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Neurociência Cognitiva e Educação

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INTRODUÇÃO

Os avanços da Neurociência Cognitiva, sobre os processos de aprendizagem, têm levado pesquisadores a


perceberem a importância da proximidade com a área educacional, bem como a real necessidade de se
desenvolverem pesquisas e práticas sistematizadas sobre o assunto, enfatizando a relação ensino-aprendizagem.

Cognição é um termo de difícil definição, geralmente relacionado a desencadeamentos processuais e funcionais do


cérebro e ao desenvolvimento da aprendizagem. Tem sido apontado, em estudos que se propõem a desvelar os
conteúdos sobre o desenvolvimento da inteligência humana.

A neurociência cognitiva é considerada recente na história das ciências cognitivas, sendo o termo utilizado com maior
expressão, a partir da década de 1970. Decisivamente, os estudos nesta área parecem promissores e
proporcionalmente valiosos, por estarem diretamente centrados no desenvolvimento cognitivo e contribuírem para
evolução da pesquisa sobre os processos de aquisição de conhecimento humano e a aprendizagem pelo que se
acredita que são uma importante contribuição para área educacional e da formação de professores.

O objeto material de estudo das neurociências cognitivas é o cérebro e suas propriedades funcionais, neurológicas e
psicológicas, bem como as de cunho social, provenientes das relações humanas na sociedade. Imaterialmente, a
neurociência cognitiva conjectura sobre a aprendizagem humana. A aprendizagem pode ser definida como um
processo de mudança individual, produzido pela experiência e com caráter adaptativo. Ela ocorre na maioria dos
organismos e espécies que estão em constante modificação e respondendo às experiencias no ambiente.

No conjunto de saberes das neurociências cognitivas está o que já se descobriu sobre o Sistema Nervoso Central
(SNC), local onde acontecem não só os pensamentos, mas, também as emoções, comportamentos e a mobilidade.
Consequentemente, é a partir dos conhecimentos dessa área que surgem avanços e melhorias para a qualidade de
vida das pessoas, por meio da disponibilidade de tratamentos efetivos para variados distúrbios neurológicos, mentais
e físicos. Nesse sentido, a neurociência vem contribuindo significativamente para o desenvolvimento de soluções de
diversos transtornos e doenças, incluindo problemas educacionais.

De forma sintética, o processamento da informação é composto pela recepção, análise e integração de


conhecimentos ou aprendizagens armazenadas na memória. O neurônio é a unidade básica do processamento das
informações do SNC e consiste em um corpo celular em que, em sua estrutura assemelha-se às demais células, mas,
tem peculiaridades próprias de sua natureza que é sinalizadora.

O aumento das sinapses melhora o raciocínio e a memória, pois há um incremento da velocidade da transmissão
entre neurônios e da ação sobre eles dos neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelo próprio cérebro
e que regulam suas funções, o que tem reflexos na capacidade de análise e armazenamento de informações.

O cérebro humano é um órgão permeado de segredos que ainda precisam ser acessados pela ciência, para o
conhecimento de todos. Os 86 bilhões de células nervosas, ou os neurônios, comunicam-se entre si por meio de
impulsos eletroquímicos para produzir atividades como os pensamentos, sentimentos, dor, emoções, sonhos,
movimentos e muitas outras funções mentais e físicas.

Desvendar os processos do cérebro, aliando-os a outras descobertas científicas tem proporcionado novas áreas de
estudo e ampliação dos conhecimentos científicos sobre a aprendizagem. A plasticidade, característica do cérebro de
se remodelar em função das experiências do sujeito, é um dos conhecimentos mais importantes a ser levado em
consideração, na aprendizagem e, portanto, pela área educacional.

O avanço dos neurocientistas, na descoberta, no que diz respeito à plasticidade cerebral oferece uma nova visão de
como acontece o processo de aprendizagem e de aquisição de novas habilidades cerebrais, a plasticidade cerebral
pode ser aplicada à educação, deve-se considerar a facilidade do sistema nervoso em se ajustar diante das
diferenças e influências do ambiente por ocasião do desenvolvimento infantil e também na fase adulta.

A inserção dos avanços da neurociência nos processos educacionais tem levado pesquisadores a perceberem a
importância dessa proximidade das áreas, bem como a real necessidade de se desenvolverem pesquisas e práticas
sistematizadas sobre o assunto, enfatizando a relação ensino-aprendizagem.

Pode-se compreender que da expansão da neurociência cognitiva para o campo educacional emerge a ciência
neuroeducacional. Estudos evidenciam conteúdos sobre a relevância e desenvolvimento da Neuroeducação. Em
geral, afirmam que essa nova ciência pode ser considerada um campo multidisciplinar de conhecimento e de atuação
do profissional da educação.

A neuroeducação, enquanto área do conhecimento atingirá uma conexão de diferentes áreas, tornando-se um campo
multidisciplinar. Percebe-se que a apropriação da aprendizagem, compreendida como modificação de
comportamentos, é o que conecta as disciplinas desse saber. A possibilidade de a neuroeducação ser uma grande
aliada da docência e de todo o contexto educacional conduz à ideia principal da neuroeducação.

A Neuroeducação tem a finalidade de abordar o conhecimento e a inteligência, integrando três áreas principais: a
Psicologia, a Educação e as Neurociências e destaca o objetivo de explicar os comportamentos de aprendizagem. A
neuroeducação dá explicações sobre o papel das emoções no aprendizado, nos processos de tomada de decisão e
nas várias possibilidades de motivação para o aprendizado pelos alunos.

CONCEITOS SOBRE A NEUROCIÊNCIA COGNITIVA

Apesar das pesquisas científicas terem começado no início do século XIX, o termo Neurociência ainda é novo e é
usado para indicar a ciência que estuda o sistema nervoso. Neurociência é uma ciência nova, que trata do
desenvolvimento químico, estrutural e funcional, patológico do sistema nervoso.

Desde o seu nascimento a neurociência tem como sua força motriz, tratar das capacidades mentais mais complexas
inerentes ao ser humano, buscando identificar a zona do cérebro responsável por função da mente. As funções
específicas de cada área do cérebro foram descobertas e desta forma constituíram-se diversas neurociências
dedicadas a estudar estas regiões.

A Neurociência é a simplificação do termo Neurociências que são abordadas em diversos níveis como: Neurociência
Molecular, Neuroquímica ou Neurobiologia Molecular; Neurociência Celular, Neurocitologia ou Neurobiologia Celular;
Neuro-histologia ou Neuroanatomia, Neurofisiologia; Neurociência Comportamental e a Neurociência Cognitiva.

A neurociência cognitiva é a ciência que busca entender como a função cerebral dá lugar às atividades mentais, tais
como a percepção, a memória, a linguagem, incluindo a consciência. E Ainda, a Neurociência Cognitiva se dedica a
estudar o pensamento, a aprendizagem, a memória, o uso das linguagens, e a execução de habilidades assim como o
papel das emoções na construção do saber humano.

Outro conceito importante relacionado ao estudo do cérebro e da neurociência foi a descoberta da plasticidade
neural, a qual nos permite aprender constantemente. O conceito de plasticidade sináptica foi definido há mais de um
século pelo fisiologista Charles Sherrington e é uma propriedade essencial do desenvolvimento e uma das principais
funções cerebrais.

A definição de plasticidade neural como sendo a capacidade adaptativa do Sistema Nervoso Central e sua habilidade
para modificar sua organização estrutural própria e funcionamento. É a propriedade do sistema nervoso que permite
o desenvolvimento de alterações estruturais em resposta a estímulos.

PRINCÍPIOS DA NEUROCIÊNCIA

Neurociência é um conjunto de disciplinas que busca informações sobre o sistema nervoso, propõe-se a esclarecer
sobre os mistérios dos processos cerebrais, as ações do meio externo e interno que podem comprometer o pleno
funcionamento desta enigmática estrutura.

A neurociência é um campo de estudo entre Anatomia, Biologia, Farmacologia, Genética, Patologia, Neurologia,
Psicologia, Psiquiatria, Química, Radiologia e os vislumbrados estudos inerentes à educação humana no ensino e na
aprendizagem.

Existe uma ponte entre os entendimentos da ciência com a educação? Esforços são necessários para compreender
como se aprende, tendo como principal processo a inter-relação do sistema nervoso, as funções cerebrais mentais e
o ambiente. Por isso, a questão é provocar nas ciências da educação essa possibilidade de que aprendizagem e
comportamento começam no cérebro e são mediadas por processos neuroquímicos. Essa maneira encontrada nesse
diálogo, por uma Pedagogia mais neurocientífica, compreendendo que os cérebros humanos são diferentes por meio
de seus processamentos e procedimentos, e que a Neurociência é, assim, um conjunto das disciplinas que estudam,
pelos mais variados métodos, o sistema nervoso e a relação entre as funções cerebrais e mentais.
Não obstante, seria estulto afirmar que a neurociência e pedagogia remotamente responderiam e solucionariam pela
totalidade dos problemas atinentes às crianças no processo de ensino-aprendizagem, pois as questões
socioemocionais e até conflitos intrínsecos precisam de outras áreas correlatas que colaborem para o
aperfeiçoamento humano. Exige-se toda uma conjuntura para que haja um desenvolvimento natural, sem grandes
perdas cognitivas.

Neuropedagogia em sala de aula

A utilização dos conhecimentos da neuropedagogia contribui para que o professor consiga fazer uma análise
biopsicológica e comportamental dos seus alunos. Podendo avaliar mecanismos neuronais que perpassam pela
motricidade, afetividade, emocionais, cognitivos da aprendizagem e, assim, caso haja necessidade, saiba como
solicitar ajuda profissional especializada que compõe a equipe multidisciplinar.

A neurociência, na práxis educacional, é mais uma ferramenta em favor do professor em suas atividades cotidianas e
pode ajudar a solucionar questões que outrora eram obscuras ou até mesmo infundadas.

Deste ponto de vista educacional, conhecer o processo de aprendizagem se tornou um novo desafio para os
professores, e o ambiente desta especificidade é a sala de aula. É preciso configurar este lugar de forma que se
possa promover uma maior convergência entre ciência, aprendizagem, ensino, educação.

Um novo conceito de educandos tem se fortalecido em meio à educação moderna. O “sujeito cerebral”, esse novo
olhar para o aluno, mediante a descoberta da neurociência, denota que o cérebro é o ator fundamental no processo
contínuo de aprendizado. O ser pensante, argumentador e antes de tudo que possui emoções e que precisam ser
respeitadas e valorizadas são características do aluno contemporâneo.

Sob essa nova perspectiva, o professor que não atua mais empiricamente e sim respaldado pela ciência pode
possibilitar uma educação mais conceituada e estruturada, ele é capaz de compreender facilmente que o aluno é um
ser que possui dificuldades, anseios, identidade e culturas próprias. Esse profissional dotado dos conhecimentos
neuronais e suas singularidades poderá despertar o interesse da aprendizagem nos seus discentes ativando as
emoções e afetividade, ajudando na produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina, que são
substâncias naturais liberadas e que são diretamente relacionadas ao prazer. Em contrapartida, uma aula monótona
e sem atrativos libera a adrenalina e cortisol que na prática são os bloqueadores da aprendizagem.

O professor que não instiga seus estudantes à dúvida e à curiosidade inibe o potencial de inteligências e afetividade
no processo de aprender. O cérebro humano no início de uma aula solicitado por meio de conexões neurais, fatos
novos, pois a concentração inicial é fundamental para receber novas informações, devido à produção de acetilcolina,
que mantêm os movimentos das sinapses da célula neural. E, muitas vezes o que professor acaba fazendo? Usa
esses momentos iniciais e preciosos para o cérebro para fazer “chamada” ou “dando” informações que esse cérebro
muitas vezes já conhece, por exemplo, revisão do que já foi dito. Essa estratégia deveria ser reservada para o final da
aula.

O cérebro absorve novidades e tem prazer em desafios. Portanto, reestruturar as ações em sala de aula mediante o
perfil da turma e provocar reflexões ao invés de repetições fará com que os alunos não apenas decorem algo que
será ensinado, mas despertará o desejo de conhecer o novo.

Definição: cognição e consciência

Consciência: vem do Latim conscientia, atributo pelo qual o sujeito pode estabelecer julgamentos morais e atos
realizados por ele ou por outro. Permite que tenha bom-senso, responsabilidade e ética.

Cognição: vem do Latim cognitione, ou aquisição do conhecimento, percepção.

Apesar de ambas as palavras terem significados dessemelhantes, ainda é motivo de confusão no meio educacional,
por isso a importância de ressaltar esta informação.

Plasticidade cerebral

Para entender como se dá a absorção das informações no cérebro humano é importante compreender um pouco seu
funcionamento, mesmo que de forma sucinta, com a intenção de trazer coesão aos fatos a serem abordados.

Em suma, plasticidade cerebral é a capacidade de adaptação do sistema nervoso, ela modifica a estrutura cerebral
para funcionar. Ela se organiza mediante as experiências do ser humano e reprograma todas as conexões de acordo
com o meio ambiente e situações envolvidas. Outrora, este argumento era negado, a ideia de que o cérebro era
programado geneticamente, não havendo possibilidades de modificações se firmou por muito tempo.

Há alguns anos admitia-se que o tecido cerebral não tinha capacidade regenerativa e que o cérebro era definido
geneticamente, ou seja, possuía um programa genético fixo. No entanto, não era possível explicar o fato de pacientes
com lesões severas obterem, com técnicas de terapia, a recuperação da função. Porém, o aumento sobre o cérebro
mostrou que este é muito mais maleável do que até então se imaginava, modificando-se sob efeito da experiência,
das percepções, das ações e dos comportamentos.

Quanto mais estímulo o cérebro receber mais evolutivo ele será. Daí a importância de desafiá-lo e impor a ele mais e
mais informações.

O cérebro se modifica a todo instante, sempre que recebe uma nova informação ocorrem as conexões sinápticas. As
sinapses são as zonas ativas entre as terminações nervosas que transmitem os dados, ou seja, é a comunicação
entre as células nervosas.

Para compreender sobre como chegaram ao conceito atual de neurociência e educação é importante conhecer as
teorias que possui o cérebro como objeto principal de estudos.

Evolução dos estudos científicos

Conhecido como “pai da medicina”, Hipócrates, nascido em 460 a.C., na Grécia, contribuiu significativamente para os
estudos atuais sobre a mente. Hipócrates acreditava que as sensações estavam localizadas no cérebro, e essa
afirmação foi concretizada na ciência hodierna.

Já Aristóteles, filósofo grego e um grande pensador que viveu entre 384 e 322 a.C., afirmara que do coração surgiam
todos os sentimentos, emoções e sensações.

Galeno, por sua vez, interessara-se pelo conteúdo, em 177 d.C., na era que predominava o cristianismo, a teoria dos
ventrículos cerebrais justificava que os órgãos eram responsáveis pela ação do homem, entre elas as funções
cerebrais. Os três ventrículos eram:

• Primeiro: recebia informações ambientais e manifestava as sensações.

• Segundo: processava informações e pensamentos.

• Terceiro: guardava informações, era a memória.

As ideias de Galeno foram refutadas já na era moderna, mais precisamente no século XVI, por Andreas Vesalius,
afirmando categoricamente que nos ventrículos não havia intelectualidade.

Em 1649, Descarte credita à mente o intelecto no cerebral, incluindo toda motricidade, digestão, respiração, sono e a
maioria das funções vitais.

Franz Joseph Gall, anatomista e médico austríaco, conclui em 1790 d.C. que todo comportamento é derivado do
cérebro, determinadas regiões do córtex central eram controladas especificamente, o córtex não agia isoladamente.
E que cada parte cerebral evoluía a partir exercícios estimulantes.

Os mecanismos cerebrais que possibilitavam a geração de teorias sobre as características da natureza humana
prosperavam no pensamento dos ancestrais humanos e ainda assim eles tinham um grande problema: não possuíam
a habilidade de explorar a mente de forma sistemática por meio da experimentação.

Muitos experimentos foram feitos, assim como muitas teorias surgiram ao longo da história, mas muitas se perderam
apenas em especulações sem embasamento ou confirmação. Contudo, foi no final do século XIX que a localização
cerebral como cerne do corpo humano ficou estabelecida como fato.

Teoria da zona do desenvolvimento proximal por Lev Vygotsky

Para relacionar neurociência-pedagogia, necessário se faz citar a contribuição de Vygotsky com suas teorias
socioculturais, pois trazem conexões entre as ciências em pauta. O pesquisador contribui expressivamente para as
áreas quando postula sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal, que se trata da distância entre o desenvolvimento
real que é exatamente a capacidade que o indivíduo possui de forma autônoma e natural. Já o desenvolvimento
potencial é a possibilidade de se alcançar conhecimento além da idade cronológica com auxílio.
É a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente dos
problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de problemas sob a orientação
de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes (VYGOTSKY).

A postura sociointeracionista de Vygotsky propunha que desenvolvimento e aprendizagem se entrelaçam e que o


ensino-aprendizagem é um processo social, dá-se por meio de mediação e interação, o que reitera o pensamento
Vygotskiano, quanto mais o sujeito interage com agentes externos, maior sua capacidade de resolver situações do
cotidiano, dotando-se de conhecimento. A teoria de Vygotsky denota que o cérebro está sempre disposto a adquirir
novas informações e pode evoluir independente, além do que se espera cronologicamente, para ele, o conhecimento
favorece o homem.

Sujeito epistêmico por Jean Piaget

Jean Piaget devotou-se em estudar como se dava a inteligência e desenvolvimento cognitivo. Psicólogo e educador, o
suíço deixou um legado para a educação e psicologia que até os dias atuais colaboram para a evolução mundial.
Piaget encantou-se por epistemologia e foi baseado nas teses do filósofo Imannuel Kant que começara sua jornada
em pesquisa sobre o ser epistêmico.

O sujeito epistêmico remete à pessoa capaz de satisfazer seus próprios desejos, é um ser completo de criticidade,
operante e acima de tudo intelectual. Diz-se então que toda a obra de Piaget estaria centrada no ser gnóstico. Suas
observações eram feitas através de abordagens clínicas, usando entrevistas ao ar livre e não por testes padronizados
para medir o intelecto. Piaget não considerava os testes usuais, pois acreditava que poderiam dar uma falsa resposta
por não levar em consideração várias questões intrínsecas, de momento ou ambientais, nas quais o avaliado estaria
submetido.

Os métodos tradicionais de mensuração da inteligência geralmente trazem questões pré-elaboradas às quais a


pessoa deve responder. Dependendo do seu desempenho, define-se o seu nível intelectual, comparativamente à
população para qual o teste foi construído. Costuma-se dizer que os testes de inteligência fornecem uma boa
fotografia, um retrato instantâneo da capacidade do indivíduo, deixando a desejar no tocante a sua dinâmica.

Piaget pretendia responder como o conhecimento de mundo de uma criança altera enquanto ela se desenvolve. Ele
compreendeu então que a criança é ativa em descobertas e constrói seu próprio entendimento gradativamente e a
sua capacidade de criar suas próprias oportunidades para mudar o mundo que o cerca.

Nas ideias construtivistas de Piaget, o homem possui a inteligência nata e que se acrescenta a partir de interações
sociais. O estudioso desenvolveu a temática sobre as fases do desenvolvimento cognitivo/afetivo.

Na fase Sensório-motor entre 0 a 2 anos é o início das descobertas sensoriais e motoras.

Segue para a percepção de rotinas e em seguida a criança passa a notar as situações a sua volta.

Entre 2 e 6 anos, que é chamada a idade pré-operatório, começa o desenvolvimento oral, a criança torna-se
egocêntrica e faz tudo para chamar a atenção dos que a cercam, inicia a produção de ideias próprias e a criação da
sua identidade enquanto indivíduo social e gnóstico.

Na fase operatório-concreto, entre 6 a 11 anos, a lógica e as respostas são encontradas, surge a moral e respeito ao
próximo e a si, o egocentrismo já vai diminuindo.

Fase operatório-formal, acima de 12 anos, já tem autonomia para tomada de algumas decisões e a socialização já faz
parte da sua rotina.

O construtivismo acredita que não se deve distinguir realidade e prática, cabe ao professor trazer à sala de aula todo
contexto que permeia as relações sociais de forma sistematizada e atrativa.

A aprendizagem é um processo tão importante para o sucesso da sobrevivência do homem que foram organizados
meios educacionais e escolas para tornarem a aprendizagem mais eficiente. As tarefas a serem aprendidas são tão
complexas e importantes que não podem ser deixadas para obra do acaso. As tarefas que os seres humanos são
solicitados a aprender, como, por exemplo, somar, multiplicar, ler, usar a escova de dente, datilografar, demonstrar
atitudes sociais etc., não podem ser aprendidas naturalmente.

Pretende-se entender o comportamento e as atividades, os interesses e atitudes, ideais e crenças, as habilidades e


conhecimento que caracterizam qualquer ser humano, é essencial compreender o processo de aprendizagem porque
ele e a maturação constituem as duas maiores influências que afetam o comportamento humano.
Comparações teóricas sobre o desenvolvimento

Piaget acreditava que o desenvolvimento humano acontecia mediante as suas fases cronológicas, as etapas iriam
construir o conhecimento gradativamente e também através das interações com o meio em que vive. Enquanto
Vygotsky fincava suas ideias na linguagem e pensamento no processo sine qua non de aprendizagem e desempenho
intelectual, para ele, sem linguagem o raciocínio é prejudicado, além da importância da socialização.

Pode-se dizer que existe grande similaridade entre as ideias de Piaget e Vygotsky. Contudo, a principal convergência
era a que o ser humano é estritamente social e que a sua evolução depende das relações entre eles. Com o objetivo
de ilustrar e sintetizar os pensamentos teóricos sobre o comportamento humano, segue um quadro comparativo
entre os pensamentos relacionando-os com a aprendizagem.

O DESENVOLVIMENTO GLOBAL DO SER HUMANO (VÍDEO)

BASES NEURAIS DO CONHECIMENTO

A concepção de aprendizagem está ancorada no conceito atual da neurobiologia, que é, em resumo, o estudo da
organização dos circuitos funcionais das células nervosas, que processam a informação e medeiam o
comportamento. Muito se tem avançado nestas pesquisas, dadas as crescentes inovações dos já referidos estudos de
ressonância magnética funcional, que permitem estudar o cérebro em atividade. A área da neurociência do
aprendizado.

O centro da neurobiologia seria o processo por meio do qual as representações neurais se transformam em imagens
nas nossas mentes, o que cada sujeito experiencia de modo particular, faz interessante distinção conceitual entre
corpo, cérebro e mente, o organismo é o resultado da interação entre corpo e cérebro em duas vias de interconexão:
pela via dos nervos motores e sensoriais periféricos, e pela via mais antiga em termos evolutivos, a corrente
sanguínea, que transporta sinais químicos hormônios, neurotransmissores e neuromoduladores.

O papel do neurotransmissor serotonina no aprendizado e a sua contribuição no comportamento social, visto que a
presença ou ausência dessa substância em sistemas (cerebrais) específicos cujos receptores são também
específicos modificam o funcionamento desses sistemas; tal modificação altera, por cadeia, os outros sistemas, a
expressão final da mudança é comportamental e cognitiva.

Outros neurotransmissores chave são a dopamina, a norepinefrina e a acetilcolina; todos eles são liberados por
neurônios localizados em pequenos núcleos do tronco cerebral ou do procencéfalo basal, cujos axônios terminam no
neocórtex, nos componentes corticais e subcorticais do sistema límbico, responsáveis pelas emoções, nos gânglios
basais e no tálamo. Um dos efeitos da serotonina nos primatas consiste na inibição do comportamento agressivo
todavia curiosamente desempenha outros papéis em outras espécies.

Entretanto, a sensacionalização que esse assunto tem causado, são necessários estudos mais profundos, que levem
em conta os aspectos sociais e neuroquímicos para afirmar que a serotonina diminuiria, por exemplo, índices de
violência, os fatores socioculturais passados e presentes têm uma participação poderosa no processo.

Nesta interação entre corpo e cérebro dos organismos complexos, surgem as respostas ao ambiente, porém tais
organismos complexos, como o humano, fazem mais do que interagir, gerar respostas espontâneas ou reativas,
conhecidas como comportamento: eles armazenam imagens a partir desta conexão com a realidade.

Esse é outro conceito que buscamos trabalhar, o das respostas internas dos organismos, algumas das quais
constituem imagens sonoras, visuais, olfativas, somatossensoriais que são a base da mente, considerando que
mente é possuir a capacidade de exibir imagens internamente e de ordenar essas imagens com um processo
chamado pensamento.

O cerne da neurobiologia é o processo por meio do qual as representações neurais se transformam em imagens nas
mentes dos sujeitos que as experienciam de modo exclusivo, ou seja, cada um compreende à sua maneira particular.
Assim, a natureza das imagens de algo que ainda não aconteceu e que pode, de fato, nunca vir a acontecer não é
diferente da natureza das imagens acerca de algo que já aconteceu e que retemos. Tanto as imagens perceptivas (do
presente momento) quanto aquelas evocadas do passado ou de planos para o futuro são construções do cérebro.

Um conceito interessante que deriva destas reflexões é o fato de que pensar nada mais é do que possuir capacidade
de exibir (evocar) imagens internamente. Podemos traduzir pensar de maneira mais formal pela expressão possuir
fenômenos mentais, cognição ou processos cognitivos. “Alguns organismos possuem tanto comportamento como
cognição. Outros desenvolvem ações inteligentes, mas não possuem mente. Nenhum organismo parece ter mente e
não ter ações.

A aprendizagem, portanto, do ponto de vista biofisiológico, está associada a prazer, liberação de


serotonina, neurotransmissor, memória, atenção voluntária focada e significação do que se está aprendendo. A
formação do pensamento (evocação das imagens “armazenadas”) tem relação estreita com as circunstâncias em que
elas as imagens foram produzidas. E, neste aspecto, a linguagem também tem um papel fundamental na evocação
das imagens e, portanto, na formação desta mente socialmente partilhada. Para a neurobiologia, quanto mais
recursos forem empregados na transmissão de uma informação, tanto melhor ela se fixará na memória de longa
duração o que tem importantes implicações pedagógicas para a estimulação da aprendizagem dentro e fora da
escola.

Nesse sentido, o conceito de conhecimento visceral a percepção do sujeito entre a relação objeto versus estado
emocional do seu corpo. Acerca disso, acredita-se que os seres humanos não chegaram nem perto do limite
cerebral para armazenar informações, provavelmente por não o exercitarem suficientemente ou pela interferência
das emoções.

Na perspectiva dessa reflexão neurobiológica, este estudo está centrado nas significativas evidências da conexão
corpo (organismo) e mente (imagens) para construção do aprendizado.

UMA INTRODUÇÃO À ABORDAGEM NEUROPSICOLÓGICA DE


LURIA

Apresentaremos na abordagem Luriana, as estruturas anatômicas cerebrais e as vias neurais que compõem os
sistemas funcionais dos processos mentais superiores proporcionando a cognição, a aprendizagem e a linguagem,
sem deixar de perceber as interferências dos aspectos socioculturais.

Assim, cabe salientar que a proposta não é fazer o leitor decorar nomes das estruturas neuroanatomofisiológicas,
mas que conheça as funções corticais envolvidas na cognição, aprendizagem e linguagem, criando um vínculo
interativo e dialógico no campo da educação, em relação às condutas pedagógicas em sala de aula.

A organização da atividade cerebral acerca das funções mentais superiores ou processos psicológicos superiores
demonstram o dinamismo cerebral complexo, o qual Luria descreve em sua empreitada neurocientífica. A Abordagem
Neuropsicológica de Luria é compreendida como um avanço na explicação dos mecanismos neuroanatomofisiológicos
das funções mentais superiores, nas quais várias partes anatômicas do cérebro se inter-relacionam numa cooperação
funcional complexa e organizada.

Um exemplo muito claro é a linguagem, que não é processada por uma única região do cérebro, mas por diferentes
sistemas neurais espalhados por todo ele. Portanto, a linguagem, como substrato da aprendizagem, é concebida
como um aspecto cognitivo complexo, compreendendo, a competência comunicativa, os recursos expressivos,
receptivos, abstratos, interpretativos e motores que dependem dos sistemas funcionais.

De acordo com a abordagem Luriana, o processo neural da linguagem ocorre em três unidades funcionais que se
inter-relacionam, conforme disposto a seguir:

A primeira unidade (Unidade Funcional I) emerge do mecanismo da atividade consciente que se inicia na formação
reticular do tronco encefálico.

