seguida, tivemos
uma reunião lotada nas salas abaixo, com capacidade para 1.100 pessoas,
e muitas vezes isso também acontecia na sala de aula do Instituto.
Mas isso não foi o melhor. Houve conversões todo domingo. De fato,
havia conversões dentro e fora da igreja praticamente todos os dias da
semana. A maioria dos convertidos não se uniu à Igreja Moody. Eram
estranhos que passavam pela cidade ou pessoas que vinham de outras
igrejas. Chegou a ser um costume de alguns ministros enviar seu povo à
nossa igreja para convertê-lo, então as pessoas voltavam e se juntavam às
igrejas às quais pertenciam propriamente. Assim, apenas uma proporção
comparativamente pequena dos convertidos se uniu à nossa igreja, mas o
menor número que já recebemos na igreja, em qualquer um dos oito anos
em que permaneci lá como pastor ativo, foi de 250. Nesses oito anos, tive
a alegria de dar a mão direita do companheirismo a mais de 2 mil novos
membros.
Isso continuou da mesma forma pelos quatro anos em que fui
apenas nominalmente pastor, mas não na igreja , sob os diferentes
homens que foram até lá e por quem as pessoas oraram para que
chegassem ao poder. Foi da mesma forma sob o pastorado do doutor
Dixon.
Não eram tanto os homens que estavam pregando, mas as pessoas
atrás deles que estavam orando para que realizassem grandes coisas para
Deus. Então, quando comecei a viajar ao redor do mundo, essas pessoas
ainda me seguiam com suas orações. Depois que voltei, alguém relatou
que mais de 102 mil pessoas fizeram uma confissão definitiva de aceitar a
Cristo nos diferentes lugares que visitei ao longo daqueles meses em que
estive fora.
Depois que voltei, após meus primeiros dezoito meses de ausência,
o doutor Dixon me encontrou um dia e disse (isso foi antes de ele se tornar
pastor da igreja): “Torrey, quando ouvimos sobre as coisas feitas na
Austrália e em outros lugares, todos nós ficamos surpresos. Nós não
achamos que isso estava em você”. Ele estava perfeitamente certo sobre
isso; não estava em mim. Então ele acrescentou: ‘Mas, quando assumi sua
igreja por um mês e ouvi seu povo orar por você, eu entendi”.
Bem, qualquer igreja pode ter como ministro um homem de poder,
um ministro batizado e cheio do Espírito Santo, se estiver disposto a pagar
o preço. O preço é a oração, muita oração; muita oração real, oração no
Espírito Santo.
O QUE A ORAÇÃO PODE FAZER PELAS IGREJAS,
PELA NAÇÃO E POR TODAS AS NAÇÕES
R.A. Torrey
“Orem no Espírito em todos os momentos e ocasiões. Permaneçam atentos
e sejam persistentes em suas orações por todo o povo santo.”
(Efésios 6.18)
O assunto deste capítulo é o que a oração pode fazer. Você
encontrará este texto em Efésios 6.18: “Orem no Espírito em todos os
momentos e ocasiões. Permaneçam atentos e sejam persistentes em suas
orações por todo o povo santo”.
Que tremenda ênfase Paulo coloca aqui sobre a importância e o
poder da oração e sobre a necessidade imperiosa de intensa seriedade e
incansável persistência na oração. Ouça novamente o texto: “Orem no
Espírito em todos os momentos e ocasiões. Permaneçam atentos e sejam
persistentes em suas orações por todo o povo santo”.
Já vimos, em nossos estudos, algumas coisas de grande importância
realizadas pela oração e que não podem ser realizadas de outra maneira.
Vimos que a verdadeira oração promoverá nossa própria piedade pessoal,
nossa santidade individual e nosso crescimento particular à semelhança de
nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo como nada além do estudo da
Palavra de Deus.
Vimos que a oração trará poder ao nosso trabalho, e que é privilégio
de todo filho de Deus ter o poder D’Ele manifestado em seu trabalho em
qualquer linha de serviço para a qual Deus o chame — e que esse poder
não é obtido de nenhuma outra maneira além da oração. Vimos que a
oração é poderosa tanto para os outros quanto para nós mesmos, e que
podemos realizar mais pela salvação dos outros orando por eles do que de
qualquer outra forma. Vimos que a oração serve para a salvação de
homens e mulheres que estão tão submersos no pecado e tão distantes de
Deus, que parece não haver esperança possível de redenção para eles.
Vimos ainda que a oração traz poder ao ministro do Evangelho, que
qualquer igreja disposta a pagar o preço pode ter um homem de poder
como pastor, e que o preço não é um grande salário, mas uma grande
oração.
Faremos outras descobertas, agora, de coisas maravilhosas e muito
desejáveis que podem ser realizadas pela oração e que não podem ser
realizadas de nenhuma outra maneira.
Andrew Murray disse: “O filho de Deus pode conquistar tudo pela
oração. É de admirar que Satanás faça o máximo para arrebatar essa arma
do cristão ou impedi-lo de usá-la”. Bem, se o Diabo está fazendo “o
máximo para arrebatar essa arma do cristão ou impedi-lo de usá-la”, quero
fazer o máximo para devolver essa arma poderosa às mãos da igreja e
incitá-lo a usar essa arma em um poderoso e vitorioso ataque a Satanás e
suas forças.
É verdade que temos uma luta terrível em mãos, em que “nós não
lutamos contra inimigos de carne e sangue, mas contra governantes e
autoridades do mundo invisível, contra grandes poderes neste mundo de
trevas e contra espíritos malignos nas esferas celestiais” (Efésios 6.12),
mas podemos vencer essa luta pela oração. A oração traz Deus ao campo,
e o Diabo não é páreo para Ele. Digo que podemos vencer essa luta, por
mais terrível que ela seja e por mais poderosos e astutos que sejam nossos
inimigos, orando, e não podemos vencê-la de outra maneira.
Constantemente aparecem pessoas que afirmam ter descoberto
alguma nova maneira de derrotar o Diabo por algum esquema astuto que
inventaram — pelo evangelho social, por exemplo, ou algum outro método
humanamente inventado. Mas não há nenhuma nova maneira que vai
vencer. O caminho antigo, o caminho da Bíblia, o caminho da oração
definida, determinada e persistente no Espírito Santo, sempre vencerá.
A ORAÇÃO TRARÁ BÊNÇÃOS ÀS IGREJAS
Vejamos agora outra coisa, além das coisas importantes já
mencionadas, que a oração fará. Volte para 1 Tessalonicenses 3.11-13:
“Que Deus, nosso Pai, e nosso Senhor Jesus nos encaminhe a vocês em
breve. E que o Senhor faça crescer e transbordar o amor que vocês têm uns
pelos outros e por todos, da mesma forma que nosso amor transborda por
vocês. E, como resultado, que Deus, nosso Pai, torne seu coração forte,
irrepreensível e santo diante dele para quando nosso Senhor Jesus voltar
com todo o seu povo santo. Amém”.
Em nosso último estudo, vimos a igreja orando por Paulo. Nessa
passagem, vemos Paulo orando pela igreja. A oração trará uma bênção
definitiva, rica e imensurável para a Igreja. Orar fará mais para tornar a
Igreja o que ela deveria ser do que qualquer outra coisa que possamos
fazer. A oração fará mais para erradicar a heresia do que todas as
provações de heresia que já foram realizadas. A oração fará mais para
endireitar confusões, mal-entendidos e complicações infelizes na vida de
uma igreja do que todos os concílios e conferências que já foram
realizados. A oração fará mais para trazer um avivamento profundo,
duradoura e abrangente — um avivamento que seja real, duradouro e
totalmente certo — do que todas as organizações que já foram inventadas
pelo homem.
A história da Igreja de Jesus Cristo na terra tem sido, em grande
parte, uma história de avivamentos. Quando lemos muitas das histórias
escritas da Igreja, a impressão que naturalmente temos é que a história da
Igreja de Jesus Cristo aqui na terra tem sido na maioria uma história de
mal-entendidos, disputas, diferenças doutrinárias e amargura. Mas, se
você estudar a história da Igreja viva, descobrirá que ela tem sido em
grande parte uma história de avivamentos.
Humanamente falando, a Igreja de Jesus Cristo deve sua própria
existência hoje aos avivamentos. Uma e outra vez, a igreja pareceu estar à
beira do naufrágio total, mas Deus então enviou um grande reavivamento
e a salvou. Se você estudar a história dos avivamentos, descobrirá que
todo avivamento real na Igreja foi um filho da oração. Houve
reavivamentos sem muita pregação e reavivamentos absolutamente sem
nenhuma organização, mas nunca houve um reavivamento poderoso sem
oração poderosa.
Veja o grande avivamento que tão maravilhosamente abençoou
toda a nossa nação em 1857. Como esse avivamento aconteceu? Um
humilde missionário da cidade de Nova York, chamado Jeremiah Lanphier,
ficou muito sobrecarregado devido ao estado da igreja. Ele pegou dois
outros homens que pensavam da mesma forma, e eles começaram a orar
por um avivamento. Então eles abriram uma reunião diária ao meio-dia
para oração e convidaram outros.
Essas reuniões tiveram um público muito pequeno no início. Numa
ocasião, se bem me lembro, havia apenas duas pessoas presentes.
Acredito que em outra ocasião a única pessoa presente era o próprio
humilde missionário da cidade, esse homem muito modesto, Lanphier,
cujas irmãs depois conheci bem e cujo primo era membro da primeira
igreja da qual fui pastor. Logo, porém, o interesse começou a aumentar, e
grandes multidões começaram a afluir às reuniões para orar. Tantas
multidões foram, que se tornou necessário marcar outras reuniões de
oração. Foi-me dito, e penso que corretamente, que, após um tempo,
reuniões de oração eram realizadas a cada hora do dia e da noite na
cidade de Nova York. Não apenas as igrejas eram usadas para reuniões de
oração, mas teatros e outros lugares públicos também, e esses lugares
ficavam lotados de homens e mulheres orando.
O avivamento da oração se espalhou de Nova York à Filadélfia e a
outras cidades, e depois varreu o país inteiro. Um jovem foi a uma das
reuniões em Chicago, em uma ocasião, e disse que tinha acabado de voltar
de uma viagem ao oeste e que, em todos os lugares onde ele havia parado
no caminho de volta para Chicago, reuniões de oração estavam sendo
realizadas
Na cidade de Nova York, em uma das reuniões dos ministros
presbiterianos, o doutor Gardiner Spring, que era talvez o ministro mais
proeminente de Nova York, disse aos irmãos reunidos: “É evidente que um
avivamento chegou para nós, e nós, ministros, devemos pregar”.
Alguém respondeu: “Bem, se alguém deve pregar, você deve pregar
o primeiro sermão, pois é mais qualificado para fazê-lo do que qualquer
homem na cidade”
Então foi anunciado que, em um certo dia, o doutor Gardiner Spring
pregaria, mas não houve mais pessoas para ouvir a pregação do que para
as reuniões de oração, então eles pararam a pregação e continuaram
orando. Toda a ênfase estava na oração, e toda essa nação foi abalada pelo
poder de Deus como nunca havia sido abalada antes, e talvez nunca tenha
sido abalada desde então.
Esse é o tipo de avivamento que desejo ver aqui em nossa cidade,
em toda a nossa terra e em todo o mundo. Não quero um avivamento
onde há grande pregação, um canto maravilhoso e todos os tipos de
palhaçadas divertidas de pregadores, cantores, administradores ou
manipuladores hábeis, mas quero um avivamento onde há oração
poderosa e demonstrações maravilhosas de convicção, poder de
conversão e regeneração do Espírito Santo em resposta à oração.
Não venha até mim para dizer o que este ou aquele homem, esta ou
aquela mulher estão fazendo e que você acha que é errado ou certo. Vá
até Deus e diga-Lhe, se quiser, mas é muito mais importante que você ore
para Ele. Ore, ore, ore para Ele abençoar essa igreja, abençoar outras
igrejas da cidade e abençoar toda — a terra, sim, e abençoar todas as
terras.
A notícia do que Deus estava fazendo em 1857 na América se
espalhou para o norte da Irlanda, e a assembleia geral da Igreja
Presbiteriana da Irlanda enviou uma comissão à América para estudar a
obra, voltar e relatá-la. Quando voltaram, entregaram à assembleia geral
um relatório muito animador do que estava sendo feito na América. As
pessoas começaram a orar para que a Irlanda também tivesse uma visita
semelhante à de Deus.
Quatro jovens da pequena cidade de Kells, no norte da Irlanda,
reuniam-se todos os sábados à noite para orar por um avivamento e
passavam a noite inteira em oração. Eles eram homens humildes. Um era
agricultor, um era ferreiro, um era professor, e não me lembro o que era o
quarto, mas sei que ele estava em alguma esfera humilde da vida. Quando
o senhor Alexander e eu estávamos realizando reuniões em Londres e
Deus estava trabalhando lá com grande poder, um desses quatro homens,
naquele momento morando em Glasgow, enviou seu neto para Londres
para observar a obra e levar de volta um relatório dizendo se aquela era
uma verdadeira obra de Deus ou não.
Depois que esses jovens oraram por um tempo, eles saíram para
tentar pregar, mas sua tentativa foi um fracasso, então eles voltaram e
continuaram orando. Deus ouviu sua oração. A obra continuou com um
poder tão maravilhoso em algumas partes da Irlanda, que os tribunais
foram suspensos, porque não havia casos para julgar; as prisões foram
fechadas, porque não havia prisioneiros para encarcerar, e, em alguns
lugares, até os grãos não foram colhidos nos campos, porque as pessoas
estavam tão ocupadas com as coisas de Deus e da eternidade, que não
tiveram tempo para atender nem mesmo às coisas que normalmente são
tão necessárias. Muitos dos pecadores mais notórios, rígidos e sem
esperança da terra foram convertidos completamente transformados.
Deixe-me contar como o avivamento foi para Coleraine, na Irlanda.
Eu sei algo sobre isso porque, quando o senhor Alexander e eu estávamos
em Belfast em 1903, eles estavam prestes a comemorar em Coleraine o
43.º aniversário de como o avivamento foi para lá. Eles enviaram um
comitê a Belfast para convidar o senhor Alexander e eu para subir e
comemorar o aniversário da chegada do avivamento, há 63 anos, a
Coleraine. Não pudemos ir, mas li com muito cuidado o relato do
avivamento como ele foi feito por William Gibson, moderador da
assembleia geral da Igreja Presbiteriana na Irlanda em 1860, em seu livro
O ano da Graça.
Foi relatado que certo dia, em Coleraine, três jovens chegariam para
realizar uma reunião ao ar livre no mercado. Na hora marcada, os
ministros da cidade desceram ao mercado por curiosidade para ver o que
estava sendo feito. Para sua surpresa, eles viram as pessoas entrando no
mercado de todos os cantos, até que não havia menos de 15 mil pessoas
reunidas no mercado. Os ministros se entreolharam em perplexidade e
consternação e disseram: “Devemos pregar. Esses jovens não podem lidar
com uma grande multidão como esta”.
Os ministros colocaram quatro púlpitos nos quatro cantos do
mercado, e um pregador subiu em cada púlpito. Eles não haviam pregado
por muito tempo quando um temor muito solene caiu sobre toda a
multidão. Logo, em uma parte do mercado, houve um grande clamor, e um
homem caiu no chão sob uma convicção tão avassaladora do pecado, que
ele não conseguia ficar de pé. Ele foi levado para a prefeitura, que ainda
não havia sido concluída.
Logo surgiu um clamor em outra parte do mercado, e outro homem
caiu sob o poder da convicção do pecado, e ele também foi levado à
prefeitura. Em seguida, outra, e outra, e outra pessoa caíram em
diferentes partes do mercado, até que a convicção se tornou tão geral, que
reunião terminou e os ministros foram para a prefeitura para tratar
individualmente das almas aflitas.
