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08 Idade Média

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IDADE MEDIA

Idade Média

A Idade Média é o nome do período da história localizado entre os anos 476 e 1453. A nomeação
“Idade Média” é utilizada pelos historiadores dentro de uma periodização que engloba quatro ida-
des: Antiga, Média, Moderna e Contemporânea. Quando nos referimos à Idade Média, geralmente re-
ferimo-nos a assuntos relacionados, direta ou indiretamente, com a Europa.

A Idade Média iniciou-se com a desagregação do Império Romano do Ocidente, no século V. Isso deu
início a um processo de mescla da cultura latina, oriunda dos romanos, e da cultura germânica, oriunda
dos povos que invadiram e instalaram-se nas terras que pertenciam a Roma, na Europa Ocidental.

Desse período destacam-se o processo de ruralização que a Europa viveu entre os séculos V e X; o
fortalecimento da Igreja Católica; a estruturação do sistema feudal, não apenas economicamente mas
também política e socialmente. A partir do século XI, o renascimento urbano e comercial abre caminho
para a crise do século XIV, que determina o fim da Idade Média.

Quando começou e quando terminou a Idade Média?

Como mencionado, a Idade Média é assim chamada dentro de uma periodização, estipulada pelos
historiadores, que a determina entre os anos de 476 e 1453. O que estipula o início da Idade Média é
a destituição de Rômulo Augusto do trono romano, em 476, e o que estipula seu fim é a conquista de
Constantinopla pelos otomanos, em 1453.

A Idade Média é dividida pelos historiadores em duas grandes fases, que são:

Alta Idade Média: século V ao século X;

Baixa Idade Média: século XI ao século XV.

Durante a Alta Idade Média, a Europa passava pelas transformações derivadas da desagregação do
Império Romano e o feudalismo estava em formação. A Baixa Idade Média foi o período auge do feu-
dalismo e no qual a Europa começou a sofrer transformações oriundas do renascimento urbano e co-
mercial.

Por que o nome “Idade Média”?

O nome Idade Média, usado para referir-se a esse período entre 476 e 1453, foi uma invenção dos re-
nascentistas. Uma das primeiras menções a essa época como “tempo médio”, segundo o historiador
Hilário Franco Júnior, remonta ao bispo italiano Giovanni Andrea|1|. Essa ideia popularizou-se no sé-
culo XVI, durante o renascimento.

O sentido por trás dessa nomenclatura era pejorativo, uma vez que, na visão dos renascentistas, a
Idade Média teria sido um tempo marcado pela interrupção da tradição clássica, isto é, greco-romana.
Nessa perspectiva, tal tradição estava sendo retomada na época deles, inclusive, por isso, eles cha-
maram seu próprio período de “renascimento”.

Eles acreditavam estar vivendo um momento de renascimento intelectual, científico e artístico. Isso nos
leva a concluir que, na ótica renascentista, a Idade Média era um período ruim, de atraso e de interrup-
ção no progresso humano. Outros grupos, conforme seus interesses, teciam suas críticas a essa Idade,
sempre a taxando como “ignorante”.

Essa visão negativa fez com que muitos a chamassem de “Idade das Trevas”, um termo negativo e
rechaçado pelos historiadores. A primeira menção à Idade Média dessa maneira remonta a Francesco
Petrarca, que, no século XVI, já a chamava de “tenebrae”.

Feudalismo

O feudalismo é o termo que usamos para toda organização social, política, cultural, ideológica e eco-
nômica que existiu na Europa durante a Idade Média. Esse conceito explica a estruturação da socie-
dade da Europa Ocidental, e a organização que ele representa existiu, na sua forma clássica, entre os
séculos XI e XIII, aproximadamente.

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Do século V ao século X, o feudalismo estava em processo de estruturação, uma vez que as relações
políticas características da vassalagem estavam em formação, o poder da Igreja Católica estabelecia-
se aos poucos, e a ruralização e feudalização da Europa desenvolviam-se.

Do século XI ao século XIII, o feudalismo estava no seu auge, sobretudo nas regiões que hoje corres-
pondem à Alemanha, à França, e ao norte da Itália e da Inglaterra. A partir do século XIV, o sistema
feudal entra em decadência, uma vez que a Europa urbanizava-se e o comércio ganhava importância.

No aspecto econômico, podemos dizer que o feudalismo era um sistema baseado na produção agrí-
cola e na exploração servil dos camponeses. Com o fim do Império Romano, a Europa Ocidental rura-
lizou-se e as pessoas empobrecidas passaram a estabelecer-se nas cercanias de grandes proprieda-
des rurais, à procura de comida e proteção. Dessa situação criou-se a relação de dependência entre o
senhor feudal e o camponês.

O senhor feudal, dono das terras, permitia que o camponês ficasse nelas, desde que este cultivasse-
as e entregasse parte do que tinha sido produzido àquele. O camponês era sujeito a uma série de
tributos a serem pagos aos senhores feudais, tais como a corveia, a talha e a banalidade. O senhor
feudal, por sua vez, tinha como obrigação proteger aqueles instalados em sua propriedade.

No âmbito religioso, a Igreja Católica era dona de grande influência, uma vez que seu poder chegava
a atingir decisões do poder secular. A Igreja também elaborava a construção ideológica que justificava
as desigualdades do mundo feudal. Na visão estipulada por ela, e abraçada pela nobreza, os servos
cumpriam seu papel por uma designação divina.

