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Universidade Federal de Minas Gerais – primeiro semestre de 2024

Disciplina: Estado Moderno e Capitalismo


Prof. Dr. Eduardo Moreira da Silva/ Prova /25 pontos / Pontos: ________

Nome: Gustavo Godinho de Brito


Nome: Kauanny S. Pereira
Nome: Matheus Nassif
Nome: Davi Teixeira
Nome: Matheus Maciel

Questão 1 – Com base na leitura dos textos da Unidade III, defina os seguintes
conceitos: a) social-democracia; b) capital; c) neoliberalismo. Apresente as
características e o contexto de emergência das práticas às quais os conceitos se
referem na sociedade contemporânea.

R: “Social-democracia” é um conceito que se refere a uma ideologia política e a um


movimento que busca conciliar a justiça social com uma economia capitalista. Em sua
obra, "A social-democracia como um fenômeno histórico", Adam Przeworski
argumenta que a social-democracia emergiu como uma resposta às contradições do
capitalismo industrial, procurando amenizar as desigualdades através de reformas no
sistema econômico e político, ao invés de uma revolução. Przeworski também ressalta
que a social-democracia foi moldada pelas lutas dos trabalhadores e pelas pressões
sociais que exigiam melhores condições de vida e trabalho. Este movimento ganhou
força especialmente na Europa, no início do século XX, alcançando seu apogeu no
pós-Segunda Guerra Mundial, com a criação de estados de bem-estar social que
implementaram políticas de redistribuição de renda, proteção social e regulação dos
mercados. Além disso, outro ponto crucial é a adaptabilidade e flexibilidade da social-
democracia observada por Adam, que mostra que, ao longo do tempo, os partidos
social-democratas adaptaram suas estratégias e políticas para responder às
mudanças nas condições econômicas e sociais. Essa capacidade de adaptação é
uma das razões pelas quais a social-democracia conseguiu sobreviver e prosperar.
O capital, conforme descrito por Thomas Piketty em sua obra "O Capital no
Século XXI", é a soma dos ativos que podem ser utilizados para gerar mais riqueza.
Piketty analisa a dinâmica da acumulação de capital ao longo do tempo e ainda
argumenta a respeito da importância do patrimônio herdado na dinâmica de
acumulação de capital. Ele explora o fato de que, em muitas sociedades, uma parcela
significativa da riqueza é transmitida de geração em geração, reforçando as
desigualdades existentes e o impacto causado por elas. Esse patrimônio hereditário
perpetua uma elite econômica que possui uma vantagem significativa sobre aqueles
que não herdam riqueza. Ele demonstra que, historicamente, a taxa de retorno do
capital tende a ser maior do que a taxa de crescimento econômico, o que leva a uma
concentração crescente de riqueza e ao aprofundamento das desigualdades sociais.
Piketty argumenta que essa dinâmica é uma característica intrínseca do capitalismo,
a menos que sejam implementadas políticas públicas significativas, como impostos
progressivos e mecanismos de redistribuição, para contrabalançar essas tendências.

O neoliberalismo é o conceito central na obra de Wendy Brown, "Nas ruínas do


neoliberalismo", onde ela explora as transformações sociais e políticas promovidas
por esta ideologia desde o final do século XX. O neoliberalismo, segundo Brown,
refere-se a uma doutrina econômica e política que promove a desregulamentação dos
mercados, a redução do papel do Estado na economia e a ênfase na responsabilidade
individual. Brown critica o neoliberalismo por desmantelar as proteções sociais e
enfraquecer as instituições democráticas, transformando cidadãos em consumidores
e mercantilizando aspectos fundamentais da vida social. Ela argumenta que essa
ideologia surgiu como uma reação ao sucesso das políticas social-democratas e
keynesianas do pós-guerra, ganhando força a partir da década de 1980 com líderes
como Ronald Reagan e Margaret Thatcher, e continua a moldar profundamente as
sociedades contemporâneas.

A obra organizada por Mendonça e Cunha "Teoria democrática: múltiplos


olhares sobre um fenômeno em mutação", pode complementar essas discussões ao
examinar a evolução das teorias democráticas frente às mudanças sociais e políticas
recentes. A partir dessa perspectiva, a social-democracia pode ser vista como um
modelo de governança que tenta equilibrar a necessidade de crescimento econômico
com justiça social, enquanto o neoliberalismo representa uma ruptura com esse
modelo, promovendo uma reestruturação das relações sociais e econômicas em favor
do mercado. Essas transformações influenciam o conceito de capital, que, na era
neoliberal, é cada vez mais concentrado e móvel, exacerbando as desigualdades que
Piketty identifica. Em resumo, os conceitos de social-democracia, capital e
neoliberalismo estão interligados e são centrais para entender as dinâmicas
socioeconômicas contemporâneas. A social-democracia busca mitigar as
desigualdades geradas pelo capitalismo através de políticas redistributivas e de bem-
estar social; o capital, como analisado por Piketty, é uma força que tende à
concentração de riqueza e poder; e o neoliberalismo, como criticado por Wendy
Brown, promove a desregulamentação e a mercantilização, desafiando e
transformando as estruturas democráticas e sociais existentes.

