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Sintaxe 2. Inicio

Início de construção de frases.

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Língua Portuguesa:

Sintaxe
A Sintaxe Segundo a Gramática Normativa I

Responsável pelo Conteúdo:


Profa. Dra. Geovana Gentili Santos

Revisão Textual:
Profa. Ms. Sílvia Albert
A Sintaxe Segundo a
Gramática Normativa I

• Introdução;
• Sintaxe: O que é Isso Mesmo?
• Noções Básicas;
• Elementos Essenciais.

OBJETIVOS DE APRENDIZADO
• O objetivo desta unidade é iniciar os estudos de análise sintática da língua portuguesa.
Para tanto, primeiramente, alguns termos básicos nesta área de estudo serão retomados e,
na sequência, se estudará os elementos essenciais de uma oração; mais especificamente,
os tipos de sujeitos.
UNIDADE A Sintaxe Segundo a Gramática Normativa I

Contextualização
Para iniciar nossos estudos nessa unidade, façamos a leitura do poema “O assassino era
o escriba”, de Paulo Leminski:

O assassino era o escriba


Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito
Inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

Caso sinta dificuldade com o significado de alguma palavra, busque-a no dicionário.


Esta pesquisa faz parte do constante aprendizado e da familiarização com a língua.
Dicionário Michaelis, disponível em: https://bit.ly/3xcmlht

Gostou? Reconheceu algumas das palavras presentes no poema com aquelas que
fazem parte do nosso curso? O que lhe pareceu essa recombinação? Como podemos
perceber, trata-se de um poema que, humoristicamente, joga com as terminologias gra-
maticais, dando-lhes um novo contexto discursivo que, por sua vez, lhes confere um
novo sentido. Sentido, este, que satiriza, desmitifica – e por que não? – homenageia a
riqueza de nomenclatura da língua portuguesa, seja nas análises morfológicas seja nas
sintáticas.

Já imersos nesse universo, retomemos alguns caminhos da análise sintática e seus


elementos na língua portuguesa.

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Introdução
“A leitura de uma gramática para quem quer conhecer uma língua será
tão proveitosa quanto foi para o nosso visitante a leitura do mapa da
cidade. Isto porque a gramática procura mostrar como os elementos que
compõem uma língua se estruturam e se organizam para a elaboração
de textos, pelos quais as pessoas se comunicam umas com as outras”
(EVANILDO BECHARA).

Ainda que, por diversos motivos, o estudo sobre a estrutura da língua materna seja
sempre encarada como uma etapa maçante, difícil e sem sentido para a vida, pelas
palavras do filólogo Bechara, verificamos que o conhecimento da estrutura de uma
língua funciona como ferramenta de aprimoramento e assegura uma maior liberdade
expressiva.
Sendo assim, ao contrário do que nos fazem crer, ler, estudar e conhecer, a gra-
mática de uma língua possibilita ao falante maior autonomia e poder de comunica-
bilidade. Ou seja, por meio da combinação coerente dada às palavras, seguindo as
normas básicas de uma língua, o falante é capaz de expressar-se e ser entendido/
compreendido.
Eis a magia dos estudos gramaticais: eles potencializam as habilidades linguísticas e
discursivas que internalizamos ao longo do processo de aquisição da linguagem sem de-
moradas reflexões. Chegou o momento: pensemos a língua materna! Pensemos a nossa
língua portuguesa!

Sintaxe: O que é Isso Mesmo?


O que é isso mesmo?

Leia a história em quadrinho no link abaixo:

Turma da Monica, disponível em: https://bit.ly/2Vk8yIg

Somos capazes de entender o sentido de humor construído no quadrinho por meio


da interação entre a linguagem verbal e a não-verbal no contexto enunciativo. Isto é, o
questionamento posto pela personagem Mônica – expresso no plano linguístico pela
estrutura interrogativa “Mas por que” e reforçada pela expressão facial de espanto e in-
dagação – encontra como resposta apenas uma palavra de Cebolinha, complementada
pela imagem descritiva do contexto em que a troca de fala ocorre.
Agora imagine que as palavras do primeiro quadrinho estivessem na seguinte
ordem: “quer casinha mas cebolinha mais por que brincar de você não comigo?”. Seria
compreensível? Entenderíamos o enunciado da mesma forma que antes? Certamente,
reconheceríamos as palavras de nossa língua, mas, não teríamos a compreensão
da mensagem.