A sociedade feudal era estamental, isto é, dividida em classes com funções muito bem definidas, e na
qual a ascensão social era bastante difícil. Nela existiam três grandes classes sociais:

Nobreza (bellatores): classe privilegiada, detentora de terras, que tinha como função, dentro da ideolo-
gia medieval, proteger a sociedade;

Clero (oratores): membros da Igreja Católica que cumpriam funções religiosas. Também era uma
classe privilegiada, uma vez que a Igreja detinha riqueza, poder e terras;

Camponeses (laboratores): grupo empobrecido que sustentava a sociedade feudal por meio de seu
trabalho e dos altos impostos que pagava.

No aspecto político, a vassalagem era uma das grandes manifestações do feudalismo. Essa estrutura
surgiu por volta do século VIII e estabelecia as relações de poder entre rei e nobres de cada reino.

Por meio da vassalagem, o rei (suserano) e os nobres (vassalos) realizam um acordo estabelecendo
laços de fidelidade entre si. Os vassalos recebiam um feudo (terra) e tinham como obrigação auxiliar o
seu suserano na execução da justiça, na administração do reino e na guerra, se necessário.

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Principais acontecimentos

A Idade Média foi muito longa e, logicamente, impactada por diferentes acontecimentos importantes
para a história humana. A Idade Média, em si, é fruto do fim do Império Romano do Ocidente, após o
qual uma série de reinos germânicos estabeleceu-se na Europa Ocidental.

O caso mais simbólico foi o dos francos, povo germânico que se estabeleceu na Gália e formou um
reino governado, primeiro, pelos merovíngios e, depois, pelos carolíngios. Estes foram a primeira
grande dinastia a governar um reino na Europa, e, por meio de Carlos Magno, seu principal rei, forma-
ram um império com um território bastante vasto.

O surgimento do islamismo no século VII marcou um rompimento do Ocidente com o Oriente, sobre-
tudo quando os muçulmanos conquistaram a Península Ibérica. O avanço muçulmano na Europa só foi
interrompido por Carlos Martel, em 732. Séculos depois, a Igreja Católica encontrou na guerra contra
os muçulmanos uma forma de estender sua riqueza até o Oriente.

As Cruzadas ocorreram do século XI ao século XII e mobilizaram tropas cristãs contra os muçulmanos,
na Palestina e no norte da África. Ao todo foram nove cruzadas, sendo a primeira delas convocada
pelo Papa Urbano II, em 1095. A nona Cruzada foi encerrada em 1272, e o objetivo inicial dos cristãos
(conquistar Jerusalém) não foi alcançado.

Outros destaques que podem ser feitos sobre a Idade Média são o Império Bizantino e o estabeleci-
mento da Inquisição. Assuntos também relevantes são a cultura e a ciência medievais, geralmente
pouco estudadas.

Fim da Idade Média

O fim da Idade Média tem relação com o renascimento urbano e comercial que a Europa experimentou
a partir do século XI. Novas técnicas agrícolas permitiram o aumento da produção de víveres, gerando
um excedente que pôde ser comercializado. O aumento na produção de alimentos garantiu um au-
mento populacional, mas também do comércio e, consequentemente, da circulação de moeda.

Com o aumento populacional, o número de pessoas mudando-se para as cidades aumentou e a quan-
tidade de comerciantes ao redor delas também. O século XIII intensifica esse processo de êxodo rural,
pois as produções agrícolas ruins fizeram com que muitos buscassem sobreviver nas cidades.

A Peste Negra causou a morte de cerca de 1/3 da população europeia ao longo do século XIV.

O século XIV é quando os historiadores estipulam a fronteira final da Idade Média. Trata-se de um sé-
culo de crise, caracterizado por guerras que causaram destruição e geraram mais fome, e isso resultou
na Peste. O século XIV é marcado pela famosa Peste Negra — surto de peste bubônica responsável
pela morte de 1/3 da população europeia ao longo desse período.

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A fome gerou grandes revoltas de camponeses, sobretudo a partir do século XIII, e o crescimento ur-
bano colocou fim no isolamento feudal. Revoltas também aconteceram nas grandes cidades, principal-
mente pela falta de empregos. Novas estruturas de poder começaram a surgir, a organização política
dos reinos modificou-se e, assim, surgiram os Estados nacionais.

O enfraquecimento do feudalismo e o fortalecimento do comércio resultaram no mercantilismo. Quando


Constantinopla cai e o comércio com o Oriente fecha-se, a Europa volta-se para o Oeste. A exploração
do Oceano Atlântico abriu novas fronteiras e consolidou o fim da Idade Média.

Crise do século XIV

A Europa medieval entrou em crise, a partir do século XIV, por uma série de fatores. Primeiramente, é
importante considerar que, a partir do século XI, embora o feudalismo estivesse no seu auge, transfor-
mações começaram a ocorrer no continente europeu. A população e a produção agrícola aumenta-
ram, e houve um renascimento do comércio e das cidades.

Esse renascimento gerou transformações significativas na organização social. A sucessão de catástro-


fes que marcaram o século XIV fez com que o medievo entrasse em crise. Esse século ficou marcado
por guerras, revoltas de camponeses e de trabalhadores urbanos, fome e peste. Houve também co-
lheitas ruins que levaram a um aumento significativo do preço do alimento, o que resultou em fome.