O ministro presbiteriano que relata o incidente diz que passou a
noite toda na prefeitura lidando com almas sobrecarregadas com profunda
convicção de pecado. Esse ministro conta que, quando amanheceu, ele se
dirigiu para sua casa, mas, ao subir a rua, encontrou pessoas paradas em
suas portas esperando que ele passasse, pois havia pessoas convictas do
pecado em suas casas e queriam convidá-lo para lidar com elas. Ele entrou
em uma casa após a outra, e havia tantas pessoas com quem lidar, que o
sol se pôs antes que ele chegasse à sua própria casa.
Toda a cidade de Coleraine foi tão transformada e ficou tão
impressionada, que, ao concluir-se a prefeitura, eles colocaram uma placa
com inscrições dedicando o salão à memória do avivamento, e, para cada
ano dos 43 anos até então, eles foram comemorando a chegada do
avivamento a Coleraine. Acredito que eles mantêm a comemoração
anualmente até os dias de hoje, totalizando 63 anos.
Acho que foi no final da semana de oração em janeiro de 1901 que a
senhorita Strong, superintendente de mulheres do Instituto Bíblico de
Chicago, veio até mim e disse: “Por que não manter essas reuniões de
oração pelo menos uma vez por semana, depois que a semana de oração
acabar, e orar por um reavivamento mundial?”. Essa sugestão foi aprovada
pelo corpo docente, e marcamos uma reunião de oração todos os sábados
à noite das 21 às 22 horas (depois que a popular aula bíblica acabasse), na
qual as pessoas poderiam se reunir para orar por apenas uma coisa — um
avivamento mundial.
Trezentas ou quatrocentas pessoas se reuniam todos os sábados à
noite para esse propósito, e Deus nos deu grande liberdade e grande
expectativa em oração. Logo começamos a ouvir falar da obra de Deus no
Japão e em outros países, mas a obra não era tão geral quanto queríamos
ver. As pessoas vinham a mim e ao meu colega que estava mais
intimamente associado a mim na condução das reuniões e perguntavam:
“O avivamento chegou?”.
Respondemos: “Não, até onde sabemos”.
“Quando é que ele vem?”.
“Nós não sabemos”.
“Por quanto tempo vocês continuarão orando?’.
“Até ele chegar”.
Após orarmos por alguns meses, dois homens da distante Austrália
apareceram em nossa sala de aula. Depois de algum tempo assistindo às
palestras, eles pediram por uma conversa particular comigo. Disseram-me
que, ao deixar a Austrália, eles foram comissionados para ir à Inglaterra, a
Keswick e a outros lugares, e a reuniões na América, e selecionar alguém a
ser convidado para a Austrália para conduzir uma campanha evangelística.
Disseram ainda que ambos tinham concordado em me convidar.
Perguntaram-me se eu iria.
Respondi: “Não vejo como posso deixar Chicago. Tenho o Instituto
Bíblico para cuidar, e também a Igreja da Avenida Chicago (a Igreja
Moody), e não vejo como posso fugir de Chicago”.
“Bem”, eles disseram, “você vai para a Austrália”.
Alguns meses se passaram e eu estava em uma conferência bíblica
em St. Louis. Recebi uma carta da Austrália pedindo-me para telegrafar
minha aceitação do convite deles e dizendo que eles me telegrafariam
imediatamente o dinheiro para ir. Apresentei o assunto à conferência e
pedi que orassem a respeito, então me retirei da conferência para ficar
sozinho em oração. Deus deixou claro que eu deveria ir, então eu lhes
telegrafei.
Quando o senhor Alexander e eu chegamos à Austrália, descobrimos
que havia um grupo de cerca de dez ou doze homens que vinha orando
havia anos por um grande avivamento na Austrália. Eles se uniram para
orar pelo “grande avivamento”, como o chamavam em suas orações, e orar
por ele não importava quanto tempo levasse. O grupo era liderado por
John McNeil (autor de A vida cheia do Espírito), mas ele havia morrido
antes de chegarmos à Austrália. Um segundo membro do grupo, Allan
Webb, morreu na primeira semana de nossas reuniões em Melbourne. Ele
foi a Melbourne para ajudar nas reuniões e morreu de joelhos em oração.
Um terceiro membro do grupo, mesmo antes de sermos convidados para a
Austrália, teve uma visão de grandes multidões se aglomerando no Salão
de Exposições e de pessoas se pendurando nos carros na rua, onde quer
que pudessem. Quando essa visão se cumpriu, ele percorreu uma longa
distância até Melbourne apenas para ver com seus próprios olhos o que
Deus havia lhe revelado antes.
Também descobrimos que uma senhora em Melbourne havia lido
um livro sobre a oração e ficou profundamente impressionada com uma
frase curta: “Ore até o fim”. Ela foi trabalhar e organizou reuniões de
oração por toda a cidade antes de chegarmos ao local. De fato, quando
chegamos a Melbourne, descobrimos que havia 1.700 reuniões de oração
da vizinhança sendo realizadas todas as semanas em Melbourne.
Permanecemos quatro semanas naquela cidade. Durante as
primeiras duas semanas, as reuniões foram realizadas por muitos pastores
e evangelistas diferentes em cerca de quarenta ou cinquenta centros
diferentes em toda a cidade, embora as reuniões para toda a cidade
fossem realizadas às 13, às 14 e às 15 horas diariamente na prefeitura. Nas
últimas duas semanas, os encontros foram todos concentrados no Salão
de Exposições, com capacidade para cerca de 8 mil pessoas.
Na primeira reunião no Salão de Exposições, a multidão era tão
grande, que varreu a polícia e lotou o prédio muito além de sua
capacidade adequada, e ainda havia uma grande multidão que não
conseguiu entrar. Durante essas quatro semanas, 8.642 pessoas fizeram
uma profissão definitiva de ter aceitado ao Senhor Jesus Cristo como seu
Salvador. Quando voltamos para Melbourne alguns meses depois e
realizamos uma reunião dos convertidos, 6 mil deles estavam presentes
nessa reunião, a maioria dos quais já havia se filiado à igreja, e quase
todos aqueles que ainda não haviam se unido à igreja prometeram fazê-lo
imediatamente.
O relato do que Deus havia feito em Melbourne se espalhou não
apenas por toda a Austrália, mas também pela Índia, Inglaterra, Escócia e
Irlanda, e resultou em uma maravilhosa obra de Deus nas principais
cidades da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Todo trabalho mundial foi o
resultado das reuniões de oração realizadas em Chicago e das orações de
um pequeno grupo de homens na Austrália.
O grande avivamento galês em 1904, do qual fui testemunha ocular,
ocorreu de maneira semelhante. O senhor Alexander e eu fomos
convidados a Cardiff, País de Gales, para uma missão de um mês. O
anúncio de que iríamos para lá foi feito cerca de um ano antes de irmos, e
a oração começou a ganhar força por toda a Inglaterra, a Escócia e todo o
País de Gales para que Deus enviasse um avivamento não apenas a Cardiff,
mas a todo o País de Gales.
Quando chegamos a Cardiff, soubemos que, havia quase um ano,
existia uma reunião de oração das 6 às 7 horas da manhã em Penarth, um
subúrbio de Cardiff. O povo estava orando por um grande avivamento.
Durante as primeiras duas semanas de nosso tempo lá, as coisas se
arrastaram. Grandes multidões compareceram e houve grande entusiasmo
no canto, mas não conseguimos que as pessoas fizessem um trabalho
pessoal. Então marcamos um dia de jejum e oração, e o dia foi realizado
em outras partes do País de Gales, bem como em Cardiff.
Em um desses lugares, Seth Joshua, que foi depois muito usado no
avivamento, era a figura principal e responsável pela reunião. Ele me
escreveu um relato muito radiante e animador do que Deus havia feito
naquele lugar naquele dia. Suponho que foi naquele mesmo dia que ele
estava ajoelhado ao lado de Evan Roberts, e enquanto ele orava, o poder
de Deus caiu sobre Evan Roberts.
O poder de Deus desceu em Cardiff de uma maneira tão
maravilhosa, que, quando o senhor Alexander e eu fomos obrigados a sair,
no final do mês, para manter um compromisso em Liverpool, as reuniões
continuaram sem nós e duraram um ano inteiro. Houve reuniões todas as
noites durante um ano inteiro, e multidões se converteram!
De Cardiff, o avivamento se espalhou pelos vales do País de Gales.
Pouco depois de chegarmos a Liverpool, a próxima cidade que visitamos,
recebi uma carta do ministro que era secretário de nossa missão em
Cardiff. Ele escreveu que seu assistente havia saído no domingo anterior, à
noite, para um dos vales do País de Gales e, enquanto pregava, o poder de
Deus caiu sobre ele, e cem pessoas se converteram enquanto ele pregava.
O avivamento se espalhou por todo o país e dizem que mais de 100 mil
almas foram convertidas em doze meses!
Ah! É disto que precisamos mais do que qualquer outra coisa hoje,
em nossa própria terra e em todas as terras, um verdadeiro e poderoso
derramamento do Espírito de Deus!
O problema fundamental da maioria dos nossos chamados
avivamentos atuais é que eles são feitos pelo homem e não enviados por
Deus. Eles são elaborados (eu quase disse falsificados) pela maquinaria
engenhosamente inventada pelo homem — não pela oração. Ah! Por um
reavivamento dos velhos tempos, um reavivamento que seja realmente do
padrão pentecostal, não um espúrio dele — pois esse reavivamento
nasceu de uma reunião de oração de quatorze dias. Não apenas falemos
disso, mas gritemos por isso. Clamemos a Deus; clamemos por muito
tempo, e alto, se necessário, e então ele certamente virá.
ORAÇÃO ESSENCIAL A DEUS
E. M. Bounds
“Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por
socorro, e ele dirá: Aqui estou. 14° verso: então você terá no Senhor a sua
alegria, e eu farei com que você cavalgue nos altos da terra e se
banqueteia com a herança de Jacó, seu pai.
“Pois é o Senhor quem fala.”
Isaías 58:9
Nunca deve ser esquecido que Deus todo-poderoso comanda esse
mundo. Ele não é um Deus ausente. Sua mão está sempre para suprimir os
assuntos humanos. Ele está presente em todo lugar em questão de tempo.
“Seus olhos observam; seus olhos examinam os filhos dos homens.” Ele
comanda o mundo justamente como Ele comanda a Igreja pela oração.
Essa lição precisa ser enfatizada, iterada e reiterada nos ouvidos dos
homens dos tempos modernos e trazida para suportar com cumulativa
força na consciência dessa geração a qual os olhos não tem nenhuma visão
para as coisas espirituais, a qual os ouvidos estão surdos diante a Deus.
Nada é mais importante a Deus do que a oração ao lidar com a
humanidade. Porém, é tão importante quanto para os homens orarem.
Falhas ao orar são falhas entre toda a linha da vida. É uma falha de dever,
serviço e progresso espiritual. Deus deve ajudar o homem através da
oração. Ele que não ora, portanto, rouba de si mesmo a ajuda de Deus e
coloca Deus onde Ele não consegue ajudar o homem. O Homem deve orar
para Deus se existir o amor por Deus. Fé e esperança, e paciência e todo o
vigor, beleza, forças vitais de piedade são murchas e mortas na vida de
uma pessoa sem oração. A vida do indivíduo crente, sua salvação pessoal e
as graças cristãs pessoas tem sua existência, florescer e frutificar na
oração.
Tudo isso e muito mais pode ser dito quanto a necessidade da
oração ao ser, cultura de piedade no indivíduo. Porém a oração tem uma
larga esfera, um dever mais obrigatório, uma inspiração mais elevada. A
oração interesse a Deus, cujo propósitos e planos são condicionados em
oração. Sua vontade e Sua glória são ligadas a oração. Os dias do
esplendor de Deus e renome tem sempre sido o maior dia de orações. As
grandes ações de Deus nesse mundo tem sido condicionado, continuado e
modelado pela oração. Presente, prevalecendo conspícuo e dominar a
oração tem sempre trazido Deus a estar presente. O real e óbvio teste de
um genuíno ofício de Deus é a prevalência do espírito de oração. As forças
mais poderosas de Deus sobretaxa e impregna uma ação quando as forças
mais poderosas da oração estão lá.
O ato de Deus ao trazer Israel da escravidão egípcia teve seu início
na oração. Assim, cedo Deus e a raça humana pôs o fato da oração como
uma das forças graníticas sobre qual as ações de Seu mundo deveriam ser
baseadas.
A súplica de Ana por um filho começou um grande ato de oração
para Deus em Israel. Mulheres de oração, as quais orações eram como as
de Ana, podem dar à causa de Deus homens como Samuel, faz mais pela
Igreja e pelo mundo do que todos os políticos na terra. Homens nascidos
da oração são os salvadores do estado e homens saturados de oração, dá
vida e ímpeto à Igreja. Sob Deus eles são salvadores e ajudantes de ambos
Igreja e estado.
Nós devemos acreditar que o registro divino dos fatos sobre orações
e Deus, são dados para que nós pudéssemos ser constantemente
lembrados d'Ele, ser sempre revigorado pela fé que Deus detém em Sua
Igreja pelo mundo todo, e que o propósito de Deus será realizado. Seus
planos relativos à Igreja são muito indubitável e inevitavelmente
cumprido. Esse registro de Deus tem sido dado sem dúvida para que nós
possamos ficar profundamente impressionados de que as orações dos
santos de Deus são um grande fator, um fato supremo, em levar à diante o
ofício de Deus, com facilidade e em tempo. Quando a Igreja está em
condição de oração, a causa de Deus sempre floresce e Seu reino na terra
sempre triunfa. Quando a Igreja falha em orar, a causa de Deus decai e o
mal de todo tipo prevalece. Em outras palavras, Deus trabalha através de
orações de Seu povo, e quando eles falham n'Ele a este ponto, declínio e
morte segue-se. Isso é de acordo aos planos divinos que a prosperidade
espiritual vem através do canal de oração. Os santos de oração são os
agentes de Deus para continuar Seu salvamento e trabalho providencial na
terra. Se Seus agentes falharem n'Ele, negligenciando a orar, então Seu
ofício falha. Agentes de oração do Mais Alto são sempre precursores da
prosperidade espiritual.
Os homens da Igreja de todas as idades que têm mantido a Igreja
para Deus, tem tido em afluente plenitude e em riqueza o ministério da
oração. Os comandantes da Igreja cujo as Escrituras revelam ter tido
preeminência na oração. Eminente, ele pode ter sido, em cultura, em
intelecto e em todas as forças naturais ou humanas; ou eles têm sido
lentos em realizações físicas e em dons nativos; ainda em cada caso de
oração, fora toda a potente força do governo da Igreja. E isso fora assim
pois Deus estava junto e dentro do que eles fizeram, pois oração sempre
traz-nos de volta a Deus. Isso reconhece Deus e trás Deus dentro do
mundo para trabalhar e salvar e abençoar. Os agentes mais eficientes em
disseminar o conhecimento de Deus, em prosseguir Seu ofício sobre a
terra, e em ficar como quebra-mar contra as ondas do maligno, tem sido
orado pelos líderes da Igreja. Deus depende deles, os emprega e os
abençoa.
A oração não pode ser retirada como uma força secundária nesse
mundo. Fazer tal coisa é retirar Deus dos ofícios. É tornar Deus secundário.
