Bim Impacto
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ARTIGO ORIGINAL
FERREIRA, Leonardo Santos Souza [1], MENDES, Yuri Matos [2], ALVES, José Humberto Gomes [3]
FERREIRA, Leonardo Santos Souza. MENDES, Yuri Matos. ALVES, José Humberto Gomes. Impacto
do BIM na construção civil: Estudo bibliográfico. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do
Conhecimento. Ano 05, Ed. 12, Vol. 09, pp. 05-23. Dezembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de
acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/bim-na-construcao
RESUMO
Nesta pesquisa, encontra-se um estudo bibliográfico à respeito das dificuldades enfrentadas por empresas
da área de construção civil em aderir ao conceito de Modelagem da Informação da Construção ou
Building Information Modelling (BIM). Sabe-se que o seu uso ainda não está bem difundido no território
brasileiro, pois poucos fazem uso e não usufruem toda a sua funcionalidade. Foram verificadas diferentes
pesquisas, com diferentes respostas de profissionais da área, dados estes coletados por meio de
entrevistas. Foi visto que as empresas ainda possuem dificuldade em aderir a este novo método de
trabalho, principalmente em relação ao custo de aquisição e de treinamento dos profissionais.
1. INTRODUÇÃO
Nascimento e Schoeler (1998) reiteram que os empreendimentos, como obras, têm a necessidade de se
basearem em informações, tais como o projeto, levantamento quantitativo, relatórios, custos, dentre
outros. Além disso, é importante saber o percurso da informação por meio de um estudo do fluxo
informativo, para que não ocorra nenhum atraso na sua função a que se destina. De acordo com
Woodbury (2010), nos anos 80, houve a primeira experiência com sistema de desenho paramétrico por
computador, que substituiu as pranchetas. Atualmente, o mais comum é o AutoCad, que ainda é muito
usado. Novos softwares caminham com a evolução para projetos feitos em 3D, com capacidade de
parametrizar elementos estruturais com suas as reais características. De acordo com Monteiro (2011), o
sistema BIM abrange softwares com capacidade de gerar objetos paramétricos em desenho
tridimensional, representando pilares, vigas, janelas, escadas, portas, etc. Cada objeto pode interagir entre
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Isto torna a execução do projeto mais dinâmica e fácil de executar. O termo BIM nada mais é que uma
representação digital das características físicas e funcionais de uma ou mais edificações. Sperling (2002)
disserta que a geração das informações por esta tecnologia possui um impacto mais visível em relação às
demais, devido a sua capacidade de agrupamento de informações dentre os projetos realizados, já que,
com o BIM, é possível acompanhar em paralelo todas as fases projetadas. Para Dantas Filho et al (2015)
há muita dificuldade no Brasil em encontrar profissionais especializados na utilização da plataforma BIM,
pelo fato de a mesma ainda ser um novo parâmetro de trabalho no país. Dantas Filho et al (2015) afirmam
que muitas empresas que buscaram implantar o conceito BIM foram mal sucedidas, já que demanda
tempo, recurso e, principalmente, alto nível de aprendizagem dos subordinados à sua aquisição. Então
acabam tendo um retrocesso ao método tradicional de uso, sem contar o volume de trabalho e o tempo
limitado, que são fatores que influenciam no insucesso das empresas.