O renascimento urbano enfraqueceu o isolamento feudal, e o crescimento das cidades resultou em


uma série de novos ofícios. A falta de empregos nas cidades e as dificuldades de sobreviver no campo
motivaram grandes revoltas em ambos lugares. Politicamente o mundo reorganizava-se, e os reinos
deram lugar para os Estados Nacionais, estrutura com poder mais centralizado.

O evento mais catastrófico desse século foi a Peste Negra, o surto de peste bubônica que se espalhou
e resultou na morte de 1/3 da população europeia. Em alguns locais, como na Inglaterra, o impacto
dela foi mais severo, uma vez que o historiador Jacques Le Goff afirma que 70% da população inglesa
morreram nesse período|3|.

O fortalecimento do comércio na Europa levou à formação de novas práticas econômicas. O desenvol-


vimento do mercantilismo garantiu o fim do feudalismo, e o fechamento do Oriente com a queda de
Constantinopla fez com que os europeus explorassem o Oceano Atlântico, abrindo novas fronteiras e
levando-os à colonização das Américas.

A origem do mundo feudal

Durante séculos, o Império Romano dominou grande parte da Europa. Uma poderosa estrutura admi-
nistrativa, com exércitos e estradas que interligavam todo o território, possibilitou aos romanos impor
as populações dessa parte do continente seu domínio, seu modo de vida e seus costumes.

A partir do século III, esse cenário começaria a se alterar. Com dificuldades para proteger as fronteiras,
o Império Romano passou a ser invadido por diversos povos, sobretudo os de origem germânica, como
os anglos, os saxões, os francos, os lombardos, os suevos, os burgúndios, os vândalos e os ostrogo-
dos.

No século IV, os hunos, que habitavam a Ásia central, invadiram a Europa e tornaram essa situação
mais grave. Esses guerreiros passaram a percorrer os territórios ocupados pelos povos germânicos,
obrigando-os a procurar refúgio dentro das fronteiras romanas.

As invasões e os saques a cidades tornaram-se então constantes. Muitas famílias passaram a procurar
o campo, considerando mais seguro. Com isso teve início um processo de ruralização em toda a Europa
ocidental.

Com o passar dos anos, as propriedades rurais tornaram-se mais protegidas. Transformadas em nú-
cleos fortificados, elas estavam sob a administração de um proprietário com poderes quase absolutos
sobre as terras e seus habitantes.

O poder centralizado do Império Romano começava, assim, a se fragmentar. Em 476, os hérulos, povo
de origem germânica, invadiram Roma e, comandados por Odoacro, depuseram o imperador Rômulo
Augústulo. Foi o passo final para a desagregação do Império Romano do Ocidente.

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Em seu lugar, com o tempo, surgiram diversos reinos independentes. No interior deles, iria se formar a
sociedade feudal, a partir da mistura de valores e costumes romanos com os dos povos invasores. As
principais características dessa nova sociedade seriam a ruralização, o poder fragmentado e a forte
religiosidade.

Dividindo o mundo feudal

Muitos estudiosos costumam dividir a história da sociedade feudal em dois momentos distintos: a Alta
Idade Média e a baixa Idade Média. O primeiro momento, entre o século V e o IX, é o de consolidação
do mundo feudal, quando se formam os reinos e se cristaliza a organização social. No momento se-
guinte, entre os séculos X e XV, a sociedade feudal começa a dar sinais de mudanças, com o fortale-
cimento das cidades e do comércio.

O feudo

A palavra feudo é de origem germânica e seu significado está associado ao direito que alguém possui
sobre um bem, geralmente sobre a terra.

O feudo era a unidade de produção do mundo medieval e onde acontecia a maior parte das relações
sociais. O senhor do feudo possuía, além da terra, riquezas em espécie e tinha direito de cobrar im-
postos e taxas em seu território.

O feudo era cedido por um poderoso senhor a um nobre em troca de obrigações e serviços. Quem
concedia a terra era o suserano e quem a recebia era o vassalo. O vassalo, por sua vez, podia ceder
parte das terras recebidas a outro nobre, passando a ser, ao mesmo tempo, vassalo do primeiro senhor
e suserano do segundo.

O vassalo, ao receber a terra, jurava fidelidade a seu senhor. Esse juramento era uma espécie de ritual
que envolvia honra e poder: o vassalo se ajoelhava diante do suserano, colocava sua mão na dele e
prometia ser-lhe leal e servi-lo na guerra.

Os suseranos e os vassalos estavam ligados por diversas obrigações: o vassalo devia serviço militar
a seu suserano, e este proteção a seu vassalo. Pode-se dizer que não havia quem não fosse vassalo
de outro.

Na sociedade medieval, o rei não cumpria a função de chefe de Estado. Apesar de seu papel simbólico,
ele tinha poderes apenas em seu próprio feudo. Sua vantagem era não dever obrigações de vassalo,
dentro de seu reino, a outro senhor.

A organização do feudo

A organização dos feudos baseou-se em duas tradições: uma de origem germânica, o comitatus, e a
outra de origem romana, o colonato. Pelo comitatus , os senhores da terra, unidos pelos laços de vas-
salagem, comprometiam-se a ser fiéis e a honrar uns aos outros. No colonato, o proprietário de terras
dava proteção e trabalho aos colonos que, em troca, entregavam ao senhor parte de sua produção.

