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História da Moda

Do século XIV até ao Século XIX

Disciplina: História da Moda 12748


Docente: Rafaela Norogrando

Trabalho realizado por


Cláudia Francisca Pereira 46165
1º ano da licenciatura em Design de Moda
2º Semestre
Índice

Introdução..............................................................................................3

Século XIV...............................................................................................4

Século XV................................................................................................10

Século XVI...............................................................................................13

Século XVII..............................................................................................19

Século XVIII.............................................................................................22

Século XIX...............................................................................................26

Bibliografia.............................................................................................30

2
Introdução

Neste trabalho, realizado no âmbito da disciplina de história da moda, será


abordado a moda desde o século XIV até ao século XX.
O traje, por estar ligado a uma necessidade humana, constitui um objeto de
estudo que é relevante para o entendimento da sociedade. Tem diferentes evoluções
dependendo do tempo e do espaço, e por estar inserido num determinado contexto
social, podemos retirar vários pontos importantes do desenvolvimento histórico e
cultural, principalmente na Europa onde a partir do século XIV ocorre os primeiros
indícios da moda.
A moda enquanto sistema não aparece antes do início da segunda metade do
século XIV, até aí vinha apenas a ser um ‘’ensaio’’ do que viria a ser a moda. O século
XIV impõe-se como um marco em razão do aparecimento de um tipo de vestuário
radicalmente novo, nitidamente diferenciado segundo os sexos: curto e ajustado para
o homem, longo e justo para a mulher.

3
Século XIV

Por toda a Europa, a corte francesa ganhou fama por as suas vestimentas
extravagantes, muitas vezes criticadas pelos contemporâneos. No final do primeiro
quarto do século aconteceu uma grande mudança nos trajes masculinos. As longas
vestimentas que cobriam as pernas foram colocadas de lado e substituídas por túnicas
ajustadas, primeiro acima do joelho e mais tarde entre a coxa e a cintura. Esta
mudança controversa fez consequências na moda dos séculos seguintes. A túnica, ou
cotehardie, ajustada na cintura e nas ancas (e mais tarde acolchoada no peito), trouxe
rigidez ao corpo. A cotehardie era tão apertada, especialmente na cintura, que quem a
vestia precisava de assistência para a colocar e tirar.
No caso das mulheres, nos primeiros anos do século em Inglaterra, começaram
a vestir vestidos com decote baixo, uma moda que ficou pelos restantes anos do
século. Durante toda a Idade Medieval as mulheres não eram permitidas de mostrar os
braços. Usavam os chamados “corse”, que eram moldados mais e mais justos na
cintura e eventualmente para baixo nas ancas.
No século anterior, era complicado distingui classes, já que todas se vestiam da
mesma forma, com esta mudança, foi fácil começar a distinguir os nobres dos
camponeses, já que as novas tendências apenas eram utilizadas por membros da
corte.

Apesar de tudo a corte de Eduardo II da Inglaterra estava preocupada. Nunca se


tinha notado tantas diferenças nos dois reinados anteriores. O seu reinado produziu
grandes mudanças na moda apesar de ter ficado confinado ao círculo da corte, como
já referido anteriormente. Retira-se bastante informação da sua “ordem de coroação”
sobre os novos trajes e sobre os tajes utilizados no antigo reinado de Eduardo I. Na
iluminura encontrada, vê-se Eduardo II com o seu robe de coroação.

Figura 1.

O desenho mostra Eduardo II com as suas vestes


da coroação. Veste uma colobium sindonis 1 (A), a
tunicela2 (B) vermelha de bordas douradas e
aberta nos lados a mostrar o forro verde e a
dalmática3 em dourado e prateado com
bordados dourados com um padrão laranja. Por
cima dos seus ombros, um manto quadrado num
tom vermelho arrosado de veludo, com a borda
bordada a dourado.

1 Túnica branca de linho, utilizada por os Monarcas Ingleses como parte do serviço da coroação
2 Veste litúrgica, geralmente utilizada nos ritos romanos extraordinários antes da dalmática.
3 Veste litúrgica da Igreja católica utilizada para celebrações religiosas.

4
Outras vestimentas que são mostradas no manuscrito também representam a
moda da época. Aparece também um aristocrata na figura 2, com um traje menos
extravagante mas que veste algo similar á moda do reino anterior.

Figura 2. Aristocrata vestido com algum material


rico, com mangas abotoadas justas do pulso ao
cotovelo e largo no resto do braço. Por cima a
“quintise” apertada dos lados e com bainha de
cor contrastante. Nos seus ombros está um capuz
com bainha de ornamentos pendurados com
padrão e uma longa causa do manto na mão.

