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Conceitos e Princípios de Serviços Públicos

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Julia Santos
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Tópicos abordados

  • segurança pública,
  • contrato de gestão,
  • contrato de alienação,
  • cortesia no atendimento,
  • contratos de prestação de serv…,
  • diretrizes de contratação,
  • generalidade no atendimento,
  • interesse público,
  • desconcentração,
  • contratos de concessão especia…
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Conceitos e Princípios de Serviços Públicos

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Tópicos abordados

  • segurança pública,
  • contrato de gestão,
  • contrato de alienação,
  • cortesia no atendimento,
  • contratos de prestação de serv…,
  • diretrizes de contratação,
  • generalidade no atendimento,
  • interesse público,
  • desconcentração,
  • contratos de concessão especia…

DIREITO ADMINISTRATIVO E

TRIBUTÁRIO
AULA 5

Profª Ana Paula Maciel Costa


CONVERSA INICIAL

Como vimos, o Estado passou por algumas crises e transformações por


conta das quais as relações sociais e econômicas foram se tornando mais
complexas, plurais e reivindicativas, de modo que o Estado mostrou-se
extremamente permeável a essas demandas e vem reformulando o aparato
estatal e sua concretização por meio de um novo complexo normativo.
Nesse sentido, a readequação do direito administrativo, em especial do
regime jurídico dos serviços públicos e suas formas de execução, representava
um importante passo estratégico. Por isso, vamos aqui desenvolver seu
conceito, princípios, classificação, formas de execução e apresentar, de maneira
sucinta, o instrumento de viabilização dos serviços públicos, a Lei n. 14.133/2021
(nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos).

TEMA 1 – CONCEITO E PRINCÍPIOS DO SERVIÇO PÚBLICO

Para começarmos a entender a materialização da atuação do Estado,


devemos buscar a localização primordial do “serviço público” na fonte do nosso
ordenamento jurídico, que é a Constituição Federal de 1988, em seus arts. 21,
25, 173, 177, 196, 199, 203, 204, 205 e 209. Esses artigos vão tratar da
competência dos entes que desenvolverão os serviços, quais serviços serão
prestados, como serão prestados, as possibilidades de transferência, serviços
essenciais, serviços de interesse público (saúde e educação) prestados pelo
Estado juntamente com a iniciativa privada e assim por diante.
Enfim, passemos a tratar dos aspectos fundamentais deste tema para que
possamos compreender um pouco mais o funcionamento da Administração
Pública.

1.1 Conceito

Com base nesse arcabouço estrutural, é possível estabelecer um conceito


abrangente do termo serviço público como sendo toda e qualquer prestação
estatal, desde as atividades essenciais do Estado, como jurisdição, saúde,
educação e segurança pública, até atividades econômicas em que haja
participação estatal. Encampando esse raciocínio, Lúcia Valle Figueiredo traz o
seguinte conceito:

2
Serviço público é toda atividade material fornecida pelo Estado, ou por
quem esteja a agir no exercício da função administrativa se houver
permissão constitucional e legal para isso, com o fim de implementação
de deveres consagrados constitucionalmente relacionados à utilidade
pública, que deve ser concretizada, sob regime prevalente de Direito
Público. (Figueiredo, 2003, p. 78)

Como não há propriamente uma definição legal de serviço público, cada


doutrinador vai trazer alguma acerca do tema. No entanto, é possível extrair sua
essência e conceituá-lo como todo serviço prestado pela Administração, ou por
particulares, mediante regras de direito público previamente estabelecidas por
ela, visando à preservação do interesse público.
A titularidade dos serviços pertence à Administração, repartida entre as
quatro esferas de governo (federal, estadual, municipal e distrital), conforme
divisão feita pela própria Constituição em seu art. 175: “Incumbe ao Poder
Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão,
sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos” (Brasil, 1988).
O Poder Público, portanto, é quem decidirá se os serviços serão
executados diretamente por ele ou se os delegará, por concessão ou permissão
mediante processo licitatório, mantendo-se vigilante quanto à fiscalização da
execução dos serviços, podendo, inclusive, em caso de necessidade, aplicar as
sanções que se mostrarem cabíveis.

1.2 Princípios

Além dos princípios gerais que norteiam toda a atividade administrativa,


relacionados no caput do art. 37 da Constituição, também se aplicam os
princípios específicos elencados no parágrafo 1º do art. 6º da Lei n. 8.987/1995
(Lei de Concessões e Permissões): “Serviço adequado é o que satisfaz as
condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade,
generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas” (Brasil, 1995).
Detalhamos a seguir tais condições.

• Continuidade do serviço público. a execução de serviços públicos não


pode ser interrompida, ao menos como regra geral, de forma a não gerar
prejuízos para os interesses da coletividade.
• Eficiência. exige execução do serviço com constante aperfeiçoamento,
qualidade e atendimento ao maior número de pessoas.
• Segurança. não deve causar danos aos usuários.