Não é possível avaliar o tamanho dos feudos, mas estima-se que os menores tinham pelo menos 120
ou 150 hectares. Cada feudo compreendia uma ou mais aldeias, as terras cultivadas pelos campone-
ses, as florestas e as pastagens comuns, a terra pertencente à igreja paroquial e a casa senhorial, que
ficava na melhor terra cultivável.

Pastos, prados e bosques eram usados em comum. A terra arável era divida em duas partes. Uma, em
geral a terça parte do todo, pertencia ao senhor; a outra ficava em poder dos camponeses.

Nos feudos plantavam-se principalmente cereais (cevada, trigo, centeio e aveia). Cultivavam-se tam-
bém favas, ervilhas e uvas.

Os instrumentos mais comuns usados no cultivo eram a charrua ou o arado, a enxada, a pá, a foice, a
grade e o podão. Nos campos criavam-se carneiros que forneciam a lã; bovinos, que forneciam leite e
eram utilizados para puxar carroças e arados; e cavalos, que eram utilizados na guerra e transporte.

A economia feudal

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A economia feudal baseava-se principalmente na agricultura. Existiam moedas na Idade Média, porém
eram pouco utilizadas. As trocas de produtos e mercadorias eram comuns na economia feudal. O feudo
era a base econômica deste período, pois quem tinha a terra possuía mais poder. O artesanato também
era praticado na Idade Média. A produção era baixa, pois as técnicas de trabalho agrícola eram extre-
mamente rudimentares. O arado puxado por bois era muito utilizado na agricultura.

Educação, artes e cultura

A educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. Marcada pela influência da Igreja,
ensinava-se o latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras. Grande parte da população medieval era
analfabeta e não tinha acesso aos livros.

A arte medieval também era fortemente marcada pela religiosidade da época. As pinturas retratavam
passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas medievais e os vitrais das igrejas eram
formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião.

Podemos dizer que, em geral, a cultura medieval foi fortemente influenciada pela religião. Na arquite-
tura destacou-se a construção de castelos, igrejas e catedrais.

A Igreja no período medieval

A Igreja católica surgiu durante o Império Romano, mas foi durante a Idade Média que se consolidou
como a mais importante instituição da Europa ocidental. Naquela época, não havia quem duvidasse da
existência de Deus: ser católico era tão natural quanto o ato de respirar.

A partir do século XV, os europeus levariam sua cultura para diversas regiões do mundo. Dentre esses
valores, estava o catolicismo. Foi assim, por exemplo, que o Brasil tornou-se a maior nação católica do
mundo.

Na imagem, Madona com o menino rodeada de anjos, de Ceni di Peppi Cimabue, 1270.

Principal poder espiritual e temporal na Europa durante a Idade Média, a Igreja Católica, além de ser a
única instituição com ramificações em todas as regiões e lugarejos, possuía muitas terras e riquezas e
era obedecida e temida pela quase totalidade dos habitantes.

Sabe-se que a Igreja chegou a possuir mais de um terço de todas as terras da Europa Ocidental. As
origens desta acumulação de bens materiais ainda hoje causam polêmicas entre os historiadores.

Alguns apontam o complexo sistema de cobranças de impostos e de indulgências como principal ori-
gem dos bens da Igreja. Além do dízimo, 10% das rendas de cada fiel, os padres cobravam pesados

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tributos dos camponeses que viviam nas terras do clero e, em períodos excepcionais, promoviam a
venda de indulgências nos lugarejos, nas vilas e nas cidades.

Para outros, a posse de terras pela Igreja provinha principalmente das doações feitas por fiéis arre-
pendidos dos seus pecados e por nobres e reis, que entregavam parte de suas conquistas de guerra.
Além disso, com o movimento das Cruzadas, a própria Igreja conquistou extensas áreas territoriais.

Junto a toda essa riqueza, a Igreja acumulou cultura e conhecimento, pois controlava grande parte do
saber herdado da Antiguidade Clássica. Os mosteiros medievais ficaram célebres por sua política de
hospitalidade, dando abrigo temporário a peregrinos e andarilhos e pelas minuciosas e caprichosas
cópias manuais de textos e livros da Antiguidade Clássica. Como os livros, pergaminhos, manuscritos
e documentos ficavam nos mosteiros e nas universidades da igreja, os padres detinham praticamente
o monopólio da cultura erudita que, segundo a visão predominante na época, representava um perigo
para as mentes e as crenças cristãs.

O próprio sistema de organização e hierarquia da Igreja medieval ajudava a garantir a consolidação do


seu poder, e o papa, como representante máximo do poder espiritual, acumulou também poder político
ou temporal. Por ser a única autoridade reconhecida como universal, ele agia como árbitro nos conflitos
entre reinos e impérios.

Segundo a classificação bastante simplificada da época, a sociedade medieval estaria dividida em três
ordens: a Igreja, Primeira Ordem, tinha a função de orar; os nobres pertenciam à Segunda Ordem, com
a missão de garantir a segurança, ou seja, guerrear; e a Terceira ordem era composta pelos trabalha-
dores, que deveriam prover as necessidades das duas primeiras ordens.

