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Raça e Etnia: Conceitos e Evolução

Raça e etnia

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2.

2 Raça e etnia
O termo “raça” vem do latim ratio, que significa categoria, espécie ou tipo. Desde a antiguidade, na
história das ciências naturais, raça é o conceito utilizado pra classificar as espécies animais e vegetais.
Durante a Idade Média, o termo começa a ser utilizado para classificar a diversidade humana em
grupos fisicamente diferentes, designando, também, a descendência, e identificando um grupo que
tinha um antepassado compartilhado e que, por isso, mantinha características físicas em comum (LÉVI-
STRAUSS, 1973).

Na França, entre os séculos XVI e XVII, o conceito de raça passa a afetar e atuar nas relações entre as
classes sociais. Assim, a nobreza local — que se considerava descendente dos Francos, de origem
germânica — passa a identificar a população local como descendente de gauleses. Com isso, a nobreza
não se considerava apenas diferente, mas acreditava ser dotada de “sangue puro”, sugerindo que suas
habilidades e aptidões para reinar, administrar e até escravizar os gauleses eram naturais, uma vez
que os Francos eram uma raça superior.

Já no século XVIII, no contexto do Iluminismo, com o surgimento da disciplina de História Natural da


Humanidade (que mais tarde se desmembraria entre Biologia e Antropologia Física), o conceito de raça
— como é utilizado nas ciências naturais — passa a ser utilizado para catalogar a raça humana, uma
vez que “novos humanos” estavam sendo descobertos desde a era das navegações.

Os primeiros antropólogos no século XIX buscavam uma teoria que explicasse o panorama geral do
progresso cultural humano. Ao estudarem os relatos de viajantes, exploradores e colonizadores, eles
comparavam relatos no intuito de ordenarem as origens e a evolução das culturas. Nessa mesma
época, Dawin havia postulado em sua obra, “Origem das Espécies”, de 1859, a evolução orgânica dos
seres. Além disso, a teoria evolutiva também passa a ser aceita nas ciências, de modo que começa a
ser aplicada para explicar as diferenças entre as culturas. É nesse contexto que se desenvolvem as
teorias evolucionistas e o chamado “racismo científico”.

Assim, a grande estruturação dos estágios evolutivos das culturas, de acordo com a Antropologia
evolutiva, se dividia entre selvageria, barbarismo e civilização. Ou seja, de acordo com esses teóricos,
a evolução seria uma única linha que acompanharia toda a história cultual, com apenas um ponto de
partida: a selvageria; e um ponto de chegada: a civilização. Nesse cenário, o mundo ocidental estaria
em seu ponto máximo de desenvolvimento, destacando-se como povos civilizados. Foi esse
pensamento centrado e calcado na superioridade das culturas que legitimou as colonizações, o
imperialismo e, mais tarde, a ascensão do nazismo (LÉVI-STRAUSS, 1973; ERIKSEN; NIELSEN, 2010).

Dessa forma, podemos concluir que se os cientistas da época tivessem limitado o uso do conceito de
raça somente aos grupos humanos, de acordo com suas características físicas, ele passaria
desapercebido e suas classificações teriam permanecido ou sido rejeitadas, como acontece no
desenvolvimento do conhecimento científico. O que ocorre é que, a partir do estabelecimento de uma
escala de valores entre as chamadas raças humanas, relacionando características biológicas e
fenotípicas à qualidades morais, intelectuais e culturais, os indivíduos da raça “branca” foram definidos
coletivamente como superiores aos dos classificados como das raças “negra” e “amarela”, em função
de suas características físicas.

Você quer Ver?


O filme A Vênus Negra, de Abdellatif Kechiche, conta a história real de Saartje Baartman, uma sul-
africana da etnia coisã (chamada pelos colonizadores de Hotentote), que é levada como escrava para
Europa. Lá, ela passa a ser exibida em circos e feiras, além de servir como objeto de estudo por
cientistas da época.

Os avanços na ciência genética também mostraram que, mesmo com algumas doenças e
deformidades sendo hereditárias, assim como existem outros fatores biológicos que são encontrados
com maior frequência em algumas raças do que em outras; essas incidências não são suficientes para
demarcar a diferenciação racial ao redor do globo.