Com intuito de tornar mais acessível e ampla esta tecnologia, institutos privados passaram a ensinar a
alunos de nível superior a usarem alguns softwares que compõem este conceito. Assim, facilita-se a
própria formação como profissional, já que será suprida a carência no processo de mudança, que é cada
vez mais rápido (DANTAS FILHO et al, 2015). Esta pesquisa pretende investigar o impacto da
tecnologia BIM no cenário de trabalho de engenheiros e arquitetos. Considera-se os resultados de
pesquisas coletadas por escritórios de arquitetura e engenharia que apontam críticas à compatibilização de
informações com o uso ou não da plataforma BIM. Leva-se em consideração o Decreto Federal[4],
assinado em 2020, que relata que, a partir de 2021, será obrigatório o uso do BIM no desenvolvimento de
projetos da área da construção civil. Na tentativa de se adaptar a este conceito, muitos profissionais
podem sair prejudicados por atrasar a fluidez de futuros projetos ou, até mesmo, podem não conseguir
bancar os custos de adesão e treinamento.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Ao longo da história da Arquitetura, a representação essencial dos edifícios tem sido feita através de
desenhos. A leitura de muitos livros mostra como os desenhos e os croquis são parte integrante do
pensamento e do trabalho criativo do Arquiteto. [...] A substituição de desenhos por uma nova base de
representação para o projeto, comunicação e construção dos edifícios é uma mudança revolucionária e
que marca época, tanto na Arquitetura como na Indústria da Construção em geral. Estas mudanças
alteram as ferramentas, os meios de comunicação, e os processos de trabalho.
Eastman et al (2014) definem que para se ter melhor precisão em um modelo virtual, é preciso construir
de forma digital, ou seja, fazendo uso da tecnologia BIM, já que, computacionalmente, o projeto gerado
possibilita melhores dados relevantes, o que propicia uma melhor execução do empreendimento. Para
Ayres Filho; Azuma e Cheer (2008), o BIM é um conceito que melhor organiza e gerência a informação
utilizada durante o ciclo de vida de uma construção, desde a fase do projeto até a sua demolição. Tem-se a
possibilidade de fazer alterações no modelo de criação, executar cortes e elevações a partir da própria
planta, dentre outras. Ademais, facilita a produção de planilhas orçamentária e as especificações de
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materiais. De acordo com Chien; Wu e Huang (2014), ao implantar a plataforma BIM, a empresa deve
estar ciente que há riscos que podem vir a lhe prejudicar como, por exemplo, a confecção de novos
projetos relacionados a técnica, gestão e pessoal.
Pode-se destacar, ainda, que a pequena quantidade de bons profissionais disponíveis, a falta de normas
BIM, ausência de comunicação entre dados, que é ineficiente e a dificuldade no processo da gestão de
mudança são alguns problemas recorrentes. Atualmente, o BIM aponta para uma nova modernização no
que toca à representação visual de edificações. Por ser feito a partir de modelações daquilo que é real, de
forma virtual e tridimensional, para que possa demonstrar e representar os elementos que compõe toda a
edificação, possui alguns benefícios (CRESPO; RUSCHEL 2007). A visualização em 3D é uma das
grandes vantagens do BIM, pois os softwares apontam, com facilidade, as incompatibilidades que o
projeto apresenta. Assim, permite que os profissionais busquem respostas e soluções com maior
velocidade e corrija os problemas. Contudo, as ferramentas aliadas ao BIM exigem certo grau de
conhecimento em projetos e sobre a usabilidade da própria tecnologia (KYMMEL, 2008).
Kymmel (2008), ainda, reitera que muitas empresas têm grandes dificuldades em encontrar profissionais
que saibam manusear os softwares do BIM com competência, e, para isso, necessitam treinar os seus
projetistas, demandando tempo e recursos, sem contar o fato de que muitos profissionais relutam em
trocar o sistema computacional já existente pelos softwares com plataforma BIM, o que prejudica a
própria equipe, pois a falta de concordância pode dificultar a chegada aos resultados favoráveis, no fim
das contas.
Eastman et al (2014) ressaltam que os softwares com a tecnologia BIM cada qual tem sua funcionalidade
e ferramentas específicas voltadas ao projeto. Durante a escolha de um deles, pode haver interferência nas
práticas de produção, interoperabilidade e nas capacidades funcionais da organização de diferentes tipos
de projetos, já que não existe uma plataforma ideal para cada empreendimento. Os softwares BIM mais
comercialmente utilizados são Autodesk Revit, Autodesk Navisworks, Bentley Arquitecture e ArchiCAD.
