Alimentação Universitária: Reflexões e Ações
Alimentação Universitária: Reflexões e Ações
comerpraque.org
Na universidade: comer pra quê? [livro eletrônico]: um novo jeito de pensar e viver a alimentação /
[coordenação Amábela de Avelar Cordeiro, Carolina Martins dos Santos Chagas, Thais Salema
Nogueira de Souza; ilustração Claudio Barría]. 1. ed. Cabo Frio, RJ: Ed. dos Autores, 2023.
PDF
Vários colaboradores.
Bibliografia.
ISBN 978-65-00-74845-1
23-164594 CDD-613.2
Apresentação
Comer pra quê? (quem somos)
Baião universitário: modo de preparo
A gente não quer só comida
Comer alimenta o corpo e a mente
Mão na massa e mão na terra
Fakes para fritar
Engajamento universitário
Cai pra rede
Plano (coletivo) em ação
Chegamos ao fim…
Referências
Apresentação
Sim, matar a fome é bom. Mas essa é apenas uma das dimensões da alimentação.
Agora que é a nossa vez e a nossa hora de comer num espaço tão potente como a
universidade, que tal valorizar a diversidade e a complexidade da alimentação?
Da economia à relação psicoafetiva com a comida; o prato de hoje pode ampliar
nossos direitos, inclusive à cultura e ao meio ambiente.
Pronto, bora lá porque você não está sozinho, tem também parceiros
preocupados com o seu sucesso nessa jornada. O Ministério do Desenvolvimento
Social e o movimento Comer pra Quê? são só alguns deles, continua com a gente
para saber mais.
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Comer pra quê? (quem somos)
O movimento Comer Pra Quê? (CPQ) já traz em seu título uma pergunta para
estimular a reflexão e o diálogo sobre a alimentação. Ele foi gerado junto a jovens
de quatro capitais brasileiras (Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre) e
hoje continua sua construção com jovens de todo o Brasil.
E quer saber? Tudo começou em 2014 com a parceria entre três universidades
situadas no estado do Rio de Janeiro (UFRJ, UNIRIO e UERJ) e o Ministério do
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Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Em 2019, a UFLA, que fica em
Minas Gerais, chegou para reforçar a equipe. Agora, mais uma vez com o apoio
do MDS, queremos crescer. Você e a sua universidade também podem se engajar
neste movimento, afinal quem é que não gosta de matar a fome aí?
Quer conhecer mais sobre o CPQ? Chega no nosso site comerpraque.org Lá você
encontra vídeos, animações, fanzines, podcast e muito mais...
Este e-book conta com a potência dos encontros com jovens graduandos do
curso de nutrição e foi construído para inspirar ações no ambiente universitário.
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Baião universitário:
modo de preparo
No movimento de expandir o debate sobre a alimentação, uma das propostas do
CPQ foi investir no diálogo com as juventudes universitárias. Começamos com
estudantes de graduação em nutrição por entender a importância da formação
crítica, humana e contextualizada, fundamental para profissionais de saúde. Com
esse grupo e inspirados por um tradicional prato da cultura brasileira, o baião de
dois, batizamos esse método:
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O método Baião Universitário usou algumas referências
importantes, que orientaram as ações com jovens:
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Nós fizemos também eventos online e chamadas de vídeo aos
montes, além de explorar toda uma caixa de ferramentas para uma
maior conexão com os jovens na internet: questionários, murais
interativos e programa gerador de nuvem de palavras e enquetes.
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Assim coproduzimos este e-book que você tem em mãos, com centenas de jovens
estudantes de nutrição. O papo aqui é de jovem para jovem.
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A gente não quer só comida
Não basta termos comida todo dia, ela precisa ser adequada em quantidade e
qualidade. Também importa o caminho que essa comida percorreu para chegar
no seu prato, como foi produzida, quais os efeitos ambientais e sociais da sua
produção, consumo, descarte de resíduos e até mesmo como esse alimento
pode afetar sua saúde em curto e longo prazo.
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o
um ato político e
n t a ç ã
A l i m e multidimensional
Você já ouviu que saco vazio não para em pé, né? Aqui nos
referimos ao que nutre e fortalece seu corpo. Os nutrientes Biológica
que possibilitam o desenvolvimento do corpo, manutenção da
saúde e prevenção de doenças.