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UNIDADE A Sintaxe Segundo a Gramática Normativa I

Tal hipótese apenas reforça a tese de que para nos comunicar, fazemos uma seleção
e uma combinação das palavras obedecendo a regras básicas de estrutura e colocação
dos termos na sentença com a intenção de nos fazer entender.

Não se trata de um mero aglomerado de palavras, unidas uma a outra de qualquer


forma. Antes disso, há um nível organizacional entre as palavras e entre as frase/orações
capazes de criar sentido. É deste nível que se ocupa a Sintaxe:

[...] sintaxe é a disciplina linguística que estuda como combinamos pala-


vras para formar sintagmas e como combinamos sintagmas para formar
sentenças. Esta concepção de sintaxe se apoia no que se chama Hipótese
Lexicalista, isto é, a sintaxe começa a atuar onde acaba a atuação da
morfologia. A sintaxe toma as palavras, que são o produto da morfologia,
e realiza as combinações” (MIOTO, 2013, p.36).

Aqui, cabe lembrar que, de acordo com a Nomenclatura Gramatical Brasileira


(NGB), a gramática se compõe das seguintes partes: Fonética, Morfologia e Sintaxe.
E, esta última – da qual nos ocupamos nesta disciplina – está dividida pela NGB em:
Sintaxe de Regência (nominal e verbal); Sintaxe de Concordância (nominal e verbal);
e Sintaxe de Colocação.

Voce Sabia?
Curiosidade: O que é NGB?
Antes de a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) ser implantada em 1959, existia
uma multiplicidade de terminologias gramaticais que dificultavam o ensino da Língua
Portuguesa, no Brasil. As nomenclaturas utilizadas geravam polêmicas e o aluno não sa-
bia distinguir a variedade de códigos terminológicos que lhe eram impostos e cobrados
em provas e concursos. (HENRIQUES, 2009).
Frente a esta situação, formou-se uma comissão de pesquisadores com o propósito de
elaborar um projeto que conseguisse unificar a gramática no Brasil. Dentre os nomes
que compuseram este grupo, podemos citar: Antenor Nascentes, Henrique da Rocha
Lima, Clóvis do Rego Monteiro, Cândido Jucá, Celso Ferreira da Cunha, Antônio José Che-
diak, Serafim da Silva Neto e Silvio Edmundo Elia, estudiosos da língua e políticos.
Assim, em 1958, os membros dessa comissão passaram às mãos do Ministro de Estado
da Educação e Cultura – Clóvis Salgado – o Anteprojeto da Nomenclatura Gramatical
Brasileira. Foi apenas no ano seguinte que, por meio de uma portaria, se decidiu pela
“adoção da Nomenclatura Gramatical Brasileira e aconselhava sua entrada em vigor na-
quele ano letivo”. (HENRIQUES, 2009, p. 29).
Desde então, a Nomenclatura Gramatical Brasileira está em vigor, facilitando o ensino e a
compreensão da estrutura da língua portuguesa, no Brasil. Aqui, retomaremos os termos as-
sentados pela NGB e empregados nos estudos sintáticos sob a óptica da gramática normativa.

Verificamos, portanto, que a sintaxe analisa e descreve as regras de combinação de


palavras que operam na formação dos enunciados (frases e orações). Por meio da análi-
se sintática, podemos decompor o enunciado e verificar como as palavras relacionam-se
entre si e quais funções desempenham.

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Antes de adentrarmos no universo da sintaxe, ou mais especificamente, da
análise sintática é de grande auxílio repassar a definição de alguns termos.