Entretanto, há outros que, no mercado, são gratuitos e mais leves, em termos de espaço no disco rígido,
como Blender 3D e o VisualPV3D. Cardoso (2012) ainda define resumidamente alguns desses softwares:
A visualização que os softwares com a plataforma BIM oferecem ao usuário apontam para uma melhor
compreensão espacial da obra. Florido (2007) e Laubmeyer; Magalhães e Leusin (2009) afirmam que, em
qualquer momento, é possível visualizar a obra de forma tridimensional. Laubmeyer; Magalhães e Leusin
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(2009) acrescentam que, ao utilizar softwares baseados em BIM, os desenhos apresentaram maiores
detalhes com mais facilidade, e, consequentemente, reduz-se o tempo que os engenheiros e arquitetos
perdem ao fazer em papel ou softwares em 2D, já que, com os softwares do BIM, o projeto ganha melhor
foco e preocupa-se com as formas de representação gráfica. Todo o projeto é salvo automaticamente após
realizar alterações, ou seja, quando se altera alguma dimensão ou muda-se algum dado da planta, é
atualizado automaticamente para o restante do projeto. Quando se trata de custos, essas alterações não
surtem efeito na maquete eletrônica (FLORIO, 2007).
Manzione (2013) diz que o BIM atua no procedimento relacionado à interação entre as fases de uma obra
e o gerenciamento de atividades da mesma, o que, para ele, contribui para com a moderação de preços,
qualidade e tempo. O BIM também favorece a comunicação entre os diferentes agentes envolvidos com a
edificação durante todo o seu ciclo de vida.
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Este artigo enseja-se com a proposta de uma pesquisa bibliográfica, e, assim, buscou-se por dados e
análises que fundamentam o desenvolvimento do trabalho. Como estratégia de pesquisa, foi realizado um
estudo que teve como objetivo a aplicação de questionários em uma pesquisa de campo, coletando-se
amostragens, com escopo de auferir estes dados e compara-los. Foram selecionados, ao acaso, três artigos
acadêmicos, com o mesmo caráter de pesquisa e o BIM como protagonista. São pesquisas quantitativas
que ofereceram parâmetros para as análises à respeito do uso do BIM em escritórios de arquitetura ou
engenharia. Assim, foi possível apontar quais as principais dificuldades destes profissionais em adotar o
BIM. A primeira pesquisa ou Pesquisa 1, realizada por Barreto; Sanches e Almeida (2016), teve, como
objetivo, aplicar um questionário para empresas de arquitetura e engenharia, auferindo-se o uso do BIM.
A pesquisa constou cerca de cem respostas, das quais trinta e nove usam a modelagem BIM e sessenta
não fazem o seu uso.
Para a segunda pesquisa por Moreira e Ribeiro (2015), que será chamada de Pesquisa 2, foram feitos
questionários para profissionais da construção civil que usam a plataforma BIM a um certo período, bem
como outro questionário para aqueles que não fazem uso. As empresas selecionadas partiram de
indicações de centros de treinamento de programas com o conceito BIM, localizadas em Belo Horizonte e
Goiânia. Enquanto na terceira pesquisa ou Pesquisa 3, cujo autores são Souza; Amorim e Lyrio (2009),
objetivou-se estudar os processos de trabalho dos arquitetos brasileiros a partir do uso do BIM, buscando-
se identificar as mudanças que a plataforma provocou no dia a dia de trabalho. Para isso, aplicou-se
questionários com cerca de trinta escritórios de arquitetura, com questões de múltipla escolha, em que
permitiu-se mais de uma resposta. Com os dados obtidos, foi possível realizar uma comparação das
pesquisas, e, assim, realizar uma discussão com foco nas dificuldades que os profissionais passaram com
uso da plataforma BIM.
Por fim, apresenta-se as sugestões que favorecem benefícios aos projetistas que possuem escritório e
àqueles que pretendem montar o seu próprio local de trabalho.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1 PESQUISA 1
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Figura 1 - Em sua opinião, o quanto você acha que o BIM está presente no mercado brasileiro?