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Direito
humano
Econômica Biológica
Alimentação
Psicossocial
Ambiental
e cultural
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Sua alimentação é adequada e saudável?
Veja até onde esse conceito está presente na sua vida:
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É exatamente aí que entra a Promoção da Alimentação Adequada e Saudável (PAAS)
para estimular a população brasileira a alcançar um patamar de saúde e de Segurança
Alimentar e Nutricional cada vez melhor.
A PAAS tem uma contribuição grande para a garantia do Direito Humano à Alimentação
e, por isso, é citada em quatro políticas públicas nacionais de diferentes setores, que
orientam as ações do governo voltadas para a população:
Política Nacional de Promoção da Saúde
Política Nacional de Alimentação e Nutrição
Política de Segurança Alimentar e Nutricional
Política Nacional de Alimentação Escolar
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E existe espaço para se avançar ainda mais, em especial nas políticas de acesso e
permanência de estudantes nas universidades. O Plano Nacional de Assistência
Estudantil (Pnaes) é um bom exemplo. Ele garante diversos direitos aos estudantes,
especialmente aqueles em vulnerabilidade econômica, tais como moradia estudantil,
transporte, saúde, inclusão digital, cultura, esporte, creche, apoio pedagógico e…
alimentação!
As ações podem somar forças para tornar possível a igualdade de oportunidades entre
todos os estudantes. Afinal, é muito mais fácil focar nos estudos quando estamos
satisfeitos, além de a alimentação contribuir para a melhoria do desempenho
acadêmico, evitar repetência ou evasão.
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Bora entrar em movimento!
Clique e exercite um
A ideia é refletir e planejar
plano de ação
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Imagem do projeto Muros com arte produzida pela www.edhorizonte.com.br
Comer alimenta o corpo e a mente
O ato de comer não precisa se resumir a quantas calorias e nutrientes tem no nosso
prato. Quando escolhemos alimentos adequados e saudáveis, estamos cuidando de
nós mesmos e promovendo nossa saúde como um todo. Esse autocuidado pode ajudar
a melhorar nossa autoestima e bem-estar, estimulando sentimentos positivos em nós.
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E sabe aquelas vezes, quando estamos tristes ou estressados, em que buscamos
comidas reconfortantes, como o prato favorito da infância? Essa também pode ser uma
estratégia para lidar com emoções.
Além disso, a escolha de alimentos pode ter uma associação cultural e psicossocial,
como uma forma de expressar a identidade pessoal ou do grupo. Degustar pratos
regionais ou tradicionais da família pode trazer sensação de pertencimento e
identidade, além de ser uma forma de celebrar e fortalecer aquela cultura.
Comer junto a outras pessoas também pode ser um importante aliado na nossa
saúde mental. Sabia que tem até um nome para essa prática? Comensalidade. É
aquele momento de saborear a comida enquanto colocamos a conversa em dia. Na
universidade, muitos jovens relatam que comem pior quando estão sozinhos e que ter
companhia estimula a escolha de ingredientes e preparos melhores. Cozinhar, ir à feira
junto ou sair para almoçar em grupo: a comida é também um motivo para
compartilhar os momentos da vida.
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Mão na massa e mão na terra
Megacidade é uma expressão criada pela ONU para cidades com mais de dez milhões
de habitantes. Se somarmos a população matriculada em todas as instituições de
ensino superior do Brasil e seus docentes, faltam só alguns milhares de pessoas para
essa população atingir esse patamar – isso sem contar os outros trabalhadores. Ficaria
um pouco atrás de São Paulo. A diferença é que em nenhuma megacidade todos
respiram diariamente a troca ou a criação de conhecimentos em centenas de
disciplinas, base de toda inovação científica. E claro: toda essa gente tem que comer!
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Não será pouco o gás para abastecer todas as cozinhas da nossa megacidade. E bem lá
no início da cadeia da alimentação, tem terra, muito chão para plantar, criar animais e
tudo mais que mata a fome dessa gente. Sem contar os trabalhadores, do agricultor ao
catador de material reciclável.
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Poucos universitários têm autonomia em relação à sua alimentação, ou pior, passam a
sacrificá-la em nome da idealização de um sucesso profissional, deixando de lado os
hábitos de comer com qualidade. Há quem tenha acabado de sair da casa dos pais ou
dos responsáveis e não tenha conhecimentos sobre o preparo e o armazenamento de
alimentos; há quem tenha dificuldade de planejar suas refeições e quem não saiba
como escolher bons alimentos com a grana que tem disponível, entre diversas outras
situações que prejudicam a autonomia alimentar.