Noções Básicas
Leia a tirinha no link e, a partir dela, vejamos o vocabulário comum à sintaxe:
Disponível em: https://bit.ly/3BX4UVO

Podemos notar que, na tirinha acima, encontramos enunciados com ou sem verbo,
todos com informações completas e que, considerando a linguagem verbal e a não-verbal,
é possível construir sentido para o texto. Daí, podemos extrair o primeiro vocábulo:

Frase
É todo enunciado ou conjunto de uma ou mais palavras que em situação de uso da
língua estabelece a comunicação e transmite informação completa.
Os enunciados que se organizam sem a presença de verbo são chamados de frase
nominal. Já os enunciados que se organizam em torno de uma ou mais forma(s)
verbal(is) são chamados de frase verbal ou oração.

Oração
É todo enunciado linguístico estruturado em torno de um verbo (explícito ou não),
mas que não necessariamente tenha sentido completo. Cada verbo ou locução verbal
corresponde a uma oração.

Analise os exemplos:

“Bom dia!”
Frase sem verbo = frase nominal
“Aqui estou eu, feliz e contente” (1º quadrinho)
Frase com 1 verbo = 1 oração.
“Pedro brigou, saiu e voltou
Frase com 3 verbos = 3 orações.

Mas, cuidado para não generalizar e confundir!


• Nem toda frase é uma oração dado que existem as frases nominais, aquelas
que não possuem verbo.
• Nem toda oração é uma frase, já que há oração que não possui um sen-
tido completo.

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UNIDADE A Sintaxe Segundo a Gramática Normativa I

Observe os dois casos abaixo:


• “Graças a Deus!”- trata-se de uma frase nominal. Por quê? Porque possui sen-
tido completo e não está organizada em torno de um verbo. Por essa razão,
esta frase não é considerada uma oração.
• “Eu comprei” - trata-se de uma oração. Por quê? Porque o enunciado está or-
ganizado em torno de um verbo. Porém, não podemos considerá-la uma frase
posto que, fora de um contexto discursivo específico, a mesma não apresenta um
sentido completo. De imediato, perguntaríamos, comprou o quê?

Para definir se um enunciado é ou não uma frase, faz-se necessário levar sempre
em conta não só os elementos linguísticos que o constituem, mas, também, todo o seu
contexto enunciativo. Por exemplo: a palavra “Socorro”, pronunciada fora de qualquer
contexto, não estabelece uma comunicação. No entanto, proferida numa situação de pe-
rigo, com entonação de medo – isto é, em um determinado tipo de contexto – essa única
palavra será considerada uma frase, pois, adquirirá um sentido completo: “Socorro!”

O mesmo ocorre com o exemplo dado anteriormente – “Eu comprei” – que, fora de um
determinado contexto discursivo, pode não ter sentido. Mas, se estiver inserido em um diá-
logo, logo a oração se revestirá de sentido completo e se tornará uma frase. Veja:
• “Maria, você comprou o pão hoje?”
• “Sim, eu comprei!”

Pelo que vimos até aqui, notamos que o verbo torna-se um elemento-chave no pro-
cesso de identificação e classificação de um enunciado.

É a partir da quantidade de orações presentes em uma frase que a classificaremos


como período simples ou período composto.

Período
É o enunciado (frase), de sentido pleno, constituído de uma ou mais orações. Quando
a frase for composta apenas por uma oração a denominaremos de período simples.
Se a frase estiver constituída de mais de uma oração a denominaremos de período
composto.

Observe o exemplo:

O pianista executou lindas melodias.

Neste caso, temos um período simples já que a frase conta apenas com uma oração,
ou seja, a frase estrutura-se em torno de um único verbo. Agora, veja o exemplo a seguir:

“Então não estou mais contente.


Estou Infeliz. Meu dia está arruinado.”

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Neste caso, a frase conta com três orações e, por esta razão, trata-se de um período
composto. Mais adiante, estudaremos o tipo de relação que uma oração estabelece com
as outras.
De acordo com a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), ao analisarmos os
vocábulos combinados sintaticamente em cada oração, podemos classificá-los em três
tipos: termos essenciais, termos integrantes e termos acessórios.

