Psicologia Brasileira e Políticas Públicas
Psicologia Brasileira e Políticas Públicas
[Link] Artigo
Abstract: The promulgation of the 1988 Constitution had the participation of many social
movements in its elaboration and determined the creation and management of public policies,
significantly changing the professional practice of psychology in Brazil, up to then hegemonically
exercised in private practices. Faced with a national scenario that created several public policies
that mainly regulated the participation of the category in work teams in mental health and social
assistance, the Psychology Councils System – a federal autarchy created by Law 5.766/71 with the
function of guiding, disciplining, and supervising the profession in Brazil – organized the Center
of Technical References in Psychology and Public Policies, CREPOP. This study analyzed the 35
technical references (RTs) CREPOP produced from 2006 to 2021, a national network to research
and disseminate knowledge on the practice of psychologists in public policies. The analysis showed
that CREPOP represents a milestone in the recent history of psychology and public policies in the
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Psicologia: Ciência e Profissão 2024 v44nspe1, e276207, 1-16.
country. In doing so, it states a certain psychology, a Brazilian psychology, a know-how that is unable
to be dissociated from a debate on intersectionality and subjectivation of the Brazilian population.
The analyzed RT set shows this technical-ethical-political path in its compiled guidelines, stating
the inseparability of an intersectional reading of the national reality and, therefore of the people
assisted by the different Brazilian public policies, for the practice of psychology in these spaces.
Keywords: Psychology, Public Policy, History of Psychology.
1
De acordo com o Censo da Psicologia brasileira realizado no ano de 2022 pelo Conselho Federal de Psicologia ([CFP], 2022), a profissão
é exercida por quase 80% de mulheres, argumento pelo qual justificamos o uso do feminino ao longo de todo texto para nos referirmos
à categoria profissional.
2
Barbosa, R. B., Costa, J. S., Cardoso, P. J., & Scrivano, I. (2024). Construindo uma Psicologia (brasileira).
políticas públicas. O Centro produz e atualiza publi- referências serem materiais públicos, as reflexões
cações chamadas de referências técnicas (RTs). Até o acerca de sua produção, bem como as reverberações
ano de 2021, foram 19 campos distintos das políticas na formação e atuação profissional, foram possibilita-
públicas brasileiras sobre os quais o Crepop se debru- das também a partir desse lugar.
çou para orientar o exercício da Psicologia. Neste Considerando tratar-se de um instrumento de
texto, foram utilizadas como material de análise as orientação da prática profissional da psicologia no
352 RTs produzidas pelo Crepop desde 2006 até 2021, Brasil em vigência há quase duas décadas, o Crepop
ou seja, ao longo dos 15 primeiros anos de existência e as RTs por ele produzidas representam um marco
do Centro. A partir de uma análise dos textos des- na história recente da psicologia. Ao orientarem a
sas referências, este trabalho constrói uma história prática profissional a partir dos pressupostos que
recente da Psicologia, em interface com distintas polí- apresentam, organizam as políticas públicas brasilei-
ticas públicas, localizando o Crepop. ras e impactam a formação em psicologia no Brasil,
Para possibilitar uma leitura acerca das RTs não afirmando uma certa psicologia3 brasileira, saber-
enquanto objetos isolados, mas considerando a rede -fazer que não pode estar dissociado (em especial
de forças que as constitui, da qual elas são produ- na interface com políticas públicas no Brasil) de um
tos, foi utilizado o método de pesquisa da cartografia debate sobre interseccionalidade e subjetivação da
(Passos, Kastrup, & Escóssia, 2015). Entendendo as população brasileira, uma vez que considera marca-
formas como as figuras já estabilizadas e de contornos dores como os de gênero, orientação sexual, território,
definidos e as forças como o movimento permanente deficiência, raça e classe. O conjunto de RTs analisa-
que molda essas formas, a cartografia se configura das permite que seja feita a observação de que existe
enquanto método para traçar o processo de constitui- também um caminho técnico-ético-político dentre as
ção das formas a partir da análise das forças (Escóssia orientações ali compiladas e assim a construção/afir-
& Tedesco, 2015). Sendo assim, ela rompe com o para- mação desse fazer para a psicologia em exercício nas
digma positivista que se volta para a obtenção de um políticas públicas no Brasil nessas primeiras décadas
conhecimento universal e busca construir, ao contrá- do século XXI.