É tanta gente comendo pra quê? Será que é para ampliar direitos, produzir
conhecimento e novas soluções de igualdade e justiça social e ambiental? Sem dúvida,
essa multidão que acessa a universidade torna esse lugar propício para fazer ações de
promoção da alimentação saudável. Vamos então botar a mão na massa e na terra,
ocupar essas cozinhas, hortas, feiras, centros acadêmicos e salas de aula das
universidades Brasil afora?
Como descobrir onde é que você está se metendo toda vez que se alimenta na
universidade? Como você está acessando esse direito?
Existem várias formas, mas uma estratégia promissora é conhecer as características dos
alimentos considerados saudáveis e observar os tipos de alimentos consumidos nos
ambientes alimentares da universidade. Faça uma lista dos itens mais consumidos ao
seu redor e as dimensões da alimentação adequada e saudável se abrirão para você.
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Em posse dessa informação, vamos aos hábitos alimentares: os alimentos oferecidos e
o modo de preparo são nutritivos e saudáveis? Uma forma de descobrir isso é saber
diferenciar pelo menos quatro grupos de alimentos.
Nem sempre a rotina na universidade permite acessar o RU. Várias universidades nem
tem esse equipamento de Segurança Alimentar e Nutricional. Muitos estudantes
acabam recorrendo às cantinas, lanchonetes, restaurantes privados e barraquinhas –
locais onde produtos fritos, doces e ultraprocessados ganham ainda mais destaque.
Ou seja, a depender do que é oferecido no ambiente universitário podemos circular em
desertos ou pântanos alimentares. Nesse cenário, a escolha dos estudantes é essencial
para mudar a cultura alimentar na universidade, não só por práticas individuais mais
saudáveis, mas também para contribuir com um sistema alimentar sustentável e com a
promoção da alimentação adequada e saudável de um modo geral. 15
Por outro lado, é importante limitar o consumo de alimentos processados, aqueles que
são fabricados essencialmente com a adição de sal ou açúcar (ou outra substância de
uso culinário como óleo ou vinagre), como os legumes em conserva, frutas em calda,
sardinha ou atum enlatados, além de pães.
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Já sabemos que o comer envolve várias dimensões, então não importa somente “o
que” se come, mas também o “como” se come. Uma alimentação adequada envolve
comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível,
com companhia. Bater aquele rango junto de uma pessoa querida dá gosto!
Se liga na dica:
Na hora de comprar seus alimentos, escolha lugares que ofertem uma variedade de
alimentos in natura ou minimamente processados. Se for comer fora, opte por locais que
servem refeições feitas na hora, isso vai facilitar escolhas mais adequadas.
Dedique tempo de qualidade ao comer, com atenção, e tenha sempre fontes de
informações seguras sobre a alimentação.
Estratégias 16
De jovem pra jovem, para influenciar a alimentação na universidade:
A metodologia do Baião universitário rendeu muitas ideias.
Aqui algumas delas, diretamente do jovem universitário, sobre como meter a mão na
massa e transformar a experiência de alimentação.
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E agora, mão na terra
O que talvez não seja comum encontrar na sua rotina de alimentação universitária é
justamente o que cresce debaixo da terra. Mas não precisa ser assim. Já pensou
participar de um mutirão na horta antes de ir para o RU? Sim, em alguns casos o que
vem de baixo da terra para a mesa vem do chão da própria universidade. Muda -
conheça quem faz. Cursos como os de Engenharia Florestal conseguiram, ao longo dos
anos no Brasil, ocupar cada vez mais espaços das universidades para fazer disciplinas
práticas. E não só: as terras de agricultores familiares e até de assentamentos de
movimentos sociais também passaram a fazer parte das trocas de conhecimentos 17
universitários. Famílias e, às vezes, povoados inteiros dependem das universidades
para ter uma economia ativa e saudável. Como você e os seus colegas podem participar
desse movimento de mão na terra? Uma boa forma de começar a responder esta
questão é montando um grupo de estudos para contribuir.
