PALESTRA 01 – INTRODUÇÃO AO SISTEMA IMUNE E IMUNIDADE NATA
- Grupos de componentes: órgãos, células e proteínas;
- É um sistema muito molecular (diferente dos demais sistemas);
TERMINOLOGIA:
- Imunologia → relação estabelecida entre o indivíduo e outro corpo parasita;
- Relação entre dois indivíduos (um é o hospedeiro (nós) e o outro o patógeno);
- Mesmo os menores patógenos, como os vírus, são grandes demais para serem reconhecidos por inteiro pelo nosso corpo. Os
“pedaços” são os antígenos (proteínas), e a parte da proteína que é reconhecida é o epítopo (parte do antígeno reconhecida pelo
sistema imune).
- O que é um antígeno? Tudo que é reconhecido pelo meu sistema imune como ESTRANHO.
- Antígenos próprios: tudo que eu tenho, em mim, são potenciais antígenos próprios;
• A melanina é um potencial (no vitiligo, ela é reconhecida como estranha e é destruída);
• A insulina, na DM1, se torna um antígeno próprio (é destruída);
• Somente quem possui doenças autoimunes possuem antígenos próprio.
- Antígenos estranhos: tudo que é reconhecido pelo sistema imune, mas que não pertence ao nosso corpo:
• Proteína spike do coronavírus, por exemplo;
RESPOSTA IMUNE:
- Toda vez que o antígeno é reconhecido e ele consegue estimular o sistema imune;
- Proteínas muito pequenas podem ser reconhecidas porém não gerar uma resposta imune;
- Inata:
• Todos os mecanismos que, independente do antígeno, já estão prontos para agir e agem do mesmo jeito;
• Exemplos:
o Pele;
o pH ácido do estômago;
o Células que reconhecem o patógeno (inespecífico) e fagocitam.
• Não possui especificidade!!
- Adquirida:
• Voltada para moléculas específicas;
• A especificidade relaciona-se com a sequência de aminoácidos;
• O sistema imune consegue reconhecer todas as conformações da proteína (primária, secundária, terciária...);
o Esse reconhecimento também é ESPECÍFICO!!
o Só reconhece uma de cada vez.
o Isso acontece pois, quando a proteína muda sua conformação, a sequência linear de aminoácidos se modifica,
então haverá outros receptores para a nova conformação.
o Um mesmo anticorpo não consegue reconhecer diferentes conformações
• Só funciona com PROTEÍNAS (há algumas exceções);
IMUNÓGENO:
- É um antígeno que estimula a resposta imune;
- As proteínas com mais de 10 aminoácidos são os melhores imunógenos (quanto maior a quantidade de aminoácidos, mais
intenso o estimulo à resposta);
- Lipídios, carboidratos, fármacos, substâncias químicas, podem constituir antígenos, mas NÃO imunógenos!
• As proteínas responsáveis por ativar a imunidade adquirida (MHC) não se ligam a moléculas que não sejam proteicas;
• Lembrar que há exceções.
PAMP X DAMP:
- Quem é antígeno e não é imunógeno faz o que?
• São importantes na ativação do sistema imune!
• Por isso é importante, por exemplo, que existam lipídios na vacina (é reconhecido como estranho e garante que a resposta
imune continue dali para frente).
- PAMP: Padrão Molecular Associado a Patógeno:
• Todas as moléculas que os patógenos possuem, que nós não temos;
• Peptioglicano, Lipopolissacarídeo das Gram-, RNA duplo, DNA simples, Quitina;
• Lembrar que não podem ser proteínas (normalmente são lipídios e carboidratos – exceção é flagelina, proteína do flagelo
das bactérias).
• Os receptores semelhantes ao Toll (TLR 1 ao 6) estão nas células da imunidade inata (como os neutrófilos, por
exemplo).
o Reconhecem PAMP e DAMP.
(Todas as células da imunidade inata possuem todos esses receptores)
• Receptores do tipo NOD: mesma função, de reconhecer DAMP e PAMP.
• Esses receptores ficam nas membranas celulares:
o Tanto na externa, quanto na de lisossomos, mitocôndrias, organelas...
- DAMP – Padrão Molecular Associado ao Dano:
• Quando uma célula nossa se rompe e o conteúdo intracelular é extravasado, o sistema imune responde pelo DAMP;
• Exemplo: DNA no LEC, Todos os compostos com fosfato (AMP, ATP, GDP...);
• São sinalizadores que uma célula se rompeu (também chamados de alarminas).
• No caso do DAMP, as proteínas também podem ser reconhecidas (exclusivamente aquelas do LIC);
• Apoptose NÃO gera DAMP, pois a membrana não se rompe!
• A sinalização que os receptores para DAMP faz é menos inflamatória do que os receptores para PAMP.
- O que o PAMP e o DAMP fazem?
• Reconhecidos pelos receptores → Sinalização intracelular → Mudança de síntese proteica;
• Se o que foi reconhecido foi um PAMP: estamos sendo invadidos por um patógeno;
• Se o que foi reconhecido foi um DAMP: houve lesão de algum tecido.
• Eles estimulam a resposta imune, mas a resposta não é contra eles! A resposta é contra o imunógeno
(componente proteico).
• A sinalização do DAMP geralmente é fraca:
o Exceção: lesões muito grandes, como queimaduras.
• Estimulam às células a produzir CITOCINAS.
RECEPTORES DE LINFÓCITOS T E DE LINFÓCITOS B:
- Os linfócitos T (células da imunidade adquirida) comandam a imunidade, e eles só reconhecem proteínas!
