O SISTEMA TOYOTA DE GESTÃO
O Sistema Toyota de Produção ou Gestão foi desenvolvido pela
Toyota entre os anos de 1947 e 1975, por Taiichi Ohno. Ohno
procurou orientar a fábrica da Toyota para reduzir ao máximo o
tempo entre a colocação do pedido pelo cliente e o faturamento
(OHNO, 1988). Esta orientação levou Ohno ao conceito de
desperdício. No Pensamento Enxuto, a busca pela eliminação ou
redução do desperdício é constante.
Fonte: https://www.google.com/search?q=O+SISTEMA+TOYOTA+DE+GEST%C3%83O
Porém, embora este sistema fosse estudado, ele só ganhou
notoriedade depois do livro A máquina que mudou o mundo
(WOMACK e JONES, 2004), quando foi cunhado o termo Lean
Manufacturing – Produção Enxuta.
Este livro apresenta um grande benchmark feito pela universidade
do MIT - Instituto de Tecnologia de Massachusetts, dentre diversas
montadoras de automóveis ao redor do mundo. Como era o
desempenho destas montadoras em seus respectivos países de
origem e no exterior. Quando produziam veículos de luxo ou quando
se tratava de um modelo popular. Assim, através desta comparação
foi mostrado como o jeito dos japoneses ultrapassou o restante do
mundo em termos de qualidade e custos. O Lean Thinking
(Pensamento Enxuto) possui cinco princípios. São eles:
Valor. Esse é o ponto de partida, a definição do valor. Esta pode
parecer uma tarefa simples, mas não é.
Fluxo de Valor. Após identificar o valor, precisa ser definido como
este valor flui através da empresa.
Fluxo Contínuo. Conhecendo o fluxo, deverá ser criado um
processo onde este valor flua de forma contínua, ou seja, sem
interrupção. Isso faz com que a empresa atenda às necessidades
dos seus clientes com maior rapidez e baixo estoque.
Produção Puxada. Neste ponto, a empresa já está preparada
para produzir ou executar apenas o que o cliente quer e quando
ele quer.
Perfeição. É a busca pela melhoria contínua dos processos,
pessoas e produtos. Este ciclo se repete de maneira contínua.
Criação de valor. O valor é o ponto de partida para o Lean
Thinking. Mas o que é valor? Valor é fazer o que o cliente está
disposto a pagar. Nos sistemas tradicionais de gestão, o foco é o
lucro. E, algumas vezes, este lucro vem em detrimento da
satisfação das necessidades dos clientes.
Lembrando que lucro é faturamento menos gastos (custo e
despesa), o Pensamento Enxuto busca aumentar o lucro pela
redução dos custos, dos desperdícios, e assim agregar mais valor
ao produto ou serviço. Então, como é possível saber quais são as
atividades que agregam ou não valor para o seu cliente?
As atividades que agregam valor são as que transformam materiais
ou informações em produtos ou serviços que o usuário deseja.
Todas as outras atividades não agregam valor. Porém, dentre estas
atividades que não agregam valor existem atividades que são
necessárias ao negócio.
Estas atividades necessárias são chamadas de atividades
requeridas. O restante das atividades são atividades que não
agregam valor, ou seja, são desperdício. Na maioria das empresas,
a distribuição das atividades é similar ao gráfico da figura 1.
Pode-se observar que uma boa parte das atividades não agregam
valor, logo, são estas que precisam ser estudadas. Isto porque com
a redução dos desperdícios destas atividades é possível aumentar o
lucro.
Distribuição das atividades
Uma coisa muito importante é a gestão da entrega deste valor. Esta
gestão deve ser realizada no dia a dia. Esta rotina de gestão do dia
a dia está apresentada em detalhes no livro do Mann, Creating a
lean culture: tools to sustain lean conversions (MANN, 2014). Ele
apresenta a importância de se operar conforme o esperado no
sistema lean. Não se trata de aplicar somente as ferramentas, mas
da excelência na operação.
Fonte: Lobo, Y 2019
Ele ainda fala que a cultura é o resultado direto do sistema de gestão
da empresa. Para ele, a cultura não é aprendida em treinamentos,
mas sim no dia a dia. Logo, ele propõe uma rotina de reuniões de
gestão do dia a dia para que as pessoas possam adquirir bons
hábitos e alcançar as metas traçadas. As três figuras a seguir
apresentam a gestão do dia a dia.
Gestão do dia a dia
Fonte: Lobo, Y 2019
A gestão do dia a dia deve ser realizada de maneira bottom-up, ou
seja, de baixo para cima. Por exemplo, primeiro uma reunião dos
líderes com os operadores, depois dos gerentes com os líderes e,
finalmente, dos diretores com os seus gerentes.
Rotina de Reuniões de Gestão
Fonte: Lobo, Y 2019
A figura a seguir, apresenta um exemplo da agenda de uma reunião
de rotina. Esta reunião deve ser estruturada. Este exemplo é de uma
reunião de rotina no nível da gerência.
