UNIVERSIDADE CATÓLICA
DE SALVADOR
LIVIA RAMOS MIGUEL
Salvador,2024
LIVIA RAMOS MIGUEL
RESUMO: AS ORIGENS DA TEORIA DO PODER
CONSTITUINTE: O ABADE SIEYÉS E A REVOLUÇÃO FRANCESA
Professor: Dirley da Cunha
Orientador:Isabella Brandao
RESUMO DO QUE SERÁ VISTO AO LOGO DO TEXTO:
O presente resumo tem o intuito de discutir as origens do poder constituinte na revolução
Francesa a partir da obra do abade Emmnuel-Joseph Sieyès, é de suma importância o
entendimento das fases da revolução francesa para a compreensão da construção teórica do
poder constituinte. A transformação da assembleia dos estados gerais em Assembleia
nacional constituinte também foram um dos grandes feitos de Emmanuel Joseph em outubro
de 1958 na França, que prevalecem sendo legitima do exercício do poder constituinte até os
dias de hoje.
Emmanuel- Joseph Sieyés era um padre francês que se interessava muito pela politica,
seus biógrafos afirmam inclusive que ele não levava tanto jeito para ser padre, mas que
possuía vocação para a politica, com isso, em 1789, Sieyés escreveu seu panfleto com o
seguinte título “ o que é o terceiro estado ?” com os ideias e os fundamentos desse panfleto,
Emmanuel foi eleito pelo terceiro estado como deputado e mais tarde, como parlamentarista,
irá fazer parte da transformação dos estados gerais em assembleias nacionais constituintes,
juntamente com a pressão do antigo regime e rei luís XVI. Com isso, podemos afirmar que a
construção teórica do poder constituinte nasce na revolução francesa a partir da obra de
abade Emmanuel Joseph, para melhor compreensão do poder constituinte e necessário que
saibamos que ele dentro do contexto atual no direito, é ilimitado, incondicionado e não prevê
seu próprio fim, as normas que foram consagradas na nossa carta magna de 1988 são
imodificáveis (cláusulas pétreas), nas últimas décadas temos assistido a generalização de
teorias sem fim que negam valores constitucionais fundamentais, como o exercício do poder
constituinte só em ocasiões especiais e a constituição federal sendo pisoteada pelos poderes
legislativos e judiciário. É inegável que a revolução francesa foi um grande feito para o
aprimoramento do poder constituinte atual e o constitucionalismo moderno, a revolução
aconteceu em pequenas etapas, de início, devido a alguns fatores econômicos e políticos o
rei luís XVI, resolveu reunir os três estados, em 1788, e importante destacarmos que não
havia uma reunião desde 1614, com a convocação de 1788, ás três ordens organizaram suas
questões no caderno de queixas para que fossem ouvidas, discutidas e resolvidas. Para
defraudar o terceiro estado e fingir que alguma providência do caderno de queixas seria
resolvida, o primeiro estado para que os estados gerais se organizassem para eleição de
maneira oposta, decidiu que diferente de 1614, o terceiro estado teria o dobro de deputados
que o primeiro e o segundo estado, contudo, no acórdão de 25 de setembro de 1788 foi
determinado que o funcionamento dos estados gerais permaneceria como o de antigamente,
perante a essa situação, iniciaram as denuncias de uma serie de abusos referentes ao
caráter hereditário dos cargos jurídicos, os abusos das custas em espécie e a negação do
direito de censurar leis e até altere-las, diante das demais denuncias e provocações pré-
revolucionárias, o parlamento de Paris intimidou-se e 5 de dezembro de 1788, anulou o
precedente e em um novo acórdão, determinou que o terceiro estado teria teria o dobro de
representantes que o primeiro e o segundo estado, contudo, segundo Albert Mathiez, essa
era uma inútil decisão, tendo em vista que a votação não era per capita e sim por ordem.
