Humanismo (XV)
Eras Literárias
• PORTUGAL BRASIL
• Era Medieval
Era Colonial (Clássica)
• Trovadorismo (séc. XII ao XIV)
• Humanismo (séc. XV e início do Escritos de Formação* (séc. XVI)
XVI) (Quinhentismo*)
Escritos de Informação* (séc. XVI)
• Era CLássica Barroco (séc. XVII)
• Classicismo (séc. XVI) Neoclassicismo-Arcadismo (séc. XVIII)
• Barroco (séc. XVII)
Era Nacional (Romântica)
• Neoclassicismo-Arcadismo (séc.
XVIII) Romantismo (séc. XIX - 1ª metade)
Realismo/Naturalismo/Parnasianismo/
• Era Moderna (Romântica) Simbolismo (séc. XIX - 2ª metade)
• Romantismo (séc. XIX - 1ª Pré-Modernismo* (início do séc. XX)
metade)
• Realismo/Naturalismo/Parnasianis Modernismo (séc. XX)
mo/ - 1ª Geração (1922 - 1930)
• Simbolismo (séc. XIX - 2ª metade) - 2ª Geração (1930 - 1945)
• Modernismo (séc. XX)
- 3ª Geração (1945 - ?)
HUMANISMO
Humanismo é o período intermediário entre o mundo medieval
e o mundo clássico e inaugura um período que a história
chamou de Renascimento. Neste período o homem passou a
ser o centro dos pensamentos (antropocentrismo), em
substituição ao teocentrismo.
Surgimento da Burguesia, uma nova classe social voltada para o
comércio e decadência do Feudalismo.
Transição do Feudalismo para o Capitalismo.
Outro fato que contribuiu para as mudanças ocorridas durante
a transição do Trovadorismo para o Humanismo foi a
generalização do uso do papel em toda a Europa o que
favoreceu, juntamente com a imprensa, a difusão dos
manuscritos. Isso tudo acabou por determinar a supremacia da
escrita sobre a oralidade, que anteriormente fora muito
difundida.
Humanismo
Crescimento Ser humano Tradução e Harmonização
da burguesia como divulgação das culturas
e das preocupação de textos pagãs e
cidades. central. clássicos. cristãs.
O Homem Vitruviano
- Conceito presente na obra De Architectura, do arquiteto romano
Marco Vitruvio Polião.
- Desenho de Leonardo da Vinci, 1490: representação gráfica mais
difundida das descrições de Vitruvio.
- Expõe proporções do corpo humano consideradas perfeitas e ideais,
inserindo o conceito clássico e divino de beleza.
- Aqui, representando os estudos humanísticos.
Período de Transição:
Trovadorismo Classicismo
XIV XVI
Teocentrismo Medieval
Humanismo
Antropocentrismo Clássico
XV
Movimento intelectual de valorização do homem e de suas potencialidades,
por meio do conhecimento e estudo da cultura greco-romana.
Contexto:
- Fim da Idade Média, início da Idade Moderna;
- a Igreja tem seu poder dividido com a burguesia e com a nobreza
- renascimento comercial e urbano -> ascensão da burguesia;
- avanços científicos-tecnológicos (Galileu e a teoria heliocêntrica, Paracelso
e as drogas medicinais);
- A invenção da imprensa por Johannes Gutemberg;
- criação da primeira biblioteca
pública (Cosimo de Médici);
- gradual intelectualização da
Europa;
- O pensamento torna-se mais
lógico;
- homem no centro das preocupações, priorização dos valores
humanos sobre os religiosos;
-resgate do latim clássico;
-valorização dos estudos clássicos e da razão;
- separação entre música e poesia.
- Os centros urbanos facilitam a circulação de conhecimento e a
Igreja perde o monopólio cultural.
- Predomínio do escrito sobre o oral, desenvolvimento da prosa
literária e consolidação da língua portuguesa.
Grandes Humanistas
FRANCESCO PETRARCA
-Considerado o “pai do humanismo”
- Propõe um estilo de educação que
recupere o valor espiritual dos escritores clássicos.
-Amada: Laura
- Canzioniere
-Análise minuciosa dos próprios sentimentos.