Também era usado um manto com ou sem capuz chamado de mantle ou cloke.
Estes mantos circulares começaram a ser usados no início do século XIV e eram feitas
de diversos materiais. Eram vestidos com ou sem capuz agarrado. Para maior
movimento de braços e mão, os lados eram subidos e ficavam drapeados sobre os
braços. Estes mantos não eram abertos na frente, apenas vestidos pela cabeça,
envolvendo o corpo num só tecido (fig 3.). Vestidos pelos dois sexos, estas mantas
eram bastante utilizadas para viagens e para andar a cavalo e eram revestidos a pelo
para maior conforto.
Outro cloke bastante utilizado, de origem francesa era utilizado neste reinado
de Eduardo II. Similar ao manto falado anteriormente (fig 3), este era curtado também
em círculo como mostra na figura 4, com um buraco para a cabeça no cento (A) e
aberto de cima abaixo na frente. Nos lados, de distâncias iguais a A, cortado em
paralelo e perpendicular á abertura frontal, duas aberturas (B e C) para as mãos se
necessário. O manto era fechado normalmente com 3 ou 4 ornamentos na zona do
peito (D) e algumas vezes continuavam até baixo. Este manto era utilizado pelos dois
sexos da nobreza e era feito num material luxuoso, como veludo ou seda, revestido a
seda ou pelo. Ocasionalmente possuía tiras de bordado.

5
Figura 3. Manto Circular Figura 4. Diagrama de um manto circular.

Este manto foi depois utilizado de outras maneiras sem ser a tradicional, como
visto na figura 5. Esta maneira era mais graciosa e majestosa. O braço direito passava
pelo lado B e a cabeça pela abertura C, ficando assim o buraco para a cabeça A a cair á
frente, com os ornamentos D sobre o ombro direito e a abertura da frente no lado
direito também. Quando a mão esquerda era levantada, o manto drapeava no ombro
esquerdo.

Figura 5. Uso inovador do manto circular.

6
Passando agora para o capuz. O capuz desenvolveu-se de uma forma bastante
interessante neste reino. Com o crescimento da cauda dos mantos, estas eram usadas
de várias maneiras pelos mais jovens, com mais de 1 metro e 80. Era utilizado para trás
do ombro ao dependuro, ou sobre o braço. Também era utilizado para segurar o
capuz, para ficar no lugar. Na mesma altura, o capuz alongou dos dois lados da cabeça
como mostra a figura 6. Este tipo de capuz/chapéu foi considerado bastante estranho,
e depois de introduzida á sociedade, foram confinados aos bobos da corte, a mummers
e a dançarinos de morris4. Mais tarde foram postos sinos em cada ponta e
costumavam ser de duas cores. Outra moda, devido ao aborrecimento do uso
convencional do chapéu, foi introduzida por alguns dandys5 da corte.

Figura 6 e 7. Chapéu tradicional

Figura 8. Novo uso do chapéu.

4 Dança folclórica inglesa.


5 Homens de bom gosto e fantástico senso estético, que podiam não pertencer á nobreza.

7
Quanto á moda feminina, existe uma ilustração (fig.9) da rainha Isabella de
França, no inicio do século XIV, com um vestido mais justo nos ombros e busto, e
circular na parte inferior. As mangas mais circulares a partir dos cotovelos e na parte
traseira com drapeado. Segundo a moda da altura, o vestido seria para ser utilizado
perto do copo, subido e seguro por umas das mãos. Nenhum manto é representado na
ilustração, apesar de serem utilizados por ladies da nobreza.

Figura 9. Rainha Isabella no tempo de Eduardo II

Figura 10. Nobre com peliçon

Na figura 10, podemos ver uma nobre vestida com um peliçon, variado dos
cloke usados pelos homens. Este, no entanto, é cortado em forma oval já que a cauda
longo era precisa. Na imagens 11 vemos um diagrama da vestimenta. O colarinho doba
na frente e eram apenas costurados na costura dos ombros. Possui aberturas para as
mãos e era também costurado pelo na zona dos ombros para o colarinho, quando
virado, mostra-se o revestimento do manto. Fechado com ornamentos perto do
pescoço, o peliçon era utilizado por mulheres da nobreza como uma vestimenta tanto
formal como semi-formal.

8
Figura 10. Diagrama de um peliçon.
Figura 11. Primeiro vestido sem lados.
Figura 12. Diagrama de um vestido sideless.

Mais tarde, a meio do século XIV, as senhoras começam a vestir um novo


vestido. Tem um novo corte e nome. Este vestido (fig. 11 e 12) não tinha parte lateral,
sendo mais aberto e menos pano na parte frontal.

Voltando novamente ao traje masculino, desde por volta de 1340, os mantos


foram substituídos por vestimentas curtas. Os mantos sobreviveram apenas no
ambiente eclesiástico e académico. Estas novas vestimentas mais curtas, que
expunham a perna, tinham que ser apertadas e justas e geralmente feita ao tamanho.
Alguns anos mais tarde, em 1360, talvez para satisfazer os alfaiates, que
estavas com medo do desaparecimento da túnica, aparece uma nova vestimenta, o
houppelande. O houppelande era uma túnica comprida, com mangas largas e longas,
apertado na cintura com um cinto.

9
Século XV

Já no século XV, as vestimentas mais antigas eram as geralmente utilizadas,


contrastando com as vestimentas mais fantasiosas usadas pela nobreza em festas,
torneios e assembleias. Durante toda a Idade Média, o corte dos vestidos permaneceu
mais ou menos o mesmo, apenas a qualidade do tecido fazia distinguir as classes.
Cetim e veludo destinado aos nobres e roupas mais largas para os burgueses, ajustada
por fios que passavam por ilhós.
Em contraste com o século XIV, em que o corte adotado era de grandes
círculos, com saias completas e cavas que assentavam no ombro, no século XV a
fluidez sentida no século passado era cortada com um colete muito justo com costura
nas costas e os painéis inferiores, não menos justos, prendem-se á peça de roupa na
cintura.
A moda das mangas largadas, faladas anteriormente, cresceu em toda a
Europa. Primeiramente em mantos, depois para vestidos. As mangas fechadas,
estreitas no pulso, e as mangas abertas coexistiram no início, mas logo o tipo fechado
foi adotado por todo o muito até 1450.