Assim como tudo na sociedade medieval, a primeira Ordem tinha sua própria hierarquia: o Alto Clero,
composto pelo papa, bispos, cardeais e abades; e o Baixo Clero, formado pelos clérigos, padres e
monges. A maioria dos membros da Igreja provinha de famílias nobres, que impunham a formação
religiosa aos seus filhos não-primogênitos, mesmo que não tivessem vocação ou vontade de servir a
Igreja.

Com presença e atuação ostensivas, a Igreja impôs seus valores e crenças e criou na Europa daquele
tempo uma atmosfera de religiosidade que se manifestava até nas mais simples atividades cotidianas:
ao nascer, o indivíduo recebia o sacramento do batismo, ao casar, o do matrimônio e ao morrer, a
extrema-unção (também era enterrado no cemitério da Igreja); a contagem e divisão do tempo era
baseada em acontecimentos religiosos, assim como as festas e o descanso semanal.

O poder da Igreja era tão grande nessa época que aqueles que enfrentavam seu poder eram chamados
de hereges ou infiéis. Herege é uma palavra de origem grega, que significa “aquele que escolhe”, mas
na Idade Média passou a denominar a pessoa ou o grupo que defendia doutrina contrária à Igreja ou
discordava dos seus dogmas, das suas verdades.

Uma das penalidades aplicadas pela Igreja aos hereges era a morte na fogueira.

Para enfrentar os hereges e consolidar seu poder na sociedade, a Igreja Católica instituiu o Tribunal do
Santo Ofício que perseguia os hereges e aqueles que tinham comportamentos e preferências contrários
aos seus ensinamentos morais e disciplinares.

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A sociedade medieval

A sociedade medieval era hierarquizada; a mobilidade social era praticamente inexistente. Alguns his-
toriadores costumam dividir essa sociedade em três ordens: a do clero; a dos guerreiros e a dos cam-
poneses.

Ao clero cabia cuidar da salvação espiritual de todos; aos guerreiros, zelar pela segurança; e aos ser-
vos, executar o trabalho nos feudos.

No mundo medieval, a posição social dos indivíduos era definida pela posse ou propriedade da terra,
principal expressão de riqueza daquele período.

O Senhor feudal tinha a posse legal da terra, o poder político, militar, jurídico e até mesmo religioso, se
fosse um padre, bispo ou abade. Os servos não tinham a propriedade da terra e estavam presos a ela
por uma série de obrigações devidas ao senhor e à igreja. Embora não pudessem ser vendidos, como
se fazia com os escravos no Mundo Antigo, não podiam abandonar a terra sem a permissão do senhor.

Havia também os vilões. Eram geralmente descendentes de pequenos proprietários romanos que, não
podendo defender suas propriedades, entregavam-nas a um senhor em troca de proteção.

Por essa origem, eles recebiam um tratamento diferenciado, com maiores privilégios e menos deveres
que os servos. Havia, finalmente, os ministeriais, funcionários do senhor feudal, encarregados de arre-
cadar os impostos.

Servos - Os trabalhadores da terra

O servo era obrigado a trabalhar nas terras do senhor durante três dias por semana. Além disso, tinha
de entregar ao senhor parte do que produzia para o próprio sustento.

O trabalho nas terras do senhor era prioritário: ela tinha de ser preparada, semeada e ceifada em
primeiro lugar. Apenas depois de cuidar das terras do senhor, o servo poderia se dedicar às suas
plantações.

Servos trabalhando em um feudo medieval

O limite de todas essas regras entre o senhor feudal e o servo era muito bem definido. Dentre as
obrigações dos servos, estavam:

a talha, imposto pago sobre a produção no manso servil;

a corveia, trabalho compulsório nas reservas senhoriais;

as banalidades, imposto pago pelo uso de instalações pertencentes ao senhor, como forno e moinho.

Os cavaleiros

Os cavaleiros eram nobres que se dedicavam à guerra. A lealdade a seu senhor e a coragem repre-
sentavam as principais virtudes de um cavaleiro.

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Por muito tempo, para ser cavaleiro, bastava possuir um cavalo e uma espada. Em troca de serviço
militar a um senhor, o cavaleiro recebia seu feudo, onde erguia uma fortaleza. Pouco a pouco, porém,
as exigências para se tornar um cavaleiro foram se tornando mais rigorosas: além de defender o seu
feudo e o de seu senhor, ele deveria professar a fé católica e honrar as mulheres.

O jovem nobre iniciava a aprendizagem aos 7 anos, servindo como pajem na casa de um senhor, onde
aprendia equitação e o manejo das armas. Aos 14 anos, tornava-se escudeiro de um cavaleiro, pas-
sando, pelo menos, a seu serviço, tratando de seu cavalo e de suas armas, ao mesmo tempo que
aprendia com ele as artes do combate.

Tomava parte em corridas, em lutas livres e praticava esgrima. Para se preparar para torneios e com-
bates, aprendia a correr a quintana:tratava-se de galopar em grande velocidade em direção a um bo-
neco de madeira e cravar-lhe a lança entre os olhos. O boneco era munido de um braço e montado
sobre um pino de ferro. Quem não acertava o alvo com a lança, fazia o boneco girar; ao girar, o braço
do boneco batia nas costas do cavaleiro.

