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Hiperidrose: Causas, Diagnóstico e Tratamento

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Hiperidrose

SUMÁRIO
1. Introdução...........................................................................................................3

2. Glândulas sudoríparas.........................................................................................4

3. Fisiopatologia......................................................................................................6
Origem neural................................................................................................................ 7
Origem não neural......................................................................................................... 9

4. Classificação.......................................................................................................9

5. Diagnóstico.......................................................................................................11

6. Tratamento........................................................................................................12
Tratamento clínico....................................................................................................... 13
Cirúrgico....................................................................................................................... 14

Referências ........................................................................................................................17
1. INTRODUÇÃO
A hiperidrose é caracterizada por sudorese excessiva. Os dados disponíveis na
literatura médica referentes à prevalência da hiperidrose na população mundial são
escassos, e os valores variam de 0,072% a 9%.

Figura 1: Hiperidrose.
Fonte: sruilk/[Link]

Saiba mais! Anidrose caracteriza-se pela ausência de suor, que


pode ser generalizada ou segmentar. A anidrose pode decorrer de agenesia das
glândulas écrinas ou de disfunção delas, bem como da lesão da inervação sim-
pática. Algumas doenças podem cursar com hipoidrose localizada especifica-
mente sobre as lesões, como hanseníase, esclerodermia e necrobiose lipoídica.

Hiperidrose 3
2. GLÂNDULAS SUDORÍPARAS
A pele recobre a superfície do corpo, sendo um dos maiores órgãos, que alcança
16% do peso corporal. Nela encontram-se vários anexos, tais como folículos pilosos,
unhas e glândulas. Dentre as glândulas, o destaque nesse material é para as sudorí-
paras, envolvidas na termorregulação devido à produção de suor.
Anatomicamente, possuem uma porção condutora e outra secretora, sendo,
portanto, uma glândula exócrina, do tipo tubulosa enovelada (forma da porção
condutora).

Conceito: Uma glândula exócrina libera sua secreção por meio de


ductos na superfície do corpo.

Figura 2: Glândula sudorípara. Estrutura tubular, formada por duas partes: porção enovelada + ducto.
Fonte: Designua/[Link]

Hiperidrose 4
• Classificação: Podem ser classificadas em dois tipos: écrinas e apócrinas.
• Écrinas: Originam-se do broto écrino da epiderme e estão em toda a pele,
exceto mucosa labial, leito ungueal, pequenos lábios da vulva, glande e face
interna do prepúcio. Mais numerosas e desenvolvidas nas regiões palmar,
plantar e axilar. Inervado por fibras colinérgicas. As glândulas podem ser es-
timuladas pela epinefrina/norepinefrina, sob estímulo exógeno, como o calor
do meio ambiente, ou endógeno, por alterações metabólicas, assim como
por fatores emocionais ou lesões neurológicas. Consoante a intensidade dos
estímulos, a secreção pode ser localizada apenas nas regiões palmoplanta-
res e/ou axilares, ou generalizada.

Se liga! As fibras nervosas colinérgicas secretam acetilcolina, mas


cursam pelos nervos simpáticos junto com as fibras adrenérgicas.

• Apócrinas: Originam-se do broto epitelial primário, conjuntamente com as


glândulas sebáceas e pelos. Diferenciam-se das écrinas, não somente pela
embriogênese, mas também pela função, distribuição, tamanho e tipo de
secreção. Enquanto as écrinas são indispensáveis para a termorregulação,
as apócrinas têm uma função odorífica. São encontradas nas axilas, aréolas
mamárias, regiões esternal, periumbilical, pubiana e anogenital, excepcio-
nalmente no tronco e couro cabeludo. Na puberdade, por influência hormo-
nal, as glândulas apócrinas aumentam de tamanho e iniciam sua secreção.
Possuem inervação simpática, com a secreção induzida por fibras alfa e be-
ta adrenérgicas e colinérgicas. Após a estimulação, há produção de um líqui-
do viscoso, branco-amarelado, contendo quantidades variáveis de colesterol,
triglicérides, ácidos graxos, ésteres de colesterol e esqualeno.

Saiba mais! A secreção das glândulas sudoríparas apócrinas é,


inicialmente, estéril e inodora. Ela é decomposta por microrganismos (mais im-
portante é a Corynobacteria), principalmente nas axilas, surgindo odor, variável
individualmente e, em geral, desagradável.

