REPÚBLICA DE ANGOLA
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
INSTITUTO TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DO KILAMBA KIAXI Nº
8055 “NOVA VIDA”
ÁREA DE FORMAÇÃO ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS
CURSO TÉCNICO DE CONTABILIDADE E GESTÃO
13ª CLASSE
RELATÓRIO DE APTIDÃO PROFISSIONAL
A IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO CONTABILÍSTICA
PARA A TOMADA DE DECISÕES
ESTUDO DE CASO NA TCUL (2018 À 2019)
GRUPO Nº 3
LUANDA, 2023/2024.
ÁREA DE FORMAÇÃO ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS
CURSO TÉCNICO DE CONTABILIDADE E GESTÃO
13ª CLASSE
RELATÓRIO DE APTIDÃO PROFISSIONAL
A IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO CONTABILÍSTICA
PARA A TOMADA DE DECISÕES
ESTUDO DE CASO NA TCUL (2018 À 2019)
GRUPO Nº 3 CG13T
ORIENTADOR: TOMÁS CAMUTALI
II
LUANDA, 2023/2024.
LISTA DOS INTEGRANTES
Nome: Aline Delma Barbas Armando
Telefone: 928 367 754
Função: Escrivã
Nome: Honorato Paulo Dombaxe Feijó
Telefone: 929 039 712
Função: Vice Líder
Nome: Montinho João Miguel André
Telefone: 937 783 743
Função: Líder
Nome: Naciara Gracieth Serafim Cabingano
Telefone: 928 515100
Função: Secretária
Nome: Stélvio Filomeno Boaventura
Telefone: 936 576 931
Função: Relações Humanas
III
FOLHA DE ROSTO
Trabalho de conclusão apresentado sob forma de
aptidão profissional no Instituto Técnico de
Administração e Gestão. Como requisito para
obtenção do grau de Técnico Médio de Gestão.
Sob orientação do professor.
IV
DEDICATÓRIA
Dedicamos este trabalho aos nossos pais, irmãos, tios e restantes familiares que
independentemente de situações menos boas apoiam-nos incondicionalmente através de
incentivos, e em especial por compartilharem a sua sabedoria para a melhoria da educação de
cada um de nós.
A todos vós dedicamos-vos esta obra.
V
AGRADECIMENTOS
Todos sabemos que na vida, os sonhos e objectivos são realizados com
ajuda de pessoas que nos rodeiam que muitas vezes são inúmeras. Mas não esquecendo
o apoio de todos, de modo singular, expressamos os nossos agradecimentos:
A Deus Todo-Poderoso pelas dádivas dadas ao longo das nossas vidas;
Aos nossos pais que sempre primaram pela instrução e que continuamente
despendem esforços inesgotáveis por nós;
As nossas notas de agradecimentos ao Professor António Jaime pelo
acompanhamento frequente e permanente, pela partilha de saberes e as
contribuições inúmeras para este labuta;
Aos contributos valiosos do Professor Luís Pedro e Tomás Camutali;
Aos nossos colegas de curso e amigos pelo apoio, carinho e amizade;
A todos que de forma directa e indirecta, tornaram possível a realização deste
trabalho;
O nosso muito obrigado.
VI
EPÍGRAFE
“Empresa sem Contabilidade é como uma partida de
futebol sem estratégia, o saldo pode fechar no negativo.”
ROSE ROZENDO
VII
ÍNDICE GERAL
FOLHA DE ROSTO................................................................................................................IV
DEDICATÓRIA........................................................................................................................V
AGRADECIMENTOS............................................................................................................VI
EPÍGRAFE.............................................................................................................................VII
ÍNDICE DE TABELAS............................................................................................................X
RESUMO.................................................................................................................................XI
ABSTRACT...........................................................................................................................XII
INTRODUÇÃO.......................................................................................................................14
HIPÓTESES.............................................................................................................................15
OBJECTIVOS..........................................................................................................................15
Objectivo Geral........................................................................................................................15
Objectivos específicos..............................................................................................................15
JUSTIFICATIVA DO TEMA..................................................................................................16
DELIMITAÇÃO......................................................................................................................16
METODOLOGIA....................................................................................................................16
DEFINIÇÃO DE CONCEITO.................................................................................................17
CAPÍTULO I- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...................................................................18
1.1 – História e evolução da contabilidade..............................................................................18
1.2 – A contabilidade financeira e a contabilidade de gestão..................................................19
1.3– As principais ferramentas da contabilidade financeira....................................................20
1.3.1 – Balanço Patrimonial (BP)............................................................................................20
[Link] – Objectivos da Demonstração de Resultados do Exercício........................................24
[Link] – Obrigatoriedade da Demonstração de Resultados do Exercício...............................24
[Link] – Importância da DRE para a Gestão Empresarial.......................................................25
[Link] – Estrutura de uma DRE..............................................................................................25
VIII
1.3.3 – Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC).....................................................................28
1.4 – Análise das demonstrações financeiras...........................................................................33
1.5 – A contabilidade como instrumento de gestão na tomada de decisão..............................33
1.5.1 – Fases do Processo de Tomada de Decisões..................................................................34
1.5.2. Factores Condicionantes do Processo de Tomada de Decisões.....................................35
1.6 – A informação contabilística............................................................................................36
1.6.1 – A Importância da Informação Contabilística para a Tomada de Decisões..................37
1.6.2- Motivos que limitam a utilização da Informação Contabilística...................................37
CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO PRÁTICA................................................................39
2.1 – Caracterização da empresa em estudo.............................................................................39
2.1.1 – Missão..........................................................................................................................39
2.1.2 – Visão............................................................................................................................39
2.1.3 – Valores.........................................................................................................................39
2.2 – Entrevista.........................................................................................................................40
2.3 – Demonstrações Financeiras.............................................................................................42
CONCLUSÃO.........................................................................................................................47
RECOMENDAÇÕES..............................................................................................................48
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................................48
ANEXOS..................................................................................................................................51
IX
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1.1 – Modelo de Balanço..............................................................................................21
Tabela 1.2 – Modelo de Demonstração de Resultados(por natureza)......................................25
Tabela 1.3- Modelo de Demonstração de Resultados (por função).........................................26
Tabela 1.4 – Modelo de Demonstração de Fluxos de Caixa (método directo).............................28
Tabela 1.5 – Modelo de Demonstração de Fluxo de Caixa(método indirecto).......................30
Tabela 2.1 – A utilização da informação contabilística...........................................................39
Tabela 2.2 – A empresa consegue sobreviver sem a utilização da informação contabilística?
..................................................................................................................................................39
Tabela 2.3 – Os gerentes das empresas reconhecem os benefícios da informação
contabilística no processo de tomada de decisão.....................................................................40
Tabela 2.1 – A utilização da informação contabilística...........................................................40
Tabela 2.5 – Na tomada de decisão é valorizada a experiencia ou a informação contabilística?
..................................................................................................................................................41
Tabela 2.6 – Balanço da TCUL................................................................................................42
Tabela 2.7 – Demonstração de Resultados da TCUL..............................................................44
X
RESUMO
A informação contabilística é essencial em qualquer tipo de organização. A utilização da
informação contabilística no processo de tomada de decisão determina a diferença entre
sucesso e o insucesso do empreendimento, no entanto, este tipo de informação continua a
ser menosprezado pela gerência de muitas empresas. É assim importante estudar os
factores que limitam a utilização da informação contabilística no processo de tomada de
decisão. Através da investigação demonstrou-se a importância que a informação
contabilística detém no processo de tomada de decisão das empresas. Constatou-se que os
gerentes limitam a utilização deste tipo de informação, uma vez que não têm capacidade
para interpretar a informação contabilística, nem reconhecem os benefícios inerentes à sua
utilização nas decisões empresariais. Para a concretização deste magnífico trabalho de
final de curso, recorreu-se a metodologia qualitativa e a quantitativa, visando mensurar os
aspectos teóricos com a prática, foi necessária a utilização do tipo de pesquisa
bibliográfica, documental e exploratória. No final do trabalho, foi apresentado uma
conclusão onde, analisou-se a problemática levantada, as hipóteses apresentadas no qual
duas foram aceites e, teceu-se algumas recomendações de carácter importante.