rio, um saber localizado (Haraway, 1995), que coloca
em análise, inclusive, quem são as pesquisadoras que 15 anos do Centro de Referência Técnica
produzem esse conhecimento. A objetividade cien- em Psicologia e Políticas Públicas
tífica primada pela cartografia não se constitui por O Sistema Conselhos de Psicologia organiza a cada
meio da neutralidade científica (neutralidade esta que três anos uma consulta às psicólogas brasileiras para
considera inatingível), mas a partir da análise do lugar que se pronunciem (e elejam delegadas-representan-
que se ocupa na pesquisa. tes) acerca dos interesses quanto aos direcionamentos
Por isso, torna-se importante evidenciar que que a profissão deve seguir. Compilados na forma de
este texto foi elaborado a partir das reflexões de uma deliberações regionais e nacionais, as regionais são dis-
equipe que compôs a Rede Crepop no ano de 2022. cutidas e aprovadas durante os Congressos Regionais
Também pesquisadoras, as autoras debruçaram-se de Psicologia (Coreps). Da mesma forma, as delibera-
sobre seu trabalho cotidiano, transformando-o em um ções nacionais aprovadas são novamente discutidas
instrumento cuja análise permite afirmar a importân- (pelas delegadas eleitas nos Coreps), agora em âmbito
cia da interseccionalidade na prática da psicologia nas nacional, durante o Congresso Nacional de Psicologia
políticas públicas no período pesquisado. Apesar das (CNP). Durante o V CNP, no ano de 2004, a criação
2
Ainda que sejam 19 campos distintos das políticas públicas brasileiras para os quais o Crepop produziu orientação para a prática de
psicólogas, o número total de publicações do Centro no período de 2006 a 2021 é 35. Isso porque nesse total foram incluídas as primeiras
versões das referências técnicas que já foram atualizadas nesse intervalo, bem como aquelas elaboradas especificamente para gestores
e gestoras do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Único da Assistência Social (SUAS). Maior detalhamento acerca do material
analisado será apresentado adiante no texto.
3
Martín-Baró (1997) evidencia como a psicologia se apresenta como um campo de saber e de disputas entre múltiplas orientações teó-
rico-políticas. Ao falar do contexto latino-americano, ressalta a necessidade da produção de saberes em psicologia que não se reduzam
a uma importação de teorias do Norte Global, sem vinculação com o contexto histórico, político e social dos territórios e instrumento
de manutenção da ordem social. Desse modo, uma psicologia brasileira precisa levar em consideração as especificidades econômicas,
sociais, territoriais, raciais, etc, do país (Santos & Schucman, 2015).
3
Psicologia: Ciência e Profissão 2024 v44nspe1, e276207, 1-16.
Quadro 1
Referências técnicas do Crepop
Ano da
Título da Publicação
publicação
1. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) no CRAS/SUAS (Atualizada em 2021) 2007
Referências técnicas para a prática do/a psicólogo/a nos Programas de DST e AIDs
2. 2008
(Atualizada em 2020)
Saúde do Trabalhador no âmbito da Saúde Pública: referências para atuação do(a)
3. 2008
psicólogo(a) (Atualizada em 2019)
Serviços de proteção social a crianças e adolescentes vítimas de violência, abuso e
4. 2009
exploração sexual: Referências para atuação do psicólogo (Atualizada em 2020)
Referências técnicas para atuação de psicólogos no âmbito das medidas socioeducativas
5. 2010
em unidades de internação (Atualizada em 2021)
6. Referências técnicas para atuação do psicólogo em Varas de Família (Atualizada em 2019) 2010
Como os psicólogos e as psicólogas podem contribuir para avançar o Sistema Único de
7. 2011
Assistência Social (SUAS) – Informações para gestoras e gestores (Em atualização)
Senhoras e senhores Gestores da Saúde: Como a Psicologia pode contribuir para o avanço
8. 2011
do SUS (Atualizada em 2013)
Referências técnicas para atuação das(os) psicólogas(os) no Sistema Prisional
9. 2012
(Atualizada em 2021)
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em Programas de Medidas
10. 2012
Socioeducativas em Meio Aberto (Atualizada em 2021)
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em Programas de Atenção à Mulher
11. 2012
em Situação de Violência (Em atualização)
Referências técnicas para atuação de psicólogas nos Centros de Referência Especializada
12. 2012
de Assistência Social – CREAS (Em atualização)
Referências técnicas para atuação das(os) psicólogas(os) em Questões Relativas à Terra
13. 2013
(Atualizada em 2019)
continua...
4
No ano de 2023, o Sistema Conselhos de Psicologia é composto por 24 unidades regionais. O Crepop está presente em 23 unidades.
4
Barbosa, R. B., Costa, J. S., Cardoso, P. J., & Scrivano, I. (2024). Construindo uma Psicologia (brasileira).
