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Câncer

de Pele
SUMÁRIO
1. Introdução...........................................................................................................3

2. Fotodermatoses..................................................................................................6

3. Lesões pré-malignas...........................................................................................9

4. Câncer de pele...................................................................................................14

Referências.........................................................................................................................28
1. INTRODUÇÃO
A pele
A pele é composta por epiderme, derme e hipoderme. A epiderme constitui-se
de quatro camadas (Figura 1): córnea, granulosa, espinhosa e camada basal (ou
germinativa).

Camadas Epidérmicas

Estrato córneo
(camada córnea

Epiderme
Estrato lúcido
Estrato granoloso
(camada granulosa)
Derme

Estrato espinhoso
(camada espinhosa)

Hipoderme
Estrato basal
(camada basal)

Figura 1. Histologia na epiderme e na derme.


Fonte: Blamb/ Shutterstock.com1.

Dessa forma, a pele fornece proteção contra a radiação solar através de alguns
dos seus componentes, como: pelos, melanina e células de defesa. De acordo com
a sua sensibilidade e sua resposta quando exposta à radiação solar, a pele pode ser
classificada em 6 fototipos de Fitzpatrick (Figura 2):

• Fototipo I – Pele branca que sempre queima, nunca bronzeia e é muito sensível
ao sol;
• Fototipo II – Pele branca que sempre queima, bronzeia muito pouco e é sensível
ao sol;
• Fototipo III – Pele morena clara que queima moderadamente, bronzeia modera-
damente e possui sensibilidade normal ao sol;
• Fototipo IV – Pele morena moderada que queima pouco, sempre bronzeia e
possui sensibilidade normal ao sol;
• Fototipo V – Pele morena escura que queima raramente, sempre bronzeia e é
pouco sensível ao sol;
• Fototipo VI – Pele negra que nunca queima e nunca bronzeia, porque é total-
mente pigmentada e é insensível ao sol.

Câncer de Pele 3
Escala de Fitzpatrick

Tipo de pele Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3 Tipo 4 Tipo 5 Tipo 6


Índice de
melanina
Sensível aos Resistente a
Sensibilidade raios UV: queima, UV: bronzeia,
UV nunca bronzeia raramente queima
Risco de
câncer de pele

Figura 2. Fototipos de Fitzpatrick.


Fonte: baldezh/ Shutterstock.com2.

Radiação solar
A radiação solar possui um espectro muito amplo, mas o subtipo que mais causa
dano à pele é a radiação ultravioleta (UV), que pode ser UVA ou UVB. A radiação UVA
penetra até a derme e é constante durante o dia, sendo responsável pelas lesões de
fotoenvelhecimento.
Já a radiação UVB é aquela presente principalmente nos horários de 10 às 16 horas,
que acomete as camadas mais superficiais da pele e causa as queimaduras solares.
O índice ultravioleta é a quantidade de radiação UV que chega a determinado lo-
cal, sendo influenciado por alguns fatores: camada de ozônio e presença de nuvens
(já que estas bloqueiam a radiação UVB), estações do ano (no verão há maior expo-
sição) e altitude (locais mais altos são mais expostos à radiação).

Proteção solar
Como será exposto a seguir, o principal fator de risco para as lesões pré-malignas
e para os cânceres de pele é a radiação ultravioleta. Assim, a prevenção para essas
neoplasias se faz por meio da fotoproteção.
A fotoproteção deve ser realizada com filtros solares e acessórios (chapéu, boné,
roupas e óculos), sendo que os filtros devem ser usados mesmo em dias nublados,
porque a radiação UV ultrapassa as nuvens e a própria luz visível causa danos à pele.

SE LIGA! Recomenda-se que sejam usados filtros solares com fator


de proteção 30, porque filtros com fatores acima disso não exercem proteção
maior. Ademais, qualquer tipo de tecido protege contra as radiações UVA e
UVB, e não somente as roupas produzidas especificamente para essa proteção.

Câncer de Pele 4
MAPA MENTAL 1. RESUMO DOS FOTOTIPOS DE FITZPATRICK

Tipo 2 – Pele
branca que
sempre queima,
bronzeia muito
pouco e é
sensível ao sol

Tipo 3 – Pele
morena clara
Tipo 1 – Pele
que queima
branca que
moderadamente,
sempre queima,
bronzeia
nunca bronzeia
moderadamente
e é muito
e possui
sensível ao sol
sensibilidade
normal ao sol

FOTOTIPOS DE
FITZPATRICK

Tipo 4 – Pele Tipo 6 - Pele


morena negra que
moderada nunca queima e
que queima nunca bronzeia,
pouco, sempre porque é
bronzeia totalmente
e possui pigmentada e
sensibilidade é insensível ao
normal ao sol sol

Tipo 5 – Pele
morena escura
que queima
raramente,
sempre
bronzeia e é
pouco sensível
ao sol

Fonte: Elaborado pelo autor.