PALAVRAS-CHAVES: Informação Contabilística, Tomada de decisões, Contabilidade.
XI
ABSTRACT
Accounting information is essential in any type of organization. The use of accounting
information in the decision-making process determines the difference between success
and failure of the enterprise, however, this type of information continues to be
underestimated by the management of many companies. It is therefore important to
study the factors that limit the use of accounting information in the decision-making
process. Though research, importance of accounting information in the decision-
making process of companies was demonstrated. It was found that managers limit the
use of this type of information, as they do not have the capacity to interpret
accounting information, nor do they recognize the benefits inherent to its use in
business decisions. To complete this magnificent final course work, qualitative and
quantitative methodology was used, aiming to measure the theoretical aspects with
practice, it was necessary to use type of bibliographical, documentary and exploratory
research. At the end of the work, a conclusion was presented in which the issues
raised were analyzed, the hypotheses presented, two of which were accepted, and
some important recommendations were made.
Keywords: Accounting Information, Decision-making, Accounting.
XII
XIII
INTRODUÇÃO
A Contabilidade como processo de recolha, análise, registo e interpretação de
tudo o que afecta a riqueza das unidades económicas é, sem dúvida, um dos mais
poderosos suportes de informação para a gestão.
O presente trabalho abordará sobre a importância da informação contabilística
para a tomada de decisões, onde iremos debruçar a importância da informação
contabilística para o melhoramento da eficiência da gestão, pois as tomadas de decisões
nas empresas são fundamentais para o seu crescimento.
Segundo (Almeida, Miranda, Nogueira, Silva, & Pinheiro, 2014, p. 19),
conceituam a “contabilidade como sendo o processo de identificação, medida e
comunicação de informação financeira, cujo objectivo passa por fornecer informação
passada, presente e futura aos seus utilizadores e que esta seja útil para a tomada de
decisões”.
Deste modo, o presente trabalho tem por objectivo principal demonstrar as
informações contabilísticas identificando o nível de importância dada pelos gestores aos
serviços prestados pelo departamento de contabilidade, neste sentido a informação
contabilística torna-se um instrumento que acompanha a vivência diária da empresa em
que é aplicada, ajudando no melhoramento e desempenho da mesma por ser capaz de lhe
proporcionar benefícios em todas as áreas em que actua pois diferente da imagem
distorcida que muitos têm.
A contabilidade não serve apenas para calcular impostos mas sim para gerar
informações de máxima importância tanto no âmbito da gestão, tributário, económico e
financeiro realçando a relação de receitas e despesas, entre outros.
Com o objectivo de Compreender a importância da informação contabilística
para a tomada de decisões nas organizações, o presente trabalho encontra-se estruturado
em três capítulos onde, no primeiro fez-se menção aos aspectos teóricos do tema, o
segundo, é referente aos aspectos práticos, onde se fez uma breve apresentação da empresa
em estudo e o terceiro, faz menção a analise e discussão dos dados encontrados no
segundo capitulo.
14
SITUAÇÃO PROBLEMÁTICA
Nos últimos tempos, tendo em conta a crise económica que tem assolado o
nosso país, o Estado tem criado mecanismo para arrecadar receitas de modo a mitigar a
situação, dentro deste contexto as empresas buscam tornar-se cada vez mais organizadas
de modo a atender as exigências. Assim sendo apresentamos a seguinte questão:
Que relevância tem a informação contabilística para o processo de tomada de
decisões nas organizações?
HIPÓTESES
H1: As informações contabilísticas permitem identificar a situação financeira da
entidade para realização mais segura de investimentos financeiros futuros;
H2:As informações contabilísticas permitem elaborar melhores estratégias para
actuação do corpo executivo da empresa;
H3: A contabilidade permite aos seus usuários de informação uma visão mais precisa
sobre a situação real da empresa;
OBJECTIVOS
Objectivo Geral
Compreender a importância da informação contabilística para a tomada de decisões
nas organizações.
Objectivos específicos
Definir termos e conceitos do tema;
Demonstrar benefícios da informação contabilística para a tomada de decisões nas
organizações;
Auferir o grau de importância da informação contabilística nas demonstrações
financeiras previstas no PGC;
15
JUSTIFICATIVA DO TEMA
A razão que justifica o presente estudo relaciona-se com a importância da
informação contabilística ferramenta primordial para o êxito das empresas e, o estudo
pretende ainda dar resposta às principais questões de investigação. E é partindo desse
pressuposto que surgiu a necessidade de proporcionar um conhecimento mais amplo sobre
o assunto. Pretendendo então nós com este trabalho dar um auxílio necessário aos actuais e
futuros responsáveis de instituições bem como gestores, contabilistas e estudantes da área.
Baseando-se em pesquisas e/ou projectos passados ilustrando técnicas gerências úteis no
intuito de produzir informações úteis para uma melhor tomada de decisão.
DELIMITAÇÃO
O presente trabalho de final de curso, para a sua elaboração, tivemos que fazer
recursos a diversas metodologias de estudo assim, recorremos ao método qualitativo e
quantitativo, fizemos as buscas dos conteúdos partindo do tipo de pesquisa bibliografia.
Para a concretização da parte prática utilizou-se a metodologia quantitativa,
recorreu-se a empresa TCUL, no período de 2018 à 2019, a fim de aferir a importância da
informação contabilística para a tomada de decisões nas empresas.
Tivemos dificuldade no acesso em determinadas empresas para concretização dos
nossos objectivos.
METODOLOGIA
Atendendo o carácter do nosso tema, utilizamos a pesquisa bibliográfica,
procurando extrair o máximo conteúdo possível ligado ao tema. A metodologia utilizada
foi a qualitativa e a quantitativa com o intuito de obter informações mais sólidas acerca da
importância da informação contabilística e analises dos dados obtidos nas questões
práticas. Como instrumento de recolha de dados usamos o questionário e a técnica de
entrevista face to face, abordando questões pontuais ligadas ao estudo em caso.
16
DEFINIÇÃO DE CONCEITO
Informação Contabilística
A Informação Contabilística consiste num conjunto de dados operacionais sobre toda a
actividade desenvolvida pela empresa, sendo possível o desenvolvimento de um conjunto de
métodos e técnicas que visem o relacionamento dos factos contabilísticos e assim ajudem o
decisor a obter informação relevante para uma tomada de decisão racional, que é o principal
objectivo da informação contabilística.(Atkinson, 1995, p. 34)
Tomada de Decisões
“A Tomada de Decisões é geralmente definida como a escolha de um curso de
acção, de entre várias alternativas possíveis, com o objectivo de atingir um fim
específico.”(Turban, 1998, p. 76)
Contabilidade
A Contabilidade é a ciência dos processos descritivos e quantitativos utilizados na análise,
registo, interpretação e controlo dos factos de gestão, tendo como objectivo principal quantificar
tudo que ocorre numa unidade económica fornecendo simultaneamente importantes dados para a
tomada de decisões de gestão. (Martins, 2015, p. 58)
17
CAPÍTULO I- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1.1 – História e evolução da contabilidade
A contabilidade constitui um dos conhecimentos mais antigos de que se tem
notícia. Surgiu da necessidade de controlo das posses e riquezas, ou seja, do património.
Há a hipótese de que a contabilidade tenha surgido antes da escrita, dado a sua importância
para o homem.
Segundo (Alves R. , 2017, p. 67), a fase mais primitiva da civilização, e
consequentemente do conhecimento contabilístico, ocorre há cerca de 20.000 anos, mais
precisamente do período Paleolítico Superior, em que já havia a indústria como forma de
inteligência desenvolvida pelo homem, fruto da relação de suas necessidades.
Este período mais empírico da contabilidade compreende a fase primitiva por
volta de 20.000 anos a.C., sendo marcado predominantemente pela arte do homem em
transcrever muitos dos eventos quotidianos na forma de desenhos e símbolos para
representar sob o ponto de vista contabilístico, o que se possuía.
Os Egípcios apresentaram uma grande contribuição no que se refere aos registos
do património, pois passaram à escritura em papiros de forma diária. O facto mais
relevante dessa contribuição é que foram os primeiros povos a atribuir valor monetário
para o registo e controle patrimonial. A forma criada pelos Egípcios foi uma combinação
de símbolos e desenhos para representar grandezas numéricas, pois nesse período não
havia conhecimento do número Zero.