...continuação
Ano da
Título da Publicação
publicação
Como a Psicologia pode contribuir para o avanço do SUS – Orientações para gestores
14. 2013
(Versão atualizada)
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em políticas públicas sobre álcool e
15. 2013
outras drogas (Atualizada em 2019)
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) no CAPS – Centros de Atenção
16. 2013
Psicossocial (Atualizada em 2022)
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) na educação básica
17. 2013
(Atualizada em 2019)
18. Relações raciais: Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) 2017
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em políticas públicas de mobilidade
19. 2018
humana e trânsito
20. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) nos serviços hospitalares do SUS 2019
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em questões relativas à terra
21. 2019
(Versão atualizada)
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em Varas de Família
22. 2019
(Versão atualizada)
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em políticas públicas sobre álcool e
23. 2019
outras drogas (Versão atualizada)
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) na educação básica
24. 2019
(Versão atualizada)
25. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em políticas públicas de esporte 2019
Saúde do Trabalhador no âmbito da saúde pública: Referências para atuação da(o)
26. 2019
psicóloga(o) (Versão atualizada)
27. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) com Povos Tradicionais 2019
28. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) na Atenção Básica à Saúde 2019
Referências técnicas para a atuação de psicólogas(os) nos Programas e Serviços IST/HIV/
29. 2020
AIDS (Versão atualizada)
30. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) na política de segurança pública 2020
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) na rede de proteção a crianças e
31. 2020
adolescentes em situação de violência sexual (Versão atualizada)
32. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) no CRAS/SUAS (Versão atualizada) 2021
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em Medidas Socioeducativas
33. 2021
(Versão atualizada)
Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) na Gestão Integral de Riscos,
34. 2021
Emergências e Desastres
Referências técnicas para atuação das(os) psicólogas(os) no sistema prisional 2021
35.
(Versão atualizada)
Dentre as RTs produzidas pelo Crepop, existem Assistência Social [CREAS]), Gestão Integral de
orientações para a prática da Psicologia em dezenove Riscos, Emergências e Desastres, Sistema Prisional,
campos distintos das políticas públicas brasileiras: Segurança Pública, Justiça (Varas de Família), Rede de
Educação Básica, Socioeducação, Proteção Social Proteção a Criança e Adolescente Vítima de Violência
Básica (Centro de Referência de Assistência Social Sexual, Atenção a Mulheres em Situação de Violência,
[CRAS]) e Proteção Social Especial em Assistência Atenção Básica a Saúde, Serviços Hospitalares do
Social (Centro de Referência Especializado em Sistema Único de Saúde (SUS), Saúde Mental (Centro
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Psicologia: Ciência e Profissão 2024 v44nspe1, e276207, 1-16.
de Atenção Psicossocial [CAPS]), Álcool e Outras são questões que ganham dimensões institucio-
Drogas, Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), nais consideráveis no cotidiano dessas unidades
Mobilidade Humana e Trânsito, Esportes, Saúde do (CFP & Crepop, 2021d, p. 100).
Trabalhador e Questões Relativas à Terra. Ainda, exis-
tem RTs voltadas para atenção a públicos que tran- Da mesma forma, a RT de programas e serviços
sitam por diferentes políticas públicas, como a RT de IST/HIV/AIDS (CFP & Crepop, 2020a) enfatiza a
de Povos Tradicionais (CFP & Crepop, 2019h), assim necessidade de posicionamento crítico diante das
como com temáticas transversais à prática em qual- discussões de gênero e sexualidade dentro da política:
quer política pública, como a RT de relações raciais
(CFP & Crepop, 2017). Em decorrência dessas implicações, o trabalho
Debruçando sobre esse conjunto das RTs produ- da(o) psicóloga(o) na área de ISTs, HIV e aids deve
zidas pelo Crepop, treze delas foram atualizadas em reconhecer as forças em disputa atuantes sobre
virtude de mudanças ocorridas nas políticas públicas as políticas públicas que envolvem os temas rela-
que impactaram a prática profissional, e três são vol- cionados a sexualidade e ao gênero. E também se
tadas para o diálogo com gestores e gestoras de políti- posicionar de modo crítico, no sentido de pro-
cas públicas, SUS e SUAS. blematizar concepções essencialistas, naturali-
De forma geral, as RTs são apresentadas com zantes da heteronormatividade e dos padrões de
quatro eixos de debate: inicialmente, há a contextu- gênero que estimulam preconceitos e que impe-
alização da política pública em questão, seguida por dem ações educativas e preventivas e que afetam
uma discussão acerca do saber da Psicologia na sua a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV
relação com tal política pública, em capítulo que pre- ou que estão em tratamento de outras ISTs ou
cede reflexões sobre a atuação de psicólogas na área, Aids (CFP & Crepop, 2020a, p. 49).
o terceiro eixo. Por fim, o último eixo trata da gestão
do trabalho naquela política pública; a depender da Ainda, pode-se encontrar na RT de álcool e
RT, uma vez que o conjunto delas apresenta diferentes
outras drogas (CFP & Crepop, 2019d), uma enfati-
características, esse debate pode estar ausente.
