Incontinência Urinária
É conceituada como a perda involuntária de urina, acarretando problemas sociais e
higiênicos para os pacientes, sendo angustiante e incapacitante. Pode ocorrer em todas as
idades, porém com o aumento da idade ocorre a diminuição da força muscular e
consequentemente a perda involuntária da urina.
Sistema Urinário
-Dois órgãos excretores, ou rins que produzem a urina;
-Dois ureteres que conduzem a urina para a bexiga;
-Um reservatório para armazenar temporariamente a urina que passa através da uretra para o
exterior.
Bexiga:
É uma vesícula muscular oca para armazenar urina. Em um adulto a bexiga se localiza na pelve
menor, atrás e ligeiramente acima dos ossos púbicos, a medida que se enche ela se ascende
até a pelve maior, uma bexiga muito cheia pode ascender até o nível do umbigo.
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Fisiologia do Reflexo de Micção:
A medida que a bexiga vai se enchendo de urina, os receptores sensoriais no interior
percebem o estiramento da parede vesical e o surgimento de ondas de contrações, esses sinais
são conduzidos para os segmentos sacrais da medula espinhal pelos nervos pélvicos, voltando
depois pela via reflexa, para a bexiga. Quanto mais a bexiga se enche, mais aumentam os
reflexos e as contrações. Se a inibição formais potente no cérebro que os sinais constritores
voluntários para o esfíncter externo, ocorrerá a micção; caso contrário a micção reflexa se
torna mais intensa.
O SNC, SNP e estruturas do trato urinário em interação estabelece um equilíbrio coordenado e
harmônico, determinado continência urinária. A função vesical ocorre em duas fases:
Fase de armazenamento: Ocorre quando a bexiga consegue acumular quantidades altas de
urina, sem variação significativa da pressão, os esfíncteres urinários permanecem contraídos, o
que estabelece uma pressão intra-uretral maior que a pressão vesical. A capacidade de
armazenar urina sem que haja aumento significativo da pressão é chamado de complacência
vesical ou acomodação vesical. Nesta fase o músculo detrusor está em repouso, o que permite
que isso aconteça. É produzida pela estimulação simpática dos receptores beta adrenérgico
dentro da parede vesical, causando o relaxamento do detrusor. O relaxamento do detrusor
durante a fase de enchimento é o componente chave para a fase de acomodação vesical. A
estimulação simpática de receptores alfa-adrenérgico no colo vesical e uretra proximal causam
a contração, com consequente aumento a pressão uretral. O esfíncter externo e os músculos
elevadores do ânus servem como suporte para os mecanismos de continência, embora em
permanente estado de contração possam contrair-se ainda mais para impedir a perda da urina
sob condição de estresse, são inervados pelos plexos sacrais e nervos pudendos. Quando a
bexiga atinge sua capacidade máxima (350-650 ml), os receptores do interior do músculo
detrusor emitem sinais aos centros corticais do cérebro para se iniciar a fase de esvaziamento.
Para iniciar o processo de micção é necessário que o córtex reconheça a repleção vesical
(desejo miccional) e decida a melhor hora e momento para desencadear o esvaziamento da
bexiga.
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Fase de esvaziamento: Acontece com a estimulação da contração do detrusor associada ao
relaxamento esfincteriano e dos músculos elevadores do ânus, permitindo que a bexiga
elimine seu conteúdo através de uma inervação deste gradiente de pressão, enquanto o córtex
inibe o relaxamento simpático da bexiga. A uretra se encurta o que diminui a resistência do
fluxo. A bexiga libera seu conteúdo sob controle voluntário, dependendo diretamente de uma
atividade coordenada da uretra e o músculo detrusor. O reflexo de micção é um reflexo
completamente autônomo da medula espinhal, mas pode ser inibido ou facilitado por centros
do cérebro.
Tipos de Incontinência Urinária
Incontinência urinária de urgência (IUU): É a contração vesical durante a fase de enchimento
desencadeada espontaneamente ou em resposta de estímulos. É a principal causa de IU em
pacientes idosos de ambos os sexos (60%). A condição vem de lesão parcial da medula
espinhal ou do tronco cerebral. Os principais sintomas são a perda de urina seguida de desejo
intenso de urinar. Pode ser sensitiva ou motora e a diferenciação é feita no exame
urodinâmico.
Incontinência urinária de esforço (IUE): Acontece em virtude de fraqueza do esfíncter ou da
musculatura do assoalho pélvico ou ambos. A perda ocorre durante esforços, quando a
pressão intra-abdominal aumenta, levando um aumento da pressão intra-vesical que supera a
pressão ao nível de esfíncter. Clinicamente não se caracteriza por perda urinária relacionada a
esforços como tosse e espirro e não é precedida de desejo miccional. É muito comum em
pacientes idosos e principalmente mulheres (30%)
Incontinência urinária mista (IUM): É uma associação entre IUU e IUE, e neste caso é analisada
a predominância dos sintomas.
Incontinência urinária total (IUT): É decorrente de uma lesão esfincteriana e geralmente
ocorre em cirurgias para tratamento de câncer de próstata por lesão de esfíncter uretral
externo ou de sua inervação. Manifesta-se clinicamente por perdas urinárias contínuas sem
globo vesical palpável ou resíduo significativo. Muitos pacientes não apresentam perda de
urina noturna.
Incontinência urinária paradoxal (IUP): É a mais comum em idosos. O paciente com perda de
urina por transbordamento, neste a caso a bexiga está constantemente cheia e transborda.
Clinicamente ocorre perda em gotejamento associada a bexiga cheia.
Pode ser transitória ou permanente: Transitória: Causas externas como, delírio, infecção,
atrofia vaginal, mediações, produção excessiva de urina, restrição de mobilidade, obstipação
crônica. Permanente: Alterações anatômicas ou funcionais próprias do trato urinário.