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Mudanças Geológicas e Teorias Evolutivas

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TERRA UM PLANETA EM MUDANÇA

PINCÍPIOS DO RACIOCÍNIO BIOLOGICO

A morfologia terrestre está em constante mudança que se deve à ação de agentes modeladores.

Estes agentes modeladores podem ser de dois tipos:

➢ Agentes que atuam de forma contínua provocando lentas transformações (ventos, rios,
glaciares, movimentos tectónicos, etc.)

➢ Agentes que atuam de forma esporádica que provocam rápidas e violentas transformações
(vulcões, tornados, sismos, etc.)

As alterações que a Terra experimentou refletiram-se na distribuição e no tipo de formas que


habitaram a Terra.

Para explicar o aparecimento de determinadas formações geológicas, a distribuição das espécies


ou a sua maior ou menor diversidade surgiram três grandes correntes de pensamento:

A – Catastrofismo (Cuvier)
Foi aceite até meados do século XVIII e era influenciada por uma corrente de pensamento que
admitia a intervenção divina para explicar a ocorrência de muitos dos acontecimentos geológicos.
Esta teoria defende que as grandes alterações ocorridas na Terra eram provocadas por grandes
catástrofes com violência extrema (sismos, vulcanismo ou inundações) que eram rápidas, violentas,
pontuais, dirigidas e sem ciclicidade.
Assim, a extinção dos dinossauros foi atribuída a um vulcanismo intenso ou à queda de um
meteorito no Golfo do México que teriam provocado profundas alterações climáticas e que teriam sido a
causa da extinção.
O aparecimento de rochas sedimentares com fósseis marinhos a elevadas altitudes era explicado
pela existência de dilúvios ou grandes inundações.

B – Uniformitarismo James Hutton (século XVIII)


James Hutton, considerado o pai da geologia, contemporâneo de Cuvier, propôs o
uniformitarismo.
Defendeu que a história geológica é longa e que inclui processos lentos, como a erosão, transporte e a
sedimentação.
Considerava também que os processos geológicos atualmente observados são idênticos aos fenómenos do
passado pelo que alterações na superfície terrestre que ocorreram na antiguidade podem ser explicadas
pelos agentes modeladores que actualmente existem.–
“O presente é a chave do passado”.

Tendo por base os trabalhos de Hutton, Charles Lyell enunciou então os três princípios do raciocínio
geológico uniformitarismo.
• As leis da natureza são constantes no espaço e no tempo.
• Os processos geológicos verificados na atualidade terão as mesmas causas e consequências dos
que ocorreram no passado – princípio do atualismo ou princípio das causas atuais.
• As alterações geológicas ocorrem de forma lenta e gradual – princípio do gradualismo.
• As mudanças são cíclicas

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No início, esta teoria teve muitas dificuldades em se impor pois, naquela altura, a idade que se
admitia para a Terra, apoiada nos relatos bíblicos, era extremamente curta, o que tornava de difícil
aceitação que as transformações ocorridas na Terra pudessem ter acontecido de uma forma gradual, lenta
e uniforme.

C – Neocatastrofismo
Esta teoria defende que os pressupostos do uniformitarismo permitem entender os processos
terrestres, mas não exclui que fenómenos catastróficos ocasionais tenham também contribuído para
eventuais alterações na superfície terrestre.

Na realidade, a maioria dos fenómenos geológicos só conseguem ser explicados à luz do


uniformitarismo, contudo há evidências que demonstram que os catastrofistas tinham razão.

Atualmente, a observação diz-nos que os processos violentos – catastrofismo, permite-nos


explicar alguns acontecimentos geológicos e os processos tranquilos – gradualismo, são a base da
explicação de outros fenómenos igualmente geológicos

A MEDIDA DO TEMPO GEOLÓGICO E A IDADE DA TERRA

Saber a idade da Terra ou das rochas, ou saber os factos mais importantes da história humana ou
os acontecimentos que mais marcaram as principais etapas da história do nosso planeta sempre foram os
objetivos pretendidos pelo Homem.

James Ussher (arcebispo irlandês, 1664) afirmava que a Terra tinha sido criada às 9 horas da
manhã em 26 de Outubro de 4004 a.C..

Lord Kevin baseado em cálculos de dissipação do calor da Terra admitiu que a Terra tinha 100
M.a e mais tarde em 1897 admitiu que apenas tinha 24 M.a.