3
• Atualidade. compreende a modernidade das técnicas, do equipamento e
das instalações e sua conservação, bem como a melhoria e a expansão
do serviço.
• Generalidade. é reflexo do princípio da impessoalidade, estabelecendo o
acesso de todos os administrados a sua prestação. Mas, para atender ao
interesse da coletividade, e com respaldo em lei, é possível fazer
distinções entre os usuários, a exemplo da concessão de benefícios no
uso de transporte coletivo a integrantes da terceira idade e estudantes,
que têm direito à isenção ou ao pagamento de valor diferenciado.
• Cortesia. envolve um bom atendimento, com urbanidade, respeito e
educação, entre outros, valores que possibilitem uma comunicação entre
prestadores e a população, que façam melhorar a relação entre os dois e
minimizem atritos decorrentes de imprevistos que possam atrapalhar a
adequada prestação dos serviços públicos.
• Modicidade das tarifas. quando o serviço público exigir contraprestação
pecuniária, as tarifas devem ser razoáveis, pois não deve haver, por parte
do Poder Público, intuito de lucro; e quando o serviço for prestado
mediante concessão e permissão, as tarifas cobradas devem ser
módicas, acessíveis ao usuário comum do serviço.

TEMA 2 – CLASSIFICAÇÃO

Considerando-se os traços comuns de gênero e as distinções das


espécies que se diversificam, é possível, adotando-se os critérios de
essencialidade, adequação, finalidade e destinatários, classificar os serviços
públicos. Das inúmeras classificações de serviços públicos propostas pelos
administrativistas, elencaremos uma clássica adotada por Hely Lopes Meirelles
(2013).

2.1 Serviços públicos propriamente ditos

São os que a Administração presta diretamente à comunidade, por


reconhecer sua essencialidade e necessidade, visando satisfazer as
necessidades gerais e essenciais da sociedade. São privativos do Estado, não
permitindo delegação a terceiros, pois eles exigem atos de império e medidas

4
compulsórias em relação aos administrados. São exemplos os serviços de
defesa nacional, os de polícia e os de preservação da saúde pública.

2.2 Serviços de utilidade pública

São os que a Administração, admitindo a conveniência para a coletividade


(não essencialidade nem necessidade), presta diretamente ou transfere a
prestação para terceiros (concessionários, permissionários ou autorizatários),
nas condições regulamentadas e sob seu controle. Exemplos: serviços de
transporte coletivo, energia elétrica, telefone.

2.3 Serviços impróprios do Estado

Não afetam substancialmente as necessidades da comunidade, mas


satisfazem interesses comuns de seus membros e, por isso, a Administração os
presta remuneradamente, por seus órgãos ou entidades descentralizadas
(autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações
governamentais), ou delega sua prestação a concessionários, permissionários
ou autorizatários. Exemplos: educação, saúde.

2.4 Administrativo – (Interno)

São os que a Administração executa para atender suas necessidades


internas ou preparar outros serviços que serão prestados ao público, tais como
os da imprensa oficial e das estações experimentais.

2.5 Serviços uti universi ou gerais

São os que a Administração presta sem ter usuários determinados, para


atender à coletividade como um todo, com o intuito de satisfazer
indiscriminadamente a população. Esses serviços são indivisíveis, isto é, não
mensuráveis na sua utilização. Exemplos: polícia, iluminação pública,
calçamento e outros dessa espécie.

5
2.6 Serviços uti singuli ou singulares

São os serviços de utilização individual, divisível, facultativa e


mensurável. Quando implantados, geram direito subjetivo à sua obtenção para
os administrados que se encontrem na área de sua prestação ou fornecimento
e satisfaçam as exigências regulamentares. Tais serviços podem ser
remunerados mediante a cobrança de taxas (regime legal) ou de tarifas (regime
contratual).
São exemplos os serviços de coleta domiciliar de lixo, de fornecimento
domiciliar de água encanada, de energia elétrica, os serviços telefônicos etc.

TEMA 3 – FORMAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS

Inicialmente, para entendermos o assunto em questão, é importante


recordarmos de dois imperativos da Administração, que são a descentralização
e a desconcentração.
• Descentralização é a distribuição de competências de uma para outra

pessoa, física ou jurídica. Há duas pessoas: a entidade central e a


descentralizada; a que outorga e a que é outorgada. O serviço transferido
ou sua simples execução está fora da Administração Pública – não há
hierarquia.
• Desconcentração é a distribuição de competências dentro da mesma

pessoa jurídica – dentro da Administração direta, entre os vários órgãos


despersonalizados, sem quebras de hierarquia.
Os serviços públicos cuja titularidade pertence à Administração Pública
podem ser prestados de duas formas diferentes: centralizada, quando executada
pela Administração direta do Estado, ou descentralizada ou indireta, quando será
repassada para terceiros, pessoas jurídicas integrantes da estrutura da
Administração indireta ou terceiros que com ela não se confundam, integrantes
da iniciativa privada, depois de cumpridos os requisitos exigidos pelo legislador.
Nesse sentido, quando realizada por terceiros que estão dentro da
estrutura da Administração, mas que não se confundem com a Administração
direta, surgem as figuras das autarquias, fundações, empresas públicas e
sociedades de economia mista e, mais recentemente, as agências reguladoras.