Elementos Essenciais
Termos Essenciais
São dois os elementos classificados como essenciais em uma oração: sujeito
e predicado.

o ser de quem se declara alguma coisa. Ou como define Bechara (2014, p. 29), sujeito
SUJEITO “é o termo da oração que indica o tópico da comunicação representado por pessoa ou
coisa de que afirmamos ou negamos uma ação ou uma qualidade”.

aquilo que se diz do sujeito. Nos termos de Bechara (2014, p.29), predicado “é o comentá-
PREDICADO rio da comunicação, é tudo o que se diz na oração, ordinariamente o que se diz do sujeito”

Leia a charge no link e tente identificar os dois termos essenciais da oração presente na fala
da personagem: Disponível em: https://bit.ly/2V6nmui

Um livro é um universo portátil.


Para identificá-los, tendo em conta a definição dada para cada um deles, podemos,
primeiramente, identificar o comentário “é um mundo portátil”. Logo, questionamos: O
que é um mundo portátil? E, assim, localizamos o sujeito da oração: o livro.

Uma forma de se identificar o sujeito é fazer a pergunta “que”, “quem”, “o que” antes
do verbo

SUJEITO (tópico) O Livro

PREDICADO (Comentário) é um mundo portátil.

Vale lembrar que é equivocado definir o sujeito como “quem pratica a ação”, porque o sujeito
pode também “sofrer a ação”. Veja os exemplos a seguir:
• Machado de Assis escreveu extraordinários romances.
Quem escreveu extraordinários romances? Quem fez a ação de escrever romances? Machado
de Assis – sujeito agente.
• Extraordinários romances foram escritos por Machado de Assis.

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UNIDADE A Sintaxe Segundo a Gramática Normativa I

O que foram escritos por Machado de Assis? Quem sofreu a ação da escrita? Extraordinários
romances – sujeito paciente.

Na maioria das vezes, sobretudo nas orações declarativas, o sujeito aparece no início
da oração, seguido do verbo e dos demais elementos constitutivos do predicado. Quando
o sujeito ocupa esta posição inicial, dizemos que a frase está na ordem direta. Mas, a
língua portuguesa, dada a sua riqueza estrutural, em alguns casos, permite-nos ainda a
liberdade de arranjo; isto é, de posicionar o sujeito em outras posições. Veja:

“Na rua, ao sol de verão, envenenado, morria um pobre cão”

Quem morria na rua, ao sol de verão envenenado? Um pobre cão. Neste caso, pode-
mos identificar os elementos essenciais da seguinte forma:

PREDICADO (Comentário) Na rua, ao sol de verão, envenenado, morria

SUJEITO (tópico) um pobre cão.

Verificamos que o sujeito aparece no final da oração, depois do verbo. Quando o


sujeito ocupa esta posição, dizemos que a frase está na ordem inversa.

Tipos de Sujeito
Há três grandes categorias de classificação do sujeito: determinado, indeterminado
e inexistente. Para identificá-los, é fundamental a noção de núcleo:

Nucleo
É a palavra central da significação no sujeito, a qual os outros termos se referem,
determinando-a, modificando-a ou completando seu sentido.

Veja o exemplo:

O pavão é um arco-íris de plumas.

Para localizarmos o sujeito, perguntamos: Quem é um arco-íris de plumas?


“O pavão” = sujeito da oração. Neste exemplo, o sujeito é formado por mais de uma
palavra, mas, apenas uma delas traz a informação mais importante; é aquela que, se for
retirada, a informação não se completa. Observe:

Sujeito “O pavão”: “pavão” (palavra importante que traz a informação, a quem o pre-
dicado se refere) + “o” palavra que o acompanha. Por isso, afirmamos que o sujeito – “O
pavão” – tem apenas um núcleo: “pavão”.

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Sujeito Determinado
Aquele que está expresso na oração. Este tipo pode classificar-se em: simples, com-
posto e desinencial.

Sujeito simples

Apresenta apenas um núcleo. Veja o quadrinho no link: Disponível em: https://bit.ly/3xc6eAC

Observamos que, no quadrinho, a linguagem se reveste de humor dada a ruptura


na expectativa de resposta por parte do aluno, no contexto discursivo retomado: a sala
de aula, mais especificamente, aula de língua portuguesa sintaxe. Mas, se buscássemos
identificar o sujeito da oração inscrita na lousa, tal como solicita a professora, qual seria?
Analisemos:

O eleitor confia na honestidade dos políticos.