O ministério da oração é uma força envolvente. E deve ser assim, para ser
realmente uma força. Oração é o senso das necessidades de Deus e o
chamado para a ajuda de Deus fornecer aquela necessidade. O parecer e o
lugar de oração é o parecer e o lugar de Deus. Colocar a oração em
segundo lugar é fazer Deus secundário nos assuntos da vida. Substituir
outras forças pela oração, é retirar Deus e materializar toda a ação.
Oração é uma absoluta necessidade para o modo apropriado para
levar em frente o trabalho de Deus. Deus tem feito dessa forma. Isso deve
ter sido a principal razão do porque na igreja primitiva, quando a queixa
que as viúvas de certos crentes haviam sido negligenciadas nas
administrações diárias das benfeitorias da Igreja, que os doze chamaram
os discípulos juntos, e os disse para procurar por sete homens, “cheios do
Espírito Santo, e sabedoria,” quem eles nomearam para aquele trabalho
benevolente, acrescentado essa importante afirmação, “Mas nós nos
daremos continuamente à oração e ao ministério do Mundo.” Eles
claramente perceberam que o sucesso da Palavra e do progresso da Igreja
eram dependentes em um proeminente senso sobre seus “entregar a si
mesmos para oração.” Deus poderia efetivamente trabalhar através deles
em proporção como eles entregaram-se inteiramente à oração.
Os apóstolos eram tão dependentes sobre a oração quanto
qualquer outra pessoa. Ofício sagrado, — Atividades da Igreja — pode
portanto engajar-nos e absorver-nos a ponto de impedir a oração, e
quando esse é o caso, resultados malignos sempre precedem. É melhor
deixar o ofício ir por padrão do que deixar a oração partir negligenciada. O
que quer que afete a intensidade de nossa oração, afeta o valor de nosso
trabalho. “Muito ocupado para orar” não é somente a nota chave para o
retrocesso, mas ela deteriora até mesmo o trabalho feito. Nada é bem
feito sem oração pela simples razão que isso deixa Deus fora do assunto. É
muito fácil ser seduzido pelo bom e negligenciar o melhor, até ambos o
bom e o melhor perecer. Quão facilmente podem os homens, até mesmo
líderes em Sião, serem conduzidos pelos ardis traiçoeiros de Satã para
encurtar nosso orar nos interesses do ofício! Como é fácil negligenciar a
oração ou abreviar nosso orar simplesmente por declarar que nós temos o
ofício da Igreja em nossas mãos. Satã tem efetivamente nos desarmado
quando ele pode nos manter muito ocupados fazendo parar as coisas e
orar.
“Entregar-nos continuamente à oração e ao ministério da palavra."
A Versão Revisada tem isso, “ Nós iremos continuar firmemente na
oração.” A implicação da palavra usada aqui significa ser forte, firme, ser
dedicado, mantê-lo com constante cuidado, fazer um esforço. Nós
encontramos a mesma palavra em Col. 4:12, e em Romanos 12:12, cujo
está traduzido, “Perseverem na oração”.
Os Apóstolos estavam sob a lei da oração, cuja lei reconhece Deus
como Deus, e depende sobre Ele para fazer por eles o que Ele não faria
sem oração. Eles estavam sob a necessidade da oração, justo como todos
os crentes estão, em toda idade e em toda região. Eles tinham que ser
devotos à oração tendo em vista fazer seu ministério da palavra eficiente.
O serviço da pregação vale muito pouco sem estar em parceria direta com
a atividade da oração. Pregação apostólica não pode ser continuada a não
ser que haja uma oração apostólica. Infelizmente, essa simples verdade
tem sido tão facilmente esquecida por aqueles que ministram coisas
sagradas! Sem de qualquer forma passar um criticismo no ministério, nós
sentimos que é chegada a hora que alguém ou outro declare a seus
membros que a pregação efetiva está condicionada à oração eficaz. A
pregação cujo é mais bem-sucedida é aquele ministério ao qual têm muita
oração. Aparentemente alguém pode ir tão longe quanto dizer que é único
tipo que é bem-sucedido. Deus consegue poderosamente usar o pregador
que ora. Ele é o mensageiro escolhido de Deus para o bem, a quem o
Espírito Santo se deleita em honrar, o eficiente agente de Deus em salvar
os homens e em edificar os santos.
Em Atos 6:1-8, nós temos o registro de como, muito tempo atrás, os
Apóstolos sentiram que eles estavam perdendo — haviam perdido — em
poder apostólico pois eles não tinham alívio de certos deveres tendo em
vista que eles deveriam se entregar a si mesmos mais à oração. Então eles
chamaram um pararam porque eles descobriram para seu pesar que eles
eram muito deficientes em orar. Sem dúvida eles mantiveram a forma de
orar, mas foram seriamente defeituosos em intensidade e no ponto do
tanto de tempo entregue a isso. Suas mentes estavam muitíssimas
preocupadas com as finanças da Igreja. Assim como nesse dia nós
encontramos em muitos lugares, ambos leigos e ministros estão tão
atarefados em “servir as mesas”, que eles estão notoriamente deficientes
em orar. De fato, nos assuntos atuais da Igreja, os homens são apreciados
como religiosos pois eles grandemente entregam seu dinheiro à Igreja, e
homens são escolhidos para posições oficiais não pelo fato que eles são
homens de oração, mas pelo fato que eles têm a habilidade financial de
conduzir as finanças da Igreja e de conseguir dinheiro da Igreja.
Agora estes Apóstolos, quando eles olharam a esse assunto,
determinados a deixar de lado esses obstáculos, crescendo nas finanças da
Igreja, e decididos a “doar a si mesmos para a oração.” Não que essas
finanças fossem ser ignoradas ou colocadas de lado, mas um leigo comum
“cheio de fé e do Espírito Santo” poderia ser encontrado, verdadeiramente
um homem religioso, que pode facilmente atender a esse assunto de
negócios sem nem ao menos afetar sua religiosidade ou seu orar, além do
mais, dando a eles algo a fazer na Igreja, e ao mesmo tempo tomando o
incômodo dos Apóstolos que estariam capazes agora de orar mais, e
orando mas, para serem abençoados e na alma ao mesmo tempo, mais
efetivamente fazer o trabalho a qual eles têm sido chamados.
Eles perceberam, também, pois não haviam realizado
anteriormente, que eles estavam sendo tão pressionados pela atenção à
coisas materiais, certas coisas em si mesmos, que eles não podiam dar
para a oração aquele vigor, ardor e tempo ao qual sua natureza e
importância demandavam. E portanto nós iremos descobrir, sob o
escrutínio de nós mesmos às vezes, que as coisas são legítimas, coisas
certas em si mesmas, coisas louváveis, podem portanto ocupar nossa
atenção, então preocupa nossas mentes e ligar-se a nossos sentimentos,
que o pregador pode ser omitido, ou ao menos muito pouco tempo pode
ser dado à oração. Quão fácil de escapulir do quarto de oração! Até
mesmo os Apóstolos tinham que guardar a si mesmos naquele ponto. O
quanto nós precisamos assistir a nós mesmos no mesmo lugar! Coisas
legítimas e corretas podem se tornar erradas quando eles tomam o lugar
da oração. Coisas certas por si próprias podem se tornar coisas erradas
quando elas são permitidas se fixar desordenadamente sobre nossos
corações. Não são somente as coisas pecaminosas a qual machucam a
oração. Não são somente as coisas questionáveis que se deve ter cautela
contra. Porém são as coisas as quais são certas em seus lugares, mas as
quais são permitidas a desviar a oração e fechar a porta do quarto de
oração, frequentemente com o apelo de alto conforto que é “nós estamos
muito ocupados para orar.”
Possivelmente isso tem tido tanto haver com a quebra da oração
familiar nessa era quanto a qualquer outra causa. Isso é a este ponto, que
a religião familiar tem decaído, e justamente aqui é uma das causas de seu
declínio da reunião de oração. Homens e mulheres estão muito
ocupados com coisas legítimas para “doar a si mesmos para a oração.”
Outras coisas recebem o direito de passagem. Oração é posta de lado ou
feita de secundária. O negócio vem primeiro. E isso não significa que
aquela oração é secundária, mas que a oração é colocada inteiramente
fora. Os Apóstolos prosseguiram diretamente a esse ponto, determinado
que até mesmo os negócios da Igreja não deveriam afetar seus hábitos de
oração. A oração deve vir primeiro. Então eles seriam de fato e
verdadeiramente os reais agentes de Deus em Seu mundo, através de
quem Ele conseguem efetivamente trabalhar, pois eles eram homens de
oração, deste modo, colocam a si mesmos diretamente em linha com Seus
planos e propósitos, cujo era que, Ele trabalha através de homens de
oração.
Quando a reclamação chegou aos seus ouvidos, os Apóstolos
descobriram que o que eles estavam fazendo não inteiramente servia aos
fins divinos de paz, gratidão, e união, mas descontentamento,
reclamações, e divisão eram o resultado de seus ofícios, ao qual de longe
tinha muita pouca oração envolvida. E então a oração fora posta
proeminentemente à frente.
Homens de oração são uma necessidade em executar o plano divino
para a salvação dos homens. Deus portanto tem feito. Ele é quem
estabelece a oração como uma ordenação e isso implica que os homens
devem orar. Portanto, esses homens de oração são uma necessidade no
mundo. O fato de que tão frequentemente Deus tem empregado homens
de oração para concluir Seus fins claramente prova a proposição. E é
completamente desnecessário nomear todas as instâncias onde Deus usou
as orações de homens justos para concluir Seus graciosos feitos. Tempo e
espaço são muito limitados para a lista. Ainda um ou dois casos podem ser
nomeados. No caso do bezerro de ouro, quando Deus propôs destruir os
Israelitas pelo fato de seu grande pecado de idolatria, no tempo quando
Moisés estava recebendo a lei às mãos de Deus, a própria existência de
Israel estava em perigo, pois Arão fora varrido pela forte maré popular de
descrença e pecado. Tudo parecia perdido além de Moisés e a oração, a
oração se tornou mais eficiente e milagrosa em nome de Israel do que a
varinha mágica de Arão. Deus estava determinado na destruição de Israel
e Arão. A raiva dele aumentou. Era uma hora crítica e temerosa. Mas a
oração era o dique ao qual retira a desoladora ira dos céus. As mãos de
Deus foram rápidas pela intercessão de Moisés, o poderoso intercessor.
Moisés estava determinado em libertar Israel. Fora com ele em um
longo e exaustivo esforço de orar por quarenta dias e quarenta noites.
Nem por um momento ele afrouxou seu apego em Deus. Nem por um
momento ele deixou seu lugar aos pés de Deus, nem por comida. Por
nenhum momento ele moderou suas demandas ou amenizou seu clamor.
A existência de Israel estava em jogo. A fúria do Deus todo poderoso deve
ser retida. Israel deve ser salvo de todos os perigos. E Israel estava salvo.
Moisés não deixaria Deus sozinho. E portanto, hoje, nós podemos olhar
para trás e dar o mérito da presente raça dos Judeus à oração de Moisés
séculos atrás.
A oração perseverante sempre vence; Deus cede à importunação e à
fidelidade. Ele não tem coração para dizer Não para o tamanho orar que
Moisés fez. Na verdade, o propósito de Deus para destruir Israel é mudado
pelo orar desse homem de Deus. Isso nada mais é do que uma ilustração
do quanto somente um orar vale nesse mundo e o quanto depende sobre
ele.
Quando Daniel, em Babilônia, recusou obedecer o decreto do rei de
não pedir qualquer petição de qualquer deus ou homem por trinta dias,
ele fechou seus olhos ao decreto ao qual o desligaria de sua sala de oração
e recusou ser dissuadido de solicitar a Deus perante o medo das
consequências. Então ele “ajoelhou -se sobre seus joelhos três vezes por
dia”, e orou como ele havia feito anteriormente, deixando tudo isso com
Deus quanto às consequências de deste modo desobedecer o rei.
Não havia nada impessoal sobre o orar de Daniel. A oração sempre
tinha um objetivo, e era um apelo a um grande Deus, que poderia fazer
todas as coisas. Não houve mimos de mim mesmo, nem procurou por
influências subjetivas ou reflexas. Diante do terrível decreto ao qual deve
preocupá-lo do lugar e pode, dentro do covil do leão, “ele ajoelhou sobre
seus joelhos três vezes por dia, e agradeceu a Deus como antigamente.” O
gracioso resultado foi que a oração impôs suas mãos sobre um poderoso
braço, que se interpôs naquele violento covil de cruéis leões, fecharam
suas bocas e perseveraram Seu servo Daniel, que tinha sido verdadeiro a
Ele e que havia clamado sobre Ele por proteção. O orar de Daniel foi um
fator essencial em derrotar o decreto do rei e em desconcertar os
perversos, governantes invejosos, que haviam feito a armadilha para
Daniel tendo em vista destruí-lo e removê-lo do lugar e poder do reino.
A NECESSIDADE DE DEUS DE HOMENS QUE ORAM
E. M. Bounds
“Nós fazemos o que Ele comanda. Nós vamos onde Ele quer que iremos,
Nós falamos o que Ele quer que nós falemos. Sua vontade é nossa lei. Seu
prazer, nossa alegria. Ele está, hoje procurando o perdido e Ele deseja que
busquemos com Ele. Ele está pastoreando os cordeiros e Ele quer nossa
cooperação. Ele está abrindo portas em terras pagãs e Ele quer nosso
dinheiro e nossas orações.”
Anon
Nós procedemos agora para declarar que isso demanda liderança de
oração para manter a Igreja no objetivo de Deus, e para prepará-los para o
uso de Deus. A liderança de oração preserva a espiritualidade da Igreja,
assim como a líderes sem oração faz por condições não espirituais. A Igreja
não é espiritualmente simples pelo mero fato de sua existência, nem por
sua vocação. Não é mantido a sua sagrada vocação pela geração, nem pela
sucessão. Como o novo nascimento, “os quais não nasceram por
descendência natural, nem pela vontade de carne nem pela vontade de
algum homem, mas nasceram de Deus.” (João 1:13)
A Igreja não é espiritualmente simples pelo fato de que se interessa
e lida em valores espirituais. Isso pode manter suas confirmações pelos
milhares, que pode multiplicar seus batismos, administrar seus
sacramentos inúmeras vezes e ainda estar tão longe de preencher sua
verdadeira missão quanto às condições humanas podem fazê-lo.
A atitude geral do mundo atual retira a oração para insignificância e
obscuridade. Por isso, a salvação e a vida eterna são colocadas em
segundo plano. Não pode ser também frequentemente afirmado,
portanto, que a primeira necessidade da Igreja não são homens de
dinheiro nem homens de cérebro, mas homens de oração. Líderes no
domínio de atividades religiosas estão para ser julgados por seus hábitos
de orar e não por seu dinheiro ou posição social. Aqueles que devem ser
colocados na vanguarda dos serviços da Igreja, devem ser, primeiramente,
homens que sabem como orar.
Deus não conduz Seu trabalho, unicamente, com homens de
educação ou de fortuna ou de capacidade empresarial. Nem pode Ele
continuar Seu ofício através de homens de largo intelecto ou de grande
cultura, nem ainda através de homens de grande eminência e influência
social. Todos estes podem ser considerados importantes, desde que não
sejam considerados como sendo primários. Estes homens, pelo simples
fato dessas qualidades e condições, não podem liderar no ofício de Deus
nem controlar Sua causa. Homens de oração, antes de qualquer coisa, são
indispensáveis para o adiantamento do reino de Deus na terra. Nenhuma
outra espécie irá se encaixar no plano ou fará o feito. Homens, ótimos e
influentes em outras coisas, porém pequenos em oração, não podem fazer
o trabalho que o Deus Todo-Poderoso tem estabelecido para Sua Igreja
fazer nesse, Seu mundo.