6
É oportuno registrar que essa descentralização na prestação de serviços
públicos pode ser feita sob duas modalidades: por outorga ou por delegação.

• Outorga. O Estado cria uma entidade e a ela transfere determinado


serviço público. Isso implicará a transferência da titularidade e da
execução dos serviços, o que só poderá ocorrer para pessoas
integrantes da Administração indireta que tenham pessoa jurídica de
direito público. Pressupõe, como regra, a edição de lei que institui uma
nova pessoa da Administração Pública indireta (entidade) ou autorize sua
criação. Essa sistemática traz a ideia de especialização dentro da
Administração Pública. É o que se verifica com as autarquias e
fundações públicas, e por meio de lei.
• Delegação. Importará transferência tão somente da execução dos
serviços para pessoas jurídicas de direito privado integrantes da
Administração indireta e para particulares, sendo suficiente um simples
contrato para viabilizá-la.

Quando a transferência da execução do serviço ocorre para terceiros, ou


seja, para particulares, surgem as figuras dos permissionários,
concessionários, autorizatários, parceiros privados nos termos da Lei n.
11.079/2004, e parceiros voluntários, nos termos da Lei n. 13.019/2014.

Concessão
Outorga
Contrato
Descentralização
Administrativa Permissão de
Serviço Público
Delegação

Ato Unilateral Autorização

Lembramos que com a transferência da exploração dos serviços públicos


à iniciativa privada operou-se uma “separação” entre operador e regulador,
passando-se a necessitar de uma forte regulação estatal para garantir que os
serviços prestados obedeçam aos princípios da universalidade da prestação e
da continuidade, bem como para assegurar a preservação dos bens vinculados
à atividade. Segundo Couto e Silva (2002, p. 73):

O Estado mantém, em todas as situações, a titularidade do serviço e


se apresenta sempre investido de amplo instrumental normativo e
sancionatório, indispensável às atividades regulatórias de competência

7
das agências que, como autarquias, integram a Administração Pública
[...]. De qualquer maneira, ainda que prestados em regime privado, e
situados em ambiente de competição e concorrência, mas num
mercado constantemente vigiado pelo Estado, os serviços por este
delegado a particulares mediante concessão, permissão e autorização,
continuam sendo, em quaisquer hipóteses, serviços públicos, devendo
ser assim considerados para todos os efeitos, inclusive, portanto, para
o da responsabilidade extracontratual de que trata o § 6o do art. 37 da
Constituição Federal.

Para melhor visualização da questão, o quadro apresenta as três formas


de execução de serviços públicos.

ADMINISTRAÇÃO — federal, estadual, municipal e distrital


DIRETA INDIRETA PARTICULARES
(ou centralizada) (ou descentralizada) por intermédio de
por intermédio por intermédio de pessoas que não
dos seus Órgãos pessoas jurídicas que integram a
integram a Administração Administração
(transfere apenas a
(transfere titularidade e execução do serviço,
execução do serviço) sempre precedida da
Ministérios LICITAÇÃO)
Autarquias
Secretarias
Fundações
Concessão
Sociedades de Economia
Mista Permissão
Empresas Públicas Autorização

TEMA 4 – CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

Longe de esgotarmos o assunto, a principal intenção de abordarmos esse


complexo tema aqui é trazer um panorama da instrumentalização do
funcionamento da máquina administrativa. Não entraremos nos meandros de
seu funcionamento porque, para isso, teríamos que fazer um estudo somente
para essa abordagem da licitação e dos contratos administrativos, não sendo
esse o escopo da atual discussão. Mas trataremos dos aspectos fundamentais
de sua formação e competências para, então, termos uma visão clara e
esquemática de sua orquestração dentro da Administração Pública.