Quem confia na honestidade dos políticos? “O eleitor”. Quanto aos termos essenciais
da oração, podemos dividir a frase da seguinte forma:

SUJEITO (tópico) O eleitor

PREDICADO (Comentário) confia na honestidade dos políticos.

O sujeito da oração está constituído de dois vocábulos: “O” (artigo definido, masculino,
singular) + “eleitor” (substantivo, masculino, singular). Destas duas palavras, qual é a
principal? Qual é o termo central da significação? Exato, é o substantivo “eleitor”; ele
é o termo central, tendo o artigo “o” como elemento especificador. Podemos afirmar,
portanto, que o sujeito da oração – “O eleitor confia na honestidade dos políticos” – tem
apenas um núcleo – “eleitor” – e, por esta razão, o sujeito será denominado de sujeito
simples.
Veja outro exemplo:

Um bando de crianças brinca em banho de lama gigante no parque.

Quem brinca em banho de lama gigante no parque? “Um bando de crianças” (= sujei-
to). Qual é o núcleo? “bando” (= 1 núcleo). As outras palavras determinam e complemen-
tam o sentido do termo “bando”. Trata-se, também, de um sujeito simples.

Se tivermos um único núcleo, ainda que tenhamos várias palavras constituindo o


sujeito, teremos um caso de sujeito simples.

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UNIDADE A Sintaxe Segundo a Gramática Normativa I

Sujeito composto
Apresenta mais de um núcleo. Leia a frase na imagem abaixo:

Figura 1
Fonte: iStock/Getty Images

#ParaTodosVerem. Desenho representado uma escada da perspectiva de quem está


subindo a escada. Do degrau mais acima até o degrau mais abaixo há 4 frases escritas
em cada degrau na seguinte sequência: Que toda tristeza e toda decepção sejam apenas
degraus para o nosso crescimento.
Nesta frase – “Que toda tristeza e toda decepção sejam apenas degraus para o nosso
crescimento” – Qual é o sujeito? Exato, “Que toda tristeza e toda decepção”. Qual o nú-
cleo? Neste caso, “tristeza” e “decepção”, ambas as palavras são centrais na significação
do sujeito. Os demais termos apenas complementam o seu sentido. Por este sujeito ter
mais de um núcleo, o classificamos como sujeito composto.

Veja outro exemplo:

As 500 milhas de Indianápolis e o táxi do Gugu são as duas corridas mais imprevisí-
veis do mundo.

Quais são as duas corridas mais imprevisíveis do mundo? “As 500 milhas de Indianápo-
lis e o táxi do Gugu” (= sujeito). Quais os núcleos? “milhas” e “táxi”. Temos, portanto, um
sujeito composto.

Se tivermos mais de um núcleo no sujeito, teremos um caso de sujeito composto.

Sujeito desinencial
Quando falta uma palavra que identifique explicitamente o ser a quem ou ao qual
o predicado se refere. Neste caso, a identificação do sujeito se dá por meio da desi-
nência verbal. Veja o quadro abaixo:

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Figura 2
Fonte: Reprodução

#ParaTodosVerem. Desenho em que há a representação de uma menina que veste ves-


tido azul e carrega nas mãos uma mala. Há um guarda-roupa marrom à sua frente,
uma das mãos está abrindo a porta. Ao lado dela está escrito: Cansei! Estou indo para
Nárnia! Fim da descrição.
Na imagem, temos duas orações: “Cansei!” e “Estou indo para Nárnia!”. Qual o
sujeito em cada uma delas? Como o termo não está explícito em ambas as frases, para
localizar o sujeito, nos valemos da desinência verbal. Vejamos: na primeira oração, o ver-
bo cansar está conjugado em que pessoa? Sim, na primeira pessoa do singular referente
ao pronome “Eu”. Sendo assim, ao perguntar - “Quem cansou”? – a resposta será: “eu”.
Este é o sujeito da oração e por localizarmos apenas por meio da desinência verbal, o
classificamos como sujeito desinencial.