Homens que representam Deus e que permanecem aqui em Seu
lugar, homens que devem construir Seu reino neste mundo, devem ser em
um senso eminente, homens de oração. Qualquer outra coisa que eles
possam ter, o que mais eles podem faltar, eles devem ser homens de
oração. Tendo todo o resto e faltando oração, eles devem cair. Tendo
oração e faltando todo o resto, eles conseguem ter sucesso. A oração deve
ser a mais conspícua e o mais potente fator no caráter e conduta dos
homens que encarregam-se da missão divina. O serviço de Deus requer
homens que são versados no assunto de orar.
Isto deve ser mantido em mente que, a oração ao qual os discípulos
de Cristo são chamados pela autoridade e aplicação das Escrituras, é um
chamado valoroso, para homens varonis. Os homens que Deus deseja e
sobre o qual Ele depende, deve trabalhar em oração justamente como eles
trabalham a seus chamados mundanos. Eles devem seguir este assunto de
orar inteiramente, justamente como eles fazem com suas ocupações
seculares. Diligência, perseverança, cordialidade e coragem todos devem
estar nele para ter sucesso.
Tudo protegido pela promessa do Evangelho, definido por medidas
do Evangelho, é representado pelo tesouro do Evangelho e devem ser
encontrados na oração. Todas as alturas são escaladas por ele, todas
portas estão abertas a ele, todas as vitórias são ganhas através dele e toda
a graça destila por meio dele. O céu tem todo seu bem e toda sua ajuda
para os homens que oram.
Quão acentuado e forte é a injunção de Cristo ao qual envia homens
da parada da doação e da oração pública para a privacidade de seus
quartos de oração, onde com as portas fechadas, e com envolvente
silêncio eles estão sozinhos em oração com Deus!
Em todas eras, aqueles que têm realizado a divina vontade na terra,
têm sido homens de oração. Os dias de oração são dias felizes para Deus.
Seu coração, Seu juramento e Sua glória são empenhadas a uma emissão
— que todo joelho deveria reverência a Ele. O dia do Senhor, em um senso
proeminente, será um dia de oração universal.
A causa de Deus não sofre através da falta de capacidade divina,
mas por razão da falta de habilidade de orar no homem. A ação de Deus
está justamente tão ligado na oração a esse tempo, quanto era quando Ele
disse a Abimeleque, “Ele é profeta, e orará em seu favor, para que você
não morra” (Gênesis 20:7). Assim foi quando Deus disse aos amigos de
Jacó, “Meu servo Jó orará por vocês; eu aceitarei a oração dele” (Jó 42:8).
Os grandes planos de Deus para a redenção da humanidade é tão
ligada a oração por sua prosperidade e sucesso como quando o decreto,
criando o movimento fora emitido do Pai, tendo em sua frente o
imperativo, de condição universal e eterna, “Pede-me, e te darei as nações
como herança e os confins da terra como tua propriedade” (Salmos 2:8).
Em muitos lugares, um estado alarmante de coisas tem acontecido,
em que os poucos que estão inscritos em nossas igrejas não são homens
nem mulheres de oração. Muitos desses ocupando posições proeminentes
na vida da igreja, não são homens de oração. Isso é muito para ser temido
que bastante do trabalho da Igreja está sendo feito por aqueles que são
perfeitamente estranhos para o quarto de oração. Não é de admirar que o
trabalho não dê certo.
Enquanto pode ser verdade que muitos na Igreja dizem orações, é
semelhantemente verdade que suas orações são de ordem estereotipada.
Suas orações podem ser carregadas com sentimento, mas eles estão
domesticados, tímidos e sem ardor ou força. Até mesmo esse tipo de
oração é feito por alguns poucos homens dispersos para ser encontrado
nas reuniões das orações. Aqueles cujos nomes são encontrados grande
volume em nossas grandes assembleias da Igreja, não são homens
notados por seus hábitos de orar. Ainda a estrutura inteira do trabalho ao
qual eles estão engajados têm, forçosamente, que depender na
adequação da oração. Este fato é similar às crises que seriam criadas onde
um país teria que admitir na face de um inimigo invasor, que não pode
batalhar e não tem conhecimento das armas com as quais a guerra deve
ser travada.
Em todos os planos de Deus para a redenção humana, Ele propõe
que os homens orem. Os homens devem orar em todo lugar, na igreja, no
quarto de oração, em casa, nos dias sagrados e em dias seculares. Todas as
coisas e tudo são dependentes nas medidas do orar dos homens.
A oração é o gênio e a norteação da vida. Nós oramos enquanto nós
vivemos; nós vivemos enquanto nós oramos. A vida nunca será melhor do
que a qualidade do quarto de oração. O mercúrio da vida acenderá
somente pela vivacidade do quarto de oração. A falta de oração
persistente eventualmente irá deprimir a vida abaixo de zero.
Para medir e pesar as condições da oração é preciso descobrir o
porque homens não oram em grandes números. As condições são tão
perfeitas, tão abençoadas, que é um raro caráter que pode encontrá-los.
Um coração de todo amor, um coração que mantém até mesmo seus
inimigos em contemplação amorosa e devotado interesse, um coração do
qual toda a amargura, vingança e inveja estão purgadas — quão raro!
Ainda sim, essa é a única condição de mente e coração a qual um homem
pode imaginar comandar a eficácia da oração.
Há certas condições estabelecidas para orares autênticos. Homens
devem orar, “levantando mãos santas” (1 Timóteo 2:8); mãos aqui sendo o
símbolo da Vida. Mãos castas por manchas do fazer maligno são os
emblemas de uma vida límpida por pecado. Assim os homens devem
entrar na presença de Deus, assim devem eles aproximar o trono de sua
Majestade, onde eles conseguem “obter piedade e encontrar a graça para
ajudá-los em tempos de necessidade”. Aqui, portanto, está uma razão do
porque homens não oram. Eles são muito mundanos em seu coração e
muito seculares em vida para entrar no quarto de oração; e mesmo
embora eles entrem lá, eles não podem oferecer a “fervente, eficaz oração
do homem justo, cujo vale muito”.
Novamente, “mãos” são os símbolos de suplicação. Mãos
estendidas apoiam-se para um apelo de ajuda, e o silente ainda dá
eloquente atitude de uma alma desamparada apoiando-se diante de Deus,
suplicante por piedade e graça. “Mãos”, também, são símbolos de
atividade, poder e conduta. Mãos estendidas a Deus em oração devem ser
“mãos sagradas”, mãos sem manchas. A palavra “sagrado” aqui significa
não contaminado, impoluto, não manchado e religiosamente observando
toda obrigação. Quão distantemente remoto é tudo isso do caráter do
amante do pecado, mente mundana, homens com carnal disposição, sujos
por luxúrias carnais, manchado pela indulgência mundana, profano em
coração e conduta! “Ele que busca equidade deve fazer a equidade”, é a
máxima das cortes terrestres. Portanto, ele que busca os dons de Deus,
deve praticar os bons feitos de Deus. Este é o máximo das cortes celestiais.
A oração é sensitiva e sempre afetada pelo caráter e conduta
daquele que ora. Água não pode ascender acima de seu próprio nível e um
coração sem mácula não pode fluir de um coração desonrado. A oração
direta nunca nasce de uma conduta desonesta. Os homens, o que os
homens são, por trás de suas orações, que dá caráter às suas súplicas. O
coração covarde não pode fazer corajosa oração. Homens conspurcados
não podem fazer claras, puras súplicas.
Nem é nem palavras, nem pensamentos, nem ideias, nem
sentimentos, cujo forma a oração, mas caráter e conduta. Homens devem
andar em modo direito para ser apto para orar bem. O mal caráter e o
viver iníquo, desmancham a oração até ela se tornar uma mera palavra.
Orar toma seu tom e vigor da vida do homem ou da mulher o exercendo.
Quando o caráter e conduta estão em baixa, a oração pode quase que por
muito pouco viver, com muito menos prosperar.
O homem de oração, mesmo sendo leigo ou pregador, é o homem
de mão direita de Deus. No reino dos afazeres espirituais, ele cria
condições, inaugura movimentos, faz as coisas acontecerem.
Pelo fato e condição de suas criações e redenção, todos homens
estão sob obrigação de orar. Todo homem pode orar, e todo homem deve
orar. Mas quando é sobre os assuntos do Reino, deixe ser dito, de uma vez,
que um homem sem oração na Igreja de Deus é como um órgão paralisado
do corpo físico. Ele está fora de lugar na comunhão de santos, fora da
harmonia com Deus, e fora de acordo com Seus propósitos para a
humanidade. Um homem sem oração prejudica o vigor e a vida de todo o
sistema como um soldado desmoralizado em uma ameaça à força da qual
ele faz parte, no dia da batalha. A ausência da oração diminui todas as
forças vitais da alma, aleija a fé, põe de lado uma vida santa, impede a
entrada no céu. Entre santos de oração e homens que não oram, na
Sagrada Escritura, a linha é nitidamente desenhada. De Fletcher de
Madeley — um dos santos de oração — é escrito que:
“Ele de longe era mais abundante em seus trabalhos públicos do que
a grande parte de seus companheiros no sagrado ministério. No entanto,
isso tinha pouca proporção com os exercícios internos da oração e súplica
a qual ele estava inteiramente rendido em particular, cujo era quase
ininterruptamente preservado de hora para hora. Ele viveu no espírito da
oração, qualquer ocupação ao qual ele estava engajado, o espírito da
oração estava constantemente manifestado através de todos eles.”
“Sem isso, ele não formou nenhum desígnio, nem entrou sobre
qualquer dever. Sem isso, ele nem lia ou conversava. Sem isso, ele nem
visitava nem recebia um visitante. Houve temporadas de súplicas ao qual
ele parece ter executado muito além dos ordinários limites da devoção,
quando, como seu Senhor sobre a Montanha da Transfiguração, enquanto
ele continuava a derramar sua poderosa oração, o modo de seu semblante
havia sido mudado e seu rosto tinha parecido como o rosto de um anjo.”
Ó Deus, acendeu mais homens de oração como John Fletcher! Como
de fato nós precisamos, neste nosso dia, homens através dos quais Deus
pode trabalhar!
HOMENS DE ORAÇÃO INSÓLITOS
E. M. Bounds
“Nosso Redentor estava no Jardim de Getsêmani. Sua hora havia chegado.
Ele sentiu como se de alguma forma seria fortalecido, se tivesse dois ou
três discípulos próximos a Ele. Seus três discípulos escolhidos estavam
muito próximos da cena de sua agonia; mas todos estavam adormecidos
para que as Escrituras pudessem ser completadas — “Sozinho pisei uvas do
lagar; das nações ninguém esteve comigo” Os oito, à distância, eram bons
e verdadeiros discípulos; mas eram apenas homens comuns ou homens
com um chamado comum.”
Alexander Whyte
Nenhuma insistência na Bíblia é mais urgente do que a injunção que
jaz sobre os homens para orar. Nenhuma exortação contida ali é mais
amável, mais solene e mais ativa. Nenhum princípio é mais fortemente
inculcado do que o de que “eles deviam orar sempre e nunca desanimar.”
Tendo em vista essa ordem, é pertinente inquirir se o povo cristão são
homens e mulheres de oração que o fazem em massa? A oração é um
curso fixo nas escolas da igreja? Na escola dominical, em casa, nas
universidades, nós temos alguma graduação na escola da oração? A igreja
está produzindo aqueles que têm diplomas da grande universidade da
oração? Isto é o que Deus requer, o que Ele ordena e são aqueles que
possuem tais qualificações que Ele deve tomar e para conquistar seus
propósitos e carregar a obra de Seu Reino na Terra.
É em uma oração fervorosa que precisa ser feita. A oração lânguida,
sem coração ou força. Nem fogo ou tenacidade, derrota seu próprio
propósito. O profeta dos tempos antigos lamenta que em um dia no qual
era preciso uma oração firme não havia ninguém que “se anime a
apegar-se a ti” Cristo nos desafia a “não desanimar” em nossa oração.
Frouxidão e indiferença são grandes obstáculos para a oração, ambos para
a prática de orar e para o processo de receber; é preciso um espírito
valente, forte, corajoso e insistente para se comprometer em uma oração
de sucesso. Difusão também interfere com a efetividade. Muitas petições
quebram a tensão e união e geram a negligência. As orações devem ser
específicas e urgentes. Palavras demais, assim como muita vastidão, geram
baixios e bancos de areia. Um único objetivo o qual absorve todo o ser e
inflama o homem por completo, é propriamente a fonte de força na
oração.
É fácil ver como a oração foi um fator decretado nas dispensações
precedentes à vinda de Jesus Cristo e como seus líderes tiveram que ser
homens de oração, como a mais poderosa revelação de Deus de si mesmo
foi uma feita através da oração. E finalmente, como Jesus Cristo, em seu
ministério pessoal e em sua relação com Deus, foi grande e constante em
oração. Suas labutas e dispensações fluíam completamente em proporção
às suas orações. As possibilidades de sua oração eram ilimitadas e as
possibilidades de seu ministério também eram assim. A necessidade de
sua oração era igualada apenas pela constância com a qual ele a praticava
durante seus primeiros dias.
A dispensação do Espírito Santo é a da oração, em um primeiro
sentido. Aqui a oração tem uma relação essencial e vital. Sem depreciar as
possibilidades e necessidades da oração em todas as dispensações
precedentes de Deus no mundo, deve ser declarado que é nessa última
dispensação que os comprometimentos e demandas da oração são dados
em sua maior autoridade, suas possibilidades se tornam ilimitadas e sua
necessidade insuperável.
Os dias de hoje têm uma amarga necessidade de uma geração de
homens de oração, um grupo de homens e mulheres através dos quais
Deus possa trazer seus grandes movimentos mais completamente para o
mundo. Ο Senhor nosso Deus não se limita a si mesmo, mas Ele é limitado
por nós, pela razão de nossa pequena fé e fraca oração. É extremamente
necessário um tipo de cristãos que irão buscar incansavelmente por Deus
— que não irão lhe dar descanso, dia e noite, até que Ele escute suas
lamúrias. Os tempos pedem por homens de oração que são totalmente
sedentos pela glória de Deus, que são vastos e altruístas em seus desejos,
inextinguíveis para Deus, que o buscam cedo e tarde e que não irão
descansar até que toda a Terra seja preenchida com sua glória.
Precisam-se de homens e mulheres cujo as orações irão dar ao
mundo o máximo do poder de Deus; que irão fazer suas promessas
florescerem em ricos e completos resultados. Deus está esperando para
nos escutar e nos desafia a movê-lo a fazer essas coisas pelas nossas
orações. Ele está nos pedindo, hoje, como Ele fez em sua antiga Israel,
“Ponham-me à prova.” Por trás da Palavra de Deus está o próprio Deus, e
nós lemos: “Assim diz o Senhor, o Santo de Israel, o seu Criador: A respeito
de coisas vindouras, você me pergunta sobre meus filhos, ou me dá ordens
sobre o trabalho de minhas mãos?” Como se Deus se colocasse nas mãos
e à disposição de seu povo que ora — como Ele de fato faz.
O elemento dominante de toda oração é a fé, que é conspícua,
cardeal e enfática. Sem tal fé é impossível agradar a Deus e igualmente
impossível orar.
Há uma concepção atual dos deveres espirituais os quais tendem a
separar o púlpito e o banco, como se o púlpito carregasse todo o fardo das
preocupações espirituais e enquanto o banco estivesse preocupado
apenas com deveres relacionados à esfera mais baixa dos seculares e
mundanos. Tal visão precisa de uma drástica correção. A causa de Deus,
suas obrigações, esforços e sucessos, jazem com igual urgência no púlpito
e no banco.