8
4.1 Noções estruturantes

Contrato é a segunda etapa do processo de escolha da empresa que


prestará um serviço público, assim como a consequência de alguns atos
administrativos.
A licitação é o primeiro passo no processo de escolha da empresa com a
qual a Administração irá firmar um contrato, tanto que a Lei de Licitações e
Contratos Administrativos é a mesma, nos termos do art. 175 da Constituição.
“Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de
concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços
públicos” (Brasil, 1988, grifo nosso).
Na Lei n. 14.133/2021, as modalidades da tomada de preços e o convite
deixam de existir, ao mesmo tempo que se prevê, de forma inédita no direito
brasileiro, uma nova modalidade licitatória: o diálogo competitivo.
Além disso, a modalidade pregão, prevista na Lei n. 10.520/2002, passa
a ser disciplinada pela nova legislação, junto das demais modalidades. As
modalidades de licitação estão previstas no art. 28 da nova Lei de Licitações e
Contratos Administrativos. São elas: concorrência, concurso, leilão, pregão, e
diálogo competitivo. O conceito de cada uma delas está descrito no art. 6º da
referida lei.
A tabela a seguir apresenta as principais características de cada
modalidade de licitação.
Modalidade Conceito
Concorrência “modalidade de licitação para a contratação de bens e serviços
art. 6º, inciso especiais e de obras e serviços comuns e especiais de
XXXVIII engenharia, cujo critério de julgamento poderá ser:
a) menor preço;
b) melhor técnica ou conteúdo artístico;
c) técnica e preço;
d) maior retorno econômico;
e) maior desconto;” (Brasil, 2021)
Concurso “modalidade de licitação para escolha de trabalho técnico,
art. 6º, inciso científico ou artístico, cujo critério de julgamento será o de
XXXIX melhor técnica ou conteúdo artístico, e para concessão de
prêmio ou remuneração ao vencedor;” (Brasil, 2021)

9
Leilão “modalidade de licitação para alienação de bens imóveis ou de
art. 6º, inciso bens móveis inservíveis ou legalmente apreendidos a quem
XL oferecer o maior lance;” (Brasil, 2021)
Pregão “modalidade de licitação obrigatória para aquisição de bens e
art. 6º, inciso serviços comuns, cujo critério de julgamento poderá ser o de
XLI menor preço ou o de maior desconto;” (Brasil, 2021)
Diálogo “modalidade de licitação para contratação de obras, serviços e
competitivo compras em que a Administração realiza diálogos com
art. 6º, inciso licitantes previamente selecionados mediante critérios
XLII objetivos, com o intuito de desenvolver uma ou mais
alternativas capazes de atender às suas necessidades,
devendo os licitantes apresentar proposta final após o
encerramento dos diálogos;” (Brasil, 2021)
Segundo a nova legislação, a definição da modalidade de licitação deverá
ser feita apenas em razão das características de seu objeto, ou seja, daquilo que
será, não havendo mais restrições de valores.
Outra mudança importante com a nova Lei de Licitações e Contratos
Administrativos é que as licitações serão realizadas, preferencialmente, na forma
eletrônica, admitindo-se a forma presencial se justificada, devendo a sessão
pública ser obrigatoriamente registrada em ata e gravada em áudio e vídeo
quando presencial (art. 17, parágrafo 2º). As licitações presenciais viram
exceção e devem ser justificadas.
A Lei n. 14.133/2021) é composta de 194 artigos e trata exaustivamente
de:

• contratos administrativos;
• cláusulas exorbitantes;
• prazos;
• responsabilidade;
• alteração contratual;
• extinção do contrato;
• extinção do contrato – direito do contratado;
• formas de extinção;
• nulidades do contrato;
• infrações e sanções; e

10
• PNCP – Portal Nacional de Contratações Públicas.

É importante destacar que a Medida Provisória n. 1.167/2023 alterou a


referida lei para possibilitar à Administração optar por licitar ou contratar
diretamente de acordo com essa lei ou com a lei anterior (Lei n. 8.666/1993),
desde que a opção seja expressamente indicada no edital ou no ato autorizativo
da contratação direta e que estes ocorram até 29 de dezembro de 2023.
Isso implica dizer que a lei antiga (Lei n. 8.666/1993) ainda terá vigência
até final do ano de 2023. Mas, para que não pairem dúvidas quanto a isso, o
art. 193 expressamente revoga em 30 de dezembro de 2023 a Lei n. 8.666/1993,
a modalidade de pregão (Lei n. 10.520/2002) e algumas regras do Regime
Diferenciado de Contratações Públicas.

Principais mudanças previstas na Lei n. 14.133/2021

1. Novos princípios, como a segregação de funções e planejamento.


2. Regras de governança voltadas à atuação dos agentes públicos
envolvidos no processo, como medidas antinepotismo, obrigação de que
os agentes de contratação sejam servidores ou empregados dos quadros
permanentes da Administração Pública, emprego da gestão por
competências, entre outras.
3. Os tipos de licitação passam a ser chamados de critérios de julgamento,
com destaque para o critério do maior retorno econômico.
4. Inserção de mais critérios de sustentabilidade, com enfoque na dimensão
social (possibilidade da exigência, à contratada envolvida com o objeto da
licitação, de percentual mínimo de contratação de mulheres vítimas de
violência doméstica e/ou egressos do sistema prisional).
5. Preocupação em viabilizar as licitações internacionais, definidas como as
processadas em território nacional nas quais é admitida a participação de
licitantes estrangeiros, com a possibilidade de cotação de preços em
moeda estrangeira, ou licitação na qual o objeto contratual pode ou deve
ser executado no todo ou em parte em território estrangeiro (art. 6º, inciso
XXXV).
6. Mudanças nas regras de publicação e disponibilização de documentos do
processo.

