TÍTULO II DO PROCESSO DISCIPLINAR
CAPÍTULO I DOS PROCEDIMENTOS
Art. 55. O processo disciplinar instaura-se de ofício ou mediante representação
do interessado.
§ 1º A instauração, de ofício, do processo disciplinar dar-se-á em função do
conhecimento do fato, quando obtido por meio de fonte idônea ou em virtude de
comunicação da autoridade competente.
§ 2º Não se considera fonte idônea a que consistir em denúncia anônima.
Art. 56. A representação será formulada ao Presidente do Conselho Seccional
ou ao Presidente da Subseção, por escrito ou verbalmente, devendo, neste
último caso, ser reduzida a termo.
Parágrafo único. Nas Seccionais cujos Regimentos Internos atribuírem
competência ao Tribunal de Ética e Disciplina para instaurar o processo ético
disciplinar, a representação poderá ser dirigida ao seu Presidente ou será a este
encaminhada por qualquer dos dirigentes referidos no caput deste artigo que a
houver recebido.
Art. 57. A representação deverá conter:
I - a identificação do representante, com a sua qualificação civil e endereço;
II - a narração dos fatos que a motivam, de forma que permita verificar a
existência, em tese, de infração disciplinar;
III - os documentos que eventualmente a instruam e a indicação de outras provas
a ser produzidas, bem como, se for o caso, o rol de testemunhas, até o máximo
de cinco;
IV - a assinatura do representante ou a certificação de quem a tomou por termo,
na impossibilidade de obtê-la.
Art. 58. Recebida a representação, o Presidente do Conselho Seccional ou o da
Subseção, quando esta dispuser de Conselho, designa relator, por sorteio, um
de seus integrantes, para presidir a instrução processual.
§ 1º Os atos de instrução processual podem ser delegados ao Tribunal de Ética
e Disciplina, conforme dispuser o regimento interno do Conselho Seccional, caso
em que caberá ao seu Presidente, por sorteio, designar relator.
§ 2º Antes do encaminhamento dos autos ao relator, serão juntadas a ficha
cadastral do representado e certidão negativa ou positiva sobre a
existência de punições anteriores, com menção das faltas atribuídas. Será
providenciada, ainda, certidão sobre a existência ou não de representações
em andamento, a qual, se positiva, será acompanhada da informação sobre
as faltas imputadas.
§ 3º O relator, atendendo aos critérios de admissibilidade, emitirá parecer
propondo a instauração de processo disciplinar ou o arquivamento liminar da
representação, no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de redistribuição do feito
pelo Presidente do Conselho Seccional ou da Subseção para outro relator,
observando-se o mesmo prazo.
§ 4º O Presidente do Conselho competente ou, conforme o caso, o do
Tribunal de Ética e Disciplina, proferirá despacho declarando instaurado o
processo disciplinar ou determinando o arquivamento da representação,
nos termos do parecer do relator ou segundo os fundamentos que adotar.
§ 5º A representação contra membros do Conselho Federal e Presidentes de
Conselhos Seccionais é processada e julgada pelo Conselho Federal, sendo
competente a Segunda Câmara reunida em sessão plenária. A representação
contra membros da diretoria do Conselho Federal, Membros Honorários
Vitalícios e detentores da Medalha Rui Barbosa será processada e julgada pelo
Conselho Federal, sendo competente o Conselho Pleno.
§ 6º A representação contra dirigente de Subseção é processada e julgada pelo
Conselho Seccional.
§ 7º Os Conselhos Seccionais poderão instituir Comissões de Admissibilidade
no âmbito dos Tribunais de Ética e Disciplina, compostas por seus membros ou
por Conselheiros Seccionais, com atribuição de análise prévia dos pressupostos
de admissibilidade das representações ético-disciplinares, podendo propor seu
arquivamento liminar.