Câncer de Pele 5
2. FOTODERMATOSES
As fotodermatoses são alterações na pele que ocorrem em áreas fotoexpostas
pela exposição excessiva à luz solar. Diferentes lesões ocorrem a depender da dura-
ção da exposição.

Exposição a curto prazo


• Efélides (ou sardas) – comum em região malar (Figura 3) e em ombros de
pessoas de fototipo I ou II de Fitzpatrick, caracterizam-se por serem manchas
hipercrômicas, castanho-claras. Ficam mais claras no inverno e se acentuam
no verão.
• Queimaduras de 1o grau – caracterizadas pelo eritema (Figura 4).
• Queimaduras de 2o grau (Figura 5) – caracterizadas pela formação de flictenas
(bolhas).

Figura 3. Félides em região malar.


Fonte: Acervo do autor.

Câncer de Pele 6
Figura 4. Queimadura solar de 1o grau, com clara demarcação entre a área eritematosa exposta ao sol
e a área branca protegida.
Fonte: Acervo do autor.

Figura 5. Queimadura de 2o grau com flictenas íntegras.


Fonte: Oliveira, AF., 20173.

Câncer de Pele 7
Exposição a longo prazo
• Melanose solar (ou lentigo solar) – máculas ou manchas hipercrômicas (Figura
6), semelhantes às efélides, mas são mais escuras e não regridem no inverno
(são constantes em qualquer período do ano).
• Elastose solar – pele torna-se mais espessa e com dobras mais visíveis. Quando
acomete o dorso do pescoço, denomina-se cutis rhomboidalis nuchae (Figura 7).
• Leucodermia gutata (ou leucodermia solar) – sardas esbranquiçadas (Figura 8)
que acometem principalmente antebraços e pernas.

Figura 6. Lentigos solares em região fotoexposta.


Fonte: Acervo do autor.

Figura 7. Cutis rhomboidalis nuchae.


Fonte: Elaborado pelo autor.

Câncer de Pele 8
Figura 8. Leucodermia gutata ou leucodermia solar.
Fonte: Acervo do autor.

3. LESÕES PRÉ-MALIGNAS
Queratose actínica
Também denominada ceratose actínica ou ceratose solar, é a lesão pré-maligna mais
comum e é caracterizada por placas eritematosas, secas e ásperas, com uma superfície
descamativa e algumas crostas (Figura 9). Geralmente são mais palpáveis que visíveis.
É originada pela radiação UV, que leva à formação de queratinócitos aberrantes,
ocorrendo principalmente em áreas fotoexpostas, como face, lábio inferior e mem-
bros superiores. Esse tipo de lesão tem potencial risco de transformação em carci-
noma espinocelular (CEC).
O tratamento consiste na retirada com cremes (imiquimod ou 5-fluorouracil) ou
através da criocirurgia (com nitrogênio líquido) ou da curetagem (exérese mecânica).

Figura 9. Queratose actínica, evidenciada pela hiperqueratose firmemente aderida,


áspera, amarelo-acastanhada, com base eritematosa.
Fonte: Acervo do autor.

Câncer de Pele 9
Doença de Bowen
A doença de Bowen que, na verdade, não é uma lesão pré-maligna, e sim um carci-
noma espinocelular in situ, possui risco de invasão de 5% e caracteriza-se por ser uma
placa eritematosa com descamação superficial, com ou sem crostas (Figuras 10 e 11).
O diagnóstico diferencial da doença de Bowen é com a queratose actínica. Como
o tratamento é o mesmo (exérese), não se fazem necessários exames complementa-
res para diferenciá-los antes da retirada.
Quando ocorre no pênis, o risco de invasão aumenta para 33%, e recebe denomina-
ções diferentes. Quando ocorre no corpo do pênis, sob a forma de pápulas, denomina-
-se papulose Bowenoide (Figura 12). Quando ocorre na mucosa (glande), eritroplasia
de Queyrat, uma placa eritematosa, brilhante e com aspecto aveludado (Figura 13).

Figura 10. Doença de Bowen: carcinoma espinocelular in situ, placa eritematosa e descamativa.
Fonte: Acervo do autor.