Depois do tempo de aprendizagem, se o jovem fosse considerado preparado e digno, estava pronto
para ser armado cavaleiro. (link para os dez mandamentos do cavaleiro PRONTO)

Cotidiano, mentalidades e aspectos culturais no período medieval

Como o período medieval foi bastante longo (aproximadamente mil anos), todos os aspectos da vida
cotidiana - moradia, vestuário, alimentação, etc. - passaram por mudanças importantes e variaram
muito de um lugar para o outro.

De modo geral, a população estava concentrada no campo (cerca de 80% das pessoas viviam na zona
rural) e, apesar de alguns períodos de maior crescimento demográfico, o número de habitantes era
pequeno. Estima-se que em paris, a maior cidade europeia da época, tinha uma população de 160 mil
habitantes, em 1250. E, em 1399, o número total de habitantes do continente europeu não passava de
74 milhões.

O baixo crescimento da população resultava do elevado número de mortes, pois a média de vida, na
época, não ultrapassava os 40 anos de idade. Os historiadores calculam que, de cada 100 crianças
nascidas vivas, 45 morriam ainda na infância. Era comum a morte de mulheres durante o parto e os
homens jovens morriam nas guerras ou vítimas de doenças para as quais ainda não se conhecia uma
cura.

Na sociedade medieval, profundamente dominada pela religiosidade e misticismo, era senso comum
interpretar o surgimento de doenças e epidemias como sendo resultados da ira divina pelos pecados
humanos.

A falta de higiene, de água tratada e de um sistema de esgoto, provocou surtos de epidemias que
mataram milhares de pessoas. A Peste Negra (link para anexo Peste Negra PRONTO), por exemplo,

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que se espalhou pela Europa, somente no período de 1348 a 1350, matou cerca de 20 milhões de
pessoas.

Além das pestes, nesta época, outras doenças provocavam altos índices de mortalidade: tuberculose,
sífilis e infecções generalizadas provocadas pela falta de assepsia no tratamento das feridas. Bastante
limitada, a medicina não tinha ainda desenvolvido tratamento adequado para muitas doenças. Além
disso, as distancias, as dificuldades de locomoção e o número reduzido de médicos tornavam ainda
mais crítica a situação dos doentes que na maioria das vezes eram atendidos em boticários ou curan-
deiras e se medicavam com ervas e rezas. Aliás, essas mulheres curandeiras, que a Igreja tratava
como feiticeiras, também foram duramente perseguidas e mortas pela Inquisição, a partir do século XII.

Mais dramática ainda era a situação das crianças, muitas vezes abandonadas em estradas, bosques
ou mosteiros pelos pais, que não tinham como sustentá-las. Além disso, havia também grande número
de órfãos, devido ao elevado índice de mortalidade no parto: a falta de higiene provocava a cha-
mada febre puerperal, que causava a morte da mãe, e a incidência de blenorragia (doença sexual-
mente transmissível) muitas vezes contaminava o filho, causando cegueira.

Numa população supersticiosa, que interpretava todos os acontecimentos naturais como expressão da
vontade divina, a doença era vista como punição pelos pecados. Para se livrar desses pecados, as
pessoas faziam então penitências, compravam indulgências e procuravam viver de acordo com os
mandamentos da Igreja. Mas, como nem sempre conseguiam manter uma vida regrada, casta e de-
sapegada das coisas e prazeres materiais, homens e mulheres viviam em constante preocupação com
a morte e com o julgamento de Deus.

Sendo praticamente a única referência para a população, em quase todos os assuntos , já que não
havia Estados organizados e normas públicas, a Igreja assumia a tarefa de controlar e organizar a
sociedade. Um exemplo: como não havia registro público dos nascimentos, o único documento da pes-
soa era o batistério (link para dicionário). Devido à elevada taxa de mortalidade infantil as crianças eram
batizadas logo que nasciam, pois os pais queriam garantir para seus filhos um lugar no Paraíso. Os
nomes dos bebês derivavam, em sua maioria, dos nomes de santos, de personagens da Bíblia ou dos
avós ou amigos influentes, e em diversas regiões não se usava o nome da família.

Também não existia casamento o casamento civil, como hoje, mas apenas um contrato entre as famí-
lias dos noivos. Em geral, e principalmente entre nobres, o casamento era negociado pelas famílias de
acordo com o seu interesse em aumentar a posse de terras, a riqueza e o poder, ou para fortalecer
alianças militares. Os noivos não participavam desses acertos e, em muitos casos, só se conheciam
no dia da cerimônia (a mulher, com cerca de 12 anos, e o homem com mais do dobro da idade dela).
O casamento por amor, de verdade, só passou a existir na Europa por volta do século XVII.

Geralmente, nas famílias nobres, só o filho mais velho se casava, e os outros se tornavam membros
do clero ou cavaleiros errantes, que partiam para as guerras ou em busca de aventuras e fortuna, já
que toda a herança dos pais era reservada para o filho primogênito. As mulheres que não se casavam
iam para conventos ou se tornavam damas de companhia das casadas.

O matrimonio só se tornou um sacramento da Igreja a partir de 1439, por decisão do Concílio de Flo-
rença, que também tornou o casamento indissolúvel e proibiu a poligamia e o concubinato. Para a
Igreja, a única finalidade do sexo era a procriação e, por isso, os cristãos deveriam regular a frequência
e os limites do ato sexual.