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7. Incentivos para que o setor privado interessado em contratar com o Poder
Público desenvolva ou aprimore programas de integridade em sua
estrutura organizacional.
8. Previsão de cláusula contratual definidora de riscos e de
responsabilidades entre as partes e caracterizadora do equilíbrio
econômico-financeiro inicial do contrato, denominada matriz de riscos.
9. Alteração dos prazos de duração em vários tipos de contratos.

4.2 Conceito de contrato administrativo

O contrato administrativo é o ajuste de vontades realizado entre


particulares (pessoas físicas ou pessoas jurídicas, públicas ou privadas) e a
Administração Pública para a consecução de fins públicos, segundo o regime
jurídico de direito público, com cláusulas específicas exigidas pela Lei n.
14.133/2021.
Por isso, tais contratos recebem o nome de contratos típicos ou
verticais. É a Administração agindo como Poder Público! Desse modo, os
contratos administrativos surgem como ajustes de adesão, visto que particulares
não podem interferir de maneira alguma quando de sua elaboração. Eles estão
descritos no Título III da referida lei que já de início trata de sua formalização:
“Art. 89. Os contratos de que trata esta Lei regular-se-ão pelas suas cláusulas e
pelos preceitos de direito público, e a eles serão aplicados, supletivamente, os
princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado”
(Brasil, 2021.)
Lembramos que nem todo ato firmado pela Administração Pública é um
ato administrativo, assim como nem todo contrato firmado pela Administração
Pública é um contrato administrativo, pois toda vez que a Administração age
como se particular fosse, ela atua sem as prerrogativas de Poder Público em
contratos privados, ou semipúblicos, a exemplo de quando a Administração
contrata um seguro.
A expressão contratos da administração abrange todos os contratos
celebrados (gênero), em regime de direito público e de direito privado
predominantemente, em que há horizontalidade entre as partes. Já a
denominação contrato administrativo é reservada para os contratos de direito
público celebrados pela Administração (espécie) em que predominam as
chamadas cláusulas exorbitantes ou de privilégio, nas quais é conferida uma
12
série de prerrogativas à Administração em detrimento do contratado, tendo em
vista que o fim último desse tipo de contrato é o interesse público.
Em outras palavras, as cláusulas exorbitantes são benefícios que a
Administração possui sobre o particular e que se justificam na supremacia do
interesse público sobre o privado. São cláusulas que se referem a:

• alteração unilateral;
• rescisão unilateral;
• fiscalização;
• aplicação de sanções;
• ocupação provisória de bens, pessoal e serviços;
• exigências de garantias pela Administração; e
• restrições à oposição, pelo contratado, da exceção do contrato não
cumprido (quando a Administração pode exigir que o contratado cumpra
sua parte no contrato sem que ela própria tenha cumprido a dela).

4.3 Características do contrato administrativo

Independentemente de sua natureza, os contratos administrativos


apresentam uma série de características em comum, que devem ser observadas
no momento de contratação com o Poder Público. Listamos a seguir as principais
especificidades desses contratos.

• Observância de finalidade pública: em atenção aos vários princípios


indicados no art. 5º da Lei n. 14.133/2021, a contratação deve prezar pelo
benefício da coletividade e pela supremacia do interesse público, não
devendo privilegiar apenas interesses privados ou puramente econômicos
e respeitando a impessoalidade e a moralidade pública em todos os atos
decorrentes do contrato.
• Comutativo: são os contratos de prestações certas e determinadas. Têm
prestação e contraprestação já estabelecidas e equivalentes, exigindo-se
a cooperação e o alinhamento de atuação entre os contratantes em
respeito ao vínculo criado pela relação jurídica contratual.
• Oneroso: as prestações das partes têm valor e são identificadas
economicamente. Ambas as partes experimentam benefícios e deveres.
• Formal: exige condições específicas previstas em lei para sua validade.
Em regra, o contrato administrativo é celebrado na forma escrita,
13
conforme art. 90 da Lei n. 14.133/2021. No art. 92, incisos I a XIX, estão
estabelecidas as cláusulas necessárias em todos os contratos.
É possível o contrato verbal com a Administração para pequenas compras
ou serviços de pronto pagamento de valor não superior a R$ 10.000,00
(art. 95, parágrafo 2º): “É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com
a Administração, salvo o de pequenas compras ou prestação de serviços
de pronto pagamento, assim entendidas aquelas de valor não superior a
R$ 10.000,00 (dez mil reais).” (Brasil, 2021).
Para além da exigência básica de que sejam contratos escritos, deve-se
também observar as múltiplas disposições previstas em lei com relação
ao conteúdo contratual e medidas cabíveis em caso de inadimplemento.
• Precedidos pela licitação pública: os contratos administrativos são
precedidos pela licitação pública, procedimento de contratação no qual o
ente estatal elege a melhor opção entre a ampla concorrência. A exigência
da licitação é constitucionalmente prevista para as obras, serviços,
compras e alienações segundo o art. 37, inciso XXI.

