Didática - Libâneo
Didática - Libâneo
Pedagogia é a ciência que investiga a teoria e a prática da educação nos seus vínculos com a
prática social global.
Didática é uma das disciplinas que estuda os objetivos, conteúdos, os meios e as condições do
processo de ensino, tendo em vistas as finalidades educacionais.
A atividade principal do profissional de magistério é o ensino que consiste em dirigir, organizar,
orientar e estimular a aprendizagem escolar dos seus alunos.
A educação é um fenômeno social e universal, sendo uma atividade humana necessárias à
existência e ao funcionamento de todas as sociedades. Não há sociedade sem prática educativa e
vice-versa.
Educação não-intencional (educação informal) refere-se às influencias do contexto social e do meio
ambiente sobre os indivíduos. Experiencias, ideias, valores, práticas que não estão especificamente
ligadas a uma instituição, mas influem na formação humana. Já, a educação intencional (educação
formal) refere-se a influencias em que há intenções e objetivos definidos, como é o caso da
educação escolar e extraescolar.
Educação é um conceito amplo que se refere ao processo de desenvolvimentos unilateral da
personalidade, envolvendo a formação de qualidades humanas, tendo em vista a orientação da
atividade humana na sua relação com o meio social. A educação corresponde, pois a toda
modalidade de influencias e interrelações que convergem para a formação de traços de
personalidade social e do caráter, implicando uma concepção de mundo, ideais, valores, modos de
agir e convicções ideológicas, morais e políticas.
Nesse sentido, educação é instituição social que se ordena no sistema educacional de um país; é
um produto, significando os resultados obtidos da ação educativa conforme propósitos socias e
políticos pretendidos; é processo, por consistir de transformações sucessivas tanto no sentido
histórico quanto no de desenvolvimento da personalidade.
Já a instrução se refere à formação intelectual, desenvolvimento das capacidades cognoscitivas
mediante o domínio de conhecimentos sistematizados.
O ensino corresponde a ações, meios e condições para a realização de instrução.
O processo educativo que se desenvolve nas escolas pela instrução e ensino consiste na
assimilação de conhecimentos e experiências acumuladas pelas gerações anteriores no decurso do
desenvolvimento histórico-cultural-social. Entretanto, o processo educativo está condicionado pelas
relações sociais, políticas e econômicas existentes, as quais influenciam decisivamente o processo
de ensino e aprendizagem.
A didática é o principal ramo de estudos da pedagogia. Ela investiga os fundamentos, condições e
modos de realização da instrução e do ensino. A ela cabe converter objetivos sociopolíticos e
pedagógicos em objetivos de ensino, relacionar conteúdos e métodos em função desses objetivos,
estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das
capacidades mentais dos alunos. A didática trata da teoria geral do ensino.
A sociologia da educação estuda a educação como processo social. Ensina a ver a realidade social
no seu movimento. Estuda a escola como “fenômeno sociológico”, isto é, uma organização social
interligada a outras organizações sociais.
A psicologia da educação estuda importantes aspectos do processo de ensino e aprendizagem,
como as implicações das fases de desenvolvimento dos alunos conforme idades e dos mecanismos
psicológicos presentes na assimilação ativa de conhecimentos e habilidades.
A formação profissional do professor abrange duas dimensões: a formação teórico-científica,
incluindo a formação acadêmica específica nas disciplinas em que o docente vai especializar-se e a
formação pedagógica que envolve os conhecimentos da Filosofia, Sociologia, História da Educação
e da própria Pedagogia que contribuem para o esclarecimento do fenômeno educativo. Ambas
dimensões devem ser consideradas de forma conjunta, uma contínua interpenetração entre teoria e
prática.
A didática se caracteriza como mediação entre as bases teórico-científicas da educação escolar e a
prática docente.
O processo de ensino é uma atividade conjunta de professores e aluno, organizado sob a direção do
professor, com a finalidade de prover as condições e mios pelos quais os alunos assimilam
ativamente conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções.
O estudo ativo é o conjunto de tarefas cognoscitivas que concorrem para o desenvolvimento das
atividades mentais dos alunos, como a conversação dirigida, a discussão, os exercícios e etc.
Regra fundamental da didática: o êxito da atividade de ensino depende de que os objetivos
escolares entrem em correspondência com o nível de conhecimentos e experiências já disponíveis,
com o mundo social e cultural em que vivem os alunos, com suas capacidades potenciais de
assimilação de conhecimentos.