Unidade Funcional I: constitui o Sistema Reticular Ativador Ascendente (SRAA), com a função de regulação do
tônus cortical e o nível de vigília e sono. Esta unidade funcional está localizada, anatomicamente, abaixo do nível do
córtex e, fisiologicamente, regula o estado de consciência influenciando todos os processos cognitivos. Em outras
palavras, é como se estivéssemos ligando uma tomada para começarmos a funcionar num estado de vigília e
conscientes, porém o nível de excitação do sistema como um todo pode ir mudando gradualmente, modulando o
estado funcional de todo o sistema nervoso.

A Unidade Funcional II: é constituída pelos lobos temporais, parietais e occipitais e suas respectivas
especificidades para as habilidades auditivas, tátil-cinestésica e visuais, compreendendo também, hierarquicamente,
as áreas ou zonas primárias, secundárias, terciária ou associativa destas habilidades (associação parieto-têmporo-
occiptal).
As funções inerentes a estas estruturas, que são: receber, analisar e armazenar os estímulos de natureza auditiva,
tátil-cinestésica e visual, recodificar as informações recebidas, são nomeadas por Luria, como zonas secundárias das
áreas corticais posteriores (aferentes). Desta forma, a Unidade Funcional II permite a organização da compreensão da
linguagem por meio das funções exercidas confluentes à Área de Wernicke. Esta área está localizada na parte
posterior do giro superior do lobo temporal, sendo “uma região de grande importância para funções superiores, já
que muitas das funções intelectuais, se não todas, são baseadas em linguagem.

O último sistema funcional ou a Unidade Funcional III: são os lobos frontais como o mais importante e
essencial, como se estes cumprissem um papel maestral na consciência humana sob as demais unidades funcionais

Um papel mais importante na formação da atividade consciente é representado pelos lobos frontais. Com sua íntima
participação na formação das intenções e nos programas de ação, subordinando a atividade aos focos dominantes,
inibindo os fatores intervenientes e permitindo que os resultados das ações sejam comparados às intenções originais,
os lobos frontais desempenham um papel essencial na regulamentação consciente do comportamento e no
asseguramento da estável seletividade da atividade do homem, que é dirigida por um objetivo.

Portanto, os lobos frontais desempenham as funções de: programação das ações, regulação, produção da linguagem,
controle de conduta ou autocontrole, relação e julgamento social refletindo as consequências dessas atitudes. A
Unidade Funcional III é diretamente influenciada pela maturação ao longo do desenvolvimento humano, o que nos
leva a refletir sobre os níveis exagerados de cobranças de atitudes dos docentes sobre os discentes, no ambiente
escolar.

Anatomicamente, a Unidade Funcional III também é composta hierarquicamente de áreas ou zonas primárias,
secundárias, terciária ou associativa pré-frontal; esta última recebendo informações da área de associação parieto-
têmporo-occiptal (Unidade funcional II) e planejando o movimento (motor) de resposta, como a fala. Para isso, conta
com uma região chamada de Área de Broca localizada na parte posterior e lateral do córtex pré-frontal e é
responsável pela produção da fala e linguagem formação e expressão das palavras. A Área de Wernicke está em
constante associação com a Área de Broca, possibilitando, respectivamente, os circuitos neurais de compreensão e
produção/expressão da fala e linguagem.

Podemos perceber que, embora cada unidade tenha uma função singular e específica, a cognição depende de uma
colaboração íntima entre todas as três unidades. Este é um postulado básico da teoria de Luria. Daí a importância dos
docentes compreenderem os sistemas funcionais ou as Unidades Funcionais que proporcionam os processos
cognitivos superiores como a linguagem e a aprendizagem, possibilitando, talvez, outra ótica no fazer cotidiano em
sala de aula.

NEUROEDUCAÇÃO NAS PRÁTICAS DOCENTES

A neuroeducação reúne áreas como a neurociência, a psicologia e a educação visando a melhoria da aprendizagem,
pois possibilita uma melhor compreensão de como o cérebro aprende o que, consequentemente, leva a uma busca
de novos métodos de ensino e aprendizagem. O educar, no contexto escolar, está voltado para o ensino e
aprendizagem que é irrefutável para formação de cidadãos aptos a mudarem o cenário em que vivem. Ou seja, uma
educação que perpasse os muros da escola, que viabilize a emancipação do sujeito.

Quando a neuroeducação entra em cena, trazendo seu arsenal de orientações, a possibilidade de ocorrer mudanças
significativas na vida do estudante aumenta, pois os educadores compreendem melhor as diferenças e as
especificidades relativas à aprendizagem de seus estudantes.

Com o avanço tecnológico, tem se buscado renovar a forma de ensinar. Assim, muitas mudanças vêm ocorrendo nos
sistemas educativos visando avanços na educação. Em paralelo, temos o advento das neurociências, e
especificamente da neuroeducação com suas descobertas, que evidencia a urgente necessidade de repensar e
reformular as metodologias de ensino utilizadas pelos professores.

Os estudos nessa área têm possibilitado compreender como nosso cérebro aprende. A neuroeducação é um dos
ramos da neurociência que se interessa em verificar a relação de determinas áreas do cérebro humano com o
processo de aprendizagem, como por exemplo, a memória, a emoção a afetividade, a linguagem, a atenção e as
funções executivas. Essas investigações têm despertado o interesse dos cientistas e dos educadores, pois tal
conhecimento configura-se como uma necessidade de uma nova modelagem nos processos educativos.

O objetivo deste curso é possibilitar reflexões acerca da prática em educação orientadas pela neuroeducação, tendo
em vista os métodos de avaliação e a necessidade de formação dos professores. A partir do reconhecimento da
importância fundamental destes no processo educativo.

Diante desse contexto, a neurociência, mais precisamente a neuroeducação, pode fomentar uma mudança na visão
de como ensinar, promovendo uma aprendizagem de fato significativa no que se refere às concepções acerca do
entendimento do arranjo das conexões cerebrais dos discentes envolvidas no processo de aprender, ajudando o
docente a produzir situações didáticas que favoreçam o aprendizado e consequentemente possibilitar a introdução
de novas formas de avaliar.

A neurociência pode auxiliar nos processos inclusórios. E isso ocorre na medida em que os professores reconhecem
as dificuldades cognitivas que alguns alunos apresentam, e dessa maneira procuram rever seus métodos avaliativos
e repaginar suas aulas no sentido de tornar aprendizagem mais acessível para os diferentes sujeitos do contexto. A
neurociência no que tange o conceito de aprendizagem diz que, aprender é mudar o cérebro conforme as
experiências. O processamento de informações, as conexões entre neurônios, são as sinapses, que remodelam o que
acontece no seu cérebro em função do aprendizado, ou seja, o caminho certo depende do aprendizado.

ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO (VÍDEO)

O PROCESSO DE APRENDIZAGEM E A NEUROCIÊNCIA

Os avanços tecnológicos e científicos provocam na sociedade atual inúmeras mudanças, tais avanços disponibilizam
uma gama maior de informações. Frente a este cenário é importante fomentar uma aprendizagem que gere
conhecimento, e ao mesmo tempo, uma educação que ofereça formas eficazes de ensino. Diante disso, é
indispensável explorar e estimular o potencial de aprendizado dos estudantes. Em que pese tal necessidade, as
pesquisas no âmbito educativo sobre a neurociência e a aprendizagem são oportunas e podem promover uma
potencialização do desempenho individual dos estudantes.

Tradicionalmente os métodos pedagógicos instrucionais não permitem dar uma atenção à individualidade do
estudante, o que descarta a possibilidade de lidar com as características pessoais de cada indivíduo. Porquanto, o
primeiro passo para fomentar novas metodologias é respeitar a individualidade e, subsequentemente, desenvolver a
motivação do educando.

No panorama atual o conceito da motivação tem sido explorado muito mais no âmbito do trabalho do que no âmbito
da educação, nota-se isso nas atividades desenvolvidas para profissionais até mesmo na área da educação. Contudo,
tais atividades não são transcendentalizadas para o ambiente da sala de aula. Caso a educação tenha o papel de
fomentar a cultura da cidadania, então este passo deve ser dado nos ambientes educacionais, fomentando atividades
pedagógicas que despertem o aprendizado no estudante, e mais, que promovam a autonomia, o esclarecimento e a
produção de conhecimento. Ou seja, isso é possível através de estratégias metodológicas que garantam a ampliação
do potencial cognitivo de cada indivíduo.

Frente ao cenário construído acima, a neurociência se apresenta como um elemento de contributo para a formação
teórica do docente, assim, a neurociência através de suas pesquisas pode fornecer informações essenciais na
compreensão da aprendizagem do estudante. Observa-se que esta perspectiva, da neurociência, é um produto
referido nas últimas décadas.

Cabe às pesquisas científicas a necessidade de aproximar os estudos da neurociência aos processos de


aprendizagem. Frente a este fenômeno científico é possível fortalecer a educação com uma estrutura esclarecida que
promova novos sistemas de aprendizagem, sobrepondo aos tradicionais quadros negros, otimizando a ação do
docente.

No tocante ao conceito de motivação, observa-se que alguns fatores tornam o ambiente educacional menos atrativo
e, portanto, menos motivado do que os ambientes externos os quais ofertam atrativos midiáticos. É possível afirmar
que o estudante de hoje vive em um mundo repleto de tecnologias que encantam e fascinam a estes. No entanto, o
ambiente educacional não oferece os mesmos padrões de atratividade, gerando falta de motivação frente ao ato de
estudar.

Atualmente a educação, tanto do ponto de vista do docente quanto do estudante passa por um desafio não só
tecnológico, mas metodológico. Neste caso, a metodologia ou a didática busca compreender como é possível
despertar nos próprios estudantes a aprendizagem, e qual método é mais efetivo frente as características de cada
estudante. Assim, a neurociência pode colaborador para a compreensão dos processos motivacionais e por
consequência melhorar a aprendizagem do estudante.

Estamos vivendo em um século onde o estudo da mente e do cérebro tornou-se imprescindível para o entendimento
de diversas situações, inclusive no que tange o entendimento de como acontece o processo de ensino aprendizagem.
Neste sentido, o campo científico da neurociência apresenta inúmeros estudos sobre o funcionamento cerebral. Estes
estudos fazem uso de recursos tecnológicos sofisticados, como técnicas de mapeamento de imagens através das
quais é possível, além de analisar detalhadamente a anatomia do cérebro, identificar que partes dele trabalham
quando se realiza uma ação.

A neurociência cognitiva, que estuda o desenvolvimento da atenção e da compreensão das atividades cerebrais e dos
processos de cognição, apresenta em suas pesquisas que os processos de aprendizagem humana são consequências
da elaboração de informações advindas das percepções cerebrais. Tal questão difere da ideia de que o
armazenamento de informação é unicamente o fator da aprendizagem humana.

Os pesquisadores da neurociência cognitiva destacam que o ser humano encontra-se em permanente busca de
respostas às percepções, às ações sociais e aos pensamentos. Tal fator gera reações neurais constantes que
reorganizam os padrões cognitivos alterando-os frente ao processo sináptico. Assim, o fluxo de informações
recebidas através dos sentidos estimula a atividade mental e por consequência a estruturação de conjuntos neurais.
Ou seja, o cérebro é visto como um sistema dinâmico em constante interação com outros sistemas, tal complexidade
demonstra que o armazenamento de informações não é um sistema estático e fragmentado.

Para alguns autores e pesquisadores, o armazenamento de informações ocorre através da memória, como também a
evocação das informações que estão armazenadas, ou seja, a aprendizagem não é uma atividade simples, ela requer
competências para organizar as informações já armazenadas e também as novas informações recebidas, a fim de
promover novas ações sem danificar as existentes. Por conseguinte, aprender é um ato complexo, uma vez que,
envolve a execução de atividades resultando em ações mentais, doutro modo, o planejamento da aprendizagem
deve ser organizado visando resultados efetivos.

O ato da aprendizagem deve oferecer ações de experiência que possibilitam estimular atividades intelectuais, e,
como consequência, a ativação de novas sinapses. A experiência e o estímulo geram informações que se integram ao
sistema funcional gerando aprendizagem. Neste caso, a complexidade de informações organizadas pode gerar a
evolução do conhecimento no estudante, pois buscará novas estratégias cognitivas para reorganizar o equilíbrio na
construção do conhecimento.

Para inúmeras pesquisas científicas elaboradas atualmente, a neurociência constituí uma das principais abordagens
que se propõe compreender a complexidade que é a cognição humana. Tal compreensão proporciona aos
professores/educadores condições para estimular a motivação em sala de aula assegurando a possibilidade de
explorar profundamente as capacidades de seus estudantes.

Os recursos didáticos, como informações visuais e auditivas bem como o comportamento docente são elementos
desencadeadores de pensamentos e raciocínios, além de serem capazes de configurar determinada identidade
emocional, em virtude de pensamentos e memórias, que evocam lembranças e manipulam a interpretação na mente.

Diversas descobertas científicas recentes alimentam os debates sobre a relação entre neurociências e educação, tais
como as evidências de que o direcionamento da atenção do aluno para pontos específicos do material estudado
favorece a retenção de memórias, de que gestos não verbais antecedem saltos cognitivos, e de que o aprendizado
linguístico baseado em morfemas e grafemas é mais eficaz do que o ensino de palavras inteiras. O papel dos jogos
pedagógicos computacionais ainda é controverso, mas alguns estudos sugerem que a prática de certos jogos pode
reverter déficits de aprendizado característicos da dislexia, e até mesmo acarretar a transferência de habilidades
entre domínios cognitivos distintos.

Nota-se que para uma adequação das metodologias de ensino é necessário que o educador compreenda a
importância de algumas questões que quanto mais complexa a atividade proposta e à medida que se eleva o grau de
raciocínio, maior poderá ser o interesse do estudante, pois os desafios são encarados como ações pedagógicas
frutíferas. Doutro modo, o educador deve ter a noção que sua ação pedagógica desencadeia no organismo do
educando reações neurológicas e hormonais que podem influenciar na motivação para aprender. Caso o educador
desconheça a dinâmica da mente/cérebro, as atividades propostas podem ser desastrosas.

Cabe destacar aqui que a articulação entre as neurociências e a educação tem como objetivo primordial adicionar
informações científicas e subsidiar futuras ações práticas, se constituindo em um saber pertinente e útil para a
prática profissional da docência. Neste sentido, que este novo saber passaria a constituir um forte embasamento
teórico para o saber-fazer docente, pois possibilitaria como consequência não só a revisão dos processos de
aprendizagem, como também um melhor conhecimento do processo de ensinar, imprimindo uma reorientação da
transposição didática.

Quando os alunos percebem o significado ou a utilidade intrínseca do que devem aprender, seu interesse aumenta
em praticamente todos os casos, embora mais naqueles que tendem a atuar buscando o desenvolvimento da
competência pessoal e o desfrute da tarefa, motivação que contribui não apenas para maior aprendizagem e
desenvolvimento, mas também para um maior bem-estar pessoal.

Ainda sobre a motivação, em face às novas concepções do processo de aprendizagem, a motivação passou a
constituir o centro de interesse de todo o processo educativo. Sabe-se que a aprendizagem é um processo de
atividade pessoal, reflexiva e sistemática, dependente do acionamento de todas as potencialidades do educando, sob
a orientação do educador, a fim de conduzir a um ajustamento pessoal e sociocultural adequado. Assim, a
aprendizagem como modificação do comportamento, que tende a perdurar, integra-se em todo o sistema de
ajustamento individual, e, apenas se dá à medida que satisfaça a motivos individuais, que evidentemente
impulsionam o ser humano a atividade necessária para aprender.

O estudo da motivação humana para aprender representa uma necessidade conhecida na medida em que o conteúdo
e os métodos da educação devem, sempre que possível, respeitar os motivos individuais e os da comunidade em que
o educando vive. Isso significa que o educador, enquanto orientador das atividades e agente socializador, é também
mediador entre os motivos individuais que levam o educando a aprendizagem e os objetivos específicos da disciplina.

Grande parte das dificuldades que a escola atual enfrenta tem sua origem nos problemas de motivação. Na medida
em que a escola compreender e fizer uso de técnicas motivadoras, as mesmas apresentarão como resultado o
interesse por parte dos estudantes, bem como, concentração, atenção, atividades produtivas e eficientes. Neste
sentido, conclui-se que a educação não pode prescindir da motivação.

Para motivar os estudantes é imprescindível analisar as formas de pensar e aprender para assim desenvolver
estratégias de ensino que possam oferecer condições reais, inserindo-os no processo histórico como agentes. Os
educandos devem sentir-se estimulados a aplicar seus esquemas cognitivos e a refletir sobre suas próprias
percepções nos processos educacionais, de modo que avancem em seus conhecimentos e em suas formas de pensar
e perceber a realidade. Pois, à medida que os educandos aderem às propostas feitas pelo educador, terá certamente,
uma mudança de comportamento, o que pressupõe a aprendizagem.

Notoriamente, a tríade: motivação, aprendizagem e neurociência, podem contribuir de modo eficaz para com a
produção de conhecimento. Tal contribuição é relevante à educação nos moldes em que se encontra no momento
histórico atual. Neste sentido, é possível construir caminhos que possibilitem explorar o ambiente da sala de aula de
modo mais produtivo e harmônico.

ABORDAGEM DO CONTEÚDO

A NEUROCIÊNCIA E A EDUCAÇÃO

As funções intelectuais como a memória, linguagem, atenção, emoções, assim como ensinar e aprender, são
produzidas pela atividade dos neurônios no nosso encéfalo. O encéfalo é o órgão da aprendizagem. O encéfalo
humano é composto por aproximadamente 86 bilhões de neurônios, as células nervosas, que interagem entre si e
com outras células formando redes neurais para que possamos aprender o que é significativo e relevante para a vida.

Os neurônios são células altamente excitáveis que se comunicam entre si ou com outras células por meio de uma
linguagem eletroquímica. O nosso comportamento depende do número de neurônios envolvidos nesta rede de
comunicação neural e dos seus neurotransmissores, que são substâncias químicas que modulam a atividade celular,
acentuando ou inibindo a comunicação entre os neurônios. A maioria dos neurônios possui três regiões responsáveis
por funções especializadas: corpo celular, dendritos e axônio.

Desenho esquemático de um neurônio. Observe o corpo celular que contém o núcleo celular, os prolongamentos
chamados dendritos e o axônio.

As sinapses, ou seja, as conexões entre as células nervosas que compõe as diversas redes neurais vão se tornando
mais bem estabelecidas e mais complexas, à medida que o aprendiz interage com o meio ambiente interno e
externo. Desta forma, é verdadeiro que crianças pouco ou não estimuladas durante a infância podem apresentar
dificuldade de aprendizagem. Nestes casos ao encéfalo delas não foi dada a oportunidade de se desenvolver
plenamente, alcançando toda a sua potencialidade. Estas crianças, para alcançar os objetivos de desenvolvimento e
competência, precisarão de estímulos bem direcionados e de estratégias alternativas de aprendizagem para poderem
ter chances de desenvolver as habilidades não desenvolvidas.

Além dos neurônios, o sistema nervoso é composto por células da glia, que possuem funções importantes e distintas,
como suporte, defesa, auxílio na transmissão do impulso nervoso, produção de líquor, entre outras. No sistema
nervoso central, além dos 86 bilhões de neurônios, existem 85 bilhões de células da glia, que são os astrócitos,
oligodendrócitos, micróglia e células ependimárias. Estas células possuem funções variadas e primordiais.
Resumidamente, os astrócitos captam o excesso de neurotrasmissores e dão suporte para o estabelecimento dos
neurônios em seus devidos lugares durante o desenvolvimento. Os oligodendrócitos produzem bainha de mielina,
uma substância isolante lipoproteica que reveste os axônios, facilitando e acelerando a transmissão do impulso
nervoso nos neurônios. A micróglia atua como célula de defesa, enquanto as células ependimárias produzem o líquor
ou líquido encéfalo-espinhal, que reveste todo nosso sistema nervoso, funcionando como uma barreira mecânica
contra impactos.

Neurônios e células da glia

Todas estas células, sejam elas neurônios ou células da glia compõem o tecido nervoso, que é a base de construção
do encéfalo. O encéfalo humano é um órgão único, nobre, que juntamente ao cerebelo e tronco encefálico formam o
encéfalo. O encéfalo é todo o conjunto de estruturas localizadas no interior do crânio. O cérebro é responsável pelas
emoções, raciocínio, aprendizagem, é a sede das sensações e movimentos voluntários. Ele possui áreas responsáveis
por funções específicas e globais, conforme demonstrado abaixo.

Funções específicas e globais do cérebro humano

O cérebro humano possui cinco divisões anatômicas, os lobos cerebrais. Existem cinco lobos: frontal, parietal,
occipital, temporal e insular. O lobo frontal é responsável pela tomada de decisão, julgamento, memória recente,
crítica, raciocínio. O lobo parietal está relacionado às sensações e a interpretação das sensações, pelo senso de
localização do corpo e do meio ambiente. O lobo occipital ocupa-se basicamente com a visão, enquanto o temporal,
com a audição. O lobo insular está relacionado a processos emocionais fortemente influenciados pelos órgãos dos
sentidos. Além desta divisão anatômica, podemos notar que a superfície do cérebro do homem apresenta depressões
denominadas sulcos, que delimitam os giros cerebrais. A existência dos sulcos permite considerável aumento de
superfície sem grande aumento do volume cerebral e sabe-se que cerca de dois terços da área ocupada pelo córtex
cerebral estão "escondidos" nos sulcos.

Lobos cerebrais

Como as neurociências podem contribuir para melhorar o processo ensino e aprendizagem? O conhecimento sobre
funcionamento do encéfalo pode contribuir para beneficiar o processo ensino e aprendizagem?

As neurociências descrevem a estrutura e funcionamento do sistema nervoso, enquanto a educação cria condições
que promovem o desenvolvimento de competências. Os professores atuam como agentes nas mudanças cerebrais
que levam à aprendizagem. As estratégias pedagógicas utilizadas por professores durante o processo ensino-
aprendizagem são estímulos que produzem a reorganização do sistema nervoso em desenvolvimento, resultando em
mudanças comportamentais.

A RELEVÂNCIA DO NEURODESENVOLVIMENTO (VÍDEO)

NEUROPLASTICIDADE

A neuroplasticidade é a capacidade que o encéfalo possui em se reorganizar ou readaptar frente a novos estímulos,
sejam eles positivos ou negativos. As sinapses ou conexões entre os neurônios se modificam durante o processo de
aprendizagem, quando há evocação da memória, quando adquirimos novas habilidades.

Ao analisar os neurônios após um processo de aprendizagem, pode-se observar várias modificações estruturais que
ocorreram, tais como o brotamento de espículas dendríticas, brotamento axonal colateral e desmascaramento de
sinapses silentes. A neuroplasticidade possibilita a reorganização da estrutura do encéfalo e constitui a
fundamentação neurocientífica do processo de aprendizagem. As estratégias pedagógicas devem utilizar recursos
que sejam multissensoriais, para ativação de múltiplas redes neurais que estabelecerão associação entre si. Se as
informações/experiências forem repetidas, a atividade mais frequente dos neurônios relacionados a elas, resultará
em neuroplasticidade e produzirá sinapses mais consolidadas.

Aprender, entretanto, não depende só dos neurônios em suas redes neurais, das células da glia e do cérebro com
seus lobos, mas, sim também, do estado de saúde em que a pessoa se encontra. Simplificadamente, existem cinco
fatores que contribuem para um encéfalo saudável:

(1) a prática regular de exercícios físicos que sejam prazerosos a quem os realiza. Estes exercícios podem ser
caminhadas, dança, natação, musculação, etc.;

(2) alimentação balanceada, incluindo proteínas, carboidratos, gorduras, sais minerais e vitaminas;

(3) sono tranquilo, regular e satisfatório;

(4) bom humor e otimismo ao se viver;

(5) manter a mente em funcionamento, aprendendo algo novo a cada dia.

Neurociência - faça na prática: 10 passos para os seus alunos aprenderem melhor.

1. Introduzir o material a ser aprendido fazendo ligações com o que já é sabido.

2. Criar situações semelhantes à vida real.

3. Criar oportunidades de rememoração e de novas associações.

4. Utilizar trabalhos em grupo seguidos de exposição pelos alunos.

5. Aprender fazendo.

6. Utilizar técnicas mnemônicas, ou seja, que auxiliam a memória, como a música, rimas.

7. Dividir as atividades em intervalos.

8. Introduzir o novo, o intenso e o pouco usual.

9. Utilizar tempo de relaxamento entre as atividades.

10. Levar em conta a necessidade de consolidação da memória.

PSICOPEDAGOGIA ESCOLAR E A NEUROCIÊNCIA

A aprendizagem é um dos principais objetivos de toda e qualquer prática pedagógica, a compreensão do que se
entende por aprender é fundamental na construção de uma nova proposta de educação, mais aberta e dinâmica,
definindo, por consequência, práticas pedagógicas transformadoras. No complexo processo que envolve a
aprendizagem, revela-se significante a atuação preventiva do psicopedagogo no contexto escolar, onde muitas
informações e vários aspectos precisam ser observados e analisados.

Ter conhecimento de como o aluno constrói o seu saber, compreender as dimensões das relações com a escola, com
os professores, com o conteúdo e relacioná-los aos aspectos afetivos e cognitivos, permite um fazer mais fidedigno
ao psicopedagogo. O desenvolvimento do aluno se dá de forma harmoniosa e equilibrada nas diferentes condições,
orgânica, emocional, cognitiva e social.

A neurociência diante dos sistemas educacionais possui um papel muito importante quando aliada ao educador para
compreender, e entender as etapas da construção do processo de aquisição do conhecimento em que cada educando
passa.

A neurociência quando dialoga com a educação promove caminhos para o educador tornar-se um mediador do como
ensinar com qualidade. Entretanto torna-se fundamental pra o professor promover estímulos corretos no momento
certo pra que se possa integrar, associar e entender. Esses estímulos, quando emoldurados e aplicados no cotidiano,
podem ser transformados em uma aprendizagem significativa e prazerosa.

O educador quanto mediador do processo de aprendizagem, necessita ter um amplo conhecimento sobre a
neurociência, pois, desta forma, ajudará o mesmo a buscar métodos e práticas adequadas de acordo com a faixa
etária com que atua. O conhecimento da neurociência permite que o educador analise melhor sua prática docente, e
o próprio desenvolvimento de seus educandos, permitindo este detectar possíveis problemas de aprendizagem,
assim evitando futuros fracassos escolares.

A neurociência e o desvendar dos estudos dos cérebros na sala de aula podem e muito contribuir para uma educação
mais justa e menos excludente, pois assim o educador tem a possibilidade de compreender melhor como ensinar,
pois existem diferentes maneiras de se aprender.

Com passar do tempo, houve a necessidade de compreender e investigar os processos que norteiam a cognição
humana, desta forma com o aparecimento das tecnologias, como os exames por imagens (Ressonância Magnética de
Imagens) que permite analise em tempo real das atividades cerebrais, possibilitando um melhor aprofundamento do
conhecimento sobre o funcionamento do sistema neuronal.

Em relação a esta profunda investigação, surge a importância da neurociência na promoção de estudos frente ao
desenvolvimento da atividade cerebral no ser humano ao longo da vida. A neurociência estuda o sistema nervoso
central, em seu pleno desenvolvimento nos aspectos neuroquímicos, biológicos celular, anatômico, filosófico,
psicológico, emocional e social para a compreensão do comportamento humano.

A ciência desvelou que nascemos com mais de 80 bilhões de neurônios que se comunicam por sinapses estruturas
por meio das quais as células do cérebro se conectam que transmitem informações nas formas de sinais químicos e
elétricos. Cada vez que o córtex cerebral recebe dados sensoriais de uma experiência, as sinapses formam padrões
de comunicação entre os neurônios, resultando na criação de redes neurais de conhecimentos.

Percebe-se as consequências e os efeitos de uma nova experiência, ou seja, aprendizagem no sistema cerebral, como
a criação de uma nova ligação neuronal, que será responsável por uma nova sinapse, a qual contribuirá para a
construção de um novo conhecimento ou aquisição de uma nova habilidade. O cérebro humano fará estes processos
ao longo da vida, entretanto, ao invés de somente criar novas ligações neuronais, o mesmo destruirá as ligações
neuronais que não são necessárias por falta de estimulação, acarretando na perda de determinado conhecimento, ou
habilidade em que era responsável. Com bases nestas afirmações, compreendeu que o processo de aprendizagem se
dá no sistema nervoso central, que é uma estrutura complexa, quando chega ao sistema nervoso central uma
informação inteiramente nova, ela nada evoca, e sim produz uma mudança isso é aprendizado do ponto de vista
estritamente neurobiológico.