zação do contexto histórico brasileiro sobre as dro-
Além disso, pode-se observar nas RTs, prin-
gas e o reconhecimento de sua relação direta com o
cipalmente nas mais recentes, uma perspectiva
racismo, provocando a criminalização e controle da
de compromisso ético da categoria profissional
população negra.
de psicólogas(os) com a preservação de direitos e
reconhecimento das múltiplas categorias sociais e
Eixo I – Dimensão ético-política da atuação da(o)
das dinâmicas territoriais, raciais, de gênero, sexu-
psicóloga(o) na política de álcool e outras drogas:
alidade etc. presentes em cada política pública em
Neste eixo vamos tratar da contextualização his-
que essas profissionais se inserem. Na RT de sistema
tórica sobre drogas, enfocando as raízes e moti-
prisional (CFP & Crepop, 2021d), por exemplo, a dis-
vações do proibicionismo, bem como a crimi-
cussão sobre saúde das pessoas privadas de liber-
nalização dos hábitos e o controle dos corpos de
dade chama a atenção não apenas para a Política
alguns grupos étnicos, marcados pelo racismo e
Nacional de Atenção Integral das Pessoas Privadas
violência do Estado (CFP & Crepop, 2019d, p. 25).
de Liberdade (PNAISP), mas para a situação espe-
cífica de saúde das mulheres privadas de liberdade,
da população de lésbicas, gays, bissexuais, trans e
intersexo (LGBTI) privada de liberdade e de pessoas Metodologia de produção das referências
em sofrimento psíquico em medidas de segurança. técnicas adotada pelo Crepop
Na produção de cada uma das RTs, a Rede
As violações em relação ao exercício da mater- Crepop adota uma metodologia própria, apresentada
nidade e à atenção aos(às) filhos(as) de pessoas em publicação de 2012: Metodologia do Centro de
privadas de liberdade são recorrentes, além do Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas
racismo e do preconceito em relação à orienta- (CFP & Crepop, 2012a). Nessa publicação, a metodo-
ção sexual e à identidade de gênero que também logia para a produção das RTs se divide em três etapas:
6
Barbosa, R. B., Costa, J. S., Cardoso, P. J., & Scrivano, I. (2024). Construindo uma Psicologia (brasileira).
levantamento do campo, investigação da prática pro- existência ou não de RTs que abarquem os debates
fissional e produção da referência técnica. elencados, assim como a distribuição nacional de
A primeira etapa busca conhecer de forma psicólogas atuando na área apontada. Os temas sele-
ampliada a temática pesquisada, identificando como cionados são debatidos em reunião nacional da Rede,
a política está consolidada nacional e regionalmente. que submete à decisão da Apaf, finalizando assim a
Para isso, o Crepop, a nível federal, levanta os marcos escolha dos temas dos ciclos de pesquisa do ano. Com
legais da política pesquisada, enquanto as unida- a deliberação para o início do ciclo de pesquisa, a Rede
des regionais fazem o levantamento desses marcos Crepop se reúne para construir uma nota técnica que
em seus estados e municípios, além de mapearem, orientará nacionalmente os passos da pesquisa na
com as gestões estaduais e municipais, os serviços, temática escolhida. Nesse momento, são elaborados
programas e equipamentos em funcionamento, con- os instrumentos da pesquisa, como o questionário
selhos de controle social que fiscalizam a política e o online e o roteiro de entrevistas, enquanto a Rede
número de psicólogas atuantes. Crepop discute coletivamente as bases teóricas que
A partir desse mapeamento inicial, a etapa de orientarão a pesquisa.