O melhor modelo para conhecera as etapas ou a idade da Terra consiste em recorrer às rochas
sedimentares, em particular às que contêm fósseis.
Ao estudar estas rochas estamos a recuar no tempo e a deduzir as condições ambientais, tanto
físicas como químicas, que terão estado na sua origem, bem como conhecer a fauna e flora então
existentes O objetivo do estudo é reconstruir os paleoambientes.

O que é um fóssil?

São restos materiais ou moldes de antigos organismos, ou, ainda, vestígios da sua atividade,
que ficaram mais ou menos bem conservados nas rochas, pois não sofreram a ação de predadores,
decompositores ou dos agentes atmosféricos.

O que nos permite o estudo dos fósseis?

O estudo dos fósseis permite:


• Estabelecer a idade relativa das rochas
• Reconstruir ou determinar os paleoambientes (ambientes antigos)
• Reconstruir a história evolutiva da vida ou do ambiente geológico do local

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Condições favoráveis ao aparecimento de fósseis

As características do meio ambiente


➢ Os ambientes em que há abundância de alimentos, com boas condições de segurança e defesa são,
em geral, superpovoados aumentando a probabilidade dos organismos fossilizarem. Quando existe
um grande número de predadores e necrófagos os organismos são consumidos como alimento de
outros seres vivos.
O rápido enterramento após a morte do organismo possibilita o isolamento dos cadáveres e restos
de seres vivos da erosão atmosférica
➢ Os cadáveres ou restos de seres vivos têm de ficar rapidamente isolados dos agentes erosivos, do
seu poder oxidante e microbiano que rapidamente os decompõem, inclusive as partes duras
mineralizadas.
A presença de esqueleto interno ou externo mineralizado resistente
➢ Os organismos que possuem esqueleto interno ou externo, resistente, de natureza mineral, têm
mais hipóteses de fossilizar do que os organismos de corpo mole.
A geoquímica do meio (ambientes anaeróbios )
➢ O meio oxidante (presença de oxigénio) promove a decomposição e não facilita a fossilização, ao
contrário do meio redutor ou anaeróbio (ausência de oxigénio) que propícia a conservação,
inclusive das partes moles dos organismos.
A natureza dos sedimentos envolventes (soterramento com sedimentos finos e abundantes)
➢ Se os sedimentos que envolvem e cobrem os cadáveres e restos de organismos são finos, como as
argilas e os siltes, a fossilização é melhor sucedida. Nos sedimentos grosseiros, como as areias e
os conglomerados, as águas de circulação destroem e decompõem a matéria orgânica.
➢ A abundância de sedimentos finos por efeito de carga contribui para a expulsão da água -
compactação
O clima
➢ Nos climas tropicais quentes e húmidos a decomposição dos organismos dá-se de forma
extremamente rápida, pelo contrário nos climas frios dá-se a preservação dos organismos, uma vez
que a baixa temperatura inibe a acção de agentes bacterianos.

Que fósseis permitem datar as formações rochosas?

Só os fósseis de idade ou estratigráficos - correspondentes a fósseis de seres vivos que viveram


durante um curto e bem delimitado intervalo de tempo geológico (pequena distribuição estratigráfica) e
tiveram uma grande distribuição geográfica é que são importantes para datar os estratos.
Como exemplo de fósseis de idade temos os trilobites que viveram durante o Paleozóico (570-500
M.a.) e os amonites que se extinguiram durante o mesozóico (250-65 M.a.).
Quando se encontram estes fósseis em rochas podemos datar as rochas com essa idade, afirmado
que estas se formaram nesse período.
Se os fósseis são encontrados em rochas separadas geograficamente podemos inferir que elas se
formaram ao mesmo tempo e que por isso têm a mesma idade.

Para além destes fósseis existe um outro grupo de fósseis – fósseis de fácies ou fósseis de
ambiente que permitem reconstituir os ambientes em que, no passado, se geraram as rochas que os
contêm. Normalmente são fósseis de organismos que sobrevivem em condições climáticas muito restritas
(exemplo, corais, turritelas, etc.) que apresentam uma pequena distribuição geográfica

FÓSSEIS DE IDADE FÓSSEIS DE FÁCIES


Indicadores da idade dos estratos Indicadores dos paleoambientes
Grande distribuição geográfica Pequena distribuição geográfica
Pequena distribuição estratigráfica Grande distribuição estratigráfica
Ex: Trilobites (Paleozóico) Amonites (Mesozóico) Ex: Fósseis de corais

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Atualmente existem métodos mais exatos para determinar a idade da Terra.

Quais são esses métodos?