Desse modo, poder-se dizer que o cérebro é o centro do aprender e, embora quando nascemos já o temos
razoavelmente construído, dependemos de estímulos para que nosso cérebro possa desenvolver-se ao longo da vida.
A aprendizagem é, pois, o processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente, ativando as sinapses,
tornando-as mais “intensas”.

Em decorrência, estas sinapses constituem-se em circuitos que processam as informações, com capacidade
molecular de armazenamento destas informações. O cérebro humano tem a capacidade de se adaptar às novas
situações, isso porque é adotado de estruturas cerebrais denominadas neurônios que realizam sinapses em cada
informação recebida e processada pelo cérebro. Essa capacidade de reorganização denomina-se plasticidade
cerebral, considerando ponto culminante da nossa existência, e desenvolvimento que se dá ao longo da vida.

Esse conhecimento tem provocado discussões e mudanças no campo pedagógico. Ao saber que o cérebro é uma
estrutura moldável pelos estímulos ambientais e que nele ocorre aprendizagem, é essencial que a escola apresente o
conhecimento em um formato que o cérebro aprenda melhor, uma vez que a aprendizagem significativa provoca
alteração na taxa de conexão sináptica e afeta a função cerebral.

Ao pensarmos a conexão possível entre neurologia e desenvolvimento, mais especificamente desenvolvimento


cognitivo, devemos pensar que o próprio desenvolvimento neurológico só é possível por meio da conexão do sistema
neural com o ambiente. A essa conexão damos o nome de aprendizagem.

A neurociência e a psicopedagogia vem compor um ambiente científico e colaborar com a docência, pois, auxilia o
professor a compreender os elementos inerentes ao processo de aprendizagem, tais como a memória, a cognição, a
atenção e o funcionamento do cérebro de uma forma geral, apropriando-se o conhecimento dos várias possibilidades
e maneiras do aprender ou, em outras palavras, o estudo do cérebro traz, de fato, várias colaborações importantes
para compreender melhor os processos envolvidos, tanto em quem ensina como em quem aprende.

A junção da neurociência com a educação surgiu com o intuito de compreender as necessidades reais dos
estudantes, deixando de lado a preocupação que todo educador possuí, de conseguir passar todo o conteúdo e seguir
à risca o currículo escolar determinado em cada nível. Estes dois elementos, convidam-nos a refletir sobre a prática
cotidiana, dando a real importância à significação da aprendizagem, a maneira como esta se efetiva em cada
indivíduo, pois, cada qual possuí seu tempo de aquisição do conhecimento, somente por meio desta análise que
poderá assim se fazer uma intervenção preventiva em caso de estudantes com futuras dificuldades de
aprendizagem.

Neste sentido, a influência da Neurociência na nossa prática educacional irá fortalecer estratégias já utilizadas em
sala de aula, além de sugerir novas formas de ensinar. O conhecimento sobre o neuro desenvolvimento e as funções
executivas podem nos auxiliar com subsídios práticos e teóricos não só para as inclusões presentes na escola, mas
no ensino e aprendizagem de todos os alunos.

A NEUROCIÊNCIA NA FORMAÇÃO DOCENTE

A neurociência cognitiva surge como uma ciência que contribui diretamente com a Educação e as práticas nas salas
de aula. Entende-se que a neurociência é algo fundamental à formação docente, visto que ela engloba e relaciona
outras ciências em seu aspecto multidisciplinar. Sendo assim, para desenvolver um bom ensino é necessário que o
professor com ajuda da neurociência procure por estratégias que ajude na realização desse fato.

Estudiosos do binômio neurociência-educação, a aplicação dos princípios da neurociência cognitiva na prática


educacional não é algo comum e quando realizada, nem sempre se faz de forma consciente e proposital por parte do
corpo docente. Acredita-se que muito se deve a insuficiência ou ausência de disciplinas que abordem as
neurociências como parte importante no processo de formação do professor.

Como consequência da ausência dessa abordagem curricular formal durante a graduação, no momento de
“construção” do professor, dificilmente o docente sentirá falta ou se atentará para a importância da utilização de
recursos neurocientíficos na sua prática em sala de aula.

Faz-se necessário grifar que cada cérebro deve ser entendido como único, apresentando necessidades de estímulos
individuais para efetivação do processo da aprendizagem. Essa realidade nos remete à importância da prática do
ensino diferenciada, recheada de recursos metodológicos diferentes, favorecendo uma maior amplitude de alcance
do aprender nos diferentes alunos em uma mesma sala de aula.

Corroborando com essa ideia, cada indivíduo possui um sistema nervoso diferente, apresentará comportamentos,
habilidades limitações e potencialidades cognitivas distintas das demais e poderá demandar estratégias de
aprendizagem distintas.

Baseando-se nas contribuições da neurociência cognitiva, as estratégias pedagógicas utilizadas por educadores
durante o processo ensino-aprendizagem devem ser pautadas em estímulos que produzem a reorganização do
sistema nervoso em desenvolvimento, resultando em mudanças comportamentais.

Nessa perspectiva, os professores precisam ser e estar capacitados para compreender e atender as diferenças
cognitivas dos alunos de acordo com os princípios da neurociência, pois tais conhecimentos ajudam a melhorar as
práticas educativas visando à diminuição das dificuldades de aprendizagem.

O sistema de ensino precisa repensar as suas metodologias para torná-las mais apelativas e desafiadoras e para
melhor preparar os alunos para a sua vida futura, onde naturalmente se incluirá o viver a cidadania.

Baseando-se ainda em um dos princípios da neurociência cognitiva, onde se sabe que sem estímulos o cérebro não
aprende, fica evidente que a neurodidática defende um novo modelo educacional que motive os alunos,
estabelecendo um elo próximo entre professor e aluno.

A neurociência cognitiva aplicada a educação ainda não é uma realidade na formação do docente, sendo também
uma lacuna a ser preenchida na prática docente diária, haja vista a falta de disciplinas relacionadas com a
neurociência na maioria das matrizes curriculares dos cursos de formação de professores. A revisão curricular se faz
necessária, sendo um importante álibi para que os recursos neurocientíficos sejam utilizados no dia a dia da sala de
aula.
Ressalta-se que os cursos de formação de professores precisam de tempo para que esses profissionais dominem as
múltiplas e redundantes geografias do cérebro, que se referem aos detalhes das áreas cerebrais e que implementam
as diferentes competências cognoscitivas. No entanto, há que se atentar para a relevância de, por meio do estudo do
cérebro e dos processos em que ocorrem as sinapses, os currículos dos cursos de formação de professores
agregarem a temática das neurociências, visando a uma melhoria da aprendizagem dos alunos. A crença de que essa
relação, formação de professores e neurociências, pode impactar melhorias na aprendizagem, se justifica pela
possibilidade do docente compreender que existem aspectos que dificultam a aprendizagem dos conteúdos, que são
de natureza biológica e não apenas atos de irresponsabilidade e ou não interesse dos estudantes em aprendê-los.

O DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR INFANTIL (VÍDEO)

ALFABETIZAÇÃO EM NEUROCIÊNCIA

Baseada no conceito amplo alfabetização científica, a alfabetização em neurociência pode ser definida como o
entendimento dos processos e conceitos para a compreensão de tópicos relativos às doenças do cérebro e distúrbios
do comportamento. Também se ocupa dos mecanismos saudáveis de sua função cerebral regular.

Os frutos da alfabetização científica para a sociedade em geral e o indivíduo em particular incluem:

1. uso do conhecimento em neurociência para a concepção de ambientes para a participação social de indivíduos
portadores de características específicas de processamento pelo sistema nervoso;

2. tomada de decisões esclarecidas em caráter pessoal ou familiar em relação à saúde, como suporte para o bom
funcionamento do sistema nervoso na faixa etária de criança a adulto;

3. aplicação do conhecimento neurocientífico para o bom desenvolvimento e funcionamento do cérebro de recém-


nascidos, crianças, adolescente e adultos;

4. o entendimento e o desenvolvimento de postura crítica frente a pesquisa e material neurocientífico veiculado pela
mídia.

As crianças por natureza têm espírito inquisidor e inquieto. Logo aprendem (e mesmo no final da vida uterina) a
coletar informação do mundo interno e externo, por meio de receptores e dos órgãos sensoriais. Estes lhes trazem as
sensações primárias que logo se tornam percepções gustativas, olfativas, auditivas, visuais e táteis. À medida que
amadurecem aperfeiçoam a interpretação de seu ambiente e melhoram a tomada de decisões, baseadas nestas
informações.

Na população em geral, e em alguns casos crianças em idade escolar, podem estar afetados por patologias
neurológicas ou distúrbios afetivos. Não é incomum membros da família mais idosos como tios, avôs, devido a
longevidade atual maior, estarem acometidos por doenças como Alzheimer e Parkinson. Mesmo na sala de aula as
crianças convivem com colegas com dificuldades de aprendizagem (déficit de atenção, hiperatividade, dislexia. Por
outro lado, há evidência, com aumento substancial no ensino médio, documentada do uso de álcool, cigarro e
maconha precocemente já na escola primária (ensino fundamental), com aumento significativo no ensino médio.

Diferentemente do que ocorre nos países desenvolvidos, curiosamente a população adulta brasileira mostra um
interesse diminuído por tópicos relativos a doenças do sistema nervoso, consumo abusivo de drogas e atividade
motora. A preferência recai em aspectos de memória, consciência, emoção e desenvolvimento do sistema nervoso.
Observa-se que crianças estão mais interessadas no funcionamento normal do cérebro, do que no cérebro doente,
indicando portanto, que políticas educacionais devem ser implementadas neste sentido. Os currículos devem
incentivar a alfabetização científica.

O aprender e o lembrar do estudante ocorre no seu cérebro. Conhecer como o cérebro funciona não é a mesma coisa
do que saber qual é a melhor maneira de ajudar os alunos a aprender. A aprendizagem e a educação estão
intimamente ligados ao desenvolvimento do cérebro, o qual é moldável aos estímulos do ambiente. Os estímulos do
ambiente levam os neurônios a formar novas sinapses. Assim, a aprendizagem é o processo pelo qual o cérebro
reage aos estímulos do ambiente, ativando sinapses, tornando-as mais intensas. Como consequência
estas constituem-se em circuitos que processam as informações, com capacidade de armazenamento molecular.

O estudo da aprendizagem une a educação com a neurociência. A neurociência investiga o processo de como o
cérebro aprende e lembra, desde o nível molecular e celular até as áreas corticais. A formação de padrões de
atividade neural considera-se que correspondam a determinados “estados & representações mentais. O ensino bem
sucedido provocando alteração na taxa de conexão sináptica, afeta a função cerebral. Por certo, isto também
depende da natureza do currículo, da capacidade do professor, do método de ensino, do contexto da sala de aula e
da família e comunidade.

Todos estes fatores interagem com as características do cérebro dos indivíduos. A alimentação afeta o cérebro da
criança em idade escolar. Se a dieta é de baixa qualidade, o aluno não responde adequadamente à excelência do
ensino fornecido.

NEUROCIÊNCIA E A MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA

Por sua própria natureza, crianças têm um espírito inquieto; aprendem e desde a vida intrauterina, a coletar
informações do mundo interno e externo, por meio de receptores e dos órgãos sensoriais, os quais lhes trazem as
sensações primárias que logo se tornam percepções gustativas, olfativas, auditivas, visuais e táteis. À medida que
amadurecem, aperfeiçoam a interpretação de seu ambiente e melhoram a tomada de decisões, baseadas nessas
informações.

No ambiente externo, a geração de nascidos nos últimos 15 anos, ainda tem como uma de suas principais aliadas as
tecnologias digitais, com as quais estabelecem intimidade praticamente inata, e que lhes permitem acesso imediato
e incontrolável a milhares de informações diariamente. Tal acesso altera sensivelmente sua maneira de ser-estar-agir
no mundo, provocando mudanças em seu ritmo de perceber, pensar e fazer as coisas e, por consequência, em seu
processo de aprendizagem.

Um dos exemplos claros dessa mudança é a redução do tempo que uma criança ou adolescente consegue se manter
atenta à fala do professor: entre 50 e 45 minutos, no início do século XX, para entre 20 a 10 minutos, no início do
século XXI.

E a escola, como lida com essas mudanças? Como acompanhar e atendar as exigências dessa criança e desse jovem
do tempo presente? Professores estão preparados para lidar com elas? Como atuar para a promoção de uma
aprendizagem significativa e duradoura, que dialogue com o pensamento complexo e com a diversidade cognitiva?

Certo é que não podemos mais enfrentar tempos incertos e fluidos, de complexidade ampla, com ferramentas
intelectuais do passado. É preciso dar um salto qualitativo na concepção de educação escolar, de currículo e,
sobretudo, na organização do trabalho pedagógico e na adoção de estratégias que contemplem os diferentes estilos
cognitivos.

É nesse cenário que a Neurociência pode/deve dialogar com a educação. A neurociência da aprendizagem, em
termos gerais, é o estudo de como o cérebro aprende; é o entendimento de como as redes neurais são estabelecidas
no momento da aprendizagem, bem como de que maneira os estímulos chegam ao cérebro, da forma como as
memórias se consolidam e de como temos acesso a essas informações armazenadas. Os avanços e descobertas
dessa área ligados ao processo de aprendizagem são, portanto, uma revolução para o meio educacional.

Na medida em que professores conhecem conceitos como neurônios, sinapses, especialização cerebral, sistemas
atencionais, plasticidade cerebral, mecanismos mnemônicos, entre outros, e como eles atuam para o processamento
da linguagem, da memória, da atenção, do desenvolvimento infantil, das aprendizagens enfim, mais modernas,
contextualizadas e qualitativas podem se tornar suas práticas pedagógicas e seu papel docente, mas os
conhecimentos neurocientíficos, por si só, não introduzem novas estratégias educacionais, porém apresentam razões
importantes e concretas para a ressignificação da organização do trabalho pedagógico e da mediação pedagógica,
entendendo que determinadas abordagens e estratégias educativas são mais eficientes que outras, uma vez que
nossos alunos são sujeitos sócio-históricos únicos, cujos contextos sociais contribuem para processos de
aprendizagem igualmente únicos. Esse pensar exige um novo olhar também para o ambiente de sala aula.

O educador da atualidade não pode prescindir dos conhecimentos essenciais que a Neurociência oferece, na
perspectiva de desenvolvimento de uma Pedagogia moderna, ativa, contemporânea, atuante e voltada às demandas
do aprendizado em nosso mundo globalizado, veloz, complexo e cada vez mais exigente. Esta nova base de
conhecimentos habilita o educador a ampliar ainda mais as suas atividades educacionais, abrindo uma nova estrada
no campo do aprendizado e da transmissão do saber.
CÉREBRO, SISTEMA NERVOSO, NEURÔNIOS E
NEUROPLASTICIDADE

Acreditamos que o conhecimento do funcionamento do cérebro por parte daquele que educa, bem como do sistema
nervoso, da plasticidade cerebral, dos neurônios e das sinapses podem ajudá-lo a optar por práticas pedagógicas
mais eficientes.

Cérebro

O cérebro é denominado o órgão da aprendizagem, é uma máquina muito complexa e inseparáveis são seus
aspectos físicos, biológicos e psíquicos. Por isso, a menor percepção, a menor representação mental é inseparável do
estado físico e dele em relação à disposição dos neurônios nas várias áreas corticais.

A interface cérebro e aprendizagem requer muito investimento científico, mas são profissionais das mais diversas
áreas que têm voltado seus estudos para este enfoque. A mente humana surge na existência da relação cultural em
seus aspectos físicos, biológicos, e psíquicos, sem a qual o cérebro humano perde grande parte de seu significado.
Considerando tais aspectos o modelo mais recente da mente humana tem o cérebro como o órgão central no
carreamento da consciência e da aprendizagem.

Diante desses fatos, acredita-se que o cérebro humano aprendeu a desenvolver a capacidade de adquirir
permanentemente novas informações que geram uma dinâmica interna de ciclo contínuo, ele tem em torno de cem
bilhões de células, suas preocupações devem estar pautada não apenas em contar amostras do cérebro, mas
também conhecer o principal responsável pelo bom funcionamento da mente, o córtex cerebral, formando memória e
raciocínio. A figura abaixo do cérebro nos remete a reflexão da relevância de seus estudos para o avanço num campo
de intersecção entre educação e neurociência.

A tentativa de analisar conhecimentos desenvolvidos em diversas áreas sobre as dimensões do cérebro humano e a
aprendizagem exige uma abordagem complexa, não é tarefa para um campo restrito da ciência, porém de conexão
com outras ciências numa rede que amplia as informações e constrói um conhecimento que requer ainda muitas
pesquisas.

Decorrente disso, a Neurociência se constitui como a ciência do cérebro e a educação como ciência do ensino e da
aprendizagem e ambas têm uma relação de proximidade porque o cérebro tem uma significância no processo de
aprendizagem da pessoa.

O cérebro não é um órgão que transforma informações, não tem princípios imutáveis, mas sim um sistema com
plasticidade. Capaz de lidar com mudanças extremas. Estudos ainda destacam algumas variações como: a
precisão/imprecisão, certo/errado, presença/ausência, ambiguidade, ordem/desordem, sendo significativo
desenvolver estratégias para sua auto-organização. Em seu cotidiano, o ser humano precisa investigar descobrir,
interpretar e organizar o mundo em sua mente.

Sistema Nervoso

É o órgão responsável pelo desenvolvimento integral do ser humano e mais respeitado de todo o sistema, tudo passa
por ele, a sensibilidade consciente, a mobilidade espontânea e a inteligência ficam enraizadas nele.

Ao mesmo tempo em que funciona como uma rede complexa, ele produz comportamento com variáveis e invariáveis
que leva a questionar esses circuitos. O sistema nervoso é o primeiro sistema a surgir entre a terceira e quarta
semana após a fecundação. O amadurecimento do neurônio promove a formação de sinapses.

Nesse período, iniciam-se os processos regressivos com a finalidade de reorganizar a estrutura cerebral. A
capacidade de aprender está relacionada à quantidade de sinapses, o sistema nervoso é formado basicamente por
células nervosas que se interconectam especificamente, são as chamados circuitos e redes neurais.

O sistema nervoso detecta estímulos externos e internos, tanto físico quanto químico, e desencadeia respostas
musculares e glandulares. Ele é formado, basicamente, por células nervosas, que se interconectam de forma
específica e precisa, formando os circuitos (redes) neurais.

O sistema nervoso recebe estímulos internos e externos. As contribuições do meio ambiente precisam considerar os
processos cognitivos internos, ou seja, como o sujeito elabora os estímulos recebidos, e como este tem a capacidade
de articular, integrar informações e processá-las, depois forma uma complexa rede de representações mentais, que o
ajude a resolver situações-problema, construir conceitos novos e interpretar símbolos. Muitas são as funções do
sistema nervoso como: a sensação, percepção, memória, movimento e ação e etc.

Muitas funções do sistema nervoso central como a sensação, percepção, memória, movimento e ação, linguagem,
pensamento, emoção, resultam da fina, adequada e harmônica integração de toda a rede neuronal. Diferentes
componentes do sistema nervoso periférico e central mantêm-se em uma relação de dependência recíproca, tendo o
neurônio como unidade sinalizadora que cumpre funções de transmissão e processamento de sinais através de dois
de seus prolongamentos: os dendritos, verdadeiras antenas para os sinais provenientes de outros neurônios e o
axônio, um prolongamento longo que transporta a mensagem, contida no seu interior, o neurotransmissor, para
locais, inclusive de grande distância, do corpo.

Portanto tudo que sentimos, pensamos, agimos, está relacionado ao sistema nervoso central. Faz-se necessário que
tudo seja pensando em uma perspectiva de complementaridade. Ao conhecer o funcionamento do sistema nervoso,
os profissionais da educação podem desenvolver melhor seu trabalho, fundamentar e melhorar sua prática diária,
com reflexos no desempenho e na evolução dos alunos. Podem intervir de maneira mais efetiva nos processos de
ensinar e aprender, sabendo que esse conhecimento precisa ser criticamente avaliado antes de ser aplicado de
forma eficiente no cotidiano escolar.

Os conhecimentos agregados pelas neurociências podem contribuir para um avanço na educação, em busca de
melhor qualidade e resultados mais eficientes para a qualidade de vida do indivíduo e da sociedade. É fundamental
criar mecanismos para trabalhar a atenção e concentração no que pode ser aprendido. É neste momento que deverá
aparecer à criatividade, habilidade, bom senso do professor.

Neurônios

Os neurônios são considerados unidade básica da estrutura tanto do cérebro quanto do sistema nervoso O cérebro
fabrica uma infinidade de neurônios e sinapses. Apesar do estoque, haverá uma seleção daqueles que serão
inicialmente utilizados, sendo o restante mantido. Se os estímulos recebidos são positivos, há um fortalecimento
seletivo de população de sinapses. Se não houver estímulos, pode haver um enfraquecimento. Os estímulos internos
e externos são de fundamental importância para o desenvolvimento do cérebro humano.

Desta forma os neurônios através de alterações e diferença de potencial elétrico existente entre as superfícies
internas e externa de sua membrana plasmática, vai se propagando ao longo da célula e de seus prolongamentos. Ao
receber os estímulos do ambiente, células epiteliais sensoriais e outros neurônios; e axônio, acontecerá um
prolongamento único que conduz os impulsos nervosos a outras células, como as musculares, glandulares ou até
outros neurônios.

Neuroplasticidade

A Neuroplasticidade apresenta a capacidade do sistema nervoso de alterar algumas das propriedades morfológicas e
funcionais em resposta a alterações do ambiente, tem a facilidade de adaptação e reorganização da dinâmica do
sistema nervoso frente às alterações.

Se uma pessoa sofre um acidente com lesão grave graças a essa função regenerativa, dependendo da idade, poderá
gradativamente se recuperar. Nesse caso tanto os axônios quanto os dendritos possuem ao longo de suas funções, o
poder da plasticidade, de regeneração.

A plasticidade neural varia com a idade do indivíduo. Na fase de desenvolvimento o sistema nervoso apresenta maior
plasticidade, principalmente as fases denominadas de períodos críticos que são as mais susceptíveis a
transformações. Quando uma pessoa nasce os órgãos do sistema nervoso já estão praticamente formados
anatomicamente, muito embora as sinapses não estejam ainda estabelecidas. Por isso a importância do processo de
maturação nervosa para a aprendizagem, pois aprender significa ativar sinapses normalmente não utilizadas.

A importância da abordagem da plasticidade cerebral por ser, o ponto culminante da nossa existência, do
desenvolvimento da aprendizagem e também da reabilitação das funções motoras e sensoriais.

O cérebro humano passa por transformações constantes e este é um dos motivos que dificulta o entendimento de
seus mecanismos, como a regulação da neuroplasticidade após a lesão sofrida. Vale ressaltar ainda é necessário
mais pesquisas a serem realizadas, para uma melhor compreensão das mudanças plásticas durante a recuperação
das funções nervosas.
CONSCIÊNCIA CORPORAL: AÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO
(VÍDEO)

NEUROCIÊNCIAS E OS PROCESSOS COGNITIVOS

A Neurociência e os processos cognitivos, tem como finalidade facilitar as práticas pedagógicas dos professores e a
aprendizagem. Sabemos que o professor precisa estabelecer conexões com os conteúdos cerebrais, conhecimento
científico e tecnológico, buscando em sua formação inicial ou continuada, a compreensão, aquisição e utilização dos
fundamentos da neurociência que possibilitam desenvolver competências, habilidades para motivar, ensinar com
estratégias inovadoras, reflexivas, capazes de facilitar da melhor forma possível a otimização da aprendizagem.

Os processos cognitivos envolvem nossa memória, os pensamentos e as formas do aprendizado, neste processo de
aquisição de conhecimento, envolve também todo o nosso sistema sensorial, que é um dos principais responsáveis
por todas as informações captadas do ambiente e ainda leva estas ao nosso cérebro. Nesse caso as experiências
sensoriais que acumulamos durante o percurso da vida servem de subsídio para o nosso sistema nervoso central
processar as informações e transformá-las em conhecimento.

O processo de aprendizagem necessariamente envolve compreensão, assimilação (memória), atribuição de


significado e estabelecimento de relações entre o conteúdo a ser aprendido e os conteúdos a ele relacionados e já
armazenados. Nessa visão cognitiva, a aprendizagem é um processamento resultante de processos cognitivos que
envolvem sensação, percepção, atenção e memórias (operacional e de longo prazo).

Durante o processo de aquisição do conhecimento o aluno conta com as suas estruturas física, cognitiva, psicológica,
social, sendo necessário haver uma integração, articulação dos fatores emocionais neurológicos, a relação ambiente
e social, esta relação quando negativa pode interferir no processo de aprendizagem, mas o registro se tornará mais
forte se procurarmos criar ativamente vínculos e relações daquele conteúdo com o que já está armazenado em nosso
arquivo de conhecimentos.

NEUROCIÊNCIA X MEMÓRIA

Podemos considerar, a memória como um dos fatores mais importante na aprendizagem, pois ela retém os
significados, a aquisição, a formação e a conservação de todas as informações. É responsável por gravar tudo que
aprendemos. A memória humana está localizada em sistemas cerebrais conjugados.

Partindo do princípio de que a memória é à base do conhecimento, das nossas experiências, do armazenamento das
informações, por isso, entendemos a necessidade compreendermos sua dimensão. A aprendizagem é a aquisição de
novas informações ou novos conhecimentos. Já a memória é a retenção da informação aprendida. Aprendemos e
lembramos muitas coisas diferentes, e é importante observar que essas coisas podem não ser processadas e
armazenadas pela mesma maquinaria neural. Não existe uma estrutura encefálica ou um mecanismo celular que,
sozinhos, sejam encarregados de todo o aprendizado.

O cérebro dispõe de múltiplas memórias, diante disso nossas memórias serão diferentes, pois cada pessoa possui sua
subjetividade e individualidade. Ainda acerca de como se processa o aprendizado, há etapas, são elas: Aquisição,
formação, conservação e evocação de informações. A aquisição é também chamada de aprendizado ou
aprendizagem: só “grava” aquilo que foi aprendido. A evocação é também chamada de recordação, lembrança,
recuperação. Só lembramos aquilo que gravamos aquilo que foi aprendido. O acervo de nossas memórias faz com
que cada um de nós seja o que é: um indivíduo, um ser para o qual não existe outro idêntico.

Nesse processo de formação e armazenamento da memória, a emoção tem um papel fundamental e as respostas
para essa questão estão surgindo por meio da pesquisa em Neurociências. Relvas parte do pressuposto que a
memória não está localizada em uma estrutura isolada do cérebro: ela é um fenômeno biológico e psicológico,
envolvendo uma aliança de sistemas cerebrais que funcionam juntos. Então a capacidade de informação de todos os
tipos de memórias está relacionada às condições psico-físico-afetivas do ser humano e cada um aprendem de forma
única e de sua capacidade de utilização de sua mente.

Porém, quando a discussão é sobre memória no processo de ensino-aprendizagem, surgem alguns impactos quanto a
sua relevância para obtenção de informação, pois durante muitos anos a memorização foi considerada sinônimo de
decoreba (apenas decorar o conteúdo). Afinal, esses os conhecimentos exigidos nas provas, nas chamadas e nos
testes escolares. Com base em estudos sobre o processo de aprendizagem da criança, concluiu-se que a decoreba
era inimiga da educação.

Pensando na superação desse ensino que valorizava o decorar, surgiu então um novo paradigma, visando romper
com práticas tradicionais, assim os estudiosos da área buscaram a compreensão das atividades cerebrais para
enriquecer ainda mais o processo do aprender e do ensinar. Sendo necessário o professor construir fundamentos das
relações entre os processos neuropsicológicos e pedagógicos, com foco de investigação mais aprofundada sobre a
memória.

Dessa forma, da memória é o processo pelo qual aquilo que é aprendido persiste ao longo do tempo, sendo
considerada por diversos estudiosos das mais diferentes áreas a base do conhecimento e caminho para a eficácia no
ensino se for adequadamente estimulada e bem aplicada.

Vale destacar ainda que os tipos de memória que mais significa para a educação são dois em particular, são eles:
memória de curto prazo, que se refere à capacidade de reter a informação por um período curto de tempo, desde
alguns poucos minutos até meia ou uma hora e a de longo prazo, que evoca informações e acontecimentos ocorridos
anteriormente, sendo um tipo de memória de capacidade e duração longa, podendo ocorrer mudanças na estrutura
dos neurônios.