investigação da prática profissional se inicia, buscando É importante evidenciar que, em alguns casos,
conhecer a prática já em curso desenvolvida por psi- a elaboração das RTs não passa por esse ciclo de pes-
cólogas que atuam na política pesquisada. Para isso, quisa descrito, pois o Crepop não é apenas um centro
é divulgado um questionário online, de abrangência que sistematiza uma prática já consolidada da psico-
nacional, que almeja alcançar um grande número de logia nas políticas públicas, mas também tem impor-
profissionais, mas também é feita uma pesquisa qua- tante papel na indução para a atuação da psicologia
litativa que conta com entrevistas individuais e em em novas áreas. Nos casos em que o campo de pes-
grupo, realizadas pelos Crepops regionais de modo des- quisa ainda está em consolidação e há um número
centralizado, buscando acesso à realidade das psicólo- reduzido de profissionais atuantes, a elaboração das
gas naquela política5. Ao final do questionário online referências ocorre somente por meio de comissão
e da realização das entrevistas, as unidades regionais ad hoc. As referências assim produzidas são subme-
elaboram um relatório que sistematiza as informações tidas à consulta pública para apreciação da categoria,
coletadas e enviam para o Crepop a nível federal. antes do lançamento de sua versão final. Das referên-
Por fim, inicia-se a última etapa para a produção cias listadas anteriormente, somente sete foram cons-
da referência técnica, na qual comissões de especia- truídas integralmente pela comissão de especialistas:
listas formadas por psicólogas e pesquisadoras reco- Como os psicólogos e as psicólogas podem contribuir
nhecidas nas respectivas áreas de estudo fazem uso para avançar o Sistema Único de Assistência Social
dos relatórios regionais enviados e elaboram uma pri- (SUAS) – Informações para gestoras e gestores (2011a),
meira versão da referência. Mais uma vez, a categoria Senhoras e senhores gestores da saúde: Como a psico-
tem a possibilidade de opinar sobre esse texto, já que logia pode contribuir para o avanço do SUS (2011b),
ele é submetido para consulta pública para recolher Relações raciais: Referências técnicas para atuação de
considerações das psicólogas sobre o texto preliminar psicólogas(os) (2017), Referências técnicas para atu-
da futura referência técnica. Por último, após a escuta ação de psicólogas(os) em questões relativas à terra
das profissionais e considerando suas contribuições, (2019b), Referências técnicas para atuação de psi-
a comissão de especialistas elabora a versão final da cólogas(os) em políticas públicas de esporte (2019f),
referência técnica e publica. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os)
Antes de iniciar cada um dos ciclos de pesquisa, com povos tradicionais (2019h) e Referências técnicas
é feito um levantamento nas deliberações apontadas para atuação de psicólogas(os) na gestão integral de
pelas psicólogas no CNP antecedente, de temas das riscos, emergências e desastres (2021c).
políticas públicas para as quais entendem a impor- Torna-se evidente o caráter participativo de ela-
tância de aprimoramento nos debates. Observa-se a boração das RTs desde seu início, quando os temas
5
A participação na etapa de entrevistas ocorre voluntariamente, a partir de inscrição em formulário de interesse divulgado juntamente
com o questionário online. Caso não seja possível atender a toda mostra desenhada em nota técnica pela Rede para aquele ciclo de
pesquisa apenas com as inscrições em formulário de interesse, é feita busca ativa de profissionais atuantes naquela política pública
pesquisada, inclusive a partir de indicações de integrantes dos plenários regionais.
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Psicologia: Ciência e Profissão 2024 v44nspe1, e276207, 1-16.
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O período escolhido se justifica considerando que a primeira publicação do Crepop é do ano de 2007 e que nosso recorte termina com
as publicações do ano de 2021, ou seja, incluindo no mapeamento também os artigos publicados em 2022, pudemos observar a presen-
ça das publicações do Centro que foram lançadas ao longo dos seus 15 primeiros anos de existência.
8
Barbosa, R. B., Costa, J. S., Cardoso, P. J., & Scrivano, I. (2024). Construindo uma Psicologia (brasileira).
contextos rurais: Desafios éticos e metodológicos de seus 15 primeiros anos de existência, 16 foram cita-
para a Psicologia” – que citou a RT de questões rela- das na produção científica brasileira em Psicologia e
tivas à terra (CFP & Crepop, 2013a); “A representação políticas públicas no período pesquisado. A referên-
social da psicóloga gestora pública”, produzida por cia técnica que mais foi mencionada foi a do CRAS/
Hedler, Faleiros, Alonso e Santos (2018), que citou SUAS (CFP & Crepop, 2007) – sete vezes –, seguida pela
as RTs de CRAS/SUAS (CFP & Crepop, 2007), de varas de mulher em situação de violência (CFP & Crepop,
de família (CFP & Crepop, 2010b), Sistema Único de 2012d) – quatro vezes –, do SUAS (CFP & Crepop,
Assistência Social (SUAS) – Informações para gestoras 2011a) – três vezes –, e a de proteção social a crianças
e gestores (CFP & Crepop, 2011a) e gestores da saúde e adolescentes vítimas de violência, abuso e exploração
(CFP & Crepop, 2013b); e o artigo “Os mortos e feri- sexual (CFP & Crepop, 2009) – três vezes.
dos na “guerra às drogas”: Uma crítica ao paradigma Esse levantamento das citações das RTs também
proibicionista” de Rybka, Nascimento e Guzzo (2018), evidencia a importância da Psicologia enquanto saber
que citou a RT de álcool e outras drogas (CFP & capaz de contribuir com distintas políticas públicas
Crepop, 2013c) e de CAPS (CFP & Crepop, 2013d). nesse período, com destaque para aquelas que inte-
Em 2019, 2020 e 2021, seis artigos utilizaram-se gram o SUAS e o SUS, assim como o Sistema de Justiça.