Mas o homem no banco não é rotulado com o peso da oração como
deveria, e ele deve ser, antes que qualquer nova visitação de poder chegue
à igreja. A igreja nunca será completa para Deus até que os bancos forem
preenchidos com homens de oração. A igreja não pode ser o que Deus
quer que seja até que esses membros que são líderes em negócios,
política, lei e sociedade, se tornem líderes em oração.
Deus começa seus primeiros movimentos no mundo com os
homens de oração. Ele escolhe tais homens para serem pais de uma raça
que se torna seu povo escolhido no mundo por centenas de anos, para os
quais Ele comprometeu seus oráculos e pelos quais brotou o Messias
Prometido. Abraão, um líder da causa de Deus, foi preeminentemente um
homem de oração. Quando nós consideramos sua conduta e caráter,
vemos prontamente como a oração governava e influenciava esse grande
líder do povo de Deus no deserto. “Abraão, por sua vez, plantou uma
tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do Senhor, o Deus Eterno,” e
é um fato excepcional que onde quer que ele armava sua tenda e
acampava por um tempo, com sua família, ali ele erguia o altar de
sacrifício e oração. Sua religião era pessoal e familiar, na qual a oração era
um fator proeminente e permanente.
A oração é o meio da revelação. É através da oração que Deus se
revela para a alma espiritual nos dias de hoje, assim como nos tempos do
Velho Testamento, Ele fazia suas revelações aos homens que oravam. Deus
se mostra ao homem que ora. “Deus está contigo em tudo o que fazes.”
Essa convicção era clara para aqueles que iriam de bom grado formar uma
aliança com Abraão e o motivo desse tributo era a crença comumente
acerca do patriarca que, ele não era apenas um homem de oração, mas
também um homem cujo as orações são respondidas por Deus. Esse é o
resumo e o segredo da regra divina na igreja. Em todas as eras Deus
comandou a igreja através de homens de oração. Quando a oração falha, a
liderança divina também. Como nós vimos, Abraão, o pai da lealdade, era
um príncipe e um sacerdote em oração. Sua misericórdia é suspensa e
condicionada pelas orações de Abraão. Suas visitas de ira são removidas
pela oração desse líder em Israel. Os movimentos de Deus são
influenciados pelas orações de Abraão, o amigo Dele. A devoção justa de
Abraão o permitiu compartilhar os segredos dos conselhos de Deus,
enquanto o conhecimento desses segredos aumenta e intensifica sua
oração. Com Abraão, o altar de sacrifício é firme pelo altar da oração. Com
ele o altar da oração santifica o do sacrifício.
Deus disse a Abimeleque, “Ele é profeta, e orará em seu favor, para
que você não morra.”
O povo cristão deve orar pelos homens. Em certa ocasião, Samuel
disse para o povo, “E longe de mim esteja pecar contra o Senhor, deixando
de orar por vocês” Sorte dessas pessoas que tinham rejeitado Deus e
desejado um rei humano, que tiveram em Israel um homem de oração.
A maneira real de aumentar a graça pessoal é orar pelos outros.
Oração intercessora é um meio à graça para aqueles que a exercem.
Entramos nos campos mais ricos do crescimento espiritual e agarramos
suas riquezas inestimáveis nas avenidas da oração intercessora. Orar pelos
homens é algo de nominação divina e representa a mais elevada forma de
serviço cristão.
Os homens devem orar e devem receber orações. Os cristãos devem
orar por todas as coisas, é claro, mas as orações pela humanidade são
infinitamente mais importantes, assim como os humanos são
infinitamente mais importantes do que as coisas.
Então as orações pelos homens também são muito mais
importantes do que orações por coisas, pois homens estão muito mais
profundamente relacionados à vontade de Deus e na obra de Jesus Cristo
do que coisas. Devemos cuidar, simpatizar e orar pela humanidade, pois a
simpatia, piedade, compaixão e cuidado acompanham e precedem a
oração pelos homens, quando eles não são dominados pelas coisas.
Tudo isso torna a oração um assunto real, não uma brincadeira
infantil, não um afazer secundário, nem um caso trivial, mas um assunto
sério. Os homens que fizeram sucesso a partir da oração, fizeram da
oração o seu negócio. É um processo que demanda tempo, reflexão,
energia e coração da raça humana. A oração é um dever que precisa de
tempo, um dever para a eternidade. É o dever de um homem orar,
transcendendo todos os outros negócios e tomando precedência sobre
todas as outras vocações, profissões e ocupações. Nossas orações
abrangem nós mesmos, todos os homens, seus maiores interesses, mesmo
a salvação de suas almas imortais. A oração é um negócio o qual toma
posse da eternidade e das coisas além do túmulo. É um negócio o qual
envolve os céus e a Terra. Todos os mundos são tocados e influenciados
pela oração. Tem relação com Deus e os homens, anjos e demônios.
Jesus foi preeminentemente um líder em oração e sua oração era
um incentivo a esse hábito. Quão proeminentemente a oração estava em
sua vida! Os eventos principais de sua trajetória terrena são distintamente
destacados pela oração. A maravilhosa experiência e glória da
transfiguração foi precedida pela oração e foi o resultado da oração de
nosso Senhor. Que palavras ele usou quando orou, nós não sabemos, nem
saberemos pelo que ele orou. Mas sem dúvida era noite e por muito
tempo o Mestre orou. Foi enquanto Ele orava que a escuridão fugiu e sua
forma estava acesa com esplendor sobrenatural.
Moisés e Elias vieram lhe entregar não somente a vitória da lei e
profecia, mas também a vitória da oração. Nenhum outro orava como
Jesus nem tinha alguma manifestação gloriosa da presença divina ou havia
escutado tão claramente a voz reveladora do Pai, “Este é o meu Filho, o
Escolhido; ouçam a ele.”
Felizes eram os discípulos por estarem com Cristo na escola da
oração!
Quantos de nós falharam em chegar a esse glorioso Monte da
Transfiguração pois não estávamos familiarizados com o poder
transfigurador da oração! É o se afastar para orar, as longas, intensas,
sessões de oração, nas quais nosso compromisso faz nossos rostos
brilharem, nossos caráteres serem transfigurados, que faz até mesmo as
opacas vestes terrenas cintilarem com esplendor celestial. Mas mais do
que isso: é a oração real a qual torna as coisas eternas reais, próximas e
tangíveis e a qual traz visitantes glorificados e visões celestiais. Vidas
transfiguradas não seriam tão raras se houvesse mais orações
transfiguradas. Essas visitas celestiais não seriam tão poucas se houvesse
orações transfiguradas.
Quão difícil aparenta ser para a igreja entender que todo o esquema
da redenção depende de homens de oração! A obra do nosso Senhor,
enquanto aqui na Terra, assim como foi a do Apóstolo Paulo era, através
do ensinamento e dos exemplos, desenvolver homens de oração, para os
quais o futuro da igreja seria incumbido. Quão estranho é que ao invés de
aprender essa simples e importante lição, a igreja moderna a ignorou
grandemente! Nós temos a necessidade de nos voltar novamente para
aquele maravilhoso Líder espiritual de Israel, nosso Senhor Jesus Cristo,
que por exemplo e preceito ordena que oremos e para o grande Apóstolo
dos Gentios, que pela virtude de seus hábitos de oração e lições de oração
é um modelo e um exemplo do povo de Deus em todas as eras e ocasiões.
EXEMPLOS MODERNOS DE ORAÇÃO
E. M. Bounds
Quando uma libélula despedaça a sua casca e se apruma em uma pétala
de safira, tem-se uma peregrinação de um ou dois dias de sol sobre os
campos e pastos úmidos de orvalho, e nesni assim nada pode exceder a
maravilhosa beleza que a adorna. Nenhuma flor na terra tem um azul mais
rico do que a pura cor da sua couraça. O mesmo ocorre nas altas esferas
espirituais. A mais completa amabilidade espiritual pode ser obtida no
mais curto espaço de tempo, e a adolescência pode morrer com cem anos
de idade, em caráter e em graça.
História de David Brainerd
Deus não se limitou aos dias bíblicos para mostrar o que pode ser
feito através da oração. Nos dias de hoje, ademais, ele parece ser o
mesmo Deus de antes, que ouve as súplicas. Mesmo nesses últimos
tempos, ele não deixou a Si Mesmo sem testemunhas. A biografia da
religião e a história da Igreja, da mesma forma, nos abastecem de muitos
nobres exemplos e fantásticas ilustrações da oração, da sua necessidade,
do seu valor e dos seus frutos, tudo com a intenção de incentivar a fé dos
anjos de Deus e lhes mostrar a urgência de orar mais e melhor. Deus não
se limitou aos tempos do Velho e do Novo Testamento para utilizar os
homens de oração como agentes de aparelhamento da Sua causa na Terra,
e ele Se colocou sob a obrigação de responder às suas preces da mesma
forma como ele fazia com os santos de antigamente. Uma seleção das
orações desses santos de oração da contemporaneidade nos mostrará o
quanto eles valorizavam a oração, o que ela significava para eles e o que
significa para Deus.
Tomem como exemplo o caso de Samuel Rutherford, pregador
escocês, exilado no norte da Escócia, proibido de pregar, banido da sua
casa e da sua pastoral. Rutherford viveu entre 1600 e 1661. Ele era um
membro da Assembleia de Westminster, Diretor da New College e reitor
da Universidade de St. Andrew. Dizem que ele foi um dos mais articulados
e fervorosos pregadores do seu tempo, ou, talvez, de qualquer era da
Igreja. Os homens falavam que “ele estava sempre pregando” e, a respeito
das preces suas e de sua esposa, outro escreveu “aquele que o ouvisse
orar ou falar, lamentaria sua ignorância. Oh, quantas vezes, os observando,
eu fui convencido dos males da falta de sinceridade diante de Deus e da
mornidão do discurso! Ele orava tanto pelo seu povo que chegava a dizer
‘aqui, eu lutei junto com o Anjo e fui vitorioso’”.
Ele foi intimado para comparecer diante do Parlamento para
responder a uma acusação de alta traição, embora fosse um homem de
muito conhecimento acadêmico e gênio raro. Em alguns momentos, ele
ficou deprimido e melancólico; esse foi especialmente o caso de quando
ele foi, pela primeira vez, banido e impedido de pregar, pois haviam muitos
murmúrios e acusações diante dele. Porém, suas perdas e cruzes eram tão
santos que o Cristo foi se tornando mais e mais para ele. Maravilhosas são
as declarações da sua estima pelo Cristo. Esse devotado homem de oração
escreveu durante o seu exílio muitas cartas aos pregadores, aos oficiais do
estado, aos senhores temporários e espirituais, aos santos e honrados
homens, às santas e honradas mulheres, todas transpirando uma intensa
devoção ao Cristo, nascidas de uma vida de grande devoção à prece.
O ardor e o anseio por Deus têm sido características das grandes
almas em todas as eras da Igreja, e Samuel Rutherford era um grandioso
exemplo disso. Ele era um exemplo vivo da verdade de que aquele que
sempre ora será envolto de devoção e unido ao Cristo nas amarras da
santa união.
Então, havia Henry Martin, estudioso, santo, missionário e apóstolo
na Índia. Martin nasceu no dia 18 de fevereiro de 1781 e embarcou para a
Índia em 31 de agosto de 1805. Ele morreu em Tokal, na Pérsia, em 16 de
outubro de 1812. Eis aqui uma parte do que ele disse de si mesmo
enquanto missionário:
“Quanto conhecimento dos homens e quanta afinidade com as Escrituras,
e que comunhão com Deus e estudo de meu próprio coração devem me
preparar para o terrível trabalho de ser um mensageiro de Deus nos
assuntos da alma”
Disse um dos seus missionários:
“Oh, poder igualá-lo nas suas excelências, na sua elevada piedade, na sua
diligência, na sua superioridade em relação ao mundo, no seu amor pelas
almas, no seu anseio para melhorar em todas as oportunidades de fazer
bem às almas, no seu ingresso no mistério do Cristo, e no seu
temperamento celestial! Esses os segredos da maravilhosa impressão que
ele deixou na Índia.”
É interessante e proveitoso destacar algumas das coisas que Martin
anotava em seu diário. Segue um exemplo:
“Os caminhos da sabedoria parecem mais doces e razoáveis do que
nunca”, diz ele “e o mundo, mais insípido e irritado. A coisa de que mais me
lamento é minha falta de poder e a minha falta de fervor é na oração em
segredo, especialmente quanto tento rogar pelos pagãos. O ardor não
cresce dentro de mim na mesma proporção de minha luz.”
Se Henry Martin, tão devotado, fervoroso e dedicado à prece,
lamentava sua falta de poder e de fervor nas orações, nossas frias e
enfraquecidas preces poderiam nos reduzir a pó. Aliás, quão raros são tais
homens de oração na Igreja dos nossos dias!
Novamente destacamos uma anotação do seu diário. Ele esteve
doente, mas havia se recuperado e estava cheio de gratidão porque fora a
vontade de Deus restabelecer-lhe a saúde e a vida:
“Não que eu tenha recuperado minha saúde anterior”, diz ele, “mas eu me
considero suficientemente restabelecido para prosseguir minha jornada.
Minha oração diária é para que o meu recente aborrecimento tenha
atingido o seu intuito e tenha me feito, pelo resto dos meus dias, mais
humilde e menos autoconfiante. A autoconfiança muitas vezes me fez
decair por caminhos terríveis e, sem a graciosa interferência de Deus, se
provaria ser minha eterna perdição. Eu pareço ter sido feito de modo a
sentir esse mal em meu coração mais do que qualquer outro nesse
momento. Na oração, ou quando falo e escrevo sobre o assunto, o Cristo
parece ser minha vida e minha força; mas, em outros momentos, sou
inconsequente e orgulhoso, como se eu tivesse vida e força por conta
própria. Tais negligências de nossa parte são uma redução de nossas
alegrias.”
Dentre as últimas partes do seu consagrado diário missionário
encontramos o seguinte:
“Eu me sento no pomar e penso, com doce paz e conforto, em meu Deus,
em minha solidão, no meu Companheiro, meu Amigo, meu Consolador. Oh,
que o tempo dê lugar à eternidade!”
Note as palavras “minha solidão” — longe dos antros ocupados dos
homens, a um lugar solitário, como seu Senhor, ele foi para meditar e orar.
Por mais que esse sumário seja breve, é suficiente para mostrar
quão completa e fielmente Henry Martin exerceu seu ministério de
oração. O trecho seguinte bem serve para concluirmos nosso retrato dele:
“Através da leitura diária das Escrituras, com a oração, ele foi se tornando
mais e mais maduro em seu ministério. A prece e as Santas Escrituras eram
as rodas da salvação com que ele trazia a vívida água do seu espírito
sedento e imortal.
Pode-se dizer verdadeiramente que ele sempre orava rogando em com
súplicas, no Espírito, com toda a perseverança, ao que pude observar.”
Davi Brainerd, missionário indígena, é um notável exemplo de um
homem de oração e de Deus. Robert Hale fala sobre ele:
“Imbatíveis paciência e negação de si mesmo; uma profunda humildade,
extrema prudência, infatigável diligência; tamanha devoção a Deus, ou
tamanha absorção de toda a alma no zelo pela glória divina e pela
salvação dos homens, dificilmente pode ser encontrada igual desde a era
dos Apóstolos. Tamanho era o intenso ardor da sua mente que ele parecia
ter difundido o espírito do mártir sobre todos os incidentes ordinários de
sua vida.”
O doutor A. J. Gordon fala de Brainerd:
“Ao passar pela Normandia, em Massachussets, eu fui até o velho
cemitério, tirei a neve que estava sobre o topo de uma lápide e li essas
simples palavras:
'À sagrada memória de David Brainerd, o fiel e devotado missionário de
Susquehanna, Delaware e Stockbridge Indians da América, que morreu
nesta cidade, no dia 8 de outubro de 1717.'