Toda e qualquer mudança pode gerar dificuldades, até que se habitue às novas rotinas. Como aconteceu
com os profissionais entrevistados da pesquisa de Barreto; Sanches e Almeida (2016), em que tiveram
dificuldades na adaptação de sua rotina de trabalho ao se depararem com a tecnologia BIM. Muitos
alegaram que, no início, gerou-se desconforto, mas, com a prática, acostumou-se com o uso,
principalmente quando se trata de empresas com profissionais especializados em AutoCAD, uma vez que
esses profissionais entregam o seu projeto com muita qualidade e competência. Ao ter que aderir às
modelações tridimensionais, muitos carecem da necessidade de se adaptar, para que possam entregar o
seu produto com o mesmo nível de qualidade que faziam ao utilizarem as ferramentas passadas. Na
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pesquisa de Barreto; Sanches e Almeida (2016), 80% dos entrevistados alegaram que o uso do CAD
ainda se mantém, seja por dificuldades pessoais, seja por falta de interesse em aderir a um novo conceito.
Os restantes afirmam que apenas utilizou a plataforma BIM como teste, já que não se disponham aos
custos de treinamento, custo de adesão dos softwares e a falta de extensas bibliotecas para modelação.
Com base nas empresas estudadas na Figura 2, 24 escritórios de projeto civil responderam que os motivos
os que levaram a aderir à plataforma BIM foi devido aos softwares gerarem mais detalhes e informações
em seus projetos, o que contribui muito para correção de possíveis erros no projeto. Em seguida, houve
vinte e dois relatos das empresas que optaram em utilizar devido às facilidades de uso, seja para criar ou
alterar dados no projeto e/ou porque reduz a carga horária de serviço, conforme é visto na Figura 2. Os
softwares que compõe o BIM são bastante intuitivos e auto informativos, induzindo, aos usuários, as
melhores opções de uso que favorecem a demanda e bons resultados no produto final.
Figura 2 - Por qual motivo a sua empresa optou por utilizar o BIM?
Cerca de 26% dos entrevistados disseram, na Figura 3, que houve diferença na satisfação de boa parte dos
clientes quanto aos projetos realizados pela plataforma BIM. Pode-se concluir, com este dado de pequeno
valor, que a plataforma não está bem empregada ou utilizada, já que a visualização tridimensional permite
que clientes, mesmo aqueles que não possuem conhecimentos técnicos em projeto, consigam enxergar
como será o decorrer de seu empreendimento.
Figura 3 - A partir da utilização do BIM nos projetos da empresa, notou-se alguma mudança quanto à
satisfação do cliente?
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Sabendo que o BIM traz, consigo, ferramentas completas e de fácil manuseio, o que permite modificações
com pouca dificuldade, alguns profissionais da construção civil atentam-se à sua adesão, já que muitos
estão cientes que será inevitável o uso da plataforma e que o mercado logo irá cobrar. Na pesquisa de
Barreto; Sanches e Almeida (2016), foi verificado o custo que as empresas sujeitam ao aderir à
plataforma BIM e constatou-se que mais de 70% tiveram a maior parte dos gastos ao implantar os
softwares. Os investimentos com treino dos profissionais, atualização e manutenção de seus aparelhos de
trabalho e o tempo que levou para realizar todas as demandas e capacitações foram fatores evidentes,
citados tanto pelas empresas de engenharia civil quanto de arquitetura. Em relação aos entrevistados na
Figura 4, cerca de 55% deles afirmam que obtiveram lucro ao implantarem o BIM em sua empresa. O que
corresponde à maioria deles, mas que ainda é pouco.