Na segunda oração – “Estou indo para Nárnia!” – ocorre o mesmo, o sujeito não está
explícito e, para identificá-lo, temos de recorrer à informação que o verbo nos dá. Neste
caso, temos uma locução verbal - “estou indo” – cujo verbo auxiliar “estar” encontra-se
conjugado na primeira pessoa do singular, referente ao pronome “eu”. Portanto, o sujei-
to da oração será “eu”. Trata-se de um sujeito desinencial.

Importante!
Em muitas gramáticas, ainda encontramos a designação de sujeito oculto para os casos de
sujeito desinencial. No entanto, a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) não agasalha
essa denominação, optando, para estes casos, a nomenclatura sujeito desinencial.

Sujeito Indeterminado
Quando não se quer, não se pode ou não interessa identificar o sujeito. Na língua
portuguesa, é possível elaborar frases com sujeito indeterminado recorrendo às seguin-
tes estruturas:
• usar o verbo na 3.ª pessoa do plural, sem que este faça referência a um subs-
tantivo expresso no plural, nem ao pronome pessoal “eles”.

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UNIDADE A Sintaxe Segundo a Gramática Normativa I

Comentaram de você lá na escola.

A quem se atribui o ato de comentar? Não se sabe. Pode ter sido várias pessoas, mas,
pode ter sido apenas uma.

Falam em recessão na Espanha.

Quem fala em recessão na Espanha? Não é possível determinar o sujeito desta frase,
por isto, o denominamos de sujeito indeterminado.
• usar verbo intransitivo ou transitivo indireto, na 3.ª pessoa do singular,
acompanhado da partícula “se”.

Fala-se em recessão na Espanha.

Quem fala em recessão na Espanha? Não é possível determinar na frase quem seja o
sujeito. Chamamos de índice de indeterminação do sujeito à partícula “se”, que se apre-
senta ligada ao verbo, para indeterminar o sujeito. Exemplo: Vive-se bem em cidades
menos violentas.

Quando o sujeito é indeterminado, a oração compõe-se apenas do predicado.


Veja:

SUJEITO (tópico)

PREDICADO (Comentário) Fala-se em recessão na Espanha.

Muitas vezes, dependendo do contexto, a oração com o verbo na 3ª pessoa do


plural possui sujeito já mencionado anteriormente. Nesses casos, o sujeito deixa
de ser indeterminado.

Observe os exemplos:

Esconderam meus livros.

Quem escondeu os livros? Não é possível identificar o sujeito a quem o predicado se


refere. Trata-se de um sujeito indeterminado.

Mas observe agora o exemplo a seguir:

Alguns colegas chegaram mais cedo e esconderam meus livros.

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Na frase acima, temos duas orações. Para identificar o sujeito, perguntamos: Quem
chegou mais cedo? “Alguns colegas”. E, quem escondeu os livros? “Alguns colegas”. No-
tamos que, neste contexto discursivo, o verbo na terceira pessoa do plural faz referência
a um sujeito. Na primeira oração, o sujeito está explícito – “Alguns colegas chegaram
mais cedo” –; na segunda oração, o sujeito não está mencionado por já ter sido referido
anteriormente, evitando a repetição desnecessária. Neste caso, ainda que o verbo “es-
conderam” não conte com um sujeito explícito, não podemos denominá-lo indetermina-
do, já que pelo contexto discurso, anteriormente, o sujeito ao qual o predicado se refere
já tinha sido mencionado: “Alguns colegas”.

Sujeito Inexistente ou Oração Sem Sujeito:


Quando, realmente, não existe sujeito. Os verbos são empregados impessoalmente, ou
seja, não se referem a nenhuma pessoa gramatical; não há nenhum elemento ao qual o
predicado se refira. Neste caso, os verbos vão aparecer sempre na 3ª. pessoa do singular.
Quando o sujeito é inexistente, a oração compõe-se apenas do predicado.

Os principais casos de sujeito inexistente ou de oração sem sujeito na língua portu-


guesa são:
• verbos e expressões que denotam fenômeno da natureza: amanhecer, en-
tardecer, anoitecer, chover, fazer calor, fazer frio, estar frio, gear, nevar, relampejar,
trovejar, ventar etc.