DANTE ALIGHIERI
Divina
-Estudou os clássicos latinos e dedicou-se à filosofia.
-Amada: Beatriz
-Obra prima: Divina Comédia
- Busca pela excelência moral e espiritual do
homem.
GIOVANNI BOCCACCIO
- Também foi um grande conhecedor da Literatura latina
- Iniciou a prosa italiana com suas novelas.
- Obra prima: Decameron
- Grande inventividade, linguagem rica e expressiva.
- Percorre toda a gama de sentimentos humanos
ERASMUS DE ROTTERDAM
-Construiu uma carreira teológica a partir da qual percebeu as
contradições e o pensamento obsoleto da Igreja Católica.
-Acreditava que a razão deveria ser de utilidade ao homem, e não o
contrário.
-Obra prima: Elogio da loucura.
-Observação da natureza humana e de suas
fraquezas, de modo a nos adaptarmos racionalmente
a ela.
Humanismo: crônicas
Fernão Lopes (aproximadamente 1380-1460)
Responsável pelos arquivos do Estado português.
Visão bastante moderna da história.
Interesse pelo lado humano dos fatos e pela importância dos
movimentos populares e das
forças econômicas na história.
- Obras: Crônica de el-rei D, João
Crônica de el-rei D. Fernando
Crônica de el-rei D. Pedro*
Humanismo: poesia
Cancioneiro geral
Coletânea de poemas publicada em 1516.
Predomina o lirismo Prevalecem a O paralelismo
amoroso, mais sutil redondilha dá lugar ao
que o das cantigas menor e a maior. vilancete.
trovadorescas.
O teatro medieval
Religioso Profano
Mistérios e Moralidades Farsas
milagres Peças de claro Peças satíricas
Tratavam da vida simbolismo moral, que divertiam o
de Cristo, de em que os público.
passagens da personagens
Bíblia ou da vida pecadores sofriam
de santos. terríveis punições.
Gil Vicente (1465-1537)
- Iniciou sua atividade teatral em 1502;
- Foi colaborador do Cancioneiro Geral;
Visão extremamente crítica da
sociedade da época.
Teatro de fundo moralista, vê na
restauração da pureza da religião
Gil Vicente
católica o único caminho de salvação.
e o teatro
em Portugal
Expressa uma visão teocêntrica numa
época de crise dos valores medievais.
Principais peças: Farsa de Inês Pereira,
O velho da horta, Auto da barca do
inferno e Auto da alma.
O teatro vicentino
- É popular em sua origem, linguagem e personagens.
- É satírico, na medida em que critica a sociedade medieval por
meio da comédia para corrigir o povo (Ridendo Castigat Mores).
- É rudimentar, visto que Gil Vicente valoriza apenas a ação,
negligenciando o tempo e o espaço (cenário improvisado).
Personagens:
- Típicas (fidalgo, sapateiro..) -> estereótipos sem densidade
psicológica
- Alegóricas: elementos universais (anjo, demônio)
Peças:
- Narrativas (enredo linear, história) Ex: O velho da Horta
- Alegóricas (cenas justapostas) Ex: O auto da barca do Inferno.
Auto da barca do Inferno
Roteiro de leitura: preparativos
Anjo e demônio – contraditórios
1. Diabo
2. Fidalgo (D. Anrique) e Anjo
3. Onzeneiro
4. Bobo
5. Sapateiro - Joanantão
6. Frade Babriel
7. Brísida Vaz
8. Judeu
9. Corregedor, Procurador e Enforcado
10. Cavaleiros
Auto da barca do Inferno
Personagens tipo: São aquelas que agem e falam,
não como seres individualizados, mas como
generalizações, esteriótipos, que representam
uma classe social ou uma categoria profissional
(tipo social ); ou, ainda, um conjunto de pessoas
identificadas por um traço psíquico comum (tipo
psicológico)
tipo social – fidalgo, frade, juiz, sapateiro etc.;
tipo psicológico – o velho apaixonado, a mulher
malcasada, a“moiçola casadoira”.