Dentre esses dados, 47% conseguiram lucro em apenas seis a dose meses de uso. Por outro lado, outros
23% tiveram prejuízo ao implantar a plataforma. Os autores Barreto; Sanches e Almeida (2016)
justificam, em seu estudo, que muitos desses prejuízos estavam correlacionados ao tamanho da empresa e
à quantidade de pessoas envolvidas, que necessitaram de treinamento para o uso, sem contar os
equipamentos que deveriam ser adquiridos e/ou atualizados.
Figura 4: Quanto tempo foi preciso para se ter retorno financeiro do investimento?
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Entre todas as empresas consideradas pela pesquisa, 69 delas não aderiram ao uso da plataforma BIM e
apenas oito utilizaram como teste. Os principais motivos daqueles que recusaram ao uso foi devido à falta
de capacitação dos profissionais envolvidos, ao elevado preço de aquisição dos softwares e à falta de uso
no mercado como é visto na Figura 5. A falta de investimento do governo no ensino superior, que faz
com que jovens formem já com conhecimento suficiente para aplicarem e utilizarem os softwares que
compõem o BIM, como ferramenta de trabalho, é reflexo da atual situação, uma vez que os profissionais
que já atuam no mercado têm a necessidade de realizarem treinamentos, e, dessa forma, precisam de
tempo e recurso para tal.
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4.2 PESQUISA 2
Nesta pesquisa, aplicou-se um questionário com vinte e uma empresas brasileiras pelos autores Moreira e
Ribeiro (2015), sendo que nove delas não fazem uso da plataforma BIM e doze utilizam. A necessidade
dos dois tipos de questionário ocorreu devido à diferença de experiência com o uso do BIM, de
profissional para profissional. A pesquisa de Moreira e Ribeiro (2015) foi realizada e respondida a partir
do correio eletrônico. Suas respectivas respostas foram agrupadas em gráficos. Os dados foram transcritos
da Figura 6 até a Figura 8. De acordo com a pesquisa, a maioria concorda que o BIM é o futuro dos
projetos, apesar de afirmarem que o mercado, de forma geral, ainda não conhece bem esta tecnologia.
Moreira e Ribeiro (2015) ainda interpretam essa informação dizendo que muitos conhecem esta
tecnologia, porém não fazem bom uso, com todos os seus proveitos.
Percebe-se, na Figura 6, apesar de ser um valor baixo, cerca de 10% dos entrevistados desejam não ter
adotado o BIM como plataforma de trabalho. Isso pode ser reflexo das dificuldades enfrentadas pela
empresa, como, por exemplo, com os custos em treinamento e equipamentos adequados ao serviço. Em
contrapartida, 80% discordaram desta afirmação, o que demonstra notoriedade para o BIM, já que a
tendência no mercado é passar a usar a tecnologia BIM em seus projetos com o decorrer do tempo.
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Também foram verificados, na Figura 7, os benefícios que o BIM trouxe para o cotidiano dos usuários da
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ferramenta. Percebeu-se uma facilidade em alterar dados do projeto e a visualização tridimensional que
lhe é proporcionada. Esses foram os principais requisitos da aquisição, já que a plataforma traz, consigo,
sistemas avançados, com comandos intuitivos e de fácil manuseio. Nota-se, também, que os custos com o
projeto e sua a rentabilidade, foram benefícios para 33% dos usuários. Contudo, demonstra-se uma certa
dificuldade para a maioria, pois infere-se que poucos obtiveram sucesso com o tempo de uso. De acordo a
Figura 7:
Como a pesquisa abrange em usuário e não usuário do BIM, houve diferentes respostas quanto às
principais dificuldades que tiveram ao implantarem a plataforma, como indica a Figura 8. Para aqueles
que fazem uso da plataforma, a incompatibilidade com parceiros e o gasto com programas foram as
principais dificuldades. Já aqueles que não fazem uso da plataforma, apontam a falta de tempo para
implantarem e treinarem a equipe. Esses foram os motivos mais pertinentes. No geral, nota-se que as
empresas que não utilizam o BIM demonstram menos dificuldades em relação as que já fazem uso.