Hiperidrose 5
Se liga! De modo geral, as glândulas podem ser classificadas de
acordo com o modo pelo qual os produtos de secreção deixam a célula: meró-
crinas ou écrinas, holócrinas ou apócrinas. Nas glândulas merócrinas (ex.:
pâncreas) a secreção acumulada em grãos de secreção é liberada pela célula
por meio de exocitose, sem perda de outro material celular. Nas glândulas holó-
crinas (ex.: glândulas sebáceas) o produto de secreção é eliminado juntamente
com toda a célula, processo que envolve a destruição das células repletas de
secreção. Um tipo intermediário é a secreção apócrina (ex.: glândula mamária),
em que o produto de secreção é descarregado junto com pequenas porções do
citoplasma apical.

• Composição do suor: O suor secretado por essas glândulas é uma solução ex-
tremamente diluída, que contém pouquíssima proteína, além de sódio, potássio,
cloreto, ureia, amônia e ácido úrico. O seu teor de Na+ (85 mEq) é muito menor
do que o do sangue (144 mEq). Os duetos excretores absorvem Na+, que é
devolvido ao sangue, evitando a perda excessiva desse íon. O fluido encontra-
do no lúmen das glândulas sudoríparas é essencialmente um ultrafiltrado do
plasma sanguíneo, derivado dos abundantes capilares localizados em volta das
porções secretoras. Ao alcançar a superfície da pele, o suor se evapora, fazen-
do baixar a temperatura corporal. Os catabólitos encontrados no suor mostram
que as glândulas sudoríparas participam da excreção de substâncias inúteis
para o organismo.
• Mecanismo da secreção do suor: A porção secretória da glândula sudorípara
secreta líquido chamado secreção primária ou precursora, e a concentração do
líquido é modificada durante a passagem pelo ducto. A secreção precursora é
produto secretório ativo das células epiteliais que revestem a porção enovelada
da glândula sudorípara.

3. FISIOPATOLOGIA
Trata-se de um quadro agravado ou desencadeado por fatores ou estados emo-
cionais, onde as glândulas sudoríparas estão normais. A hiperidrose pode ter origem
neural ou não neural:

Hiperidrose 6
Hiperidrose
Cortical

Hipotalâmica
Origem neural
Gustativa

Lesões da medula espinhal,


tronco ou fibras nervosas

Ação do calor na pele

Origem
não neural Ação de drogas

Alteração fluxo sanguíneo

Origem neural
• Hiperidrose cortical ou emocional: É uma hiperidrose generalizada mais
evidente em certas áreas como regiões axilares, palmoplantares e períneo-
-inguinal, podendo, eventualmente, ser forma localizada. Sugere-se que seja
decorrente de herança autossômica dominante. A patogenia é explicada da se-
guinte forma:

Hiperidrose 7
Impulsos
Hiperestimulação
oriundos da área Processamento no
 acetilcolina das glandulas
pré-motora do hipotálamo
sudoríparas
cortex

Aumento de
Hiperestimulação das
temperatura (exercício, Estímulo hipotálamo
glandulas sudoríparas
doença, ambiente)

Estímulo Proximidade do
Estímulo Estimalação
gustatórios nos núcleo responsável
glandulas glândulas
receptores das pela sudorese e
salivares sudoríparas.
papilas gustativas salivação

A hiperidrose cortical melhora durante o sono. Isso é explicado pela diminuição


dos impulsos nervosos. Além disso, não se altera em ambientes quentes, excluindo
a possibilidade de influência de estímulos do ambiente.
Ocorre em maior intensidade nas regiões mais ricas em glândulas sudoríparas,
como couro cabeludo, fronte, virilhas, axilas, regiões plantares e palmas das mãos.

• Hiperidrose hipotalâmica: É devida a estímulo dos centros reguladores da tem-


peratura do hipotálamo que podem, eventualmente, apresentar uma sensibilida-
de aumentada.

A hiperidrose hipotalâmica não diminui durante o sono, podendo, inclusive, tornar-


-se mais intensa.

• Hiperidrose gustativa: Relacionada à sudorese na face após ingestão de ali-


mentos condimentados, álcool ou cítricos.

Essa condição pode ser fisiológica. Será patológica quando em excesso. As cau-
sas podem ser: infecção, trauma ou cirurgia na glândula parótida, alteração do siste-
ma nervoso central (como encefalite).
• Hiperidrose por lesão na medula espinhal: Podem ocorrer anos após lesão
medular e têm varias origens: trauma (lesão acima T6), hipotensão ortostática,
doenças medulares (como siringomielia e tabes dorsal).