Não há prática educativa sem objetivos. Esses objetivos educacionais expressam propósitos
definidos explícitos quanto ao desenvolvimento das qualidades humanas que todos os indivíduos
precisam adquirir para se capacitarem para as lutas sociais de transformação da sociedade.
Os objetivos educacionais têm pelo menos 3 referências para sua formulação: a) os valores e ideais
proclamados na legislação educacional e que expressam os propósitos das forças politicas
dominantes no sistema social; b) os conteúdos básicos das ciências, produzidos e elaborados no
decurso da prática social da humanidade; c) as necessidades e expectativas de formação cultural
exigidas pela população majoritária e da sociedade, decorrentes das condições concretas de vida e
de trabalho e das lutas pela democratização.
Existem 2 níveis de objetivos educacionais: objetivos gerais e específicos. Os objetivos gerais
expressam propósitos mais amplos acerca do papel da escola e do ensino; definem perspectivas de
prática educativa que depois serão convertidos em objetivos específicos de cada matéria de ensino.
Os objetivos específicos, por sua vez, determinam a exigência e os resultados esperados dos alunos
referentes a assimilação ativa de conhecimento e aquisição de habilidades.
Os objetivos gerais são explicitados em 3 níveis de abrangência: a) pelo sistema escolar, que
expressa as finalidades educativa de acordo com ideais e valores dominantes na sociedade; b) pela
escola, que estabelece princípios e diretrizes de orientação do trabalho escolar com base num plano
pedagógico-didático, e; c) pelo professor, que concretiza no ensino da matéria a sua própria visão de
educação e de sociedade.
Conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos, habilidades, conceitos, ideias e fatos
organizados pedagógica e didaticamente tendo em vista a assimilação ativa do aluno.
Os conteúdos de ensino se compõem de 4 elementos: conhecimentos sistematizados; habilidades e
hábitos; atitudes e convicções.
Os conhecimentos sistematizados são a base da instrução e do ensino, meio indispensável para o
desenvolvimento global da personalidade.
As habilidades são qualidades intelectuais necessárias para a atividades mental no processo de
assimilação de conhecimentos. Os hábitos são modos de agir relativamente automatizados que
tornam mais eficaz o estudo ativo. Hábitos podem preceder habilidades e há habilidades que se
transformam em hábitos.
As atitudes e convicções se referem a modos de agir, de sentir e de se posicionar frente a tarefas da
vida social.
O trabalho docente inclui, de certo modo, a escolha e definição dos conteúdos. Para isso, o
professor se utilizará de 3 fontes: a) a programação oficial na qual são fixados os conteúdos de cada
matéria; b) os próprios conteúdos básicos transformados em matéria de ensino; c) as exigências
teóricas e práticas colocadas pela prática de vida dos alunos, tendo em vista o mundo do trabalho e
a participação democrática na sociedade.
A pedagogia crítico-social reconhece que os conteúdos de ensino possuem um caráter objetivo e
universal, assim como reconhece que nas sociedades capitalistas difunde-se um saber que reflete
os interesses do poder, isto é, um saber que seja vantajoso para reforçar a atual forma de
organização social e econômica. Não se trata, pois, de um saber neutro.
Apropriado pelas forças que detêm o poder na sociedade, há interesse de que ideias e explicações
vinculadas a uma visão particular de uma classe social sejam afirmadas como válidas para toas as
demais classes sociais. Essa constatação, entretanto, não deve sacrificar a riqueza do
conhecimento científico e das experiências acumuladas pela humanidade.
Portanto, a dimensão crítico-social dos conteúdos externa-se em submeter os conteúdos ao crivo
dos seus determinantes sociais para recuperar o seu núcleo de objetividade, tendo em vista
possibilitar o conhecimento científico crítico da realidade.
A dimensão crítico-social dos conteúdos é uma metodologia de estudo e interpretação do objeto de
conhecimento como produtos da atividade humana e a serviço da prática social.
Pensar criticamente e ensinar a pensar criticamente é estudar cientificamente a realidade.
O resultado mais importante desse modo de abordagem de ensino é pôr em ação métodos que
possibilitam a expressão elaborada dos interesses das camadas populares no processo de lutas
efetivas de transformação social.
Saviani afirma que a apropriação dos conhecimentos pelos trabalhadores, na medida em que se
articula com as condições e lutas concretas que se dão na vida prática, pode desenvolver
determinadas condições subjetivas, isto é, consciência de seus interesses e necessidades, que,
impulsionadas por processos objetivos de luta, podem conduzir à transformação das condições
sociais presentes.
Os conteúdos a serem assimilados e transmitidos devem expressar objetivos sociais e pedagógicos
da escola publica sintetizados na formação cultural e científica para todos.