Figura 13. Exemplo de mangas largas


na figura da direita.

Vê-se uma clara distinção dos trajes masculinos e femininos depois do


aparecimento das vestimentas mais curtas para os homens. As vestimentas para
senhora eram ajustadas na parte de cima do corpo e com uma saia cortada de forma
oval com uma cauda longa. Visavam mostrar as curvas finas da cintura em contraste
com ancas e coxas largas. Esta moda procurava estômagos salientes, que eram obtidos
muitas vezes com enchimento por baixo das roupas, mudando também a arte do
século XV. Gradualmente foi aparecendo decotes mais baixos de ombro a ombro.
A vestimenta interior utilizada pelas mulheres chamava-se de chemise, feitas
de linho ou seda, com mangas e decotes mais baixos. A túnica foi substituída por o
corpete, geralmente de decote mais baixo, com manga curta que mostrava a chemise,
aberto ou enlaçado.

10
Apesar das vestimentas mais curtas, os mantos compridos não desapareceram.
As pessoas mais velhas continuaram fiéis aos seus trajes compridos durante mais
algum tempo.
Falando então da moda na Borgonha, França. A corte ultrapassou
completamente a riqueza dos trajes vistos ao redor do mundo com tecidos ricos e
bordados variados. O casamento de Philip, o bravo e Margarite de Flandres, filha e
herdeira do poderoso Louis II, acrescentou ao importante património do duque, os
maiores recursos e mais ricos do país de toda a cristandade, com as prósperas cidades
de Ypres, Bruges e Ghent, uma enorme indústria de tecidos e seda, uma bolsa de
valores e a feira de Antuérpia que se estava a tornar um centro de comércio
internacional, criando uma estrutura económica muito mais forte que França. Na
ambição para igualar os reis ao seu redor, os duques gastaram bastante em luxos
pessoais, particularmente em vestimentas. Philip, por exemplo, na sua entrada em
Paris, utilizou 4 mantos sucessivamente de veludo, decorados com flores em dourado
e pedras preciosas, um casaco escarlate com quarenta cordeiros e cisnes bordados
com pérolas e um manto verde cujas mangas eram bordadas com ramos de espigueiro
e ovelhas em pérolas. Estes tecidos foram maioritariamente importados de Itália.
Os livros de contas dos duques surpreendem, não só pelos custos das suas
vestimentas, mas também das suas famílias. Eram pompons, plumas e muito mais para
decorar capas, chapéus vindos de Itália e chaperons de feltro ou veludo feitos na
Alemanha.
O gosto rico, o uso do luxo, as roupas importadas de seda e os ornamentos de
cabeça exagerados, mais acentuada em Borgonha do que em França, mostra uma linha
assimétrica dominada por um espírito mais Barroco. A resultado da diversidade e
complexo de diplomacia dos duques, o traje borgonhês teve várias influências como
por exemplo Isabel de Portugal, terceira mulher de Philipe que trouxe novas modas.

Figura 14. Isabel de Portugal,


duquesa de Borgonha e terceira
mulher de Philip, o Bom, duque de
Borgonha.

11
Em Itália e Espanha, a mudança de traje resultou de um fator mais económico e
social. Em Itália, os trajes masculinos mudaram pouco entre o meio do século XIV e o
século XV. É errado acreditar que as vestimentas mais curtas foram adotadas em Itália
sem oposição. Esta oposição é comprovada pelas leis sumptuary6 de 1430 em
Florença, destinadas a impedir o encurtamento das roupas. Mas, talvez por causa
destas leis, esta nova moda espalhou-se muito rapidamente por toda a Itália.
Certas características aparecem na arte trecento italiana. Vemos vestidos com
decotes mais baixos, possivelmente um estilo de Cyprus, ajustado no corpo, toucados
em camadas e mangas cortadas para mostrar a chemise. Os homens usavam
vestimentas curtas e assentadas, meias apertadas, calças justas e chapéus
pontiagudos. Entre o meio do século XIV e o século XV, o traje masculino mudou um
pouco. Um manto curto, usualmente revestido a pelo que cobria os ombros, era
utilizado sobre as vestimentas justas referidas anteriormente. Durante a segunda
metade do século XV, o gibão apertado, com uma abertura triangular na frente, tem
mangas bufantes até ao cotovelo e justas até ao pulso e eram abotoadas ou apertadas
com fita. O manto italiano batia nos joelhos com um cinto baixo. As mangas com
bainha dourada e bordada com arabescos e flores mostravam grande criatividade. Em
Veneza, a moda ditava mangas em balão, largas no ombro e apertadas no pulso com
uma abertura de lado. Eram decoradas, normalmente na manga direita, com insígnias,
emblemas e nomes. Estas mangas eram seguras no ombro por fita e laços que eram
populares entre os homens mais elegantes.
Pinturas e esculturas mostram a variedade de toucados. As mulheres italianas
nunca usavam toucados pontiagudos, preferiam antes penteados com rolos.
Em Itália, tal como outros, as roupas era um objeto com múltiplas influências
estrangeiras.