A partir do presente artigo, faz-se necessário sabermos a teoria do poder constituinte a partir
da obra de abade Emmanuel Sieyés, durante as campanhas eleitorais, surgem muitas obras
escritas a flor da pele, umas delas foi a obra de Emmanuel sobre o que seria o terceiro
estado, tal obra irá marcar o futuro da própria revolução francesa por abranger os assuntos
que deixavam o terceiro estado insatisfeitos e que tais leis serviam para perpetuar a
sociedade a sociedade francesa do antigo regime. A transformação dos estados gerais em
assembleia nacional iniciou-se basicamente quando em 1789 Sieyés foi eleito deputado pelo
terceiro estado, a partir da sua obra, ele desempenhara um papel importante na revolução
desde 5 de maio de 1789 no palácio de versalhes e em 23 de junho de 1789 quando houve o
juramento do jogo de palá, que foi onde o terceiro estado consagrou a o inicio e o fim da
revolução, decidindo se manter juntos e firmes perante os outros dois estado e seus abusos.
O rei Luis XVI, duvidou e tentou impedir a revolução francesa, após o terceiro estado
conseguir o voto por ordem de forma honesta e meta jurídica, usando como embasamento o
direito natural e racional, fazendo com que o poder constitucional seja justo para todos de
forma que não seja interferido um método jurídico, o rei Luís, debochava e rebaixava o
terceiro estado, nas salas de audiência a nobreza e o clero possuíam um tratamento
totalmente diferente do terceiro estado e cada um desses detalhes faziam o
espírito de revolta dos burgueses crescerem ainda mais. Depois de muitas tentativas do rei,
notaveis e os demais membros que precisavam dos seus direitos feudais tentarem dissolver
as conquistas dos burguerses, esses membros se revoltaram e iniciaram revoltas que ficarem
marcadas, uma delas ficou conhecida como o “grande medo” no qual o campesinato francês
dentre outros demais eventos, os poucos quilômetros de distância entre Versalhes e Paris,
fez a noticia correr, fazendo com que a revolução se espalhasse, transformando literalmente
a assembleia nacional numa assembleia constituinte, com fundamentos de Emmanuel
Joseph Sieys.
REFERÊNCIAS
ARENDT, Hannah. O que é autoridade. In: Entre o passado e o futuro. Tradução de Mauro W.
Barbosa de Almeida. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 1992.
CRUZ, Paulo Márcio. Fundamentos do direito constitucional. 2.ed. Curitiba: Juruá, 2002.
DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de Teoria Geral do Estado. 27 ed. São Paulo: Saraiva,
2007.
DIPPEL, Horst. História do Constitucionalismo Moderno: novas perspectiva. Lisboa:
Fundação Calouste Gulbekian, 2007. Título original:
EPIN, Bernard. Revolução Francesa. São Paulo: Brasiliense, 1989.
FERRAJOLI, Luigi. Derechos y garantías: La ley del más débil. Tradução de Perfecto A.
Ibañez
e Andrea Greppi Madrid: Trotta, 1999. Título original:
FIORAVANTI, Maurizio. Constitución: De la antigüedad a nuestros días. Tradução: Manuel
Martínez Neira. Madrid: Trotta, 2001. Título original: Costituzione.
FIORAVANTI, Maurizio. Constitucionalismo: Esperiencias históricas y tendencias actuales.
Tradução: Adela Mora Cañada e Manuel Martínez Neira. Madrid: Trotta, 2014. Título original:
Costituzionalismo.
GONZÁLEZ VICÉN, Felipe. Teoría de la Revolución: Sistema e historia. 2 ed. Madrid: Plaza
y Valdés, 2010.
HAMPSON, Norman. Historia social de La Revolución Francesa. Tradução de Javier Pradera.
Madrid: Alianza Universidad, 1970. Título original: A Social History of the French Revolution.
HELLER, Hermann. Teoria do Estado. Tradução de Lycurgo G. da Motta. São Paulo: Mestre
Jou, 1968. Título original:
LEFEBVRE, George. O surgimento da Revolução Francesa. Tradução de Cláudia Schilling.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989. Título original: Quatre-vingt-neuf.
MADELIN, Louis. Sieyès. In: Los hombres de la Revolución Francesa. Buenos Aires:
Vergara, 2004. p. 301-333. Titulo original: Les hommes de la Révolution, 1928.
MADISON, James; HAMILTON, Alexandre; JAY, John. Os artigos federalistas. Tradução de
Maria Luiza Borges. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 1993.
MATHIEZ, Albert. História da Revolução Francesa, Vol I: A queda da realeza (1787-1792).
Tradução de Paulo Zincg. São Paulo: Atena Editora, s.d. Título original: