UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE UNICENTRO -
Setor de Ciências Humanas, Letras.
Unidade Universitária de Irati
Curso Letras Português
Emanueli Nós
DOSSIÊ LITERATURA INFANTIL
IRATI,
2017
EMANUELI NÓS
DOSSIÊ LITERATURA INFANTIL
Trabalho de Literatura Infantil
apresentado na disciplina
Literatura Infantil e Juvenil,
para a professora Regina
Chicoski.
IRATI,
2017
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
Entre tantas formas de entretenimento que permeiam a vida de nossas
crianças, o livro tenta competir com a televisão e internet, e na maioria das vezes sai
perdendo, surgindo uma parte fundamental de ser trabalhada, o incentivo ao gosto
pela literatura.
O desenvolvimento de atividades atrativas e formas diferenciadas de trabalhar
a literatura infantil proporcionam a formação de um futuro bom leitor. As histórias são
um caminho para o imaginário, onde realidade e fantasia se misturam.
Contar uma história para uma criança não é uma tarefa fácil, pois tem que ser
um pouquinho artista, direcionando a imaginação da criança, encarnando os
personagens e vivendo cada enredo.
Para trabalhar literatura infantil, temos que primeiramente conhecer o que
nossas crianças mais gostam, conhecer seus heróis, brincadeiras e preferências, para
que saibamos qual história e qual maneira de contá-la vai atrair mais.
Para conseguir transmitir bem a história e principalmente atrair é necessário
que o contador em primeiro lugar goste de literatura, estude o enredo e depois se
divirta contando a história.
Este Dossiê, têm como objetivo reunir diversos e diferenciados recursos para
tornar o momento da contação de histórias mais atrativo e prazeroso para as
crianças.
PROPOSTAS METODOLÓGICAS PARA O ENSINO DE LITERATURA INFANTIL
O urso do final do arco íris
Inserindo a Literatura para os bebês
Rodas de Histórias: As histórias são envolvidas em um ambiente de
imaginação, paixão dos adultos e dos ouvintes. Mais que contar histórias, a proposta
é fazer o Berçário mergulhar nelas, seja em rodas, com fantoches, com projeção. O
ambiente respira a história. Esta é desdobrada em outras ações, é relida segundo a
vontade das crianças. O livro para os bebês é um objeto, literalmente, “de disputa”;
todos gostam de “ler” histórias, vê-las e ouvi-las.
Biblioteca circulante: Os bebês escolhem um livro para levar para casa na
sexta e devolve na segunda-feira. Contar com os pais para introduzir as primeiras
ações de leitura com bebês é fundamental para a formação de leitores, uma vez que
o vínculo afetivo que se estabelece entre o bebê e o grupo familiar, que pode incluir,
além dos pais, os adultos próximos da criança, é importante em intervenções
precoces de leitura. Incentivar o adulto responsável para que converse com o
pequenino é o primeiro passo quando se quer desenvolver comportamentos de
leitura; o segundo é mostrar-lhe a importância da literatura; o terceiro passo é levar o
adulto de seu convívio familiar a contar histórias para seu bebê. 9
Sala de leitura: neste ano, 2012, ganhamos um espaço para sala de leitura
onde podemos contar ler histórias e um lugar especial, proporcionando ainda mais
encanto aos bebês que tem acesso ao acervo e manuseio de livros. Momentos na
sala de leitura com o grupo foi possível observar os cuidados com os livros e o folhear
parecido com nosso, retorno de aprendizagem de acordo com os desafios propostos
aos bebês. • Painéis de histórias: A partir dessas práticas, ampliamos nossas ações,
objetivando garantir maior significado para nossos momentos de histórias para
confecções de painéis a partir das leituras e contação de histórias como: “Pé do Igor”
e “Meninas Negras”. Ações enriquecedoras dos momentos significativos de contatos
com os livros, suas magias, palavras bem impregnadas, suas histórias. Interessante
vê-los apreciar os painéis, reconhecer suas produções, comunicar, a sua maneira,
que sabem o significado de tal exposição.
Várias Histórias...
Contação de Histórias através de fantoches, tapete de histórias, dedoches,
materiais recicláveis, aventais, etc.
Histórias: Era uma vez um gato xadrez, Maria vai com as outras, Branca de
Neve e os Sete Anões, Menina Bonita do Laço de Fita, Lenda da Cuca, Reino das
Borboletas Brancas, Os músicos de Bren;
Miniprojeto- Contação de Histórias na Educação Infantil
Sabemos que nem sempre “contar histórias infantis” nas creches e escolas de
ensino fundamental é uma prática estimulada e valorizada, entretanto muitos
educadores ainda valorizam a contação de história, essa técnica e nada mais do que
muito importante para a construção do imaginário da criança, além, de exercer
também muitos outros estímulos importantes para a criança, por isso futuros
professores podem revalorizar a contação de histórias, mostrando que isso é muito
importante no desenvolvimento da criança. Com essa atividade, ela usa a sua
imaginação, ou seja, cria seu próprio mundo, o “das fantasias”. O professor pode
alcançar muitos objetivos por meio dela, pois ler histórias para criança é uma
atividade prazerosa, com a qual poderá fazê-la expressar suas próprias percepções
de mundo. É preciso tornar as crianças familiarizadas com os livros, orientando-as
quanto ao manuseio e à sua conservação, já que com as histórias elas aprendem
brincando a respeitar regras, se divertirem, seja através da imitação, socialização,
interação ou dificuldade a ser superada.
A leitura dever ser cultivada desde a primeira infância. É muito importante
quando a mãe conta histórias para o seu filho ainda bebê, pois mesmo sem interagir
ou entender, este vai se sentindo confortável e concentrado, até o momento ao qual
passa a ter entendimento do contexto criando prazer e admiração pelas histórias.
Mesmo antes de aprender a ler, as crianças devem ser colocadas em contato
com a literatura. Ao ver um adulto lendo, ao ouvir uma história contada por ele, ao
observar as rimas (num poema ou numa música), os pequenos começam a se
interessar pelo mundo das palavras. É o primeiro passo para se tornarem leitores
Literários, percurso que vai se estender até o fim do Ensino Fundamental.
Ao contar uma história ele deve assumir uma postura toda especial, um tom
de voz bem adequado suave e convidativo, nem alto nem baixo demais se
transformando assim em um intermédio que transborde alegria fazendo com que os
personagens criem vida, para que as crianças percebam isso e sejam atraídas pela
leitura. Em seguida, organizar um espaço apropriado e confortável, onde todos se
sintam à vontade. Para isso, pode-se utilizar além do livro, fantoche, filme, peças de
teatro produzidas pelas próprias crianças, músicas, revistas e álbum seriado, o que a
criatividade permitir, desde que seja bem planejado e ensaiado.
Ideias de avental de histórias
O avental de histórias é um excelente recurso para ser utilizado no
momento de contação de histórias para as crianças.
Modelos de caixas cenário para contação de histórias
Com o objetivo de provocar a curiosidade nas crianças, e
consequentemente, o gosto e o hábito pela leitura, as caixas cenário são uma
excelente ferramenta. Pois, ao contar uma história, o contador tem de criar o
clima, dar as pausas constantes para o imaginário da criança.
Contando histórias com Caixa de fósforo
Livrinho: a caixinha pode ser usada como uma “capa” de um minilivro,
para fazer o livrinho segue as mesmas regras acima. Papeis cortados um
pouco menor que a caixa, para que possam caber e usar a criatividade para
recriar uma história ou inventar uma nova!
Dedoches: Tirar a parte interna da caixa, cobrir a parte externa com papel
decorado. Cortar um rosto com E.V.A e os cabelos podem ser de algodão,
feltro etc. Só a partir de 6 meses pode brincar com os dedoches, por se tratar
de um material sujo o ideal e não deixar a criança colocar os dedos, ou se
colocar, sempre lavar as mãos em seguida.
Caixa dos “Três Porquinhos”
Durante a narração de uma história você pode utilizar diversas técnicas
ou recursos como suporte. O educador deve estar buscando sempre novidades
para que possa aperfeiçoar seu trabalho de forma a instigar a curiosidade na
criança. Principalmente no que diz respeito a contação de histórias, pois ela
desempenha papel fundamental na vida da criança, pela riqueza de
motivações, sugestões e de recursos que oferece ao seu
desenvolvimento. Este é o caminho não apenas para sua descoberta, mas
também um dos meios mais completos para o enriquecimento e
desenvolvimento de sua personalidade.
Dinâmicas para criação
1- Caixa de história
Objetivo: criar uma história, dando o início, meio e fim a essa história;
mostrar que a comunicação pode ser algo divertido e fácil.
Material: objetos diversos colocados em uma caixa.
Desenvolvimento: sentados em roda, a caixa vai passando de mão em
mão e cada pessoa escolhe um objeto e relata o uso desse objeto dentro da
história, dando assim uma continuidade à história.
2- Cumbuca de história
Objetivo: O Objetivo desta dinâmica é fazer com que os alunos criem
uma história criativa e sem sentido, mostrando que a comunicação pode ser
algo divertido e fácil.
Material: Cumbuca, papeis em tiras, objetos diversos postos em uma
sacola.
Desenvolvimento: O instrutor deve sair da sala com o pretexto de ir
buscar uma grande celebridade local que adora contar histórias em grupo. Sair
e vestir-se com roupas coloridas ou um chapéu com óculos que caracterize um
personagem. Entrar na sala novamente carregando a cumbuca com as tiras de
papel e a sacola com os objetos. Os alunos deverão escrever no papel uma
palavra qualquer e colocá-los dobrados na cumbuca vazia. Após todos terem
preenchido o papel, o facilitador começa retirando um papel de dentro da
cumbuca e, a partir daí, desenvolve a história com a palavra que saiu no papel.
A cumbuca vai passando, e a história tem que ser continuada a medida que os
papeis vão sendo retirados. A critério do facilitador, ele pode introduzir “o
pacote maluco” onde os objetos que forem retirados também deverão ser
acrescentados na história. Tempo estimado para a atividade: 40 minutos.
Caixa de poesia “As borboletas”
A poesia lida com a ludicidade das palavras. Às vezes musical, às vezes
engraçada, às vezes se movem pela página. Os versos curtos são mais
aconselháveis para a criança, pois facilitam a sintonia com a criança, a
observação e o sentimento do ritmo.
As Borboletas (Vinicius de Moraes)
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas. Borboletas brancas
São alegres e francas. Borboletas azuis.
Gostam muito de luz. As amarelinhas
São tão bonitinhas! E as pretas, então…
Oh, que escuridão!
Caixa de história Chapeuzinho Vermelho
No momento da contação da história, o contador cria uma conexão, um
elo entre o texto e o ouvinte, desta forma, entende-se que para contar uma
história o educador precisa planejar a atividade desde a escolha do repertório,
a preparação do ambiente, como observar o ritmo e entonação da voz, entre
outros cuidados, para promover, de fato, um momento de interesse,
aprendizagem e prazer. Para contar as histórias pode-se valer da forma mais
tradicional utilizando apenas o recurso da voz e a expressão corporal, pois as
crianças adoram e faz com que desenvolvam a imaginação, como também
pode-se usar alguns recursos visuais criativos para enriquecer ainda mais o
momento da contação. E uma das técnicas bastante interessante é o uso de
cenários.
Essa caixa cenário foi confeccionado em EVA.
Contação de Histórias com Fantoches
A manipulação dos bonecos
O teatro de bonecos ou o uso dos bonecos (fantoches) contribui para o
desenvolvimento da criança em diversos aspectos. Por meio da manipulação
dos bonecos, principalmente as crianças mais tímidas, é possível desenvolver
a socialização. A criança se projeta na vida do boneco, ela vivencia como se
fosse aquele personagem, deixando de lado a sua timidez, relaxando suas
tensões emocionais, levando a criança a integrar-se se ao seu ambiente e dos
colegas.
Os bonecos também favorecem o poder da imaginação e enquanto são
manipulados a criança é capaz de viver aquele personagem por alguns
momentos. Ela imagina a voz, um jeito diferente de andar, ela cria fatos, recria
historias e situações para vivenciar com o boneco.
Quando se utiliza um boneco para contar uma história é normal acontecer
alguns erros durante a manipulação, como esquecer o boneco de boca aberta,
não movimentar o boneco adequadamente, não direcionar o olhar do boneco
para o ouvinte. Esses erros são muito comuns no início. O professor de sala de
aula não precisa se tornar um profissional na manipulação dos bonecos,
precisa apenas tomar alguns cuidados simples e fáceis como:
Trabalhar com diálogos simples e objetivos;
Dar características específicas para cada personagem, uma voz
diferente, formas de andar, de correr. Trabalhar as emoções com o
boneco;
Durante a manipulação, a cabeça do boneco deve ser mantida
levemente para frente de forma que os olhos do boneco fiquem
direcionados aos ouvintes;
Ao falar, o movimento da boca do boneco deve coincidir com o diálogo.
Ao falar vogal, abrir a boca do boneco;
Terminar o diálogo com a boca fechada;
Cuidado para não colocar muitos bonecos em cena, pois isso dificulta a
manipulação;
Praticar movimentos básicos de sim e não, principalmente quando tiver
dois bonecos.
Contando histórias: o livro como recurso
CONTANDO HISTÓRIAS SEM O LIVRO
Narrar uma história significa a capacidade de traduzir oralmente as
imagens contidas no texto, isto é, dar formas às palavras contidas em um livro.
É necessário saber fazer o uso do corpo, da voz e do olhar. Nesse tipo de
contação a linguagem utilizada pelo contador fica mais solta e mais flexível,
conta-se a história com as próprias palavras.
É importante que o professor conheça bem a história que vai contar para
que seja feita uma boa adaptação oral, pois nesse tipo de contação a imagem
é o elemento de encantamento, quando se conta uma história sem o livro, a
criança cria a sua própria imagem, isto é, as cenas não estão prontas e cada
criança vai criar sua imagem de acordo com sua vivência e de acordo com a
forma como a narração está sendo feita.
Sem o livro, o contador pode narrar a história com uma variedade maior
de entonações e com isso a criança assimila um bom modelo de expressão
oral. Não é necessário que ele decore a história, mas que faça uma leitura
prévia antes da contação e que identifique a mensagem implícita na história.
Na narrativa segundo Coelho (2006), a sucessão dos episódios e as ações dos
personagens da história devem ser apresentados em uma sequencia bem
ordenada e por isso há a necessidade de se conhecer bem a história antes da
narração.
CONTANDO HISTÓRIAS COM O LIVRO
A mesma história pode ser contada para a criança mais de uma vez, isto
é, se já foi contada com a utilização de recursos como fantoches ou
dramatização ela também pode ser contada com a utilização do livro. O livro
segue normas da língua escrita e a criança precisa ir se apropriando dessas
normas.
A utilização do livro também é importante principalmente para crianças
que estão em fase de alfabetização. O professor enquanto faz a leitura pode ir
apontando no livro a frase que está lendo e dessa forma, a criança percebe
que a palavra escrita tem significados. As gravuras contidas nos livros são de
fundamental importância para as crianças que estão aprendendo a ler, pois a
criança que se encontra nessa fase faz uma leitura silábica, isto é, uma leitura
demorada e geralmente quando chega ao final da frase ela não entendeu ou
não interpretou o que leu. As gravuras podem auxiliar as crianças na
organização do pensamento. Elas fazem uma correspondência do texto lido
com a gravura.
As gravuras favorecem, sobretudo, as crianças pequenas permitem que
elas observem detalhes e contribuem para a organização de seu pensamento.
Isso lhes facilitará mais tarde a identificação da idéia central, fatos principais,
fatos secundários, etc. (COELHO, 2006, p. 39)
A leitura de um bom livro além de proporcionar um momento de
comunicação agradável com o adulto, na medida em que o adulto lê um livro
com entusiasmo, ele estimula na criança o interesse pela leitura e proporciona
também um bom modelo de leitor. Segundo Costa (2007, p. 102) “é preciso
lembrar que mais importante do que todas as atividades é o exemplo do
professor, que estabelece uma imagem e uma atitude a serem observadas e
seguidas”.
O USO DA VOZ
Nada é mais entediante do que uma leitura monótona. A voz é a
ferramenta principal do contador de histórias, é a voz que dramatiza e dá
emoção à história. Portando, durante uma contação a voz não deve ser
utilizada da mesma forma como em uma conversa coloquial e segundo Dohme
(2000) alguns cuidados devem ser observados:
Dicção: é a pronuncia correta das palavras, para que haja um bom
entendimento das frases;
Volume: de acordo com o tamanho da sala, observar se há ruídos
externos;
Velocidade: deve variar de acordo com a necessidade da expressão e
emoção utilizada, isto é, saber utilizar as pausas para causar suspense
e curiosidade;
Tonalidade: saber utilizar diferentes tonalidades como mais graves
(grosso) ou mais agudas (fino) para diferentes personagens na história;
Vocabulário: deve ser adequado à faixa etária.
É importante que o contador saiba utilizar as diversas possibilidades da voz,
“[…] saiba dar as pausas, criar os intervalos, respeitar o tempo para o
imaginário de cada criança construir seu cenário” (ABRAMOVICH, 2005, p. 21).
Sabendo fazer o uso da voz para os diferentes personagens da história, uma
voz mais grossa para o lobo, a famosa risada da bruxa, falar rapidinho como o
coelho de Alice, o contador transmite emoção e admiração.
Roda de histórias
Uma sugestão bem bacana para a hora do conto, porque envolve as
crianças, é esta do [Link], de criar uma roda de histórias. Com as
crianças vocês fazem a roda e colocam em cada divisão uma situação ou
personagem que vai servir como ponto de partida para a história. O que eu
amo nisto é ver o desenho que as próprias crianças fizeram como inspiração.
No post original, em inglês, tem um passo a passo detalhado.
Saia Literária
Uma ideia muito boa, para a hora do conto que encontrei pela internet…
Saia Literária! O objetivo principal é encantar as crianças e levá-las ao
maravilhoso “Mundo da Fantasia”. Fonte: [Link]
Confeccionada com 16 metros de circunferência e 2 metros de
comprimento em cores vibrantes que chamam a atenção de todas as crianças.
Pelas fotos acredito que foi confeccionada em TNT.
Contém oito bolsos onde são distribuídos os livros com histórias do tema
escolhido, para que as crianças possam escolher o título a ser lido.
Tapete de histórias
Sabe aquela esteira de praia velha? Então… você pode transformá-la
num lindo tapete de contar histórias!
O professor/contador de histórias
O PROFESSOR/CONTADOR DE HISTORIAS, AS TÉCNICAS E OS
RECURSOS UTILIZADOS NAS CONTAÇÕES
Aspectos devem ser considerados para o sucesso da contação de
histórias em sala de aula. Como espaço físico adequado, expressões e gestos
utilizados pelo professor/contador, de forma a imitar os personagens; o
ambiente deve ser harmonioso e aconchegante, sem distrações externas, com
crianças agrupadas, a preparação de um baú ou prateleiras com livros infantis,
um tapete de feltro colorido com recortes dos personagens das histórias, um
avental com velcro onde os personagens possam ser fixados, fantoches ou
dedoches, os fantoches de vara, de mão e de dedo são excelentes recursos
para contar histórias aos pequenos, alem disso são estimuladores da
imaginação e da linguagem, facilitando a concretização das fantasias e a
expressão dos sentimentos.
Os bonecos atraem as crianças proporcionando o prazer de dar vida e
voz a eles; graças ao fantoche pode-se superar a timidez que dificulta a
comunicação e podem ser expressos sentimentos. O teatro de fantoches
ensina a criança a prestar atenção no mundo sonoro, é um excelente recurso
didático onde os professores podem abordar assuntos do conteúdo
programáticos, focalizando o interesse para o assunto proposto, enriquecendo
a aula. Neste contexto também a musica, tem o poder de alterar o
comportamento incentivando a realização das atividades com prazer, diversas
são as musicas infantis que podem ser trabalhadas nas diferentes modalidades
e estratégias educacionais. A educação ganha força ao aliar-se a expressão
oral, expressão plástica e as emoções.
Para a escritora de literatura infantil e juvenil, pedagoga, atriz e contadora
de histórias profissional Fanny Abramovich os cuidados e preparos do
professor/contador de historias se referem a:
1. Saber escolher o que vai contar, levando em consideração o público e
com qual objetivo;
2. Conhecer detalhadamente a história que contará;
3. Preparar o início e fim no momento da contação e narrá-la no ritmo e
tempo que cada narrativa exige;
4. Evitar descrições imensas e com muitos detalhes, favorecendo o
imaginário da criança;
5. Mostrar à criança que o que ouviu está ilustrado no livro, trazendo-a
para o contato com o objeto do livro e, por consequência, o ato de ler;
6. E por último, saber usar as possibilidades da voz variando a intensidade,
a velocidade, criando ruídos e dando pausas para propiciar o espaço
imaginativo.
A postura corporal do professor/contador sobre o contar sentado ou em pé
são escolhas que advêm das características inerentes ao conto e do jeito de
ser e funcionar naturalmente o educador. O importante é ter uma postura
corporal ereta e equilibrada, com musculatura relaxada, permitindo flexibilidade
e expressividade corporal, possibilitando uma linguagem do corpo harmoniosa
e, por conseguinte, possibilidades de sintonia com a história a ser narrada. Um
corpo flexível favorece a utilização de gestos com leveza e naturalidade.
Cléo Busatto, porém aponta para a facilidade que o contar em pé permite,
no sentido de permitir a criação de imagens corporais; além disso, chama a
atenção para a ligação entre o professor/contador e as crianças através do
contato visual, olho no olho. No contato olho a olho, a manutenção do interesse
no que se está dizendo acontece e, ao mesmo tempo, envolve o ouvinte e o
valoriza, fazendo deste, parte da narração. O olhar projetado para a criança,
além de acontecer enquanto se fala prendendo sua atenção, também pode
preencher um silêncio, levando a criança a ter expectativa e interesse para o
que será dito logo em seguida, deixando espaço para a imaginação agir.
É interessante levar as crianças a participarem da contação, essa energia
infantil deve ser direcionada e aproveitada no contexto da história, ficando os
alunos incumbidos de fazer o toque de uma campanhia ou outra onomatopéia
qualquer, esses recursos interativos convidam a criança a ser uma ouvinte
ativa e não passiva.
No momento da narração da história o professor/contador de historias
necessita de uma diversidade de material (contos maravilhosos, fabulas,
lendas, mitos, poesias, adivinhas e livros de imagens) adequado a sua faixa
etária. Antes de iniciar uma fábula, declamar uma poesia, pedir licença para
atender uma ligação imaginaria de um personagem folclórico, enfim transitar
pelos gêneros proporciona dinamismo e empolgação na hora da narração,
prende a atenção dos alunos e leva-os a conhecerem novos gêneros textuais.
Os contos tradicionais, como os contos de fadas – com linguagem
simbólica, auxiliam a criança nos seus momentos de angustia e insegurança
emocional, trazendo conforto e restaurando a confiança a partir da resolução
com um final feliz. A literatura educa através dos contos e historietas
moralizantes tradicionais que ainda são encontradas em livros didáticos e
alguns livros de crianças, mesmo que às vezes disfarçados.
Os contos modernos são narrativas originais criadas por autores
contemporâneos que trazem uma renovação do universo maravilhoso,
abordam o cotidiano das crianças, desde as situações mais comuns até temas
sociais, existenciais, éticos, religiosos de nossa época e com os quais estes
estão em contato.
O livro de imagens é outro recurso da contação de histórias, sendo que
este nos traz histórias narradas por meio de imagens não utilizando o texto
verbal, uma forma de literatura infantil pouco explorada. As imagens são
narrativas com conteúdos de descrição e ação ao contrario das ilustrações
decorativas dos livros infantis, com muitos detalhes da história, entre uma
imagem e outra, que devem ser imaginados pelo leitor ou contador, com
passagem de tempo e mudanças espaciais importantes destacando-se o
gestual das personagens e tudo que for indicador de ação e movimento para
que a história possa ser bem compreendida. Um trabalho com crianças
apontando ou levando-as a descobrir esses elementos que fazem progredir a
ação ou que explicam espaço, tempo, aspectos dos personagens, etc.;
conduzirá a leitura da imagem, ao mesmo tempo em que desenvolve a
capacidade de observação, analise comparação, classificação, levantamento
de hipótese, síntese e raciocínio.
Ler a história antes de contá-la as crianças é um cuidado do contador
para averiguar do que trata se é engraçada, triste, séria e qual a entonação que
usará.
Segundo Busatto (2003) narrar não é um ato simples e banal, é uma arte que
requer preparo do educador. A contação de histórias tem como protagonista
principal a palavra – em que o ouvir leva ao imaginar e o narrar deve encantar.
Segundo Abramovich (1991) contar histórias é o uso simples e harmônico da
voz. A expressão, a entonação bem usada repassando sentimentos e a clareza
no dizer são técnicas fundamentais ao professor/contador.
Importante também é uma pré-leitura pelo professor, indicando as crianças o
que esperar da história, ou que prestem à atenção em algo especifica, numa
pósleitura depois da contação, é interessante perguntar ao grupo o que
acharam dos personagens, que descrevam o lugar onde a história acontece ou
se gostaram do final. Pergunta mais especifica desenvolvem a atenção a
detalhes e a capacidade de relembrá-los, questões abertas sobre a história são
boas para a discussão em sala e ajudam a criança a aprender a relacionar
suas experiências particulares e de outras pessoas.
É preciso que o professor tenha uma formação literária básica capaz de
analisar os livros infantis selecionando o que pode interessar as crianças e
decidindo sobre elementos que sejam úteis para a ampliação do seu
conhecimento, como recomenda o Referencial Curricular Nacional para a
Educação Infantil Vol.3 “a intenção de fazer com que as crianças, desde cedo,
apreciem o momento de sentar para ouvir histórias exige que o professor,
como leitor, preocupe-se em lê-la com interesse, criando um ambiente
agradável e convidativo à escuta atenta, mobilizando a expectativa das
crianças, permitindo que elas olhem o texto e as ilustrações enquanto a história
é lida.” (p.143).
O horário adequado é aquele onde as crianças estão relaxadas, para
pensar sobre a história que viram ou escutaram mostrar o livro a criança e
deixar que esta o manuseie é importante para a interação com o objeto, antes
do recreio ou almoço ou ao final do dia são os melhores momentos para a
contação. Quando ao espaço físico, sugere ambientes fechados, que evitem a
dispersão, como a sala de aula, o bom é criar um ambiente de aconchego e a
proximidade mantendo as crianças próximas em círculo.
O ideal é trabalhar com a contação de histórias desde a educação
infantil. Respeitando o estágio de desenvolvimento em que as crianças se
encontram. Antes de completarem 03 anos as crianças vivem num mundo
muito concreto, suas brincadeiras são relacionadas ao real, gostam de histórias
que falam de limpar a casa, ir nadar, dirigir um carro, fazer um bolo ou passear
no parque, isso porque ainda estão sendo apresentadas a essas coisas do
mundo, gostam de reconhecer e rever no livro o que já conhecem, mas a partir
dos 03 e 04 anos começam a viver no mundo da imaginação, onde uma
atividade vividamente imaginada é como se fosse real. Uma narração de conto
com apoio visual – desenhos, encenação com brinquedos e bonecos ou com
muitos gestos expressivos – prendem muito mais atenção desta faixa etária do
que se fosse apenas contada.
Educere ET Educare -Revista de Educação
Livro com tampas de pote de sorvete
Criatividade é tudo… apaixonante!
Livro confeccionado com tampas de pote de sorvete.
5 brincadeiras que tornam a hora da leitura mais estimulante
Ótimas dicas do site Tempojunto sobre como a leitura pode fazer parte
do desenvolvimento das crianças. São 5 brincadeiras que tornam a hora da
leitura mais estimulante.
1. Prepare um ambiente
Quando você já conhece a história que irá ler fica mais fácil pensar num
ambiente que ajude a criar o clima do livro. Um lençol ou tecidos, uma luz mais
fraquinha ou uma música e até efeitos sonoros (chuva, mar) de fundo podem
ajudar.
[Link] um personagem para contar a história
Dê voz ao ursinho de pelúcia ou ao boneco preferido e faça com que ele
leia para as crianças. É incrível como esta pequena mudança de foco dá nova
vida a uma história contada muitas vezes. Além disso, a presença do
personagem desperta por si só a imaginação dos seus filhos.
3. Traga um livro inusitado
Vale à pena de quando em vez ir à livraria ou à biblioteca e levar para
casa um livro que seja fora do que vocês estão habituados. Pode ser um livro
sem palavras, ou outro sem figuras (recentemente, eu li para meus filhos O
Livro Sem Figuras. Achei incrível e as crianças riram o tempo todo). Pode ser
um conto oriental, que tem outro tipo de narrativa ou uma poesia. O inusitado
faz o momento da leitura ser aguardado pelas crianças.
4. Cante Músicas
Muitas fábulas têm músicas consagradas. Os três porquinhos (Quem
tem medo do Lobo Mau), Branca de Neve (Eu vou, eu vou, pra casa agora eu
vou), Saltimbancos, Chapeuzinho Vermelho (Pela Estrada Afora), entre outras.
Usá-las ao contar uma história ajuda a envolver a criançada.
5. Envolva
Faça perguntas no meio da leitura para que as crianças adivinhem o que
virá em seguida. Peça que elas contribuam, fazendo sons referentes ao que
está acontecendo. Em casa funciona sempre. Meus filhos amam fazer barulho
de chuva, de batida na porta ou o uivo do lobo. As crianças adoram brincar pois
numa brincadeira elas são os personagens principais desta ação. Quando elas
se envolvem na história, participando da leitura ativamente, os livros viram uma
gostosa brincadeira!
O teatro de sombras
O teatro de sombras é uma arte muito antiga de contar histórias e de
entretenimento que usa bonecos de sombra para criar imagens mantidas entre
uma fonte de luz e uma tela translúcida ou tecido. As imagens produzidas pelos
bonecos podem ter diversas cores e outros tipos de detalhes.
É uma atividade muito divertida que estimula a criatividade da criança. Para
realizar o teatro de sombras é necessário ter como material: uma fonte
luminosa, uma tela (ou um lençol bem esticado) e silhuetas para serem
projetadas.
Teatro com Caixa de papelão e papel manteiga ou papel de seda
Personagens confeccionados em cartolina preta
Teatro com lençol
Histórias com os dedos
Desenhar pode ser divertido, e este livro prova isso na prática. A criança
descobre que em suas mãos estão formas, cores, diversão, imagens simples e
complexas. Seus dedos transformam-se em instrumento de brinquedo, de
desenho, em criatividade. Do jeito que duas impressões digitais nunca são
iguais, nenhum desenho feito com os dedos será igual a outro. As impressões
serão mais claras ou escuras, as linhas serão mais grossas ou finas, as cores
serão diferentes. Este livro traz desenhos divertidos e coloridos, ótimos para a
criança brincar em casa ou praticar na escola.
Varal de história
A linda história da florzinha contada utilizando a técnica do varal. É bastante
simples!!! Prepare um varal com onze pregadores. Abra uma roda e com as
cartelas em mãos vá contando a história mostrando as figuras para as
crianças. Em seguida, pendure as cartelas no varal uma a uma. Essa história é
excelente para crianças com até 3 anos de idade, pois possui imagens
interessantes.
Molde para impressão:
Dicas para montar o Canto da Leitura
O contato com os livros abre um leque de possibilidades, convivência,
toque, linguagem oral, percepção tátil, observação de semelhanças e
diferenças de acordo com as gravuras, conhecimento de mundo, pois as
histórias trarão para elas experiências diferentes daquelas que vivem ou
conhecem. Sem contar que o desenvolvimento da linguagem oral estará
presente todo o tempo, pois a criança desejará partilhar com o colega o livro
que gostou, mesmo que seja através de balbucios, ela irá apontar gravuras, e
quando o adulto responsável estiver lendo deve demonstrar emoções,
sentimentos, ler vivenciando. Portanto é importante montar um “Canto da
Leitura” em sala de aula, é importante organizar um espaço onde as crianças
possam ver, tocar e sentir os livros. Sem falar nos livros de tecido, livros de
texturas, que podem desenvolver percepção tátil e proporcionar experiências
sensoriais novas.
O Canto de Leitura tem como objetivos:
– Criar nos alunos o hábito da leitura por meio do contato com histórias infantis;
–Mostrar para a criança a importância de saber ler e suas utilidades no dia-dia;
–Possibilitar um ambiente prazeroso para a leitura;
– Proporcionar pela socialização produções de textos orais junto aos colegas.
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Avental e Luva da história “João e Maria”
Os Irmãos Grimm, Jacob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859),
escreveram este conto a partir de antigas versões narradas oralmente. Mesmo
partindo de um conto tradicional, eles são os autores do texto, no sentido que
foram eles a lhe dar uma forma literária. Uma história como a de João e
Maria retoma uma larga tradição de contos populares que vinham sendo
transmitidos não se sabe desde que exato momento histórico.
Luva
Palitoches
Avental
Molde da Bruxa
Mala viajante: da escola para casa…
A Mala Viajante é um projeto que tem como objetivo mostrar a
importância da “Hora do Conto” para a formação dos futuros leitores,
acreditando ser a “contação de histórias” uma forma de incentivo para o
desenvolvimento integral da criança. É muito importante que a família participe
e reconheça a importância da literatura infantil e incentive a formação do hábito
da leitura. A Sacola Viajante é enviada para casa com a criança onde a família
fica responsável por contar a história de forma criativa para a criança.
CONCLUSÃO
Considerando a importância de estimular o gosto pela literatura desde a
primeira infância, foram elencados neste trabalho, algumas sugestões de como
facilitar esse processo de descobrir no livro, muito mais que uma história, mas um
mundo encantado repleto de fantasias e sabores.
É papel essencial do adulto, sejam os profissionais da educação ou a família,
promover o contato das crianças com o livro e histórias desde pequenas, pois assim
crescerão adultos leitores.
REFERÊNCIAS
[Link]
[Link] acesso em: 18 de junho de 2017.
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[Link] acesso em: 18 de junho de 2017.
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[Link] acesso em: 18 de junho de 2017.
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acesso em: 18 de junho de 2017
Dohme, Vania D’Angelo/ Técnicas de contar histórias 1: um guia para
desenvolver as suas habilidades e obter sucesso na apresentação de uma história/
Vania D’ Angelo Dohme, 3. Ed.- Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.