Exemplo de agenda de reunião de rotina
Fonte: Lobo, Y 2019
Toyota Way
Toyota Way é o modelo utilizado pela Toyota para aplicar os
princípios do Sistema Toyota de Produção. É a base da cultura da
marca. Este modelo tem como base dois pilares, a melhoria contínua
e o respeito pelas pessoas.
Toyota Way - Pilares
Fonte: <https://www.toyota.pt/world-of-toyota/toyota-no-mundo/ the-toyota-way.json>.
O pilar melhoria contínua constitui-se de alguns princípios. São eles:
Desafio. O desafio é a construção de uma visão de longo
prazo.
Kaizen. Esta ferramenta é utilizada para melhorar a operação
do negócio continuadamente, procurando a inovação.
Genchi Genbutsu. Esta prática é a procura dos fatos para
poder tomar a decisão correta. Com fatos é mais fácil tomar
uma decisão por consenso e atingir as metas no menor tempo
possível.
Já o pilar respeito pelas pessoas utiliza dois princípios. São eles:
Respeito. Respeitar os outros, empatia, esforço para entender
a necessidade dos outros e responsabilidade por fazer o
melhor.
Trabalho em equipe. Estimular o crescimento pessoal e
profissional, compartilhar oportunidades e maximizar
desempenho.
Liker (2005) desenvolveu um modelo para ajudar a entender o
Toyota Way. Ele apresentou o modelo dos 4 Ps: Philosophy
(filosofia), Process (processo), People and Partners (pessoas e
parceiros) e Problem Solving (solução de problemas). Ele mostra
como cada princípio do Lean se encaixa em cada P
Modelo dos 4 Ps
Fonte: Lobo, Y 2019
Ele ainda cita catorze princípios do Toyota Way (LIKER, 2005). Estes
princípios serão apresentados a seguir.
Primeiro princípio: Tome decisões pensando sempre no longo
prazo, mesmo que a curto prazo os gastos possam ser maiores.
Pois é importante pensar a longo prazo.
Segundo princípio: Crie fluxo para todos os processos, pois
assim aparecerão os reais desperdícios a serem
continuamente eliminados. A procura por fluxo contínuo traz os
problemas para as vistas de todos.
Terceiro princípio: Utilize sistemas puxados pela demanda,
através do kanban, por exemplo, para evitar a superprodução.
Quarto princípio: Nivele os volumes de produção produzindo
sempre próximo a uma quantidade média, para que se evitem
assim os desperdícios de ociosidade e sobrecarga quando as
demandas oscilaram.
Quinto princípio: Construa uma cultura de parar a produção e
resolver o problema raiz no exato momento da sua ocorrência,
para que se tenha qualidade desde o início de cada etapa ou
operação do processo produtivo.
Sexto princípio: Padronize os processos e tarefas,
aumentando a segurança e autonomia dos colaboradores
durante o dia a dia, constituindo assim a base para sua melhoria
contínua.
Sétimo princípio: Pratique o 5S e utilize controles visuais que
facilmente sejam visualizados e compreendidos por qualquer
pessoa, sem que haja a necessidade de se fazer perguntas.
Oitavo princípio: Use somente tecnologias confiáveis e
eficazes em seus processos. A tecnologia deve ser puxada pela
produção e não empurrada por ela. Os impactos de utilização
de uma nova tecnologia devem ser analisados. A operação
precisa de estabilidade. A estabilidade de processo vem do uso
de tecnologias plenamente conhecidas. Já a estabilidade de
programação vem do nivelamento da produção – Quarto
princípio.
Nono princípio: Faça com que seus líderes conheçam,
compreendam e vivam essa metodologia, ensinando e servindo
de exemplo aos demais, pois só assim tais princípios se
transformarão em cultura.
Décimo princípio: Invista no desenvolvimento de seus
colaboradores e forme pequenas equipes em todos os níveis,
pois o sucesso é baseado no conjunto e não no indivíduo.
Décimo Primeiro princípio: Cuide do relacionamento com
seus fornecedores e parceiros como se fossem seus próprios
colaboradores, oferecendo desafios e auxiliando-os no seu
desenvolvimento. Ensine o Toyota Way para eles.
Décimo Segundo princípio: Vá e veja você mesmo para
compreender por completo como funcionam os processos, pois
só assim é possível mensurar o que deve ser melhorado.
Dados são bons, mas não podemos esquecer a realidade.
Décimo Terceiro princípio: Tome decisões sem pressa, por
consenso, considerando todas as opções possíveis e, assim
feito, implemente-as rapidamente. Claramente, este não é
somente o estilo de ser da Toyota. O japonês em geral busca
sempre o consenso.
Décimo Quarto princípio: Aprenda coisas novas todos os dias
e faça reflexões sobre suas dificuldades e falhas, buscando
sempre fazer melhor e melhore sempre.
Resumindo tudo o que foi dito, tem-se a Casa do Sistema Toyota de
Produção.
Casa do Sistema Toyota de Produção
Fonte: Lobo, Y 2019