Hiperidrose 8
Conceito: Siringomielia é uma doença que se caracteriza pela
formação de cistos na medula espinhal. Esses cistos crescem e pressionam de
dentro, afetando fibras nervosas sensitivas, inicialmente, e após motoras.
Tabes dorsal (ou ataxia locomotora progressiva) é uma degeneração das fibras
nervosas sensoriais. Pode ser uma manifestação da sífilis tardia.

Origem não neural


Como o nome sugere, não são produzidas por nenhum tipo de alteração das fibras
nervosas. São causadas por calor, drogas e alterações do fluxo sanguíneo das glân-
dulas sudoríparas.

4. CLASSIFICAÇÃO
Sua etiologia pode ser primária ou secundária a outras doenças, como infecções,
transtornos neurológicos ou metabólicos, neoplasias, lesões da medula espinhal, an-
siedade e estresse, como vimos acima.
A hiperidrose primária é idiopática e é a mais comum. Caracterizada por:

• Sudorese excessiva focal, geralmente atinge couro cabeludo/rosto ou mãos ou


axilas ou pés (podendo atingir até duas áreas);
• Presente por pelo menos 6 meses;
• Causas secundárias não aparentes.

Pode apresentar pelo menos dois dos seguintes itens:

Bilateral e simétrico

Impede atividades do cotidiano

Pelo menos um episódio por semana

Idade de instalação <25 anos

Histórico familiar positivo

Para durante o sono

Hiperidrose 9
A hiperidrose secundária é causada ou associada a outra alteração sistêmica.
Pode estar localizada nas regiões palmoplantar, axilar ou outras regiões cutâneas ou
pode ser generalizada. As casas podem ser divididas, como vimos na fisiopatologia,
de acordo com a fonte do impulso nervoso direcionando a resposta: cortical, hipo-
talâmica, medular, espinhal ou local. Algumas características:

• Sudorese generalizada;
• Histórico de síndromes genéticas;
• Síndrome febril;
• Alterações endócrinas (hipertireoidismo, feocromocitoma);
• Uso de medicamentos (acetilcolina, rivastigmina, neostigmina, sulfonilurea, an-
fetaminas, antidepressivos, opioides, entre outros).

Ao contrário da focal primária, as pessoas com a secundária suam em todas as


áreas do corpo ou em regiões incomuns. Outra diferença fundamental entre os dois
tipos é que no caso da secundária, as pessoas podem transpirar excessivamente
também durante o sono. Ela costuma surgir na fase adulta.

AXILAR PALMOPLANTAR

Normal: Mancha de suor até 5 cm Leve: mãos ensopadas

Leve: 5-10 cm Moderada: mãos ensopadas e gotejantes

Moderada: 10-20 cm Grave: mãos ensopadas e muito gotejantes

Grave > 20 cm

HIPERIDROSE PRIMÁRIA

Aumento da sudorese principalmente na região palmoplantar e/ou axilar. Relacionada


às atividades do dia a dia e estresse. Em geral, não há odor (bromidrose);

HIPERIDROSE SECUNDÁRIA

Aumento da sudorese localizada (palmoplantar, axilar) ou generalizada.


Associada a: queratodermia palmoplantar; síndromes disautonômicas familiares;
linfoma; síndromes febris (tuberculose, endocardite); hipertireoidismo; uso de drogas.

Hiperidrose 10
Quanto à gravidade, podemos classificar, a depender da localização, da seguinte
forma:

5. DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é clínico, através da anamnese e revisão de sistemas detalhadas, a
fim de diferenciar a hiperidrose primária e secundária.
Há dois testes para se descobrir a área específica da hiperidrose:
- Teste de amidoiodo (ou Técnica colorimétrica de Minor): consiste em aplicar
uma solução de iodo na área suada e, após a secagem, o amido é aspergido sobre
a zona. A combinação do amido e do iodo com o suor na região resulta na cor azul
escura.

• Papel de teste (ou Gravimetria): um papel especial é colocado sobre a área


afetada para absorver o suor e, depois, é pesado. Quanto mais peso apresentar,
mais suor se acumulou.