Figura 11. Um caso de carcinoma de células escamosas in situ


(doença de Bowen, carcinoma intraepidérmico).
Fonte: Dermatology11/shutterstock.com

Câncer de Pele 10
Figura 12. Papulose bowenoide.
Fonte: Elaborada pelo autor.

Figura 13. Eritroplasia de Queyrat.


Fonte: Elaborada pelo autor.

Câncer de Pele 11
Corno cutâneo
Lesão com aspecto de chifre que corresponde ao acúmulo de material queratini-
zado (Figura 14). Abaixo dele pode haver lesões malignas ou benignas, mas, como
não é possível diferenciá-las, deve ser feita a excisão.

Figura 14. Corno cutâneo: projeção de queratina semelhante a um chifre.


Fonte: Elaborada pelo autor.

Câncer de Pele 12
MAPA MENTAL 2. RADIAÇÃO UV, FOTOPROTEÇÃO, FOTODERMATOSES E LESÕES PRÉ-MALIGNAS

UVA – penetra até a


Filtro solar – fator 30 é
derme e é constante Quantidade de radiação
o mais adequado e deve Acessórios: roupas,
durante o dia, sendo Índice ultravioleta UV que chega a
ser usado mesmo em óculos, chapéu, boné
responsável pelas lesões determinado local
dias nublados
de fotoenvelhecimento

Índice ultravioleta Influenciado por alguns


UVB – presente fatores: camada de
principalmente nos Radiação ultravioleta
ozônio, presença de
horários de 10 às 16 nuvens, estações do
horas, acomete as ano e altitude
camadas mais
superficiais da pele
e causa as
queimaduras solares

Queratose actínica Lesões pré-malignas Elastose solar Fotodermatoses Efélides

Queimaduras de
Doença de Bowen Corno cutâneo Leucodermia gutata Melanose solar
1o e 2o grau

Fonte: Elaborado pelo autor.

Câncer de Pele 13
4. CÂNCER DE PELE
Carcinoma basocelular (CBC)
O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais comum, sendo também o cân-
cer mais comum do mundo. Mas, felizmente, é menos agressivo que os outros cân-
ceres de pele, já que o risco de metástase é de menos de 1%, tendo apenas invasão
local na maioria das vezes.
Recebe esse nome por derivar das células da camada basal da epiderme e aco-
mete mais homens que mulheres, na faixa etária a partir dos 40 anos, principalmente
nos 2/3 superiores da face (pálpebras, orelhas, nariz) sob formas diferentes:

• Nodular – nódulo eritematoso, brilhoso (perláceo) com telangiectasias (Figura 15).


• Nódulo-ulcerativo – possui as mesmas características do anterior, entretanto
com ulceração central (Figura 16).
• Pigmentado – caracteriza-se pela hipercromia (Figura 17). Faz diagnóstico dife-
rencial com o melanoma.
• Esclerodermiforme – placa hipocrômica, semelhante à esclerose (Figura 18). É
o subtipo de CBC mais agressivo.
• Superficial – placa fina de coloração rosa ou vermelha (Figura 19), que pode
apresentar borda filiforme fina e telangiectasias.
• Plano-cicatricial – caracteriza-se pela extensão em superfície da forma ulcerati-
va, com cicatrização central (Figura 20).
• Metatípico ou carcinoma basoescamoso – caracteriza-se por ser uma lesão
constituída pelos carcinomas basocelular e espinocelular.

Figura 15. Carcinoma basocelular, subtipo nodular.


Fonte: Acervo do autor.

Câncer de Pele 14
Figura 16. Carcinoma basocelular, subtipo nódulo-ulcerativo.
Fonte: Acervo do autor.

Figura 17. Carcinoma basocelular, subtipo pigmentado.


Fonte: Acervo do autor.

Figura 18. Carcinoma basocelular, subtipo esclerodermiforme.


Fonte: Elaborada pelo autor.

Câncer de Pele 15
Figura 19. Carcinoma basocelular, subtipo superficial.
Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 20. Carcinoma basocelular, subtipo plano-cicatricial.


Fonte: Elaborado pelo autor.

O diagnóstico do CBC é feito através da biopsia e o tratamento é cirúrgico (exérese


da lesão).