das RTs do Crepop em suas referências bibliográfi-
cas. Em 2019, a RT do CAPS (CFP & Crepop, 2013d) Crepop na história da Psicologia
foi citada na publicação “Efeitos terapêuticos de ofi- (brasileira): interseccionalidade e prática
cinas dialógicas: A fala em contexto de reforma psi- em políticas públicas
quiátrica” de Soares et al. (2019) e a RT de mulher No Brasil, a Psicologia foi regulamentada
em situação de violência (CFP & Crepop, 2012d) no enquanto profissão pela Lei nº 4.119, de 27 de agosto
artigo “A Psicologia junto aos Centros Especializados de 1962. Nos anos 60, havia pouca inserção da
de Atendimento à Mulher” de Gonsalves & Gonçalves Psicologia nos espaços sociais – o campo de maior
(2019). A RT de mulher em situação de violência atuação da psicologia era a prática clínica da psicote-
(CFP & Crepop, 2012d) foi novamente citada em rapia, em consultório particular, realizada por um pro-
publicação de 2020, juntamente com a RT de relações fissional liberal autônomo (Bárbara, Costa, & Barbosa,
raciais (CFP & Crepop, 2017). As duas publicações 2022). O exercício profissional da psicologia foi regu-
de 2021 que se utilizaram das RTs do Crepop foram lamentado quase uma década mais tarde, a partir da
“O complexo cenário municipal da atenção assisten- Lei nº 5.766/1971, que criou o Sistema Conselhos de
cial para crianças e adolescentes” (Benelli, 2021) – Psicologia, ao qual atribuiu a responsabilidade por
RTs de proteção social a crianças e adolescentes vítimas orientar, disciplinar e fiscalizar a prática da Psicologia
de violência (CFP & Crepop, 2009), medidas socioedu- no país. De acordo com Bock et al. (2010), nessa mesma
cativas em unidades de internação (CFP & Crepop, época, emergiu a psicologia comunitária brasileira,
2010a) e de medidas socioeducativas de meio aberto que se contrapunha às práticas hegemônicas norma-
(CFP & Crepop, 2012c) – e o artigo de Pires e Ximenes tizadoras e à política de Estado autoritário da época.
(2021), “Sentidos atribuídos por profissionais de psi- A psicologia comunitária, com sua aproximação aos
cologia sobre a redução de danos”, que citou a RT de movimentos sociais, produziu saberes e práticas
álcool e outras drogas (CFP & Crepop, 2019d). acerca dos processos sociais, saindo de uma visão
A última publicação científica no período pesqui- individualizante, até então hegemônica, e passando
sado que citou uma RT do Crepop foi lançada em 2022, a um aumento de psicólogas e pesquisadoras críticas
“Avaliação de políticas públicas: Desafios e potencia- às práticas da Psicologia marcadas por perspectivas
lidades para a psicologia” de Figueiredo (2022) e fez assistencialistas e patologizantes. As experiências nos
referência às RTs do SUAS (CFP & Crepop, 2011a) e de setores da educação, saúde e luta antimanicomial
questões relativas à terra (CFP & Crepop, 2019b). foram importantes para o reconhecimento de que os
De 2011 até 2022, as RTs do Crepop vêm se man- indivíduos não podem ser considerados fora de seus
tendo entre as referências bibliográficas da produção contextos sociais e históricos. Assim, ao longo das
científica em Psicologia e políticas públicas, assim décadas de 1970 e 1980, houve maior aproximação
impactando a formação em Psicologia no Brasil. da psicologia com as esferas sociais, isto é, uma par-
Das 35 publicações produzidas pelo Crepop ao longo ticipação da Psicologia que reconhecia os fenômenos
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Psicologia: Ciência e Profissão 2024 v44nspe1, e276207, 1-16.
sociais como elementos que atravessavam as subjeti- A ideia do CREPOP era produzir para a atua-
vidades e se comprometia com a garantia de direitos ção da Psicologia, dos psicólogos e psicólogas,
sociais (Bock et al., 2010). nas políticas públicas, uma sistematização,
Segundo Ana Bock, quando assumiu a presidên- a partir daquilo que já vinha sendo feito, a par-
cia do CFP no final dos anos 90, existia um contin- tir da contribuição de pessoas que estudavam,
gente muito grande de psicólogas formadas e prontas pesquisavam, davam aula, trabalhavam naquele
para o mercado: campo, para que a gente pudesse oferecer refe-
rências para atuação. . . . Então, era a ideia de
E nós queríamos batalhar de uma forma cor- podermos investir numa atuação da Psicologia,
porativa, por emprego, por mercado de traba- junto às políticas públicas. Por quê? Porque era
lho, por espaço social. Mas nós não queríamos ali, no mercado de trabalho, que nos garantia a
de qualquer jeito. Nós queríamos que fosse um possibilidade de acessar, de dar acesso à maior
determinado espaço, que fosse guiado pela ideia parte da população brasileira, deselitizando de
do compromisso social, do atender a maior parte vez a Psicologia (Bárbara et al., 2022, p. 165).