Figura 15. Esculturas que mostram a moda do século XV

6Leis feitas com o propósito de restringir luxo ou extravagância, particularmente contra gastos
desordenados em matéria de vestuário, comida, móveis etc.

12
Século XVI

Até ao final do século XV, os grupos de população eram isolados uns dos
outros, por exemplo, a europa não sabia nada sobre a América e muito pouco sobre a
África e a Ásia. No século XVI essas populações descobriram-se uns aos outros e
desenvolveram relações mais próximas.
Em 1492, Cristóvão Colombo chega às américas e em 1498 o navegador Vasco
da Gama contorna o Cabo da Boa Esperança e chega á India, a Calecute. Por algum
tempo, Sevilha e Lisboa possuíam um monopólio entre a Europa, a América e a Ásia.
Muitos dos materiais básicos da roupa europeia ficaram envolvidos na distribuição
feita por os portugueses e pelos espanhóis. Os comerciantes da Alemanha, Flandres e
França comprovam bens em Lisboa e Sevilha, trazendo produtos exóticos para os seus
países tal como algodão egípcio, seda síria e persa e também algodão indiano.
A influência italiana na moda, que dominou toda a Europa desde o final do
século XIII, começou a ficar cada vez mais fraca depois do meio do século XV. Como
dito anteriormente, no final do século XV, a moda italiana começou a ter várias
influências estrangeiras, algumas vezes francesas e alemãs, mas maioritariamente
espanholas.
Em 1525, quando a batalha de Pavia decidiu a favor de Carlos V, a
predominância espanhola reapareceu não só nas vestimentas como também no
espírito de magnificência. A corte de Carlos V deu a Itália um sistema de suporte á
volta do peito e da cintura e arranjos inflexíveis de dobras formais, e a Itália adotou os
seus tecidos ricos e estes estilos.
Os homens utilizavam este traje espanhol com doublets7 de cor escura, muito
comum em roupa espanhola, que impôs a moda masculina para preto. As mulheres
normalmente utilizavam verde, azul e tons de roxo escuro.

Figura 16. Traje masculino: doublet, capa de


veludo vermelha, chapéu de couro e luvas.
1575. The London Museum (foto do Museu)

7 Casaco ajustado ao corpo masculino utilizado em Espanha no início do século XVI.

13
Até ao final do século, as influências espanholas continuaram a ser marcantes.
Seguindo as irmãs espanholas, as mulheres italianas procuravam uma silhueta cónica.
A moda espanhola procurava estilizar as curvas do corpo. Dois elementos de roupa
característicos eram: o bodice8 e o farthingale9. Por baixo deste farthingale, era
normalmente utilizada uma saia preta chamada de basquina. Era formada então uma
silhueta cónica. Para completar a silhueta geométrica, le fraise apareceu em 1555.
Originalmente era uma pequena fita com renda que atava no pescoço e acabava no
início do bodice e logo cresceu para dimensões maiores. Outra moda feminina que
ficou bastante conhecida na Europa foi a ropa, que se acredita ter origem portuguesa,
manto aberto na frente, normalmente com mangas duplas afuniladas.
Apesar da moda masculina usualmente ir buscar modas passadas, eram
normalmente modificadas. Por exemplo: os slashings dos uniformes suíços que se
espalharam por a Alemanha, pela França e Inglaterra que eram mais pequenos
comparados com os que eram usados em Espanha. Mangas bufantes com pequenos
cortes eram bastante utilizadas em Espanha, antes de chegarem a França. Em todos os
países, exceto na Itália, estas mangas ficaram até 1580.
Do meio do século, o doublet espanhol acentuou a cintura fina. Tinha um
monte de botões na frente e era utilizado sobre um gibão que possuía cordas que
seguravam os rasgos. A silhueta era alargada com enchimentos e começou a haver a
militarização dos trajes do dia a dia, até para as roupas femininas.
No resto da Europa, o cetim que era utilizado nos sapatos no início do século foi
substituído, desde 1570, por couro para todas as classes. Os chapéus masculinos, que
até 1580 eram achatados, adotaram o estilo italiano mais alto: eram fortes, decorados
e geralmente com uma pluma para adernar o lado esquerdo, que era normalmente
utilizada pelos franceses do lado direito.
Pode-se dizer que durante o século XVI, a moda espanhola era bastante
individual, e não tinha muitas influências estrangeiras.

Figura 17. Rainha Elizabeth por volta de 1560.