Diversas pesquisas comparativas concluíram que as heranças genéticas de duas pessoas de uma
mesma raça podem ser mais distantes do que as pertencentes à raças diferentes. Isso significa que um
norueguês, por exemplo, pode, geneticamente, ser mais próximo de um sudanês e mais distante de
um dinamarquês, da mesma maneira que uma rara doença genética pode ser encontrada tanto na
Europa quanto na Ásia. Dessa forma, biológica e cientificamente, não existem variadas raças, mas, sim,
apenas uma: a raça humana (LÉVI-STRAUSS, 1973).
Você quer Ver?
Na palestra intitulada “Kabengele Munanga fala sobre História da Diáspora Africana”, o Dr. Kabengele
Munanga, um importante antropólogo brasileiro-congolês, especializado em Antropologia da população
afro-brasielira; fala sobre a importância do ensino da história do continente africano e sobre o livro
“História da Diáspora Africana”. Vale a pena se aprofundar no assunto assistindo ao vídeo:
<https://youtu.be/BDKzWSouaqo>.

Contudo, mesmo que o conceito científico de raça utilizado para diferenciar os seres humanos não seja
mais validado pela ciência, isso não quer dizer que todos os indivíduos sejam geneticamente iguais. As
heranças genéticas são diferentes, mas não são suficientes para classificá-las em raças. A diversidade
genética é substancial à sobrevivência da espécie humana.

Portanto, atualmente, é impensável considerar que as características biológicas adaptativas sejam


“melhores” ou “piores”, “superiores” ou “inferiores” de uns para outros. Gradativamente, a
classificação dos povos a partir da raça foi perdendo espaço nos círculos acadêmicos e começa a ser
substituída pela noção de etnia.

Muitas pesquisas universitárias sugerem que o conceito de raça seja excluído de dicionários e textos
científicos. Ainda assim, a raça tida como a classificação de seres humanos é utilizada tanto no senso
comum quanto em estudos produzidos na área das ciênciasbiomédicas. Enquanto que, nas ciências
sociais, principalmente na Antropologia e na Sociologia, o conceito de raça é entendido como uma
categoria social, que denota dominação e exclusão.

Além da raça, temos, também, a etnia. Originária do grego ethnos (povo), ela é um conceito que
abrange os aspectos socioculturais, históricos e identitários de um povo. Dessa forma, ela pode ser
entendida como um complexo populacional que têm histórica ou mitologicamente a mesma
ancestralidade.

A etnia se caracteriza por compartilhar as mesmas crenças, a mesma língua, a mesma cultura, a
mesma visão de mundo e, na maioria das vezes, o mesmo território. Por exemplo, no território
brasileiro, existem várias etnias nativas que formavam verdadeiras nações indígenas na época do
descobrimento, e, ainda hoje, várias resistem. Mulçumanos, judeus, maoris e okinawanos são exemplos
de etnias que podemos encontrar em diversos países ao redor do globo.

Temos, ainda, que as etnias também podem constituir nações, como é o caso de quase toda a
totalidade do território africano, cujas etnias foram desfeitas e redistribuídas em novos territórios
coloniais. A etnia iorubá, por exemplo, hoje se encontra dividida entre as Repúblicas da Nigéria, de
Togo e de Benin.

Por estar atrelada ao conceito de cultura, a etnia não é um conceito fixo, uma vez que, assim como
qualquer sociedade, pode se transformar ao longo do tempo. O aumento populacional e o contato com
outros povos, fenômenos climáticos ou de ordem natural podem provocar mudanças em uma
determinada etnia. Temos que a população brasileira é formada pelo encontro de diversas etnias no
período colonial: as indígenas, as africanas e as ibéricas. Contudo, mais tarde, vieram asiáticos, árabes
e judeus. Assim, ao longo do tempo, a fusão dessas etnias originou as novas populações que
preservaram traços físicos e culturais, mas também que evoluíram.

Com isso, os agrupamentos humanos se desenvolveram de formas diferentes, criando diversas


sociedades, cada qual com sua própria maneira de organização e seus sistemas de crenças. As
sociedades desenvolvem estratégias para se relacionarem entre si e com outros grupos sociais, assim
como com o meio ambiente.

A diversidade das culturas existentes são tantas quanto à pluralidade da existência humana. Assim, é
importante termos em mente que são variadas as diferenças culturais e que, consequentemente, são
muitas as etnias. No entanto, vale lembrar que todas pertencem à raça humana.

No próximo tópico, entenderemos um pouco mais sobre a diversidade por meio do estudo sobre a
presença de índios e negros na formação da cultura brasileira.

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