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Mais possibilidade de ação
Promover feiras orgânicas e de agricultura familiar dentro
do campus.
Parceria com alunos de computação para criar app.
Montar grupos de estudos para promoção da alimentação
saudável ao seu redor, se aprofundando na teoria e na
prática da agroecologia e das tecnologias sociais.
Identificar e visitar agricultores rurais e urbanos ao redor da
universidade – veja se sua cidade tem cadastro de 18
pequenos agricultores.
Conhecer projetos de pesquisa ou extensão da própria
universidade que já abordam questões da alimentação
saudável e sustentável.
Propor mutirões urbanos ou rurais, envolvendo a
universidade, para identificar terras improdutivas e projetar
plantações e colheita em hortas ou agroflorestas.
Propor feiras com agricultores locais, troca de frutas e
sementes, visitas ao campo ou a iniciativas urbanas.
Articular os agricultores locais, os pontos de
comercialização da universidade e o RU com disciplinas ou
projetos de pesquisa e extensão.
Expandir a rede de apoio incluindo o poder público da
cidade, por meio da secretaria de meio ambiente,
desenvolvimento rural, cultura, entre outras, assim como
restaurantes populares.
Elaborar projetos de pesquisas inovadores: a alimentação
aborda várias áreas, desde as exatas, sociais e humanas.
Montar um grupo de compras coletivas para assegurar
estabilidade aos pequenos agricultores e um fornecimento
regular de alimentos saudáveis aos estudantes.
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Grupos para compras coletivas direto do agricultor
A renda do pequeno agricultor pode ser muito instável. Ele está exposto às forças da
natureza e dos mercados. A Comunidade que Sustenta a Agricultura, um modelo
inovador de interação entre consumidores e produtores, tem melhorado esse cenário.
Um grupo de 20 pessoas ou famílias, já poderia dar mais proteção ao pequeno produtor
rural e sua família. Bastaria que se organizassem para fazer compras coletivas de cestas
de alimentos orgânicos ao longo de todo o ano, retirando semanalmente cerca de 8 a
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12 itens. Tudo respeitando a sazonalidade natural e os períodos de colheita. Alface,
cheiro verde, cenoura, por exemplo, seriam mais frequentes. Abacate, tomate, laranja
dependeriam da época.
A renda desse produtor costuma ser complementada pelas feiras, mas elas são
instáveis. E tem também as políticas de aquisição de alimentos da agricultura familiar,
que nem sempre estão implementadas nos municípios ou nas universidades e podem
ser uma oportunidade de mobilização, para que as feiras sejam desenvolvidas
plenamente – acionando até o Ministério Público em casos de grande resistência. Um
pequeno agricultor forte, que pode contar com o apoio da universidade, significa oferta
de alimentos mais saudáveis por gerações.
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Continue construindo o Clique
Plano de Ação
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Imagem do projeto Muros com arte produzida pela www.edhorizonte.com.br
Fakes para fritar
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Os produtores locais, vizinhos, nem se tornam uma opção, ou têm seus produtos
comprados por preços muito baixos, injustos.
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O pior cenário das 5 dimensões na sua
experiência de alimentação na universidade:
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E se o pior cenário despertou a curiosidade sobre quais são as características
positivas, veja no quadro um sistema sustentável possível:
Baixo Consumo
Produção Cadeias curtas de
processamento de sustentável de
agroecológica comercialização
alimentos alimentos
Produtos
Comprar produtos
Diversificada Processar o mínimo produzidos próximo
sustentáveis
a você
23
Sem adição de Comércio justo e Comprar direto do
Orgânicos
gordura trans economia solidária agricultor
Lavoura-
Confia-se no Ter habilidades
pecuária-floresta Sem outros aditivos
produtor culinárias
integradas
(*) Adaptado de: “Alimentação saudável e sustentável: uma revisão narrativa sobre desafios e perspectivas”
(Martinelli; Cavalli, 2019).
Às vezes a gente come algo por estar acostumado, ou porque todo mundo come, mas
não se questiona se é realmente algo que faz bem. Você, sem saber, pode ter sido
atingido por propagandas que ressaltam a facilidade e outros pontos supostamente
positivos de certos alimentos, sem que fique óbvio que aquele é um produto
ultraprocessado, com açúcar demais, gordura demais e pobre em nutrientes.
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O que é o que é?