8 Corpete que cobre o torso desde o pescoço à cintura.


9 Estrutura utlizada sobre as roupas femininas com o objetivo de aumentar a metade inferior do corpo.

14
Durante o primeiro quarto de século do século XVI, podemos ver que a moda
francesa prevaleceu, com tecidos ricos em materiais e decorações, reciprocamente
influenciada pela moda italiana. Para Louis XII, existia 3 peças essenciais:
primeiramente, o doublet com decote baixo, que mostrava a camisola, normalmente
feita de 2 tecidos, um mais rico para a frente e as mangas e um mais grosseiro para as
costas. As mangas com aberturas desde o ombro ao cotovelo ou então cortada no
cotovelo para formar mangas caídas. Em segundo, as meias, que neste período
finalmente aparecem separadas da peça de baixo. E em terceiro o cloak que tinha
diferentes formas. O manto ou robe era agora utilizado apenas por pessoas de mais
idade ou então como sinal de uma função especial na sociedade.
Os vestidos femininos mantiveram o corte do final do século XV, eram vestidos
por cima da chemise, do hose10 e de um corpete. As mulheres utilizavam um touret de
veludo ou seda, um género de véu bordado ou com pedras preciosas.

A silhueta da moda foi mudando ao longo do século XVI. Temos os exemplos da


Rainha Elizabeth, que, através dos seus retratos, podemos analisar as mudanças de
silhuetas e modas ao longo do século. Durante todo o século, os estilos de vestidos
mais utilizados eram: um vestido mais ajustado na parte superior, juntamente com
uma saia com pregas, ou então vestidos mais largos de apenas uma peça que cobriria
desde o pescoço às mão e todo o tronco.
Como dito anteriormente, é por volta de 1550 que vemos as primeiras fraises,
um género de folho utilizado á volta do pescoço, que marca o reinado da Rainha
Elizabeth. Entre 1550 e 1560, era comum ver-se um estilo de vestido em que um
género de robe, aberto na frente de maneira a ver-se o vestido de baixo era utilizado,
com mangas compridas, ou curtas bufantes, com pequenas aberturas em que o tecido
de baixo é puxado para fora, de maneira a aparecer pelos pequenos cortes.

Figura 18. Rainha Elizabeth por volta de


1559.

10No século XVI, o hose era separado em 2 partes: o upper hose e as meias. Upper hose seria um género
de cuecas que teriam como função segurar as meias. Tanto usado por homens como por mulheres.

15
Outras variações do vestido, em que seria fechado desde o pescoço até á
cintura, deixando apenas a saia do vestido de baixo á mostra, com mangas bufantes,
normalmente do ombro até ao cotovelo. Também é comum ver-se vestidos em que o
corpete, de forma mais quadrada, acentuava a cintura e a saia, aberta na frente, servia
para mostrar o vestido de baixo composto por várias camadas.

Figura 19. Vestido no estilo de robe, fechado na parte frontal desde o pescoço até á
cintura, mostrando na parte inferior a saia de dentro.
Figura 20. Vestido mais ajustado, composto por um corpete de decote mais quadrado,
com uma saia aberta na frente para mostrar a saia de baixo.

Os vestidos ficaram cada vez mais extravagantes nos anos seguintes, alguns
historiadores dizem que ou se ama ou se odeia. Os ombros ganham rolos, ficando cada
vez maiores e cheios, continuando a crescer, criando uma nova silhueta, que dava a
ilusão de uma cintura muito mais fina.

16
Figura 21 e 22. Ombros mais largos que criam a ilusão de uma cintura muito mais fina.

Este estilo fica mais extravagante nos anos 80. Os ombros são extremamente
exagerados e as mangas tão cheias que era preciso um género de estrutura para as
segurar no lugar. Começou também a ser comum o uso de almofadas em forma de
rolos para dar volume e forma às saias, atadas á cintura para dar volume á traseira dos
vestidos.
Os penteados ganharam também bastante volume. Os cabelos eram frisados e
teased para criar mais volume e usualmente modelado dos lados do rosto para criar
uma forma de coração.

Figura 23 e 24. Mangas


extravagantes e cabelo utilizado na
época em forma de coração.

17
Em 1590 surgiu uma moda que criou uma silhueta completamente inatural.
Com torsos enormes, mangas igualmente grandes e cheias e saias em forma de sino.
Segundo alguns historiadores, esta silhueta surgiu ao crescimento da indústria da
baleia em Inglaterra. Os corpetes começaram a utilizar ossos de baleia para criar forma
e rigidez.

Figura 25. Rainha Elizabeth por


volta de 1590.

18
Século XVII

De 1590 a 1715, enquanto a Europa passava por um período de contante guerra,


divisões políticas e controvérsias religiosas, a moda continuou a evoluir, influenciada
maioritariamente por a arte.
Por motivos económicos e políticos, a Itália e, mais particularmente a Espanha
perderam a sua supremacia no decorrer do século. França, por outro lado, teve uma
grande fase de recuperação, autoridade e absolutismo, entrando então no século de
ouro francês de prosperidade e dominância da Europa.
Apesar da silhueta feminina não tenha alterado muito em relação ao século
anterior, os detalhes que antes eram mais simples, passam a ser mais ricos e formais,
numa continuidade dos vestidos da Rainha Elizabeth. Sendo assim, os vestidos do
inicio do século XVII continuam a moda de XVI. Saias moldadas por armações, mangas
bufantes e cheias que cobriam completamente os braços. Por volta de 1620, o estilo
começou a mudar. As mangas encurtaram, o que marcou a história do vestuário já que
os braços das mulheres não eram visíveis há centenas de anos na moda europeia.
Uma das mais importantes características do período é a utilização do rufo já
bastante falado no século anterior. Dava um aspecto de cabeça erguida e um ar de
arrogância, o que o tornou popular entre a nobreza europeia. Fazia parte do vestuário,
tanto masculino quanto feminino. O rufo já existia na moda renascentista, mas,
durante o Barroco, ele passa de gigantesco para um tamanho mais discreto.
A cintura feminina e masculina sobem em relação ao século anterior para dar
mais elegância. Curiosamente os sapatos masculinos também eram de salto e
enfeitados com laços nos pés.