Moreira e Ribeiro (2015) justificam que tais empresas preferem manter da forma em que se encontram ao
invés de migrarem de um sistema para outro. É muito comum que as empresas optem por manter o
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sistema atual de trabalho, já que se encontram numa zona de conforto por conseguirem atender às
expectativas dos clientes. Contudo, o próprio mercado pode vir a cobra-los com o tempo, e, assim, podem
precisar aderir à plataforma.
4.3 PESQUISA 3
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Kymmel (2008) realizou uma pesquisa de campo, em que foram selecionadas cerca de trinta empresas
brasileiras para responderem à um questionário via e-mail, entre os meses de agosto e setembro de 2008.
Além disso, foi feita uma reunião com algumas das empresas, em outubro de 2008, tendo-se, como
finalidade, uma melhor apuração acerca das questões envolvidas no estudo. Os dados obtidos na pesquisa
de Kymmel (2008) foram organizados em gráficos. Seus dados são encontrados da Figura 9 à Figura 11.
A pesquisa abrangeu treze escritórios de arquitetura localizados no Brasil. Dentre eles, cerca de 46%
fazem uso da plataforma BIM como teste, enquanto 23% utilizam em todos os projetos e outros 23% na
maioria dos seus projetos. Em contrapartida, cerca de 8% não fazem uso, o que aparenta ser um bom
indício estatístico do uso do BIM, já que representa a minoria dos utilitários da plataforma, como se vê na
Figura 9.
Os projetistas apontam, como principal motivo para a aquisição da plataforma BIM, na Figura 10, o fato
de o projeto possuir melhor qualidade e facilidade ao realizar modificações, o que garante melhor prazo
de entrega. Como o sistema oferece ferramentas que, automaticamente, geram cortes em diferentes pontos
e há a possibilidade de visualização em diferentes perspectivas, os projetos tendem a ser finalizados mais
rapidamente, em relação à forma tradicional de uso. Outro fato interessante é que a pesquisa de Kymmel
(2008) reitera que cerca de 2% dos clientes exigiram o uso do BIM nos projetos, o que mostra que os
clientes notaram as vantagens que o BIM oferece, pois, até mesmo aqueles que são leigos em projetos,
conseguem identificar melhor os elementos de uma determinada obra por meio de um sistema
tridimensional.
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Cerca de 25% dos escritórios de arquitetura responderam que houve resistência da equipe à mudança do
novo software, bem como falta de tempo para implantarem o uso da tecnologia BIM. Essas foram as
principais dificuldades enfrentadas por eles ao aderirem a este novo conceito, como mostra a Figura 11.
Muitos escritórios de projetos para construção civil sofrem com divergência de opinião da equipe, ainda
mais quando se trata em implantar a plataforma BIM, já que os profissionais necessitam do treinamento,
enquanto o mercado continua a funcionar. A depender da demanda de cada empresa, esse fator pode ser
ou não decisivo no final da entrega do produto aos clientes.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo principal deste trabalho foi demonstrar e avaliar como diferentes empresas se portam diante da
adoção de um novo sistema de trabalho, que, no caso em questão, é a plataforma BIM. Ao decorrer da
pesquisa, pôde-se afirmar que, para efetivar a implantação do BIM e para que seja bem utilizado, faz-se
necessário que as empresas invistam em treinamento e na aquisição dos softwares. De acordo com a
revisão bibliográfica, realizada com diferentes pesquisas documentadas, percebeu-se que boa parte das
empresas ainda possuem dificuldades ao aderirem ao uso da plataforma BIM. Muitas delas apenas
fizeram como teste, por falta de tempo, capital para aquisição dos softwares e treinamento dos
funcionários. A Pesquisa 1, de Barreto; Sanches e Almeida (2016), demonstra que as empresas que
participaram do questionário obtiveram mais benefícios em relação às dificuldades enfrentadas com o uso
do BIM. Isso mostra que elas são bem preparadas e visam ter melhores quantidades de detalhes e
informações a serem adquiridas.