Os exames complementares entram para auxiliar no diagnostico diferencial de


causas secundárias. Estes devem ser triados, de acordo com a suspeita guiada pela
clínica:
TESTE LABORATORIAL DOENÇA

Eletrólitos no soro, TFG, creatinina Doença renal (rara)

Nível de glicose sanguínea e/ou HbA1c Diabetes mellitus

Testes funcionais da tireoide Hipertireoidismo

Teste de pele/sangue para tuberculose


Tuberculose
(p. ex.:PPD, QFTB-G)

Radiografias de tórax Tuberculose, neoplasia

Exame de sangue completo Infecção

Taxa de sedimentação Infecção, neoplasia, doença inflamatória

Anticorpos antinucleares Doença do tecido conjuntivo autoimune

Catecolaminas urinárias Feocromocitoma

Hiperidrose 11
6. TRATAMENTO
O tratamento pode ser clínico (tópico ou sistêmico) ou cirúrgico, além de medidas
não medicamentosas, como:

• Controle do peso: aumento do IMC está associado a maior necessidade de


transpiração;
• Dieta não termogênica;
• Exercício físico;
• Vestuário, para condições suportáveis pelo paciente.

Tratamento clínico

Tópico
MEDICAMENTO/ EFEITOS
AÇÃO INDICAÇÃO TEMPO COMENTÁRIO
DOSE ADVERSOS

Bloqueio do
Solução acrossiringio =
Primeira
adstringente bloqueio da sa- Todos os Irritação local + Conforme
escolha
- Cloridróxido ída da glândula, casos. hiperemia necessidade
Uso noturno
de Alumínio portanto o suor
não passa

Remissão por
Banhos elétri-
35 dias.
cos de baixa Conforme
Pode reduzir o
voltagem na necessidade.
Eritema, suor em áreas
área afetada Hiperidrose Sessões de
Lontoforese queimação, específicas,
que provocam palmoplantar 10-20 minutos.
formigamento mas tem que
um bloqueio Requer várias
ser aplicado
nas glândulas sessões
contínua e
sudoríparas
repetitivamente.

Hiperidrose 12
MEDICAMENTO/ EFEITOS
AÇÃO INDICAÇÃO TEMPO COMENTÁRIO
DOSE ADVERSOS

Bloqueio
neuronal nos
receptores da Aplicação
acetilcolina na intradérmica
Toxina junção neu- Todos os com espassa-
Dor local
botulínica romuscular, casos. mento de 1 cm.
resultando Remissão por
na redução 4-6 meses
do impulso
transmitido.

Sistêmico
MEDICAMENTO/ EFEITOS
AÇÃO INDICAÇÃO COMENTÁRIO
DOSE ADVERSOS

Boca seca, visão


Anticolinérgico turva, palpitações,
- Oxibutinina 5-15 Antagonista retenção urinária, Pouco utilizado em
Hiperidrose genera-
mg/dia da ação da distúrbios da fala, decorrência dos
lizada; emocional
- Glicopirrolato 2-6 acetilcolina do paladar, da efeitos colaterais.
mg/dia mastigação e da
deglutição

Anti-hipertensivos
- Clonidina 0,15
mg/dia (aumento
até 0,4 mg/dia) Ajudam no trata-
- Diltiazen Dose Bloqueadores de Efeitos cardiovas- mento de patolo-
Hiperidrose locali-
inicial 30-90 mg/ canal de cálcio, que culares, como hi- gias coexistentes
zada/generalizada;
dia/ Manutenção: impedem a libera- potensão, bloqueio como ataque de
emocional
240 mg/dia ção da acetilcolina atrioventricular pânico, ansiedade
- Propranolol Dose e tremor essencial.
inical 40-80 mg/
dia/ manutenção:
320 mg/dia

Hiperidrose 13
O uso de sedativos e assistência psicológica ajudam a diminuir as secreções e as
fobias sociais, mas agem muito pouco na hiperidrose.