Figura 26. Sapatos masculinos,


1680-1700. Galliera Musée de la
Mode de la Ville de Paris.

Os homens usavam cabelos abaixo dos ombros, com grandes cachos, o rosto
barbeado, mas com bigode e chapéus de abas largas. As roupas masculinas eram
sempre muito enfeitadas. Utilizava-se calções largos que se assemelhavam a uma saia,
e por baixo meias de seda coloridas com grandes laços em renda e um casaco longo
até os joelhos.
As mulheres, na primeira metade do século, usavam os cabelos rente no alto da

19
cabeça e cachos dos lados. Para sair, usavam pequenos capuzes pretos ou xales de
renda sob a cabeça. Os tecidos bordados, rendados e luxuosos eram privilégio da
aristocracia; já os tecidos de segunda mão e lisos serviam para as classes emergentes.
Geralmente as roupas para essas camadas da sociedade também se diferenciavam da
aristocracia pelos seus tamanhos e ajustes, adaptadas aos seus afazeres e deveres. A
altura e a largura das saias das mulheres da classe trabalhadora para maior mobilidade
nos afazeres domésticos, eram menores que as saias das damas da aristocracia.
A partir da segunda metade do século XVII, a França começa a ditar as modas. A
figura de Luís XIV é fundamental para se entender este período. Ostentar o luxo era a
forma para demonstrar o seu poder e, quando Luís XIV sobe ao trono, várias modas se
desenvolver. Luis XIV começou a moda do uso das perucas, que por ser
parcialmente careca, passou maior parte da sua vida a usá-las e
consequentemente o uso delas tornou-se sinônimo de riqueza e luxo. Era
comum espalhar talco ou farinha nas cabeleiras para imitar o cabelo branco
mas, por mais elegante que esta moda parece-se, era também pouco higiénica.
Eram feitas de crina de cavalo, pelos de cabra ou cabelos humanos mesmo, e
para tirar o mau cheiro eram aromatizadas com talco e lavanda ou cheiros
cítricos. Estas perucas valiam o equivalente ao salário de uma semana inteira de
trabalho de um trabalhador comum, no entanto acabou por subiu o seu preço
mais de 3200%.
Surge também o primeiro jornal de moda em França, chamada de
Mercure Galant. O jornal foi criado por o primeiro-ministro Jean-Baptiste
Colbert e trazia informações sobre as roupas francesas, instituindo o conceito
de rotatividade de coleções por estações.

Figura 27. Primeira Edição do


Mercure Galant de 1672.

20
Outro rei importante para a conceção da moda europeia do século XVII foi o rei
inglês Carlos II, que tinha uma rivalidade com Luís XIV através da moda. Durante os
anos de 1660 e 1685, ele tem o seu nome associado a uma evolução nas roupas, sendo
a sua maior inovação a introdução da túnica persa, com botões que se ajuntavam ao
corpo. Esta inovação foi responsável pelos primeiros anos do traje moderno de casaco
calças que até hoje permanece.
As roupas masculinas tinham, por regra, os seguintes acessórios: o rhinegrave,
uma espécie de saia calção; o clete justo e bordado; peruca; sapatos de salto alto; os
justaucorps, sobreveste ou gibão (colete comprido que ia até ao joelho ajustado na
cintura); lenços originados das golas da camisa, volumosos no pescoço; e
maquilhagem.

Figura 28. Vestimentas de James II da


Inglaterra, 1673.

Já a vestimenta feminina era composta por: um vestido com corpete em v, uma


saia ampla com armações em forma de sino, o manteau (casaco), o penteado fontange
com enchimentos e elementos decorativos e sapatos altos. Mais tarde os fontanges
foram deixados de lado, quando Luís XIV os condenou em um decreto, em 23 de
setembro de 1699. As cinturas eram finas, marcadas pelo uso de um corpete riso e
apertado. Nos tecidos eram utilizadas cores como vermelho-escarlate, vermelho-
cereja e azul-céu e também cores mais claras como rosa e amarelo pálido.

Figura 29. Retrato da Rainha Teresa da França,


século XVII.

21
Século XVIII

A moda do inicio do século XVIII foi uma continuação da moda do período


absolutista do final do século XVII. As silhuetas não mudaram muito. Os corpetes
mantiveram-se durante a maior parte do século, havendo apenas alterações na saia do
vestido.
Algo bastante característico deste século, são as mangas até ao cotovelo
utilizadas pelas mulheres que, dependendo do seu estatuto social, possuíam rendas ou
não.
Começando então por a moda feminina, no inicio do século XVIII, começou o
uso do robe volante (vestido que voa). Este vestido possuía um género de painel na
parte frontal e traseira, deixando apenas á vista o corpete ajustado nas laterais, dando
o ar que o vestido voa. Existe também uma derivação deste vestido chamado robe
battante que não possui o corpete ajustado, utilizado normalmente por mulheres
grávidas ou para usar dentro de casa.