da população, do servir à sociedade brasileira nas
suas urgências (Bárbara et al., 2022, p. 161). Desde a criação do Crepop, foram elaboradas RTs
relacionadas a diferentes áreas das políticas públicas
Foi no início do primeiro governo do presidente brasileiras, como saúde, educação, sistema prisional,
Lula que o CFP conseguiu apresentar as diversas áreas segurança pública, assistência social, entre outras.
de atuação da Psicologia para a sociedade brasileira, Como já mencionado, a construção das referências
por meio do Banco Social de Serviços em Psicologia. se dá a partir da participação da própria categoria
que já atua naquela política pública (CFP & Crepop,
Nós, então, apresentamos ao Governo Lula . . . 2012a). A participação de psicólogas é importante
o nosso projeto, e fomos destinados, endereça- para a identificação das principais demandas, difi-
dos, enviados, a alguns Ministérios. . . . E eles culdades e potencialidades da atuação da Psicologia,
acabaram escolhendo algumas prioridades: que contribui para mudanças nas próprias formas de
educação, trabalho, a questão do desemprego, organização das políticas. No âmbito do sistema pri-
a questão da saúde mental, a questão das medi- sional, por exemplo, o processo de construção da RT
das socioeducativas, a questão da comunica- evidenciou a importância da atuação da Psicologia
ção e a questão dos presídios. Em 2003, então, para a desconstrução de noções sobre punição, pri-
nós conseguimos instalar um projeto que se são, entre outros, e para a garantia de direitos huma-
chamou “Banco Social de Serviços em Psico- nos às pessoas privadas de liberdade (CFP & Crepop,
logia”. Era um projeto com caráter voluntário, 2021d). Já na educação, a construção da RT para a prá-
quer dizer, nós inscrevíamos horas, as pessoas tica de psicólogas na educação básica (CFP & Crepop,
depositavam hora no banco e diziam: “Eu traba- 2019e) contribuiu para evidenciar as práticas e pro-
lho na área de Psicologia do Trabalho, eu quero postas de realização de trabalho por psicólogas, que
colaborar e eu tenho duas horas por semana”. dão suporte também ao trabalho em rede com pro-
Nós fizemos um banco de horas no Brasil todo. fissionais de demais áreas da educação e gestores das
Era para ficar imenso. Não ficou. Não ficou, havia esferas municipais, estaduais e federais. Além disso,
um questionamento, uma certa tensão sobre evidenciou as contribuições concretas da Psicologia
a questão de ser voluntariado, por que prestar para o bem-estar e produção de saúde em todo o
serviço voluntário. A gente explicava: “Gente, ambiente escolar, mostrando, portanto, a importân-
nós não estamos prestando exatamente um ser- cia da presença de psicólogas nas políticas públicas
viço. Nós estamos nos apresentando, é um car- de educação. Desse modo, as RTs vêm contribuindo
tão de visita” (Bárbara et al., 2022, p. 163). para o desenvolvimento e organização do trabalho
das psicólogas nas políticas públicas e, assim, para a
O Banco Social de Serviços em Psicologia funcio- organização também das próprias políticas públicas
nou de 2003 a 2005. Em 2006, foi lançado o Crepop. nas quais a profissão vem se inserindo.
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Barbosa, R. B., Costa, J. S., Cardoso, P. J., & Scrivano, I. (2024). Construindo uma Psicologia (brasileira).
É importante evidenciar que as RTs não buscam opressões que não podem ser analisadas separada-
ser manuais que prescrevem o que deve ou não ser mente (Crenshaw, 2002).
feito, e sim constroem uma orientação técnica para Patricia Hill Collins e Sirma Bridge (2021),
a qualificação da atuação da categoria nas políticas ao observarem contextos como os do Estados Unidos
públicas, técnica que é respaldada por uma ética e e do Brasil e constatar que a estrutura da desigualdade
política delimitadas. Orientando-se por uma ética social é racializada e generificada, afirmam que a
de afirmação dos direitos humanos e por uma polí- interseccionalidade sofistica a forma como, por muito
tica que visa a transformação da realidade brasileira, tempo, foram pensadas as desigualdades econômi-
produz-se um saber técnico que se expressa nas RTs cas, exclusivamente pela categoria classe, reconhe-
por meio da defesa de uma Psicologia comprometida cendo sua interconexão com as outras categorias de
socialmente. Assim, o Crepop, em sua interface com opressão: gênero, raça etc. Ainda segundo as autoras,
as políticas públicas, contribui para a construção de a interseccionalidade, além de contribuir para a com-
uma Psicologia brasileira que parte e reflete sobre as preensão dos fenômenos sociais produzidos a partir
questões que formam a subjetividade de nossa popu- da intersecção dessas estruturas de opressão, contri-
lação, fortalecendo uma psicologia implicada com o bui para a potencialização de respostas às injustiças
território nacional. sociais. Nesse sentido, essa ferramenta se forja em ali-
Nessa sociedade, estruturada pelo racismo, pelo nhamento com a luta por justiça social.