Câncer de Pele 16
MAPA MENTAL 3. CARCINOMA BASOCELULAR

Pigmentado Esclerodermiforme

Nódulo-ulcerativo Superficial

Nodular Apresentação clínica Plano-cicatricial

Surge principalmente
nos 2/3 superiores Metatípico
da face (pálpebras,
orelhas e nariz)

CARCINOMA
BASOCELULAR

Cirúrgico:
Tratamento Fator de risco Radiação UV
exérese da lesão

Epidemiologia Diagnóstico

Câncer de pele mais Acomete mais homens Suspeita:


comum, mas é o menos que mulheres, na caracterização Biópsia
agressivo faixa etária a partir clínica
dos 40 anos

Fonte: Elaborado pelo autor.

Câncer de Pele 17
Carcinoma espinocelular (CEC)
O carcinoma espinocelular deriva dos queratinócitos da camada espinhosa e,
além da radiação ultravioleta, apresenta outros fatores de risco, como: áreas de
queimadura ou úlceras crônicas, como na úlcera de Marjolin (Figura 21), imunossu-
pressão e infecção pelo HPV (papilomavírus humano). O risco de metástase é de 6%,
mas, quando ocorre sobre cicatrizes, este risco aumenta para 40%.

Figura 21. Úlcera de Marjolin.


Fonte: Elaborada pelo autor.

Acomete mais homens que mulheres, na faixa etária a partir dos 55 anos, surgin-
do principalmente em: lábio inferior, hélice das orelhas, tronco, antebraços e mãos,
região genital e pernas (preferencialmente em mulheres). Entre as formas de apre-
sentação, encontram-se:

• CEC clássico – nódulo eritematoso com crosta superficial (Figura 22), podendo
ter ulceração ou infiltração (Figura 23);
• CEC verrucoso (Figura 23);
• Leucoplasia – placa esbranquiçada aderida a mucosas (Figura 24). O diagnós-
tico diferencial com a candidíase é feito através da raspagem com espátula, já
que no caso da candidíase as lesões esbranquiçadas saem facilmente.

Câncer de Pele 18
Figura 22. Carcinoma espinocelular: nódulo eritematoso com crostas e descamação.
Fonte: Elaborada pelo autor.

Figura 23. Carcinoma espinocelular no lábio inferior, com hiperqueratose e infiltração.


Fonte: Elaborada pelo autor.

O diagnóstico do CEC é através de biopsia e o tratamento é a exérese por meio de


cirurgia.

Câncer de Pele 19
Figura 24. Carcinoma espinocelular verrucoso em região perianal, induzido pelo HPV.
Fonte: Elaborada pelo autor.

Câncer de Pele 20
MAPA MENTAL 4. CARCINOMA ESPINOCELULAR

Cirúrgico: exérese
Imunossupressão Radiação UV Leucoplasia em mucosas CEC verrucoso
da lesão

Infecção por HPV Fator de risco Tratamento Apresentação clínica CEC clássico

Surge principalmente
Queimadura e úlceras em: lábio inferior, hélice
das orelhas, tronco,
antebraços e mãos,
região genital e pernas
(preferencialmente em
mulheres).

Epidemiologia Diagnóstico

Suspeita:
Segundo câncer de Acomete mais homens
caracterização Biópsia
pele mais comum, que mulheres, na faixa
clínica
um pouco mais agressivo etária a partir dos
que o CBC 55 anos

Fonte: Elaborado pelo autor.

Câncer de Pele 21
Melanoma
O melanoma origina-se dos melanócitos da epiderme, células pigmentadas e
dendríticas localizadas na camada basal. É mais raro, mas é o tumor maligno mais
agressivo da pele, já que possui alto poder metastático, podendo atingir cérebro, os-
sos, pulmão e vários outros órgãos.
Acomete os fototipos mais baixos, adultos jovens (pico entre 30 e 40 anos) e de
localidades equatoriais, sendo que, nas mulheres, as lesões surgem nas pernas, e
nos homens, no tronco. A exposição à radiação UV é o principal fator de risco, mas
há outros: história pessoal (aumenta 9 vezes o risco) e história familiar (aumenta 5
vezes o risco).

• O melanoma presenta-se sob algumas formas:


• Extensivo superficial – cresce horizontalmente, mas apresenta crescimento ver-
tical nas fases mais tardias (Figura 25);
• Lentigo maligno (Figura 26) – aparece em áreas que já têm danos solares;
• Nodular (Figura 27) – cresce verticalmente, é mais agressivo que os outros;
• Lentiginoso acral – surge nas palmas das mãos, nas plantas dos pés e em re-
gião subungueal (Figura 28). É o tipo mais comum em negros.
• Amelanocítico – caracterizado pela ausência da coloração característica dos
melanomas (Figura 29). Todas as formas supracitadas podem evoluir para a
forma amelanocítica.