Figura 30 e 31. Robe Volante e Robe Battante por ordem. The Met Museum, 1730.

O modelo mais característico do século XVIII é o robe á la française, utilizado


por mulheres da elite da corte francesa. Este vestido possui um corpete ajustado ao
corpo, o stomacher 11, a saia de baixo e o robe, que seria um tipo de casaco vestido,
prendido com alfinetes no stomacher, que fica aberto, dando visão ao stomacher e á
saia de baixo. A parte traseira do robe é a parte mais característica do mesmo,

11Triângulo rijo do mesmo tecido que o vestido, que era preso no corpete e ficava á vista quando usado
o robe por cima.

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possuindo pregas, que não deixavam ver a modelação do corpete visto de trás. Essas
pregas são então a grande diferença entre o robe a la française e o robe a l’anglaise.

Figura 32 e 33. Robe à la française. The Met Museum, 1760-1770.

Sendo assim, as mulheres começavam então com uma camisa, normalmente de


linho, lavável, que protegia a roupa dos fluidos corporais e a pele de tecidos mais
ásperos. São calçadas as meias, feitas de algodão, seda ou uma mistura de fibras. Essas
meias vão até cima do joelho e usualmente tem um símbolo no tornozelo. Eram presas
acima do joelho por fitas para que estas não caíssem durante o dia. De seguida é
vestido o primeiro petticoat pelo joelho feito de linho branco, usado por modéstia e
para agasalho. É vestido o corpete, seguido de paniers ou hip pads, para dar mais
volume á parte de baixo do vestido. Durante todo o século, vê-se o rescimento destes
paniers, que ficam cada vez maiores no tempo de Maria Antonieta, que era quase
impossível passar pelas portas de frente. Eram feitas camadas de petticoat feitos de
linho, dependendo do volume pretendido e de seguida, era posto um fichu. Este fichu
era um lenço delicado (se usado por as elites) usado durante o dia para proteger do
sol, do vento, ou por simples modéstia. Era posto sobre os ombros e seguro no
corpete. É posto o stomacher, normalmente a combinar com o tecido do vestido,
preso ao corpete, seguido da saia que irá ficar visível no robe. Por ultimo é vestido o
casaco-vestido, seguro no stomacher por alfinetes, ficando aberto na frente.

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Figura 34. Exemplo de panier utilizado para dar volume ao vestido.
Figura 35. Vestido de casamento da rainha Sofia Magdalena da Suécia, 1761.

O traje masculino é composto por um gibão, calções, meias e um casaco.


Durante o século os tecidos utilizados ficam cada vez mais lisos e sem tantos adornos,
e o casaco mais justo com a frente a abrir mais. O colarinho é reto e possui mangas
abotoadas. Era normal ver-se um género de gola em rende que saia pelo colete e pelo
casaco, normalmente a combinar com a renda dos punhos.

Figura 36. Traje masculino do século XVIII,

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Um dos melhores filmes em que podemos ver a evolução dos trajes durante o
século XVIII é o filme Marie Antoinette de 2006, realizado por Sofia Coppola. Os
figurinos, por Milena Canonero, captam a essência do século e de Maria Antonieta na
perfeição, como podemos ver nas imagens abaixo.

Figura 37 e 38. Imagens do filme Marie Antoinette, 2006.

Não podemos esquecer também os penteados extravagantes de Maria


Antonieta, que foram crescendo com os paniers. Quanto mais volume na saia, mais
volume no cabelo. O cabeleireiro da rainha, Léonard, criou o chamado pouf, um
penteado com bastante volume, podendo atingir cerca de 90 centímetros desde o
início da cabeça. Estes penteados precisavam de uma estrutura de arame, gase, crina
de cavalo, cabelo artificial e cabelo natural. Quanto maior o penteado, mais poderoso
e inalcançável a rainha era. O pouf podia ter dois vertentes, podia ser um pouf au
sentimento, que passaria o sentimento de quem o usava, ou um pouf à la circonstance
que seria para refletir alguma situação atual. Estes penteados eram puras esculturas,
com bastantes adornos e decorações, que se espalharam rapidamente por toda a
Europa.

Figura 39. Exemplo de


poufs.

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Século XIX

Com a revolução francesa, a moda mudou radicalmente. Ninguém queria


vestir-se como a aristocracia, ao contrário do século passado. Surge então um novo
estilo de traje masculino. O homem do inicio do século XIX tinha um colarinho alto e
engomado, o plastrão (lenço) que podia ser de seda ou algodão, apertado por um laço
e a cartola. A altivez era demonstrada através do tamanho da gola, que muitas vezes
chegava a bater no queixo, junto com a gola do colete, que era também levantada.

Figura 40. Retrato de um homem no inicio


do século XIX. 1800-1809.