No que tange a primeira, exige ser conhecida e aplicada na aprendizagem como ponto crucial para o caminho da
aprendizagem significativa, no que se refere à segunda só se consolida com a memorização de longo prazo que para
ocorrer necessita de aprendizagem efetiva. Para um melhor entendimento acerca do que foi explicitado, veremos
agora outros tipos de memória que norteiam a aprendizagem também que são fundamentais para ampliar nosso
entendimento sobre o que foi exposto:

Tipos de memória

Já sabemos que a memória é relevante para a aprendizagem e entender como ela funciona, facilita a compreensão
do processo de aquisição de conhecimento.

Memória Declarativa

É também denominada explícita, armazena informação de fatos e de dados levados ao nosso conhecimento através
dos nossos sentidos e de processos internos do cérebro, como associação de dados, dedução e construção de ideias,
em geral, proporciona o aprendizado cognitivo. A memória declarativa subdivide-se em:

Episódica: na memória declarativa está incluída a memória de fatos vivenciados pela pessoa (memória episódica);
Semântica: de informações adquiridas pela transmissão do saber de forma escrita, visual e sonora (memória
semântica).

A memória não declarativa é a memória para habilidades, hábitos e comportamentos são também, chamados de
memória implícita, uma vez que nasce da experiência.

A questão da aprendizagem representa um dos pontos fundamentais nos estudos dos processos cognitivos, sendo
percebida como uma mudança de comportamento a partir da aquisição de novos conhecimentos e informações.

Aprendizagem é entendida como processo dinâmico em que se codifica e se ressignifica tal codificação. O estudo da
aprendizagem tem como foco não apenas os processos cognitivos que permitem estas operações, mas também as
condições biopsicossociais que as facilitam. O indivíduo é visto como um ser ativo, que interage com o contexto, e
neste processo interativo é que a aprendizagem se consolida.

A partir de tais reflexões, a aprendizagem é envolta em complexidade, dinamismos, codificação, ressignificação e


reflexão. Faz-se necessário partir de conhecimentos prévios, pontos de ancoragem, para que os conteúdos sejam
aprendidos e fiquem na memória. É fundamental dar condições para que o aluno construa sentido sobre o que está
sendo proposto em sala.

Um aspecto essencial do aprendizado é o fato dele criar a zona de desenvolvimento proximal, ou seja, o aprendizado
desperta vários processos internos de desenvolvimento que são capazes de operar somente quando a criança
interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação com seus companheiros. Uma vez internalizados,
esses processos tornam-se parte das aquisições do desenvolvimento independente da criança. Desse ponto de vista,
aprendizado não é desenvolvimento; entretanto, o aprendizado adequadamente organizado resulta em
desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer. Assim o aprendizado é um aspecto
necessário e universal do processo de desenvolvimento do processo de desenvolvimento das funções psicológicas
culturalmente organizadas e especificamente humanas.

São muitos os desafios do educador para obter bons resultados em prol da aprendizagem. Ele tem a responsabilidade
de mediar o conhecimento, criar zona de desenvolvimento proximal. Portanto, conhecer os fatores que possam afetar
o aprendizado é de grande valia.

Em reflexão sobre as estratégias que estimule cada aluno a criar as próprias associações para os conteúdos que
devem ser armazenados. Podemos dizer que ao conhecer o funcionamento da memória, o professor pode, assim,
planejar práticas para ajudar os alunos a armazenarem e evocarem conhecimentos. Confira abaixo algumas maneiras
de estimular a memória dos alunos para que eles retenham melhor o conteúdo abordado em sala de aula:

Ações para estimular a Memória:

Estabelecer relações entre novos conteúdos e aprendizagens anteriores;


Criar elaborações mentais, utilizando recursos como: sons, imagens, significados;
Usar gráficos, diagramas;
Recapitular o conteúdo ao término de cada aula (feedback);
Usar brincadeiras, dramatização ou jogos (levar a emoção para favorecer a aprendizagem).

Além disso, o ensino de hoje precisa atender as necessidades da sociedade contemporânea por meio da educação,
como possíveis possibilidades na relação da subjetividade e a corporeidade, da mente e o cérebro. Ao professor cabe
o papel de acompanhar os alunos auxiliando-os em seu próprio processo de aprendizagem.

O eixo do trabalho pedagógico desloca-se, portanto, da compreensão intelectual para a atividade prática, do aspecto
lógico para o psicológico, dos conteúdos cognitivos para os métodos ou processos de aprendizagem, do professor
para o aluno, do esforço para o interesse, da disciplina para a espontaneidade, da quantidade para a qualidade. Tais
pedagogias configuram-se como uma teoria da educação que estabelece o primado da prática sobre a teoria.

A prática determina a teoria. Esta deve se subordinar àquela renunciando a qualquer tentativa de orientá-la, isto é,
de prescrever regras e diretrizes a serem seguidas pela prática e resumindo-se aos enunciados que vierem a emergir
da própria atividade prática desenvolvida pelos alunos com o acompanhamento do professor.

Para que isso ocorra, uma das primeiras medidas será superar o ensino por transmissão e aprendizagem por
memorização, como também a compreensão do papel do cérebro do ser humano em relação aos processos
neurocognitivos.

Além disso, a neurociência poderá ajudar como já foi inúmeras vezes ressaltados, na aplicação de estratégias
pedagógicas diferenciadas nos diferentes espaços escolares, ajudar ainda na potencialização do processo de
aprendizagem, no desenvolvimento da linguagem e dos aspetos neuropsicomotor, psíquico e cognitivo do indivíduo.

Acreditamos que os professores que desenvolverem sua prática por meio da pesquisa, e com o auxílio da
neurociência, terão melhor condições de assumirem um trabalho docente dinâmico, encorajador e acima de tudo irão
unificar a teoria e prática com conhecimentos e atitudes que possivelmente incrementarão significativamente suas
realizações, em sala de aula, acerca da sua prática e da aprendizagem.

As discussões estabelecidas até aqui são apenas uma prévia dos processos cognitivos que tentaremos descobrir no
decorrer do curso, fomos tecendo conceitos e significados referentes aos processos cognitivos e a importância da
neurociência, o ensino de ciências, a pesquisa para que resulte em análises as práticas pedagógicas do professor, o
uso de instrumentos, mas, sobretudo sobre a aprendizagem e seus rumos.

Acreditamos na importância de compreendermos a correlação da formação educacional com apropriação dos


mecanismos neurobiológicos envolvidos na aquisição de conhecimento, de forma a possibilitar a persistência da
informação transmitida, em que os seres humanos possam assumir a condição de sujeito.

NEUROCIÊNCIA X ATENÇÃO

A neurociência cognitiva perpassa as discussões de como os processos cognitivos são elaborados funcionalmente
pelo cérebro humano, dentre estas afirmativas merecendo a atenção especial os aspectos relevante sobre a
compreensão de como funciona a atenção, onde esta diz respeito aos esforços de processamento cognitivo que se
concentram apenas em uma atividade de cada vez, ou seja, nosso comportamento é orientado por uma coisa só,
bem como mantemos o foco da atenção. Decorrente disto, a atenção é mais comumente relacionada à seletividade
do processamento.

A atenção pode ser definida como a capacidade do indivíduo responder predominantemente os estímulos que lhe são
significativos em detrimento de outros. Nesse processo, o sistema nervoso é capaz de manter um contato seletivo
com as informações que chegam através dos órgãos sensoriais, dirigindo a atenção para aqueles que são
comportamentalmente relevantes e garantindo uma interação eficaz como meio.

Assim, cabe salientar que esta função mental é cognitivamente importante para a aprendizagem, mediando nossas
funções psicointelectuais. O referido campo do saber tem colaborado para o entendimento do desconhecido sobre a
atenção e do debate acerca do desenvolvimento cognitivo. E através da atenção que nós podemos selecionar qual
estímulo será analisado em detalhes e qual será levado em consideração para auxiliar nosso comportamento. Desse
modo, a atenção está relacionada ao processamento preferencial de determinadas informações sensoriais.

A atenção é uma função elementar que permite a interação efetiva do indivíduo com o seu ambiente, além de
auxiliar a organização dos processos mentais. Nessa perspectiva, aquilo que nós percebemos depende diretamente
de onde estamos dirigindo a nossa atenção. O ato de prestar atenção, independente da modalidade sensorial,
aumenta a sensibilidade perceptual para a discriminação do alvo, além de reduzir a interferência causada por
estímulos distratores.

Estes conhecimentos sobre a atenção contribuem para a comunidade educacional, referendando importantes
possibilidades de reformulações conceituais, mudanças das práticas pedagógicas, passíveis de reflexão. Visto que
devemos considerar as características ambientais e socioculturais e as particularidades dos alunos na apropriação
dos saberes elaborados sócio historicamente.

Com bases nos estudos da Neurociência, o entendimento das capacidades mentais como a atenção, tem caráter
direcional e seletivo, o que nos permite manter vigilância em relação ao que acontece ao nosso redor, responder aos
estímulos que consideramos importantes e inibir aqueles que não correspondem aos nossos interesses, intenções ou
tarefas imediatas. Os conhecimentos veiculados sobre a atenção ensejam uma reflexão para a compreensão de
conteúdos relacionados com os processos cognitivos, tendo como fio condutor o ensino.

Nesse sentido, torna-se primordial conhecer as funções cognitivas a fim de perceber a real necessidade de adquirir
novos conhecimentos, novos paradigmas, tão somente para que possa estimular os seus alunos através de
estratégias dinâmicas que retenham a concentração e atenção dos alunos.

PSICOMOTRICIDADE NA CONCEPÇÃO NEUROEDUCACIONAL


(VÍDEO)

IMPORTÂNCIA DA LEITURA EM TODAS AS DISCIPLINAS

NEUROCIÊNCIA X COGNIÇÃO

Como as demais vertentes caracterizadoras dos processos cognitivos, os estudiosos compreendem que a cognição
está ligada diretamente a construção do conhecimento, do pensamento crítico e reflexivo; assunto que vem sendo
muito discutido, com a finalidade de melhorar a qualidade do processo ensino/aprendizagem. E considerada uma
tendência contemporânea em várias Ciências da Cognição, desde aquelas mais interessadas em estudar o
funcionamento cerebral, até aquelas mais interessadas nos aspectos cognitivos.

De acordo com os fundamentos de Piaget, a cognição humana é uma forma de adaptação biológica na qual o
conhecimento é construído aos poucos a partir do desenvolvimento das estruturas cognitivas que se organizam de
acordo com os estágios de desenvolvimento da inteligência. Por sua vez, o desenvolvimento cognitivo está ligado aos
processos de assimilação e acomodação que promovem o equilíbrio que varia de acordo com a idade. Por
conseguinte, em se tratando de perspectivas desenvolvidas sobre a cognição humana tem buscado compreender o
modo como às pessoas pensam, interpretam e interagem com o mundo.

Não podemos deixar de ressaltar que no ensino para haver o desenvolvimento das estruturas cognitivas, é
necessário que estas sejam estimuladas e ensinadas em um processo contínuo e constante de construção,
reconstrução e da ressignificação do conhecimento. Assim, o ensino das competências cognitivas ou seu
enriquecimento não deve continuar a ser ignorado pelo sistema de ensino, o qual parte da argumentação de que
essas competências não podem ser ensinadas ou não precisam ser ensinadas’. Pelo contrário, estas precisam ser
como elemento necessário para formar cidadãos que se percebam como sistema.

Todavia, por meio das pesquisas atuais, pensar sobre o funcionamento de nossas estruturas cognitivas, nos remeteu
a necessidade de conhecermos as estruturas de nosso cérebro e aprendizagem, nos sinalizando a dizer que a partir
deste entendimento as funções cognitivas podem ser aprimoradas e treinadas para se desenvolverem de forma
adequada. Mas, para que aconteça esse desenvolvimento do sistema cognitivo, ou seja, dos aspectos cognitivos os
alunos necessitam serem colocados diante de situações que estimulem o seu desenvolvimento e suas funções mais
complexa.

Merecem atenção, entretanto, aspectos que podem ser considerado como um bom ensino. A partir das perspectivas
que já são utilizadas pelos educadores, mas que podem ser ampliadas segundo os teóricos contemporâneos da
educação para que se alcancem resultados satisfatórios. Vejamos abaixo essas propostas.

Mas como podemos estimular o desenvolvimento cognitivo?

O professor em sala de aula necessita observar como os seus alunos usam os recursos cognitivos, como processam,
analisam, a forma de resolver situações problemas;
Quais estratégias desenvolvem para conhecer, criar, elaborar, e como utilizam os procedimentos de verificação de
soluções de resultados ainda não conhecidos;
Ao analisar como utilizam os recursos cognitivos, o professor, conhecerá as habilidades e o perfil dos seus alunos,
conhecerá também os pontos negativos e positivos acerca dos seus conhecimento prévios, conhecerão ainda o que
conseguem ou não desenvolver.
Em face dessa análise, poderá auxiliar positivamente seu trabalho, cabe ao professor elaborar seu plano de aula
baseado no desenvolvimento dessas habilidades, a partir da resolução de problemas como uma possibilidade de
superação das possíveis dificuldades, buscando os caminhos para concretizar o conhecimento.

Nesse sentido, e necessário considerar a viabilidade dessa proposta para estimular o desenvolvimento cognitivo com
práticas de ensino em uma perspectiva que contribui para uma formação cidadã do aluno.

Assim, compreendemos que a cognição é considerada a base que favorece a construção do conhecimento, do
desenvolvimento cerebral, em particular, leva em consideração a formação do sujeito numa perspectiva mais
completa em sua constituição como tal.

NEUROCIÊNCIA X APRENDIZAGEM

Partindo dos pressupostos que a aprendizagem é um processo contínuo que acontece durante toda a vida do
indivíduo, consideraremos a necessidade de apresentar seus fundamentos de acordo com as especificidades que a
legitimam dentro do contexto educativo. Diante desses aspectos, aprendizagem é um "mix" de memória, atenção,
concentração, interesses, desejos, estímulos intrínsecos (neurotransmissores e hormônios), extrínsecos (informações
externas do ambiente) que permeiam a mente e o CÉREBRO humano.

Nessa perspectiva, como já foi explicado anteriormente, a aprendizagem e a educação estão diretamente ligados ao
desenvolvimento do cérebro que atende aos estímulos do ambiente. Na compreensão, considera-se que o ser
humano como um ser sociocultural interage e atua no ambiente, criando cultura, apesar de reconhecerem o sujeito
que aprende é um ser inacabado e consciente da sua inconclusão, inserido em um meio histórico e socialmente
produzido, juntamente com outros indivíduos do seu grupo social.

A partir desse entendimento, o processo de construção para uma aprendizagem efetiva, significativa, que atenda os
anseios dos alunos depende de inúmeros fatores, dentre os quais, os mais prementes são: o compromisso e
desempenho do professor com sua ação pedagógica, a vontade do aluno, ambiente convidativo e interessante e
perspectivas futuras do professor e do aluno. Sabemos que a aprendizagem resulta em reorganização da estrutura
cerebral, quer produz novos comportamentos.

Com base nesses fatores, é preciso ter em mente o que é aprender, para podermos inspirar novas práticas
educacionais que auxiliem nas mudanças cerebrais dos alunos.

Não existe ensino sem aprendizagem. Para vários educadores contemporâneos, educar alguém é um processo
dialógico, um intercâmbio constante. Nessa relação educador e educando trocam de papéis o tempo inteiro: o
educando aprende ao passo que ensina seu educador e o educador ensina e aprende com seu estudante.

Assim, no processo pedagógico, alunos e professores devem assumir seus papeis conscientemente não são apenas
sujeitos do “ensinar” e do “aprender”, e sim, seres humanos com histórias e trajetórias únicas que precisam ser
respeitadas em suas particularidades. Isso contribui como o fio condutor na articulação teoria e prática, podendo
oferecer nova maneira de encarar a realidade e enfrentar desafios do trabalho docente.

Em face do exposto, o mais importante fator isolado que influencia a aprendizagem é o que o aprendiz já sabe.
Determine isto e ensine-o de acordo. Destaca-se nesse caso que o professor não deve perder de vista os
conhecimentos prévios de seus alunos, pois suas experiências e vivências anteriores favorecem novas
aprendizagens. Cada indivíduo, no processo que só a ele compete, faz a junção daquilo que sabe (conhecimento
prévio) com o que está sendo ofertado (interação com o meio) e a partir disso cria uma nova significação, um novo
conhecimento.

Outro fundamento que consideramos relevante sobre o já mencionado é, aproveitar o potencial que o indivíduo traz e
valorizar a curiosidade natural da criança são princípios que devem ser observados pelo educador. Assim, ao valorizar
tais conhecimentos o educador estará buscando ensinar adequadamente. Mas, para isso e necessário haver um
planejamento flexível para favorecer o processo aquisição dos conteúdos.

Vale ressaltar que os estudos contemporâneos das Neurociências têm a finalidade de oferecer orientações sobre
planejamento de estratégias práticas, e necessita de conteúdos fundamentados nestes princípios e compreensão do
ensinar e do aprender, proporcionando desta forma uma referência e intervenções em diversos contextos que
abrangem a aprendizagem, contextualizando o aprender, como ensinar, avaliar e compreender o sistema educativo
como um todo.

Ainda no que tange às discussões sobre aprendizagem, o professor tem a responsabilidade de repensar as suas
práticas para não dar aulas repetitivas, encontrando novas formas de chamar a atenção dos estudantes, estimulá-los
a aprender, mas é preciso garantir que as crianças aprendam. Mais do que isso, sua prática docente reflete em
encarar suas responsabilidades com aqueles que dependem de sua interação para consolidação do conhecimento.

Na dimensão contextualizada, há a necessidade do professor construir estes conhecimentos e que revele


competência do domínio dos conteúdos e visão política, valorizando o ser humano, como ser aprendente, acaba por
se transformar no produto das interações interiores e exteriores que realiza com os outros seres humanos, ou seja,
com a sociedade no seu todo.

Portanto, o posicionamento mencionado procura colocar a aprendizagem numa perspectiva diferenciada,


abandonando postura tradicional, passando a considerar fundamentos necessários para uma educação mediadora
efetiva e duradora. Diante dessa perspectiva considera que a verdadeira aprendizagem é aquela que provoca uma
modificação, quer seja no comportamento do indivíduo, na orientação da ação futura que escolhe, ou nas suas
atitudes e na sua personalidade. Sendo uma aprendizagem penetrante, essa aprendizagem é chamada por ele de
aprendizagem significante.

Sendo assim, devemos conhecer cada momento que acontece a aprendizagem, criando as condições devidas para
que o aluno desenvolva seu intelecto, pois ocorre neste período uma evolução do conceito do que seja aprender.

Com esse novo caminho aprender assume o significado de “ganhar um modo de agir”, isto é, a aprendizagem só
ocorre quando, após assimilarmos algo, conseguimos agir de acordo com o que aprendemos. Aprender, nessa
concepção, é um processo ativo que se desenvolve a partir da seleção de reações apropriadas, que depois são
fixadas.

Dessa forma, o desenvolvimento cognitivo dos alunos se caracteriza por uma evolução de estratégias ativas
orientadas para atingir todos os processos de aquisição do conhecimento. Nessa conjuntura os professores devem
ensinar algum assunto em profundidade, fornecendo muitos exemplos em que o conceito está em ação e
proporcionando uma base significativa do conhecimento factual.

Evidentemente que isso requer mudanças de postura dos profissionais da educação, para assim ressignificar a
aprendizagem. O desenvolvimento de ambientes que favoreçam esse processo. Portanto, a aprendizagem é
influenciada de maneira fundamental pelo contexto em que acontecem, dessa forma, são vários aspectos cognitivos
e fatores sociais envolvidos no processo de aprendizagem, inclusive a emoção. Assim, ela é também o processo pelo
qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente, ativando sinapses, tornando-as mais significativas.

Ora, estamos diante de estímulos do ambiente que levam os neurônios a formar novas sinapses e levam ainda ao
novo e tão importante aprendizado. Porém, para que isso aconteça na prática, requer o desenvolvimento de normas
para a sala de aula e para a escola, que possibilite as conexões com o mundo exterior que apoiem valores essenciais
do processo de ensino. Sabemos que o aprender faz parte do contexto educacional. Portanto, cabe ao conhecer como
acontece a aprendizagem, para que sua prática seja melhorada, repensada e coerente. Vale dizer ainda, da
necessidade de trazer a ciência para as práticas pedagógicas e fazer com que o corpo docente busque dialogar sobre
as contribuições da Neurociência para a educação, em contínuo processo de modificações, em uma busca
permanente de conhecimento.

Constatamos, a partir do exposto, a importância de haver coerência entre os conhecimentos de como o cérebro
funciona durante o processo aquisição da informação que são elementares para mudanças educacionais no que
tange aos elementos caracterizadores e impulsionadores da aprendizagem, de modo que esses dados possam ter um
papel significativo como instrumento necessário para professores para um bom desempenho de suas ações
educativas.

NEUROCIÊNCIA X EMOÇÕES

Não podemos deixar de ressaltar os aspectos da emoção que é um dos caminhos fundamentais para o
desenvolvimento humano, assim é de extrema importância que os profissionais da educação conheçam os seus
fundamentos, o homem está evoluindo para conciliar a emoção e a razão. Diante disso, busca-se a relação
estabelecida entre a emoção e o conhecimento científico.

Com isso compreende-se que dentro das ciências cognitivas, e em particular na Neurociência a emoção é
responsável também pelo desempenho do aluno no ambiente escolar. Sendo importante considerar nesse contexto
que manter um bom relacionamento é fundamental para o desempenho efetivo da aprendizagem.

Consideramos os estudos das emoções necessários, porém complexo e repleto de nuances, mas contribuem para
compreensão das relações dos processos cognitivos. Cabe ressaltar ainda, que o nosso sistema límbico e suas
estruturas é conhecido como o cérebro das emoções, porque facilita os neurotransmissores no envio de mensagens
positivas ou negativas ao acervo cognitivo.

Desse modo, cabe ao professor compreender os sentimentos que impulsionam todos os aspectos do intelecto de seus
alunos, ou seja, a aprendizagem emocional, pois ela é o caminho para o crescimento individual, levando em conta os
seus aspectos emocionais.

É fundamental que professores entendam que os sentimentos que impulsionam a aprendizagem positiva ou
negativamente, devem compreender que o ser humano é um ser emocional, que pensa coerente com esta nova
visão, é primordial que os educadores aprendam a ler e entender as emoções, alegria, tristeza, raiva, medo de seus
alunos e principalmente a lidar adequadamente de forma competente com elas.

Nesta abordagem é necessário constantemente buscar a harmonia e articulação no que se faz, naturalmente a partir
das semelhanças e diferenças de cada estudante, pois são vários fatores que influenciam de forma positiva ou
negativa a prática do professor em sala de aula e suas ações, nesse sentido, as características emocionais
influenciam fortemente no processamento das informações. Vejamos algumas ações que dificultam o processo
pedagógico.

Neste contexto, as práticas que estamos falando são a escolha de metodologia inadequada, bem como a falta de
recursos didáticos significativos, que envolva o estudante, pois aprende com ele, deve-se incrementar um clima
emocional positivo dentro da escola, ou seja, um ambiente específico para estimulação agradável que irão subsidiar o
processo escolar atual e futuro do aluno e, aprender e reaprender

Considerando tais aspectos, não se podem deixar de lado as emoções, tendo como facilitador da aprendizagem a
estima do educador pelo educando, aceitando suas características e atribuindo a ele confiança, de forma a
proporcionar métodos que façam a diferença nos resultados educacionais.

Estamos diante de várias ações que irão envolver a emoção, sendo estas relacionadas com a atividade naquelas
áreas cerebrais que direcionam nossa atenção, motivam nosso comportamento e determinam o significado do que
ocorre ao nosso redor. Portanto, a aprendizagem emocional trata da capacidade de identificar, selecionar,
transformar, e utilizar as emoções,

Por conseguinte, podemos dizer que há um consenso entre os estados afetivos e características emocionais que
influenciam diretamente no processamento das informações, de forma que a associação de conceitos ocorre baseada
na semântica e por meio de associações emocionais, estando conectados. Assim, todas as dimensões biológicas,
psicológicas, afetivas e emocionais) devem ser consideradas no momento da aprendizagem.

Os professores precisam conhecer todas as dimensões que envolvem os aspectos emocionais, mas também é
necessário desenvolver habilidades fundamentais, com conhecimentos técnicos e com assertiva eficiente, flexíveis e
abertos a colaborar com o desenvolvimento de comportamentos saudáveis e positivos dos seus alunos. Assim,
professores com conhecimentos específicos, com capacidade de planejamento conseguirão traçar seus objetivos e
organizar cada uma de suas aulas para atingir suas metas, superando assim os desafios do dia a dia.

Sob essa perspectiva Leite compreende que os alunos devem conhecer as próprias emoções e os professores
precisam estar atentos a elas para poder pensar em estratégias criativas que provoquem uma modificação no sujeito
ou em suas atitudes, evidenciando o aprendizado.

Somente conhecendo suas emoções, os estudantes poderão ter segurança para pensar em soluções criativas na
resolução de problemas, ter curiosidade, não ter medo de errar e, principalmente, fazer tudo isso de forma
consciente e leve, colaborando com os colegas para maximizar os resultados.

É também primordial integrar a esse contexto, reflexões acerca de como o processo de aprendizagem pode ser
melhor trabalhado quando priorizada a utilização de meios e práticas que possibilite sua inserção no processo
emocional da pessoa, buscando assim a retenção do conhecimento enquanto parte integrante da experiência de
indivíduo.

Destacamos que ansiedade e o medo provocam impacto negativo, já as atividades de sucesso denota um impacto
positivo. Quando as emoções se apresentam de maneira positivas podem contribuir para o pensamento criativo,
flexível e integrado que facilitam o aprendizado. Diante de tal realidade, alunos com emoções positivas tendem a
não ver como ameaça opiniões e valores externos, podendo então, ampliar seu potencial de aprendizagem na
relação/interação com outras pessoas.

Dessa forma, é fundamental uma aprendizagem contextualizada pelas interações socioculturais e afetivas, do
professor quanto do aluno, para que juntos possam aprender e em particular o educando possa desenvolver
habilidades de inteligências emocionais e saiba administrar, perceber, entender e usar suas emoções em seu aspecto
social e intelectual.

TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM (VÍDEO)

A NEUROCIÊNCIA E A SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

O conhecimento científico e o tecnológico têm contribuído para mudanças no contexto educacional, assim, os
estudiosos da educação têm procurado acompanhar essa evolução por meio de pesquisas aplicadas ao campo da
apropriação dos diversos saberes.

Diante desse contexto os educadores são levados a lidar com a diversidade, cujas práticas envolvem um alto grau de
conteúdos teóricos e de desenhos metodológicos que exige do professor uma postura proativa, embasada nos
fundamentos da neurociência para assim estabelecer novas relações de educabilidade, com a intenção de gerar a
compreensão e apropriação do saber.

Pensar a existência da necessidade de atualização da prática do docente nos faz refletir em novas ações de modo a
construir e lidar com múltiplos saberes diante do contexto atual, para isso torna-se necessária também uma postura
aberta do professor para enfrentar os desafios das mudanças constantes da sociedade.

A sistematização é um conceito que vem sendo cunhando para designar uma forma metodológica de elaboração do
conhecimento. Assim, sistematização é mais do que organização de dados, ela passa a ser um conjunto de práticas e
conceitos que propiciam a reflexão e a reelaboração do pensamento a partir do conhecimento da realidade, com o
objetivo de transformar educandos e educadores do processo de formação cultista em sujeitos do conhecimento e
agentes transformadores em sua localidade.

Se ressignificarmos os mecanismos de apropriação do conhecimento o novo saber/fazer docente deve ser


enriquecido com série de estudos e contributos oriundos dos campos científicos e culturais que legitimam os
fundamentos neurocientíficos em especial elucidam o desenvolvimento de um ensino de ciências efetivo, sendo
aporte para uma aprendizagem mais colaborativa e significativa.
Dessa forma, os profissionais comprometidos que buscam desenvolver seus conhecimentos a partir dessa
perspectiva vão passar a desempenhar um trabalho diferenciado, atrativo, mas para isso será necessário ensinar o
aluno a aprender a aprender, a aprender a pensar, a problematizar, desenvolvendo a capacidade de ampliar as
numerosas funções cognitivas.

Os enfoques e tipologias utilizadas pela Neurociência Cognitiva sobre formação docente apontam para novos
horizontes da prática pedagógica do professor, que é tomado como mediador dos saberes escolares, quanto mais um
saber é desenvolvido, sistematizado, como acontece com as ciências e os saberes atuais, mais se revela longo e
complexo o processo de aprendizagem que exige, por sua vez, uma sistematização adequada.