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Grupo 4: alimentos ultraprocessados
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Fakes para fritar
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Fakes para fritar
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Vamos lá, exercite mais uma etapa Vai ;)
do plano de ação!
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BEM+ Sérgio Odilon. Reconstrução do painel de grafite da Biblioteca Engenho do Mato, BEM.
Engajamento universitário
Mão dupla: da universidade para o campo
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Para minimizar esse problema, os estudantes decidiram investir em mais canais de
comercialização, como a CSA, de forma constante e com equilíbrio. Segundo Gil, "a
gente não produz mais para não ter perda". Cada família de agricultores é responsável
por produzir 20 cestas semanais de alimentos sortidos, que são distribuídas em pontos
de coleta aos consumidores. Uma das vantagens para o consumidor é a estabilidade
nos preços, os agricultores garantem o mesmo preço o ano todo.
O sucesso da iniciativa, para Raul, está em entender a realidade antes de propor ações.
"O agricultor foca em produzir” e não precisa ficar buscando novas inserções e pontos
de venda. “O jovem universitário está com a cabeça aberta e cheio de opções, tem essa 30
oportunidade de articular, mas tem que ter o interesse e o contato com a realidade
social”, diz ele. Os projetos bem-sucedidos, explica Raul, têm contato, os estudantes
vão na propriedade do agricultor, veem quais são as necessidades para desenvolver
projetos e criar essa ponte.
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O plano de ação está quase lá! Clique
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Imagem do projeto Muros com arte produzida pela www.edhorizonte.com.br
Cai pra rede
Mais de 84% da população brasileira usa a internet, de acordo com o IBGE, e passa
metade de suas vidas conectada. Em consequência da pandemia de Covid-19,
aumentou a parcela desse tempo dedicada ao uso de serviços de compras online de
alimentos e à procura de informações e serviços de saúde.
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Só que toda essa conexão não nos tornou massivamente expostos às cinco dimensões
da PAAS, nem mesmo à mais popular, a biológica. Na verdade, tem sido comum nas
redes digitais uma linguagem de estigmatização do peso, a disseminação da culpa em
relação à alimentação e elogios à magreza, além de comparações sociais, ocasionando
depressão e novos distúrbios alimentares.
Cair pra essa rede, seja qual for o seu curso, e ocupar o espaço vazio sobre alimentação
não é fácil. Mas ações simples podem engajar e disseminar o papo da alimentação
adequada: recomendamos seguir perfis que produzem conteúdo como os de grupos de
pesquisa e de extensão, jornalismo investigativo, entidades, associações e coletivos do
campo da alimentação. Curta, comente, compartilhe!
Você pode ainda experimentar ser um nano, micro ou macro influenciador digital, caso
já não seja. Comece conhecendo o que pensam as pessoas da sua rede de
relacionamentos, amigos e familiares, investigue quem são os influenciadores que
tratam temas sobre alimentação e suas dimensões, quem eles seguem, construa uma
relação de parceria com esses influenciadores apresentando o seu próprio conteúdo de
forma simples e conectada com a atualidade.
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O regime da verdade
Antes de cair para a rede, precisamos falar de um desafio real. Aí na universidade você
enfrenta uma dificuldade a mais se quiser furar a sua bolha digital. As tecnologias de
comunicação têm afetado a nossa cultura, especialmente o modo que acreditamos ou
desacreditamos em algo ou alguém. A confiança nas autoridades institucionais e nos
métodos da ciência está disputando espaço com linguagens e narrativas que geram
intimidade, testemunhos do tipo “eu vivi, fiz ou fui” e relatos pessoais da vida comum.
Para completar, temos um ambiente complexo de algoritmos e inteligências artificiais
que aprendem com agilidade sobre as nossas preferências, 24h por dia, convocando a
nossa atenção. E nem sempre com as opções mais saudáveis ou sustentáveis. Dizer a
verdade e evitar desinformação não está fácil. Mas encarar tudo isso é tão importante
quanto comer. 33
Aqui preparamos alguns recursos e dicas para você também entrar nesse movimento:
[Instagram] Compartilhe fotos e vídeos das ações realizadas na sua universidade com
a hashtag: #movimentaCPQ
Fórum do Plano de Ação: Clique aqui e compartilhe no fórum suas percepções e o que
tem feito em relação à alimentação e se inspire com o que outros jovens estão fazendo.