Cirúrgico
Em casos graves, o tratamento cirúrgico é o mais indicado. As opções são:
• Excisão de tecido axilar: excisão do tecido subcutâneo, excisão de pele e teci-
do subcutâneo em bloco, e excisão de pele e do tecido subcutâneo subjacente.
Não é recomendado porque pode causar cicatrizes inestéticas e retração cica-
tricial, com possível limitação da mobilidade articular.
• Lipoaspiração axilar subdérmica: causa rompimento do suprimento nervoso
para as glândulas sudoríparas e remoção ou destruição de algumas das glân-
dulas sudoríparas. Não tem o efeito terapêutico esperado, pois grande parte
das glândulas sudoríparas que causam a hiperidrose mantém suas funções em
decorrência de sua localização na derme. Pode causar hematomas, seromas,
infecções, assimetrias, retrações da pele e alterações da mobilidade articular.
• Simpatectomia torácica (videoassistida): é o único tratamento definitivo para
hiperidrose tanto palmar como axilar. Promove a interrupção dos gânglios T2,
T3 e T4 da cadeia simpática dorsal superior, levando à cessação definitiva de
suor na distribuição do nervo. É um tratamento que necessita de internamento
e deve ser realizado sob anestesia geral. As complicações e os efeitos cola-
terais são bastantes significativos, como sudorese compensatória irreversível
(20% a 50%), baixa satisfação com os resultados, síndrome de Claude-Bernard-
Horner, pneumotórax, hemotórax, assimetria de resultados, nevralgia intercos-
tal, causalgia, resultados incompletos e complicações anestésicas.
• Simpatectomia lombar retroperitoneoscópica (videoassistida): é eficaz no
tratamento da hiperidrose plantar isolada ou persistente (compensatória após
a simpatectomia torácica). O tratamento consiste na retirada dos nervos da
cadeia simpática, localizados no abdome na porção anterolateral das vértebras
lombares. Necessita de internamento e deve ser realizada sob anestesia geral.
Pode levar a complicações, como lesões de estruturas adjacentes à cadeia
simpática, distensão abdominal leve, neuralgia, causalgia, hipoestesia em coxa
e virilha, limitação do movimento da perna, parestesias na parede abdominal
anterolateral, alteração da libido, dispareunia, tromboembolismo pulmonar, he-
morragias, arritmias e descompensação cardíaca, entre outras. Elimina definiti-
vamente a hiperidrose plantar.

Hiperidrose 14
Saiba mais! O tratamento cirúrgico da hiperidrose localizada, sim-
patectomia, apresenta excelentes resultados. Entretanto, o efeito colateral que
mais causa arrependimento e desconforto ao paciente é a hiperidrose compen-
satória ou hiperidrose reflexa intolerável. A hiperidrose compensatória ocorre
no pós-operatório é caracterizada por sudorese de graus variados, de leve a
profusa, geralmente simétrica, que acomete as regiões do corpo que não foram
simpatectomizadas cirurgicamente e, previamente, não apresentavam sudore-
se anormal, como a dorsal, abdome e, algumas vezes, nos membros inferiores.
Possui incidência de 30-84% (dados de 2015). O tratamento clínico é o mesmo,
podendo realizar reabordagem cirúrgica.

HISTÓRIA
CLÍNICA

Hiperidrose primária Hiperidrose secundária

Localização? (craniofacial,
Investigar e tratar a causa
palmoplantar, axilar?)

Lipoaspiração
Simpactectomia
Tratamento clínico Tratamento cirúrgico
Resseção de glandulas
sudoríparas

Adstringentes
Lontoforese
Anticolinérgico
Botox

Sem sucesso

Hiperidrose 15
• Idiopática
• Neural: Cortical, hipotalâmica, Primária: ↑ da sudorese,
gustativa, lesão medular relação à atividades do dia
• Não neural: calor, drogas, fluxo a dia e estresse. Sem odor.
sanguíneo

Secundária: ↑ da sudorese.
Associada a: queratodermia
palmoplantar; síndromes
Sudorese excessiva HIPERIDROSE
disautonômicas familiares;
linfoma; síndromes febris,
hipertireoidismo; uso de drogas

Tratamento Diagnóstico clínico

Primário Secundário Teste amidoiodo Gravimetria

Clínico: Investigar e
Adstringentes; tratar causa
Lontoforese;
Anticolinérigico;
Toxina botulíninca

Cirúrugico:
Lipocuretagem;
Simpatectomia;
ressecção glândulas
sudoríparas

Hiperidrose 16
REFERÊNCIAS
Sampaio SAP, Rivitti EA. Dermatologia. 3. ed. [S.l.]: Artes Médicas, 2007.
Azulay RD, Azulay DR. Dermatologia. 5. ed. atual. e rev. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2011.
Hasimoto E et al. Hiperidrose: prevalência e impacto na qualidade de vida. J Bras
Pneumol. 2018;44(4):292-298.
Reis G et al. Study of patients with hyperhidrosis treated with botulinum toxin: a
10-year retrospective analysis. Rev. Bras. Cir. Plást. 2011; 26(4): 582-90.
Sociedade Brasileira de Cirurgia torácica. Diretrizes para a prevenção, diagnóstico e
manejo da hiperidrose compensatória. [S.l.]: [S.n.], [S.d.].
Araújo C et al. Hiper-hidrose compensatória após simpatectomia toracoscópica:
caracterís­ticas, prevalência e influência na satisfação do paciente. J. bras. pneumol.
2009.
Hall JE, Guyton AC. Guyton & Hall tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2017.

Hiperidrose 17
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