Diante disso, faz-se necessário buscar aprofundamento quanto aos aspectos relacionados aos processos de
aprendizagem, utilizando diferente técnicas, criando possibilidades para a promoção do conhecimento.

Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua própria produção ou a
construção. Quando se entra em sala de aula deve-se estar aberto a indagações, a curiosidade, as perguntas dos
alunos, as suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho a de ensinar e não a de
transferir conhecimento.

As considerações sobre o saber ensinar numa perspectiva eminentemente reflexiva, ajudará o professor a
desenvolver suportes necessários à prática pedagógica com diversos instrumentos e estratégias apropriadas em face
de um saber ensinar e não apenas transferir conhecimentos.

Sabemos que ensinar é um construir contínuo, assim caberá à escola a responsabilidade de sistematizar de forma
contínua esses saberes, bem como compete ao professor utilizar-se dos estudos aqui abordado para planejar práticas
pedagógicas significativas coerentes e aplicáveis.

A partir dessa nova perspectiva, o professor estará contribuindo para uma aquisição significativa da aprendizagem
que essa utilização aconteça com frequência e que este uso venha ter uma articulação coerentemente dentro de uma
proposta interdisciplinar entre o ensino de ciências e demais áreas do conhecimento.

É necessário também, identificarmos, desde o início, os obstáculos enfrentados pela sistematização, além de
questões conjunturais como as que dificultam ou impedem o desenvolvimento de um fazer pedagógico diferenciado,
como os processos de sistematização são pautados por intencionalidade de caráter mais pragmático, é essencial
conhecer como aplicar a prática para depois transformá-la.

Daí a necessidade construir conhecimentos de vários saberes. É necessário especificar também que atribuímos à
noção de “saber” um sentido amplo que engloba os conhecimentos, as competências, as habilidades (ou aptidões) e
as atitudes dos docentes, ou seja, aquilo que foi muitas vezes chamado de saber, de saber-fazer e de saber-ser.

Contudo, atribuímos à sistematização dos saberes, uma forma dinâmica de contribuir com os sujeitos do processo
ensino aprendizagem, ou seja, da educação, onde estes assumam uma postura comprometida para a construção do
novo, sendo essa realização de novos cenários sociais; a discussão e participação na construção de um referencial
curricular que possa sintetizar mudanças significativas na realidade social.

Essa reflexão nos revela a importância de procurarmos sistematizar como o saber escolar e as práticas pedagógicas
dos professores lidam com processos e obstáculos cognitivos, em especial com os estímulos neurais.

Nesse sentido, revelam que alunos mais ou menos saem a imagem e semelhança de seus professores, se estes são
pesquisadores e educadores, podemos esperar que os alunos também se tornem cidadãos que saibam pensar. E, por
conseguinte, irão se tornar alunos mais críticos, reflexivo, autônomos, criativos que possam construir um
conhecimento efetivo, técnico e científico, preparados para vida, em que o professor não esteja somente preocupado
com o saber e sim como fazer o aluno aprender.

Assim, percebemos a necessidade de uma formação docente que atenda cuidadosamente aos anseios dos
estudantes, portanto, o professor, em formação inicial ou continuada, a partir dos conhecimentos contemporâneos
possivelmente estará habilitado a motivar, a ensinar e analisar o desenvolvimento do seu aluno num formato
compatível com o funcionamento cerebral.

Além disso, o conhecimento fragmentado dificilmente poderá dar a seus detentores a capacidade de reconhecer e
enfrentar os problemas e situações novas que emergem de um mundo a cuja complexidade natural acrescenta-se a
complexidade resultante desse próprio conhecimento transformado em ação que incorpora novos fatos à realidade,
por meio da tecnologia.
Certamente o que se espera dos estudos das diversas áreas do saber é a capacidade de superar o conhecimento
fragmentado, e para enfrentar os problemas que surgem, é importante que se busquem conceitos mais universais,
com proposta da interdisciplinaridade e, quiçá, a transdisciplinaridade.

Ressaltamos ainda, que no processo educativo docente e discente devem se apropriarem dos novos conhecimentos
como um saber necessário, pois ajuda no desenvolvimento de uma abordagem metodológica que responda questões
científicas da educação, especialmente no contexto de como acontece a aprendizagem, para que se possam aplicar
metodologias que estimulem o desenvolvimento humano em sua diversidade.

NEUROCIÊNCIA E O NOVO OLHAR EDUCACIONAL

Entendemos que o cérebro tem sido elemento de estudos desde os tempos remotos, e que já houve muitos avanços
nas pesquisas, mas há muitas incógnitas e perguntas que se encontram sem respostas principalmente para aqueles
que se propõe estudá-lo em nível científico.

Nos últimos tempos as investigações acerca destes estudos revelaram dados surpreendentes sobre o funcionamento
do cérebro. Nesta ótica, os pesquisadores em educação tem desenvolvido uma postura otimista de que os avanços e
as descobertas em neurociência cognitiva possam contribuir para um novo paradigma educacional.

Para tais abordagens seus fundamentos podem ser instrumentos para que professores lidem com situações para as
quais não foram preparados. Esta vem nos desvendar o que antes desconhecíamos sobre o momento da
aprendizagem. O cérebro, esse órgão fantástico e misterioso, é matricial nesse processo do aprender.

A respeito dessa vertente, os novos olhares educacionais apresentam uma proposta de complementação e
preparação para todos que estudam sobre esse fascinante campo de saber e paradigmas particulares, nessa
perspectiva o docente é convidado a entender que todos podem aprender desde que as estratégias aplicadas sejam
adequadas, estes ainda podem enxergar nesse conhecimento um potencial dinâmico e transformador.

A neurociência oferece um grande potencial para nortear a pesquisa educacional e futura aplicação em sala de aula.
Pouco se publicou para análise retrospectiva. Contudo, faz-se necessário construir pontes entre a neurociência e a
prática educacional. Há forte indicação de que a neurociência cognitiva está bem colocada para fazer esta ligação de
saberes.

Tomando esse ponto como base, as neurociências vêm construindo evidências sobre potencialidades humanas. Mas,
observa-se que o maior desafio, no entanto, é planejar uma educação capaz de preparar o aluno para correlacionar
os conhecimentos e as habilidades com seus conhecimentos prévios. Assim, escolarizar é uma tarefa complexa e
requer de seus professores, dentre os diversos fatores, a competência, compromisso (formação adequada) e a
dedicação.

A Neurociência é cientificamente desafiadora e fundamental, quando se deseja uma educação transformadora.


Diante de tal realidade, consideramos relevante a discussão sobre a necessidade de aproximar educadores, gestores
e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento para a efetivação de pesquisas científicas com propostas de
práticas e políticas educacionais baseadas em evidências para analisar como elemento central projeta, planeja e
executa todos os procedimentos educacionais.

A educação há tempos se viu desafiada frente a inúmeros questionamentos, tais como: a qualidade da educação
básica, e a formação de seus professores, dentre outros. Há grande destaque, ainda, para a Formação Continuada e
valorização dos professores. Portanto, é necessário traçar novos rumos educacionais para atender as mudanças da
era da informação e da tecnologia. Sendo assim, a passagem para um novo paradigma não é abrupta e nem radical.
É um processo que vai crescendo, se construindo e se legitimando.

Para vencer qualquer entrave que possa surgir no caminho, é necessário promover soluções para melhorar o sistema
educacional, superando a visão fragmentada que levou os professores e os alunos a processos que se restringem à
mera reprodução do conhecimento. Diante disso, temos que rever conceitos que impede o avanço da educação,
rompendo com: A ênfase do processo pedagógico que recai no produto, no resultado, na memorização do conteúdo,
restringindo-se em cumprir tarefas repetitivas que muitas vezes, não apresentam sentido ou significado para quem
as realiza.

Os desafios da educação podem ser enfrentados com novas alternativas, mas temos que ampliar a discussão sobre o
desenvolvimento de estratégias educacionais de forma a proporcionar uma educação de qualidade, para que tenha
maior espaço e melhores condições dentro da sociedade. Diante disso, os educandos precisam encontrar na escola
um porto seguro, um lugar que promova a cidadania por meio do conhecimento e que sabe respeitar as formas de
aprender de cada um deles, tendo a reflexão e diálogo como o cerne das mudanças educacionais para acompanhar a
modernidade.

Nessa ótica sobre o professor do século XXI, elencamos alguns princípios básicos com sugestões que norteiam o
trabalho pedagógico e que podem contribui com a evolução da educação.

Ter atitude e posturas profissionais;


Planejar e avaliar sempre;
Trabalhar em equipe;
Atualiza-se nas novas didáticas;
Usar novas tecnologias;
Ter boa formação.

Assim, os novos rumos educacionais apontam para a necessidade de aderir esses princípios, mostram ainda,
caminhos didáticos que valoriza os conhecimentos prévios dos alunos como elemento essencial para o
desenvolvimento da aprendizagem significativa. Dessa forma, o professor precisa conhecer e reposicionar-se frente
às novas pesquisas e descobertas a respeito da mente e da inteligência humana, visando melhorar seu desempenho
pedagógico e, por conseguinte melhorar a qualidade da educação.

DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA NERVOSO

O desenvolvimento humano consiste em interagir sobre a realidade, perceber e significar o mundo que nos rodeia,
transformar, ou seja, responder a essas informações da maneira que a compreendemos e interiorizar aquilo que nos
foi significativo em termos de aprendizagem. O Sistema Nervoso, desenvolvido mais recentemente na escala
filogenética, é o elemento que permite ao homem a modulação de seu comportamento para sobrevivência e
adaptação ao meio ambiente. Em outras palavras, através do sistema nervoso os indivíduos aprendem a otimizar
recursos para viver bem.

Os cinco primeiros anos na espécie humana são cruciais para seu desenvolvimento. É a fase em que nosso encéfalo
sai dos 400 gramas do nascimento para chegar perto de 1,5 quilo da idade adulta. A diferença de tamanho é
explicada pelas conexões que vão acontecendo nos cinco primeiros anos entre os neurônios das crianças, formando
uma rede de informações que fundamenta o que chamamos de inteligência.

O desempenho do sistema nervoso humano está de tal modo relacionado à cultura, consciência, linguagem e
memória, que o distingue dos outros animais. É importante entender a própria evolução do cérebro humano através
de sua neurogênese, já que desta resultará a base anatômica para o seu desenvolvimento, desde a infância,
passando pela adolescência e chegando à vida adulta.

Durante o período embrionário inicia-se a cadeia de processos que vai culminar no que conhecemos como
diferenciação e especialização celular. No caso das células nervosas, este processo implica na capacidade de
sintetizar neurotransmissores e enzimas, desenvolver receptores protéicos e formar conexões específicas com outras
células na sua periferia e à distância.

Resumidamente, podemos dizer que a sequência de eventos que levam uma célula indiferenciada a se transformar
em um neurônio inclui a determinação (separação de um grupo de células que vai se expressar geneticamente como
neurônios e sua disposição em regiões específicas do embrião), diferenciação (engloba a proliferação e formação de
neurônios de certa linha, sua migração para os locais adequados e desenvolvimento de suas interconexões
específicas).

Estes dois processos são determinados pela interação balanceada da expressão genética intrínseca das células e
fatores presentes no microambiente embrionário, sendo que cada evento ocorrido desencadeia uma sequência de
outros eventos, e assim sucessivamente, numa cadeia interdependente. O último estágio deste processo, a formação
de interconexões entre os neurônios, inicia-se no período embrionário, porém só vai se completar na fase pós-
embrionária, através da influência adequada de fatores ambientais.

ESTRESSE E ANSIEDADE E A INTERFERÊNCIA NA


APRENDIZAGEM INFANTIL (VÍDEO)

CAUSAS DO DESINTERESSE DO ALUNO

PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA INTELIGÊNCIA

Piaget postula que a inteligência humana é sempre um conjunto da maturação, da experiência física e social, e de um
princípio dinâmico dominante: a equilibração. A experiência dá origem a novas estruturas mentais que ampliam a
gama de experiência potencial da criança, o que, por sua vez, origina novas estruturas mentais. De acordo com sua
teoria, pode-se verificar a diferença entre dois processos, já citados, que são relacionados, mas muito diferentes
conceitualmente: desenvolvimento e aprendizagem.

O desenvolvimento refere-se aos mecanismos gerais do ato de pensar: pertence à inteligência em seu mais amplo e
completo sentido. Tudo quanto pode ser chamado característico da inteligência humana vem à tona, principalmente,
através do processo de desenvolvimento, como que destacado do processo de aprendizado. O aprendizado refere-se
à aquisição de habilidades e fatos específicos. Ainda segundo Piaget, a inteligência é o recurso que o indivíduo utiliza
quando não sabe o que fazer. O insight é, sem dúvida alguma, comportamento inteligente, a aleatoriedade não é. A
inteligência diz respeito ao processo de improvisação e aprimoramento na escala temporal do pensamento e da
razão, eis porque conclui que a maturação não é o único fator em jogo no desenvolvimento, limita-se a abrir
possibilidades, mas é preciso atualizá-las.

Apesar do grau de desenvolvimento suceder sempre na mesma ordem, ele não corresponde a idades absolutas. A
ideia central de sua teoria é que a lógica de funcionamento mental da criança se desenvolve gradativamente e
qualitativamente diferente da lógica adulta. Sua aceleração ou retardamento irá ocorrer de acordo com os diversos
meios sociais e a experiência adquirida. Assim, é preciso a escola reconhecer que não se trata de algo que exclua do
aluno a possibilidade de aprender e sim, algo que lhe conduz a um modo particular de aprendizagem.

As estruturas variam de acordo com o estágio de desenvolvimento, que seguem a mesma sequência em todos os
indivíduos, independente do grupo, lugar ou sociedade em que vivem. Segundo Piaget, nenhum dos estágios,
apresentados abaixo, pode ser omitido ou saltado. Embora haja certo limite de idade para atingir cada um dos
estágios, pode haver alterações em torno do padrão médio, dependendo de fatores genéticos e experiências
específicas do indivíduo. A psicogênese é universal, todos se desenvolvem obedecendo este paradigma básico
podendo ocorrer defasagens ou alterações nas idades para cada estágio.

A construção do pensamento, de acordo com a sua teoria epistemológica definida como estudo da aquisição,
modificação e desenvolvimento de ideias e capacidades abstratas sobre base de um substrato herdado ou biológico
distingue-se quatro principais estágios:

Estagio sensório motor (do nascimento a dois anos)

Corresponde aos dois primeiros anos de vida, onde a inteligência começa a ser construída, numa ampliação
constante de esquemas. É a fase do comportamento inteligente antes do desenvolvimento da linguagem.
Durante este período, a criança organiza a informação obtida através dos sentidos e desenvolve resposta aos
estímulos ambientais.

A aquisição mais importante deste estágio é o esquema do objeto permanente, tido como básico para a construção
das noções de espaço, tempo e causalidade.

O estágio sensório-motor é composto de seis fases:

1ª fase: Exercício dos reflexos (do nascimento até um mês). Nesta fase ainda não há consciência do “eu”, nem
distinção entre o “eu” e mundo exterior.

2ª fase: As primeiras adaptações adquiridas e a reação circular primária (um a quatro meses). Nesta fase o bebê
começa a definir os limites do próprio corpo.

3ª fase: As reações circulares secundárias e os processos destinados a fazer durar os espetáculos interessantes
(quatro a oito meses). Esta fase caracteriza-se pelo surgimento da coordenação entre a preensão e a visão e pelo
aparecimento da reação circular secundária, que consiste em reencontrar os gestos que exerceram uma ação
interessante sobre os objetos. Exemplo: Se o pé do bebê bateu na grade do móbile e balançou, e esse fato lhe
agradou, ele vai repetir o movimento do pé sobre a grade para reproduzir o mesmo espetáculo.

4ª fase: Coordenação dos esquemas secundários e sua aplicação às novas situações (8 a 12 meses).
Nesta fase surgem as adaptações sensório-motoras intencionais (coordenação intencional dos esquemas habituais),
simultaneamente com diferenciações entre meios e fins. Ao entrar em contato com objetos novos, o bebê vai
explorá-los, procurando compreender a natureza dos mesmos.

5ª fase: A reação circular terciária e a descoberta de novos meios por experimentação ativa (de 12 a 18 meses).
Nesta fase a criança age por “ensaio e erro” (tentativas). A criança é capaz de resolver os novos problemas que
aparecem e descobrir meios para atingir os objetivos.

6ª fase: A invenção dos novos meios para combinação mental (18 a 24 meses). Fase caracterizada pelo momento
de transição entre a inteligência prática (sensório-motora) e a inteligência representativa, quando começa a função
simbólica.

Estágio de pensamento pré-operatório (2 a 7 anos)

Durante este estágio a criança, além de utilizar a inteligência prática, decorrente dos esquemas sensório-motores
inicia a capacidade de representar uma coisa por outra e formar esquemas simbólicos. O egocentrismo caracteriza
todos os comportamentos da criança pré-operatória; veem a si mesma como o centro do universo.

A criança no período pré-operatório usa o pensamento intuitivo para compreender o ambiente. Há um processo
crescente da formação de conceitos. Observa-se uma evolução na capacidade infantil de seriar objetos. Nesta fase,
as crianças começam a usar a linguagem de maneira mais elaborada. Neste período ocorre a função semiótica, a
criança pode representar algo como um objeto, evento ou esquema conceitual com um significador capaz de utilizar
um símbolo ou sinal para representar uma coisa.

Estagio das operações concretas (Sete a 11/12 anos)

Observa-se, neste período, um declínio do egocentrismo intelectual e um aumento gradativo do pensamento lógico.
Caracteriza- se pelas operações mentais, as quais constituem em transformações reversíveis. Neste estágio, a
criança já possui noção de reversibilidade, conservação de quantidades descontínuas, classificação e seriação.

Estagio das operações formais (a partir dos 11/12 anos)

Neste período já se tem capacidade de pensar abstratamente, raciocinar, e definir conceitos. Representa o grau mais
complexo do desenvolvimento cognitivo. A partir dele, a tarefa passa a ser o ajustamento e solidificação das
estruturas cognitivas. Caracteriza-se pelo pensamento hipotético-dedutivo que o adolescente passa a ter e pela
capacidade de fazer especulações teóricas, morais, valorativas, científicas e ideológicas, que independem de seu
cotidiano, da realidade e do concreto.

O adolescente, nesse período, experimenta todas as alternativas considerando e combinando todas as relações de
ordem e todas as classes possíveis, surgindo o que Piaget chamou de combinatória.

Sobre o item da maturação não podemos deixar de citar Piaget num aspecto que se reflete na ciência social
contemporânea: o interacionismo. O interacionismo significa que nunca se pode atribuir uma capacidade, traço ou
comportamento humano unicamente à hereditariedade ou ao meio ambiente, mas sim às suas transações
sequenciais.

O reconhecimento, pela escola, dos processos maturacionais da criança e do adolescente bem como de sua relação
com os processos de ensino-aprendizagem são um fator prioritário para que se possa promover um trabalho
integrado entre os campos clínico e educacional objetivando a necessidade de uma política pública de informação e
prevenção em saúde ocular, bem como substituir o rótulo “fracasso escolar” por um trabalho de investimento no
aluno.

Na relação entre os alunos e os processos educacionais, a percepção exerce um papel, não só necessário, do ponto
de vista lógico, como preponderante, à medida que, é a partir dela que o sujeito se põe em posição de interação com
a experiência do mundo. Toda a linguagem subjacente e decorrente dos processos educacionais está
irremediavelmente mediada pela percepção, motivo pelo qual se torna um dos aspectos relevantes a serem
abordados nos estudos sobre o fracasso escolar.
A percepção é o processo com o qual o sistema nervoso central inicia o tratamento cognitivo, envolvendo funções de
pré-reconhecimento, como a discriminação e a identificação, e de reconhecimento, como a análise e a síntese,
utilizando, para tanto, a visão. Através da maturação do sistema nervoso, o aparelho visual da criança amadurece,
permitindo que ela faça a distinção entre os objetos e pessoas de seu meio ambiente de maneira satisfatória e
aprenda a controlar o movimento de seus olhos através dos músculos extraoculares. Caso a criança apresente
distúrbios sensório motores oculares tais como, baixa amplitude fusional e/ou insuficiência de convergência ocular,
poderá apresentar, como consequência, cefaleia, sono, dor ocular, embaralhamento de letras durante a leitura, ou
outros sintomas, reconhecidos na escola como indicadores que levam ao fracasso escolar.

Esta alteração poderá provocar dificuldades nas suas habilidades perceptivo-visuais (constância de percepção,
relação espacial, coordenação visomotora, figura-fundo), gerando, assim, inúmeros problemas de aprendizagem
escolar.

A integração de todas as informações é o objetivo padrão implícito no comportamento da mente. A atividade mental
aglutina dados adquiridos em diferentes momentos no tempo e em diferentes tipos de situações, ordenando-as em
uma relação global de interdependências.

Este processo, que deriva de generalizações, pode-se dar em nível de uma simples resposta motora desencadeada
no nível motor, a partir de um elemento perceptivo no nível de percepção ou, mais tardiamente, de um fato isolado
no nível conceitual. Uma alteração orgânica pode alterar o domínio destas aquisições, provocando dificuldades nas
habilidades perceptivo-visuais (constância de percepção, relação espacial, coordenação visomotora, figura-fundo) da
criança.

CAUSAS QUE DIFICULTAM O APRENDIZADO

A INFLUÊNCIA DA MÚSICA NO CÉREBRO HUMANO (VÍDEO)

ENVELHECIMENTO CEREBRAL

Senescência é o envelhecimento natural, que permite conviver de maneira serena com as limitações impostas pela
idade e manter-se ativo até fases tardias da vida. Em uma parcela significativa de idosos ocorre de forma anormal ou
patológica, incapacitando de maneira progressiva o que recebe o nome de senilidade.

A expectativa de vida vem aumentando de forma linear, em uma média de três meses por ano, chegando atualmente
a quase 85 anos para as mulheres em países desenvolvidos. Até que ponto a expectativa de vida pode chegar é
motivo de discussão entre os gerontologistas, porém é fato o pouco conhecimento atual sobre os mecanismos
regulatórios do envelhecimento cerebral não-patológico.

Os estudos experimentais sobre os efeitos deletérios da idade na memória demonstram uma correlação entre perda
celular no hipocampo e no córtex entorrinal (regiões cruciais para o aprendizado espacial e contextual) e perirrinal e
piores resultados.

Alterações Anatômicas

Estudos comparativos mostram uma redução de volume mais pronunciada na substância cinzenta (especialmente
pré-frontal) e nos córtices sensitivos e entorrinal.

Com o avançar da idade, particularmente após a sexta década, acelera-se o processo de atrofia cerebral, com
dilatação de sulcos e ventrículos, perda de neurônios, presença de placas neuríticas (PN) e emaranhados
neurofibrilares (ENF), depósitos de proteína beta-amilóide e degeneração granulovacuolar, os quais aparecem
precocemente nas regiões temporais mediais e espalham-se por todo o neocórtex. Na DA, já em suas fases iniciais,
estas alterações são mais acentuadas, particularmente a maior densidade de ENF no córtex peri e entorrinal,
subiculum e região CA1 do hipocampo, em correlação com os distúrbios precoces e proeminentes da memória factual
(“secundária”) observados nesta doença.

Em sujeitos idosos sadios, a neuroimagem estrutural com TC e RM mostra redução do volume total do cérebro, com
dilatação dos sulcos e sistema ventricular, especialmente dos ventrículos laterais e III ventrículo. Estas alterações são
mais acentuadas nos sujeitos dementes quando analisados como grupo, podendo estar ausentes em casos
individuais com franca demência e presentes em outros cognitivamente intactos.

Aspectos neuropsicológicos relevantes

Memória – O padrão de deterioração da memória no velho normal assemelha-se ao encontrado nas fases iniciais da
doença de Alzheimer: declínio da memória “operacional” e da memória “secundária” (“recente”) maior que o da
memória “primária” (“imediata”) e da memória “terciária” (“remota”). O aprendizado de situações ou informações
novas, a evocação retardada e repetição de números em ordem inversa são as funções mnésicas mais alteradas,
enquanto o vocabulário, o fundo de informações, a repetição de números em ordem direta e a realização de tarefas
rotineiras e automatizadas mantêm-se relativamente intactas. As dificuldades de memória relacionadas à idade são
maiores para a memória episódica do que para a memória semântica e pioram em ordem crescente na seguinte
sequência: memória de procedimentos, reaprendizado, memória de reconhecimento, evocação baseada em pistas
contextuais, evocação livre, memória prospectiva (lembrar de lembrar). O envelhecimento afeta sobretudo a
memória prospectiva e a evocação livre e retardada de material verbal aprendido.

Linguagem – De modo geral, a linguagem do idoso saudável ou demente tem sido avaliada com testes
metalinguísticos, limitados aos níveis fonológico, sintático e semântico-lexical, dando pouca importância ao nível
discursivo-pragmático, que pode mostrar alterações precoces nessas situações.

No nível discursivo, podemos ver dificuldades narrativas (especialmente com inferências, sumarização e
interpretação moral de estórias) e omissão de informações sobre a “situação” da história; omissão de passos
essenciais durante a descrição de procedimentos; e na conversação, dificuldade de compreensão, falta de clareza do
enunciado, “parafasias narrativas” e problemas com inferências e pressuposições.

ASPECTOS GERAIS SOBRE NEUROCIÊNCIA

Nas últimas três décadas estamos discutindo vários aspectos relacionados com o cérebro e seu funcionamento, estes
assuntos estão na pauta do pensamento dos homens desde os primórdios de nossa existência, mas neste momento
de nossa civilização temos disponíveis ferramentas de pesquisas eficazes que vieram facilitar a compreensão sobre a
mente e o cérebro.

Atualmente, entramos em contato com inúmeras pesquisas sobre os processos de aprendizagem, de pensamento, de
memorização, etc. As consequências destas pesquisas parecem óbvias, mas ainda dependem do conhecimento e da
sistematização destes novos estudos científicos para que possamos delinear uma nova teoria da aprendizagem
baseada nestes conhecimentos.

Esta nova teoria pode oferecer abordagens diferentes em relação a avaliação, currículo, ensino, aprendizagem e
estratégias a serem utilizadas em sala de aula, pode também resgatar algumas estratégias encontradas nas escolas
atuais, quem sabe remodelando, quem sabe explicando o porquê de seu sucesso no aprendizado dos alunos. As
pesquisas multidisciplinares trazem inúmeras contribuições de outras áreas para a prática pedagógica, antes deste
movimento iniciado há algumas décadas os educadores nem levavam em conta as pesquisas, pois elas pareciam
desvinculadas da realidade da sala de aula e não traziam contribuição a nossa prática, hoje percebemos que os
pesquisadores se preocupam em aplicar suas teorias e observar a influência desta aplicação, com um trabalho mais
próximo ao professor, a sua prática e a sala de aula e aos alunos.

Tomemos como exemplo o foco do ensino que era o aprendizado da leitura, escrita e das operações matemáticas,
mas com o advento destas pesquisas este foco continua sendo a aquisição destas habilidades, visando agora a
compreensão do significado, da importância e da aplicação do que foi estudado, mostrando perspectivas diferentes
como a leitura crítica, a literacia, a resolução de problemas, a capacidade de expressão clara das ideias, etc.
Compreender não é só conhecer ou adquirir a habilidade, é a “capacidade de pensar e agir de maneira flexível com
seu conhecimento e habilidade, usando-o de maneira inovadora e isto agora parece óbvio para todos os educadores.

As Neurociências também nos forneceram provas de que a aprendizagem modifica a estrutura física do cérebro e
também, por consequência sua organização funcional, o que para nós educadores é uma prova de como o
conhecimento pode influenciar na vida de um indivíduo e na maneira como ele vai tomar suas decisões, interagir com
seu ambiente e compreender a realidade que o cerca.

Os ambientes educacionais não devem ter mais como objetivo a seleção de talentos, mas sim o desenvolvimento
destes talentos. Para que isto aconteça os alunos ainda precisam da memória e do entendimento, do conteúdo em si,
do conhecimento sobre o assunto, que é de fundamental importância, mas precisam ir além e tornar este
conhecimento utilizável, usando o que foi aprendido para solucionar novos problemas e não só saber o conteúdo de
forma desconexa. Quando o professor entra na sala de aulas com seus planos, seu conteúdo, sua lição, ele tem como
objetivo o entendimento, a recordação e principalmente quer que aquilo seja útil na vida de seus alunos.