Isso era tudo o que havia na lápide. Aquele grande homem fez seu
grandioso trabalho através da oração. Ele esteve sozinho nas profundezas
das florestas, incapaz de falar a linguagem dos índios, mas passou
literalmente dias inteiros em oração. Pelo que ele orava? Ele sabia que não
podia alcançar aqueles selvagens, pois não compreendia a sua língua. Se
ele quisesse falar alguma coisa, teria primeiro que encontrar alguém que
pudesse vagamente interpretar suas ideias. Então, ele sabia que qualquer
coisa que ele pudesse fazer teria que depender absolutamente de Deus.
Então, ele passou dias inteiros em oração, simplesmente para que o Poder
do Espírito Santo pudesse vir sobre ele, de modo que, sem dúvidas, aquelas
pessoas não poderiam ficar diante dele.
Qual foi a sua resposta? Uma vez ele pregou por meio de um intérprete
bêbado, um homem tão intoxicado que sequer podia parar em pé. Esse era
o melhor que ele podia fazer. Mesmo assim, grupos de pessoas foram
convertidos através daquele sermão. Podemos atribuir isso apenas ao
tremendo poder de Deus que lhe dava suporte.
Agora, esse homem pregava em segredo na floresta. Um pouco depois
disso, William Carey leu sobre sua vida, e nesse impulso foi para a Índia.
Payson leu-o quando era um jovem rapaz, em torno dos vinte anos, e disse
que nunca ficou tão impressionado com qualquer outra coisa na vida
quanto com a história de Brainerd. Murray McCheyne a leu, e do mesmo
modo ficou impressionado com ela.
Mas tudo com que me importo é simplesmente reforçar esse pensamento
de que, a vida em segredo, uma vida cujos dias são passados em
comunhão com Deus, na busca de tentar alcançar a fonte do poder, é a
vida que move o mundo. Os que vivem tais existências podem logo ser
esquecidos. Pode ser que ninguém lhes faça um elogio quando eles
morrerem. O grande mundo pode não os perceber. Mas aos poucos, o
grande fluxo movido por suas vidas começará a contar; como no caso
desse jovem rapaz, que morreu por volta dos trinta anos de idade. O
espírito missionário do século dezenove se deve mais às orações e à
consagração desse jovem rapaz do que a qualquer outro.
Por isso digo. E que memorável é Jonathan Edwards, que cuidou dele ao
longo dos meses nos quais ele vagarosamente morria de tuberculose,
pudesse também dizer: ‘Eu louvo a Deus por estar na Sua Providência que
ele morresse em minha casa, para que eu pudesse ouvir as suas preces e
testemunhar a sua consagração, e que eu possa ser inspirado pelo seu
exemplo’.
Quando Jonathan Edwards escreveu aquele grande apelo para que a
cristandade se unisse em preces pela conversão do mundo, o que seria o
chamado do trompete das missões modernas, sem dúvidas ele estava
sendo inspirado por esse missionário moribundo.”
A respeito do espírito de David Brainerd, John Wesley deixou seu
testemunho:
“Eu preguei e depois fiz uma arrecadação para as escolas indígenas na
América. Uma grande quantidade de dinheiro foi coletada. Mas o dinheiro
converterá pagãos? Encontrem pregadores como David Brainerd, e nada
poderá permanecer diante deles. Porém, sem isso, o ouro e a prata podem
fazer? Nada mais do que chumbo e ferro.”
Alguns extratos do diário de Brainerd são importantes para mostrar
que tipo de homem ele era:
“Minha alma sentiu uma agradável porém dolorosa preocupação”, escreve
ele, “de que eu não passe mais momentos sem Deus. Oh, que eu possa
sempre viver para Deus! No final da tarde eu fui visitado por alguns
amigos, e passei esse momento em oração, de modo que a conversa
pendeu para a edificação. Foi um momento confortável para minha alma.
Eu senti um ardente desejo de passar cada momento com Deus. Deus é
inexpressivamente gracioso comigo de forma contínua. No passado, ele me
deu inexprimível doçura por meio da performance do dever.
Frequentemente, minha alma tem se alegrado muito com Deus, mas tem
estado pronta a dizer ‘Senhor, é bom estar aqui’, e se entregar à preguiça
enquanto vivo a doçura de meus sentimentos. Mas ultimamente Deus tem
se contentado em manter minha alma faminta quase que continuamente,
de modo que tenho sido preenchido de uma agradável dor. Quando eu
realmente me alegro com Deus, sinto o meu desejo por Ele mais insaciável,
e minha sede por santidade fica mais inextinguível.
Oh, que eu possa sentir essa contínua fome, e não ser impedido, mas sim
animado, pelos grãos de areia do Canaã, a prosseguir pelo caminho
estreito, para o desfrute e a posse completos da herança dos céus! Oh, que
eu nunca perca tempo em minha jornada celestial!
Parece que um miserável profano como eu nunca poderia chegar a essa
bem-aventurança, de ser tão santo quanto Deus é santo. À luz do meio-dia
eu ansiava pela santificação e pela conformidade com Deus. Oh, essa é a
única questão, é tudo!
Próximo da noite, eu desfrutei de tanta doçura na oração em segredo, que
minha alma ansiou pela chegada ao mundo dos céus, o abençoado paraíso
de Deus.”
Se uma pergunta pudesse ser feita sobre o segredo do espírito
celestial de David Brainerd, sua profunda consagração e exaltado estado
espiritual, a resposta seria encontrada na última frase acima destacada.
Ele muito se entregava à “oração em segredo”, e era tão próximo de Deus
na sua vida e no seu espírito que a oração trouxe ainda mais doçura à sua
alma interior.
Nós citamos os casos acima como ilustrações do grande e
fundamental fato de que os grandes servos de Deus eram homens
devotados ao ministério da oração, que eles eram agentes de Deus na
Terra, que O servem daquele modo, e que levam adiante o Seu trabalho
por meios santos.
Louis Harms nasceu em Hanover, em 1809 e então chegou um
momento no qual ele estava poderosamente convicto do pecado. Ele disse
“Eu nunca soube o que é medo. Mas quando eu reconheci os meus
pecados, estremeci diante da ira de Deus, de modo que meus ombros
tremeram”. Ele foi poderosamente convertido a Deus através da leitura da
Bíblia. O racionalismo, a ortodoxia morta e o interesse pelos assuntos
mundanos tomavam conta de multidões ao redor Hermansburgh, sua
cidade natal. Ele se tornou o sucessor de seu pai, um ministro luterano,
depois que ele morreu.
Ele começou, com toda a energia da sua alma, a trabalhar para
Cristo, e a desenvolver uma igreja de tipo puro e forte. Os frutos logo se
tornaram evidentes. Havia um avivamento em cada mão, a frequência nos
serviços públicos aumentou, a reverência pela Bíblia cresceu, a
conversação sobre coisas sagradas reviveu, a passo que a infidelidade, o
interesse pelo mundano e a ortodoxia morta desapareceram como uma
nuvem que passou. Harms proclamou um Cristo consciente e constante, o
Consolador, na plena energia da Sua missão, o avivamento do poder e da
piedade apostólica. Toda a vizinhança passou a ir regularmente à igreja, o
sábado foi restaurado à santidade e era guardado com estrita devoção,
altares familiares foram erguidos nas casas e, quando o sino do meio-dia
tocava, cada cabeça se curvava em oração. Em um curto período de
tempo, todo o aspecto da cidade estava mudado. O reavivamento em
Hermansburgh foi essencialmente um reavivamento da oração, feito em
torno da prece e dos produtivos frutos de uma rica e abundante colheita.
William Carvosso, um líder metodista dos velhos tempos, foi um dos
melhores exemplos de que os tempos modernos proporcionaram do que
provavelmente foi a vida religiosa dos Cristãos na era apostólica. Ele era
um líder de orações, um líder de classe, um administrador e curador, mas
nunca aspirou pregar. Contudo, ele foi um pregador de primeira qualidade,
e um mestre na arte e na ciência de salvar almas. Ele era um singular
exemplo de um homem que aprendeu os mais simples rudimentos tarde
na vida. Ele estava próximo dos sessenta e cinco anos e nunca havia escrito
uma frase sequer, mesmo assim, escreveu cartas que poderiam formar
livros, e uma obra que é reconhecida como um clássico espiritual na
grandiosa e mundial Igreja Metodista.
Acredita-se que nem uma página ou letra tenha sido escrita por ele
sobre qualquer outro assunto que não a religião. Aqui estão alguns dos
seus breves clamores, que nos dão uma ideia do seu caráter religioso: “Eu
quero ser mais como Jesus”, “Minha alma tem sede de Ti, Senhor”, “Não
me vejo fazendo nada, Oh Deus, além de estar continuamente preenchido
da Tua presença e glória”.
Esse era o constante clamor da sua alma, e esse era o forte impulso
interior que movimentava o homem exterior. Certa vez o ouvimos
exclamar: “Glória a Deus! É uma manhã sem nenhuma nuvem no céu”
Dias sem nuvens eram naturais em sua religião ensolarada e no seu
espírito alegre. A contínua oração e o ato de virar toda conversação para o
Cristo com toda companhia e em cada lar era a inexorável lei que ele
seguia, até que voltasse ao lar espiritual.
No aniversário do seu nascimento espiritual, quando ele nasceu de
novo, com grande alegria de espírito ele trazia à mente e declarava:
“Abençoado seja o Teu nome, oh Deus! O último tem sido o melhor de
todos. Eu posso dizer, junto de Bunyan, ‘eu cheguei nesta terra onde o sol
brilha noite e dia’. Eu agradeço a Ti, oh meu Deus, por este céu, por este
elemento de amor e alegria no qual minha alma agora vive”.
Aqui há um exemplo das vivências espirituais de Carvosso —que são
muitas:
“Algumas vezes tive momentos de memorável visitação da presença do
Senhor”, ele diz. “Eu me lembro bem de uma noite em que, na cama, eu
me sentia tão cheio, tão tomado pela glória de Deus que, mesmo que mil
raios de sol brilhassem ao meio-dia, o brilho dessa glória divina teria os
eclipsado por completo. Eu fui compelido a gritar de alegria. Era o poder
dominante de graça salvadora. Foi quando eu novamente recebi a
chancela e a seriedade do Espírito em meu coração. Vendo a glória do
Senhor como se estivesse em um copo, eu fui transformado na mesma
imagem da glória pela glória através do Espírito do Senhor. A linguagem
falha em fazer uma justa descrição do que eu ali vivenciei. Eu nunca
poderei esquecer desse momento, nem em toda a eternidade.
Há muitos anos, eu fui selado pelo Espírito de uma forma similar. Outro
dia, enquanto caminhava, fui arrastado a me desviar da rua e, diante da
abóbada celeste, fui compelido a ficar de joelhos e orar. Eu não estava
orando com Deus antes de ser por ele visitado de forma a ser subjugado
pela glória divina, e eu gritei até ser ouvido em uma longa distância. Havia
um peso da glória que eu parecia ser incapaz de suportar em meu corpo, e,
diante disso, eu gritei, talvez imprudentemente, Senhor, estende a Tua
mão. Nesse glorioso batismo essas palavras vieram ao meu coração com
indescritível poder: 'eu estou selado Contigo até o dia da redenção'.
Oh, eu anseio ser mais preenchido de Deus! Senhor, encoraja-me com mais
seriedade. Eu quero ser mais como Jesus. Eu não vejo nada que eu vá fazer
além de ser continuamente preenchido com a divina presença e glória. Eu
sei que tudo o que tens é meu, mas eu quero sentir uma íntima união.
Senhor, aumenta a minha fé.”
Esse era William Carvosso — um homem cuja vida foi impregnada
do espírito de oração, que viveu de joelhos, para falar, e que pertencia
àquele grupo de santos de oração que abençoaram a Terra.
Jonathan Edwards deve ser situado dentre os santos que oram
—como um que Deus poderosamente utilizou como instrumento de
oração. Assim como na instância da Nova Inglaterra, a pureza de coração
deveria estar enraizada na fundação de áreas em que cada homem é um
verdadeiro líder para seus companheiros, um ministro do Evangelho do
Cristo e um constante aprendiz no santo ofício da oração. Uma amostra
dos clamores desse elevado homem de Deus é aqui dada na forma de uma
resolução feita por ele, que depois foi escrita:
“Estou resoluto”, diz ele, “a me exercitar em tudo isso durante toda a
minha vida, a saber, com a maior sinceridade declarar os meus caminhos a
Deus, e repousar abertamente meu espírito n'Ele, todos os meus pecados,
tentações, dificuldades, dores, medos, esperanças, desejos, tudo e toda
circunstância.”
Não nos surpreende, com isso, que o resultado de uma oração tão
fervorosa e honesta era levá-lo a escrever o seguinte em seu diário:
“É a minha contínua disputa, noite e dia, e minhas constantes perguntas de
como eu poderia ser mais santo e viver de forma mais santa. O céu que eu
desejei é um céu de santidade. Eu prossegui com a minha ávida busca por
mais santidade e mais conformidade ao Cristo.”
O caráter e o trabalho de Jonathan Edwards eram exemplos da
grande verdade segundo a qual o ministério de oração é um caminho
eficiente em cada vida e trabalho verdadeiramente ordenados por Deus.
Ele mesmo dá alguns detalhes sobre a sua vida quando garoto. Ele poderia
muito bem ser chamado de “Isaías da dispensação Cristã”. Nele estavam
reunidos grandes poderes mentais, ardente piedade e devoção pelos
estudos, incomparavelmente salvos graças à sua devoção a Deus. Isso é o
que ele dizia de si mesmo:
“Quando garoto eu costumava orar em segredo cinco vezes por dia, e
passar muito tempo em conversação religiosa com outros garotos. Eu
costumava me encontrar com eles para orarmos juntos. Essa é a vontade
de Deus através da sua maravilhosa graça, que as preces dos Seus santos
se tornem o grande e principal meio de levar os desígnios do Reino de Deus
para o mundo. Orem muito pelos ministros e pela Igreja de Deus.”
Os grandes poderes da mente e do coração de Edwards foram
exercitados em busca de um consenso na extraordinária oração do povo
de Deus em todos os lugares. Sua vida, seus esforços e seu caráter são
exemplificações deste estatuto:
“O céu que eu desejo é um céu onde fico com Deus; uma eternidade
passada na presença do divino amor e na santa comunhão com o Cristo.”
Em outro momento, ele disse:
“A alma de um verdadeiro Cristão parece uma pequena flor branca na
primavera, pequena e humilde no chão, abrindo seu peito para receber os
agradáveis feixes da glória do sol, regozijando-se como se estivesse em um
calmo êxtase, difundindo uma doce fragrância ao redor, permanecendo
pacífica e amavelmente no meio das outras flores.”
Novamente, ele escreve:
“Uma vez, enquanto eu caminhava pela floresta para minha saúde,
descendo de meu cavalo em um local afastado, por ser de meu
comportamento caminhar para contemplação divina e orar, eu tive uma
visão, que para mim foi extraordinária, da glória do Filho de Deus como
Mediador entre Deus e os homens, e da sua maravilhosa, grandiosa, pura
e doce graça e amor, e da sua humilde e gentil condescendência. Essa
graça, que parecia tão calma e doce, também pareceu grandiosa acima
dos céus. A pessoa do Cristo apareceu inefavelmente excelente, com uma
maravilhosa grandeza, suficiente para englobar todo pensamento e
concepção, o que perdurou, até onde posso julgar, por cerca de uma hora.