Art. 59. Compete ao relator do processo disciplinar determinar a notificação
dos interessados para prestar esclarecimentos ou a do representado para
apresentar defesa prévia, no prazo de 15 (quinze) dias, em qualquer caso.
§ 1º A notificação será expedida para o endereço constante do cadastro de
inscritos do Conselho Seccional, observando-se, quanto ao mais, o disposto no
Regulamento Geral.
§ 2º Se o representado não for encontrado ou ficar revel, o Presidente do
Conselho competente ou, conforme o caso, o do Tribunal de Ética e Disciplina
designar-lhe-á defensor dativo.
§ 3º Oferecida a defesa prévia, que deve ser acompanhada dos documentos que
possam instruí-la e do rol de testemunhas, até o limite de 5 (cinco), será
proferido despacho saneador e, ressalvada a hipótese do § 2º do art. 73 do
EAOAB, designada, se for o caso, audiência para oitiva do representante, do
representado e das testemunhas.
§ 4º O representante e o representado incumbir-se-ão do comparecimento de
suas testemunhas, salvo se, ao apresentarem o respectivo rol, requererem, por
motivo justificado, sejam elas notificadas a comparecer à audiência de instrução
do processo.
§ 5º O relator pode determinar a realização de diligências que julgar
convenientes, cumprindo-lhe dar andamento ao processo, de modo que este se
desenvolva por impulso oficial.
§ 6º O relator somente indeferirá a produção de determinado meio de prova
quando esse for ilícito, impertinente, desnecessário ou protelatório, devendo
fazê-lo fundamentadamente.
§ 7º Concluída a instrução, o relator profere parecer preliminar, a ser
submetido ao Tribunal de Ética e Disciplina, dando enquadramento legal aos
fatos imputados ao representado.
§ 8º Abre-se, em seguida, prazo comum de 15 (quinze) dias para apresentação
de razões finais.
Art. 60. O Presidente do Tribunal de Ética e Disciplina, após o recebimento
do processo, devidamente instruído, designa, por sorteio, relator para
proferir voto.
§ 1º Se o processo já estiver tramitando perante o Tribunal de Ética e Disciplina
ou perante o Conselho competente, o relator não será o mesmo designado na
fase de instrução.
§ 2º O processo será incluído em pauta na primeira sessão de julgamentos após
a distribuição ao relator.
§ 3º O representante e o representado são notificados pela Secretaria do
Tribunal, com 15 (quinze) dias de antecedência, para comparecerem à sessão
de julgamento.
§ 4º Na sessão de julgamento, após o voto do relator, é facultada a sustentação
oral pelo tempo de 15 (quinze) minutos, primeiro pelo representante e, em
seguida, pelo representado.
Art. 61. Do julgamento do processo disciplinar lavrar-se-á acórdão, do qual
constarão, quando procedente a representação, o enquadramento legal da
infração, a sanção aplicada, o quórum de instalação e o de deliberação, a
indicação de haver sido esta adotada com base no voto do relator ou em voto
divergente, bem como as circunstâncias agravantes ou atenuantes consideradas
e as razões determinantes de eventual conversão da censura aplicada em
advertência sem registro nos assentamentos do inscrito.
Art. 62. Nos acórdãos serão observadas, ainda, as seguintes regras:
§ 1º O acórdão trará sempre a ementa, contendo a essência da decisão.
§ 2º O autor do voto divergente que tenha prevalecido figurará como redator para
o acórdão.
§ 3º O voto condutor da decisão deverá ser lançado nos autos, com os seus
fundamentos.
§ 4º O voto divergente, ainda que vencido, deverá ter seus fundamentos
lançados nos autos, em voto escrito ou em transcrição na ata de julgamento do
voto oral proferido, com seus fundamentos.
§ 5º Será atualizado nos autos o relatório de antecedentes do representado,
sempre que o relator o determinar.