As Neurociências tem iniciado uma mudança de pensamento acerca da prática e da teoria da aprendizagem, estão
iniciando um entendimento mais amplo sobre a memória, o sono, a estrutura do conhecimento, o raciocínio, a
resolução de problemas, a metacognição, o pensamento simbólico, a modelação computacional, etc. Este conjunto de
assuntos relativos a cognição e a aprendizagem estão começando a contribuir para avanços nos procedimentos e
metodologias de pesquisa, além de modificar as concepções teóricas existentes sobre os alunos, a aprendizagem, o
professor e o ensino.

Algumas pesquisas já foram incorporadas a prática pedagógica, hoje não podemos mais ignorar, por exemplo, o
conhecimento preexistente de nossos alunos. Nem sempre este conhecimento da realidade é correto e devemos
conhecer a forma de entendimento do mundo que este aluno traz para sala de aula para poder modificá-lo ou
contribuir para seu desenvolvimento. Estes conhecimentos prévios sempre formam a base para a construção de um
novo conhecimento, por vezes eles devem ser integrados a novos conceitos e informações e por vezes, devem ser
corrigidos nas Ciências, os estudantes muitas vezes possuem concepções incorretas acerca das propriedades físicas,
que não podem ser facilmente observadas. Nas Ciências Humanas, suas ideias preconcebidas frequentemente
incluem estereótipos ou simplificações, como por exemplo, entender História como uma luta entre mocinhos e
bandidos. O ensino deve portanto, proporcionar oportunidades para que o aluno elabore ou conteste sua visão inicial
sobre o assunto.

Bom, sabemos então que, para o desenvolvimento de nossos alunos eles devem ter uma base sólida de
conhecimento, entender fatos e ideias relacionados a este conhecimento e organizar este conhecimento,
selecionando e lembrando de informações relevantes, para aplicá-lo e recuperá-lo quando isto se fizer necessário.

As pesquisas recentes trazem consequências imediatas para a prática dos professores, tais como: a compreensão e o
trabalho com o conteúdo preexistente, o ensino em profundidade, fornecendo exemplos em que o mesmo conceito
está em ação e proporcionando uma base sólida de conhecimento e o ensino de habilidades metacognitivas
integradas no currículo. Isso exigirá que: alguns modelos sejam substituídos; o papel da avaliação seja expandido,
revelando o entendimento; a quantidade de tópicos trabalhados seja reavaliada para que os principais conceitos de
cada disciplina sejam entendidos; os professores desenvolvam ferramentas pedagógicas eficientes, desenvolvendo
não só a competência na matéria a ser dada, mas a competência no ensino e também que os professores possam
enfatizar o processo de metacognição, integrando a instrução metacognitiva com a aprendizagem baseada na
disciplina, desenvolvendo estratégias metacognitivas e a aprendizagem dessas estratégias em sala de aula.

Talvez as questões levantadas sobre qual a estratégia correta a ser utilizada em sala de aula, desviem os professores
de sua meta que deveria ser: como meu aluno aprende. Não existe nenhuma prática de ensino que possa ser
considerada a melhor. Usar só ferramentas eletrônicas não surtirá o efeito de desejado depois das primeiras aulas, o
professor deve servir-se de uma gama enorme de estratégias de ensino e selecioná-las, por assunto, série e pelo
resultado que ele queira alcançar. Estas possibilidades farão com que cada professor elabore um programa adequado
ao seu aluno e não “um caos de alternativas concorrentes.

O professor não precisa escolher uma coisa ou outra, pode utilizar todas as estratégias de acordo com sua classe e
seu objetivos, pode mesclar aulas expositivas, com exercícios práticos, com projetos e com a utilização de
ferramentas eletrônicas. Não é mais necessário optar por uma estratégia como sendo a única que surtirá efeito,
como também não é preciso escolher entre o ensinar a pensar e resolver problemas e o ensino de conteúdo. Na
realidade, a capacidade dos estudantes de adquirir conjuntos organizados de fatos e habilidades aumenta quando
estes estão relacionados a atividades significativas de solução de problemas e quando os alunos são ajudados a
entender por que, quando e como esses fatos e essas habilidades são relevantes. Além disso, as tentativas de
ensinar habilidades de raciocínio sem uma base sólida de conhecimento factual não favorecem a capacidade de
resolver problemas, nem sustentam a transferência para novas situações.

Pesquisas recentes também versam sobre como projetar ambientes de sala de aula e observam quatro princípios
fundamentais a serem cultivados nestes ambientes:

1. As salas de aula e escolas devem ser centradas no aluno, por exemplo levando em conta as teorias dos estudantes
a respeito do que significa ser inteligente e sabendo que isto pode afetar seu desempenho.

2. Deve-se prestar atenção ao que é ensinado, por que é ensinado e como se revela a competência ou habilidade no
que foi ensinado. A competência envolve o conhecimento bem organizado que sustenta a compreensão, e aprender
entendendo é importante para o desenvolvimento da competência, pois facilita a nova aprendizagem (isto é, apoia a
transferência).

3. Saber que a avaliação é essencial, principalmente a formativa, que permite que o professor compreenda o
conhecimento prévio do aluno, perceba como levar o aluno do raciocínio informal para o formal e planeje a instrução
de acordo com seu objetivo.

4. Não negligenciar o fato de que existem diversas oportunidades de aprendizagem em cenários diferentes da escola
e montar uma parceria com os pais e a comunidade que cerca o aluno. Desde o nosso nascimento o cérebro recolhe
informações e aprende com seu meio ambiente, atualmente usando tecnologias modernas os pesquisadores podem
exibir as diferenças no metabolismo celular do cérebro que ocorrem em resposta aos diferentes tipos de trabalho
cerebral. Jean Piaget disse: Se nós apenas soubéssemos o que está acontecendo na mente de um bebê enquanto o
observamos em ação, nós, certamente, entenderíamos tudo o que há sobre psicologia e é o que começamos a fazer
hoje com a tomografia funcional e outros tipos de tecnologias.

Os neurocientistas estão convencidos que a base do aprendizado é fortalecer as novas conexões, estabilizando-as, e
criando assim novas associações, para que isto aconteça temos que conhecer não só como o cérebro aprende, mas
também a influência do sono sobre o aprendizado, a plasticidade cerebral, o trabalho dos neurônios-espelho, a
maturação do córtex, a poda neuronal, as células gliais e suas funções, o uso do humor, as emoções, a imaginação, a
memória, a atenção, a repetição e tantos outros aspectos relacionados ao cérebro e a aprendizagem.

DESAFIOS DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

Existem dois tipos de aprendizagem, tendo como base o conhecimento prévio do indivíduo: a aprendizagem
mecânica e a aprendizagem significativa. A aprendizagem significativa pressupõe que o indivíduo possui esquemas
cognitivos ordenados hierarquicamente e que os novos conhecimentos são a eles integrados de acordo com a
compatibilidade que apresentar com os conteúdos presentes nos esquemas cognitivos prévios, são chamados por ele
de “subsunçores” e funcionam como uma espécie de âncora onde os novos conhecimentos se engatam integrando-se
mais facilmente àquilo que o indivíduo já conhece.

O conhecimento significativo é, por definição, o produto de um processo psicológico cognitivo (“saber”) que envolve
a interação entre novas ideias logicamente e culturalmente compatíveis ou compatibilizáveis, com as ideias
anteriores já ancoradas na estrutura cognitiva particular do aprendiz. É por demais relevante saber que nesse
processo de produção do conhecimento significativo a própria estrutura cognitiva do indivíduo também se modifica
ampliando-se, diversificando-se e intensificando seu potencial tornando-se assim cada vez mais capaz de processar
novas informações, ideias e dados e ancorar os resultados desse processamento num continuum aparentemente
ilimitado.

Diferentemente disso na aprendizagem mecânica o conhecimento é armazenado de maneira arbitrária, não se


relacionando com qualquer informação prévia existente na estrutura cognitiva. Portanto, apesar de a priori constitui-
se como “novidade” para o aprendiz ao ser mecanicamente assimilado, não se integra a estrutura cognitiva existente
caindo facilmente no esquecimento. Para a integração desse conhecimento mecânico o indivíduo despende muito
esforço e tempo para assimilar conceitos que seriam mais facilmente compreendidos se encontrassem uma “âncora”,
ou um subsunçor. Logo se compreende que os subsunçores constituem-se como otimizadores dos processos de
aquisição de conhecimentos.

Um ensino de qualidade se configura acima de tudo com aprendizagem significativa, trazendo benefícios
extracurriculares, possibilitando uma inserção social superadora da alienação que se configura na sociedade
contemporânea. Ativando os esquemas mentais adequados, novas metodologias de ensino beneficiarão a sociedade
como um todo, através da formação de cidadãos capazes de agir e opinar de forma autônoma expressando suas
próprias ideias, pessoas que estarão construindo e transformando o meio onde vivem na direção dos seus próprios
interesses, mas dentro de um clima de respeito aos interesses coletivos.

Uma das queixas mais frequentes de professores de qualquer nível de ensino se refere a falta de atenção dos alunos.
As perguntas então passam a ser, em que eles vão prestar atenção? como envolver os cérebros deles? Atenção é um
processo cognitivo que permite o controle dos estímulos irrelevantes possibilitando nos concentrar naquilo que é
essencial.

Sabemos também que diferentes autores chamam atenção para importância da reflexão no processo de
aprendizagens relevantes, isso porque a reflexão desenvolve tarefas cognitivas complexas no cérebro. Como pôr em
marcha um processo de ensino aprendizagem que capte a atenção dos nossos alunos e os faça refletir sobre aquilo
em que sua atenção se concentra?

À década de 90 conhecida como a década do cérebro, trouxe avanços tecnológicos e ferramentas para estudar a
estrutura cerebral e seu funcionamento. As técnicas de neuroimagem possibilitaram um mapeamento do cérebro
humano e trouxeram subsídios para um maior conhecimento dos mecanismos cognitivos. Esses novos conhecimentos
nos possibilitam saber que lidamos, predominantemente com três estilos de aprendizes. São eles:

1) aprendizes visuais que prestarão uma atenção particular às informações visuais, incluindo texto;

2) aprendizes auditivos para quem as informações tornam-se mais assimiláveis pela discussão;

3) aprendizes cinestésicos ou táteis que aprendem melhor quando envolvem diretamente o corpo e podem precisar
se “tornar” aquilo que estão aprendendo.

Já sabíamos, desde há muito tempo, que aprendemos mais facilmente aquilo que nos possibilita satisfazer alguma
das nossas necessidades básicas. Embora saibamos que não é possível estabelecer de uma vez por todas quais são
as necessidades básicas de qualquer ser humano, sabemos que, de acordo com alguns autores, essas necessidades
podem ser agrupadas, grosso modo, em algumas grandes categorias, entre outras: necessidades fisiológicas,
necessidades de segurança, a sensação de estar inserido e ser amado, necessidade de estima, necessidade de
autorrealização.

Tais conhecimentos podem ser utilizados como recurso pelos profissionais da educação no desenvolvimento de
tecnologias de ensino concordantes com os esquemas mentais componentes dos processos de memorização
ampliada. Esses esquemas envolvem a passagem da memória de curto prazo para a de longo prazo o que poderá
proporcionar a otimização do processo de ensino-aprendizagem. Desse modo uma metodologia de ensino que utilize
adequadamente os novos conhecimentos sobre os diferentes tipos de memórias poderá se converter num
instrumento auxiliar básico para a cognição.

A pedagogia contemporânea necessita utilizar-se das diversas ferramentas disponíveis para subsidiar uma
pluralidade de abordagens que promovam a construção de habilidades e competências consoantes com as
exigências dos contextos sociais pós-moderno. As novas estratégias de ensino requerem o conhecimento desses
processadores cerebrais complexos para que sejam melhor ativados e colocados a serviço da construção de novas
aprendizagens. Por conseguinte, o profissional da educação precisa estar apto a conhecer as mais adequadas formas
de ativar as áreas do cérebro responsáveis pela melhor apreensão dos conteúdos, aprimorando por essa via sua
prática educativa.

TDAH: DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM NA ESCOLA (VÍDEO)

FUNÇÕES MENTAIS

Para ingressarmos numa fascinante e misteriosa viagem em busca de esclarecimento sobre o cérebro, seu papel na
inteligência humana e na aprendizagem, torna-se necessária uma abordagem anatômica do cérebro e um passeio na
história de sua formação, para assim, compreendermos sua complexidade e as relações que são estabelecidas com a
aprendizagem humana.

Anatomia do cérebro

O cérebro humano poderia ser dividido em três unidades: cérebro primitivo, realizando a tarefa de autopreservação e
agressão; cérebro intermediário, responsável pelas emoções, e cérebro racional ou superior, responsável pelas
tarefas intelectuais. O cérebro primitivo é constituído pelas estruturas do tronco cerebral, cerebelo, mesencéfalo,
bulbos olfatórios, e pelo mais antigo núcleo da base cerebral; anatomicamente delimitado, e que corresponde ao
cérebro dos répteis. O cérebro intermediário corresponde aos mamíferos inferiores, já apresentando estrutura do
Sistema Límbico: hipotálamo, tálamo, amígdala e hipocampo. O Sistema Límbico está relacionado às emoções e à
sexualidade. O cérebro superior é encontrado nos atuais mamíferos: primatas, golfinhos e seres humanos, e
representa a evolução do homem em sua história filogenética.

O Sistema Nervoso Central é um termo geral para determinar as estruturas neurais situadas dentro do crânio e da
coluna vertebral. Segundo Critérios anatômicos, o SNC pode ser dividido em grandes partes: Encéfalo e medula
espinhal. O encéfalo possui uma forma irregular, cheia de dobraduras e saliências que permite ver diversas
subdivisões. Pode-se então, reconhecer três partes do encéfalo: o cérebro, o cerebelo e o tronco encefálico. No
cérebro encontra-se o córtex cerebral, onde estão agrupados os neurônios, nesta área estão representadas as
funções neurais e psíquicas mais complexas. O cérebro é constituído por dois hemisférios separados por um profundo
sulco. Grandes regiões do cérebro, de delimitação por vezes imprecisas são chamadas de lobos: frontal, parietal,
occipital, temporal e insular.

As associações recíprocas entre as diversas áreas corticais asseguram a coordenação entre a chegada de impulsos,
sua decodificação e associação, e a atividade motora de resposta. O lobo frontal é responsável pelo planejamento e
pelo controle motor; o lobo temporal tem centros importantes de memória e audição; o lobo parietal lida com os
sentidos corpóreos e espaciais; o lobo occipital direciona a visão. No tronco cerebral encontram-se o bulbo raquiano e
o tálamo.

O estudo microscópico possibilitou identificar o neurônio e o gliócito como as unidades estruturais e funcionais do
sistema nervoso. Considera-se que o neurônio seja uma unidade morfofuncional fundamental e o gliócito uma
unidade de apoio.

A célula nervosa veicula mínimos sinais elétricos, capazes de codificar tudo o que sentimos a partir do meio ambiente
interno e externo, e ainda, tudo o que pensamos a partir de nossa própria consciência. Os neurônios operam em
grandes conjuntos, que associados formam circuitos ou redes neurais. A diferença entre os neurônios e as demais
células do organismo animal é a sua morfologia adaptada para o processamento de informações e a variedade de
seus tipos morfológicos.

O neurônio é formado por um corpo neuronal ou soma, dendritos e do axônio. O corpo neural apresenta diversos
prolongamentos ramificados, chamados de dendritos, é deles que o neurônio recebe informações de outros aos quais
se associa. O axônio ou fibra nervosa é a parte do neurônio por onde saem as informações dirigidas a outras células
de um circuito neural. O gliócito seria encarregado de alimentar e garantir a saúde do neurônio, e ainda, fazer a
orientação de crescimento e de migração dos neurônios durante o desenvolvimento, de comunicação entre eles, de
defesa e reconhecimento de situações patológicas.

Os neurônios estão sempre se associando a outros a cada vez que são estimulados por fatores do desenvolvimento
humano, fatores estes internos ou externos; a cada estímulo acontece o contato entre a fibra nervosa e um dendrito
ou o corpo neuronal e mais raramente outro axônio. A esse contato é o que se chama sinapse. As sinapses então são
resultado de contatos entre os neurônios, através de produção de sinais elétricos que funcionam como unidades de
informação. Isto é possível porque a membrana plasmática do neurônio é excitável. As sinapses ocorrem em
respostas de estímulos internos em decorrência do desenvolvimento e ainda por estímulos externos. Quanto mais
estímulos acontecerem, mais sinapses serão realizadas, aumentando a capacidade de plasticidade cerebral.
Em termos de aprendizagem humana pode-se dizer que quanto mais estimulado, mais apto o cérebro fica.

Funções mentais

Pode-se dizer que funções mentais sejam processos que se originam da necessidade do ser vivo adaptar-se ao meio e
sobreviver frente aos obstáculos que essa aventura impõe. O cérebro é o órgão responsável pelo controle das
funções de nosso corpo. Pesquisas revelam que as funções mentais estão representadas em regiões restritas do
sistema nervoso e que cada um dos neurônios tem uma propriedade específica e se conectam profusamente, a
atividade de um interfere na atividade de milhares de outras células, o que evidencia que os múltiplos circuitos
neurais podem variar em cada momento, originando a variabilidade do comportamento humano.

Luria propõe igualmente a noção de pluripotencialidades, reforçando a ideia de que qualquer área específica do
cérebro pode participar em inúmeros sistemas funcionais ao mesmo tempo. As funções mentais podem ser
representadas pela: percepção, atenção, memória, linguagem, emoção e razão. A percepção, para os seres humanos,
é a capacidade de associar as informações sensoriais à memória e à cognição, de modo a formar conceitos sobre o
mundo e si mesmos e orientar o nosso comportamento. O que diferencia a percepção das sensações seria o que se
chama de constância perceptual, explicando que para os sentidos uma imagem é diferente de acordo com a posição
que se encontra o objeto, mas para a percepção trata-se de um mesmo objeto.

Está situada no córtex cerebral, numa região chamada de córtex associativa; possui duas partes integrantes de
mecanismos: analíticos e sintéticos. O primeiro se encarrega de analisar as partes constituintes e as propriedades do
objeto, o segundo toma consciência global e unificada dele.

A memória é focalizar a consciência, concentrando os processos mentais em uma única tarefa principal e colocando
as demais em segundo plano, apresentando tipos diferenciados: atenção explícita e atenção implícita. Na atenção
explícita a atenção coincide com a fixação visual e tende a ser automática, e na implícita, muitas vezes a atenção
não coincide com o foco visual, os objetos a serem percebidos não são selecionados pela posição que se encontram e
sim por outros parâmetros, sendo uma operação mental voluntária. Pesquisas descobriram que há uma relação de
tempo entre o aparecimento da pista que direciona ao foco e a ocorrência do estímulo-alvo, observando que quanto
maior for o tempo do aparecimento da pista, maior também será o tempo de reação, o que produz um fenômeno
chamado de inibição de retorno. Caso esse fenômeno se repita várias vezes haverá a extinção da atenção. Descobriu
ainda que existe um mecanismo seletivo que provavelmente cria melhores condições para as percepções de
estímulos relevantes.

Memória é a capacidade que tem o homem e os animais de armazenar informações que possam ser recuperadas e
utilizadas posteriormente. Alguns processos mentais são utilizados na memória: aquisição, seleção, retenção,
consolidação e evocação. Pode ainda ser classificada segundo o tempo de retenção como: memória ultra-rápida;
memória de curta duração e memória de longa duração. Quanto a sua natureza, é classificada em: memória explícita,
memória implícita e memória operacional. A memória explícita reúne tudo que podemos evocar pelas palavras,
podendo ser episódica quando estiver relacionado a conceitos temporais, ou semântica, quando envolver conceitos
atemporais. A memória implícita não precisa ser descrita com palavras, podendo ser de quatro subtipos: memória de
representação perceptual, memória de procedimentos, associativa e memória não-associativa. A memória
operacional é aquela em que armazenamos temporariamente informações úteis para o raciocínio imediato e a
resolução de problemas. O processo de aquisição das novas informações que vão ser retidas na memória está
relacionada à aprendizagem.

A linguagem é determinada pelos sistemas de comunicação com regras definidas que devem ser empregadas por um
emissor para que a mensagem possa ser compreendida pelo receptor, nas modalidades: oral, escrita, gestual, etc.

Em suas pesquisas Broca colaborou para o conceito de localização do sistema nervoso, lançando a ideia de
dominância hemisférica. Durante muitas décadas pensou-se que o hemisfério esquerdo, sede da fala, era dominante
sobre o direito, tendo esse apenas papel secundário e coadjuvante. A importância dessas descobertas tornou-se
relevante para os tratamentos de distúrbios da fala. A linguagem falada tem uma base neurobiológica inata, e a
escrita é uma construção cultural. A linguagem falada é o principal modo de comunicação dos seres humanos, sendo
caracterizada pela produção e compreensão de sons vocais de sequência rápida, usando o aparelho fonador e depois
o auditivo. Os psicolinguistas consideram que possuímos o que se chama de léxicon mental, uma espécie de
dicionário onde o indivíduo busca informações semânticas, sintáticas e fonológicas necessárias à expressão verbal de
seus pensamentos.

O léxicon estaria organizado em redes semânticas categorizados por significados semelhantes: animais, pessoas,
cores, plantas, instrumentos, etc. Assim, é possível identificar as regiões cerebrais correspondentes a cada categoria,
o que torna relevante para o tratamento de alguns distúrbios da fala. Tais estudos revelaram ainda que o
processamento fonológico mostrou-se lateralizado em homens e bilateral nas mulheres, não constituindo uma
questão genética, mas simplesmente de estratégias empregadas pelos homens e pelas mulheres na busca do
léxicon. Observou-se ainda que o córtex frontal anterior à área de Broca pode sediar o léxicon sintático e o córtex
frontal posterior seria responsável pela expressão verbal. Como já vimos, a linguagem escrita difere da falada por ser
cultural e mais formal, dependendo de uma aprendizagem mais sistêmica.

A diferença é fundamental na desvantagem temporal, pois para a escrita é necessário maior empreendimento de
outras áreas. Pesquisas revelaram que os hemisférios possuem suas especializações, porém sem dominância, pois os
dois lados trabalham em conjunto, estando em constante comunicação realizada através de milhões de fibras
nervosas, chamadas de comissuras cerebrais. As comissuras cerebrais são três: o corpo caloso, a comissura anterior
e a comissura do hipocampo.

O corpo caloso é a maior delas, possuindo duzentos milhões de fibras que interconectam a maior parte do córtex
cerebral de ambos os hemisférios. Essas pesquisas relatam experimentos de cirurgias realizadas de transecção das
comissuras cerebrais em indivíduos portadores de epilepsias graves. Verificou-se que a interrupção do corpo caloso
impede que o foco epilético se expanda para o hemisfério oposto, diminuindo assim o número de crises e podendo
ser controlada. Observou-se em pacientes comissurotomizado (hemisférios separados) uma desconexão inter-
hemisférica, que como o próprio termo expressa, impede que os dois hemisférios troquem informações. A partir
dessa síndrome pode-se lateralizar os estímulos, revelando a especialização de cada hemisfério.

Razão e emoção são operações mentais acompanhadas de uma experiência interior característica, capazes de
orientar o comportamento e realizar os ajustes fisiológicos necessários. As definições sobre razão e emoção não são
precisas por não serem fáceis de serem observáveis em nível de repercussão orgânica, por isso os neurocientistas
adotaram uma definição operacional.

A emoção é uma experiência subjetiva acompanhada de manifestações fisiológicas detectáveis, através das
mudanças de expressões faciais e movimentos corporais, além de outros como: suor, taquicardia, ruborização, etc.
Charles Darwin foi o primeiro a constatar que tanto em homens e animais, as expressões comportamentais de
emoções são inatas. Tal comprovação demonstra que tem uma utilidade para a vida dos animais, seja para
adaptação, garantia da sobrevivência dos indivíduos e ainda, da espécie.

Vários aspectos das emoções estão relacionados em redes neurais, o que ficou conhecido por circuito de Papez, que
inclui: o córtex cingulado, o hipocampo, o hipotálamo e os núcleos anteriores do tálamo e mais tarde a amígdala. A
partir desse circuito, definiu o circuito como sistema límbico, relatando que a maioria das regiões envolvidas, com as
emoções, localiza-se na face medial dos hemisférios e no diencéfalo. As emoções podem ser consideradas negativas
ou positivas de acordo com as manifestações e causas determinantes.

Como emoções negativas destacam-se o medo, o estresse e a ansiedade. O medo por ser provocado por estímulos
causadores determina que as regiões neurais conectam-se de algum modo com os sistemas sensoriais. O estresse
acontece diante de uma causa geradora de medo crônico, e a ansiedade, um estado de tensão ou apreensão, gerada
pelo medo ou pela expectativa de que algum fato possa acontecer no futuro, seja ele positivo ou negativo. As
emoções positivas são aquelas que nos causam prazer. Os sentimentos de prazer que levam à autoestima indicam a
importância dos estímulos de reforço positivo ou recompensa que determinam os comportamentos.

A percepção da lógica de nossas operações, um termo sujeito a diferentes interpretações, pois também pode indicar
nível de alerta. Assim, entende-se que a razão está relacionada à emoção e que nem sempre é consciente. O uso da
razão requer o estabelecimento de um objetivo, de planejamento e execução. O indivíduo se utiliza de sua memória
operacional e uma lógica global inconsciente. A razão está relacionada com o córtex pré-frontal no lobo frontal,
estabelecendo conexões com todo o encéfalo.

Constatamos assim, a relevância da compreensão do funcionamento das articulações neurais e as funções que
realizam. Estudos demonstram a enorme capacidade cerebral e sua habilidade modificatória, evidenciando ser o
cérebro provido de genialidade, e ainda, que tais evidências possibilitam entender como o meio ambiente e a cultura
do indivíduo podem provocar novas aprendizagens e consequentemente novas mudanças no cérebro.

ESCOLA E A MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS

A escola deve estar preparada para atender as múltiplas inteligências dos alunos, assim como dispor de tecnologias
para desenvolvê-las, e ainda, conhecer bem o grupo a que atende nas suas possibilidades, habilidades, dificuldades e
diferenças, assim a anatomia cerebral e as diferenças entre meninos e meninas. Apesar de entender que as
diferenças culturais são maiores entre os gêneros, estudos revelaram que a anatomia cerebral entre os gêneros são
diferentes, acarretando diversidade no modo de aprender.

A educação em seu aspecto geral abraça a ideia do respeito à história do indivíduo, sua cultura e fatores que
determinam seu desenvolvimento. Muitas são as contribuições nesse campo sobre as múltiplas Inteligências, a
necessidade de uma visão holística sobre as dificuldades da aprendizagem e a urgência de uma prática realista que
possa contribuir efetivamente para a construção do sujeito crítico e capaz de transformar sua própria realidade.
Dentro desses pressupostos, poucos sabem sobre os aspectos biológicos que nos caracterizam individualmente,
pois apesar de apresentarem padrões, possuem especificidades representadas pela cultura.

Dentro desse quadro, sobre os diferentes modos em que homens e mulheres aprendem, pensam, criam estratégias,
calculam o tempo, estimam a velocidade de objetos, realizam cálculos matemáticos, orientam-se no espaço e
reagem às suas experiências. Tais padrões diferenciados de comportamento são evidenciados não apenas por fatores
culturais, mas também genéticos.

Por meio das pesquisas neurobiológicas comportamentais, chega-se a uma quase conclusão teórica, que o meio
ambiente e a aprendizagem social contribuem em uma grande variedade de diferenças neurofisiológicas e
anatômicas entre os cérebros dos homens e das mulheres. O estudo demonstra as diferenças cerebrais. Métodos
pesquisados por meio de exames de imagem, tornam possível o estudo do cérebro vivo, realizando diferentes
funções.

A ciência afirma que o hemisfério esquerdo é analítico enquanto o direito, intuitivo. Ligados por um feixe nervoso,
considera-se que nesta região reside a chave do desenvolvimento intelectual. Costuma ser difundido que pelo fato do
hemisfério esquerdo estar mais relacionado à área exata, estaria refletida a ideia de que aí se origina a inteligência e
maior capacidade de raciocínio crítico. Estudos revelam que o pensamento crítico seria estéril e fadado ao erro caso
não houvesse o discernimento criativo e intuitivo originado no hemisfério direito. O corpo caloso assim é na verdade,
o campo de comunicação entre os hemisférios e o grande responsável pela tarefa intelectual.
Existem algumas diferenças genéticas entre os cérebros femininos e masculinos, ocorrendo então diferentes modos
na aprendizagem. O feixe que liga os dois hemisférios cerebrais é maior nos cérebros femininos, o que permite maior
comunicação entre os hemisférios. Como as regiões cerebrais não trabalham isoladamente, sendo outras acionadas
para determinada tarefa, foi constatado maior densidade de neurônios entre os cérebros femininos.