Isso me manteve na maior parte do tempo em um fluxo de lágrimas e
choro em voz alta. Eu senti uma urgência para que a minha alma fosse, o
que não sei outro modo de explicar, esvaziada e aniquilada, para deitar
sobre o pó, para ser preenchida apenas do Cristo e para amá-Lo de todo o
meu coração.”
Da mesma forma como ocorreu com Jonathan Edwards, acontece
com todos os grandes intercessores. Através da dedicação pessoal a Deus,
eles ingressam naquela santa e eleita condição de alma e de coração, por
meio de períodos da revelação de Deus para eles, tornando determinadas
eras distintas na sua história espiritual, as quais nunca serão esquecidas,
nas quais a fé é alada com asas como as águias, o que lhes concede uma
nova e completa visão de Deus, uma compreensão mais forte da fé, uma
visão mais doce e clara de todas as coisas celestes e uma eterna e
abençoada intimidade que dá acesso a Deus.
A ORAÇÃO: A CURA PARA A ANSIEDADE
C. H. Spurgeon
“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam
em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de
graças...E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os
vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.”
(Fp 4.6, 7)
Nós temos a faculdade de prever, mas, como todas as nossas
faculdades que possuímos, esta também foi pervertida e é
frequentemente abusada. É bom ter um cuidado santo e prestar a devida
atenção a cada detalhe da sua vida, porém, infelizmente, é muito mais fácil
torná-lo um cuidado profano e tentar arrancar a providência das mãos de
Deus, que, de fato, lhe pertence e não a nós seres humanos. Quantas
vezes Lutero repetia a respeito dos pássaros e a maneira como Deus cuida
deles! Porque também estava cheio de ansiedade, e como invejasse, ou
melhor, ansiasse o cuidado divino que Deus tem pelos pássaros, para si
mesmo. Já que para Lutero, eles levavam uma vida tão livre e feliz. Lutero
falava do mestre pardal e do doutor tordo, e muitos outros pássaros que
conversavam com ele, a lhe dizer muitas coisas boas!
Queridos irmãos, eu sei que sabem que os pássaros lá fora, ao ar
livre, são cuidados por Deus, se saem muito melhor do que aqueles que
são cuidados pelo homem. Uma garotinha londrina, que tinha ido para o
campo, uma vez disse: “olhe, mamãe, aquele pobre passarinho. Não tem
gaiola!” Para ela parecia uma perda para qualquer pássaro, e se fôssemos
nós que estivéssemos sem gaiola, sem a caixa de alpiste e a vasilha de
água? Porventura seria uma perda se fôssemos lançados à liberdade
gloriosa de uma vida de humilde dependência divina? Sim, entregues à
dependência total de Deus! Portanto, esta gaiola de confiança carnal e
esta caixa de sementes que estamos sempre trabalhando para encher que
preocupam esta vida mortal. No entanto aquele que tem a graça para abrir
as suas asas e voar, e entrar no campo aberto da confiança divina,
certamente este pode cantar o dia todo e sempre ter esta melodia:
“Mortal, pare de trabalhar e sofrer;
Deus provê para o amanhã.”
O ensino do nosso texto é claro: “não se preocupe com nada”, a
palavra “inquieto” não tem hoje o mesmo sentido que tinha quando a
Bíblia foi traduzida, pois, agora não significa exatamente o que significava
antes. Pelo menos me transmite um significado diferente do que fez aos
tradutores. Eu diria que devemos ter cuidado. Assim, o “cuidado” é uma
boa lição para meninos e jovens quando estão começando na vida, porém,
no sentido em que a palavra “zeloso” era entendida na época dos
tradutores, não devemos ser cuidadosos, ou seja, cheio de zelo.
O texto quer dizer que não é para ficarmos inquietos, isto é,
ansiosos, e nem constantemente pensando sobre as necessidades desta
vida mortal. Novamente, eu lerei, modificando um pouco o nosso texto:
“Não estejais ansiosos por coisa alguma”, ou em outras palavras “não se
preocupe por coisa alguma!” Oh, que Deus possa nos ensinar como evitar
o mal que é proibido aqui, e viver com este cuidado ou zelo santo, o qual é
a beleza da vida cristã, quando todos os nossos cuidados, as nossas
solicitudes da vida estão moldados por Deus, e nós podemos nos regozijar
no Seu cuidado providencial!
Contudo, alguém pode dizer: “não consigo deixar de me importar”.
Realmente é o assunto desta noite, e quero ajudá-lo a deixar de se
preocupar ou ficar ansioso e, primeiramente, considere o substituto para o
cuidado. Não se preocupe com nada, entretanto ore por tudo, este é o
substituto para o cuidado, “oração e súplica”. Em segundo lugar, observe o
caráter especial desta oração, que se tornará o substituto da ansiedade:
“antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela
oração e súplica, com ação de graças” Então espero que ainda tenhamos
alguns minutos para considerar o doce efeito desta oração: “E a paz de
Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os
vossos pensamentos em Cristo Jesus”.
O SUBSTITUTO PARA A INQUIETAÇÃO OU PARA A ANSIEDADE
Deste modo, iniciaremos com o substituto para a ansiedade ou
inquietação mental. Suponho que seja verdade para muitos de nós que os
nossos cuidados são numerosos. Se você uma vez se tornar cuidadoso,
ansioso, inquieto, nunca será capaz de contar suas preocupações, mesmo
que possa contar os cabelos de sua cabeça. Os cuidados tendem a se
multiplicar para aqueles que são cuidadosos e quando você está tão
preocupado quanto pensa que pode ser, com certeza terá outra safra dos
cuidados crescendo ao seu redor.
Assim, a condescendência com este mau hábito que nos deixa em
ansiedade, e, por sua vez, ganha o domínio sobre a vida, até que a vida
não valha a pena ser vivida por causa dos cuidados excessivos que temos
com ela. Os cuidados são numerosos e, portanto, sejam igualmente
numerosas as suas orações. Transforme tudo o que é um cuidado, tudo
que lhe causa ansiedade, em uma oração. Deixe que seus cuidados sejam
a matéria-prima das suas orações e, como os alquimistas esperavam
transformar a escória em ouro, você, por uma sagrada alquimia, na
verdade, transformar o que naturalmente teria sido um cuidado em um
tesouro espiritual na forma de oração! Batize cada ansiedade em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo, e assim transforme-a em uma bênção!
Vocês estão ansiosos para conseguir algo? Tome cuidado para que
isto não lhe pegue! Você deseja obter ganhos? Lembre-se de que você não
perde mais do que ganha com os seus ganhos. Eu lhe imploro, não tenha
mais inquietação por isso, porque, o verdadeiro ganhar é transformar a
ansiedade em oração! Ouse fazer isso! Aliás, não deseje ter o que você
pode e nem mesmo ouse pedir a Deus, para que Ele lhe dê! Meça os seus
desejos por um padrão espiritual e você será protegido de qualquer coisa,
tal qual a cobiça. Muitos sofrem com as suas perdas; eles perdem o que
ganharam. Este é um mundo em que existe a tendência de perder. As
vazantes seguem as enchentes e os invernos esmagam as flores do verão.
Não se pergunte se você perderá como as outras pessoas, todavia ore
pelas suas perdas. Leve-as a Deus, ao invés de ser preocupar
excessivamente, faça delas uma ocasião para esperar no Senhor e dizer: “o
SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR” (Jó
1.21b). E também: “mostre-me o porquê desta contenda Senhor, livre o Seu
servo, eu lhe imploro, lamentarei para sempre, o que o Senhor permitiu
que eu perdesse!”
Talvez você diga que a sua preocupação não é ganhar nem perder,
mas sim o pão de cada dia. Lembre-se de que já tem esta promessa, sabia?
O Senhor disse: “habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado”
(S1 37.3b). Igualmente, você habitará na terra e, “em verdade, será
alimentado”. Ele lhe dá um doce encorajamento quando diz que veste a
grama do campo; e não deve vesti-lo muito mais, homens de pequena fé?
E o Senhor Jesus ordena que você considere as aves do céu, como elas não
semeiam, nem se reúnem em celeiros, e ainda assim o seu Pai celestial as
alimenta (Mt 6.26). Imediatamente, vá ao seu Deus com todas as suas
preocupações e ansiedades!
Portanto, se você tem uma família grande, uma renda escassa e
muito trabalho para fazer diante das despesas e para proporcionar coisas
honestas aos olhos de todos, você tem tantas desculpas para bater à porta
de Deus, tantos outros motivos para ser frequentemente encontrado no
trono da graça! Eu lhe imploro, transformá-los em boas contas. Sinto-me à
vontade para visitar um amigo quando realmente tenho algum negócio a
fazer com ele; e você pode ter a ousadia de invocar a Deus quando as
necessidades lhe pressionam, ao invés de se preocupar com qualquer
coisa por causa da ansiedade, transforme-a prontamente em um motivo
para um espírito renovado de oração.
Ouço alguém dizer: “ah, mas estou perplexo. Eu não sei o que fazer”.
Então, querido amigo, você certamente deve orar quando não puder dizer
se é a estrada da direita, ou da mão esquerda, ou em frente, ou se você
deve voltar! Na verdade, quando você está em uma névoa tal que não
consegue ver a próxima lâmpada, neste caso, é a hora de orar. A estrada
ficará clara diante de você muito repentinamente. Muitas das vezes, tive
de tentar este plano, eu mesmo, e também testemunho que, quando
confiei em mim, fui um grande tolo! Mas quando confiei em Deus, Ele me
conduziu diretamente no caminho certo, e não houve engano quanto a
decisão que deveria tomar!
Acredito que os filhos de Deus frequentemente cometem erros
maiores em coisas simples do que em questões mais difíceis. Lembre-se de
que foi assim com Israel, quando aqueles gibeonitas chegaram, com seus
sapatos e roupas velhas, e mostraram o pão que estava mofado, que
disseram ter tirado do forno. Os filhos de Israel pensaram: “Viemos de
uma terra distante; fazei, pois, agora, acordo conosco... E os homens de
Israel responderam aos heveus: Porventura habitais no meio de nós; como
pois faremos acordo convosco?” (Js 9.6b-7). Eles estavam certos de que a
evidência de os seus olhos provava que aqueles não eram cananeus, então
eles não consultaram a Deus! Todo o assunto parecia tão claro que eles
fizeram uma aliança com os gibeonitas, o que foi um problema para Israel
a partir deste dia (Js 9.8-16).
Desse modo, se quiséssemos, em tudo, ir a Deus em oração, as
nossas perplexidades não nos levariam a mais erros do que a nossa
simplicidade, e nas coisas simples e difíceis devemos ser guiados pelo
Altíssimo. Talvez outro amigo diga: “porém, eu estou pensando no futuro”.
Você está? Primeiro, eu imploro para lhe perguntar o que você tem a ver
com o futuro? Sabe o que o dia do amanhã trará? Você tem pensado sobre
o que será de você quando envelhecer, no entanto tem certeza de que um
dia ficará velho? Conheci uma mulher cristã que costumava se preocupar
em como seria enterrada. Essa questão nunca me incomodou e há muitos
outros assuntos com os quais não precisamos nos preocupar.
Então, você sempre pode encontrar um pedaço de pau para bater
em um cachorro e, se precisar de cuidados, geralmente, encontrará um
cuidado para bater nas suas próprias almas! Mas esta é uma ocupação
pobre para qualquer um de vocês, em vez de fazê-lo, transforme tudo o
que pode ser um assunto de cuidado em um assunto de oração. Também,
não demorará muito para que você tenha um assunto a ser tratado, e
cheio de assuntos para a oração. Elimine a palavra “ansiedade” e apenas
escreva no lugar dela esta palavra, “oração”, e logo, embora seus cuidados
sejam numerosos, suas orações também serão numerosas.
Observe, queridos amigos, que o cuidado indevido é uma intrusão
na província de Deus, porque gera a ansiedade. Cuide-se para que não se
torne o pai da casa, e do sustento do que o filho. Se for o servo que o
Mestre provê a porção. Agora, de fato, assumindo o papel de filho e servo,
transformará o cuidado em oração, não haverá intromissão, porquanto
você pode vir a Deus em oração sem ser acusado de presunção. Ele Lhe
convida a orar. Veja, não está escrito pelo Seu servo o que Deus nos
ordena: “antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de
Deus pela oração e súplica, com ação de graças”.
Além do mais uma vez, os cuidados não nos servem para nada e
ainda nos causam grandes prejuízos. Se você se preocupasse pelo tempo
que desejasse, não poderia ficar um centímetro mais alto, nem deixar
crescer outro cabelo na cabeça, nem deixar um cabelo branco ou preto!5
Portanto, o Salvador nos diz e pergunta: se o cuidado falha nessas
pequenas coisas, o que pode fazer o cuidado nas questões mais elevadas
da providência? Não pode fazer nada!
Certa vez, um fazendeiro parou nos seus campos e disse: “não sei o
que acontecerá com todos nós. O trigo será destruído se a chuva continuar.
Não teremos nenhuma colheita a menos que tenhamos um bom tempo”.
Ele caminhava para cima e para baixo, torcendo as mãos, preocupando-se
e deixando toda a casa desconfortável. E ele não produziu um único raio
de sol com toda a sua ansiedade, ele não conseguia soprar nenhuma das
nuvens para longe com toda a sua fala petulante, nem conseguia parar
uma gota de chuva com todos os seus murmúrios.
Qual é a vantagem disso? Então, continuar roendo o seu próprio
coração, quando você não pode conseguir fazer nada? Além disso,
enfraquece o nosso poder de ajudar a nós mesmos e especialmente nosso
poder de glorificar a Deus. Um coração ansioso nos impede de julgar
corretamente em muitas coisas. Muitas das vezes usei a ilustração (porque
eu não conheço uma melhor) de pegar um telescópio, respirar nele com o
hálito quente da nossa ansiedade, colocá-lo no nosso olho e depois dizer
que não podemos ver nada além de nuvens! Claro que não podemos, e
nunca conseguiremos enquanto respiramos sobre ele.
Então, se fôssemos calmos, quietos, controlados e possuídos por
Deus, faríamos a coisa certa. Estaríamos, como dizemos, “todos” na hora
da dificuldade. Este homem pode esperar ter a presença de espírito de
quem tem a presença de Deus. Se nos esquecemos de orar, você se
pergunta se estamos todos inquietos e preocupados, e fazemos a primeira
coisa que nos ocorre, o que geralmente é a pior de todas as coisas, já que
não esperamos até vermos o que será pela confiança e fé, como aos olhos
de Deus? O cuidado excessivo ou a preocupação intensa são prejudiciais,
mas se apenas transformá-los em oração, toda esta ansiedade será um
benefício para você.
A oração é um material maravilhoso para construir a estrutura
espiritual. Nós mesmos somos edificados pela oração. Crescemos na graça
pela oração e se chegarmos a Deus a cada momento com petições,
seremos cristãos em rápido crescimento! Eu disse a uma irmã em uma
manhã dessas: “ore por mim, é um momento de necessidade”, e ela
respondeu: “não fiz mais nada desde que eu acordei”. Fiz o mesmo pedido
a vários outros e eles disseram que têm orado por mim. Estive muito feliz,
não só por mim, por terem recebido benefícios das suas orações, porém
por eles, porque com certeza eles crescerão!
Quando os passarinhos continuam batendo as asas, eles estão
aprendendo a voar. Os tendões ficarão mais fortes e os pássaros logo
deixarão o ninho. O próprio bater de asas é uma educação, digo, um
processo educativo, e a tentativa de orar, o gemido, o suspiro, o clamor de
um espírito de oração é, por si só, uma bênção! Abandone este hábito
prejudicial de se preocupar e adote o hábito enriquecedor de orar! Veja
como você terá um ganho duplo, em primeiro lugar, evitando uma perda e,
em segundo lugar, obtendo aquilo que realmente lhe beneficiará e os
outros também!