TEMA 5 – ESPÉCIES DE CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

A nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos, em seu art. 6º, indica


as principais modalidades contratuais realizadas pela Administração.

5.1 Contrato de obra pública

Visa a execução indireta de obras cuja titularidade pertence ao Estado.


No inciso XII de seu art. 6º, a Lei de Licitações e Contratos Administrativos define
obra como:

toda atividade estabelecida, por força de lei, como privativa das


profissões de arquiteto e engenheiro que implica intervenção no meio
ambiente por meio de um conjunto harmônico de ações que,
agregadas, formam um todo que inova o espaço físico da natureza ou
acarreta alteração substancial das características originais de bem
imóvel; (Brasil, 2021)

Nesse sentido, abre-se a possibilidade para uma série de contratos de


empreitada que abrangem desde etapas parcelares do projeto e execução da
obra até a contratação integral e complexa de todos os atos e materiais
necessários para a plena realização da obra.

5.2 Contrato de prestação de serviço

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Consiste na contratação de particular para a realização de atividade
prestada em benefício da própria Administração. Essa modalidade contratual
pode ter por objeto:

• um serviço de natureza comum, isto é, que não necessita de especial


qualificação técnica do prestador; ou
• um serviço de natureza especial, marcado pela necessidade de
habilitação adequada de caráter técnico ou intelectual para seu exercício.

Nessa última categoria estão compreendidos os serviços indicados pelo


inciso XVIII do art. 6º da Lei n. 14.133/2021, entre os quais estão a realização de
estudos técnicos, pareceres ou perícias e a restauração de obras de arte ou de
bens de valor histórico. Para os serviços de natureza especial, tem-se como
inexigível a licitação prévia, na forma do art. 74, inciso III da referida lei.

5.3 Contrato de fornecimento

Consiste no acordo em que a Administração adquire bens móveis ou


semoventes (que possuem movimento próprio, assim como animais selvagens
e domésticos como bovinos, equinos, suínos etc.) indispensáveis para a
execução de determinada obra ou serviço. Embora pareça tratar-se de contrato
de compra e venda, o contrato de fornecimento se diferencia por ser destinado
a fornecimento contínuo, parcelado ou futuro, de bens. Encontra previsão
expressa no inciso XV do art. 6º da nova lei, sendo de grande importância na
execução cotidiana de serviços públicos.

5.4 Contrato de gestão

É o acordo firmado entre a Administração Pública, por intermédio de suas


agências executivas, com certos entes privados, como organizações sociais.
Tem por objetivo a fixação de metas de desempenho com o intuito de aprimorar
a eficiência da atuação desses entes. No parágrafo 8º do art. 37 da Constituição
encontra-se a previsão que o distingue dos demais contratos administrativos.

§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e


entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada
mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder
público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para
o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: [...] (Brasil, 1988)

A principal diferença é que o contrato de gestão tem caráter


predominantemente associativo, isto é, sem interesses contrapostos. É

15
diferenciado também por ser realizado, na maior parte das vezes, entre dois ou
mais órgãos ou entidades integrantes da própria Administração Pública. A
participação de particulares nesse tipo contratual é, desse modo, reduzida.

5.5 Contratos de concessão

Os contratos de concessão são aqueles em que o Poder Público transfere


ao particular a competência para execução de determinado serviço de interesse
público para a coletividade, ou mesmo a concessão e o uso de determinado bem
ou de realização de obra pública.
Trata-se de uma contratação complexa, com longa duração e
investimentos vultosos. A concessão de serviços pode ser realizada de duas
formas:

• concessão simples, regulada pela Lei n. 8.987/1995; ou


• concessão especial, na modalidade de parceria público-privada (PPP),
regulada pela Lei n. 11.079/2004.

A distinção das modalidades está no fato de que, na concessão simples,


a remuneração do concessionário ocorre pelo pagamento de tarifas pelos
usuários do serviço. É o que acontece, por exemplo, em rodovias pedagiadas
sob concessão.
Já nas PPPs, a remuneração do concessionário se dá por
contraprestação direta do Poder Público, seja integralmente (concessão
administrativa), seja parcialmente, cumulada com o pagamento de tarifas pelos
usuários (concessão patrocinada).

5.6 Contrato de alienação

O contrato de alienação é precedido por licitação na modalidade de leilão


e terá por objeto bens públicos móveis ou imóveis de natureza dominical ou
mesmo bens inservíveis ou apreendidos.
Pode consistir em compra e venda, doação ou mesmo permuta. É
possível realizá-lo por meio de contratação direta, isto é, sem prévia licitação,
nos casos previstos nos incisos I e II do art. 76 da Lei n. 14.133/2021, devendo-
se atentar para o tipo contratual empregado e o objeto da alienação.