Art. 63. Na hipótese prevista no art. 70, § 3º, do EAOAB, em sessão especial
designada pelo Presidente do Tribunal, serão facultadas ao representado ou ao
seu defensor a apresentação de defesa, a produção de prova e a sustentação
oral.
Art. 64. As consultas submetidas ao Tribunal de Ética e Disciplina receberão
autuação própria, sendo designado relator, por sorteio, para o seu exame,
podendo o Presidente, em face da complexidade da questão, designar,
subsequentemente, revisor.
Parágrafo único. O relator e o revisor têm prazo de 10 (dez) dias cada um para
elaboração de seus pareceres, apresentando-os na primeira sessão seguinte,
para deliberação.
Art. 65. As sessões do Tribunal de Ética e Disciplina obedecerão ao disposto no
respectivo Regimento Interno, aplicando-se-lhes, subsidiariamente, o do
Conselho Seccional.
Art. 66. A conduta dos interessados, no processo disciplinar, que se revele
temerária ou caracterize a intenção de alterar a verdade dos fatos, assim como
a interposição de recursos com intuito manifestamente protelatório, contrariam
os princípios deste Código, sujeitando os responsáveis à correspondente
sanção.
Art. 67. Os recursos contra decisões do Tribunal de Ética e Disciplina, ao
Conselho Seccional, regem-se pelas disposições do Estatuto da Advocacia e da
Ordem dos Advogados do Brasil, do Regulamento Geral e do Regimento Interno
do Conselho Seccional.
Parágrafo único. O Tribunal dará conhecimento de todas as suas decisões ao
Conselho Seccional, para que determine periodicamente a publicação de seus
julgados.
Art. 68. Cabe revisão do processo disciplinar, na forma prevista no Estatuto
da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil (art. 73, § 5º).
§ 1º Tem legitimidade para requerer a revisão o advogado punido com a sanção
disciplinar.
§ 2º A competência para processar e julgar o processo de revisão é do órgão de
que emanou a condenação final.
§ 3º Quando o órgão competente for o Conselho Federal, a revisão processar-
se-á perante a Segunda Câmara, reunida em sessão plenária.
§ 4º Observar-se-á, na revisão, o procedimento do processo disciplinar, no que
couber.
§ 5º O pedido de revisão terá autuação própria, devendo os autos respectivos
ser apensados aos do processo disciplinar a que se refira.
§ 6º O pedido de revisão não suspende os efeitos da decisão condenatória, salvo
quando o relator, ante a relevância dos fundamentos e o risco de consequências
irreparáveis para o requerente, conceder tutela cautelar para que se suspenda a
execução.
§ 7º A parte representante somente será notificada para integrar o processo de
revisão quando o relator entender que deste poderá resultar dano ao interesse
jurídico que haja motivado a representação.
Art. 69. O advogado que tenha sofrido sanção disciplinar poderá requerer
reabilitação, no prazo e nas condições previstos no Estatuto da Advocacia
e da Ordem dos Advogados do Brasil (art. 41).
§ 1º A competência para processar e julgar o pedido de reabilitação é do
Conselho Seccional em que tenha sido aplicada a sanção disciplinar. Nos casos
de competência originária do Conselho Federal, perante este tramitará o pedido
de reabilitação.
§ 2º Observar-se-á, no pedido de reabilitação, o procedimento do processo
disciplinar, no que couber.
§ 3º O pedido de reabilitação terá autuação própria, devendo os autos
respectivos ser apensados aos do processo disciplinar a que se refira.
§ 4º O pedido de reabilitação será instruído com provas de bom comportamento,
no exercício da advocacia e na vida social, cumprindo à Secretaria do Conselho
competente certificar, nos autos, o efetivo cumprimento da sanção disciplinar
pelo requerente.
§ 5º Quando o pedido não estiver suficientemente instruído, o relator assinará
prazo ao requerente para que complemente a documentação; não cumprida a
determinação, o pedido será liminarmente arquivado.