Casamentos assim, sem que os noivos se conhecessem, acabavam abrindo espaço para grande nú-
mero de relações extraconjugais, embora os padres ameaçassem os adúlteros com o “fogo do inferno”.
Por isso, a literatura medieval é tão fértil em romances proibidos.

História Medieval - A vida como ela era

Nas famílias camponesas, todos trabalhavam muito. Além de cuidar das terras do senhor do feudo,
homens, mulheres e crianças faziam à colheita, moíam os grãos e construíam pontes, estradas, está-
bulos e moinhos. Ao mesmo tempo, cultivavam seus lotes e cuidavam dos animais e dos trabalhos
artesanais e domésticos.

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Os camponeses viviam em cabanas cobertas de palha, com piso de terra batida e a área interna escura,
úmida e enfumaçada. Em geral as cabanas tinham apenas um cômodo, que servia para dormir e guar-
dar alimentos e até animais. Os móveis, bastante rústicos, resumiam-se à mesa e bancos de madeira
e os colchões de palha.

No almoço ou no jantar, comiam quase sempre pão escuro e uma sopa de vegetais, legumes e ossos.
Carne, ovos e queijo eram caros demais, só em ocasiões especiais. Em vários períodos houve falta de
alimentos e a fome se espalhou por muitas regiões da Europa, vitimando, os mais pobres.

Na mesa dos nobres, entretanto, não faltava uma grande variedade de peixes e carnes, quase sempre
secas e salgadas, para se conservar durante o inverno. No verão, para disfarçar o gosto ruim e o mau
cheiro da carne estragada, a comida era cozida com especiarias e temperos fortes, raros e exóticos,
que vinham do Oriente, custavam caro e eram difíceis de obter. O açúcar, outra raridade, era conside-
rado um luxo e usado até como herança ou para pagamento de dotes. O vinho era consumido em
grande quantidade em quase todas as regiões, e os habitantes do norte da Europa também costuma-
vam consumir a cerveja.

As festas, em especial as de casamento, duravam dias com bebida e comida farta e diversificada:
serviam-se vitelas, cabritos, veados e javalis, acompanhados de aves como cisnes, gansos, pavões,
perdizes e galos. Havia também apresentação de cômicos, acrobatas, dançarinos, trovadores, canta-
dores e poetas, para diversão dos convidados.

Os jogos e a bebida, bastante comuns nas tavernas de todas as cidades, atraíam os homens que
consumiam muito vinho, jogavam dados e se envolviam em brigas e confusões. Por isso, os padres
amaldiçoavam as tavernas, apontadas como antros de perdição, mas nem por isso conseguiram acabar
com elas. Ao contrário, esses costumes se acentuaram cada vez mais, com o crescimento dos centros
urbanos. Sujas e barulhentas, sem esgoto e sem água tratada, as cidades se tornaram focos de con-
tágio e disseminação de doenças e pestes.

Nas cidades, aglomeravam-se e conviviam todos os tipos de pessoas e profissões: ricos, comerciantes,
taberneiros, artesãos, padeiros, relojoeiros, joalheiros, mendigos, pregadores, vendedores ambulantes,
menestréis, etc. E na periferia das cidades, bastante discriminados pela maioria da população, viviam
outros grupos: judeus, muçulmanos, hereges, leprosos, homossexuais e prostitutas, que estiveram en-
tre os quais perseguidos e reprimidos pela Inquisição, a partir do século XII.

Analfabeta, em sua maioria, a população falava a língua dominante em sua região de origem e os
idiomas ainda hoje falados na Europa foram formados nessa época, em consequência dos contatos
com pessoas e com línguas de origem germânica ou de outras regiões com o latim, a língua romana.

Como não sabiam ler, essas pessoas só tinham acesso à literatura por meio de artistas que se apre-
sentavam em público para ler e contar histórias, declamar poesias ou cantar e encenar espetáculos de
teatro nas praças, ruas e tavernas das aldeias e cidades, muitas vezes durante as festas.

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As moradias dos nobres também se modificaram bastante, ao longo do tempo. Até o século XII, seus
castelos se resumiam a uma torre, onde habitava a família do senhor, e eram feitos de madeira, sendo
por isso mesmo muito vulnerável a incêndios e a ataques de invasores. A partir dos anos 1200, torna-
ram-se comuns as construções em pedra e tijolos e os castelos ganham novas dependências, como
celeiros, estábulos, muralhas, fossos e torres de vigia, para sua defesa. A mobília também se sofisticou
e os nobres passaram a usar tapeçaria e pratarias vindas do Oriente.

Vestuário medieval

As roupas e os sapatos da época eram bastante volumosos e escondiam quase inteiramente o corpo,
especialmente o da mulher.

As mais jovens até chegavam a revelar o colo, mas a Igreja sempre desaprovou os decotes. Pode-se
dizer também que já existia moda, naquele tempo, com a introdução de novidades na forma de vestidos,
chapéus, sapatos, joias, etc.

Vestuário básico das mulheres incluía roupa de baixo, saia ou vestido longo, avental e mantos, além
de chapéus com formas as mais variadas (imitando a agulha de uma torre, borboletas, toucas com
longas tiras) e exagerados (em alguns locais foi preciso alterar a entrada das casas para que as damas
e seus chapéus pudessem passar). Na época, cabelos presos identificavam a mulher casada, enquanto
as solteiras usavam cabelos soltos.