Observe na Tabela 1 características adicionais dos quatro tipos principais de


melanomas.

Figura 25. Melanoma extensivo superficial, no início da fase de crescimento vertical (tardia).
Fonte: Acervo do autor.

Câncer de Pele 22
Figura 26. Melanoma, subtipo lentigo maligno.
Fonte: Acervo do autor.

Figura 27. Melanoma nodular.


Fonte: Acervo do autor.

Figura 28. Melanoma lentiginoso acral.


Fonte: Elaborada pelo autor.

Câncer de Pele 23
Figura 29. Melanoma amelanocítico.
Fonte: Elaborada pelo autor.

FREQUÊNCIA CRESCIMENTO CRESCIMENTO


TIPO LOCALIZAÇÃO
(%) RADIAL VERTICAL

Extensivo Qualquer local, membros


70 Meses a 2 anos Tardio
superficial inferiores, tronco

Não há crescimen-
Qualquer local, tronco,
Nodular 15 to radial clinica- Imediato
cabeça, pescoço
mente detectável

Lentigo Face, pescoço, dorso


5 Anos Muito tardio
maligno-melanoma das mãos

Palmas das mãos, Precoce, porém de


Melanoma
5 a 10 plantas dos pés, Meses a anos reconhecimento
acrolentiginoso
subungueal tardio

Tabela 1. Características dos quatro principais tipos de melanoma.


Fonte: Adaptada de Wolff, K., 20144.

O melanoma faz diagnóstico diferencial com lesões melanocíticas, os nevos, que


são a neoplasia benigna mais comum da pele e são resultado da proliferação contro-
lada de melanócitos. Para diferenciá-los, há algumas características que sugerem a
malignidade das lesões e elas podem ser sumarizadas pelo mnemônico ABCDE:

• Assimetria
• Bordas irregulares
• Coloração múltipla (mais de uma cor)
• Diâmetro > 6 mm
• Evolução – aumento em tamanho, surgimento de prurido, sangramento e for-
mação de crosta

Câncer de Pele 24
Em alguns casos, há maior risco de evolução do nevo para o melanoma:

• Pessoas com mais de 50 nevos


• Nevo congênito gigante (mais de 20 cm)

Nestes casos, os pacientes devem ser acompanhados com certa frequência, de


modo a verificar a evolução das características do ABCDE. Entretanto, algumas ve-
zes, essa caracterização clínica deixa dúvidas entre nevo displásico (com atipia) e
melanoma. Nestes casos, deve-se proceder com a biopsia.
Dessa forma, a suspeita diagnóstica é levantada através do exame clínico
(ABCDE) associado a sinais e sintomas (prurido, ulceração e sangramento) e à der-
matoscopia. Porém, a confirmação diagnóstica só é possível com a biopsia.
Para a realização do exame anatomopatológico, deve-se submeter o paciente a
uma biopsia excisional (retirada da lesão completa com margem entre 2 e 3 mm e
com profundidade até a hipoderme). Excetua-se a isso algumas situações, como em
lesões na face ou muito grandes, quando se faz a biopsia incisional (retirada de um
fragmento da lesão).

SAIBA MAIS! Além de confirmar a malignidade, a biopsia deter-


mina a profundidade do tumor. A profundidade do melanoma é o principal fator
preditivo de prognóstico e de tratamento, já que é pelo contato com as estrutu-
ras mais profundas que ele se metastatiza. Assim, os melanomas mais profun-
dos são os mais agressivos. Os níveis de Clark mensuram a profundidade dos
melanomas:
• Nível I – Epiderme (in situ)
• Nível II – Chega à derme papilar (mais superficial)
• Nível III – Transição da derme papilar e derme reticular
• Nível IV – Derme reticular
• Nível V – Hipoderme

Há ainda os níveis de Breslow:


• ≤ 1 mm
• 1,01 a 2 mm
• 2,01 a 4 mm
• > 4 mm

Câncer de Pele 25
O estadiamento é fundamental para estabelecer o prognóstico dos pacientes.
Observe na Tabela 2 os estádios e suas respectivas sobrevidas em 5 anos.

a: < 0,8 mm
T1: ≤ 1 mm Estádio I (até T2a):
b: 0,8 a 1 mm
sobrevida de 90%
T a: sem ulceração
T2: 1,01 a 2 mm em 5 anos
(tumor primário – b: com ulceração
profundidade mensurada a: sem ulceração
T3: 2,01 a 4 mm
por Breslow) b: com ulceração Estádio II: sobrevida de
a: sem ulceração 60% em 5 anos
T4: > 4 mm
b: com ulceração