Os métodos são determinados pela relação objetivo-conteúdo, e referem-se aos meios para
alcançar objetivos gerais e específicos do ensino.
As características dos métodos: estão orientados para objetivos; implicam uma sucessão planejada
e sistematizada de ações, tanto do professor quanto dos alunos; requerem a utilização de meios.
Os métodos de ensino não se reduzem a um conjunto de procedimentos. São ações, passos e
procedimentos vinculados ao método de reflexão, compreensão e transformação da realidade que,
sob condições concretas de cada situação didática, asseguram o encontro formativo entre o aluno e
as matérias de ensino.
Não há método único de ensino, mas uma variedade de métodos cuja escolha depende das
situações didáticas específicas e das características socioculturais e de desenvolvimentos mental
dos alunos.
A relação objetivo-conteúdo-método tem como característica a mútua interdependência, constituindo
a linha fundamental de compreensão do processo didático. Os objetivos explicitam os propósitos
pedagógicos intencionais e planejados de instrução e educação dos alunos; os conteúdos
constituem a base informativa concreta para alcançar esses objetivos; e os métodos formam a
totalidade dos passos, formas didáticas e meios organizativos do ensino que viabilizam a
assimilação dos conteúdos e, assim, o atingimento dos objetivos.
Pode-se classificar os métodos de ensino segundo os seus aspectos externos (método de exposição
pelo professor, método de trabalho relativamente independente do aluno, método de elaboração
conjunta e método de trabalho em grupo), e seus aspectos internos (passos didáticos e
procedimentos lógicos e psicológicos de assimilação da matéria).
Deve-se entender a aula como o conjunto dos meios e condições pelos quais o professor dirige e
estimula a atividade própria do aluno na assimilação consciente e ativa dos conteúdos.
A aula é a forma didática básica de organização do processo de ensino. Na aula, se realiza a
unidade entre ensino e estudo.
O termo “aula” não se aplica somente à aula expositiva, mas a toda situação didática dirigida, direta
ou indiretamente, pelo professor, com fins instrutivos e formativos.
Deve-se entender as etapas ou passos didáticos como tarefas do processo de ensino relativamente
constantes e comuns a todas as matérias, considerando-se que não há entre elas uma regência
necessariamente fixa, e que dentro de uma etapa se realizam simultaneamente outras.
Os passos didáticos são: preparação e introdução da matéria; tratamento didático da matéria;
consolidação e aprimoramento dos conhecimentos e habilidades; aplicação; controle e avaliação.
A avaliação é uma reflexão sobre o nível de qualidade do trabalho escolar tanto do professor, como
dos alunos. Os dados coletados, quantitativos ou qualitativos, são interpretados em relação a um
padrão de desempenho e expressa um juízo de valor acerca do aproveitamento escolar.
Segundo Luckesi, a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de
ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões sobre o seu trabalho.
São tarefas de avaliação: verificação; qualificação, e; apreciação qualitativa. I) verificação: coleta de
dados sobre o aproveitamento dos alunos; ii) qualificação: comprovação dos resultados alcançados
em relação aos objetivos e, conforme o caso, atribuição de notas ou conceitos; iii) apreciação
qualitativa: avaliação propriamente dita dos resultados, referindo-os a padrões de desempenho
esperados.
A avaliação escolar cumpre pelo menos 3 funções: didático-pedagógica, de diagnóstico e de
controle. A função didático-pedagógica se refere ao papel da avaliação no cumprimento dos
objetivos gerais e específicos da educação escolar. A função de diagnóstico permite identificar
progressos e dificuldades dos alunos e a atuação do professor que, por sua vez, determinam
modificações do processo de ensino para melhor cumprir as exigências dos objetivos.
A avaliação diagnóstica ocorre no início, durante e no final do desenvolvimento das aulas ou
unidades didáticas. No início, verificam-se as condições prévias dos alunos de modo a prepará-los
para o estudo da matéria nova. Durante, é feito o acompanhamento do progresso dos alunos,
apreciando os resultados, corrigindo falhas e esclarecendo dúvidas. Ao mesmo tempo, essa
avaliação fornece ao professor informações sobre como ele está conduzindo seu trabalho. E
também há a avaliação no final, por meio de provas de aproveitamento.
A função do controle se refere aos meios e à frequência das verificações e de qualificação dos
resultados escolares, possibilitando o diagnóstico das situações didáticas.
Essas funções atuam de forma interdependentes, não podendo ser consideradas isoladamente.