Passando o período mais empírico, a contabilidade entra numa fase na qual é
denominada por período lógico racional.
Nele, observamos que em razão da grande expansão do comércio como modelo
de expansão dos países, houve necessidade de aperfeiçoar a forma de pensar a
contabilidade como resposta a esta nova ordem que surgia nas sociedades. Porém, é no
início da idade Moderna (século XV) que surge a escrita contabilística, a partir da obra
Summa de Arithmetica, Geometria Proportioniet Proportionalitá, escrita em 1494 pelo
Frei Luca Pacioli, matemático e teólogo italiano que desenvolveu o método das partidas
dobradas.
Partidas dobradas, é um método baseado no seguinte: Para todo débito há uma
contrapartida de um crédito de igual valor, e a soma dos débitos necessariamente deve ser
igual à soma dos créditos.
18
De acordo (Gonçalves, 2001, p. 24), a evolução da contabilidade é resumida em:
Contabilidade de modo antigo – período que se inicia as suas primeiras civilizações
que vai até 1.202 da era cristã quando apareceu o LiberAbaci (livro do Ábaco), da
autoria Leonardo Pisano, conhecido como Fibonaci (cabeça dura).
Contabilidade de modo mediaval – período que vai desde 1.202 da era cristã até
1.494, quando apareceu o Tratactus de Computis et Scrupturis da autoria de Lucas
Pacioli onde se descrevia a contabilidade das partidas dobradas, através do débito e do
crédito, obra que contribui para inserir a contabilidade entre os ramos do
conhecimento humano.
Contabilidade do mundo moderno – período que vai de 1.494 até 1.840 marcada pela
obra La Contabilità Applicattaalle Amministrazioni Private e Pubbliche, da autoria de
Francisco Villa. Esta obra constituiu igualmente um marco histórico da contabilidade.
Contabilidade do mundo científico – período que se inicia de 1.840 e continua até os
dias de hoje.
1.2 – A contabilidade financeira e a contabilidade de gestão
De acordo com varias citações, entende-se que a Contabilidade financeira é uma
técnica que estuda e controla o património objectivando representa-lo graficamente,
evidenciando suas variações, estabelecendo normas para a sua interpretação, análise e
servir base para a tomada de decisões de todos os sectores ligados à empresa.
Segundo(IUDÍCIBUS, 2009, p. 53), “a Contabilidade financeira pode ser
conceituada como o método de identificar, mensurar e comunicar informação económica,
financeira, física e social, a fim de permitir decisões e julgamentos adequados por parte
dos usuários da informação”.
Tendo por objectivo permitir o controlo administrativo e o fornecimento de
informações precisas à investidores, credores e ao público. Envolve todos os aspectos
empresariais ou públicos que possam ser expressos em números como o activo
(propriedades), o passivo (dívidas), as receitas e despesas, os lucros e perdas e os direitos
dos investidores.
Essas informações, geradas pela contabilidade, apresentam indicadores da
situação da organização, tornando possível a verificação de seu desempenho, sendo uma
importante fonte que dará o suporte para o planeamento empresarial.
19
A Contabilidade de gestão é o processo de identificar, mensurar, relatar e
analisar as informações sobre os eventos económicos da organização. (Atkinson, 2008, p.
66)Confirma ao relatar que, “recentemente, a informação contabilística de gestão
expandiu-se para envolver uma informação mais subjectiva, como mensuração da
satisfação do cliente, capacidade do funcionário e desempenho de novos produtos.”
Contabilidade de Gestão: voltada para fins internos, procura suprir os gerentes
de um elenco maior de informações, exclusivamente para a tomada de decisões.
Diferencia-se das contabilidades já abordadas, pois não se prende aos princípios
tradicionais aceitos pela contabilidade financeira.
1.3– As principais ferramentas da contabilidade financeira
Como já dito anteriormente, o principal objectivo da Contabilidade é
proporcionar aos seus usuários internos e externas informações úteis e em tempo hábil,
sendo o grande instrumento que auxilia a administração a tomar decisões e o faz através de
relatórios que expõem resumida e ordenadamente os dados colhidos.
De acordo ao Plano Geral de Contabilidade (PGC) aprovado o Decreto nº82/01 de
16 de Novembro pelo Ministério das Finanças, são de preparação obrigatória os seguintes
componentes das demonstrações financeiras:
Balanço Patrimonial (BP);
Demonstração de Resultados do Exercício (DRE);
Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC);
1.3.1 – Balanço Patrimonial (BP)
O Balanço Patrimonial (BP) é uma demonstração contabilística destinada a
evidenciar, qualitativamente e quantitativamente, numa determinada data, a posição
patrimonial e financeira de uma entidade num determinado período contabilístico.
O balanço retrata a posição patrimonial da empresa em determinado momento, composta
por bens, direitos e obrigações. O activo mostra onde a empresa aplica os recursos, ou
seja, os bens e direitos que possui. O passivo mostra de onde vieram os recursos, isto é,
os recursos provenientes de terceiros e os próprios. Os recursos próprios podem ser
20
originários de capital colocado na empresa pelos sócios ou de lucro gerado pela empresa.
(Silva J. P., 1998, p. 69):
De acordo com a citação anterior, podemos aqui referir que, o balanço de uma
empresa é constituído por três categorias:
1º Activos; os activos são todos os recursos (bens e direitos) controlado pela entidade
como resultado de acontecimentos passados e do qual se espera que fluam para empresa ou
entidade benefícios económicos futuros. Esses recursos podem dividir-se em duas categorias
principais:
1º Activos correntes: que se espera que permaneçam na posse da empresa num
período de até um ano.
2º Activos não correntes: que se espera que permaneçam na posse da empresa num
período superior a um ano.
2º Passivo: mostra quais as obrigações presentes da entidade provenientes de
acontecimentos passados, da liquidação da qual se espera que resulte um ex fluxo de recurso da
entidade incorporando benefícios económicos futuros. Estas obrigações podem ser:
1º Passivos correntes: que se espera que venham ser liquidados pela entidade num
período de até um ano.
2º Passivos não correntes: que se espera que venham a ser liquidados pela entidade
num período superior um ano.
3º O capital próprio: corresponde ao capital pertencente aos sócios da empresa.
Ou seja, representa o investimento realizado pelos proprietários na empresa, adicionando
lucros ou deduzindo prejuízos, obtidos ao longo dos diversos exercícios.
O pilar base da contabilidade diz que o activo tem de ser igual à soma do
passivo e do capital próprio. Por outras palavras, aquisição do património da empresa
(activo) tem que ser financiada por capitais próprios (capitais dos sócios) ou por capitais
alheios (passivo).
21
Outro aspecto fundamental é a relação entre activo circulante e passivo de
curto prazo (refira-se exigível a menos de um ano). Se o activo circulante for superior ao
passivo de curto prazo, a empresa evidencia condições para satisfazer os seus
compromissos de curto prazo apresentando uma saudável tesouraria. Caso contrário, é
provável que a empresa tenha necessidade de recorrer a empréstimos de curto prazo
(contas correntes ou outros instrumentos) para saldar as suas dívidas mais imediatas e
obter liquidez.
O conjunto das dívidas de curto, médio e longo prazo, que têm implícito o
pagamento do custo dessa mesma dívida (taxa de juro) designa-se por “passivo
financeiro” (exemplo: financiamentos obtidos junto de instituições bancárias – contas
correntes, contratos MLP, leasing, etc.).
Assim podemos apresentar o seguinte modelo de estrutura do balanço:
Tabela 1.1 – Modelo de Balanço
Empresa…………………………………………………………………………………...
Balanço em………………………… Valores expressos em……………………………..
Designação Notas Exercícios
2XXX 2XXX-1
ACTIVO
Activo não corrente:
Imobilizações corpóreas ……………………... 4
Imobilizações incorpóreas …………………… 5
Investimentos em subsidiárias e associadas 6
Outros activos financeiros …………………… 7
Outros activos não correntes ………………… 9
Activo corrente:
Existências ………………………………….. 8
Contas a receber …………………………….. 9
Disponibilidades …………………………….. 10
Outros activos correntes …………………….. 11
Total do activo ……………
CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO
Capital próprio:
22
Capital ………………………………………..