Os cérebros masculinos trabalham mais centralizados nas regiões específicas; assim sendo, há diferentes
mecanismos de aprendizagem entre homens e mulheres, modificando os comportamentos ao lidarem com as tarefas
e mesmo com suas emoções. Segundo estudos as mulheres são mais capazes de verbalizar suas emoções enquanto
os homens as isolam e tendem a seguir em frente. Consequentemente as mulheres tendem a ser mais cautelosa do
que os homens quando falam, e estes com maior probabilidade a dizerem coisas sem pensar.

O cérebro feminino atinge sua maturidade aos oitos anos enquanto o masculino apenas três anos mais tarde, porém
as regiões onde se concentram as atividades de raciocínio mecânico e espacial e concentração visual parecem se
desenvolver quatro a oito anos mais cedo nos homens.

Descobertas revelam que existe uma região no córtex, o lóbulo ínfero-parietal (LIP), bilateral, localizando-se acima do
nível das orelhas. O tamanho parece estar relacionado às habilidades mentais em matemática. Nos homens, o lado
esquerdo desse lóbulo é maior que o direito; nas mulheres ocorre o oposto, o lado direito dessa região é maior que o
esquerdo. O LIP permite que o cérebro processe informações a partir dos órgãos dos sentidos, e ajude a atenção e a
percepção seletivas.

Tais diferenças vêm revelar a irrefutável urgência das escolas e consequentemente professores estarem preparados
para colaborar com a qualidade de ensino, pois ignorar tais diferenças, e abordar diferentes assuntos dentro de um
mesmo formato é no mínimo contribuir para desinteresses precoces dentro da educação. Na realidade, a diversidade
genética entre homens e mulheres não invibializa esta ou aquela aprendizagem, mas nos fornece esclarecimento
sobre o modo diferenciado de aprender, guiando-nos a escolher meios mais eficazes para promover uma
aprendizagem que possa desenvolver as capacidades de cada indivíduo.

Os processos como as aprendizagens ocorrem são discriminadas, dessa forma são indiferentes entre homens e
mulheres. Os processos das aprendizagens são: aprendizagem intraneurossensorial, interneurossensorial e
integrativa. A aprendizagem intraneurossensorial é específica do sistema nervoso, à sua estrutura, caso alguma
região esteja lesada, pode apresentar algumas disfunções. A aprendizagem interneurossensorial funciona na
interligação, realizando diversas atividades integradas, possibilitando desenvolver potencialidades.

O processo de aprendizagem ocorre através da sensação, percepção, formação de imagens, simbolização e


conceituação. A sensação é o nível mais primitivo do comportamento e pelo qual indivíduo percebe o mundo. A
percepção é a consciência da sensação. A formação de imagens está relacionada ao processo de memória das
informações percebidas, sejam elas visuais ou não. A simbolização é a capacidade de representação verbal ou não
verbal. A conceituação é o processo mental que envolve capacidades de abstração, classificação e categorização.

EDUCAÇÃO EMOCIONAL

Todo o Sistema Nervoso Central está envolvido na questão da emoção, tanto nas dimensões biológicas, psicológicas,
afetivas e emocionais. As emoções podem decorrer das mudanças corporais ou viscerais decorrentes de algum
estímulo, da estimulação cognitiva, e ainda, subjetivas de atividade no sistema nervoso central, sendo o tálamo
importante para a expressão da emoção.

A emoção responde a um circuito cerebral que envolve estruturas do sistema límbico e do córtex pré-frontal, que
desempenha papel de regulador das emoções. O córtex pré-frontal amadurece tardiamente em seres humanos e este
fator interfere enormemente no comportamento dos indivíduos expostos à aprendizagem. A partir dessa observação
torna-se impossível separar as dimensões relativas ao cognitivo e às emoções, concluindo-se que uma emoção
positiva facilita a aprendizagem, enquanto que uma percepção negativa pode resultar em sua dificuldade.

A educação emocional assim relaciona-se à automotivação, ao controle de impulsos, canalizando as emoções para
situações apropriadas, possibilitando que os alunos liberem mais os seus talentos. Para desenvolver a educação
emocional o educador deve conhecer os mecanismos entre os hemisférios cerebrais, pois o esquerdo crítico e
analítico interfere na criatividade do direito, limitando a liberação do talento.
NEUROCIÊNCIAS E A PEDAGOGIA

Entre os processos de interação do ser humano, a aprendizagem ocupa um lugar especial, pois é por meio dela que
crianças , jovens e adultos tem contato com o mundo que os cerca, criando relacionamentos, levantando questões e
descobrindo soluções. O meio ambiente é um fator importante no processo de aquisição da aprendizagem do ser
humano.

A neurologia e a genética levantam questões que afetam a compreensão da capacidade humana de conhecer e
aprender. Quando nasce o indivíduo apresenta uma certa independência ao se expressar e se fazer presente, mesmo
sem falar. Na escola o indivíduo apresenta diferentes formas de aprender. A partir dessas diferenças em aprender,
constatasse as dificuldades de aprendizagem.

Aprendizagem é o processo de aquisição de novas informações que serão retidas na memória. Portanto a
aprendizagem é um aspecto relevante na vida do ser humano. O termo aprendizagem está restrito às aquisições,
função da experiência, que se desenvolvem no tempo em que, o sujeito repete respostas paralelamente, a repetição
de sequências externas.

O aprendizado engloba: a memória, o pensamento, a compreensão, a comunicação, a concentração, a orientação


temporal e espacial. Tendo em conta, principalmente os aspectos emocionais, como a autonomia, segurança,
autoestima, interesse, sociabilidade e atitudes comportamentais.

A Neurociência aplicada à educação pode ser compreendida como o estudo da estrutura, do desenvolvimento, da
evolução e do funcionamento do sistema nervoso sob enfoque plural: biológico, neurobiológico, psicológico,
matemático, físico, filosófico e computacional, voltado para a aquisição de informações, resolução de problemas e
mudanças de comportamento. Na prática, a aproximação entre as Neurociências e a Pedagogia pode se reverter em
melhorias de qualidade de vida e melhor compreensão no processo de aprendizagem.

O aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários


processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer.

As teorias contemporâneas do desenvolvimento cognitivo precisam reconhecer a importância da construção do


conhecimento e do mundo social. Devem ser compatíveis com limitações biológicas sobre como o cérebro realmente
aprende.

Ao nascer à criança se integra em uma história e uma cultura: a história e a cultura de seus antepassados, que
caracterizam como peças importantes na construção de seu desenvolvimento. Ao longo dessa construção estão
presentes as experiências, os hábitos, as atitudes, os valores e a própria linguagem daqueles que interagem com a
criança, em seu grupo familiar. Estão presentes também nessa construção a história e a cultura de outros indivíduos
com quem a criança se relaciona e em outras instituições próximas, tais como a escola, ou contextos mais distantes
da própria cidade, estado, país ou outras nações.

A aprendizagem depende do estágio de desenvolvimento atingido pelo sujeito, para Vygotsky, a aprendizagem
favorece o desenvolvimento das funções mentais. Muito embora a aprendizagem que ocorre antes da chegada da
criança à escola seja importante para seu desenvolvimento, atribui um valor significativo à aprendizagem escolar
que, no seu dizer: “produz algo fundamentalmente novo no desenvolvimento da criança”.

A NEUROCIÊNCIA COGNITIVA E A EDUCAÇÃO

A neurociência investiga o processo de como o cérebro aprende e lembra, desde o nível molecular e celular até as
áreas corticais. A formação de padrões de atividade neural considera-se que correspondam a determinados estados e
representações mentais.

O ensino bem sucedido provocando alteração na taxa de conexão sináptica, afeta a função cerebral. Por certo, isto
também depende da natureza do currículo, da capacidade do professor, do método de ensino, do contexto da sala de
aula e da família e comunidade.

A neurociência cognitiva utiliza vários métodos de investigação (por ex. tempo de reação, eletroencefalograma,
lesões em estruturas neurais em animais de laboratório, neuroimageamento) a fim de estabelecer relações cérebro e
cognição em áreas relevantes para a educação. Está abordagem permitirá o diagnóstico precoce de transtornos de
aprendizagem. Este fato exigirá métodos de educação especial, ao mesmo tempo a identificação de estilos
individuais de aprendizagem e a descoberta da melhor maneira de introduzir informação nova no contexto escolar.

Investigações focalizadas no cérebro averiguando aspectos de atenção, memória, linguagem, leitura, matemática,
sono e emoção e cognição, estão trazendo valiosas contribuições para a educação.

Os estudos têm demonstrado que o ser humano, ao nascer, tem mais de 80 bilhões de neurônios, embora sem as
informações e as aprendizagens ainda armazenadas ou memorizadas. Sem desconsiderar as pesquisas sobre
aprendizagem no útero materno, é, ao crescer, vendo, ouvindo, sentindo a realidade que, no cérebro de cada ser
humano, são formadas as redes neurais de conhecimentos. É o que se denomina de aprendizagem.

Os avanços e descobertas na área da neurociência ligada ao processo de aprendizagem é sem duvida, uma revolução
para o meio educacional. A Neurociência da aprendizagem, em termos gerais, é o estudo de como o cérebro aprende.
É o entendimento de como as redes neurais são estabelecidas no momento da aprendizagem, bem como de que
maneira os estímulos chegam ao cérebro, da forma como as memórias se consolidam, e de como temos acesso a
essas informações armazenadas.

Quando falamos em educação e aprendizagem, estamos falando em processos neurais, redes que se estabelecem,
neurônios que se ligam e fazem novas sinapses. E o que entendemos por aprendizagem. Aprendizagem, nada mais
é do que esse maravilhoso e complexo processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente, ativa essas
sinapses (ligações entre os neurônios por onde passam os estímulos), tornando-as mais intensas. A cada estímulo
novo, a cada repetição de um comportamento que queremos que seja consolidado, temos circuitos que processam as
informações, que deverão ser então consolidadas.

A neurociência vem nos desvendar o que antes desconhecíamos sobre o momento da aprendizagem. O cérebro, esse
órgão fantástico e misterioso, é matricial nesse processo do aprender. Suas regiões, lobos, sulcos, reentrâncias tem
sua função e real importância num trabalho em conjunto, onde cada um precisa e interage com o outro. Conhecer o
papel do hipocampo na consolidação de nossas memórias, a importância do sistema límbico, responsável pelas
nossas emoções, desvendar os mistérios que envolvem a região frontal, sede da cognição, linguagem e escrita, poder
entender os mecanismos atencionais e comportamentais de nossas crianças com dificuldades de aprendizagem, as
funções executivas e o sistema de comando inibitório do lobo pré-frontal é hoje fundamental na educação assim
como compreender as vias e rotas que norteiam a leitura e escrita (regidas inicialmente pela região visual mais
especifica (parietal), que reconhece as formas visuais das letras e depois acessando outras áreas para que a
codificação e decodificação dos sons sejam efetivas.

Como não penetrar nos mistérios da região temporal relacionado a percepção e identificações dos sons onde os
reconhece por completo? (área temporal verbal que produz os sons para que possamos formar as letras). Não
esquecendo a região occipital que tem como uma de suas funções coordenar e reconhecer os objetos assim como o
reconhecimento da palavra escrita. Assim, cada órgão se conecta e se interliga nesse trabalho onde cada estrutura
com seus neurônios específicos e especializados desempenham um papel importantíssimo nesse aprender.

Os professores e os psicopedagogos podem utilizar-se dos conhecimentos da neurociência para deles extrair respaldo
para estabelecer novas estratégias de conduta profissional, que facilitem alcançar o sucesso em seu trabalho e assim
promover condição facilitadora da aprendizagem dos alunos.

Reconhecer que o cérebro humano é a sede da emoção e da razão não está mais em discussão entre os profissionais
das diferentes áreas há várias décadas e menos ainda hoje, quando podemos constatar, através de múltiplas
pesquisas e com uso, inclusive, de imagens. Mas a operacionalização, a aplicação desses conhecimentos na prática,
sem dúvida ainda requer um longo trajeto de estudo e aprofundamento de todos nós que trabalhamos com a
educação.

Na vida cotidiana, sempre que você se defronta com uma determinada situação, há geralmente uma cena real ou
imaginária que você avalia com bases inicialmente em informações sensoriais: visuais, auditivas e outras. Esse
conjunto de informações sensoriais é então compararia, e ponderados segundo seu significado emocional.

O aprender e o lembrar do estudante ocorre no seu cérebro. Conhecer como o cérebro funciona não é a mesma coisa
do que saber qual é a melhor maneira de ajudar os alunos a aprender. A aprendizagem e a educação estão
intimamente ligadas ao desenvolvimento do cérebro, o qual é moldável aos estímulos do ambiente. Os estímulos do
ambiente levam os neurônios a formar novas sinapses. Assim, a aprendizagem é o processo pelo qual o cérebro
reage aos estímulos do ambiente, ativando sinapses, tornando-as mais intensas. Como consequência, estas se
constituem em circuitos que processam as informações, com capacidade.
A PSICOMOTRICIDADE INFANTIL NA VISÃO DA
NEUROEDUCAÇÃO (VÍDEO)

A NEUROCIÊNCIA E A PRÁTICA EDUCATIVA

A neurociência aplicada à educação pode ser compreendida como o estudo da estrutura, do desenvolvimento, da
evolução e do funcionamento do sistema nervoso sob enfoque plural: biológico, neurológico, psicológico, matemático,
físico, filosófico e computável, voltado para aquisição de informações, revolução de problemas e mudança de
comportamento. Nessa equação complexa, processos químicos e interações ambientais se aproximam e se
complementam. Na prática, a aproximação entre as neurociências e a pedagogia pode reverter em melhorias de
qualidade de vida para milhares de estudante.

A Neuropedagogia é fazer uma releitura das principais teorias da aprendizagem. Mas também é reconhecer que é
uma Ciência, que estuda a aprendizagem no contexto do processo químico, celular, anatômico, funcional, patológico,
comportamental do sistema nervoso, evidenciando uma visão sistêmica e integradora do estudante. A abordagem
neurocientífica da aprendizagem compreende o entendimento da formação da inteligência, da emoção e do
comportamento na interface no contexto escolar, nas dimensões biológica, psicológica, afetiva, emocional e social.

O cérebro é o órgão que conduz a vida do ser humano. A capacidade humana de conhecer e de aprender, não está
na sua essência, como não está no meio social ou na cultura. O ser humano não nasce inteligente, ele torna-se
inteligente conforme apropria-se do que faz, ele modifica sua capacidade de pensar e consequentemente sua
capacidade de aprender. Assim produzindo sua consciência. A mente humana resulta de intermináveis construções.

O contexto em que ocorre cada aprendizado é de importância crucial. Esse contexto inclui uma grande quantidade de
fatores moduladores, que nos últimos anos a pesquisa demonstrou com clareza que influem diferentemente sobre
aquilo que adquirimos em relação à formação de memória. O estudo da Neurociência vem comprovar a importância
de ver o ser humano com um ser social, biológico e psicológico, e quando essa compreensão é colocada em prática o
resultado da aprendizagem é positivo.

DESENVOLVIMENTO DO CÉREBRO INFANTIL

Aprender não é absorção de conteúdos e exige uma rede complexa de operações neurofisiológicas e
neuropsicológicas, além destes dois aspectos, a aprendizagem solicita a contribuição do meio ambiente.

Devem-se considerar os processos cognitivos internos, isto é, como o indivíduo elabora os estímulos recebidos, sua
capacidade de integrar informações e processá-las, formando uma complexa rede de representações mentais, que
possibilite a ele resolver situações problema, adquirir conceitos novos e interpretar símbolos diversos.

Percebe-se que a complexidade do aprender exige funções cerebrais e funções mentais que se entrelaçam não
limitando a um ou outro aspecto. O papel motivador das emoções na aprendizagem já não é apresentado em
separado nos estudos de Vygotsky. Pedagogicamente, a motivação, o envolvimento do aprendiz com o professor e o
conteúdo, a compreensão do funcionamento cerebral, são fundamentais para que se garanta uma aprendizagem ágil
e eficiente.

Um feto de 27 semanas de vida intrauterina pode ouvir e aprender os sons dos órgãos da mãe, assim como sua voz e
progressivamente incorporar os sons do ambiente. A preferência pela voz materna, além da capacidade de
reconhecê-la, acontece aos quatro dias de vida. O aprender humano acontece desde a vida intrauterina e a qualquer
momento da sua existência. O que se observa é que o amadurecimento biológico do cérebro, com a progressiva
organização e reorganização de sua rede neuronal, ocorre simultaneamente com o amadurecimento de sua
capacitação mental. A observação de que na adolescência se estabelece o raciocínio abstrato tem a comprovação
neurocientífica Esta fase é de intensa transformação cerebral, principalmente na da região mais anterior do lobo
frontal. O cérebro não vive sem suprimento alimentar, representado por glicose e oxigênio.

Seu crescimento, desenvolvimento e funcionamento estão condicionados a sua nutrição. As consequências da


desnutrição são devastadoras e definitivas, principalmente nas fases iniciais da vida. Mais recentes, no entanto, são
as observações de cérebros de crianças hipoestimuladas e vítimas dos diversos tipos de agressão física e psicológica.
É possível identificaram anormalidades cerebrais decorrentes de abuso e negligência em crianças. Estes danos, no
cérebro em desenvolvimento, parecem estar ligados a distúrbios psicoafetivos na vida adulta. A função e a estrutura
do cérebro são modificadas pelos maus tratos na infância.

Regiões do lobo temporal do cérebro chegam a apresentar redução de 9,8% de seu tamanho com consequências
para o desempenho mental em vítimas de hostilidade e sentimentos depressivos.

As bases neurais de alguns distúrbios que interferem no processo de aprendizagem são melhor compreendidas. Ter
um cérebro com capacidade de realizar suas funções, com todas as suas estruturas bem formadas anatomicamente,
sem desvios no seu desenvolvimento nem em sua genética não garante a aprendizagem.

No caso da dislexia, por exemplo, o que se considerava como uma dificuldade na leitura por problemas na percepção
visual, a neurociência identificou problemas no processamento fonológico. Neste caso temos uma disfunção cerebral
justificando uma desordem em nível neuropsicológico. O desenvolvimento cerebral que se faz pela organização das
conexões e pelo processo de maturação é influenciado por fatores ambientais e biológicos. A mente, com o
pensamento e a emoção, as experiências precoces têm um impacto no potencial de desenvolvimento de cada
pessoa.

Qual o tipo de aprendizagem interessa ao educador? Se lhe interessar comportamentos que resultem em
desempenho escolar, como matemática ou leitura sua atenção se direciona para funções intelectuais como a
memória de trabalho, atenção. Se a intenção da aprendizagem se restringir a conhecer os conteúdos seu ensino não
estaria estimulando todo o potencial do complexo cérebro-mente. Desenvolver habilidades e competências que
correspondam às exigências do mercado restringe a aprendizagem somente a um desenvolvimento intelectual.

Quando o aprendizado se orienta por metas, como tomada de decisão, planejamento e execução de planos, escolha
s de comportamentos mais adequados para uma dada situação serão incluídas funções mentais com
comportamentos complexos. São funções chamadas executivas. Função executiva é, um conceito neuropsicológico
de formulação recente. Relaciona-se com a organização, pelo executor, da informação formulando planos, definindo
objetivos, controlar as variantes. Em estudos neuropsicológicos, as funções executivas têm sido demonstradas como
sendo muito diferentes da inteligência geral e memória.

As áreas cerebrais responsáveis pelas funções executivas amadurecem tardiamente, na idade adulta jovem. Como no
desenvolvimento de outras funções cerebrais, as funções executivas tornam-se progressivamente conectadas
aos domínios do conhecimento para fatos, imagens e palavras. Tudo isso para que o conhecimento tenha propósito,
justificativa e aplicabilidade em comportamentos direcionados para uma meta.

Por exemplo, como eu identifico e organizo os passos para completar um projeto independente? Como eu devo
verificar meu progresso, de modo a avaliar o quanto falta para fazer? Estas são questões que os educadores podem
ouvir de tempos em tempos, mas elas revelam quais podem ser os processos fundamentais para a adaptação e
realizações humanas nos gerenciando como aprendizes, desenvolvendo uma consciência quanto ao nosso
conhecimento, tanto como à nossa falta de conhecimento, e sabendo como conseguir realizar vários objetivos usando
habilidades executivas ou metacognitivas. Uma parte substancial das funções executivas consiste em desenvolver
modelos mentais destes processos de "comos", "porquês" e "quandos".

As ações educacionais modelam as funções executivas e podem ser ensinadas de forma direta. As brincadeiras
infantis são responsáveis pelo desenvolvimento de elementos precoces das funções executivas. As atividades
acadêmicas, sociais e recreativas são promotoras do desenvolvimento da criança. Treino de habilidades e desafio
melhoram o desempenho da criança como executora. Pais, educadores e neurocientistas podem iniciar um diálogo
sobre como entender mais e utilizar mais os sistemas múltiplos de memória, e como introduzir cenários sonoros de
linguagem mais cedo no desenvolvimento infantil.

Aprender com as experiências é uma característica adquirida no processo evolucionário da espécie humana. Esta
capacidade se deve, em grande parte, às funções executivas. As disfunções executivas podem trazer, funções
executivas são aspectos complexos da cognição que envolve seleção de informações anteriormente memorizadas,
planejamento, monitoramento e flexibilidade cognitiva. Através delas é que chega ao comportamento orientado para
objetivos, realizando-se ações voluntárias, autônomas e orientadas para metas específicas problemas de gravidade
variável. Pode se apresentar como uma avaliação equivocada das consequências de suas escolhas, atitudes ou a
perdade prazos de conclusão e entrega de trabalhos. Nas disfunções executivas as experiências com resultado
indesejado não vão gerar um aprendizado novo aplicável na próxima situação semelhante.

A dificuldade em se concentrar numa tarefa, um comportamento perseverativo, dificuldades em adotar novas


condutas, não ser capaz de utilizar estratégias operacionais, pequena flexibilidade cognitiva e comprometimento da
produção e da criatividade podem ser decorrentes de disfunção das funções executivas.
As funções executivas bem desenvolvidas permitem que o aluno seja independente, tenha capacidade de meta-
análise, que supere limites e utilize habilidades para aprender. Crianças com disfunção executiva têm dificuldade
para alternar concreto e abstrato, literal e simbólico, temas centrais e detalhes.

Essa alternância exige que o aluno seja capaz de interpretar uma informação de mais de uma maneira, mudando a
estratégia quando uma escolha não funciona. Neste caso, que se direcione a aprendizagem exemplificando com a
leitura de um texto. Nesta leitura o professor interrompe em determinados pontos apresentando questões como
significados diferentes para uma mesma palavra, propondo a mudança da posição da palavra na frase, mudando a
entonação de uma sílaba, a entonação da sentença para que o aluno perceba as modificações no sentido do texto. A
utilização de metáforas e expressões dúbias separadamente pode evitar que o aluno fique confuso ao ler o texto.

A atenção é uma função mental específica de grande importância para a aprendizagem. Esta intrigante faculdade
mental forma a base de nosso conhecimento, estando envolvida com nossa orientação no tempo e no espaço e
nossas habilidades intelectuais e mecânicas. Assim, aprendizagem e memória são o suporte para todo o nosso
conhecimento, habilidades e planejamento, fazendo-nos considerar o passado, nos situarmos no presente e
prevermos o futuro.

A memória não se localiza em uma única estrutura cerebral. Existe uma integração de sistemas que ao entrarem em
funcionamento envolvem a mente e o cérebro, o biológico e o psicológico. As áreas e regiões cerebrais envolvidas
neurofuncionalmente são conhecidas: o lobo temporal armazena memórias de longo prazo; o hipocampo exerce
função na memória declarativa, o tálamo e o hipotálamo têm conexões, emoções que neles originam para
interferirem na aprendizagem.

Um sistema neural interconectado em rede permite que se conceba um contínuo entre os processos cognitivos e
afetivos no funcionamento psíquico. Pensar em um conhecimento exclusivo cognitivo ou afetivo seria pensar em
sistemas justapostos na mente humana, o que não ocorre.

Na sala de aula podemos identificar que o conhecimento afetivo requer ações cognitivas, e ao contrário, também
ações cognitivas exigem os aspectos afetivos. O pensar e o sentir foram apresentados como universos separados e
até mesmo em oposição. Razão gerava saberes racionais e emoção gerava saberes emocionais. Em relação às ações
educativas.

Não existe uma aprendizagem meramente cognitiva ou racional, pois os alunos não deixam os aspectos afetivos que
compõem sua personalidade do lado de fora da sala de aula, quando estão interagindo com os objetos de
conhecimento, ou não deixam latentes seus sentimentos, afetos e relações interpessoais enquanto pensam.

Aceitar, de forma integrada, na educação os processos cognitivos e afetivos aponta caminhos e possibilidades de se
compreender o psiquismo humano. Visualizar somente os comportamentais externos do indivíduo cria uma distorção
da realidade. Alguns reflexos desta dificuldade em se estudar integradamente os processos cognitivos e afetivos
podem ser identificados em determinados modelos educacionais.

NEUROCIÊNCIAS E PRÁTICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS

O grande desafio que a educação apresenta às neurociências é a proposição de temas relevantes a serem estudados
em aprendizes com cérebros diferentes, como autistas, crianças com dificuldades de aprendizagem, deficiência
intelectual, síndrome de Down, superdotação/altas-habilidades, entre outros. Sabemos que hoje prevalece a política
da escola inclusiva onde educar na diversidade será o maior desafio do educador contemporâneo.

Os estudos e descobertas de estratégias pedagógicas específicas, considerando um funcionamento cerebral distinto,


são condições imprescindíveis para tornar a educação inclusiva uma realidade, encarada com responsabilidade, onde
professores utilizem conhecimentos pautados em evidências científicas. Não é objetivo deste estudo de revisão
bibliográfica, detalhar tais estratégias, pois demandaria pesquisas mais acuradas acerca deste tema, mas alertar
educadores, pais e todas a pessoas envolvidas com educação, acerca da importância de se conhecer essa nova área
do conhecimento chamada neurociências e como ela pode contribuir para a educação. Conhecer o funcionamento
cerebral de nossos aprendizes, sabendo que o processo de aprendizagem é mediado por suas estruturas e funções
um importante passo afinal o cérebro é o órgão da aprendizagem.

As Diretrizes Nacionais para a Educação Especial Básica, determina que: Os sistemas de ensino devem matricular
todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais
especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.
A Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, tem como objetivo assegurar a
inclusão escolar de alunos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/superdotação, orientando os sistemas de ensino para garantir acesso ao ensino regular com participação;
aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino; transversalidade da modalidade de educação
especial desde a educação infantil até a educação superior; oferta do atendimento educacional especializado;
formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a
inclusão; participação da família e da comunidade; acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, nas
comunicações e informação e articulação intersetorial na implementação das políticas públicas.

Em suas diretrizes., aponta a educação especial como uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis,
etapas e modalidades realizando o atendimento educacional especializado, disponibilizando os serviços e recursos
próprios desse atendimento e orienta os alunos e seus professores quanto a sua utilização nas turmas comuns do
ensino regular.

O atendimento educacional especializado complementa e/ou suplementa a formação dos alunos e está organizado
para apoiar o desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória dos sistemas de ensino e deve ser
realizado no turno inverso ao da classe comum, por professores especializados, de preferência na própria escola ou
nos centros de atendimento especializados, antigas escolas de educação especial.

Os sistemas de ensino devem organizar as condições de acesso aos espaços, aos recursos pedagógicos e à formação
dos professores, objetivando favorecer a promoção da aprendizagem e a valorização das diferenças, de forma a
atender as necessidades educacionais de todos os alunos, ou seja, a escola hoje é inclusiva.

Diante deste cenário educacional, nós educadores, temos em mãos grandes desafios: Como fazer esta inclusão? Será
que estamos preparados? Como receber em nossas salas essa diversidade tão heterogênea de alunos? Será que a
formação profissional dos educadores permite esse desafio?