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Sugestões de ação online para PAAS
Ler os rótulos e entender o que tem no que você vai comer é uma dificuldade para
muita gente. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) está buscando incluir um
sistema de rótulos mais fácil para identificar ultraprocessados. Chega de rótulos
complicados! Assista o vídeo e compartilhe.
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Ferramentas e conteúdos para te ajudar a não levar para casa ultraprocessados: o
App Desrotulando; o De Olho no Rótulo e o Põe no rótulo.
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Algumas contas que são inspiração:
@cidinhadajeito
@nucleopenso
@comidaeconomia
@comidainvisivel
@comidadoamanha
@promocaodaautonomiaculinaria
@culinafro_ufrj 35
@favela_organica
@conjuvebr
@rede.ru.brasil
@ufrjru
@ru.uerj
@ru.ufjf
@comer.pra.que
@ana_agroecologia
@xepaativismo
@aba.agroecologia
@movimentosemterra
@ojoioeotrigo
@comermudaomundo
@sfynbrasil
@verdejarsocioambiental
@mpa.campesinato
@sustentarea
@aliancaalimentacao
@enenutricao
@nea.yeba
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Uhuu! o seu plano de ação ai! Clique
BEM+ Sérgio Odilon. Reconstrução do painel de grafite da Biblioteca Engenho do Mato, BEM. volta ao
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Plano (coletivo) em ação
Aqui uma dica de plano (coletivo) de ação para formar o seu grupo de transformação
da experiência alimentar nas universidades e com elas!
Compartilhe com seus colegas!
1 | Acesso a informações
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Plano (coletivo) em ação
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Plano (coletivo) em ação
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4 | Engajamento
Que tal dividir conosco os seus desafios, sucessos,
frustrações? Vamos montar uma rede ampla de apoio
Agora volta
ao engajamento por uma nova experiência de onde vc parou
Agora é a vez de você montar a sua estratégia online. Tem muita gente
com quem você pode se conectar e fazer parceria. Quais são as suas
redes? Liste e interaja com seus parceiros online.
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Chegamos ao fim…
…desse texto, porque a conversa sobre comer vai além. A gente não quer só a
dimensão biomédica da alimentação (nutrientes, saúde, corpo). Bora ampliar o diálogo,
inventar novas práticas e ocupar mais universidades desse Brasil. Tem muito a se fazer
pelos direitos à alimentação no nosso país.
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Uma galera está contigo para multiplicar as vozes e transmitir uma mensagem plural:
comer é economia, sociedade, cultura e meio ambiente. Tudo tão íntimo da gente
quanto a vontade de matar a fome. Venha ser protagonista junto com os estudantes de
nutrição, os pesquisadores e os agricultores familiares, gente que já está nesse
movimento de cidadania. E venha com a sua universidade!
Além de abrir o seu apetite, esperamos que esse e-book tenha despertado uma
esperança renovada: a de que a cidadania é possível através do comer. Nós temos sim
direito a uma sociedade justa, igualitária e cuidadosa na preservação do meio ambiente
e do planeta.
Comer está longe de ser só comer: o comer está diretamente conectado aos nossos
direitos básicos.
Então, voltando à pergunta lá do início: comer pra quê? O que você responderia agora?
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Biografia consultada
Artigos Científicos
Almeida IFE, Veloso IS. Ultra-processed foods offer in a restaurant at a public university.
RSD [Internet]. 2022Mar.19 [cited 2023Jun.26];11(4):e31411427375. Disponível em:
https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/27375
Alves HJ, Boog MCF. Promoção de saúde e comensalidade: um estudo entre residentes de
moradia universitária. Segurança Alimentar e Nutricional. 2015 Feb 3;13(2):43–53.
Disponível em: 41
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Brasil. Guia alimentar para a população Brasileira [Internet]. 2014. Disponível em:
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Sites, notícias
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prato? [Internet]. Disponível em:
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Ramos, Guilherme. Brasileiros passam mais da metade de suas vidas na Internet, estima
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https://www.techtudo.com.br/noticias/2022/05/brasileiros-passam-mais-da-metade-de-
suas-vidas-na-internet-estima-pesquisa.ghtml
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Livro concebido em formato e
suporte digital, diagramado com
fontes Sigher e Source Sans Pro.
comerpraque.org