Reservas ……………………………………... 12
Resultados transitados ………………………. 13
Resultados do exercício ……………………... 14
Passivo não corrente:
Empréstimos de médio e longo prazo ……... 15
Impostos diferidos …………………………. 16
Provisões para pensões …………………….. 17
Provisões para outros riscos e encargos …… 18
Outros passivos não correntes ……………… 19
Passivo corrente:
Contas a pagar ……………………………. 19
Empréstimo a curto prazo ………………... 20
Parte cor. em. a médio e longo prazos 15
Outros passivos correntes ………………… 21
Total do capital próprio e passivo …………
Fonte: Plano Geral De Contabilidade, p.23
Os requisitos essenciais do Balanço são:
Clareza – mdeve ser apresentada de forma clara, de modo a facilitar a sua
interpretação. A clareza do Balanço depende das contas utilizadas, dos seus títulos e da
respectiva seriação;
Exactidão – os valores das diversas contas correspondem ao valor real dos
respectivos elementos patrimoniais;
Integridade – inclui todos os valores patrimoniais Activos e Passivos e, as rubricas
do capital próprio (Situação Líquida) respeitando o princípio da proibição das
compensações, isto é, as contas mistas não devem apresentar um único saldo.
Consistência – deve utilizar-se os mesmos critérios e normas.
Uniformidade – deve utilizar-se os mesmos critérios e normas ao nível nacional ou
sectorial.
Sinceridade – a sinceridade do Balanço exige que os seus elementos patrimoniais
sejam avaliados correctamente, isto é, com base em factos objectivos.
23
1.3.2 – Demonstração de Resultado do Exercício (DRE)
A Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) é uma demonstração
contabilística cuja finalidade é fornecer o resultado líquido de um exercício
evidenciando o confronto das receitas e despesas, é apurado através do princípio
contabilístico do regime de competência onde as receitas e as despesas devem ser
incluídas no apuramento do resultado do período em que ocorreram, sempre
simultaneamente quando se correlacionam, independente de recebimento ou pagamento.
A demonstração do resultado do exercício é um resumo ordenado das receitas e despesas
da empresa em determinado período (12 meses). É apresentada de forma dedutiva
(vertical), ou seja, das receitas subtraem-se às despesas e, em seguida, indica-se o
resultado (lucro ou prejuízo). (IUDÍCIBUS, 1998) apout (Bächtold, 2011, p. 203)
[Link] – Objectivos da Demonstração de Resultados do Exercício
A DRE tem como objectivo maior esclarecer como se formou a situação
líquida da empresa no final do exercício, ao levar em consideração os valores recebidos,
bem como os valores gastos com a actividade empresarial e deduzindo as despesas das
receitas para que se obtenha o valor do lucro.
Possui como objectivo básico fornecer aos usuários da Contabilidade os dados essenciais
para formação do resultado (lucro ou prejuízo) do exercício, que comporão o balanço
patrimonial. Portanto, basicamente a DRE é uma forma organizada e resumida de confrontar
receitas com despesas para obter o resultado do período. (Velter & Missagia, 2009, p. 503)
A Demonstração do Resultado do Exercício, visa fornecer, de maneira
esquematizada, os resultados (lucro ou prejuízo) auferidos por uma organização em um
determinado período de tempo (exercício social), os quais são transferidos para contas do
património líquido.
[Link] – Obrigatoriedade da Demonstração de Resultados do Exercício
A DRE é uma ferramenta financeira obrigatória, que deve ser publicada
sistematicamente todos os anos fiscais. Por ser uma demonstração importante, deve ser
elaborada por todas as empresas, seja ela de grande ou pequeno porte, pois irá evidencias o
lucro ou prejuízo do período.
Na visão de (Marion, 2009) “a Demonstração de Resultados do Exercício,
também conhecido pela sigla DRE, é uma demonstração contabilística que cataloga todas
24
as contas do balanço patrimonial da empresa para evidenciar e justificar o resultado
líquido da mesma durante o exercício contabilístico”.
Segundo (Padoveze C. L., 2004, p. 344)
Esta demonstração para fins de gestão será necessária para a sua elaboração das
empresas em geral ao final do exercício financeiro que equivale a um ano, e para as
empresas de companhias abertas, com acções nas bolsas de valores, são obrigadas a
apresentar a demonstração no período de três meses. Para fins societários e fiscais, a
obrigatoriedade é apresentar a demonstração do resultado anual.
[Link] – Importância da DRE para a Gestão Empresarial
A Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) é extremamente importante
para avaliar o desempenho da empresa e a eficiência dos gestores em obter resultado
positivo, pois o lucro é o objectivo principal das empresas. Apresenta de forma resumida
as operações realizadas pela empresa, durante seu exercício social, demonstrando o
resultado líquido desse período, relacionando as receitas e despesas desse exercício.
A DRE oferece uma síntese financeira dos resultados operacionais e não
operacionais de uma empresa em certo período e embora sejam elaboradas anualmente
para fins legais de divulgação, em geral são feitas mensalmente para fins administrativos.
Com uma DRE bem elaborada, os gestores podem praticar uma administração totalmente
voltada para a eficiência e a competência.
[Link] – Estrutura de uma DRE
A DRE pode ser gerada com dados contabilísticos ou de gestão, mas sempre
obedecendo ao princípio do Regime de Competência neste subtema, podemos conferir
a diferença entre o Regime de Caixa e o Regime de Competência. Com base neste
princípio, todas as Receitas, Custos e Despesas devem ser incluídas na data em que
ocorreram (em termos contabilísticos, chamamos isto de data do fato gerador),
independente da data de recebimento ou pagamento.
Resumidamente, o DRE de uma empresa é estruturado da seguinte maneira:
25
Tabela 1.2 – Modelo de Demonstração de Resultados(por natureza)
Empresa ……………………………………………………………………………….
Demonstração de resultados em …………………… Valores em ……………………
Designação Notas Exercícios
2XXX 2XXX-1
Vendas 22
Prestação de serviços 23
Outros proveitos operacionais 24
25
Variações nos produtos acabados e produtos em vias de fabrico 26
Trabalhos para a própria empresa
Custo das mercadorias vendidas e matérias-primas e subsidiárias 27
consumidas 28
Custo com o pessoal 29
Amortizações 30
Outros custos operacionais
Resultados operacionais: 31
Resultados financeiros 32
Resultados de filiais e associadas 33
Resultados não operacionais
Resultados antes de impostos: 35
Imposto sobre o rendimento
Resultados líquidos das actividades correntes: 34
Resultados extraordinários 35
Imposto sobre o rendimento
Resultados líquidos do exercício
Fonte: Plano Geral de Contabilidade, p.25
26
Tabela 1.3- Modelo de Demonstração de Resultados (por função)
Empresa …………………………………………………………………………………
Demonstração de resultados em …………………………. Valores em ………………
Designação Notas Exercícios
2XXX 2XXX-1
Vendas 22
………………………………………………………… 23
Prestação de serviços
………………………………………….
Custo das vendas
………………………………………………
Margem bruta:
Outros proveitos operacionais
…………………………………
Custos de distribuição 31
………………………………………… 32
Custos administrativos 33
………………………………………...
Outros custos e perdas operacionais
…………………………. 35
Resultados operacionais:
Resultados financeiros
………………………………………….
Resultados de filiais e associados 34
……………………………… 35
Resultados não operacionais
…………………………………....
Resultados antes de impostos:
Imposto sobre rendimento
……………………………………...
Resultado líquido das actividades correntes
Resultados de operações em descontinuação ou
27
descontinuadas
Efeitos das alterações de políticas contabilísticas
…………….
Resultados extraordinários
…………………………………….
Imposto sobre o rendimento
……………………………………
Resultados líquidos do exercício
Fonte: Plano Geral de Contabilidade, p.26
1.3.3 – Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC)
A Demonstração do fluxo de caixa permite que se analise, principalmente, a
capacidade financeira da empresa em honrar seus compromissos perante terceiros
(empréstimos e financiamentos) e accionistas (dividendos), a geração de resultados de
caixa futuros das operações actuais, e a posição de liquidez e solvência financeira.