- Os lipídios e os carboidratos são reconhecidos por células da imunidade inata, que passam a produzir citocinas (se os linfócitos
T reconhecem aquela proteína na ausência da citocina, nada vai acontecer);
• Isso acontece pois a produção da citocina indica que aquela proteína reconhecida pelo linfócito é um agente patógeno.
- Os linfócitos T respondem apenas à proteínas e os linfócitos B a tudo!
- O linfócito B só recebe ajuda do T se ele reconhecer uma proteína!!
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:
- As células de imunidade inata, como vimos, possuem receptores para padrão (toll e nod), reconhecendo PAMP e DAMP;
- As células da imunidade adquirida (linfócitos T e B), possuem receptores específicos para uma determinada molécula;
- Os linfócitos T possuem receptores esécíficos apenas para proteínas, e os B que respondem a qualquer coisa;
- Quando nascemos, os linfócitos T e B já possuem milhares de receptores proteicos diferentes, específicos para os patógenos:
• Para possuirmos uma proteína (receptor), precisamos de um gene para expressá-la;
• Como podemos ter tantas proteínas? De onde vem o gene que dá origem aos receptores dos linfócitos T e B?
• Possuímos 3 genes: V, D e J;
o Eles estão em todas as nossas células, mas, nos linfócitos, eles dão origem a uma recombinação a cada vez
que eles dão origem a uma nova célula, cada uma com uma sequência de aminoácidos diferente;
o A sequência do aminoácido determina o receptor que está no linfócito.
- Esse processo ocorre durante a vida intrauterina, quando o feto ainda nem teve contato com patógenos;
- Esses receptores são produzidos de forma aleatória e podem se ligar a qualquer substância (inclusive os antígenos próprios).
- 90% do que é formado reconhece os antígenos próprios, por isso o timo e a medula óssea são importantes:
• No timo, os linfócitos T que reconhecem antígenos próprios são destruídos, e na medula óssea, os B.
• Esse processo é chamado de Seleção negativa (pois a célula só continua viva se NÃO reconhecer antígenos próprios).
ÓRGÃOS E TECIDOS ASSOCIADOS DO SISTEMA IMUNOLÓGICO:
- Timo: seleciona os linfócitos T que podem sair vivos para a circulação;
• A grande importância do timo é durante a vida intrauterina;
- Medula óssea: produz todas as células de defesa e amadurece o linfócito B;
- Baço, linfonodos e sistema linfático → Órgão secundários;
- Tecidos linfoides associados: exemplo, Placas de Peyer (funcionam de modo parecido aos linfonodos, e encontram-se na mucosa
intestinal).
- Pessoas que retiram o baço são mais propicias a sofrerem infecção no sangue.
CÉULAS DO SISTEMA IMUNOLÓGICO:
- Todas são produzidas na medula óssea;
- Ao se diferenciarem, comprometem-se ou com a linhagem mieloide ou com a linhagem linfoide.
- A teoria mais aceita é que dentro da medula óssea há microambientes, cada um com substâncias (fatores de crescimento,
citocinas) únicas, que induzem a diferenciação de cada célula (essas substâncias ativam uns genes e desativam outros).
- Todas as células tem uma origem comum, uma célula totipotente.
PROTEÍNAS DO SISTEMA IMUNOLÓGICO:
- Anticorpos:
• Produzidos exclusivamente pelos linfócitos B;
• A porção variável do anticorpo (porção FAB) só se liga a um epítopo, e teve origem na recombinação VDJ;
• Um único linfócito B pode produzir todos os tipos de anticorpos, mas ela só possui uma recombinação VDJ, então a porção
FAB de todos os anticorpos produzido será sempre igual para aquela célula B.
• FC é a fração constante.
- Citocinas;
APRESENTAÇÃO DE ANTÍGENOS:
- O linfócito T não “pega nada com as mãos”: é preciso que uma célula da imunidade inata fagocite o patógeno, processe-o,
ligue-o ao MHC e leva para o linfócito T reconhecer;
- A célula que leva o patógeno ao linfócito T é chamada de Apresentadora de antígenos;
- Somente o linfócito T precisa dessa apresentação.
- O linfócito T age produzindo citocinas (somente o B produz anticorpos).
DIVISÃO DO SISTEMA IMUNOLÓGICO:
- Imunidade inata x Imunidade adquirida;
- Resposta de linfócito T-independente: o B captura o patógeno e é ativado por um antígeno não proteico, estimulando-o a
produzir IgM (o B não pode apresentar ao T porque o antígeno não é proteico). Não gera memória Imune. Se o antígeno fosse
proteico, o B apresentaria para o T, que secretaria citocina sobre o B, que formaria células de memória, e passaria a produzir
IgG, constituindo a Resposta de linfócito T-dependente.
IMUNIDADE INATA:
- Toda resposta imune gerada contra um grande grupo de patógenos de forma inespecífica, imediata e que não gera memória
imunológica.
- Componentes: barreiras anatômicas (pele e mucosas), químicas (pH do estômago e vagina, defensinas – bactérias da flora
intestinal -, proteínas de fase aguda – imunidade mais primitiva, garantida pelo fígado, exemplo: proteína C-reativa, sistema
complemento – culmina na formação de MAC, Complexo de Ataque a Membrana) microbiológicas (microbiota local, como vagina
e intestino) e celulares.
- A proteína C reativa é uma opsonina: liga-se ao patógeno para facilitar a sua fagocitose.