Novos tempos exigem o uso de conceitos e conhecimentos renovados. Nos últimos anos os estudos do campo das
neurociências e de suas subáreas têm contribuído muito para melhor entendermos essa diversidade cerebral. O
professor precisa compreender que existe uma biologia, uma anatomia e uma fisiologia neste cérebro que aprende,
tornando-se necessário, portanto, que o professor entenda o funcionamento do substrato neurobiológico para que
possa ressignificar sua prática pedagógica.

O objetivo maior deste artigo não consiste em detalhar essas bases neurobiológicas da aprendizagem, mas fazer uma
reflexão com os profissionais ligados à educação e à aprendizagem em geral, sobre a importância de se conhecer
essas bases como interfaces da aprendizagem, afinal, o cérebro, é, por excelência, o órgão onde se forma a cognição,
o órgão mais organizado do nosso organismo.

A importância, por parte do educador , acerca do conhecimento das estruturas cerebrais como “interfaces” da
aprendizagem para a ininterrupção do desenvolvimento também biológico. E, de como, este conhecimento dos
estudos da neurobiologia vêm contribuindo para as práxis em sala de aula, na compreensão das dimensões
cognitivas, motoras, afetivas e sociais, no redimensionamento do sujeito aprendente e nas suas formas de interferir
nos ambientes pelos quais perpassa.

O professor utiliza rotineiramente estratégias pedagógicas no processo de ensino e aprendizagem de sua disciplina.
Todavia, embora atue nas transformações neurobiológicas que produzem a aprendizagem e fixação do conhecimento
na estrutura cognitiva da mente, em geral desconhece como o cérebro e o sistema nervoso como um todo funciona
na esfera educacional, estabelecendo uma relação entre os princípios da neurociência sobre como o cérebro aprende
e as estratégias que podem ser criadas no ambiente de sala de aula.

Aprendizagem e memória e emoções ficam interligadas quando ativadas pelo processo de aprendizagem. A
aprendizagem sendo atividade social, alunos precisam de oportunidades para discutir tópicos. Ambiente tranquilo
encoraja o estudante a expor seus sentimentos e ideias.

O cérebro se modifica aos poucos fisiológica e estruturalmente como resultado da experiência. Aulas
práticas/exercícios físicos com envolvimento ativo dos participantes fazem associações entre experiências prévias
com o entendimento atual.

O cérebro mostra períodos ótimos (períodos sensíveis) para certos tipos de aprendizagem, que não se esgotam
mesmo na idade adulta. Ajuste de expectativas e padrões de desempenho às características etárias específicas dos
alunos, uso de unidades temáticas integradoras.
O cérebro mostra plasticidade neuronal (sinaptogênese), mas maior densidade sináptica não prevê maior capacidade
generalizada de aprender. Os estudantes precisam sentir-se “detentores” das atividades e temas que são relevantes
para suas vidas. Atividades pré-selecionadas com possibilidade de escolha das tarefas aumentam a responsabilidade
do aluno no seu aprendizado.

Inúmeras áreas do córtex cerebral são simultaneamente ativadas no transcurso de nova experiência de
aprendizagem. Situações que reflitam o contexto da vida real, de forma que a informação nova se “ancore” na
compreensão anterior.

O cérebro foi evolutivamente concebido para perceber e gerar padrões quando testa hipóteses. Promover situações
em que se aceite tentativas e aproximações ao gerar hipóteses e apresentação de evidências. Uso de resolução de
casos e simulações se torna um grande exercício para a mente.

O cérebro responde, devido a herança primitiva, às gravuras, imagens e símbolos. Propiciar ocasiões para alunos
expressarem conhecimento através das artes visuais, música e dramatizações se torna um forte estímulo cerebral.

Podemos afirmar que conhecer as bases neurobiológicas do processo de aprendizagem torna-se crucial para o ato
pedagógico, surgindo a necessidade de aprofundamento sobre esse novo saber disciplinar ainda tão desconhecido
pela maioria dos professores. Por outro lado, os cursos de Pedagogia não incluem no seu rol de disciplinas, Biologia
Educacional ou Neurobiologia da Aprendizagem, com raras exceções. Há preocupação no sentido de oferecer opções
de curso de extensão sobre o tema aos profissionais da educação já no exercício de suas atividades.

O que se observa no cenário educacional atual de atenção às diversidades, de inclusão de alunos com necessidades
educacionais especiais em classes regulares, é que os professores, sobretudo aqueles da rede pública, não obstante
as condições de trabalho desfavoráveis, muitas vezes conseguem perceber que o aluno apresenta algum tipo de
problema de aprendizagem , porém, se veem perdidos, do ponto de vista metodológico, por não terem tido formação
específica de cunho neurocientíficos para lidar com esses alunos.

CONHECIMENTO MULTIDISCIPLINAR

A neurociência vem se constituindo num campo de conhecimento multidisciplinar de estudo do cérebro. Uma
limitação observada é de que os conhecimentos não são partilhados universalmente pelas diversas áreas de
interesse, não se configurando uma desejável multidisciplinaridade. A investigação do cérebro humano, em sua
complexidade, é uma tarefa que exige a contribuição dos saberes de diversas áreas. A educação é uma área de
interface com a neurociência. Esta interface é muito mais uma relação de contribuição mútua.

As pesquisas educacionais fornecem material necessário ao desenvolvimento das pesquisas em neurociência e esta
desenvolve pesquisas sobre o funcionamento do cérebro e da mente humana que interessam ao processo de
aprendizagem. Existe um interesse mútuo de aproximação, apesar do reconhecimento de dificuldades e entraves
para que isso aconteça. O que deve prevalecer é o espírito de colaboração par a o bem maior da ciência. Conhecer o
funcionamento cerebral interessa à ciência da aprendizagem e a aprendizagem humana interessa à neurociência.

Em outros tempos as tentativas de aproximação desta s áreas não foram frutíferas. Muitos acreditam que o momento
atual seja propício para esta aproximação. Não existe, neste momento, o interesse numa proposta para se
desenvolver um método de ensino ou uma teoria educacional com base em neurociência. A neurociência pode ser a
base para análise de teorias e reflexões sobre o processo de ensino-aprendizagem sob a luz dos processos cerebrais
como origem da cognição e do comportamento humano.

Diversos estudos procuram compreender as teorias, os processos educacionais e métodos de ensino de modo que
estes sejam compatíveis com o funcionamento do cérebro. Alguns pensam ser prematura a tentativa de uma
aproximação da neurociência e a educação.

Outros afirmam que agora é a hora e a vez da neurociência agregar valor à pesquisa educacional. Outros ainda
consideram que a proposta de uma investigação da neurociência em contextos educativos seja uma excelente
oportunidade de descobertas, tanto em biologia básica, quanto relativas aos processos cognitivos decorridos no
desenvolvimento e na aprendizagem.

A aproximação de biologia, neurociência, desenvolvimento humano e educação seria uma excelente base para a
pesquisa educacional. Aspectos bioéticos devem ser evidenciados desde o início para que não exista distorção ou
mitificação popular em relação à neurociência e às possíveis descobertas sobre o cérebro humano. Alguns destes
mitos são aparentemente inofensivos como a história de que usamos somente 10% de nossa inteligência, no entanto,
outros causaram impacto na educação como a questão da dominância hemisférica esquerda, a prontidão ou a
quantificação da inteligência.

É necessário que se cuide para que os conhecimentos atuais de neurociência não caiam nesta vala e sejam utilizados
como mecanismos de manipulação de uma pseudociência. Existe a possibilidade de se cometer enganos diante de
informações cujas fontes não são devidamente checadas. Propostas de autores comprometidos eticamente em
produzir estudos consistentes sobre ensino e aprendizagem defendem a criação de ambientes educacionais
integrando neurocientistas e educadores, com pesquisa e prática. A elaboração de ações educativas com bases em
neurociência acrescenta ferramentas eficazes na análise do percurso da aprendizagem permitindo que seja possível
se atingir o potencial de desenvolvimento individual.

É um privilegio participar destes momentos em que importantes conhecimentos são produzidos e acompanhar o
quanto se tem ampliado os horizontes da neurociência. A descoberta do neurônio, no final do século XIX, promoveu
um avanço considerável na ciência deste período. Um paradigma se instalou: existia uma base biológica para as
funções cerebrais. A teoria neuronal enriqueceu ainda mais o ambiente intelectual, cultural e filosófico do final do
século XIX.

Ao final do século XX este paradigma deu lugar a outro: o neurônio e todo o sistema nervoso têm uma plasticidade
própria que lhe confere uma enorme capacidade de se reorganizar. Dos conceitos enraizados sobre a principal célula
do sistema nervoso, o neurônio, a maioria foi revista. Nos tempos atuais prevalecem os conceitos de
neuroplasticidade, de um cérebro com múltiplas habilidades e recursos, que não finda seu desenvolvimento, mas
está em permanente reorganização. O início do século XXI tem, no estudo da mente humana, um novo paradigma do
complexo mente-cérebro.

É deste modo que a neurociência se apresenta para a educação. Os diversos estágios do neurodesenvolvimento
promovem modificações estruturais e funcionais ao cérebro para adequá-lo às necessidades que o indivíduo tem em
cada etapa de vida. O cérebro humano é uma estrutura destinada a aprender.

A sala de aula é o lugar privilegiado de pesquisa e experimentação. As demais áreas de neurociência ressentem
destes espaços nos que suas ideias possam ser testadas na prática. Muitas destas pesquisas deverão acontecer na
sala d e aula por meio do professor, mas podemos pensar no neurocientista também pesquisando em sala de aula,
que se tornaria um campo de pesquisa em que todos tenham acesso a todas as informações.

Neste reencontro de neurociência e educação existem posições mais claras, principalmente em relação à
neurociência. O que se identifica são pesquisadores interessados em contribuir com conhecimentos de neurociência
par elucidação de mecanismos cerebrais envolvidos no processo educativo para que se desenvolvam metodologias
que compatibilizem o processo de ensino e de aprendizagem com o funcionamento cerebral. A educação e a
neurociência tornam-se, portanto, uma via de mão dupla.

A BRINCADEIRA E O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE


CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS (VÍDEO)

IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO DO PROFESSOR

Em relação à formação do professor torna-se necessário a aquisição de conhecimentos que o habilite a ensinar,
motivar e avaliar o aluno num formato que seja mais eficiente e compatível com o funcionamento do seu cérebro. Os
professores em formação inicial ou em educação permanente necessitam desenvolver domínio técnico na solução de
problemas, assim como o conhecimento de procedimentos adequados de ensino e sua correta aplicação. A
neurociência se torna um conhecimento necessário à formação de professores nos seus diversos estágios.
Compreender que os conhecimentos da neurociência são importantes para a educação ainda é um paradigma novo.
Muitos destes conhecimentos carecem de pesquisas educacionais que validem sua importância, consistência e
aplicabilidade em educação.

Apresentar o conhecimento num formato que o cérebro aprenda melhor passa a ser, além da preocupação com o
ensinar e o avaliar o processo de ensino-aprendizagem é uma necessidade da educação atual. Promover uma
aprendizagem significativa tem como substrato biológico a reorganização das conexões entre os neurônios, a
neurogênese e a aplicação ampla do conceito de neuroplasticidade. Do ponto de vista da neurociência, uma
aprendizagem somente ocorre porque o cérebro tem a plasticidade necessária para se modificar e se reorganizar
frente a estímulos e se adaptar. A educação amplia sua base científica com as pesquisas que demonstram que o
cérebro humano não finaliza seu desenvolvimento, mas uma constante reestruturação o reorganiza a partir de
estímulos eficientes. A pretensão desta dissertação de levantar aspectos das neurociências relacionados com a
educação que possam subsidiar e contribuir para a formação dos professores.

Diversas afirmações da neurociência atual já haviam sido anunciadas por Vygotsky e seus colaboradores. Os
estudos formulam uma teorização que facilita a compreensão dos processos de interação da atividade humana,
funções mentais superiores, mediação simbólica e elaboração conceitual. Somadas aos conceitos de inteligências
múltiplas, sistemas de memórias múltiplas e múltiplas funções executivas temos um rico arsenal a ser empregado na
educação atual. Compreende-se com facilidade que existem diferenças entre educação infantil, do jovem e do adulto.
Sem buscar adaptações improvisadas de uma fase para outra, que se utilize destes conceitos e se lance mão de
recursos próprios para a educação em cada etapa da vida do indivíduo.

A aprendizagem se dá, com particularidades, ao longo da vida do indivíduo. Não se espera o fechamento deste
processo com um último e definitivo certificado. Pode-se dizer que, neste momento, a neurociência não busca uma
nova teoria da educação cientifica, mas a compreensão cientifica da educação.

A tentativa de maximizar a aprendizagem, de compreender como se aprende melhor, como aprender a aprender, de
como ampliar a compreensão do ser humano são temas que nos remetem ao professor e sua formação. É uma
oportunidade para se discutir não somente como as pessoas aprendem, mas também sobre como elas são ensinadas.

Anunciado como um novo paradigma para a pesquisa educacional que prevê a integração de achados de pesquisas
em neurociências e a necessidade de se buscar formas de ensinar que potencializem os resultados do aprendizado. É
uma proposta que pretende prover caráter cientifico a pesquisa educacional estabelecendo uma estrutura teórica e
metodológica na qual possam ser testadas as melhores práticas educacionais.

Existe uma dificuldade natural em se realizar estudos que envolvam principalmente crianças em idade escolar. Isto
se reflete numa demora em se transformar a realidade da sala de aula a partir de achados de pesquisa em
laboratório. A neuroeducação quer ser um campo multidisciplinar de conhecimento e atuação profissional de
neurologistas, psicólogos e pedagogos para produzir conhecimentos que ajudem o aluno a aprender e ao mesmo
tempo se pesquise situações especificas do processo ensino/aprendizagem, como exemplo a dislexia.

Ideias sociointeracionistas e, especialmente, as construtivistas abrem espaço para a neurociência atual em sua
investigação de como o cérebro aprende. O educador tem compreendido a necessidade de adquirir conhecimentos
sobre as bases biológicas relacionadas ao desenvolvimento e à aprendizagem. A história do desenvolvimento de cada
neurônio até assumir sua forma adulta e alcançar seu amadurecimento funcional está ligada ao aprendizado.

O cérebro é o órgão da aprendizagem. O amadurecimento do neurônio tem como consequência a formação de


sinapses e diversos fenômenos promovem uma reorganização constante. A aprendizagem interfere diretamente
neste processo. Estendendo os conceitos aplicados a um único neurônio para um grupo de neurônios, ou à cem
bilhões de neurônios teremos, em perspectiva, uma ideia do que é o cérebro humano. Estas características sugerem
que o cérebro humano foi concebido para a aprendizagem e adaptações que assegurem a sobrevivência do indivíduo.
Conhecendo o neurodesenvolvimento, o educador pode fazer maior uso das teorias e práticas educacionais levando
em conta a base biológica e os mecanismos neurofuncionais que lhe permitem otimizar as capacidades do aluno.

A formação de professores, principalmente de ensino fundamental, tem fragilidades principalmente quando se


analisa o tripé neurocientista, psicólogo e pedagogo, observar a prática existente ao se avaliar projetos pedagógicos,
currículos, materiais educativos, políticas públicas, planos de ensino, a visão do professor e do aluno sobre o processo
ensino-aprendizagem verificando a aplicabilidade da neurociência na realidade da sala de aula e suas inúmeras
demandas. Estudos de casos, procedimentos qualitativos e quantitativos poderão ser utilizados para a construção de
um espaço real entre pesquisa e prática, entre neurociência e educação, entre conhecimento científico e saber
profissional.

Investigar as bases da aprendizagem a partir da neurociência poderá contribuir para a resposta de algumas questões
e garantir o sucesso de um currículo compatível com o funcionamento cerebral, como converter o conhecimento
obtido em pesquisa em métodos instrucionais efetivos em cenários reais, o quanto tudo isso pode melhorar a
instrução nas diversas disciplinas e o impacto das novas tecnologias no desempenho escolar.

O cérebro humano não é um órgão de metaboliza informações, um sistema com princípios imutáveis, mas um
sistema aberto e plástico. Ele é capaz de lidar com variações extremas como a precisão/imprecisão, certo/errado,
presença/ausência, ambiguidade, ordem/desordem, sendo eficiente em desenvolver estratégias para sua
autorganização. No dia a dia o ser humano tem que investigar, descobrir, interpretar e organizar o mundo em sua
mente.
Na aprendizagem o professor é fundamental. Os conceitos e o conhecimento que o professor tem sobre a
aprendizagem, seus métodos e como aplicá-los de modo a facilitar para o aprendiz fazem a diferença. São
necessários momentos que possibilitem a formação docente através de estudos científicos transportados para a
prática cotidiana do ensino. Deste modo é possível que se conheça como acontece o processo de aprendizagem e
assim se realize um bom planejamento pedagógico com resultado positivo para o aluno.

AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO

A identificação precoce de dificuldades na aprendizagem na educação é crucial, pois constitui uma das estratégias
preventivas para a redução de seus efeitos, pois os alunos estão numa fase do desenvolvimento em que a
plasticidade neuronal é maior. A intervenção compensatória trará resultados positivos no futuro. Neste sentido alguns
sinais podem ser identificados nesta fase e assim nos orientarmos diante de algumas dificuldades na aprendizagem.

O diagnóstico interdisciplinar deve ser um processo sistemático, onde o início se dá dentro da escola, ouvindo as
pessoas que estão diretamente relacionadas ao processo de aprendizagem. A primeira questão a ser abordada
refere-se ao como o ao por que o professor faz o diagnóstico, afirmando que a criança não aprende. Observações
realizadas por especialistas apontam algumas hipóteses revelando ausência de estrutura ou uma deficiência desta,
implicando em equívoco de um diagnostico simplista.

A escola assim encaminha as crianças a uma verdadeira travessia em busca de tratamentos, ora determinados como
afetivos, psicológicos ou orgânicos na busca por justificativas para a não aprendizagem. Percebe-se um grande
equívoco sobre o que sejam os distúrbios de aprendizagem e as dificuldades escolares, em que o primeiro pertence à
área médica e o segundo especificamente pedagógico. Apesar das falhas avaliativas, a questão sobre as dificuldades
de aprendizagem é uma crescente em nossa sociedade atual e são relegadas a um segundo plano quando
comparadas à questão médica. Pensar sobre a distinção entre distúrbios da aprendizagem e as dificuldades escolares
é uma ação emergente dentro das escolas, para que o diagnóstico não seja utilizado contra o aluno.

O cérebro humano é um sistema complexo que estabelece relações com o mundo que o rodeia por meio de fatores
significativos como: a especificidade das vias neuronais, que da periferia levam ao córtex informações provenientes
do mundo exterior, e a especificidade dos neurônios que permitem determinar áreas motoras, sensoriais, auditivas,
ópticas, olfativas, etc, estabelecendo inter-relações funcionais exatas e ricas que são de extrema importância para o
aprendizado.

A aprendizagem é como processo de informações, revelando as interações culturais e sociais, onde todo o
conhecimento deverá ser adquirido, fragmento por fragmento, envolvendo suas relações com o mundo, sendo a
escola o espaço onde ocorre esse vínculo interativo da sociedade.

Quando a escola tem o discurso do respeito às diferenças individuais levando em consideração os aspectos sociais e
histórico-culturais, ignora a genética dos gêneros em sua estrutura diferenciada, formatando os saberes. Percebe-se
assim que não apenas teorias orientam, mas também uma prática consciente. Assim, uma aprendizagem que se
preocupe com a formação do indivíduo como um todo é aquela que leva em consideração os diversos aspectos que o
envolve.

É imprescindível que os professores tenham uma prática baseada em conhecimentos sobre o que envolve a formação
de seu aluno, tanto em aspectos culturais ou biológicos, pois é comum observar uma prática ainda intuitiva, sendo
necessário revisar esta cultura na sala de aula.

AUTOAVALIAÇÃO DO PROFESSOR

ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA (VÍDEO)

CONCLUSÃO

Pensar em aprendizagem é pensar grande, é conseguir enxergar o todo e entender as partes constituintes ao mesmo
tempo, e por isso mesmo não seja tarefa fácil. Estar envolvido com a aprendizagem pode intimidar aos mais
desavisados, aos que não se perguntam e aos que pensam que tudo sabem. Pois pensar e aventurar-se nas searas
desse processo do saber, que pode agigantar a humanidade ou destruí-la pela imprudência, é estar a todo o instante
em busca, como um viajante disposto a se desarmar, jogar fora bagagens pesadas e antigas e a reformular seu
trajeto em favor de seu destino. É preciso ter coragem e comprometimento para ser professor nos dias atuais,
principalmente.

Apesar de tantas tecnologias e conhecimentos a serviço dos saberes, é assustador o número ainda elevado de
analfabetos no Brasil, de alunos que apesar de submetidos a numerosos projetos dentro das escolas, ainda assim,
permanecem durante anos, desassistidos, ou estagnados numa mesma série ou no seu potencial. Vários são os
aspectos que podemos delinear, desde a falta de uma formação adequada, políticas públicas insatisfatórias ou
desmotivação profissional, mas a questão maior é: quem paga por tudo isso a não ser o aluno?

Um dos temas relevantes é a formação do professor e as suas próprias dificuldades dentro do sistema educacional,
pois é notória a grande confusão que se dá dentro do âmbito escolar, especialmente em espaços públicos, onde
projetos chegam e vão constantemente, e o professor, despreparado, de frente com o problema, não consegue dar
conta ao menos de questões como a indisciplina, fator apontado como o seu grande nó. Tais questões jamais
deveriam ficar de fora das discussões, pois parece que falta dizer ao professor como fazer e não apenas o que fazer.
Falta dizer principalmente como aplicar projetos e metodologias que surgem como medidas salvadoras e que na
maioria das vezes não atendem à realidade dos alunos, aqueles menos favorecidos. Mudar concepções nem sempre
é fácil, mas necessária, pois o nosso único compromisso deve ser com o aluno.

Apesar de todos os confrontos e argumentos contrários, há de se priorizar o comprometimento com a aprendizagem


e lembrar que a indisciplina, o desinteresse e falta da participação da família não constituem a razão para o problema
das dificuldades escolares, estes são apenas sintomas do problema. Devemos atuar no processo da aprendizagem.

Um dos grandes equívocos diante do aluno que não aprende, é esquecer-se de sua individualidade, é formatar
metodologias e estratégias, é criar o mesmo trajeto, com os mesmos meios, dentro de um mesmo tempo para todos
os aprendentes, aos que aprendem e aos que não aprendem, e ainda submetê-los a avaliações inadequadas, na
busca por justificativas do insucesso escolar. São comuns diagnoses precipitadas, transformando-se em discursos
reveladores sobre alunos com este ou aquele distúrbio.

Dentro desse quadro podemos apontar uma grande lacuna na formação do professor, a necessidade de sua
atualização, além de um currículo que acompanhe as mudanças da sociedade e dos sujeitos que a constitui,
inserindo-se conhecimentos relacionados ao aspecto biológico do indivíduo, mais precisamente, disciplinas como a
Neurociência, que vem revelar suas descobertas sobre as estruturas mentais, a plasticidade cerebral e conceitos
sobre “anatomia da aprendizagem”. Tais conhecimentos poderão ser uma ferramenta a mais para que professores
construam um planejamento mais adequado a sua turma, e atividades que possam realmente desenvolver as
potencialidades dentro da sala de aula. Percebe-se que ainda existem ações meramente intuitivas, baseadas em
diagnoses equivocadas. Um fazer pedagógico baseado nas intuições não garante o sucesso, além de não prever
problemas que nem sempre estão relacionados com o psico-histórico-social do indivíduo e provoca inadequações nas
diagnoses e nas devidas intervenções.

A Neurociência assim como a psicopedagogia podem contribuir como suportes à aprendizagem trazendo descobertas
ainda recentes sobre como o indivíduo aprende e em como se dá esse processo, porém sozinhas não garantem que a
aprendizagem aconteça, pois entende-se que são múltiplas as faces do processo que desenha a aprendizagem.

Devemos estar conscientes de que o não saber deve nos conduzir à pesquisa e ao desejo de buscar novos caminhos
que nos levem ao sucesso, tendo como foco a intervenção escolar e o processo de aprendizagem dos alunos, para
que a inclusão seja realmente uma realidade dentro das escolas.

Assimilar o processo da aprendizagem e sua relação com o comportamento humano é de fato novidade na área
educacional e causa ainda muita estranheza. Porém, Vygotsky, Wallon, Piaget e tantos outros teóricos fundamentam
e embasam suas teses, deixando um legado para as gerações atuais e vindouras com o propósito de romper
ideologias retrógradas e trazer um diferencial para a educação.

O professor, assim como qualquer outro profissional, deve buscar sempre novas informações com a finalidade de
agregar valores ao seu trabalho e auxiliar melhor seu alunado a promover bem-estar e segurança na relação
professor-educando.

A neurociência é uma ferramenta de valor inestimável para que a educação tenha um papel mais efetivo na
construção do cidadão racional na sociedade moderna. Compreendendo as questões emocionais, sociais e
intelectuais através de neurociência, o professor torna-se um agente motivador na busca pela aquisição do
conhecimento, que por sua vez contribuirá para que o processo educativo nacional saia do conservadorismo a que foi
submetido desde os primórdios e isso é um desafio, mas está acontecendo um progresso neste cenário.

Pedagogia é uma ciência complexa e precisa se afirmar como tal, educar é sistema que possui suas singularidades e
para isso a pesquisa constante elevará a qualidade da educação e, assim, o país será fortalecido, porque a educação
é o pilar para uma sociedade mais justa e igualitária. O conhecimento é o bem mais precioso que se pode doar para
aquele que deseja aprender, traz razão e existência àquele que ao menos conhecia sua própria história.

A neurociência traz à tona a importância da motivação para aprender. Assim, o âmbito escolar deve ser um espaço
que motive e não somente se ocupe em transmitir conteúdos. Para que isto ocorra, o educador precisa propor
atividades que os estudantes tenham condições de realizar, e, ao mesmo tempo, que desperte a curiosidade destes a
fim de avançar no processo de aprendizagem.

O percurso percorrido pela educação até o momento é fruto de um currículo que pouco salienta a tríade questão:
motivação, aprendizagem e neurociência. Nota-se, que os cursos de licenciatura poucos possuem em seus currículos
elementos que propõe um estudo mais integrado sobre a questão referida. Assim, o papel deste curso é demonstrar
a necessidade de ampliar o conhecimento sobre o tema e sua eficiência com relação à aprendizagem.

Habitualmente a questão da motivação é trabalhada através da relação de recompensa, isto se dá, pela tradição
mantida no seio da educação tradicional, onde o docente oferta ao estudante a nota que este merece enquanto
recompensa da aprendizagem. O sentido da aula está focada na nota que parece ser o único estímulo motivador ao
estudante.

Portanto, desde a sua concepção, o espaço da aula é um local onde o estudante é recompensado por suas atitudes e
como ápice desta, a aprovação frente a uma gama de conhecimentos. Doutro modo, dos currículos até a avaliação
final pouco se pensa na motivação do aluno para com o ato de aprender, mas muito se deseja avaliar o mesmo para
perceber se ocorre gradativamente a construção de conhecimento, e se isso ocorre tem-se então a recompensa.

Este cenário deve ser questionado e refletido para projetar possíveis indicadores favoráveis à questão da
aprendizagem. O ato de aprender deve ser focalizado por inúmeras atividades que atinjam o estudante de forma
diferenciada para despertar todos os sentidos que este possui. No que pese a questão, a diversificação de atividades
é o elemento que pode contribuir na solução de problemas educacionais encontrados pelos educadores na era atual.

Percebe-se, de acordo com o levantamento documental realizado, que a neurociência cognitiva ainda é timidamente
discutida no âmbito educacional, sobretudo na especificidade dos cursos de formação dos professores, as
licenciaturas. Os estudos e publicações relacionados a essa temática são bastante recentes e cada vez mais se fazem
necessários para o esclarecimento de conceitos neurocientíficos básicos e relevantes para a esfera educacional.

No ambiente educacional, considerando as funções cerebrais e como elas se dão no processo ensino-aprendizagem,
percebe-se a importância do aluno ser participante ativo, tendo o professor como aquele que oferece possibilidades
para desenvolver suas potencialidades.

Os estudos do cérebro permitem avaliar como o desenvolvimento cognitivo ocorre e elaborar uma análise sobre a
utilização de princípios da neuroeducação por parte dos profissionais da educação.

As considerações registradas são o início de muitas possibilidades de reflexões e estudos sobre quanto a
neurociência cognitiva pode auxiliar os profissionais da Educação a refletir sobre estratégias metodológicas que
podem ser elaboradas para garantir que os alunos aprendam de maneira mais efetiva.

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