A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) é uma demonstração dinâmica e está contida
no BP e indica a origem de todo o dinheiro que entrou no Caixa, bem como a aplicação de
todo o dinheiro que saiu do Caixa em determinado período, e, ainda, o resultado do fluxo
financeiro.(Marion, 2009, p. 445)
A demonstração dos fluxos de caixa é obrigatória para todas as companhias
abertas e de acordo com a lei actual, a DFC deve evidenciar, no mínimo, três fluxos
financeiros:
Das operações;
Dos investimentos;
Dos Financiamentos.
As actividades operacionais descrevem basicamente todas as entradas e saídas
de caixa da empresa referentes às actividades da operação principal.
São exemplos de entradas de caixa: recebimento de vendas realizadas a vista e de
títulos representativos de venda a prazo, recebimento de receitas financeiras proveniente de
aplicação no mercado financeiro, dividendos de participações accionarias em outras
companhias, outros recebimentos como indemnizações de seguros, sentenças judiciais
favoráveis, etc.
28
São exemplos de saídas de caixa: pagamentos a fornecedores por compras a vista
e de títulos representativos de compras a prazo, pagamento de impostos, contribuições e
taxas, pagamentos de encargos financeiros de empréstimos e financiamentos, etc.
As actividades de investimento são geralmente determinadas por variações nos
activos não circulante, destinados a actividade operacional de produção e venda da empresa.
São exemplos de entradas de caixa de actividade de investimento: recebimento
pela venda de imobilizado (máquinas e equipamentos da empresa).
São exemplos de saídas de caixa de actividade de investimento: compra a vista de
máquinas e equipamentos responsáveis pelo funcionamento da empresa.
As actividades de financiamento referem-se basicamente às operações com
credores e investidores. São basicamente entradas de dinheiro por captação de empréstimos e
financiamento e saídas de dinheiro para o pagamento dos mesmos.
A legislação permite que a DFC possa ser elaborada utilizando-se dois métodos: o
directo e o indirecto. Por meio das Figuras abaixo, você pode observar modelos de estrutura
para se elaborar a DFC, utilizando-se os dois tipos de métodos.
O método indirecto parte do lucro líquido do exercício para se conciliar com o caixa
gerado pelas operações, enquanto o método directo destaca as movimentações
financeiras explicitando as entradas e as saídas de recursos de cada componente da
actividade operacional, como recebimento de vendas, pagamentos de juros e impostos
etc. Segundo (Neto, 2010, p. 34).
Assim podemos apresentar o seguinte modelo de estrutura de Demonstração de
Fluxo de Caixa:
Tabela 1.4 – Modelo de Demonstração de Fluxos de Caixa (método directo)
Empresa ……………………….………………………………………………………......
Demonstração de fluxo de caixa para exercício findo em ……………………...................
Valores em …………………
Designação Notas Exercícios
2XXX 2XXX-1
Fluxo de caixa das actividades operacionais:
Recebimentos (de caixa) de clientes
Pagamentos (de caixa) a fornecedores e empregadores
Caixa gerada pelas operações:
29
Juros pagos:
……………………………………………………………………
…
Impostos s/os lucros pagos
Fluxos de caixa antes da rubrica extraordinária:
……………………………………………………………...............
.
Caixa líquida proveniente das actividades operacionais
Fluxo de caixa das actividades de investimento:
Recebimentos provenientes de: 45
Imobilizações corpóreas
Imobilizações incorpóreas
Investimentos financeiros
Subsídios a investimentos
Juros e proveitos similares
Dividendos ou lucros recebidos
……………………………………………………………………
…
Pagamentos respeitantes a: 46
Imobilizações corpóreas
Imobilizações incorpóreas
Investimentos financeiros
…………………………………………………………………
……
Fluxo de caixa antes da rubrica extraordinária:
……………………………………………………………………
……………
Caixa líquida usada nas actividades de investimento:
Fluxo de caixa das actividades de financiamento:
Recebimentos provenientes de:
Aumentos de capital, prestações suplementares e vendas
de acções ou quotas próprias
Cobertura de prejuízos
Empréstimos obtidos
Subsídios de exploração e doações
……………………………………………………………………
…
Pagamentos respeitantes a:
Redução do capital e prestações suplementares
Compras de acções ou quotas próprias
Dividendos ou lucros pagos
Empréstimos obtidos
Amortizações de contratos de locações financeiras
Juros e custos similares pagos 43,47
…………………………………………………………………… 43,47
…
Fluxo de caixa antes da rubrica extraordinária:
……………………………………………………………………
…
Caixa líquida usada nas actividades de financiamento
30
Aumento líquido de caixa e seus equivalentes ´
Caixa e seus equivalentes no início do período
Caixa e seus equivalentes no fim do período
Fonte: Plano Geral de Contabilidade, p.27
Tabela 1.5 – Modelo de Demonstração de Fluxo de Caixa(método indirecto)
Empresa………………………………………………………………………………
Demonstração de fluxo de caixa para o exercício findo em…………………………
Valores expressos em …………….
Designação Notas Exercícios
2XXX 2XXX-1
Fluxo de caixa das actividades operacionais:
Resultado líquido antes dos impostos e das rubricas extraordinárias
Ajustamentos:
Depreciações………………………………………….
Amortizações…………………………………
Ganhos na alienação de imobilizações ……………………
Perdas na alienação de
imobilizações…………………………...
Resultados
financeiros………………………………………….
Resultados extraordinários……………………………
Resultados operacionais antes das alterações do capital
circulante:
Aumento das existências ……………………………………………
Diminuição das existências…………………………………
Aumento das dívidas de terceiros operacionais……………….
Diminuição das dívidas de terceiros operacionais…………….
Aumento de outros activos operacionais……………………
Diminuição de outros activos operacionais……………………
Aumento das dívidas de terceiros operacionais……………….
Diminuição das dívidas de terceiros operacionais…………….
Aumento de outros passivos operacionais…………………….
Diminuição de outros passivos
operacionais……………………
Caixa gerada proveniente das operações:
Juros pagos
31
Impostos s/os lucros pagos
Fluxo de caixa antes dos resultados extraordinários:
Caixa líquida proveniente das actividades operacionais
Fluxo de caixa das actividades de investimento:
Recebimentos provenientes de:
Imobilizações corpóreas
Imobilizações incorpóreas 45
Investimentos financeiros
Subsídios a investimento
Juros e proveitos similares
Dividendos ou lucros recebidos………………
Pagamentos respeitantes a:
Imobilizações corpóreas
Imobilizações incorpóreas
Investimentos financeiros…………………………………… 46
Fluxos de caixa antes da rubrica extraordinária: ………………
Caixa líquida das actividades de
investimento…………………….
Fluxo de caixa das actividades de financiamento:
Recebimento provenientes de:
Aumentos de capital, prestação suplementar e prémios de
emissão
Venda de acções ou quotas
próprias……………………………….
Cobertura de
prejuízos…………………………………………….
Empréstimos
obtidos………………………………………………
Subsídios à exploração e
doações…………………………………
Pagamentos respeitantes a:
Reduções de capital de prestação
suplementar……………………
Compras de acções ou quotas
próprias…………………………….
Dividendos ou lucros
pagos……………………………………….
Empréstimos 43,47
obtidos……………………………………………… 43,47
Amortizações de contratos de locação financeira……………….
Juros e custos similares pagos……………………………..
Fluxo de caixa antes da rubrica extraordinária: ………………...
Caixa líquida usada nas actividades de financiamento ……………….
Aumento líquido de caixa e seus equivalentes
Caixa e seus equivalentes no início do período
Caixa e seus equivalentes no fim do período
Fonte: Plano Geral de Contabilidade, p.28
32
Segundo (Iudícibus, 2008)acrescenta também que a intitulação DFC não é
mais correcta, sendo mais adequado denominá-la Demonstração de Fluxo Disponível, e
arrematam:
A DFC vem esclarecer situações controvertidas na empresa, por exemplo,
através da comparação com a DRE, o porque de a empresa ter um lucro considerável e
estar com o Caixa baixo, não conseguindo liquidar todos os seus compromissos.