O casaco é mais curto na frente, e mais longo atrás. As calças deixam de ser da
mesma cor que o casaco e de dia os homens utilizam botas de montaria. Com o
avançar do século XIX, a padronização do uso destas roupas mais elegantes começa,
deixando de ser restritas apenas á aristocracia. O colarinho fica mais baixo e o plastrão
fica em desuso, começando a utilizar-se uma gravata borboleta. O uso da cartola era
apenas para jantares e eventos mais formais, e durante o dia era usual um chapéu
mais casual de palha ou um chapéu côco. O casaco agora fica da mesma altura, em
contraste com o século anterior em que era mais curto á frente que atrás, a não ser
em eventos de gala que ainda era utilizado esse tipo de casaco, no entanto mais
simples e normalmente preto. Eram utilizadas também luvas brancas com esse casaco
mais formal, e o uso da gravata borboleta branca era indispensável. Existe também um
aumento da roupa mais informal, que se vê nas pinturas da época. Começou então a
haver uma separação mais evidente entre roupas do dia e roupas da noite, entre o
casual e o mais formal.

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Figura 41. O almoço
dos Barqueiros por
Pierre-Auguste Renoir,
1880-1881

Até 1814, as mulheres usavam pouca roupa comparado ao século passado.


Usavam uma camisa longa, leve, com cintura império abaixo do peito. Gradualmente a
saia adquiriu um formato mais aberto na barra até 1820 quando surgiu o período
romântico. Segundo o romantismo, as mulheres teriam que ser donzelas, ladies saídas
de um mundo encantado de fantasia. Deviam ser frágeis e distantes, delicadas e
decorativas. Eram chamadas de sexo frágil e não deviam fazer nada, pois a ociosidade
simbolizava o status social do marido.

Figura 42. Vestido de noite, 1810-1812.


The Met Museum.

A partir de 1830, a mulher passa a ser responsável pela imagem pública da


família. As esposas eram responsáveis, no lugar dos seus maridos, pelas formas
expostas ao publico que expressavam e determinavam o status social, como já referido
em cima. Conforme a mulher assume essa função de representante da família, da casa
e as atividades da vida privada aumentam em importância social, ocorre uma
feminização na cultura estética. A moda masculina fica menos ornamentada e
decorada, e a moda feminina ganha mais importância na sociedade.

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A silhueta de 1840, trazia uma silhueta bem marcada. A junção do corpete com
a saia de copula, fazia a cintura parecer mais fina e a mulher mais delicada. O corpete
desta época não afinava muito a cintura e possuía um pedaço de madeira na frente
entre os seios que servia para suportar o peito e deixar a barriga no lugar chamado
busk. O corpete procurava alongar o corpo, terminando em ponta na frente e ás vezes
também nas costas. Tinham ombros caídos e arredondados.

Os corpetes diurnos normalmente possuíam decotes altos, fechados até ao


pescoço e mangas longas e ajustadas. Por outro lado, os corpetes utilizados em
ocasiões formais, deixavam os ombros á mostra e eram de manga curta. Estes corpetes
eram muitas vezes decorados no decote com laços e flores, também como a bertha12.
Eram utilizadas várias camadas de saias eram decoradas com bordados e folhos. Ao
longo da década ficaram cada vez mais longas. Um acessório indispensável era o
chapéu, utilizado para passeios diurnos, decorado com fitas e rendas, dava um ar de
delicadeza a quem o usava. Outro acessório era o xaile. Maioria eram importados da
Asia mas também havia industrias especializadas para a produção de xailes de seda na
Europa, na América e também no Brasil.

Figura 43. Vestido diurno do século


XIX.

Figura 44. Vestido formal, 1850.

12 Peça de vestuário removível colocada no decote.

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Em 1856 ocorre o que se acredita ser um dos principais efeitos da modernidade
(industrialização e capitalismo) na moda, restaurando-se as relações entre a imagem
publica e a vivencia urbana, as crinolinas de metal passam a ser usadas, o que
enfatizou o uso do artificio, o gosto pelo moderno e pelo frívolo que os moralistas da
época acusavam de ser o inicio da imoralidade da vestimenta moderna.
A cintura e as mangas dos vestidos femininos estreitam, ao passo que as saias
aumentam ao máximo em diâmetro. A jovem consumidora de moda torna-se
diametralmente oposta ao modelo de mulher modesta, quieta e resignada de 1840,
tornando-se vaidosa e exibicionista.
Até 1861, as crinolinas ainda eram feitas manualmente e a partir de 1862, a
produção das mesmas já era responsável por mais de um sétimo da extração de ferro
na minha de Sheiffield na Inglaterra.

Figura 43. Ilustração de


uma crinolina.

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Bibliografia

NORRIS, H. Medieval Costume and Fashion. 2 ed. Nova Iorque: Dover


Publications, Inc, 1999.

HOUSTON, M. Medieval Costume in England and France: the 13th, 14th and
15th Centuries. Nova Iorque: Dover Publications

BOUCHER, François. 20,000 Years of Fashion: The History of Costume and


Personal Adornment. Expanded ed. New York: H.N. Abrams, 1987

HART, Avril, Richard Davis, Susan North. Historical Fashion In Detail: Yhe 17 th
and 18th Centuries. 1998.

LAVER, James. The Concise History of Costume and Fashion. 1969.

FOGG, Marnie. Tudo Sobre a Moda. 2013.

GRUMBACH, Didier. História da Moda. 2009.

https://www.metmuseum.org
https://www.palaisgalliera.paris.fr

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