Então, novamente, as preocupações são o efeito do esquecimento
da proximidade de Cristo conosco. Percebeu como funciona o contexto?
“Perto está o Senhor... Não estejais inquietos por coisa alguma” (Fp
4;5b-6a). O Senhor Jesus Cristo prometeu voltar e pode vir esta noite. A
qualquer momento Ele pode aparecer! Então Paulo escreve: “Perto está o
Senhor... Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições
sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação
de graças”. Oh, se pudéssemos estar nesta terra como sobre uma mera
sombra! Se pudéssemos viver como aqueles que logo terão feito com esta
pobre vida transitória!
Se segurássemos todas as coisas terrenas com uma mão leve e
frouxa, não nos importaríamos, preocuparíamos ou afligiríamos tanto; ao
contrário, começaríamos a orar, pois assim estaríamos agarrando o que é
real e substancial, plantando nossos pés sobre o invisível, que é, afinal, o
eterno! Queridos amigos, deixem que o texto que acabei de ler para vocês
novamente penetre em seus corações, como seixos que caem das
montanhas nos lagos, criando ondas no espelho d'água. Que essas
palavras formem anéis de consolação para as suas almas!
O CARÁTER ESPECIAL DESTA ORAÇÃO
Neste momento, nós precisamos examinar o texto um pouco mais
de perto para ver, em segundo lugar, o caráter especial desta oração. Que
tipo de oração é aquela que nos ajudará a cuidar? Certamente é uma
oração que trata de tudo. “sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela
oração” Você pode orar sobre as menores coisas e a respeito das maiores
coisas, bem como você pode não apenas orar pelo Espírito Santo, mas
pode orar por um novo par de botas. Pode ir a Deus sobre o pão que você
come, a água que você bebe, as roupas que você usa e orar a Ele sobre
todas as coisas. Desse modo, não estabeleça limites e diga: “até agora é
estar sob os cuidados de Deus”. Meu querido, o que você vai fazer do resto
da vida? Isto é para ser vivido sob a praga fulminante de uma espécie de
ateísmo? Deus me livre! Oh, que possamos viver em Deus como com todo
o nosso ser, porquanto o nosso ser é tal que não podemos dividi-lo!
Assim, o nosso corpo, alma e nós devemos trazer nossas
necessidades corporais diante de Deus em oração. E você descobrirá que o
grande Deus o ouvirá nesses assuntos. Não diga que eles são muito
pequenos para Ele notar, tudo é pequeno em comparação com Ele!
Quando penso no grande Deus que Ele é, parece-me que este nosso pobre
mundinho é apenas um insignificante grão de areia na costa do universo, e
não vale a pena notar. A terra inteira é uma mera partícula no grande
mundo da Natureza e, se Deus condescender em considerá-la, Ele também
pode se abaixar um pouco mais e nos considerar! E Ele o faz, pois diz: “E
até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados” (Lc 12.7a).
A característica da oração que nos salva do cuidado é a oração que
se repete: “antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de
Deus”. Ore a Deus, e ore novamente: “pela oração e súplica” Se o Senhor
não responder na primeira vez, fique muito grato por ter um bom motivo
para orar novamente! Se Ele não atender ao seu pedido na segunda vez,
acredite que Ele o ama tanto que deseja ouvir sua voz novamente! E se Ele
o deixa esperando até que você tenha ido a Ele sete vezes, diga a si
mesmo: “agora eu sei que adoro o Deus de Elias, porque o Deus de Elias o
deixou ir, novamente, sete vezes antes que a bênção fosse dada” (1Rs
18.43). Considere uma honra poder lutar com o Anjo de Deus! É assim que
Deus faz Seus príncipes! Jacó nunca teria sido Israel se ele tivesse obtido a
bênção do Anjo no primeiro pedido; mas quando ele teve que continuar
lutando até que ele prevalecesse, então ele se tornou um príncipe de
Deus! (Gn 32.24-32).
A oração que mata a ansiedade é a oração contínua e importuna.
Em seguida, é uma oração inteligente: “antes as vossas petições sejam em
tudo conhecidas diante de Deus”. Ouvi falar de um muçulmano que
passava, creio eu, seis horas orando por dia e, para não dormir a bordo de
um navio, ficava de pé e só tinha uma corda esticada para se encostar
nela. E se ele dormisse, ele cairia. Seu objetivo era continuar por seis horas
com o que chamou de oração. Logo, eu disse a alguém que o conhecia e
que também o tinha visto a bordo do seu barco no Nilo: “que tipo de
oração era esta?” Respondeu o meu amigo: “ele repetia Continuamente:
‘não há Deus senão Alá, e Maomé é o seu profeta’, a mesma coisa
indefinidamente”. Eu disse: “ele pediu alguma coisa?” A resposta foi: “oh
não! Ele estava implorando a Deus para lhe dar alguma coisa?” E “ele
simplesmente continuou com aquela repetição perpétua de certas
palavras”.
E você acredita que existe algo neste estilo de oração? Se você ficar
de joelhos e simplesmente repetir uma determinada fórmula, será apenas
um punhado de palavras. Pensa que Deus se importa com este tipo de
oração? “Antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de
Deus”. Esta é a verdadeira oração! Deus sabe quais são seus pedidos, mas
você precisa orar a Ele como se Ele não soubesse. Você deve tornar
conhecidos seus pedidos, não porque o Senhor não saiba, mas, talvez,
porque você não saiba.
E quando você tiver feito seus pedidos conhecidos a Ele, como o
texto diz, você os terá feito mais claramente a si mesmo. Quando você
perguntar com inteligência, sabendo o que pediu e sabendo por que o fez,
talvez pare e diga a si mesmo: “não, afinal de contas, não devo fazer este
pedido”. Porque, às vezes, você continua orando pelo que Deus não lhe dá,
o que pode lhe roubar a convicção da sua mente, já que não está na
direção certa e o resultado da sua oração será em si mesma boa para você,
e será ao mesmo tempo uma bênção.
Contudo, você deve orar para que seus pedidos sejam conhecidos
perante Deus. Esta é uma linguagem clara, nisto, diga-lhe o que precisa,
pois esta é a verdadeira oração. Conquanto que fique sozinho e diga ao
Senhor o que você precisa; e abra o seu coração diante dele. Não imagine
que Deus precisa de qualquer linguagem refinada! Não! Absolutamente
não! Você não precisa correr escada acima para pegar seu livro de orações
e recorrer a uma coleção de textos, ainda mais porque demorará muito
para encontrar a oração que lhe sirva quando estiver realmente orando!
Ore pelo que você precisa, como se estivesse dizendo a sua mãe ou a seu
amigo mais querido, diga-lhe quais são suas necessidades. Assim, dessa
forma, vá até Deus, porque essa é a verdadeira oração, e esse é o tipo de
oração que afastará suas preocupações.
Portanto, queridos amigos, novamente, o tipo de oração que liberta
dos cuidados, das preocupações, das ansiedades é a comunhão com Deus.
Se você não falou com Deus, logo, não orou verdadeiramente. Sabe-se que
uma criança (ouso dizer que alguns dos seus filhos já brincaram assim) foi
colocar uma carta na grade do ralo e, é claro, nunca houve resposta a uma
carta postada desta forma. Se a carta não é colocada na caixa dos correios
para que seja levada para a pessoa a quem é dirigida, para que serve?
Deste modo, a oração é uma comunicação real com Deus.
Eu sei que você precisa perceber que Ele é o Recompensador
daqueles que lhe buscam diligentemente (Hb 11.6), ou você não pode
orar. Assim, Deus precisa ser uma realidade para você, uma realidade viva,
e você deve acreditar que Ele ouve as suas orações, e então você deve
falar com Ele, crendo que Ele ouve as suas petições, e por fim, terá as suas
respostas. Porque Deus nunca deixou de honrar a oração da fé. Ele pode
fazer com que você espere um pouco, mas atrasos não são negações, e Ele
sempre respondeu a uma oração que pedia prata dando ouro! Ele pode ter
negado um tesouro terrestre, todavia deu riquezas celestiais dez mil vezes
o valor solicitado, e o suplicante ficou mais do que satisfeito com a troca!
Também, eu sei o que você faz quando está em apuros; você vai
para o seu vizinho, mas ele não quer vê-lo com tanta frequência para
tratar deste assunto. Possivelmente, irá para o seu irmão, mas há um texto
que o alerta para não entrar na casa do seu irmão no dia da sua
calamidade (Pv 27.10). Você pode visitar um amigo com muita frequência
quando estiver na dificuldade, ele pode ficar muito feliz em vê-lo até ouvir
o que você procura! Porém se você for para o seu Deus, Ele nunca vai lhe
dar uma resposta dura, Ele nunca lhe dirá que você vem até Ele com muita
frequência. Pelo contrário, Ele irá até mesmo lhe repreender; porque tem
ido a Ele com frequência suficiente!
Reservei uma palavra que eu deixei de lado por um pouco tempo,
agora, porque eu queria deixá-la para a minha última observação sobre
este ponto: “antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de
Deus pela oração e súplica, com ação de graças”. Agora, “com ação de
graças”. O que isso significa? Isto significa que o tipo de oração que mata o
cuidado é uma oração que pede com alegria, contentamento, gratidão.
Diga-lhe: “Senhor, sou pobre. Deixe-me bendizê-lo por minha pobreza e
então, oh Senhor, porventura não suprirá todas as minhas necessidades?”
Esta é a maneira de orar. “Senhor, estou doente. Eu lhe bendigo por esta
aflição, porque tenho a certeza de que significa algo de bom para mim.
Agora, tenha o prazer de me curar, eu imploro!” Ou quem sabe esta:
“Senhor, estou com um grande problema, mas eu o louvo pelo problema,
pois sei que contém uma bênção, apesar do envelope seja de borda preta!
Senhor, ajude-me com meu problema!”
Este é o tipo de oração que mata o cuidado, mata a ansiedade:
“súplicas, com ação de graças” Misture bem essas duas coisas! Uma
grama, não, dois quilos de oração, a oração e súplica, então uma pitada de
ação de graças! Não mais! Esfreguem-os juntos e eles farão uma cura
abençoada para a sua ansiedade. Que o Senhor nos ensine a praticar esta
sagrada arte farmacêutica!
O DOCE EFEITO DESTA ORAÇÃO
Assim, eu termino com este terceiro ponto, o doce efeito desta
oração: “E a paz de Deus, que еxсеde todo o entendimento, guardará os
vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus”. Se você puder
orar desta maneira, em vez de ceder à ansiedade do mal, o resultado será
que uma paz incomum tomará conta do seu coração e da sua mente.
Incomum, por quanto, será “a paz de Deus”. O que é a paz de Deus? A
serenidade, tranquilidade do Deus infinitamente contente, a compostura
eterna do Deus absolutamente bem-satisfeito! Isto deve possuir o seu
coração e a sua mente também.
Perceba como Paulo a descreve: “a paz de Deus, que excede todo o
entendimento”. Outras pessoas não entenderão. Eles não conseguirão
entender como você consegue permanecer tão quieto. Além do mais, você
não poderá contá-los, porque se ultrapassa todo entendimento,
certamente ultrapassa toda expressão! E o que é ainda mais incrível, e
você mesmo não entenderá! Será uma paz tão grande que será para você,
insondável e incomensurável. Quando um dos mártires estava prestes a
ser queimado na fogueira por Cristo, ele disse ao juiz que estava dando
ordens para acender a pilha: “você pode vir e colocar sua mão no meu
coração?” O juiz fez isto e o mártir lhe perguntou: “bate rápido?” O juiz
disse: “não!” e acrescentou: “eu mostro algum sinal de medo?”
“Não”, disse o juiz. “Agora coloque sua mão sobre seu próprio coração e
veja se você não está mais agitado do que eu”.
Pense naquele homem de Deus que, na manhã em que seria
queimado, estava tão profundamente adormecido que tiveram que
sacudi-lo para acordá-lo, e ele teve que se levantar para ser queimado! E
ainda sabendo que era assim, ele tinha tanta confiança em Deus que
dormiu suavemente. Esta é “a paz de Deus, que excede todo o
entendimento”. Naquelas antigas perseguições de Diocleciano, quando os
mártires eram levados ao anfiteatro para serem devorados pelas feras,
pelos animais selvagens, quando um era colocado na cadeira de ferro, que
era aquecido pelas chamas, ferro rubro que queimava a carne do mártir,
um outro era encharcado de mel para ser morto pelas ferroadas das
abelhas e vespas, eles nunca vacilavam, não titubeavam.
Igualmente, pense naquele homem corajoso que foi colocado em
uma grelha para ser assado até a morte, que disse aos seus perseguidores:
“vocês me mataram por um lado. Agora me entregue ao outro”. Por que
esta paz em tais circunstâncias? Era “a paz de Deus, que excede todo o
entendimento”. Não temos que sofrer assim, hoje em dia, mas se chegar a
algo assim, é maravilhoso a paz que um cristão desfruta! Depois de haver
uma grande tempestade, o Mestre levantou-se na proa do navio e disse
aos ventos: “esteja quieto”. E lemos: “houve uma grande calma”. Você já
sentiu isto? Pode senti-la esta noite, se você aprendeu esta arte sagrada
de fazer seus pedidos conhecidos a Deus em tudo e a paz de Deus que
excede todo o entendimento que guardou os seus corações e mentes por
meio de Cristo Jesus.
Esta abençoada paz mantém nossos corações e mentes, é uma paz
guardiã. A palavra grega implica uma guarnição. Não é estranho que um
termo militar seja usado aqui e que seja a paz que atua como um guarda
para o coração e a mente? É a paz de Deus que deve proteger o filho de
Deus; figura estranha, mas bela! Ouvi dizer que o medo é a governanta de
um cristão. Portanto, o medo pode ser um bom guardião para manter os
cães afastados, mas não tem um quarto cheio! Mas a paz, conquanto
pareça fraqueza, é a essência da força e, ao mesmo tempo que protege,
também nos alimenta e supre todas as nossas necessidades.
É também uma paz que nos liga a Jesus: “E a paz de Deus, que
excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos
pensamentos em Cristo Jesus”, ou seja, seus afetos e seus pensamentos,
seus desejos e seu intelecto, seu coração, para que não tema. Sua mente,
para que não conheça qualquer tipo de perplexidade: “E a paz de Deus,
que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos
pensamentos em Cristo Jesus”. É tudo, “em Cristo Jesus” e, portanto, é
duplamente doce e precioso para nós!
Meus queridos, alguns de vocês não sabem nada sobre esta paz de
Deus e, talvez, vocês se perguntam por que nós, cristãos, fazemos tanto
alarido sobre nossa religião! Ah, se você soubesse, você faria, talvez, mais
barulho sobre isso do que nós, pois se não houvesse outra vida, e sabemos
que existe, ainda o hábito bendito de ir a Deus em oração e lançar todos
os nossos cuidados sobre Ele nos ajuda a viver com mais alegria, ainda
nesta vida!
Não acreditamos no secularismo, entretanto se acreditássemos, não
haveria preparação para a vida terrena como viver para Deus e viver em
Deus! Se você tem um deus fictício e simplesmente vai à igreja ou à capela
e carrega seu livro de orações ou seu livro de hinos com você e, portanto,
pensa que é cristão, você está se enganando! Mas se você tem um Deus
vivo e tem verdadeira comunhão com Ele e constantemente, como um
hábito, vive sob a sombra das asas do Todo-Poderoso, então você
desfrutará de uma paz que fará com que os outros se maravilhem e que
você mesmo se maravilhe. Também, até mesmo, “a paz de Deus, que
excede todo o entendimento”.