Ademais, a ferramenta facilita o processo de criação de novos projetos, pois conta-se com menores taxas
de erro, entre outros fatores. Na Pesquisa 2, feita por Moreira e Ribeiro (2015), demonstrou-se que muitos
dos entrevistados não utilizam o BIM como ferramenta principal. Preferem manter o método tradicional,
apesar de acreditarem que o BIM seja o futuro no mercado brasileiro. A própria pesquisa consta que o
BIM traz benefícios ao adotá-lo, mas que deve haver iniciativas para que, assim, possa-se transpor
quaisquer que sejam as dificuldades. Por fim, na Pesquisa 3, de Kymmel (2008), nota-se que há uma boa
quantia de empresas que fazem uso da plataforma, apesar da maior parte utilizarem apenas para teste. Foi
verificado que suas maiores dificuldades se dão em razão dos custos elevados dos softwares e que a
equipe que prefere manter-se na zona de conforto, apoiando-se nos métodos tradicionais para realizar
projetos. O que pode não ser um bom sinal, em decorrência do mercado, visto que, cada vez mais, o BIM
cresce e se populariza nacionalmente.
Com relação às três pesquisas, foi possível notar como o BIM é pouco utilizado. Muitos preferem apenas
usar como testes, outros preferem se abster, enquanto poucos aderem ao uso. Contudo, foi notório o
quanto a plataforma traz benefícios aos profissionais de arquitetura e engenharia. O mais comum é a
possibilidade de parametrizar os projetos realizados. Dentre todas as dificuldades que ocorrem nas três
pesquisas estudadas, a mais comum delas é o custo de aquisição da plataforma e treinamento de pessoal,
por ser uma plataforma com muitas variedades de ferramentas, com alta tecnologia e pouca demanda de
adesão, o preço de aquisição tende a elevar e a vida profissional de muitos projetistas tende a passar por
dificuldades ao aderirem à este novo conceito. No Brasil, não há muitos incentivos por parte do governo
para adesão do BIM em empresas de engenharia e arquitetura. Apesar do Decreto Federal sancionar o uso
obrigatório da plataforma a partir do ano de 2021, não estabelece nenhuma verba que reduz os custos para
a aquisição do mesmo.
Com a dificuldade em aderirem à este novo conceito, torna-se um problema recorrente à estes
profissionais da construção civil. Como proposta de solução, dever-se-ia exigir, do Governo, investimento
no aprendizado do uso do BIM para os estudantes que estão no ensino superior, para que, futuramente, já
tenham como base curricular este conceito e não venham a necessitar de treinamentos e gastos
excessivos, podendo, também, adaptar-se desde cedo às demandas do mercado de trabalho.
REFERÊNCIAS
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AYRES FILHO, C.; AZUMA, F.; SCHEER, S. Utilização do CAD - BIM para projetos de alvenaria
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Construção de Edifícios, 2008.
CARDOSO, A. et al. BIM: o que é? 2012. 27f. Dissertação (Mestrado Integrado em Engenharia Civil) –
Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto, Portugal, 2012.
CHIEN, K-F.; WU, Z-H.; HUANG, S-C. Identifying and assessing critical risk factors for BIM projects:
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CRESPO, C. C.; RUSCHEL, R. C.; Ferramentas: um desafio para a melhoria no ciclo de vida do
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2007., Porto Alegre, RS. Anais... Porte Alegre: TIC, 2007.
DANTAS FILHO, J .B. P. et al. Estado de adoção do Building Information Modeling (BIM) em empresas
de arquitetura, engenharia e construção de Fortaleza/CE. In: Encontro Brasileiro de Tecnologia de
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KYMMEL, W. Building Information Modeling: Planning and Managing Construction Projets with
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Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento - RC: 67828 - ISSN: 2448-0959
https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/bim-na-construcao
4. Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/D10306.htm
[1]
Bacharelando em Engenharia Civil pela Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR.
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Bacharelando em Engenharia Civil pela Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR.
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Orientador.
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