machismo, pela LGBTIfobia, pelo capacitismo, pela A análise interseccional parte de uma compreen-
desigualdade de classes (Pires, 2019), é preciso que a são acerca de determinada realidade social e a especi-
atuação da psicologia, não só nas políticas públicas, ficidade das interações de classe, raça, gênero, sexu-
leve esses fatores em consideração. Para isso, é impres- alidade etc. Dessa maneira, segundo Collins e Bilge
cindível uma prática que parta de um olhar intersec- (2021), a interseccionalidade pode ser ferramenta
cional sobre a realidade brasileira, trazendo para o capaz de expor como políticas públicas de Estados-
primeiro plano as marcas das desigualdades que nos Nação, como o Brasil, estão reduzindo ou agravando
constituem. A interseccionalidade, então, aparece as desigualdades sociais. Ao ser instrumentalizada
como lente analítica potente para o trabalho que a por profissionais e ativistas inseridos naquele cená-
psicóloga atuante no Brasil recebe como orientação a rio, a interseccionalidade permite, para além de
partir das RTs do Crepop, porque um olhar intersec- uma investigação teórica sobre certa política e seus
cional pode auxiliar a evidenciar os entrecruzamentos impactos na vida de grupos sociais por ela atendidos,
produzidos pelas marcas que constituem os brasilei- uma práxis – a proposição de medidas práticas de
ros, e refletir sobre nossa atuação (enquanto psicó- transformação daquela realidade. Dito isso, apesar do
logas) nas políticas públicas, considerando, de fato, termo interseccionalidade ser um conceito cada vez
quem são as pessoas atendidas por essas políticas. mais utilizado dentro dos espaços acadêmicos, um de
Resgatar o conceito de interseccionalidade como seus diferenciais de outras teorias críticas tradicionais
uma importante ferramenta analítica da realidade bra- é sua indissociabilidade de uma práxis.
sileira para a prática da Psicologia implica evidenciar Marcados por mais de 500 anos de escravização e
o protagonismo do feminismo negro, sobretudo no de colonização, o racismo e o colonialismo estruturam
final da década de 1980, quando o termo foi cunhado. a realidade brasileira (Santos, 2019) e se entrecruzam
Assim denominada primeiramente pela professora nas opressões de gênero, orientação sexual, classe,
e advogada estadunidense Kimberlé Crenshaw, a contra as pessoas com deficiência, para constituir a
interseccionalidade diz respeito a uma ferramenta nossa subjetividade (Santos, 2018). A construção de
para análise das relações de modo a complexificar uma psicologia marcadamente brasileira, sobretudo
e ampliar o entendimento das experiências. Assim, nas políticas públicas, em que atendemos a parcela
elementos como a raça, a classe, o gênero, o territó- mais vulnerabilizada da população, precisa levar esses
rio, a sexualidade, entre outros, não são percebidos fatores em consideração e, para além, precisa estar
enquanto grupos separados, mas como elementos comprometida com a garantia dos direitos humanos
que se cruzam e formam um produto. Sem buscar a e a superação dessas desigualdades, é o que afirma o
hierarquização de um elemento sobre o outro, a inter- Sistema Conselhos de Psicologia a partir das orienta-
seccionalidade aponta uma zona de confluência de ções contidas nas RTs do Crepop.
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Isabel Scrivano
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de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Rio de Janeiro – RJ. Brasil.
E-mail: [Link]@[Link]
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Recebido 03/07/2023
Aceito 06/02/2024
Received 07/03/2023
Approved 02/06/2024
Recibido 03/07/2023
Aceptado 06/02/2024
Como citar: Barbosa, R. B., Costa, J. S., Cardoso, P. J., & Scrivano, I. (2024). Construindo uma Psicologia (brasileira):
Crepop, Interseccionalidade e Prática em Políticas Públicas. Psicologia: Ciência e Profissão, 44 (n.spe1), 1-16.
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How to cite: Barbosa, R. B., Costa, J. S., Cardoso, P. J., & Scrivano, I. (2024). Building a (Brazilian) Psychology:
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Cómo citar: Barbosa, R. B., Costa, J. S., Cardoso, P. J., & Scrivano, I. (2024). Construyendo una Psicología (brasileña):
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