➢ Método da datação relativa


➢ Método da datação radiométrica
A - Método da datação relativa
A datação relativa das rochas corresponde à determinação da ordem cronológica de uma sequência
de acontecimentos, ou seja, estabelece a ordem pela qual as formações geológicas se constituíram no
lugar onde se encontram.
Permite avaliar a idade de uma formação geológica relativamente a outras numa sequência
estratigráfica.
Este método utiliza como critérios a:
➢ Presença nas rochas de fósseis de idade
➢ Posição relativa das formações rochosas (Princípios estratigráficos)

Posição relativa das formações rochosas (Princípios estratigráficos)

1 - PRINCÍPIO DA HORIZONTALIDADE ORIGINAL

Foi enunciado por Nicolau Steno (século XVII) e afirma que as formações sedimentares são
depositadas originalmente na posição horizontal. A acumulação de sedimentos ocorre na maioria das
vezes numa disposição planar ou muito próxima da horizontalidade.
Como consequência desta observação pode deduzir-se que sempre que as camadas não se
encontrem horizontais, isto deve-se em princípio à atuação de movimentos tectónicos posteriores à
formação das camadas que as bascularam ou dobraram.

2 - PRINCÍPIO DA SOBREPOSIÇÃO
De acordo com o princípio da sobreposição, também elaborado por
Steno, numa série de estratos na sua posição original (não deformados),
qualquer estrato é mais recente do que os estratos que estão abaixo dele e mais
antigo do que os estratos que a ele se sobrepõem. Desta forma, numa sequência
estratigráfica não deformada, a idade das rochas diminui da base para o
topo.

Sempre que ocorre uma variação brusca na natureza do sedimento, uma


pausa na sedimentação ou uma alteração nas condições físico-químicas do meio,
individualiza-se um novo estrato. A espessura dos estratos é muito variável. Os estratos finos, ao
contrário dos espessos, revelam grande instabilidade no meio de sedimentação.

3 - PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE LATERAL

Em algumas situações, as camadas sedimentares


podem ter grande desenvolvimento em extensão lateral,
sobretudo em águas profundas. Se em duas sequências
estratigráficas distanciadas se verifica que as rochas que se
querem datar estão intercaladas em camadas que se
reconhecem como idênticas, então pode estabelecer-se uma

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correlação entre as rochas intercaladas, mesmo que, de um afloramento para o outro, a natureza da rocha
varie.
ou seja, um estrato delimitado pelo mesmo teto
e muro e com semelhantes propriedades
litológicas possui a mesma idade em toda a sua
extensão lateral.
Independentemente de ao longo de uma
camada poderem ocorrer variações litológicas e
paleontológicas decorrentes de mudanças mais
ou menos significativas do ambiente em que se
processou a sedimentação, a camada tem a
mesma idade em toda a sua extensão.

Deste modo, sequências estratigráficas


idênticas expostas em lados opostos de um vale devem ser interpretadas como restos de camadas que já
foram contínuas na área na qual o vale foi aberto.

4 - PRINCÍPIO DA IDENTIDADE PALEONTOLÓGICA

Admite que os grupos de fósseis aparecem numa ordem


definida e que se pode reconhecer determinado período de
tempo geológico pelas características dos fósseis.

Este princípio estabelece que estratos com o mesmo


conteúdo fóssil estratigráfico têm a mesma idade.
Só os fósseis de idade servem para datar um estrato.

5 - PRINCÍPIO DA INTERSECÇÃO

Toda a estrutura que intersecta a outra é mais recente que ela,


ou seja, qualquer rocha que foi cortada por um corpo intrusivo ígneo
ou por uma falha é mais antiga que o corpo ígneo ou falha.

6 - PRINCÍPIO DA INCLUSÃO

Os fragmentos de rocha incorporados ou incluídos numa


rocha – xenólitos, são mais antigos do que a rocha que os
engloba. Deste modo, se uma rocha contiver fragmentos de
outra é por que esta rocha é mais recente.

Se houver interrupção de sedimentação e as rochas


aflorarem (emersão) durante essa interrupção, podem ser
erodidas. Se, posteriormente, houver sedimentação devido a
uma nova imersão, forma-se um estrato que assenta numa
superfície erodida. Essa superfície representa uma superfície de
descontinuidade (E).

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Discordâncias estratigráficas
correspondem as grandes descontinuidades no registo
geológico, marcadas pela ausência de camadas durante um
peródo de tempo e podem ser explicadas por ausência de
sedimentação no local, durante a qual a erosão atuou,
iniciando-se depois uma nova sedimentação.