Auto da barca do Inferno
Alegoria – metáfora alongada; falar a para dizer
b, ou seja, afirma uma coisa nas palavras e
sugere outra no significado.
Personagens alegóricas: são personificações de
ideias ou instituições, ou seja, de coisas
abstratas. Por meio delas, o
dramaturgo/poeta/autor reveste de corpo e
alma deuses, anjos, diabos, virtudes, a Igreja,
um país, as estações do ano etc.
Auto da barca do Inferno
Arte gótica – falta-lhe unidade de ação (clímax) =
falta de perspectiva na pintura
Não segue a Lei das Três Unidades do teatro clássico
(ação, tempo e lugar), preconizada por Aristóteles.
Enfatiza o tema da morte – revela a influência das
famosas Danças Macabras (Literatura da Idade
Média)
Peça de ação fragmentária – não havia enredo ,
quadros mais ou menos independentes, ordem
aleatória.
Personagens do
teatro vicentino
O autor deu o nome de Todo o Mundo e Ninguém às suas personagens principais
desta cena. Pretendeu com isso fazer humor, caracterizando o rico mercador, cheio
de ganância, vaidade, petulância, como se ele representasse a maioria das pessoas
na terra (todo o mundo). E atribuindo ao pobre, virtuoso, modesto, o nome de
Ninguém, para demonstrar que praticamente ninguém é assim no mundo.
Ninguém: Que andas tu aí buscando?
Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:elas não posso achar, porém ando
porfiando (teimando )por quão bom é porfiar.
Ninguém: Como hás nome,
Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo e meu tempo todo inteiro sempre é
buscar dinheiro e sempre nisto me fundo (baseio).
Ninguém: Eu hei nome Ninguém, e busco a consciência.
Belzebu: Esta é boa experiência: Dinato, escreve isto bem.
Dinato: Que escreverei, companheiro?
Belzebu: Que ninguém busca consciência e todo o mundo dinheiro.
Ninguém: E agora que buscas lá?
Todo o Mundo: Busco honra muito grande.
Ninguém: E eu virtude, que Deus mande que tope com ela já.
Belzebu: Outra adição nos acude (ocorre. ):escreve logo aí, a fundo,
que busca honra todo o mundo e ninguém busca virtude.
Ninguém: Buscas outro mor (maior) bem ...
Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fizesse.
Ninguém: E eu quem me repreendesse em cada cousa que errasse.
Belzebu: Escreve mais.
Dinato: Que tens sabido?
Belzebu: Que quer em extremo grado todo o mundo ser louvado, e ninguém ser
repreendido.
Ninguém: Buscas mais, amigo meu?
Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.
Ninguém: A vida não sei que é, a morte conheço eu.
Belzebu: Escreve lá outra sorte.
Dinato: Que sorte?
Belzebu: Muito garrida (engraçada ):Todo o mundo busca a vida e ninguém conhece a
morte.
Todo o Mundo: E mais... queria o paraíso, sem mo ninguém estorvar.
Ninguém: E eu ponho-me (proponho) a pagar quanto devo para isso.
Belzebu: Escreve com muito aviso.
Dinato: Que escreverei?
Belzebu: Escreve que todo o mundo quer paraíso e ninguém paga o que deve.
Todo o Mundo: Folgo (gosto) muito d'enganar, e mentir nasceu
comigo.
Ninguém: Eu sempre verdade digo sem nunca me desviar.
Belzebu: Ora escreve lá, compadre, não sejas tu preguiçoso.
Dinato: Quê?
Belzebu: Que todo o mundo é mentiroso, E ninguém diz a verdade.
Ninguém: Que mais buscas?
Todo o Mundo: Lisonjear.(elogiar).
Ninguém: Eu sou todo desengano.
Belzebu: Escreve, ande lá, mano.
Dinato: Que me mandas assentar?
Belzebu: Põe aí mui declarado, não te fique no tinteiro: Todo o
mundo é lisonjeiro, e ninguém desenganado.
Bibliografia:
História Ilustrada das Grandes Literaturas – Literatura
Portuguesa 1º volume, Antônio José Saraiva.
Manual de Pesquisa – Filosofia e Literatura, Eberth Santos
e Josana Moura