N1: 1 linfonodo regional

N2: 2 ou 3 linfonodos
N a: micrometástases Estádio III: sobrevida de
regionais
(linfonodos) b: macrometástases 45% em 5 anos
N3: 4 ou mais linfonodos
regionais

Ma: pele à distância ou


tecido subcutâneo ou Estádio III: sobrevida de
LDH normal
linfonodais 45% em 5 anos
M
Mb: pulmão
(metástase)
Mc: outras vísceras ou
Estádio IV: sobrevida de
qualquer metástase à LDH alto
10% em 5 anos
distância

Tabela 2. Estadiamento TNM dos melanomas.


Fonte: Adaptada de Wolff, K., 20144.

O tratamento do melanoma consiste na retirada cirúrgica do tumor com a margem


de segurança adequada. Ademais, quando a lesão apresenta mais de 1 mm e apre-
senta achados de alto risco, como: ulceração, áreas de regressão e áreas de mitose
intensa, a pesquisa de linfonodo sentinela deve ser feita.
Essa pesquisa consiste em injetar um corante azul ou material radioativo no tu-
mor e retirar o primeiro linfonodo da cadeia que drena aquela região do tumor, sendo
essa cadeia identificada pela aquisição da cor do corante utilizado.
Se esse linfonodo, na biopsia, estiver comprometido, significa que já há metástase
e que os demais linfonodos da cadeia também devem ser removidos.
Em caso de metástase, o paciente deverá ser submetido à quimioterapia e, se a
metástase for óssea ou cerebral, deverá fazer radioterapia.

Câncer de Pele 26
MAPA MENTAL 5. MELANOMA

Acomete principalmente
os fototipos menores,
adultos jovens (sendo
o pico entre 30 e 40 Câncer de pele menos comum, mas é o mais agressivo, Suspeita: caracterização
anos) e de localidades podendo causar metástase para cérebro, pulmão, ossos e clínica (ABCDE + sinais e
Biopsia excisional
equatoriais vários outros órgãos sintomas + ermatoscopia)

Cirúrgico: exérese
da lesão com Epidemiologia Diagnóstico Radiação UV
margem adequada

Linfonodo sentinela Tratamento MELANOMA Fator de risco História familiar

Metástase: Metástase para ossos ou Melanoma extensivo


História pessoal
quimioterapia cérebro: radioterapia superficial

Amelanocítico Apresentação clínica Lentigo maligno

Nas mulheres,
Nodular principalmente nas Lentiginoso acral
pernas; e nos homens,
principalmente no tronco

Fonte: Elaborado pelo autor.

Câncer de Pele 27
REFERÊNCIAS
Bolognia, MD. Dermatologia. Elsevier, 3° edição, traduzida em 2015.
Azulay, RD, Azulay DR. Dermatologia. Guanabara Koogan, 6ª edição, atualizada e
revisada em 2015.
Sampaio, SAP, Rivitti, EA. Dermatologia. Artes Médicas, 3° edição. 2007.
Habif, TP. Dermatologia clínica: guia colorido para diagnóstico e tratamento.
Tradução da 5ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
Wolff, K; Johnson, RA; Saavedra, AP. Dermatologia de Fitzpatrick – atlas e texto. 7ª
edição. Porto Alegre: AMGH, 2014.
Oliveira, AF; Ferreira, LM. Procedimentos no atendimento para queimaduras
nas mãos na fase aguda. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. São Paulo,
2017;32(2):245-251.
Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: < https://
www.shutterstock.com/pt/image-photo/case-squamous-cell-carcinoma-situ-
bowens-1347749741 >. Acesso em: 08 de março de 2023.
1. Imagem utilizada sob licença da Shutterstoock.com, disponível em: < https://
www.shutterstock.com/pt/image-vector/cross-section-through-skin-showing-
various-311526257 >. Acesso em: 02 mar. 2023.
2. Imagem utilizada sob licença da Shutterstoock.com, disponível em: < https://
www.shutterstock.com/pt/image-vector/fitzpatrick-skin-tone-scale-phototype-
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4. Wolff, K; Johnson, RA; Saavedra, AP. Dermatologia de Fitzpatrick – atlas e texto. 7ª
edição. Porto Alegre: AMGH, 2014.

Câncer de Pele 28
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