Quando a orientação dos estratos de duas séries não é paralela


estamos perante uma discordância angular.

B - Método da datação radiométrica ou absoluta


Como fazer a datação radiométrica das rochas?

A idade absoluta ou radiométrica permite-nos obter um valor numérico para a idade das rochas,
determinado em milhões de anos (M.a.). A técnica utilizada para determinar a idade das formações
geológicas em valores numéricos baseia-se na desintegração regular de isótopos radiativos naturais,
geralmente de potássio (K-40), rubídio (Rb-87), urânio (U-235 e U-238) e carbono (C-14), presentes as
rochas. No momento da génese, as rochas podem incorporar nos minerais que as constituem átomos de
um isótopo radiativo, designado por isótopo-pai. Como estes elementos são instáveis, o núcleo dos seus
átomos desintegra-se espontaneamente, libertando radioatividade, isto é, energia sob a forma de calor e
radiações, originando um novo isótopo mais estável, denominado de isótopo-filho.
O tempo necessário para que se dê a desintegração ou decaimento radiativo de metade de uma
quantidade de isótopos-pai em átomos do isótopo-filho designa-se de período de semitransformação ou
de semivida (T ½) do elemento .

O método de datação radiométrica baseia-se no facto de os isótopos radioativos se desintegrarem


espontaneamente, a uma velocidade constante, ao longo do tempo para cada um dos diferentes elementos
radioativos. A velocidade de decaimento não é afetada pelas condições ambientais (temperatura,
humidade, pressão), o que torna o seu valor específico do elemento e não
das condições a que esse elemento está sujeito. Após os testes em
laboratório são feitos cálculos matemáticos adicionais que permitem
construir um diagrama como o seguinte, designada curva de desintegração
radioisótopo considerado.
Conhecendo a velocidade de desintegração dos isótopos e a atual
quantidade dos elementos radioativos é possível datar a sua formação
Para a datação das rochas utilizam-se especialmente as quatro
cadeias de desintegração.
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Exemplo:
O isótopo-pai é o carbono (C-14).
O isótopo-filho é o azoto (N-14)
A semivida é de 5700 anos.

Se uma rocha tiver 75% de C14 e 25% de N14, isto


significa que 25% do isótopo pai se desintegrou, tendo
decorrido metade da semivida, o que quer dizer que a
idade da rocha é 5700:2= 3850 anos.
Se uma rocha tiver 50% de C14 e 50% de N14, isto
significa que 50% (metade) do isótopo pai se
desintegrou, tendo decorrido uma semivida, e a rocha
tem 5700 anos.

A partir do momento em que se atinge uma semivida,


neste caso a 1ª, recomeça a contagem, pelo que temos:

50% desintegrado = 1 semivida (pai= 50% da quantidade inicial) - idade= 5700 anos

75% desintegrado = 2 semividas (pai= 25% da quantidade inicial) - idade= 2 x 5700= 11400 anos

87,5% desintegrado = 3 semividas (pai= 12,5% da quantidade inicial) - idade= 3 x 5700= 17100 anos

93,75% desintegrado = 4 semividas (pai= 6,25% da quantidade inicial) - idade= 4 x 5700= 22800 anos

Qual o melhor isótopo para datar rochas jovens?


Carbono-14, pois tem um período de semi-vida mais curto.
A rocha se for “velha” e a taxa de decaimento for rápida, os isótopos-pai já se transformaram em quase
todos os isótopos-filho.
O relógio isotópico parou mas não sabemos há quanto tempo isso aconteceu.

LIMITAÇÃO DA DATAÇÃO RADIOMÉTRICA

A datação absoluta apresenta algumas limitações:


❖ Este método pressupõe que as rochas são sistemas fechados não entrando nem saido isótopos.
❖ É necessário que a amostra possua um número mensurável de isótopos-pai e isótopos-filho se a
concentração de isótopos radioativos nas rochas for muito baixo é difícil de avaliar com precisão;
❖ Os isótopos que decaem lentamente são mais úteis para datar rochas mais antigas, enquanto os que
decaem mais rápido são mais úteis em rochas mais recentes;
❖ É, essencialmente, utilizado em rochas magmáticas porque costumam conter muitos isótopos
radioativos diferentes no momento da sua formação e como a sua solidificação ocorre
bruscamente todos os relógios radioativos da rocha são calibrados em simultâneo;
❖ Podem ocorrer incorreções na datação das rochas caso o mineral tenha perdido isótopos por
meteorização ou sido contaminado por fluidos de circulação;
❖ Existem na mesma rocha vários relógios calibrados em tempos diferentes tornando-se difícil, datar
a rocha;
❖ Nas rochas sedimentares e metamórficas não fornece a idade da sua génese pois os
minerais dessas rochas são provenientes de rochas preexistentes. Cada sedimento tem um
relógio calibrado para uma data distinta, o qual remonta provavelmente a muito antes da rocha
sedimentar se formar.