Segundo (Iudícibus & Marion, 2008)“esta demonstração vem se tornando
peça de grande utilidade como instrumento de administração financeira” pois propicia ao
gerente financeiro a elaboração do planeamento financeiro, propiciando maior rendimento
a empresa.
A DFC pode ser apresentada de forma directa (onde são demonstrados todos
os recebimentos e pagamentos que concorreram para a variação das disponibilidades) e de
forma indirecta (onde são feitos ajustes ao lucro líquido através do valor das operações de
receitas ou despesas, possuindo semelhanças à Demonstração de Origens e Aplicação de
Recursos, que será estudado a seguir).
1.4 – Análise das demonstrações financeiras
A análise das demonstrações financeiras, também comummente chamada de
Análise de Balanços, é um dos instrumentos mais importantes no processo de gestão
empresarial, como também, para o conhecimento de outras empresas, concorrentes ou
fornecedores, mas, sem dúvida, o mais relevante uso desse instrumento é a sua utilização
internamente pela empresa.
Assim, entendemos que a análise das demonstrações financeiras constitui um
instrumento importante para o gestor da empresa, tendo em vista que, utilizando-se dos
relatórios produzidos pelo sector contabilístico (sendo assim, considerados confiáveis e
relevantes, como já vimos anteriormente) seja possível avaliar a situação da empresa e até
mesmo prever os futuros resultados da organização.
Segundo (Iudícibus, 2008)dizem que “todas as demonstrações financeiras são
susceptíveis de análise, mas a ênfase maior é dada ao Balanço Patrimonial e à
Demonstração do Resultado do Exercício, por se tratar de evidências objectivas da
situação financeira da empresa”.
33
Através da análise dos índices, o gestor pode ter uma visão melhor do que
ocorre na empresa e em seu macro – ambiente e também pode tomar a decisão mais
acertada e se planejar para o futuro.
1.5 – A contabilidade como instrumento de gestão na tomada de decisão
Contabilidade, caracterizando-se por registar todas as transacções de
corporação, constitui um grande banco de dados. Esses dados são matérias-primas da
informação; portanto, não basta possui-los, é necessário que eles sejam tratados de forma
estruturada tecnicamente para que gerem informações úteis e representem um instrumento
de gestão no processo decisório corporativo.
Evidentemente, os gerentes (administradores) não são os únicos que se utilizam da
Contabilidade. Os investidores (sócios ou accionistas), ou seja, aqueles que aplicam
dinheiro na empresa estão interessados basicamente em obter lucro, por isso se utilizam
os relatórios contabilísticos, analisando se a empresa é rentável; os fornecedores de
mercadoria a prazo querem saber se a empresa tem condições de pagar suas dívidas; os
bancos, por sua vez, emprestam dinheiro desde que a empresa tenha condições de
pagamento; o governo quer saber quanto de impostos foi gerado para cofres públicos;
outros interessados desejam conhecer melhor a situação da empresa: os empregados, os
sindicatos, os concorrentes, etc. Segundo (Marion, 2009, p. 67):
Com as informações da Contabilidade, o gestor passa a ter melhores condições
de avaliar seu negócio passa a ter melhores condições de avaliar seu negócio,
considerando prováveis situações futuras. Essas informações podem determinar acções
planeadas, considerando diversas situações e cenários, aumentando a possibilidade de
sucesso da organização.
1.5.1 – Fases do Processo de Tomada de Decisões
O processo de planeamento é essencial em qualquer tipo de organização, nele
se constroem estudos, análises, cenários de desenvolvimento, orçamentos, planos e
programas de acção, só fica completo se forem tomadas as decisões necessárias à sua
implementação.
De acordo com(Teixeira, 2005, p. 89)“o processo de decisões consiste
precisamente em gerar e avaliar alternativas, cuja escolha conduza a um curso de
acção.”(Chiavenato I. , 2000, p. 45)acrescenta que “o processo de decisão é o processo de
análise e escolha das várias alternativas disponíveis, existindo seis elementos comuns na
decisão”:
34
1. O gestor (pessoa que faz a escolha);
2. O objectivo que o decisor pretende alcançar com a decisão;
3. A preferência (critérios que o decisor usa para fazer a escolha);
4. A estratégia (representa o custo da acção);
5. A situação (envolve os aspectos do ambiente fora do seu controlo);
6. O resultado (é a consequência da sua estratégia).
O decisor com uma decisão pretende alcançar objectivos, tendo preferências e
estratégias pessoais para os alcançar, esta decisão envolve um processo de selecção que é
condicionado pelo raciocínio, planeamento ou projecção do futuro, obtendo uma decisão
racional se escolher os meios apropriados para alcançar os objectivos (Chiavenato, 2003).
Existem quatro etapas no processo de tomada de decisões: a identificação do
problema, o desenvolvimento de alternativas de solução, a avaliação das alternativas, e a
implementação da alternativa escolhida.
Segundo (Teixeira, 2005)“o processo de decisão só se considera completo
quando se estabelecem os mecanismos de controlo e evolução das acções
correspondentes, isto é, quando é possível obter o feedback sobre a resolução do
problema que esteve na sua origem.”
A decisão envolve sempre um grau de incerteza, pois abrange acontecimentos
futuros, incertos e muitas vezes imprevisíveis, sendo assim as decisões racionais de um
gestor situa-se num ponto de um intervalo entre a certeza e a incerteza (Teixeira,
2005).Enquanto em situação de certeza o gestor teria todas as informações precisas,
mensuráveis e confiáveis sobre os resultados das alternativas consideradas, em situação de
incerteza as informações são mais reduzidas ou pouco confiáveis. Uma situação de risco
ocorre quando existe uma incerteza relativamente a uma opção, mas dispõe-se de
informações suficientes para prever o resultado.
1.5.2. Factores Condicionantes do Processo de Tomada de Decisões
Segundo (Texeira, 1998), o processo de tomada de decisões pelos gestores é
influenciado por um conjunto de factores além dos relativos ao tipo de decisões em causa
– de rotina ou não rotina – ou ao grau de incerteza e risco, merecendo destaque os
seguintes:
35
Tempo disponível: O tempo disponível para decidir e implementar a decisão, o que
implica, que muitas vezes os gestores tenham de decidir sem conseguir recolher todas
as informações que desejariam, e às vezes sob pressão.
Natureza crítica do trabalho: A natureza crítica do trabalho, que se traduz na
importância que determinada função desempenha por determinado gestor representa
no sucesso da decisão a tomar (quantas vezes envolvendo a saúde das pessoas ou a
própria vida, como pode ser o caso de decisões em hospitais ou clínicas).
Existência ou não de regulamentos escritos: A existência ou não de regulamentos
escritos que se traduz normalmente num diferente grau de complexidade do processo
decisório.
As atitudes da empresa: As atitudes da empresa com relação ao processo de decisão,
que pode traduzir-se num maior encorajamento para a tomada de decisões
sistematizadas, com recurso a técnicas ou métodos evoluídos, ou, pelo contrário, na
tradição de uma forma informal de encarar o processo decisório.
Quantidade de informação disponível: A quantidade de informação disponível, o
que implica a necessidade permanente de actualização dos dados relevantes que o
gestor deve obter e geri.
Capacidade do gestor como decisor: A capacidade do gestor como decisor, que por
sua vez tem a ver com a sua intuição, mas também com a sua aptidão de aprender com
a experiência e obedecer a um apropriado processo de preparação, decisão e
implementação.
Criatividade e inovação: A criatividade e inovação, ou seja, a capacidade do gestor
para gerar ideias que sejam simultaneamente inovadoras e funcionais, sobre tudo
quando se trata de decisões que não são rotina.
1.6 – A informação contabilística
A Informação Contabilística consiste num conjunto de dados operacionais
sobre toda a actividade desenvolvida pela empresa, sendo possível o desenvolvimento de
um conjunto de métodos e técnicas que visem o relacionamento dos factos contabilísticos
e assim ajudem o decisor a obter informação relevante para uma tomada de decisão
racional, que é o principal objectivo da informação contabilística.
36
A unidade de medida da contabilidade é a unidade monetária, assim a
informação contabilística é composta predominantemente por informação financeira”.