No inverno, amanhece muito tarde.

• verbo haver com sentido de “existir”:

Não há motivos para tanto desespero!


Há leões na África.

• verbo haver, fazer, ser e ir indicando tempo transcorrido

Faz horas que espero para ser atendida neste hospital.


Há dias que ansiava por sua resposta.

• verbo ser, na designação de tempo em geral:

É cedo.
São duas horas.
Era de madrugada.

Mais do que saber as classificações dos tipos de sujeito, importa-nos saber usá-los e
perceber os sentidos e intenções que estão estabelecidos nas construções sintáticas.

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UNIDADE A Sintaxe Segundo a Gramática Normativa I

Vejamos os seguintes exemplos:

O menino cortou o bolo.

Temos nesta oração, um sujeito explícito, determinado e simples. A ênfase encon-


tra-se no menino sobre o qual o predicado faz um comentário.

Cortaram o bolo.

Quem cortou o bolo? Não sabemos ao certo quem foi, trata-se de um sujeito indeter-
minado. O que se sabe é que o bolo encontra-se cortado, mas, não se tem o referente
de quem o cortou. Pode ter sido qualquer pessoa, uma ou mais de uma. Aqui a ênfase
recai sobre o bolo. Não interessa muito quem cortou.

Cortou-se o bolo

Quem cortou o bolo? Tampouco, neste caso, sabemos quem é o sujeito agente. Trata-
-se de um sujeito indeterminado. Com este tipo de construção, a ênfase recai ainda
mais sobre o bolo. Realmente, não interessa quem o tenha cortado. Notamos, portanto,
que ao optar por construir uma frase com sujeito indeterminado existe uma intenção de
se ocultar ou generalizar as informações, diminuindo o grau de comprometimento do
enunciador.

Concluímos, aqui, esta unidade tendo visto noções, definições e elementos essenciais
para a compreensão da sintaxe da língua portuguesa. Pudemos relacionar o estudo da
sintaxe com o uso efetivo da língua, para que você percebesse que estudar gramática é
estudar a língua; não como um sistema rígido e definido a priori, mas como um sistema
organizado e, ao mesmo tempo, passível de mudanças, pois, está integrado a um con-
texto sociocultural e é definido pelo uso de seus falantes.

Lembre-se de fazer uma síntese, em forma de esquema, de todo o conteúdo aborda-


do nesta unidade. Com certeza, você terá mais segurança para realizar as atividades e
poderá formar um bom arquivo para seus estudos posteriores.

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Leitura
Diagnóstico das concepções de linguagem e de gramática nas aulas de Língua Portuguesa
Nele, as autoras, da Universidade Federal do Pará, discutem os três conceitos de
linguagem associam-nos a três visões sobre a gramática e apresentam alguns estudos
práticos que revelam como tais conceitos estão presentes no cotidiano escolar.
As professoras aplicaram questionários a alunos e à professora de uma sala de
3º. ano e, sustentadas pela Linguística Aplicada, descobriram que a professora
entrevistada não utilizava, em sua prática de sala de aula, procedimentos que
indicassem a percepção da concepção interacionista da linguagem, e, quanto à
concepção de gramática, há a predominância da gramática normativa.
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UNIDADE A Sintaxe Segundo a Gramática Normativa I

Referências
BAGNO, M. Dramática da língua portuguesa: tradição gramatical, mídia e exclusão
social. São Paulo: Edições Loyola, 2000.

BECHARA, E. Moderna Gramática Portuguesa. 37.ª ed. revista e ampliada. Rio de


Janeiro: Lucerna, 1999.

BECHARA, E. Lições de Português pela análise sintática. 19.ª rev. e ampl., com
exercícios resolvidos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.

CUNHA, C. & CINTRA, L. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de


Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

KURY, A. da Gama. Novas lições de análise sintática. 2.ª ed. São Paulo: Ática, 1986.

PERINI, M. A. Para uma nova gramática do português. 10.ª ed. São Paulo: Ática,
2001.

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