Questão 2 - Elabore um texto dissertativo para descrever as características das


principais teorias da democracia apresentadas por Ricardo Fabrino Mendonça e
Eleonora Cunha. Selecione uma delas para formular suas críticas e apresentar contra-
argumentos válidos sobre a referida teoria.

R: As teorias da democracia apresentadas por Ricardo Fabrino Mendonça e


Eleonora Cunha na obra "Teoria democrática: múltiplos olhares sobre um fenômeno
em mutação" oferecem uma visão abrangente e multifacetada sobre as diferentes
concepções e práticas democráticas. As principais teorias discutidas pelos autores
incluem a democracia liberal, a democracia deliberativa, a democracia participativa e
a democracia radical.

A democracia liberal é caracterizada pela ênfase na proteção dos direitos


individuais, no Estado de direito e na realização de eleições periódicas e competitivas.
Esta teoria defende que a democracia deve garantir a liberdade individual e a proteção
contra o arbítrio do Estado, promovendo a estabilidade e a ordem social através de
instituições representativas e mecanismos de freios e contrapesos. Já a democracia
deliberativa propõe que a essência da democracia reside na deliberação pública e
racional entre cidadãos. Para teóricos como Jürgen Habermas, a legitimidade
democrática não se baseia apenas na vontade da maioria, mas na qualidade do
debate público e na capacidade dos cidadãos de argumentar e justificar suas posições
em um espaço público inclusivo e não coercitivo. A deliberação deve ser orientada por
princípios de igualdade, liberdade e racionalidade, promovendo decisões mais
informadas e legítimas.

Na democracia participativa é enfatizada a importância da participação direta


dos cidadãos nos processos de tomada de decisão política. Inspirada em teóricos
como Carole Pateman, essa abordagem argumenta que a participação ativa dos
cidadãos é fundamental para a educação cívica, a legitimação das decisões políticas
e o fortalecimento das comunidades locais. A democracia participativa busca criar
mecanismos que permitam um maior envolvimento dos cidadãos, como conselhos
comunitários, referendos e assembleias populares.

A democracia radical, influenciada por autores como Chantal Mouffe e Ernesto


Laclau, critica as limitações das democracias liberais e deliberativas, argumentando
que elas frequentemente ignoram as dimensões de poder e exclusão presentes nas
sociedades contemporâneas. A democracia radical defende uma visão agonística da
política, onde o conflito e a dissensão são vistos como inerentes à democracia. Essa
teoria propõe a expansão dos espaços democráticos para incluir vozes
marginalizadas e contestar as estruturas de poder estabelecidas, promovendo uma
transformação social profunda.

Dentre essas teorias, a democracia deliberativa tem sido amplamente debatida


e criticada. Um dos principais pontos de crítica é a suposição de que todos os cidadãos
são igualmente capazes de participar de deliberações racionais e informadas. Em
sociedades marcadas por desigualdades econômicas, sociais e educacionais, essa
premissa pode ser questionada. Indivíduos de grupos marginalizados podem não ter
acesso aos mesmos recursos e oportunidades para participar efetivamente das
deliberações, o que pode perpetuar as desigualdades existentes. Ademais, a
democracia deliberativa pode ser criticada por sua ênfase excessiva na racionalidade
e no consenso. Em contextos de pluralismo cultural e político, a busca por um
consenso racional pode desconsiderar a importância dos afetos, das identidades e
das paixões que também desempenham um papel significativo na política. Ao
privilegiar o debate racional, a democracia deliberativa pode marginalizar formas de
expressão política que não se encaixam em seus critérios de racionalidade, como
manifestações, protestos e outras formas de ação coletiva. No entanto, esses críticos
também apresentam contra-argumentos válidos. Defensores da democracia
deliberativa, como Habermas, reconhecem a importância de criar condições que
permitam uma participação mais inclusiva e igualitária. Propostas como a introdução
de cotas, a criação de espaços de deliberação específicos para grupos marginalizados
e a promoção de uma educação cívica mais ampla podem ajudar a mitigar as
desigualdades e tornar a deliberação mais acessível. Além disso, a ênfase na
deliberação racional não exclui necessariamente a consideração das paixões e das
identidades. Teóricos deliberativos argumentam que o processo de deliberação pode
ser enriquecido ao reconhecer a diversidade de perspectivas e ao incorporar
diferentes formas de expressão política. A busca pelo consenso pode ser vista não
como uma imposição de uniformidade, mas como um processo dinâmico de
negociação e reconhecimento mútuo.

Em conclusão, as teorias da democracia apresentadas por Mendonça e Cunha


oferecem uma compreensão rica e diversificada das diferentes abordagens
democráticas. A democracia deliberativa, apesar de suas críticas, continua a ser uma
teoria influente que destaca a importância do debate público e da participação racional
dos cidadãos. Ao abordar suas limitações e buscar formas de torná-la mais inclusiva
e pluralista, é possível fortalecer os princípios democráticos e promover uma
sociedade mais justa e participativa.

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