As cores mais usadas pelas mulheres eram o azul real, o bordô e o verde escuro. As mangas e as
saias dos vestidos eram bufantes e compridas. As mais ricas usavam acessórios, como leques e joias.

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Para os homens, o vestuário se compunha de meias longas, até a cintura, culotes, gibão (uma espécie
de jaqueta curta), chapéus de diversos tamanhos e sapatos de pontas longas. Os tecidos variavam de
acordo com a condição social dos cavaleiros, o clima, a ocasião e local e, nos dias de festa, por exem-
plo, usavam ricas vestimentas, confeccionadas com tecidos orientais, sedas, lã penteada e veludo. E
festa é o que não faltava, o ano inteiro, nas feiras e nas datas religiosas e profanas da Europa Medieval.
Tanto nos castelos quanto nas vilas, aldeias e cidades, em tempos de fartura, tudo era motivo para
comer, beber e dançar, com fantasias, máscaras, procissões, muita alegria e até certos excessos.

Os camponeses, apesar do sofrimento e a da penúria, gostavam de festas, danças e músicas. Várias


danças folclóricas europeias originam-se de festas e danças populares medievais.

Peculiaridades sobre a sociedade feudal

Os castelos

Os senhores feudais moravam em castelos fortificados, erguidos em meio às suas terras. Até o século
X, eram geralmente de madeira. Com o enriquecimento dos senhores feudais, os castelos passam a
ser construídos de pedra, formando verdadeiras fortalezas.

Dentro dele viviam, monotonamente, o senhor, sua família, os seus domésticos e, em caso de guerra,
todos os vassalos que ali se abrigavam do inimigo comum. O interior do castelo era amplo, mas frio,
espartanamente mobiliado, oferecendo pouca comodidade. As únicas diversões eram, especialmente
nos dias chuvosos, os cânticos dos jograis e as graças dos bufões. Em dias de sol, periodicamente, o
senhor do castelo saía à caça, ou promovia torneios com cavaleiros vizinhos, disputando alegremente
o jogo das armas.

Os servos da gleba

Os mais humildes dos vassalos eram os servos da gleba, que, de tão humildes, não tinham vassalos.
Era o mais baixo degrau da sociedade feudal. Além de terem de lavrar a terra de seu suserano, davam-
lhe o melhor de suas colheitas. Na guerra deviam lutar a seu lado, às vezes armados apenas com paus
ou precárias lanças. Estavam sujeitos a prestar todo e qualquer serviço a seu senhor. Não podiam
casar, mudar de lugar, herdar algum bem, se não tivessem a permissão de seu senhor. Moravam em
miseráveis choupanas, nas próprias terras de seus suseranos.

Ordálio

Era o costume de submeter o acusado, de um crime a um perigo, para ver se era culpado. (Por exemplo:
colocar a mão em água fervendo; segurar um ferro em brasa. Acreditava-se que, se inocente, Deus
produziria um milagre, não deixando que algum mal acontecesse ao presumível culpado). A Igreja lutou
contra esse costume, procurando extingui-lo.

Os duelos

Os nobres costumavam praticar o duelo, para resolver suas questões pessoais. Também contra isso
lutou a Igreja, que procurou levar o julgamento dos crimes aos tribunais dos príncipes e senhores, a
quem caberia administrar a justiça.

A mulher

A mulher na sociedade feudal era considerada um mero instrumento, máquina de procriação e objeto
de propriedade e posse exclusiva do marido, seu amo e senhor. Não tinha qualquer direito, sequer o
de escolher seu futuro marido e quando queriam se casar.

O lendário cinturão de castidade

Era um artefato de ferro ou de couro que os homens colocavam em suas mulheres e que tinha uma
tranca (ou uma espécie de cadeado) para impedir que elas, na ausência de seus maridos, mantivessem
relações extraconjugais.

O cinto de castidade tinha apenas um orifício (não dois como desenham muitos historiadores e artistas
plásticos que tentam resgatar o mito dessa odiosa peça) por onde saiam às fezes e a urina da mulher.

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O grande problema era que, por não poderem fazer sua higiene, as mulheres acabavam vítimas de
infecções urinárias graves por Escherichia coli, uma bactéria que é constituinte da flora normal do in-
testino, mas que no sistema urinário causa uma infecção gravíssima e que pode causar nefrite, nefrose
e levar à morte. Muitas morriam ainda muito jovens por causa desse tipo de costume.

A homossexualidade

Praticamente não existiam homossexuais declarados e assumidos na idade média, pois a Igreja Cató-
lica os punia severamente e, diante do quadro de horrores a que estavam sujeitos, nenhum homem se
declarava homossexual ou assumia sua condição e opção sexual.

Hábitos

A higiene na idade média era o ponto fraco, tanto que possibilitou o alastramento de doenças que quase
dizimaram com toda a Europa medieval, especialmente a Peste Negra (peste bubônica) que exterminou
quase dois terços da população.

Alimentação

Basicamente carne de caça, alguns animais domésticos e vegetais.

Lazer

As diversões dos homens, cavaleiros, suseranos e servos eram em grande parte os duelos, as mulhe-
res e cuidar dos filhos.

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