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MEMÓRIA DOS TEMPOS GEOLÓGICOS
No século XIX, os geólogos, utilizando os princípios da datação relativa das rochas e juntando
informações recolhidas em afloramentos elaboraram uma escala de tempo geológico, ou seja, fizeram um
calendário da idade relativa das formações geológicas da Terra. Só no século XX a datação radiométrica
permitiu introduzir dados numéricos nessa escala.
A escala de tempo geológico tem várias divisões. O estabelecimento das unidades de tempo
geológico baseia-se essencialmente, no registo fóssil e nas características evidenciadas pelos estratos.
A unidade geocronológica mais ampla é o Éon que se divide em várias Eras que se dividem em
Períodos que se subdividem em Épocas.

Ao longo da história da Terra ocorrem


em determinados momentos um renovamento
da fauna e da flora devida a extinções em
massa de muitas espécies e a expansão e
diversificação de novas espécies. Estas
extinções estão geralmente relacionadas com
alterações drásticas do meio, cujas causas são
muitas vezes desconhecidas.
Cada divisão reflete grandes mudanças
nas formas de vida na Terra, sendo cada Era
reconhecida pelo grupo de animais que a
dominou.
Quanto mais recuadas no tempo, mais
latas e inseguras são as divisões de tempo
geológico. Esta insegurança resulta da falta de
dados fósseis bem preservados e da pouca
diversidade de seres vivos de então.

Na história geológica da vida podem


referir-se alguns acontecimentos mais
marcantes:

➢ A vida apareceu na Terra á cerca de


3800 M.a.

➢ O Pré-Câmbrico apresentou uma grande


diversidade de formas de vida.

➢ No início da era Paleozóica, 570 M.a., surgem indivíduos com concha ou carapaça.
➢ O Paleozoico é caracterizado por grande diversidade de espécies, já existindo representantes de
todos os grandes grupos de organismos atuais.

➢ O limite entre a era Paleozóica e a era Mesozóica corresponde ao desaparecimento massivo de


espécies marinhas.

➢ O limite entre a era Mesozóica e a era Cenozóica é caracterizado pela extinção dos dinossauros
entre outras espécies.

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MOBILISMO GEOLÓGICO
As alterações que ocorrem na Terra não se limitam à biosfera mas também ocorrem na geosfera.
Na geosfera as mudanças geomorfológicas são muito lentas e impercetíveis à escala da vida humana.

Alfred Wegener elaborou a Teoria da Deriva dos Continentes em que admite que os continentes
estiveram reunidos num supercontinente – Pangea, rodeados por um único mar – Pantalassa. O Pangea
ter-se-ia fragmentado originando inicialmente dois continentes. A norte o Laurásia e a sul o Gonduana
que se terão dividido e originado os atuais continentes.

– Wegener não definiu as causas. Sugerindo que o movimento do continentes se devia à de rotação da
Terra e às marés.
– As maiores evidências eram dados geológicos, paleoclimáticos e paleontológicos observados entre os
continentes.
– Na comunidade científica da época poucos deram créditos às ideias de Wegener, acabando a teoria por
ser esquecida.
A sua teoria só foi considerada com o passar dos anos devido aos avanços tecnológicos

Provas da Deriva dos Continentes:

➢ Localização das principais cordilheiras montanhosas (Himalaias, Montanhas Rochosas Andes,


Atlas, Pirinéus, etc.).
➢ Complementaridade das zonas costeiras da América do Sul e de África – evidências morfológicas
➢ Formações rochosas semelhantes em ambos os lados do oceano – evidências litológicas
➢ Testemunhos fósseis (Glossopteris) que aparece fossilizado exclusivamente na África, América do
Sul, Índia, Austrália e na Antártida. – evidências paleontológicas
➢ Evidências de áreas que sofreram glaciação em continentes distintos- evidências paleoclimáticas
➢ As rochas situadas no centro do fundo submarino são mais recentes do que as das bordas, o que
permite concluir que ao longo das grandes cordilheiras submarinas (dorsais oceânicas), abrem-se
fendas por onde passa o material magmático, que após resfriar forma uma nova crosta, provocando
a expansão do fundo do mar e o movimento das placas.

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