(Alves M. C., 2011, p. 46).
A informação contabilística pode ser factual, referencial ou sumária, segundo
o ponto de vista do seu processual. É factual porque regista diariamente todos os
movimentos contabilísticos de uma entidade, é referencial porque se entendem os dados
adicionados como moradas, nomes e condições, é sumária já que elabora resumos mensais
e quadros comparativos da informação obtida com a contabilidade.
1.6.1 – A Importância da Informação Contabilística para a Tomada de Decisões
A informação contabilística é um elemento essencial na gestão e no processo de
tomada de decisão de uma empresa fornecendo informação pertinente e útil em vários
aspectos da gestão.
Actualmente fruto da evolução da contabilidade e da própria mentalidade dos gerentes,
verifica-se que a utilização da contabilidade permite estimular e fomentar o crescimento
empresarial, pois é um instrumento que permite acompanhar e resolver constantemente
os problemas da empresa, ajudar na elaboração e definição da estratégia empresarial, ou
seja, nas decisões de investimento, financiamento e na definição da política de
dividendos, acompanhando a execução da mesma e as alterações verificadas no ambiente
externo da empresa, ou seja, no mercado onde a entidade actua. (Vanzela, 2003, p. 47).
Verifica-se portanto que a utilização da contabilidade permite dissecar a situação
financeira, económica e fiscal de uma empresa, possibilita a elaboração de indicadores
financeiros e contabilísticos que permitem colmatar as necessidades de informação dos
diversos utilizadores da informação, principalmente do conselho de gerência que assim
obtém informação fundamental para gerir a empresa e tomar as decisões de forma correcta
e racional.
De acordo com Lopes (2013) a utilização de um sistema de informação
baseado na contabilidade vai permitir suportar a decisão empresarial de vários tipos,
nomeadamente:
Momento para comprar, vender, ou deter um investimento em capital próprio;
Analisar a competência do conselho de administração;
Capacidade da entidade proporcionar benefícios aos seus colaboradores;
Avaliar a segurança dos empréstimos à entidade;
Determinar políticas de planeamento fiscal;
37
Distribuição de dividendos;
Preparar e usar estatísticas sobre o rendimento nacional;
Gerir a entidade.
1.6.2- Motivos que limitam a utilização da Informação Contabilística
Ao longo deste estudo vai-se compreendendo a importância que a informação
contabilística tem no desempenho de qualquer tipo de entidade, constatando-se que a sua
correcta utilização tem um papel vital na sobrevivência de uma empresa. De acordo com
vários estudos o principal motivo de falência de empresas prende-se com deficiências no
conhecimento contabilístico, sendo a informação contabilística essencial na gestão e no
processo de tomada de decisão de qualquer empresa (Dunn et al., 1992; De Thomas &
Fredenberger, 1985). É assim importante estudar os factores que limitam a utilização da
informação contabilística no processo de tomada de decisão de uma empresa.
Os decisores, que nas empresas são os gerentes limitam a utilização deste tipo de
informações, pois cabe aos mesmos a correcta e efectiva utilização da informação
contabilística, de modo a alcançarem uma decisão racional e que vá de encontro às
expectativas da empresa. Assim, verifica-se que um dos principais factores que limita a
utilização da informação contabilística numa microempresa se prende com a própria
habilidade do gerente compreender e interpretar a informação contabilística como
demonstram os estudos de Holmes e Nicholls (1988), Sheldon (1994) e Albuquerque (200
38
CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO PRÁTICA
2.1 – Caracterização da empresa em estudo
O presente estudo foi conduzido na empresa TRANSPOTE COLECTIVO
URBANO DE LUANDA (TCUL), S.A, uma empresa que foi fundada no ano de
criada1988, com a sua sede em Luanda, no município da Ingombota, rua da Tipografia
Mamã Tita, Edifício Soccar 32.
A TCUL é uma empresa prestadora de serviço no ramo de transportes
rodoviário e inter-provincial, se destacando como uma das empresas com maior
credibilidade no mercado num dado momento.
A TCUL é uma sociedade anónima, com três entidades públicas como
accionistas, dependente do Ministério dos Transportes e da Administração Central.
2.1.1 – Missão
A TCUL, é uma empresa que como missão em prestar serviços de transporte
de pessoas e cargas em Angola, no sector urbano, inter-provincial, com eficiência e
eficácia usando os recursos apropriados.
2.1.2 – Visão
Ser a maior transportadora de pessoas e cargas em Angola nos próximos 5
anos, garantindo segurança, qualidade, eficiência e conforto aos seus utentes, é a visão
focal da TCUL.
39
2.1.3 – Valores
Os valores são princípios que conduzem uma determinada organização ao
sucesso. Portanto, a TCUL, opta pelos seguintes princípios; eficiência, eficácia, qualidade,
integralidade, segurança, ética, deontologia profissional, cliente em primeiro lugar.
2.2 – Entrevista
O presente trabalho, a sua parte prática foi elaborada por meio de um
questionário de aproximadamente 15 perguntas dentre as quais, passamos a demonstrar as
que mais se destacam, demonstrando desde já a composição da empresa em estudo, a sua
relação com as informações financeiras até a importância com a contabilidade dentro da
mesma empresa.
Questão 1: A utilização de informação contabilística beneficia o processo de
tomada de decisão de uma empresa?
Tabela 2.1 – A utilização da informação contabilística.
Opções de respostas Números de respostas Percentagem (%)
Sim 25 83,3
Não 5 16,7
Total 30 100
Fonte: Elaboração dos autores.
Segundo inquerido afirmou que é possível considerar que a utilização da
informação contabilística beneficia o processo de tomada de decisão das empresas. Visto
que em termos percentuais, se pode verificar que 83,3 % diz sim e a minoria
correspondendo em 16,7% responde que não.
Questão 2 – Na sua opinião, uma empresa consegue sobreviver num mercado
competitivo sem a utilização da informação contabilística no processo de tomada de
decisão?
40
Tabela 2.2 – A empresa consegue sobreviver sem a utilização da informação contabilística?
Opções de respostas Números de respostas Percentagem (%)
Sim 7 23,3
Não 23 76,7
Total 30 100
Fonte: Elaboração dos autores.
De acordo com inquerido, considera que uma empresa não consegue
sobreviver num mercado competitivo sem a utilização da informação contabilística no
processo de tomada de decisão. Visto que em termos percentuais, se pode verificar que
23,3 % diz sim e a maioria correspondendo em 76,7% responde que não.
Questão3 – Na sua opinião, os gerentes das empresas reconhecem os benefícios
inerentes à utilização de informação contabilística no processo de tomada de decisão?
Tabela 2.3 – Os gerentes das empresas reconhecem os benefícios da informação
contabilística no processo de tomada de decisão.
Opções de respostas Números de respostas Percentagem (%)
Sim 17 56,7
Não 13 43,3
Total 30 100
Fonte: Elaboração dos autores.
De acordo com o inquérito, os gerentes das empresas reconhecem os
benefícios da informação contabilística no processo de tomada de decisão. Visto que em
termos percentuais, se pode verificar que 56,7 % diz sim e a minoria correspondendo em
43,3% responde que não.
4. Na sua opinião, os gerentes das empresas utilizam as informações
contabilísticas no processo de tomada de decisão?
41
Tabela 2.1 – A utilização da informação contabilística.
Opções de respostas Números de respostas Percentagem (%)
Sim 9 30
Não 21 70
Total 30 100
Fonte: Elaboração dos autores.
De acordo com o inquérito, os gerentes das empresas utilizam as informações
contabilísticas no processo de tomada de decisão. Visto que em termos percentuais, se
pode verificar que 30% diz sim e a maioria correspondendo em 70% responde que não.
5. Na sua opinião, os gerentes das microempresas no processo de tomada de
decisão valorizam mais a informação contabilística ou a sua experiência e intuição?
Tabela 2.5 – Na tomada de decisão é valorizada a experiencia ou a informação contabilística?
Opções de respostas Números de respostas Percentagem (%)
Informação 7 6,7
contabilística
Experiência e 23 23,3
intuição
Total 30 100
Fonte: Elaboração dos autores.