O entendimento correto da avaliação consiste em considerar a relação mútua entre os aspectos
quantitativos e qualitativos.
Características da avaliação escolar: a) é parte integrante do processo de ensino e aprendizagem, e
não uma etapa isolada; b) reflete a unidade objetivo-conteúdo-método; c) possibilita a revisão do
plano de ensino; d) ajuda a desenvolver capacidades e habilidades; e) deve voltar-se para a
atividade dos alunos; f) deve ser objetiva; g) ajuda na autopercepção do professor; h) reflete valores
e expectativas do professor em relação aos alunos.
Há planos em 3 níveis:
Plano da escola é um documento mais global; expressa orientações gerais que sintetizam, de um
lado, as ligações da escola com o sistema escolar mais amplo e, do outro, as ligações do projeto
pedagógico da escola com os planos de ensino propriamente ditos. É o plano pedagógico e
administrativo da unidade escolar, onde se explicita a concepção pedagógica do corpo docente, as
bases teórico metodológicas da organização didática, a contextualização social, econômica, política
e cultural da escola, os objetivos educacionais gerais, a estrutura curricular, diretrizes
metodológicas, os sistemas de avaliação de plano e a estrutura organizacional e administrativa.
Plano de ensino, também chamado de plano de curso ou plano de unidades didáticas, é a previsão
dos objetivos e tarefas do trabalho docente para um ano ou semestre; é um documento mais
elaborado, no qual aparecem objetivos específicos, conteúdos e desenvolvimento metodológico.
Contém os seguintes componentes: justificativa da disciplina em relação aos objetivos da escola;
objetivos gerais; objetivos específicos; conteúdo; divisão temática de casa unidade; tempo provável
e desenvolvimento metodológico.
Plano de aula é a previsão do desenvolvimento do conteúdo para uma aula ou conjunto de aulas e
tem um caráter bem específico. É um detalhamento do plano de ensino. As unidades de foram
previstas em linhas gerais são agora especificadas e sistematizadas para uma situação didática real.
Os principais requisitos para o planejamento são: os objetivos e tarefas da escola democrática; as
exigências dos planos e programas oficiais; as condições prévias dos alunos para a aprendizagem;
os princípios e as condições do processo de transmissão e assimilação ativa dos conteúdos.
A escola democrática é aquela que possibilita a todas as crianças a assimilação de conhecimentos
científicos e o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais, de modo a estarem preparadas
para participar ativamente da vida social (na profissão, na política, na cultura).
A educação escolar é direito de todos os brasileiros. Portanto, é dever dos governos garantir o
ensino básico a todos, traçar uma política educacional, prover recursos financeiros e materiais para
o funcionamento do sistema escolar. Assim sendo, é responsabilidade também do poder público a
elaboração de planos e programas oficiais de instrução, de âmbito nacional, reelaborados nos
estados e municípios em face das diversidades regionais e locais.
Os programas oficiais, à medida que refletem um núcleo comum de conhecimentos escolares, têm
um caráter democrático, pois, a par de serem garantia da unidade cultural e política da nação, levam
a assegurar a todos os brasileiros, sem discriminação de classes sociais e de regiões, o direito de
acesso a conhecimentos básicos comuns.
Os planos e programas oficiais são diretrizes gerais. Cabe às escolas e aos professores elaborar os
seus próprios planos, em face das peculiaridades de cada região. Essa conversão dos programas
oficiais em planos de ensino é o que assegura a adequação do ensino às realidades locais.
Pode-se ressaltar dois aspectos da interação professor-aluno: o cognoscitivo (que diz respeito a
formas de comunicação dos conteúdos escolares) e o socioemocional (que diz respeito às relações
pessoais e às normas disciplinares indispensáveis).
Entende-se por cognoscitivo o processo que transcorre no ato de ensinar e no ato de aprender.
Os aspectos socioemocionais se referem aos vínculos afetivos entre professor e aluno, como
também às normas e exigências objetivas eu regem a conduta dos alunos na aula (disciplina).
Autoridade e autonomia são dois polos do processo pedagógico. A autoridade do professor e a
autonomia dos alunos são fatores complementares.
A autoridade profissional se manifesta no domínio da matéria que ensina e dos métodos e
procedimentos de ensino.
A autoridade moral é o conjunto das qualidades de personalidade do professor: dedicação
profissional, sensibilidade, senso de justiça, traços de caráter.
A autoridade técnica constitui o conjunto de capacidades, habilidades e hábitos pedagógico-
didáticos necessários para dirigir com eficácia a transmissão e assimilação de conhecimentos aos
alunos.