NA PRÁTICA

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Você já ouviu falar em contratação pública sustentável? As contratações
públicas são instrumentos para a implementação de políticas públicas e devem
ser planejadas e executadas observando-se o princípio do desenvolvimento
nacional sustentável ao longo de todo o ciclo da contratação.
Toda ação do Estado deve ter por base o princípio do desenvolvimento
nacional sustentável, o que implica o melhor aproveitamento de recursos, o
desenvolvimento de logísticas eficientes e o planejamento de ações que
agreguem benefícios sistêmicos à população e ao meio ambiente, inter-
relacionando as esferas econômicas, sociais, culturais e ambientais,
independentemente do nível de abrangência ou da complexidade da ação.
O Decreto n. 10.531/2020 instituiu a Estratégia Federal de
Desenvolvimento para o Brasil no período de 2020 a 2031 (EFD 2020-2031),
organizando diretrizes e metas em cinco eixos principais: econômico,
institucional, infraestrutura, ambiental e social.
Utilizando-se de três cenários possíveis para a evolução da economia
brasileira, a EFD 2020-2031 pretende catalisar todas as dimensões do
desenvolvimento sustentável, concebido como caminho para a prosperidade.
A diretriz principal de suas ações e metas, válida para todos os eixos, é a
elevação da renda e da qualidade de vida da população brasileira, com redução
das desigualdades sociais e regionais, seguida por cinco diretrizes específicas,
uma para cada eixo, com forte inter-relação, transversalidade e potencial
sinérgico entre elas.
Para saber mais, acesse o site: <[Link]
br/agente-publico/logistica-publica-sustentavel/sustentabilidade-nas-
contratacoes-publicas> (acesso em: 23 ago. 2023).

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ECONÔMICO
alcançar o desenvolvimento
econômico sustentado com
geração de empregos, ganho de
produtividade e recuperação do
equilíbrio fiscal

INSTITUCIONAL
- aprimorar a governança, com
SOCIAL foco a entrega efetiva de
promover a igualdade de serviços ao cidadão e na
oportunidades e acesso a melhora do ambiente de
serviços públicos de qualidade negócios, garantindo soberania
DIRETRIZ PRINCIPAL e promovendo interesses
elevar a qualidade nacionais
de vida da
população brasileira
com redução das
desigualdades
sociais e regionais

AMBIENTAL
promover a conservação e uso
sustentável dos recursos INFRAESTRUTURA-
naturais como um dos aspectos desenvolver a infraestrutura
fundamentais da qualidade de com ganho de competitividade,
vida das pessoas, conciliando assegurando a sustentabilidade
preservação ambietal, com ambiental
desenvolvimento econômico e
social

FINALIZANDO

Esta etapa é o ponto nevrálgico do direito administrativo porque


representa a exteriorização e a materialização da ação administrativa. Os
contratos administrativos são o principal mecanismo utilizado para garantir a
cooperação entre a Administração Pública e pessoas ou entidades privadas
Contudo, apesar da presença massiva desse instituto na implementação e no
exercício das atividades do Estado, os contratos administrativos ainda são um
tema muito nebuloso e distante para a maior parte da população e para os
profissionais do Direito. Os contratos administrativos são guiados pela
persecução do interesse público, ao passo que as relações particulares são
marcadas pela autonomia privada. Diante do mandamento da supremacia do
interesse público sobre o interesse particular, a dinâmica contratual é
radicalmente modificada.
Certamente há muito ainda a se compreender sobre o assunto, como no
que diz respeito a validade, penalidade, reajuste, repactuação, entre outras
questões. No entanto, ao compreender os aspectos fundamentais sobre o
contrato administrativo e todo o procedimento que o envolve, certamente você
terá condições de desenvolver o estudo.

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REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição (1988). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988.

_______. Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993. Diário Oficial da União, Poder


Legislativo, Brasília, DF, 22 jun. 1993.

_______. Lei n. 8.987, de 13 de fevereiro de 1995. Diário Oficial da União,


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_______. Lei n. 10.520/2002, de 17 de julho de 2002. Diário Oficial da União,


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_______. Lei n. 13.019/2014, de 31 de julho de 2014. Diário Oficial da União,


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Legislativo, Brasília, DF, 1º abr. 2021.

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CARVALHO, M. Manual de direito administrativo. 3. ed. Salvador: Juspodvim,


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19
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públicas por particulares: serviço público “à brasileira”? Revista de Direito
Administrativo, Rio de Janeiro, n. 230, p. 45-74, 2002.

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Common questions

Com tecnologia de IA

A Lei n. 14.133/2021 integra a sustentabilidade ao processo de contratação pública ao exigir que as ações do Estado sejam baseadas no princípio do desenvolvimento nacional sustentável. O Decreto n. 10.531/2020, que estabelece a Estratégia Federal de Desenvolvimento para o Brasil, também orienta as contratações públicas para que promovam o desenvolvimento econômico, social, e ambiental, assegurando que os recursos sejam utilizados eficientemente e que as contratações agreguem benefícios sistêmicos para a população e o meio ambiente .