De acordo o inquérito, os gerentes das microempresas no processo de tomada
de decisão valorizam mais a sua experiência e intuição. Visto que em termos percentuais, se
pode verificar que 6,7% diz que é a informação contabilística e a maioria correspondendo
em 23,3% responde que é a experiência e intuição.
2.3 – Demonstrações Financeiras
Conforme foi descrito nos capítulos anteriores, as demonstrações financeiras,
servem para demonstrar a situação económica e financeira das empresas bem como, o seu
42
património. Descreveu-se também que, existem várias demonstrações financeiras tais
como; Balanço, demonstrações de resultados, demonstrações de fluxo de caixas.
Para o presente trabalho, foi elaborado apenas o balanço da empresa em estudo
e as demonstrações de resultados com o objectivo de compreender a importância da
informação contabilística no processo de tomada de decisões.
Balanço da TCUL- Transporte Colectivo Urbano de Luanda em 31 de Dezembro de 2019 e
2018 (Montantes expressos em Kwanza - Kz)
Tabela 2.6 – Balanço da TCUL
Designação Notas Exercícios
2019 2018
ACTIVO
Activo não corrente:
Imobilizações corpóreas ……………………... 4 [Link] [Link]
Imobilizações incorpóreas …………………… 5 7.501.064 3.612,888
Investimentos em subsidiárias e associadas 6 0,00 0,00
Outros activos financeiros …………………… 7 27.850.353 30.850.352
Outros activos não correntes ………………… 9 0,00 0,00
3.230.472. 351 [Link]
Activo corrente:
Existências ………………………………….. 8 172.617.140 97.905.577
Contas a receber …………………………….. 9 603.016.844 610.179.936
Disponibilidades …………………………….. 10 406.918.141 163.463.755
Outros activos correntes …………………….. 11 1.589.815 1.589.815
[Link] 873.139.083
Total do activo …………… [Link] [Link]
CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO
Capital próprio:
Capital ……………………………………….. 12 1.589.815 1.589.815
Reservas ……………………………………... 13 52.000.372 52.000.372
Resultados transitados ………………………. 14 ([Link] ([Link]
Resultados do exercício ……………………... ) )
271.995.192 (376.805.891)
([Link] ([Link]
) )
43
Passivo não corrente:
Empréstimos de médio e longo prazo ……... 15
Impostos diferidos …………………………. 16 0,00 0,00
Provisões para pensões …………………….. 17 0,00 0,00
Provisões para outros riscos e encargos …… 18 0,00 0,00
Outros passivos não correntes ……………… 19 442.234.341 417.409.551
0,00 0,00
442.234.341 417.409.551
Passivo corrente:
Contas a pagar ……………………………. 19
Empréstimo a curto prazo ………………... 20 [Link] [Link]
Parte cor. em. A médio e longo prazos 15 483.703.897 483.263.031
Outros passivos correntes ………………… 21 0,00 0,00
[Link] [Link]
[Link] 0,00
Total do passivo …………
[Link] [Link]
5
Total do capital próprio e passivo …………
[Link]
[Link]
Fonte: elaboração dos autores, dados extraídos do balanço da TCUL (ver em anexos).
A análise dos dados refere-se a uma breve explicação dos resultados obtidos e
apresentados no capítulo anterior.
De acordo aos dados apresentados na tabela 2.6 onde é representado o balanço
da TCUL nos anos de 2019 à 2018, podemos verificar que a informação financeira
fornecida pelo presente documento contabilístico aponta um grau de autonomia de -1,14
para 2019 e -1,16 para 2018. Verificou-se também um grau de dependência ou
endividamento de 2,14 para 2019 e 2,16 para 2018.
Podemos observar que actividades da empresa em estudo são mais financiadas
por capitais de terceiros em relação a capitais próprios, o que é prejudicial a capacidade de
honrar compromissos da empresa.
44
Demonstração dos Resultados por Naturezas da TCUL- Transporte Colectivo Urbano de
Luanda para os Exercícios findos em 31 de Dezembro de 2019 e 2018 (Montantes expressos
em Kwanza - Kz)
Tabela 2.7 – Demonstração de Resultados da TCUL
Designação Notas Exercícios
2019 2018
Vendas 22
Prestação de serviços 23 [Link] [Link]
Outros proveitos operacionais 24 822.776.159 789.713.404
25
Variações nos produtos acabados e produtos em vias de 26
fabrico
Trabalhos para a própria empresa 27
Custo das mercadorias vendidas e matérias-primas e 28 ([Link] ([Link]
subsidiárias consumidas 29 ) )
Custo com o pessoal 30 (759.379.072) (779.030.139)
Amortizações ([Link] (833.356.740)
Outros custos operacionais )
Resultados operacionais:
665.742.102
Resultados financeiros 31 626.179.901
Resultados de filiais e associadas 32 (71.379.048)
Resultados não operacionais 33 (119.742.374)
(971.671.361)
(237.328.128)
Resultados líquidos das actividades correntes: (377.308.306)
Resultados extraordinários 34 269.109.399
Resultados antes de impostos: 502.415
2.885.793
(376.805.891)
Imposto sobre o rendimento 271.995.192
35
45
Resultados líquidos do exercício
(376.805.891)
271.995.192
Fonte: elaboração dos autores, dados extraídos do balanço da TCUL (ver em anexos).
De acordo aos dados apresentados na tabela 2.7 onde é representado a
Demonstração de Resultados da TCUL nos anos de 2018 à 2019, podemos verificar que a
informação económica fornecida pelo presente documento contabilístico aponta índices de
rentabilidade das prestações de serviços de 6,24 para 2019 e -10,66 para 2018. Verificou-
se também que a empresa em estudo apresenta rentabilidade dos activos de 14,18 em 2019
e 13,99 para 2018.
Podemos observar que do ponto de vista tanto da rentabilidade das prestações
de serviços como dos activos os indicadores apresentados são satisfatórios, uma vez que
no ano de 2019 os activos da empresa assim como as prestações de serviços geraram mais
proveitos com relação ao ano anterior para a empresa.
46
CONCLUSÃO
O estudo aqui apresentado no levou a reflectir sobre a importância da
informação contabilística na tomada de decisões portanto, é da correcta utilização da
informação contabilística que dependerá o sucesso ou o insucesso de qualquer tipo de
organização. Reconhecendo a utilidade deste tipo de informação no processo de tomada de
decisão de empresas, esta investigação teve como objectivo principal compreender a
importância da informação contabilística para o processo de tomada de decisões nas
empresas, demonstrando os benefícios da informação contabilística no processo de tomada
de decisões, auferindo o grau de importância da informação contabilística contida nas
Demonstrações financeiras.
Constatou-se ainda que o gerente é o principal limitador da utilização deste
tipo de informação no processo de decisão, e que a correcta utilização da informação
contabilística é essencial no sucesso de uma empresa. Os Contabilistas Certificados devem
agora assumir a consciencialização dos gerentes sobre os benefícios inerentes à utilização
deste tipo de informação no processo de decisão.
Pode-se então concluir que os objectivos definidos foram alcançados, uma vez
que se confirmam os seguintes:
o As informações contabilísticas permitem identificar a situação financeira da
entidade para realização mais segura de investimentos financeiros futuros;
o As informações contabilísticas permitem elaborar melhores estratégias para
actuação do corpo executivo da empresa;
o A contabilidade permite aos seus usuários de informação uma visão mais
precisa sobre a situação real da empresa.
47
RECOMENDAÇÕES
De acordo ao tema pesquisado e a empresa em estudo para a concretização da
parte prática, apresentamos as seguintes recomendações:
Que se aprofunde as funções da contabilidade, pois têm auxiliado na tomada de
decisões para o melhor funcionamento das demais empresas;
Consolidar políticas mais eficientes de controlo sobre as actividades
economicamente rentáveis;
Optar na utilização do software Primavera, pois é um dos mais utilizados e
certificado pela Administração Geral Tributária (AGT).
Para a comunidade a comunidade académica:
Sugere-se a elaboração mais estudos similares dirigido aos gerentes das empresas
Angolanas, pois permitiria uma posterior comparação com os resultados obtidos
nesta investigação;
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ANEXOS
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