A descentralização administrativa permite que a execução dos serviços públicos no Brasil seja realizada tanto pela administração direta quanto pela indireta. Enquanto a administração direta acontece por meio de órgãos internos do governo federal, estadual, municipal e distrital, a administração indireta é feita por pessoas jurídicas, como autarquias, fundações, sociedades de economia mista, e empresas públicas. Essa descentralização transfere a titularidade e execução dos serviços, o que pode melhorar a eficácia e eficiência do serviço público mediante a redução de burocracia e promoção de especialização .

Contratos administrativos se diferenciam das relações particulares pelo foco na supremacia do interesse público sobre o particular. Enquanto contratos particulares são regidos pela autonomia privada, nos administrativos, a dinâmica contratual é moldada pelas necessidades do interesse público. Estes contratos são mecanismos essenciais para cooperação entre Administração Pública e atores privados, sendo essencial para a implementação de políticas e serviços públicos de forma eficiente. A lei enfatiza essa supremacia para garantir que os contratos sirvam ao bem-estar social amplo .

A Estratégia Federal de Desenvolvimento para o Brasil 2020-2031 estabelece diretrizes em cinco eixos: econômico, institucional, infraestrutura, ambiental e social, cada um apoiado pela elevação da qualidade de vida e redução das desigualdades. As contratações públicas são influenciadas por estas diretrizes, pois devem refletir o desenvolvimento sustentável, com geração de empregos, governança aprimorada, infraestrutura competitiva, conservação de recursos naturais, e igualdade de oportunidades, assegurando assim que as políticas públicas contribuam para objetivos estruturais mais amplos .

O contrato de gestão é um acordo entre a Administração Pública e entes privados, visando estabelecer metas de desempenho para melhorar a eficiência dos serviços. Difere dos outros contratos administrativos por sua natureza associativa, onde não há interesses contrapostos, e geralmente é realizado entre órgãos ou entidades dentro da Administração. São menos comuns as participações de particulares, e esses contratos focam na ampliação da autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos públicos .

A Lei n. 14.133/2021 estabelece diretrizes para o regime jurídico dos serviços públicos, introduzindo uma nova modalidade de licitação no direito brasileiro: o diálogo competitivo. Diferentemente das leis anteriores, como a Lei n. 8.666/1993, esta nova legislação exclui as modalidades de tomada de preços e convite. Ela amplia as modalidades para concorrência, concurso, leilão, pregão, e o diálogo competitivo. Essa mudança reflete uma tentativa de modernizar o processo licitatório e é um esforço para atender melhor às necessidades específicas de contextos complexos, enquanto mantém o foco na eficiência e transparência .

A contratação pública sustentável refere-se à incorporação do princípio de desenvolvimento sustentável em contratações do Estado, o que significa planejar e executar ações que otimizem recursos, promovam logísticas eficientes, e beneficiem a sociedade e o meio ambiente. Esta abordagem inter-relaciona as esferas econômica, social, cultural e ambiental, conforme previsto no Decreto n. 10.531/2020, que organiza diretrizes do desenvolvimento do Brasil entre 2020 e 2031. A sustentabilidade guia não apenas a execução de políticas públicas, mas também a orientação de todas as ações administrativas .

A Lei de Licitações e Contratos Administrativos define diversas modalidades de contrato no art. 6º, cobrindo contratos de obra pública, prestação de serviços, fornecimento, gestão, concessão, e alienação. Para Serviços de Natureza Especial, que demandam qualificação técnica, a lei prevê a inexigibilidade da licitação prévia, conforme art. 74, inciso III. Tais serviços incluem estudos técnicos e restauração de obras de arte, necessitando adequação técnica específica, diferenciando-se dos serviços de natureza comum .

Os contratos de concessão são acordos onde o Poder Público transfere a execução de serviços de interesse público a particulares. Na concessão simples, regulada pela Lei n. 8.987/1995, o concessionário é remunerado através de tarifas pagas pelos usuários. Na modalidade de parceria público-privada (PPP), regulamentada pela Lei n. 11.079/2004, a remuneração do concessionário pode ocorrer mediante contraprestação pelo Poder Público, seja integralmente como na concessão administrativa, ou parcialmente, em conjunto com tarifas, como na concessão patrocinada. As PPPs abrangem contratos complexos e de longa duração, envolvendo investimentos significativos, enquanto concessões simples são essencialmente tarifárias .

A titularidade dos serviços públicos é atribuída à Administração Pública, que é dividida entre as esferas federal, estadual, municipal e distrital, de acordo com o artigo 175 da Constituição Federal de 1988. O Poder Público pode decidir executar os serviços diretamente, ou delegar a execução para particulares através de concessão ou permissão, mas sempre precedida de processo licitatório. Essa estrutura visa garantir a eficiência e manutenção da fiscalização dos serviços prestados .

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